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terça-feira, 27 de março de 2018

23 para o mundial

O Euro 2016 demonstrou que existem três condições fundamentais para podermos ambicionar uma longa participação no mundial que se avizinha: a primeira é um onze sólido, construído em função das funções defensivas da maior parte dos jogadores; a segunda é ter Cristiano Ronaldo saudável e não demasiado desgastado; e a terceira é o fator sorte, em especial na obtenção de emparelhamentos favoráveis na fase a eliminar. Tudo o resto é opcional, nomeadamente no que diz respeito à existência de processos ofensivos oleados.

Considerando o que aconteceu nos jogos disputados pela seleção, podemos dizer que este duplo compromisso foi um semi-sucesso, já que Cristiano Ronaldo demonstrou que, sendo servido em condições, não deixará de meter umas batatas nas redes adversárias. Confirmou-se também que, com a bola nos pés, a seleção continua a mostrar pouco ou nenhum fio de jogo e que Fernando Santos parece ser incapaz de oferecer ao nosso jogo ofensivo mais do que a soma das individualidades que estão em campo. O que correu mal foi a vertente defensiva, pois a seleção apresentou-se muito mais frágil do que se esperaria, apesar de haver as (importantes) atenuantes de nunca ter podido contar com Pepe e de a metade mais recuada do onze nada ter a ver com aquela que será utilizada quando começarem os jogos a doer.

No jogo de sexta, Fernando Santos teve oportunidade para verificar que a estrelinha está em forma, mas ontem esticou demasiado a corda, pois não há fada madrinha que consiga sacar um encantamento que resista ao onze escalado contra a Holanda: uma linha defensiva totalmente nova (Mário Rui em estreia, Cancelo é um lateral que é mais extremo do que defesa) e um meio-campo composto por jogadores redundantes - um onze que se preze não pode utilizar em simultâneo mais do que dois jogadores de um grupo formado por Adrien, Manuel Fernandes, André Gomes e Bruno Fernandes, quanto mais os quatro em simultâneo.

Acredito que, mesmo assim, Fernando Santos tenha conseguido retirar algumas conclusões sobre com quem pode contar e sobre quem deve descartar no momento de escolher os 23 que irão à Rússia.

Aqui ficam os meus dois centavos sobre quem escolheria para o mundial. Separo os 23 em indiscutíveis (aqueles que TÊM de ser selecionados) e abertos a discussão (eu levaria, mas admito que possa haver uma decisão diferente da minha). Nas alternativas estão aqueles que podem ser considerados.


GR: os três guarda-redes parecem-me completamente definidos. Nem sequer existe a necessidade de abrir o grupo a um elemento mais jovem, já que quer Rui Patrício quer Anthony Lopes têm ainda muitos anos de carreira pela frente - e não existe nenhum guarda-redes jovem que me pareça justificar essa prova de confiança.

Laterais: na direita, Cédric e Nélson Semedo parecem seguros. Cancelo não tem as características necessárias e creio que, com a exibição de ontem, deverá ter hipotecado as suas hipóteses. Aliás, creio que Ricardo Pereira deveria ser estar à frente de Cancelo na hierarquia de laterais. Na esquerda, admito que Coentrão não seja indiscutível devido à inconsistência da sua condição física.

Centrais: o setor em que temos mais problemas. Pepe é o único central de qualidade indiscutível. Fonte já provou formar uma boa dupla com Pepe, pelo que também deverá constar da lista final. Bruno Alves, na minha opinião, poderá ir... por falta de alternativas. Para mim, Rúben Dias seria também chamado, porque é urgente rejuvenescer esta posição, já com um olho no Euro 2020.

Médios defensivos: não me parece que existam grandes dúvidas aqui. Rúben Neves, a fazer uma boa época (no Championship, convém sempre lembrar), até poderá ser considerado, mas creio que só será chamado em caso de indisponibilidade de William e Danilo.

Médios de transporte: é, provavelmente, a posição em que mais concorrência existe. Considerando o momento de forma atual, só um jogador estará certo: Bruno Fernandes. João Mário, que é um dos elementos do núcleo duro da seleção, não deixará de fazer parte da convocatória se tiver um ritmo competitivo minimamente aceitável. Adrien, se continuar a ter poucos minutos, poderá ter problemas. André Gomes, para mim, já nem deveria ser hipótese. Moutinho garante melhor rendimento (ainda que também há muito não faça exibições verdadeiramente convincentes), e mesmo Manuel Fernandes e Pizzi deveriam ser considerados à frente do jogador do Barcelona.

Extremos / alas: Nani, com uma época pouco conseguida, não deverá conseguir fazer parte dos 23. Quaresma, Bernardo, Gelson e Guedes não só oferecem qualidades que poderão ser importantes em diferentes cenários de jogo, como também estão a fazer excelentes épocas nos seus clubes.

Pontas de lança: Cristiano Ronaldo e André Silva estão muito acima da concorrência. Não estou a ver Eder, o talismã de França, a fazer parte do grupo do mundial.

Quais seriam as vossas opções?

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

A idade de ouro do futebol português

Portugal qualificou-se para o mundial de 2018. Parabéns a Fernando Santos e aos jogadores que contribuíram para este desfecho. Será a décima participação consecutiva da seleção nacional em finais das grandes competições internacionais. Durante este período, conquistámos um título em 2016, fomos finalistas vencidos em 2004, e semi-finalistas em 2000, 2006 e 2012. Algo que as gerações portuguesas mais novas encaram com naturalidade, foi uma raridade nas décadas que antecederam esta bonança recente. Estamos a viver uma autêntica idade de ouro do futebol português.

Isso deve-se, sobretudo, a dois motivos: os sucessivos alargamentos ao número de participantes nas fases finais facilitou o acesso a muitos países que, noutros tempos, nunca ou raramente se qualificavam, nos quais se inclui Portugal; e ao facto de termos tido o privilégio de contar com dois jogadores que pertencem à elite da história do futebol: Figo e Cristiano Ronaldo. Com esta última afirmação, posso estar a ser um pouco cruel com o magnífico naipe de jogadores que, ao longo dos últimos 20 anos, os rodearam: Vítor Baía, Fernando Couto, Ricardo Carvalho, Pepe, Deco, Rui Costa, Nani ou João Vieira Pinto foram jogadores de classe mundial, mas, a meu ver, o fator que permitiu a Portugal esta série ininterrupta de participações em fases finais e o sucesso em tantas ocasiões recai, em primeiro lugar, na influência e classe das suas figuras máximas.

Com certeza que Portugal se teria qualificado várias vezes mesmo sem Figo e sem Ronaldo, e possivelmente até poderíamos ter feito um brilharete ou outro, mas nunca conseguiríamos ter alcançado esta série de sucessos. Com a globalização do jogo, são muitas as seleções que têm jogadores de grande nível, habituados a alinhar nas maiores ligas do mundo. A diferença não está nesses jogadores, e muito menos nos treinadores - a qualidade técnica dos nossos selecionadores é, tradicionalmente, angustiante. A diferença está nos extra-terrestres que tivemos. Ganhámos a final de 2016 sem o nosso extra-terrestre em campo, é verdade - como diria Al Pacino, any given sunday you're gonna win or you're gonna lose - , mas nunca teríamos lá chegado sem ele.

Cristiano Ronaldo tem 32 anos. Se nenhum azar suceder, fará o mundial de 2018 e, havendo vontade, o europeu de 2020, mas já numa fase descendente - pelo menos em teoria - da carreira. Quando este Ronaldo acabar, voltaremos a ser apenas o pequeno retângulo situado na ponta da Europa com uns escassos 10 milhões de habitantes, mas que uma anormalidade estatística disfarçou de forma gloriosa nos últimos 20 anos. Infelizmente, há quem continue a desvalorizar a sua importância. Deviam apreciá-lo enquanto podem. Quando se retirar, vai levar com ele a bonança que o futebol português tem vivido.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

A absurda resistência dos jornalistas desportivos portugueses ao videoárbitro

Realizaram-se ontem dois jogos da Taça das Confederações, e, em qualquer um deles, a intervenção do videoárbitro foi crucial.

No primeiro jogo do dia, Portugal marcou um golo a meio da primeira parte, mas o árbitro anulou o golo por indicação da equipa de videoárbitros - composta por três juízes internacionais que assistiam ao jogo num estúdio. A decisão foi acertada: no princípio da jogada, Pepe estava adiantado quando Moutinho bombeou a bola para a área. O central tiraria partido da posição irregular para tocar a bola de cabeça para Ronaldo, que remataria espetacularmente à barra. Na recarga, Portugal marcaria.

Tudo bem, certo? Não. Aparentemente, há quem continue a tentar encontrar problemas onde eles não existem:


"Aqui está o videoárbitro a explicar que a polémica, ou que as polémicas não vão desaparecer do futebol", disse Manuel Fernandes Silva a respeito do sucedido. Ridículo. Concordo que a realização do jogo falhou ao não mostrar a repetição, mas isso é uma questão totalmente secundária. Portugal marcou num lance irregular, e por isso o golo foi bem anulado. Só isso deveria interessar. Que sentido faz dizer que há polémica sem se saber se o golo foi ou não bem anulado?

Mas, infelizmente, este não foi o único caso em que jornalistas portugueses decidiram, sem qualquer sentido, malhar no VAR. 

Avancemos para o segundo jogo do dia, o Camarões - Chile. No final da primeira parte, o Chile marcou um golo que o videoárbitro anulou, também por fora-de-jogo. Reparem no que foi dito pelos comentadores do jogo:


Neste caso até houve repetição, mas não foi esclarecedora, pois a realização não colocou a linha de fora-de-jogo. No início da segunda parte, lá mostraram o momento do passe com a linha de fora-de-jogo, onde se pode ver que Vargas tem a perna direita adiantada. Mas nem assim os comentadores da RTP conseguiram perceber que a decisão do videoárbitro foi boa. 

"Pela beleza e qualidade do lance nunca deveria ser anulado um golo destes".

"Há preciosismo a mais". Preciosismo a mais? Mas afinal a regra do fora-de-jogo é para se cumprir ou não? Gostava de perguntar ao autor desta frase quando é que um fora-de-jogo assinalado deixa de ser preciosismo. Aos 10 cms? Aos 20 cms? A um metro? É lamentável que jornalistas desportivos tenham afirmações destas, mas, pelos vistos, a vontade de malhar no videoárbitro sobrepõe-se ao desejo do cumprimento das regras do jogo.

O VAR viria ainda a ser importante neste jogo, ao confirmar a legalidade do segundo golo do Chile, que tinha sido anulado pelo fiscal-de-linha por fora-de-jogo. Três boas decisões do VAR no dois jogos, ou seja, o recurso à tecnologia ajudou a salvaguardar a verdade desportiva.

Mas se acham que foram apenas os comentadores da RTP a malhar no videoárbitro... estão enganados.

Exemplo da diferença de atitude em relação ao VAR entre um jornalista brasileiro e um jornalista português:

(via @bancadadeleao)

O Expresso a escrever uma mentira na crónica ao jogo:


O enviado especial de uma televisão portuguesa a dizer que os adeptos se sentem confusos. Mais confusos do que quando vêm um golo limpo ser anulado, ou um golo irregular a ser validado, e a ter impacto no jogo? Olha que problema gravíssimo...


Aguardo com alguma curiosidade as colunas de opinião na imprensa escrita. Quantos apontarão a decisão do Camarões - Chile como um erro? Para que lado da cama acordará Vítor Serpa? Será que vai aplaudir ou apupar o videoárbitro? Oh, a incerteza...

Obviamente que nem todos alinham pelo mesmo discurso, mas é impossível ignorar que existe uma grande resistência na generalidade dos jornalistas desportivos portugueses, que usam de todos os argumentos possíveis para tentar descredibilizar algo que só pode trazer melhorias ao estado em que encontra a arbitragem.

Claro que existem aspetos que não estão perfeitos e precisam de ser afinados - o tempo de resposta, as situações em que se recorre ao VAR, a forma de comunicação ao público e telespectadores -, e é expectável que há-de chegar o dia em que um VAR irá tomar uma má decisão... mas como em qualquer inovação é necessário dar tempo para que o processo entre em velocidade de cruzeiro. Não querer dar-lhe uma hipótese - e há muito boa gente por aí que parece mortinha por matar o VAR à nascença - é uma atitude completamente absurda para quem diz amar o jogo.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Os convocados para a Taça das Confederações e Euro sub-21

Fernando Santos e Rui Jorge divulgaram os jogadores escolhidos para participa na Taça das Confederações e Euro sub-21, respetivamente. No caso da seleção principal, foram convocados 24 atletas, o que significa que ainda haverá uma saída para definir os 23 finais.

Convocatória da seleção principal

Convocatória dos sub-21

A convocatória da seleção principal parece-me lógica e equilibrada. As maiores surpresas acabam por recair nos guarda-redes, devido à lesão de Marafona e à indisponibilidade de Anthony Lopes por motivos pessoais (graves, segundo o selecionador).

O Sporting tem 10 jogadores convocados para as duas competições: Rui Patrício, Beto, William Carvalho, Adrien Silva e Gelson Martins na seleção A, e Rúben Semedo, Tobias Figueiredo, Francisco Geraldes, Iuri Medeiros e Daniel Podence nos sub-21.

Sendo sempre uma boa notícia ter muitos jogadores a representar as seleções, estas convocatórias afetarão inevitavelmente o arranque da pré-época do Sporting, marcada para dia 22. Relembro que a Taça das Confederações se disputa entre 17 de junho e 2 de julho, enquanto o europeu de sub-21 se joga entre 16 e 30 de junho.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Os pré-convocados para a Taça das Confederações

A FPF enviou para a FIFA a lista de pré-convocados para a Taça das Confederações. Deste conjunto de 30 jogadores sairão os 23 escolhidos por Fernando Santos, a anunciar na próxima quinta-feira.

Como seria de esperar, a base da lista é composta pelos campeões europeus (19). Ficaram de fora, sem surpresa, Eduardo, Ricardo Carvalho, Vieirinha e, talvez um pouco mais surpreendentemente, Rafa. Entraram nomes que me parecem indiscutíveis face à época que realizaram: Nélson Semedo, Pizzi, Bernardo Silva, Gelson Martins e André Silva. Parece-me que estes cinco terão que estar obrigatoriamente na lista final.

De notar que Marafona, outra das novidades, não poderá ser convocado por causa da grave lesão entretanto contraída.

A lista completa é a seguinte:


As minhas escolhas seriam:

GR: Rui Patrício, Anthony Lopes e (?)
DD: Cédric e Nélson Semedo
DE: Raphael Guerreiro e Eliseu
DC: Pepe, José Fonte, Neto e Roderick Miranda
MDC: Danilo e William Carvalho
MC: João Moutinho, Adrien, João Mário e Pizzi
Extr: Nani, Quaresma, Bernardo Silva e Gelson Martins
PL: Ronaldo e André Silva

terça-feira, 28 de março de 2017

Os estranhos critérios nas convocatórias das seleções jovens

Post muito pertinente do Grande Artista e Goleador sobre os estranhos critérios que são utilizados na convocação de jogadores para as seleções jovens: LINK.

Incendiário de palmo e meio

É inaceitável a forma como Rui Gomes da Silva tentou inverter as responsabilidades do que se terá passado com Jaime Marta Soares à entrada do Estádio da Luz. Falamos de um indivíduo que, felizmente, já não tem quaisquer responsabilidades no clube ou na SAD, mas que, pela visibilidade que tem, no mínimo não deveria desculpabilizar ações para as quais não pode existir outro tipo de reação que não seja a condenação.

Só mesmo um indivíduo com uma estatura moral muito pequenina é que é capaz de responsabilizar alguém que, simplesmente, quer ver um jogo de futebol da seleção nacional. É como dizer que uma vítima de violação é que provocou o crime por estar a andar de mini-saia. E falamos de um sujeito que já foi ministro deste país. Absolutamente lamentável.


P.S.: mas, em contrapartida, foi bem divertido o momento em que Paulo Farinha Alves relembrou Rui Gomes da Silva do seu apoio a um movimento de boicote à final da Liga dos Campeões no Estádio da Luz.


Simplesmente maravilhoso...


segunda-feira, 27 de março de 2017

Os incidentes à margem do Portugal - Hungria

A ideia de "recrutar" elementos de claques para apoiar a seleção no Euro '2016 foi inteligente e deu bons resultados. Funcionou porque se tratava de uma competição especial, disputada no estrangeiro, de acesso mais restrito aos adeptos mais fervorosos, e - muito importante - jogada numa altura em que a temporada dos clubes já tinha terminado. Mas achar que a mesma ideia poderia funcionar em solo nacional numa fase em que as competições de clubes estão ao rubro, foi, pura e simplesmente, ingenuidade.

Obviamente que todas as pessoas, mesmo as que fazem parte da claque de um qualquer clube, são livres de assistir a jogos da seleção disputados no estádio de um rival. Se vão para um jogo da seleção entoam cânticos a provocar ou insultar equipas rivais, isso apenas revela a sua falta de capacidade de se comportar de forma cívica. Mas a partir do momento em que são apoiados de alguma forma pela FPF (nem que seja apenas através da oferta de bilhetes), não é tolerável que tenham comportamentos como aqueles que aconteceram no sábado - mesmo podendo haver atenuantes pelo facto de a claque ter sido também alvo de provocações por parte de adeptos presumivelmente benfiquistas. Depois disto, não é compreensível que a FPF continue a recorrer a esta estratégia de animação de jogos.

Infelizmente, não foi o único episódio lamentável que sucedeu à margem do Portugal - Hungria:


Aquilo que se passou com Jaime Marta Soares é inaceitável. Aconteceu na Luz, mas infelizmente é algo que nenhum adepto de Sporting ou Porto pode garantir que não acontecerá no seu estádio. Energúmenos existem em todo o lado, e basta um pequeno punhado de indivíduos mal intencionados para provocar uma situação deste tipo.

Agora, o que aconteceu é indesmentível. Tão mau como estes episódios terem acontecido é haver dirigentes que desdramatizem ou ignorem o que se passou. Veremos, portanto, como reagirá a FPF a estes incidentes. 

O mais provável é que não reaja de todo, porque a federação de Fernando Gomes é perita em fingir que nada de anormal se passa no mar de anormalidades que ocorrem no futebol português - e essa é a melhor forma de garantir que episódios semelhantes acontecerão no futuro, seja na Luz, seja no Dragão, em Alvalade ou em qualquer outro estádio.

E, já agora, também ajudava se os jornalistas não tentassem reescrever a história de uma forma que lhes seja mais conveniente, como sucedeu na edição de ontem do jornal A Bola...


domingo, 26 de março de 2017

O suspeito do costume

Ganhar por 3-0 à Hungria é um resultado normal, considerando a diferença de valor que existe entre as duas equipas. Anormal foi o empate a 3 que aconteceu no Euro 2016. Curiosamente, o onze inicial não foi assim tão diferente daquele que subiu ontem ao relvado... do meio-campo para a frente. A defesa, essa sim, não tem nada a ver: passámos de um quarteto Vieirinha / Pepe / Ricardo Carvalho / Eliseu para Cédric / Pepe / Fonte / Raphael Guerreiro.

Mas não é justo colocar a diferença de resultado entre um e outro jogo apenas no quarteto defensivo utilizado. Em junho, via-se que toda a equipa estava numa pilha de nervos após os dois impensáveis empates com que abrimos o Europeu. Numa pilha de nervos também estaria - embora não o demonstrasse nas conferências de imprensa - o selecionador, que teimava em não atribuir convictamente a titularidade a vários jogador que a pediam de caras: William, Adrien, João Mário, Fonte, Cédric, Raphael Guerreiro e Renato Sanches, sete jogadores que foram decisivos na fase a eliminar no Europeu, só ganharam realmente esse estatuto depois de tudo o resto ter falhado.

E apesar de a vitória de ontem ter sido clara, convém não esquecer que a Hungria continua a ser um adversário fraco, e que a seleção voltou a jogar pouco. Até ao golo de André Silva - que cruzamento fenomenal de Guerreiro! -, revelávamos as habituais dificuldades na criação de jogadas de ataque. Fernando Santos mostrou, mais uma vez, que é um treinador que só mexe no seu onze em casos de extrema necessidade. Não se entende, por exemplo, como não arranjou forma de encaixar Bernardo Silva no onze - um dos jogadores portugueses, se não o jogador português, a atravessar melhor momento de forma -, preferindo, por exemplo, insistir em André Gomes, que, mais uma vez, pouco acrescentou ao coletivo. Felizmente, a diferença de qualidade individual é enorme e o resultado confortável acabou por ser alcançado através de duas bombas do suspeito do costume, que atingiu ontem os 70 golos marcados ao serviço da seleção.

A partir daí, a equipa pareceu entrar em modo de gestão de esforço e o jogo ficou congelado até final. A caminhada para o mundial continua como estava: Portugal não tem margem para errar nos jogos que faltam. Só se qualificam diretamente os primeiros classificados dos nove grupos, e vão a um play-off os oito melhores segundos, o que significa que teremos de ganhar todos os jogos até final: incluindo a deslocação à Hungria (onde a Suiça já ganhou) em setembro e a decisiva receção aos helvéticos, na última jornada. A nosso favor temos o facto de nos bastar vencer os suiços por um golo - apesar de termos perdido em Basileia por 2-0 -, pois o principal fator de desempate é o goal-average no conjunto de todos os jogos.

segunda-feira, 20 de março de 2017

"O suplente do Enzo" de 2ª geração

Há pouco menos de três anos, quando se discutia quais os jogadores que Paulo Bento deveria levar para o mundial do Brasil, Rui Pedro Braz criou uma das mais extraordinárias teorias da história do comentário desportivo português, ao dizer que Adrien Silva - que, nessa época, foi um dos melhores jogadores do campeonato - estaria sempre atrás de Rúben Amorim nas hierarquia de escolha do selecionador, apesar de o médio benfiquista não ser titular no seu clube.

Para Braz, o facto de Rúben Amorim ser suplente de Enzo dava-lhe um estatuto que Adrien, na sua opinião, não tinha:


Ao que parece, Paulo Bento estava de acordo com esta teoria e decidiu convocar Rúben Amorim, deixando Adrien de fora - apenas uma de várias decisões absurdas que acabaram por ser uma preciosa ajuda para o desastre que foi a nossa participação nesse torneio.

Três anos depois, em 2017, parece que vários comentadores estão a recuperar essa linha de raciocínio. Não tão radical como o caso de Rúben Amorim, é certo, mas também a desvalorizar o nível de utilização de um jogador face ao nível do clube a que pertence. Aqui ficam dois exemplos:



Já o escrevi aquando da convocatória da passada quinta-feira: compreendo a convocatória de Renato Sanches e André Gomes - apesar da sua escassa utilização (no caso de Renato) e mau momento de forma (no caso de André)- , mas era só o que faltava que o facto de um jogador pertencer aos quadros de um colosso europeu lhe abra automaticamente as portas da convocatória.

Uma coisa é falarmos de um Cristiano Ronaldo ou de um Pepe, ainda na posse das suas melhores faculdades técnicas e atléticas, jogadores consagrados com um grande historial na seleção. Outra é de jogadores como Renato Sanches e André Gomes (ou mesmo João Mário ou Raphael Guerreiro, para dar outros exemplos) que, apesar de jogarem em grandes clubes de ligas muito mais competitivas do que a nossa, não fizeram ainda o suficiente para justificarem um estatuto idêntico.

Se o critério fosse esse, então por que razão é que Eduardo, suplente de Courtois, não foi convocado? Se o critério fosse esse, então Adrien nunca poderia ambicionar ser titular na seleção enquanto André Gomes estivesse disponível - e vimos todos como correu isso no Euro 2016. Se Secretário fosse hoje jogador do Real Madrid, isso dar-lhe-ia acesso automático ao lote dos convocados?

São legítimas as dúvidas sobre a convocatória de um jogador sem ritmo de jogo para um duplo compromisso. O jornal O Jogo publicou um gráfico com a utilização dos convocados de Fernando Santos desde a última partida da seleção:


Como se pode ver, a diferença de utilização entre Renato Sanches e a generalidade dos outros jogadores é imensa. São 270 minutos de competição em 4 meses. Certamente que não serão um par de treinos e 180 minutos de competição que o farão recuperar a sua melhor forma. Numa convocatória para uma fase final seria diferente: com várias semanas de treino e vários jogos particulares, isso já seria perfeitamente possível.

Existem argumentos válidos para justificar a convocatória de Renato Sanches, mas o clube em que joga não pode servir de escapatória para qualquer tipo de situação.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Notas soltas sobre a convocatória de Fernando Santos

Fernando Santos chamou, para o duplo compromisso com Hungria (Mundial 2018) e Suécia (particular), os seguintes jogadores:



  • O número de atletas convocados (25) parece excessivo. Acredito que Fernando Santos tencione fazer experiências no jogo com a Suécia e que vá fazer alguma gestão dos jogadores de Benfica e Porto - o clássico disputa-se 4 dias depois - mas, ainda assim, não vejo razões para ter chamado mais que 23 jogadores.
  • Exemplo desse excesso é a convocação de 3(!) laterais direitos. Cédric é uma escolha natural, e Nelson Semedo tem jogado muito bem, justificando também a chamada. Não se percebe a presença de Cancelo na lista, pois tem sido muito criticado pelas suas exibições no Valencia.
  • Em relação aos jogadores do Sporting, há que destacar mais uma chamada de Gelson Martins. O jogador já foi internacional A em três ocasiões, mas em jogos em que os adversários eram de um nível muito inferior ao da seleção portuguesa (Andorra, Ilhas Faroé e Letónia). Neste caso, falamos de dois jogos contra seleções de um grau de dificuldade completamente diferente. Bom indicador para Gelson, no sentido em que parece ter conquistado a confiança do selecionador para estar presente com regularidade na seleção A.

  • Menos habitual tem sido a presença de Pizzi - já não joga pela seleção há praticamente dois anos -, hoje convocado. Chamada mais que justa de um jogador que tem sido uma peça muito importante no Benfica - e que podia perfeitamente ter tido lugar nos 23 que foram ao Euro 2016.
  • Dos campeões europeus, 17 foram convocados, e 6 ficaram de fora. Os excluídos foram: Eduardo (não joga), Vieirinha (pouco utilizado), Ricardo Carvalho (38 anos, na China e sem ritmo de jogo), Adrien (lesionado), Nani (lesionado) e Rafa (má forma / moderadamente utilizado).
  • A convocatória de Renato Sanches, outro jogador pouco utilizado, contrasta com a exclusão de outros jogadores com pouco tempo de jogo. Ainda assim, aceita-se a chamada numa lógica de continuidade e preparação do futuro. Também Pepe não tem tido uma utilização regular (soma apenas 4 jogos como titular em 2017), mas neste caso não há discussão possível: falamos de um jogador que fez o suficiente para justificar outro tipo de estatuto.
  • Rui Patrício, Cédric, Nélson Semedo, Raphael Guerreiro, Danilo, William, João Mário, Renato, André Gomes, Bernardo Silva, Gelson Martins e André Silva são uma base muito prometedora para o médio/longo prazo da seleção. Do ponto de vista da renovação, o maior ponto de preocupação (para além do cada vez mais próximo abandono de Ronaldo) está, neste momento, ao nível dos defesas centrais. Talvez fizesse sentido se Fernando Santos reservasse a vaga de 4º central para um jogador mais jovem.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Mundial com 48 seleções em 2026

A FIFA decidiu, hoje, alargar as fases finais dos mundiais de 32 para 48 seleções participantes, a partir de 2026. A primeira fase da competição será disputada em 16 grupos de 3 equipas cada. Em cada um desses grupos, apuram-se os dois primeiros classificados. Entra-se depois numa fase a eliminar, começando nos 1/16 de final. Ou seja, há uma eliminatória adicional em relação ao formato atual.


Compreendo o argumento de que, abrindo-se a competição a mais 16 seleções, o mundial será um torneio mais inclusivo. Esta decisão abre todo um novo horizonte para muitas seleções em todo o mundo, que passarão a ter hipóteses reais de se qualificarem para uma fase final - coisa que, com apenas 32 vagas, dificilmente se concretizaria. Felizmente para nós, Portugal tem sido presença constante nas fases finais dos europeus e mundiais. Não falhamos uma qualificação desde 1998. Mas lembro-me bem do quão especial foram as qualificações e participação nas fases finais de 1984, 1986 (polémica Saltillo à parte) e 1996. O recente alargamento dos europeus também teve os seus aspetos positivos: temos de reconhecer que a presença de seleções como a Islândia, Irlanda do Norte e Gales deu um colorido diferente ao Euro 2016.

No entanto, a qualidade média dos jogos vai sofrer. O mundial a 32 já era uma competição com seleções de valia bastante díspar. No mundial do Brasil, participaram seleções como as Honduras, Equador ou Irão. Das 16 seleções adicionais que passarão a jogar a fase final, só 3 ou 4 serão de valor superior a estas. As restantes serão de valor igual ou inferior.

A fase de grupos deste novo formato, composta por dezasseis grupos de 3 equipas, das quais se apuram as duas melhores de cada grupo, será pouco mais do que um período de aquecimento para o que realmente interessa. Mas também será uma aberração competitiva. Grupos de 3 implicam que:
  • Uma das equipas terá um tempo de descanso muito superior entre jogos, em relação às outras duas.
  • Duas das equipas disputarão o último jogo sabendo, de antemão, o resultado de que necessitam para passar.


Para além disso, será que vai ser recompensador, do ponto de vista da experiência competitiva, abrir o torneio a tantas seleções, quando um terço delas irão para casa ao fim de 2 jogos, e outro terço ao fim de 3?

Existe uma outra novidadae: a FIFA divulgou, sem detalhar, que passará a haver desempate de penáltis em todos os jogos. Isto significa uma de duas coisas: ou os penáltis serão batidos no fim de todos os jogos, independentemente do resultado, para efeitos de desempate da classificação final no fim dos três jogos - aquilo que costuma haver nos torneios triangulares de pré-época; ou então serão batidos apenas em caso de empate, para deixar de haver empates. Estou muito mais inclinado para a primeira hipótese, pois acabar com os empates não garantiria que não houvesse igualdade de pontos na classificação final do grupo.


Como a duração do torneio se manterá em 32 dias, haverá, numa primeira fase, muito mais jogos para ver, mas com tantas equipas de valor duvidoso, e com um desnível de forças teoricamente superior, quantos dos 48 jogos desta fase terão efetivamente interesse para o público em geral? Só a partir dos oitavos-de-final é que o nível de competição será equiparável ao que temos tido até aqui.

A perceção que tenho é que os melhores jogos destas fases finais são os da fase de grupos, quando se cruzam duas seleções de valor acima da média. Na fase a eliminar, os treinadores têm muito mais reservas em arriscar, abordando as partidas de uma forma bastante mais cautelosa. Com o aumento do número de grupos, a probabilidade de as melhores equipas se cruzarem diminuirá drasticamente. E, havendo apenas dois jogos para decidir quem se apura, parece-me que a maior parte das seleções estará preocupada, em primeiro lugar, em não perder. Ou seja, do ponto de vista da qualidade do futebol praticado, nada de bom sairá desta decisão.

Mas ainda está aqui a faltar uma variável importantíssima: a questão financeira. A FIFA conta arrecadar mais 1000 milhões de receita, para um acréscimo de custos de cerca de 400 milhões. Ou seja, no final, terão mais 600 milhões nos cofres. Assim fica mais fácil compreender esta decisão.


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O ano do futebol feminino

Está a acontecer. O futebol feminino tem tido, nos últimos dias, um nível de destaque inédito e inteiramente merecido, face à proeza alcançada com o primeiro apuramento para a fase final de um europeu. Algo que acontece na sequência - mas não como consequência - de um significativo crescimento da visibilidade da renovada Liga Allianz, que, esta época, abriu portas aos clubes da Liga NOS que se mostraram interessados em abraçar o desafio: Sporting, Braga, Belenenses e Estoril (o Boavista já estava na competição).
Este despertar da profissionalização é um fator que, seguramente, contribuirá decisivamente para o aumento da competitividade do futebol feminino em Portugal ao longo dos próximos anos. Mas existe ainda um grande caminho a percorrer, até estarem estabelecidas as bases de trabalho ideais para atletas e equipa técnica.

Vale a pena ver a entrevista feita ontem por telefone pela Sport TV+ a Mariana Cabral, coordenadora de formação e treinadora dos sub-19 femininos do Sporting, onde se fala de forma breve, mas bastante interessante, da história recente e do panorama atual do futebol feminino em Portugal - e que ajuda a perceber tudo aquilo que representa a qualificação alcançada na última terça-feira.


Este feito é, em primeiro lugar, um prémio que deverá encher de orgulho todos os técnicos, jogadoras e dirigentes que mantiveram o futebol feminino vivo durante os anos e anos em que não havia sequer uma fração da atenção que começa hoje a existir. Milhares de pessoas que jogando, treinando, organizando, informando e formando, sem quaisquer expetativas de mediatismo ou de recompensas que não fossem a evolução e afirmação da modalidade que praticavam ou acompanhavam. 

Papéis diversos e igualmente fundamentais que, curiosamente, se reunem na pessoa da coordenadora de formação do Sporting. Enquanto jogadora, Mariana Cabral foi três vezes campeã nacional, participou na Liga dos Campeões, conquistou três Taças de Portugal e foi campeã da 2ª divisão por duas ocasiões. Terminou a carreira prematuramente, mas chegou a ser colega de equipa de várias jogadoras que na terça-feira estiveram em campo. Como treinadora, liderou os sub-17 femininos do Estoril na conquista do campeonato distrital (neste escalão não existia campeonato nacional). Acompanha há muitos anos o futebol feminino como jornalista e blogger. E agora, para além de ser treinadora dos sub-19 femininos, desempenha a já referida função de coordenadora de formação no Sporting. Não é difícil, portanto, perceber a felicidade que o apuramento para o Euro lhe terá provocado.

Esta qualificação, só por si, não é garantia de que o futebol feminino tenha subido para um patamar superior de meios e mediatismo. Relembro a qualificação da seleção de Râguebi, em 2007, disputado em França, que gerou um enorme entusiasmo à volta da modalidade. Infelizmente, passados quase dez anos, conclui-se facilmente que isso acabou por não representar o salto desejado para a modalidade em Portugal. No caso do futebol feminino, tão ou mais fundamental que a qualificação para o Euro, é que continue a haver um empenho sistemático da FPF e dos clubes, nomeadamente aqueles que têm uma massa de apoio mais considerável. Obviamente que o Sporting, neste contexto, terá um papel importantíssimo a desempenhar.

Para além do forte investimento realizado na equipa sénior, contratando um naipe de jogadoras portuguesas de qualidade e de grande futuro, o Sporting também está a fazer uma aposta inequívoca na formação, com os escalões de sub-19 e sub-17, tendo recrutado algumas das maiores promessas nacionais que, no futuro, poderão formar uma espécie de núcleo da seleção nacional - no fundo, aquilo que é o ADN deste clube.

Têm sido meses muito positivos para o futebol feminino. As audiências televisivas do duplo confronto com a Roménia foram uma surpresa agradável, e o Braga - Sporting, uma partida importante entre os dois favoritos ao título, será transmitido em direto pela TVI24. Que o ritmo de crescimento se mantenha, e que estes meses positivos se convertam em anos. Quem sabe se, daqui a uma década, as qualificações para europeus e mundiais não serão algo tão rotineiro quanto as do futebol masculino? Seria muito bom sinal.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Histórico!

A seleção feminina conseguiu, esta tarde, a qualificação para a fase final do Europeu, que se disputará na Holanda em julho e agosto de 2017. É a primeira vez que a seleção se apura para uma fase final. Parabéns a todas as jogadoras e à equipa técnica!



terça-feira, 11 de outubro de 2016

Janela entreaberta para 2020 e 2022


Nada nas duas goleadas que Portugal registou no duplo compromisso desta semana é garantia do quer que seja. Não garantem a presença no mundial e não são sinal de que a equipa está finalmente a jogar como um coletivo superior à soma das suas individualidades. Os quatro golos de André Silva, os dois golos de João Cancelo e as duas assistências de Gelson Martins não significam que estão encontradas soluções imediatas para as necessidades da seleção. Não é uma questão de cepticismo: acredito que André Silva tem tudo para ser o ponta-de-lança tão desejado e que Gelson é um extremo como há muito o futebol português não fabricava. É, simplesmente, a constação de que tanto Andorra como as Ilhas Faroé não são adversários que sirvam para tirar quaisquer conclusões sérias, pois o que Portugal precisa é de jogadores que possam fazer a diferença de forma consistente contra seleções de 1º plano.

Independentemente disso, é bom ver a seleção a ser ocupada progressivamente por jovens com potencial para serem dos melhores jogadores mundiais nas suas posições. No Europeu, assistimos à afirmação de Raphael Guerreiro (22 anos), William Carvalho (24) e João Mário (23), que já são donos de um lugar no onze. Renato Sanches (19) está a atravessar uma fase de adaptação a uma realidade nova, que poderá resultar a curto/médio prazo na confirmação do seu imenso potencial. E atrevo-me a dizer que André Silva (20) e Gelson Martins (21) prometem atingir idêntico patamar nos próximos dois anos. Concretizando-se todo este potencial, fica formado um núcleo fortíssimo que poderá carregar a seleção após a saída de Cristiano Ronaldo. Existe também uma segunda linha de jogadores com muita qualidade e rodagem, como Bernardo Silva (22) ou Anthony Lopes (26), e outros que, num futuro não muito distante, poderão atingir esse nível, que já vão brilhando nos sub-21.

Falamos de jogadores que, podendo ser já soluções de 1ª  ou 2ª linha, ainda estão em fase de desenvolvimento, e que apenas entrarão ou estarão no auge das suas carreiras num período que englobará os europeus de 2020 e 2024, com o mundial de 2022 pelo meio. Consiga Fernando Santos continuar (e até acelerar) a renovação, e a competitividade da seleção a médio/longo prazo poderá atingir um nível que parecia impensável há apenas dois ou três anos.

P.S.: não incluí, propositadamente, os nomes de André Gomes (23) e João Cancelo (22), por continuar a achá-los produtos de marketing de Jorge Mendes. É verdade que o médio está no Barcelona, mas nunca o vi demonstrar a consistência que normalmente é necessária para chegar a esse nível (e a palidez das suas exibições na seleção, quer no europeu, quer mesmo nestes últimos encontros, não ajudam a mudar essa impressão). Não quer dizer que consigam concretizar o potencial que muitas pessoas dizem ter, mas prefiro esperar para ver.