terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A queda de dois mitos

"Os dirigentes do FC Porto pensam pela sua cabeça e trabalham de dentro para fora e não de fora para dentro." - Adelino Caldeira, a 13/06/2008

"Contra todas as lendas e verdades estabelecidas, eu acho os adeptos do Dragão notáveis - de longe, os melhores do futebol português. Gostam de bom futebol e não de ganhar, apenas e de qualquer maneira" - Miguel Sousa Tavares, em A Bola, a 29/10/2013

O Porto é dirigido de dentro para fora. O público do Dragão é de longe o melhor do país. De uma assentada, estes dois dogmas, repetidos até à exaustão pelos dirigentes e adeptos do Porto, caíram com estrondo no chão após a derrota de sábado com a Académica.

in jn.pt

Clube dirigido de dentro para fora

Após a derrota com a Académica, o autocarro que transportava os jogadores, treinadores e dirigentes do Porto foi recebida por cerca de 200 adeptos em fúria pela má prestação da equipa. Até aqui nada que não aconteça noutros clubes. O que é completamente bizarro é o facto de, pouco depois, Antero Henrique, Paulo Fonseca, Helton e Lucho terem estado a analisar o mau momento da equipa com quatro elementos dos Super Dragões.

Estamos a falar de uma claque que, no passado, foi protagonista de situações como esta...

in expresso.pt

... ou como estas.

in dn.pt

Ao terem direito à cortesia de uma reunião com treinador e jogadores, patrocinada pelo dirigente que está em 1º lugar na linha de sucessão à presidência do Porto, os Super Dragões demonstram mais uma vez que desempenham um papel que vai muito para além de uma simples claque de apoio a um clube.

Sempre pensei que uma estrutura de elite como a do Porto veria como prioritário dar o peito às balas pelo treinador e jogadores em frente aos adeptos. Seria natural que um dirigente se reunisse com as claques para assegurar que iriam ser tomadas medidas para inverter a situação. 

Mas ver um dirigente como Antero Henrique colocar treinador e jogadores frente a frente com representantes da claque que momentos antes os insultara furiosamente, não é de todo normal.

Se o Porto fosse dirigido de dentro para fora, como gostam de apregoar, uma reunião destas significaria que os Super Dragões fazem parte da estrutura, com todas as implicações que daí advêm.

No entanto, por não serem eleitos pelos sócios portistas, por não serem representativos da globalidade dos sócios e adeptos do clube, muitos dos quais certamente não se identificam com muitas das atitudes que a claque teve no passado, a realidade é que os Super Dragões não são parte da estrutura. Por isso cai por terra o argumento do "dentro para fora". Até os dirigentes do Porto são vulneráveis a pressões, e não foi preciso muito para denunciarem essa fraqueza -- bastou uma sequência anormalmente longa de maus resultados (para os padrões do Porto).

Outra coisa que esta reunião pode significar é que Antero Henrique já se está a mexer com vista a assegurar apoios importantes para umas eleições que poderão não estar muito distantes.


Os adeptos do Dragão gostam de bom futebol e não de ganhar

É fácil dizer uma coisa destas num clube que ganhou 9 dos últimos 11 campeonatos. É dos poucos clubes no mundo que se pode dar ao luxo de assobiar mesmo quando a equipa ganha. Como a vitória é tida como garantida, os adeptos portistas sentem-se à vontade para criticar quando outros aspetos não lhes agradam totalmente.

O que Miguel Sousa Tavares quis dizer com esta frase foi que no Dragão estão os verdadeiros apreciadores do futebol, gente conhecedora que sabe quando deve aplaudir e quando criticar.

É um absurdo. Se fossem tão conhecedores e sábios, os adeptos portistas (começando pelo próprio MST) deveriam conseguir reconhecer a competência de Vítor Pereira, que conseguiu um registo esmagador de uma única derrota em sessenta jogos para o campeonato. É certo que tinha um plantel superior ao deste ano, mas não é fácil conseguir manter um conjunto de jogadores com este nível de motivação numa competição que estão habituados a vencer.

Agora, com esta carreira de Paulo Fonseca, muitos já suspiram por Vítor Pereira. Isto é de adeptos conhecedores? E é pelo bom futebol que suspiram? Não, foi unânime que o Porto até jogou bem contra o Nacional. Os portistas têm saudades de Vítor Pereira pelas vitórias que não têm conseguido nas últimas semanas.

A nobreza de espírito do adepto portista, quando confrontado por uma sequência menos feliz de resultados, evapora-se. E revela um adepto tão primário como os dos outros rivais, que não suporta perder. Com uma agravante: os adeptos do Porto estão tão mal habituados, que nem se apercebem do ridículo que é fazer estas figuras quando a equipa está a apenas a 2 pontos do 1º lugar, com 19 jornadas por disputar.

O uso e abuso do slogan "Somos Porto" por parte dos adeptos portistas, como forma de exprimir superioridade sobre os outros clubes, não significa nada nas vitórias. Fiquem 5 anos sem ganhar e quero ver o que é que sobra.

Sem comentários :

Enviar um comentário