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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

O afastamento de Fábio Veríssimo

Fábio Veríssimo cometeu dois erros graves na meia-final entre Benfica e Porto: não recomendou a marcação de um penálti a favor do Porto por falta de Rúben Dias, e não recomendou a anulação do primeiro golo do Porto por causa de uma falta de Óliver no início dessa jogada. O principal erro do jogo, aquele que mais protestos causou - o golo anulado ao Benfica por fora-de-jogo inexistente -, não lhe pode ser imputável: a decisão foi do árbitro assistente e o VAR só podia reverter a decisão caso existissem imagens claras que comprovassem o contrário. Não existindo, Fábio Veríssimo estava de mãos atadas.

É normal, para os padrões do futebol português, que Luís Filipe Vieira pedisse a cabeça de Veríssimo por se sentir gravemente prejudicado - sem motivos, convém relembrar - pela sua atuação. O que não é normal é que o Conselho de Arbitragem tenha anunciado, menos de 24 horas depois, que o árbitro seria afastado por um período indefinido - e sem dar quaisquer explicações sobre o critério que esteve por trás da decisão. Não explicando, ficámos todos sem perceber por que razão não foram afastados por um período indefinido outros árbitros responsáveis por outras decisões aberrantes do VAR a que já assistimos esta época. O CA, com esta atitude, humilhou publicamente o árbitro e deixou no ar a ideia de que foi apenas uma medida para agradar ao DDT do futebol português. O comunicado de apoio a Veríssimo que foi emitido no dia seguinte ao afastamento já veio tarde, porque o moral da história da decisão já tinha tido tempo suficiente para se entranhar na mente de adeptos, dirigentes e restantes árbitros.

Cá estaremos para ver quantos mais árbitros serão suspensos ou dispensados por tempo indeterminado no que restar da época. Considerando a qualidade média dos homens do apito, suspeito que não irão faltar oportunidades para avaliarmos a coerência do CA.

domingo, 27 de novembro de 2016

Uma vitória para acabar com traumas recentes

Depois do afastamento da Liga dos Campeões, e face à desvantagem pontual para o Benfica no campeonato, era absolutamente imperioso que o Sporting saísse do Bessa com os três pontos no bolso. A tarefa era tudo menos fácil: num campo complicado (onde, há um ano, perdemos dois pontos), contra uma equipa muito batalhadora (apesar de muito desfalcada), que tentou desgastar o Sporting, desde o início, através de uma pressão intensa, de forma a tentar tirar proveito da ressaca do esforço dispendido contra o Real Madrid.

Convém não esquecer que o Boavista - que é sobretudo vista como uma equipa de pinos caceteiros -, estava, à partida para esta jornada, na metade de cima da classificação, já não perdia há 5 jogos (quando se deslocou ao Dragão), e é orientada por um bom treinador, Miguel Leal.

O Sporting soube impor-se desde cedo, foi a única equipa que causou perigo, e poderia ter vencido confortavelmente caso a eficácia na finalização tivesse sido superior. O único período de maior preocupação veio com a (incorreta, a meu ver) expulsão de Rúben Semedo, aos 83', mas o Sporting soube, então, adaptar-se às circunstâncias - revelando uma faceta que ainda não tinha demonstrado esta época: soube ser uma equipa cínica, usando, para variar, o antijogo em seu favor.

Uma vitória duplamente importante: pelos pontos conquistados, obviamente, mas também porque a equipa estava a precisar de ganhar um jogo em que fosse obrigada a sofrer até ao fim - para ajudá-la a ultrapassar traumas recentes de golos sofridos ao cair do pano.





A linha avançada, na primeira parte - Jesus optou (finalmente) por colocar Campbell no apoio a Dost, com Bruno César encostado à esquerda e Gelson a semear o caos pela direita. Foi uma aposta ganha, o que não é uma propriamente uma surpresa: estes quatro elementos têm demonstrado ser os melhores da equipa para cada uma destas posições. A mobilidade desta linha complicou as tentativas de marcação do Boavista, e, a partir dos 15 minutos, o domínio sportinguista foi avassalador, sucedendo-se as oportunidades e adivinhando-se o golo, que acabaria, finalmente, por surgir aos 25', após uma grande jogada de Gelson para uma bela finalização de Bas Dost. Já antes Dost tinha atirado ao poste, após bom entendimento com Campbell, e Gelson (que exibição!) tinha falhado o golo, na cara de Agayev, após grande passe de Dost. É verdade que, na segunda parte, o rendimento ofensivo caiu um pouco e as oportunidades foram mais espaçadas - destacando-se mais um grande trabalho de Gelson a servir Bruno César, para um remate à barra -, mas creio que Jesus encontrou finalmente o melhor onze.

Um Adrien para 90+90 minutos - pode-se perceber agora que, até à lesão, estávamos perante um Adrien a 70% da sua capacidade física. A paragem forçada pela lesão contraída em Guimarães permitiu uma intervenção cirúrgica para resolver um outro problema que o impedia de estar a 100% - eram notórias as dificuldades a partir dos 60 minutos, obrigando a uma gestão cuidadosa de esforço -, e, nesta semana, o capitão teve uma prova de fogo, que superou plenamente: foram 90 minutos de intensidade máxima frente ao Real Madrid, e, quatro dias depois, novos 90 minutos de grande qualidade, sobretudo defensiva. Se o Boavista não criou qualquer perigo em lances de contra-ataque, deve-se muito à rapidez com que Adrien cortou muitas dessas iniciativas. Justiça seja feita, ajudou o facto de estar acompanhado por um grande William Carvalho, que também fez uma excelente exibição.

Uma vitória para dar confiança - é evidente que teria sido melhor vencer por 3 ou 4, caso tivéssemos concretizado as ocasiões flagrantes de que dispusemos, mas também estávamos necessitados de ganhar um jogo apertado e em condições adversas, para ajudar a ultrapassar os resultados que deixámos escapar nos últimos minutos contra o Real Madrid (por duas vezes) e V. Guimarães. Perante a contrariadade da expulsão de Semedo, a equipa manteve-se tranquila e lúcida, como se pôde comprovar pela... (avancemos para o próximo ponto)

Excelente gestão dos últimos minutos - depois de Rúben Semedo ter sido expulso, o Sporting praticamente não permitiu que se jogasse mais. Não é bonito de se ver, mas a equipa fez aquilo que tinha a fazer, perante uma vantagem tangencial no marcador e a desvantagem numérica a que ficou sujeita para os últimos dez minutos de jogo. Rúben adiou o mais possível a saída de campo - o suficiente para que Paulo Oliveira pudesse entrar ainda antes da marcação do livre -, tivemos as clássicas câimbras do guarda-redes, demora na reposição da bola em jogo, e aproveitaram-se todas as oportunidades em posse para conduzir a bola para junta das bandeirolas de canto opostas à baliza de Rui Patrício e mantê-la lá tanto tempo quanto possível. Neste departamento, estiveram particularmente bem Marvin Zeegelaar e Bryan Ruiz, que queimaram metade dos cinco minutos de descontos em sucessivos cantos e lançamentos laterais. Fazia falta esta ratice. A repetir sempre que se registarem circunstâncias idênticas.

Last, but not the least - mais atrás, de registar o bom jogo de Coates (o que é um hábito) e de Marvin Zeegelaar. Em relação ao holandês, parece estar a recuperar a confiança perdida. Já tinha feito uma boa exibição contra o Real, e repetiu-a hoje. A insistência de Jesus no holandês parece estar, finalmente, a dar frutos.



"Pôs-se a jeito", o #@$%*& - foi muito ouvido por aí, no rescaldo do jogo com Real Madrid: o João Pereira não fez nada, mas pôs-se a jeito. E já adivinho que, com Rúben Semedo, muita gente volte a ter a mesma opinião - "não acertou no outro, mas já tinha amarelo, pôs-se a jeito". Lamento, mas não estou de acordo. Rúben Semedo entra de forma impetuosa, sim, mas em momento algum coloca em risco a integridade física do adversário, que não estava assim tão próximo. Pôr-se a jeito é quando se faz efetivamente algo que justifique a punição, porque os árbitros estão lá para fazer cumprir as leis. Jogo perigoso, sim, mas apenas isso. Quando um jogador não faz nada que justifique um cartão, não se está a pôr a jeito, está a... jogar. Aos 3', Carlos Santos cortou um ataque mais que prometedor com um pisão perigoso no calcanhar de Gelson (até o descalçou):



Carlos Santos "pôs-se a jeito" para jogar 87 minutos sem margem para se "pôr a jeito" outra vez, mas, para sua felicidade, Fábio Veríssimo não viu aqui qualquer motivo para cartão. Carlos Santos, que, por acaso, acabaria por ver mesmo um amarelo aos 30 minutos. O que aconteceu com Rúben Semedo não foi uma questão de "se pôr a jeito", foi apenas um caso evidente de dualidade de critérios (e existiram vários, durante os 90 minutos).



Missão cumprida, com o bónus adicional de ter valido o segundo lugar isolado, já que, de seguida, o Porto empataria em Belém. O ciclo infernal continua já esta quarta-feira, num jogo em Alvalade - que se prevê quentinho -, para a Taça da Liga, contra o Arouca.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Balanço das arbitragens: 17ª jornada

Sporting 3-2 Braga (Jorge Sousa)

59': A bola bate na mão de André Pinto na sequência de um cruzamento de Gelson Martins, o árbitro assinalou penálti - decisão certa, o jogador do Braga tem o braço completamente aberto, e já dentro da área

63': Montero pica a bola, que acaba por bater no braço de Ricardo Ferreira; o árbitro não assinalou penálti - decisão errada, o jogador do Braga tem o braço levantado e interfere na trajetória da bola aumentando a mancha do corpo

72': João Mário comete uma falta com os pitons na perna de Rafa, o árbitro não assinalou nada - decisão errada, João Mário devia ter sido expulso

87': Slimani, em corrida, acerta com a mão na cara de Vukcevic, que seguia no seu encalço; o árbitro não considerou agressão - decisão certa, há falta de Slimani, mas não se enquadra numa agressão; quanto muito mereceria o cartão amarelo

=: um penálti por assinalar a favor do Sporting, que daria o empate; pouco depois, uma expulsão que deixaria o Sporting em inferioridade numérica; dificilmente o Sporting concretizaria a reviravolta ao resultado, e o Braga ficaria com boas condições de chegar à vitória (X2)


Boavista 0-5 Porto (Fábio Veríssimo)

55': Casillas derruba Luisinho fora da área, o árbitro mostrou amarelo - decisão certa, o jogador do Boavista estava numa zona lateral, e não se dirigia para a baliza

74': Golo anulado a Uchebo por fora-de-jogo - decisão errada, o jogador do Boavista estava em posição legal no momento do passe

80': Uchebo cai na área numa disputa de bola com Martins Indi; o árbitro não assinalou penálti - decisão errada, o jogador do Porto empurra o adversário sem jogar a bola

=: uma sequência de dois erros numa altura em que o resultado era de 0-3 e que poderiam ter relançado o Boavista para o jogo (X2)


Nacional 1-4 Benfica (Tiago Martins)

82': Zainadine faz falta violenta sobre Fejsa, o árbitro mostrou apenas amarelo - decisão errada, o jogador do Nacional devia ter sido expulso

Nota: não considero nesta análise o golo (mal) anulado a Soares, porque Júlio César desistiu do lance antes de o remate ter sido feito.

=: apesar do erro, arbitragem sem influência no resultado



Estatísticas da jornada



Estatísticas acumuladas



Classificação



Jogos com influência da arbitragem no resultado



Erros de arbitragem com o resultado em aberto



Erros de arbitragem com o resultado em aberto agrupados por árbitro, desde 2013/14


sábado, 9 de janeiro de 2016

Balanço das arbitragens: 15ª e 16ª jornadas

Guimarães 0-1 Benfica (Carlos Xistra)

18': Eliseu dá uma cotovelada em Cafu, o árbitro não mostrou qualquer cartão - decisão errada, é uma agressão, pelo que Eliseu devia ter sido expulso

19': Otávio vê o amarelo por uma falta dura por trás, a destempo, sobre Jonas; o árbitro entendeu mostrar apenas o cartão amarelo - decisão certa, Otávio acaba por acertar em Jonas apenas com a perna, pelo que se aceita que tenha visto apenas o cartão amarelo

20': Cafu cai na área ao ser desarmado por Pizzi, o árbitro não assinalou penálti - decisão certa, há contacto, mas Pizzi parece ganhar a posição dentro dos limites da legalidade

33': Bruno Gaspar cai na área após disputa de bola com Fejsa, o árbitro não assinalou penálti - decisão errada, o jogador do Benfica chegou atrasado e acertou apenas no adversário

51': Licá cai na área ao tentar passar por Lisandro, o árbitro não assinalou penálti - decisão errada, Lisandro empurrou Licá com o braço, não se enquadra na típica carga de ombro

51': Na sequência do penálti, Lisandro devia ter visto o segundo amarelo e consequente expulsão - decisão errada

90'+2: Jardel trava em falta Henrique Dourado, colocando-lhe o braço na cara, numa jogada de perigo; o árbitro não assinalou falta - decisão errada, a falta é evidente, e Jardel devia ter visto o segundo amarelo

=: Três expulsões perdoadas ao Benfica (apesar de uma delas ser numa altura em que já não influenciaria o resultado, pois estava no fim dos descontos) e dois penáltis por assinalar a favor do Guimarães; inúmeros erros de arbitragem que tiveram interferência grave no resultado final (1)


Sporting 2-0 Porto (Hugo Miguel)

5': Corona cai na área com Matheus Pereira a marcá-lo nas costas, o árbitro não considerou penálti decisão certa, não parece que Matheus faça qualquer tipo de falta, apesar de existir contacto

49': Após um cruzamento de João Mário, a bola bate no braço de Layun, o árbitro não considerou penálti - decisão certa, Layun tem o braço colado ao corpo e não tem intenção em jogar a bola com o braço

90'+1: Maxi acerta com o cotovelo em Naldo, o árbitro não mostrou qualquer cartão - decisão errada, a cotovelada é intencional e Maxi devia ter sido expulso

Nota: aos 6', Maxi agarra Ruiz na área de forma completamente ostensiva. Devia ter sido assinalado penálti contra o Porto. Não o coloco aqui, porque não incluo lances de agarrões na área em locais e momentos em que a bola não está a ser disputada.

=: apesar do erro cometido, arbitragem sem influência no resultado


Benfica 6-0 Marítimo (Fábio Veríssimo)

49': Penálti assinalado por falta de João Diogo sobre Jonas - decisão certa, existe um empurrão claro pelas costas do jogador do Benfica

53': Penálti assinalado por derrube de Fernando Ferreira a Carcela - decisão certa, o defesa do Marítimo tenta cortar a bola, mas acerta apenas no jogador do Benfica

84': Raúl Silva atinge Pizzi com o cotovelo, o árbitro não mostrou qualquer cartão - decisão errada, tratou-se de uma agressão, pelo que o jogador do Marítimo devia ter sido expulso

=: arbitragem sem influência no resultado


Setúbal 0-6 Sporting (Jorge Ferreira)

29': João Mário cai na área em disputa de bola com Venâncio, o árbitro não assinalou penálti - decisão certa, há contacto, mas Venâncio parece não empurrar João Mário, que acaba por se desequilibrar

40': Bruno César cai na área ao passar por Gorupec, o árbitro não considerou falta - decisão certa, há falta com o braço, mas parece ser cometida fora da área

=: arbitragem sem influência no resultado



Porto 1-1 Rio Ave (Rui Costa)

21': Brahimi cai na área após disputa de bola com Pedrinho, o árbitro não considerou penálti - decisão errada, apesar de Brahimi não ter hipóteses de chegar à bola, parece haver empurrão do defesa do Rio Ave, pelo que ficou um penálti por assinalar

84': Layun faz um cruzamento que é cortado por Wakaso, ficando a dúvida se o corte terá sido com a cabeça ou com a mão - decisão certa, o jogador do Rio Ave fez o corte com a cabeça

=: um penálti por assinalar quando o resultado estava em 0-0 (1X)



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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Balanço das arbitragens: 9ª jornada

(com algum atraso, aqui fica o balanço da 9ª jornada; o balanço da 10ª jornada será publicado ainda hoje)

Tondela 0-4 Benfica (Fábio Veríssimo)

=: Jogo sem lances críticos de arbitragem


Sporting 1-0 Estoril (Jorge Ferreira)

50': Após cruzamento da esquerda, a bola bate no braço de Mano dentro da área do Estoril; o árbitro não assinalou penálti - decisão errada, o defesa do Estoril tem o braço esticado e corta a jogada irregularmente

55': É assinalado penálti sobre Teo Gutierrez - decisão errada, existe uma rasteira indiscutível sobre o colombiano, mas este parte de uma posição de fora-de-jogo, pelo que a jogada devia ter sido interrompida antes

=: o Sporting marcou o único golo da partida graças a um penálti que não deveria ter sido assinalado, mas cinco minutos antes houve um penálti por assinalar a seu favor; como tal, apesar dos erros, arbitragem sem influência no resultado



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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Balanço das arbitragens: 5ª jornada

Porto 1-0 Benfica (Artur Soares Dias)

52': Maxi Pereira faz uma entrada perigosa de pitons em riste, sem acertar em Jonas, mas imediatamente a seguir rasteira-o; o árbitro entendeu não ser motivo para mostrar o 2º amarelo - decisão errada, foi uma entrada demasiado impetuosa e com risco para o adversário, devia ter sido mostrado cartão

54': Ao saltar para disputar uma bola, André Almeida acerta com o cotovelo em André André; o árbitro entendeu não ser motivo para mostrar o 2º amarelo - decisão errada, é uma falta dura que merecia cartão

59': Luisão toca nas pernas de Aboubakar na área, o jogador consegue continuar a jogada; o árbitro não assinalou penálti - decisão certa, houve contacto mas o jogador do Porto acabou por conseguir dar sequência à jogada sem sair prejudicado

=: os dois erros são semelhantes e aconteceram muito próximos um do outro pelo que acabam por se "anular"; mas por outro lado, se Maxi tivesse sido expulso, os jogadores do Benfica poderiam passar a ter mais cautela na abordagem aos lances - nomeadamente os jogadores já amarelados; como tal, é admissível considerar que o Benfica poderia ter conseguido um melhor resultado (1X2)


Sporting 1-0 Nacional (Fábio Veríssimo)


Nota: o primeiro amarelo a Sequeira é mal mostrado porque não o jogador não faz falta, mas não o considero um erro crítico por se tratar do primeiro cartão para o jogador. Quem quiser rever os critérios que definem os lances que são ou não críticos nesta análise pode fazê-lo AQUI.

2': Bryan Ruiz cai na área após ser derrubado por Zainadine, o árbitro não assinalou penálti - decisão errada, Ruiz joga a bola, Zainadine toca apenas de raspão no esférico e de imediato ceifa a perna do costa-riquenho, pelo que devia ter sido assinalado penálti


32': Sequeira vê o segundo amarelo por derrubar Slimani - decisão certa, o jogador do Nacional não está a correr no sentido da bola, preocupando-se unicamente em barrar o caminho a Slimani, que está a seguir na direção do esférico; não se pode considerar carga de ombro porque para isso Sequeira teria que estar a disputar a bola; tratando-se de um ataque prometedor, aceita-se o amarelo e consequente expulsão


35': Slimani cabeceia na área e a bola bate no braço de Zainadine, o árbitro não assinalou penálti - decisão errada, o antebraço do defesa do Nacional está colado ao corpo, mas o braço está estendido e a aumentar o volume, acabando por impedir com a mão que a bola seguisse para a baliza

71': Carlos Mané cai na área ao passar por Rui Correia, o árbitro não assinalou penálti - decisão certa, o jogador do Nacional não chega a tocar em Mané, que ao tentar contorná-lo acaba por se desequilibrar e cair

75': Gelson Martins cai na área ao chocar com Nené Bonilha, o árbitro não assinalou penálti - decisão certa, o jogador do Nacional tem a posição ganha e é Gelson que acaba por ir contra ele

=: apesar dos erros, arbitragem sem influência no resultado



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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Balanço das arbitragens: 1ª jornada

À semelhança do que fiz nas duas épocas anteriores, vou fazer um balanço dos lances críticos de arbitragem dos jogos dos grandes após cada jornada.

Em primeiro lugar, quero relembrar o que considero como lances críticos: são situações cujas decisões de arbitragem têm um impacto direto, imediato e inegável na partida. 

Considero lances críticos:
  • penáltis assinalados ou por assinalar
  • cartões vermelhos diretos mostrados ou por mostrar
  • 2º amarelo exibido a um jogador que leva à sua expulsão, ou que tenha ficado por mostrar
  • golos marcados em fora-de-jogo
  • golos anulados (incluindo golos não anulados por fora-de-jogo, desde que os intervenientes diretos da equipa que defende não desistam da jogada)

Não considero lances críticos:
  • Faltas mal assinaladas que deram origem a um golo
  • Cantos mal assinalados que deram origem a um golo
  • Qualquer tipo de erro de arbitragem que não tenha antecedido de imediato o golo ou assistência
  • Foras-de-jogo mal assinalados em que um jogador não rematou de imediato à baliza ou em que os jogadores da defesa deixaram de se fazer ao lance
  • Cartões amarelos mal mostrados (ou que ficaram por mostrar), que sejam (ou fossem) o 1º cartão que o jogador vê na partida, independentemente de mais tarde ver ou não outro amarelo

Por exemplo, não considero um canto mal assinalado na partida como um erro crítico porque a probabilidade de dar golo é pequena, ao contrário de um penálti por assinalar ou de um golo mal anulado. Não considero um 1º amarelo mal mostrado como um erro crítico porque o jogador pode corrigir a sua atitude em função desse cartão para evitar o 2º amarelo. Já um erro na exibição de um 2º amarelo é um erro crítico pois implica uma equipa irreversivelmente beneficiada e outra prejudicada.

Para além disso, valorizo mais os erros críticos de arbitragem que acontecem primeiro. Uma expulsão perdoada aos 15' é completamente diferente de uma expulsão perdoada aos 80', assim como um erro com um resultado em aberto é bem mais prejudicial que um erro com um resultado decidido.

Vou basear a análise sobretudo em lances selecionados em programas como o Dia Seguinte ou Prolongamento, mas poderei incluir outras situações de jogo que se justifiquem.

Farei este post no final da semana seguinte à jornada, de forma a realizar a análise o mais a frio possível e depois de ter tido oportunidade de assistir a múltiplas análises na comunicação social. De qualquer forma, deixo a seguinte declaração de interesses: apesar de fazer um esforço para analisar todos os lances da forma mais racional que me é possível (independentemente dos clubes em causa), não deixo de ser um adepto fervoroso do Sporting e admito que as minhas lentes verdes me possam toldar o juízo que faço em algumas situações.

De qualquer forma, tento ser o mais coerente possível e em casos duvidosos costumo rever lances semelhantes que aconteceram no passado para ver o que escrevi - o que acaba por servir um pouco como instrumento de auto-regulação.

Sei que muita gente acha inútil este tipo de exercícios, o que é uma opinião que respeito. No entanto, não vejo qualquer mal em fazer um registo continuado da qualidade das arbitragens que temos por cá usando sobretudo parâmetros racionais e objetivos. Sei que o trabalho de um árbitro em Portugal é extremamente ingrato, mas isso não quer dizer que os erros que existem (que são em número demasiado elevado) não sejam resultado de incompetência e, por vezes, mesmo propositados (seja de forma consciente ou como mecanismo de auto-defesa). Mas também todos sabemos que as arbitragens podem decidir campeonatos - apesar de muitos não gostarem de o admitir.

Feitas as explicações e declarações de interesses, vamos ao balanço da 1ª jornada.


Tondela 1-2 Sporting (Carlos Xistra)

58': Golo do Tondela é validado - decisão errada, Luís Alberto está em posição de fora-de-jogo quando Bruno Nascimento toca a bola para a frente, e ajeita posteriormente a bola com a mão; o golo devia ter sido anulado

90'+4: Gelson Martins cai na área após contacto com Murillo; o árbitro assinalou penálti - decisão certa, o jogador do Tondela chega atrasado e derruba Gelson; não existe jogo perigoso, visto que o pé de Gelson não se levanta para além do razoável, para além de que o adversário ainda não está nas imediações quando faz o movimento para controlar a bola

=: apesar do erro, arbitragem sem influência no resultado


Porto 3-0 Guimarães (Fábio Veríssimo)

18': Herrera remata e a bola bate no braço de Tomané; o árbitro não assinala penálti - decisão certa, o jogador vira-se para se proteger no momento do remate mas tem o braço colado ao peito, não havendo intencionalidade em jogar a bola com o braço

87':
No momento da marcação de um livre, Tomané cai na área, o árbitro não assinala penálti - decisão certa, as imagens não são claras, mas não parece haver nada de anormal

=: arbitragem sem influência no resultado


Benfica 4-0 Estoril (Tiago Martins)


10': Leo Bonatini cai na área após contacto de Luisão nas costas; o árbitro não assinalou penálti - decisão errada, Luisão empurra o avançado do Estoril, ficando por assinalar um penálti e a exibição de um cartão amarelo ao defesa benfiquista


41': Gaitan cruza e há a dúvida se a bola bate no braço de Anderson Luís; o árbitro não assinalou penálti - decisão certa, o defesa do Estoril tem as mãos atrás das costas e mesmo que a bola tenha tocado no braço é um lance casual

62': Leo Bonatini cai na área após um carrinho de Talisca; o árbitro não assinalou penálti - decisão certa, Talisca não chega a tocar no jogador do Estoril

77': Talisca remata e a bola bate no braço de Mattheus; o árbitro assinalou penálti - decisão errada, visto de trás, dá a ideia que o braço esquerdo do defesa estorilista bate na bola, mas numa imagem de perfil que a SIC Notícias disponibilizou percebe-se que a bola bate primeiro na barriga, o que significa que qualquer toque posterior não pode ser considerado como deliberado.



Nota: se alguém disponibilizar alguma imagem frontal da transmissão da BTV que mostre com maior clareza o lance, agradeço. Se essas imagens provarem que houve falta, farei a revisão desta análise.

=: Ficou um penálti por assinalar a favor do Estoril quando o resultado era 0-0; o golo que dá o 2-0 a menos de 15 minutos do fim surge de um penálti que parece não existir (X)



Estatísticas da jornada



Classificação



Jogos com influência da arbitragem no resultado



Erros de arbitragem com o resultado em aberto



Erros de arbitragem com o resultado em aberto agrupados por árbitro, desde 2013/14