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terça-feira, 26 de junho de 2018

Assustador

Uma Comissão de Gestão tem como funções fazer a gestão corrente do clube até à próxima direção eleita tomar posse. Para mim, isto significa que o seu âmbito de atuação se deve limitar ao que não pode deixar de ser feito nos dois meses que estarão em funções. Como se sabe, existem alguns problemas que devem ser resolvidos com urgência, mas a questão do treinador não é um deles - ou melhor, não era um deles, porque, segundo o que hoje relata a imprensa, Sousa Cintra prepara-se dispensar Mihajlovic a escassos dias do arranque da época.

Diga-se o que se disser, Mihajlovic foi uma contratação legítima da anterior direção. Pode haver quem não goste do currículo, pode haver quem não goste dos princípios de jogo, pode haver quem ache que o salário é demasiado elevado para aquilo o Sporting deve pagar, pode haver quem ache que o contrato é demasiado longo... mas isso são questões que se limitam à esfera da opinião. A direção anterior tinha que contratar um treinador e tomou uma decisão em tempo útil para o início da época.

Estar agora a dispensá-lo, com tantas outras questões por resolver, é um risco que me parece completamente desnecessário e levanta outras questões. 

Qual será o treinador que o substituirá? 

Quando será contratado, considerando que estamos a escassos dias do início dos trabalhos? 

Aceitará o futuro treinador um contrato de apenas um ano de forma que a futura direção eleita possa escolher o seu treinador no início da próxima época?

E, considerando que Sousa Cintra está afastado há décadas do mundo de futebol, deixo a pergunta mais importante e assustadora de todas: quem são as pessoas que o estão a aconselhar?

terça-feira, 19 de junho de 2018

Mihajlovic

Sinisa Mihajlovic não seria, definitivamente, a minha primeira, segunda ou terceira escolha para treinador do Sporting. Quando ouvi falar do interesse do clube em contratá-lo, fiquei a desejar que fosse apenas mais um tiro ao lado da imprensa desportiva devido, sobretudo, ao facto de não ser um técnico a quem se associe de imediato uma aura de conquista de títulos. Não foi tiro ao lado da comunicação social. O interesse do Sporting era efetivamente real e ontem concretizou-se num acordo para os próximos três anos.

Na sequência da contratação de Mihajlovic, estive a pesquisar o trabalho que foi fez nos últimos anos. O cenário negro que se tinha formado na minha mente desvaneceu-se um pouco.

O clube onde teve mais sucesso foi na Sampdoria: em 2013/14 pegou na equipa à 12ª jornada quando se encontrava abaixo da linha de água, e levou-a até à 12ª posição. Fez a época seguinte completa e alcançou um 7º lugar - posição que a Sampdoria não conseguiu repetir após a sua saída (16º, 10º e 10º lugar). O 7º lugar alcançado em Génova levou a que o Milan o contratasse, mas acabou despedido à 32ª jornada, deixando a equipa em 6º lugar e qualificada para a final da Taça de Itália. Nas épocas que se sucederam entretanto, o Milan nunca conseguiu melhor do que o 6º lugar e não regressou à final da taça - mesmo na época que agora terminou, em que foram investidos quase 200 milhões de euros em contratações. Em 2016/17 foi para o Torino e conseguiu um 9º lugar (na época anterior tinha ficado em 12º). Esta época foi despedido do Torino após ser eliminado da taça pela Juventus, deixando a equipa em 10º lugar com 5 vitórias, 10 empates e 4 derrotas, a 2 pontos do 7º lugar. Não tem títulos, mas convém relembrar que a Juventus seca tudo em Itália: os crónicos campeões limparam os últimos 7 campeonatos e as últimas 4 taças.


Já vi por aí análises a destacarem a baixa percentagem de vitórias, mas convém ter em consideração duas atenuantes: nunca dirigiu um clube de 1ª linha em Itália (o Milan dos últimos anos não é mais do que um clube de 2ª linha), e é um treinador que sempre ganhou mais do que perdeu, mesmo em clubes que não tinham recursos para mais do que a luta pelo meio da tabela.

As análises que li referem-no como um treinador de mentalidade ofensiva que não tem medo de apostar em jogadores jovens. Os principais defeitos que lhe apontam são a de ser um treinador inconsistente taticamente quando as coisas não correm bem, mudando muito o esquema da equipa à procura de uma fórmula que possa ser melhor sucedida.

As questões extra-futebol, não sendo agradáveis, não são relevantes. O Sporting contratou um treinador de futebol, e não um professor de história ou de ciência política. A única coisa que devemos exigir, em relação a isso, é que o treinador respeite os jogadores e adeptos e honre o emblema que passará a representar.

Nas circunstâncias atuais, seria impossível replicar o efeito que a contratação de Jesus teve há três anos. Mihajlovic não é um nome bombástico. É um treinador de quem os adeptos poderão ter legítimas dúvidas sobre se tem o que é necessário para criar uma equipa competitiva a partir de um plantel muito desfalcado num campeonato que não conhece, mas convém termos consciência de que não estamos a falar de um incompetente incapaz de pôr equipas a jogar futebol. Tem um perfil que, tendo acesso aos meios e ao tempo necessários, poderá dar frutos no Sporting.

Que tenha o sucesso que todos desejamos.