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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

"Não vou jogar com os meus Messis todos"

Na conferência de imprensa de lançamento do Barcelona - Sporting, Jorge Jesus deixou em aberto a possibilidade de fazer algumas poupanças para o jogo de sábado no Bessa:
"Não, não vou jogar com os meus Messis todos, vou jogar com alguns. Achamos que o jogo tem uma estratégia diferente e também porque o encontro à frente é igualmente muito importante, para o campeonato. Exatamente como o treinador do Barcelona vai fazer, de certeza. Mas jogue quem jogar, dá-nos segurança e garantias para fazermos um grande encontro"

É uma decisão muito complicada: fará sentido rodar jogadores num jogo de tudo ou nada, que pode determinar a continuidade na Liga dos Campeões? Na minha opinião, faz sentido. Para todos os efeitos, não estamos dependentes de nós próprios para seguir em frente, e é pouco provável que a noite de logo nos brinde com uma derrota do Barcelona e uma derrota ou empate da Juventus. Como tal, Jorge Jesus pode e deve poupar os elementos mais desgastados, se isso permitir utilizá-los sem restrições na próxima jornada da Liga. Obviamente que não falo numa mudança geral no onze, mas numa verdadeira rotatividade, mexendo num conjunto reduzido de peças.

A alteração que me parece mais evidente é a introdução de Bruno César na equipa titular. O brasileiro parece verdadeiramente talhado para este tipo de jogos, e não vamos querer impedi-lo de deixar novamente a sua marca no Camp Nou. A sua entrada permitirá a Jesus poupar um de dois dos jogadores mais desgastados da equipa: Acuña ou Bruno Fernandes. Se Jesus decidir poupar os dois, então Podence poderá também ir a jogo. Seria também um bom jogo para poupar Coentrão, mas não havendo alternativa, é esperar na continuidade das boas indicações físicas que tem dado nas últimas partidas. 

A meu ver, Rui Patrício, Piccini, Coates, Mathieu, William, Battaglia, Gelson e Dost só não jogarão se tiverem algum problema físico.

Aguardemos pela decisão de Jesus.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Na raça



Na luta até ao fim

Se houver uma nota artística aplicada ao pragmatismo de uma exibição, então penso que se pode dizer que o Sporting atingiu praticamente a perfeição no jogo de ontem contra o Olympiacos. Jogo completamente controlado do início ao fim, capacidade para criar várias ocasiões de golo sem oferecer aos gregos espaço para contra-atacar, e bom nível de eficácia no momento de meter a bola na baliza. Um desnível acentuado que ajudou a recordar que o domínio registado no jogo da Grécia - numa altura em que tínhamos o melhor onze disponível - não foi nenhum acidente, e que consolida um percurso europeu que, mesmo se não acabar como todos desejamos, tem de ser considerado muito positivo.




Na luta, a um jogo do fim - quando o sorteio agrupou o Sporting com estes três adversários, terão sido muito poucos aqueles que imaginavam que seria possível estarmos a disputar a passagem à fase seguinte no arranque da última jornada. Será muito díficil chegar ao 2º lugar? Certamente que sim, mas olhando para o que tem sido a qualidade de jogo das várias equipas neste grupo, não é de todo impossível. Defrontaremos um Barcelona já com o 1º lugar assegurado que terá margem para rodar a equipa, e os italianos vão a um estádio sempre complicado - onde o próprio Barcelona não passou. Resta saber qual a carne que os gregos colocarão no assador, tendo o seu destino europeu já definido. Mas, seja qual for o desfecho das partidas que restam, nada pode apagar uma participação muito meritória de um clube que, após alguns anos traumáticos, se voltou a habituar a jogar de igual para igual com qualquer equipa da Europa.

Killer Dost - o holandês estreou-se a marcar na fase de grupos da Liga dos Campeões (já tinha marcado um golo em Bucareste), respondendo da melhor forma à oportunidade falhada no início da partida. Está de regresso à sua melhor forma, voltando aos registos assombrosos de eficácia finalizadora. Se continuar assim, estaremos muito mais perto de vencer os jogos que se seguirão.

O regresso de alguns dos lesionados - ainda não foi desta que o Sporting conseguiu juntar o seu onze mais forte (Coates e Acuña, por motivos distintos, não puderam jogar), mas a presença de Mathieu, William, Piccini e Coentrão eleva a capacidade desta equipa para um outro nível: os laterais, mantendo a qualidade defensiva a que já nos habituaram, estiveram muito mais ativos na manobra ofensiva do que tem sido habitual, enquanto a presença de Mathieu e William acrescenta, por si só, uma segurança muito maior nas saídas para o ataque. Mas é justo referir que tanto André Pinto como Bruno César, os dois jogadores que renderam Coates e Acuña, estiveram também a um nível elevadíssimo.

Gestão de jogo perfeita - controlo total do ritmo de jogo, resultado resolvido relativamente cedo, e até deu para utilizar as substituições para poupar alguns dos jogadores regressados de lesões. O golo sofrido não belisca uma gestão de jogo perfeita.



Banco muito curto - felizmente não foi necessário, mas as alternativas que havia no banco não eram propriamente tranquilizadoras, na eventualidade de acontecer alguma lesão ou haver necessidade de promover alguma alteração tática. Apenas dois jogadores de cariz ofensivo, sendo que um deles pouco ou nada tem rendido, e, tirando Podence, o melhor que se pode dizer de todos os jogadores que estavam sentados no banco é que podem ser úteis em situações muito específicas. Se por acaso o jogo se complicasse, dificilmente seria resolvido através de substituições. Há trabalho para fazer na janela de transferências de janeiro.



Foi um jogo entretido que não provocou grandes sobressaltos ao tão massacrado coração do adepto sportinguista, que deu mais três pontitos, mais um milhão e meio de euros para a nossa conta bancária (claro que haverá quem diga que é tudo para pagar à Doyen), e que coloca a Juventus em estado de alerta máximo para a última jornada. All in all, nada mau para uma noite de quarta-feira. Mas agora, como disse ontem um reputado treinador nacional, temos de pensar que há vida depois da Champions: é fundamental mudar o chip para o campeonato. Essa, sim, tem de ser encarada como a principal prioridade, agora e sempre.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Vai ser um dia produtivo no trabalho, vai...

Youth League às 14h, UEFA Futsal Cup às 16h, Liga dos Campeões às 19h45, e uma deslocação complicada da equipa de andebol ao pavilhão do Águas Santas às 21h. Vai ser um dia produtivo no trabalho, vai...


terça-feira, 31 de outubro de 2017

Confirma-se o pior cenário


Piccini, Mathieu, Coentrão e William de fora dos convocados.

Ristovski é presença certa no onze. A central, falava-se na hipótese de descer William para o centro da defesa, mas essa hipótese também fica afastada com a lesão do capitão. André Pinto vai a jogo, esperemos que dê sequência à boa exibição de Vila do Conde.

Para a posição de defesa esquerdo, há três hipóteses: a mais natural seria a entrada de Jonathan Silva, mas não é impossível que Bruno César e Acuña sejam chamados para fazer o lugar. Penso que faz mais sentido deixar Acuña no seu lugar habitual, o lateral irá precisar do seu apoio.

No meio-campo também há várias hipóteses, girando todas à volta do papel que Jesus dará a Battaglia: se o argentino jogar a 6, provavelmente terá à sua frente Bruno César e Bruno Fernandes; se o argentino jogar a 8, Palhinha ou Petrovic jogarão à frente da defesa.

Há ainda a questão da dupla de ataque: teremos Podence e Doumbia, para explorar as costas da defesa italiana?

A tarefa fica mais complicada, mas é uma boa oportunidade para algumas das segundas linhas mostrarem que podemos contar com eles.


quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O tubarão que se segue

O Sporting joga esta tarde mais uma partida muito complicada no seu grupo da Liga dos Campeões. A novidade, em relação ao que a partidas muito complicadas diz respeito, é que, desta vez, o nosso adversário não se encontra num momento de forma exuberante. A Juventus, habituada a liderar a Serie A do princípio ao fim, caiu para um invulgar terceiro lugar após dois jogos sem ganhar.

Acresce a isso que a situação na Liga dos Campeões também não é propriamente folgada. Dificilmente chegarão ao 1º lugar após terem perdido 3-0 em Barcelona, e fizeram pouco mais que os mínimos frente ao Olympiakos. Mas isso, para o Sporting, não são boas notícias, porque isso significa que, para a Juventus, este par de jogos com o Sporting é uma espécie de final a duas mãos que pode assegurar ou condenar o objetivo de passagem à segunda fase da competição. Como tal, podemos esperar que a equipa de Turim vá encarar a partida de logo totalmente focada na obtenção da vitória - como se não bastasse o incrível talento e pragmatismo que têm.

Perante isto, o Sporting terá que aparecer com os níveis de competitividade e concentração demonstrados contra o Barcelona e durante 80 minutos em Atenas. Ao que parece, o departamento médico liderado pelo Dr. Frederico Varandas conseguiu recuperar Fábio Coentrão e Doumbia, duas peças fundamentais para um jogo com estas características. Battaglia será novamente peça-chave: depois de ter feito um bom trabalho com Messi, terá desta vez de ser a sombra de Dybala, outro compatriota seu que tem tido um arranque de época fenomenal.

No entanto, se quisermos aspirar à conquista dos três pontos existem três jogadores que terão de subir de rendimento em relação às últimas partidas: é fundamental que Acuña, Gelson e Bruno Fernandes saibam escolher os momentos para se soltarem das suas tarefas defensivas e criarem situações de desconforto para o adversário. Veremos se a pausa das seleções e Taça lhes fez bem: nas últimas duas semanas e meia, Acuña fez apenas 90 minutos pela seleção, Gelson cerca de 60 minutos e Bruno Fernandes não foi sequer utilizado.

De qualquer forma, trazer um ponto de Turim já seria um resultado extremamente positivo, não só por deixar-nos em boa posição para atacar o 2º lugar do grupo, mas também porque o crescimento europeu do Sporting necessita de resultados positivos contra tubarões europeus.

Rui Patrício; Piccini, Coates, Mathieu e Coentrão; Battaglia, William e Bruno Fernandes; Acuña, Gelson e Doumbia.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Não era dia para tragédias gregas

Num jogo que teve duas partes completamente distintas, com um nível exibicional que começou num registo sublime e terminou de forma displicente e quase descontrolada, é normal que surjam sentimentos contraditórios em relação a como devemos encarar uma vitória tangencial frente ao Olympiacos. Para mim, este é um caso em que a parte boa da exibição (e que boa que foi!, e que durou praticamente todo o jogo) pode e deve ser elogiada bem para além das críticas que possam ser feitas ao que aconteceu nos minutos finais. Assustámo-nos todos, muitos de nós certamente praguejaram ferozmente quando os gregos marcaram o segundo golo - God knows I was one of them - mas, analisando a frio, a vitória do Sporting nunca esteve em causa. Acredito que, noutros tempos, poderia ter ocorrido uma singularidade cósmica que levasse a que o jogo acabasse empatado, mas o Sporting desta época já desafiou, por diversas vezes - e sempre com sucesso! -, aquela fatalidade que é tão própria do clube. Convém não abusar da sorte, claro, mas para já merece ir sendo desfrutado.




Primeira parte avassaladora - os primeiros 45 minutos estiveram, seguramente, ao nível do melhor que já vi o Sporting fazer nas competições europeias. Não poderíamos desejar melhor começo: aos dois minutos, Acuña faz um cruzamento açucarado para Doumbia - os mesmos dois jogadores já tinham desenhado o primeiro golo em Bucareste -, e estava lançado o mote para o que seria o jogo até ao intervalo. Para além dos golos de Gelson e Bruno Fernandes, o Sporting dispôs de mais quatro ocasiões flagrantíssimas para marcar: bolas ao ferro dos mesmos Gelson e Bruno Fernandes e duas oportunidades negadas a Doumbia e Coates por Kapino. Um festival de bem defender e bem contra-atacar que poderia (e merecia) ter gerado números históricos ao intervalo.

Excelente começo de Champions - para além dos 3 pontos e do milhão e meio de euros que caem na conta (o que eleva para 16,2 milhões + bilheteira com o Steaua os ganhos na competição, que antecipa um recorde no Sporting), o Sporting conseguiu colocar-se em excelente posição para garantir o terceiro lugar do grupo e poder continuar na Liga Europa na segunda metade da época. Mas essa não deve ser a bitola por onde alinhar: o terceiro lugar pode ser o lugar natural no final da fase de grupos, mas há condições para ambicionar surpreender Barcelona e Juventus nas partidas que se seguem. Estes três pontos poderão dar alguma tranquilidade extra, que será bastante necessária contra adversários que estão, obviamente, noutro patamar. 

Ameaças múltiplas - longe parecem ir os tempos em que Dost era o único abono de família da equipa. Doumbia foi titular pela segunda vez, e pela segunda vez correspondeu com o sempre importante golo inaugural da partida - e ainda fez a assistência para Gelson. Bruno Fernandes voltou a fazer o gosto ao pé, e já leva cinco golos marcados, os mesmos que Dost e Gelson. Acuña tem sido o municiador de serviço, contando já com cinco assistências. Falamos de cinco jogadores que têm colocado com enorme frequência (em função da sua utilização) a sua marca nos jogos em que participam. Junte-se a isto a possibilidade que, agora, Jesus tem para abordar os jogos em função das características dos adversários: Doumbia é alternativa para jogos com mais espaço nas costas da defesa adversária, enquanto Gelson e Acuña parecem cada vez mais confortáveis a jogar no flanco oposto. E a versatilidade e imprevisibilidade de Bruno Fernandes é uma adição de que o Sporting muito precisava. Tudo somado, o Sporting fica uma equipa bem mais difícil de ser contrariada. Esperemos que a equipa continue a evoluir como até aqui.

Seria injusto não referir - excelentes exibições de William (que supostamente devia estar desmotivado e cabisbaixo) e Battaglia. E a assistência de Coates para o golo de Bruno Fernandes? Minha nossa...



Novamente, dificuldades em gerir um resultado tranquilo - o Sporting jogou praticamente toda a segunda parte sem grandes pressas, dando poucos espaços no seu meio-campo e parecendo - compreensivelmente - pouco interessado em esticar o jogo. Parecia estar a gerir o resultado de forma bastante competente e tranquila... até que começaram a aparecer os erros individuais não forçados que podiam ter deitado tudo a perder. É certo que, nesse mesmo período, Dost ainda atirou a terceira bola ao ferro e Bruno César teve um golo incompreensivelmente anulado, mas... não devíamos ter sofrido tanto. O mais preocupante é que não é a primeira nem a segunda vez em que o Sporting quase desperdiça vantagens confortáveis: é o terceiro jogo consecutivo em que acabamos de credo na boca após termos estado a vencer por dois ou mais golos. Não se pode atribuir ao acaso e às incidências de jogo algo que se tem repetido com tanta frequência. Cansaço físico? Falta de concentração? Seja o que for, é um problema que tem de ser tratado urgentemente.



Vitória importantíssima que pode ajudar a lançar uma participação interessante nesta edição da Liga dos Campeões, mas que ainda não garantiu nada. Apesar do susto final, pela qualidade demonstrada durante a maior parte do tempo, devemos desfrutar desta vitória e não desatar a anunciar um apocalipse iminente. No entanto, alerta máximo para a receção ao Tondela, uma equipa a quem nunca ganhámos em Alvalade.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Avacalhar a perfeição

Não admira que dêem prejuízo... a gastarem recursos para fazer uma coisa destas quando o original é perfeito...

Aviso: não façam o mesmo que eu, não ponham o vídeo a andar enquanto ingerem alimentos ou líquidos. Eu cuspi parcialmente o meu lanche de ontem logo no primeiro segundo do vídeo... não estava preparado para isto...

Toda a Liga dos Campeões só na SPORT TV
Toda a Liga dos Campeões, em direto e em português, só na SPORT TV.
Posted by SPORT TV on Segunda-feira, 13 de Abril de 2015

Anseio pelo dia em que a Sport TV compre o Mezzo e passe a dar óperas com dobragem em português.

(obrigado, @nunovalinhas)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Hora de acertar contas com a felicidade

Independentemente do resultado de logo, ninguém poderá contestar que o Sporting foi a segunda melhor equipa do grupo e jogou o suficiente para se apurar para a fase seguinte. É verdade que temos sorte em apanhar na última jornada um Chelsea já apurado e que não se apresentará na sua máxima força, mas é fraca consolação que compense a azelhice própria (contra o Maribor) e alheia (em Gelsenkirchen) que ao cair do pano nos retiraram o ponto que nos falta para ter a qualificação garantida.

Jogar com o Chelsea será sempre complicado: mesmo poupando Hazard, Terry e Willian, sobram jogadores habitualmente titulares e uma segunda linha que seria campeã em Portugal sem grande esforço. Acresce a isso a ausência de Nani, de Jefferson (que vinha atravessando um grande momento de forma) e Cédric: perder o nosso melhor jogador numa partida destas é um problema incontornável, e para além disso 50% da defesa - o que fragiliza ainda mais um setor defensivo que já é de si pouco fiável.

De qualquer forma temos que acreditar que é possível, não contanto com um eventual empate do Schalke na Eslovénia e não jogando para o 0-0 em Stamford Bridge (pois não temos equipa com perfil para aguentar um resultado). Temos que jogar para ganhar, pois estamos ao nosso melhor quando vamos à procura do golo. Teremos que fazer um jogo a roçar a perfeição, mantendo a bola afastada da nossa área, não cometendo as asneiras que têm sido demasiado frequentes esta época, e explorando a motivação adicional que temos em relação a uma equipa que não terá um objetivo por que lutar.

Melhor palco para brilhar que esta não existe: estádio cheio e a possibilidade de conseguir uma qualificação que a maior parte (incluindo eu) julgava improvável quando se soube o resultado do sorteio. Esperemos que os jogadores saibam elevar-se ao nível que a ocasião exige.


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Schalke - Sporting

                                                                                                                                                     
Depois do muito saboroso e moralizador triunfo no Dragão, vem em boa hora aquele que poderá ser o jogo que ditará o nosso futuro na Liga dos Campeões. Uma vitória será um passo enorme no sentido da qualificação para a fase seguinte, enquanto que uma derrota provavelmente nos condenará à luta pelo 3º lugar.

Uma coisa é certa: defrontaremos logo uma equipa que tem muita experiência de Liga dos Campeões. Nos últimos quatro anos o Schalke qualificou-se por três vezes para a fase a eliminar, sendo que em 2010/11 conseguiu inclusivamente atingir as meias-finais, onde caiu aos pés do Manchester United de... Nani. 

Uma equipa com esta experiência, a jogar no seu estádio e que tem dois campeões do mundo (Draxler - que aos 17 anos foi titular na 2ª mão das meias-finais contra o Manchester United - e Howedes) e uma série de outros jogadores de grande classe nunca será poderá ser considerada um adversário acessível. Pelo contrário, trata-se de uma das equipas mais fortes de um dos campeonatos mais competitivos do mundo, e a atual classificação da Bundesliga não lhes faz justiça.

Apesar de achar que os alemães são favoritos, não se justifica que encaremos esta partida com qualquer tipo de fatalismo. O crescimento do Sporting tem sido visível e os níveis de confiança não poderiam estar melhor, pelo que teremos certamente argumentos para discutir o jogo com os alemães.

Em relação ao onze que entrará em campo, colocaria apenas Carrillo no lugar de Capel e Slimani no lugar de Montero. O peruano tem sido simplesmente um dos nossos melhores jogadores, e a força e centímetros de Slimani poderão ser muito úteis contra uma equipa fortíssima nas bolas paradas. Apesar disso, espero que Marco Silva mantenha a aposta na dupla Oliveira / Maurício - aquilo que Sarr nos poderá dar nas bolas paradas defensivas não compensa a falta de maturidade que o levou a sair do onze. É hora de consolidar a dupla que esteve bastante bem contra o Porto.


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Inexperiência e carácter na noite de Super Patrício

                                                                                                                                            
Costuma-se dizer que não existem derrotas boas, mas a verdade é que, apesar de termos perdido, senti que o jogo que realizámos hoje é daqueles que faz crescer uma equipa jovem como a nossa. 

A primeira parte foi para esquecer: a maioria dos jogadores pareceu acusar a pressão de estar em campo contra grandes nomes do futebol europeu, e o Sporting nunca conseguiu estabilizar o seu jogo ou controlar o adversário. O Chelsea dominou completamente a partida desde os primeiros minutos, e dispôs de oportunidades suficiente para matar o jogo. Apesar da muita qualidade do futebol do Chelsea, é irónico que o golo não tenha sido fruto do talento das estrelas em campo, mas mais de ratice - aproveitando a ingenuidade de toda a defesa do Sporting, apanhada a dormir enquanto os ingleses marcavam o livre sem esperar pelo apito do árbitro.

No entanto, alguma coisa deve ter acontecido no balneário ao intervalo, porque os jogadores subiram ao relvado com uma mentalidade completamente diferente, querendo demonstrar que a primeira parte tinha sido um enorme equívoco. Os jogadores encheram-se de brio, entregaram-se de alma e coração à tentativa (bem sucedida) de pegar no jogo. O Chelsea continuou a ser uma equipa perigosíssima no contra-ataque, procurando explorar as nossas fraquezas, mas o Sporting conseguiu finalmente aproximar-se da baliza adversária com frequência e dispôr de algumas ocasiões de golo.

Diga-se que não coloco em causa a justiça da vitória do Chelsea (é preciso termos consciência da quantidade de oportunidades flagrantes que não concretizaram), mas fiquei muito satisfeito com o carácter demonstrado pelo Sporting: sabendo cerrar os dentes, sofrer e aguentar o resultado em aberto nos momentos mais difíceis, e acreditando depois que seria possível conseguir bater o pé a uma equipa recheada de estrelas do futebol mundial.



Positivo

Super Patrício - foi, simplesmente, uma das mais extraordinárias exibições de um guarda-redes que já assisti ao vivo. Pode parecer estranho, mas nas várias situações em que os jogadores do Chelsea arrancavam isolados para a baliza, sentia uma serenidade como se soubesse que aquele super-herói que estava na baliza seria capaz de travar tudo o que lhe aparecia pela frente. Imperial.

A personalidade demonstrada na 2ª parte - os onze jogadores que regressaram dos balneários após o intervalo eram os mesmos que estiveram em campo nos primeiros 45 minutos, mas a postura que tiveram foi completamente diferente. O Sporting entrou com vontade de discutir o jogo com o adversário, a bola deixou de queimar, o coletivo começou a funcionar e, como consequência, as oportunidades de golo começaram a aparecer. Nani foi quem ficou mais perto de marcar, primeiro ao aparecer isolado pela esquerda mas rematando à malha lateral, e depois tentando fazer uma fotocópia do golo que marcou ao Maribor. Mas também houve muito mais Carrillo, João Mário, Adrien, Cédric e William.

O ambiente no estádio - um vulcão do 1º ao último minuto, nunca poupando apoio à equipa. Não é que seja novidade, mas perante o nível superior do adversário os 40.000 que estiveram em Alvalade souberam responder em conformidade. Quem não pôde estar presente não sabe o que perdeu.

Paulo Oliveira e Montero - os dois jogadores entraram muito bem em jogo. Montero entrou com uma garra que não lhe via há bastante tempo, e Oliveira esteve muito seguro. O que fizeram justifica que Marco Silva lhes dê mais minutos em breve.


Negativo

Primeira parte apática - suponho que tenha havido algum deslumbramento de alguns dos nossos jogadores ao verem-se frente a frente com uma das maiores equipas europeias, pois só assim se explica a falta de capacidade geral demonstrada durante os primeiros 45 minutos. Uma única oportunidade de golo, através de um cabeceamento frouxo de Slimani (que estava em boa posição) é muito pouco, mesmo considerando que era o Chelsea que estava do outro lado.

O golo do Chelsea - foi o momento em que mais se sentiu a inexperiência da equipa. Não houve ninguém que ficasse perto da bola para impedir a marcação rápida do livre. O Chelsea aproveitou a distração de meia equipa do Sporting e marcou o golo que lhes valeria os três pontos.


Perder com este Chelsea não é um resultado catastrófico. Nem sequer desmoralizador (pelo contrário!), dada a boa resposta da equipa na segunda parte. O inesperado empate do Schalke com o Maribor acaba por fazer com que o 2º lugar esteja bem ao nosso alcance. Segue-se uma jornada dupla com os alemães que muito provavelmente definirá, para o bem ou para o mal, o nosso destino na Liga dos Campeões.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Nada a perder, tudo a ganhar

                                                                                                                                   
Antes de escrever sobre o embate de logo, deixem-me começar por saudar o regresso destes jogos a Alvalade. Foi uma espera demasiado longa, completamente desfasada da grandeza e da história do Sporting Clube de Portugal. É bom podermos voltar a receber em nossa casa outros grandes emblemas europeus.

À entrada para um jogo contra um adversário como o Chelsea, é impossível ignorar a diferença de meios que existe entre os dois clubes. Quem tem jogadores como Fabregas, Hazard, Schurrle, Óscar, Willian ou Diego Costa será sempre uma ameaça para qualquer equipa. Para piorar, Mourinho certamente que estará muito bem informado das nossas forças e fraquezas, pelo que na minha opinião o Sporting terá definitivamente que fazer alguns ajustes em relação ao jogo com o Porto. 

Em primeiro lugar, parece-me que terá que haver maior apoio aos laterais do que na sexta-feira passada. Jonathan Silva deu boas indicações em tarefas defensivas, mas não pôde fazer nada em situações de 2 contra 1 sem qualquer colega nas imediações para o ajudar. Nani não é o jogador mais adequado para este tipo de tarefa, que será particularmente recorrente com o adversário de logo. Talvez fizesse sentido apresentar um onze bastante mais cauteloso:


Não é vergonha nenhuma alinharmos de uma forma mais conservadora. Se entrarmos em campo para jogarmos olhos nos olhos, estaremos provavelmente a facilitar a vida ao Chelsea. É que nem o Chelsea é o Porto nem, seguramente, Mourinho é Lopetegui. Aliás, no banco adversário estará sentado um treinador que nunca teve quaisquer problemas de consciência em estacionar o autocarro quando a situação o justificava.

Não estou a dizer que o Sporting deva acampar junto à baliza durante todo o jogo. Não temos jogadores suficientemente consistentes para manter a frieza necessária quando a bola ronda a nossa área, mas parece-me sensato um trio de carraças que esteja preparado para lutar por cada metro de terreno no meio-campo e disponível para ajudar os colegas mais recuados. João Mário, Adrien e André Martins parecem-me os mais indicados para esta função, com a característica adicional de terem os três uma boa capacidade de passe para lançarem rapidamente o contra-ataque no momento da recuperação de bola.

Carrillo seria a arma a lançar na segunda parte, quando o desgaste já for superior. Slimani é importante para prender os centrais adversários e moer-lhes o juízo e as pernas, para além de ser uma mais-valia nas bolas paradas ofensivas e defensivas.

Vai ser um jogo complicadíssimo? Claro que sim, provavelmente o mais complicado nos últimos anos - provavelmente desde que jogámos com o Manchester City. Mas a história da competição tem exemplos suficientes de clubes com menos meios a conseguirem bater o pé aos tubarões. Aliás, como nós fomos capazes de o fazer contra os bilionários do City, que foram a jogo com Aguero, Dzeko, Silva, Balotelli, Nasri e Yaya Touré.

Concerteza que muito daquilo que o Sporting conseguirá fazer logo dependerá do espírito com que o Chelsea encare a partida. A meu ver, não poderemos contar com facilidades: os ingleses concederam um empate inesperado em casa na 1ª jornada e não vão querer arriscar mais pontos. De qualquer forma, cabe-nos a nós dificultar-lhes a tarefa. Saibamos estar à altura da ocasião e desfrutar da oportunidade de jogar contra os melhores do mundo, tendo consciência que a responsabilidade da vitória estará toda do outro lado, que não temos nada a perder, e tudo a ganhar.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O sorteio

                                                                                                                                               

As minhas expetativas para a participação do Sporting na Liga dos Campeões não são muito elevadas. O facto de termos poucos jogadores com experiência nesta competição e estarmos colocados no pote 3 - o que à partida garante dois tubarões no nosso grupo - faz com que o nosso objetivo dificilmente possa ser maior do que a obtenção do 3º lugar para seguir para a Liga Europa.

Como tal, preferiria um grupo com duas equipas mais rijas para ganhar traquejo internacional, mas evitando os alpha predators que são Real, Barcelona, Bayern, PSG e Manchester City. E já agora que não nos calhem no pote 4 o Roma ou o Mónaco. Correríamos por fora e creio que até poderemos fazer uma boa figura.

Se me deixassem escolher, colocaria o Sporting num grupo com o Arsenal, Borussia Dortmund e Ludogorets.