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segunda-feira, 30 de abril de 2018

As novidades do artigo de Bruno de Carvalho no DN: que implicações para o Sporting?

O Diário de Notícias publicou hoje um artigo de Bruno de Carvalho que aborda a atual situação financeira do Sporting. O texto é comprido e envolve alguns conceitos que nem todos perceberão à primeira, mas vale a pena o esforço pela importância do tema. Pode ser lido aqui: LINK.

Vou tentar isolar os pontos mais relevantes do que foi referido pelo presidente e dar a minha opinião sobre as suas implicações para a vida da SAD e do clube.

Em primeiro lugar, há que dizer que este é um bom exemplo do que é boa comunicação. Considerando a complexidade dos temas e a extensão das explicações dadas, o meio escolhido é o mais apropriado - não só pelo alcance, mas também porque é a forma mais fácil de passar a mensagem de forma clara e de evitar mal-entendidos.

Passemos agora aos principais pontos do artigo.


A recompra das VMOCs e a manutenção da maioria da SAD

A grande novidade tem a ver com alteração das condições de recompra das VMOCs. A situação anterior era a seguinte:
  • Existem 135 milhões de VMOCs emitidas em dois momentos diferentes no tempo (55 milhões de VMOCs A e 80 milhões de VMOCs B);
  • Estava prevista a entrada de um novo investidor com a entrada de 18 milhões no capital social da SAD;
  • Estava prevista a emissão de mais 55 milhões de VMOCs (C) que, na prática, iriam servir para o Sporting recomprar 55 milhões de VMOCs A, convertendo-as em ações do clube - o que iria diluir a participação de outros investidores na SAD; ou seja, o capital social iria aumentar em 55 milhões, com o Sporting a ficar com mais 55 milhões de ações; o total de VMOCs ficaria igual, ou seja, no valor de 135 milhões (80 milhões de VMOCs B e 55 milhões de VMOCs C);
  • Dos 135 milhões das VMOCs B e C, o Sporting tinha opção de recompra de 44 milhões;
  • Com a recompra dos 55 milhões das VMOCs A e destes 44 milhões, com a respetiva conversão em ações, o Sporting ficaria com a maioria do capital da SAD.

Em novembro de 2016, a SAD divulgou um quadro a explicar estes números:


O que estava previsto para 2026, com a conversão de todas as VMOCs em ações, era o cenário da coluna à direita deste quadro.

Havia uma outra particularidade: a recompra dos 44 milhões de VMOCs não seria feito pelo valor nominal (1€ por unidade), mas sim pelo valor de mercado das ações acrescido de 20% (tendo como teto máximo 1€ por unidade). Como o valor atual das ações é de 0,70€, se o Sporting optasse por comprar hoje as VMOCs, teria de pagar 0,70€ + 20%, ou seja, 0,84€ por unidade, o que daria um custo total de 37 milhões de euros. Mas, obviamente, seria um valor sempre sujeito a diminuir ou aumentar em função do que o mercado fosse ditando, até ao limite máximo de 44 milhões de euros. O Sporting nunca pagaria mais do que isso.

Agora, a novidade.

Bruno de Carvalho refere duas alterações importantíssimas no âmbito de um novo acordo de reestruturação com a banca (que detêm as VMOCs): a primeira é que o valor a pagar por cada unidade de VMOC passa a ser apenas de 0,30€. A segunda é que deixa de haver o limite de recompra de 44 milhões de VMOCs. Ou seja, o Sporting poderá recomprar os 135 milhões de VMOCs por 40,5 milhões de euros.

Ficou também acordado que fica dispensada a emissão das VMOCs C (que serviriam para recuperar as VMOCs A) e a entrada do novo investidor.

Não havendo a recompra das VMOCs A por contrapartida da emissão das VMOCs C (que aumentaria o peso da participação do Sporting na SAD), a recompra de 44 milhões de VMOCs deixará de ser suficiente para garantir a maioria. Estive a fazer contas por alto e, como poderão ver pelo quadro abaixo que fiz, o Sporting terá de recomprar 58,3 milhões de VMOC para garantir a maioria do capital da SAD - o que ao preço unitário de 0,3€ por VMOC totaliza os 17,5 milhões de euros que Bruno de Carvalho refere no seu texto.


Como é óbvio, são excelentes notícias para o clube, que fica com a possibilidade de ficar com 88% das ações da SAD com um investimento de apenas 40,5 milhões de euros. Qual é a importância disto para o futuro do clube? Bem, para além das questões simbólicas e práticas que a posse da esmagadora maioria da SAD implica, abre também a possibilidade para haver uma margem muito superior para a entrada de novos investidores: o Sporting poderá passar a ter espaço para um investidor com 150 milhões de euros para injetar na SAD sem que a manutenção da maioria de capital fique em risco.


As contrapartidas e os empréstimos obrigacionistas

Bruno de Carvalho refere que os bancos não exigiram nem taxas de juro mais elevadas nem que o Sporting entregasse garantias adicionais pela melhoria das condições da recompra das VMOCs. Quais foram então as contrapartidas dadas pelo Sporting, considerando que não existem almoços grátis? Pelo que me parece, será uma aceleração do reembolso dos empréstimos bancários através da emissão de empréstimos obrigacionistas de valor superior. Um pouco aquilo que o Benfica fez recentemente - pagando aos bancos com dinheiro obtido via factoring -, mas, no caso do Sporting, num ritmo bem mais suave.

Esta conclusão é corroborada por um dos parágrafos do texto de Bruno de Carvalho:
1. A emissão de 15 milhões está alinhada com o acordo com os actuais bancos (NB/BCP) de permitir aumentos de dívida desde que no global a mesma não aumente; a 31 de dezembro de 2017 a dívida bancária reduziu-se 16 milhões já em antecipação a esta possibilidade;

O Sporting aumentará os empréstimos obrigacionistas comprometendo-se a não aumentar a dívida global. Ou seja, pagará aos bancos com a emissão de novas obrigações.

É um cenário que não me incomoda muito (tenho vindo sempre a dizer que o que interessa é a dívida total, sendo secundário se falamos de empréstimos bancários, empréstimos obrigacionistas ou factoring - apesar de o problema da bola de neve ser mais difícil de gerir no caso dos empréstimos obrigacionistas), mas convém ter-se a noção de que as taxas de juro médias vão aumentar - o texto refere que será proposta uma taxa de juro de 6% para as novas obrigações. Também fico com a ideia de que já está definido que os próprios bancos subscreverão uma grande fatia das emissões que serão emitidas. Ou seja, os bancos beneficiarão de taxas de juro superiores às que estão definidas nos empréstimos bancários atuais.

Ainda assim, entre o problema do aumento das taxas de juro e a excelente notícia da melhoria das condições de recompra das VMOCs, não há dúvidas de que este novo acordo com a banca é, globalmente, muito positivo para o Sporting.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

O comunicado da SAD sobre o empréstimo obrigacionista

O comunicado emitido ontem pela SAD estende a polémica em que o Sporting está metido para mais uma dimensão: a financeira. Refere que o estado atual do clube compromete os planos de renovação do empréstimo obrigacionista emitido em 2015 - incluindo o adiamento do reembolso aos investidores -, abrindo hipóteses que não são propriamente tranquilizadoras.

Em primeiro lugar, parece-me que o comunicado é demasiado vago para estarmos a tirar conclusões prematuras. E a conclusão mais prematura de todas é pensar que a situação financeira do Sporting é pior do que aquela que os relatórios e contas deixam entender. É óbvio que o Sporting não tem nem nunca teria liquidez para pagar o empréstimo obrigacionista que está prestes a vencer. Nem o Sporting, e muito menos os seus rivais terão quando chegar a sua vez de reembolsar os seus empréstimos, convém lembrar. A solução, como faz qualquer outro clube que recorre a esta ferramenta de financiamento, é pedir um novo empréstimo obrigacionista para pagar o anterior. A única dúvida, normalmente, reside no montante do novo empréstimo: conseguirá a SAD evitar uma emissão de valor superior, como tem sido norma?

No comunicado pode ler-se que a operação para emissão de novo empréstimo obrigacionista já se encontrava em curso, para um montante de 30 milhões (ou seja, igual ao anterior), mas ficando a SAD com opção de aumentar esse valor em função da procura registada. Espero que isso não aconteça - porque não se deve facilitar o crescimento da bola de neve -, mas, na prática, não é nada que não tenha acontecido antes: por exemplo, o Benfica, na sua última emissão, em 2017, tinha como objetivo anunciado um valor de 50 milhões de euros, mas acabaria por aumentar o valor do empréstimo para 60 milhões após o fecho do período de subscrição.

Aliás, basta olhar para o histórico dos empréstimos obrigacionistas contraídos pelos grandes para perceber qual tem sido a regra: sempre a crescer.


Sendo esta, portanto, uma operação de rotina, mais estranho é que a SAD tenha decidido emitir um comunicado que deixe tantas dúvidas no ar. Por que razão concreta consideram que está em risco esta nova emissão - será sempre uma questão de oferecer uma taxa de juro um pouco mais atrativa - e abrem a possibilidade de adiar o reembolso do empréstimo obrigacionista contraído em 2015?

Há várias hipóteses que podem ser colocadas de quem está de fora, algumas mais preocupantes que outras:
  • Houve algum dos habituais grandes investidores deste tipo de títulos que fez saber à SAD que não está interessado em renovar o empréstimo? (lembro que a maior fatia do valor subscrito neste tipo de empréstimos está normalmente concentrado num número muito pequeno de investidores)
  • Consideram que, no atual momento de instabilidade, existem hipóteses de a nova emissão não ter sucesso praticando taxas de juro ao nível do que se pratica atualmente no mercado? Ou seja, estamos a falar de uma gestão de timing que permita empurrar a emissão para um momento em que a situação do Sporting esteja normalizada e em que o juro oferecido possa ser mais favorável para a SAD?
  • É um estratagema para evitar que se realize uma AG?

Parece-me importante que haja um esclarecimento adicional por parte da administração da SAD, porque algumas destas hipóteses são inquietantes. Sinceramente, penso que a explicação mais provável é a segunda das que apresento em cima, mas seria bom ouvi-lo da boca de quem tem responsabilidades. De preferência de Carlos Vieira.

A única coisa certa, no meio disto tudo, é que se trata de mais uma consequência nefasta das palavras de Bruno de Carvalho. Como se não bastasse o problema de gestão do plantel e o atrito gerado entre os sócios, agora passou para o plano financeiro. Se o presidente continuar no cargo, se isto não lhe servir de lição para perceber aquilo que não pode fazer, então não sei o que servirá.

sexta-feira, 23 de março de 2018

A “redução” de 100 milhões da dívida do Benfica



O Benfica anunciou no princípio do mês, por Domingos Soares de Oliveira, que irá levar a cabo uma operação de antecipação de receitas do contrato de direitos televisivos com a NOS na ordem dos 100 milhões de euros, utilizando depois esse dinheiro para abater a dívida bancária. Ontem, Luís Filipe Vieira voltou a recuperar o tema no discurso que fez na gala Cosme Damião, referindo, precisamente, que o Benfica se prepara para reduzir a dívida bancária em 100 milhões de euros.

É uma operação que poderá ser interessante para a SAD, no sentido em que se aliviará da pressão feita pelos bancos e até, eventualmente, poderá conseguir obter taxas de juro mais vantajosas.

Mas, a não ser que haja algum dado que não esteja a ser referido, isto não é nem uma redução da dívida nem uma redução do passivo. É apenas uma reestruturação da dívida, em que se troca um mecanismo (empréstimos bancários) por outro (factoring). Poderiam, em alternativa, ter contraído novo empréstimo obrigacionista - este ano vence um empréstimo de 45 milhões -, mas provavelmente seria complicado, com todos os casos judiciais que tem havido, conseguir arranjar investidores para uma verba tão elevada de uma só vez (os 45 milhões, mais os 100 milhões, mais 5 ou 10 milhões para gestão de tesouraria, que tem sido prática corrente na renovação deste tipo de empréstimos).

Basicamente, o Benfica vai ceder as receitas dos próximos anos do contrato da NOS a uma entidade financeira ainda não anunciada, recebendo de imediato os 100 milhões (provavelmente deduzidos de uma comissão) e entregando esse dinheiro à banca para abater os empréstimos existentes. Na prática, troca um tipo de dívida por outro do mesmo valor. Nem baixa a dívida global, nem baixa o passivo. Só baixará se o Benfica realizar paralelamente outros reembolsos utilizando dinheiro proveniente das suas receitas ordinárias (bilheteira, patrocínios) ou extraordinárias (vendas de jogadores).

Ou seja, esta troca nem é boa nem é má para as contas do Benfica. É uma opção financeira legítima que terá um impacto relativamente reduzido no estado geral das contas da SAD.

Muito interessante foi ver a análise de Rui Pedro Braz a esta questão. Sendo o comentador da TVI24 um feroz crítico da opção do Sporting em antecipar receitas, é natural que haja curiosidade para saber qual seria a sua reação a este anúncio do Benfica.

Mais uma vez, não desiludiu, como poderão observar no vídeo abaixo, que agrega duas intervenções feitas no espaço de um par de dias. Vejam, não se vão arrepender.

(obrigado, Diogo!)

quinta-feira, 1 de março de 2018

As contas do Sporting (1º semestre)

O Sporting divulgou ontem o relatório e contas referente ao primeiro semestre da época 2017/18, registando um lucro (ou, como costuma dizer um certo comentador, um défice positivo) de 10 milhões de euros. Mesmo tendo havido neste exercício uma única venda sonante (a de Adrien, que nem sequer foi por valores estratosféricos) e tendo havido um aumento significativo dos custos com pessoal (em virtude do reforço do plantel com jogadores com salários mais elevados do que os que saíram), a SAD conseguiu manter as contas equilibradas de forma a não ficar excessivamente dependente da vendas de jogadores graças à melhoria da maior parte das fontes de receita, algumas das quais de forma considerável. Adicionalmente, registou-se uma redução muito importante da dívida bancária face a junho de 2017: ao longo do 1º semestre, o Sporting reduziu o nível de financiamento em cerca de 17 milhões de euros

Vamos aos habituais gráficos com a evolução das principais componentes de receita do Sporting ao longo dos últimos anos.


Comparando este semestre com os períodos homólogos das épocas anteriores, salta à vista, evidentemente, o enorme aumento das receitas da Liga dos Campeões. O apuramento no playoff valeu 2 milhões, e a obtenção de 7 pontos permitiu ao Sporting amealhar 2,25 milhões a mais do que no ano passado. Também se deve registar um crescimento de 22% ao nível da bilheteira. As restantes rubricas tiveram uma evolução de crescimento moderada, com exceção dos direitos televisivos, que sofretam uma quebra ligeira devido à diminuição do valor do marketpool da UEFA.

Outro dos aspetos mais positivos destas contas foi o crescimento de 84% do segmento corporate, que se deveu, principalmente, à duplicação das receitas com camarotes. Esta era uma área em que estávamos incompreensivelmente distantes dos rivais, mas, com este aumento, as diferenças foram bastante atenuadas. Os bilhetes de época mantiveram o seu ritmo de aumento sustentado, com um crescimento de 13% face ao período homólogo da época anterior.


Na relação entre os proveitos e custos operacionais (ainda sem considerar as vendas de jogadores), mantém-se uma relação de peso idêntica à da época passada: os custos superam ligeiramente os proveitos. Não é, como é óbvio, uma situação ideal, mas, pelo menos, mantemo-nos a salvo de uma excessiva dependência da venda de jogadores, já que o aumento dos custos foi acompanhado por um aumento proporcional de receitas não extraordinárias.


Detalhando os custos, destaque para novo aumento significativo dos custos com pessoal, que coloca o Sporting, pela primeira vez em muitos anos, a gastar sensivelmente o mesmo que Porto e Benfica. O Porto continua a ser a equipa que mais gasta, o Sporting é o segundo clube que mais gasta, e o Benfica é o terceiro, mas todos com valores bastante semelhantes: FCP - 38,1M; SCP - 37,7M; SLB - 35,3M. Os FSE's (custos de estrutura/funcionamento da SAD) voltaram pela primeira vez ao nível da última época de Godinho Lopes. Nada de preocupante, no entanto: não só as receitas de hoje são incomparavelmente superiores às de então, como continua a haver rigor nos gastos - que, a este nível, são cerca de metade dos custos dos nossos rivais. 


Outra das excelentes notícias que este relatório e contas nos deu tem a ver com o endividamento: ao longo do 1º semestre, ou seja, entre junho e dezembro de 2017, a dívida bancária e de factoring do Sporting desceu cerca de 17 milhões de euros, passando dos 127 para perto de 110 milhões. Isto é reflexo, em parte, da percentagem das mais-valias das vendas de jogadores realizadas durante o exercício de 2016/17 (Slimani, João Mário, Naldo e Rúben Semedo) ao abrigo do acordo de reestruturação assinado com a banca.


Relativamente à conta de reserva para a recompra de VMOC's, estão neste momento amealhados 5,1 milhões de euros (um aumento de 2 milhões face a 2016/17). Um valor que ficou aquém da previsão de 10 milhões que foi feito no R&C da época passada, mas que, ainda assim, está dentro do ritmo necessário para acumular o valor necessário para resolver o problema das VMOC's antes do seu vencimento.

Em breve farei o habitual comparativo das contas do Sporting com as de Benfica e Porto.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Reportando direitos de terceiros pela porta do cavalo

Depois de Domingos Soares Oliveira ter feito referência, de forma tão eloquente, a 50.000 euros que a FPF dos tempos de Madail pagou ao Benfica pela utilização do Estádio da Luz, parece-me que a expressão "porta do cavalo" se adequa a outros casos referentes às contas que a SAD encarnada tem reportado nos últimos anos.

Três exemplos. Comecemos por Ederson. Hoje, é sabido que o Benfica estava obrigado a entregar 50% do valor de uma transferência a terceiros (Jorge Mendes e Rio Ave). Este compromisso foi assumido, seguramente, na altura em que o Benfica resgatou o guarda-redes ao clube de Vila do Conde. No entanto, durante muito tempo, o Benfica omitiu essa informação nas suas contas. Por exemplo, nas contas anuais de 2015/16, a informação que foi dada ao mercado foi a seguinte:

100% dos direitos económicos...

R&C Benfica SAD, 2015/16, página 133

... e nenhuma obrigatoriedade considerada relevante para ser incluída na nota referente à repartição de futuros ganhos ou vendas de atletas.

R&C Benfica SAD, 2015/16, página 178

Algures no tempo, no entanto, a informação de que o Benfica não iria encaixar a totalidade (nem sequer perto disso) do montante de uma eventual venda de Ederson acabou por sair cá para fora, e o Benfica teve o cuidado, seis meses depois, no relatório semestral de 2016/17 (31 de dezembro de 2016), de divulgar os direitos reais que tinham, ou seja, 100% dos direitos económicos...

R&C Benfica SAD, 1º semestre de 2016/17, página 41

... mas com o compromisso de entregar, a terceiros, 50% das mais-valias numa venda futura.

R&C Benfica SAD, 1º semestre de 2016/17, página 61

Tardou, mas lá acabaram por acrescentar informação que nunca deveria ter sido omitida aos acionistas e ao mercado, pois metade das mais-valias de uma potencial venda de um atleta do plantel principal do Benfica não são trocos, seja ele quem for.

Isto leva-nos ao segundo exemplo: Samaris. Como puderam ler na terça-feira passada (LINK), o Benfica adquiriu 100% dos direitos económicos do jogador em agosto de 2014. Dois meses mais tarde, o Benfica cedeu metade dos direitos económicos do jogador grego ao empresário Horácio Mosquito.

E agora, a pergunta que se impõe: onde é que está isso indicado no R&C do Benfica? Em lado nenhum. Talvez tenham reparado nas imagens acima (que vou reproduzir novamente de seguida) que o Benfica diz ser detentor de 100% dos direitos económicos de Samaris...

R&C Benfica SAD, 1º semestre de 2016/17, página 41

... mas não há qualquer referência ao jogador grego na nota Ganhos futuros com a alienação de direitos de atletas, apesar de o Benfica ter cedido os seguintes direitos a Horácio Mosquito:


Por que razão não foi colocada essa informação nas contas?

Curiosamente, no relatório anual desta mesma época, emitido 6 meses mais tarde (referente 30 de junho de 2017), o Benfica voltou a omitir a informação sobre os futuros ganhos.

R&C Benfica SAD, 2016/17, página 158

Por que motivo terão voltado a não dar detalhes sobre os direitos de terceiros sobre futuras vendas? Como Ederson entretanto foi vendido, acharam que deixou de interessar?

De qualquer forma, nada disto é novo no Benfica. A divulgação do arquivo de emails de Luís Bernardo permitiu-nos saber que já existiu pelo menos um caso similar no passado, e que foi alvo de perguntas por parte do consórcio de jornalistas (dos quais o Expresso faz parte) que analisou fugas de documentos como o do Panama Papers. Refiro-me à venda de Oblak ao Atlético Madrid. Reparem na pergunta B6 (podem carregar na imagem para a aumentar):


Portanto, é mais do que óbvio que o Benfica tem vindo a omitir informação relevante sobre os direitos que cedeu dos seus atletas (nomeadamente as percentagens de mais-valias de futuras vendas), e, caso a informação do acordo com Horácio Mosquito por Samaris seja válida, continua a fazê-lo nas contas atuais. Perante a técnica de utilização da porta do cavalo, do que está a CMVM à espera para pedir esclarecimentos?

P.S.: como pode haver quem coloque a questão, eis como o Sporting reporta essa informação nos seus R&C.


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Dissecando a entrevista de Vieira, parte 1: "O Benfica nunca fez nenhuma antecipação de receitas"


A afirmação do presidente do Benfica em como o Benfica nunca fez antecipação de receitas é tão falsa como demagógica.

É falsa porque está provado que o Benfica, há não muito tempo, antecipou receitas. Refiro-me aos valores da transferência de Bernardo Silva para o Mónaco: o Benfica recorreu à sociedade financeira XXIII Capital para receber antecipadamente os valores que o Monaco tinha ficado de pagar em várias tranches.

O documento que prova que o Benfica antecipou o recebimento desses valores foi divulgado pelo Football Leaks em janeiro de 2016.




Na altura, o Benfica reagiu em comunicado dizendo que a antecipação de receitas de transferências de jogadores era "uma vulgar operação financeira à semelhança de outras já feitas por esta e muitas outras sociedades desportivas". Ou seja, o Benfica reconheceu, em comunicado, que já tinha feito outras antecipações de receitas de transferências de jogadores, desmentindo, portanto, aquilo que o presidente do Benfica disse a todos os sócios e adeptos na entrevista da semana passada.

Para piorar, Vieira também mentiu ao dizer que qualquer antecipação de receita que houvesse seria para o pagamento de dívida. A antecipação de receita que o documento revelado pelo Football Leaks refere-se a tranches referentes ao período compreendido entre julho de 2015 e julho de 2016. Nesse período, a dívida abatida pelo Benfica foi marginal, muito inferior ao valor oficial da transferência de Bernardo Silva para o Monaco. Isto significa que o valor antecipado não foi destinado ao abatimento de dívida.

É fácil percebe a razão que levou o presidente do Benfica a fazer esta afirmação: distinguir-se positivamente em relação aos rivais. Segundo o último R&C, o Benfica não tem qualquer dívida referente a factoring (o que quer dizer pouco, porque os vários R&C's trimestrais de 2014/15 omitiram a antecipação de receitas da transferência de Bernardo Silva), em oposição a Sporting e Porto, que reportaram nas suas contas a existência de receitas antecipadas.

A afirmação de Vieira na entrevista é, portanto, falsa. Mas mesmo que fosse verdadeira, não passaria de demagogia barata destinada a enganar os benfiquistas. A antecipação de receitas não é mais do que uma forma alternativa de endividamento. Qual é a diferença entre pedir uma antecipação de uma receita de 15,75 milhões referente a uma transferência em relação a contrair um empréstimo obrigacionista do mesmo valor? No fim do dia, vai dar ao mesmo: quem antecipa receitas, fica com o dinheiro disponível mais cedo e perde o direito de as receber quando a prestação vencer, pagando, como contrapartida, uma comissão à sociedade financeira a que recorreu; quem contrai um empréstimo obrigacionista (ou outro tipo de financiamento) fica com esse dinheiro disponível de imediato e terá um dia de o pagar com juros - recorrendo, obviamente, ao dinheiro de outras receitas que entretanto for obtendo. E, como se sabe, não há clube em Portugal que tenha contraído mais empréstimos obrigacionistas do que o Benfica.


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Evolução dos proveitos e custos operacionais

Na semana passada, no post em que fiz uma análise às contas dos três grandes, fiz algumas considerações sobre o trabalho que tem sido realizado no Sporting ao nível da captação de receitas (podem ler neste LINK). Vou agora complementá-las com os habituais quadros que mostram a sua evolução ao longo das últimas épocas.

Começando pelas receitas, houve um crescimento generalizado nas várias fontes de receitas. O aumento mais acentuado deu-se ao nível das proveitos provenientes da participação nas competições europeias. Apesar de todas as rúbricas terem apresentado valores superiores em relação a 2015/16, algumas das quais em percentagens bastante apreciáveis, confesso-me desiludido com o valor dos patrocínios: esperava um salto superior com o patrocínio da NOS a tempo inteiro (na época anterior apenas existiu no 2º semestre). Na realidade, o Sporting apenas faturou mais 1,5 milhões a mais do que em 2014/15, última época com a Meo e a primeira com a Macron, o que não é propriamente motivo para festejos. O contrato com a Macron foi entretanto renovado, com efeitos a partir da época em curso, pelo que estou curioso para ver qual será a evolução registada no primeiro trimestre de 2017/18. As restantes rubricas deverão manter o mesmo ritmo de crescimento moderado.


Ao nível dos custos operacionais, os fornecimentos e serviços externos parecem perfeitamente controlados. Em relação aos custos com pessoal, a situação, como se sabe, é diferente: os gastos com salários na equipa de futebol têm sofrido aumentos consideráveis nas últimas duas épocas. Em 2017/18, suspeito que haverá um novo aumento dos custos com pessoal, ainda que num ritmo bastante inferior ao que se verificou em 2015/16 e 2016/17.


Os resultados operacionais foram, de longe, os melhores de sempre na história do Sporting. No entanto, deve haver consciência que estamos a correr alguns riscos com o nível atual de custos com o plantel e equipa técnica - cujo crescimento não tem sido, nem de perto nem de longe, acompanhado pelas receitas ordinárias. Em 2017/18, teremos de fazer uma grande venda (ou duas boas vendas), não deveremos para evitar prejuízos. 

Convém que se comece a olhar um pouco mais à frente, pois o que se passará na época de 2018/19 é uma grande incógnita: por um lado, entra em vigor o novo contrato televisivo com a NOS, o que levará a um aumento considerável dessas receitas; por outro, Portugal terá menos uma equipa na Liga dos Campeões (só uma se apura diretamente e outra irá à 3ª pré-eliminatória). Sem prémios da UEFA, sem marketpool da Liga dos Campeões, sem as bilheteiras das visitas dos tubarões e sem a montra para os jogadores, quem ficar de fora terá, certamente, que fazer ajustes significativos à sua estrutura de custos.


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

As contas dos três grandes

Finalmente, já se pode fazer uma comparação entre os relatórios anuais de Sporting, Benfica e Porto. Comecemos pelos proveitos operacionais:


À semelhança do que se tem verificado nas últimas épocas, o Sporting consegue ter números idênticos aos de Benfica e Porto naquilo que depende diretamente dos seus adeptos. Ao nível da vertente corporate, no entanto, continua distante dos seus rivais, apesar de se verificar uma certa aproximação em algumas dessas componentes.


Direitos TV: os valores que o Sporting recebe atualmente são superiores aos do Porto, graças à renegociação do contrato com a PPTV. Em 2017/18 os valores deverão manter-se, com a possibilidade de haver ligeiras variações em função daquilo que se receberá do marketpool da UEFA. O Benfica cumpriu o seu primeiro ano do novo contrato televisivo, conseguindo, com isso, um aumento significativo em relação à época anterior. Esta vantagem do Benfica manter-se-á em 2017/18, mas deverá ser anulada em 2018/19 com a entrada em vigor dos contratos de Sporting e Porto com a NOS e Meo, respetivamente.

Bilhetes de época: a qualificação direta para a Liga dos Campeões, depois de uma época de ausência, permitiu ao Sporting registar um aumento de 24% nas receitas com os bilhetes de época em 2016/17. Um aumento significativo que coloca o Sporting à frente dos rivais - e a uma grande distância do Porto.

Bilheteira: a fraca prestação desportiva do Sporting fez com que esta fonte de receitas estagnasse face a 2015/16. As excelentes casas com o Real Madrid e Dortmund acabaram por compensar, de certa forma, as receitas que se deixou de fazer nas competições internas, das quais nos deixámos afastar muito prematuramente. O Benfica foi, como se esperava, a equipa que mais dinheiro fez com a bilheteira, graças à excelente carreira nas competições nacionais e na Liga dos Campeões, que proporcionaram várias casas cheias. É previsível que em 2017/18 o panorama mude, se se confirmar a provável eliminação nas competições europeias e se se mantiver uma prestação abaixo das expectativas no campeonato.

Merchandising: o Benfica é a equipa que, de longe, mais dinheiro faz nesta categoria. Note-se, no entanto, que as receitas de merchandising pertencem ao clube, e não à SAD benfiquista. Apenas coloquei aqui os valores para haver um termo de comparação. O Sporting registou um aumento de 21% face a 2015/16, mas continua, na minha opinião, longe de explorar de forma perfeita o seu merchandising. A gama de produtos disponíveis continua reduzida - apesar de estar a melhorar - e as limitações físicas da loja verde também não ajudam.

Camarotes e Business Seats: apesar de ter mantido em 2016/17 o ritmo de crescimento das suas receitas corporate na ordem dos 15%, o Sporting continua a uma grande distância dos seus rivais. Continua a haver muito trabalho a fazer nesta área - não é compreensível que continue a haver tantos camarotes vazios em Alvalade.

Patrocínios e publicidade: as receitas do Sporting aumentaram 18% em relação a 2015/16 porque, ao contrário dessa época, houve patrocinador da camisola durante 2016/17 completo. Ainda assim, é um crescimento que, para mim, fica abaixo das expectativas. O fosso para o Benfica, que continua a ser o clube mais capaz de atrair patrocinadores, é muito significativo.

Prémios UEFA: a vantagem do Benfica e Porto para o Sporting é enorme, graças à boa campanha na fase de grupos de ambos os clubes e ao apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. O Sporting somou pouco mais do que o prémio de participação, pois ganhou apenas um jogo nos seis em que participou. Esta época, graças à vitória no playoff e perante a perspetiva de conseguir mais pontos e continuar a carreira na Liga Europa, é expectável que o Sporting tenha um nível de receitas bastante mais interessante.


Quanto aos custos operacionais, o Sporting voltou a aumentar os gastos com os salários da equipa de futebol, aproximando-se do Porto. Ainda assim, continuou a ser o clube que menos gastou, já que o Benfica também registou um aumento semelhante. O Sporting continua a ser, de longe, o clube que menos custos tem ao nível dos FSE's (contratação de serviços, deslocações e estadias, comissões, gastos com publicidade e propaganda, honorários, etc.).


Um dos pontos fulcrais passa pela realização de mais-valias na transferência de jogadores. Os números apresentados foram os seguintes:


Pela primeira vez em muitos anos, o Sporting conseguiu ter vendas superiores às do Porto, graças, sobretudo, às transferências de João Mário e Slimani realizadas no início de 2016/17. Nestas contas ainda não entra a venda de Adrien Silva para o Leicester. O Benfica conseguiu um conjunto de vendas excecional, em que encaixou não só valores consideráveis com algumas das figuras da equipa, mas também amealhou mais uns milhões significativos com vendas de percentagens de passes que não faziam parte do plantel e direitos sobre mais-valias de atletas vendidos em anos anteriores: Ederson, Lindelof, Gonçalo Guedes, Hélder Costa, Sidnei, André Gomes, Marçal e Nelson Oliveira. As vendas de Nelson Semedo e Mitroglou foram fechadas já em 2017/18. Muitos destes negócios foram realizados em mendilhões, pelo que devem ser tomadas as devidas reservas em relação ao dinheiro que efetivamente entrou nos cofres benfiquistas.

Uma coisa se mantém: todos os clubes teriam apresentado resultados negativos se não fossem as mais-valias realizadas com a transferência de jogadores. Infelizmente, o Sporting aproximou-se bastante dos maus vícios dos seus rivais, devido a um significativo aumento dos gastos salariais com o plantel que não foi acompanhado por um crescimento proporcional das receitas ordinárias.


Para concluir, observemos os números do endividamento bancário e obrigacionista:


Benfica e Sporting aproveitaram as vendas realizadas para reduzir o seu endividamento. De notar que o Sporting o reduziu em cerca de 5 milhões, mas a maior fatia dos reembolsos foi calendarizada para julho de 2017, ou seja, já fora do período deste relatório e contas. Será expectável, portanto, que o Sporting registe, no 1º trimestre de 2017/18, uma redução ainda mais significativa dos seus empréstimos bancários. O Benfica conseguiu, pela primeira vez, abater de forma acentuada o seu endividamento, em cerca de 30 milhões. Veremos se esta tendência será ou não para se manter. No Porto, devem estar a tocar todos os alarmes: neste período de quatro anos sem títulos, o endividamento da SAD mais que duplicou (de 91,8 para 191,9 milhões). Uma cavalgada preocupante que demorará tempo a ser corrigida: duvido que os cortes que o Porto realizou sejam suficientes para inverter este cenário já em 2017/18, pelo que o endividamento deverá continuar a subir.

Resumindo, as contas de Sporting e Benfica são positivas, mas estão demasiado dependentes da realização de mais-valias em vendas. O Sporting tem uma estrutura de custos bastante controlada, mas podia e devia controlar melhor os gastos com o plantel - há vários jogadores com salários elevados que não dão o retorno desportivo esperado - e tem de apostar mais fortemente em determinadas fontes de receitas que estão a ser subaproveitadas.

No caso do Benfica, parece-me difícil que esta conjugação de fatores - sucesso desportivo arrasador e valorização exponencial de ativos - se prolongue muito mais no tempo. Mesmo considerando que o Benfica é o clube com fontes de receitas mais diversificadas, continua a ter uma estrutura de custos pesadíssima para manter a máquina a funcionar, o que poderá constituir um risco enorme para as contas caso os resultados desportivos e a valorização de atletas comece a abrandar. Como se viu no caso do Porto, bastou um par de épocas más para a SAD entrar numa espiral de prejuízos difícil de inverter - sendo que, no caso do Benfica, o nível de dependência atual do dinheiro alheio é incomparavelmente superior ao que o Porto tinha quando acabou o seu ciclo de hegemonia.

O Porto continua metido numa espiral terrível. Continua a apresentar receitas ao nível do Sporting e custos ao nível do Benfica, o que se traduz em prejuízos consideráveis e difíceis de inverter. A SAD parece consciente para isso e a ausência de investimento na equipa de futebol neste defeso ajudará a abrandar o nível de perdas. No entanto, em contrapartida, os custos com salários continuam muito elevados, a estrutura não parece estar a sofrer grandes cortes, e ainda há a compra definitiva de Oliver por 20 milhões que está agendada para dezembro de 2017 - o que significa que o Porto continuará a estar demasiado dependente das vendas de jogadores para apresentar resultados positivos. O porta-aviões começou agora a mudar de direção, para já de forma algo lenta. A velocidade da inversão de rumo dependerá da rapidez e dimensão dos cortes ao nível da equipa de futebol e da estrutura.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Evolução dos custos com pessoal

Apesar de ainda estarmos à espera da publicação do R&C do Benfica referentes a 2016/17 - que ainda só comunicou à CMVM um resumo de 4 páginas - para fazer uma análise detalhada às contas dos três grandes, já é possível fazer uma comparação daquilo que cada um dos clubes gastou em salários da sua equipa de futebol.

Conforme se esperava, o Sporting foi o clube que mais aumentou os gastos com salários, mas, apesar disso, continua a ser (a alguma distância dos restantes) o grande que menos gasta.

A maior surpresa dos dados divulgados acaba por ser outra: apesar de o crescimento de custos do Sporting ter sido grande - de 49M para 64M, ou seja, aumentando cerca de 15M em relação a 2015/16 - e proporcionalmente mediático, a verdade é que o Benfica também aumentou os seus custos praticamente na mesma medida. Em 2015/16, o Benfica apresentou custos 61,5M, subindo, em 2016/17, para cerca de 74,7M. Ou seja, o Benfica aumentou os salários em 13M, quase tanto como o Sporting, mas isso não foi alvo de qualquer tipo de análises ou debates nos jornais e televisões.


O aumento foi de tal forma considerável que o Benfica acabou por ser o clube que mais gastou em salários, destronando o Porto dessa condição, que ocupou nas duas épocas anteriores. O aumento da despesa deve explicar-se pela entrada de jogadores caros como Carrillo, Zivkovic, Cervi e Rafa, apesar de terem saído jogadores como Gaitan (que estava no teto salarial), Carcela, Talisca e Taarabt (este apenas em janeiro). Se calhar os jogadores do Benfica, afinal, não jogam apenas pelo amor à camisola ou por sandes de torresmos.

Há, no entanto, que relembrar que o Benfica teve custos com prémios pelas conquistas da Liga e Taça de Portugal que o Porto não teve de suportar. Não fosse isso, e o Porto teria voltado a ser o clube mais gastador.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A análise de José Manuel Antunes e BTV às contas do Sporting

Chamaram-me ontem à atenção para uma análise feita num programa da BTV, chamado Lanças Apontadas, onde foram apresentados alguns números sobre as contas do Sporting. O autor dessa análise chama-se José Manuel Antunes e, como não poderia deixar de ser, foi uma análise muito crítica a Bruno de Carvalho e ao R&C apresentado pelo Sporting... mas também carregada de incorreções e omissões que têm sido repetidas em vários espaços benfiquistas. Como tal, devem ser esmiuçadas com detalhe.

Vamos a isso.



I. "Nestes quatro anos de gestão de Bruno de Carvalho, o passivo aumentou 100 milhões de euros"


Bruno de Carvalho assumiu funções em março de 2013. Como tal, pouco pôde fazer para acertar as contas de 2012/13 - que termina em junho de 2013 -, pelo que devemos considerar o R&C de 2012/13 como ponto de comparação com o período pré-BdC. Vamos ver se os números dos documentos coincidem com os "números surreais e factuais" de José Manuel Antunes:


Afinal não foram 100 milhões. Factualmente, o passivo aumentou 52 milhões. Metade, portanto. Mas José Manuel Antunes "esqueceu-se" de referir que, no mesmo período, os ativos mais que duplicaram: subiram de 139 milhões para 316 milhões. Coisa pouca.

Claro que poderão dizer que, neste mesmo período, o Sporting emitiu VMOC's no montante de 80 milhões de euros, que foram retirados do passivo e transferidos para o capital próprio. É verdade, isso de facto aconteceu no âmbito da reestruturação financeira, mas também é verdade que, aquando dessa mesma reestruturação, a SAD do Sporting absorveu a SPM, que tinha cerca de 170 milhões de passivo (para apenas cerca de 106 milhões de ativos).

Ou seja, José Manuel Antunes refere um aumento de 100 milhões de passivo - que é falso - para tentar insinuar que as contas do Sporting pioraram desde que Bruno de Carvalho é presidente - que também é falso. Começamos bem.

José Manuel Antunes também poderia ter aproveitado para falar dos 435 milhões de passivo (dos quais 298 são dívida bancária e obrigacionista) que o Benfica tinha a 31 de dezembro de 2016, mas aparentemente não teve tempo.


II. "As contas podiam ter sido apresentadas mais tarde"


José Manuel Antunes critica a data de apresentação das contas. Segundo o comentador, foram divulgadas como manobra de propaganda, para aumentar a popularidade da direção do Sporting. "Podiam ser apresentadas 3 meses mais tarde", segundo o comentador benfiquista.

As contas do Sporting que, como sabemos, resultaram num lucro de 30 milhões - o maior lucro de uma SAD até à data -, foram apresentadas no dia 7 de setembro de 2017 (uma quinta-feira).


Apresentar contas a 7 de setembro é um mistério, caro José Manuel Antunes? Comparemos então com as contas da época anterior, em que o Sporting apresentou um prejuízo de 32 milhões de euros:

Portanto, o Sporting apresentou 32 milhões de prejuízo no dia 8 de setembro (também uma quinta-feira). Muito mais tarde, como se vê... Imagino que a apresentação de contas más na mesma altura do mês também se tenha devido a uma "necessidade de algum pico de popularidade".

Uma pesquisa rápida ao site do Sporting permite ver que é habitual apresentar as contas anuais precisamente neste período do mês de setembro, como se pode ver no quadro abaixo.


Não só devia ter vergonha da ignorância que revela, como ainda tem a distinta lata de falar em "cosmética total", quando a única cosmética total que vejo aqui é a cor do cabelo do senhor Antunes.


III. Passivo aumentou "60 milhões neste último ano"


Estes números soltos só dão vontade de rir, tal o absurdo da narrativa: José Manuel Antunes, como seria previsível, mete as VMOC's no meio da conversa sem considerar a fusão com a SPM, e atira já para os 250 milhões de aumento de passivo. Sendo que, segundo o comentador, 60 milhões terão aparecido ao longo da última época.

Neste último número, acertou. De facto, o passivo do Sporting aumentou 60 milhões, o que, isoladamente, não quer dizer nada. Esse aumento de passivo explica-se, sobretudo, com o aumento da rubrica de fornecedores. O Sporting investiu no seu plantel e gerou um saldo a pagar aos clubes a quem contratou.

Um aumento do passivo seria preocupante se indicasse sinais de que o Sporting se pôs a gastar dinheiro que não tinha - que se refletiria, também, num aumento da dívida bancária e obrigacionista. Mas, na realidade, o Sporting baixou a dívida bancária e obrigacionista em 5 milhões (de 132 para 127 milhões). Isto significa o quê? Que o Sporting investiu usando dinheiro que gerou com as vendas de jogadores, como Slimani e João Mário.

Aliás, isso é perfeitamente visível olhando para o outro lado do balanço: os ativos da SAD aumentaram, no mesmo período, 92 milhões, graças, sobretudo, ao saldo de clientes (por causa das vendas de jogadores) e ao aumento do valor do plantel.


IV. "Os milhões antecipados da NOS"


José Manuel Antunes diz que o Sporting antecipou 60 milhões do contrato da NOS (30 milhões no ano passado mais 30 milhões este ano). Mais uma vez, usou uma forma habilidosa de pôr a questão.

O Sporting, em 2015/16, tinha cerca de 30 milhões de receitas antecipadas... que entretanto venceram e foram pagas à entidade bancária que nos facultou esse adiantamento. Entretanto, em 2016/17, o banco renovou essa linha de crédito, usando receitas do ano seguinte. Quero com isto dizer que os 30 milhões não se acumularam. Foram adiantados, pagos, e novamente adiantados. O Sporting tem 30 milhões de receitas antecipadas, ponto.


Como se pode ver no quadro acima, o valor cresceu marginalmente em relação a 2015/16. Não acumulou. Não são 60 milhões, como diz José Manuel Antunes, o Sporting tem 29,955 milhões de receitas antecipadas. Nunca é uma situação positiva antecipar receitas, mas também não se deve diabolizar o factoring como se fosse pior do que qualquer outro tipo de empréstimo. Aliás, como se pode ver, a taxa de juro que o Sporting paga pelas receitas antecipadas é de 3,25%, muito mais baixa, por exemplo, do que a taxa do empréstimo obrigacionista que contraímos há dois anos...


...  e também mais favorável do que a taxa de juro do empréstimo obrigacionista de 60 milhões (olha que giro... 60 milhões) que o Benfica contraiu este ano.



É um daqueles casos em que se aplica na perfeição aquele célebre desabafo de Scolari: e o burro sou eu?


V. As receitas penhoradas pela Doyen


Lá vem, mais uma vez, a lenga-lenga da Doyen. O Sporting assumiu os prejuízos da perda do processo da Doyen em 2015/16, quando colocou no passivo uma provisão de 14,991 milhões de euros. A partir daí, a questão passou a ser unicamente de tesouraria. Todas as receitas geradas nas competições europeias pelo clube, penhoradas ou não, são receitas do Sporting e incluídas, como não poderia deixar de ser, nas contas do Sporting.

Já agora, espero que José Manuel Antunes fixe a informação de que a UEFA já reteve os tais 17 milhões na totalidade (apesar de a dívida do Sporting ser inferior a isso). Ouvindo alguns benfiquistas, até dá a ideia de que o Sporting continuará a ter todas as receitas da UEFA penhoradas ad eternum...



VI. "Quando o Sporting vende um jogador (...) metade vai para a banca"


Começo por dizer que interpreto o valor da transferência de Adrien quase da mesma forma que José Manuel Antunes. Para mim, é uma venda de 20+5 que dará um rendimento à SAD de 20,5+5. Vou tentar explicar da melhor maneira que consigo.

O Leicester vai pagar 20+5. Acabam aí as responsabilidades do clube inglês. Em relação aos 4,5 milhões poupados, 500.000€ fazem parte do passivo (ou seja, é um custo que já foi assumido e contabilizado no passado) e terão de ser anulados com a venda, contribuindo por isso para um lucro extra de 500.000€ no exercício de 2017/18. Os outros 4 milhões são apenas um custo potencial que se evitou e que ainda não estava assumido nas contas.

Ou seja, esta poupança de 4 milhões permite transformar um rendimento que seria de 15,5+5 numa receita de 20,5+5. O Sporting insiste na versão dos 24,5+5, mas não me parece que esteja correta. Só seria uma receita de 24,5+5 caso tivesse também tivesse assumido previamente o custo dos tais 4 milhões (através, por exemplo, de uma provisão para acautelar uma perda provável futura), mas os passivos contingentes relacionados com despesas de vendas futuras não são, tanto quanto sei, reconhecidas no balanço. Há apenas uma nota informativa na secção dos passivos contingentes, mas que não fazem parte das contas. Posso estar enganado, claro, mas não encontrei qualquer referência no R&C que me leve a concordar com a versão apresentada pelo Sporting.

Mas de resto, José Manuel Antunes volta a meter os pés pelas mãos. Números, definitivamente, não é com ele. Diz que quando o Sporting vende um jogador acima de 5 milhões de euros, 50% vão para a banca. Segundo as suas contas, como Adrien vai render 20 milhões (ficando 15 milhões acima do tal limiar de 5 milhões), então 7,5 milhões vão para a banca, e o Sporting só recebe 12,5 milhões - um pouco menos do que o Benfica recebeu por Mitroglou, acrescentou no fim.

A forma pseudo-conhecedora como José Manuel Antunes fala chega quase a ser hilariante, tal o chorrilho de disparates que saem daquela boca. No acordo quadro entre Sporting e banca pode ler-se isto:


O Sporting vai receber do Leicester os 20 milhões na totalidade (deduzidos das eventuais comissões e despesas que possam ter existido), mais os 5 milhões caso os objetivos sejam cumpridos. Em julho de 2018, ou seja, daqui a cerca de um ano, terá de usar 30% da mais-valia gerada (e não da receita, são coisas diferentes) para reembolso da dívida bancária. Não é dinheiro jogado fora: é dinheiro que abaterá passivo bancário. Para além disso, também em julho de 2018, outros 20% das mais-valias serão colocados numa conta de reservas destinada ao pagamento das VMOC's, abatimento de dívida bancária ou despesas manutenção do património imobiliário - conta essa que é propriedade do Sporting. Esse dinheiro continua a ser do Sporting, e só o Sporting tem o poder de decidir quando utilizá-lo.

O Sporting receberá sempre o montante total da venda, simplesmente comprometeu-se a usar uma parte para cumprir com as suas obrigações com empréstimos. É um mecanismo que acaba por garantir que a dívida irá de facto ser abatida. Considerando a situação em que estava o Sporting há uns anos e percebendo a importância de se ir reduzindo a dívida, vejo este compromisso como uma segurança, e não como um problema.

Portanto, já que a comparação foi feita por José Manuel Antunes, o Sporting vai receber mais com Adrien do que aquilo que o Benfica recebeu até ao momento com Mitroglou.


VII. Os salários dos jogadores do Sporting


Nestas contas não estão ainda os salários de Coentrão, Doumbia e Mathieu. É verdade, nem deveriam estar, visto que só iniciaram a sua ligação ao Sporting a partir de julho de 2017. Não sei como José Manuel Antunes chegou aos 10 milhões de salários (não existem informações públicas sobre os vencimentos desses jogadores), mas vamos dar de barato que é verdade. A ideia deve passar por insinuar que os custos com pessoal vão disparar... mas se é verdade que há jogadores a entrar, também existem jogadores a sair. Adrien, Campbell, Markovic, Castaignos, André, Schelotto, Zeegelaar, Jefferson, João Pereira, Beto e Paulo Oliveira não estavam propriamente a jogar em regime pro bono.

Agora, dizer que no Benfica o jogador mais bem pago é Luisão e que só recebe 2 milhões, só pode ser comentado da seguinte forma:

Ahahahahahahhahahahahahah!

2 milhões, só se forem limpos, que equivale a mais de 4 milhões brutos - que vários jornais dizem ser o teto salarial do Benfica. Teto salarial, esse, que Luisão deve partilhar com outros "juniores", como Jonas, Júlio César, Carrillo ou Salvio. Zivkovic, que veio a "custo zero", também deve jogar por um par de gomas e um punhado de rebuçados. Jiménez, o senhor 22 milhões, é outro que deve ganhar pouco.

Mas isso levou-me a procurar os documentos revelados pelo Football Leaks, e encontrei outras coisas engraçadas, no que toca a salários:

Taarabt, esse craque que tão útil tem sido para o Benfica, ganha 2,3 milhões brutos por ano. Jovic, um jovem que Zahavi impôs ao Benfica por 6,6M (muito provavelmente integrado no negócio Carrillo) e que passou a maior parte do tempo na equipa B, ganha 0,6M anuais. E Ola John, esse jogador Doyen que já não conseguem impingir a ninguém, vai receber do Benfica este ano...


... a bonita verba de 1,8 milhões de euros.

Alguém quer um gelado na testa? José Manuel Antunes encarrega-se de os distribuir.


VIII. A contratação de Acuña


Sim, dizia-se que Acuña tinha uma claúsula de rescisão de 8 milhões (se era em dólares é possível que não seja um valor fixo em euros). O Sporting anunciou que o jogador foi contratado por 9,6 milhões de euros (e não os 10,2 milhões referidos por José Manuel Antunes). A isso há-de acrescer uma eventual comissão e prémio de assinatura.

A questão é que as contratações de clubes argentinos devem ser acrescidas de 15% do valor, que é entregue ao jogador. Ou seja, se a cláusula era mesma de 8 milhões, então o Sporting teria de pagar mais 1,2 milhões para além da cláusula - o que subiria o valor para 9,2 milhões.

De qualquer forma, é um assunto que não tardará a ser esclarecido: o Sporting divulga sempre, e detalhadamente, os valores das suas contratações - incluindo comissões e prémios de assinatura. Já outros clubes... bem, não vale a pena referir qual é o clube menos transparente no que toca a este tipo de informação, não é?


EPÍLOGO: Quem é José Manuel Antunes?

José Manuel Antunes foi vice-presidente do Benfica entre 1997 e 2000, e era responsável pelas modalidades amadoras do clube. Fez, portanto, parte da equipa do inesquecível João Vale e Azevedo, o que, como devem calcular, não é o melhor cartão de visita para um ex-dirigente desportivo, e muito menos lhe dá credibilidade para falar de contas de outros clubes. Uma coisa boa se pode dizer de José Manuel Antunes, no entanto: parece ser uma pessoa leal e amiga do seu amigo.


José Manuel Antunes estava disposto ir até ao fim com Vale e Azevedo. Acredito que haja muitos adeptos de outros clubes com imensa pena de que os sócios benfiquistas não tenham deixado José Manuel Antunes acabar o trabalho que começara três anos antes.


"O homem da formação económica sou eu", diz. Olhando para o currículo como dirigente do Benfica e para o que disse neste programa, talvez se deva antes auto-intitular de "homem da desinformação económica"...

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Notas soltas sobre as contas do Sporting


  • O Sporting apresentou ontem um lucro de 30,5 milhões de euros. Números bastante positivos que, no entanto, devem ser contextualizados em relação ao passado recente. Da mesma forma que na época passada, quando o Sporting apresentou 31,9 de prejuízo, convinha referir que as vendas de Slimani e João Mário equilibrariam as contas na época seguinte, desta vez convém referir que muito do lucro desta época acaba por ser uma compensação daquilo que não se faturou em 2015/16. A vida dos clubes é contínua e ininterrupta, pelo que não se pode isolar completamente uma época daquela que a precedeu e daquela que a sucederá para se fazer um análise completa da situação atual.
  • De qualquer forma, os resultados obtidos são, obviamente, muito positivos. Basta dizer que é o maior lucro apresentado nas últimas 10 épocas por qualquer um dos grandes (com a salvaguarda de que falta ainda saber os resultados de 2016/17 de Benfica e Porto).


  • Os resultados operacionais pioraram em relação à época passada: 16,9M de prejuízo contra 9,7M negativos em 2015/16. Isto deve-se, sobretudo, a um aumento substancial dos custos com pessoal. É o aspeto que mais me preocupa nestas contas: este nível de gastos em salários no plantel e equipa técnica coloca o clube num estado de dependência em vendas de jogadores que, na minha opinião, é maior do que seria desejável. Ainda assim, é uma situação que me parece controlada e dentro do limite de risco que considero aceitável.


  • Um dos aspetos mais positivos é a descida dos empréstimos bancários e obrigacionistas em praticamente 5M. De referir que os reembolsos das mais-valias das vendas de Slimani, João Mário e Rúben Semedo apenas foram efetuados em julho de 2017, ou seja, já em 2017/18. Isto significa que poderemos esperar uma descida ainda mais significativa dos empréstimos no R&C do 1º trimestre de 2017/18. O factoring (antecipação de receitas) manteve-se num nível idêntico ao da época passada.



    • Ficámos a conhecer os valores pagos por alguns dos reforços. Battaglia custou 4,5M por 80% do passe. Doumbia foi bastante mais caro do que inicialmente se julgava: 3,5M mais 3M de prémio de assinatura (provavelmente para compensar uma redução do salário em relação ao que auferia na Roma), e ainda 0,7M de comissão. Piccini custou um total de 3,2. O investimento em Bruno Fernandes está em 9,7M. Referência também para o facto de o Sporting já ter pago 11M por Bas Dost, ou seja, os 10M do valor fixo e 1M de objetivos já cumpridos. Mattheus Oliveira é, para já, o investimento mais duvidoso em função do que (não) tem jogado, mas ainda há muita época pela frente.
    • Ao nível da tesouraria, o panorama está mais folgado do que em relação há um ano: entre o que devemos a fornecedores e o que temos a haver de clientes nas compras e vendas de jogadores, há um saldo positivo de 15,5 milhões - em comparação com os -4,5 milhões a 30 de junho de 2016.
    • O passivo do Sporting aumentou de 249,2M para 310,9M graças, sobretudo, ao aumento dos saldos de fornecedores e outros credores. No entanto, não é nada que seja preocupante, por dois motivos: em primeiro lugar, como vimos, o endividamento bancário diminuiu; depois, porque o ativo subiu de 224,3M para 316,5M, assente essencialmente no aumento do valor contabilistico do plantel e nos saldos de clientes - e, como já foi referido mais acima, o valor a receber de clientes é superior ao valor a pagar a fornecedores. O aumento do ativo e do passivo é uma consequência natural do aumento do investimento em jogadores e do crescimento dos montantes faturados em vendas de atletas.
    • O Sporting voltou a ter capitais próprios positivos: de -25M em 2015/16 para 5,6M.