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sexta-feira, 16 de março de 2018

De praga a inevitabilidade

Em dezembro de 2016, o Benfica perdeu com o Marítimo num jogo que ficou marcado pelas críticas encarnadas ao antijogo praticado pelos madeirenses. Na altura, vários órgãos de comunicação social pegaram no tema de forma quase indignada. Um dos jornalistas que escreveu sobre o assunto foi José Manuel Delgado:


O que se pôde retirar do artigo?

"A praga"

"Há que encará-lo [o problema de antijogo] de frente e agir em conformidade"

"isso não nos deve impedir (...) que estas [melhores práticas no controlo do antijogo] sejam aplicadas por via coerciva"

"Os árbitros não podem ser cúmplices do antijogo e quando o forem devem ser censurados e punidos"

Na altura escrevi sobre este artigo e mantenho a minha opinião: concordo com quase tudo com o que Delgado escreveu. A questão que na altura me incomodou foi: 1) o facto de a indignação generalizada se ter levantado na sequência de uma derrota do Benfica, quando, na realidade, o antijogo é um problema com barbas no futebol português; 2) o tom de indignação e de apelo a ações imediatas para resolver um problema antigo e nada fácil de resolver.

Ontem, na sequência da polémica levantada no final do Paços Ferreira - Porto por Sérgio Conceição, o programa Quinta da Bola debateu a questão do antijogo em Portugal. Apesar de estar no papel de moderador do programa, José Manuel Delgado não deixou de deixar passar a sua opinião sobre o assunto - seja através das perguntas que lançava, seja através de comentários que foi fazendo. Aqui fica um pequeno apanhado:


O que se retira daqui?

"Quem nunca pecou que atire a primeira pedra?", referindo-se às queixas de Sérgio Conceição

"Quando uma equipa tem um orçamento de 3 milhões e está a jogar contra outra que tem um orçamento de 60... o que está mal aqui é a equipa de 3 ou 4 milhões não ter os mesmos meios."

"Nos últimos anos, tem-se verificado que darem 6 minutos, 7 minutos, 5 minutos passou a ser muito mais normal, passou quase a ser recorrente, quando há 3 ou 4 anos andávamos ali nos 3 minutos, 4 minutos. Noutro campeonato qualquer isso não existe. Mas mesmo assim há um esforço dos árbitros."

"Junta-se a fome com a vontade de comer."

É particularmente delicioso ver que, em dezembro de 2016, todos estes argumentos apresentados ontem ficaram na gaveta ou não mereceram mais do que uma referência de passagem. A questão da diferença de orçamentos passou a ser uma atenuante importante, agora os árbitros estão a fazer um esforço mas em dezembro de 2016 não podiam ser cúmplices e deviam ser punidos. De uma praga que tinha de ser encarada de frente de forma urgente, passou a uma quase inevitabilidade que os árbitros têm tentado combater dentro do que as leis de jogo lhes permitem.

Quem o conheça que o compre.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

A defesa das borlas por José Manuel Delgado

Ontem, no programa Quinta da Bola, um dos temas debatidos foi a polémica à volta dos pedidos de convites de políticos e dirigentes da FPF e Liga para assistirem a jogos de futebol. Isto vem na sequência da revelação dos emails sobre a solicitação de dois convites em nome do ministro Mário Centeno para a tribuna presidencial do Benfica, bem como os inúmeros bilhetes oferecidos por Paulo Gonçalves aos mais diversos agentes de futebol e que o coroaram, muito justamente, como o rei das borlas.

Aqui fica uma pequena parte do que foi falado:



Como seria de esperar, José Manuel Delgado acha toda esta questão absurda. Considera que há pessoas que, pelos cargos que ocupam, não se devem misturar na bancada com o resto dos espectadores por questões de segurança, que é bom para o futebol que as pessoas do futebol estejam próximas do futebol, e que ao estarem a afastar do futebol pessoas que gostam de futebol estão a causar danos ao futebol.

Em primeiro lugar, há que separar duas situações que são bastante distintas. Compreendo perfeitamente que uma pessoa como o ministro Centeno, pela natureza do cargo que desempenha, assista a um jogo num espaço de acesso reservado. É uma figura pública, toma decisões que podem ter um impacto profundo, para o bem e para o mal, na vida das pessoas, pelo que num dia de azar poderia sujeitar-se a passar por situações desagradáveis se fosse para um lugar normal do estádio. Não é isso que está em causa. O que está em causa, pelo menos para mim, é o sinal que passa ao andar a pedir bilhetes para se sentar ao lado de um dos maiores devedores à banca que este país tem. Outra coisa muito diferente são "as pessoas do futebol", como os membros do conselho de disciplina, delegados ou outros dirigentes. Nestes casos, não faz sentido que se invoque questões de segurança, porque ninguém conhece a maior parte dessas pessoas.

José Manuel Delgado utiliza um outro argumento: o de que é bom que as pessoas do futebol estejam próximas do futebol. A argumentação faria todo o sentido... se muitas dessas pessoas do futebol não andassem a solicitar bilhetes para acompanhantes. Se estiverem lá em trabalho, para observar o que se passa in loco (e é discutível que tenham de o fazer), por que motivo é que precisam de ir acompanhados pelos filhos ou amigos?

Olhem para a imagem ao lado: se vão ao futebol por motivos estritamente profissionais, não bastaria terem solicitado um só bilhete? E era realmente necessário terem acesso ao lounge para catering do bom e do melhor?

Depois há a questão de, segundo José Manuel Delgado, ser danoso para o futebol estar-se a afastar pessoas que gostam de futebol. Mas quem é que os impede de irem ao jogo por meios próprios? Não podem comprar bilhete? Têm mesmo de andar a pedinchar convites, dando sinais desnecessários de promiscuidade com clubes e dirigentes, dos quais se deviam manter equidistantes? Veja-se o caso de João Leal, responsável pelos registos e transferências da FPF, cujo nome tem aparecido em inúmeros emails de pedidos de convites para jogos do Benfica: gostava de saber se costuma ir muitas vezes assistir a jogos do Belenenses, Estoril ou Sporting... é que se a questão é unicamente o amor ao futebol, se calhar seria natural que fosse presença igualmente assídua noutros estádios da região de Lisboa.

Tentar fazer crer que tudo isto é natural, é estar a gozar com a cara das pessoas - ainda mais quando se conhecem as motivações de quem oferece os bilhetes ("o interesse exclusivo do SLB", segundo Paulo Gonçalves) e quando são desenterrados diariamente casos preocupantes de promiscuidade, tráfico de influências ou corrupção.

Compreendo que Delgado se sinta quase ofendido por se colocar em causa o direito à borla. Tanto compreendo, que gostaria que de lhe fazer uma pergunta: qual foi a última vez em que teve de pagar bilhete para assistir a um jogo do Benfica na Luz?


Martelado na nota

Um dos emails mais célebres divulgados até hoje é aquele em que Vieira mandou "dar cabo da nota" do árbitro Rui Costa, na sequência do jogo Porto - Benfica em 2014. A consequência dessa ordem foi a descida da nota de 3,5 para 2,0, o que, segundo o que se escreveu nos jornais, corresponde à maior descida de sempre. 

Nos emails de Paulo Gonçalves de 2010 não se joga ao "dar cabo da nota ao árbitro", mas há um desporto parecido e igualmente popular para as bandas da Luz: o "martelar a nota ao árbitro". 

O visado em questão foi o árbitro João Capela, que apitou, em finais de setembro de 2010, o jogo Marítimo - Benfica, que terminou com a vitória dos encarnados por 1-0. A arbitragem de João Capela não terá agradado ao Benfica, e, uma semana mais tarde, Paulo Gonçalves faz o seguinte comentário a João Gabriel:


Mais um que foi martelado na nota. Se reparerem, existe um ficheiro em anexo: trata-se do relatório do observador de árbitros sobre o trabalho de João Capela na Madeira. É um documento de 6 páginas, enviado pela Liga aos clubes que participaram no jogo.


Sendo um documento que não pode ser divulgado publicamente, mandaria o bom senso que não fosse partilhado com terceiros. No entanto, poucas horas depois, o que fez Paulo Gonçalves ao documento?


Enviou-o para José Manuel Delgado. De que serve martelar uma nota a um árbitro se o mundo não souber que tal martelanço existiu? Há mensagens que não podem deixar de ser passadas de forma bem clara...

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Comunicação powered by Benfica

No final da tarde de ontem, foi disponibilizado o arquivo de emails de Luís Bernardo, diretor de comunicação do Benfica. Como seria de esperar, e juntando a outros emails encontrados nos arquivos de Pedro Guerra e Paulo Gonçalves, abriu um pouco mais o livro de como o Benfica se movimenta nos bastidores para fazer passar a sua mensagem.

Infelizmente, nada que nos surpreenda. Vou fazer um pequeno apanhado de casos que nos mostram a abrangência da ação do Benfica ao nível da comunicação - comunicação oficial, não oficial, relacionamento com jornal e jornalistas, e as diversas formas que encontram para atacar os adversários.

Seguem então sete exemplos. Podiam ser muitos mais, é possível que recupere este tema no futuro e coloque aqui outras situações, mas estes chegam para dar uma ideia de como a coisa funciona.


I. Questões para Diamantino 

No dia 7 de setembro de 2016, Carlos Janela enviou a Luís Bernardo um email com perguntas que tinha feito para entregar a Diamantino. As questões delineadas por Janela são uma delícia, ao estilo da propaganda mais descarada, e feitas para orientar as respostas no sentido que interessava.

(via @hdv1906)

A primeira pergunta que poderá surgir, ao ler isto, é: por que razão é que Janela enviou perguntas para Diamantino. A resposta é muito simples: nesse mesmo dia, 7 de setembro de 2016, a TVI realizou uma entrevista a Luís Filipe Vieira, dividida em duas partes. A primeira parte foi realizada no Jornal das 8 por José Alberto Carvalho. A segunda parte foi realizada logo a seguir, na TVI24, com entrevistadores convidados: Pedro Ribeiro, Domingos Amaral e... isso, acertaram... Diamantino.

Para Janela não bastava haver três entrevistadores naturalmente alinhados com o entrevistado - pela sua condição de benfiquistas pouco depois da conquista do Tri -, foi também necessário garantir que as perguntas certas eram colocadas. Nunca vi tal atestado de estupidez passado a alguém, o que, no caso de Diamantino, até é compreensível.

Podíamos perder tempo a comparar as perguntas que Diamantino fez com as que Janela lhe enviou, mas seria perda de tempo. Fiquemo-nos por aqui: foi isto que escrevi na altura sobre essa entrevista:

(link desse post: LINK)

Ai, ai, estas teorias da conspiração...


II. Comunicação não oficial, a outra face do "não falem nos outros" (imagens via @maldsuado)




Não há muito para dizer. O clube do presidente-estadista, nas modalidades, está disposto a pagar a pessoas para prepararem material que lhes permita condicionar os jogos seguintes, utilizando contas não oficiais nas redes sociais. Agora imaginem aquilo que estarão dispostos a fazer no futebol.


III. O boneco

Não bastam as cartilhas. Aqui pode ver-se Janela a enviar um texto para Hugo Gil publicar "como se fosse seu".


IV. Peça à medida (via @portolucido)

No dia 18 de novembro de 2008, o Diário de Notícias fez um artigo em que Paulo Gonçalves garantia que não existia no Benfica tratamento de favor às claques.


Nesse mesmo dia, Paulo Gonçalves recebeu o seguinte email do jornalista que escreveu o artigo:


Sim, o mais importante numa peça jornalística é que fique à medida das expetativas de um dos lados da questão.


V. Luís Bernardo a distribuir jogo pelos jornais

Exemplo de emails iguais enviados a jornalistas d' A Bola (Nuno Paralvas), Record (Vanda Cipriano) e CM (Pedro Sousa), para alertar de um potencial problema para Jorge Jesus após a sua expulsão no V. Setúbal - Sporting.





VI. A página Sporting Comédia de Portugal tem dono

A página de Facebook Sporting Comédia de Portugal, que se dedica exclusivamente a tentar humilhar o Sporting, é administrada por Tiago Bento Ferreira... funcionário do Benfica. 


E depois dizem que os outros é que são antis...

VII. Cumplicidades

José Manuel Delgado a dar conselhos a Paulo Gonçalves sobre a estratégia a seguir.




sábado, 26 de agosto de 2017

Há uma geração rasca no nosso futebol

Na passada quinta-feira, Nuno Saraiva revelou a existência de uma troca de mensagens entre Bruno de Carvalho e Vítor Serpa, que, segundo o diretor de comunicação do Sporting, terá estado na origem do ataque cerrado que o jornal A Bola fez ao presidente do clube.










Que não haja quaisquer dúvidas: o jornal A Bola fez um ataque cerrado a Bruno de Carvalho, usando, como pretexto, a recente suspensão do presidente leonino. Basicamente, a linha editorial do jornal iniciou uma campanha de limpeza do futebol português, apelando a penas exemplares para punir comportamentos considerados incorretos ou ofensivos - como se isso fosse um fenómeno recém-chegado ao futebol português.

Recapitulando: o jornal deu, com naturalidade, destaque de capa à suspensão de Bruno de Carvalho e Carlos Pinho no dia seguinte à suspensão:


Até aqui, tudo normal. Mas, no dia seguinte, o jornal voltou à carga, com um destaque desmesurado e embrulhado no tom mais sensacionalista possível. TODA A VERDADE.


Nesse mesmo dia, José Manuel Delgado dedicou o seu editorial a este caso, pedindo, de forma genérica, penas duras a quem caia neste tipo de comportamentos.

Delgado termina dizendo que a justiça não pode olhar a cores... Hipocrisia máxima de alguém que nunca se revolta quando os comportamentos incorretos partem de representantes de uma determinada cor. Ainda estou à espera pela sua condenação à promiscuidade existente entre dirigentes do Benfica e árbitros e delegados da Liga, por exemplo.

Mas no dia seguinte, Vítor Serpa conseguiu subir a fasquia: dedicou meia página do seu espaço de opinião de sábado à geração rasca do futebol português. O visado, como todos sabemos, era uma pessoa em particular. A fotografia escolhida não deixa margem para dúvidas.


Reparem que em ambos os espaços de opinião, os jornalistas não referem a existência de qualquer atenuante ao comportamento de Bruno de Carvalho. O presidente do Sporting estava em sua casa e foi provocado de forma totalmente inesperada e agressiva por Carlos Pinho, e, aparentemente, estava obrigado a dar a outra face enquanto o presidente do Arouca dizia e fazia o que queria.

Destaco também aquilo que Serpa escreveu na coluna mais à direita: "Haverá certamente quem defenda que a linguagem do desporto de competição (...) é uma linguagem crua, desprovida de preocupações éticas e sociais. Mas não é a mesma coisa a linguagem de cabina (...) e a linguagem em zona pública (...)". Fiquem com isto guardado na memória, porque será útil daqui a pouco.

Curiosamente, não foi preciso esperar muito para assistir a uma situação de comportamento incorreto por parte de uma figura do futebol português: Jorge Sousa, no passado domingo, abusou da sua posição para se dirigir de forma inapropriada e intimidatória a um jogador do Sporting B.

Considerando que o jornal A Bola se posicionara, apenas dois dias antes, na vanguarda da luta contra este tipo de ações - socialmente perigosas, para usar as palavras de Serpa -, seria de esperar que aproveitassem o caso de Jorge Sousa para enfatizar a sua posição sobre o assunto. Mas, olhando para as edições do jornal A Bola desta semana, Vítor Serpa, que tão enfático foi ao criticar Bruno de Carvalho no dia anterior ao momento infeliz de Jorge Sousa, conseguiu ignorar olimpicamente as palavras do árbitro nos dois editoriais que assinou esta semana.

Justiça seja feita a José Manuel Delgado, que abordou o tema no seu editorial de quarta-feita. Obviamente que, por uma questão de coerência, esperar-se-ia que o subdiretor do jornal A Bola desse continuidade à política de 'Dura lex sed lex' que defendeu para Bruno de Carvalho, e defendesse também uma pena exemplar para Jorge Sousa. No entanto, aquilo que escreveu foi isto:


Atenuantes, neste caso, parecem existir aos molhos, começando pela inovadora teoria de que Jorge Sousa também foi vítima por ter tido o azar de haver um microfone que apanhou as suas palavras em direto. Isto é magnífico: se seguirmos esta linha de raciocínio, qualquer criminoso pode alegar ser vítima se for tramado por qualquer prova obtida através de um meio inesperado, como uma filmagem de telemóvel de um traseunte ou uma câmara de controlo de trânsito. Tivesse cometido o crime noutro local e não se teria tramado, pelo que, para José Manuel Delgado, seria tanto vítima como vilão.

De notar também que, no caso de Jorge Sousa, a cultura existente no futebol é uma atenuante. Serpa, referindo-se a Bruno de Carvalho, condena a "linguagem crua" por ter sido proferida num local público. Delgado não quer saber se o "Põe-te na p**a da baliza, pá" foi dito no recato da cabine ou num local público. Neste caso, a linguagem usada já é uma coisa que deve ser encarada com naturalidade. A culpa é do microfone da Sport TV.

De relembrar que todas as opiniões colocadas atrás foram escritas pelos diretores do mesmo jornal no espaço de menos de uma semana.

Tenho que concordar com Serpa numa coisa: há uma geração rasca no nosso futebol, mas não é a de Bruno de Carvalho, que chegou, figurativamente falando, há um par de dias a esta indústria. Há uma outra geração - que já anda nisto há várias décadas - que foi, essa sim, a principal responsável pelo lodaçal em que se transformou o futebol português. A geração que criou os quinhentinhos e o café com leite, a geração que ordenou os padres e adotou meninos queridos, a geração que arrasou a credibilidade do jornalismo desportivo, reduzindo-o a pouco mais que folhetins de propaganda oficiosa de certos clubes, a geração que se recusa a investigar o que tem de ser investigado, a geração que tudo faz para manter o status quo, mesmo que esteja esse status quo esteja assente num conjunto de perversidades que deveriam fazer corar de vergonha qualquer pessoa com a espinha no lugar.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Rescaldo das eleições, série #Bardamerda. Nº 4: José Manuel Delgado e Vìtor Serpa

Uma das mais gratificantes conclusões que podemos retirar do resultado das eleições do Sporting tem a ver com a (falta de) capacidade evidenciada por certos atores, externos ao clube, em influenciar o desfecho das votações. Não foi por falta de tentativa, no entanto. Foram vários os jornais e televisões que fizeram tudo o que estava ao seu alcance para influenciar o voto dos sportinguistas em favor da lista de Madeira Rodrigues - ou, para ser mais rigoroso, numa lista que não fosse a de Bruno de Carvalho -, fosse através de notícias cirurgicamente inexatas, de comentários tendenciosos, ou pelo anormal tempo de antena colocado à disposição de qualquer notável predisposto a criticar o presidente do Sporting.

Um desses órgãos de comunicação social foi A Bola, em particular através dos espaços de opinião dos seus principais responsáveis: Vítor Serpa e José Manuel Delgado, quais marretas sentados no alto do seu camarote - não sei se a analogia aos marretas é mais adequada pelo facto de criticarem sistematicamente Bruno de Carvalho, ou se pelo facto de serem bonecos que abrem e fecham a boca ao ritmo da mão escondida que os comanda. Deles, quando o assunto é o presidente do Sporting, só se esperam opiniões pouco abonatórias. Se Bruno Carvalho decide virar à esquerda, Delgado diz que devia ter virado à direita. Se Bruno de Carvalho decide seguir em frente, Serpa diz que devia ter virado à esquerda. E se Bruno Carvalho opta por virar à direita, Fernando Guerra diz, sarcasticamente, que apenas virou à direita porque o Deus Luís Filipe Vieira já o fizera antes.

Um bom exemplo foi a reação ao debate destes veteranos jornalistas. Onde os sportinguistas viram um Pedro Madeira Rodrigues recorrendo frequentemente a ataques pessoais e raramente puxando de ideias alternativas para o futuro do Sporting, Delgado viu um candidato com um projeto. Onde os sportinguistas viram um Bruno de Carvalho em modo de contenção, por saber que tinha mais a perder do que a ganhar em ter uma postura agressiva para com o seu opositor, Delgado viu um candidato desconfortável. Onde os sportinguistas viram um programa de Madeira Rodrigues vazio e inviável, Delgado não conseguiu encontrar ponta de populismo. Para Delgado, Madeira Rodrigues "marcou muitos pontos" no debate. Nem imagino como teria sido o resultado das eleições se não tivesse marcado...

Apesar deste belo esforço de Delgado, Vítor Serpa sentiu-se na necessidade de, um par de dias mais tarde, reforçar as ideias do seu adjunto. Classificou os argumentos de Madeira Rodrigues como "trunfos sólidos e coerentes", considerou correta a atitude de prometer o despedimento de Jorge Jesus, proclamou-o como vencedor do debate e viu nisso um sinal de inegável crescimento enquanto candidato. E concluiu a sua análise sentenciando, de forma bastante arrojada, que Bruno de Carvalho, vencendo as eleições, passará a estar "muito mais vulnerável e muito mais frágil". Perante tal certeza de Vítor Serpa, será que valerá a pena que Bruno de Carvalho compareça na tomada de posse para o segundo mandato?



Passou-se uma semana, e os resultados das eleições foram os que sabemos - algo que estas duas personagens não imaginavam. A vitória de Bruno de Carvalho foi esmagadora, reduzindo a pó a argumentação do diretor do jornal A Bola. Depois de uma afluência recorde às urnas que proporcionou um resultado tão claro, só um completo alienado pode dizer que Bruno de Carvalho inicia o seu mandato numa posição de maior fragilidade. Maior responsabilidade, sim, mas falar em fragilidade, hoje, perante o que sucedeu, é absurdo.

A reação pós-eleitoral destes dois cavalheiros foi bastante mais discreta. Serpa não conseguiu dedicar ao assunto nem um cantinho da sua página de sábado. Na Quinta da Bola da semana passada, silêncio total. Apenas Delgado acabou por se debruçar sobre o desfecho das votações no seu espaço semanal - com uma azia indisfarçável. O resultado é um autêntico tratado de como distorcer a realidade:


Definitivamente, Delgado não aproveitou os resultados eleitorais para fazer uma auto-análise ao seu nível de conhecimento da vontade dos sportinguistas.

Trouxe estes exemplos para concluir o seguinte: Madeira Rodrigues não foi o único vencido das eleições do Sporting. Delgado e Serpa são excelentes representantes de uma certa fação da comunicação social desportiva que, tendo-se empenhado visivelmente na campanha anti-Bruno de Carvalho, acabou derrotada de forma ainda mais estrondosa do que o candidato da lista A.

Em primeiro lugar, porque ficou demonstrado que esta gente não tem a mínima capacidade (ou vontade) para entender a forma como os sportinguistas sentem e entendem a atualidade do clube.

Em segundo lugar, porque ficou demonstrado que os sócios do Sporting não ligam patavina ao que esta malta diz. Ao fim de anos e anos a servirem descaradamente de marionetas da propaganda benfiquista (ou portista, no caso de outros órgãos de comunicação social), destruiram por completo a sua credibilidade. Como consequência lógica dessa falta de credibilidade, os seus esforços para influenciar o resultado das eleições foram totalmente inócuos.

E isto, meus amigos, é para mim uma constatação quase tão saborosa como a enorme prova de vitalidade que o clube deu no dia 4 de março.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O candidato dos inimigos do Sporting

Já deu para perceber em quem votariam os inimigos do Sporting caso fossem sócios com quotas em dia. Basta uma passagem rápida diária pelas redes sociais ou pela imprensa desportiva para perceber ao que cada anda uma das principais forças do futebol português. No caso da comunicação social, é perfeitamente claro que existem determinadas publicações que estão empenhadas em dar a Madeira Rodrigues todo o impulso eleitoral que estiver dentro das suas possibilidades. Não que seja apreço pelo candidato em si, mas pela vontade imensa que sempre demonstraram em ver Bruno de Carvalho sair da presidência do Sporting.

O Jogo, publicação que procura rebaixar o Sporting, os seus jogadores e dirigentes numa base diária - nem que para isso tenham que inventar descaradamente (LINK) ou contar apenas uma parte da história, deixando de fora aquilo que não lhes convém (LINK) -, tem funcionado como uma espécie de publicação oficiosa da campanha de Madeira Rodrigues, dando espaço de opinião regular aos maiores detratores de Bruno de Carvalho, como Rui Barreiro. Recentemente também obtiveram a colaboração de João Benedito, mas o investimento acabou por não surtir grande efeito porque o ex-jogador do Sporting não se candidatou à presidência nem atacou Bruno de Carvalho como os responsáveis pelo jornal estariam a prever.

Particularmente empenhada em dar um empurrão forte a Madeira Rodrigues está também A Bola, um jornal que, ao longo da última década, tem tido como missão principal a exaltação do vieirismo. Os diretores do jornal A Bola acordam e deitam-se a pensar qual será a melhor forma de promover os interesses de Vieira, do Benfica, de Mendes, de Mendes, do Benfica e de Vieira. Tudo o resto é acessório.

Não há sportinguista atento que não repudie a falta de isenção destes dois jornais. Cada um defende o seu clube, ambos atacam o Sporting sempre que têm oportunidade para isso. E os responsáveis de ambos os jornais têm sido ferozes opositores de Bruno de Carvalho, revelando, gradualmente, uma fúria superior à medida que o clube ia recuperando a competitividade das suas equipas.

Não espanta, portanto, que ambos os jornais tenham tido uma visão completamente madeirista de como o debate de ontem decorreu:


Mas verdadeiramente surreal é a opinião de José Manuel Delgado, diretor-adjunto de A Bola, no seu editorial de hoje.


É impressionante como é que um jornalista, supostamente experiente, e que deveria querer que o levassem a sério, é capaz de dizer, no mesmo artigo, que Madeira Rodrigues "foi claríssimo em relação ao futuro de Jorge Jesus" e que tem "um projeto sem tentações populistas e dogmáticas".

Ora, um candidato que diz que despedirá Jorge Jesus sem lhe pagar um tostão, um candidato que diz que vai fazer obras no estádio - desejadas por todos os sportinguistas - com um orçamento totalmente irrealista, que diz que vai ter um centro de estágios no norte e um Yacht Club à custa de autarquias, que diz que vai pôr o clube a ganhar em tudo - quer ao nível do futebol, quer ao nível das modalidades - sem apresentar uma ideia nova que seja, que promete que não se recandidatará caso não seja campeão, que se vende permanentemente como anti-benfiquista mas que usa e a abusa dos chavões mais lampiões que existem, não está a seguir um caminho demagógico e populista?

Por outro lado, Delgado diz que Bruno de Carvalho é que foi o populista há quatro anos por basear "o discurso em promessas de um mundo melhor". Não devia aplicar o mesmo critério a Madeira Rodrigues?

Enfim, já todos perceberam que muita comunicação social está a dar o tudo por tudo para tirar Bruno de Carvalho da presidência do Sporting. Não é propriamente o papel que deviam desempenhar, mas não espanta face à ausência de credibilidade que já tinham. Madeira Rodrigues parece estar a apreciar todo este apoio, mas devia lembrar-se que ao deixar-se ir nestas alianças - por pontuais que sejam - pode acabar por ser visto como o candidato dos inimigos do Sporting. Aliás, na linha do apoio massivo dos benfiquistas e portistas que também recolhe. São opções que poderão ter consequências indesejadas junto dos sportinguistas mais atentos - não só na campanha, mas também se, eventualmente, conseguir ser eleito presidente.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Tratar da vidinha

Vale a pena ler o texto escrito por Tiago Cabral no blogue És A Nossa Fé, sobre a entrevista de Vieira ao jornal A Bola: LINK.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Olha, mais um que acordou para a praga do antijogo


Estou de acordo com quase tudo o que Delgado escreve neste artigo de opinião, mas, obviamente, não engana ninguém sobre o que realmente o incomoda. Já teve inúmeras oportunidades num passado recente para fazer as suas sugestões, mas foi preciso uma derrota do Benfica para o fazer tomar uma posição sobre o assunto.

Já se está mesmo a ver que se, um dia, o Benfica perder pontos devido a um penálti mal assinalado ou a um golo legal indevidamente anulado, não tardará para que José Manuel Delgado venha a público defender o vídeo-árbitro e as novas tecnologias.

Quem não os conhecer, que os compre.

P.S.: Em relação às sugestões, concordo inteiramente que os jogos deveriam passar a ser cronometrados em função do tempo útil, e não de 90 minutos fixos, e que os médicos deveriam poder entrar em campo para assistir jogadores com a partida em andamento, tal como se faz no râguebi. Concordo que o ónus de parar a partida não deve ser colocada nos jogadores, mas, na realidade, os árbitros também não têm condições para saber se um jogador necessita ou não de assistência médica - em caso de dúvida, terão sempre que parar o jogo e mandar entrar a equipa médica.

P.S.2: Foi isto que José Manuel Delgado, autor da crónica do Sporting 0 - Benfica 1, escreveu sobre o abusivo antijogo benfiquista nos últimos minutos da partida.


terça-feira, 5 de julho de 2016

O que preocupa Delgado a 60 horas da meia-final com Gales?

Segunda-feira de manhã. Estamos a menos de 60 horas do mais importante jogo da seleção portuguesa dos últimos 4 anos. Está em causa o apuramento para a final do Europeu, feito que apenas foi alcançado por uma vez na história do nosso futebol. Os jornalistas aglomeram-se na sala de imprensa para ouvir o jogador escalado pela FPF para prestar declarações. Existem vários temas interessantes que podem ser abordados, mas as regras impostas pela Federação limitam, a cada jornalista, uma única pergunta. Convém, por isso, que se tente fazer render ao máximo a oportunidade. A certa altura da conferência de imprensa, chega a vez do subdiretor do mais antigo jornal desportivo português em atividade: José Manuel Delgado. Que questão será colocada pelo veterano jornalista? Irá abordar os ajustes táticos que Fernando Santos está a preparar? Quererá saber qual o estado de espírito do grupo de trabalho? Ou aproveitará para conhecer, na primeira pessoa, qual a condição física do jogador? Nada disto, na realidade. A pergunta que José Manuel Delgado colocou foi esta:

(retirado do blogue Com quem joga o Sporting)

O Renato teve no Benfica a oportunidade que você gostaria de ter tido no Benfica?

Carvão para cima de Jorge Jesus, eis aquilo que estava na cabeça de José Manuel Delgado. Com um líder destes, não admira que A Bola - que já foi um dia uma referência do jornalismo português - seja hoje um jornal falido, tanto financeiramente como deontologicamente. 

Tenho a certeza que se fosse um mero adepto a fazer esta mesma questão, não faltariam jornalistas a etiquetá-lo de doente, criticando-o por clubite exagerada. E se calhar teriam razão, tal o grau de desadequação da pergunta face ao contexto em que foi feita. Mas tendo sido um jornalista a fazê-la, as opções alargam-se um pouco mais: ou a fez por gosto - como qualquer adepto teria ao tentar dar uma alfinetada num clube rival - ou a fez por obrigação. Ou, na realidade, até a pode feito pelas duas razões em simultâneo - quem diz que não se pode encontrar prazer no trabalho que nos calha? Por relevância é que não foi de certeza, tão explorado que já foi este tema no passado recente, e porque a ocasião atual deveria abster os jornalistas de atiçar as desavenças entre clubes. Só José Manuel Delgado saberá os motivos que o levaram a fazer o que fez, mas quer tenha sido por gosto ou por obrigação, não devia poder exercer o cargo que tem.

terça-feira, 31 de maio de 2016

O Sporting e o mercado: um beco sem saída

É interessante fazer uma análise comparativa aos artigos de opinião que José Manuel Delgado e Vítor Serpa escreveram, na sexta-feira e sábado passados, sobre as decisões que Benfica e Sporting têm que tomar este defeso em relação à venda ou manutenção dos seus jogadores com mais mercado.

É um facto que os clubes portugueses têm de vender para equilibrar as suas contas. Também é um facto que o futebol português não é a meta final de carreira a que aspiram os jogadores mais talentosos. Como tal, é normal que tanto os melhores jogadores do Sporting como os do Benfica tenham a ambição de progredirem para as ligas mais competitivas da Europa.

Neste momento, no que a decisões de mercado diz respeito, existe apenas uma diferença relevante entre Sporting e Benfica: teoricamente, o Benfica já fez as vendas necessárias para equilibrar as contas (Renato Sanches e Gaitán serão suficientes, considerando as receitas da Champions obtidas esta época), enquanto o Sporting ainda terá que vender pelo menos um jogador de primeira linha (Slimani? João Mário?). Em tudo o resto, as circunstâncias são iguais. 

No entanto, não será com essa ideia que um leitor do jornal A Bola ficará, após uma leitura atenta dos textos de Serpa e Delgado. Primeiro, na sexta-feira passada, Delgado, referindo-se ao Benfica, colocou o foco no equilíbrio que deve existir entre as consequências desportivas e financeiras que mais ou menos saídas de jogadores implicam.


----- INTERLÚDIO ----- 

É preciso algum esforço para uma pessoa se conseguir alhear deste exercício de bajulação vieirista com que Delgado presenteou os seus leitores. Só com muito boa vontade se pode usar o exemplo de Guedes como um caso de sucesso, quando, na realidade, foi utilizado apenas 38 minutos em TODA a 2ª volta do campeonato. O mesmo, até certo ponto, aplica-se a Nélson Semedo, que nunca se conseguiu impor após a lesão, apesar de a concorrência no plantel não ser propriamente forte. 

O argumento utilizado por Delgado em como o sucesso de Guedes e Semedo se comprova pelas suas internacionalizações A, apenas serve para expor o ridículo de algumas convocatórias e a via aberta que os jogadores de Mendes têm para chegar à seleção.

----- FIM DO INTERLÚDIO -----


Ou seja, parece-me que, no essencial - e floreados vieiristas à parte -, Delgado tem razão sobre a necessidade que o Benfica tem de vender e sobre a importância de existir um equilíbrio nas cedências que os clubes (genericamente falando) fazem ao mercado durante as janelas de transferências.

A questão é que, 24 horas depois, Vítor Serpa decidiu escrever sobre a mesma temática, mas aplicada a outro clube: o Sporting. E, não surpreendentemente, o tom do texto é bastante mais negro:


A forma como Serpa apresenta os vários cenários é coisa para deixar qualquer sportinguista à beira da depressão. Se o Sporting não vender, isso representa "um elevado esforço financeiro, com consequências perigosas para o futuro". Se o Sporting vender um par de jogadores de referência, então o risco financeiro desaparece, mas em contrapartida abre-se a Caixa de Pandora: os jogadores que permaneçam de leão ao peito mais uma época poderão ficar (usando expressões do próprio Serpa) perturbados, frustrados, injustiçados e, até, quem sabe, enraivecidos. Impávidos e serenos? Nem pensar!

Quem leia Vítor Serpa até deve ficar a pensar que este beco sem saída de mercado é um exclusivo do novo Sporting. Mas não é. E não é uma equação tão difícil de resolver quanto o diretor do jornal A Bola quer fazer crer. A carreira de um jogador não termina aos 23 ou 24 anos. É, sobretudo, uma questão de recompensar devidamente os melhores jogadores (aumentando-lhes o salário), integrando-os numa equipa competitiva e proporcionando a montra da Champions para se mostrarem. Benfica e Porto têm trabalhado assim de forma consistente (quantos anos foi Vieira aguentando Gaitán e Luisão no clube?), e no Sporting, felizmente, começa a haver condições para fazer o mesmo - basta olhar para a quantidade de renovações que têm sido feitas e para a qualidade que se tem visto dentro das quatro linhas.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Bem-vindos à Liga NOS

Uma liga em que existe uma equipa que continua a agredir adversários de forma impune...


... em que determinados jornalistas trabalham incansavelmente para construir mitos, enaltecendo exibições que estão longe de ter o brilhantismo anunciado...


... e omitindo o erro mais flagrante na apreciação da arbitragem.

Onde está a agressão de Renato?

Bem-vindos a Portugal e à Liga NOS.



ATENÇÃO: Imagens chocantes!󾭈󾭈󾭈Fizemos o update que inclui o lance de ontem.O Rui Vitória chama-lhe "equipa que disciplinarmente anda perto do exemplar"...
Publicado por Núcleo Sportinguista da Argélia em Domingo, 6 de Março de 2016


(via @nunovalinhas e Núcleo Sportinguista da Argélia)

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Capas que não fizeram história, nº 54: Igualdade de tratamento, segundo Vítor Serpa

No programa Quinta da Bola de ontem, o debate centrou-se exclusivamente nas polémicas da semana relacionadas com o Sporting: o desvio de Sá e Marega pelo Porto, e os três temas que foram destaque na capa do jornal do dia A Bola, que deixaram os sportinguistas verdes de raiva:


Dias Ferreira, um dos convidados, não perdeu tempo e começou de imediato a denunciar a forma parcial como a imprensa tenta alimentar as polémicas relacionadas com o Sporting. Perante as objeções de Vítor Serpa e José Manuel Delgado, Dias Ferreira foi particulamente certeiro ao apontar a ansiedade revelada por certos órgãos de comunicação social - nos quais incluiu o próprio jornal A Bola - em transformar o desvio de Sá e Marega numa tremenda derrota do Sporting.


Vale a pena ver o pequeno vídeo que se segue. Não só pela excelente intervenção de Dias Ferreira, mas também pela argumentação que Vítor Serpa usou para se defender a si e ao seu jornal:


Vítor Serpa perguntou: "Quando o Porto roubou aqueles jogadores todos ao Benfica, viu algum comportamento diferente do jornal em relação a isso? Não disse a mesma coisa que disse agora quando o Falcao vinha para o Benfica e o Porto o desviou?".

A resposta é simples: não. O jornal A Bola pode ter dado o mesmo destaque de capa quando o Porto desviou Falcao do Benfica, mas definitivamente não teve o mesmo comportamento, nem disse a mesma coisa.

É que em vez do eufórico "E VÃO QUATRO!... - Depois de Danilo e Suk, FC Porto 'rouba' Marega e José Sá ao Sporting", o que A Bola publicou foi isto:


"GANÂNCIA DE FALCAO ABRE A PORTA AO FC PORTO - Benfica recusou exigências de última hora". Aqui não houve roubos nem desvios, não houve um clube derrotado nem um clube vencedor. Houve apenas um jogador ganancioso que fez exigências de última hora, recusadas pelo Benfica. Só faltou dizer que o Benfica é que autorizou Falcao ir para o Porto.

Disse Vítor Serpa a Dias Ferreira: "Ainda bem que não é jornalista", acusando o dirigente sportinguista de ter memória seletiva. É preciso ter descaramento...

(obrigado, Tiago!)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Dia de tributo ao jornal A Bola, capítulo II: Bruno, o provocador

Capítulo II - Bruno, o provocador 
26 de outubro de 2015

Há coisas que não se fazem a um homem. Obrigarem José Manuel Delgado a escrever a crónica de um jogo em que o seu clube perde em casa por 3-0 com o Sporting, e ainda a ter que encher uma página de opinião na edição que vai para as rotativas nessa mesma noite, é algo que provavelmente viola a maior parte dos artigos da Carta dos Direitos Humanos.

O resultado ficou à vista de todos. Não havendo tempo para processar a intensa azia que lhe invadiu o âmago horas antes, José Manuel Delgado teve que a canalizar de alguma forma para o homem que, 24 horas antes, julgaria poder humilhar neste seu espaço.


Pois. Três meses decorridos e um Sporting - Porto disputado, e ninguém viu Bruno a virar-se contra o Porto. Ninguém viu Bruno a assentar, em crescendo, baterias no FC Porto. O clássico de 2 de janeiro correu dentro da normalidade, não houve trocas de bocas ou acusações entre os dois clubes antes e depois da partida, e o tratamento institucional foi - felizmente - correto e adequado ao relacionamento atual que (não) existe entre os dois clubes.

A explicação é simples: Bruno não se virou para o Porto porque, nos últimos tempos, o Porto não atacou nem desrespeitou o Sporting. Bruno continua virado para o Benfica porque, diariamente, Gabriel e os seus mínimos lhe dão motivos para isso.

Sobrou de tudo isto, portanto, um clássico sem incidentes e um artigo de opinião ridículo.

Para terminar este capítulo, queria deixar uma pergunta no ar em relação a algo que, enquanto sportinguista, me incomoda um pouco: as referências ao presidente do meu clube por Bruno. Isto não é um exclusivo de Delgado, atenção. Hoje, num dos capítulos que sairão hoje, ainda vão encontrar um caso pior. Mas já que Delgado é o centro deste texto, aqui fica a pergunta: quantas vezes Delgado se referiu ao presidente do Benfica por Jorge, Manuel, João ou Luís Filipe, ou ao presidente do Porto por Jorge Nuno? Quer dizer, tendo sido tantos os encontros, conversas e entrevistas que o Zé Manel já teve com Luís Filipe, suponho que quando os dois falam em privado Zé Manel já possa tratar Luís Filipe por Luís Filipe. Portanto, reformulo a pergunta: nos textos que escreveu na sua carreira de jornalista: quantas vezes Delgado se referiu ao presidente do Benfica por Jorge, António, João, Manuel ou Luís Filipe, ou ao presidente do Porto por Jorge Nuno? Só por curiosidade...

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O copo 75% vazio de José Manuel Delgado

Vamos assumir por um momento que José Manuel Delgado escreveu o editorial de ontem sem segundas intenções. Vamos partir do princípio que a inspiração para este texto não partiu da imensa azia que lhe toma conta do organismo desde as 17h09 do último domingo. Vamos imaginar que o objetivo não é tentar conter os efeitos da injeção de motivação que o grande vencedor da jornada recebeu, ao mesmo tempo que procura amenizar os efeitos psicológicos negativos a quem está neste momento em pior situação.

Concordo totalmente que uma vitória na Luz para o campeonato - por muito categórica que seja - não é motivo para euforias. O Sporting vem de uma sequência muito positiva de quatro jogos em que venceu por números esclarecedores, mas há que considerar que foram disputados contra adversários de graus de dificuldade muito díspares. E também é verdade que a época ainda é curta e o Sporting nem sempre tem sido convincente nas exibições.

Mas daí a querer resumir o bom da época do Sporting às vitórias frente ao Benfica é de uma tremenda desonestidade intelectual, ainda mais se nos dermos ao trabalho de fazer uma análise idêntica à época que Benfica e Porto realizaram até agora.

Diz Delgado que o Benfica tem sido a alavanca do sucesso do Sporting, em virtude das duas vitórias alcançadas nos dérbis. Segundo o subdiretor do jornal A Bola, retirando-se da equação as vitórias ao Benfica sobram quatro pontos mal perdidos com Paços e Boavista, uma vitória positiva (vá lá...) em Vila do Conde, a eliminação da Liga dos Campeões, a derrota caseira com o Lokomotiv e o empate com o Besiktas. Realmente, visto assim, parece uma miséria franciscana, mas gostaria de saber quantas equipas irão ganhar à Luz e a Vila do Conde, e também gostaria de saber se os nossos rivais aguentariam incólumes a vergonhosa sequência de arbitragens que internamente nos prejudicaram nas primeiras cinco jornadas e externamente nos custaram o apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Parece-me também que o empate que obtivemos fora frente ao líder do campeonato turco, recorrendo a diversas segundas linhas, não é propriamente um resultado que envergonhe ninguém. E convém não esquecer que ambas as vitórias frente ao Benfica foram categóricas, uma das quais até valeu um título.

E os nossos rivais? O Porto tem para mostrar uma vitória contra o sempre poderoso Chelsea - mas que atravessa uma fase muito complicada com a 15º posição na Premier League, onde conta com 5 derrotas em 10 jornadas, e uma eliminação recente da Taça da Liga - e outro triunfo sobre o Benfica (em casa). No entanto, já desperdiçaram 6 pontos contra Braga (em casa), Marítimo e Moreirense, e as exibições para consumo interno não têm sido propriamente agradáveis. Nem sequer se pode dizer que o calendário do Porto no campeonato tenha sido até agora mais exigente que o do Sporting. Os dois grandes desafios do Porto até hoje foram disputados no Dragão e saldaram-se numa vitória pela margem mínima sobre o Benfica - alcançada a poucos minutos do fim - e num empate a zeros com o Braga.

E o Benfica o que tem para mostrar? A vitória em Madrid, e pouco mais. Em oposição, foi derrotado duas vezes pelo Sporting e uma vez pelo Porto, perdeu com o Arouca em campo neutro, venceu de forma pouco convincente o Astana e perdeu na Turquia com o Galatasaray, que está a 4 pontos do líder Besiktas. Ou seja, em 5 jogos de dificuldade elevada (Sporting x2, Porto, Atlético e Galatasaray), venceu 1 e perdeu 4.

José Manuel Delgado começou o seu editorial escrevendo que, tirando ao Sporting os dois jogos com o Benfica, os resultados não são deslumbrantes. Verdade. Os sportinguistas não têm motivos para estar eufóricos. Concordo plenamente. Mas, para já, existem razões para os sportinguistas se sentirem confiantes e motivados perante a evolução que a equipa tem registado. Talvez tantas ou mais que os portistas - que começam a ficar resignados perante a estagnação da qualidade de jogo que Lopetegui apresenta, apesar das muitas soluções que tem no plantel -, e seguramente mais que os benfiquistas, por todos os motivos que se conhecem. Tudo poderá mudar repentinamente, mas a situação atual é favorável ao Sporting, por muito que Delgado tente destacar os episódios negativos que ocorreram ao clube ao longo destes três meses de competição.

Que raio!, se o Sporting está a fazer o melhor arranque de campeonato dos últimos 25 anos, talvez fosse de admitir que alguma coisa estará a ser bem feita para além das vitórias ao Benfica.


Os jornalistas e comentadores mais tendenciosos têm o hábito de fazer análises de copo meio cheio e copo meio vazio em função dos seus interesses pessoais. Delgado conseguiu ir ainda mais além e presenteou-nos com uma análise de tal forma toldada pela frustração com os resultados recentes, que nem sequer deu ao Sporting o direito ao seu copo meio vazio. Três quartos de copo vazio, quanto muito...

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Notas soltas sobre o Benfica - Sporting


  • Para mim ficou bem demonstrada a importância de colocar a Liga Europa num patamar inferior ao das competições nacionais. Não quero dizer com isto que seria impossível o Sporting ganhar na Luz se tivesse utilizado o melhor onze contra o Skenderbeu, mas tenho dúvidas que conseguisse controlar o jogo durante toda a segunda parte da forma categórica que todos tiveram a oportunidade de ver. Jesus só se viu obrigado a fazer duas substituições: uma aos 78' (Adrien estava compreensivelmente cansado e já com um amarelo) e outra aos 85' (para a ovação do também amarelado Slimani, e para fazer o statement da aposta da formação com Gelson). Por outro lado, Ruiz e Teo, dois suspeitos do costume para saírem antecipadamente de campo por cansaço, aguentaram-se (e bem) durante os 90 minutos. A meu ver, a vitória de ontem começou a ser construída com a excelente gestão de plantel realizada na Taça de Portugal e Liga Europa.
  • A saída de Carrillo do lote dos jogadores disponíveis causou um óbvio problema, mas está visto que Jorge Jesus não perdeu o jeito de fazer aparecer os Manéis. Não só já começou a produção de dois grandes extremos para o futuro - Gelson e Matheus -, mas o principal destaque terá que ser dado à tal semi-adaptação de João Mário. Até agora está a ser um sucesso, e não só permite a Jesus apresentar uma equipa defensivamente mais sólida como também não tem comprometido do ponto de vista de volume de jogo ofensivo. Há menos João Mário do que Carrillo nas alas, do outro lado Ruiz também foge muito da linha, mas há mais espaço para os laterais aparecerem. Será uma estratégia para continuar a seguir contra equipas teoricamente mais fracas e que se fecharão no último terço de terreno? Diria que não, que com o Estoril regressará um extremo puro (até pela ausência de Adrien por castigo). Mas é muito positivo constatar que Jesus consegui montar dois planos A's, dando-lhe uma flexibilidade importante na escolha de soluções táticas em função das características do adversário.
  • Esteve bem Jorge Jesus a fazer referências simpáticas em relação aos adeptos do Benfica, apesar da receção hostil que teve. Jesus já tem demasiados anos disto para perceber que se trata de uma reação normal de quem vê um dos seus a passar para o outro lado da barricada, e fica sempre bem tratar com respeito os adeptos que o apoiaram durante a maior parte do seu percurso no clube da Luz. A campanha feita contra Jesus pelos dirigentes e máquina de comunicação encarnada é que é o verdadeiro "crime" em toda esta novela. Vieira não queria que Jesus continuasse no Benfica, mas queria controlar-lhe o destino. Este é o ponto fulcral, e tudo o resto - SMS, software, processo de 14 milhões - é folclore. Vieira não foi homem para assumir a sua escolha e preferiu armar-se em vítima. E passados 4 meses ainda não explicou devidamente o que o levou a tomar a decisão de trocar de treinador. 
  • Sem surpresa, ninguém ouviu uma palavra de Vieira após a derrota de ontem. A novidade é que desta vez nem Rui Costa falhou.
  • Não falando Vieira, podemos continuar a contar com os recados mandados via os avençados do costume. José Manuel Delgado não perdeu tempo, com este artigo de opinião inenarrável:

  • Ao contrário do que pessoas como José Manuel Delgado tentam fazer crer, Bruno de Carvalho não ataca clubes pelo puro prazer do conflito e provocação. Não se vai virar para o Porto, porque o Porto não lhe tem dado motivos para isso, coisa que não se pode dizer do Benfica. E Delgado esquece-se que vai haver outro dérbi para a Taça de Portugal daqui a um mês. Junte-se isso a assuntos que ainda não estão devidamente encerrados, como o Football Leaks, e parece-me claro que as antenas de Bruno de Carvalho continuarão (justificadamente) apontadas para o outro lado da segunda circular.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Invasões, convites, roubos de camiões e multas de estacionamento

Falava-se ontem n' A Bola TV naquilo que deve ser a postura de um presidente de um grande clube e em como a presença de Bruno de Carvalho no Prolongamento rebaixou o cargo que ocupa (algo com que não estou em desacordo), quando José Couceiro faz uma comparação incómoda e... bem, o melhor é verem com os vossos próprios olhos.


Convenhamos que não estamos a falar da mesma coisa. Por acaso essa afirmação até se aplica, mas no sentido contrário ao que José Manuel Delgado lhe queria dar: Vieira a entrar aos berros no estúdio da SIC Notícias tem tanto a ver com a presença de Bruno de Carvalho por convite na TVI24, como o roubo de um camião tem a ver com uma multa de estacionamento...

(frase roubada ao @andrerodpt)

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Recomendo o novo programa moderado por Bagão Felix

Parece que estreou ontem uma nova temporada de um programa de paineleiros n' A Bola TV, moderado pelo ilustre Bagão Felix. Tive oportunidade de ver alguns minutos e fiquei impressionado pela viva discussão que se gerou entre os representantes portista e benfiquista sobre os amarelos mostrados a Maxi Pereira. Vale a pena ver:

(obrigado, Metralha!)

Abrantes Mendes, representante do Sporting, esteve pouco tempo em jogo neste excerto mas todos os sportinguistas o conhecem. Pedro Marques Lopes é o representante portista e José Manuel Delgado defende as cores do Benf-- esperem, não, afinal Bagão Felix é o representante benfiquista e José Manuel Delgado é apenas um jornalista prostituído que rasga as vestes de moderador e coloca a capa de super-herói vermelha sempre que vê a sua dama em apuros. Assim é que está certo.

Já agora, e sem querer estar a defender o carniceiro uruguaio - sempre o foi e continua a ser, daí os muitos amarelos que AGORA vê -, fui por curiosidade ver as estatísticas de cartões que Maxi viu no campeonato desde que chegou a Portugal...

2015/16 - 4 jogos, 3 amarelos - 1 cartão em cada 1,33 jogos
2014/15 - 32 jogos, 11 amarelos - 1 cartão em cada 2,91 jogos (5ª época mais disciplinada)
2013/14 - 25 jogos, 9 amarelos e 1 duplo-amarelo - 1 cartão em cada 2,5 jogos (6ª época mais disciplinada)
2012/13 - 28 jogos, 8 amarelos - 1 cartão em cada 3,5 jogos (3ª época mais disciplinada)
2011/12 - 25 jogos, 11 amarelos - 1 cartão em cada 2,27 jogos (8ª época mais disciplinada)
2010/11 - 26 jogos, 11 amarelos - 1 cartão em cada 2,36 jogos (7ª época mais disciplinada)
2009/10 - 25 jogos, 8 amarelos - 1 cartão em cada 3,13 jogos (4ª época mais disciplinada)
2008/09 - 28 jogos, 5 amarelos - 1 cartão em cada 5,6 jogos (época mais disciplinada)
2007/08 - 23 jogos, 6 amarelos - 1 cartão em cada 3,83 jogos (2ª época mais disciplinada)

Com que então o Maxi tinha muitos mais amarelos em épocas anteriores, Zé Manel? Realmente a condição física extraordinária fez milagres em 2014/15...