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quinta-feira, 24 de maio de 2018

Balanço de 2017/18: GRs e Defesas


Rui Patrício: *** 
2016/17: **
2015/16: *** 
2014/15: *** 
2013/14: ***


Melhor época de sempre. Não seria tarefa fácil compilar os melhores momentos de Rui Patrício ao longo deste ano, tantas foram as ocasiões em que impediu golos que pareciam inevitáveis. Imperial entre os postes e no 1 contra 1, conseguiu desenvolver suficientemente o seu jogo de pés e a saída aos cruzamentos para os deixarmos de ver como fraquezas. O único ponto fraco do seu jogo que resta é o controlo da profundidade, mas isso não invalida que seja neste momento um enorme guarda-redes. A infelicidade na Madeira que acabou com as ténues esperanças que ainda existiam para acabar em segundo lugar e a desoladora saída em lágrimas no Jamor foram um final tremendamente injusto face à quantidade de vezes que nos salvou ao longo da época. É possível que a sua história no Sporting tenha chegado ao fim, o que torna tudo ainda mais amargo - não só pela forma como tudo acabou, mas também porque o segundo jogador mais utilizado na história do Sporting merecia sair com um campeonato no palmarés. Que seja feliz e que consiga conquistar aquilo que não conquistou connosco. Merece o melhor.


Salin: -

360 minutos de utilização distribuídos equitativamente entre confrontos de exigência reduzida na Taça de Portugal e na Taça da Liga são demasiado escassos para podermos avaliar se Salin é a pessoa certa para o papel de segundo guarda-redes. Se tivesse que arriscar, diria que não -  caso contrário, Jesus ter-lhe-ia confiado a baliza em bastantes mais ocasiões. Uma coisa é certa: nunca senti o mesmo conforto que sentia quando havia Beto no banco.


Cristiano Piccini: **

O mundo sportinguista - incluindo yours truly - torceu o nariz quando viu Piccini ser apresentado em Alvalade. Apesar de ser um desconhecido para a maior parte dos adeptos, o italiano foi rotulado de flop no dia da sua apresentação por causa da sua fraca estatística de cruzamentos - qualidade que todos julgavam ser prioritária havendo Dost para servir. E, de facto, nesse sentido, os receios eram fundados, pois Piccini não convenceu do ponto de vista ofensivo. Mas é justo dizer que não tardou a demonstrar ser um exímio defensor, com uma fantástica capacidade de posicionamento e antecipação. É um jogador talhado para os grandes jogos. Depois há a outra face da moeda: as suas insuficiências ofensivas fazem com que perca grande parte da sua utilidade contra adversários que se fecham na defesa - ou seja, estaremos a falar de 70% dos jogos das competições nacionais. Não sendo o lateral ideal para o campeonato português, é um lateral que interessa ter no plantel.


Stefan Ristovski: **

De início parecia a antítese de Piccini: de vocação bem mais ofensiva e sempre disponível para explorar o espaço no seu corredor, mas com alguns problemas para controlar os extremos adversários em tarefas defensivas. Ainda assim, as suas primeiras exibições foram prometedoras a ponto de se estranhar a falta de oportunidades concedidas por Jesus. Passou depois por um período de menor fulgor, parcialmente justificável por ser utilizado de forma muito esporádica, mas conseguiu acabar a época em bom plano, mostrando melhorias ao nível do posicionamento defensivo e confirmando capacidade para criar desequilíbrios no ataque.



Fábio Coentrão: ** 

A chegada por empréstimo de Coentrão levantou muitas dúvidas nos sportinguistas por causa dos conhecidos problemas físicos, psicológicos e (para alguns, nos quais não me incluo) do passado no Benfica e as juras de amor feitas ao rival. Os primeiros jogos foram algo angustiantes por causa da evidente falta de confiança que tinha na sua condição física - quando Coentrão caía no relvado, o estádio inteiro sustinha a respiração com medo do pior. Mas com o tempo foi recuperando a confiança e acabou por conquistar das bancadas com a sua garra e vontade de vencer. O Coentrão que tivemos está longe do lateral explosivo de há muitos anos, mas não deixa de ser um jogador que sabe sempre o que fazer em campo. A meio gás, foi, confortavelmente, o melhor lateral esquerdo que tivemos em muitos, muitos anos.


Jonathan Silva: *
2015/16: *
2014/15: *

Conforme se esperava, voltou da Argentina sendo o mesmo jogador que era quando saiu de Portugal. Acumulou bastantes minutos no primeiro terço da temporada devido à gestão física / lesões de Coentrão, e deu para ver que manteve as qualidades que tinha e, sobretudo, os defeitos. A raça sul-americana não consegue disfarçar as gritantes insuficiências defensivas. Não surpreendentemente, foi dado como dispensável. Surpreendentemente, a Roma veio buscá-lo. Não surpreendentemente, pouco jogou e na próxima temporada cá o teremos de volta, provavelmente por pouco tempo.


Lumor Agbenyenu: -

Reforço de inverno, não poderia ter tido pior receção do que aquela que Jesus lhe dispensou, pois o primeiro comentário do treinador não podia ter sido mais humilhante. Acabou por ir a jogo mais vezes do que se esperaria, mas apenas numa ocasião jogou mais do que 25 minutos. Nas oportunidades que teve, não se destacou (o que era difícil) nem comprometeu (o que já não é mau). Ou seja, estamos na mesma em relação a janeiro: continua a dúvida sobre se poderá ser uma boa solução para o lugar.


Sebastián Coates: **
2016/17: ***
2015/16: ***

Depois de uma época em que foi uma espécie de pronto-socorro de uma defesa demasiado instável, Coates teve, finalmente, a possibilidade de jogar ao lado de um central de créditos firmados e de laterais que sabem o que fazer no momento defensivo. Estranhamente, esta acabou por ser a época mais irregular do uruguaio desde que chegou ao Sporting: protagonizou demasiadas situações de desconcentração ou excesso de confiança em relação ao que nos tinha habituado. Ainda assim, a época foi globalmente positiva - convém relembrar que foi dos jogadores mais utilizados (54 jogos) e que teve influência decisiva em alguns deles (como nas meias-finais da Taça, em Tondela ou em Vila da Feira).


Jérémy Mathieu: ***

Chegou como um central velho, lento, propenso a lesões e, ainda por cima, fumador - apesar de haver dados suficientes para desmentir a parte do lentidão e das lesões -, mas precisou apenas de dois jogos para conquistar Alvalade, quando, contra o Setúbal, com o jogo empatado a 0 e o tempo a aproximar-se do fim, decidiu fazer duas arrancadas como se de um extremo esquerdo se tratasse para abanar os companheiros da apatia em que tinham caído. Classe imensa, velocidade, espírito vencedor. Ah, e também sabe bater livres. Mais uma época destas, se faz favor.


André Pinto: **

Cumpriu muito bem o papel de terceiro central. André Pinto teve o primeiro teste a sério da época em Vila do Conde quando teve que substituir o lesionado Mathieu à passagem da meia-hora e a defesa não se ressentiu. Continuou a estar globalmente num bom nível nos vários jogos de dificuldade elevada que se seguiram (Juventus, Braga e Olympiakos). Considerando a utilização irregular que teve (já que Coates e Mathieu tiveram épocas muito consistentes), creio que não seria justo exigir-se mais a André Pinto.


Tobias Figueiredo: -
2015/16: *


2014/15: **

Foi com alguma surpresa que ficou no plantel, acabando por participar em apenas quatro jogos. Pode ter sido pouco tempo, mas foi suficiente para perceber que a confiança não abundava - de Tobias em si próprio e da própria equipa e público em Tobias. A sua saída para Inglaterra acabou por ser um desfecho natural.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

A suspensão de Rúben Dias, o auto instaurado a Coentrão e a lógica dos sumaríssimos na era do VAR

A suspensão de Rúben Dias

O Conselho de Disciplina decidiu suspender o jovem central benfiquista por dois jogos. A decisão parece-me fazer todo o sentido. Saúde-se, também, a rapidez com que a questão foi julgada - ninguém ganharia nada com mais uma novela à la Slimani.


O auto por flagrante delito instaurado a Fábio Coentrão

Durante o dia de ontem, o Benfica fez uma participação disciplinar contra Rui Patrício, Mathieu, Coates e Coentrão por ocorrências registadas no dérbi. Não sei se por consequência direta dessas queixas, a Comissão de Instrutores da Liga decidiu abrir um auto por flagrante delito a Fábio Coentrão, por supostamente ter agarrado o pescoço de Samaris. Confesso que não me apercebi de nada no estádio nem vi nada de anormal nos resumos e análises ao jogo que vi mais tarde. Acabei por ficar a saber do assunto precisamente através da notícia sobre as queixas do Benfica e por causa desta foto que a acompanhava:


A imagem é bastante sugestiva, mas à boa moda dos frames à Benfica, ajuda a construir uma narrativa que nada tem a ver com o que se passou na realidade. Ontem à noite, a Sport TV+ mostrou as imagens da situação e, como poderão constatar, o frame é bastante enganador:


É absurdo que a Comissão de Instrutores abra um auto de flagrante delito a Coentrão por causa disto. Devem ter tomado essa decisão exclusivamente com base na fotografia que andou a circular. Pior sai a CI desta situação quando vemos que, nesta mesma ocorrência, houve outros jogadores que tiveram um comportamento bastante mais incorreto que Coentrão: Acuña e Salvio encostam a cabeça um no outro, Samaris agarra em Acuña para o separar de Salvio e Acuña responde afastando Samaris com os braços.

Não há aqui qualquer motivo para suspender Fábio Coentrão, tal como não há matéria para suspender Patrício, Coates ou mesmo Mathieu.


A lógica dos sumaríssimos na nova era do VAR


A suspensão de Rúben Dias foi, como seria de esperar, contestada por Rui Pedro Braz. O comentador reconheceu que o central deveria ter sido expulso, mas contornou a questão da justiça da suspensão através de uma questão processual: Braz acha que a Comissão de Instrutores da Liga não deveria ter instaurado um sumaríssimo porque, segundo ele, o VAR avaliou o lance e não encontrou motivos para expulsão. E estendeu o raciocínio para a existência de sumaríssimos na generalidade, defendendo que deixa de fazer sentido a abertura de inquéritos com base em imagens televisivas a partir do momento em que o VAR tem acesso a essas mesmas imagens para avaliar este tipo de situações quando elas acontecem. Aqui fica a argumentação de Braz:






O raciocínio tem uma falha fulcral: não há nada que nos garanta que Hugo Miguel tenha realmente visto o que se passou em campo. Eu, no estádio (estava na central oposta à das imagens televisivas) não vi nada de anormal quando Gelson caiu ao chão - pensei que tivesse sido um contacto normal - faltoso ou não, não interessa para o caso. Parece-me bastante provável que Hugo Miguel e o seu assistente não tenham dado uma segunda visualização por não se terem apercebido da forma como Rúben Dias abordou o lance. Foi uma queda fora da área - pelo que não tinham a preocupação de verificar se era ou não penálti - e o lance prosseguiu, pelo que é possível que se tenham continuado a focar no jogo. Se fosse dentro da área, de certeza que teriam revisto de vários ângulos e que se aperceberiam da entrada de cotovelo do central do Benfica - depois se aconselhariam ou não o árbitro a ver as imagens é outra questão, infelizmente os jogos do Benfica estão repletos de casos destes que o VAR deixa passar.

Os sumaríssimos continuam a fazer todo o sentido, mesmo com VAR. Mas é necessário que haja coerência na sua aplicação, independentemente das queixas dos clubes, da importância dos jogos ou dos emblemas em causa. Infelizmente, esta época, coerência foi coisa que não existiu.

P.S.: Perante a argumentação imperfeita de Braz, o moderador do programa fez o que lhe competia: fez contraditório, com uma questão muito pertinente. Braz (com a ajuda de Luís Aguilar) reagiu a isso como se de uma afronta se tratasse e teve uma atitude inaceitável para com o colega:


Se houvesse justiça, Braz deveria ser confrontado várias vezes por programa, tantas são as argumentações absurdas que faz em nome dos interesses superiores que todos sabemos. É triste que a TVI continue a patrocinar a presença diária de fantoches destes nas suas emissões.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Fechando o ciclo em alta

Não se poderia desejar melhor forma de terminar um ciclo absolutamente infernal. Menos de 72 horas após ter disputado uma eliminatória da Liga Europa com direito a desgaste suplementar de um prolongamento, era natural que se temesse complicações adicionais de um adversário que sabe jogar, mas a realidade acabou por ser bem diferente: o Sporting fez uma excelente exibição e venceu de forma incontestável. A partida acabou por ser relativamente tranquila porque a equipa soube adaptar-se ao que o jogo ofereceu, e qualquer incerteza que tenha havido em relação ao resultado deveu-se, única e exclusivamente, à infelicidade no momento da finalização.




A exibição - pressão alta, velocidade de execução mais elevada do que tem sido norma e maior insistência na verticalização e no aproveitamento de toda a largura do campo para desmontar a defesa adversária. Tudo isto resultou uma das melhores exibições da época, com futebol agradável em largos períodos de tempo e na criação de um elevado número de ocasiões para marcar, ao mesmo tempo que se controlou quase sempre bem as iniciativas ofensivas adversárias.

Gelson - O (excelente) golo e a assistência para Dost foram, obviamente, os momentos altos da exibição de Gelson, mas não se limitou a isso. Para além da habitual disponibilidade defensiva, esteve também na origem de várias outras situações iminentes de golo, como a combinação com Coentrão na jogada em que o lateral rematou (intencionalmente) ao poste. O melhor em campo.

Dost de volta aos golos - regressou aos golos depois do jogo menos feliz realizado em Plzen, e assistiu Gelson com um amortecimento de bola açucarado. No entanto, há que dizer que não começou bem o jogo do ponto de vista da finalização, permitindo defesas a Cássio em duas situações em que, isolado, poderia e deveria ter feito melhor.

O Patrício é para as ocasiões - a única oportunidade do Rio Ave em todo o jogo surgiu no final da primeira parte, com um remate que embateu em Mathieu e, traiçoeiramente, mudou de trajetoria na direção da baliza junto ao poste. Remate que ia com selo de golo e que apenas não o foi devido a uma extraordinária parada da luva direita de Rui Patrício. Que. Época.

Outras menções honrosas - Piccini e Coentrão consistentes na defesa e atrevidos no apoio ao ataque; trabalho de Coates no segundo golo; muito William na segunda parte; mais uma boa exibição de Rúben Ribeiro; Bruno Fernandes a ser Bruno Fernandes; e, claro, a participação do apanha-bolas no primeiro golo.

Estatística interessante - há uma volta em que o Sporting não sofre golos em casa para o campeonato. A última equipa a marcar golos ao Sporting em Alvalade foi o Braga, o nosso próximo adversário.




Ferros e Cássio - mais uma vez, foi a finalização que não nos permitiu acabar mais cedo com as dúvidas no resultado, mas há que dizer que, desta vez, não houve muitos falhanços escandalosos. Muito mérito para Cássio, com várias defesas de grande categoria, e o excesso de pontaria aos ferros: quatro, divididas entre Fábio Coentrão e Bruno Fernandes.

Acuña a menos - entrou complicativo e poucas coisas lhe correram bem. O Sporting acabou por perder com a sua entrada, já que Rúben Ribeiro estava a fazer um bom jogo.



MVP: Gelson Martins

Nota artística: 4

Arbitragem: Rui Costa não tem jeito para isto. Um penálti por assinalar sobre Bruno Fernandes - há um toque subtil no seu pé, igual a muitos outros toques subtis noutras zonas do campo em que o árbitro marcou falta -, e várias faltas mal assinaladas. Nada que não se esperasse, infelizmente.



Finalmente, uma pausa na competição. É certo que metade do plantel vai estar ao serviço das seleções, mas mesmo esses interrompem a sequência ininterrupta de jogos de 3 em 3 dias. Um ritmo competitivo que causou mossas mas que não nos retirou de nenhuma das competições. Em abril há mais.

sábado, 10 de março de 2018

Mão cheia para guardar (@3295c_)

Novo texto do 3295C, que podem acompanhar agora no Twitter em @3295c_.



A recente entrevista de Fábio Coentrão à Marca revelou um verdadeiro leão de espírito. Dizer que se quer acabar a carreira num determinado emprego é sinal que se sente bem e do que se viveu até ao momento, não se encontra melhor lugar para estar, não apenas no presente mas também no futuro, independentemente de ser a curto, médio ou longo prazo.

A questão em Fábio Coentrão nem é tanto o prazo (tem 29 anos, pelo que cada um pode calcular agora quantos mais anos jogará), mas o compromisso que demonstrou ao fazer tal revelação e logo no jornal que mais rapidamente levará a mensagem aos adeptos merengues – com honras de capa e vestido de verde com o leão rompante ao peito –, faz soar as campainhas de orgulho por ter um Sportinguista deste calibre a representar – e muito bem – a equipa principal de futebol.

Poderia tentar ter graça e dizer que os parceiros do Sporting devem estar preocupadíssimos com esta exposição. Porém, o assunto é sério. Chama-se terrorismo informativo, tóxico, que tenta com a mentira envenenar as mentes mais crédulas e inocentes.

O percurso de Fábio Coentrão na equipa não foi homogéneo. Até ao momento em que Jorge Jesus e Frederico Varandas encontraram uma solução, de acordo com o cenário clínico do jogador, que lhe potenciasse as suas qualidades. A raça, a vontade e o querer sempre estiveram lá. O nosso inquestionável defesa esquerdo é feito da massa que todos quererão ver quando alguém veste a camisola do Sporting. Que a sente e que sabe o que fazer para a honrar. Dentro e fora de campo.

Este leão é para guardar. Se o próprio já admitiu que gostava de pendurar as chuteiras em Alvalade, acredito que o Sporting saiba que essa vontade é recíproca e que quando há duas partes, de três, que já estão de acordo, então dois terços do caminho está percorrido com êxito.


Também se poderia considerar que só em sonhos Bas Dost seria o nosso n.º 9 e com a agravante de ter de fazer esquecer – e rapidamente – Slimani. Aliás. A história desta passagem de testemunho tem as suas coincidências.

Bas Dost foi apresentado a 28 de Agosto de 2016, no dia em o Sporting recebeu o FC Porto, na 3.ª jornada. O mercado estava a fechar e o argelino estava, praticamente, com os dois pés no Leicester, apesar de ainda ter defrontado os dragões, tendo até marcado o primeiro golo da equipa, o empate, deixando depois Gelson Martins selar a vitória (2-1). Uma despedida do camisola n.º 9 que teve lágrimas, o que só aumentou a responsabilidade do holandês. Não tinha só de marcar golos mas também cair nas graças da família. “Perdemos” um 9, mas ganhámos um novo 28. Que é mais do que um 9.

Também seria difícil imaginar um 8 como o que temos agora. Sobre este conversamos outro dia. Importante é segurar este 5 porque é de mão cheia.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Pragmatismo com pinceladas de génio

Não foi propriamente bonito, mas foi eficaz. O Sporting adiantou-se de forma segura na eliminatória jogando pouco mais do que o estritamente necessário para se impor a um adversário que pareceu ser muito inferior. Partida gerida em velocidade de cruzeiro do princípio ao fim, alternando com alguns esticões que chegavam para desmanchar a defesa adversária. Foi o suficiente para criar três ou quatro excelentes oportunidades para marcar em cada parte. E a verdade é que, apesar dessa abordagem mais pragmática, o jogo acabou por valer bastante a pena por causa das pinceladas de génio que acabaram por ditar a diferença final no marcador.




As pinceladas de génio nos golos - ambos os golos de Montero tiveram pormenores sublimes. No primeiro, toda a jogada é lindíssima, desde a recuperação de bola de Coentrão, o passe em balão de Ruiz, a assistência acrobática de Coentrão (que entretanto se armou em extremo) e a finalização de pura frieza e classe de Montero. No segundo, magnífica a forma como Montero domina a bola após um passe ligeiramente curto de Bruno Fernandes, e depois como a esconde do marcador direto para a enfiar com o pé esquerdo pela nesga de baliza que tinha à disposição. Só por si, valeram o preço do bilhete.




O bom Montero - teve três boas ocasiões para marcar. Na primeira, rematou de posição central à entrada da área à figura do guarda-redes. Nas outras duas, soube colocar a bola de forma perfeita. Ontem tivemos o bom Montero, o matador de classe. Espero agora que contrarie, em Chaves, a minha teoria de que, para cada jogo bom, tem dois ou três em que desaparece.

O resultado - perfeitamente justo, mas mais importante do que ser justo é que permite encarar a segunda mão com tranquilidade. Não está garantida a passagem, obviamente, mas os quartos-de-final estão muito bem encaminhados.

Posso fumar o que vocês estão a fumar? - Coentrão e Mathieu, os fumadores da equipa, aqueles jogadores que temíamos, no início da época, que já não tivessem pedalada para uma época exigente, foram, em determinadas alturas de maior apatia, quem tentou empurrar a equipa para a frente, fosse pegando na bola e conduzindo-a à revelia do ritmo dos restantes companheiros, fosse nos sprints para pressionar o guarda-redes adversário quando este tinha a bola, fosse a aparecer em zona de finalização num contra-ataque rápido. Gostava que contagiassem esta mentalidade competitiva a vários outros elementos do plantel.



Velocidade de cruzeiro, mas não exageremos - percebo que houvesse, entre a equipa, uma consciencialização de que era um jogo de 180 minutos e que estávamos ainda na primeira metade, mas não era preciso exagerar na gestão do ritmo. O Sporting foi sempre superior, mas, fosse por falta de pernas, por falta de vontade, ou por estratégia, criou oportunidades de forma demasiado esporádica. Notava-se que, quando a equipa acelerava, colocava com facilidade a defesa adversária em apuros, mas nunca o fez de forma consistente. Felizmente que o primeiro golo surgiu na melhor altura possível, caso contrário adivinhavam-se uns segundos 45 minutos de nervos. Na segunda parte, depois do 2-0, foi-se gerindo o tempo com bola de forma competente, com exceção de cerca de cinco minutos em que a equipa pareceu deixar-se adormecer - e nos quais o Plzen dispôs das suas duas únicas verdadeiras oportunidades para marcar. Podia ter corrido pior.



Mesmo sabendo que os resultados europeus do Plzen nesta época sugerem uma equipa muito mais confortável a jogar em casa do que fora, o fosso de qualidade entre as duas equipas é por demais evidente. Não acredito que o Sporting não marque pelo menos um golo na segunda mão. Se isso se concretizar, o Plzen terá de marcar quatro golos para nos eliminar, o que me parece muito difícil de acontecer. Encarando o jogo de forma séria - e se não existirem azares de maior -, estaremos certamente nos quartos-de-final da Liga Europa.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Um precedente muito perigoso


Durante a partida de ontem no Cazaquistão, foi noticiado que Fábio Coentrão foi suspenso por um jogo por causa de um incidente ocorrido no final do confronto entre Porto e Sporting para a Taça da Portugal. Na base da suspensão está o relatório do delegado ao jogo (e não observador, como diz a notícia acima), que viu Fábio Coentrão cuspir na direção dos espectadores.

A suspensão de Fábio Coentrão será cumprida na próxima segunda-feira, no jogo contra o Tondela. Uma baixa importante numa partida que se adivinha complicada.

Esta decisão abre um precedente muito perigoso. Desconheço se há imagens que suportem o relato do observador. Não havendo, é com enorme preocupação que olho para esta suspensão, porque fica aberta a porta para qualquer delegado ou observador arranjar livremente pretextos para suspender jogadores.

Convém não esquecer que a divulgação dos emails do Benfica nos permitiu saber que a teia de interesses inclui delegados. Vale a pena recordar o caso de Simões Dias, antigo delegado da Liga, a quem foram "desenrascados" dois bilhetes para o Benfica - Nacional, jogo do título de 2015/16, por, segundo Paulo Gonçalves, ter feito uma omissão num relatório de jogo que o "safou" a ele e a Nuno Gomes de uma sanção mais pesada. Simões Dias acabaria por sofrer as consequências dessa omissão ao ser supenso por 18 meses por falsificação de relatório. Não estou, obviamente, a acusar todos os observadores e delegados de serem capazes de fazer servicinhos destes... mas se é possível haver um delegado a omitir para ajudar um clube, então não é impossível que haja um delegado a mentir para prejudicar um clube.

Para além disso, registe-se o facto de a suspensão ter sido dada pela secção não profissional do Conselho de Disciplina, que é composto por José Manuel Meirim e pelos seguintes membros:


Convém relembrar que três destes cavalheiros - Vítor Carvalho, Leonel Gonçalves e Jorge Amaral - são três dos elementos a quem o Benfica ofereceu bilhetes para o Benfica - Juventus por estarem cheios de moral por terem evitado uma suspensão a Jorge Jesus, na altura treinador dos encarnados:


Não estou a dizer que Coentrão não tenha feito aquilo de que foi acusado - não tenho forma de saber -, mas é fundamental que existam elementos de prova concretos que não se limitem à palavra de um qualquer delegado ou observador. No atual estado de suspeição que existe no futebol português, são legítimas as dúvidas sobre se não serão fretes levados a cabo por meninos queridos ao serviço de um determinado clube.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Prevaleceu a estatística

Considerando a semana incrivelmente favorável que o Sporting viveu - começando pela vitória ao Porto, continuando com a conquista da Taça da Liga, assistindo à perda de pontos de Benfica e Porto e ao tiro no porta-aviões que foi a constituição de Luís Filipe Vieira como arguido - que, não tendo implicações desportivas, certamente que funcionará como facilitador para se desmontar a estrutura montada à sua volta -, o jogo de ontem com o V. Guimarães era um daqueles que, desse por onde desse, fosse como fosse, teria que acabar com uma vitória para o nosso lado.

À semelhança do que aconteceu na final da Taça da Liga, aquilo que aconteceu nos primeiros 45 minutos não permitiam perspetivas muito otimistas, pois a exibição do Sporting ficou bastante aquém do que se esperava. Mas, mais uma vez, a segunda parte trouxe uma equipa transfigurada que impôs um ritmo superior que contribuiu para quebrar fisicamente o adversário - que acabaria por pagar a fatura do esforço em pressionar e preencher os espaços nos primeiros 70 minutos -, também à semelhança do que tinha acontecido frente ao V. Setúbal. E foi precisamente nos últimos vinte minutos, numa altura em que já só dava Sporting, que voltaria a prevalecer a estatística que nos diz que é muito pouco provável o Sporting não marcar golos durante 90 minutos.




"Presos por arames" - o nível exibicional não foi famoso, em particular na primeira parte, mas houve um jogador que se apresentou a um nível elevadíssimo durante os 90 minutos. Falo, obviamente, de Fábio Coentrão que, com a sua qualidade e, sobretudo, com a garra e a determinação que coloca em campo, já conquistou o coração de todos os sportinguistas. A outra figura foi Mathieu, principalmente pelo decisivo golo que marcou, claro, mas também pela mentalidade que oferece à equipa. É um jogador habituado a ganhar e que está disposto a fazer de tudo em campo para ajudar a equipa a atingir os seus objetivos - seja como central, seja como extremo improvisado, seja como ponta-de-lança de recurso. Em comum aos dois: chegaram a Lisboa com o rótulo de estarem "presos por arames", mas já descartaram de forma categórica todos os receios que existiam sobre a condição física e níveis de motivação no momento da sua contratação. Numa altura de enorme exigência física, não há jogador no plantel que pareça tão fresco como estes dois.

Prevaleceu a estatística - no lançamento do jogo e na flash interview após a vitória, Jorge Jesus referiu que o Sporting tem sido, ultimamente, uma equipa mais cínica, mais italiana. Parece-me que esse cinismo é mais produto das circunstâncias - uma equipa fatigada e privada dos seus dois jogadores mais repentistas - do que de um ideal de jogo, mas a verdade é que, estatisticamente, é uma abordagem que, em Portugal, pode funcionar. E o que nos diz a estatística? Diz-nos que, jogando bem ou jogando mal, é quase inevitável o Sporting marcar pelo menos um golo: até agora, em 29 jogos oficiais em competições nacionais, só não marcámos nos dois jogos com o Porto e no jogo semi-a-feijões-com-um-onze-totalmente-remodelado com o Marítimo, na 1ª jornada da fase de grupos da Taça da Liga. Como tal, em 90% dos casos, é suficiente não sofrer nenhum golo para garantir os três pontos. Apesar de um Sporting - V. Guimarães ser uma daquelas partidas em que poucos apostariam num 0-0, a verdade é que esse desfecho não esteve assim tão longe de acontecer... mas no fim, a estatística levou a melhor através do pé esquerdo de Jérémy Mathieu. E quando uma determinada estatística se confirma tão frequentemente, dificilmente se pode considerar isso fruto do acaso ou das circunstâncias... mesmo quando as exibições não estão ao nível do que se desejava.

Os melhores - para além de Coentrão e Mathieu, bons jogos de William, de Acuña (apenas na segunda parte) e de Ristovski. Bruno César também entrou muito bem.

Muita força, Daniel! - o pontapé de saída foi o melhor momento da noite. E se há alguém a quem a vitória deve ser dedicada, é ele.



Presos por arames, sem aspas - é visível que há vários jogadores em acentuado subrendimento físico. O caso mais evidente é o de Marcus Acuña. O argentino fez uma primeira parte angustiante: nunca deu profundidade pelo seu flanco, movimentava-se a passo, incapaz de concretizar um drible, escondendo-se quase sempre em zonas interiores em vez de aproveitar o espaço que tinha junto à linha, obrigando Coentrão a ser, simultaneamente, lateral e extremo. Curiosamente, na segunda parte encontrou forças que parecia não ter, subindo bastante de rendimento. Bruno Fernandes e William Carvalho também parecem espremidos, mas a sua qualidade com bola nos pés permite que sejam sempre úteis. O que é facto é que existem demasiados jogadores que têm ido sempre a jogo, independentemente da importância do desafio e do nível do adversário. Está na hora de Jesus alargar o seu leque de opções.

A lesão de Dost - espero que não seja grave. Montero não é jogador para ser o ponta-de-lança no sistema que utilizamos, e Doumbia, apesar de ser muito incómodo para os defesas adversários, continua a mostrar-se demasiado trapalhão e pouco inteligente em determinadas ações de jogo. Pode ser que melhore com uma maior utilização, mas não sei se a equipa se pode dar ao luxo de esperar por ele.

Os anormais que dispararam pirotecnia no início da segunda parte - espero que sejam identificados e impedidos de entrar no estádio, no mínimo, até ao final da época.



Nota artística: 3

MVP: Fábio Coentrão

Arbitragem: bom trabalho de Luís Godinho. As incidências do jogo ajudaram.



Missão cumprida e, provisoriamente, liderança alcançada. O próximo jogo é já no domingo, contra o Estoril.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Combate contra o karma

A Taça da Liga continua a ser a menor das competições oficiais que o Sporting disputa. Não tenho nenhum desejo especial de vencer a Taça da Liga, pelo que não ficaria particularmente aborrecido se tivessemos sido eliminados ontem. No entanto, não se pode menosprezar a importância desta vitória (mesmo que em penáltis): uma eliminação - ainda mais na ressaca daquele empate em Setúbal - poderia ter um impacto psicológico profundo no plantel e nos adeptos numa fase em que se joga grande parte do sucesso da época. 

A exibição esteve longe de ser brilhante - o Sporting só esteve claramente por cima do jogo nos primeiros vinte minutos -, mas nunca senti que o adversário alguma vez nos tenha conseguido encostar atrás como aconteceu na Luz contra o Benfica ou em Alvalade contra o mesmo Porto. Ou seja, houve algum controlo dos acontecimentos por parte do Sporting, suponho que em parte por se saber que, indo a decisão para penáltis, teríamos melhores hipóteses do que o Porto para nos qualificarmos para a final. Uma vez nos penáltis, lá apareceu Rui Patrício a fazer o que costuma fazer...




O suspeito do costume - Rui Patrício não teve grande trabalho durante os 90 minutos regulamentares, mas quando a decisão foi para os penáltis, o Sporting parte quase sempre em vantagem tendo o guarda-redes que tem. São Patrício é um especialista nestas séries, e ontem voltou a prová-lo. Uma referência do clube a quem apenas falta o campeonato para subir ao estatuto de lenda.

Combate contra o karma - encarámos o karma de olhos nos olhos com as opções tomadas para bater os penáltis. Perdemos o primeiro round quando William falhou. Com enorme determinação (ou loucura?), fomos para um double or nothing com Bryan Ruiz... e ganhámos! Excelente para o clube, e excelente também para um jogador que não merece a etiqueta que lhe foi colocada por causa do golo que falhou há dois anos. E por falar em karma...


O "milagre" de Coentrão - se dúvidas existissem, nossas e do próprio jogador, em relação à capacidade física de Fábio Coentrão, ontem elas terão ficado definitivamente dissipadas. Não quer dizer que não possa haver um azar já no próprio jogo - knock on wood - mas o lateral tem ultrapassado com distinção a sequência de jogos consecutivos que tem realizado, sem nunca deixar de colocar tudo o que tem em lances divididos, e independentemente do adversário direto que lhe apareça pela frente. Ontem foi Marega, que, não sendo o mais jeitoso dos jogadores, é difícil de controlar pela sua força e rapidez, mas Coentrão voltou a fazer um grande jogo. Mérito do jogador, obviamente, e também do departamento médico de excelência que o Sporting tem à sua disposição.



Nota artística - a vitória foi saborosa, como é óbvio, mesmo que a exibição não tenha sido brilhante, de parte a parte. O Sporting rematou pouco à baliza de Casillas, dispondo de apenas duas verdadeiras oportunidades para marcar - cabeceamento de Coates ao poste e remate de Bruno Fernandes bloqueado por Telles -, mas o Porto, rematando mais em virtude de uma abordagem muito mais direta, conseguiu, na minha opinião, criar apenas duas grandes situações de golo - remate frouxo de Ricardo Pereira após boa jogada individual e a oferta de Mathieu a Aboubakar. Jogo tão transpirado como desinspirado, de parte a parte.

A arbitragem - a decisão de não assinalar penálti de Danilo sobre Dost é absurda. Dost está um pé adiantado no momento em que o cruzamento é feito, mas está a ser agarrado e abraçado muito antes de conseguir ter parte ativa no lance. Nestes casos, a lei diz que o penálti tem precedência sobre a posição de fora-de-jogo. A decisão de anular o golo a Soares é boa, porque o brasileiro parece efetivamente adiantado, mas não ficaria escandalizado se o VAR tivesse optado por validar o golo. De resto, a arbitragem foi fraquíssima, com um critério disciplinar enviesado que permitiu excesso de agressividade aos jogadores do Porto - como é possível, por exemplo, que Filipe não tenha sido expulso por aquela entrada bárbara sobre Rúben Ribeiro, que Oliver não tenha visto cartão ao acertar na cara de Battaglia, ou que William tenha visto o primeiro amarelo do jogo quando, minutos antes, Soares tinha sido poupado por agarrar Rúben Ribeiro quando este ia entrar na área? - mas excessivamente rigoroso na gestão das faltas e faltinhas - muitas assinaladas desnecessariamente, outras que foram erros óbvios, principalmente ao apitar várias faltas ofensivas de jogadores do Sporting que não existiram. Se o jogo foi fraco, em parte também se deveu à má condução de jogo de Nuno Almeida. 

A lesão de Gelson - já andava a ameaçar, ontem quebrou. Esperemos que não seja grave.

As opções para a marcação dos penáltis - nunca atacarei William por ter avançado para marcar o quinto penálti - é um jogador que nunca se esconde nestes momentos -, mas, que raio, já sabemos que está longe de ser um especialista no momento do remate à baliza. A decisão foi incompreensível e deve ter deixado o universo sportinguista à beira de um ataque de nervos, principalmente quando Montero e Bryan estavam disponíveis. 



Ao fim do terceiro clássico/dérbi da época, o Sporting continua invicto nas competições nacionais. O raciocínio sobre o que se evitou ao não perder também se pode inverter, ou seja, um sucesso sobre um adversário direto ajuda sempre a ganhar confiança, e creio que isso permitirá libertar algum vapor da muita tensão que existe nos adeptos e na equipa. Agora, convém que ninguém se esqueça que a vitória de ontem não servirá de nada se não vencermos a final, pelo que é preciso abordar o jogo de sábado com níveis máximos de concentração e sem qualquer displicência. 

Sendo a Taça da Liga uma competição em que nos tem acontecido de tudo - a forma inesperada como perdemos a nossa primeira final, o escândalo da Taça Lucílio Baptista, o episódio do dolo sem intenção, etc.), continuaremos o combate contra o karma defrontando a mesma equipa que nos derrotou na final da primeira edição da prova. Acredito que haja muita vontade nos jogadores em "vingar" o empate de sexta-feira passada, e, se assim for, ficaremos muito mais próximos de conquistar a Taça da Liga pela primeira vez no nosso historial.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Adamastor

Depois de dois pontos perdidos ao cair do pano no dérbi, era fundamental que o Sporting regressasse às vitórias contra o Marítimo, quinto classificado e uma das equipas menos batidas do campeonato, que chegou a Alvalade com 15 golos sofridos em 16 jogos. Entre o desgaste acumulado e as lesões, Jesus fez quatro alterações em relação ao jogo da Luz, lançando Ristovski, André Pinto, Bryan Ruiz e Podence nos lugares de Piccini, Mathieu, Acuña e Battaglia.

A equipa não se ressentiu das mudanças e dominou por completo o jogo - na primeira parte colocando um ritmo q.b., na segunda parte impondo-se de forma categórica com uma última meia-hora completamente avassaladora. O Marítimo encontrou ontem o seu Adamastor: sofreu cinco golos - que podiam ter sido mais -, acabando o jogo completamente à deriva e à mercê do adversário e do tempo de jogo que teimava em não se esgotar.




Why so serious? - não reparei no estádio, mas ouvi na rádio, no final do jogo, que Bruno Fernandes não festejou o 5º golo como resultado da frustração de não ter conseguido marcar nenhuma das bombas que lançou à baliza de Charles. Se eu conhecesse Bruno Fernandes pessoalmente, dir-lhe-ia que qualquer sportinguista viveria radiante se as suas exibições resultassem sempre em duas assistências, influência decisiva noutros dois golos, para além de ser um dos jogadores mais esclarecidos e dinamizadores do coletivo. Why so serious? Não marcou, mas foi apenas o melhor em campo.

O hat-trick de Dost - quis testar os nervos das bancadas quando, em boa posição para rematar, preferiu servir um companheiro com um toque de habilidade - infelizmente para Dost e para nós, o companheiro não estava no local onde o holandês acreditava que estivesse. Redimiu-se da melhor maneira, marcando três golos em que apenas teve de encostar para a baliza. Ainda assim, ninguém lhe pode tirar o mérito de saber estar no sítio certo na hora exata. Fechou a primeira volta com 16 golos marcados em 17 jogos.

Os laterais - quatro dias depois de um jogo de exigência máxima, Coentrão mostrou que as limitações que o condicionaram no início da época parecem definitivamente ultrapassadas. Está bastante mais confiante na sua própria capacidade física, e isso nota-se na forma como sprinta para pressionar o guarda-redes adversário, nas tentativas de drible ou desarme sem temer o contacto do adversário, e na facilidade aparente com que aguentou os 180 minutos dos últimos dois jogos. Mesmo sem o fulgor que demonstrava há cinco ou seis anos, é o melhor lateral esquerdo que me lembro de ver jogar no Sporting. Do outro lado, Ristovski foi titular e o melhor que se pode dizer do seu desempenho é que, sendo um jogador bastante diferente de Piccini, ninguém se lembrou do italiano durante o jogo. Sempre à procura de atacar a profundidade no seu flanco, pôs a cabeça em água ao lateral adversário com a sua velocidade e capacidade de entendimento com os companheiros. Tirou alguns bons cruzamentos, soube procurar várias vezes o espaço interior de forma competente, muito disponível para pressionar alto, e concentrado a defender. Exibição muito promissora.



A liga que temos - o quinto classificado veio a Alvalade jogar para o empate, correndo poucos ou nenhuns riscos. Praticamente abdicou de atacar, colocando as fichas todas para marcar nos lances de bola parada que eventualmente surgissem. A perder por 1-0, o Marítimo manteve a postura, na esperança de conseguir um golo fortuito que voltasse a empatar a partida. A perder por 2-0, o Marítimo manteve a postura, na esperança de conseguir um golo fortuito que voltasse a relançar a partida. A perder por 3-0, o treinador lá mexeu um pouco na equipa, mas o moral de quem ganhava e a falta de moral de quem perdia não permitiu que isso alterasse a dinâmica do jogo. A perder por 5-0, o jogo acabou, caso contrário seria uma questão de poucos minutos para surgir o sexto, e por aí adiante. Que triste liga é esta em que o quinto classificado não arrisca o quer que seja desde o primeiro minuto.



MVP: Bruno Fernandes

Nota artística: 4

Arbitragem: Jogo fácil para Carlos Xistra, que soube não complicar. De referir duas situações de dúvida de fora-de-jogo no ataque do Sporting em que a equipa de arbitragem optou (e bem) por deixar seguir - como os lances não deram golo, assinalaram o fora-de-jogo posteriormente. É assim mesmo que deve ser.



Primeira volta concluída com 13 vitórias e 4 empates, numa luta a três que promete decidir-se apenas no final. Prestação obviamente positiva de uma equipa que continua envolvida em todas as frentes. Esperemos que o reforço da equipa traga as mais-valias necessárias para que o Sporting consiga gerir os meses infernais que aí vêm.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Os bispos abriram a defesa e as torres terminaram o trabalho

Mais uma deslocação de risco após uma desgastante jornada da Liga dos Campeões, mais uma boa resposta da equipa, que continua a demonstrar uma boa noção das prioridades. A primeira parte não foi famosa, no entanto: a velocidade de execução colocada na construção pareceu sempre demasiado lenta para um Boavista fechado e pressionante no seu meio-campo. O jogo seria desbloqueado com um golo marcado num momento importantíssimo, que lançou a equipa para uma exibição segura e para uma vitória indiscutível num terreno sempre complicado.




Um golo no melhor momento possível - o golo de Coentrão, marcado no final dos três minutos de descontos que o árbitro concedeu na primeira parte, dificilmente poderia ter surgido em melhor altura. Grande trabalho de Dost a soltar a bola para Podence, que depois soube ter paciência e habilidade para dançar à frente de Talocha enquanto dava tempo aos colegas para se posicionarem na área. Soltou o esférico para o segundo poste onde apareceu Coentrão - bons 90 minutos - a finalizar. Um golo que desbloqueou um jogo que estava a ser difícil e que foi um importante tónico para uma bem melhor segunda parte.

A agressividade na segunda parte - apesar de ter inaugurado o marcador no último suspiro do primeiro tempo, foi pelo que fez na segunda parte que o Sporting fez realmente por merecer, de forma incontestável, a conquista dos três pontos. A maior pressão sobre a saída de bola do Boavista e o adiantamento em bloco da equipa nos momentos de posse encostaram os axadrezados à sua área e inclinaram em definitivo o campo e valeram, por duas vezes e no espaço de poucos minutos, a obtenção da tranquilidade no marcador.


O jogo que começou a ser ganho em Barcelona - Jorge Jesus fez questão de referir que a vitória no Bessa começou a ser construída em Barcelona, já que, segundo o seu ponto de vista, os jogadores poupados na Liga dos Campeões foram os melhores na partida com o Boavista. Não sei até que ponto é que um facto foi consequência direta do outro, mas gosto da forma como as prioridades têm sido definidas: campeonato acima de todas as outras competições, sempre e até ao fim.

Todos a oxigenar o cabelo, sff - Dost, portador de cabelo naturalmente claro, marcou dois golos após dois desvios de cabeça do louro Mathieu, outro portador de cabelo naturalmente claro, fechando o marcador que tinha sido inaugurado por Coentrão, portador de cabelo artificialmente claro, após um trabalho magnífico de Podence, recente portador de cabelo ainda mais artificialmente claro. Se há lendas que atribuem força sobrehumana à dimensão do cabelo, por que não haver uma associada à sua tonalidade?

O apoio vindo das bancadas - incrível o apoio dado pelos muitos sportinguistas que quase encheram uma das bancadas do Bessa. Mereceram a referência que Jesus lhes fez no final, e um exemplo para o punhado de assobiadores que têm aparecido em Alvalade.



Facilitismos - Piccini, com a bola controlada, atrapalha-se sozinho e perde a noção de onde ela estava, permitindo um contra-ataque do Boavista que acabou por valeu um amarelo a Coates. Mathieu é um grande central, mas tem a particularidade de ter o hábito de registar exatamente uma paragem cerebral por partida. A de ontem, ocorrida na primeira parte, não teve consequências graves. Coates, infelizmente, não pode dizer o mesmo: tentou fintar um adversário em zona proibida, e perdeu a bola, que só pararia nas redes de Patrício e relançou a discussão do jogo durante um par de minutos. 

Erros de arbitragem - Penálti não assinalado por falta nas costas de Podence no final da primeira parte. Mateus parece estar em fora-de-jogo no momento do passe que lhe é feito para o golo do Boavista, mas nem fiscal-de-linha (fez bem em deixar seguir) nem VAR (com maiores responsabilidades) o assinalaram - ainda assim, era um lance de análise difícil e compreendo que tenham dado o benefício da dúvida ao avançado do Boavista. Perto do fim, Gelson é derrubado por Sparagna numa altura em que ficaria isolado perante o guarda-redes. O boavisteiro devia ter sido expulso, mas só viu o amarelo. Alguns mais compreensíveis, outros menos compreensíveis, mas todos em prejuízo do mesmo clube. Curiosamente, estes erros sucederam-se pouco depois da existência de vários erros num outro jogo, todos em benefício do mesmo clube, o do costume. Haverá quem encontre explicações individuais para cada um destes erros, negando-os ou desculpando-os, mas o que ninguém conseguirá contestar é a improbabilidade estatística daquilo que vai sucedendo semana após semana: seria natural que, uma vez ou outra, os que são beneficiados também fossem prejudicados...



Mais um campo complicado que foi ultrapassado, que vale uma liderança provisória que, infelizmente, não deverá durar muito. Duvido que os jogadores do V. Setúbal, com os graves problemas que o clube tem atualmente, consigam bater o pé ao Porto. De qualquer forma, o caminho é este: só se formos fazendo sempre a nossa obrigação é que poderemos aproveitar os deslizes, previsíveis ou inesperados, que os outros possam ter.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

O sucesso também se alcança através das quase-oportunidades

Após o empate do Porto na Vila das Aves e em véspera de um clássico Porto - Benfica, o jogo de ontem em Paços de Ferreira era um daqueles que o Sporting, simplesmente, não se podia dar ao luxo de não ganhar. O problema é que da necessidade à concretização vai alguma distância, sendo que, quando se joga na Mata Real, essa distância não costuma ser curta. O Paços não desiludiu e foi o adversário chato (no sentido de complicado) que costuma ser sempre que nos recebe, mas contra isso o Sporting soube mudar o chip da Liga dos Campeões e ser, desde o primeiro minuto, a equipa pragmática e concentrada que precisava de ser para sair de lá com os três pontos.




Vitória sem espinhas - o Sporting voltou para Lisboa com os três pontos porque fez em campo por merecê-los. O golo de Battaglia surge de uma jogada atabalhoada... mas totalmente legal, porque Bas Dost está atrás da linha da bola no momento em que o argentino faz o primeiro remate à baliza. Lamentável a postura dos comentadores de serviço da Sport TV ao dizerem de imediato que Dost estava adiantado - eles que, normalmente, costumam ser tão reticentes em apontar falhas da arbitragem -, quando as imagens, mesmo não sendo captadas do melhor ângulo possível, eram suficientemente esclarecedoras para comprovar a legalidade do lance. E depois, o golo de Gelson, a cruzamento de Fábio Coentrão é uma obra prima que acho que não terá o reconhecimento que merece. O trabalho a retirar o adversário do caminho antes do remate é absolutamente delicioso. Golos à parte, o Sporting também dispôs de bastantes mais oportunidades para marcar do que o Paços de Ferreira. A nota artística pode não ter sido muito elevada, mas a justiça da vitória do Sporting não pode ser beliscada de maneira alguma.

Savoir-faire na defesa, ou como o sucesso também se alcança através das quase-oportunidades - o normal, num jogo de futebol que oponha o Sporting a um adversário do nível do Paços de Ferreira no seu reduto, é que o Sporting tenha sempre mais oportunidades para marcar, independentemente de estar a atravessar uma época mais ou menos positiva. No entanto, em demasiadas ocasiões, o Sporting acabou por perder pontos graças a lances idênticos a vários que, por pouco, não aconteceram ontem. Vou tentar explicar-me melhor: o Paços teve três oportunidades para marcar em todo o jogo (uma das quais deu golo), mas teve umas três ou quatro quase-oportunidades que, noutros anos, teriam sido oportunidades de corpo inteiro e, com um elevado índice de probabilidade, poderiam mesmo parar apenas no interior da baliza de Rui Patrício. No entanto, ontem não passaram de quase-oportunidades porque temos uma linha defensiva extremamente competente a limpar vários tipos de lances complicados: é ver como Piccini e Coentrão fecham ao centro quando os cruzamentos/passes são feitos para o segundo poste, e como Mathieu (ontem Coates esteve abaixo do que é habitual) se transforma num muro quando um adversário entra na área com a bola controlada. Ações destas acabam por passar mais despercebidas do que os golos marcados, mas também têm valido muitos pontos esta época. São coisas que não costumam entrar nas estatísticas, mas que ontem, seguramente, nos garantiram a vitória.

Regressos - Acuña regressou à titularidade e fez um jogo regular, acabando por ser substituído perto da hora de jogo - suponho que a alteração já estaria planeada à partida, para não sobrecarregar o atleta. Bryan Ruiz também regressou, aumentando o lote de opções - e como o Sporting tanto precisava... - no banco. Não sei se este seria o momento mais adequado para o lançar: colocar um jogador que já não competia há 6 meses num jogo destes, com o resultado em aberto (o resultado estava ainda em 1-0), pode ter implicado alguns riscos que, felizmente, não se concretizaram.



O golo sofrido da praxe - no último mês e meio, o Sporting disputou 9 jogos. Em 6 jogos desses, sofreu pelo menos um golo nos últimos 5 minutos da partida. Uma estatística estranha de uma defesa que já demonstrou ser muito segura, mas que há-de ter alguma explicação lógica. Descompressão prematura? Desgaste físico? Azar? All of the above? Já vai sendo tempo de descobrir o motivo.



A jornada era complicada mas acabou por ser extremamente positiva: recuperámos 2 pontos em relação à liderança, com uma forte possibilidade de voltar a ganhar pontos a pelo menos um dos adversários diretos na próxima jornada. Mas primeiro há que não facilitar contra o Belenenses.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Na luta até ao fim

Se houver uma nota artística aplicada ao pragmatismo de uma exibição, então penso que se pode dizer que o Sporting atingiu praticamente a perfeição no jogo de ontem contra o Olympiacos. Jogo completamente controlado do início ao fim, capacidade para criar várias ocasiões de golo sem oferecer aos gregos espaço para contra-atacar, e bom nível de eficácia no momento de meter a bola na baliza. Um desnível acentuado que ajudou a recordar que o domínio registado no jogo da Grécia - numa altura em que tínhamos o melhor onze disponível - não foi nenhum acidente, e que consolida um percurso europeu que, mesmo se não acabar como todos desejamos, tem de ser considerado muito positivo.




Na luta, a um jogo do fim - quando o sorteio agrupou o Sporting com estes três adversários, terão sido muito poucos aqueles que imaginavam que seria possível estarmos a disputar a passagem à fase seguinte no arranque da última jornada. Será muito díficil chegar ao 2º lugar? Certamente que sim, mas olhando para o que tem sido a qualidade de jogo das várias equipas neste grupo, não é de todo impossível. Defrontaremos um Barcelona já com o 1º lugar assegurado que terá margem para rodar a equipa, e os italianos vão a um estádio sempre complicado - onde o próprio Barcelona não passou. Resta saber qual a carne que os gregos colocarão no assador, tendo o seu destino europeu já definido. Mas, seja qual for o desfecho das partidas que restam, nada pode apagar uma participação muito meritória de um clube que, após alguns anos traumáticos, se voltou a habituar a jogar de igual para igual com qualquer equipa da Europa.

Killer Dost - o holandês estreou-se a marcar na fase de grupos da Liga dos Campeões (já tinha marcado um golo em Bucareste), respondendo da melhor forma à oportunidade falhada no início da partida. Está de regresso à sua melhor forma, voltando aos registos assombrosos de eficácia finalizadora. Se continuar assim, estaremos muito mais perto de vencer os jogos que se seguirão.

O regresso de alguns dos lesionados - ainda não foi desta que o Sporting conseguiu juntar o seu onze mais forte (Coates e Acuña, por motivos distintos, não puderam jogar), mas a presença de Mathieu, William, Piccini e Coentrão eleva a capacidade desta equipa para um outro nível: os laterais, mantendo a qualidade defensiva a que já nos habituaram, estiveram muito mais ativos na manobra ofensiva do que tem sido habitual, enquanto a presença de Mathieu e William acrescenta, por si só, uma segurança muito maior nas saídas para o ataque. Mas é justo referir que tanto André Pinto como Bruno César, os dois jogadores que renderam Coates e Acuña, estiveram também a um nível elevadíssimo.

Gestão de jogo perfeita - controlo total do ritmo de jogo, resultado resolvido relativamente cedo, e até deu para utilizar as substituições para poupar alguns dos jogadores regressados de lesões. O golo sofrido não belisca uma gestão de jogo perfeita.



Banco muito curto - felizmente não foi necessário, mas as alternativas que havia no banco não eram propriamente tranquilizadoras, na eventualidade de acontecer alguma lesão ou haver necessidade de promover alguma alteração tática. Apenas dois jogadores de cariz ofensivo, sendo que um deles pouco ou nada tem rendido, e, tirando Podence, o melhor que se pode dizer de todos os jogadores que estavam sentados no banco é que podem ser úteis em situações muito específicas. Se por acaso o jogo se complicasse, dificilmente seria resolvido através de substituições. Há trabalho para fazer na janela de transferências de janeiro.



Foi um jogo entretido que não provocou grandes sobressaltos ao tão massacrado coração do adepto sportinguista, que deu mais três pontitos, mais um milhão e meio de euros para a nossa conta bancária (claro que haverá quem diga que é tudo para pagar à Doyen), e que coloca a Juventus em estado de alerta máximo para a última jornada. All in all, nada mau para uma noite de quarta-feira. Mas agora, como disse ontem um reputado treinador nacional, temos de pensar que há vida depois da Champions: é fundamental mudar o chip para o campeonato. Essa, sim, tem de ser encarada como a principal prioridade, agora e sempre.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Groundhog Day

Mais um jogo contra um tubarão europeu, mais uma exibição personalizada... e mais uma derrota tangencial. Como qualquer filme com demasiadas reposições, até podemos achar algum interesse no enredo, mas às tantas começamos a ficar fartos de ver a mesma história vezes sem conta. Real Madrid por duas vezes, Dortmund por duas vezes, Barcelona, e agora Juventus: seis jogos contra tubarões, sexta derrota por um golo de diferença.





De olhos nos olhos contra o vice-campeão europeu - qualquer análise que se faça ao jogo não pode ignorar o facto de a Juventus ser o atual vice-campeão europeu e o plantel riquíssimo de que dispõe. A meio da segunda parte, descontente com o decurso do jogo, Allegri mete em campo Douglas Costa e Matuidi, o que é um bom indicador da diferença de recursos existente entre as duas equipas. Não se pode apontar nada à estratégia montada por Jesus, que teve a virtude de anular muitos dos pontos fortes de um adversário de top mundial. Infelizmente, voltou a faltar um bocadinho assim, à Danoninho, mas seria injusto ignorar tudo o que foi bem feito.

Bruno Fernandes - a estratégia montada por Jesus tem o problema de exigir muito dos jogadores de características ofensivas: Acuña, Gelson e Bruno Fernandes têm um papel importantíssimo no apoio defensivo, os laterais pouco sobem, o que significava que, no momento de construção, os portadores da bola tivessem sempre poucas opções para desenvolver lances ofensivos. Para piorar, ainda não foi desta que Acuña, Gelson e Dost subiram de rendimento em relação ao que tem sido norma nos últimos jogos. No meio de todos estes constrangimentos, Bruno Fernandes foi o único que foi conseguindo inventar alguma coisa com a bola nos pés. Bom jogo.

Concentração da linha defensiva - Piccini, Coates, Mathieu e Coentrão tiveram muito trabalho e, tirando um outro lapso, foram resolvendo bem todos os problemas colocados pela Juventus. De referir também que Patrício defendeu tudo o que tinha defesa, e que Battaglia fez um grande trabalho a secar Dybala.



Groundhog Day - esta mania recorrente de perder jogos contra os todo-poderosos do futebol europeu faz lembrar a maldição de Bill Murray no filme mencionado no início deste parágrafo. Cada vez que acordava, Murray era obrigado a reviver o mesmo dia - e foi assim que me senti no momento em que o Sporting sofreu no 2º golo. Sim, compreendo a dificuldade que adversários deste nível representam, compreendo que há mérito na forma como temos discutido os jogos... mas começa a cansar sair sempre derrotado. Analisando cada partida isoladamente, não podemos apontar grandes críticas à equipa, mas, olhando para o conjunto, é cada vez mais complicado ver um lado positivo em exibições que redundam constantemente em derrotas tangenciais.

Um problema nada lateral - durante o jogo, foram vários os cruzamentos da Juventus atirados para o segundo poste. Piccini e Coentrão, com maior ou menor dificuldade, foram resolvendo. Cedendo canto, ganhando a posição e deixando a bola seguir na direção da bandeirola de canto ou da linha de fundo, ou aliviando para fora da área. Saiu Coentrão, entrou Jonathan... e sofremos o segundo golo com um cruzamento para o segundo poste. O segundo golo sofrido na Grécia também foi sofrido com um cruzamento para o segundo poste, com o mesmo Jonathan. Mandzukic é mais alto? É. Mas bastaria a Jonathan antecipar o que iria acontecer e preparar-se para saltar na direção da bola em vez de ficar a aguardar com as pernas rígidas e os pés pregados ao chão - ou seja, aquilo que Piccini e Coentrão já mostraram saber fazer quando confrontados com situações de jogo idênticas. O rapaz faz o melhor que sabe, mas está mais que visto que aquilo que sabe não é suficiente para este nível.

Pormenores que custam pontos - seria injusto, no entanto, não referir a falta desnecessária de Battaglia que originou o livre que Pjanic converteria no primeiro golo italiano. O argentino fez um bom jogo, mas a equipa pagou caro por esta má abordagem.

As substituições - compreendo o que Jesus quis fazer, mas, infelizmente, a substituição de Gelson por Palhinha não surtiu o efeito que o treinador pretendia. A altura do jogo em que Jesus decide mudar a equipa coincide com a fase da partida em que se estava a conseguir manter a bola no meio-campo italiano como nunca tinha acontecido até então. Gelson estava a jogar mal, sem conseguir criar desequilíbrios, mas pelo menos estava a conseguir segurar a bola e fazê-la circular sob pressão - coisa que se perdeu após a sua saída. A Juventus voltou a empurrar o Sporting para junto da sua baliza, e o resto é história. Quanto à troca de Coentrão por Jonathan, conhecemos as limitações físicas do primeiro e as limitações técnico-táticas do segundo. Vamos ter de viver com isto até ao final da época, resta saber quantos pontos nos custará até lá.



Já passámos a fase das vitórias morais por dar luta a equipas deste nível, e está mais que na altura de dar o passo seguinte. De qualquer forma, é apenas a Champions. Muito mais importante é saber mudar o chip para o nosso campeonato, onde não há qualquer margem ou tolerância para perder pontos.