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sexta-feira, 13 de julho de 2018

A venda de William

No princípio da noite de ontem, multiplicaram-se as notícias de que William Carvalho assinou pelo Bétis, havendo também um acordo de verbas entre o clube espanhol e o Sporting para que a transferência se concretize de forma não litigiosa. O montante do negócio ainda não é oficialmente conhecido, mas ao longo da noite foram sendo reportadas versões diferentes: 17 milhões + 8 variáveis, 15 milhões + 10 variáveis, e 20 milhões + 10 variáveis.

Recordo que já saíram notícias semelhantes sobre um acordo por Gelson Martins com o Atlético Madrid que, até ver, não se concretizou oficialmente, o que significa que convém não tirar já juízos definitivos sobre a atuação da atual administração no eventual negócio de William Carvalho.

Mas se estes números se vierem a confirmar, a direção liderada por Sousa Cintra deverá revelar aos sportinguistas quais são os objetivos que têm de ser cumpridos para que o Sporting receba a componente variável do acordo. 

Vou pegar nos 17+8M, por não ser nem a proposta mais favorável nem a proposta mais desfavorável: entre 17 e 25 milhões existe uma diferença substancial que separa um mau negócio (que não se deveria fazer) e um bom negócio (considerando as atuais circunstâncias). 

É claro que há um ano nunca imaginaríamos que William pudesse ser negociado por estes valores, mas a realidade alterou-se muito de lá para cá, e é com a realidade atual que esta CG tem de trabalhar. Isso, no entanto, não dispensa a CG de prestar contas aos sócios pelas suas decisões. Não será possível perceber se, confirmando-se estes números, estamos perante um bom ou um mau negócio sem conhecermos exatamente o que foi acordado pelos dois clubes. Sei que não é habitual revelar os detalhes da componente variável das transferências, mas neste caso, por uma questão de transparência, é fundamental que isso seja feito. Os sócios têm o direito de saber.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Balanço de 2017/18: Médios



William Carvalho: **          
2016/17: **
2015/16: **
2014/15: **     
2013/14: ***

Mais uma época exibicionalmente irregular que, é justo que se diga, foi afetada pelas várias lesões que teve de enfrentar e pelo sistema de jogo de Jesus, que não favorece um médio com as suas características. Voltou a estar abaixo das expectativas, o que nos deveria levar a concluir que talvez sejam as expectativas que são demasiado elevadas. Não que o valor não esteja lá - é perfeitamente visível a diferença de um Sporting quando tem um William ao melhor nível -, mas já se percebeu que existem outros fatores que fazem com que não se consiga extrair tudo o que William pode dar. 


Adrien Silva: **          
2016/17: **
2015/16: ***
2014/15: **     
2013/14: ***

Na realidade não fez parte do plantel, mas coloco-o aqui porque acabou por somar mais minutos do que jogadores como Palhinha, Misic, Mattheus ou Wendel. Já estava com a cabeça noutras paragens, mas não há nada a apontar a Adrien pelo que fez enquanto ainda foi a jogo pelo Sporting.


Rodrigo Battaglia: **

Foi o jogador que participou em mais partidas de todo o plantel (57 jogos) o que, por si só, reflete a importância que teve ao longo da época mesmo não sendo um indiscutível. Battaglia é um poço de força e voluntarismo - qualidades que sabe dosear bem, o que pode ser atestado pelos apenas 9 amarelos que viu em todas as competições -, ainda que nem sempre consiga dar à equipa tudo aquilo que é necessário num 8. Curiosamente ou talvez não, o melhor período que teve foi quando jogou mais recuado, com Bryan Ruiz à sua frente no miolo. Espero que consiga ultrapassar as questões que o envolveram no triste episódio de Alcochete, pois é um jogador que poderá desempenhar um papel ainda mais importante na próxima época.


Bruno Fernandes: ***          

Contratação do ano e estrela da equipa. Teve um impacto imediato na qualidade de jogo do Sporting, em parte beneficiado por praticamente não ter tido férias e iniciado a época com mais ritmo do que a generalidade dos jogadores, mas a sua influência manteve-se elevada praticamente ao longo de toda a época. Quebrou um pouco no final por ter sido fisicamente mal gerido por Jesus - que não só não o poupou em muitas situações que assim o justificava, como também pelos papéis que lhe atribuiu em campo. Ainda assim, foi uma época brilhante: a folha estatística é impressionante (16 golos e 20 assistências) e foi recheada de muitos momentos que fazem levantar qualquer estádio. Não só é para manter para o ano: é a peça central à volta da qual a equipa tem de ser construida, e tem um perfil adequado que justifica que lhe seja atribuída a braçadeira de capitão.


Bruno César: **
2016/17: **
2015/16: **

Mais uma vez foi um jogador extremamente útil pela sua polivalência. Importante na primeira metade da época - e em particular nos jogos de maior exigência, brilhando na Liga dos Campeões -, foi perdendo espaço a partir de dezembro até ter contraído uma lesão que lhe acabou com a épca em março.


Bryan Ruiz: **          
2016/17: *
2015/16: ***

Afastado do grupo de trabalho durante a primeira metade da época, foi reintegrado progressivamente a partir de novembro até assumir um papel principal em fevereiro. As pernas frescas valeram-lhe boas prestações na posição 8, ainda que não seja um jogador talhado para funções tão exigentes fisicamente. Acabou o contrato e deverá continuar a carreira noutras paragens. Ainda que tenha ficado marcado por aquele falhanço e esgotado a paciência de muitos adeptos pela sobreutilização que Jesus lhe deu - em particular em 2016/17 -, é um jogador que, pelo menos a mim, deixará saudades pela classe que demonstrou ter, quer dentro quer fora de campo.



Alan Ruiz: *
2016/17: *

Tinha esperanças que conseguisse retomar a boa forma que demonstrou em parte da 2ª volta de 2016/17. Ao contrário da sua primeira época, chegou em boas condições físicas à pré-época e pensei que pudesse aproveitar esse balanço e a melhor adaptação ao clube para conseguir demonstrar as suas qualidades. O problema é que... não conseguiu, muito longe disso, e não foi por falta de oportunidades. Lento a decidir com a bola nos pés e defende só quando lhe apetece, o que faz com que seja um jogador perfeitamente inútil em campo. Esgotou a paciência dos adeptos e acabaria, também, por esgotar a paciência da única pessoa que ainda acreditava nele: o treinador. Um flop completo que poderá estar de volta em dezembro de 2018.


Mattheus Oliveira: *

Mattheus foi uma contratação que levantou alguma polémica. Nada nas suas características gerava confiança nas suas possibilidades de afirmação num clube como o Sporting - ainda mais num sistema de jogo como o de Jesus. Dos poucos minutos de competição que teve, a maior parte foi contra equipas de escalões inferiores... e nem aí conseguiu demonstrar capacidade que justificasse minutos em desafios mais exigentes. Um erro de casting previsível, pelo que não surpreendeu o empréstimo ao V. Guimarães em janeiro.


João Palhinha: -

Teve uma utilização demasiado esporádica para poder demonstrar o que pode fazer. Verdade seja dita que havia muita concorrência para a sua posição (William, Battaglia, Petrovic), mas acabou por ser um ano perdido. Mais valia ter sido emprestado.



Radosav Petrovic: *
2016/17: -

Mais uma época com poucos minutos. As oportunidades que teve como médio defensivo nunca foram aproveitadas, e acabaria por ser como defesa central que teve os seus melhores jogos. Há que dizer que a sorte também nunca o protegeu - como esquecer a sua absurda expulsão contra o Moreirense que viria a ser despenalizada pelo CD? -, mas está mais que visto que não tem valor para continuar por cá.


Wendel: -

É incompreensível que Jesus lhe tenha dado tão pouco tempo de jogo, considerando o esforço que a direção fez na sua contratação. E não se pode dizer que fosse um capricho da direção, porque, efetivamente, foi visível ao longo da época que precisávamos de um médio mais capaz nas tarefas de transporte de bola. Do pouco que se viu, Wendel tem essas competências que, por mesquinhez ou teimosia - o treinador não quis aproveitar.


Misic: -

Diz quem o conhece que é um médio centro posicional com boa capacidade de passe e especialista nas bolas paradas. Quem não o conhece não teve oportunidade de comprovar nada disto, face à escassez de utilização. Pior: quem conseguir entender por que razão Jesus o colocou a médio ala na final da Taça, que me explique.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Fechando o ciclo em alta

Não se poderia desejar melhor forma de terminar um ciclo absolutamente infernal. Menos de 72 horas após ter disputado uma eliminatória da Liga Europa com direito a desgaste suplementar de um prolongamento, era natural que se temesse complicações adicionais de um adversário que sabe jogar, mas a realidade acabou por ser bem diferente: o Sporting fez uma excelente exibição e venceu de forma incontestável. A partida acabou por ser relativamente tranquila porque a equipa soube adaptar-se ao que o jogo ofereceu, e qualquer incerteza que tenha havido em relação ao resultado deveu-se, única e exclusivamente, à infelicidade no momento da finalização.




A exibição - pressão alta, velocidade de execução mais elevada do que tem sido norma e maior insistência na verticalização e no aproveitamento de toda a largura do campo para desmontar a defesa adversária. Tudo isto resultou uma das melhores exibições da época, com futebol agradável em largos períodos de tempo e na criação de um elevado número de ocasiões para marcar, ao mesmo tempo que se controlou quase sempre bem as iniciativas ofensivas adversárias.

Gelson - O (excelente) golo e a assistência para Dost foram, obviamente, os momentos altos da exibição de Gelson, mas não se limitou a isso. Para além da habitual disponibilidade defensiva, esteve também na origem de várias outras situações iminentes de golo, como a combinação com Coentrão na jogada em que o lateral rematou (intencionalmente) ao poste. O melhor em campo.

Dost de volta aos golos - regressou aos golos depois do jogo menos feliz realizado em Plzen, e assistiu Gelson com um amortecimento de bola açucarado. No entanto, há que dizer que não começou bem o jogo do ponto de vista da finalização, permitindo defesas a Cássio em duas situações em que, isolado, poderia e deveria ter feito melhor.

O Patrício é para as ocasiões - a única oportunidade do Rio Ave em todo o jogo surgiu no final da primeira parte, com um remate que embateu em Mathieu e, traiçoeiramente, mudou de trajetoria na direção da baliza junto ao poste. Remate que ia com selo de golo e que apenas não o foi devido a uma extraordinária parada da luva direita de Rui Patrício. Que. Época.

Outras menções honrosas - Piccini e Coentrão consistentes na defesa e atrevidos no apoio ao ataque; trabalho de Coates no segundo golo; muito William na segunda parte; mais uma boa exibição de Rúben Ribeiro; Bruno Fernandes a ser Bruno Fernandes; e, claro, a participação do apanha-bolas no primeiro golo.

Estatística interessante - há uma volta em que o Sporting não sofre golos em casa para o campeonato. A última equipa a marcar golos ao Sporting em Alvalade foi o Braga, o nosso próximo adversário.




Ferros e Cássio - mais uma vez, foi a finalização que não nos permitiu acabar mais cedo com as dúvidas no resultado, mas há que dizer que, desta vez, não houve muitos falhanços escandalosos. Muito mérito para Cássio, com várias defesas de grande categoria, e o excesso de pontaria aos ferros: quatro, divididas entre Fábio Coentrão e Bruno Fernandes.

Acuña a menos - entrou complicativo e poucas coisas lhe correram bem. O Sporting acabou por perder com a sua entrada, já que Rúben Ribeiro estava a fazer um bom jogo.



MVP: Gelson Martins

Nota artística: 4

Arbitragem: Rui Costa não tem jeito para isto. Um penálti por assinalar sobre Bruno Fernandes - há um toque subtil no seu pé, igual a muitos outros toques subtis noutras zonas do campo em que o árbitro marcou falta -, e várias faltas mal assinaladas. Nada que não se esperasse, infelizmente.



Finalmente, uma pausa na competição. É certo que metade do plantel vai estar ao serviço das seleções, mas mesmo esses interrompem a sequência ininterrupta de jogos de 3 em 3 dias. Um ritmo competitivo que causou mossas mas que não nos retirou de nenhuma das competições. Em abril há mais.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Agarra que é ladrão

Um roubo. Não há outra forma de designar aquilo que ontem se passou em Alvalade. O golo anulado a Doumbia é um escândalo, porque o árbitro responsável pelo VAR - Manuel Oliveira - decidiu fazer tábua rasa do que diz o protocolo que rege a atuação do videoárbitro. Por desconhecimento? Impossível, qualquer adepto minimamente informado sabe que o lance pode ser revisto apenas até ao momento em que a equipa que marcou o golo recuperou a bola. Por distração? Impossível, pois ao recuar as imagens até ao momento da falta (que nem sequer me parece clara) de Bruno Fernandes não pode ter deixado de reparar que o Feirense tinha tido, entretanto, a bola em seu poder. Não podendo ser por desconhecimento ou distração, sobra a explicação evidente: a anulação do golo sustenta-se exclusivamente na vontade de Manuel Oliveira em manter o resultado em 0-0.



O Sporting acabou por ganhar o jogo, mas não é por isso que deveremos deixar de apontar a gravidade do sucedido. Em primeiro lugar, porque não é admissível que um árbitro interfira de forma consciente no decurso de um jogo. Em segundo lugar, porque já houve vários casos em jogos de rivais em que o VAR passou por cima de faltas claras que antecederam golos seus. É certo que erros não devem ser compensados com outros erros, mas o que é facto é que este acumular de "enganos" no mesmo sentido acaba por representar uma penalização dupla para o Sporting, e que poderá ter um peso decisivo num campeonato disputado ponto a ponto. E em terceiro lugar, porque não se pode menosprezar o efeito que uma ocorrência destas poderia ter numa equipa a atravessar uma fase complicada e que estava proibida de perder mais pontos, e - já agora - no público presente no estádio. Falando por mim, não fui capaz de festejar nenhum dos golos que foram marcados posteriormente, porque não conseguia deixar de pensar que poderia ter havido algum jogador do Sporting a espirrar três ou quatro minutos antes, o que seria, certamente, motivo suficiente para Manuel Oliveira anular os lances.

Quanto ao jogo em si, em vez de se ver em vantagem aos 20' e poder gerir o jogo e o esforço de outra forma, o Sporting foi obrigado a continuar à procura do golo. E se não os alcançou mais cedo, não foi por falta de oportunidades. À semelhança do que já tinha acontecido em alguns momentos contra o Estoril, a equipa teve períodos de excelente futebol, mas parecia voltar a fazer questão de desperdiçar as situações de golo feito que ia construindo. Felizmente, a persistência da equipa em chegar à vitória acabou por dar frutos e permitiu a conquista de três pontos inteiramente merecidos, contra tudo e contra todos.




Nota artística - ao contrário de outras ocasiões, a equipa não ficou à espera que o jogo se resolvesse sozinho, e foi à procura do golo desde o primeiro minuto. À vontade de desbloquear o resultado o mais rapidamente possível, juntou-se a capacidade de impor um futebol dinâmico, veloz e agressivo, que se traduziu numa enorme quantidade de oportunidades flagrantes para marcar. O golo foi-se adiando, seja por incapacidade própria na finalização, seja por excelentes intervenções do guarda-redes Caio Secco, seja pela vontade de Manuel Oliveira. Mérito para a generalidade dos jogadores, com Gelson, Montero e William Carvalho num patamar acima dos restantes.

A mão que segurou o resultado - não me refiro à mãozinha marota de Manuel Oliveira a rodar o botão do feed no sentido contrário aos ponteiros do relógio para recuar as imagens à procura de um motivo para anular golos, mas sim à de Rui Patrício: duas defesas fabulosas, uma em cada parte, numa altura em que o marcador ainda estava em branco.

As estreias - Rafael Leão estreou-se para o campeonato, e a sua entrada fez-se sentir de imediato. Primeiro com um remate para defesa difícil de Caio, depois com uma assistência para golo (irregular) de Gelson. Velocidade, técnica, agressividade e olhos colocados na baliza adversária. Promete. Lumor também entrou bem, integrando-se bem no ataque, revelando velocidade e voluntarismo, para além de ter feito um bom cruzamento. Perdeu, no entanto, um lance de cabeça num cruzamento para a área do Sporting em que nem sequer tirou os pés do chão, a fazer lembrar Jonathan Silva. Ainda assim, no global, teve uma estreia positiva.



A arbitragem - VAR à parte, a arbitragem foi fraca. Não que não estivessemos avisados desde cedo do que se iria passar: aos cinco minutos de jogo, Gelson já tinha sido alvo de duas faltas duras - numa delas nem sequer marcou falta - e Montero de outra. Cartões é que nem vê-los. Pouco depois do golo anulado a Doumbia, há um possível lance de mão na bola na área do Feirense, mas não houve VAR nem Luís Ferreira que desse uma apreciação cuidada à jogada. Dois exemplos do critério disciplinar errático que exerceu: mostrou um amarelo a William por fazer falta a meio do meio-campo do Sporting sobre um adversário que estava marcado também por Mathieu, poucos minutos depois de ter poupado Kakuba numa falta ostensiva sobre Gelson junto à área do Feirense, quando o extremo se preparava para ganhar a linha de fundo; e o amarelo para Patrício após a segunda reposição de bola lenta (depois do 1-0), quando foram precisas cinco ou seis reposições lentas de Caio Secco para ver cartão. Junte-se a isso várias situações em que impediu o Sporting de marcar livres de forma rápida e a eternidade que demorava a tomar nota dos cartões que mostrava. Luís Ferreira pode não ter jeito para a arbitragem, mas deve ser dono de uma caligrafia irrepreensível.

Doumbia - teve a infelicidade de lhe ter sido anulado um golo após excelente iniciativa individual, mas esse foi, provavelmente, o único bom momento dos muitos em que lhe deram oportunidade para brilhar. Começou logo nos minutos iniciais quando William o solicitou em profundidade e dominou mal a bola - problema que viria a demonstrar mais vezes enquanto esteve em campo. No total, teve pelo menos quatro oportunidades que desperdiçou de forma escandalosa. Infelizmente, não está a ser o ponta-de-lança de que necessitamos para render Dost. Provavelmente terá a sua última grande oportunidade na quinta-feira no Cazaquistão, espero que não a desperdice.



MVP: Fredy Montero

Nota artística: 4



Lado positivo do que se passou? Acredito que a equipa tenha saído mais forte após ter superado este nível de adversidade, juntando-se à sequência da melhoria da qualidade do futebol praticado que já se tinha visto na Amoreira (apesar da derrota). Lado negativo? É mais uma arbitragem de campo inclinado, que tem sido frequente nos últimos tempos. Os padres estão a sentir a fragilidade e querem acabar o servicinho.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Prevaleceu a estatística

Considerando a semana incrivelmente favorável que o Sporting viveu - começando pela vitória ao Porto, continuando com a conquista da Taça da Liga, assistindo à perda de pontos de Benfica e Porto e ao tiro no porta-aviões que foi a constituição de Luís Filipe Vieira como arguido - que, não tendo implicações desportivas, certamente que funcionará como facilitador para se desmontar a estrutura montada à sua volta -, o jogo de ontem com o V. Guimarães era um daqueles que, desse por onde desse, fosse como fosse, teria que acabar com uma vitória para o nosso lado.

À semelhança do que aconteceu na final da Taça da Liga, aquilo que aconteceu nos primeiros 45 minutos não permitiam perspetivas muito otimistas, pois a exibição do Sporting ficou bastante aquém do que se esperava. Mas, mais uma vez, a segunda parte trouxe uma equipa transfigurada que impôs um ritmo superior que contribuiu para quebrar fisicamente o adversário - que acabaria por pagar a fatura do esforço em pressionar e preencher os espaços nos primeiros 70 minutos -, também à semelhança do que tinha acontecido frente ao V. Setúbal. E foi precisamente nos últimos vinte minutos, numa altura em que já só dava Sporting, que voltaria a prevalecer a estatística que nos diz que é muito pouco provável o Sporting não marcar golos durante 90 minutos.




"Presos por arames" - o nível exibicional não foi famoso, em particular na primeira parte, mas houve um jogador que se apresentou a um nível elevadíssimo durante os 90 minutos. Falo, obviamente, de Fábio Coentrão que, com a sua qualidade e, sobretudo, com a garra e a determinação que coloca em campo, já conquistou o coração de todos os sportinguistas. A outra figura foi Mathieu, principalmente pelo decisivo golo que marcou, claro, mas também pela mentalidade que oferece à equipa. É um jogador habituado a ganhar e que está disposto a fazer de tudo em campo para ajudar a equipa a atingir os seus objetivos - seja como central, seja como extremo improvisado, seja como ponta-de-lança de recurso. Em comum aos dois: chegaram a Lisboa com o rótulo de estarem "presos por arames", mas já descartaram de forma categórica todos os receios que existiam sobre a condição física e níveis de motivação no momento da sua contratação. Numa altura de enorme exigência física, não há jogador no plantel que pareça tão fresco como estes dois.

Prevaleceu a estatística - no lançamento do jogo e na flash interview após a vitória, Jorge Jesus referiu que o Sporting tem sido, ultimamente, uma equipa mais cínica, mais italiana. Parece-me que esse cinismo é mais produto das circunstâncias - uma equipa fatigada e privada dos seus dois jogadores mais repentistas - do que de um ideal de jogo, mas a verdade é que, estatisticamente, é uma abordagem que, em Portugal, pode funcionar. E o que nos diz a estatística? Diz-nos que, jogando bem ou jogando mal, é quase inevitável o Sporting marcar pelo menos um golo: até agora, em 29 jogos oficiais em competições nacionais, só não marcámos nos dois jogos com o Porto e no jogo semi-a-feijões-com-um-onze-totalmente-remodelado com o Marítimo, na 1ª jornada da fase de grupos da Taça da Liga. Como tal, em 90% dos casos, é suficiente não sofrer nenhum golo para garantir os três pontos. Apesar de um Sporting - V. Guimarães ser uma daquelas partidas em que poucos apostariam num 0-0, a verdade é que esse desfecho não esteve assim tão longe de acontecer... mas no fim, a estatística levou a melhor através do pé esquerdo de Jérémy Mathieu. E quando uma determinada estatística se confirma tão frequentemente, dificilmente se pode considerar isso fruto do acaso ou das circunstâncias... mesmo quando as exibições não estão ao nível do que se desejava.

Os melhores - para além de Coentrão e Mathieu, bons jogos de William, de Acuña (apenas na segunda parte) e de Ristovski. Bruno César também entrou muito bem.

Muita força, Daniel! - o pontapé de saída foi o melhor momento da noite. E se há alguém a quem a vitória deve ser dedicada, é ele.



Presos por arames, sem aspas - é visível que há vários jogadores em acentuado subrendimento físico. O caso mais evidente é o de Marcus Acuña. O argentino fez uma primeira parte angustiante: nunca deu profundidade pelo seu flanco, movimentava-se a passo, incapaz de concretizar um drible, escondendo-se quase sempre em zonas interiores em vez de aproveitar o espaço que tinha junto à linha, obrigando Coentrão a ser, simultaneamente, lateral e extremo. Curiosamente, na segunda parte encontrou forças que parecia não ter, subindo bastante de rendimento. Bruno Fernandes e William Carvalho também parecem espremidos, mas a sua qualidade com bola nos pés permite que sejam sempre úteis. O que é facto é que existem demasiados jogadores que têm ido sempre a jogo, independentemente da importância do desafio e do nível do adversário. Está na hora de Jesus alargar o seu leque de opções.

A lesão de Dost - espero que não seja grave. Montero não é jogador para ser o ponta-de-lança no sistema que utilizamos, e Doumbia, apesar de ser muito incómodo para os defesas adversários, continua a mostrar-se demasiado trapalhão e pouco inteligente em determinadas ações de jogo. Pode ser que melhore com uma maior utilização, mas não sei se a equipa se pode dar ao luxo de esperar por ele.

Os anormais que dispararam pirotecnia no início da segunda parte - espero que sejam identificados e impedidos de entrar no estádio, no mínimo, até ao final da época.



Nota artística: 3

MVP: Fábio Coentrão

Arbitragem: bom trabalho de Luís Godinho. As incidências do jogo ajudaram.



Missão cumprida e, provisoriamente, liderança alcançada. O próximo jogo é já no domingo, contra o Estoril.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A noite em que Rui empatou o karma

Muito do que se passou no jogo de ontem pode ser facilmente resumido no facto de Rui Patrício ter sido o melhor em campo. O Sporting pode dar-se por feliz por ter conseguido sair do clássico com um ponto, em particular pelo que (não) fez na primeira parte, período em que o Porto foi melhor em praticamente todos os aspetos do jogo. 

A segunda parte acabaria por ser mais equilibrada, com o Sporting a ser ligeiramente superior. Ainda assim, uma superioridade insuficiente para dar qualquer sensação de que poderíamos chegar à vitória - pelo contrário, a grande oportunidade da segunda parte seria do Porto - e que deixou a evidência da existência de vários problemas que Jorge Jesus não está a conseguir contornar: há vários jogadores fora de forma (desgaste físico acumulado?), há outros que estão em campo que não são nem nunca serão solução para quando precisamos de chegar ao golo, e neste momento não há no banco quem consiga trazer outras ideias para dentro de campo.

Foto: Carlos Alberto Costa



Rui contra o karma - a defesa que faz na segunda parte aos pés de Marega é extraordinária, salvando um ponto ao Sporting, roubando dois ao Porto, e poupando os sportinguistas da humilhação de serem derrotados por um jogador que foi alvo de gozo naquelas mesmas bancadas há coisa de ano e meio. Igualmente fenomenal foi a saída aos pés de um isolado Aboubakar, e convém não esquecer um par de outras defesas complicadas que mantiveram a baliza do Sporting inviolada. O melhor em campo.

A segunda parte - o Porto acabou por pagar a fatura da estratégia que Sérgio Conceição: parece-me que o treinador portista impôs um ritmo de jogo frenético desde o início para levar o Sporting a desgastar-se o mais rapidamente possível, de forma a tirar partido das 24 horas de descanso a mais que os seus jogadores tinham. Isso levou a que, compreensivelmente, os jogadores do Porto não conseguissem fazer a mesma pressão no campo inteiro que realizaram na primeira parte, e o Sporting começou a sair com mais facilidade do seu meio-campo com a bola jogável, ganhando um ascendente territorial que nunca teve na primeira parte, e chegando mais vezes à baliza de Casillas.

Algumas exibições - para além de Rui Patrício, é justo referir as boas exibições de Coates, Mathieu e William. Ao resto da equipa reconheço o esforço e disciplina defensiva, mas faltou discernimento em quase tudo o que tentaram fazer com a bola nos pés.



A primeira parte - quem esperava que o Sporting entrasse forte e encostasse o Porto atrás, apanhou uma surpresa desagradável: foi a equipa visitante que controlou totalmente as operações, conseguindo bloquear totalmente a primeira fase de construção do Sporting através de uma pressão constante a todos o campo, com 3 ou 4 jogadores a pressionarem centrais, laterais e o médio que descia para pegar na bola. Não se pode dizer que o Porto tenha conseguido impor uma avalanche ofensiva, mas conseguiu neutralizar completamente as ideias de jogo do Sporting e construiu um punhado de ocasiões que justificavam uma vantagem no marcador ao intervalo. 

Fora de forma - num onze em que os laterais pouco contribuem ofensivamente, a carga de responsabilidade acaba por recair em apenas quatro jogadores. Para mal dos nossos pecados, apresentam todos uma evidente má forma: Dost sem confiança, Acuña e Bruno Fernandes estão visivelmente desgastados, e Gelson está numa fase de desinspiração total.

Bolas paradas - a determinada altura, o Sporting tinha 10 cantos a favor, contra 2 do Porto. Infelizmente, a esmagadora maioria dos cantos a nosso favor morreram logo à nascença, por terem sido mal executados. A maior parte ficou demasiado curto e foi cortada pelo homem do Porto ao primeiro poste, com Acuña a ser particularmente exasperante. O único lance de perigo que me lembro foi o cabeceamento de Willam para defesa de Casillas na primeira parte. Num jogo em que a inspiração esteve em níveis rasos, as bolas paradas eram a melhor forma que tínhamos para marcar. Tem que se fazer melhor do que isto.

Falta de soluções no banco - ao intervalo, era angustiante olhar para a péssima primeira parte feita pela equipa, mas mais angustiante era olharmos para as alternativas que tínhamos no banco. Os jogadores de cariz ofensivos eram: Bruno César, um jogador sempre útil - e que entrou bem, ajudando a estabilizar o meio-campo - mas que não é um desequilibrador; Podence, com pouco ritmo desde que regressou de lesão; e Alan Ruiz, que anda há meses a jogar num registo incompatível com as ambições do Sporting. Assustador.



MVP: Rui Patrício

Nota artística: 2

Arbitragem: boa arbitragem de Carlos Xistra. Não houve grandes casos, os jogadores também não complicaram a sua tarefa, e o árbitro soube aproveitar isso a seu favor, mantendo um critério coerente. Fossem todas as arbitragens assim.



O empate acabou por ser um resultado simpático, e mais simpático ficou após o empate do Benfica na Madeira. A pausa das seleções vem em boa altura - mesmo havendo muitos jogadores convocados, o ritmo de treinos e de jogos vai abrandar -, seguindo-se o jogo em Oleiros para a Taça de Portugal. Que este período seja aproveitado para recuperar fisicamente os jogadores e para criar novas soluções alternativas.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Um plano quase perfeito

Uma derrota é sempre uma derrota, mas não é possível ficar-se de alguma forma ressentido com a exibição que o Sporting fez ontem perante uma equipa como o Barcelona, que veio a Lisboa trajada com o seu melhor fato - ou, como é mais habitual dizer-se em futebol, que meteu a carne toda no assador em Alvalade. 

Pode-se dizer também que houve o mérito de se ter conseguido, durante 90 minutos, fazer parecer humano o extra-terrestre Messi, graças a um plano defensivo pensado ao pormenor e brilhantemente executado durante praticamente todo o jogo por toda a equipa, acabando essa estratégia por ser traída por um momento de infelicidade. Obviamente que essa obsessão por anular os (muitos) pontos fortes do Barcelona acabou por ter custos no momento de procurar o golo. O desgaste e a preocupação constante em construir uma teia densa à volta da bola - e ninguém consegue fazer circular melhor a bola do que o nosso adversário de ontem - acabou por tirar muito do foco que seria necessário para desmontar a defesa do Barcelona, para além do desgaste acumulado que isso inevitavelmente acaba por provocar.




A estratégia defensiva - o Sporting não é, tradicionalmente, uma equipa com grande capacidade de jogar em linhas baixas e na expectativa daquilo que o adversário possa fazer, mas ontem não há nada a apontar ao comportamento defensivo. Basta dizer que o Barcelona marcou o único golo da partida através de um autogolo a partir de uma bola parada, e que, para além disso, só teve uma verdadeira oportunidade de golo, através de Paulinho, após um erro individual de Coates, defendido brilhantemente por Rui Patrício. O mérito é essencialmente coletivo: Battaglia estava encarregado de vigiar Messi, William jogou a maior parte do tempo à sua frente por estar mais preocupado com as movimentações de Rakitic, mas deve-se destacar a entreajuda que houve em todos os momentos por parte do resto da equipa, que foi sempre capaz de compensar os desposicionamentos temporários dos companheiros.

Battaglia - cabia-lhe a missão mais complicada e cumpriu-a com grande eficácia. Soube medir bem a carga física colocada no controlo do adversário e nas tentativas de recuperação de bola e, curiosamente, acabou por ser um dos poucos jogadores a não ser amarelado - o que é uma proeza se considerarmos a atuação do árbitro. Nos poucos momentos em que teve liberdade para entrar no meio-campo do Barcelona... conseguiu desequilibrar. Foi do argentino a recuperação de bola que deu a Dost e Bruno Fernandes a melhor oportunidade que o Sporting teve em todo o jogo.

Mathieu - jogo imperial do francês. Foi uma espécie de backup de Battaglia na marcação a Messi. Quando o astro argentino conseguia libertar-se com a bola da teia montada pelo meio-campo, Mathieu caía imediatamente em cima dele. Em tudo o resto esteve perfeito, quer no controlo defensivo do seu espaço, quer na saída com bola.

O ambiente em Alvalade - absolutamente esmagador, do princípio ao fim. É uma pena que não seja sempre assim, tenho a certeza de que valeria vários pontos no campeonato. Dá para pedir um encore no próximo domingo?



O culé vestido de azul que veio da Roménia - o melhor elogio que se pode fazer ao árbitro é que foi melhor que Messi. Perfeito no condicionamento dos jogadores do Sporting, distribuindo amarelos desde muito cedo e ignorando faltas semelhantes cometidas pelos catalães, excelente na forma como apitava preventivamente quando cheirava a oportunidade para o Sporting. E não assinalou um penálti sobre Dost quando foi agarrado na área. Artista completo, quer na defesa quer no ataque.

Falta de foco no ataque - o efeito secundário da grande preocupação defensiva acabou por prejudicar a disponibilidade psicológica para chegar à baliza adversária. Juntando-se a isso o momento menos bom de Gelson (raramente conseguiu passar por Alba), a falta de confiança de Dost (que, bem posicionado na única oportunidade que teve, devia ter rematado em vez de meter para Bruno Fernandes) e um árbitro sempre pronto a interromper os nossos lances, e fica explicado por que razão não conseguimos criar mais situações de perigo.



Não há derrotas boas, mas há coisas boas que se podem extrair de exibições que acabam em derrotas. O jogo de ontem é um desses casos, e a equipa demonstrou que há motivos para acreditar nela. Agora é recuperar fisicamente porque domingo há um jogo ainda mais importante para ganhar.

domingo, 24 de setembro de 2017

Mudança de chip demasiado adiantada

Sinceramente, não estava à espera deste deslize. Mesmo sendo eu um pessimista inveterado, que receia receções ao Tondela e está sempre à espera que o pior aconteça, pensava que, com maior ou menor dificuldade, passaríamos um Moreirense que tem claro défice de talento em relação a temporadas anteriores. É bem provável que tanto o treinador como a equipa comungassem da mesma confiança, pois o onze escolhido e a qualidade da generalidade dos primeiros 45 minutos deixaram entender que se pensava que os golos acabariam por aparecer mais tarde ou mais cedo.

Se o pensamento já estava no Barcelona e Porto, deviam saber que isso, normalmente, dá mau resultado: nem se pouparam fisicamente, nem conseguiram os três pontos. O que aconteceu ontem deve servir de aviso muito sério, pois aquilo que será feito até dezembro no campeonato poderá definir toda uma época. E como já todos estamos carecas de saber, por muito bem que nos corra a Liga dos Campeões, não será isso que definirá o sucesso da temporada. Ao invés, os pontos perdidos nos Comendadores Joaquim Almeida Freitas deste país poderão efetivamente causar danos mais elevados.

Foto: Vítor Parente / Kapta+



A reação ao golo sofrido - a segunda parte do Sporting não foi particularmente inspirada, mas ninguém poderá acusar os jogadores de não ter sido esforçada. A equipa, de facto, tentou chegar à vitória até ao limite das suas capacidades.

A exibição de William - o melhor jogador do Sporting em campo, pela sua capacidade de combate a meio-campo e pelo esclarecimento que conseguia ter com bola, apesar da floresta de pernas (e braços) à sua volta. Está num excelente momento de forma.

Patrício decisivo - fez duas defesas de grande dificuldade, uma das quais a lembrar-nos que é um dos melhores do mundo no um contra um.



As escolhas - não vou criticar Jesus por ter deixado Battaglia e Acuña de fora, apesar de ser estranho que tenham saído dois jogadores que foram utilizados a meio da semana para a Taça da Liga - isso sim, opção muito discutível -, mas fizeram-me mais confusão outras escolhas do treinador: a insistência em Alan Ruiz - que para além de não estar em forma, fez 90 minutos contra o Marítimo - e em Piccini num campo que, sendo muito estreito, dá outra importância ao que se consegue fazer nas faixas laterais - ainda mais após as boas indicações que Ristovski deu na terça-feira.

Subrendimento - Gelson inconsequente, Alan Ruiz bem ao 1º toque mas péssimo quando não solta de imediato a bola, Bruno Fernandes enterrado em terrenos demasiado preenchidos, laterais e alas que não acertaram um único cruzamento, Iuri entrou muito mal e desperdiçou de forma quase absurda três soberbas ocasiões de último passe que teve nos pés.



MVP: William Carvalho

Nota artística: 2

Arbitragem: O jogo foi muito quezilento e não facilitou a vida de Luís Godinho, mas a verdade é que o árbitro teve culpas ao ser - como tem sido regra - muito permissivo perante as repetidas faltas do Moreirense. Só por volta da 17ª ou 18ª falta é que saiu o primeiro amarelo para jogadores da casa, seguidos de 3 para jogadores do Sporting. Teve também outros lances polémicos: parece-me boa a decisão de anular o golo a Alan Ruiz, mas falhou no fora-de-jogo mal tirado a Tozé (faz-se à bola, mas não lhe toca), o canto de onde nasce o golo do Sporting é mal assinalado, e no último minuto dos descontos, o erro mais grave: ficou um penálti por marcar a favor do Sporting por agarrão claro sobre Doumbia na área.




Primeiros pontos perdidos. Não é nenhum drama, nomeadamente porque teremos hipóteses de nos destacarmos na liderança já na próxima jornada - curiosamente, faz lembrar o que aconteceu há dois anos: o Sporting perde com o União da Madeira e permite que o Porto se isole no comando, mas na jornada seguinte recebeu e venceu o Porto, retomando o 1º lugar isolado. Que seja assim mais uma vez, mas sem a parte que viria a acontecer depois umas jornadas mais tarde...

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Não era dia para tragédias gregas

Num jogo que teve duas partes completamente distintas, com um nível exibicional que começou num registo sublime e terminou de forma displicente e quase descontrolada, é normal que surjam sentimentos contraditórios em relação a como devemos encarar uma vitória tangencial frente ao Olympiacos. Para mim, este é um caso em que a parte boa da exibição (e que boa que foi!, e que durou praticamente todo o jogo) pode e deve ser elogiada bem para além das críticas que possam ser feitas ao que aconteceu nos minutos finais. Assustámo-nos todos, muitos de nós certamente praguejaram ferozmente quando os gregos marcaram o segundo golo - God knows I was one of them - mas, analisando a frio, a vitória do Sporting nunca esteve em causa. Acredito que, noutros tempos, poderia ter ocorrido uma singularidade cósmica que levasse a que o jogo acabasse empatado, mas o Sporting desta época já desafiou, por diversas vezes - e sempre com sucesso! -, aquela fatalidade que é tão própria do clube. Convém não abusar da sorte, claro, mas para já merece ir sendo desfrutado.




Primeira parte avassaladora - os primeiros 45 minutos estiveram, seguramente, ao nível do melhor que já vi o Sporting fazer nas competições europeias. Não poderíamos desejar melhor começo: aos dois minutos, Acuña faz um cruzamento açucarado para Doumbia - os mesmos dois jogadores já tinham desenhado o primeiro golo em Bucareste -, e estava lançado o mote para o que seria o jogo até ao intervalo. Para além dos golos de Gelson e Bruno Fernandes, o Sporting dispôs de mais quatro ocasiões flagrantíssimas para marcar: bolas ao ferro dos mesmos Gelson e Bruno Fernandes e duas oportunidades negadas a Doumbia e Coates por Kapino. Um festival de bem defender e bem contra-atacar que poderia (e merecia) ter gerado números históricos ao intervalo.

Excelente começo de Champions - para além dos 3 pontos e do milhão e meio de euros que caem na conta (o que eleva para 16,2 milhões + bilheteira com o Steaua os ganhos na competição, que antecipa um recorde no Sporting), o Sporting conseguiu colocar-se em excelente posição para garantir o terceiro lugar do grupo e poder continuar na Liga Europa na segunda metade da época. Mas essa não deve ser a bitola por onde alinhar: o terceiro lugar pode ser o lugar natural no final da fase de grupos, mas há condições para ambicionar surpreender Barcelona e Juventus nas partidas que se seguem. Estes três pontos poderão dar alguma tranquilidade extra, que será bastante necessária contra adversários que estão, obviamente, noutro patamar. 

Ameaças múltiplas - longe parecem ir os tempos em que Dost era o único abono de família da equipa. Doumbia foi titular pela segunda vez, e pela segunda vez correspondeu com o sempre importante golo inaugural da partida - e ainda fez a assistência para Gelson. Bruno Fernandes voltou a fazer o gosto ao pé, e já leva cinco golos marcados, os mesmos que Dost e Gelson. Acuña tem sido o municiador de serviço, contando já com cinco assistências. Falamos de cinco jogadores que têm colocado com enorme frequência (em função da sua utilização) a sua marca nos jogos em que participam. Junte-se a isto a possibilidade que, agora, Jesus tem para abordar os jogos em função das características dos adversários: Doumbia é alternativa para jogos com mais espaço nas costas da defesa adversária, enquanto Gelson e Acuña parecem cada vez mais confortáveis a jogar no flanco oposto. E a versatilidade e imprevisibilidade de Bruno Fernandes é uma adição de que o Sporting muito precisava. Tudo somado, o Sporting fica uma equipa bem mais difícil de ser contrariada. Esperemos que a equipa continue a evoluir como até aqui.

Seria injusto não referir - excelentes exibições de William (que supostamente devia estar desmotivado e cabisbaixo) e Battaglia. E a assistência de Coates para o golo de Bruno Fernandes? Minha nossa...



Novamente, dificuldades em gerir um resultado tranquilo - o Sporting jogou praticamente toda a segunda parte sem grandes pressas, dando poucos espaços no seu meio-campo e parecendo - compreensivelmente - pouco interessado em esticar o jogo. Parecia estar a gerir o resultado de forma bastante competente e tranquila... até que começaram a aparecer os erros individuais não forçados que podiam ter deitado tudo a perder. É certo que, nesse mesmo período, Dost ainda atirou a terceira bola ao ferro e Bruno César teve um golo incompreensivelmente anulado, mas... não devíamos ter sofrido tanto. O mais preocupante é que não é a primeira nem a segunda vez em que o Sporting quase desperdiça vantagens confortáveis: é o terceiro jogo consecutivo em que acabamos de credo na boca após termos estado a vencer por dois ou mais golos. Não se pode atribuir ao acaso e às incidências de jogo algo que se tem repetido com tanta frequência. Cansaço físico? Falta de concentração? Seja o que for, é um problema que tem de ser tratado urgentemente.



Vitória importantíssima que pode ajudar a lançar uma participação interessante nesta edição da Liga dos Campeões, mas que ainda não garantiu nada. Apesar do susto final, pela qualidade demonstrada durante a maior parte do tempo, devemos desfrutar desta vitória e não desatar a anunciar um apocalipse iminente. No entanto, alerta máximo para a receção ao Tondela, uma equipa a quem nunca ganhámos em Alvalade.

sábado, 9 de setembro de 2017

Viciados no sofrimento

Começa a ser um hábito nos jogos desta Liga: em cinco jornadas, foi a terceira ocasião em que os adeptos sportinguistas correram sérios riscos de falecerem de paragens cardiovasculares graças às incidências dos últimos minutos. "Nada de inédito", poderão dizer - e com razão -, pois já aconteceu no passado o Sporting disputou, num curto espaço de tempo, várias partidas a serem decididas nos últimos minutos. A grande novidade é que, nestas três ocasiões, a estrelinha acabou por cair sempre para o lado do Sporting. 

Sim, são imensamente saborosas estas vitórias - a intensidade com que se passa do sofrimento para a euforia numa fração de segundo -, mas é uma experiência que convém não repetir demasiadas vezes, porque há-de chegar o dia em que a coisa não correrá tão bem.

Foto: Catarina Morais / Kapta +



Vitória arrancada a ferros numa deslocação muito complicada - ganhar assim sabe sempre bem, independentemente do local ou adversário, mas há que sublinhar a dificuldade desta deslocação: nenhum dos nossos rivais passará com facilidade em Vila da Feira, onde os espera um terreno de jogo estreito e com um relvado em más condições - nem imagino como será no inverno -, e um adversário que sabe ocupar bem os espaços e disputa todas as bolas com muita agressividade. Um desfecho importantíssimo, não só pelo facto de permitir que o Sporting continue a sua caminhada 100% vitoriosa, mas também porque poderia ser complicado gerir psicologicamente um empate consentido após estarmos a vencer por 2-0.

Foto: Catarina Morais / Kapta +
A segunda parte - o Sporting chegou ao intervalo sem ter conseguido criar uma única ocasião de golo e com alguma felicidade por não estar a perder, mas o rendimento na segunda parte foi incomparavelmente superior. A equipa entrou forte e não tardou a criar oportunidades de perigo, dominando o adversário e encostando-o à sua área, acabando por marcar numa altura em que já se adivinhava que era apenas uma questão de tempo até às redes balouçarem. Infelizmente, à semelhança do que aconteceu com o Estoril, permitimos que o adversário renascesse numa altura em que tínhamos o jogo na mão - uma bola parada e um contra-ataque após perda infantil de bola de Jonathan no nosso meio-campo foram suficientes para anular uma vantagem confortável. O jogo acabaria por se decidir num último minuto de descontos absolutamente louco: começou com um contra-ataque perigoso do Feirense resolvido por Iuri Medeiros, Rui Patrício sai da área junto à linha de fundo para evitar canto e passa a bola a William que, sem perder tempo, mete a bola na entrada da área onde Dost amorteceu para a entrada de Coates... e penálti. Dost, com enorme frieza, apontou-o e garantiu os três pontos para o Sporting. Uma grande segunda parte que ambas as equipas proporcionaram, em que é justo salientar o devido mérito do Feirense na forma como reentrou no jogo e pela coragem em tentar ainda chegar à vitória.

Destaques individuais - não houve nenhuma exibição de encher o olho, mas alguns jogadores merecem destaque: Coates, o melhor da linha defensiva - Mathieu e Jonathan cometeram erros graves -, marcou o primeiro golo e sofreu o penálti no terceiro; Bruno Fernandes, em dia de aniversário, assinou mais um bonito golo, marcou o canto do primeiro golo, e dispôs de duas das oportunidades mais perigosas do Sporting; William fez um bom jogo no regresso à titularidade; Battaglia desenrascou muito bem o lugar de defesa direito.



Incapacidade em segurar vantagens - Steaua, Estoril e, agora, Feirense: três ocasiões em que o Sporting, estando em vantagem no marcador, não teve capacidade para a gerir. Na Roménia, assim que a equipa congelou o ritmo de jogo, sofreu o golo do empate. Contra o Estoril, depois de uma entrada fortíssima acabámos o jogo em angústia. E ontem, com dois golos de rajada, seria de esperar que o Sporting tivesse resolvido o jogo... mas acabaria por sofrer apenas cinco minutos depois. Será que é apenas fruto do acaso - incidências de jogo impossíveis de controlar - ou é algo que não está a ser devidamente trabalhado? Considerando a quantidade de vezes que perdemos o controlo de jogos que pareciam estar no bolso, estou mais inclinado para a segunda hipótese.

A primeira parte - o Sporting revelou grandes dificuldades para chegar à baliza de Caio durante os primeiros 45 minutos. A lesão de Piccini certamente que complicou as coisas, pois o meio-campo sofreu uma revolução com a substituição: Battaglia foi para lateral direito, Bruno Fernandes baixou para 8, e Alan Ruiz, que entrou para o lugar do italiano, esteve em final de tarde pouco inspirado. Ainda assim, não justifica tão fraca produção na primeira parte. Para ser pior, só faltou ao Feirense aproveitar a ocasião que Mathieu lhes ofereceu de mão beijada. 



MVP: Sebastian Coates

Nota artística (1 a 5): 3

Arbitragem: Artur Soares Dias esteve bem ao assinalar penálti sobre Coates e no tempo de descontos concedido. Não teve, no entanto, um critério disciplinar uniforme, tendo ficado vários amarelos para mostrar a jogadores de ambas as equipas. Logo no princípio do jogo, num lance de bola parada junto à área do Feirense, assinalou uma falta ofensiva de William... mas na repetição deu-me a sensação de que William é que estava a ser agarrado insistentemente pelo adversário, pelo que me parece que ficou penálti por assinalar. 



Vitória fundamental, não tanto pelos pontos em si - ainda há muito campeonato pela frente -, mas mais pelo impacto psicológico negativo que poderia ter o desperdício de uma vantagem de dois golos a anteceder a estreia na Liga dos Campeões. 

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A "proposta"do West Ham

A Sky Sports divulgou, na noite de ontem, imagens de dois emails supostamente enviados pelo West Ham para o Sporting no âmbito das negociações por William Carvalho. Segundo a cadeia de televisão inglesa, estes emails estariam a dar razão aos dirigentes do clube londrino e a contrariar as afirmações de Bruno de Carvalho em como nenhuma proposta pelo médio tinha sido enviada ao Sporting.

As imagens são estas:



Nem vou entrar pelo facto de os destinatários estarem escondidos, de não haver prova de que o Sporting efetivamente recebeu estas mensagens, e de que uma coisa destas ser fácil de falsificar - uma coisa é ter os ficheiros, outra é ter uma imagem de algo que poderia ter sido escrito por qualquer pessoa num processador de texto. Para efeitos de argumentação vou assumir (apesar de Nuno Saraiva já ter negado que o Sporting tenha recebido tais emails) que os mails são verdadeiros e que foram enviados para o Sporting.

O ponto fundamental é outro. Não é preciso ser-se um expert da área comercial para perceber que nenhum destes mails é uma proposta. Uma proposta precisa de conter todas as componentes do negócio - percentagens de direitos desportivos, valores fixos, datas de pagamento das várias prestações, valores por objetivos, objetivos a cumprir, e por aí fora - perfeitamente detalhadas, de forma concreta. Nenhum destes emails cumpre esses requisitos.

No primeiro pode ler-se: "Add ons to be agreed" - ou seja, os valores variáveis ainda estavam por acordar, bem como os objetivos que dariam direito a esses valores.

No segundo pode ler-se "but with additional terms & bonuses to be discussed" - ou seja, condições e bónus adicionais ainda estavam por acordar.

Querem ver o que é uma proposta formal? Propostas são feitas assim:



Dá para perceber a diferença, não dá?

domingo, 3 de setembro de 2017

Capas que não fizeram história, nº 57: Os frustados e os que ficam de corpo e alma

Tem sido interessante a evolução dos comentários de boa parte dos comentadores à situação de William Carvalho. Na última quinzena de agosto, a maior parte esqueceu-se dos defeitos que lhe apontavam insistentemente e descobriu que o médio defensivo do Sporting é, efetivamente, um grande jogador, e que a sua saída seria complicada de resolver.

O problema é que a sua saída não se concretizou, o que deixou certos comentadores e jornalistas com um problema em mãos: como evitar dizer que o Sporting, afinal, não ficará mais fraco pela sua saída? 

A resposta era óbvia: desviar a conversa para ângulos que fossem mais convenientes.

O primeiro é que o jogador fica frustrado por não ter saído, e que isso terá implicações desportivas graves. Como se William recebesse o salário mínimo. Como se William não fosse sportinguista. Como se William não fosse um profissional que sabe que a melhor forma de se promover é jogando o melhor que sabe. Como se William não soubesse, por exemplo, que terá um grupo de Champions que lhe permitirá demonstrar, mais uma vez, as suas capacidades ao mais alto nível.

O segundo ângulo é a tentativa de virar o jogador e os próprios adeptos sportinguistas contra o seu presidente. Que Bruno de Carvalho está a cortar as pernas a um dos meninos de Alvalade. Que os adeptos estão indignados com o tratamento dado a William - sim, houve quem dissesse e escrevesse mesmo isto. Não é possível fazer-se uma argumentação mais absurda, pois não há adepto sportinguista que não fique contente por poder continuar a ter William no plantel. E não há adepto sportinguista (daqueles que não têm o cérebro toldado pelo ódio a Bruno de Carvalho) que ache que o clube devesse vender o jogador à melhor oferta existente, mesmo que essa oferta ficasse aquém do que era pretendido.

Falamos da mesma gente que, perante situações idênticas noutros clubes, optam por abordar a questão de forma completamente diferente. Dois bons exemplos podem ser encontrados no início de setembro de 2015 - quando ainda se fazia o rescaldo do fecho do mercado -, de dois jogadores que, segundo a imprensa, estiveram com um pé fora do seu clube mas que, à última hora, acabaram por não ser transferidos: Gaitán e Luisão.

Rapidamente ficámos a saber que o argentino ficava de corpo e alma no Benfica...


... enquanto que no caso de Luisão, Vieira segurou-o. Ao contrário de Bruno de Carvalho, não cortou as pernas a ninguém.


Há dois dias, A Bola deu-nos isto... estranho seria se fosse de outra forma.