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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Comparação da diferença de pontos para o topo ou para o rival mais próximo

O leitor Duarte Manoel enviou-me uma interessante análise comparativa do desempenho do Sporting ao longo das últimas épocas, baseada na diferença pontual do clube para o topo da classificação (não estando em primeiro) ou para o segundo classificado (estando em primeiro). Aqui fica a análise.



Diariamente, ouvimos comentadores ou amigos dizerem que (1) Jorge Jesus está a fazer um mau trabalho – perdeu a vantagem que tinha, caiu cedo nas Taças (de Portugal, da Liga e Uefa), perdeu na pré-eliminatória da Liga dos Campeões, e melhorou pouco (se é que melhorou!) o trabalho realizado por Leonardo Jardim e Marco Silva no campeonato -, e que (2) Bruno de Carvalho prejudica o Sporting.

Tinha a firme convicção de que isto não fazia sentido nenhum: o Sporting melhorou muito com Bruno de Carvalho e muitíssimo com a entrada de Jorge Jesus. Mas para não me basear apenas na minha convicção, fui analisar os números: fui ver, nas últimas sete épocas, jornada a jornada, a quantos pontos estava o Sporting do primeiro lugar ou, caso estivesse em primeiro lugar (muito raro, como sabemos), quantos pontos de vantagem tinha sobre o segundo.

(1) Jorge Jesus está a fazer um mau trabalho



O primeiro gráfico permite desde logo tirar algumas conclusões: Jorge Jesus colocou o Sporting efectivamente na luta; foi a única época em que o Sporting consistentemente esteve em primeiro lugar ou muito perto disso. Mais: nunca o Sporting, nesta época e até agora, esteve a mais de 2 pontos do primeiro lugar.

Vejamos agora o gráfico apenas com as épocas de Leonardo Jardim, Marco Silva e Jorge Jesus (três últimas épocas).



Ninguém concordou com todos os factos invocados para o despedimento do Marco Silva, dos quais a questão do fato de treino representa o ponto mais baixo de um processo infeliz, de ambas as partes. Agora, comparar-se a época que Jorge Jesus está a fazer com a época que fez Marco Silva (que comparando com os anos anteriores, foi excelente) é pura brincadeira. Marco Silva à 9ª jornada estava a 6 pontos do primeiro e essa foi a menor distância até ao final do campeonato.

Aliás, quem se aproxima mais de Jorge Jesus é Leonardo Jardim. Contudo, à 14ª jornada o fosso começa a cavar-se, e à 18ª jornada ficou a 5 pontos do primeiro e não mais voltou a diminuir essa distância. Ora, é muito diferente, como todos sabemos, estar à frente ou a menos de 1 jogo de distância, do que estar a 2 jogos de distância, que dá uma almofada de conforto a quem vai à frente.

(2) Bruno de Carvalho prejudica o Sporting



Quanto ao mandato de Bruno de Carvalho, basta comparar as suas 3 épocas completas com as 4 épocas da anterior direcção. Parece brincadeira, tendo em conta a grandeza do Sporting, mas nas quatro épocas anteriores a Bruno de Carvalho, o Sporting terminou o campeonato a 36, 28, 16 e 36 pontos do primeiro lugar. A meio de todas essas épocas (à 15ª jornada), em apenas uma delas o Sporting estava a menos de 10 pontos do primeiro (a 9). Na jornada seguinte, também nessa época, ficou a mais de 10 pontos.

Olhamos para as três épocas de Bruno de Carvalho e, apesar de as duas primeiras não terem sido ideais para os pergaminhos do Sporting, mostraram uma evolução brutal face ao passado. O trabalho está feito? Nem pensar, mas estamos no bom caminho.

Bruno de Carvalho é prejudicial? Jorge Jesus é um mau treinador? “Sim", responderão a ambas as questões os rivais do Sporting, que estavam habituados aos 10, 20, 30 e quase 40 pontos de diferença, e agora têm que suar e muito para ficar à nossa frente.

O Sporting vai ganhar os últimos quatro jogos? Creio que sim.

O Sporting vai ser campeão este ano? Creio que não.

Vou estar em Braga para, qualquer que seja o resultado deste final de época, demonstrar o meu apoio e agradecimento à Direcção, Equipa Técnica e Jogadores? SEM DÚVIDA.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Jorge Jesus vs. Marco Silva, à 10 jornada

Apesar de os balanços definitivos só poderem ser feitos no final da época, parece-me interessante fazer uma comparação preliminar entre os números de Jorge Jesus e Marco Silva durante as primeiras 10 jornadas do campeonato.

Como é evidente, qualquer comparação fica condicionada por alguns fatores, como:

Calendário
  • À 10ª jornada Marco Silva já tinha defrontado Benfica e Porto, enquanto que Jorge Jesus apenas jogou contra o Benfica;
  • Marco Silva tinha realizado 5 jogos em casa e 5 jogos fora, enquanto que Jorge Jesus realizou 4 jogos em casa e 6 jogos fora.

Outras competições
  • Na Taça de Portugal, ambos os treinadores realizaram duas partidas: Marco Silva defrontou e eliminou o Porto fora e o Espinho, enquanto que Jorge Jesus defrontou e eliminou o Vilafranquense e o Benfica em casa;
  • Nas competições europeias, Marco Silva tinha realizado 5 partidas de intensidade máxima para a Liga dos Campeões (2xMaribor, 2xSchalke e 1xChelsea); Jorge Jesus realizou 2 partidas de intensidade máxima para a Liga dos Campeões (2xCSKA) e 5 jogos com poupanças para a Liga Europa (2xLokomotiv, 2xSkenderbeu e 1xBesiktas);
  • Jorge Jesus disputou e venceu a final da Supertaça.

Diferenças no plantel
  • Alguns dos jogadores do Sporting são jovens que, com Jorge Jesus, têm um ano de experiência adicional em relação ao tempo de Marco Silva (nomeadamente Paulo Oliveira, William, João Mário e Carlos Mané);
  • Jorge Jesus não pôde contar com Cédric e Nani, recebendo João Pereira e Bryan Ruiz;
  • Jorge Jesus só pôde contar com Carrillo nas primeiras 4 jornadas;
  • Jorge Jesus só pôde contar com William Carvalho a 100% a partir da 7ª jornada;
  • Jorge Jesus dispôs de Naldo para o centro da defesa (Ewerton só jogou 1 partida esta época para o campeonato), enquanto Marco Silva usou Maurício e Sarr (Paulo Oliveira já fazia parte do plantel);
  • Em qualidade de alternativas aos titulares com utilização significativa, Jorge Jesus ganhou profundidade na posição de ponta-de-lança (ganhou Teo) e no meio-campo (ganhou Aquilani); Bryan Ruiz pode ser considerado uma substituição direta de Nani, e João Pereira de Cédric.

Em termos de classificação no campeonato, a diferença não poderia ser mais clara:


Em dez jogos, o Sporting deste ano tem mais 9 pontos, mais 1 golo marcado e menos 5 golos sofridos. Já venceu por 8 vezes (contra 4 vitórias na época passada) e apenas cedeu 2 empates (contra 5 empates e 1 derrota na época passada).

É no entanto necessário recordar que o registo de Marco Silva melhorou muito após a 10ª jornada. Na realidade, o Sporting empatou e perdeu tantas vezes nas 24 jornadas que se seguiram como nas primeiras 10: entre a 11ª e 34ª jornada, o Sporting cedeu também 5 empates e 1 derrota, mas conseguiu 18 vitórias.

Voltando ao comparativo das primeiras 10 jornadas, a melhoria generalizada dos números do Sporting de Jorge Jesus não são fruto do acaso e encontram suporte noutros elementos estatísticos. Esta conclusão pode ser retirada a partir da análise comparativa feita pelo site goalpoint.pt (um excelente projeto feito por analistas - não são jornalistas) com base em dados Opta:


Como se pode ver, o Sporting tem metade dos golos sofridos como consequência direta de estar a permitir que os adversários efetuem apenas metade dos remates enquadrados e bastante menos passes para ocasião em relação à época passada, o que é um sinal de uma evolução na qualidade de processos defensivos da equipa. Ofensivamente, o Sporting de Jesus remata menos que o de Marco Silva, mas fá-lo em melhores condições. A bola circula muito mais entre jogadores (os passes certos aumentaram 27,5%), com maior acerto, e reflete-se na tal melhoria de remates enquadrados (41% contra 36%).

De destacar também o facto de o Sporting deste ano dispor de muito mais penáltis a favor. Foram assinalados 5 - o que até peca por defeito, pois apesar de haver 1 penálti mal assinalado a favor do Sporting, ficaram 6 (!) por assinalar -, o que é indicador claro de uma presença na área adversária bastante mais acutilante. Em relação aos penáltis contra, os números estão equilibrados (quer no número de penáltis assinalados, quer naqueles que ficaram por assinalar).


terça-feira, 22 de setembro de 2015

Compromisso é isto


Exemplar as respostas de Jorge Jesus às perguntas feitas sobre Carrillo. Em qualquer organização, dois indivíduos não são obrigados a concordar um com o outro. Mas a partir do momento em que uma decisão é tomada, é do mais elementar profissionalismo que todos os elementos dessa organização a defendam como fosse sua perante terceiros. Não havendo vontade para as defender, então que se escusem de comentar. Quaisquer divergências que existam são para ser debatidas internamente, e não para serem utilizadas publicamente como atenuantes para justificar eventuais fracassos.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

E o prémio "Aziado da Semana" vai para...

... oh, atenção, temos um empate no 1º lugar da votação:

Jorge Baptista, pelas muito profissionais declarações feitas momentos antes do jogo de domingo...

via canal ContraAMentiraDoFutebolzinhoPortuguês

... e Miguel Amaro, pelo magnífico texto que escreveu na ressaca da vitória do Sporting! (nota: o destaque a negrito em determinadas partes do texto é da minha responsabilidade).


O CÉREBRO GANHOU CONTRA O MEDO

No post anterior (este) antecipei que JJ ia ganhar Supertaça. O meu tiro era certeiro, claro, pois foi baseado nas declarações do treinador do Sporting, ou seja, ele ganharia sempre.
Venceu o Sporting mas não me parece uma vitória de um treinador cerebral. Ganhou porque foi melhor equipa, jogou mais, entrou para vencer. Isto frente a um adversário mais fraco, individual, coletivamente e com muito menos atitude, vontade de vencer, chamem-lhe o que quiserem, e era aqui que queria chegar pois o jogo revelou que JJ se enganou nas declarações anteriores à Supertaça.
O Benfica não está igual ao do seu tempo, como Rui Vitória mostrou em termos táticos. No entanto, revelou algo do seu antigo treinador, algo que o Benfica de JJ mostrava quando defrontava adversários mais poderosos: medo. Nesse aspeto, infelizmente para os adeptos encarnados, as águias não mudaram, apesar de terem trocado de treinador.
De resto, fiquei também desiludido com JJ no final do jogo. Pensei que o mestre da tática nos ia explicar a todos que o golo do Sporting nascera de um lance imaginado por si. O disparo de Carrillo a desviar em Teo pensei que fosse uma jogada de laboratório preparada durante a semana. Afinal não foi, a jogada foi mesmo fortuita.
Além de o Sporting ter sido melhor e de ter merecido vencer, ficam duas notas negativas neste jogo, ambas por parte da equipa de arbitragem. O auxiliar anulou um golo limpo aos leões - algo que JJ ficou a saber logo de seguida e "atirou à cara" do 4º árbitro - e Jorge Sousa não considerou penálti uma falta clara de Carrillo sobre Gaitán. Imaginem, estimados leitores, o que seria com a situação ao contrário: o Benfica a vencer por 1-0 e o árbitro não assinalar uma grande penalidade clara a favor do Sporting. Nem quero imaginar...
Como aperitivo para a época a Supertaça foi um bom jogo. Provou o anunciado por JJ: a Liga vai mesmo ter três candidatos. Concordo com esse aspeto mas discordo no seu mote: o Sporting é candidato ao título porque tem boa equipa. Juntou à base da época passada craques como Teo, Ruiz e Aquilani e ainda tem João Pereira no lugar de Cédric, por exemplo. Ou seja, os leões estão com muitas soluções e assim é mais fácil lutar pelo título mas estaria na corrida fosse Leonardo Jardim, Marco Silva ou Manuel Machado o treinador, naturalmente é candidato com JJ.
Por último, uma pequena nota. JJ guardou uma substituição para os últimos 30 segundos. Compreendo estas manobras quando uma equipa mais pequena está a conseguir um resultado positivo contra outra maior. Quando a equipa mais forte, a que tem melhores jogadores, está a vencer e até a dominar já não consigo entender. Ou melhor, não entenderia se fosse Guardiola ou outro dos super treinadores do mundo a fazer uma substituição assim. Sendo feita por um técnico que passou quase 20 anos em clubes pequenos até consigo entender. Há coisas que nem o tempo mudam e a essência é uma delas.
P.S. Antes que apareçam os comentários do costume, a chamarem-me lampião com azia ou algo do género, deixo aqui um aviso a quem não me conhece. Não sou adepto de nenhum dos três grandes, por isso, era-me completamente indiferente o vencedor da Supertaça. Na época passada gostei da vitória do Sporting na Taça de Portugal pois os leões eram treinados por Marco Silva. Eu, como outros estorilistas, sou "Marcosilvista" e fico satisfeito com os seus triunfos. E por ser fã do antigo treinador do Estoril considero que o Benfica cometeu um erro na escolha do técnico para esta época, embora também simpatize com Rui Vitória. O tempo nos mostrará se os encarnados não ficavam mais fortes com o ex-técnico do Sporting. Não porque seria uma vingança para com o rival mas por Marco Silva ser melhor treinador do que os dois que disputaram esta Supertaça.


De Jorge Baptista não há muito a dizer: falamos de um comentador de quem se podem esperar as maiores cambalhotas possíveis no discurso. Relembro, por exemplo, a forma como apelou à chamada de Rúben Neves à seleção, usando de forma totalmente oposta o argumento a que recorrera quatro meses antes para defender a exclusão de Adrien Silva do Mundial 2014. (LINK).

Pois bem, Jorge: ganhámos, vibrámos (será assim um pecado tão grande celebrar um título e uma vitória sobre o rival de sempre?), mas euforias como se tivéssemos ganho a Champions? Eu pessoalmente não tive conhecimento de quaisquer festejos no Marquês nem de nenhuma massa humana a deslocar-se ao estádio para receber a equipa e o novo troféu. Os sportinguistas comportaram-se como se comportariam os benfiquistas - agora mais habituados a conquistas de títulos - se a vitória tivesse caído para o outro lado.

Por outro lado, já não se pode dizer que Jorge Baptista se esteja a comportar da forma que a sua posição deveria exigir, ao utilizar uma linguagem rasteira e insultuosa para com todos os sportinguistas. Devia ter vergonha na cara.

Quanto a Miguel Amaro, acho graça que diga com tanta certeza que Marco Silva seja assim tão melhor treinador que Jorge Jesus. É que até ver os onzes de que um e outro dispuseram não são assim tão diferentes: Cédric é melhor que João Pereira (na minha opinião, claro), Naldo ainda não demonstrou ser melhor que Ewerton, Nani é Nani e Bryan Ruiz, sendo evidentemente um jogador de enorme classe, nunca conseguiu na sua carreira atingir o melhor patamar competitivo do português, e Teo ainda não revelou as qualidades que o levaram a ser contratado. E ainda há esse pequenito pormenor da lesão de William Carvalho.

Mais: Jorge Jesus tem pouco mais que um mês de trabalho - e com grande parte do plantel a chegar já com a pré-época em andamento. Num período de tempo muito reduzido, é seguro dizermos que Jesus conseguiu pôr a equipa a fazer coisas que o Sporting de Marco Silva nunca conseguiu ao longo de toda uma época, mas se quisermos fazer comparações mais justas talvez seja sensato esperar mais uns meses.

Se Miguel Amaro, jornalista, é assim tão Marcosilvista ao ponto de desejar de forma tão transparente as derrotas do Sporting e de Jorge Jesus (o que nem é compreensível em relação ao treinador, que nada teve a ver com o processo de despedimento de Marco Silva), se calhar é melhor abster-se de comentar direta ou indiretamente os resultados do Sporting. Porque não dedicar-se mais ao campeonato grego? Talvez lhe faça melhor à saúde. Mas o essencial em tudo isto é que Miguel Amaro deveria saber que é indiferente ser-se parcial por ser benfiquista, portista ou sportinguista, ou por ser marcosilvista ou jorgejesusista. Jornalista não deve ser parcial, ponto. E muito menos deixar que essa parcialidade afete de forma tão visível o seu trabalho.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Balanço de 2014/15: Marco Silva


É complicado escrever sobre a época de Marco Silva. Do ponto de vista puramente desportivo revelou um potencial tremendo: a forma personalizada com que o Sporting jogou contra os adversários mais poderosos que defrontou é um sinal inequívoco que Marco Silva sabe preparar muito bem a sua equipa. Os dois jogos com o Benfica, o jogo em Alvalade com o Porto e no Dragão para a Taça e as excelentes exibições contra o Schalke, Wolfsburgo e Chelsea são prova disso. A única vez em que isso não aconteceu foi na derrota por 3-0 no Dragão, mas ficou a ideia que se deveu mais a quebra física e psicológica dos jogadores após sofrerem o primeiro golo do que por uma abordagem tática deficiente - nos primeiros 30 minutos a resposta da equipa até tinha sido bastante positiva.

No entanto, Marco Silva demonstrou dificuldades no trabalho de focar os jogadores nos jogos do campeonato em períodos de alternância com as competições europeias. Como consequência desperdiçámos demasiados pontos contra equipas mais fracas durante o primeiro terço da competição. Essas falhas acabaram por afastar prematuramente o Sporting da luta pelo título. 

De registar também a irregularidade exibicional da equipa. Na primeira metade da época tivemos oportunidade de assistir a um futebol muito atrativo, mas progressivamente a qualidade das exibições foi decaindo. Na segunda volta a equipa limitou-se a jogar essencialmente pelas faixas, apostando insistentemente nos cruzamentos (mesmo quando Slimani não jogava) e arriscando pouco na construção interior. Como resultado, o futebol passou a ser menos apelativo, se bem que em contrapartida a equipa desperdiçou menos pontos. Parece-me no entanto que a melhoria dos resultados se deveu sobretudo à estabilização da defesa, à melhor forma de William e à falta de compromissos europeus, e menos pela redução dos riscos corridos.

Como ponto alto da época, há que registar o fim do jejum de 7 anos com a conquista da Taça. O percurso não foi imaculado - aquela eliminatória a duas mãos com o Nacional esteve muito perto de terminar num desastre, bem como a paupérrima exibição frente ao Vizela -, mas acabou por ser inteiramente merecido face à magnífica exibição no Dragão e às circunstâncias épicas em que virámos o resultado contra o Braga no Jamor - com muita sorte à mistura, é certo, mas a sorte também se faz por merecer.

O ponto mais negativo do percurso de Marco Silva no Sporting foi mesmo a forma como não se demonstrou solidário com a direção em determinados momentos e a falta de alinhamento com a estratégia do clube. Baseio estas afirmações em factos públicos e comprovados: as suas palavras sobre o afastamento de Rojo e Slimani por questões disciplinares foram totalmente desapropriadas, as indiretas enviadas a Bruno de Carvalho em conferências de imprensa, e a enorme resistência revelada na abertura do plantel aos jogadores da equipa B.

Concluindo: falando exclusivamente no aspeto desportivo, a época foi bastante positiva mas não imaculada, e acredito que se Marco Silva continuasse no Sporting iria evoluir muito - e já na próxima época - em função da experiência ganha ao longo de 2014/15.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Abandonai toda a esperança

Sportinguista que me lês, prepara-te para entrar em pânico. Pelo menos foi assim que me senti, desesperado e invadido por imparáveis ataques de ansiedade, depois de ter visto o Grande Área da última terça-feira. A análise que foi feita no programa sobre a troca de Marco Silva por Jorge Jesus é de tal forma catastrófica para o futuro do Sporting, que deveria ter havido um aviso, no início, do género que Dante imaginou para a entrada do inferno:

"Ó, vós que entrais aqui, abandonai toda a esperança"

Deixo-vos quatro excertos (poderia ter arranjado com facilidade outros) do programa. Se tiverem algum anti-depressivo à mão, podem ingeri-lo já para que não fiquem com uma vontade irresistível de se atirarem de um viaduto pedonal mais logo durante a hora de ponta.

I. A curto / médio prazo Marco Silva pode ser um candidato a regressar ao Sporting (obviamente porque o atual presidente já lá não deverá estar). O presidente do Sporting está a arriscar demasiado. Se forem presidentes com 30 ou 15 anos de presidência a tomar decisões destas não há problema.


II. Marco Silva é a melhor coisa que aconteceu em termos de treinadores de futebol desde José Mourinho. Todos temos que reconhecer que Marco Silva é um treinador extraordinário, e é o que apareceu de uma forma mais categórica (ao conseguir em 4 anos uma subida de divisão, 2 qualificações para a Liga Europa, 1 pré-qualificação para a Liga dos Campeões e 1 Taça de Portugal). André Villas-Boas, que no seu 1º ano num clube grande conquistou um campeonato, uma Liga Europa, uma Taça de Portugal e uma Supertaça, terá que se vergar a esta entrada de Marco Silva no futebol português.


III. Se o plantel de 2015/16 for idêntico ao de 2014/15 ==> Jorge Jesus não deverá fazer melhor que Marco Silva. 

Se o plantel de 2015/16 for superior ao de 2014/15 ==> o Sporting pagará as mesmas consequências financeiras pelo atrevimento se Bruno de Carvalho não tiver alguma temperança. É ver o rasto de destruição que Jesus deixou nos seus clubes anteriores: Belenenses, Braga, Estrela da Amadora, e até o Felgueiras! Ou seja, temos apenas três saídas possíveis: falência, descida à 2ª divisão, ou pedir ao Jorge Mendes que nos salve o couro.


IV. Apesar de Marco Silva ser a melhor coisa que aconteceu ao futebol português desde José Mourinho, é injusto estarem a pensar que Rui Vitória seja menos extraordinário.


segunda-feira, 8 de junho de 2015

A semana numa frase

A probabilidade do Jesus vir para o Sporting é a mesma de o Sporting estar a perder 2-0 aos 83m de uma final da taça de Portugal e ainda ir ganhar nos penalties.

Esta frase, que li no Fórum SCP, é particularmente feliz para descrever uma semana absolutamente frenética que os sportinguistas viveram.

Muito já se disse e já se escreveu sobre a chegada de Jorge Jesus ao Sporting. Na comunicação social as questões mais debatidas são as da ética do treinador em trocar o clube em que estava por um rival, e a o risco financeiro que o Sporting corre ao contratá-lo. Ao mesmo tempo, parecem ignorar aquilo que, desportivamente, é uma evidência: podermos contar com Jesus no banco é indiscutivelmente um upgrade na competência técnica do Sporting, e que justifica o risco tomado.

Pode-se criticar a forma como Marco Silva está a ser tratado - independentemente daquilo que possa ter feito, não gosto de ver o treinador que nos devolveu aos títulos sair pela porta pequena -, mas estaremos todos de acordo que não fazia grande sentido mantê-lo em 2015/16 a partir do momento em que não havia predisposição de nenhuma das partes para um reaproximar de posições. A falta de declarações públicas reconciliadoras de um e outro lado deixam entender que a rutura era inevitável. O Sporting tinha que procurar um novo treinador.

E, de forma inesperada, surgiu a oportunidade Jesus. Ao contrário do que seria expectável, Vieira achou que era altura de iniciar um novo ciclo no Benfica e deixou o processo arrastar-se. A janela abriu-se para o Sporting e Bruno de Carvalho não hesitou. Que não existam dúvidas: perante todas as alternativas de mercado que estariam ao nosso alcance, Jesus está num patamar acima de qualquer outro, pelo que a direção do Sporting assumiu um risco financeiro - que ninguém antecipava - para suportar a contratação.

Será um all-in a la Porto? Só pelo investimento no salário do treinador, não. Assumindo que nos qualificamos para a fase de grupos da Liga dos Campeões, existe folga mais que suficiente nas contas para acomodar essa verba sem comprometer a meta imposta pela UEFA. No entanto, se não nos qualificarmos - e partindo do princípio que não entrará nenhum patrocinador agarrado à contratação do treinador -, significa que teremos que vender um jogador bem vendido até maio de 2016. E isso, atendendo à valorização de jogadores que Jorge Jesus tem conseguido, parece ser uma tarefa que está longe de ser impossível realizar.

Resta saber agora até que ponto a aposta em contratações será tão superior em relação aos anos anteriores, para percebermos exatamente a dimensão do risco que o clube estará a correr.

Marco Silva no Benfica?

Não sei qual foi  o nível de afluência às manifestações de benfiquistas em favor da contratação de Marco Silva, mas bem que podem tirar o cavalinho da chuva. Marco Silva não será tão cedo o treinador do Benfica.

Um dos motivos que levou à rutura entre a direção do Sporting e Marco Silva foi o excesso de influência do seu empresário. Segundo o que se diz, Marco Silva pedia como reforços sobretudo jogadores de Carlos Gonçalves. Durante o ano em que Marco Silva esteve no Sporting, foram vários os jogadores do plantel principal que passaram a ser representados por Carlos Gonçalves. E, segundo Bruno de Carvalho, Carlos Gonçalves passou a estar demasiadamente bem informado sobre o que se passava no Sporting.

Neste momento, a influência de Carlos Gonçalves no Benfica é quase residual. Apenas representa um jogador do plantel principal: Eliseu.

Estão a ver Jorge Mendes aceitar de bom grado Marco Silva como treinador do Benfica, sabendo que isso significaria que Carlos Gonçalves colocaria uma perna dentro do clube?

Justiça seja feita a Vieira: é um homem fiel aos seus parceiros. Se Marco Silva quiser ir para o Benfica, vai ter primeiro que mudar de empresário.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Justa causa?

Tarde movimentada: comunicado de Bruno de Carvalho no Facebook e anúncio de uma declaração do presidente para as 20h.

Entretanto, a pedido de várias famílias, aqui fica a opinião do presidente da Associação Portuguesa de Direito Desportivo sobre a questão da justa causa.


E neste LINK está uma opinião inversa. (obrigado @dfreire)

quinta-feira, 4 de junho de 2015

A saída de Marco Silva

Uma rescisão com justa causa não é, definitivamente, a saída digna que desejaria para um treinador que há um par de dias conquistou o primeiro troféu do clube em sete anos. Os rumores que circulam sobre eventuais causas são muitos e variados, que vão desde simples fugas de informação para a imprensa até acusações muito graves como negociações do treinador com o Benfica em dezembro para substituir Jorge Jesus. Não sabendo o que está realmente em causa, e como normalmente a verdade acaba por se situar algures entre os dois extremos, não me sinto minimamente confortável para estar já a tomar partido pela posição de quem quer que seja.

Posto isto, sobram os resultados de uma época sob o comando do agora ex-treinador. Assistimos a alguns excelentes momentos de futebol - principalmente na primeira metade da época - e tivemos uma imensa alegria pela vitória na Taça de Portugal. E isso é merecedor dos nossos agradecimentos. Por isso, obrigado Marco Silva.


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Época ganha ou época salva?

Época ganha ou época salva? Esta é uma questão muito interessante que seguramente dividirá os sportinguistas. Não sei se essa divisão acontece apenas por questões de interpretação dos resultados obtidos: em alguns casos, a resposta será seguramente dada em função da tomada de posição de cada um face à polémica Bruno de Carvalho / Marco Silva; noutros, será a recusa em aceitar que qualquer época que não termine com a conquista do campeonato possa ser abertamente considerada como positiva, em função da grandiosa história do Sporting Clube de Portugal.

A meu ver, para definirmos se uma época pode ser considerada ou não de sucesso, temos que analisar sobretudo à luz dos resultados e das condições que tivemos para os obter, mas também olhando para a história recente do clube.

Analisando o nosso percurso no campeonato, fica a ideia de que poderíamos ter feito melhor. Não digo que seria obrigatório terminarmos numa posição superior àquela em que terminámos, mas a meu ver tínhamos condições para nos mantermos na luta pelo título durante mais tempo. Se a atitude competitiva da equipa tivesse sido outra naqueles empates no primeiro terço de campeonato (nomeadamente Académica, Belenenses, Paços e Moreirense) e na humilhante derrota em Guimarães, poderíamos ter evitado a perda de pontos suficientes para acompanharmos Benfica e Porto na classificação até às últimas jornadas. O balanço que faço é, portanto, que tivemos uma participação um pouco abaixo das expetativas.

Na Liga dos Campeões tivemos uma participação bastante digna. Acabámos por ser eliminados por uma decisão de arbitragem escandalosa. A vitória em casa com o Schalke, a recuperação de 1-3 para 3-3 em Gelsenkirchen com um jogador a menos, a excelente segunda parte na receção ao Chelsea e as boas exibições com o Maribor deixaram uma imagem bem positiva da equipa na Europa. Uma vez despromovidos à Liga Europa, também fizemos um bom par de jogos contra o Wolfsburgo. Ou seja, acabámos na posição mais previsível em função do pote em que estávamos no sorteio. Na Liga Europa éramos cabeças de série mas houve manifesto azar ao nos ter saído a equipa alemã. Resumindo, tivemos uma participação na linha das expetativas iniciais.

A Taça da Liga, em função dos constrangimentos ditados pela direção, era um não-objetivo. Foi útil apenas para lançar Tobias Figueiredo e para dar minutos de competição aos menos utilizados e jogadores da equipa B. 

A conquista da Taça de Portugal foi, evidentemente, o ponto alto da época. O percurso começou com uma vitória categórica no Dragão, seguindo-se depois um conjunto de jogos bastante acessível até nos qualificarmos para a final. Em alguns deles ainda passámos por alguns sobressaltos, mas com maior ou menor dificuldade acabámos por nos impor. A final com o Braga acabou por ser um desfecho épico para a competição e para a época do Sporting. Creio que superámos as expetativas nesta competição, sobretudo pela vitória alcançada no Dragão.

Perante isto, o que dizer da época na globalidade? Para mim, é uma época ganha. Podemos afirmar à boca cheia que um clube como o Sporting não pode ficar satisfeito apenas com uma Taça de Portugal, mas eu não concordo com isso atendendo às circunstâncias que vivemos. Não só temos o handicap de termos uma aposta desportiva fortemente condicionada pelo acordo com a banca, como também não podemos ignorar o facto de que há sete anos que não ganhávamos nada. O hábito de vitória ajuda a atrair mais títulos e, por outro lado, a falta de hábito de vitória representa um acumular de pressão que nos grandes momentos se tem virado demasiadas vezes contra nós. Esta conquista deixa libertar muito desse vapor, aumentando o nível de confiança dos adeptos e da própria equipa, para além de poder significar um importante passo para o crescimento dos nossos jovens jogadores.

Como é evidente, não podemos continuar a ficar satisfeitos para sempre conquistando apenas a Taça de Portugal. O desafio que se abre agora é outro: consolidar o hábito de ganhar e de estar em todas as decisões até ao final.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O que eles realmente queriam dizer

Infelizmente parece-me que a interpretação do Captomente está totalmente certa. Daqui a 2 semanas descobriremos.

O que eles realmente queriam dizer, do blogue Com quem joga o Sporting.

domingo, 17 de maio de 2015

A conferência de imprensa

Sinceramente não percebi qual foi o objetivo de Bruno de Carvalho em realizar a conferência de imprensa de ontem. 

Se a ideia era esclarecer os sportinguistas, falhou. Foi demasiado críptica e acabou por não elucidar absolutamente nada. Há quem pense que significa que Marco Silva poderá continuar, há quem pense que Marco Silva tem os dias contados no Sporting. Eu fiquei seriamente inclinado para a segunda hipótese. Sim, Bruno de Carvalho disse que vai falar com Marco Silva no final da época, mas não parece que sejam questões desportivas a determinar o seu futuro no clube. Aliás, as várias referências a hierarquia parecem apontar bem melhor qual o cerne do problema.

Se a ideia era terminar com a especulação da imprensa, de certeza que não vai funcionar. Não só manteve a grande questão em aberto, como agora Bruno de Carvalho adicionou novas frases que mereceram todo o tipo de análises e especulações na comunicação social. O que quis dizer com Marco e o macaco? A referência à muita sacanice era dirigida para quem? Não fiquei certo que fosse à comunicação social, mas sim para as tais fontes que, mais uma vez imagino porque não ficou claro, que seja o empresário de Marco Silva. 

E ficou evidente que a ideia não era expor a campanha da comunicação social contra o Sporting. Referiu - e bem - que existe uma tentativa óbvia da comunicação social desgastar a imagem do presidente, mas à parte de umas observações sarcásticas Bruno de Carvalho não quis explorar muito essa vertente.

Em que pontos ficámos melhor do que já estávamos? Bem, Bruno de Carvalho garantiu que serão dados todos os esclarecimentos num momento mais oportuno e a questão do orçamento da próxima época foi bem explicada. É curto para a expetativa que gerou e para a dimensão dos problemas em causa.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

domingo, 10 de maio de 2015

Insuficiente e preocupante

Acredito que não seja fácil motivar uma equipa a dar o seu melhor numa partida em que não há nada de concretamente relevante em disputa, mas a exibição contra o Estoril foi claramente sofrível, demasiado fraca para um conjunto de jogadores que ainda tem um objetivo importantíssimo para conquistar. Vimos hoje uma primeira parte em que os jogadores deram toda a sensação que prefeririam estar a tomar banhos de sol em vez de serem obrigados a correr atrás de uma bola, e uma segunda parte em que após um bom regresso dos balneários foi o próprio treinador a parecer querer fazer questão de regressar à pasmaceira com um par de substituições que quebraram aquilo de bom que se começava a ver.



Positivo

Mais um golo dos centrais - Ewerton faturou pela 2ª vez. Com os 3 golos de Paulo Oliveira, 1 de Sarr e 2 de Tobias, já vão em 8 os golos resolvidos à cabeçada pelos matulões da defesa nas competições oficiais desta época. Um bom vício que começa a nascer e que contrasta com os anos (e anos e anos e anos) em que nos habituámos a uma contribuição ofensiva quase nula dos centrais.

O regresso de Jonathan - não fez uma exibição extraordinária, mas voltou muitos furos acima daquilo que estava a produzir nas últimas oportunidades que teve (e nem estou a contar com o desastre do Dragão). Raçudo nas disputas de bola, demonstrou iniciativa em subir pelo flanco e arrancou uma boa percentagem de cruzamentos bem direcionados. E claro, ainda esteve no lance do golo. Para mim é para manter no onze. Jefferson que trabalhe para recuperar o lugar.

A exibição de João Mário - foi o melhor jogador do Sporting na 1ª parte, sendo na minha opinião o jogador que conseguiu oferecer maior dinamismo à equipa. Também entrou bem na 2ª parte, e não consegui compreender o motivo pelo qual foi substituído.


Negativo

As substituições - não percebi nem o timing nem a escolha de Marco Silva na primeira substitução que efetuou. Quando decidiu colocar Tanaka em campo, o Sporting tinha acabado de marcar, estava claramente por cima do jogo, arriscava chegar ao 2º, e decidiu tirar um dos melhores: João Mário. A segunda percebe-se melhor mas não correu bem: Mané não estava propriamente a fazer um bom jogo - apenas destaque para o trabalho e cruzamento para o cabeceamento de Tanaka - mas a entrada de Capel não ofereceu absolutamente nada à equipa que não fosse um jogador estacionado junto à linha. No basket é hábito os treinadores pedirem descontos de tempo para quebrar o momentum do adversário. As substituições de Marco Silva tiveram precisamente esse efeito. O problema é que o rendimento que quebrou foi o da própria equipa.

Mais uma primeira parte desperdiçada - o futebol do Sporting está a acumular os piores vícios da época. No início dávamos 45 minutos de avanço mas depois conseguíamos jogar à bola na 2ª parte de forma consistente - que no entanto muitas vezes não foi suficiente para evitar demasiados empates. Na 2ª metade da época houve mais empenho na abordagem aos jogos desde o primeiro minuto, mas com um futebol menos vistoso - mas com menos pontos desperdiçados. Agora andamos a oferecer a 1ª parte aos adversários e a jogar um futebol pouco vistoso. E não surpreendentemente, empatámos. Haja pachorra.



Parece-me que a ideia de Marco Silva em fazer alinhar o onze de hoje era começar a aquecer os motores para a final da Taça. Não correu bem, e começo a ficar preocupado com a qualidade exibicional da equipa.

sábado, 9 de maio de 2015

15 Minutos com o Mister

Gostei de ouvir as palavras de Marco Silva relativamente à aposta nos jogadores da formação. Aqui fica o programa todo para quem não viu.


quinta-feira, 7 de maio de 2015

Estoril Open Media Days

É verdade que a comunicação social e programas de comentário demonstram sempre muito mais iniciativa para comentar assuntos do Sporting quando lhes cheira a sangue (a discussão sobre o futuro de Marco Silva vs. Jesus e Lopetegui é um bom exemplo), mas não é menos verdade que muitas vezes somos nós próprios a dar-lhes argumentos para prolongarem o debate. Vem isto a propósito do que se passou ao longo da última semana, e em particular no Estoril Open - que em função do desfile de figuras ligadas ao nosso clube arrisca-se a passar a ser conhecido como Sportingtalksfest.

Apesar de se tratar de uma competição de ténis, não houve dia em que o Sporting e a continuidade de Marco Silva não fosse o prato do dia na zona VIP do evento, graças às inúmeras aparições e declarações feitas por gente ligada ao clube. Ele foi o presidente em funções...


... antigos presidentes...


... antigos candidatos à presidência...

 

... antigos dirigentes...



... profissionais do catering...



... antigos diretores desportivos...


... antigos treinadores...




... antigos jogadores...


... e jogadores do plantel atual.





Juro: no sábado passado, enquanto assistia no estádio à soporífera primeira parte do Sporting - Nacional, pensei para mim mesmo que se em vez de uma bola de futebol o jogo se disputasse com uma bola de ténis, o desempenho dos nossos jogadores teria sido bem melhor, tão desviado pareceu o foco de tantos elementos do clube ao longo da semana.

É certo que uns tiveram um comportamento exemplar (como por exemplo André Martins, que disse que estava ali para ver ténis, ou melhor ainda Adrien, que conseguiu evitar os jornalistas), que outros falaram de forma inócua, mas também houve quem soltasse frases - intencional ou inadvertidamente - que ajudaram a manter viva a polémica sobre a continuidade de Marco Silva.

Independentemente disso, do ponto de vista de quem foi aturando este circo mediático ao longo do Estoril Open, fica o seguinte apelo: CALEM-SE. Até acredito que alguns de vocês gostam efetivamente de ténis (outros só devem lá ir para aparecer), enquanto cidadãos têm seguramente o direito de frequentarem os ambientes que bem entenderem, mas isso não implica necessariamente que tenham que pôr a boca em qualquer microfone que vos espetam na cara e desatar a debitar opiniões que não só não acrescentam nada de novo como acabam por prolongar o debate de um assunto que só serve para desestabilizar o clube.

Isto é responsabilidade de quem gere a comunicação do clube - que deveria dar instruções aos jogadores para entrarem mudos e saírem calados -, e de Bruno de Carvalho, que deu o mote ao aceitar dar umas palavras aos jornalistas em vez de dar um bom exemplo recusando-se a responder a toda e qualquer pergunta. 

E olhando para o efeito que as declarações que entretanto Nani fez na terça-feira num compromisso publicitário - o frete com que respondeu às perguntas é o melhor sinal de que são respostas de circunstância, mas não as torna menos desagradáveis de ouvir -, temo em pensar quantos mais tiros nos pés iremos dar até ao dia 31.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

O futuro dos treinadores dos grandes

Desde que em dezembro estalou a polémica entre Bruno de Carvalho e Marco Silva, não tem havido semana em que os sportinguistas não tenham sido fustigados por declarações, opiniões e sentenças sobre o futuro do treinador no clube. Não houve programa que não abordasse o tema - fazendo disso um tema quase semanal - e nem os sinais públicos de pacificação entre os dois foram suficientes para adiar a discussão da polémica até ao final da época, altura em que se poderá fazer de forma completa o balanço do seu trabalho.

Entretanto, as questões relacionadas com o futuro dos treinadores de Porto e Benfica - este último com o contrato prestes a terminar - foram sendo estrategicamente ignoradas no bate-boca paineleiristico, nos espaços de opinião dos pundits nacionais e nas capas dos jornais. As (poucas) notícias que foram saindo sobre o futuro de ambos ou referiam-se ao interesse de equipas do calibre do Real Madrid e Barcelona - que não desestabilizam ninguém de tão óbvio que é o nível de fantasia de tais suposições - ou abordavam a harmonia total entre treinadores e respetivos presidentes, de tal forma coordenados que metem inveja às melhores equipas da história da natação sincronizada.

Apesar de ter há bastante tempo a consciência de que existe um decoro generalizado na abordagem ao futuro de Jesus e Lopetegui - que contrasta com a evidente sede de debate sobre o destino de Marco Silva -, juro que nunca imaginei que alguma vez iria ouvir aquilo que o moderador Tiago Alves disse a certa altura no Grandes Adeptos da semana passada:


Esperar por um momento mais oportuno e mais ajustado para os adeptos do Porto? Ora aí está uma delicadeza que nunca vi em nenhum programa deste género para com os sportinguistas. Mas adiante. O que é facto é que agora que o título está entregue ao Benfica, TODOS os programas da especialidade (incluindo o Grandes Adeptos, curiosamente) reservaram finalmente um espaço considerável para debater o futuro dos treinadores dos três grandes.

Como aparentemente o tema deixou de ser inoportuno e desajustado para os adeptos dos nossos rivais - que, como todos sabem, é algo que está permanentemente no topo das minhas preocupações - aqui ficam os meus desejos e previsões sobre a permanência ou saída não só de Marco Silva, mas também de Jesus e Lopetegui:

Desejos pessoais

Marco Silva: que fique no Sporting.

Jorge Jesus: definitivamente, que saia do Benfica.

Lopetegui: é-me indiferente que fique ou que saia. Por um lado já está melhor adaptado ao futebol português - infelizmente os tempos da rotatividade já não deverão regressar -, mas por outro entrará desgastado na próxima época e será difícil ter um plantel com a mesma qualidade, pelo que uma entrada em falso poderá pôr o clube em polvorosa.


Previsões

Marco Silva: fica no Sporting, independentemente do desfecho do final da Taça. Num momento mais oportuno e mais ajustado para os sportinguistas hei-de explicar os motivos que me levam a acreditar nisso - se o Tiago Alves pode evitar os temas sensíveis então eu também reivindico o mesmo direito.

Lopetegui: fica no Porto. Depois do que Pinto da Costa disse sobre o treinador, não o vai deixar cair assim tão facilmente, até porque a engorda do plantel do Porto teve a colaboração de demasiadas entidades que poderiam não achar graça à instabilidade que uma nova mudança da equipa técnica revelaria (a acontecer será a quarta em três épocas). Estou convencido que Pinto da Costa apenas consideraria despachar Lopetegui se apanhasse Jesus sem clube.

Jorge Jesus: ao contrário do que A Bola quer fazer crer, a permanência de Jesus no Benfica dependerá sobretudo da vontade do treinador, que é quem tem a faca e o queijo na mão. Se Vieira insistir em baixar o salário de Jesus, é bem possível que o treinador decida ir à sua vida para um Milan ou outro clube de 2ª linha (em termos de poderio desportivo atual) de uma das principais ligas europeias. Mantendo o salário, Jesus fica se não aparecer nenhuma oportunidade num tubarão - coisa que dificilmente acontecerá. A meu ver, Vieira fará tudo para manter Jesus, pelo que acabará por abrir os cordões à bolsa e assinará um contrato de mais quatro temporadas. Porquê tanto tempo, perguntam vocês? Porque se Jesus não sair este ano para o estrangeiro será sinal que desistiu de perseguir o sonho da consagração internacional, e há-de tentar assegurar o contrato mais prolongado e lucrativo possível com o Benfica.

terça-feira, 5 de maio de 2015

O momento de forma do plantel


À medida que se aproxima a final da Taça, parece-me pertinente fazer um ponto de situação em relação ao estado que a equipa e os jogadores atravessam, e em que medida isso poderá ser um problema ou uma oportunidade para o jogo do Jamor.

Desde que o 2º lugar passou a ser pouco mais que uma miragem, Marco Silva tem levado a cabo um processo de rotatividade com dois objetivos bem definidos: inicialmente tendo em vista os compromissos da meia-final com o Nacional, e depois disso a recuperação dos elementos que revelavam maior desgaste com a final da Taça no horizonte.

A meu ver, podemos agrupar da seguinte maneira os vários jogadores do plantel em função do seu atual momento de forma:


Em forma

Rui Patrício, Paulo Oliveira, Ewerton, William e Carrillo - de uma forma geral, estes cinco jogadores têm tido prestações bastante positivas ao longo do último mês. À partida há motivos para acreditar que poderão manter este nível até ao final da época, já que os três primeiros ocupam posições menos exigentes fisicamente (e no caso de Paulo Oliveira e Ewerton ainda se pode esperar que o seu entrosamento melhore à medida que forem jogando mais tempo em conjunto), enquanto que William e Carrillo têm sido utilizados de forma menos intensiva, mas correspondendo de forma muito positiva sempre que foram chamados por Marco Silva.


Em subida de rendimento 

Cédric, Miguel Lopes, André Martins e Montero - depois de passar vários jogos no banco ou fora da convocatória, Cédric parece revigorado e a caminho de retomar a sua melhor forma - parece que o descanso forçado e as boas prestações de Miguel Lopes o espicaçaram positivamente. Miguel Lopes soube aproveitar bem as oportunidades que teve, acabando por perder a titularidade por motivos de doença (primeiro) e lesão (depois). André Martins está vários furos acima da apatia que revelou no princípio de época. Duvido que seja suficiente para manter a titularidade quando Adrien e João Mário estiverem mais descansados, mas está a ser um jogador útil nesta fase final da época. Montero explodiu nos últimos dois jogos. Será que o goleador que surpreendeu tudo e todos no primeiro terço de 2013/14 está de volta? As próximas partidas responderão a essa pergunta, mas se a resposta for afirmativa representará indiscutivelmente um acréscimo de qualidade de que bem precisamos.


Em má forma

Jefferson, Adrien, João Mário e Nani - Adrien era o jogador que revelava maior desgaste, sendo incapaz de aguentar os 90 minutos de uma partida. João Mário, não sendo tão utilizado, vinha revelando uma produtividade bastante inferior ao que já conseguiu fazer esta época. Nani nunca recuperou a fenomenal forma pré-lesão. Nas últimas semanas os três têm sido poupados. Havendo apenas mais três jogos antes da Taça (e em que o último com o Rio Ave deverá contar sobretudo com habituais suplentes para precaver lesões e castigos por expulsão), provavelmente terão que regressar já na próxima semana para readquirir o ritmo competitivo.

Jefferson é provavelmente o caso mais preocupante dos quatro. Está nitidamente num mau momento de forma, mas nem por isso tem sido poupado - o brasileiro e Rui Patrício são os únicos dois totalistas nas últimas seis partidas. E, ao contrário do que se passa na outra lateral, não parece haver concorrência que sirva de incentivo para ultrapassar esta fase menos positiva.


Incógnitas

Tobias, Carlos Mané e Slimani - a perda da titularidade e as duas expulsões fazem com que não se perceba bem o que esperar de Tobias. Depois da forma fulgurante como agarrou a titularidade, cometeu alguns erros que o transformaram numa clara 3ª opção para a posição. Mané tem marcado e sido um jogador decisivo, mas o nível das exibições não tem primado pela regularidade. O facto de não ter uma posição fixa (já foi obrigado a cumprir várias funções em campo) não ajuda. Slimani foi titular apenas 5 vezes desde que regressou da CAN, e é evidente o cuidado com que Marco Silva tem tido na sua utilização. Recuperará a tempo da final?


Não-fatores

Rosell, Capel e Tanaka - os espanhóis parecem ser cartas fora do baralho. O estilo de jogo de Rosell não se adequa ao que o Sporting precisa. Tanaka tem um problema semelhante ao de Rosell: não sendo 9, 10, ou extremo, torna-se complicado aproveitar as suas melhores qualidades - não sendo um fora-de-série, é evidente que as tem - no sistema de jogo habitual do Sporting. Capel chegou ao fim de ciclo no Sporting há bastante tempo. Não lhe falta vontade de contribuir para o sucesso da equipa, mas o que é facto é que foi incapaz de evoluir ao longo dos quatro anos de leão ao peito.