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quarta-feira, 19 de junho de 2019

Balanço da época, nº 5: Avançados



Bas Dost: ** 
2017/18: *** 

Iniciou a época a um excelente nível, chegando aos 10 golos apontados nas primeiras 13 jornadas (sendo que apenas foi titular em apenas 7 desses jogos devido a uma lesão no joelho). No entanto, caiu bruscamente de rendimento a partir de janeiro, sem qualquer confiança no momento de finalizar, ao ponto de parecer por completo um jogador inapto para alinhar numa equipa de primeira divisão. A lesão contraída acabou por ser uma benesse – para o jogador, que se arrastava nos relvados de forma deprimente, e para o clube, que encontraria em Luiz Phellype um goleador inesperado – que deu tempo ao holandês para se recompor psicologicamente. Ainda alinhou nas últimas quatro partidas – sempre como suplente usado -, mas foi o suficiente para voltar a colocar o seu nome na lista dos marcadores por duas ocasiões, ambas no Jamor, contra Belenenses e Porto, parecendo-se muito mais com o Dost que nos habituámos a admirar. 

É pouco provável que continue devido ao incomportável salário que Cintra lhe ofereceu quando voltou da rescisão. O Sporting não se pode dar ao luxo de pagar 6 milhões de euros brutos a um único jogador. 


Luiz Phellype: ** 

Analisando estritamente do ponto de vista do custo/rendimento, a contratação de Luiz Phellype foi um completo sucesso - nos últimos anos, apenas um jogador ficou acima nesta escala: Islam Slimani. O brasileiro não se integrou de imediato e precisou de tempo para apurar a forma física. A lesão de Dost deu-lhe o tempo e o espaço que precisava para se impor. Nos últimos 10 jogos da temporada, assinou 8 golos, incluindo um golo no Dragão e o penálti decisivo na final da Taça. 

Ainda é difícil avaliar se Luiz Phellype tem o que é necessário para ser o ponta-de-lança do Sporting. A forma como o Sporting se apresentou nos últimos meses não era propício a um volume de jogo ofensivo propício para alimentar goleadores, mas o brasileiro conseguiu uma taxa considerável de concretização das oportunidades flagrantes de que dispôs. Independentemente disso, é um jogador com quem se poderá contar para 2019/20. 


Fredy Montero: * 
2017/18: **
2015/16: *
2014/15: ** 
2013/14: **

Montero foi em 2019/20 exatamente aquilo que dele se poderia esperar: talentoso tecnicamente, mas sem a consistência competitiva necessária, podendo, no máximo, ser considerado um jogador útil para se ter no plantel. No entanto, os 3 milhões de euros anuais que recebia obrigavam a que fosse mais do que um jogador útil e pouco fiável, pelo que a decisão de o deixar sair para a MLS se compreende perfeitamente. 


Pedro Marques: - 

31 minutos na Liga Europa para se mostrar aos sportinguistas. Precisa de se impor nos sub-23 antes de poder ambicionar fazer parte do plantel principal. 


Raphinha: ** 

Não teve um começo de época complicado, com exibições abaixo do esperado – como tantos outros colegas – com Peseiro, ao que se juntou uma lesão contraída dias antes da entrada de Keizer que o deixou de fora dos relvados até ao final de dezembro. Progressivamente foi ganhando o seu espaço na equipa e terminou a época em bom nível como titular. 7 golos e 5 assistências são números abaixo do que pode fazer, mas, agora que está plenamente adaptado ao clube e ao treinador, tem todas as condições para explodir em 2019/20. 


Abdoulay Diaby: * 

Um caso oposto ao de Raphinha. Diaby tem números (7 golos e 8 assistências) que dão uma imagem errada (pela positiva) daquilo que rendeu em campo. Cintra apresentou-o como o jogador mais rápido do futebol português (Rafa deve ter-se rido às gargalhadas), e, de facto, Diaby assemelhou-se mais a um atleta do que a um futebolista – mas não na velocidade, mais na sua (falta de) relação com a bola, tantos foram os momentos constrangedores que proporcionou. Um flop de 5,5 milhões que não tem lugar no plantel da próxima época. 


Jovane Cabral: * 

Teve um impacto inesperadamente positivo na fase inicial da época. Soube fazer uso da sua capacidade física quando lançado a meio da segunda parte para abanar o jogo. É, efetivamente, um jogador útil para ter no banco, como atestam os números: 4 golos e 8 assistências em 1.193 minutos de utilização, que dá uma média inferior a 1 golo/assistência por cada 100 minutos. No entanto, não tem capacidade neste momento (nem sei se alguma vez terá) para mais do que isso. Jogando como titular, raramente conseguiu justificar a aposta. Jovane marcou 4 golos e fez 5 assistência entrando como suplente; como titular apenas registou 3 assistências. 

Suponho que em 2019/20, o melhor para Jovane seja o empréstimo a outra equipa da I Liga. 


Nani: ** 
2014/15: ** 

Foi provavelmente a grande contratação da época e foi um dos jogadores em destaque com José Peseiro – numa altura em que Bruno Fernandes estava a render muito abaixo do que pode. Esteve ao nível das expetativas criadas, jogando e fazendo jogar, ainda que – mais uma vez -, grande parte das bancadas não conseguisse compreender as suas contemporizações à espera de uma boa opção para dar sequência à jogada. 

A sua saída em janeiro foi, por isso, inesperada e mal compreendida entre os adeptos. A componente salarial terá tido um peso fulcral nessa decisão, mas, ao que se diz, não seria fonte de bom ambiente no balneário. A verdade é que a equipa não se ressentiu da sua saída - nem desportivamente, nem, sobretudo, ao nível da liderança dentro de campo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Eliminatória em aberto

Foto: Mais Futebol
Depois da tortura a que fomos sujeitos no domingo - e que tão perto esteve de terminar numa humilhação histórica -, Keizer foi obrigado a mexer no onze e na estratégia: refrescou a equipa lançando Ilori, Borja, Acuña, Jovane e Luiz Phellype, e acertou agulhas no meio-campo de forma a não deixar que os jogadores benfiquistas recebessem a bola tão à vontade como aconteceu em Alvalade. As alterações melhoraram o desempenho geral, mas não o suficiente, continuando a haver demasiados erros individuais a colocar a equipa em apuros - nos quais se incluem os dois golos sofridos, facilmente evitáveis. Depois de mais uma má entrada em campo e uma primeira parte globalmente sofrível, a exibição foi evoluindo em crescendo para uma segunda parte mais aceitável. Sofremos o 2º golo numa altura em que o jogo estava equilibrado (Wendel podia ter empatado minutos antes) - que terminaria com o Sporting a cheirar o empate: Bruno Fernandes reduziu através de mais uma bomba de livre...




... e perto do fim, Luís Godinho interrompeu uma jogada que terminaria com a bola na baliza do Benfica por causa de uma suposta falta de Dost sobre Svilar fora da pequena área. Uma decisão muito, muito discutível que, esperemos, não venha a ser decisiva para o desfecho da eliminatória.

Relativamente aos reforços de inverno:
  • Ilori foi infeliz no autogolo e alternou um punhado de boas intervenções com alguns erros (falhou tempo de salto num livre que permitiu que a bola chegasse a Rúben Dias só com Renan pela frente, alguns passes mal medidos), mas verdade seja dita que ficou logo condicionado a partir do primeiro minuto por causa de um cartão amarelo exagerado - nem a falta que cometeu era para cartão, como não usufruiu da habitual tolerância dos árbitros nos primeiros minutos de jogo. A pergunta que se impõe é: foram erros destes que foram empurrando Ilori para o fundo do Championship e é melhor que nos habituemos a eles, ou aconteceram sobretudo por ainda não estar familiarizado com os colegas e com o sistemas de jogo de Keizer? A bem do seu futuro no Sporting, é bom que seja o segundo caso.
  • Borja podia ter feito mais no segundo golo do Benfica, mas fez uma exibição globalmente positiva. Demonstrou boa capacidade técnica, bem nas trocas de bola, e não tem medo de subir pelo seu flanco - apesar de se ter notado alguma falta de entendimento com Acuña nas ações ofensivas.
  • Jovane não foi feliz no regresso à titularidade. É verdade que o ritmo está longe de ser o ideal, mas continuo convencido que é muito mais útil saindo do banco.
  • Luiz Phellype fez o seu melhor jogo desde que chegou ao Sporting (o que não era difícil, concedo). Jogou muito isolado na primeira parte, mas na segunda, com o adiantamento posicional da equipa, teve várias ocasiões para mostrar serviço - sobretudo a segurar a bola e a servir os companheiros mais próximos. Melhorou com Dost ao seu lado, parecendo estar mais à vontade a jogar em 4-4-2 do que em 4-3-3.

A eliminatória está em aberto, mas é óbvio que só conseguiremos a qualificação para a final do Jamor caso estes dois meses sejam bem aproveitados para construir um onze mais apresentável e com pernas. Até lá, a estratégia terá de passar por utilizar os jogos do campeonato para desenvolver e os jogos da Liga Europa para competir na máxima força. Começando já no próximo fim-de-semana em Santa Maria da Feira, há que descansar jogadores (Bruno Fernandes, Wendel, Coates), retirar outros que não têm qualidade para jogar a este nível (Bruno Gaspar e Gudelj, apesar de, no caso do sérvio, Keizer ter opinião contrária), e continuar a integrar os reforços (Ilori, Borja, Doumbia, Geraldes) e jogadores menos utilizados (Miguel Luís, Ristovski), de forma a podermos atacar a eliminatória da Liga Europa em melhores condições do que nas últimas partidas.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Remontada à holandesa

Dizia Marcel Keizer, há uns dias, que na sua opinião é melhor ganhar 3-2 do que ganhar 1-0. O início de jogo de ontem acabou por transformar esta frase numa espécie de profecia para o que a noite reservava ao Sporting, que se viu bem cedo numa situação de desvantagem de dois golos e passou a ter como objetivo mínimo o tal resultado de 3-2. Felizmente esse objetivo acabaria por ser alcançado e até ultrapassado, mas mais assente no esforço e genialidade individual (e alguma felicidade) do que em discernimento coletivo.

Há que dizer que o Nacional não merecia perder por uma diferença tão grande. A equipa de Costinha fez uma excelente 1ª parte, posicionando-se em regiões adiantadas, pressionando alto, colocando 4, 5 ou 6 jogadores em movimentos ofensivos e nunca recorrendo ao antijogo, mesmo em vantagem no marcador. O 1-2 ao intervalo justificava-se plenamente. Creio, no entanto, que esse esforço acabaria por ter consequências: o Nacional quebrou fisicamente e o Sporting foi, progressivamente, tomando conta das operações e terminou o jogo dominando por completo os últimos 30 minutos - período em que obteve quatro golos sem resposta.

Uma vitória expressiva que justificou o entusiasmo nas bancadas e no relvado pela remontada alcançada, mas que também deixou alguns pontos de preocupação pelas fragilidades demonstradas durante a primeira meia-hora - à semelhança do que já tinha acontecido com o Aves.



Remontada à holandesa - não é todos os dias que se marca 5 golos e, sobretudo, não é todos os dias que se marca 5 golos recuperando de uma desvantagem de 0-2. 5 golos que prolongam uma série de elevada produção ofensiva na era Keizer: nestes seis jogos, o Sporting marcou 4, 6, 3, 4, 3 e 5 golos. Ontem, não tendo sido uma noite de nota artística muito elevada, foi pelo menos uma noite em que a equipa demonstrou carácter, personalidade e paciência para virar e resolver uma partida que começou da pior forma possível.

Postal da Borgonha - o magistral livre executado por Mathieu foi o grande momento do jogo. Não só pela beleza do golo, mas também por ter colocado o Sporting pela primeira vez em vantagem no marcador. A distância para a baliza e o local pouco central obrigavam a colocação e potência, e foi colocação e potência que aquele pé esquerdo deu à bola. Totalmente merecedor dos efusivos festejos no relvado, banco e nas bancadas.

Os suspeitos do costume - Bas Dost e Bruno Fernandes, com dois golos cada, foram mais uma vez fundamentais na conquista dos três pontos e confirmaram o excelente momento de forma que atravessam. O holandês mostrou novamente que é um excelente marcador de penáltis (não pela força e colocação dos remates, mas por ser quase sempre capaz de antecipar para que lado o guarda-redes se vai atirar). Ontem marcou 3 em 3, ainda que só 2 tenham contado. Bruno Fernandes, nestes 6 jogos com Keizer, leva uns impressionantes 6 golos e 5 assistências.

Os miúdos que vieram do banco - Miguel Luís entrou ao intervalo para o lugar de Bruno César e Jovane substituiu Nani a 25 minutos do fim. Ambos os jogadores entraram bem e foram importantes para impor o domínio registado na 2ª parte, e tiveram participação direta em dois golos: Jovane fez um grande passe para a desmarcação de Dost no lance do 2-2, e Miguel Luís fez o cruzamento para Bruno Fernandes no 5º golo.



Problemas defensivos - houve remontada porque sofremos dois golos a abrir, e quando se sofre dois golos a abrir é sinal de que existem problemas defensivos que é necessário resolver ou, no mínimo, mitigar. É indiscutível que temos uma questão delicada na lateral esquerda, pois a ausência de Acuña implica a utilização de um Jefferson que comete erros atrás de erros, ainda mais quando não existe um meio-campo suficientemente oleado que seja capaz de compensar os buracos que se vão abrindo - não termos um 6 puro acaba por se notar em algumas circunstâncias. E ontem, para piorar, tivemos também um Mathieu numa noite pouco feliz no controlo do espaço defensivo, o que acabou por tornar mais visíveis esses problemas.

Aposta falhada - não correu bem a aposta em Bruno César para o lugar de Wendel. O brasileiro pareceu sempre um elemento deslocado do coletivo e, não sendo propriamente conhecido por ser um jogador rápido, evidenciou uma completa falta de ritmo que contribuiu para as dificuldades reveladas pelo Sporting para controlar o meio-campo na 1ª parte. Bem substituído ao intervalo. 

Impaciência - é normal que os sportinguistas presentes nas bancadas se tenham sentido intranquilos, mas não vejo o que se pode ganhar em demonstrar essa intranquilidade de forma tão ruidosa em determinados tipos de situação. Os assobios para Renan na marcação dos pontapés de baliza ou nas reposições tiveram consequências: inicialmente procurava opções para sair a jogar sem correr demasiados riscos, mas a partir de determinada altura, após ter sido assobiado por diversas vezes, passou a optar por despejar bolas para a frente. Não faz sentido que o público de Alvalade contribua para a intranquilidade da equipa, ainda por cima em situações em que um jogador está a tentar cumprir as indicações dadas pelo treinador.



Nota artística - 3

MVP - Bruno Fernandes

Arbitragem - muitos lances polémicos, mas Fábio Veríssimo esteve bem na maior parte das decisões. Bem no golo anulado a Dost, pois Diaby estava adiantado no momento em que o passe é feito. O 1º penálti é bem assinalado, pois Vítor Gonçalves desequilibra Dost com um toque com o seu joelho esquerdo. Parece-me boa a decisão no choque de cabeças no remate de Diaby, já que o contacto é provocado pelos dois jogadores em simultâneo - o jogador do Nacional foi contra Diaby, mas o maliano também saltou deslocando-se para trás na direção do adversário. O lance do 2º penálti que deu o 4-2 é o que me deixa mais dúvidas: há uma mão nas costas de Dost e outra a prender-lhe o ombro, mas não sei até que ponto isso foi suficiente para o desequilibrar.



6 jogos, 6 vitórias, 25 golos marcados, 6 golos sofridos. Os números continuam avassaladores, mas as dificuldades que a equipa atravessou nestas duas receções aconselham alguma prudência na equipa e adeptos. Seguem-se um novo jogo com o Rio Ave para a Taça de Portugal e uma deslocação a Guimarães para o campeonato - curiosamente, mais duas partidas contra equipas que quererão jogar de olhos nos olhos.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

"Every game is a test", mas há games que são testes mais exigentes do que outros

"Every game is a test": foi desta forma sóbria que Marcel Keizer respondeu na flash interview à questão sobre se considerava o jogo de ontem o primeiro teste a sério à sua equipa. É verdade que cada jogo é um teste e muitas vezes os dissabores surgem quando menos se espera, mas não se pode colocar em causa que esta deslocação a Vila do Conde era visto por muita gente - yours truly incluído - como um desafio muito sério à adaptação das ideias de jogo de Keizer ao cinismo do futebol português.

E o veredicto final em relação a este teste não deixa dúvidas: foi superado, de forma muito satisfatória. Não só voltámos a ver a equipa criativa e veloz na procura do golo que passeou em Baku, mas também nos foi apresentado um Sporting inteligente e pragmático na altura de gerir o resultado e o esforço - algo inevitável apenas quatro dias depois de um jogo europeu que nos obrigou a uma deslocação aos confins do continente.




Primeira parte com nota artística - foi uma bela forma de dar continuidade à excelente exibição contra o Qarabag. A primeira parte contra o Rio Ave apresentou novamente um Sporting a jogar simples, rápido e de forma objetiva, com uma circulação de bola dinâmica capaz de gerar espaços e de chegar com facilidade à área adversária. Bruno Fernandes foi o homem do jogo, mas há também que dar o devido destaque ao excelente supporting cast que o rodeou: o entendimento entre si e Gudelj, Wendel, Acuña, Nani e Dost parece cada vez melhor. Vantagem no marcador logo a abrir, excelente reação ao golo do empate com um domínio que nos colocou de nov na frente e que só afrouxaria aos 40', com bastantes ocasiões para marcar pelo meio.

Segunda parte pragmática - tendo o Rio Ave a obrigação de assumir maior despesa na procura do golo do empate e havendo o desgaste acumulado pós-Qarabag, o Sporting soube adaptar-se às circunstâncias e teve capacidade para gerir o resultado. Houve alguns arrepios, é certo - com Renan a mostrar serviço -, mas até acabou por dar direito à ampliação da vantagem. Com o 3-1 feito, houve capacidade para congelar o jogo nos minutos finais.

O golo de Jovane - foi de bola corrida, mas mais pareceu uma bola parada sem barreira. Com o esférico imobilizado, saiu um remate espontâneo ao ângulo, tão imprevisível quanto indefensável, que fechou o resultado da melhor forma possível. Um golaço de um jogador que continua a corresponder da melhor forma sempre que sai do banco.

100 - o jogo de 100 de Dost foi assinalado com uma referência nas costas da camisola do holandês... e com mais um golo. Nem podia ser de outra forma.

As substituições - Keizer esteve bem em tirar Acuña, já que tudo indicava que a tolerância de Xistra estava esgotada e o segundo amarelo estava apenas a uma falta de distância. Esteve bem também ao tirar Diaby, que estava a passar ao lado do jogo, para lançar o joker Jovane. E esteve bem ao tirar o desgastado Wendel para colocar Bruno César, de forma a procurar manter o controlo do meio-campo. Considerando o pouco tempo de trabalho com estes jogadores e a falta de contacto com as particularidades do futebol português, é animador ver o treinador a fazer uma leitura tão acertada do que o jogo estava a dar e dos riscos que se apresentavam.



Sustos - houve na primeira parte um par de sustos evitáveis em que Renan facilitou a jogar com os pés, que seriam compensados por três intervenções preciosas do guarda-redes na segunda parte que evitaram golos do Rio Ave que pareciam certos.

Ineficácia - foram imensas as oportunidades de golo criadas durante a primeira parte, suficientes para deixar o jogo resolvido ao intervalo: Mathieu, Coates, Dost e Diaby tiveram condições para finalizar melhor, e Bruno Fernandes obrigou Leo Jardim a grande intervenção. Felizmente esses golos falhados acabaram por não fazer falta.



MVP - Bruno Fernandes

Nota artística - 4

Arbitragem - Não se justificam os protestos dos jogadores do Rio Ave no primeiro golo, pois houve Gudelj sofreu uma carga e a falta foi marcada a uma distância aceitável. O lance de Mathieu com Vinicius era de avaliação muito complicada, e compreende-se que árbitro e VAR tenham deixado seguir. Xistra mostrou muitos cartões mas foi coerente na exibição de cartões, ainda que se possa dizer que Acuña teve sorte por não ter visto o segundo amarelo no final da primeira parte.



Estreia auspiciosa de Keizer no campeonato, com mais uma vitória convincente a fechar uma sequência de três jogos disputados fora de Alvalade. Seguem-se agora, previsivelmente, duas estreias num jogo só: a primeira partida em casa, e o primeiro adversário da I Liga (Aves) que estacionará o autocarro e apostará ofensivamente apenas no aproveitamento de eventuais erros dos nossos jogadores. Uma coisa é certa: com este arranque, este treinador e o futebol que trouxe merecem um estádio cheio para o receber.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Dever cumprido

Não há muito que se possa fazer numa situação de transição entre um treinador que foi incapaz de tirar rendimento do plantel que tem para um treinador que necessitará de tempo para colocar em prática as suas ideias, que se desejam bem diferentes (para melhor, claro) daquelas que nos levaram a este ponto. Ao treinador que fica com a criança nas mãos durante este período apenas se pode exigir que não caia nos equívocos mais aberrantes e que vá conquistando os pontos em disputa, seja lá como for.

Nesse sentido, Tiago Fernandes pode dormir tranquilo com a consciência de dever cumprido. Não pôs nem podia pôr a equipa a jogar melhor apenas com um par de treinos, mas arriscou algumas alterações e fez o que pôde com aquilo que o jogo lhe deu e, com a colaboração do adversário, acabou por ser feliz e saiu dos Açores com três pontos preciosíssimos. Um desfecho que o clube agradece nesta fase tão turbulenta, pois é muito mais fácil corrigir o rumo em cima de vitórias.



Três pontos - nota artística baixa, mas o fundamental era obter os três pontos. Valeu-nos o sangue (duplamente) frio de Dost, ao ser obrigado a repetir a marcação do penálti, o hara-kiri de Patrick Vieira, e a irreverência de Jovane e o movimento anti-natura de Acuña no segundo golo. E não esquecer que foi alcançado em condições climatéricas pouco favoráveis, que contribuem para um aumento de aleatoriedade da forma como o jogo decorre.

Opções corajosas - Tiago Fernandes mexeu um pouco no esquema ao colocar Diaby no meio no apoio a Dost e lançou Lumor a lateral algo surpreendentemente, optando por colocar Acuña como extremo e recuando Bruno Fernandes para fazer a vez de um Gudelj mais adiantado. A opção de Diaby não resultou, pois raramente conseguiu fazer a ligação entre setores e nunca conseguiu explorar a profundidade. Lumor fez genericamente um bom jogo, mas teve responsabilidades repartidas no golo sofrido - sendo, ainda assim, um claro upgrade em relação a Jefferson. O treinador esteve bem ao mexer na equipa cedo: a troca ao intervalo de Jovane por Diaby melhorou o rendimento da equipa e o jovem extremo confirmou a apetência para ter impacto decisivo quando é lançado com o jogo a decorrer, com a assistência para o segundo golo. Acuña, que com as trocas posicionais feitas ao intervalo passou para a faixa direita, conseguiu uma exibição positiva da qual se destaca, obviamente, o golo da vitória.


Mais do mesmo - Peseiro saiu, mas o seu legado, para o bem e para o mal (infelizmente muito mais para o mal do que para o bem), tardará a desaparecer. Mais uma exibição desgarrada, pouco inteligente - tardou que a equipa percebesse que podia usar o forte vento a favor -, sempre muito mais em esforço do que em jeito, com muitos jogadores em subrendimento. Mais do mesmo, portanto.

A gestão dos últimos minutos - apesar de o Santa Clara estar com menos um, a equipa foi completamente incapaz de manter a bola afastada da nossa área nos minutos finais da partida. Várias situações arrepiantes que, com uma pequena dose de felicidade para o Santa Clara, poderiam ter dado o golo do empate e retirado dois pontos ao Sporting.



MVP - Acuña 

Nota artística - 2

Arbitragem - bom trabalho de Manuel Mota. Decidiu bem todos os lances de dúvida na área, incluindo o penálti sobre Dost e manteve um critério disciplinar coerente ao longo de todo o jogo. Em relação à expulsão de Patrick Vieira, os aplausos irónicos justificariam um amarelo, mas deverá ter havido algo mais que só o árbitro e o jogador saberão.



Três pontos fundamentais que nos mantém a dois pontos de Porto e Braga. Para a semana recebemos o Chaves e os dois primeiros classificados defrontam-se no Dragão. Numa fase destas, nas circunstâncias que vivemos, não faz sentido pensar de outra forma: tem de ser jogo a jogo.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Há hábitos piores para se ter

É verdade que o Qarabag é tudo menos um colosso europeu, é um adversário contra quem tínhamos obrigação de vencer em casa, mas pode ser uma equipa chata - como se pode avaliar pela sua participação na Liga dos Campeões em 2017/18, quando empataram por duas vezes com o Atlético Madrid e venderam caras as derrotas tangenciais contra a Roma. Ontem, foi precisamente isso: uma equipa chata com qualidade suficiente para segurar um Sporting que não entrou particularmente preocupado em resolver rapidamente o jogo: a primeira parte foi bastante pobre, com sinais de melhoria nos últimos dez minutos que depois teriam sequência na segunda parte.

Na realidade, aquilo que se passou ontem para a Liga Europa não foi diferente do que tem sido a tendência neste início de época: mais uma vez, o Sporting fez uma exibição globalmente pouco entusiasmante; mas no final saiu com um resultado positivo. Jogar pouco e ganhar. Há hábitos piores para se ter.



As jogadas dos golos - a verticalidade do primeiro golo (com uma maravilhosa assistência de Nani) e a raça do segundo (com o bónus da maldade de Montero) valeram bem o custo do bilhete.

Valores emergentes - Raphinha foi mais uma vez fundamental, com um golo e uma assistência, e não há dúvidas de que ganhou um lugar no onze. Jovane, entrando apenas a cinco minutos do fim, parecia condenado a ter o seu primeiro jogo sem ter um impacto importante no resultado (penálti sofrido contra o Moreirense, assistência contra o V. Setúbal, Golo contra o Feirense, penálti sofrido contra o Marítimo), mas fez bom uso do tempo que lhe deram com mais um golo. Dois valores emergentes que, para além da posição, partilham uma característica fundamental: gostam de aparecer em zonas de finalização.

Acuña na lateral - é um upgrade claro em relação a Jefferson, muito mais fiável a defender e muito mais agressivo no um contra um. Apesar de ter jogado a lateral, parece-me que apareceu mais vezes em funções ofensivas do que nas ocasiões em que jogou a extremo. Espero que seja para se manter ali.



A lesão de Mathieu - depois de uma ausência de várias semanas, voltou a lesionar-se ontem. Que não seja grave.

Distrações a mais - houve demasiados momentos de desconcentração que, felizmente, não tiveram consequências graves. Defensivamente, as únicas oportunidades do Qarabag nasceram de ofertas nossas (Coates e Gudelj). Ofensivamente, tivemos ocasiões soberanas para marcar que não foram aproveitadas por falhas de entendimento que não deviam acontecer.



Missão cumprida no arranque da Liga Europa. Na próxima jornada espera-nos uma viagem à Ucrânia onde poderemos dar um passo gigante para o apuramento para a fase seguinte.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Tudo bem feito

O jogo não foi grande coisa, mas as jogadas que estiveram na origem dos dois golos valem o preço do bilhete. O primeiro pela verticalidade e objetividade da circulação de bola entre Mathieu, Bruno Fernandes, Nani e Raphinha, o segundo pela raça de Acuña e Montero a recuperarem a bola, e a classe do colombiano para desembaraçar do adversário - Raphinha e Jovane fariam (também muito bem) o resto.

Aqui ficam os golos. Vale a pena rever.



domingo, 2 de setembro de 2018

Muito mais que três pontos

Por todos os motivos e mais algum, o jogo de ontem era daqueles em que não podíamos perder pontos. No entanto, as dificuldade exibicionais que temos revelado e o bom arranque de época do Feirense deixavam antever uma partida complicada, e foi precisamente isso que se verificou. Apesar de uma boa entrada do Sporting no jogo, o Feirense foi progressivamente adaptando-se de forma a tapar os caminhos para a sua área - é certo que as oportunidades de golo não deixaram de ir aparecendo, mas nunca num ritmo que indiciasse qualquer tipo de domínio total das operações. O facto de o golo apenas ter aparecido aos 88 minutos é prova suficiente das dificuldades que o Sporting teve para conquistar os três pontos.

Foi uma vitória justa face à quantidade de oportunidades de golo que o Sporting criou, mas não nos podemos iludir: se os problemas crónicos deste modelo de Peseiro se mantiverem, estaremos sujeitos a perder pontos em qualquer jogo.




Muito mais que três pontos - o Sporting voltou a ter uma exibição pouco cativante, mas isso é neste momento uma questão secundária, por dois motivos. O primeiro é chegámos ao fim deste primeiro ciclo de jogos com quatro bons resultados, permitindo que Peseiro tenha a tranquilidade necessária para utilizar as próximas três semanas para integrar os últimos reforços e começar a corrigir os vários problemas que estão à vista de todos. O segundo, tão ou mais importante, é que os sportinguistas poderão concentrar-se nas eleições da próxima semana sem o empecilho de um mau resultado no futebol a intrometer-se numa decisão importantíssima.

Talismã - Jovane entrou e abanou de imediato o jogo, demonstrando que a velocidade e pujança física são atributos sempre úteis quando não existem processos coletivos que arranjem os espaços para criar perigo. Pela terceira vez entrou, pela terceira vez foi decisivo - depois de sofrer um penálti e de fazer uma assistência, desta vez contribuiu com o único golo da partida. Seria impossível desejar um melhor início de época.

Raphinha mais dez - o uso desta expressão é obviamente um exagero, considerando que existem outros jogadores que são imprescindíveis, mas Raphinha não só justificou mais uma vez a titularidade como demonstrou argumentos mais que suficientes para a manter nos próximos jogos. O ponto mais alto da sua exibição foi o genial momento de inspiração no lance do golo, ao colocar a bola por entre as pernas de Alphonse a solicitar Ristovski, que faria a assistência para Jovane (a segunda em quatro jogos). Mas houve bastante mais Raphinha no resto do jogo, tendo sido o elemento que mais sobressaiu numa exibição frouxa da equipa, graças ao bom uso que faz da sua capacidade de explosão e da qualidade que tem no momento de definir.

Nani organizador - parece-me claramente desperdiçado quando joga encostado à ala. O atual mau momento por que Bruno Fernandes e a inexistência de um meio-campo com passa acaba por fazer recair em Nani a responsabilidade de organizar o ataque. As suas pausas costumam irritar as bancadas, mas não houve um único caso em que não tenha acabado por fazer o melhor para a equipa.



Meio-campo procura-se - é o maior problema que Peseiro tem para resolver. Na primeira parte foi fraco, mas nos primeiros vinte minutos da segunda foi angustiante. Quando tem a bola, a equipa joga partida em dois blocos porque nem Battaglia nem Acuña (ou Misic, ou Petrovic) demonstram capacidade para fazer a ligação entre eles quando existe qualquer tipo de oposição à saída para o ataque. A consequência é que acabam por ser os centrais a bombear o esférico para a frente, onde os extremos ou o ponta-de-lança estão entregues a si próprios contra um marcador direto que está de frente para o jogo. Como seria de esperar, são muito mais os lances que se perdem do que os que acabam por dar em alguma coisa. Espero que Gudelj e (mais tarde) Sturaro tragam a qualidade necessária para a posição.

Insistência nos cruzamentos - entendo que se use e abuse dos cruzamentos pelo ar quando Dost está em campo... mas quando os homens que estão na área são Montero/Nani ou Montero/Raphinha ou Montero/Bruno Fernandes... não me parece uma estratégia que faça qualquer sentido.

O que vê Peseiro em Jefferson? - não comprometeu defensivamente - também há que dizer que não foi muito colocado à prova -, mas teve mais uma exibição paupérrima. Não conseguiu fazer um único cruzamento em condições, o que me leva a perguntar o que raio vê Peseiro nele? A opção óbvia seria Acuña, que como lateral será certamente mais útil do que médio ou extremo -, mas se há algum constrangimento a esse nível por falta de vontade do jogador ou cegueira do treinador... que se experimente Lumor. Pior não será de certeza.



MVP - Raphinha

Nota artística - 2

Arbitragem - Rui Oliveira teve um critério largo no julgamento de faltas e, apesar dos 10 amarelos que mostrou, notou-se que procurou evitou puxar dos cartões. Cometeu alguns erros disciplinares ou de apreciação de faltas, distribuídos de forma equilibrada pelas duas equipas, mas parece-me que o jogo ganhou com a forma como conduziu a partida.



Três vitórias e um empate (que valem a liderança partilhada) é um começo de campeonato que excede as (baixas) expetativas que tinha para este arranque. É verdade que as exibições têm sido sofríveis, mas nesta altura o que interessa é ir ganhando nem que seja por meio a zero. A pausa que agora haverá traz mais responsabilidade para o treinador. A tolerância dos adeptos para a atual fraca qualidade de jogo terá tendência para diminuir caso não se vislumbrem melhorias e, sobretudo porque, jogando assim, estaremos muito mais perto de perder pontos caso a sorte do jogo não esteja connosco.

domingo, 19 de agosto de 2018

À falta de quem jogue, haja quem seja decisivo

Costuma dizer-se que quando se mantém determinada fórmula, é irrealista esperar resultados diferentes. A frase nem sempre se pode aplicar ao futebol devido às muitas variáveis que existem (nível do adversário, incidências do jogo, local da partida) mas, no caso de ontem, serviu que nem uma luva. Peseiro apostou num onze muito semelhante ao de Moreira de Cónegos e, mais uma vez, arrancou uma vitória suada apresentando uma qualidade de jogo paupérrima.

Foto: José Cruz / Jornal Sporting




À falta de quem jogue, haja quem seja decisivo - num jogo tão fraquinho, em que é difícil destacar qualquer exibição individual, a figura tem de ser, inevitavelmente, o jogador que marcou os dois golos. O primeiro num remate venenoso de fora da área, o segundo num cabeceamente fulminante a concluir uma excelente jogada coletiva que envolveu também Acuña, Bruno Fernandes e Jovane. Por falar em Jovane, mais uma vez entrou e não tardou a ser decisivo (mais uma vez). O cruzamento que fez para Nani saiu com o nível de tensão certo para ser só encostar a cabeça e apontar a direção. Mais uma vez, aproveitou muito bem a oportunidade que teve.

Pau para toda a obra - perante os equívocos na formação do onze (ver mais à frente), Mathieu e Coates têm de ser centrais e médios de construção. Em ataque organizado (ok, se calhar organizado é termo que não se aplica) chegaram à área mais vezes do que o par de médios que está estacionado à sua frente. Que se mantenham saudáveis ao longo da época, porque está visto que a sua atitude e compostura serão fundamentais para a equipa.

O ambiente em Alvalade - a assistência foi melhor do que esperava, considerando a queda das vendas de Gameboxes, e não houve episódios relevantes de divisão, o que era sempre um receio justificável sendo o primeiro jogo oficial em casa. Tirando alguns assobios de impaciência em determinados momentos pelo mau futebol praticado, foi uma noite com um excelente ambiente de apoio à equipa.




Equívocos e mais equívocos no onze - temos um miolo (seja com Petrovic, Battaglia ou Misic) que não constrói, sem capacidade de passe e sem capacidade de transportar bola perante um adversário próximo, acabando por ser os centrais a tentar compensar essa lacuna; faltam-nos extremos velozes e desequilibradores, encostando um Nani que pode render muito mais no meio e um Acuña (que está no bom caminho para se transformar no Bruno César do Sporting 2018/19) que muita falta nos faz como lateral; por falar em lateral esquerdo, Jefferson fez mais um jogo pavoroso. Nada que não se tivesse visto na jornada anterior mas, ainda assim, perante o nosso público e um adversário teoricamente inferior, Peseiro decidiu avançar com a mesma abordagem conservadora, que se aceita num jogo como o da próxima jornada, mas é incompreensível em casa contra o V. Setúbal. Mas o pior é que essa abordagem conservadora se enquadra num cenário de anarquia tática em que pouca gente parece saber aquilo que tem para fazer. Ganhámos na semana passada e ganhámos ontem porque temos melhores jogadores. Mas ou as coisas melhoram muito, ou não tardará que comecemos a perder pontos com demasiada frequência. 

O erro de Salin - esteve mal no golo do V. Setúbal, ao largar uma bola fácil que acabaria por ir parar aos pés de Zequinha, complicando um jogo que até tinha começado bem. Será importante que Viviano recupere para o jogo da Luz.

A lesão de Dost - que não seja grave e que regresse rapidamente. Montero não entrou mal (pelo menos ajudou a ligar setores), mas pode ser muito problemático se perdermos o único finalizador que temos no plantel.



MVP - Nani

Nota artística - 2

Arbitragem - Os jogadores não complicaram e Manuel Oliveira também não. Sem erros graves e sem influência no resultado. Fosse sempre assim.



Essencial: seis pontos em seis possíveis. A corrigir ASAP: zero exibições decentes em duas possíveis, contra adversários de nível inferior. Preocupação: visita à Luz na próxima semana; a jogar assim, vamos precisar de ter a mesma sorte que tivemos na época passada... caso contrário arriscamo-nos a passar uma noite muito complicada.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Insuficiências na construção

Um dos pontos que me causaram maior preocupação no jogo com o Moreirense foi as notórias dificuldades do Sporting no momento da construção. Isso, a meu ver, explica-se sobretudo por dois fatores: o duplo pivot que Peseiro coloca à frente dos centrais não tem capacidade para organizar e transportar jogo ou dar apoio em zonas mais adiantadas (Coates e Mathieu foram mais participativos do que Petrovic e Battaglia); e também a desinspiração de Nani e Acuña, sendo que no caso do argentino há a agravante de se ter alheado do jogo durante demasiado tempo (Jefferson foi mais extremo do que Acuña, que raramente teve intervenções úteis junto à área adversária).

Intervir muito no jogo não é sinónimo de intervir bem, mas intervir pouco não costuma ser bom sinal para a exibição de um jogador - nomeadamente se tiver responsabilidades na construção. E olhando para o número de toques por 90 minutos (o número de toques corrigido em função do tempo de utilização de cada jogador), vê-se claramente que os números confirmam essa perceção:


Toques na bola por 90 minutos vs Moreirense (Fonte: whoscored.com)

Por um lado, salta à vista o fraco nível de participação de Acuña em comparação com os outros jogadores de vocação mais ofensiva (deve excluir-se Dost desta comparação, pelas suas características específicas). É verdade que os número de toques de Raphinha e Jovane é empolado por terem sido muito mais solicitados no pouco tempo que estiveram em campo, mas, ainda assim, Acuña tocou na bola pouco mais de metade das vezes que os seus companheiros. 

Por outro, confirma-se que o centro do jogo ofensivo do Sporting passa muito pouco pelos homens que ocupam o miolo do terreno.

Heatmap vs Moreirense (Fonte: whoscored.com)

Petrovic raramente tocou na bola no meio-campo adversário. Battaglia jogou mais adiantado do que o sérvio, mas poucas vezes se aproximou da área do Moreirense. Jefferson, Bruno Fernandes e até Raphinha tiveram muito mais presença junto à linha de fundo do nosso flanco esquerdo do que Acuña.

E nem vale a pena falar na presença de jogadores na área. Foram poucas as ocasiões, bolas paradas excluídas, em que tivemos mais do que um homem em posição de finalização.

Parece-me evidente que a nossa produção ofensiva continuará a estar furos abaixo do necessário se não tivermos mais jogadores de apetência atacante. Contra o V. Setúbal, entre Raphinha, Jovane ou Matheus, pelo menos um terá de ser titular (no lugar de Acuña). E não me chocaria absolutamente nada se Peseiro apostasse de início em dois deles nos lugares de Acuña e Nani. 

Vamos ver o que decidirá o treinador no próximo sábado.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Entrada com três pés direitos

Depois de uma pré-época pouco entusiasmante, a estreia em jogos a sério era uma excelente oportunidade para termos alguns sinais positivos que nos dessem ânimo para a época que estava a começar. Mas como a vida de um sportinguista nunca é fácil, os deuses decidiram colocar um obstáculo adicional quando os jogadores estavam no aquecimento... com uma lesão de Viviano que o deixou de fora da partida. Entrou Salin no onze, o árbitro deu o apito inicial... e aos dois minutos tínhamos o capitão amarelado por protestos de forma absurda, aos seis minutos já estávamos a perder e aos doze minutos era a vez de Bruno Fernandes também ver cartão por protestos. 

Dispensava-se um teste sério à estabilidade emocional da equipa tão cedo, mas aí estava ele. Felizmente, mesmo sem jogar bem (muito longe disso), a equipa foi capaz de virar o rumo dos acontecimentos e entrar no campeonato com o pé direito (ou, para ser mais rigoroso, com três pés direitos que colocaram a bola na baliza adversária).




O patrão Bruno - foi o único jogador que pareceu sempre esclarecido a atacar e a defender. Pouco acompanhado nos momentos de construção, conseguiu, ainda assim, tirar dois coelhos da cartola que foram decisivos para a conquista dos três pontos: excelente trabalho no golo do empate, recebendo o bom cruzamento de Ristovski, a tirar da frente o marcador direto e pontapeando para a baliza de forma indefensável, e um passe de régua e esquadro a deixar Dost na cara de Jhonatan para o golo da tranquilidade.

Bis Dost - falhou incrivelmente um golo em cima da linha, mas redimiu-se na segunda parte com um penálti marcado com enorme frieza e um chapéu de classe que fechou o resultado. É bom vê-lo novamente a distribuir abraços pelos companheiros.

Um mal que veio por bem - Salin foi um titular improvável, mas acabou por ser uma das figuras da partida. Muito seguro sempre que chamado a intervir, bem no jogo de pés e a controlar a profundidade, e ainda sacou uma excelente defesa que impediu o 2-1 para o Moreirense. Agarrou com as duas mãos a oportunidade que lhe apareceu no caminho.

As substituições - tardaram a ser feitas, mas resultaram e tiveram um impacto imediato na partida. Peseiro optou por refrescar os extremos - tentando aproveitar as circunstâncias de um jogo que estava cada vez mais partido - e não tardou que Jovane e Raphinha conseguissem mostrar serviço. Jovane acabou mesmo por ser decisivo ao ganhar o penálti que nos deu a vantagem no resultado.

A gestão de jogo nos minutos finais - com uma vantagem tangencial, a equipa soube ir congelando o jogo e foi capaz de controlar o adversário mantendo-o longe da nossa área. E ainda deu para marcar o golo da tranquilidade.



Muito para melhorar - apesar da vitória, a exibição da equipa levanta mais pontos de preocupação do que de confiança. O Sporting nunca dominou o jogo até se ver em vantagem no marcador e, pior, não conseguiu sequer controlar o adversário em períodos alargados da partida. A organização ofensiva da equipa é constrangedora - o que não admira pois jogámos com demasiados médios que pouco contribuem nessa fase - e depende exclusivamente do que Bruno Fernandes e Nani conseguem desencantar. No momento defensivo não foi complicado ao Moreirense abrir espaços a aproveitar a falta de ligação entre os nossos setores e a falta de qualidade de alguns dos nossos jogadores. Ganhámos porque temos melhores individualidades, não por sermos melhor coletivo.

Amarelos por protestos - já se sabia que os amarelos saem de forma muito mais rápida para os jogadores do Sporting, mas aquilo que aconteceu ontem em Moreira de Cónegos foi ridículo. Tiago Martins decidiu mostrar um amarelo a Nani, o capitão, por protestos que nada tiveram de espalhafatosos... logo aos 2 minutos de jogo. Dez minutos depois, foi a vez de mostrar a Bruno Fernandes, e mais tarde faria o mesmo a Jefferson. Os locutores da Sport TV disseram que os árbitros têm instruções para serem mais duros com situações de protesto... mas tenho muitas dúvidas de que o critério seja idêntico quando outras equipas estiverem em campo.

O desabafo de Matheus Pereira - não pode vir para as redes sociais demonstrar o desagrado por ter ficado de fora. Esteve muito bem José Peseiro a referir-se ao caso na conferência de imprensa.



MVP - Bruno Fernandes

Nota artística - 2

Arbitragem - Tiago Martins esteve bem no lance decisivo do jogo, já que Heriberto derruba Jovane com o joelho. Esteve mal ao nível disciplinar, pelos motivos referidos mais acima.



Vitória importante para dar alguma tranquilidade ao grupo de trabalho e para entusiasmar os adeptos. Espero que seja uma semana boa ao nível das vendas de Gameboxes.