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quarta-feira, 7 de março de 2018

First responders

Os americanos costumam designar de first responders os profissionais das forças de segurança e da proteção civil, como polícias ou bombeiros, que chegam em primeiro lugar ao local de uma emergência.

Ontem, em Portugal, viveu-se uma espécie de emergência - pelo menos para uma certa fatia da sociedade civil - com a notícia da detenção de Paulo Gonçalves. Não havendo um plano previamente delineado para responder a um incidente desta natureza - leia-se cartilha de Janela -, muitos dos comentadores afetos ao Benfica chamados para comentar a ocorrência não conseguiram esconder uma certa descoordenação no discurso.

É nestes momentos de caos que se consegue determinar aqueles que conseguem manter o sangue frio que lhes permita desencantar soluções em condições muito adversas. Nesse prisma, o prémio vai para o duo dinâmico do MaisTabaco composto por Rui Pedro Braz e Luís Aguilar - em particular para o primeiro, que parecia ter saído há pouco da cama quando foi chamado a comentar via telefone. No meio da confusão generalizada, conseguiram colocar um mínimo de organização no discurso.

Ora vejam:


Discurso bem coordenado entre as duas almas gémeas.  Admito que é uma forma bastante elegante de se colocar em dúvida que Paulo Gonçalves tivesse efetivamente feito as coisas que levaram à sua detenção: o homem é de tal forma experiente e competente, que não faz grande sentido que tivesse cometido tais atos. Há, no entanto, dois pormenores que torna isto menos surpreendente: primeiro, é normal que, após anos e anos seguidos a fazer o que quer, uma pessoa se sinta intocável e não tome todas as precauções necessárias; depois, a data em causa é anterior à constituição de Paulo Gonçalves como arguido, pelo que os holofotes estavam a aquecer e ainda não encandeavam pessoas demasiado seguras de si próprias.


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Argumentação em modo de autodestruição

Curiosamente ou talvez não, o discurso de Luís Aguilar sobre as revelações da revista Sábado na noite de quarta-feira encontram imensos pontos coincidentes com os argumentos que Rui Pedro Braz tinha apresentado umas horas antes na edição da tarde do Mais Tabaco.

Adicionalmente, Aguilar recuperou uma linha de argumentação benfiquista usada incessantemente na altura em que o assunto dos vouchers dominava a atualidade do futebol.

Refiro-me a dois casos em concreto:


"Ninguém se vai vender por uma refeição, por um jantar, por um almoço, seja pelo que for (...) não me parece que tenham necessidade de estar a venderem-se por causa de um almoço ou de um jantar"

OK, não têm necessidade de se venderem por uma refeição. Certo. Mas também não tinham necessidade de aceitarem e utilizarem o voucher. E no entanto, aceitaram-no e, em alguns casos, utilizaram-no.

Ricardo Salgado tinha necessidade de receber uma "prenda" de 14 milhões de José Guilherme, quando a sua fortuna pessoal estava avaliada na casa dos milhares de milhões de euros? Seguramente que não. Mas, no entanto, aceitou-os.

A argumentação de Aguilar é, obviamente, absurda. Está mais do que comprovado que a corrupção não assenta numa questão de necessidade. Há quem o faça porque fez disso um modo de vida, há quem o faça porque não é capaz de resistir a uns abonos que dão sempre jeito, há quem o faça porque gosta de demonstrar o poder que tem, há quem o faça por amor a uma causa. Terão todos os árbitros aceitado corromper-se por causa dos vouchers? Seguramente que não. Mas também ninguém pode garantir que nenhum árbitro se deixou corromper por causa dos vouchers.



"Não me parece que seja aqui grave que o Benfica tenha tido acesso a esta informação, acho realmente que Paulo Gonçalves daqui para a frente irá com certeza ter mais cuidado"

E assim, numa simples frase, toda a linha de argumentação de Luís Aguilar se autodestrói: se esta situação não é grave, se não tem nada de mal, então por que é que Paulo Gonçalves terá de ter mais cuidado daqui para a frente? Uma contradição na linha da decisão do Benfica em deixar de oferecer vouchers. Se não tinha nada de mal, por que razão deixaram de os oferecer?

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Narrativando III: Luís Aguilar fala sobre negócios estranhos

O exemplo da forma como se constroem narrativas que vou de seguida mostrar não é exclusivo de Luís Aguilar - infelizmente, no comentário desportivo nacional, acaba por ser mais regra do que exceção -, mas a falta de coerência que poderão testemunhar de seguida é tão gritante, ridícula e escandalosa, que não poderia deixar de a referir.

No vídeo abaixo poderão assistir ao que Luís Aguilar disse sobre dois negócios peculiares: o empréstimo de James Rodriguez pelo Real Madrid ao Bayern (empréstimo de 2 anos por 10M com opção de compra por 35,2M); e o empréstimo de Pedro Neto e Bruno Jordão pelo Braga à Lázio, com opção obrigatória de compra no final, cujo valor ascenderá a 26M ao fim de dois anos.

Nota: apesar de o vídeo ter cortes, não retirei nada do que Luís Aguilar disse sobre ambos os negócios (os cortes foram para retirar outras pessoas a falar ou outros assuntos que entretanto se meteram pelo meio).


Percebo que os comentadores possam falar mais à vontade quando a probabilidade de os visados os ouvirem é diminuta, mas Aguilar devia ter vergonha na cara: não se pode catalogar o empréstimo de James como tramóia, e depois comentar a transferência de Neto e Jordão como se de uma coisa normal se tratasse, sem referir coisas como:

  • A absurda valorização, muito acima do potencial reconhecido aos dois jogadores;
  • O dinheiro que realmente entrará na conta do Braga;
  • A constatação óbvia de que a Lázio entrou para o carrossel de Jorge Mendes, com tudo o que isso implica.

É para isto que lhe pagam?


sexta-feira, 16 de junho de 2017

O 'best of' dos comentários à polémica dos emails (#5 - #1)

#5 - "Uma mão cheia de nada"

É sempre ingrato alguém ser convidado a comentar assuntos sobre os quais não tem a informação necessária. No entanto, aquilo que se diz em circunstâncias dessas acaba por ser revelador da pessoa em questão: é cauteloso nas observações que faz, ou toma imediatamente partido por um dos lados da barricada?

Na passada terça-feira, a TVI24 emitia o MaisTabaco ao mesmo tempo que Francisco J. Marques revelava os emails, e a certa altura foi pedido aos comentadores que falassem sobre o tema, ou seja, sobre algo que estava a acontecer, naquele preciso momento, noutro canal.

Eis a primeira reação de Rui Pedro Braz:


"Uma mão cheia de nada", "conteúdo absolutamente nenhum além de algumas insinuações". Faz lembrar a primeira reação de Braz ao caso dos vouchers: pegou na informação que alguém lhe deu e pôs a circular que só 7 pessoas tinham usufruído das refeições oferecidas pelo Benfica. Mais tarde, como todos sabem, essa informação veio a revelar-se falsa, mas pelo menos serviu de argumento  de defesa benfiquista durante bastante tempo.

É caso para dizer que, pondo tanta fé nas suas fontes, Braz acaba por se pôr a jeito...


#4 - Luís Aguilar e a defesa a Manuel Mota

A certa altura do programa de quarta-feira, Manuel Queiroz referia que Manuel Mota não tem condições para arbitrar jogos da I Liga na próxima época. Rapidamente, apareceu Luís Aguilar em defesa do árbitro, alegando que ninguém viu nenhum pedido ser feito diretamente pelo próprio.


"Mas pode ser amigo. Mas pessoas não podem ser amigas?". Patético.

José de Pina apontou, e bem, que as palavras usadas por Adão Mendes comprometem seriamente a credibilidade do árbitro - quer tivesse conhecimento ou não do pedido. A simples existência do recurso da nota dependia apenas de Manuel Mota. Portanto, se Adão Mendes decidiu intervir junto do Benfica, foi para procurar garantir maiores probabilidades de sucesso. É aí que está o mal: se há um árbitro que é protegido por um clube ou por pessoas ligadas a um clube, então é óbvio que não tem condições para fazer jogos que interessem, direta ou indiretamente, a esse mesmo clube.


#3 - Lições da vida do amigo António Rola

Trazer Rola a um debate como comentador isento é um número tão credível como tentar fazer crer que o Sol é que gira em torno da Terra. No entanto, confesso que, para mim, ouvir os comentários de Rola é um guilty pleasure: não consigo evitar sorrir ao olhar para o passarão, emproado como um pavão com cio, a falar do alto da autoprocalmada idoneidade, e a dizer os maiores disparates, possíveis e imaginários.

Um dos momentos mais sublimes foi a forma como tentou desvalorizar as palavras de Adão Mendes ("o nosso amigo Manuel Mota"), explicando que a palavra "amigo", no futebol, não quer dizer nada... 



#2 - Mais um pontinho, menos um pontinho...

Nas posições anteriores, já tivemos exemplos da estratégia de desculpabilização que assentam no "todos fazem o mesmo". Aqui temos um exemplo da estratégia de desculpabilização que assenta no "isto sempre se fez". Brilhante, Fernando Guerra, brilhante.


Claro que podemos ler isto de outra forma: se isto sempre se fez, então é porque que há mesmo MUITO mais matéria para investigar...


#1 - Em socorro de Paulo Gonçalves

Todos estarão de acordo que Paulo Gonçalves parece ser, neste momento, o elo mais fraco na estratégia de defesa do Benfica. É uma pessoa com peso relevante e conhecido na estrutura benfiquista, e que tem uma escola (e fama) que pode ser considerada, no mínimo, duvidosa.

Daí que seja difícil dizer o quer que seja para defender o assessor jurídico benfiquista sem se cair no ridículo. Apesar disso, houve quem tivesse tentado...

Primeiro, Braz:


Ridículo. Somos todos seres humanos, claro, e espero que o filho de Paulo Gonçalves recupere rapidamente - não sabia que estava mal de saúde, nem tenho que saber -, mas era só o que faltava que se colocassem os mails em banho-maria por causa de uma questão pessoal, por muito grave que seja. Até porque os mails não são um ataque pessoal a Paulo Gonçalves, como é claro para (quase) toda a gente.

Também se pode dizer que é lamentável que Braz tenha usado a situação do filho de Paulo Gonçalves para atacar o Porto. É uma questão íntima da família, e Braz meteu-a cá fora. Eu, pelo menos, fiquei a saber deste problema através de Braz.

Depois, Rola. O "especialista" de arbitragem da BTV fez questão de mencionar, quando fez a sua primeira intevenção no Prolongamento de quarta-feira, que estava presente na sua qualidade de árbitro jubilado, para comentar assuntos de arbitragem. No entanto, a certa altura, José Leirós fez referência à "escola" de Paulo Gonçalves (referência à sua passagem pelo Porto e Boavista na altura de maior poder de Pinto da Costa e Valentim Loureiro), e o árbitro jubilado foi barbaramente atropelado pelo comentador da BTV...


O 'best of' dos comentários à polémica dos emails (#10 - #6)

#10 - A melhor prova de que os mails não são prova de nada, segundo Luís Aguilar

Luís Aguilar mostrou-se pouco interessado em avaliar, a partir dos mails revelados, quais serão as as intenções e os comportamentos usuais de Adão Mendes, Paulo Gonçalves, Nuno Cabral e Cª, mas não teve o mesmo pudor em tentar colocar-se na pele dos responsáveis do Porto.

Para Aguilar, o facto de os dirigentes portistas terem escolhido o seu canal para divulgar os mails - em vez de os entregarem de uma só vez ao Ministério Público - significa que os responsáveis do Porto estarão convencidos de que os documentos que têm em seu poder não serão prova suficiente para condenar o Benfica.


Luís Aguilar esquece-se de que:

a) Uma coisa não implica a outra, ou seja, o Porto pode, perfeitamente, ter entregue os documentos ao Ministério Público (identificando-se, através de terceiros, ou de forma anónima);

b) Os mails, obviamente, não são prova de nada, mas são indícios que justificam uma investigação séria por parte das autoridades;

c) O Porto sabe que a pressão mediática é importante para fazer as coisas mexer - quer ao nível das autoridades, quer ao nível dos organismos que tutelam o futebol português. Não é a situação ideal, claro, mas no país em que vivemos, com a justiça que temos, e com a comunicação social submissa que existe, seria de uma enorme ingenuidade (e risco) não meterem os mails na praça pública.


#9 - Fernando Guerra e a revolta contra os mails a conta-gotas

Se Aguilar quer que se entregue tudo às autoridades em vez de se colocar os emails na praça pública, outros há que já nem se dão ao trabalho de contestar a opção de divulgação, e que só querem que isto acabe depressa.

É o caso de Fernando Guerra. O decano jornalista do jornal A Bola aparenta estar com dificuldades em aguentar a estratégia de mails a conta-gotas, e fez este sentido apelo aos responsáveis portistas para que se despachem com a apresentação de tudo o que têm em seu poder.


"É melhor que se acabe isto de uma vez por todas!". Algo me diz que Francisco J. Marques não ficará muito sensibilizado, considerando quem é o autor do apelo...


#8 - Ainda querem me fazer de  desresponsabilização de Vieira, por Rui Pedro Braz

Tem sido curioso constatar a forma como algumas pessoas têm tentado fazer passar que Vieira nada tem a ver com este assunto. Aqui fica um exemplo.


Sim, é verdade que o presidente benfiquista só aparece em três mails e que, desses, só é autor de um, mas mesmo que não aparecesse em nenhum... alguém acredita que não tem nada a ver com o assunto?

Mesmo que não se queiram retirar grandes conclusões dos mails trocados com Mário Figueiredo, não há hipótese de ignorar o envolvimento indireto de Vieira nas alusões feitas por Adão Mendes e nas próprias ações de Paulo Gonçalves.

Vieira sabe o tipo de pessoa que Paulo Gonçalves é. Contratou-o após passagens (bem sucedidas, diga-se) no Porto e no Boavista, para seu braço direito em matérias de bastidores. É impensável imaginar que o Grande Líder não saiba aquilo que o seu subordinado faz - se não em detalhe, pelo menos saberá em pinceladas grossas.


#7 - A falta de eficácia dos pedidos do Benfica

Já se tinha percebido que um dos pontos indicados pela cartilha - pela forma como determinados benfiquistas começaram a usar em simultâneo este argumento - passa por dizer que não existem motivos para suspeição pelo facto de nenhum dos pedidos do Benfica ter sido concretizado. O próprio Braz, algumas horas mais tarde, indicou que é o próprio Benfica que está a fazer passar essa mensagem.


Esta linha de argumentação é, objetivamente, falsa. Paulo Gonçalves pediu a Mário Figueiredo para colocar Nuno Cabral em jogos da I Liga e, mais tarde, Nuno Cabral fez jogos de I Liga. Nem todos os 5 assistentes passaram de categoria, mas houve 2 que passaram - segundo a própria versão encarnada.

De qualquer forma, isso não tem o valor que lhe estão a querer dar. Primeiro, porque os pedidos foram feitos de uma forma que deixam entender que isto é procedimento habitual. Mesmo que não tenha havido sucesso em parte dos pedidos feitos - que raio, era só o que faltava que conseguissem contornar um chumbo nos testes físicos, a parte mais objetiva de uma avaliação de um árbitro -, não podemos partir do princípio que não tenham havido, antes ou depois, pedidos a terem sido acatados por quem tem influência para os concretizar.

E, depois, porque, segundo os regulamentos, a simples tentativa de exercício e abuso de influência é punível com perda de pontos (5 a 8 pontos por cada caso identificado).


#6 - Renega-o-Guerra

Depois dos insultos à entrada para a Assembleia Geral do Benfica e das críticas de António Simões e Bagão Felix, foi a vez de Rui Pedro Braz tentar esvaziar a importância de Pedro Guerra na estrutura do Benfica:


Um mero comentador, um mero colaborador, com um cargo meramente decorativo, diz Braz.

Ridículo. Pedro Guerra tem algum passado no Benfica, como Rui Costa ou Nuno Gomes, que justifique um cargo decorativo? Guerra não tem qualquer histórico no clube. Se Guerra pertence à estrutura, por algum motivo será.

Guerra trabalha para o Benfica. Aquilo que faz, faz no âmbito de funções (oficiais ou não) que lhe são atribuídas por responsáveis do clube ou SAD. Logo, há forma de ligar as ações de Guerra ao Benfica.

O 'best of' dos comentários à polémica dos emails (#15 - #11)

Os últimos dias têm sido um corropio de reações e análises à polémica dos emails divulgados no Porto Canal. Nos vários canais de informação têm-se sucedido edições especiais com painéis alargados, perfazendo horas a fio de acesa discussão entre comentadores cuja isenção e seriedade está acima de qualquer suspeita, como António Rola, Bruno Prata, David Borges, Diamantino, Fernando Guerra, Joaquim Rita, Jorge Baptista, José de Pina, José Leirós, Luís Aguilar, Manuel Queiroz, Manuel Serrão, Ribeiro Cristóvão ou Rui Pedro Braz.

Das partes dos programas que vi - que devem ser uma pequena fração de tudo o que foi transmitido -, escolhi aqueles que, para mim, foram os 15 melhores comentários. Vou começar por mostrar aqueles que ficam entre a 15ª e a 11ª posição. Os restantes serão publicados durante o dia de hoje.

Sem mais demoras, comecemos a contagem decrescente.


#15 - O Pedro Silva é que não deve estar com grande vontade de se rir

Manuel Queiroz falava da constituição do Conselho de arbitragem e, a determinada altura, menciona o nome de Lucílio Baptista. Foi curiosa a reação conjunta de Braz e Aguilar, qual lutadores de wrestling da mesma equipa num handicap match, num belo momento de condescendência sincronizada, provavelmente esquecidos de uma tristemente (não para eles, certamente) célebre final da Taça da Liga por ele arbitrada. Sim, Lucílio Baptista, ao que se diz, é sportinguista. Mas Vítor Pereira também é, e no entanto...



#14 - A gritaria das redes sociais

A certa altura, Rui Pedro Braz falava sobre a importância de a verdade desportiva prevalecer acima de tudo e todos, incluindo aos adeptos, aproveitando a oportunidade para demonstrar o seu apreço sobre as redes sociais. Nós também te amamos, Rui!


Já agora, só um esclarecimento. Falando por mim, eu não quero fazer justiça em público. O que eu quero é que se faça justiça nos locais competentes. O que me parece é que os adeptos (ou pelo menos uma grande percentagem de adeptos) não sentem qualquer confiança no papel de denúncia e investigação da comunicação social, nem na capacidade e vontade da Justiça em levar por diante aquilo que tem de ser feito. Daí a "gritaria"... é para ver se alguém de direito se sente incomodado. Já se viu que falar em tom normal não resulta.


#13 - Santo António Rola, o padroeiro dos árbitros indefesos

António Rola, o isentíssimo e insuspeitíssimo comentador de arbitragem na BTV, foi um dos convidados da edição especial do Prolongamento na última quarta-feira. Por aqui se vê que não é só nos emails que há vontade de pôr toda a carne no assador. Numa das suas intervenções, teve um cativante discurso em defesa da qualidade do árbitro português, com doses equivalentes de emocão, indignação, atabalhoamento na altura de escolher adjetivos e incapacidade de perceber que a preposição de pode mudar o sentido de uma frase se for demasiado encostada à palavra seguinte. Vale a pena ver.


António Rola diz que a UEFA reconhece a qualidade do árbitro português. Se calhar é por isso que a arbitragem nacional esteve tão bem representada no Euro 2016...


#12 - Bruno Prata e os telhados de vidro

Um dos argumentos mais extraordinários que tem sido usado nestes dois dias é o do "todos fazem o mesmo". Bruno Prata mencionou ontem que todos os clubes têm telhados de vidro. Até pode ser verdade, mas nem todos os telhados de vidro são da mesma dimensão: enquanto uns não têm para mostrar mais do que meras janelas velux, outros há que conseguem meter inveja às pirâmides do Louvre. Vamos lá com calma quando se fazem comparações destas... até porque os telhados de vidro dos outros já foram exaustivamente debatidos.



#11 - Rui Pedro Braz e a opinião de Lúcio Correia

A partir de determinada altura, os comentadores da TVI começaram a suportar-se na opinião de um especialista em direito de desporto, de seu nome Lúcio Correia. Foi uma espécie de balão de oxigénio que transformou um estado de espírito de um certo abatimento para um sentimento de maior otimismo. Aqui fica um exemplo, de Rui Pedro Braz. Se Lúcio Correia cobrar royalties sempre que o seu nome for mencionado, corre o risco de ficar com a reforma garantida até ao final do mês.


Já agora: é uma pessoa que está acima de qualquer suspeita? Não conheço o senhor, até pode ser muito bom profissional... mas diria que, no mínimo, existem uns certos conflitos de interesses.




quarta-feira, 24 de maio de 2017

Pedido de clarificação ao Clã da Cartilha

Após ouvir estes comentários...


... e ler estes comentários...





... em que, segundo estes ilustres jornalistas, comentadores e adeptos benfiquistas, o despedimento de Nuno Espírito Santo comprova que o Porto não tem razão em apontar a arbitragem como motivo para a vitória do Benfica no campeonato, então...

... podemos concluir que os mesmos ilustres jornalistas, comentadores e adeptos benfiquistas admitem que, face à permanência de Jorge Jesus como treinador após o final da época passada, o Sporting teve razão nas queixas que fez sobre a influência decisiva da arbitragem no desfecho do campeonato de 2015/16?