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sexta-feira, 25 de abril de 2014

A opinião idónea de José Leirós IV

Este fim-de-semana tivemos direito a mais um lance em que José Leirós é um reconhecido especialista. No Benfica - Olhanense, Samperisi entrou de pitons para disputar um lance com André Almeida, mas falha a bola e acaba por acertar violentamente na canela do jogador do Benfica.

Vídeo completo pode ser visto no canal de Youtube Fernanndo00

Para mim isto é cartão vermelho, mas aceito que haja quem considere que se pode resolver com um amarelo, por não ter sido intencional. O motivo pelo qual defendo que estes lances devem ser punidos com vermelho é porque, havendo ou não intenção de quem faz a falta, a verdade é que a integridade física do adversário é posta seriamente em causa. Samperisi devia ter noção disso quando levantou o pé daquela forma com André Almeida pela frente.

Mas aparentemente esta não é a visão de José Leirós sobre estes lances de dureza excessiva. Aqui fica a sua opinião.

Retirado do blogue Fora-de-Jogo

Não é novidade esta condescendência de José Leirós para determinadas faltas violentas. Num passado recente, o ex-árbitro tem-nos brindado com apreciações bastante tolerantes para outros casos de violência ou agressões:



Mentes maldosas poderão insinuar que, para Leirós, não há limites à impetuosidade física quando a vítima se trata de um jogador do Sporting ou Benfica, ou quando o agressor é um jogador do Porto. Eu não alinho por essas suposições fáceis e caluniosas. Como não gosto de fazer estes juízos precipitados, prefiro acreditar que Leirós, antes de se passear nos relvados portugueses de apito na boca, fez carreira como árbitro de wrestling profissional. Isso explicaria muita coisa: no caso concreto do lance em que Samperisi levanta o pé contra André Almeida, o que Leirós viu foi isto:

Leirós tem razão: foi apenas jogo perigoso, já que Samperisi (de preto) não acerta em André Almeida (de vermelho)

Que mais há a dizer? Só que a WWE perdeu um grande árbitro.

quarta-feira, 26 de março de 2014

A opinião idónea de José Leirós III

No domingo passado, aos 8 minutos de jogo, Mangala deu uma cotovelada na cara de um adversário. Na minha opinião o jogador do Porto merecia ter visto cartão vermelho. Carlos Xistra nem sequer falta assinalou.

Comecemos por ver a apreciação do Tribunal O Jogo.


Jorge Coroado e Pedro Henriques também são da opinião que o francês devia ter sido expulso. Leirós, na sua visão alternativa, acha que não há ali nada de especial, e nem um amarelo se justificava.

Vejam agora o lance para julgarem por vocês próprios. Como bónus, fica ainda a observação de Eduardo Barroso sobre a opinão de José Leirós.

Vídeo completo pode ser visto no canal de youtube Fernanndo00

Também penso que deveria haver um sumaríssimo para Mangala. Não é a primeira vez que faz uma brincadeira destas, e nada lhe aconteceu.

Links para outros capítulos da série A opinião idónea de José Leirós:
I --> Gil Vicente - Sporting
II --> Sporting - Nacional

sábado, 22 de março de 2014

A opinião idónea de José Leirós II

Mais um par de opiniões de José Leirós, agora relativas ao Sporting - Nacional.


Primeiro acha que no golo anulado a Slimani existiram dois empurrões que justificam a decisão de Manuel Mota.


Depois, viu apenas um contacto ligeiro nisto. José Leirós concorda com Manuel Mota, ou seja, não houve falta.


Será que os senhores de O Jogo lhe andam a mostrar as jogadas certas?

sexta-feira, 21 de março de 2014

A opinião idónea de José Leirós

Na quarta-feira fiz um post sobre o cartão amarelo mostrado a Abdoulaye na sequência de uma falta sobre Mané, que seguia isolado. Na minha opinião o cartão a mostrar seria claramente o vermelho, pelos motivos que na altura expliquei. No entanto, achei interessante a opinião de José Leirós, que considerou que nem sequer cartão amarelo devia ter sido mostrado.

Isso fez-me lembrar de uma outra situação, no Gil Vicente - Sporting, quando Adrien foi carregado de forma bárbara por um adversário. O árbitro marcou falta mas nem sequer amarelo mostrou. Eis o que o Tribunal O Jogo teve a dizer sobre o assunto, pedindo a vossa atenção para a opinião de José Leirós em particular:


Podem rever aqui a falta sobre Adrien:


Eu sei que nunca fui árbitro e que percebo pouco disto, mas na minha modesta opinião trata-se de uma entrada violenta que coloca em causa a integridade física do jogador, e como tal devia ter sido mostrado um cartão vermelho. Espanta-me que os três ex-árbitros, principalmente Jorge Coroado (que tinha um particular apreço por expulsar jogadores), tenham uma visão tão ligeira sobre uma entrada de pitons à canela de um jogador.

Mas Leirós consegue ir ainda mais longe, achando que nem sequer valia a pena interromper o lance.

Neste mesmo jogo, o árbitro ainda perdoaria uma cartão vermelho de um jogador do Gil Vicente por cotovelada na cara de André Martins. O Jogo não achou a agressão suficientemente relevante para pedir a opinião do seu tribunal sobre esse lance.

O árbitro deste jogo foi Jorge Sousa, que apitará amanhã o Marítimo - Sporting. Espero que não esteja aberta a época de caça às canelas dos leões.

quarta-feira, 19 de março de 2014

O amarelo de Abdoulaye

Não consigo compreender porque motivo se anda a tentar vender que Abdoulaye viu bem o cartão amarelo no lance em que derrubou Carlos Mané.

Aliás, segundo José Leirós, nem amarelo deveria ter havido:


Na minha opinião, Pedro Proença fez mal em dar a lei da vantagem. Mané já ia isolado quando é derrubado pelo defesa do Porto. Mangala ia 2 metros atrás, e Danilo estava afastado 10 metros na diagonal.

Quando Slimani consegue controlar a bola, já tinha Danilo e Mangala em cima.


Com a falta de Abdoulaye e com a decisão de dar a lei da vantagem, transformou-se um lance em que Mané seguia isolado para a baliza, num lance em que Slimani está pressionado por dois adversários.

Como é evidente, este não foi o principal erro de arbitragem do jogo. De qualquer forma, na minha opinião também aqui houve um erro grave: interromper o jogo e mostrar cartão vermelho seria a decisão correta neste lance.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Tendências tribunalescas

Para matar uma curiosidade que tinha, estive a fazer um pequeno tratamento estatístico às opiniões de Jorge Coroado, Pedro Henriques e José Leirós no espaço Tribunal O Jogo.

Usei como universo as análises dos últimos 30 jogos (ou seja, todos os que foram publicados pelo blog Conversas da Bola), correspondendo a um total de 126 lances.

O objetivo desta análise é muito simples, procurando responder a duas questões: 

1º Qual a percentagem de ocasiões em que os antigos árbitros "decidiram" a favor de Benfica, Porto e Sporting nos lances analisados?

2º Qual o grau de concordância de Coroado, Henrique e Leirós com a decisão dos árbitros das partidas analisadas?

Note-se que não há aqui qualquer julgamento da minha parte sobre se os árbitros dos jogos e os juízes do Tribunal O Jogo têm ou não razão na sua apreciação, nem tão pouco qualquer exercício meu para determinar qual dos três tem mais vezes razão. Limito-me a constatar se as opiniões de Coroado, Henriques e Leirós foram ou não a favor do Benfica, Porto e Sporting, e se concordaram ou não com a decisão do árbitro.

Vamos então aos resultados.


Exemplos de como se devem ler os quadros acima: 
  • em 60% dos lances analisados em jogos do Benfica, Coroado decidiria a favor do Benfica; 
  • em 61% dos lances analisados em jogos do Porto, José Leirós decidiria a favor do Porto; 
  • em 54% dos lances analisados em jogos do Sporting, Pedro Henriques decidiria a favor do Sporting;
  • em 65% de todos os lances, José Leirós concordou com a decisão do árbitro.

Constatações:
  • há uma certa harmonia no que toca aos casos do Benfica, entre 53% e 60%;
  • nos lances do Porto existe uma enorme disparidade: Coroado apitaria apenas 39% das vezes a favor do Porto, em oposição a Leirós, que daria razão aos portistas em 61% das ocasiões;
  • nos lances do Sporting verifica-se o contrário: Coroado apitaria a favor do Sporting em 62% dos lances, contra os 46% de Leirós;
  • Pedro Henriques parece, sempre que possível, dar o benefício da dúvida aos árbitros, pois está de acordo com eles em 70% das situações analisadas; Coroado parece ser do contra: concorda com a decisão do árbitro em menos de metade dos lances.
Agrupando os resultados em função do árbitro:


  • Coroado parece ser bastante mais compreensivo com os clubes de Lisboa; em oposição, não parece ser muito solidário com os árbitros e demonstra alguns anti-corpos em relação ao Porto;
  • Pedro Henriques, que tem sempre uma postura muito pedagógica nas suas análises, seja na TVI seja em O Jogo, parece sempre procurar um ponto de convergência com a decisão do árbitro;
  • Leirós parece ser o homem do norte; é o único que aparenta ser mais compreensivo com as dores do Porto, tendo pouca simpatia com o ponto de vista sportinguista.
Como escrevi no princípio, não estou a tirar daqui nenhumas conclusões, pois não estou a levar em conta se a opinião dos ex-árbitros é correta ou não. É apenas uma constatação das suas opiniões. Mas a verdade é que:

1. Não fiquei surpreendido com os resultados, estão em linha com a ideia que tinha dos três ex-árbitros;
2. É incrível a disparidade de opiniões que três ex-árbitros conseguem ter na análise dos mesmos lances, sem a pressão do tempo para decidirem e com inúmeras repetições para poderem dar a sua opinião.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A infalibilidade do tribunal

Acho graça quando jornalistas, comentadores e paineleiros recorrem às decisões do Tribunal O Jogo para suportar a sua argumentação. Por exemplo, no programa Prolongamento, Fernando Seara vai sempre munido destas páginas de jornal para poder atirá-las à cara dos seus opositores nas situações em que lhe convém.

Jorge Coroado, Pedro Henriques e José Leirós são os três juízes que constituem o tribunal em causa. Todos eles antigos árbitros, uns com carreiras mais notáveis que outros.

A ideia do jornal O Jogo é boa: pedir a opinião sobre decisões polémicas de arbitragem a três antigos árbitros, conhecedores das leis, que certamente se vão mantendo informados das novas diretivas do International Board e, acima de tudo, com olho treinado para estas coisas.

Note-se que nem todos os lances são particularmente polémicos ou difíceis de avaliar. Como normalmente analisam 4 ou 5 lances por jogo, em alguns casos é-lhes pedido para avaliar casos de foras-de-jogo, cartões amarelos, livres ou cantos. Noutros, as imagens são de tal forma elucidativas que é impossível não estarem todos de acordo.

Seria portanto de esperar que, em função do nível de conhecimento que possuem, sem a pressão do tempo para tomar uma decisão, e tendo acesso a variadíssimas repetições, os três ex-árbitros estivessem de acordo na maior parte das situações.

Mas olhemos para as sentenças mais recentes deste tribunal:


Dos 106 lances analisados, os três juízes deram uma opinião unânime em menos de metade. E apenas num destes 22 jogos estiveram os três de acordo em todos os lances.

É certo que ao analisar uma decisão polémica, qualquer pessoa faz uma interpretação das leis em função da forma como perceciona do lance. E nem me passa pela cabeça criticar o facto de os três não estarem de acordo, era só o que faltava. É a opinião deles e têm todo o direito em emiti-la de forma independente. Mas existem três conclusões que podemos tirar daqui:

  • O facto de três antigos árbitros, que apitaram centenas de jogos ao longo das suas carreiras, não conseguirem concordar na maior parte das vezes, é um comprovativo de peso em como o critério pessoal do árbitro tem um peso tremendo no julgamento dos lances.
  • Mostra que qualquer adepto que seja capaz de ver um lance sem os óculos da cor do seu clube, que ao longo da sua vida viu centenas de jogos e que conhece as regras principais do jogo, tem uma opinião com o mesmo grau de legitimidade que os juízes do Tribunal O Jogo -- é que em 99% das vezes vai ter uma opinião igual a pelo menos um deles. 
  • Em mais de metade dos lances analisados, há pelo menos um dos juízos que está errado. Há uma probabilidade de erro enorme. Por isso é legítimo admitir que, mesmo nos lances em que estão todos de acordo, há alguma probabilidade de estarem todos enganados. Não sempre, como é evidente, mas de vez em quando pode acontecer.

Acho de qualquer forma que o Tribunal O Jogo é um espaço útil. Não para estabelecer verdades indiscutíveis sobre lances polémicos. Não para terminar discussões. Apenas para contribuir para o debate.