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quarta-feira, 5 de junho de 2019

O cúmulo do descaramento


Sou o primeiro a conceder que as circunstâncias em que Sousa Cintra e José Peseiro entraram no Sporting não eram fáceis. O período era de enorme turbulência, o clube encontrava-se completamente fraturado e as indefinições eram mais que muitas. Também é indiscutível que, mal ou bem, tanto Cintra como Peseiro fazem parte da época que acabou com a conquista de dois títulos. Foram eles que tomaram as decisões que formaram o plantel com que o Sporting atacou a época. Por isso, a sua influência no decurso da temporada é indesmentível.

No entanto, antes de entregar os louros que ambos reclamaram recentemente pela conquista dos dois títulos, é preciso fazer uma outra pergunta: o Sporting ganhou a Taça de Portugal e a Taça da Liga graças ao trabalho de Cintra e Peseiro... ou o Sporting ganhou a Taça de Portugal e a Taça da Liga apesar do trabalho de Cintra e Peseiro?

A resposta certa será graças e apesar. Renan, jogador fundamental pelo que fez nos penáltis, foi contratado por Cintra a pedido de Peseiro. Bruno Fernandes, o jogador que acabou por ser o motor da equipa, foi recuperado por Cintra. E acaba aí o contributo positivo de ambos.

Avancemos para o resto. O Sporting conquistou os dois títulos apesar do plantel desequilibrado e carente de qualidade. É certo que não se pode culpar Cintra por haver tantos jogadores inúteis que transitaram da época anterior, mas podiam ter feito um esforço para tentar libertar alguns deles e abrir espaço para outros que efetivamente pudessem acrescentar valor. Podemos também falar dos erros de avaliação de Peseiro, que não achou necessário contratar um ponta-de-lança que competisse com Dost, que não achou necessário contratar Fábio Coentrão por achar que Jefferson era melhor, mas que deu o aval para que Cintra estourasse 5,5 milhões na aquisição do inútil Diaby - descrevendo-o na altura como o jogador mais rápido do futebol português.

(via @CantinhoMorais)
O Sporting conquistou o título apesar do futebol miserável que praticou até ao despedimento de Peseiro. Vale a pena recordar que a qualificação para a Taça da Liga ficou comprometida quando fomos derrotados em Alvalade pelo Estoril, da segunda divisão. A única coisa positiva que saiu dessa noite foi mesmo o despedimento do treinador. Ou a deprimente exibição em campo neutro com o Loures para a Taça de Portugal, bem ilustrada pela imagem da equipa técnica a olhar desesperadamente para o relógio na esperança que os ponteiros andassem mais depressa e evitassem o possível golo do empate de uma equipa que terminou a época em 7º lugar do grupo D do Campeonato de Portugal.

Para além da frase que podem ler na imagem, Peseiro queixou-se de ter sido maltratado no Sporting. Não, José Peseiro. O futebol do Sporting é que foi maltratado pelo treinador que teve - indeciso, inapto para liderar competentemente um grupo de jogadores, e incapaz de colocar a equipa a jogar um futebol minimamente decente.

Quanto a Cintra, é de um descaramento completo dizer que o Sporting podia ter sido campeão caso a direção de Frederico Varandas não tivesse feito as movimentações que fez. Essas movimentações, apesar dos constrangimentos de tempo e dinheiro, salvaram a época de uma tragédia apenas equiparável à de 2012/13. 

Volto a dizer: as circunstâncias em que Cintra entrou no Sporting não eram fáceis. Mas qualquer pessoa com um mínimo de bom senso e conhecimento do futebol seria capaz de fazer bem melhor.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

A entrevista de Sousa Cintra


Não me parece que a entrevista que Sousa Cintra deu ontem ao Record tenha vindo num momento muito oportuno. Nem para o Sporting, já que são feitas algumas revelações que não são propriamente agradáveis de digerir numa altura em que vai existindo bastante contestação à equipa de futebol e em particular ao seu treinador, nem mesmo para o próprio Sousa Cintra, que deveria aguardar mais uns meses para poder fazer um balanço mais completo – nomeadamente ao nível desportivo - daquilo que foi o seu trabalho enquanto presidente interino. Cintra foi presidente da SAD - ou seja, a sua área de ação foi exclusivamente o futebol - numa altura crítica para o sucesso da época desportiva, pelo que terá legitimidade para reclamar uma grossa fatia dos sucessos que esta temporada nos trouxer, mas também não se poderá esquivar das responsabilidade pelos insucessos que sucederem.

A questão da contratação de Peseiro é, para mim, o assunto mais importante da entrevista, mas não de uma forma positiva: Cintra espalha-se ao comprido quando continua a tentar defender o indefensável. É de uma completa falta de noção dizer que dispensou Mihajlovic por não ter campeonatos nem taças no currículo para, logo a seguir, afirmar que contratou Peseiro por ser um vencedor - quando na realidade é um treinador que tem somado insucessos sucessivos, apenas interrompidos por uma Taça da Liga conquistada ao serviço do Braga. Infelizmente, aquilo que está a acontecer ao futebol do Sporting não é surpresa para praticamente ninguém: Peseiro foi uma péssima escolha e o facto de Cintra assumir que tomou a decisão sozinho, contra a vontade de outros elementos da direção que o acompanhavam, deixa-o muito mal na fotografia.

Não lhe fica nada bem, também por isso, estar agora a apontar as responsabilidades dos graves desequilíbrios do plantel para as indecisões do treinador. Se é verdade que Peseiro andou aos avanços e recuos sobre determinados nomes que estavam em cima da mesa, então é mais uma desagradável constatação que o Sporting tinha e tem a pessoa errada ao comando do clube, e que faltou um pulso mais forte a Cintra para obrigá-lo a tomar decisões em tempo útil. Dizer agora uma coisa destas - numa altura em que existe uma enorme contestação a Peseiro - é estar a colocar o treinador numa situação ainda mais fragilizada perante os adeptos sportinguistas.

Ainda relacionado com a procura de treinador em finais de junho, é assustadora a revelação de que Jesus "esteve por um fio" para voltar. Obviamente que a competência de Jesus é incomparavelmente superior à de Peseiro (tal como o cheque que leva para casa no final do mês), mas toda a gente (menos Cintra, aparentemente) percebia que o ciclo de Jesus no Sporting estava mais que esgotado, não havendo qualquer margem para a sua continuidade em Alvalade.

A justificação dada para a presença na tribuna da Luz também não faz qualquer sentido: não pode usar o excelente relacionamento pessoal que tem com Vieira como argumento para defender uma posição de cariz institucional que contraria a vontade da esmagadora maioria dos sócios, ainda mais considerando a natureza temporária da sua presidência. 

Cintra voltou a afirmar que os jogadores recuperados da rescisão não ficaram com um ordenado superior nem receberam qualquer prémio de assinatura, mas revelou que foram pagas comissões aos respetivos empresários. Esta afirmação é contrária aos rumores de que Dost teve uma melhoria contratual ligeira e de que Battaglia teve um aumento mais significativo. O tempo encarregar-se-á de confirmar os valores que foram despendidos nestas operações - que, na minha opinião, foram das mais importantes medidas tomadas por Sousa Cintra.

Termino com os aspetos mais positivos da entrevista: o facto de não ter aceitado as pretensões salariais de Podence, não ter cedido nas negociações com o Atlético por Gelson, e ter tomado a iniciativa de renovar contrato com Jovane - a política que se seguia de tratar todos os jovens da formação por igual é um modelo que, comprovadamente, não funciona.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

A Comissão de Gestão na tribuna presidencial do Benfica

Infelizmente, confirmaram-se as notícias do final da semana passada que indicavam que a Comissão de Gestão iria aceitar o convite da direção benfiquista para assistir ao dérbi do último sábado na tribuna presidencial do Estádio da Luz.

Quem elogia a atitude diz que é um sinal de paz importante para o futebol português. Não concordo, mesmo não me considerando uma pessoa que prefira viver num estado de guerra permanente. Respeito a generalidade dos adeptos benfiquistas, os meus melhores amigos são benfiquistas, já vi vários dérbis junto de benfiquistas, conhecidos e desconhecidos, e não me incomoda minimamente que vibrem ao meu lado com seu clube da mesma forma que vibro com o meu. Sou capaz de discutir futebol com benfiquistas de forma civilizada em qualquer circunstância desde que haja o mesmo respeito do outro lado. 

Claro que preferiria que não existissem os problemas que existem entre o Sporting e o Benfica, mas é impossível ignorar que alguns dirigentes de topo do Benfica são um cancro para o desporto nacional e, em particular, para o futebol. Na sua demanda para estabelecerem o seu poder, atacam há anos o Sporting e os seus interesses utilizando os métodos mais rasteiros que se possam imaginar, que ultrapassam todos os limites aceitáveis de convivência desportiva. O meu problema é exclusivamente com esses dirigentes, não com os adeptos do Benfica.

Como tal, considero que Sousa Cintra, Torres Pereira, Marta Soares, Henrique Monteiro e os restantes dirigentes dos órgãos sociais do Sporting extravasaram de forma inaceitável as suas competências ao tomarem a decisão de aceitarem o convite do Benfica. A Comissão de Gestão não é um órgão sufragado pelos sócios e as suas responsabilidades devem limitar-se a decisões de gestão corrente. Ora, um reatamento de relações com o Benfica é tudo menos uma decisão de gestão corrente, face a tudo o que tem acontecido. Estamos a apenas duas semanas das eleições, pelo que a única atitude aceitável dos órgãos sociais atuais seria deixarem para a futura direção eleita a decisão sobre se devemos ou não reestabelecer as relações com o rival.

Infelizmente, a Comissão de Gestão não se limitou a aceitar o convite para marcar presença na tribuna presidencial, como ainda obrigou os sportinguistas a suportar a humilhação de os ver a darem exclusivos à BTV - falamos dos mesmos dirigentes que, desde que entraram em funções, nunca se dignaram a pôr os pés na Sporting TV.

Não me incomoda que Cintra faça aquelas conferências de imprensa castiças de apresentação de jogadores, carregadas de incorreções, calinadas e promessas desnecessárias (até acho graça), não me incomoda que Cintra desça ao relvado para dar uns toques com os craques que contrata, não me incomoda que Cintra confunda Salin com Renan e diga que o guarda-redes francês foi contratação sua de última hora, e nem sequer me incomoda particularmente que Cintra decida falar à imprensa à mesma hora que Peseiro dava a sua conferência de imprensa. Mas todas estas coisas juntas demonstram que Cintra está ávido para ter palco, e tenho quase a certeza que esta decisão de aceitar o convite do Benfica foi motivada, sobretudo, pelo desejo de aparecer e por saber que choverão elogios da comunicação social e dos comentadores que povoam os canais de informação.

Já se percebeu que Cintra, Torres Pereira e Marta Soares ADORAM o ser o centro das atenções e que a partir de dia 9 de setembro dificilmente voltarão a ter um palco desta dimensão, mas por tudo o que tem acontecido ao longo dos últimos anos, não podiam ter tomado esta decisão de ânimo leve apenas para garantirem mais umas quantas manchetes e reportagens com os seus nomes e sem pensarem na dignidade do clube e dos sócios que supostamente deveriam representar. Há caprichos pessoais que se toleram em quem exerce o poder, mas, neste caso, simplesmente não é admissível. Tenham vergonha.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

O falhanço da contratação de Badelj

Vale a pena ouvir o que disse Pedro Sousa sobre a forma como o Sporting deixou fugir Badelj para a Lazio. Sendo verdade que transferências a custo zero é coisa que não existe - por causa dos chorudos prémios de assinatura, comissões e salários inflacionados que jogadores livres com mercado implicam -, esta era um daqueles negócios que nunca poderia deixar de ser feito.

A contratação do croata resolveria aquela que é, de longe, a maior lacuna do plantel. Quando estamos a duas semanas do arranque da época e sujeitos a ir a jogo com Petrovic no onze titular, não podemos, de forma alguma, deixar fugir um jogador como este por causa de falta de acordo na duração do contrato. A decisão ganha contornos ainda mais bizarros quando nos apercebemos que, aparentemente, parece haver abertura da SAD para pagar um salário obsceno (face à valia desportiva) a Battaglia e para negociar com o Braga a contratação de Vukcevic - um jogador muito inferior que acabará certamente por sair bem mais caro do que Badelj.

Quem entenda a lógica de quem está ao comando da SAD, que me explique... porque isto é demasiado mau para ser verdade.


P.S.: espero também que não seja verdade que existam pressões de dentro da administração da SAD para que se aceite a proposta do Atlético por Gelson Martins.



quinta-feira, 26 de julho de 2018

Um mês de Cintra

Na sequência da destituição de Bruno de Carvalho e restantes elementos do Conselho Diretivo, um dos primeiros atos da Comissão de Gestão nomeada por Jaime Marta Soares e presidida por Artur Torres Pereira foi a indigitação de Sousa Cintra como representante do clube na SAD, precisamente em substituição de Bruno de Carvalho. Fez esta semana um mês que se deu essa substituição, pelo que me parece um momento oportuno para fazer uma avaliação provisória do trabalho que tem sido desenvolvido por Sousa Cintra e sua equipa.

Peguei em alguns tópicos que acho serem merecedores de análise (é possível que me tenha esquecido de alguns) e organizei-os por importância/desempenho.



1. Reinstauração de um clima de normalidade

Creio que toda a gente estará de acordo que seria impossível governar o clube e SAD caso se mantivesse a instabilidade que se viveu antes da destituição de Bruno de Carvalho. Obviamente que o afastamento do ex-presidente, por si só, resolvia parte do problema, mas não seria suficiente caso a nova direção não fizesse por devolver a serenidade e confiança possível aos adeptos. Por isso acho que Sousa Cintra teve um papel importante quando, na sua declaração inicial, prometer uma equipa "fortíssima" para lutar pelo título - tudo bem que Cintra se limitou a ser igual a Cintra (a recuperar o otimismo ingénuo que caracterizou o seu estilo de presidência nos anos 80/90), mas era fundamental sacudir o fatalismo profundo que o pesadelo dos meses anteriores incutiu na mente coletiva sportinguista. Não se pode, no entanto, abusar da procura da normalidade ao ponto de se cair na passividade - algo que, no lamaçal do futebol português, pode ser a morte do artista.


2. Regresso de Bruno Fernandes e Bas Dost

É certo que vai haver um ambiente estranho quando estes dois jogadores regressarem a Alvalade e que algumas pessoas nunca lhes perdoarão a rescisão, mas do ponto de vista desportivo esta foi a melhor solução possível para o Sporting. Bruno Fernandes afirmou que o seu salário não foi alterado, o que é algo que, simbolicamente, é muito importante para um bom relacionamento com os adeptos. Dost, de todos, era dos que teria mais razões para querer sair. Voltou, supostamente, com um ajuste salarial pouco significativo. Diga-se o que se disser, Sousa Cintra esteve muito bem ao conseguir recuperar dois jogadores fundamentais que nos tornam automaticamente muito mais competitivos, ainda que esse muito bem possa mudar, para pior ou para melhor, em função dos prémios de assinatura e comissões que o Sporting possa ter (ou não) pago a jogadores e empresários.


3. Gestão das rescisões

Um dos meus principais receios com a entrada da CG - ainda mais quando se assistiu a uma aproximação súbita de Jorge Mendes - era que cedêssemos às pretensões dos jogadores que rescindiram face a ofertas pouco mais que simbólicas. Ainda que o negócio William não seja famoso (já lá vamos), é bom ver que, apesar de haver abertura por parte do clube para negociar uma via não litigiosa, não andemos a aceitar esmolas ou entulho de que os clubes interessados se querem ver livres.


4. Contratação de Nani

Não sendo seguramene o mesmo jogador que regressou em 2014 e muito menos aquele que deslumbrava no Manchester United, Nani pode ser uma peça bastante útil para José Peseiro e, não menos importante, poderá ser uma referência de balneário capaz influenciar positivamente o grupo de trabalho - havendo vontade para isso. Ter vindo a custo zero torna a operação bastante interessante, ainda que se esteja por saber quanto se gastou em comissões e prémio de assinatura.


5. Troca de treinador

Ainda que entenda os motivos que levaram à dispensa de Mihajlovic (caro para o currículo apresentado e com um contrato longo), não aceito que se diga que ficámos a ganhar com a troca. Peseiro é um treinador que tem fracassado em todos os sítios por onde tem passado e que dificilmente terá pulso para segurar um balneário com personalidades muito fortes caso as coisas comecem a correr mal. A única coisa boa na vinda de Peseiro é que o contrato é de apenas uma época. Espero poder engolir as minhas palavras em maio, mas... não me parece que isso vá acontecer.


6. Aproximação a Jorge Mendes

Foi-nos vendido por Sousa Cintra que Jorge Mendes estava disponível para nos ajudar, apesar de toda a gente saber que o empresário é um especialista em ajudar-se apenas a si próprio, e que, para além disso, fez os possíveis para que vários jogadores rescindissem com o clube. Saldo das ajudas até ao momento: arranjou-nos um treinador fraco e levou-nos de forma litigiosa Rui Patrício, Podence e Gelson Martins. Não me parece que estejamos a sair por cima deste relacionamento, ainda que pudesse ser pior: ao que parece, livrámo-nos de receber um guarda-redes de que não precisamos.


7. Informação aos sócios

Até agora, o nível da informação prestada aos sócios e adeptos tem sido péssimo. O que vamos sabendo resume-se ao que sai da boca de Sousa Cintra em apresentações de jogadores ou em exclusivos à CMTV, e aos comunicados para a CMVM. De resto, parece um clube que se governa apenas para si próprio. Certo dia tínhamos a equipa B inscrita no Campeonato de Portugal, um par de dias mais tarde tínhamos desistido da equipa B. Explicações aos sócios? Nada. É apenas um exemplo entre vários em que não há qualquer informação transmitida aos sportinguistas, como os percalços na calendarização da pré-época, a colocação de jogadores excedentários, o cancelamento da Gala Honoris, e por aí fora.


8. Venda de William Carvalho

Caso corra muito bem a vida de William em Sevilha, pode ser que o Sporting consiga receber os 4 milhões dos objetivos (quais são, mesmo?) e o Bétis acione a compra de 20% do passe por 10 milhões, será um bom negócio. Até lá, considerando que só estão garantidos 16 milhões e que estamos a falar de um campeão da Europa, titularíssimo do Sporting e da seleção nacional, é um mau negócio para o Sporting. O facto de ser uma ajuda importante para os problemas de tesouraria atenua um pouco a má decisão que foi tomada.


9. Problemas com o planeamento da pré-época

Vários jogos adiados ou com alteração de adversário. Pouquíssimos jogos contra adversários competitivos. Neste momento temos um único jogo marcado até ao arranque do campeonato. Revela desorganização e desleixo que poderá sair-nos muito caro no arranque do campeonato: vamos defrontar o Benfica na 3ª jornada com metade dos minutos de competição.


10. Venda de Piccini

É certo que chegou barato, mas 8 milhões por 90% do passe de um jogador que fez uma boa época acaba por saber a pouco. Tinha de ser vendido - já que a posição no plantel está bem preenchida por outros dois jogadores -, mas parece-me que se desistiu demasiado cedo de conseguir um negócio mais favorável.


11. Levantamento da cláusula de confidencialidade de Jorge Jesus

Continuo a não ver o que ganha o Sporting com isto, nem o que Jesus fez para merecer esta borla de Sousa Cintra.


12. Proximidade excessiva à CMTV

Tanto quanto me apercebi, Sousa Cintra ainda não pôs os pés na Sporting TV desde que foi nomeado presidente da SAD. Ao invés, permitiu uma proximidade assustadora com Tânia Laranjo e a CMTV, que tanto mal fizeram ao Sporting nos últimos anos. Já deu para perceber que isso permite "comprar" peças mais favoráveis, mas será sol de muito pouca duração. Não dá para entender esta estratégia.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

A inação da CG no caso Bruma

Depois dos dois meses e meio de enorme instabilidade que o clube viveu entre o jogo de Madrid e a AG de destituição, compreendo que uma das principais preocupações da Comissão de Gestão de Artur Torres Pereira e do Conselho de Administração da SAD liderado por Sousa Cintra (que, para efeitos de simplificação, designarei de "CG" daqui para a frente) seja a reinstauração de um clima de normalidade no Sporting, tanto na sua atividade corrente, como no relacionamento com outros players do mundo do futebol. Compreendo também que queiram evitar meter-se em conflitos que considerem poder condicionar a atuação da direção que será eleita a 8 de setembro.

No entanto, isso não dispensa a CG de ignorar por completo o que se vai passando ao seu redor, e muito menos a dispensa de defender os interesses do Sporting quando isso se impõe. O silêncio absoluto dos dirigentes do Sporting e da própria Sporting TV (com exceção de um breve mas incisivo comentário de Rui Calafate no final do programa Sporting Especial de segunda-feira, que poderão ver mais abaixo) é, a todos os títulos, incompreensível, face aos fortíssimos indícios de que o Benfica violou o regulamento de transferências da FIFA para tentar desviar um dos jogadores mais promissores que tínhamos em 2013, numa manobra de extremo oportunismo levada a cabo num momento em que o clube atravessava uma crise desportiva e financeira gravíssima.

Não estou a dizer que a CG deve seguir a estratégia belicista de Bruno de Carvalho de atacar tudo o que mexe. Muito pelo contrário, está mais que visto que um dos grandes erros do ex-presidente foi não ter tido capacidade escolher de forma inteligente as guerras em que se metia. Mas a função de quem lidera um clube do Sporting também não é vencer concursos de popularidade nem ser cortejado pela imprensa sensacionalista. Reconheço coisas muito boas na atuação da equipa de Sousa Cintra (farei em breve um balanço deste primeiro mês em funções), mas a ausência de reação em relação ao caso Bruma não é admissível.

É um assunto suficientemente importante (a enorme quantidade de visitas nos últimos dois dias ao post do caso Bruma deixa-me completamente seguro de que é um tema que o universo sportinguista considera muito relevante) para não poder ser ignorado pela CG - por tudo o que representou na altura e pelas implicações dos novos dados -, mesmo considerando o seu mandato transitório.

A CG não foi eleita, mas foi nomeada pelo representante dos sócios para defender os interesses do clube e, como tal, não pode descartar a obrigação de sujar as mãos em assuntos desta natureza. Façam o vosso trabalho, por favor.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

A cláusula de confidencialidade

O Jornal Económico avançou esta manhã que Sousa Cintra terá aceitado, a pedido de Jorge Jesus, anular a cláusula de confidencialidade assinada entre o Sporting e o treinador aquando da sua rescisão.



Não vejo qual é o interesse do Sporting em anular esta cláusula. Se por acaso existiram irregularidades de qualquer tipo de que o treinador tenha conhecimento sobre a gestão de Bruno de Carvalho, não há nada que o impeça de as denunciar ao atual presidente da SAD - pois a cláusula de confidencialidade não é entre Jesus e Bruno de Carvalho, é entre Jesus e o Sporting.

Jesus pode dizer tudo o que quiser aos atuais responsáveis do Sporting, seja a denúncia de irregularidades ou de comportamentos menos corretos do anterior presidente. O que não pode é dizer tudo o que quiser à Comunicação Social, e nesse sentido isso significa que, caso Sousa Cintra aceda à anulação desta cláusula, estará apenas a incentivar a que se continue com a lavagem de roupa suja de assuntos do clube na praça pública. O que ganha o Sporting com isso, exatamente? Só será bom para o ego de Jesus que, assim, poderá sacudir as responsabilidades do fracasso desportivo que foi a sua passagem pelo Sporting - apesar de todas as condições que lhe foram proporcionadas para levar a cabo o seu trabalho com sucesso.

Só compreenderei a anulação da cláusula caso, como contrapartida, Jesus aceite contratar Petrovic e Alan Ruiz pelos mesmos 10 milhões que teria de pagar caso quebrasse o silêncio. Afinal, quem dá 4 milhões para levar Carrillo por empréstimo, não se importará de abrir um pouco mais os cordões à bolsa para levar em definitivo alguns dos craques que impingiu ao clube...

quarta-feira, 11 de julho de 2018

O regresso de Bruno Fernandes

O regresso de Bruno Fernandes ao Sporting é (mais) um assunto que promete dividir os sportinguistas durante os próximos tempos. Há quem não lhe perdoe a rescisão e se sinta humilhado por ver o clube reabrir-lhe as portas, há quem aplauda o regresso e esteja preparado para o receber de braços abertos, da mesma forma que havia quem considerava a rescisão dos nove jogadores como um ataque ao clube, à direção e aos sócios e havia quem compreendesse a decisão face ao que aconteceu na Academia.

Os pontos de vista podem ser diferentes (e, em alguns casos, extremados), mas creio que existem duas áreas em que as opiniões serão quase unânimes. 

A primeira é que, desportivamente, o plantel do Sporting fica bastante mais forte. Falamos apenas de alguém que foi consagrado pela Liga como o melhor jogador da temporada passada - ficarei para sempre na dúvida se Bruno Fernandes teria ganho o prémio caso não tivesse rescindido, mas isso é outra conversa - e que, aos 23 anos de idade, ainda tem margem para evoluir. Logo, parece-me evidente que é um reforço de peso para atacar esta nova época.

A segunda é que, financeiramente, é uma operação obviamente positiva, pelo encaixe que poderá trazer numa eventual futura venda. Em relação ao impacto imediato nas contas, não me parece que seja relevante: considerando que o jogador rescindiu em 2017/18, suponho que a SAD tenha registado no 4º trimestre uma imparidade igual ao montante ainda não amortizado do passe do jogador (que deveria rondar os 7 milhões de euros); agora, que estamos no 1º trimestre de 2018/19 e entrando o jogador (segundo o que foi dito) sem encargos, Bruno Fernandes valerá zero como ativo incorpóreo no balanço. Ou seja, não contribuirá, para já, para retirar a SAD da situação de falência técnica. Isto não é um problema, porque quanto menor for a valorização contabilística de um ativo, maior será a mais-valia no momento em que o jogador for transferido.

Se desportiva e financeiramente não há grandes dúvidas em relação ao benefício deste regresso, há a não menos relevante questão de princípio de o clube estar a abrir as portas a um jogador que decidiu abandoná-lo em concertação com outros colegas, contribuindo para o agravamento de uma crise que já era profunda.

Há que dizer, em primeiro lugar, que Bruno Fernandes esteve muito bem na conferência de imprensa. Revelou coragem ao disponibilizar-se para as perguntas dos jornalistas - e algumas delas foram bem complicadas -, às quais respondeu sempre de forma direta e frontal, em especial quando lhe questionaram as condições financeiras do novo contrato. Bruno Fernandes afirmou ter assinado um contrato igual ao que teria antes, sem mexer no salário e sem receber prémio de assinatura, contrariando assim os cenários de chantagem e aproveitamento indevido.

(isto é, no entanto, uma imagem incompleta: falta saber se o clube continua a ter 100% dos direitos económicos, se foi paga alguma comissão ao empresário, e se o Sporting se comprometeu em ceder ao jogador/empresário/intermediário parte das mais-valias de uma venda futura; pela aparente sinceridade nas respostas, estou convencido que não... mas nestas coisas nunca se sabe)

Creio que no final da época passada, antes das rescisões, ninguém veria com maus olhos uma melhoria contratual de Bruno Fernandes. Voltando nestas condições, está a passar-se a decisão da revisão salarial à futura direção. Como tal, se não existir nenhuma omissão relevante, não haverá nada a apontar em relação à atuação de Sousa Cintra e de Bruno Fernandes nesta reassinatura. Pelo contrário, os interesses do Sporting estarão a ser defendidos por um e por outro. 

Acredito que Bruno Fernandes terá recusado propostas financeiras bastante mais tentadoras do que o contrato que tem com o Sporting. Qualquer clube do meio da tabela das cinco maiores ligas poderia fazê-lo, e não tenho quaisquer dúvidas de que o seu desempenho desportivo na época passada terá aguçado o apetite de vários emblemas com capacidade financeira muito superior à nossa. Resta saber se estariam dispostos a correr o risco de pagar uma indemnização de 100 milhões ao Sporting.

Neste momento, estou assim: as palavras de Bruno Fernandes e as condições acertadas para o seu regresso não chegam para apagar por completo a angústia que senti semanas a fio com a questão das rescisões concertadas (nada que se pudesse fazer poderia apagá-la por completo), mas ajudam a atenuá-la consideravelmente. Foi um golpe ter saído como saiu, mas o facto é que voltou, ao contrário de outros, com os benefícios desportivos e financeiros que daí advêm para o Sporting. Inclusivamente, por ser o primeiro dos nove a dar este passo, este regresso poderá ajudar o Sporting na gestão do dossier das restantes rescisões. Nada disto pode ser ignorado, nem pode ser ignorado o esforço que o jogador parece estar a fazer para sarar as feridas que foram abertas. Vai ser estranho estar no estádio e vê-lo de novo com a nossa camisola, mas vejo espaço para que possa ir avançando no sentido da reconciliação.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Entregues aos bichos

A entrevista que Sousa Cintra deu ontem na SIC e SIC Notícias não foi propriamente esclarecedora sobre a maior parte dos temas que careciam de esclarecimentos mais concretos, mas não deixou de trazer algumas novidades relativamente a alguns dossiers importantes. Destaco, relativamente a estes últimos, o que foi dito sobre os jogadores que rescindiram e sobre a escolha de José Peseiro.

Em relação aos jogadores, fica a ideia de que os regressos de Bruno Fernandes e Podence estarão praticamente acertados, e que as negociações com Gelson estarão um pouco mais atrasadas. Cintra não abriu o jogo em relação às condições em que se efetuará o regresso dos jogadores, mas referiu existirem conversações com todos os atletas e/ou com os seus empresários. Disse também que o acordo com o Wolves por Rui Patrício estará praticamente definido, provavelmente pelos valores que foram inicialmente acordados com Bruno de Carvalho.

Mas a grande (pelo menos para mim) revelação da noite teve a ver com a contratação de José Peseiro:


Portanto, o empresário que colocou José Peseiro no Sporting foi... Jorge Mendes. Jorge Mendes. Que pode ajudar nalguma solução.

Portanto, estamos a procurar soluções junto de alguém que participou ativamente na decisão de alguns dos jogadores rescindirem. Já se está mesmo a ver o que se seguirá: vamos começar a receber entulho com a chancela Mendes e, ao mesmo tempo, daremos a Mendes a garantia de que será ele a negociar os jogadores que regressarão, eventualmente com direito a uma percentagem generosa da venda. Esta última frase é suposição minha, mas não se iludam: é assim que Mendes opera quando clubes em dificuldades procuram a sua "ajuda".

Chegou-se ainda ao ridículo de ouvirmos Sousa Cintra dizer que o Sporting não pode recusar a ajuda daqueles que se oferecem para nos auxiliar, referindo-se a nomes como Futre, Mendes... e Doyen. Assustador. Como se houvesse almoços grátis, ainda mais com essa gente.

Pobre Sporting... estamos entregues aos bichos.

P.S.: vou só deixar aqui esta imagem, captada ontem. Há uns tempos diria que era carvão, mas hoje, depois do que acabei de ouvir da boca de Sousa Cintra... não sei não.


terça-feira, 3 de julho de 2018

Onze questões para Sousa Cintra

Bem sei que o ambiente entre a Comissão de Gestão / nova administração da SAD do Sporting e a Comunicação Social anda bastante cordial e muito mais desanuviado do que no tempo de Bruno de Carvalho, mas as notícias dos últimos dias têm levantado muitas questões que se mantêm em aberto e que os sócios e adeptos gostariam de ver respondidas e esclarecidas.

Como tal, gostaria de apelar aos jornalistas que colocassem as onze perguntas que se seguem ao presidente Sousa Cintra em futuras conferências de imprensa. Seria um grande serviço que prestariam aos sportinguistas.


Sobre a contratação de José Peseiro:

1. Existe alguma cláusula que permita à futura direção dispensá-lo sem encargos antes do final do primeiro ano de contrato?

2. Quem foi o empresário que intermediou a vinda de José Peseiro?

3. O empresário que intermediou a vinda de José Peseiro participará na contratação de jogadores durante o atual período de transferências? Se sim, quantos jogadores lhe foram pedidos?


No caso de se concretizar o hipotético regresso de jogadores que rescindiram:

4. Os jogadores comprometem-se a fazer pelo menos mais uma época no Sporting?

5. Foi ou será pago algum valor aos jogadores, sob a forma de aumento salarial, prémio de assinatura ou qualquer outro tipo de gratificação?

6. Foi ou será pago algum valor aos empresários dos jogadores ou intermediários, sob a forma de comissão ou qualquer outro tipo de gratificação?

7. Foi ou será atribuída alguma percentagem dos direitos económicos ou percentagem de venda futura aos próprios jogadores?

8. Foi ou será atribuída alguma percentagem de venda futura a algum empresário ou intermediário?

9. Ficou acordado entre o clube e jogadores algum valor abaixo da cláusula a partir do qual o clube será obrigado a aceitar uma transferência?

10. Ficou acordado entre o clube e empresários a garantia de intermediação de um futuro negócio destes ou de quaisquer outros jogadores?


Sobre o mercado de transferências:

11. Esta administração, nomeada pela Comissão de Gestão, compromete-se a divulgar no final do mercado os valores de transferência, comissões, cláusulas e intermediários que participaram em cada uma das compras e vendas, dando assim continuidade à política de transparência seguida pela direção anterior?



São questões que têm de ser colocadas porque tocam em temas muito importantes para os sócios. Apesar de Bruno de Carvalho ter sido destituído, tenho a certeza de que a esmagadora maioria dos sportinguistas continua a rever-se na estratégia que o ex-presidente implementou para estas áreas - e como a Comissão de Gestão e atual administração não foram mandatados para seguir um caminho contrário, seria importante que nos assegurassem que os interesses do clube continuam a ser devidamente protegidos.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Peseiro

Apesar de não concordar com a decisão da administração de Sousa Cintra em rescindir com Mihajlovic, consigo entendê-la. Ninguém pode contestar que, assim, se está a dar liberdade à futura direção de escolher o seu treinador sem estar sujeita a um encargo elevado - em virtude dos três anos de contrato e do salário milionário oferecido por Bruno de Carvalho ao sérvio. Espero apenas que o tal período experimental invocado seja efetivamente válido.

Mas uma vez tomada a decisão de se seguir por este caminho, só uma pessoa com muita fé no divino é que poderia acreditar que havia condições para contratar um treinador capaz de agradar à generalidade dos sportinguistas. Que treinador com mercado é que aceitaria vir para um clube privado das suas principais estrelas, com um contrato de curta duração (máximo de um ano) e salário moderado, sabendo que poderá não ter o apoio da direção que entrará em funções daqui a dois meses?

Acabou por ser escolhido José Peseiro. Ou seja, escolheu-se alguém com o perfil possível. 

Na noite de sábado assisti a variadíssimas reações à notícia. Cheguei à surpreendente conclusão de que é uma escolha consensual, já que foi muito elogiado por todos os comentadores sportinguistas e benfiquistas. Como tal, todos podemos ficar descansados.

Não tenho vontade para dizer muito mais sobre a contratação de José Peseiro que não seja o seguinte: por muito discutível que seja a sua contratação, o treinador não tem quaisquer responsabilidades sobre o atual estado do Sporting e certamente que fará o melhor que puder neste enorme desafio que o espera. O seu sucesso será o sucesso do Sporting e, como tal, espero muito sinceramente que seja feliz neste seu regresso a Alvalade.

Boa sorte.


sábado, 30 de junho de 2018

As motivações de Cintra

Creio que todos estarão de acordo em como Bruno de Carvalho ofereceu um contrato sobrevalorizado a Mihajlovic. Ainda que esteja longe do valor que era pago a Jorge Jesus, um salário anual de 4 milhões euros brutos é excessivo face ao currículo do sérvio, e apenas se pode explicar pelo fraco poder negocial que o ex-presidente tinha: faltavam poucas semanas para o início da época, a situação de instabilidade extrema era mais que conhecida, e estava a dias de uma AG de destituição. Por todos os motivos e mais algum, Bruno de Carvalho tinha de arranjar rapidamente um treinador - e isso foi bem aproveitado por Mihajlovic.

Compreendo a posição de quem contestou a decisão de Bruno de Carvalho em fechar um compromisso que, com um grau elevado de probabilidade, poderia cair nos braços de uma outra direção. No entanto, uma vez tomada essa decisão, acho ainda mais discutível que Sousa Cintra tenha decidido terminar o contrato com Mihajlovic - ainda por cima utilizando um argumento quase ao nível do fato de Marco Silva -, por dois motivos:
  • A questão do treinador, melhor ou pior, era das poucas que estava tratada - o reforço do plantel era um assunto bem mais urgente;
  • Cintra partiu de um pressuposto errado de que seria relativamente simples arranjar um treinador melhor e mais barato. É que os problemas do plantel mantêm-se, a Comissão de Gestão de que faz parte também está a prazo, e a época está ainda mais próxima de começar - aumentando a urgência da resolução deste tema. O cenário de hoje pode ser bem diferente na cabeça de Sousa Cintra do que era há duas semanas, mas para um observador externo... a situação de incerteza e instabilidade há-de ser muito semelhante.

Se Cintra já tivesse um acordo apalavrado com outro treinador quando decidiu dispensar Mihajlovic, seria uma coisa. Mas sendo verdade o que tem sido reportado pela Comunicação Social, não havia ninguém de reserva pronto a assinar. Cintra anda a multiplicar-se em contactos, a bater a várias portas, mas as respostas não têm sido positivas. Só que o relógio não pára, e a pressão para resolver este problema vai aumentando a cada hora. 

Considerando o tempo que resta é o perfil dos nomes que têm sido referidos na imprensa, começo a simpatizar com uma ideia que rejeitava até há poucos dias, mas que, perante a conjuntura atual, me vai parecendo cada vez mais um mal menor: colocar a equipa na mão de um treinador interino que já faça parte dos quadros do Sporting, sem encargos imediatos, e passar a responsabilidade da contratação do treinador para o próximo presidente.

Cintra ainda tem dois dias pela frente para resolver o problema, mas fica a ideia de que a dispensa de Mihajlovic parece ter sido mal calculada. E isso leva-me a outra questão: considerando que Cintra tem andado a contactar treinadores que exigirão, no mínimo, salários tão elevados como aquele que o sérvio iria auferir, por que razão é que o decidiu mandar embora? Está visto que não é pelo dinheiro, duvido que seja pela duração do contrato (que treinador credenciado aceitará um contrato de um ano sem outro tipo de compensação?), e muito menos pelas suas qualidades técnicas - se há coisa que não podemos esperar de um homem que dispensou Bobby Robson com a equipa em primeiro lugar, é bom senso na avaliação das competências de um treinador. 

Para mim, a resposta é esta: Sousa Cintra mandou embora Mihajlovic porque quer deixar nestes 2 meses a marca que não conseguiu deixar nos anos em que foi presidente. Quer ser recordado como um presidente que fez o Sporting campeão, e sabe que esta é a última oportunidade que tem para o conseguir. 

Se for isso que o está a motivar e que o levou a tomar a decisão que tomou, alguém lhe deveria dizer que não foi para isso que foi nomeado para a Comissão de Gestão e para a SAD.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Assustador

Uma Comissão de Gestão tem como funções fazer a gestão corrente do clube até à próxima direção eleita tomar posse. Para mim, isto significa que o seu âmbito de atuação se deve limitar ao que não pode deixar de ser feito nos dois meses que estarão em funções. Como se sabe, existem alguns problemas que devem ser resolvidos com urgência, mas a questão do treinador não é um deles - ou melhor, não era um deles, porque, segundo o que hoje relata a imprensa, Sousa Cintra prepara-se dispensar Mihajlovic a escassos dias do arranque da época.

Diga-se o que se disser, Mihajlovic foi uma contratação legítima da anterior direção. Pode haver quem não goste do currículo, pode haver quem não goste dos princípios de jogo, pode haver quem ache que o salário é demasiado elevado para aquilo o Sporting deve pagar, pode haver quem ache que o contrato é demasiado longo... mas isso são questões que se limitam à esfera da opinião. A direção anterior tinha que contratar um treinador e tomou uma decisão em tempo útil para o início da época.

Estar agora a dispensá-lo, com tantas outras questões por resolver, é um risco que me parece completamente desnecessário e levanta outras questões. 

Qual será o treinador que o substituirá? 

Quando será contratado, considerando que estamos a escassos dias do início dos trabalhos? 

Aceitará o futuro treinador um contrato de apenas um ano de forma que a futura direção eleita possa escolher o seu treinador no início da próxima época?

E, considerando que Sousa Cintra está afastado há décadas do mundo de futebol, deixo a pergunta mais importante e assustadora de todas: quem são as pessoas que o estão a aconselhar?