... isso não impediu de o jornal A Bola ter decidido fazer notícia com uma invenção de tal forma aberrante, que não tem ponta por onde se pegue. Ficámos a saber que qualquer jogador pode, no mês seguinte a uma transferência que pode envolver milhões, decidir que afinal não quer ficar por estar num período de experiência. Para além de estarmos a falar de um jogador que passou por uma situação idêntica em Guimarães e não rescindiu, mas que iria agora rescindir por causa de um episódio que não presenciou... sim, isto faz todo o sentido.
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quarta-feira, 6 de junho de 2018
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
Gabigol no Benfica: um caso de sucesso
Em agosto, foram publicadas várias notícias sobre o interesse do Sporting na contratação de Gabriel Barbosa por empréstimo. Segundo o que se escreveu na altura, o Sporting só quereria o jogador caso o Inter suportasse os salários pela totalidade, limitando-se a pagar-lhe apenas casa e carro. Como é sabido, o empréstimo acabou por não se concretizar. Como o empresário do jogador revelou haver interesse por parte do seu representado, creio que se pode assumir que terá sido o Inter a não concordar com as condições propostas pelo Sporting.
Por necessidade desportiva ou para dar uma bicada no rival, o Benfica acabaria por se interessar também no empréstimo do jogador e teve sucesso naquilo em que o Sporting falhara. Por ter apresentado melhores condições ao Inter? Não, porque segundo o que o jornal A Bola noticiou na altura, o Inter aceitou pagar a totalidade do salário do jogador. Ou seja, o Benfica teria conseguido que os italianos aceitassem as condições que, dias antes, tinham rejeitado ao Sporting. Mais uma vez, o Midas gerava ouro.
O brasileiro veio para Lisboa, mas o seu percurso no Benfica não vai deixar grandes memórias. Gabigol nunca se conseguiu impor e, no final da semana passada, chegou a acordo com o Santos para prosseguir a sua carreira no Brasil. Ainda por empréstimo do Inter, mas... com parte do salário a ser comparticipado pelo Benfica.
Pelo menos foi o que o jornal A Bola - o mesmo jornal que, meses antes, garantira na capa que o Benfica não iria pagar qualquer parcela do salário do jogador - noticiou, na capa da passada sexta-feira, que a saída de Gabigol para o Santos vale ao clube da Luz uma poupança de 300 mil euros.
Ou seja, A Bola teve a distinta lata de fazer passar como positiva a humilhante realidade: na ânsia de dar mais uma bicada ao Sporting, o Benfica recrutou um jogador que não só não conseguiu rentabilizar desportivamente. De tal forma fracassou nessa bicada, que chega ao ponto de preferir abdicar dos préstimos de Gabriel Barbosa e pagar a terceiros de forma a reduzir os prejuízos da operação.
Convém recordar que, pelo meio, Luís Filipe Vieira revelou que o jogador tinha sido um desejo de Rui Vitória - estranho, considerando que o treinador apenas lhe deu 43 minutos em jogos a sério (campeonato e champions) - como, afinal, também teria custos para o Benfica - parte em fatura, parte em salário.
Mais um belo exemplo de como funciona a propaganda no futebol. Numas vezes os órgãos de comunicação social colaboram com determinados clubes de forma consciente, noutras serão enganados pelas "fontes" que lhes passam informações erradas para fazer determinado spin. Neste caso, admito que, aquando da contratação do jogador pelo Benfica, se tenha verificado o segundo caso: alguém poderá ter passado informações falsas ao jornal, que não tinha forma de verificar a sua veracidade. Mas no caso da forma como o jogador saiu, A Bola está a ser conscientemente conivente na forma como tenta transformar uma contratação que foi um total fracasso num sucesso relativo.
Se, por absurdo, um leitor do jornal A Bola não tivesse acesso a qualquer outra fonte de informação, ficaria a pensar que a passagem de Gabigol pelo Benfica teria sido um caso de sucesso do ponto de vista negocial.
Jornalismo? Nem pensar. Isto é querer enganar os leitores.
quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
Comunicação powered by Benfica
No final da tarde de ontem, foi disponibilizado o arquivo de emails de Luís Bernardo, diretor de comunicação do Benfica. Como seria de esperar, e juntando a outros emails encontrados nos arquivos de Pedro Guerra e Paulo Gonçalves, abriu um pouco mais o livro de como o Benfica se movimenta nos bastidores para fazer passar a sua mensagem.
Infelizmente, nada que nos surpreenda. Vou fazer um pequeno apanhado de casos que nos mostram a abrangência da ação do Benfica ao nível da comunicação - comunicação oficial, não oficial, relacionamento com jornal e jornalistas, e as diversas formas que encontram para atacar os adversários.
Seguem então sete exemplos. Podiam ser muitos mais, é possível que recupere este tema no futuro e coloque aqui outras situações, mas estes chegam para dar uma ideia de como a coisa funciona.
I. Questões para Diamantino
No dia 7 de setembro de 2016, Carlos Janela enviou a Luís Bernardo um email com perguntas que tinha feito para entregar a Diamantino. As questões delineadas por Janela são uma delícia, ao estilo da propaganda mais descarada, e feitas para orientar as respostas no sentido que interessava.
| (via @hdv1906) |
A primeira pergunta que poderá surgir, ao ler isto, é: por que razão é que Janela enviou perguntas para Diamantino. A resposta é muito simples: nesse mesmo dia, 7 de setembro de 2016, a TVI realizou uma entrevista a Luís Filipe Vieira, dividida em duas partes. A primeira parte foi realizada no Jornal das 8 por José Alberto Carvalho. A segunda parte foi realizada logo a seguir, na TVI24, com entrevistadores convidados: Pedro Ribeiro, Domingos Amaral e... isso, acertaram... Diamantino.
Para Janela não bastava haver três entrevistadores naturalmente alinhados com o entrevistado - pela sua condição de benfiquistas pouco depois da conquista do Tri -, foi também necessário garantir que as perguntas certas eram colocadas. Nunca vi tal atestado de estupidez passado a alguém, o que, no caso de Diamantino, até é compreensível.
Podíamos perder tempo a comparar as perguntas que Diamantino fez com as que Janela lhe enviou, mas seria perda de tempo. Fiquemo-nos por aqui: foi isto que escrevi na altura sobre essa entrevista:
![]() |
| (link desse post: LINK) |
Ai, ai, estas teorias da conspiração...
II. Comunicação não oficial, a outra face do "não falem nos outros" (imagens via @maldsuado)
Não há muito para dizer. O clube do presidente-estadista, nas modalidades, está disposto a pagar a pessoas para prepararem material que lhes permita condicionar os jogos seguintes, utilizando contas não oficiais nas redes sociais. Agora imaginem aquilo que estarão dispostos a fazer no futebol.
III. O boneco
Não bastam as cartilhas. Aqui pode ver-se Janela a enviar um texto para Hugo Gil publicar "como se fosse seu".
IV. Peça à medida (via @portolucido)
No dia 18 de novembro de 2008, o Diário de Notícias fez um artigo em que Paulo Gonçalves garantia que não existia no Benfica tratamento de favor às claques.
Nesse mesmo dia, Paulo Gonçalves recebeu o seguinte email do jornalista que escreveu o artigo:
Sim, o mais importante numa peça jornalística é que fique à medida das expetativas de um dos lados da questão.
V. Luís Bernardo a distribuir jogo pelos jornais
Exemplo de emails iguais enviados a jornalistas d' A Bola (Nuno Paralvas), Record (Vanda Cipriano) e CM (Pedro Sousa), para alertar de um potencial problema para Jorge Jesus após a sua expulsão no V. Setúbal - Sporting.
VI. A página Sporting Comédia de Portugal tem dono
A página de Facebook Sporting Comédia de Portugal, que se dedica exclusivamente a tentar humilhar o Sporting, é administrada por Tiago Bento Ferreira... funcionário do Benfica.
E depois dizem que os outros é que são antis...
VII. Cumplicidades
José Manuel Delgado a dar conselhos a Paulo Gonçalves sobre a estratégia a seguir.
quinta-feira, 2 de novembro de 2017
Serpa, o escudeiro da santíssima trindade do futebol português
A parcialidade com que Vítor Serpa analisa os acontecimentos do futebol português não é novidade para ninguém. A linha editorial d' A Bola está muito bem definida de há bastantes anos para cá: infelizmente para o jornal, não assentam numa postura de isenção e equidistância. Os exemplos que este e outros blogues têm mostrado são mais que muitos. Pegando em exemplos recentes, basta ver a forma como A Bola ignorou o caso dos emails durante meses a fio. Se houvesse alguém que não consumisse notícias sobre futebol a partir de outras fontes, não faria ideia de que tal polémica tinha rebentado até ao dia em que a PJ finalmente bateu à porta do estádio do Benfica e da residência de alguns dos seus dirigentes, colaboradores a recibos verdes e meninos queridos.
Basicamente, A Bola limitou-se a seguir - de forma que não duvido ter sido concertada - a estratégia definida pelo Benfica para reagir aos emails: manterem-se em silêncio - estratégia, reconheça-se, mais sábia do que tentar defender o indefensável a todo o custo. Aliás, basta ver as trapalhadas em que se viu metido o único protagonista do Apito Abençoado que não se pôde remeter ao silêncio em virtude do seu biscate das segundas à noite: quando a crise rebentou, Pedro Guerra reagiu dizendo que não se lembrava de ter recebido tais emails; neste momento, não só se lembra dos emails, como até já reconheceu que até falou várias vezes ao telemóvel com Adão Mendes. Sentir de perto a respiração de inspetores da PJ deve fazer maravilhas à memória.
Numa altura em que é impossível ignorar o escândalo dos emails e as profundas implicações que isso tem para o que se passou nos últimos anos no futebol português, acho magnífico como é que nenhum dos pesos pesados do jornal A Bola ainda não encontrou tempo para se pronunciar de forma detalhada sobre todo este fenómeno. Uma atitude que não surpreende, face ao vergonhoso alinhamento que têm com o clube do atual regime, e que é indigno da profissão que exercem.
Igualmente indigna tem sido a postura do presidente da FPF, que parece viver numa realidade paralela. Fernando Gomes manteve-se calado que nem um rato perante os dois acontecimentos mais graves do futebol português nos últimos anos - o assassinato de Marco Ficini e o escândalo dos emails -, e tem preferido tentar, ao invés, colocar o centro da discussão no bate-boca dos dirigentes. Este posicionamento de Fernando Gomes é um escândalo, e é óbvio que só o Benfica pode ficar satisfeito com isso.
Daí que não surpreenda que Vítor Serpa tenha produzido mais um artigo inenarrável, desta vez a sair em defesa de Fernando Gomes e tentando colocar o Sporting e o Porto como os maus da fita do futebol português.
Ao mesmo tempo em que defende acerrimamente a agenda de Fernando Gomes, o diretor do jornal A Bola aproveita a oportunidade para fazer mais um ataque cerrado ao presidente do Sporting - que, como sabemos, é para Serpa o símbolo da geração rasca do dirigismo desportivo.
É impossível, também, não reparar em dois pormenores no discurso serpiano:
- a falta de huevos para fazer críticas diretas a Pinto da Costa - como se o presidente do Porto não tivesse nada a ver com o ataque que o Porto tem feito ao Benfica;
- a patética tentativa de colar o escândalo dos emails a algumas figuras menores da arbitragem e uns quantos benfiquistas marginais, como se o círculo de poder de Vieira (Paulo Gonçalves, Domingos Soares Oliveira e o próprio presidente) não estivesse enfiado neste lamaçal até ao pescoço, e como se Ferreira Nunes e os presidente e presidente da AG da Liga não fossem personagens com cargos muito relevantes no edifício do futebol nacional.
Serpa não é mais do que um lacaio da tríade que controla o futebol português: está sempre pronto a defender o Benfica, como todos sabemos; não perde oportunidade para elogiar o presidente da FPF, por muito inundado de sonsice que esteja o seu discurso - como este texto bem demonstra; e também, se houver necessidade disso, terá postura idêntica com Jorge Mendes - há quem diga que Serpa fez um discurso emocionado, num briefing que a FPF organizou para os órgãos de comunicação social em vésperas da partida da seleção para o Euro 2016, em que apelou à contenção de notícias sobre os recém-descobertos problemas fiscais em que Mendes estava metido, como se de uma espécie de desígnio nacional se tratasse.
Benfica, FPF e Mendes são uma espécie de santíssima trindade do futebol português, que se protege mutuamente com todos os meios que tem ao seu dispor. A promiscuidade entre Benfica e Mendes é mais que evidente. O entendimento entre Mendes e a FPF é mais discreto, mas existe - ao que se diz, também a FPF fez pressão junto dos jornalistas para não darem relevo aos problemas que o empresário arranjou com a lei em Espanha. E também salta a vista a recusa da FPF em agir contra o Benfica em situações gritantes como o das claques ilegais, o caso dos emails ou dos vouchers, ou mesmo a impunidade a que assistimos nos relvados quando o Benfica está em campo.
Como se pode facilmente avaliar pelo texto acima, Serpa é apenas uma ferramenta ao serviço da única Santa Aliança do futebol português.
segunda-feira, 4 de setembro de 2017
Narrativando II: A venda de Mitroglou
A negociação com o Marselha
Como é sabido, no último dia de mercado o Benfica chegou a acordo para a venda de Mitroglou ao Marselha. O montante acordado foi de 15 milhões de euros, mantendo o Benfica direitos sobre 50% de uma futura venda. Uma verba perfeitamente enquadrada no valor de mercado do atleta de 29 anos, que marcou 27 golos na última época em cerca de 3200 minutos de utilização. Pode-se discutir se havia mesmo necessidade de vender um jogador que vale tantos golos e que tem características bem diferentes das dos outros avançados do plantel, mas, uma vez tomada a decisão de se transferir o jogador, é um valor que faz sentido.
Como é sabido, no último dia de mercado o Benfica chegou a acordo para a venda de Mitroglou ao Marselha. O montante acordado foi de 15 milhões de euros, mantendo o Benfica direitos sobre 50% de uma futura venda. Uma verba perfeitamente enquadrada no valor de mercado do atleta de 29 anos, que marcou 27 golos na última época em cerca de 3200 minutos de utilização. Pode-se discutir se havia mesmo necessidade de vender um jogador que vale tantos golos e que tem características bem diferentes das dos outros avançados do plantel, mas, uma vez tomada a decisão de se transferir o jogador, é um valor que faz sentido.
Obviamente que acaba por parecer pouco para quem se habituou ao mundo de ilusão dos mendilhões que os jornais ajudam a alimentar. Daí que ninguém tenha estranhado as capas e notícias que, nos dias anteriores, prometiam valores mais elevados. A própria evolução do potencial negócio foi curiosa. No dia 30 de agosto, o clube mostrava-se disposto a resistir a todos os ataques:
Iriam ser apresentadas ofertas de valores consideráveis (e de bons clubes!), que dificilmente levariam Vieira a mudar de opinião - os negociadores implacáveis são assim. O único valor que é referido pela notícia d' A Bola aparece lá mais para o fim: 25 milhões. Rumores apenas, mas de qualquer forma serviu para fazer notícia. Ficámos a saber, também, que o grego se sentia bem na Luz.
Iriam ser apresentadas ofertas de valores consideráveis (e de bons clubes!), que dificilmente levariam Vieira a mudar de opinião - os negociadores implacáveis são assim. O único valor que é referido pela notícia d' A Bola aparece lá mais para o fim: 25 milhões. Rumores apenas, mas de qualquer forma serviu para fazer notícia. Ficámos a saber, também, que o grego se sentia bem na Luz.
No dia 31, já havia números mais concretos... e um pouco mais baixos:
O Marselha ofereceu 15 milhões por 50% do passe, mas Vieira só admitia a saída por 20 milhões, Caso contrário, "nada feito".
Entretanto, consumou-se a transferência por... 15 milhões. Como dar a volta aos contornos finais de uma venda sobre a qual se prometia, nos dias anteriores, que só se iria concretizar por valores mais elevados? Simples. No dia 1 de setembro, dá-se a notícia da transferência assim:
De repente, apareceram novas "condicionantes" que abriam a porta ao aumento do valor recebido pelo clube, devidamente justificado pelo mercado que o jogador continua a ter na China.
A questão não referida é que, a não ser que apareça um clube do carrossel, dificilmente os 50% que o Benfica manteve de Mitroglou valerão verbas tentadoras: não só porque a sua idade não joga a favor da sua valorização, mas também porque o clube francês terá pouco interesse em se desfazer do jogador enquanto continuar a marcar golos. Não os marcando, é normal que a sua cotação desça.
O importante, como se sabe, é ir-se pintando um cenário tão cor-de-rosa quanto possível.
Mas ainda houve uma outra "condicionante" inovadora a saltar cá para fora em relação a este negócio:
Ou seja, segundo os nossos jornalistas, o Marselha não só terá de indemnizar o Benfica se rejeitar uma venda superior a 30 milhões, como também terá de pagar ao Benfica mais um camião de dinheiro caso não venda o grego ao fim de um determinado prazo. Cláusulas dignas do tempo do TPO que se julgavam extintas.
Se continuarem a aparecer "alíneas" destas, é possível que Mitroglou ainda venha a render uns 60 milhões ao Benfica... pobres franceses, está visto que precisam de arranjar alguém que saiba negociar.
E, finalmente, na apresentação em Marselha, Mitroglou disse isto:
Relembro que, apenas dois dias antes, A Bola sabia que o grego se sentia bem na Luz. Arco-iris e unicórnios...
O comunicado à CMVM
No dia 1 de setembro, o Benfica emitiu um comunicado à CMVM sobre a venda de Mitroglou:
O facto de o Benfica ter comunicado à CMVM a venda de um jogador por 15 milhões fez-me lembrar de uma outra narrativa. Há uns anos, quando o Benfica vendeu Cancelo, Bernardo e Cavaleiro por 15 mendilhões à peça, a SAD não emitiu qualquer comunicado à CMVM. Um negócio que, de si, já era estranhíssimo, não mereceu, apesar dos elevados valores envolvidos, a devida comunicação ao mercado. Na altura, Domingos Soares Oliveira justificou-se assim, em entrevista ao Expresso:
Considerando que o ativo do Benfica cresceu desde essa altura (comprar e vender em mendilhões ajuda bastante ao aumento do ativo), por que motivo comunicaram a venda de Mitroglou à CMVM?
A venda gorada para a China
O empresário Paulo Teixeira revelou ontem, num post no Facebook, uma história interessantíssima sobre como Vieira rejeitou a venda de Mitroglou para a China por 45 milhões de euros, há apenas seis meses.
Quem não sabe do que estou a falar, pode informar-se aqui: LINK.
Assumindo que os pormenores relatados são verdadeiros, a decisão de Vieira em não vender Mitroglou por 45 milhões é, do ponto de vista desportivo, bastante compreensível: em fevereiro o mercado estava aberto na China mas fechado em Portugal, o que significava que o Benfica não poderia arranjar substituto para o grego.
O interessante é tudo o resto:
A venda gorada para a China
O empresário Paulo Teixeira revelou ontem, num post no Facebook, uma história interessantíssima sobre como Vieira rejeitou a venda de Mitroglou para a China por 45 milhões de euros, há apenas seis meses.
Quem não sabe do que estou a falar, pode informar-se aqui: LINK.
Assumindo que os pormenores relatados são verdadeiros, a decisão de Vieira em não vender Mitroglou por 45 milhões é, do ponto de vista desportivo, bastante compreensível: em fevereiro o mercado estava aberto na China mas fechado em Portugal, o que significava que o Benfica não poderia arranjar substituto para o grego.
O interessante é tudo o resto:
- Vieira, numa primeira fase, aceita vender por 45 milhões, mas mais tarde decide meter Mendes ao barulho - e é isto que acaba por comprometer o negócio.
- Na altura, a notícia que saiu foi que o negócio não se concretizou por vontade de Mitroglou. Mas no post de Paulo Teixeira podemos ler isto: "No decorrer do processo, LFV liga para me dizer: ‘Você vai ler uma notícia n’A Bola na qual o Mitroglou diz que não quer ir para a China. Não se preocupe, eu é que mandei pôr’."
Notícia plantada, portanto. As fontes a funcionar. A informação de que tinha sido Mitroglou a rejeitar a transferência (mais um de alma e coração no Benfica) lá apareceria. Com um destaque reduzido na capa do Record...
... mas em GRANDE ESTILO nos freteiros do costume:
Delicioso.
P.S.: à hora que termino de escrever este post, nenhum jornal desportivo online deu a notícia daquilo que Paulo Teixeira revelou sobre a venda falhada de Mitroglou para a China. Normal, como sempre acontece quando a notícia pode ser delicada para o Benfica. Devem estar com a atenção toda centrada naquilo que dizem os dirigentes do West Ham...
sábado, 2 de setembro de 2017
Narrativando I: O salário de Gabriel Barbosa
Ainda sobre a forma como as notícias se vão dando por cá - inseridas num cenário mágico repleto de arco-iris e unicórnios a saltitar em prados avermelhados quando os visados são uns, e anunciadas acompanhadas pelo som das sete trombetas apocalípticas quando são outros -, acho interessante fazer um apanhado de alguns exemplos.
Começo pela transferência de Gabriel Barbosa. Como todos sabem, é um jogador em que o Sporting esteve interessado em obter também por empréstimo. O Sporting queria Gabriel Barbosa, e Gabriel Barbosa parecia querer o Sporting, chegando ao ponto de, a determinada altura, ter passado a seguir o clube na sua conta de Instagram. O problema é que, segundo as notícias que foram sendo publicadas, Bruno de Carvalho queria que o Inter assumisse o pagamento da totalidade do salário do brasileiro.
O interesse mútuo acabou por esfriar ainda antes de o Porto ou o Benfica terem demonstrado interesse em contratá-lo. Suponho, portanto, que o Inter não terá concordado com as condições que o Sporting propunha - nomeadamente o pagamento integral dos salários.
No entanto, olhando para a primeira página d' A Bola de ontem, pode ler-se que...
... os italianos pagam a totalidade do salário. Estranho, considerando que a transferência para o Sporting terá caído precisamente pelo facto de os italianos não quererem ficar responsáveis por 100% do salário. O que oferecia o Benfica a mais? A determinada altura, falou-se na inserção de Lisandro Lopez no negócio...
... mas, como também se sabe, isso acabou por não acontecer.
Mais estranho fica quando olhamos para o que os jornais italianos escreveram sobre o assunto:
![]() |
| in Gazzetta Dello Sport |
Traduzindo do italiano: "O clube português assumirá quase metade do salário. Em Milão aguarda-se pelos documentos para fechar o negócio. Nas últimas horas foi feita uma sondagem por Lisandro Lopes. A operação pelo defesa central argentino de 28 anos com passaporte espanhol acabaria por ser colocada numa operação autónoma à que diz respeito da transferência do brasileiro. Para se confirmar a operação, falta também o acordo iminente entre Marselha e Mitroglou. Os franceses estavam interessados em Gabigol, mas acabaram por preferir o grego."
Segundo outras versões que já li por aí, o Benfica assume 40% dos 2,7 milhões limpos (que corresponde a cerca de 6 milhões brutos) que Gabriel Barbosa aufere. Ou seja, nesse cenário, caberá ao Benfica o pagamento de um total de 2,4 milhões em salários. Bastante abaixo do teto salarial do clube, mas, ainda assim, muito diferente do custo zero apregoado pelo jornal A Bola.
Gazzetta ou A Bola: algum dos dois jornais deu uma notícia errada. A lógica dirá que a discrepância entre as duas versões se explica com mais uma tentativa de uma das habituais fontes da Travessa da Queimada em dourar a pílula. Como sabemos, os responsáveis pelo jornal não se costumam armar em esquisitos para moldar determinadas realidades.
sábado, 26 de agosto de 2017
Há uma geração rasca no nosso futebol
Na passada quinta-feira, Nuno Saraiva revelou a existência de uma troca de mensagens entre Bruno de Carvalho e Vítor Serpa, que, segundo o diretor de comunicação do Sporting, terá estado na origem do ataque cerrado que o jornal A Bola fez ao presidente do clube.
Que não haja quaisquer dúvidas: o jornal A Bola fez um ataque cerrado a Bruno de Carvalho, usando, como pretexto, a recente suspensão do presidente leonino. Basicamente, a linha editorial do jornal iniciou uma campanha de limpeza do futebol português, apelando a penas exemplares para punir comportamentos considerados incorretos ou ofensivos - como se isso fosse um fenómeno recém-chegado ao futebol português.
Recapitulando: o jornal deu, com naturalidade, destaque de capa à suspensão de Bruno de Carvalho e Carlos Pinho no dia seguinte à suspensão:
Até aqui, tudo normal. Mas, no dia seguinte, o jornal voltou à carga, com um destaque desmesurado e embrulhado no tom mais sensacionalista possível. TODA A VERDADE.
Nesse mesmo dia, José Manuel Delgado dedicou o seu editorial a este caso, pedindo, de forma genérica, penas duras a quem caia neste tipo de comportamentos.
Delgado termina dizendo que a justiça não pode olhar a cores... Hipocrisia máxima de alguém que nunca se revolta quando os comportamentos incorretos partem de representantes de uma determinada cor. Ainda estou à espera pela sua condenação à promiscuidade existente entre dirigentes do Benfica e árbitros e delegados da Liga, por exemplo.
Mas no dia seguinte, Vítor Serpa conseguiu subir a fasquia: dedicou meia página do seu espaço de opinião de sábado à geração rasca do futebol português. O visado, como todos sabemos, era uma pessoa em particular. A fotografia escolhida não deixa margem para dúvidas.
Reparem que em ambos os espaços de opinião, os jornalistas não referem a existência de qualquer atenuante ao comportamento de Bruno de Carvalho. O presidente do Sporting estava em sua casa e foi provocado de forma totalmente inesperada e agressiva por Carlos Pinho, e, aparentemente, estava obrigado a dar a outra face enquanto o presidente do Arouca dizia e fazia o que queria.
Destaco também aquilo que Serpa escreveu na coluna mais à direita: "Haverá certamente quem defenda que a linguagem do desporto de competição (...) é uma linguagem crua, desprovida de preocupações éticas e sociais. Mas não é a mesma coisa a linguagem de cabina (...) e a linguagem em zona pública (...)". Fiquem com isto guardado na memória, porque será útil daqui a pouco.
Curiosamente, não foi preciso esperar muito para assistir a uma situação de comportamento incorreto por parte de uma figura do futebol português: Jorge Sousa, no passado domingo, abusou da sua posição para se dirigir de forma inapropriada e intimidatória a um jogador do Sporting B.
Considerando que o jornal A Bola se posicionara, apenas dois dias antes, na vanguarda da luta contra este tipo de ações - socialmente perigosas, para usar as palavras de Serpa -, seria de esperar que aproveitassem o caso de Jorge Sousa para enfatizar a sua posição sobre o assunto. Mas, olhando para as edições do jornal A Bola desta semana, Vítor Serpa, que tão enfático foi ao criticar Bruno de Carvalho no dia anterior ao momento infeliz de Jorge Sousa, conseguiu ignorar olimpicamente as palavras do árbitro nos dois editoriais que assinou esta semana.
Justiça seja feita a José Manuel Delgado, que abordou o tema no seu editorial de quarta-feita. Obviamente que, por uma questão de coerência, esperar-se-ia que o subdiretor do jornal A Bola desse continuidade à política de 'Dura lex sed lex' que defendeu para Bruno de Carvalho, e defendesse também uma pena exemplar para Jorge Sousa. No entanto, aquilo que escreveu foi isto:
Atenuantes, neste caso, parecem existir aos molhos, começando pela inovadora teoria de que Jorge Sousa também foi vítima por ter tido o azar de haver um microfone que apanhou as suas palavras em direto. Isto é magnífico: se seguirmos esta linha de raciocínio, qualquer criminoso pode alegar ser vítima se for tramado por qualquer prova obtida através de um meio inesperado, como uma filmagem de telemóvel de um traseunte ou uma câmara de controlo de trânsito. Tivesse cometido o crime noutro local e não se teria tramado, pelo que, para José Manuel Delgado, seria tanto vítima como vilão.
De notar também que, no caso de Jorge Sousa, a cultura existente no futebol é uma atenuante. Serpa, referindo-se a Bruno de Carvalho, condena a "linguagem crua" por ter sido proferida num local público. Delgado não quer saber se o "Põe-te na p**a da baliza, pá" foi dito no recato da cabine ou num local público. Neste caso, a linguagem usada já é uma coisa que deve ser encarada com naturalidade. A culpa é do microfone da Sport TV.
De relembrar que todas as opiniões colocadas atrás foram escritas pelos diretores do mesmo jornal no espaço de menos de uma semana.
Tenho que concordar com Serpa numa coisa: há uma geração rasca no nosso futebol, mas não é a de Bruno de Carvalho, que chegou, figurativamente falando, há um par de dias a esta indústria. Há uma outra geração - que já anda nisto há várias décadas - que foi, essa sim, a principal responsável pelo lodaçal em que se transformou o futebol português. A geração que criou os quinhentinhos e o café com leite, a geração que ordenou os padres e adotou meninos queridos, a geração que arrasou a credibilidade do jornalismo desportivo, reduzindo-o a pouco mais que folhetins de propaganda oficiosa de certos clubes, a geração que se recusa a investigar o que tem de ser investigado, a geração que tudo faz para manter o status quo, mesmo que esteja esse status quo esteja assente num conjunto de perversidades que deveriam fazer corar de vergonha qualquer pessoa com a espinha no lugar.
quinta-feira, 29 de junho de 2017
O "saneamento" de Eduardo Barroso
"As justificações que me deu, e que não tinha de dar, ficam entre nós, mas caramba, ambos merecíamos uma despedida que não cheirasse a saneamento, numa altura em que tenho sido um dos mais assumidos críticos dos e-mails da vergonha."
As linhas que podem ler em cima são parte do último texto que Eduardo Barroso escreveu o jornal A Bola, colocando fim a uma colaboração que durou vários anos. Segundo se pode ler no artigo publicado ontem, a iniciativa desta decisão partiu do próprio jornal. Eduardo Barroso faz várias referências à forma como lhe foi comunicada a medida, e a ideia que deixa passar - de forma suficientemente explícita - é que não terá sido Vítor Serpa o seu promotor principal. Ora, não tendo a ideia partido do diretor do jornal, então é bem possível que o responsável tenha sido José Manuel Delgado - restando saber se por ter cedido à pressão do Benfica, ou se por ter antecipado que Barroso se poderia tornar numa voz demasiado dissonante em relação à linha editorial do jornal.
As linhas que podem ler em cima são parte do último texto que Eduardo Barroso escreveu o jornal A Bola, colocando fim a uma colaboração que durou vários anos. Segundo se pode ler no artigo publicado ontem, a iniciativa desta decisão partiu do próprio jornal. Eduardo Barroso faz várias referências à forma como lhe foi comunicada a medida, e a ideia que deixa passar - de forma suficientemente explícita - é que não terá sido Vítor Serpa o seu promotor principal. Ora, não tendo a ideia partido do diretor do jornal, então é bem possível que o responsável tenha sido José Manuel Delgado - restando saber se por ter cedido à pressão do Benfica, ou se por ter antecipado que Barroso se poderia tornar numa voz demasiado dissonante em relação à linha editorial do jornal.
Convém puxarmos a cassete um pouco atrás para relembrar algo que é extremamente importante. Goste-se ou não se goste do estilo, há uma coisa que, mesmo não o conhecendo pessoalmente, me sinto à vontade de escrever sobre Eduardo Barroso: é muito difícil encontrar, de entre os sportinguistas que habitualmente dão a cara pelo clube, alguém que seja mais independente: independente em relação à direção do Sporting, porque não me parece que tenha ambição de voltar a ter um cargo de maior relevo que o atual (é Conselheiro Leonino, tendo sido por sua iniciativa que não se candidatou a PMAG na lista de Bruno de Carvalho em 2013); e independente em relação aos canais de televisão e jornais onde comentou, pois não precisa deles nem para ganhar visibilidade, nem por questões financeiras.
Essa independência é facilmente comprovável. Apesar de ter sido eleito PMAG pela lista de Bruno de Carvalho em 2011, soube manter uma postura de total lealdade institucional com a direção de Godinho Lopes. Perante o descalabro desportivo e financeiro e a progressiva contestação dos sócios, Eduardo Barroso acabaria por se tornar um dos motores que levaram à realização de novas eleições - das quais, sabiamente, se auto-excluiu.
O facto de ser um acérrimo defensor de Bruno de Carvalho não afeta a sua independência, pois não existe qualquer incompatibilidade entre ser-se independente e ser-se acérrimo defensor de alguém. Eduardo Barroso defende Bruno de Carvalho com unhas e dentes porque percebe o trabalho meritório do presidente. Como independente que é, acredito que, num cenário em que a qualidade do trabalho de Bruno de Carvalho caísse a pique, Eduardo Barroso não deixaria de fazer as críticas que entedesse serem justas.
Eduardo Barroso é genuino no seu comentário, no sentido em que não consegue esconder a alegria ou a mágoa em função do momento em que o clube atravessa. Acredito que não concorde com tudo o que diz e faz Bruno de Carvalho, mas, por uma questão de lealdade, prefere salientar o que de bom é feito - e ainda bem que é assim, porque já há demasiados notáveis com espaço na imprensa que têm a crítica na ponta da língua e são muito ponderados e poupados no momento de elogiar. É importante para o clube que haja quem sirva de contraponto à opinião dominante - que, infelizmente, é claramente desfavorável a tudo o que o Sporting e o seu presidente façam.
E é por isso que acho repugnante a opção que o jornal A Bola tomou ao sanear Eduardo Barroso da sua equipa de comentadores afetos a um clube. De certeza que não foi por uma questão de independência, nem foi por uma questão de qualidade da escrita ou por falta de cordialidade (que raio, se qualidade de escrita e cordialidade fossem critérios relevantes, Rui Gomes da Silva teria sido corrido ao fim de meia-dúzia de artigos).
Sobra a alternativa: Eduardo Barroso foi afastado por ser um acérrimo defensor de Bruno de Carvalho.
Infelizmente, A Bola tem uma rica tradição em sanear espaços de comentário sportinguistas que se tornam incómodos, ao contrário do que acontece com espaços afetos a outros clubes. José Diogo Quintela saiu porque a direção do jornal decidiu tomar partido no diferendo que tinha com Miguel Sousa Tavares (que ainda hoje escreve no jornal), e antes disso também o Visconde do Lumiar foi afastado de forma algo repentina.
Nada que surpreenda num jornal que há muito que decidiu ser um meio de comunicação oficioso do Benfica, que demonstra parcialidade e tendenciosidade numa base diária. Atenção que há bons profissionais naquele jornal - muitos dos quais são sportinguistas -, mas a direção está completamente minada de gente que não nasceu para ser jornalista.
Voltando a Eduardo Barroso, espero que continue a dar a cara pelo clube. Sportinguistas como ele fazem falta. Quando Bruno de Carvalho fala em militância, é disto a que se refere. Pena que não existam muitos mais.
P.S.: Sobre a direção d' A Bola, há uma boa e uma má notícia. A boa é que Serpa e Delgado estão de saída. A má é que os que aí vêm ainda são piores.
terça-feira, 6 de junho de 2017
Faz o que eu digo, não faças o que eu faço
Na edição de hoje do jornal A Bola, o chefe de redação Ricardo Quaresma abordou a questão da gravação tornada pública de Bruno de Carvalho:
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| via @JosHenriqueGuer |
Ricardo Quaresma refere explicitamente que A Bola se comprometeu a não divulgar aquilo que foi dito na tal reunião. "Não o fizemos ao longo destas duas semanas e não o faremos agora só porque outros decidiram fazê-lo. São decisões editoriais.", acrescentou.
A decisão editorial de não publicar excertos da conversa é de saudar. Infelizmente, houve quem tenha cedido à tentação de quebrar o compromisso assumido. A CMTV, por exemplo, fez um programa inteiro a passar excertos da gravação e a comentá-los... mas não foi o único:
Sim, A Bola TV, canal de televisão do jornal, cujo diretor geral é o diretor do jornal A Bola, fez uma peça de 5 minutos a passar o best-of das declarações de Bruno de Carvalho. Não foi um simples constatar de um acontecimento. Escolheram os melhores momentos, legendaram o áudio e dividiram a peça em vários segmentos para fazer render o peixe.
A pergunta óbvia que se tem que colocar é: quem tomou a decisão editorial de ajudar a divulgar a gravação? O próprio Vítor Serpa? João Bonzinho, diretor de informação do canal, um dos nomes falados (curiosamente, Ricardo Quaresma é outra das hipóteses consideradas) para substituir Serpa como diretor?
Parabéns aos responsáveis do canal e do jornal. Conseguiram colocar-se ao nível do CM. Não é fácil.
(obrigado, T W!)
A pergunta óbvia que se tem que colocar é: quem tomou a decisão editorial de ajudar a divulgar a gravação? O próprio Vítor Serpa? João Bonzinho, diretor de informação do canal, um dos nomes falados (curiosamente, Ricardo Quaresma é outra das hipóteses consideradas) para substituir Serpa como diretor?
Parabéns aos responsáveis do canal e do jornal. Conseguiram colocar-se ao nível do CM. Não é fácil.
(obrigado, T W!)
sábado, 20 de maio de 2017
Like a prayer
As extrapolações feitas ontem pela SIC Notícias e pelo jornal A Bola à presença de Madonna em Portugal e ao facto de o filho ter treinado (ao que se diz, durante uma semana) no Benfica. Como não amar?
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| (via @JosHenriqueGuer) |
sexta-feira, 19 de maio de 2017
O Vale e Azevedo do Benfica
Não é que seja novidade para ninguém, mas não pode haver exemplo mais elucidativo acerca do bias da imprensa desportiva do que a ausência de referências à notícia (porque é uma notícia, factual e relevante) de que Luís Filipe Vieira, presidente em funções do Sport Lisboa e Benfica, foi constituído arguido por burla, no âmbito do caso BPN. À semelhança, relembre-se, do que já tinha sucedido quando rebentou o escândalo da Porta 18. Imaginam o que seria se fosse Bruno de Carvalho a estar metido em assuntos desta natureza, não imaginam? Pois.
Mais absurda fica toda esta situação quando olhamos para as capas de A Bola e O Jogo. Os primeiros dão um destaque à demissão de Vicente Moura como se de uma bomba atómica se tratasse. Os últimos optaram por publicar o 27º volume da saga "A fuga de Jesus", da qual parecem ter o exclusivo.
Arguido por burla na casa das dezenas de milhões de euros e silêncio total nos desportivos? Admito que é um crime com um pouco menos de glamour do que um roubo de camião, mas não é coisa pouca para ser ignorado por jornalistas (mesmo os desportivos). Fico ansioso pela próxima abertura de uma Casa do Benfica para ouvir o que o estadista Luís Filipe Vieira terá a dizer sobre a existência de gente desta na condução de um grande clube do futebol português. Será que vai dizer que estamos perante o Vale e Azevedo do Benfica?
P.S.: e o que dizer de o processo estar em águas de bacalhau à quase uma década? Não há dúvida de que ser presidente do Benfica é o melhor escudo que se pode ter contra a justiça, como o caso do Vale e Azevedo original já tinha demonstrou. Só o criador será capaz arrancar Vieira do Benfica. Felizmente, Rui Costa ainda é um homem novo e ainda pode esperar mais duas décadas.
P.S.: e o que dizer de o processo estar em águas de bacalhau à quase uma década? Não há dúvida de que ser presidente do Benfica é o melhor escudo que se pode ter contra a justiça, como o caso do Vale e Azevedo original já tinha demonstrou. Só o criador será capaz arrancar Vieira do Benfica. Felizmente, Rui Costa ainda é um homem novo e ainda pode esperar mais duas décadas.
segunda-feira, 27 de março de 2017
Os incidentes à margem do Portugal - Hungria
A ideia de "recrutar" elementos de claques para apoiar a seleção no Euro '2016 foi inteligente e deu bons resultados. Funcionou porque se tratava de uma competição especial, disputada no estrangeiro, de acesso mais restrito aos adeptos mais fervorosos, e - muito importante - jogada numa altura em que a temporada dos clubes já tinha terminado. Mas achar que a mesma ideia poderia funcionar em solo nacional numa fase em que as competições de clubes estão ao rubro, foi, pura e simplesmente, ingenuidade.
Obviamente que todas as pessoas, mesmo as que fazem parte da claque de um qualquer clube, são livres de assistir a jogos da seleção disputados no estádio de um rival. Se vão para um jogo da seleção entoam cânticos a provocar ou insultar equipas rivais, isso apenas revela a sua falta de capacidade de se comportar de forma cívica. Mas a partir do momento em que são apoiados de alguma forma pela FPF (nem que seja apenas através da oferta de bilhetes), não é tolerável que tenham comportamentos como aqueles que aconteceram no sábado - mesmo podendo haver atenuantes pelo facto de a claque ter sido também alvo de provocações por parte de adeptos presumivelmente benfiquistas. Depois disto, não é compreensível que a FPF continue a recorrer a esta estratégia de animação de jogos.
Infelizmente, não foi o único episódio lamentável que sucedeu à margem do Portugal - Hungria:
Aquilo que se passou com Jaime Marta Soares é inaceitável. Aconteceu na Luz, mas infelizmente é algo que nenhum adepto de Sporting ou Porto pode garantir que não acontecerá no seu estádio. Energúmenos existem em todo o lado, e basta um pequeno punhado de indivíduos mal intencionados para provocar uma situação deste tipo.
O mais provável é que não reaja de todo, porque a federação de Fernando Gomes é perita em fingir que nada de anormal se passa no mar de anormalidades que ocorrem no futebol português - e essa é a melhor forma de garantir que episódios semelhantes acontecerão no futuro, seja na Luz, seja no Dragão, em Alvalade ou em qualquer outro estádio.
E, já agora, também ajudava se os jornalistas não tentassem reescrever a história de uma forma que lhes seja mais conveniente, como sucedeu na edição de ontem do jornal A Bola...
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quarta-feira, 15 de março de 2017
Rescaldo das eleições, série #Bardamerda. Nº 4: José Manuel Delgado e Vìtor Serpa
Uma das mais gratificantes conclusões que podemos retirar do resultado das eleições do Sporting tem a ver com a (falta de) capacidade evidenciada por certos atores, externos ao clube, em influenciar o desfecho das votações. Não foi por falta de tentativa, no entanto. Foram vários os jornais e televisões que fizeram tudo o que estava ao seu alcance para influenciar o voto dos sportinguistas em favor da lista de Madeira Rodrigues - ou, para ser mais rigoroso, numa lista que não fosse a de Bruno de Carvalho -, fosse através de notícias cirurgicamente inexatas, de comentários tendenciosos, ou pelo anormal tempo de antena colocado à disposição de qualquer notável predisposto a criticar o presidente do Sporting.
Um desses órgãos de comunicação social foi A Bola, em particular através dos espaços de opinião dos seus principais responsáveis: Vítor Serpa e José Manuel Delgado, quais marretas sentados no alto do seu camarote - não sei se a analogia aos marretas é mais adequada pelo facto de criticarem sistematicamente Bruno de Carvalho, ou se pelo facto de serem bonecos que abrem e fecham a boca ao ritmo da mão escondida que os comanda. Deles, quando o assunto é o presidente do Sporting, só se esperam opiniões pouco abonatórias. Se Bruno Carvalho decide virar à esquerda, Delgado diz que devia ter virado à direita. Se Bruno de Carvalho decide seguir em frente, Serpa diz que devia ter virado à esquerda. E se Bruno Carvalho opta por virar à direita, Fernando Guerra diz, sarcasticamente, que apenas virou à direita porque o Deus Luís Filipe Vieira já o fizera antes.
Um bom exemplo foi a reação ao debate destes veteranos jornalistas. Onde os sportinguistas viram um Pedro Madeira Rodrigues recorrendo frequentemente a ataques pessoais e raramente puxando de ideias alternativas para o futuro do Sporting, Delgado viu um candidato com um projeto. Onde os sportinguistas viram um Bruno de Carvalho em modo de contenção, por saber que tinha mais a perder do que a ganhar em ter uma postura agressiva para com o seu opositor, Delgado viu um candidato desconfortável. Onde os sportinguistas viram um programa de Madeira Rodrigues vazio e inviável, Delgado não conseguiu encontrar ponta de populismo. Para Delgado, Madeira Rodrigues "marcou muitos pontos" no debate. Nem imagino como teria sido o resultado das eleições se não tivesse marcado...
Apesar deste belo esforço de Delgado, Vítor Serpa sentiu-se na necessidade de, um par de dias mais tarde, reforçar as ideias do seu adjunto. Classificou os argumentos de Madeira Rodrigues como "trunfos sólidos e coerentes", considerou correta a atitude de prometer o despedimento de Jorge Jesus, proclamou-o como vencedor do debate e viu nisso um sinal de inegável crescimento enquanto candidato. E concluiu a sua análise sentenciando, de forma bastante arrojada, que Bruno de Carvalho, vencendo as eleições, passará a estar "muito mais vulnerável e muito mais frágil". Perante tal certeza de Vítor Serpa, será que valerá a pena que Bruno de Carvalho compareça na tomada de posse para o segundo mandato?
Passou-se uma semana, e os resultados das eleições foram os que sabemos - algo que estas duas personagens não imaginavam. A vitória de Bruno de Carvalho foi esmagadora, reduzindo a pó a argumentação do diretor do jornal A Bola. Depois de uma afluência recorde às urnas que proporcionou um resultado tão claro, só um completo alienado pode dizer que Bruno de Carvalho inicia o seu mandato numa posição de maior fragilidade. Maior responsabilidade, sim, mas falar em fragilidade, hoje, perante o que sucedeu, é absurdo.
A reação pós-eleitoral destes dois cavalheiros foi bastante mais discreta. Serpa não conseguiu dedicar ao assunto nem um cantinho da sua página de sábado. Na Quinta da Bola da semana passada, silêncio total. Apenas Delgado acabou por se debruçar sobre o desfecho das votações no seu espaço semanal - com uma azia indisfarçável. O resultado é um autêntico tratado de como distorcer a realidade:
Definitivamente, Delgado não aproveitou os resultados eleitorais para fazer uma auto-análise ao seu nível de conhecimento da vontade dos sportinguistas.
Trouxe estes exemplos para concluir o seguinte: Madeira Rodrigues não foi o único vencido das eleições do Sporting. Delgado e Serpa são excelentes representantes de uma certa fação da comunicação social desportiva que, tendo-se empenhado visivelmente na campanha anti-Bruno de Carvalho, acabou derrotada de forma ainda mais estrondosa do que o candidato da lista A.
Em primeiro lugar, porque ficou demonstrado que esta gente não tem a mínima capacidade (ou vontade) para entender a forma como os sportinguistas sentem e entendem a atualidade do clube.
Em segundo lugar, porque ficou demonstrado que os sócios do Sporting não ligam patavina ao que esta malta diz. Ao fim de anos e anos a servirem descaradamente de marionetas da propaganda benfiquista (ou portista, no caso de outros órgãos de comunicação social), destruiram por completo a sua credibilidade. Como consequência lógica dessa falta de credibilidade, os seus esforços para influenciar o resultado das eleições foram totalmente inócuos.
E isto, meus amigos, é para mim uma constatação quase tão saborosa como a enorme prova de vitalidade que o clube deu no dia 4 de março.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017
O candidato dos inimigos do Sporting
Já deu para perceber em quem votariam os inimigos do Sporting caso fossem sócios com quotas em dia. Basta uma passagem rápida diária pelas redes sociais ou pela imprensa desportiva para perceber ao que cada anda uma das principais forças do futebol português. No caso da comunicação social, é perfeitamente claro que existem determinadas publicações que estão empenhadas em dar a Madeira Rodrigues todo o impulso eleitoral que estiver dentro das suas possibilidades. Não que seja apreço pelo candidato em si, mas pela vontade imensa que sempre demonstraram em ver Bruno de Carvalho sair da presidência do Sporting.
O Jogo, publicação que procura rebaixar o Sporting, os seus jogadores e dirigentes numa base diária - nem que para isso tenham que inventar descaradamente (LINK) ou contar apenas uma parte da história, deixando de fora aquilo que não lhes convém (LINK) -, tem funcionado como uma espécie de publicação oficiosa da campanha de Madeira Rodrigues, dando espaço de opinião regular aos maiores detratores de Bruno de Carvalho, como Rui Barreiro. Recentemente também obtiveram a colaboração de João Benedito, mas o investimento acabou por não surtir grande efeito porque o ex-jogador do Sporting não se candidatou à presidência nem atacou Bruno de Carvalho como os responsáveis pelo jornal estariam a prever.
Particularmente empenhada em dar um empurrão forte a Madeira Rodrigues está também A Bola, um jornal que, ao longo da última década, tem tido como missão principal a exaltação do vieirismo. Os diretores do jornal A Bola acordam e deitam-se a pensar qual será a melhor forma de promover os interesses de Vieira, do Benfica, de Mendes, de Mendes, do Benfica e de Vieira. Tudo o resto é acessório.
Não há sportinguista atento que não repudie a falta de isenção destes dois jornais. Cada um defende o seu clube, ambos atacam o Sporting sempre que têm oportunidade para isso. E os responsáveis de ambos os jornais têm sido ferozes opositores de Bruno de Carvalho, revelando, gradualmente, uma fúria superior à medida que o clube ia recuperando a competitividade das suas equipas.
Não espanta, portanto, que ambos os jornais tenham tido uma visão completamente madeirista de como o debate de ontem decorreu:
Mas verdadeiramente surreal é a opinião de José Manuel Delgado, diretor-adjunto de A Bola, no seu editorial de hoje.
É impressionante como é que um jornalista, supostamente experiente, e que deveria querer que o levassem a sério, é capaz de dizer, no mesmo artigo, que Madeira Rodrigues "foi claríssimo em relação ao futuro de Jorge Jesus" e que tem "um projeto sem tentações populistas e dogmáticas".
Ora, um candidato que diz que despedirá Jorge Jesus sem lhe pagar um tostão, um candidato que diz que vai fazer obras no estádio - desejadas por todos os sportinguistas - com um orçamento totalmente irrealista, que diz que vai ter um centro de estágios no norte e um Yacht Club à custa de autarquias, que diz que vai pôr o clube a ganhar em tudo - quer ao nível do futebol, quer ao nível das modalidades - sem apresentar uma ideia nova que seja, que promete que não se recandidatará caso não seja campeão, que se vende permanentemente como anti-benfiquista mas que usa e a abusa dos chavões mais lampiões que existem, não está a seguir um caminho demagógico e populista?
Por outro lado, Delgado diz que Bruno de Carvalho é que foi o populista há quatro anos por basear "o discurso em promessas de um mundo melhor". Não devia aplicar o mesmo critério a Madeira Rodrigues?
Enfim, já todos perceberam que muita comunicação social está a dar o tudo por tudo para tirar Bruno de Carvalho da presidência do Sporting. Não é propriamente o papel que deviam desempenhar, mas não espanta face à ausência de credibilidade que já tinham. Madeira Rodrigues parece estar a apreciar todo este apoio, mas devia lembrar-se que ao deixar-se ir nestas alianças - por pontuais que sejam - pode acabar por ser visto como o candidato dos inimigos do Sporting. Aliás, na linha do apoio massivo dos benfiquistas e portistas que também recolhe. São opções que poderão ter consequências indesejadas junto dos sportinguistas mais atentos - não só na campanha, mas também se, eventualmente, conseguir ser eleito presidente.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
Os alertas de Vítor Serpa
Vítor Serpa, diretor do jornal A Bola, decidiu usar o editorial de quinta-feira para comentar a entrevista dada por Jorge Jesus à Sporting TV, no dia anterior, e que foi assunto de capa dessa edição.
No entanto, ao contrário do que seria de esperar, Vítor Serpa não centrou os seus comentários no conteúdo da entrevista. Não fez quaisquer considerações sobre o discurso do treinador, não mencionou as acusações feitas ao setor da arbitragem, nem sequer criticou a incapacidadade de Jesus em assumir erros próprios, que estão à vista de todos.
Para Serpa, a questão mais relevante da entrevista reside no facto de Jesus... ter dado a entrevista à Sporting TV.
Compreendo parcialmente o ponto de vista de Vítor Serpa. Quando um profissional de um clube dá uma entrevista a um órgão de comunicação do próprio clube, é evidente que se reduzem significativamente as probabilidades de serem feitas perguntas realmente incómodas. A partir do momento em que existem restrições destas, é legítimo que se diga que a entrevista tem menos interesse do que teria caso fosse conduzida por jornalistas totalmente independentes.
No entanto, conforme referi no início do parágrafo anterior, Serpa apenas tem razão parcial naquilo que escreve. O que não faltam por aí são exemplos de entrevistas realizadas por órgãos de comunicação social (em teoria) independentes que, apesar desse estatuto, parecem revelar idêntica aversão a perguntas incómodas.
Como não referir, por exemplo, as entrevistas de ano novo que o próprio jornal A Bola faz, por intermédio do seu diretor adjunto, José Manuel Delgado, a Luís Filipe Vieira? Falamos de entrevistas que mais parecem conversas amenas entre dois amigos de longa data, em que o jornalista se limita a lançar temas previamente combinados, sem qualquer contraditório, nem interesse em dar sequência a respostas que não esclarecem nada nem ninguém.
Ou então, podemos também recordar a longuíssima entrevista que a TVI fez ao mesmo Luís Filipe Vieira, dividida em duas partes: a primeira, conduzida por José Alberto Carvalho, em que foi óbvia a falta de preparação do entrevistador - com a atenuante de o futebol não ser a sua área; e a segunda, que foi conduzida por adeptos / antigos atletas do Benfica - Pedro Ribeiro, Domingos Amaral e Diamantino.
Não me recordo de ver o diretor do jornal A Bola mostrar-se incomodado por Luís Filipe Vieira escolher interlocutores tão tenrinhos quando decide sair da sua zona de conforto (BTV).
Mas as palavras de Serpa ganham contornos de hipocrisia suprema se fizermos um pequeno exercício de memória e recuarmos ao verão de 2014, para recuperar as palavras que o diretor de A Bola escreveu por ocasião de uma entrevista dada por Luís Filipe Vieira à BTV. Relembre-se que esse período foi particularmente quente para o Benfica, pois o clube estava envolvido em polémica por causa de vários assuntos, como a questão BES, a fuga de Oblak ou os empréstimos de Bernardo Silva, Cancelo e Cavaleiro. Vítor Serpa dedicou à entrevista um pequeno comentário, num canto da sua página semanal, com o título "A entrevista do presidente".
Será que se mostrou igualmente incomodado pelo facto de a entrevista ter sido feita pela BTV, e com a consequente limitação da "total liberdade de expressão e do manifesto interesse do público"? Vejamos:
Condições restritivas? Lógica comunicacional que oscila entre a informação e a propaganda? Nada disso: Neste caso, Vítor Serpa considerou que Vieira "fez bem em falar", numa entrevista que classificou de rigorosa e digna.
Não é novidade nenhuma esta falta de coerência e de princípios em Vìtor Serpa, característica que se estende também aos seus adjuntos. O próprio confirma a sua própria falta de princípios na coluna de ontem, ao escrever: "É, aliás, pelos perigos que assinalamos, que o recente congresso dos jornalistas fez aprovar uma recomendação para que, nestas condições, nenhum jornal publicasse este tipo de entrevistas. Por respeito a Jorge Jesus e aos leitores de A BOLA publicamos as declarações do treinador".
Curioso: Serpa faz questão de assinalar os perigos das entrevistas a canais de clube, mas não deixa de pactuar com elas ao dar-lhes eco. E deveria ter-se abstido de justificar essa decisão com um suposto respeito por Jorge Jesus e pelos leitores do jornal, porque isso não é verdade: Serpa publicou a entrevista por simples motivos comerciais. É evidente que não existe qualquer respeito por Jorge Jesus - desde que trocou de clube, claro está - nem qualquer respeito pelos leitores. Se respeitassem os leitores, não mudariam de opinião sobre as mesmas coisas em função dos interesses do momento, nem seriam o patético meio de propaganda benfiquista em que se transformaram.
Não é novidade nenhuma esta falta de coerência e de princípios em Vìtor Serpa, característica que se estende também aos seus adjuntos. O próprio confirma a sua própria falta de princípios na coluna de ontem, ao escrever: "É, aliás, pelos perigos que assinalamos, que o recente congresso dos jornalistas fez aprovar uma recomendação para que, nestas condições, nenhum jornal publicasse este tipo de entrevistas. Por respeito a Jorge Jesus e aos leitores de A BOLA publicamos as declarações do treinador".
Curioso: Serpa faz questão de assinalar os perigos das entrevistas a canais de clube, mas não deixa de pactuar com elas ao dar-lhes eco. E deveria ter-se abstido de justificar essa decisão com um suposto respeito por Jorge Jesus e pelos leitores do jornal, porque isso não é verdade: Serpa publicou a entrevista por simples motivos comerciais. É evidente que não existe qualquer respeito por Jorge Jesus - desde que trocou de clube, claro está - nem qualquer respeito pelos leitores. Se respeitassem os leitores, não mudariam de opinião sobre as mesmas coisas em função dos interesses do momento, nem seriam o patético meio de propaganda benfiquista em que se transformaram.
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