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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O rendimento de Dost e Slimani

O site goalpoint.pt tem feito uma série de "duelos" comparativos entre jogadores da mesma posição - que tanto podem ser entre dois jogadores de clubes diferentes que ocupam a mesma posição, como comparação entre colegas de equipa que lutam pelo mesmo lugar, ou ainda entre um jogador agora titular e aquele que era titular na época anterior. Podem ver os duelos aqui: LINK.

O último que fizeram foi entre Dost e Slimani:


Nota: o quadro não mostra outros indicadores, como o número de recuperações de bola ou o número de passes (que servem para avaliar uma maior ou menor participação no jogo ofensivo da equipa), atributos em que Slimani é muito superior, mas esse números também são levados em consideração na avaliação global do jogador - com base num algoritmo definido, neste caso, pela própria Goalpoint.

Nem sempre as estatísticas traduzem fielmente a influência de um jogador numa equipa, pois existem determinados indicadores que não é possível quantificar. Mas, neste caso, os números vão ao encontro da perceção que tinha. O rendimento global de Dost está ao nível do de Slimani na época passada. E, como bem nos lembramos, a época de Slimani foi extraordinária.

O que mais se destaca neste quadro é, na minha opinião, a capacidade finalizadora de Dost. Dispondo de um caudal ofensivo inferior ao que tinha a equipa do ano passado - e, consequentemente, menos ocasiões de concretização - os números são impressionantes: 1 golo a cada 100 minutos. Mais impressionante é o número de ocasiões flagrantes que holandês desperdiça, em média, por cada 90 minutos: 0,2. Ou seja, em cada 5 jogos que faz, desperdiça 1 ocasião flagrante.

Considerando a fraquíssima qualidade que tem havido, esta época, ao nível dos cruzamentos e do último passe, é caso para nos perguntarmos: do que será capaz Bas Dost se começar a ser servido em condições?

domingo, 4 de setembro de 2016

O efeito "europeu" na valorização dos jogadores do Sporting

Há cerca de uma semana, Jorge Jesus chamou a si os louros pelo interesse que os jogadores do Sporting agora despertam junto de clubes mais endinheirados. Alguns comentadores não concordam, e encontraram outra explicação para a valorização dos jogadores do Sporting: o efeito "europeu".

Percebo a ideia. Não há montra como uma vitória numa final de uma grande competição internacional, e não duvido que a cobiça de certos clubes terá surgido (ou sido reforçada) com a inesquecível prestação da seleção no Euro 2016. Mas, na minha opinião, a valorização dos jogadore está longe de se explicar apenas por isso.

Comecemos por falar de João Mário. Foi vendido ao Inter por 40 milhões de euros, podendo o montante chegar aos 45, em função de determinados objetivos que, para já, ainda não são conhecidos. Certamente que o facto de ser campeão europeu ajudou nas negociações, mas não me parece descabido que o Sporting conseguisse vender João Mário por 30 ou 35 milhões sem a presença no Euro 2016, face à fantástica época que realizou no clube. O europeu pode ter valorizado João Mário em 5 ou 10 milhões, mas quanto valorizou o jogador enquanto jogador de Jorge Jesus? Numa visão otimista, não acredito que algum clube pagasse mais de 20 milhões quando o atual treinador do Sporting chegou ao clube.

Peguemos na outra grande venda do Sporting neste defeso: Slimani. Não participou no europeu mas, no entanto, foi vendido por 30 milhões (que poderão chegar a 35). Ou seja, acabou por ser transferido por um valor que pode ficar acima daquilo que era a sua cláusula de rescisão (que era válida apenas até finais de junho). Quanto valia Slimani um ano antes, após uma época em que marcou 15 golos em todas as competições? Provavelmente nem metade.

Mais: não são muitos os jogadores portugueses que se possa dizer que tenham tido uma grande valorização durante o europeu. É certo que Renato Sanches e Raphaël Guerreiro foram transferidos antes da competição começar, mas, de resto, não se viram grandes efeitos práticos. Apenas Nani foi transferido para o Valência, ainda durante a competição, por um valor pouco significativo (8,5 milhões). Houve também a transferência de André Gomes para o Barcelona por uma verba fabulosa, mas cuja valorização é exclusivamente derivada da influência de Jorge Mendes, já que, do ponto de vista desportivo, o jogador fez um europeu - e toda uma época, já agora - abaixo das expetativas.

Portanto, é verdade que o efeito "europeu" pode ter ajudado o Sporting a fazer da venda de João Mário a segunda maior da história do futebol português - apenas ultrapassada pela de James que, como se sabe, foi inflacionada para reduzir o valor de João Moutinho -, mas não foi esse o principal motivo de valorização dos jogadores do Sporting. O principal fator de valorização dos jogadores transferidos pelo Sporting mora em Alvalade e chama-se Jorge Jesus. 

Ainda há alguma dúvida de que Jesus merece o salário que ganha?

sábado, 3 de setembro de 2016

Assim foi Islam Slimani

Foram inúmeros os grandes momentos que Slimani nos proporcionou ao longo dos três anos em que jogou de leão ao peito, mas se tivesse que escolher apenas um, seria este:


Final da Taça de Portugal. Disputada com menos um jogador desde o quarto de hora e a perder por dois golos desde os 25 minutos, este jogo parecia perdido para todos os sportinguistas. Nas bancadas, o apoio ia-se fazendo ouvir, mas a fé era escassa. No relvado, a equipa mostrava-se impotente para dar a volta a uma desvantagem que parecia irrecuperável. Mas se havia falta de ideias, nunca deixou de haver na frente um leão a lutar contra todos as adversidades, incessantemente, como se a sua vida dependesse disso. Raramente a bola lhe era colocada em condições, mas nunca abdicou de a perseguir e de pressionar os adversários que a tivessem na sua posse. Até que, a menos de cinco minutos do fim do tempo regulamentar, teve a sua oportunidade. Teve a sua oportunidade e não a desperdiçou, despertando a crença em colegas e adeptos. O resto pertence à história. Se o Sporting conquistou a Taça de Portugal, deve-o, em primeiro lugar, a Islam Slimani.

Slimani é isto: um jogador com uma vontade férrea e mentalidade vencedora, que nunca desiste e que faz questão de aparecer sempre nos grandes momentos. Foi assim desde que chegou: terminou a primeira época com um golo marcado a Benfica, Porto e Braga, que valeram duas vitórias tangenciais e uma dramática ida a prolongamento para a Taça; na segunda época marcou um golo na Luz no seu jogo de estreia, somou outros dois golos ao Braga e ainda outros dois golos na Liga dos Campeões; na terceira época, com Jorge Jesus, assistimos ao aparecimento do goleador, que faturou por 31 vezes - 2 desses golos foram marcados ao Benfica, 4 ao Porto e 3 ao Braga).

Faltou-lhe apenas ganhar o campeonato, mas ainda está a tempo de o conseguir. Se o Sporting alcançar esta época o seu objetivo, Slimani terá desempenhado um papel curto, mas importante: pode ter disputado apenas dois jogos, mas foi decisivo em ambos.

Para os sportinguistas, Slimani tem o encanto adicional de ter chegado a Alvalade como matéria-prima em estado bruto. Não sendo um produto da nossa formação, registou uma evolução técnica e tática inacreditável. Chegou a Alvalade como um tosco e saiu como um craque.

Prosseguirá agora a sua carreira nos maiores palcos da Europa. Fez por merecê-lo. Merece também continuar a ser feliz. Boa sorte e obrigado, Slimani!

(vídeo de André Lucas)

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O leão mostra que tem um guarda-roupa diversificado

Ainda sem tempo para digerir completamente a saída de João Mário, a generalidade dos sportinguistas virou as agulhas para o jogo de ontem interrogando-se sobre quais as escolhas iria Jorge Jesus fazer contra o Porto, de forma a garantir simultaneamente o equilíbrio coletivo necessário que minimizasse os argumentos de uma equipa que é muito perigosa, e a capacidade de desequilibrar para decidir o jogo a seu favor, que o médio português, agora jogador do Inter, oferecia. Surpreendentemente (pelo menos para mim), retirou Alan Ruiz, desviando o outro Ruiz para o apoio a Slimani, e colocou Bruno César como médio ala, mas com um twist: perante as dificuldades que Ruiz revelou para operar com a marcação de Danilo, Jesus fê-lo trocar de posição com Bruno César após o segundo golo do Sporting. A opção resultou em pleno, e isso ajudou o Sporting a controlar totalmente a partida a partir do momento em que se viu em vantagem no marcador, coisa que, é preciso reconhecer, ainda não tinha conseguido fazer até esse momento.

A verdade é que o jogo não começou bem para o Sporting. O Porto entrou muito bem, autoritário e dinâmico, conseguiu chegar rapidamente à vantagem, ficando numa situação mais confortável para Nuno Espírito Santo e perigosa para o Sporting: o Porto podia oferecer a iniciativa de jogo ao adversário e apostar no contra-ataque. Felizmente, sem que o Sporting tivesse feito muito por isso, o empate e a reviravolta acabaram por não tardar.

Só a partir desse momento é que o Sporting conseguiu controlar efetivamente a partida, dispondo de mais oportunidades que o adversário, e mereceu inteiramente a vitória. Mostrou, também, numa altura em que o tema mais debatido é a falta que poderão fazer os jogadores que estão de saída, que tem ainda no guarda-roupa vários fatos à medida, que poderão ser usados a qualquer momento, em função da ocasião: não só a polivalência de Bruno César, mas também dois laterais que, no final da época passada, eram suplentes, um Bruno Paulista que promete entrar nas contas para esta época, para além de Alan Ruiz e dos últimos reforços que chegaram: Campbell - que já deixou um pouco do seu perfume -, Dost, Castaignos, Meli, André e Douglas.





Robot Semedo - imperial pelo ar, intransponível pelo chão, impressionou pela forma como limpou todos os lances de perigo que ocorriam na sua zona de ação, incluindo um carrinho de alto risco na área para desarmar Herrera. Uma máquina.

Bruno César, o joker - há os motivos que expliquei atrás, e acrescento o empenho que colocou em campo e o livre batido à barra que antecedeu o golo de Slimani. Jesus tem aqui uma carta capaz de desempenhar várias funções de forma extremamente competente: lateral, médio ala e segundo-avançado.


Ominpresente William - fez um jogo monstruoso. Inúmeras recuperações de bola, enorme segurança na condução, e foi melhorando à medida que o relógio foi avançando. A entrada de Paulista permitiu-lhe subir mais vezes no terreno, onde também pareceu muito confortável.

Os laterais - Marvin mostrou, novamente, que é um jogador fiável defensivamente contra equipas mais fortes. Arriscou uma vez ou outra a subida pelo flanco, conseguindo uma exibição positiva. João Pereira passou por mais dificuldades com Otávio, mas no deve e no haver saiu vencedor no duelo. Fez um corte fulcral a Adrián, já nos descontos, que festejei como se fosse um golo.

Gelson decisivo - não teve um jogo propriamente feliz - na linha do que já tinha acontecido em Paços de Ferreira - mas foi, pela terceira vez, decisivo. Marcou um golo e foi fundamental noutro, levando já 1 golo e 2 assistências em 3 jornadas. Apetece-me dar-lhe um raspanete por ter tirado a camisola, mas, que raio!, é apenas um miúdo que tinha acabado de marcar o seu primeiro golo num jogo desta importância, por isso desta vez escapa. Mas que não volte a acontecer.

Mais um para Slimani - um golo na (suposta) despedida de Alvalade, que aconteceu apenas porque tem aquele hábito de nunca deixar de lutar por uma bola que pareça ter o destino ditado. Vendo a repetição, é bem provável que a bola não chegasse a transpor a linha de golo, fosse pelo efeito caprichoso que levava, fosse pela iminente ação de Casillas. Quanto às lágrimas no final, terei que falar sobre isso num post à parte.

O ambiente no estádio - ruidoso, apaixonado e eletrizante. Atmosfera incrível em Alvalade durante toda a partida.



Algum desleixo a sair para o ataque - principalmente na primeira parte, foram demasiadas as ocasiões em que perdemos a bola no nosso meio-campo, oferecendo várias oportunidades de transição ao Porto. É verdade que o Porto ocupava bem os espaços e pressionava em dois terços do terreno, mas não foi por aí, pois muitas dessas perdas não foram forçadas. Coates, Adrien e Gelson foram os maiores prevaricadores.

A @$%*! dos olés - considerando o nosso passado recente no panorama dos olés-prematuros-que-antecederam-baldes-de-água-gelada-em-clássicos, seria de esperar QUE NÃO O VOLTÁSSEMOS A FAZER A POUCOS MINUTOS DO FIM, ESTANDO A VENCER APENAS POR UM GOLO. É certo que foi uma troca de bola deliciosa - que nem apreciei devidamente por estar a antever mais um golo de Jardel no último minuto, mesmo não estando Jardel em campo -, mas vamos lá parar com isto. Nestas coisas não devemos facilitar... na época passada, nas únicas vezes em que se experimentou a hola mexicana (com resultados em 5-0 e 3-0), conseguimos a proeza de sofrer golos nesse preciso momento. Ah, e tal, a festa nas bancadas é bonita, mas, se faz favor, não voltemos a arriscar em circunstâncias destas. 



A opção Paulista - mais uma vez, Jesus apostou no brasileiro, mas agora deu-lhe mais tempo de jogo. Entrou aos 68' para o lugar de Ruiz para dar maior consistência ao meio-campo. Belo jogo, excelentes apontamentos - visão de jogo, velocidade e raça -, e a ideia de que está aqui uma excelente solução para o meio-campo para a época.

A estreia de Campbell - bons pormenores técnicos, mas ainda se nota (naturalmente) alguma falta de ligação ao resto dos colegas. Excelente o trabalho a segurar a bola junto à bandeirola de canto, perto do final - foi muito útil para fazer correr o relógio.

A arbitragem - foi contestada a arbitragem de Tiago Martins, sobretudo pelos lances dos dois golos - muito protestados por Casillas. Boas decisões em ambos os casos: no primeiro golo, Gelson domina com o peito; no segundo golo, a bola bate efetivamente no braço de Bryan Ruiz, mas o costa-riquenho tem o braço encostado ao corpo e não tem forma de evitar o alívio à queima de Marcano. Gostava de saber, no entanto, se Jorge Jesus é o único treinador da Liga que manda bocas aos árbitros durante os jogos.



Foi o melhor tónico possível para combater a depressão gerada pela saída de João Mário e Slimani. Continua a haver muita qualidade no plantel, e as últimas contratações levam a crer que a quantidade e qualidade de opções à disposição de Jesus lhe poderão causar boas dores de cabeça. Agora é aproveitar a pausa para as seleções para começar a integrar os recém-chegados, com aquela tranquilidade de alma que só uma liderança isolada consegue dar.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

O tratamento da ausência de Slimani

No final do dia de ontem, o país desportivo foi abalado por mais uma vigorosa pazada de carvão, patrocinada pelos nossos atentos diários desportivos. Em causa esteve a ausência de Slimani do treino da tarde. Uma fonte do Sporting indicou que o argelino teve autorização de Jorge Jesus para se ausentar, mas nada disso serviu para evitar os títulos bombásticos.

A Bola diz que Slimani recusou treinar-se...


... o Record optou por um título mais factual e limitou-se a registar a ausência, apesar de depois referir que o objetivo era forçar novo braço-de-ferro...


... e O Jogo conseguiu ser ainda mais dramático, falando em murro na mesa, indo ainda mais longe ao revelar que Slimani não iria comparecer no treino de terça-feira.


Como se vê, de nada serviu o desmentido do Sporting. E apesar de ter sido uma notícia dada já depois das 23h, ainda foi muito a tempo de fazer capa na edição de hoje dos três jornais. Os termos utilizados certamente que enchem de orgulho o mais dedicado dos carvoeiros.




No interior do jornal A Bola pode ler-se a versão que O Jogo colocou no site na noite anterior:


Assim se armou a tenda. Mas ainda andavam os quiosques a arrumar os escaparates por esse país fora, quando sucedeu isto:


Não é fácil que uma notícia expire de validade tão rapidamente quanto esta. Os dados recolhidos pelos jornais já cheiravam a podre às 8 da manhã.

A verdade é que qualquer pretexto serve para a comunicação social colocar o Sporting em causa. Nem o facto de ter havido um desmentido de uma fonte do clube serviu para travar os ímpetos sensacionalistas de quem iria preparar as capas do dia seguinte.

Ao invés, estes mesmos jornais continuam sem reparar nos €50.000 com que o Benfica carregou o Oliveirense, e vão assobiando para o lado perante os problemas que existem em Benfica e Porto. Martins Indi, central contratado por quase €8M, foi colocado a treinar com a equipa B. Carcela foi encostado. Ola John, que custou €10M, continua a renovar e a ser emprestado para que o Benfica não tenha de indemnizar a Doyen. Djuricic, por quem Vieira exigia €8M, foi novamente emprestado. Os 25 mendilhões de Talisca, por quem já havia negócio fechado há duas semanas, ainda não apareceram, bem como os 30 mendilhões por Salvio - apesar de já todos perceberem que é apenas uma questão de tempo para aparecer um clube que diga que paga os mendilhões, independentemente de precisar ou não dos jogadores. Jardel continua estranhamente desaparecido do onze, ao que se diz por não estar satisfeito com o seu salário após saber quanto Carrillo recebe. Brahimi e Aboubakar estão para sair há meses, mas não há quem ofereça o que o Porto pede. Ederson vai acumulando operações, Samaris desabafa nas redes sociais perante as inúmeras ofertas de 15 mendilhões que os jornais garantem existir. Bebé foi vendido com prejuízo. Os 10 milhões gastos em Jovic e Saponjic continuam por explicar, o novo Neymar foi despachado para a 2ª divisão alemã, e Cristante, jogador por quem há um ano havia quem pagasse 20 milhões, continua a rodar de empréstimo em empréstimo. Mukhtar e Friesenbichler, idem, idem, aspas, aspas. E ninguém questiona a estranha ligação Vieira / Benfica / Mendes / Wolves, que levou no fim-de-semana passado o presidente benfiquista a vestir as cores de um clube que não é o seu (bem, na realidade, de que clube é ele, mesmo?). Imaginam a novela que se criaria à volta de cada um destes casos, se o clube envolvido fosse o Sporting?


Para o Benfica sobram coisas como as incríveis histórias como as de Danilo e André Horta (Spoiler: parece que a incrível história de Horta tem a ver com o facto de ter tatuado o ano da fundação do Benfica em numeração romana), ou os múltiplos Euromilhões que Vieira vai ganhando para a Luz semana sim, semana não.


Para terminar, registe-se o facto de, em casos polémicos relativos ao Benfica, os jornais terem o hábito de esperar pela reação oficial do clube antes de divulgarem a notícia. Foi assim que procederam, por exemplo, quando o Football Leaks revelou que o pagamento por Bernardo Silva tinha sido feito a uma empresa que não o Benfica. Foi preciso esperar quase 10 horas para que se dignassem a referir o facto, já com a explicação do Benfica a dominar a notícia. Com o Sporting, ignora-se a versão do clube. Quem fala em jornais, fala também nos programas de debate e "informação" sobre futebol na televisão. Uma gritante diferença de tratamento que demonstra que a imparcialidade e equidistância são qualidades em vias de extinção neste meio, e que nos deixa a pensar em tudo aquilo que não sairá cá para fora graças aos filtros intensamente  coloridos que existem na nossa comunicação social.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Incertezas no ataque

A ausência de Slimani no arranque da época e as declarações de Teo Gutierrez a meios de comunicação social sul-americanos lançaram a incerteza sobre a composição do plantel na posição de ponta-de-lança.

Em relação a Slimani, é preciso recordar que este é o segundo caso de indisciplina protagonizado pelo jogador no espaço de dois anos - em agosto de 2014 foi-lhe colocado um processo disciplinar que o afastou da duas primeiras jornadas da liga. Nada justifica este tipo de comportamento, mas a meu ver não será mais que uma forma do jogador expressar enfaticamente o seu desejo de sair e de tentar pressionar a direção do Sporting a facilitar a sua venda. 

A decisão em vender ou manter Slimani em Alvalade é complicada. Por um lado, é um jogador muito influente que será bastante complicado de substituir. Por outro, está num momento da carreira em que dificilmente valorizará mais (fez 28 anos no mês passado) e, ficando em Alvalade, não poderemos contar com o seu contributo durante todo o mês de janeiro, devido à sua provável participação na CAN 2017. Não existem cenários perfeitos, portanto.

Se tivesse que apostar, diria que Slimani regressará nos próximos dias e estará disponível para trabalhar em pleno - porque, ao fim e ao cabo, nada muda o facto de existir um contrato até 2020, o que coloca todo o poder negocial do lado do Sporting. O jogador sabe que também ele ficará a perder se persistir neste braço-de-ferro com o clube. Resta saber como reagirá Bruno de Carvalho a este atraso na apresentação.

Quanto a Teo, tem feito um bom trabalho na divulgação do seu forte desejo em regressar à América do Sul. Na época passada tivemos dois Teos: na primeira metade foi um elemento quase inútil - prejudicado, diga-se, por uma lesão que o impediu de estar a 100% -, mas após as férias prolongadas subiu bastante de rendimento, acabando por marcar 8 golos nos últimos 8 jogos. O jogador regressou a Portugal na semana passada em muito boas condições físicas, pelo que tenho esperanças que este seja o 2º Teo. Se for assim, talvez seja possível encontrar a pachorra suficiente para aturar este tipo de caprichos.

Em suma, comportamentos totalmente desnecessários que não ajudam em nada o ataque à nova época. Esperemos que ambas as questões se resolvam o mais rapidamente possível.

EDIT 12h38: Slimani chegou há cerca de uma hora a Lisboa, e deverá treinar na Academia com o resto da equipa já esta tarde.

domingo, 5 de junho de 2016

31xSlimani

Todos os golos de Slimani marcados de leão ao peito em 2015/16.


P.S.: aos 1m35s: "Islã Islimani" <3

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Resumo do sumaríssimo a Slimani


Slimani mereceu esta suspensão. Não me chocaria se, em vez de um jogo, o castigo fosse de dois ou três jogos, desde que o CD também punisse outros jogadores que deveriam ter sido expulsos por agressões nesse mesmo jogo (Samaris, Eliseu e Jardel).

Agora, o que sobra de todo este processo é um desfile de absurdos:
  • O sumaríssimo a Slimani demorou mais de 6 meses (!!!) para ser julgado. Durante todo este tempo, o jogador andou sempre na dúvida se poderia alinhar no jogo seguinte ou não.
  • Numa primeira fase, o CD ignorou as agressões feitas pelos jogadores do Benfica, num caso claríssimo de dois pesos e duas medidas para situações que deveriam ser encaradas de forma semelhante e condenadas de forma diferente em função da gravidade. Não espantou que o CJ ordenasse, posteriormente, que esses casos fossem também incluídos.
  • A decisão em primeira instância (absolvição) baseou-se numa argumentação ridícula, que depois acabou (também) por ser revertida no CJ.
  • O facto de ter havido um único sumaríssimo esta temporada, quando ao longo da época existiram inúmeras agressões não punidas e que, inclusivamente, causaram lesões graves a outros jogadores. Ou seja, o CD não segue nenhum critério objetivo.
  • Da mesma forma, os jogadores saberão que podem, com o jogo parado, chutar bolas contra jogadores que estão no chão, ou fazer outro tipo de entradas maldosas. Desde que não sejam cotoveladas, claro.
  • Ao fim de 4 épocas de competições com equipas B, os regulamentos ainda permitem que jogadores da equipa principal limpem castigos, em determinadas circunstâncias, na equipa B.

É o que dá ter amadores à frente de organismos que deveriam ser totalmente profissionalizados. Seria bom que a FPF decidisse entrar, de uma vez por todas, no século XXI...

sábado, 21 de maio de 2016

Balanço de 2015/16: Avançados



Islam Slimani: ***          2014/15: ***     2013/14: **

O argelino atingiu um nível que seria impensável há dois anos. A prova viva de que a determinação e espírito de sacrifício podem compensar, em grande parte, as limitações técnicas com que se nasce. Acabou a época com 31 golos marcados, dos quais apenas 2 foram de penálti, e picou o pontou por 9 ocasiões a Benfica, Porto e Braga. Um ponta-de-lança que foi um pesadelo para todas as defesas que defrontou, independentemente de serem equipas de topo ou do fundo da tabela. Uma das grandes figuras do Sporting 2015/16. Provavelmente será transferido. Vai deixar saudades.


Teo Gutiérrez: *

Dois terços de época para esquecer, terminando, no entanto, em bom nível, ao marcar 8 golos nos últimos 8 jogos. Apesar dos 15 golos que marcou, a prestação de Teo foi, na minha opinião, insuficiente. Falamos de um jogador que, sendo o mais bem pago do plantel, esteve longe de corresponder às expetativas da sua contratação. Não só pelo que (não) jogou em grande parte da temporada, mas também por causa das rábulas da sua estadia prolongada na Colômbia e da pressão que fez para sair. Ainda agora a época acabou, e já há notícas de que Teo está a pedir para sair. Se for verdade, é fazer-lhe a vontade perante uma proposta minimamente interessante.



Fredy Montero: *          2014/15: **     2013/14: **

Ninguém nega que Montero tem uma capacidade técnica acima da média, mas fica complicado entregar um lugar no onze a um jogador tão pouco regular. Marcou 3 golos decisivos (Nacional, Braga e Académica) que valeram 3 importantes vitórias, mas foram bastante mais os jogos em que pouco acrescentou em campo. Considerando a sua situação no plantel e as necessidades financeiras do clube, compreende-se a sua venda.


Junya Tanaka: *          2014/15: *

Apesar de bom profissional e de ser um grande marcador de livres, o japonês não é jogador com nível suficiente para o Sporting. Não sendo bem ponta-de-lança, não sendo bem extremo, não sendo bem médio ofensivo, ficava complicado encaixá-lo onde quer que fosse.


Hernán Barcos: *

Provavelmente, a única contratação do mercado de inverno que não acrescentou nada ao plantel. Contra ele jogava o facto de estar há mais de dois meses sem competição. Jesus foi-lhe dando minutos de forma inconstante, mas nunca correspondeu. Ficaram mais na memória os lances em que se atrapalhou do que qualquer outra coisa que tenha feito com qualidade. Tenho muitas dúvidas que seja o jogador de que precisamos para substituir Slimani. Em função da conjuntura negativa em que chegou ao Sporting, talvez mereça a oportunidade de se mostrar na pré-época, mas não acredito que isso chegue a acontecer.


Bryan Ruiz: ***

Sobre Ruiz já escrevi tudo aqui (LINK). 


Carlos Mané: *          2014/15: **     2013/14: **

Não foi ainda a época de explosão de Mané, que poucas vezes conseguiu aproveitar as oportunidades que lhe foram dadas. É natural que, após 3 anos na equipa principal, se levantem dúvidas sobre se conseguirá alguma vez afirmar-se como solução de primeira linha para um clube com o Sporting. Considerando as notícias que davam interesse de clubes alemães na janela de transferências de inverno, o mais provável é que seja cedido. 


Gelson Martins: **          

A sua inclusão no grupo de trabalho foi, provavelmente, a maior surpresa no início da época. Um jogador com capacidade para desequilibrar graças à sua velocidade e capacidade de drible, revelou no entanto dificuldades iniciais no momento de definir. Com o avançar da época, foram visíveis os progressos quer ao nível da decisão, quer no à-vontade para jogar em espaços interiores. Um projeto de jogador que, para já, está no bom caminho. Tem tudo para explodir em 2016/17.


Matheus Pereira: *

Um craque em potência. Esteve bem na generalidade dos jogos em que participou, mas acabou por ter direito a menos minutos do que Gelson, o que, confesso, me surpreendeu, pois via em Matheus maiores probabilidades de afirmação. Dúvida para a próxima época: manter no plantel, jogando menos, ou emprestar a um clube de I Liga para ganhar experiência? Se a opção for a segunda, 80% dos clubes vão esfolar-se para poderem contar com ele.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Os melhores momentos do Braga - Sporting

A despedida do campeonato foi selada com mais uma enorme exibição. Ruiz, William, Gelson, Slimani e João Mário abriram o livro, bem secundados pelo resto da equipa. Aqui ficam alguns dos melhores momentos do jogo de ontem.


Gostava de destacar, no entanto, o lance do segundo golo. Nasce de uma jogada em que participaram todos os jogadores do Sporting, com exceção de Rui Patrício: 

João Mário (1) - Semedo (2) - Paulo Oliveira (3) - Semedo - João Mário - Ruiz (4) - Bruno César (5) - Ruiz - João Mário - Teo (6) - William (7) - Gelson (8) - Schelotto (9) - William - Slimani (10) - Semedo - Ruiz - Bruno César - Slimani

42 pacientes segundos de trocas de bola, no meio-campo do Braga, até se encontrar o ponto certo por onde perfurar a defesa adversária. Uma maravilha.



Nunca mais é agosto.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Máquina de jogar futebol

Vale a pena ver e rever alguns dos fantásticos momentos do Sporting contra o V. Setúbal.

(nota: coloquei o vídeo sem som porque, por algum motivo que não consigo entender, os níveis de áudio ficaram muito irregulares; podem colocar o som carregando no icon que está no canto inferior esquerdo, mas recomendo que o coloquem num nível baixo)

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Números de Slimani



É o primeiro jogador sportinguista a marcar quatro golos ao Porto numa época desde que Jesus Correia, um dos cinco violinos, o fez em 1946/47.

Sexto lugar na bota de ouro europeia.

Melhor marcador africano nas ligas europeias.

Leva já um total de 30 golos nesta época, o dobro dos que registou em 2014/15 e o triplo dos que marcou em 2013/14.

Com 9 golos marcados a Porto e Benfica, está apenas a 1 golo de igualar Falcao como o jogador estrangeiro que mais golos marcou em clássicos do futebol português.

Slimani v. Jonas


Jonas venceu o prémio de futebolista do ano atribuído pelo CNID (uma associação de jornalistas de desporto), ultrapassando Adrien, João Mário, André André e Rafa. Aceita-se perfeitamente a eleição de Jonas, que é, indiscutivelmente, a principal figura do Benfica. No entanto, não consigo compreender por que motivo Slimani foi esquecido nas nomeações.

Como é evidente, a importância de um jogador não se limita aos golos que marca - mesmo no caso dos pontas-de-lança -, mas no que diz respeito a este incontornável indicador, os números e, sobretudo, a distribuição dos golos de Slimani em função da dificuldade do adversário tornam-no, seguramente, uma das figuras desta liga.

Na comparação direta com Jonas, a diferença dos golos entre os dois corresponde ao número de penáltis convertidos (7 contra 2, não se podendo esquecer que um dos golos de Slimani ao Moreirense foi marcado na recarga de um penálti que o argelino não converteu). Destacam-se, no entanto, os seus 6 golos do sportinguista contra 0 de Jonas nos dérbis e clássicos. Jonas tem, em contrapartida, muito mais assistências do que Slimani (16 contra 5, segundo os números do Transfermarkt). Para além disso, existem outros intangíveis com que um e outro contribuem para o coletivo, como a capacidade de luta ou a inteligência dentro de campo) que também devem ser levados em consideração na atribuição de um prémio de jogador do ano.

Slimani e Jonas são, na minha opinião, as duas maiores figuras deste campeonato. Qual deles deve ser o jogador do ano? Para mim, aquele que no final celebrar o título de campeão.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Momentos do clássico



(obrigado, @luis_pvr!)





domingo, 1 de maio de 2016

Sporting de outra classe

Num desafio que já era à partida de dificuldade máxima - pela carga competitiva e emocional que os clássicos sempre têm -, mas que por cima disso ainda tinha a agravante da pressão de se saber que um empate ou uma derrota significariam a perda do campeonato, o Sporting realizou uma exibição de grande nível e demonstrou, mais uma vez e de forma clara, que é a melhor equipa da atualidade em Portugal.

Como seria de esperar, o Porto fez aquilo que lhe competia e entrou em campo para ganhar o jogo. Dispôs de várias oportunidades para marcar e pode queixar-se de um penálti que ficou por marcar. Mas a verdade é que a superioridade do Sporting foi evidente durante praticamente todo o jogo - com a exceção daqueles momentos que se seguiram ao golo de Herrera, em que a equipa pareceu acusar o empate e tremeu um pouco. Mas a regra que imperou foi o domínio do Sporting, suportado sobretudo na superioridade demonstrada na batalha do meio-campo - com William, Adrien, João Mário e Ruiz a engolirem o  trio Danilo / Sérgio Oliveira / Herrera -, e pela intranquilidade que a ação de Slimani e Teo causava nos centrais adversários, claramente o elo mais fraco do Porto.

Foi a primeira vitória no Dragão para o campeonato nos últimos 9 anos, e a segunda vitória nos últimos três jogos se contarmos com a Taça de Portugal. Apesar de o Porto não estar a passar por uma boa fase, não se deve menosprezar o feito alcançado pelo Sporting - não só porque não deixa de ser um jogo difícil num terreno que, até há bem pouco tempo, era praticamente intransponível, mas também pelo que representa em termos de afirmação desta equipa no contexto do novo equilíbrio de forças no futebol nacional.



Positivo

Senhor João Mário - está a fazer uma ponta final de temporada inacreditável. O trabalho no primeiro golo é absolutamente genial: amortece a bola com o peito, em impulsão, após um passe demasiado comprido de William, para depois controlá-la com um pequeno toque com o pé que a faz passar por entre as pernas de José Angel, tirando-o do caminho, e progredindo de seguida para a área até ter uma linha de passe para Slimani que, na pequena área, apenas teve que encostar para a baliza. Foi também dele a assistência para Bruno César no terceiro golo. Foram os dois momentos altos de (mais) uma grande exibição.


A vida de Bryan - mais descaído para a esquerda, como é habitual, encheu o campo com a sua classe, e trabalhou que nem um desalmado. De certa forma, é quase um crime que seja obrigado a fixar-se numa determinada zona do terreno que o deixa tão afastado de João Mário. Destaque para os dois cruzamentos teleguiados para a cabeça de Slimani (um deu golo, o outro foi brilhantemente parado por Casillas), 

Slimani a bisar - mais dois golos do argelino, que se juntam aos dois que já tinha marcado ao Porto na primeira volta. Se no primeiro foi só encostar, o segundo foi de uma excelente execução técnica - num lance que já é um clássico do Sporting 2015/16: cruzamento de Ruiz para o poste mais distante e Slimani a cabecear no sentido contrário ao movimento do guarda-redes. 

Schelotto todo-o-terreno - uma prova de fogo que o italo-argentino superou com distinção. Incisivo no ataque, muito bem a cruzar, e bastante sólido a defender. Provavelmente a exibição mais completa que fez de leão ao peito até ao momento.

Ruuuuuuuuuuuuuuuuui - numa tarde de bastante trabalho, Rui Patrício esteve particularmente brilhante no remate ao poste de Herrera em que, com uma súbtil defesa com o pé, acabou por fazer toda a diferença. Muito bem a fazer a mancha em várias ocasiões do Porto na pequena área. E mesmo no livre de Sérgio Oliveira à barra, teria defendido se esta tivesse ido um pouco mais baixa. Que grande época.

Jogar como equipa, ganhar como equipa - é, em certa medida, injusto estar a referir apenas quatro jogadores, quando todos tiveram prestações bastante positivas, e em que, sobretudo, há um coletivo que potencia as individualidades.


Negativo

A abordagem de Coates no lance do penálti não assinalado - não sei o que se passou na cabeça do uruguaio, mas poderia ter deitado tudo a perder com o empurrão desastrado a Aboubakar. Um penálti claro que nos foi perdoado, que não só poderia dar o empate ao Porto, como também nos deixaria a jogar em desvantagem numérica - pois Coates já tinha amarelo. Não consigo compreender como não foi assinalado. A única explicação que encontro é que tenha havido alguma tentativa de compensação pelo penálti assinalado sobre Brahimi que, para além de me ter parecido forçado - há contacto entre o joelho de Coates com a anca de Brahimi, mas muito ao de leve -, é antecedido de uma falta não assinalada de Aboubakar sobre Schelotto.

A finalização, mais uma vez - João Mário, aos 5 minutos, isolado perante Casillas, faz um remate em arco que sai por cima; Slimani, já com o resultado em 0-1, falha incrivelmente na pequena área, após cruzamento de Schelotto; dois cabeceamentos na sequência de cantos que poderiam ter tido mais força (Slimani, aos 32') ou melhor direção (Coates, aos 56'); cabeceamento de Slimani, após cruzamento de (pasme-se!) Ruiz, para uma enorme defesa de Casillas; João Mário a deixar-se antecipar por André André, quando estava na cara de Casillas; não fosse o desperdício, e o jogo poderia ter acabado bem mais cedo. 



Continuamos a necessitar de um deslize do Benfica para regressar ao primeiro lugar. É óbvio que, de semana para semana, as probabilidades de tal deslize acontecer vão-se reduzindo. Não tenho nenhuma fé no Marítimo (presidido por Carlos "não farei nada para que o Benfica não seja campeão" Pereira), e acho altamente improvável que o Nacional faça o país vir abaixo na Luz. Mas a excelente carreira que o Sporting está a fazer esta época - são vários os recordes que já se bateram - merece que façamos por acreditar. Até ao último segundo.

domingo, 17 de abril de 2016

Missão cumprida, sem brilhantismo mas com polémica

Num jogo que não foi bem jogado, e em que o Sporting fez uma das mais fracas exibições em toda a época, é normal que a discussão se centre nos dois casos do jogo: um hipotético fora-de-jogo de Slimani no lance do golo e o golo anulado a Teo Gutierrez. Admito que Slimani esteja em fora-de-jogo, mas estou longe de ter certezas, e muito menos faz sentido quem afirme peremptoriamente que foi uma situação clara de fora-de-jogo. A linha de fora-de-jogo deve seguir a posição da bola, e tenho quase a certeza que os pés de Slimani estão atrás da linha da bola. A minha dúvida é em relação à cabeça, devido à inclinação do corpo na direção da baliza. Quanto ao golo anulado de Teo, parece-me uma decisão correta da equipa de arbitragem.

Não tenho conhecimentos técnicos para avaliar se esta imagem com ponto de fuga está correta, mas aqui fica como auxiliar.

(EDIT: a linha de fora-de-jogo deveria passar pelo ponto do solo abaixo da bola, e não pela bola propriamente dita, pois esta encontra-se levantada; isto faz com que desvie a linha na direção de Slimani - obrigado, Ricardo)


É uma pena que exista esta dúvida, porque o lance do golo foi uma obra de arte que merece ser vista e revista. Começou com um lançamento em profundidade de Teo para Slimani. O argelino, descaído para a esquerda, perto da quina da área do Moreirense e marcado por um adversário, fez um passe atrasado para William, que deixou de imediato em Teo, que por sua vez deu dois passos na direção da área e picou a bola para Schelotto, que surgia pela direita. O italiano colocou de primeira em Slimani, que encostou para as redes. Grande momento de futebol.

Apesar da polémica e do pobre espetáculo, o Sporting foi a melhor (ou menos má) equipa em campo. Durante a primeira parte, o Moreirense cavou trincheiras no primeiro terço de terreno e só chegou à área do Sporting através de lances de bola parada, sem que, no entanto, conseguisse criar qualquer situação de perigo para Rui Patrício. Na segunda parte, a equipa da casa arriscou mais, mas foi igualmente inofensiva. Ou seja, o Sporting até pode ter criado poucas ocasiões para marcar, mas na realidade foi a única equipa que o fez, pelo que a vitória se justifica. Não foi um bom produto de promoção do futebol, é certo, mas há jogos assim.



Positivo

O resultado - o Sporting pode ter feito uma exibição bastante apagada, mas venceu e conseguiu o essencial: os três pontos.

Um jogo à medida de Adrien - o Moreirense foi uma equipa muito combativa e agressiva (no bom sentido do termo), o que obrigou o Sporting a vestir o fato-macaco. Adrien deu o exemplo e foi muito importante no equilíbrio defensivo da equipa. Viu um cartão à meia-hora de jogo, mas soube sempre gerir essa situação sem perda de eficácia na disputa de bolas.

A primeira parte de Teo - o colombiano esteve bem durante os primeiros quarenta e cinco minutos, muito dinâmico na ligação entre o meio-campo e o ataque, e fazendo várias excelentes solicitações a companheiros, das quais se destaca o passe picado para Schelotto no lance do golo. Caiu muito na segunda parte, mas essa quebra de rendimento não foi exclusivo seu.

Schelotto decisivo - fez a assistência para Slimani, conseguiu algumas incursões perigosas pelo seu flanco e esteve bem a defender. Um dos melhores jogos do italiano até ao momento.

Doze vitórias fora - um novo recorde do Sporting, que nunca tinha vencido tantos jogos fora numa só época para o campeonato, e que é um sinal que atesta indiscutivelmente a excelente época que está a ser feita.


Negativo

A exibição - numa altura em que o Sporting vinha efetuando excelentes partidas, não se esperava tanta falta de inspiração, mesmo considerando a forma combativa como o Moreirense encarou o jogo. A falta de espaço para jogar no último terço ajudou à pálida exibição, mas a verdade é que também houve muito atabalhoamento e ausência de entendimento entre os jogadores mais avançados.

A arbitragem - para além do lance do golo, existiram 2 ou 3 foras-de-jogo mal assinalados ao ataque do Sporting. A expulsão de Jorge Jesus pareceu exagerada, porque o treinador não pareceu ter sido incorreto nem efusivo nos protestos - e a verdade é que tinha razão em protestar, porque Bruno Paixão revelou um critério desigual no momento de mostrar cartões, com prejuízo para o Sporting.



O Sporting cumpriu a sua obrigação e recuperou o primeiro lugar, pelo menos até segunda-feira. Tem a palavra o Benfica.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

As nomeações do CNID

O CNID anunciou ontem os nomeados para melhor futebolista do ano, revelação do ano, e melhor jogador da II Liga.


Melhor futebolista do ano:

  • Adrien (Sporting)
  • André André (Porto)
  • João Mário (Sporting)
  • Jonas (Benfica)
  • Rafa (Braga)


Revelação do ano:

  • Danilo (Porto)
  • Diogo Jota (P. Ferreira)
  • Gelson Martins (Sporting)
  • Iuri Medeiros (Moreirense)
  • Miguel Silva (V. Guimarães)
  • Renato Sanches (Benfica)


Melhor jogador da II Liga:

  • André Silva (Porto B)
  • Ewerton (Portimonense)
  • Francisco Geraldes (Sporting B)
  • Pedrinho (Freamunde)
  • Platiny (Feirense)


Adrien e Jonas parecem-me escolhas inatacáveis. João Mário merece estar no top 5, mas considerando que estas nomeações dizem respeito a toda uma época, Slimani justificava mais a presença nesta lista. Rafa aceita-se, apesar de não ser propriamente um jogador muito regular. André André não se compreende. Começou muito bem a época, mas "desapareceu" em novembro e nunca mais voltou a ter o mesmo nível de influência. Layún seria uma escolha bem mais lógica, ou até Danilo.

Quanto às revelações, só não concordo que Danilo esteja nesta lista, pois já tem 24 anos e fez duas épocas no Marítimo antes de ter sido contratado pelo Porto. Todos os outros são boas escolhas.

Não sei se Francisco Geraldes merece a nomeação (da II Liga apenas acompanho os jogos do Sporting B), mas fico contente por ele. O Sporting B fez uma primeira metade de época sofrível, mas Geraldes manteve quase sempre um nível competitivo muito interessante. Neste momento está em grande forma, e mostra que está mais que preparado para dar o salto para a I Liga na próxima época.