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quarta-feira, 19 de junho de 2019

Balanço da época, nº 5: Avançados



Bas Dost: ** 
2017/18: *** 

Iniciou a época a um excelente nível, chegando aos 10 golos apontados nas primeiras 13 jornadas (sendo que apenas foi titular em apenas 7 desses jogos devido a uma lesão no joelho). No entanto, caiu bruscamente de rendimento a partir de janeiro, sem qualquer confiança no momento de finalizar, ao ponto de parecer por completo um jogador inapto para alinhar numa equipa de primeira divisão. A lesão contraída acabou por ser uma benesse – para o jogador, que se arrastava nos relvados de forma deprimente, e para o clube, que encontraria em Luiz Phellype um goleador inesperado – que deu tempo ao holandês para se recompor psicologicamente. Ainda alinhou nas últimas quatro partidas – sempre como suplente usado -, mas foi o suficiente para voltar a colocar o seu nome na lista dos marcadores por duas ocasiões, ambas no Jamor, contra Belenenses e Porto, parecendo-se muito mais com o Dost que nos habituámos a admirar. 

É pouco provável que continue devido ao incomportável salário que Cintra lhe ofereceu quando voltou da rescisão. O Sporting não se pode dar ao luxo de pagar 6 milhões de euros brutos a um único jogador. 


Luiz Phellype: ** 

Analisando estritamente do ponto de vista do custo/rendimento, a contratação de Luiz Phellype foi um completo sucesso - nos últimos anos, apenas um jogador ficou acima nesta escala: Islam Slimani. O brasileiro não se integrou de imediato e precisou de tempo para apurar a forma física. A lesão de Dost deu-lhe o tempo e o espaço que precisava para se impor. Nos últimos 10 jogos da temporada, assinou 8 golos, incluindo um golo no Dragão e o penálti decisivo na final da Taça. 

Ainda é difícil avaliar se Luiz Phellype tem o que é necessário para ser o ponta-de-lança do Sporting. A forma como o Sporting se apresentou nos últimos meses não era propício a um volume de jogo ofensivo propício para alimentar goleadores, mas o brasileiro conseguiu uma taxa considerável de concretização das oportunidades flagrantes de que dispôs. Independentemente disso, é um jogador com quem se poderá contar para 2019/20. 


Fredy Montero: * 
2017/18: **
2015/16: *
2014/15: ** 
2013/14: **

Montero foi em 2019/20 exatamente aquilo que dele se poderia esperar: talentoso tecnicamente, mas sem a consistência competitiva necessária, podendo, no máximo, ser considerado um jogador útil para se ter no plantel. No entanto, os 3 milhões de euros anuais que recebia obrigavam a que fosse mais do que um jogador útil e pouco fiável, pelo que a decisão de o deixar sair para a MLS se compreende perfeitamente. 


Pedro Marques: - 

31 minutos na Liga Europa para se mostrar aos sportinguistas. Precisa de se impor nos sub-23 antes de poder ambicionar fazer parte do plantel principal. 


Raphinha: ** 

Não teve um começo de época complicado, com exibições abaixo do esperado – como tantos outros colegas – com Peseiro, ao que se juntou uma lesão contraída dias antes da entrada de Keizer que o deixou de fora dos relvados até ao final de dezembro. Progressivamente foi ganhando o seu espaço na equipa e terminou a época em bom nível como titular. 7 golos e 5 assistências são números abaixo do que pode fazer, mas, agora que está plenamente adaptado ao clube e ao treinador, tem todas as condições para explodir em 2019/20. 


Abdoulay Diaby: * 

Um caso oposto ao de Raphinha. Diaby tem números (7 golos e 8 assistências) que dão uma imagem errada (pela positiva) daquilo que rendeu em campo. Cintra apresentou-o como o jogador mais rápido do futebol português (Rafa deve ter-se rido às gargalhadas), e, de facto, Diaby assemelhou-se mais a um atleta do que a um futebolista – mas não na velocidade, mais na sua (falta de) relação com a bola, tantos foram os momentos constrangedores que proporcionou. Um flop de 5,5 milhões que não tem lugar no plantel da próxima época. 


Jovane Cabral: * 

Teve um impacto inesperadamente positivo na fase inicial da época. Soube fazer uso da sua capacidade física quando lançado a meio da segunda parte para abanar o jogo. É, efetivamente, um jogador útil para ter no banco, como atestam os números: 4 golos e 8 assistências em 1.193 minutos de utilização, que dá uma média inferior a 1 golo/assistência por cada 100 minutos. No entanto, não tem capacidade neste momento (nem sei se alguma vez terá) para mais do que isso. Jogando como titular, raramente conseguiu justificar a aposta. Jovane marcou 4 golos e fez 5 assistência entrando como suplente; como titular apenas registou 3 assistências. 

Suponho que em 2019/20, o melhor para Jovane seja o empréstimo a outra equipa da I Liga. 


Nani: ** 
2014/15: ** 

Foi provavelmente a grande contratação da época e foi um dos jogadores em destaque com José Peseiro – numa altura em que Bruno Fernandes estava a render muito abaixo do que pode. Esteve ao nível das expetativas criadas, jogando e fazendo jogar, ainda que – mais uma vez -, grande parte das bancadas não conseguisse compreender as suas contemporizações à espera de uma boa opção para dar sequência à jogada. 

A sua saída em janeiro foi, por isso, inesperada e mal compreendida entre os adeptos. A componente salarial terá tido um peso fulcral nessa decisão, mas, ao que se diz, não seria fonte de bom ambiente no balneário. A verdade é que a equipa não se ressentiu da sua saída - nem desportivamente, nem, sobretudo, ao nível da liderança dentro de campo.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Retratos e momentos de uma tarde inesquecivel



A festa antes do jogo



Campo inclinado

Fonte: zerozero.pt


Nas bancadas



Um voo inesquecível

(via @ultras6p)



O desempate por penáltis (com som ambiente)




O momento em que te apercebes que ganhaste a Taça

Fonte: zerozero.pt


Ristovski invade o campo




Montero




Nani



Festejos em holandês

Fonte: zerozero.pt


Lágrimas de um gigante

(via @sporting_cp)


A caminhada de Renan até à tribuna



Mar verde e branco

(via @ultras6p)


O sabor da vitória

(via @ultras6p)


Gudelj




Ristovski e a possível saída de Bruno Fernandes

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

O Silas é que a sabe toda

Não tinha percebido bem o sentido das palavras de Silas no lançamento do jogo de ontem quando disse que "Keizer está a aproveitar o trabalho de Peseiro", mas a verdade é que acabaram por ter o seu quê de proféticas. De certa forma, o Sporting que defrontou o Belenenses foi o menos Keizeriano e o mais Peseiriano desde que o holandês assumiu o cargo, pois durante a maior parte do tempo foi uma equipa divorciada da baliza, previsível nas suas intenções, lenta e trapalhona na execução.

Isso sentia-se dentro das quatro linhas e também na bancada: quando o Sporting foi para o intervalo a perder com o Nacional, notava-se que os adeptos nas bancadas confiavam que seria apenas uma questão de tempo até a reviravolta se concretizar; ontem havia incerteza no ar, fruto da incapacidade que a equipa revelava para criar situações de golo e também do mérito de um adversário muito personalizado que sabia exatamente o que fazer em campo para contrariar os pontos fortes leoninos.



3 pontos - havendo a possibilidade de recuperar o segundo lugar e sendo imperioso não deixar afastar mais o líder, era imperativo que o Sporting vencesse a partida, fosse lá como fosse. Não foi bonito, mas o essencial foi alcançado.

O regresso de Wendel - a antecipação da sua recuperação em relação à previsão inicial foi uma excelente notícia e Keizer não hesitou em entregar-lhe a titularidade. Wendel correspondeu e foi, a par de Nani, o elemento mais dinâmico do meio-campo. Muito bem na procura do espaço para receber a bola, decide e executa rapidamente com a bola nos pés. Faz parecer simples aquilo que, na realidade, não está ao alcance de muitos. Acabou por ser substituído a vinte minutos do fim numa altura em que estava mais desaparecido do jogo.

Pela positiva - Nani fez uma boa primeira parte, caindo de rendimento na segunda. Petrovic voltou a entrar muito bem, bem defensivamente e muito confiante com a bola nos pés. Acuña, apesar de raramente ter procurado a linha de fundo e de ter tido pouco acerto nos cruzamentos que tentou, compensou com a habitual intensidade e concentração defensiva. Mathieu foi mais uma vez Mathieu.

Os golos - a classe da jogada que envolveu oito jogadores no golo de Bruno Gaspar mereceu a felicidade do toque de Sasso que desviou a bola para o ângulo certo. O golo de Miguel Luís foi o melhor momento da partida - um remate espontâneo, forte e colocado, que surpreendeu Muriel e fez lembrar o ausente Bruno Fernandes. 



A exibição - foi a exibição caseira mais frouxa desde que Keizer pegou na equipa, muito afastada da filosofia que Keizer tem tentado implementar: sentido de jogo muito mais basculante do que vertical, ritmo imposto mais lento do que tem sido habitual, incapacidade de chegar à área adversária e pouquíssimas oportunidades de golo. Em certa medida, a fazer lembrar o pior do Sporting de Jesus na segunda metade da época passada. Há que dar mérito a Silas e aos seus jogadores, que chegaram a Alvalade como segunda defesa menos batida do campeonato, e demonstraram ser uma equipa muito organizada e que raras vezes se desequilibrou. Por outro lado, parece-me que o nervo e o talento de Bruno Fernandes fez muita falta, o que é preocupante - não podemos estar tão dependentes da inspiração de um jogador.

Apesar de decisivos... - Diaby e Gudelj assistiram Bruno Gaspar e Miguel Luís nos dois golos que valeram a vitória, mas o rendimento destes jogadores, de uma forma geral, ficou abaixo das exigências. Gudelj e Miguel Luís raramente conseguiram ligar o jogo com Nani e Wendel, e tiveram pouco acerto nos passes. Diaby fez um jogo pavoroso. Parecia estar numa peladinha de solteiros contra casados, alheando-se do que se passava no seu flanco quando o lateral do Belenenses subia, deixando frequentemente Bruno Gaspar em desvantagem numérica, e com bola teve várias decisões incompreensíveis - uma das quais comprometeu uma excelente ocasião de golo na primeira parte. Devia ter sido substituído quinze minutos antes. Quanto a Bruno Gaspar, teve mais um jogo pouco conseguido e continua a não convencer.

Desconcentração defensiva - no caso do golo do Belenenses, podemos falar mesmo em desleixo: Coates e Gudelj desistiram de acompanhar os dois jogadores do Belenenses que seguiam em velocidade pelo centro do terreno, deixando Mathieu e Acuña numa situação de desvantagem numérica de 2x3. Renan esteve muito mal no controlo da profundidade, decidindo ficar na área em duas situações perigosas que poderia ter anulado com facilidade caso se corresse na direção da bola.

Os assobiadores profissionais - não consigo conceber por que razão há pessoas que vão ao estádio para assobiar a equipa ao fim de... quatro minutos. QUATRO MINUTOS. Assobiam a equipa porque o adversário entra melhor no jogo. Assobiam Renan porque este tenta encontrar um colega a quem passar em vez de despejar para a frente. Assobiam Nani porque contemporiza à espera de opções de passe. Assobiam Nani quando tenta jogadas individuais. Um bocadinho mais de paciência não faria mal a ninguém.



Nota artística - 2

MVP - Wendel

Arbitragem - João Capela teve um jogo fácil de apitar, mas conseguiu complicar o seu trabalho com más decisões no julgamento de várias faltas a meio-campo e tendo um critério disciplinar incoerente na exibição de amarelos, principalmente nos quinze minutos finais.



Três pontos preciosos que nos permitem regressar ao segundo lugar e manter o Porto à vista. É imperioso vencer o Tondela na próxima segunda-feira para depois termos a primeira final da época na receção ao Porto no fecho da 1ª volta.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Pés no chão e fé em Dost

Depois de três jogos com nota artística elevada, a equipa não foi capaz de dar sequência às boas exibições na estreia de Keizer em Alvalade. O resultado pode ter sido folgado, a segunda parte pode ter sido (inesperadamente) tranquila face à inferioridade numérica, mas os números alcançados não traduzem as dificuldades que o Aves nos causou na primeira parte, em que, durante largos períodos de tempo, dominou a partida e impediu que o Sporting conseguisse ligar o seu jogo.

Um bom e oportuno aviso para todos mantermos os pés no chão: não fosse um erro do adversário a provocar um penálti desnecessário que acabou por virar o rumo dos acontecimentos, e a história do jogo poderia ter sido bem diferente... para pior. Valeu-nos o suspeito do costume.



Os números - 4 jogos, 4 vitórias, 17 golos marcados e 4 sofridos. Hoje sem nota artística, mas os 4-1 representam a vitória mais volumosa do Sporting nesta edição da Liga, mantendo a equipa no segundo lugar no campeonato e passando a ter o segundo melhor ataque da prova. Ah, e Dost já é o melhor marcador do campeonato com 8 golos marcados em apenas 7 jogos.

Os golos e a eficácia - o Sporting apenas saiu para o intervalo em vantagem porque foi muito mais eficaz no aproveitamento das suas oportunidades do que o Aves. A eficácia manteve-se na segunda parte, e em dois momentos críticos: o golo de Dost logo a abrir, que trouxe outra tranquilidade à equipa, e o golo de Diaby que surgiu pouco depois da expulsão de Acuña, que matou o jogo. E, claro, há que fazer justiça à qualidade desses golos, que só por si justificam o preço do bilhete: o remate explosivo e inesperado de Nani; o cruzamento tirado com régua e esquadro que foi desviado por Dost com igual precisão matemática; e o remate em arco de Diaby após um passe em profundidade que rasgou a defesa do Aves.

As assistências de Bruno Fernandes - mais três para a sua conta pessoal. O passe para Nani conta apenas para a estatística porque não teve grande relevância para o golo, mas o cruzamento para Dost e o passe a rasgar para Diaby foram deliciosos. Números que se vão acumulando e que impressionam: Bruno Fernandes soma 4 golos e 4 assistências nos 4 jogos com Keizer.

A gestão da inferioridade numérica - o golo de Diaby foi fundamental para acabar com as dúvidas que a expulsão de Acuña pudesse trazer, e a partir daí o Sporting controlou bem o jogo, a ponto de fazer esquecer a situação de inferioridade numérica. Foi uma segunda parte totalmente tranquila.

Renan a marcar pontos - um punhado de boas intervenções, incluindo uma defesa fundamental na primeira parte, e teve várias ocasiões para demonstrar o seu excelente jogo de pés. A questão da baliza do Sporting não é pacífica - sobretudo devido ao mistério que envolve o afastamento de Viviano -, mas Renan tem vindo a justificar gradualmente a aposta que tanto Peseiro como Keizer têm feito em si.



A primeira parte - a incapacidade de o Sporting dominar o jogo deveu-se, a meu ver, a dois fatores: o mérito do Aves, que estudou bem os últimos jogos do Sporting e soube pressionar Wendel, Bruno Fernandes e Nani com rapidez - e muitas vezes em antecipação dos seus movimentos seguintes, que lhes valeu várias recuperações de bola -, e por algum comodismo dos jogadores do Sporting na entrada em jogo, que não pareciam com grande vontade em dar a aceleração e dinâmica necessárias para abrir linhas de passe que contrariassem o pouco espaço disponível em dois terços do terreno. Depois de sofrido o golo, houve vontade imediata dos jogadores do Sporting em dar maior velocidade ao jogo, mas fizeram-no com pouca precisão. Foi muito mais o acaso do que a qualidade do nosso jogo a ditar a reviravolta ainda na primeira parte. 

A expulsão de Acuña - não o crítico pelo segundo amarelo, mas tem de ser responsabilizado pelo primeiro cartão - que viu por se envolver numa escaramuça com adversários por causa de uma falta que nem sequer foi cometida sobre si. Mais uma vez, o seu temperamento deixou-o condicionado demasiado cedo e acabou por prejudicar a equipa ao deixá-la com menos um jogador durante mais de meia-hora. E não consigo concordar com os aplausos que recebeu de muitos adeptos enquanto abandonava o relvado: sendo recorrente nestas situações, não pode haver lugar para pancadinhas nas costas.



Nota artística - 3

MVP - Bas Dost

Arbitragem - Vítor Ferreira teve uma arbitragem algo irregular. Esteve bem nos lances capitais (os amarelos a Acuña e o penálti sobre Diaby), mas teve um critério irregular do ponto de vista técnico e disciplinar - podia, por exemplo, ter mostrado o segundo amarelo a Vìtor Costa no lance do penálti. Os 4 minutos de descontos na primeira parte foram demasiado escassos - só o penálti implicou esse tempo de paragem.



Com esta vitória já vamos com uma série de cinco triunfos consecutivos. Que venha a sexta contra o Vorskla já na próxima quinta-feira.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Festim em Baku

A triangulação Coates-Diaby-Gaspar seguida do cruzamento atrasado para Dost rodar e sofrer o penálti; a rápida recuperação de bola que esteve na origem do segundo golo; toda a jogada do terceiro golo que partiu em Renan e terminou no incrível slalom de Nani; o controlo e passe longo imediato sob pressão de Wendel a lançar Diaby para o quarto golo; a bola picada de Wendel para Bruno Fernandes; e a finalização de primeira de Diaby após cruzamento de Jovane, que fechou o resultado: a goleada ao Qarabag proporcionou-nos um festim de rasgos de brilhantismo que coroaram uma exibição muito agradável, como há muito não me lembrava de ver o Sporting praticar. 



Ideia de jogo - em apenas duas semanas e meia de trabalho, Keizer já foi capaz de mostrar as ideias que quer implementar: futebol apoiado, vertical e objetivo, executado com velocidade e tendo sempre a baliza em mente, com os laterais bem abertos mas privilegiando o espaço interior e reagindo rapidamente à perda com a tal pressão alta que o treinador anunciou no dia em que se apresentou. Obviamente que não podemos ignorar que o nível dos dois adversários que defrontou não reflete as dificuldades típicas que terá de enfrentar no campeonato português, mas são já evidentes as melhorias em relação ao futebol que Peseiro nos impingiu durante quatro longos e tortuosos meses. Basta comparar com as exibições contra o Loures (em oposição à de sábado passado) e contra o Poltava (em oposição à de ontem).

Wendel & amigos - neste momento, uma das perguntas que a maior parte dos sportinguistas terá na cabeça é: como é possível nem Jesus nem Peseiro terem dado oportunidades a Wendel? A exibição do brasileiro foi uma delícia: registou três assistências (mais o passe para o primeiro golo de Diaby, que não contou para a estatística por ter havido um corte incompleto do defesa), ficou muito perto de marcar dois, e deixa água na boca o nível de entendimento que mostrou ter com Bruno Fernandes e Nani. Exibição muito, muito prometedora de Wendel em particular, mas também deste novo meio-campo em geral.

Apuramento para a fase seguinte - estava quase garantido à partida para esta jornada, e foi agora consumado. O Sporting continua em frente na competição.



O golo sofrido - Diaby esqueceu-se que tinha de acompanhar o seu homem e deixou Bruno Gaspar completamente sozinho contra dois adversários na área. Foi o único lapso com consequências - noutro caso valeu o corte de Bruno Fernandes quase sobre a linha de golo -, mas é um bom exemplo para nos relembrar que esta ideia de jogo implica riscos defensivos superiores e que há muito trabalho pela frente para que todos os jogadores saibam como se comportar individual e coletivamente quando o adversário tem a bola.



Um bom resultado, uma bela exibição, mas não há quaisquer motivos para euforias. Na próxima segunda vem o primeiro teste a sério, com a deslocação a Vila do Conde.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Raio de luz

Pode não ter sido uma grande exibição do princípio ao fim, pode não ter havido um domínio constante, mas a vitória de ontem do Sporting sobre o Boavista foi incontestável e não terá deixado nenhum adepto insatisfeito. Um ténue raio de luz a rasgar a penumbra exibicional a que temos sido sujeitos. A primeira parte foi mastigada e na linha do que tem sido as exibições recentes, mas na segunda parte houve uma melhoria significativa ao ponto de podermos dizer que foi agradável de seguir. Pode não parecer muito, ainda mais tendo sido contra um adversário cujo objetivo será a manutenção, mas é um upgrade ao que foi o futebol do Sporting contra Poltavas, Loures e Qarabags, que também não são propriamente colossos europeus. Junte-se a isto os muito aguardados regressos de Mathieu e Dost, os primeiros bons pormenores de Diaby, uma nova bomba de Bruno Fernandes e um Nani ao melhor nível, e temos finalmente alguma coisa a que nos agarrarmos. Pelo menos até à próxima quarta-feira.



Os golos - o magnífico trabalho de Montero no primeiro golo de Nani, que devolveu os mortais a Alvalade; a combinação entre Montero e Diaby com o passe atrasado para o estouro de Bruno Fernandes; e o remate picado de primeira de Nani. Três golos bem trabalhados e de belo efeito que valeram a vitória mais folgada da época, uma noite tranquila e três pontos totalmente merecidos. Nota positiva para as exibições de Nani, Montero, Mathieu e Acuña, com alguns bons momentos de Diaby e Bruno Fernandes na segunda parte.

Os regressos - Mathieu voltou e realizou uma exibição muito sólida, tendo sido obrigado a um par de intervenções importantes na primeira parte. Dost teve a ovação da noite ao entrar após mais dois meses de ausência. Não teve tempo para muito, conseguindo apenas um remate sob pressão e duas ou três intervenções na ligação entre setores. Bruno César estreou-se na temporada e foi colocado no apoio a Dost. Três reforços que, cada qual da sua maneira, poderão acrescentar qualidade nos preenchidos meses de competição que vamos atravessar.



Corpos estranhos - Diaby demorou a entrar o jogo, mas a assistência para o golo de Bruno Fernandes pareceu-lhe dar confiança. Nota-se que Bruno Gaspar ainda não está na mesma página dos jogadores que ocupam terrenos mais próximos, como Coates, Diaby ou Bruno Fernandes. Gudelj raramente acrescenta algo com bola, alternando o alheamento na construção com passes disparatados.

Assobios - 8 minutos de jogo. O-i-t-o. Um passe em profundidade mal medido do Boavista morre nos pés de Renan. O Sporting tenta sair a jogar perante a pressão boavisteira. A bola vai para Mathieu, na esquerda, volta para Renan, que toca para a frente para Battaglia, que deixa em Mathieu, que vira para Coates que, pressionado, volta a dar a Renan, que devolve a Coates, que permite um corte e ganha lançamento. Ouvem-se assobios no estádio porque, aparentemente, há quem ache que a melhor maneira de se sair a jogar perante uma pressão adversária moderada é mandando um chutão para a frente. Junte-se a isso os vários assobios para as temporizações de Nani, que tem demonstrado frequentemente ser o jogador mais esclarecido em campo, os vários assobios para os cantos mal marcados (OK, aqui até compreendo), e os assobios no final porque os jogadores não se aproximaram da curva sul como de costume (depois de lhes terem devolvido as camisolas em Alverca, esperavam o quê?), e percebe-se bem que não é fácil ser-se jogador do Sporting nesta altura. Nunca é, verdade seja dita, mas agora ainda menos.



MVP - Nani

Nota artística - 3

Arbitragem - Carlos Xistra não teve um jogo difícil e soube geri-lo de forma competente.



Exibição e vitória sobre as quais talvez se possa iniciar uma série positiva de jogos. Segue-se a receção ao Estoril para a Taça da Liga na quarta-feira à noite (véspera de feriado) e uma viagem aos Açores para defrontar o surpreendente Santa Clara. É obrigatório ganhar os dois jogos, mas seria importante conseguir as vitórias de forma convincente. É fundamental que os (bons) jogadores que temos recuperem a confiança para voltarem a fazer aquilo de que são capazes. 

sábado, 20 de outubro de 2018

Apuramento tranquilo, suplício garantido

Foto: Mais Futebol
Sendo verdade que o Sporting está longe de ter uma equipa de futebol minimamente convincente, é também verdade que o histórico do Sporting (e também dos outros grandes) está preenchido de casos em que foi necessário passar por dificuldades para eliminar equipas do escalão do Loures - normalmente causadas por uma abordagem displicente de quem julga que os golos acabarão por aparecer mais cedo ou mais tarde. E é por aí que passa o aspeto mais positivo do jogo de ontem: o Sporting encarou este desafio da taça de forma séria e isso acabou por garantir um apuramento tranquilo. Há, depois, o resto: mesmo com algumas das principais figuras a fazerem 90 minutos - nomeadamente do meio-campo para a frente - voltou a assistir-se a um futebol paupérrimo que, de vez em quando, lá vai sendo interrompido por um ou outro fogacho esporádico causado pela classe individual (de alguns) dos nossos jogadores.



Apuramento tranquilo - o Loures teve duas boas ocasiões desperdiçadas, mas numa altura em que o Sporting já vencia por dois golos de diferença. O golo que sofremos surgiu já nos descontos, o que proporcionou ao jogo um minuto e meio de incerteza.

O regresso do bombardeiro - o guarda-redes do Loures poderia ter feito mais, mas a imprevisibilidade e força do remate de Bruno Fernandes acabaram por se sobrepor a uma colocação que não foi perfeita. Não foi um daqueles remates à Bruno, mas pode ser que ajude a despertar essa sua capacidade que nos tem feito tanta falta.



Suplício garantido - não dá qualquer prazer ver esta equipa a jogar. É deprimente constatar que quando usamos segundas linhas somos obrigados a recorrer a jogadores que não conseguem fazer melhor figura do que pinos cor-de-laranja. É confrangedor ver que por cada três tentativas de combinação à entrada da área, duas delas falham miseravelmente. À semelhança do que tem sido norma esta época, foi um suplício assistir a mais 90 minutos desta equipa ("aglomerado de jogadores que envergam o símbolo do Sporting" talvez seja uma descrição mais correta). Mas o pior é que esse suplício já era esperado. Pior ainda, não existe grande esperança de que as coisas mudem significativamente num futuro próximo.

Gestão do plantel - não dá para perceber aquilo que se passa na cabeça do treinador quando, num jogo destes, não se pode prescindir de Bruno Fernandes (que manteve o ritmo competitivo na seleção fazendo cerca de 70 minutos), quando não se pode prescindir do duplo pivot para segurar uma vantagem de dois golos (que, aliás, nem sequer conseguimos) contra uma equipa da segunda metade da tabela do seu grupo do Campeonato de Portugal, quando não se consegue arranjar mais do que três minutos de utilização para Miguel Luís, ou quando não se dá uma oportunidade a jogadores como Lumor (preferindo-se continuar a acreditar que Jefferson alguma vez voltará a ser solução).



Objetivo atingido, mas nada aconteceu que ajude a afastar a fortíssima sensação de que esta equipa está completamente à deriva. E agora vem aí o Arsenal...

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

O caso Nani

É complicado saber o que pensar da situação disciplinar que envolveu Nani. Olhando para o que aconteceu em Braga, pareceu-me na altura ser algo a que não se deveria dar grande importância: desabafos gerados pela frustração do momento, que não foram nem efusivos nem claramente dirigidos a alguém em particular. Os jornais pegaram no assunto pela rama e dois dias depois o tema parecia morto... até ao momento em que José Peseiro o comentou na conferência de imprensa de lançamento do jogo com o Marítimo. No sábado ficámos a saber que o capitão não foi convocado, sendo, ao que tudo indica, uma decisão de cariz disciplinar.

Não gostei de ver Peseiro na sexta-feira a reavivar o assunto, critiquei-o no Twitter por isso, mas precipitei-me. A verdade é que se a decisão de afastar Nani do jogo já tinha sido tomada, então o treinador não poderia deixar de comentar o caso.

Foto publicada pela conta de Twitter de Nani (LINK)
O que neste momento pode ser alvo de debate é se a atitude de Nani justificava uma sanção tão pesada. Mas mesmo nisso há que dar o benefício da dúvida a quem tomou a decisão: primeiro, porque não conhecemos o regulamento disciplinar a aplicar no plantel; depois, porque não sabemos o que se terá passado longe das câmaras; e finalmente, porque parece ser coerente com o que aconteceu com Matheus Pereira - que foi afastado de duas convocatórias após as suas queixas nas redes sociais.

Aos olhos de quem assiste a isto de fora, Nani parece ter aceitado bem a punição: esteve presente no PJR a assistir ao jogo da Liga dos Campeões em andebol e, posteriormente, no estádio e, ao longo deste período, manteve a (excelente) presença nas redes sociais.

Mais do que tentar encontrar vilões e vítimas em tudo isto - não temos dados suficientes para fazer esse tipo de julgamento público -, há uma conclusão que se pode retirar de tudo isto: não se olhou ao estatuto do jogador no momento de aplicar uma sanção disciplinar. E isso é um sinal importante que não deve ser ignorado, visto que era algo que preocupava muita gente após tudo o que tem acontecido ao longo dos últimos meses.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Há hábitos piores para se ter

É verdade que o Qarabag é tudo menos um colosso europeu, é um adversário contra quem tínhamos obrigação de vencer em casa, mas pode ser uma equipa chata - como se pode avaliar pela sua participação na Liga dos Campeões em 2017/18, quando empataram por duas vezes com o Atlético Madrid e venderam caras as derrotas tangenciais contra a Roma. Ontem, foi precisamente isso: uma equipa chata com qualidade suficiente para segurar um Sporting que não entrou particularmente preocupado em resolver rapidamente o jogo: a primeira parte foi bastante pobre, com sinais de melhoria nos últimos dez minutos que depois teriam sequência na segunda parte.

Na realidade, aquilo que se passou ontem para a Liga Europa não foi diferente do que tem sido a tendência neste início de época: mais uma vez, o Sporting fez uma exibição globalmente pouco entusiasmante; mas no final saiu com um resultado positivo. Jogar pouco e ganhar. Há hábitos piores para se ter.



As jogadas dos golos - a verticalidade do primeiro golo (com uma maravilhosa assistência de Nani) e a raça do segundo (com o bónus da maldade de Montero) valeram bem o custo do bilhete.

Valores emergentes - Raphinha foi mais uma vez fundamental, com um golo e uma assistência, e não há dúvidas de que ganhou um lugar no onze. Jovane, entrando apenas a cinco minutos do fim, parecia condenado a ter o seu primeiro jogo sem ter um impacto importante no resultado (penálti sofrido contra o Moreirense, assistência contra o V. Setúbal, Golo contra o Feirense, penálti sofrido contra o Marítimo), mas fez bom uso do tempo que lhe deram com mais um golo. Dois valores emergentes que, para além da posição, partilham uma característica fundamental: gostam de aparecer em zonas de finalização.

Acuña na lateral - é um upgrade claro em relação a Jefferson, muito mais fiável a defender e muito mais agressivo no um contra um. Apesar de ter jogado a lateral, parece-me que apareceu mais vezes em funções ofensivas do que nas ocasiões em que jogou a extremo. Espero que seja para se manter ali.



A lesão de Mathieu - depois de uma ausência de várias semanas, voltou a lesionar-se ontem. Que não seja grave.

Distrações a mais - houve demasiados momentos de desconcentração que, felizmente, não tiveram consequências graves. Defensivamente, as únicas oportunidades do Qarabag nasceram de ofertas nossas (Coates e Gudelj). Ofensivamente, tivemos ocasiões soberanas para marcar que não foram aproveitadas por falhas de entendimento que não deviam acontecer.



Missão cumprida no arranque da Liga Europa. Na próxima jornada espera-nos uma viagem à Ucrânia onde poderemos dar um passo gigante para o apuramento para a fase seguinte.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Tudo bem feito

O jogo não foi grande coisa, mas as jogadas que estiveram na origem dos dois golos valem o preço do bilhete. O primeiro pela verticalidade e objetividade da circulação de bola entre Mathieu, Bruno Fernandes, Nani e Raphinha, o segundo pela raça de Acuña e Montero a recuperarem a bola, e a classe do colombiano para desembaraçar do adversário - Raphinha e Jovane fariam (também muito bem) o resto.

Aqui ficam os golos. Vale a pena rever.



domingo, 2 de setembro de 2018

Muito mais que três pontos

Por todos os motivos e mais algum, o jogo de ontem era daqueles em que não podíamos perder pontos. No entanto, as dificuldade exibicionais que temos revelado e o bom arranque de época do Feirense deixavam antever uma partida complicada, e foi precisamente isso que se verificou. Apesar de uma boa entrada do Sporting no jogo, o Feirense foi progressivamente adaptando-se de forma a tapar os caminhos para a sua área - é certo que as oportunidades de golo não deixaram de ir aparecendo, mas nunca num ritmo que indiciasse qualquer tipo de domínio total das operações. O facto de o golo apenas ter aparecido aos 88 minutos é prova suficiente das dificuldades que o Sporting teve para conquistar os três pontos.

Foi uma vitória justa face à quantidade de oportunidades de golo que o Sporting criou, mas não nos podemos iludir: se os problemas crónicos deste modelo de Peseiro se mantiverem, estaremos sujeitos a perder pontos em qualquer jogo.




Muito mais que três pontos - o Sporting voltou a ter uma exibição pouco cativante, mas isso é neste momento uma questão secundária, por dois motivos. O primeiro é chegámos ao fim deste primeiro ciclo de jogos com quatro bons resultados, permitindo que Peseiro tenha a tranquilidade necessária para utilizar as próximas três semanas para integrar os últimos reforços e começar a corrigir os vários problemas que estão à vista de todos. O segundo, tão ou mais importante, é que os sportinguistas poderão concentrar-se nas eleições da próxima semana sem o empecilho de um mau resultado no futebol a intrometer-se numa decisão importantíssima.

Talismã - Jovane entrou e abanou de imediato o jogo, demonstrando que a velocidade e pujança física são atributos sempre úteis quando não existem processos coletivos que arranjem os espaços para criar perigo. Pela terceira vez entrou, pela terceira vez foi decisivo - depois de sofrer um penálti e de fazer uma assistência, desta vez contribuiu com o único golo da partida. Seria impossível desejar um melhor início de época.

Raphinha mais dez - o uso desta expressão é obviamente um exagero, considerando que existem outros jogadores que são imprescindíveis, mas Raphinha não só justificou mais uma vez a titularidade como demonstrou argumentos mais que suficientes para a manter nos próximos jogos. O ponto mais alto da sua exibição foi o genial momento de inspiração no lance do golo, ao colocar a bola por entre as pernas de Alphonse a solicitar Ristovski, que faria a assistência para Jovane (a segunda em quatro jogos). Mas houve bastante mais Raphinha no resto do jogo, tendo sido o elemento que mais sobressaiu numa exibição frouxa da equipa, graças ao bom uso que faz da sua capacidade de explosão e da qualidade que tem no momento de definir.

Nani organizador - parece-me claramente desperdiçado quando joga encostado à ala. O atual mau momento por que Bruno Fernandes e a inexistência de um meio-campo com passa acaba por fazer recair em Nani a responsabilidade de organizar o ataque. As suas pausas costumam irritar as bancadas, mas não houve um único caso em que não tenha acabado por fazer o melhor para a equipa.



Meio-campo procura-se - é o maior problema que Peseiro tem para resolver. Na primeira parte foi fraco, mas nos primeiros vinte minutos da segunda foi angustiante. Quando tem a bola, a equipa joga partida em dois blocos porque nem Battaglia nem Acuña (ou Misic, ou Petrovic) demonstram capacidade para fazer a ligação entre eles quando existe qualquer tipo de oposição à saída para o ataque. A consequência é que acabam por ser os centrais a bombear o esférico para a frente, onde os extremos ou o ponta-de-lança estão entregues a si próprios contra um marcador direto que está de frente para o jogo. Como seria de esperar, são muito mais os lances que se perdem do que os que acabam por dar em alguma coisa. Espero que Gudelj e (mais tarde) Sturaro tragam a qualidade necessária para a posição.

Insistência nos cruzamentos - entendo que se use e abuse dos cruzamentos pelo ar quando Dost está em campo... mas quando os homens que estão na área são Montero/Nani ou Montero/Raphinha ou Montero/Bruno Fernandes... não me parece uma estratégia que faça qualquer sentido.

O que vê Peseiro em Jefferson? - não comprometeu defensivamente - também há que dizer que não foi muito colocado à prova -, mas teve mais uma exibição paupérrima. Não conseguiu fazer um único cruzamento em condições, o que me leva a perguntar o que raio vê Peseiro nele? A opção óbvia seria Acuña, que como lateral será certamente mais útil do que médio ou extremo -, mas se há algum constrangimento a esse nível por falta de vontade do jogador ou cegueira do treinador... que se experimente Lumor. Pior não será de certeza.



MVP - Raphinha

Nota artística - 2

Arbitragem - Rui Oliveira teve um critério largo no julgamento de faltas e, apesar dos 10 amarelos que mostrou, notou-se que procurou evitou puxar dos cartões. Cometeu alguns erros disciplinares ou de apreciação de faltas, distribuídos de forma equilibrada pelas duas equipas, mas parece-me que o jogo ganhou com a forma como conduziu a partida.



Três vitórias e um empate (que valem a liderança partilhada) é um começo de campeonato que excede as (baixas) expetativas que tinha para este arranque. É verdade que as exibições têm sido sofríveis, mas nesta altura o que interessa é ir ganhando nem que seja por meio a zero. A pausa que agora haverá traz mais responsabilidade para o treinador. A tolerância dos adeptos para a atual fraca qualidade de jogo terá tendência para diminuir caso não se vislumbrem melhorias e, sobretudo porque, jogando assim, estaremos muito mais perto de perder pontos caso a sorte do jogo não esteja connosco.

domingo, 19 de agosto de 2018

À falta de quem jogue, haja quem seja decisivo

Costuma dizer-se que quando se mantém determinada fórmula, é irrealista esperar resultados diferentes. A frase nem sempre se pode aplicar ao futebol devido às muitas variáveis que existem (nível do adversário, incidências do jogo, local da partida) mas, no caso de ontem, serviu que nem uma luva. Peseiro apostou num onze muito semelhante ao de Moreira de Cónegos e, mais uma vez, arrancou uma vitória suada apresentando uma qualidade de jogo paupérrima.

Foto: José Cruz / Jornal Sporting




À falta de quem jogue, haja quem seja decisivo - num jogo tão fraquinho, em que é difícil destacar qualquer exibição individual, a figura tem de ser, inevitavelmente, o jogador que marcou os dois golos. O primeiro num remate venenoso de fora da área, o segundo num cabeceamente fulminante a concluir uma excelente jogada coletiva que envolveu também Acuña, Bruno Fernandes e Jovane. Por falar em Jovane, mais uma vez entrou e não tardou a ser decisivo (mais uma vez). O cruzamento que fez para Nani saiu com o nível de tensão certo para ser só encostar a cabeça e apontar a direção. Mais uma vez, aproveitou muito bem a oportunidade que teve.

Pau para toda a obra - perante os equívocos na formação do onze (ver mais à frente), Mathieu e Coates têm de ser centrais e médios de construção. Em ataque organizado (ok, se calhar organizado é termo que não se aplica) chegaram à área mais vezes do que o par de médios que está estacionado à sua frente. Que se mantenham saudáveis ao longo da época, porque está visto que a sua atitude e compostura serão fundamentais para a equipa.

O ambiente em Alvalade - a assistência foi melhor do que esperava, considerando a queda das vendas de Gameboxes, e não houve episódios relevantes de divisão, o que era sempre um receio justificável sendo o primeiro jogo oficial em casa. Tirando alguns assobios de impaciência em determinados momentos pelo mau futebol praticado, foi uma noite com um excelente ambiente de apoio à equipa.




Equívocos e mais equívocos no onze - temos um miolo (seja com Petrovic, Battaglia ou Misic) que não constrói, sem capacidade de passe e sem capacidade de transportar bola perante um adversário próximo, acabando por ser os centrais a tentar compensar essa lacuna; faltam-nos extremos velozes e desequilibradores, encostando um Nani que pode render muito mais no meio e um Acuña (que está no bom caminho para se transformar no Bruno César do Sporting 2018/19) que muita falta nos faz como lateral; por falar em lateral esquerdo, Jefferson fez mais um jogo pavoroso. Nada que não se tivesse visto na jornada anterior mas, ainda assim, perante o nosso público e um adversário teoricamente inferior, Peseiro decidiu avançar com a mesma abordagem conservadora, que se aceita num jogo como o da próxima jornada, mas é incompreensível em casa contra o V. Setúbal. Mas o pior é que essa abordagem conservadora se enquadra num cenário de anarquia tática em que pouca gente parece saber aquilo que tem para fazer. Ganhámos na semana passada e ganhámos ontem porque temos melhores jogadores. Mas ou as coisas melhoram muito, ou não tardará que comecemos a perder pontos com demasiada frequência. 

O erro de Salin - esteve mal no golo do V. Setúbal, ao largar uma bola fácil que acabaria por ir parar aos pés de Zequinha, complicando um jogo que até tinha começado bem. Será importante que Viviano recupere para o jogo da Luz.

A lesão de Dost - que não seja grave e que regresse rapidamente. Montero não entrou mal (pelo menos ajudou a ligar setores), mas pode ser muito problemático se perdermos o único finalizador que temos no plantel.



MVP - Nani

Nota artística - 2

Arbitragem - Os jogadores não complicaram e Manuel Oliveira também não. Sem erros graves e sem influência no resultado. Fosse sempre assim.



Essencial: seis pontos em seis possíveis. A corrigir ASAP: zero exibições decentes em duas possíveis, contra adversários de nível inferior. Preocupação: visita à Luz na próxima semana; a jogar assim, vamos precisar de ter a mesma sorte que tivemos na época passada... caso contrário arriscamo-nos a passar uma noite muito complicada.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

De regresso a casa



O Sporting anunciou ontem a contratação de Nani para as próxima duas épocas, com mais uma de opção. O clube comunicou à CMVM que o jogador veio a custo zero, com o Valência a ficar com direito a 40% de uma futura venda. Não foi estabelecida uma cláusula de rescisão, o que demonstra que o jogador e o clube tencionam cumprir o contrato na totalidade.

Nani tem 31 anos (faz 32 em novembro) e vem de uma época pouco positiva em Itália, onde teve uma utilização escassa na Lazio. Não tem tido sorte com as lesões - no ano civil de 2017, enquanto esteve no Valência e em Itália, contraiu uma lesão no joelho e várias lesões musculares que o afastaram cerca de cinco meses dos relvados. Está longe do seu auge e veremos até que ponto conseguirá estar ao nível da excelente primeira metade da época que realizou na sua última passagem pelo Sporting.

Apesar disto e não sabendo detalhes do salário que virá auferir, parece-me, no entanto, um bom reforço para o Sporting: tem seguramente valor mais que suficiente para ser um desequilibrador no futebol português, vem preencher uma posição que necessitava de alternativas, e, sobretudo, acho importante existir no plantel uma referência da formação depois das rescisões de jogadores como Patrício, William ou Gelson.

Bem-vindo de volta a casa, Nani!

terça-feira, 12 de julho de 2016

Mas há dúvidas sobre qual é a melhor formação em Portugal?

Sporting Clube de Portugal. O único clube do mundo que formou dois jogadores vencedores da Bola de Ouro. O clube que formou 10 dos 14 jogadores que participaram na final de Paris e conquistaram para o nosso país o primeiro título internacional sénior ao nível de seleções. Não pode haver melhor atestado de grandeza para uma Escola que tem, de forma ininterrupta, oferecido ao futebol português os seus melhores valores nos últimos 30 anos. Bem podem copiar metodologias ou injetar milhões atrás de milhões em infraestruturas, mas será bem mais complicado criarem uma cultura formadora ao nível da que existe no Sporting. 

Adrien Silva
Cédric Soares
Cristiano Ronaldo
João Mário
João Moutinho
José Fonte, em cima, 3º a contar da direita (obrigado Daniel e GK1!)
Nani
Ricardo Quaresma
Rui Patrício
William Carvalho