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quarta-feira, 23 de maio de 2018
quarta-feira, 9 de maio de 2018
A suspensão de Rúben Dias, o auto instaurado a Coentrão e a lógica dos sumaríssimos na era do VAR
A suspensão de Rúben Dias
O Conselho de Disciplina decidiu suspender o jovem central benfiquista por dois jogos. A decisão parece-me fazer todo o sentido. Saúde-se, também, a rapidez com que a questão foi julgada - ninguém ganharia nada com mais uma novela à la Slimani.
O auto por flagrante delito instaurado a Fábio Coentrão
Durante o dia de ontem, o Benfica fez uma participação disciplinar contra Rui Patrício, Mathieu, Coates e Coentrão por ocorrências registadas no dérbi. Não sei se por consequência direta dessas queixas, a Comissão de Instrutores da Liga decidiu abrir um auto por flagrante delito a Fábio Coentrão, por supostamente ter agarrado o pescoço de Samaris. Confesso que não me apercebi de nada no estádio nem vi nada de anormal nos resumos e análises ao jogo que vi mais tarde. Acabei por ficar a saber do assunto precisamente através da notícia sobre as queixas do Benfica e por causa desta foto que a acompanhava:
A imagem é bastante sugestiva, mas à boa moda dos frames à Benfica, ajuda a construir uma narrativa que nada tem a ver com o que se passou na realidade. Ontem à noite, a Sport TV+ mostrou as imagens da situação e, como poderão constatar, o frame é bastante enganador:
É absurdo que a Comissão de Instrutores abra um auto de flagrante delito a Coentrão por causa disto. Devem ter tomado essa decisão exclusivamente com base na fotografia que andou a circular. Pior sai a CI desta situação quando vemos que, nesta mesma ocorrência, houve outros jogadores que tiveram um comportamento bastante mais incorreto que Coentrão: Acuña e Salvio encostam a cabeça um no outro, Samaris agarra em Acuña para o separar de Salvio e Acuña responde afastando Samaris com os braços.
Não há aqui qualquer motivo para suspender Fábio Coentrão, tal como não há matéria para suspender Patrício, Coates ou mesmo Mathieu.
A lógica dos sumaríssimos na nova era do VAR
A suspensão de Rúben Dias foi, como seria de esperar, contestada por Rui Pedro Braz. O comentador reconheceu que o central deveria ter sido expulso, mas contornou a questão da justiça da suspensão através de uma questão processual: Braz acha que a Comissão de Instrutores da Liga não deveria ter instaurado um sumaríssimo porque, segundo ele, o VAR avaliou o lance e não encontrou motivos para expulsão. E estendeu o raciocínio para a existência de sumaríssimos na generalidade, defendendo que deixa de fazer sentido a abertura de inquéritos com base em imagens televisivas a partir do momento em que o VAR tem acesso a essas mesmas imagens para avaliar este tipo de situações quando elas acontecem. Aqui fica a argumentação de Braz:
O raciocínio tem uma falha fulcral: não há nada que nos garanta que Hugo Miguel tenha realmente visto o que se passou em campo. Eu, no estádio (estava na central oposta à das imagens televisivas) não vi nada de anormal quando Gelson caiu ao chão - pensei que tivesse sido um contacto normal - faltoso ou não, não interessa para o caso. Parece-me bastante provável que Hugo Miguel e o seu assistente não tenham dado uma segunda visualização por não se terem apercebido da forma como Rúben Dias abordou o lance. Foi uma queda fora da área - pelo que não tinham a preocupação de verificar se era ou não penálti - e o lance prosseguiu, pelo que é possível que se tenham continuado a focar no jogo. Se fosse dentro da área, de certeza que teriam revisto de vários ângulos e que se aperceberiam da entrada de cotovelo do central do Benfica - depois se aconselhariam ou não o árbitro a ver as imagens é outra questão, infelizmente os jogos do Benfica estão repletos de casos destes que o VAR deixa passar.
Os sumaríssimos continuam a fazer todo o sentido, mesmo com VAR. Mas é necessário que haja coerência na sua aplicação, independentemente das queixas dos clubes, da importância dos jogos ou dos emblemas em causa. Infelizmente, esta época, coerência foi coisa que não existiu.
P.S.: Perante a argumentação imperfeita de Braz, o moderador do programa fez o que lhe competia: fez contraditório, com uma questão muito pertinente. Braz (com a ajuda de Luís Aguilar) reagiu a isso como se de uma afronta se tratasse e teve uma atitude inaceitável para com o colega:
Se houvesse justiça, Braz deveria ser confrontado várias vezes por programa, tantas são as argumentações absurdas que faz em nome dos interesses superiores que todos sabemos. É triste que a TVI continue a patrocinar a presença diária de fantoches destes nas suas emissões.
segunda-feira, 16 de abril de 2018
quarta-feira, 11 de abril de 2018
The Dr. Broz Show + Imagens de Marca
Pelo quinto dia consecutivo, a situação atual do Sporting continuou a dominar a atualidade mediática, preenchendo quase por completo a emissão dos canais informativos com debates, especiais, reportagens, peças, diálogos e monólogos ininterruptos, com dezenas e dezenas de personalidades do universo leonino a serem convidadas a dar a sua opinião.
Como não poderia deixar de ser, a maior parte dessas personalidades é formada pelos habitués dos momentos de crise do Sporting. Têm também sido chamados vários oposicionistas a Bruno de Carvalho de perfil mais discreto, e até algumas caras novas, sportinguistas com passado no clube mas que são desconhecidos do público em geral, alguns dos quais até têm tido intervenções interessantes. Apoiantes notáveis de Bruno de Carvalho são ainda mais escassos do que o normal porque houve alguns sportinguistas que deixaram de apoiar o presidente (como Dias Ferreira ou Paulo de Andrade). De todas as personalidades sportinguistas que tiveram direito a algum tempo de antena (dos que vi), Eduardo Barroso é o único que se mantém ao lado de Bruno de Carvalho - mas não deixando de reconhecer os erros cometidos e achando que o presidente necessita de fazer uma pausa.
Some-se a isso os habituais programas de comentário e é fácil perceber que, com tanto tempo de discussão à volta do tema, não deve ser fácil para as produções e para os opinadores-residentes arranjarem forma de se diferenciarem dos demais. Mas, justiça seja feita, têm-se esforçado na procura de análises de ângulos improváveis - e tenho de reconhecer que, em alguns casos, conseguem proporcionar experiências televisivas que são... diferentes. Vou dar dois exemplos, um de segunda e outro de terça-feira.
I. The Dr. Broz Show
Na passada segunda-feira, Eduardo Barroso teve duas intervenções ao seu estilo habitual. A primeira a meio da tarde, na SIC Notícias, e a segunda no Telejornal da RTP. Apesar de ser alguém "suspeito" - no sentido que é um admirador confesso do trabalho de Bruno de Carvalho -, teve vários comentários bastante pertinentes que tiveram o saudável efeito de contrapor a histeria generalizada que os Severinos da vida iam tentando lançar sem contraditório.
Por alto, Eduardo Barroso terá falado cerca de 15 minutos na SIC Notícias e pouco menos de 10 minutos na RTP. Reconheceu os erros, elogiou o trabalho e relembrou a gratidão que sente para com o presidente... e também disse, de passagem, que Bruno de Carvalho poderá estar numa situação de burnout.
Ora, de tudo isto, são capazes de adivinhar qual foi o ponto das declarações de Eduardo Barroso que Rui Pedro Braz escolheu para pegar?
Não há dúvida: se isto continua assim, não haverá em breve ninguém que consiga bater os opinion makers do futebol português num jogo de Trivial Pursuit. Seis queijinhos a zero a qualquer oponente.
É este o ponto a que chegámos. Quando Bruno de Carvalho é tema, não existem fronteiras para aquilo que pode ser comentado - mesmo que sejam questões de saúde psicológica. O Mais Tabaco bem que poderia mudar o nome para...
É este o ponto a que chegámos. Quando Bruno de Carvalho é tema, não existem fronteiras para aquilo que pode ser comentado - mesmo que sejam questões de saúde psicológica. O Mais Tabaco bem que poderia mudar o nome para...
II. Imagens de Marca
A SIC Notícias decidiu convidar um especialista em marcas para comentar o efeito que esta criste poderá ter na valorização da imagem do Sporting. Não ponho em causa que esta novela está a causar danos à imagem do Sporting perante os seus patrocinadores e potenciais parceiros, mas não deixo de achar curioso: ainda há um par de meses o presidente do Benfica esteve envolvido num escândalo de corrupção de um juiz, o próprio clube é suspeito de aliciar jogadores adversários, e o assessor jurídico é suspeito de subornar funcionários judiciais para obter informação de processos em curso em que o clube é parte direta ou indireta, e ninguém da SIC Notícias se lembrou de convidar alguém para analisar eventuais danos à marca.
O especialista, diga-se, foi bem escolhido. Nota-se o prazer que tem em falar sobre o assunto.
Pode ser um grande especialista de marcas e pode saber muito sobre o que é a marca do Sporting, mas é perfeitamente óbvio que não percebe patavina sobre o que são os valores dos Sporting. Uma boa parte dos valores do Sporting - como competitividade leal, ecletismo, dedicação e superação - andou esquecida durante quase duas décadas e foi recuperada precisamente por Bruno de Carvalho. Independentemente do futuro que tenha ainda à frente do Sporting, os erros graves que cometeu recentemente nunca apagarão o melhor do seu legado.
O convidado também foi instado a comentar a influência que o estilo e valores do presidente têm nos valores do próprio clube. A resposta foi categórica:
Mais uma vez, é pena que ninguém da SIC Notícias se tenha lembrado de convidar este especialista em marcas quando rebentaram vários outros escândalos recentes. É que se um presidente arrivista leva a que os valores do clube sejam arrivistas, e se um presidente mimado leva a que os valores do clube sejam mimados, então teria sido interessante que este senhor nos explicasse quais são os valores de um clube que tem como presidente alguém que é suspeito de corrupção e que é, comprovadamente, um ladrão de camiões.
sexta-feira, 23 de março de 2018
A “redução” de 100 milhões da dívida do Benfica
O Benfica anunciou no princípio do mês, por Domingos Soares de Oliveira, que irá levar a cabo uma operação de antecipação de receitas do contrato de direitos televisivos com a NOS na ordem dos 100 milhões de euros, utilizando depois esse dinheiro para abater a dívida bancária. Ontem, Luís Filipe Vieira voltou a recuperar o tema no discurso que fez na gala Cosme Damião, referindo, precisamente, que o Benfica se prepara para reduzir a dívida bancária em 100 milhões de euros.
É uma operação que poderá ser interessante para a SAD, no sentido em que se aliviará da pressão feita pelos bancos e até, eventualmente, poderá conseguir obter taxas de juro mais vantajosas.
Mas, a não ser que haja algum dado que não esteja a ser referido, isto não é nem uma redução da dívida nem uma redução do passivo. É apenas uma reestruturação da dívida, em que se troca um mecanismo (empréstimos bancários) por outro (factoring). Poderiam, em alternativa, ter contraído novo empréstimo obrigacionista - este ano vence um empréstimo de 45 milhões -, mas provavelmente seria complicado, com todos os casos judiciais que tem havido, conseguir arranjar investidores para uma verba tão elevada de uma só vez (os 45 milhões, mais os 100 milhões, mais 5 ou 10 milhões para gestão de tesouraria, que tem sido prática corrente na renovação deste tipo de empréstimos).
Basicamente, o Benfica vai ceder as receitas dos próximos anos do contrato da NOS a uma entidade financeira ainda não anunciada, recebendo de imediato os 100 milhões (provavelmente deduzidos de uma comissão) e entregando esse dinheiro à banca para abater os empréstimos existentes. Na prática, troca um tipo de dívida por outro do mesmo valor. Nem baixa a dívida global, nem baixa o passivo. Só baixará se o Benfica realizar paralelamente outros reembolsos utilizando dinheiro proveniente das suas receitas ordinárias (bilheteira, patrocínios) ou extraordinárias (vendas de jogadores).
Ou seja, esta troca nem é boa nem é má para as contas do Benfica. É uma opção financeira legítima que terá um impacto relativamente reduzido no estado geral das contas da SAD.
Muito interessante foi ver a análise de Rui Pedro Braz a esta questão. Sendo o comentador da TVI24 um feroz crítico da opção do Sporting em antecipar receitas, é natural que haja curiosidade para saber qual seria a sua reação a este anúncio do Benfica.
Mais uma vez, não desiludiu, como poderão observar no vídeo abaixo, que agrega duas intervenções feitas no espaço de um par de dias. Vejam, não se vão arrepender.
(obrigado, Diogo!)
quinta-feira, 15 de março de 2018
A revolta de Rui Pedro Braz contra a invasão de privacidade
Ao longo dos últimos anos, um acompanhamento completo dos temas que vão dominando o futebol português vem exigindo competências cada vez maiores que há muito ultrapassaram o mero conhecimento das regras do jogo, já que coisas tão díspares como a estratégia de comunicação ou a saúde financeira dos clubes são tão debatidas como o que se passa dentro das quatro linhas. Mas na passada terça-feira, provavelmente teremos alcançado um novo pináculo no que diz respeito à aplicação de conceitos de outras áreas ao futebol.
Como é sabido, Luís Filipe Vieira anunciou, após o final do jogo com o Aves, que o Benfica iria criar um gabinete de crise para acompanhar e agir sobre quem causa danos à marca.
Há quem tenha visto nisto uma medida que se impunha. Há quem tenha pensado que é apenas uma formalização, ou seja, dar uma designação formal a algo que já existia há meses, desde que o escândalo rebentou - é óbvio que o Benfica há muito que acompanhava de perto o assunto do ponto de vista comunicacional e jurídico. E há quem veja aqui uma manobra intimidatória em desespero para tentar conter um fluxo de notícias que, efetivamente, são muito prejudiciais para a reputação do clube. Portanto, houve reações de apoio, ceticismo e de desvalorização da medida. Mas depois, numa categoria à parte, houve a reação de Rui Pedro Braz:
É extraordinário: até nisto estão dez anos à frente. Braz acha que, no futuro, todos os clubes terão gabinetes para gerir este tipo de situações. É caso para dizer: "Saí da frente ó Drucker!", o Braz dos défices positivos parece querer também enveredar pelo ramo da estratégia organizacional.
Obviamente que é ridículo que Braz esteja a tentar convencer o seu público de que esta medida do Benfica é algo de inovador no mundo do futebol, como se a reação natural de qualquer organização em situações de crise não fosse chamar pessoas de vários departamentos que, de uma forma ou outra, podem ter contribuições importantes para dar para a contenção ou resolução de situações muito delicadas. Seja no futebol, seja numa empresa, seja num organismo público, seja no Vaticano, isso sempre se fez. As únicas coisas realmente inovadoras neste caso são a teia intricada de influências que o clube tem, e o facto de haver várias iniciativas em várias frentes (leaks, PJ) para desmontar toda essa rede.
Por falar nos leaks, também foi curioso assistir, nesse mesmo programa, a ênfase que Rui Pedro Braz deu à questão da violação de privacidade. Tem sido um tema recorrente no seu discurso, como poderão ver neste pequeno vídeo:
Basta recuarmos um par de anos no tempo para vermos que a questão da violação de privacidade nem sempre foi uma preocupação fundamental para Braz. Por exemplo, quando decidiu noticiar ao cêntimo o valor auferido por Jorge Jesus quando este passou a ser treinador do Sporting:
Para quem se preocupa tanto com a privacidade, é estranho não levar em consideração o direito que um indivíduo tem de não ter o seu salário a ser dissecado na praça pública.
Claro que, para ser justo, o salário de Jorge Jesus era um tema quente na altura, e quem o divulgou inicialmente foi o Football Leaks, ao disponibilizar o contrato entre Jesus e o Sporting no seu blogue. Portanto, acho normal que Braz tivesse feito esta análise, como seria normal que fizesse outras análises igualmente exaustivas com os dados disponibilizados nos últimos meses sobre o Benfca -como, por exemplo, a inclusão na venda de Gaitán de direitos de opção de jogadores do Atlético Madrid para empolar artificialmente o valor da venda, ou o facto de Jonas receber parcialmente o salário através de uma empresa do irmão. Resta saber por que não o fez nestes últimos casos. Será que tem andado distraído?
Mas já que falamos em Football Leaks, vale a pena recordar a opinião de Braz quando eram os documentos privados do Sporting a serem despejados na internet:
Recapitulando:
Football Leaks? "A forma como nós estamos a ter conhecimento de inúmeras coisas relacionadas com o futebol que até há bem pouco tempo não tínhamos, isso é positivo!"
E-toupeira? "Isto é uma coisa que não pode acontecer. Em primeira instância estamos a falar de um crime de invasão de privacidade, estamos a falar de um crime de divulgação de informação privada."
Eu diria que a frase sobre o Football Leaks assenta que nem uma luva ao caso do e-toupeira, mas pelos vistos há privacidades de primeira e privacidades de segunda. É assim quando se fazem análises em função dos protagonistas e não em função dos factos.
quinta-feira, 8 de março de 2018
Recital à Braz
Ao princípio da noite de ontem, foram anunciadas as medidas de coação aos dois arguidos detidos pela Polícia Judicária. José Sousa, o técnico informático que terá fornecido ao Benfica elementos confidenciais de processos judiciais, ficou em prisão preventiva, enquanto Paulo Gonçalves foi submetido a termo de identidade e residência e proibição de contactar os restantes arguidos do processo.
A notícia de que Paulo Gonçalves poderá permanecer em liberdade enquanto as investigações decorrem parece ter provocado um estado de euforia em Rui Pedro Braz que, minutos depois, na TVI24, deu um dos maiores recitais cartilheiros de que tenho memória, uma obra-prima da arte do spin. Ou então não, porque se uma pessoa se põe a pensar um pouco sobre o que disse, acaba por ficar baralhada. Aqui ficam alguns dos melhores momentos.
"A violação do segredo de justiça é uma farsa!"
Para Braz, a violação de segredo de justiça provocado por Paulo Gonçalves não tem qualquer importância, porque o segredo de justiça é constantemente quebrado em Portugal, seja por jornalistas ou blogues. O que se pode concluir das suas palavras é: como todos fazem, então isto não tem qualquer importância.
Misturar isto com a generalidade dos casos de violação de segredo de justiça é totalmente absurdo.
"O homem passou a noite na prisão... para isto"
Braz diz que um suborno pressupõe uma contrapartida equiparada em relação ao favor que está a ser prestado, dando a entender que, considerando as ofertas feitas ("meia dúzia de bilhetes e uma camisola de merchandising"), então não deveremos estar perante um caso ilícito.
Em primeiro lugar, folgo saber que, de entre as fontes de Rui Pedro Braz, existe um especialista em taxas de câmbio de favores que sabe ao certo quando é que uma determinada oferta poderá ser suficientemente aliciante para levar alguém a deixar-se corromper.
Em primeiro lugar, folgo saber que, de entre as fontes de Rui Pedro Braz, existe um especialista em taxas de câmbio de favores que sabe ao certo quando é que uma determinada oferta poderá ser suficientemente aliciante para levar alguém a deixar-se corromper.
Depois, Braz consegue ainda transformar Paulo Gonçalves em vítima: então obrigaram o homem a passar uma noite na prisão por causa de seis bilhetes e uma camisola?, pergunta indignado. Não, Rui Pedro. Obrigaram o homem a passar uma noite na prisão por causa dos benefícios que alegadamente terá recolhido de uma prática criminosa.
E Paulo Gonçalves não foi libertado por uma questão de falta de provas. Simplesmente, sendo de cinco anos a pena máxima do crime em causa, Paulo Gonçalves teria de preencher uma série de prerrogativas para justificar a medida de coação de prisão preventiva. Mas considerando-se não haver perigo de fuga, sendo uma pessoa com residência fixa e uma ocupação laboral estável, e considerando o crime em causa, é normal que tenha sido libertado.
"Tudo somado, começa a causar alguma estranheza como é que ainda não há consequências"
Esta é hilariante. Braz considera que não houve consequências significativas após cinco buscas e meses de investigação. Bom, se considerarmos que...
- Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, foi constituído arguido por corrupção no processo Lex;
- Fernando Tavares, vice-presidente do Benfica, foi constituído arguido por corrupção no processo Lex;
- Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica e um dos braços direitos do presidente, foi detido e constituído arguido por corrupção ativa.
... então não sei o que poderiam ser consequências apropriadas num espaço de tempo tão reduzido. E considerando o que se conhece dos emails, das suspeitas de aliciamento a jogadores de equipas adversárias, e sabendo-se que existem escutas... veremos o que ainda se seguirá. Há quem continue a dizer que o melhor ainda está para vir.
A pièce de résistance
Se aquilo que já viram é de uma delícia extrema, então não deixem de ver o próximo vídeo. É a maravilha das maravilhas.
Esta entra diretamente para o top 3 das melhores teorias de sempre de Rui Pedro Braz. Não posso deixar de comentar duas destas frases.
"Hoje em dia é raro o processo que numa repartição de finanças ou numa entidade bancária é despachado em tempo útil sem que se tenha de pagar um almoço a alguém"
Agora fiquei confuso: Rui Pedro Braz tinha acabado de dizer que 6 bilhetes de futebol e uma camisola de merchandising não é contrapartida suficiente, mas agora diz que com almoços consegue-se fazer coisas acontecer?
E já agora que falamos em almoços, se me conseguir esclarecer uma dúvida: e vouchers para um jantar para quatro pessoas? Dá para desbloquear alguma situação chata que não se esteja a resolver por si só? É para um amigo...
"Eu não consigo muitas vezes levar as coisas em tempo útil sem ter que pedir um favor a alguém, sem ter que demonstrar alguma gratidão por alguém"
Pois, caro Rui Pedro Braz, considerando o emprego que tem e a forma como o exerce, já todos tínhamos percebido isso...
quarta-feira, 7 de março de 2018
First responders
Os americanos costumam designar de first responders os profissionais das forças de segurança e da proteção civil, como polícias ou bombeiros, que chegam em primeiro lugar ao local de uma emergência.
Ontem, em Portugal, viveu-se uma espécie de emergência - pelo menos para uma certa fatia da sociedade civil - com a notícia da detenção de Paulo Gonçalves. Não havendo um plano previamente delineado para responder a um incidente desta natureza - leia-se cartilha de Janela -, muitos dos comentadores afetos ao Benfica chamados para comentar a ocorrência não conseguiram esconder uma certa descoordenação no discurso.
É nestes momentos de caos que se consegue determinar aqueles que conseguem manter o sangue frio que lhes permita desencantar soluções em condições muito adversas. Nesse prisma, o prémio vai para o duo dinâmico do MaisTabaco composto por Rui Pedro Braz e Luís Aguilar - em particular para o primeiro, que parecia ter saído há pouco da cama quando foi chamado a comentar via telefone. No meio da confusão generalizada, conseguiram colocar um mínimo de organização no discurso.
Ora vejam:
Discurso bem coordenado entre as duas almas gémeas. Admito que é uma forma bastante elegante de se colocar em dúvida que Paulo Gonçalves tivesse efetivamente feito as coisas que levaram à sua detenção: o homem é de tal forma experiente e competente, que não faz grande sentido que tivesse cometido tais atos. Há, no entanto, dois pormenores que torna isto menos surpreendente: primeiro, é normal que, após anos e anos seguidos a fazer o que quer, uma pessoa se sinta intocável e não tome todas as precauções necessárias; depois, a data em causa é anterior à constituição de Paulo Gonçalves como arguido, pelo que os holofotes estavam a aquecer e ainda não encandeavam pessoas demasiado seguras de si próprias.
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
O advogado de defesa de César Boaventura
Continuo firme na minha intenção de não ver lixo televisivo, mas chamaram-me a atenção para uma coisa que é demasiado boa (ou má) para não merecer uma referência.
Como é sabido, César Boaventura (o César das malas, conforme ficou conhecido após ter enfiado a carapuça perante insinuações feitas por Francisco J. Marques relativamente à existência de aliciamento de adversários do Benfica) tem estado particularmente ativo nas redes sociais nos últimos tempos, fazendo a sua defesa e contra-atacando acusando o Porto de cometer ilícitos da mesma natureza daqueles que lhe foram atribuídos. Em causa, estão alegados facilitismos de jogadores em partidas contra o Porto.
Concedendo que se trata de uma pessoa de quem dizem ser especialista no tema em apreço, estas acusações carecem, até ver, de algo mais que consubstancie os ilícitos relatados, ao contrário das acusações que anteriormente foram dirigidas pelo Porto a César Boaventura: o facto de ter acusado o toque perante uma insinuação que apenas mencionava um tal de "César" não abona muito a seu favor, acrescido do facto de a PJ encontrar-se efetivamente a investigar alegados subornos a jogadores para facilitarem vitórias do Benfica, com base em dados encontrados em telemóveis e testemunhos de jogadores.
Voltando às acusações de César, o assunto foi ontem pormenorizadamente abordado por Rui Pedro Braz no MaisTabaco. Ora vejam, e tentem ver se apanham alguma diferença em relação ao seu habitual discurso de quando é o Benfica a ser acusado:
Como certamente tiveram oportunidade de reparar, não houve direito ao discurso das "mãos cheias de nada". Apesar de não existir qualquer dado concreto, apesar de as acusações estarem a ser feitas por alguém cuja credibilidade está na lama, há aqui toda uma tentativa de argumentação de quem está realmente interessado em alimentar a história: "a manifestar-se disponível para ser ouvido pela Polícia Judiciária, não deixa surpreendente como César Boaventura quase que pede para ser ouvido pela Polícia Judiciária, aliás, quem observa todo este processo não pode deixar de ficar alheio a essa leitura, a ideia com que ficamos é que César Boaventura está a fazer tudo isto para ser ouvido pela Polícia Judiciária".
Não estou a dizer que estas acusações têm ou não têm razão de ser. Simplesmente constato a forma diferente como estas acusações foram recebidas e avaliadas por Rui Pedro Braz em relação às muitas outras acusações feitas contra o Benfica ao longo do último ano, bem melhor fundamentadas e suportadas por material concreto.
Terminar com "até ver, a credibilidade de César Boaventura não merece contestação", depois de tudo aquilo de que se tem falado, só dá mesmo vontade de rir. Mas perante esta defesa da reputação, admito que deve haver uma coisa em que eu e o comentador da TVI24 estaremos de acordo: a credibilidade de Boaventura e a credibilidade de Braz estão, nas respetivas áreas de atividade, exatamente ao mesmo nível.
terça-feira, 30 de janeiro de 2018
Rui Pedro Braz e a manchete do i
Se há coisa que podemos concluir ao longo do último ano, é que, para uma grande percentagem de comentadores, será preciso haver uma confissão assinada para reconhecerem a existência indícios de atos ilícitos em tudo o que tem vindo a público sobre o Benfica. Até lá, nega-se, desvaloriza-se, finge-se que tudo é normal. O palavreado utilizado por quem se recusa a ver algo de grave nos emails não é particularmente variado, pelo que nos temos vindo a habituar cada vez mais a expressões como "uma mão cheia de nada", "vazio de conteúdo", "não pode valer tudo" ou "querem matar o futebol português".
À frente deste vasto pelotão de analistas e opinadores isentos, aparece, obviamente, Rui Pedro Braz. Aqui fica um apanhado de alguns dos seus comentários sobre a polémica dos emails:
Braz parece fazer questão de ignorar que os emails são provas documentais - se poderão ser utilizadas ou não em tribunal, isso é outra questão - que, em alguns casos, demonstram sem margem para quaisquer dúvidas a existência de tráfico de influências e que, noutros, apontam fortemente para a existência de corrupção. E há também uma imensidão deles que permite perceber, de forma clara, que existe toda uma rede organizada que, de forma ilícita, tenta obter vantagens indevidas dentro e fora de campo.
Por tudo isto, esperar-se-ia, por uma questão de coerência, que os comentadores recorressem à mesma reserva na análise da notícia de ontem do jornal i. No mínimo. É que enquanto os emails são "palpáveis" e indesmentíveis - já todos passaram a fase em que diziam ser falsos -, sobre a investigação de eventual tráfico de influências de Bruno de Carvalho não há absolutamente nada de concreto. Não havendo arguidos, não havendo ainda quaisquer conclusões, não se conhecendo o objeto do que está a ser investigado, sendo a investigação um passo obrigatório perante uma denúncia, a única conclusão aceitável teria de estar ao nível de "uma mão cheia de nada". Ou não? Vejamos o que Rui Pedro Braz teve a dizer sobre o assunto:
Depois de tantas mãos cheias de nada, eis que, para Rui Pedro Braz, surge finalmente algo de relevante. Esta manchete do i - ao contrário de todas as outras manchetes que vieram a confirmar-se pífias, desmentidas ou não confirmadas - é relevante.
Carlos Janela deve estar orgulhoso deste seu menino querido, pois o desbobinar da cartilha - perdão, das notas soltas - não se fica por aqui:
Querer meter esta investigação que, até ver, não tem absolutamente nada de concreto, ao mesmo nível do conteúdo dos emails do Benfica, das suspeitas de aliciamento a jogadores adversários e do Apito Dourado, é o maior exercício de desonestidade intelectual que me lembro de ver em muito tempo. Já não ouvia um spin deste calibre desde que o mesmo Rui Pedro Braz tentou transformar o lucro do Sporting num défice positivo...
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
A opinião de Rui Pedro Braz sobre a polémica dos emails
Considerando que a maior parte da imprensa escrita tem ignorando quase por completo a questão dos emails - escondendo as notícias em pequenos espaços das páginas interiores sem qualquer referência de capa -, tem cabido a alguns programas de televisão a despesa do comentário sobre o tema mais polémico do momento. Um desses programas é o nosso tão apreciado Mais Tabaco que, como sabemos, se caracteriza por ter uma tonalidade mais vermelha do que a língua de uma criança com escarlatina.
Na passada terça-feira, um dos comentadores de serviço era Rui Pedro Braz, que foi chamado a comentar o tema dos emails.
Eis a intervenção inicial de Braz sobre o assunto:
De tudo o que viu até agora, não se apercebeu de quaisquer atos ilícitos, quaisquer indícios de crime ou quaisquer comportamentos de tráfico de influências. A única coisa que vê é devassa da vida privada. Acaba por ser normal: se excluirmos tudo o que foi revelado ao longo dos últimos meses antes de os emails terem sido disponibilizados ao público em geral, é natural que Braz, que diz não ter tido qualquer tipo de acesso à informação despejada na internet e não ter andado a vasculhar os emails de Guerra e Gonçalves, e limitando-se ao que tem sido noticiado - que, como sabemos, tem sido quase nada -, não consiga ter visto nada de nada que possa ser considerado reprovável.
É curioso, no entanto, que Braz - que só sabe aquilo que tem sido noticiado, whatever that is -, tenha dito o seguinte sete minutos mais tarde:
Braz não viu os emails sobre a amante do alto dirigente do CA da FPF, Braz não viu o email que revela haver selecionadores nacionais que são colocados na FPF para defender o Benfica, Braz não viu os emails em que Nuno Cabral envia todo o tipo de informação confidencial, Braz não viu os emails de jornalistas a prestarem vassalagem a Paulo Gonçalves, Braz não viu os emails que demonstram o recurso a offshores, mas Braz conhece pormenorizadamente o email do roubo das bolachas da Magda, que lhe permite condenar o escrutínio dos emails que tem sido feito por quem se interessa sobre o assunto. É realmente preciso uma pontaria extraordinária para ter falhado tanta coisa relevante e apanhado este caso insignificante em particular.
A postura de determinados comentadores em relação a este tema - empolando a questão do crime da extração e partilha dos emails, e limitando-se a eufemismos nas questões do conteúdo - resume-se bem nos 30 segundos do vídeo que se segue:
Divulgação das bolachas da Magda: "crime de invasão de privacidade".
Divulgação entre elementos da estrutura do Benfica das moradas de Bruno de Carvalho: "leva-nos logo a pensar qual é o interesse, não é?"
Delicioso.
quinta-feira, 30 de novembro de 2017
Pífio e vazio de conteúdo
Na edição da tarde de ontem do Mais Tabaco, Rui Pedro Braz comentou a revelação da revista Sábado em como o Benfica recebeu a minuta distribuída pela APAF aos árbitros por altura do inquérito sobre os vouchers:
Não surpreende que o comentador da TVI24 desvalorize este novo capítulo do caso dos emails (que cruza com o dos vouchers), mas não posso deixar de fazer algumas observações sobre determinadas coisas que foram ditas por Braz.
"O Benfica terá tido acesso a esta minuta da mesma forma que os órgãos de comunicação social terão tido acesso a essa mesma minuta"
Isto é irrelevante para o caso. Em primeiro lugar, o Benfica teve acesso à minuta no mesmo dia em que esta foi distribuída pela APAF aos árbitros, muito a tempo de ajudar a preparar as declarações que Luís Filipe Vieira iria dar sobre o mesmo tema. A comunicação social só teve acesso a essa mesma informação alguns dias depois. Em segundo lugar, o Benfica é uma das partes interessadas no caso dos vouchers. O que se diria se um polícia, testemunha de um caso judicial, desse a conhecer antecipadamente o conteúdo do seu testemunho ao advogado de defesa, à revelia da acusação? Este tipo de promiscuidade entre o Benfica e o seu garganta funda da APAF nunca poderá ser encarado como uma coisa normal - e não é o facto de a comunicação social ter tomado conhecimento do mesmo documento alguns dias mais tarde que atenua a gravidade do sucedido.
"O que revela é que um desses 122 árbitros terá libertado essa informação para o Benfica, um ou mais"
Esta é a grande frase da intervenção de Braz, que nem se deverá ter apercebido da barbaridade que disse, ainda por cima no tom casual que utilizou. Mas então por alma de quem é que algum árbitro, enquanto elemento supostamente isento e equidistante a todos os clubes, iria passar informação desta natureza ao Benfica, parte interessadíssima no escândalo dos vouchers? O expectável (e desejável), em circunstâncias destas, seria que evitasse qualquer contacto com o clube. E esta questão acaba por levantar outra questão tão ou mais pertinente: um árbitro que age desta forma nos bastidores não estará disponível para fazer outro tipo de favores dentro das quatro linhas, em jogos que interessem direta ou indiretamente ao Benfica?
"... e que um ou mais desses 122 árbitros, assistentes, delegados terá libertado essa informação também para os órgãos de comunicação social"
"... como terá libertado eventualmente para o FC Porto, como terá libertado eventualmente para o Sporting"
Esta frase não é mais do que uma manobra de diversão de Rui Pedro Braz para tentar dar uma aura de normalidade ao sucedido. Com que direito tenta envolver outros clubes num escândalo que envolve única e exclusivamente o Benfica? Se lhe pedissem para comentar o Apito Dourado, alguma vez lhe passaria pela cabeça dizer que Augusto Duarte poderia eventualmente ter visitado o domícilio do presidente do Benfica ou do presidente do Sporting? Isto é uma vergonha.
"Neste caso em concreto parece-me uma situação pífia, vazia de conteúdo e sem grande relevância"
Aqui não há nada de surpreendente, tendo em conta a pessoa que proferiu esta opinião. Falamos do mesmo comentador que, na altura em que Francisco J. Marques começou a revelar mails efetivamente comprometedores, os catalogou como sendo "uma mão cheia de nada"...
... e que garantiu, no dia a seguir a Bruno de Carvalho ter revelado a existência do Kit Eusébio, que apenas sete pessoas tinham usufruído dos vouchers.
Mais tarde veio a saber-se que a lista de pessoas que usufruiram dos vouchers é muito mais longa, e que a mão cheia de nada dos emails já deu origem a várias buscas da PJ ao Estádio da Luz e à residência de vários dirigentes do clube. Podemos dizer, portanto, que os comentários de Braz sobre estes assuntos se revelaram pífios e vazios de conteúdo verdadeiro. O tempo dirá se esta situação da minuta será assim tão pífia e vazia de conteúdo quanto Braz diz que é.
sexta-feira, 6 de outubro de 2017
Uma viagem ao tempo em que o culé não era apenas culé e em que Braz ainda era Brás
O Porto Canal encontrou ontem umas colunas de opinião absolutamente deliciosas, escritas em 2005, numa edição especial da reputada revista TV Guia para assinalar a conquista do campeonato por parte do Benfica de Trapattoni.
Os tais espaços de opinião foram escritos pelo diretor e por um dos coordenadores da revista que, por acaso, são hoje dos mais badalados jornalistas desportivos da nossa praça. Falo, nem mais nem menos, do culé Nuno Farinha e do isento Rui Pedro Braz.
Vejam o vídeo que se segue. É im-per-dí-vel.
"... quando o jejum já incomodava os seis milhões de benfiquistas. Vamos desde já esclarecer as coisas: eu sou um deles. Dos que sofrem, dos que gritam, dos que vão à Luz sempre que a vida permite, dos que discutem, dos que se exaltam, dos que amam o Benfica.". Não é nada que não soubéssemos já, mas é sempre giro ver as coisas postas de forma tão clara por escrito...
sexta-feira, 8 de setembro de 2017
A agência de notação de risco de Rui Pedro Braz
Como não poderia deixar de ser, as contas do Sporting apresentadas ontem foram analisadas nos programas de comentário futebolístico da noite. Tal como é habitual, houve quem preferisse não fazer um comentário equilibrado - salientando os aspetos positivos e negativos de umas contas que, quer se queira quer não, foram o maior lucro apresentado pelas 3 SAD's até à data -, optando antes por tentar lançar sombras sobre o estado financeiro do clube.
Rui Pedro Braz foi um dos que vestiu o fato de analista de risco e, não surpreendentemente, colocou o rating do Sporting ao nível do lixo. Aqui ficam alguns momentos:
Em primeiro lugar: é extraordinário que Braz alinhe completamente pela versão do West Ham em como o Sporting aceitou, no último dia do mercado, vender William Carvalho - e que veja nisso um sinal de dificuldades financeiras da SAD. Alguém acredita que Bruno de Carvalho alguma vez aceitaria vender um dos mais importantes jogadores do Sporting, que tem apenas 25 anos, por 25 milhões? E em ano de mundial? Só em caso de extrema necessidade, coisa que uma passagem de olhos rápida pelo R&C demonstra logo não existir.
Depois, foca-se no "lucro" de 10 milhões entre as vendas e as compras, como se fosse um desastre. Convém lembrar que a partir do momento que o Sporting se qualificou para a Liga dos Campeões, a situação da tesouraria ficou bastante mais folgada. Contabilisticamente, o Sporting vai certamente precisar de vender mais para não apresentar prejuízo, mas tem até 30 de junho para o fazer. Se a tesouraria está folgada e se tem ainda largos meses para efetuar mais uma venda, por que motivo iria Bruno de Carvalho forçar um mau negócio?
Depois, referiu que Bruno de Carvalho disse que este é um ano de tudo ou nada para o Sporting. Não quero estar categoricamente a dizer que Braz está a mentir... mas, sinceramente, não me lembro de alguma vez o presidente do Sporting falar em ano de tudo ou nada. Só me lembro de ter ouvido isso da boca de cartilheiros.
Mas se o que foi dito até aqui demonstra uma evidente parcialidade/incompetência na análise do tema, isto que poderão ver a seguir talvez já entre no campo da doença psicológica:
Aquela mente deve estar de tal maneira formatada para pintar os cenários mais negros para o Sporting, que mesmo quando a SAD recebe mais dinheiro do que gasta, aquilo que lhe ocorre dizer é... "défice positivo". Depois de uma análise destas - ou deverei antes dizer "dissecação"? -, suponho que seja uma questão de tempo para o Sporting fechar as portas...
segunda-feira, 4 de setembro de 2017
Narrativando II: A venda de Mitroglou
A negociação com o Marselha
Como é sabido, no último dia de mercado o Benfica chegou a acordo para a venda de Mitroglou ao Marselha. O montante acordado foi de 15 milhões de euros, mantendo o Benfica direitos sobre 50% de uma futura venda. Uma verba perfeitamente enquadrada no valor de mercado do atleta de 29 anos, que marcou 27 golos na última época em cerca de 3200 minutos de utilização. Pode-se discutir se havia mesmo necessidade de vender um jogador que vale tantos golos e que tem características bem diferentes das dos outros avançados do plantel, mas, uma vez tomada a decisão de se transferir o jogador, é um valor que faz sentido.
Como é sabido, no último dia de mercado o Benfica chegou a acordo para a venda de Mitroglou ao Marselha. O montante acordado foi de 15 milhões de euros, mantendo o Benfica direitos sobre 50% de uma futura venda. Uma verba perfeitamente enquadrada no valor de mercado do atleta de 29 anos, que marcou 27 golos na última época em cerca de 3200 minutos de utilização. Pode-se discutir se havia mesmo necessidade de vender um jogador que vale tantos golos e que tem características bem diferentes das dos outros avançados do plantel, mas, uma vez tomada a decisão de se transferir o jogador, é um valor que faz sentido.
Obviamente que acaba por parecer pouco para quem se habituou ao mundo de ilusão dos mendilhões que os jornais ajudam a alimentar. Daí que ninguém tenha estranhado as capas e notícias que, nos dias anteriores, prometiam valores mais elevados. A própria evolução do potencial negócio foi curiosa. No dia 30 de agosto, o clube mostrava-se disposto a resistir a todos os ataques:
Iriam ser apresentadas ofertas de valores consideráveis (e de bons clubes!), que dificilmente levariam Vieira a mudar de opinião - os negociadores implacáveis são assim. O único valor que é referido pela notícia d' A Bola aparece lá mais para o fim: 25 milhões. Rumores apenas, mas de qualquer forma serviu para fazer notícia. Ficámos a saber, também, que o grego se sentia bem na Luz.
Iriam ser apresentadas ofertas de valores consideráveis (e de bons clubes!), que dificilmente levariam Vieira a mudar de opinião - os negociadores implacáveis são assim. O único valor que é referido pela notícia d' A Bola aparece lá mais para o fim: 25 milhões. Rumores apenas, mas de qualquer forma serviu para fazer notícia. Ficámos a saber, também, que o grego se sentia bem na Luz.
No dia 31, já havia números mais concretos... e um pouco mais baixos:
O Marselha ofereceu 15 milhões por 50% do passe, mas Vieira só admitia a saída por 20 milhões, Caso contrário, "nada feito".
Entretanto, consumou-se a transferência por... 15 milhões. Como dar a volta aos contornos finais de uma venda sobre a qual se prometia, nos dias anteriores, que só se iria concretizar por valores mais elevados? Simples. No dia 1 de setembro, dá-se a notícia da transferência assim:
De repente, apareceram novas "condicionantes" que abriam a porta ao aumento do valor recebido pelo clube, devidamente justificado pelo mercado que o jogador continua a ter na China.
A questão não referida é que, a não ser que apareça um clube do carrossel, dificilmente os 50% que o Benfica manteve de Mitroglou valerão verbas tentadoras: não só porque a sua idade não joga a favor da sua valorização, mas também porque o clube francês terá pouco interesse em se desfazer do jogador enquanto continuar a marcar golos. Não os marcando, é normal que a sua cotação desça.
O importante, como se sabe, é ir-se pintando um cenário tão cor-de-rosa quanto possível.
Mas ainda houve uma outra "condicionante" inovadora a saltar cá para fora em relação a este negócio:
Ou seja, segundo os nossos jornalistas, o Marselha não só terá de indemnizar o Benfica se rejeitar uma venda superior a 30 milhões, como também terá de pagar ao Benfica mais um camião de dinheiro caso não venda o grego ao fim de um determinado prazo. Cláusulas dignas do tempo do TPO que se julgavam extintas.
Se continuarem a aparecer "alíneas" destas, é possível que Mitroglou ainda venha a render uns 60 milhões ao Benfica... pobres franceses, está visto que precisam de arranjar alguém que saiba negociar.
E, finalmente, na apresentação em Marselha, Mitroglou disse isto:
Relembro que, apenas dois dias antes, A Bola sabia que o grego se sentia bem na Luz. Arco-iris e unicórnios...
O comunicado à CMVM
No dia 1 de setembro, o Benfica emitiu um comunicado à CMVM sobre a venda de Mitroglou:
O facto de o Benfica ter comunicado à CMVM a venda de um jogador por 15 milhões fez-me lembrar de uma outra narrativa. Há uns anos, quando o Benfica vendeu Cancelo, Bernardo e Cavaleiro por 15 mendilhões à peça, a SAD não emitiu qualquer comunicado à CMVM. Um negócio que, de si, já era estranhíssimo, não mereceu, apesar dos elevados valores envolvidos, a devida comunicação ao mercado. Na altura, Domingos Soares Oliveira justificou-se assim, em entrevista ao Expresso:
Considerando que o ativo do Benfica cresceu desde essa altura (comprar e vender em mendilhões ajuda bastante ao aumento do ativo), por que motivo comunicaram a venda de Mitroglou à CMVM?
A venda gorada para a China
O empresário Paulo Teixeira revelou ontem, num post no Facebook, uma história interessantíssima sobre como Vieira rejeitou a venda de Mitroglou para a China por 45 milhões de euros, há apenas seis meses.
Quem não sabe do que estou a falar, pode informar-se aqui: LINK.
Assumindo que os pormenores relatados são verdadeiros, a decisão de Vieira em não vender Mitroglou por 45 milhões é, do ponto de vista desportivo, bastante compreensível: em fevereiro o mercado estava aberto na China mas fechado em Portugal, o que significava que o Benfica não poderia arranjar substituto para o grego.
O interessante é tudo o resto:
A venda gorada para a China
O empresário Paulo Teixeira revelou ontem, num post no Facebook, uma história interessantíssima sobre como Vieira rejeitou a venda de Mitroglou para a China por 45 milhões de euros, há apenas seis meses.
Quem não sabe do que estou a falar, pode informar-se aqui: LINK.
Assumindo que os pormenores relatados são verdadeiros, a decisão de Vieira em não vender Mitroglou por 45 milhões é, do ponto de vista desportivo, bastante compreensível: em fevereiro o mercado estava aberto na China mas fechado em Portugal, o que significava que o Benfica não poderia arranjar substituto para o grego.
O interessante é tudo o resto:
- Vieira, numa primeira fase, aceita vender por 45 milhões, mas mais tarde decide meter Mendes ao barulho - e é isto que acaba por comprometer o negócio.
- Na altura, a notícia que saiu foi que o negócio não se concretizou por vontade de Mitroglou. Mas no post de Paulo Teixeira podemos ler isto: "No decorrer do processo, LFV liga para me dizer: ‘Você vai ler uma notícia n’A Bola na qual o Mitroglou diz que não quer ir para a China. Não se preocupe, eu é que mandei pôr’."
Notícia plantada, portanto. As fontes a funcionar. A informação de que tinha sido Mitroglou a rejeitar a transferência (mais um de alma e coração no Benfica) lá apareceria. Com um destaque reduzido na capa do Record...
... mas em GRANDE ESTILO nos freteiros do costume:
Delicioso.
P.S.: à hora que termino de escrever este post, nenhum jornal desportivo online deu a notícia daquilo que Paulo Teixeira revelou sobre a venda falhada de Mitroglou para a China. Normal, como sempre acontece quando a notícia pode ser delicada para o Benfica. Devem estar com a atenção toda centrada naquilo que dizem os dirigentes do West Ham...
sexta-feira, 16 de junho de 2017
O 'best of' dos comentários à polémica dos emails (#5 - #1)
#5 - "Uma mão cheia de nada"
É sempre ingrato alguém ser convidado a comentar assuntos sobre os quais não tem a informação necessária. No entanto, aquilo que se diz em circunstâncias dessas acaba por ser revelador da pessoa em questão: é cauteloso nas observações que faz, ou toma imediatamente partido por um dos lados da barricada?
Na passada terça-feira, a TVI24 emitia o MaisTabaco ao mesmo tempo que Francisco J. Marques revelava os emails, e a certa altura foi pedido aos comentadores que falassem sobre o tema, ou seja, sobre algo que estava a acontecer, naquele preciso momento, noutro canal.
Eis a primeira reação de Rui Pedro Braz:
"Uma mão cheia de nada", "conteúdo absolutamente nenhum além de algumas insinuações". Faz lembrar a primeira reação de Braz ao caso dos vouchers: pegou na informação que alguém lhe deu e pôs a circular que só 7 pessoas tinham usufruído das refeições oferecidas pelo Benfica. Mais tarde, como todos sabem, essa informação veio a revelar-se falsa, mas pelo menos serviu de argumento de defesa benfiquista durante bastante tempo.
É caso para dizer que, pondo tanta fé nas suas fontes, Braz acaba por se pôr a jeito...
#4 - Luís Aguilar e a defesa a Manuel Mota
A certa altura do programa de quarta-feira, Manuel Queiroz referia que Manuel Mota não tem condições para arbitrar jogos da I Liga na próxima época. Rapidamente, apareceu Luís Aguilar em defesa do árbitro, alegando que ninguém viu nenhum pedido ser feito diretamente pelo próprio.
"Mas pode ser amigo. Mas pessoas não podem ser amigas?". Patético.
José de Pina apontou, e bem, que as palavras usadas por Adão Mendes comprometem seriamente a credibilidade do árbitro - quer tivesse conhecimento ou não do pedido. A simples existência do recurso da nota dependia apenas de Manuel Mota. Portanto, se Adão Mendes decidiu intervir junto do Benfica, foi para procurar garantir maiores probabilidades de sucesso. É aí que está o mal: se há um árbitro que é protegido por um clube ou por pessoas ligadas a um clube, então é óbvio que não tem condições para fazer jogos que interessem, direta ou indiretamente, a esse mesmo clube.
#3 - Lições da vida do amigo António Rola
Trazer Rola a um debate como comentador isento é um número tão credível como tentar fazer crer que o Sol é que gira em torno da Terra. No entanto, confesso que, para mim, ouvir os comentários de Rola é um guilty pleasure: não consigo evitar sorrir ao olhar para o passarão, emproado como um pavão com cio, a falar do alto da autoprocalmada idoneidade, e a dizer os maiores disparates, possíveis e imaginários.
Um dos momentos mais sublimes foi a forma como tentou desvalorizar as palavras de Adão Mendes ("o nosso amigo Manuel Mota"), explicando que a palavra "amigo", no futebol, não quer dizer nada...
Na passada terça-feira, a TVI24 emitia o MaisTabaco ao mesmo tempo que Francisco J. Marques revelava os emails, e a certa altura foi pedido aos comentadores que falassem sobre o tema, ou seja, sobre algo que estava a acontecer, naquele preciso momento, noutro canal.
Eis a primeira reação de Rui Pedro Braz:
"Uma mão cheia de nada", "conteúdo absolutamente nenhum além de algumas insinuações". Faz lembrar a primeira reação de Braz ao caso dos vouchers: pegou na informação que alguém lhe deu e pôs a circular que só 7 pessoas tinham usufruído das refeições oferecidas pelo Benfica. Mais tarde, como todos sabem, essa informação veio a revelar-se falsa, mas pelo menos serviu de argumento de defesa benfiquista durante bastante tempo.
É caso para dizer que, pondo tanta fé nas suas fontes, Braz acaba por se pôr a jeito...
#4 - Luís Aguilar e a defesa a Manuel Mota
A certa altura do programa de quarta-feira, Manuel Queiroz referia que Manuel Mota não tem condições para arbitrar jogos da I Liga na próxima época. Rapidamente, apareceu Luís Aguilar em defesa do árbitro, alegando que ninguém viu nenhum pedido ser feito diretamente pelo próprio.
"Mas pode ser amigo. Mas pessoas não podem ser amigas?". Patético.
José de Pina apontou, e bem, que as palavras usadas por Adão Mendes comprometem seriamente a credibilidade do árbitro - quer tivesse conhecimento ou não do pedido. A simples existência do recurso da nota dependia apenas de Manuel Mota. Portanto, se Adão Mendes decidiu intervir junto do Benfica, foi para procurar garantir maiores probabilidades de sucesso. É aí que está o mal: se há um árbitro que é protegido por um clube ou por pessoas ligadas a um clube, então é óbvio que não tem condições para fazer jogos que interessem, direta ou indiretamente, a esse mesmo clube.
#3 - Lições da vida do amigo António Rola
Trazer Rola a um debate como comentador isento é um número tão credível como tentar fazer crer que o Sol é que gira em torno da Terra. No entanto, confesso que, para mim, ouvir os comentários de Rola é um guilty pleasure: não consigo evitar sorrir ao olhar para o passarão, emproado como um pavão com cio, a falar do alto da autoprocalmada idoneidade, e a dizer os maiores disparates, possíveis e imaginários.
Um dos momentos mais sublimes foi a forma como tentou desvalorizar as palavras de Adão Mendes ("o nosso amigo Manuel Mota"), explicando que a palavra "amigo", no futebol, não quer dizer nada...
#2 - Mais um pontinho, menos um pontinho...
Nas posições anteriores, já tivemos exemplos da estratégia de desculpabilização que assentam no "todos fazem o mesmo". Aqui temos um exemplo da estratégia de desculpabilização que assenta no "isto sempre se fez". Brilhante, Fernando Guerra, brilhante.
Claro que podemos ler isto de outra forma: se isto sempre se fez, então é porque que há mesmo MUITO mais matéria para investigar...
Claro que podemos ler isto de outra forma: se isto sempre se fez, então é porque que há mesmo MUITO mais matéria para investigar...
#1 - Em socorro de Paulo Gonçalves
Todos estarão de acordo que Paulo Gonçalves parece ser, neste momento, o elo mais fraco na estratégia de defesa do Benfica. É uma pessoa com peso relevante e conhecido na estrutura benfiquista, e que tem uma escola (e fama) que pode ser considerada, no mínimo, duvidosa.
Daí que seja difícil dizer o quer que seja para defender o assessor jurídico benfiquista sem se cair no ridículo. Apesar disso, houve quem tivesse tentado...
Primeiro, Braz:
Ridículo. Somos todos seres humanos, claro, e espero que o filho de Paulo Gonçalves recupere rapidamente - não sabia que estava mal de saúde, nem tenho que saber -, mas era só o que faltava que se colocassem os mails em banho-maria por causa de uma questão pessoal, por muito grave que seja. Até porque os mails não são um ataque pessoal a Paulo Gonçalves, como é claro para (quase) toda a gente.
Também se pode dizer que é lamentável que Braz tenha usado a situação do filho de Paulo Gonçalves para atacar o Porto. É uma questão íntima da família, e Braz meteu-a cá fora. Eu, pelo menos, fiquei a saber deste problema através de Braz.
Depois, Rola. O "especialista" de arbitragem da BTV fez questão de mencionar, quando fez a sua primeira intevenção no Prolongamento de quarta-feira, que estava presente na sua qualidade de árbitro jubilado, para comentar assuntos de arbitragem. No entanto, a certa altura, José Leirós fez referência à "escola" de Paulo Gonçalves (referência à sua passagem pelo Porto e Boavista na altura de maior poder de Pinto da Costa e Valentim Loureiro), e o árbitro jubilado foi barbaramente atropelado pelo comentador da BTV...
O 'best of' dos comentários à polémica dos emails (#10 - #6)
#10 - A melhor prova de que os mails não são prova de nada, segundo Luís Aguilar
Luís Aguilar mostrou-se pouco interessado em avaliar, a partir dos mails revelados, quais serão as as intenções e os comportamentos usuais de Adão Mendes, Paulo Gonçalves, Nuno Cabral e Cª, mas não teve o mesmo pudor em tentar colocar-se na pele dos responsáveis do Porto.
Para Aguilar, o facto de os dirigentes portistas terem escolhido o seu canal para divulgar os mails - em vez de os entregarem de uma só vez ao Ministério Público - significa que os responsáveis do Porto estarão convencidos de que os documentos que têm em seu poder não serão prova suficiente para condenar o Benfica.
Luís Aguilar esquece-se de que:
a) Uma coisa não implica a outra, ou seja, o Porto pode, perfeitamente, ter entregue os documentos ao Ministério Público (identificando-se, através de terceiros, ou de forma anónima);
b) Os mails, obviamente, não são prova de nada, mas são indícios que justificam uma investigação séria por parte das autoridades;
c) O Porto sabe que a pressão mediática é importante para fazer as coisas mexer - quer ao nível das autoridades, quer ao nível dos organismos que tutelam o futebol português. Não é a situação ideal, claro, mas no país em que vivemos, com a justiça que temos, e com a comunicação social submissa que existe, seria de uma enorme ingenuidade (e risco) não meterem os mails na praça pública.
#9 - Fernando Guerra e a revolta contra os mails a conta-gotas
Se Aguilar quer que se entregue tudo às autoridades em vez de se colocar os emails na praça pública, outros há que já nem se dão ao trabalho de contestar a opção de divulgação, e que só querem que isto acabe depressa.
É o caso de Fernando Guerra. O decano jornalista do jornal A Bola aparenta estar com dificuldades em aguentar a estratégia de mails a conta-gotas, e fez este sentido apelo aos responsáveis portistas para que se despachem com a apresentação de tudo o que têm em seu poder.
"É melhor que se acabe isto de uma vez por todas!". Algo me diz que Francisco J. Marques não ficará muito sensibilizado, considerando quem é o autor do apelo...
#8 - Ainda querem me fazer de desresponsabilização de Vieira, por Rui Pedro Braz
Tem sido curioso constatar a forma como algumas pessoas têm tentado fazer passar que Vieira nada tem a ver com este assunto. Aqui fica um exemplo.
Para Aguilar, o facto de os dirigentes portistas terem escolhido o seu canal para divulgar os mails - em vez de os entregarem de uma só vez ao Ministério Público - significa que os responsáveis do Porto estarão convencidos de que os documentos que têm em seu poder não serão prova suficiente para condenar o Benfica.
Luís Aguilar esquece-se de que:
a) Uma coisa não implica a outra, ou seja, o Porto pode, perfeitamente, ter entregue os documentos ao Ministério Público (identificando-se, através de terceiros, ou de forma anónima);
b) Os mails, obviamente, não são prova de nada, mas são indícios que justificam uma investigação séria por parte das autoridades;
c) O Porto sabe que a pressão mediática é importante para fazer as coisas mexer - quer ao nível das autoridades, quer ao nível dos organismos que tutelam o futebol português. Não é a situação ideal, claro, mas no país em que vivemos, com a justiça que temos, e com a comunicação social submissa que existe, seria de uma enorme ingenuidade (e risco) não meterem os mails na praça pública.
#9 - Fernando Guerra e a revolta contra os mails a conta-gotas
Se Aguilar quer que se entregue tudo às autoridades em vez de se colocar os emails na praça pública, outros há que já nem se dão ao trabalho de contestar a opção de divulgação, e que só querem que isto acabe depressa.
É o caso de Fernando Guerra. O decano jornalista do jornal A Bola aparenta estar com dificuldades em aguentar a estratégia de mails a conta-gotas, e fez este sentido apelo aos responsáveis portistas para que se despachem com a apresentação de tudo o que têm em seu poder.
"É melhor que se acabe isto de uma vez por todas!". Algo me diz que Francisco J. Marques não ficará muito sensibilizado, considerando quem é o autor do apelo...
#8 - Ainda querem me fazer de desresponsabilização de Vieira, por Rui Pedro Braz
Tem sido curioso constatar a forma como algumas pessoas têm tentado fazer passar que Vieira nada tem a ver com este assunto. Aqui fica um exemplo.
Sim, é verdade que o presidente benfiquista só aparece em três mails e que, desses, só é autor de um, mas mesmo que não aparecesse em nenhum... alguém acredita que não tem nada a ver com o assunto?
Mesmo que não se queiram retirar grandes conclusões dos mails trocados com Mário Figueiredo, não há hipótese de ignorar o envolvimento indireto de Vieira nas alusões feitas por Adão Mendes e nas próprias ações de Paulo Gonçalves.
Vieira sabe o tipo de pessoa que Paulo Gonçalves é. Contratou-o após passagens (bem sucedidas, diga-se) no Porto e no Boavista, para seu braço direito em matérias de bastidores. É impensável imaginar que o Grande Líder não saiba aquilo que o seu subordinado faz - se não em detalhe, pelo menos saberá em pinceladas grossas.
Vieira sabe o tipo de pessoa que Paulo Gonçalves é. Contratou-o após passagens (bem sucedidas, diga-se) no Porto e no Boavista, para seu braço direito em matérias de bastidores. É impensável imaginar que o Grande Líder não saiba aquilo que o seu subordinado faz - se não em detalhe, pelo menos saberá em pinceladas grossas.
#7 - A falta de eficácia dos pedidos do Benfica
Já se tinha percebido que um dos pontos indicados pela cartilha - pela forma como determinados benfiquistas começaram a usar em simultâneo este argumento - passa por dizer que não existem motivos para suspeição pelo facto de nenhum dos pedidos do Benfica ter sido concretizado. O próprio Braz, algumas horas mais tarde, indicou que é o próprio Benfica que está a fazer passar essa mensagem.
Esta linha de argumentação é, objetivamente, falsa. Paulo Gonçalves pediu a Mário Figueiredo para colocar Nuno Cabral em jogos da I Liga e, mais tarde, Nuno Cabral fez jogos de I Liga. Nem todos os 5 assistentes passaram de categoria, mas houve 2 que passaram - segundo a própria versão encarnada.
De qualquer forma, isso não tem o valor que lhe estão a querer dar. Primeiro, porque os pedidos foram feitos de uma forma que deixam entender que isto é procedimento habitual. Mesmo que não tenha havido sucesso em parte dos pedidos feitos - que raio, era só o que faltava que conseguissem contornar um chumbo nos testes físicos, a parte mais objetiva de uma avaliação de um árbitro -, não podemos partir do princípio que não tenham havido, antes ou depois, pedidos a terem sido acatados por quem tem influência para os concretizar.
E, depois, porque, segundo os regulamentos, a simples tentativa de exercício e abuso de influência é punível com perda de pontos (5 a 8 pontos por cada caso identificado).
Esta linha de argumentação é, objetivamente, falsa. Paulo Gonçalves pediu a Mário Figueiredo para colocar Nuno Cabral em jogos da I Liga e, mais tarde, Nuno Cabral fez jogos de I Liga. Nem todos os 5 assistentes passaram de categoria, mas houve 2 que passaram - segundo a própria versão encarnada.
De qualquer forma, isso não tem o valor que lhe estão a querer dar. Primeiro, porque os pedidos foram feitos de uma forma que deixam entender que isto é procedimento habitual. Mesmo que não tenha havido sucesso em parte dos pedidos feitos - que raio, era só o que faltava que conseguissem contornar um chumbo nos testes físicos, a parte mais objetiva de uma avaliação de um árbitro -, não podemos partir do princípio que não tenham havido, antes ou depois, pedidos a terem sido acatados por quem tem influência para os concretizar.
E, depois, porque, segundo os regulamentos, a simples tentativa de exercício e abuso de influência é punível com perda de pontos (5 a 8 pontos por cada caso identificado).
#6 - Renega-o-Guerra
Depois dos insultos à entrada para a Assembleia Geral do Benfica e das críticas de António Simões e Bagão Felix, foi a vez de Rui Pedro Braz tentar esvaziar a importância de Pedro Guerra na estrutura do Benfica:
Um mero comentador, um mero colaborador, com um cargo meramente decorativo, diz Braz.
Ridículo. Pedro Guerra tem algum passado no Benfica, como Rui Costa ou Nuno Gomes, que justifique um cargo decorativo? Guerra não tem qualquer histórico no clube. Se Guerra pertence à estrutura, por algum motivo será.
Guerra trabalha para o Benfica. Aquilo que faz, faz no âmbito de funções (oficiais ou não) que lhe são atribuídas por responsáveis do clube ou SAD. Logo, há forma de ligar as ações de Guerra ao Benfica.
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O 'best of' dos comentários à polémica dos emails (#15 - #11)
Os últimos dias têm sido um corropio de reações e análises à polémica dos emails divulgados no Porto Canal. Nos vários canais de informação têm-se sucedido edições especiais com painéis alargados, perfazendo horas a fio de acesa discussão entre comentadores cuja isenção e seriedade está acima de qualquer suspeita, como António Rola, Bruno Prata, David Borges, Diamantino, Fernando Guerra, Joaquim Rita, Jorge Baptista, José de Pina, José Leirós, Luís Aguilar, Manuel Queiroz, Manuel Serrão, Ribeiro Cristóvão ou Rui Pedro Braz.
Das partes dos programas que vi - que devem ser uma pequena fração de tudo o que foi transmitido -, escolhi aqueles que, para mim, foram os 15 melhores comentários. Vou começar por mostrar aqueles que ficam entre a 15ª e a 11ª posição. Os restantes serão publicados durante o dia de hoje.
Sem mais demoras, comecemos a contagem decrescente.
#15 - O Pedro Silva é que não deve estar com grande vontade de se rir
Manuel Queiroz falava da constituição do Conselho de arbitragem e, a determinada altura, menciona o nome de Lucílio Baptista. Foi curiosa a reação conjunta de Braz e Aguilar, qual lutadores de wrestling da mesma equipa num handicap match, num belo momento de condescendência sincronizada, provavelmente esquecidos de uma tristemente (não para eles, certamente) célebre final da Taça da Liga por ele arbitrada. Sim, Lucílio Baptista, ao que se diz, é sportinguista. Mas Vítor Pereira também é, e no entanto...
#14 - A gritaria das redes sociais
A certa altura, Rui Pedro Braz falava sobre a importância de a verdade desportiva prevalecer acima de tudo e todos, incluindo aos adeptos, aproveitando a oportunidade para demonstrar o seu apreço sobre as redes sociais. Nós também te amamos, Rui!
Já agora, só um esclarecimento. Falando por mim, eu não quero fazer justiça em público. O que eu quero é que se faça justiça nos locais competentes. O que me parece é que os adeptos (ou pelo menos uma grande percentagem de adeptos) não sentem qualquer confiança no papel de denúncia e investigação da comunicação social, nem na capacidade e vontade da Justiça em levar por diante aquilo que tem de ser feito. Daí a "gritaria"... é para ver se alguém de direito se sente incomodado. Já se viu que falar em tom normal não resulta.
#13 - Santo António Rola, o padroeiro dos árbitros indefesos
António Rola, o isentíssimo e insuspeitíssimo comentador de arbitragem na BTV, foi um dos convidados da edição especial do Prolongamento na última quarta-feira. Por aqui se vê que não é só nos emails que há vontade de pôr toda a carne no assador. Numa das suas intervenções, teve um cativante discurso em defesa da qualidade do árbitro português, com doses equivalentes de emocão, indignação, atabalhoamento na altura de escolher adjetivos e incapacidade de perceber que a preposição de pode mudar o sentido de uma frase se for demasiado encostada à palavra seguinte. Vale a pena ver.
#14 - A gritaria das redes sociais
A certa altura, Rui Pedro Braz falava sobre a importância de a verdade desportiva prevalecer acima de tudo e todos, incluindo aos adeptos, aproveitando a oportunidade para demonstrar o seu apreço sobre as redes sociais. Nós também te amamos, Rui!
Já agora, só um esclarecimento. Falando por mim, eu não quero fazer justiça em público. O que eu quero é que se faça justiça nos locais competentes. O que me parece é que os adeptos (ou pelo menos uma grande percentagem de adeptos) não sentem qualquer confiança no papel de denúncia e investigação da comunicação social, nem na capacidade e vontade da Justiça em levar por diante aquilo que tem de ser feito. Daí a "gritaria"... é para ver se alguém de direito se sente incomodado. Já se viu que falar em tom normal não resulta.
#13 - Santo António Rola, o padroeiro dos árbitros indefesos
António Rola, o isentíssimo e insuspeitíssimo comentador de arbitragem na BTV, foi um dos convidados da edição especial do Prolongamento na última quarta-feira. Por aqui se vê que não é só nos emails que há vontade de pôr toda a carne no assador. Numa das suas intervenções, teve um cativante discurso em defesa da qualidade do árbitro português, com doses equivalentes de emocão, indignação, atabalhoamento na altura de escolher adjetivos e incapacidade de perceber que a preposição de pode mudar o sentido de uma frase se for demasiado encostada à palavra seguinte. Vale a pena ver.
António Rola diz que a UEFA reconhece a qualidade do árbitro português. Se calhar é por isso que a arbitragem nacional esteve tão bem representada no Euro 2016...
#12 - Bruno Prata e os telhados de vidro
Um dos argumentos mais extraordinários que tem sido usado nestes dois dias é o do "todos fazem o mesmo". Bruno Prata mencionou ontem que todos os clubes têm telhados de vidro. Até pode ser verdade, mas nem todos os telhados de vidro são da mesma dimensão: enquanto uns não têm para mostrar mais do que meras janelas velux, outros há que conseguem meter inveja às pirâmides do Louvre. Vamos lá com calma quando se fazem comparações destas... até porque os telhados de vidro dos outros já foram exaustivamente debatidos.
#11 - Rui Pedro Braz e a opinião de Lúcio Correia
A partir de determinada altura, os comentadores da TVI começaram a suportar-se na opinião de um especialista em direito de desporto, de seu nome Lúcio Correia. Foi uma espécie de balão de oxigénio que transformou um estado de espírito de um certo abatimento para um sentimento de maior otimismo. Aqui fica um exemplo, de Rui Pedro Braz. Se Lúcio Correia cobrar royalties sempre que o seu nome for mencionado, corre o risco de ficar com a reforma garantida até ao final do mês.
Já agora: é uma pessoa que está acima de qualquer suspeita? Não conheço o senhor, até pode ser muito bom profissional... mas diria que, no mínimo, existem uns certos conflitos de interesses.
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