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terça-feira, 23 de maio de 2017

Balanço de 2016/17: GRs e Defesas



Rui Patrício: ** 
2015/16: *** 
2014/15: *** 
2013/14: ***

Depois de uma época memorável, em que esteve em grande nível no clube e se sagrou campeão europeu com a seleção - que lhe valeu o reconhecimento internacional e menções nos mais prestigiados prémios -, as expectativas para a época de Rui Patrício eram elevadíssimas. Infelizmente, o guarda-redes não correspondeu ao que dele se esperava. Não que tenha estado ostensivamente mal e custado muitos pontos ao clube - não esteve, e não custou -, mas o Sporting precisava de um guarda-redes que fizesse muito mais defesas impossíveis do que fez, e que valesse muito mais pontos do que valeu. Precisava do Rui Patrício das épocas anteriores. Infelizmente, esse Rui Patrício parece não ter regressado de França.


Beto: **

Regressou a casa treze anos depois da sua saída. Não sei se vinha com expectativas de ser titular perante uma eventual saída de Rui Patrício ou se com o papel de suplente, mas mostrou-se sempre comprometido com o clube, com o grupo de trabalho e, mais importante que isso, esteve sempre à altura das responsabilidades nos 9 jogos em que foi utilizado. Suponho que tenha um salário alto em relação ao que é a média do plantel, mas justifica-se. Enquanto adepto, estive sempre tranquilo quando Rui Patrício não esteve disponível para jogar. Espero que Beto continue por cá.


Azbe Jug: -
2015/16: -

Segunda época no clube, conseguiu em 2016/17 a proeza de ser ainda menos utilizado do que em 2015/16 - na qual fez um jogo para a Taça da Liga. Percebe-se o motivo. Na pré-época mostrou que não tinha nível para defender a baliza do Sporting e, tendo 25 anos, duvido que alguma vez venha a ter. Um problema para a direção resolver neste defeso, pois não faz sentido mantê-lo por cá durante os três anos de contrato que restam.


Ezequiel Schelotto: **
2015/16: **

É um eufemismo dizer que Schelotto não é dos jogadores mais queridos entre a generalidade dos adeptos sportinguistas, mas eu não desgosto do jogador. Schelotto pode não ser um lateral com boa capacidade de decisão, pode ter um aproveitamento pobre nos cruzamentos, mas compensa com a sua disponibilidade física e com a profundidade que dá ao corredor direito. Para além disso, é um jogador fiável defensivamente em situações de 1 contra 1 (estatisticamente, é o lateral do Sporting que menos dribles permitiu). As suas características pedem, à sua frente, um jogador mais com as características de João Mário do que com as de um Gelson Martins, e acabou, a meu ver, por sair prejudicado por isso. Ainda assim, foi o 2º jogador do Sporting com mais assistências no campeonato: 5.


João Pereira: **
2015/16: **

Para mim, foi um dos mistérios da época. Começou muito bem a época mas, sem que nada o fizesse prever, perdeu a titularidade para Schelotto. A partir daí, foi jogando a espaços, mas quase sempre a bom nível. De tal forma que, nas competições internas, o primeiro jogo que o Sporting não ganhou com João Pereira em campo foi... na Luz, à 13ª jornada. Até esse momento, João Pereira tinha sido utilizado em 9 jogos e festejado 9 vitórias. Nas competições europeias a conversa foi diferente: em Madrid acabou por ficar indiretamente ligado ao golo da derrota, e em Alvalade foi expulso. De qualquer forma, fez uma boa metade de época que viria a ser interrompida com a sua transferência para a Turquia, que se pode compreender face à necessidade de reduzir custos após a queda de todos os objetivos - e falamos de um jogador que, na altura, já tinha 32 anos. Desta época, guardarei na memória aquele corte oportuníssimo na área a Adrián no final do Sporting - Porto, que poderá ter valido a vitória nessa partida.


Ricardo Esgaio: * 
2015/16: *
2014/15: *

Utilizado em 14 partidas na equipa principal, Esgaio não conseguiu, mais uma vez, mostrar atributos que justifiquem maiores oportunidades. É verdade que a sua utilização foi inconstante - o que nunca ajuda à afirmação de um jogador -, mas não me lembro de ter ficado convencido, em qualquer um desses jogos, de que pode estar ali material para ser explorado com maior insistência. A polivalência de Esgaio pode ser útil em várias ocasiões, mas não me parece que alguma vez venha a ser mais do que isto num plantel de um clube como o Sporting.


Jefferson: *
2015/16: *
2014/15: **
2013/14: **

Quarta época em Alvalade, que provavelmente terá sido a última. A crua realidade é que Jefferson tem tido um rendimento fraquíssimo nos últimos dois anos e meio. Tem sido uma sombra do jogador que era uma ameaça nos cruzamentos e bolas paradas. Defensivamente comprometeu com frequência, ofensivamente raramente acertou um cruzamento. Nos últimos dois jogos desta época (contra Feirense e Chaves) voltou a demonstrar alguma raça e confiança, mas esse breve cintilar vem tarde demais para justificar mais um ano por cá. Agora que já tem o passaporte português, está na altura de procurar outro clube.


Marvin Zeegelaar: *
2015/16: *


Época irregular. Esteve razoável na primeira metade, relativamente certo a defender e inócuo a atacar. Em dezembro saiu da equipa e tardou em reencontrar-se, pois é um jogador que aparenta precisar, mais do que a maioria, de muitos jogos seguidos para ganhar confiança e tornar-se um jogador útil - o que é insuficiente para um titular de uma equipa que ambiciona lutar pelo título. Gostaria de dizer que poderia ser uma alternativa de banco para uma eventual contratação, mas está visto que não tem características psicológicas para esse papel - entraria sempre muito receoso sempre que fosse chamado.


Sebastián Coates: ***
2015/16: ***

No meio do descalabro que foi a defesa do Sporting ao longo desta época, Coates foi o único jogador que esteve ao seu melhor nível. Um patrão a quem faltou funcionários em melhor forma.


Rúben Semedo: **
2015/16: ***

Época algo irregular em que pareceu regredir em relação ao final da época passada. Cometeu demasiados erros, alguns dos quais foram castigados com golos dos adversários. Esses erros parecem mais fruto de desconcentração do que de falta de confiança - aliás, confiança é algo que lhe parece não faltar, até a tem em demasia. Também não ajudou a instabilidade que havia na posição de lateral esquerdo, obrigando-o a atenção redobrada. Os atributos físicos e técnicos dão-lhe condições para ser um central de topo, mas é necessário que a cabeça os acompanhe nesse desígnio. Veremos se a próxima época será a da sua afirmação em definitivo.


Paulo Oliveira: **
2015/16: **
2014/15: ***

Foi utilizado de forma intermitente, mas teve uma época ao nível do que se espera de Paulo Oliveira: um jogador capaz de resolver 90% das situações de forma eficiente e expedita, mas a quem faltam argumentos físicos e técnicos para resolver os restantes 10%. Parece-me um excelente terceiro central para o plantel, espero que continue.


Douglas: *

Considerando a sua experiência e o facto de ser um fetiche de Jesus, esperava-se que se adaptasse rapidamente ao sistema de jogo do Sporting e não tardasse a entrar nas contas da titularidade. Não só tardou, como não convenceu nas oportunidades de que dispôs. Neste caso não se pode ter o mesmo nível de tolerância que se dá a jogadores jovens e baratos, pois Douglas não é nem uma coisa nem outra. Com a entrada de André Pinto no plantel, deixa de haver espaço para o brasileiro.

domingo, 23 de abril de 2017

Cadeado

Foi um dérbi intenso mas com pouca nota artística, e em que o empate é um resultado adequado para aquilo que se viu em campo. Os onzes escolhidos pelos dois treinadores indiciavam um jogo em que o Sporting iria assumir as despesas do jogo de uma forma mais cautelosa que o normal, e com o Benfica a tentar explorar o contra-ataque para causar estragos. Essas estratégias rapidamente foram colocadas no lixo, face ao golo madrugador do Sporting. O Benfica pareceu acusar o golpe, mas a partir dos 20 minutos acabou por se recompor e foi obrigado a ter mais iniciativa do que inicialmente imaginara.

Há que dizer que o Sporting pareceu tão confortável na defesa do resultado quanto o Benfica pareceu desconfortável na procura do golo. Os caminhos da baliza estiveram sempre bem fechados - de parte a parte -, tornando o jogo muito disputado a meio e pouco atrativo.

Após o intervalo, o Sporting regressou com a ideia de ampliar a vantagem e teve, efetivamente, boas oportunidades para consegui-lo. No entanto, estava escrito que os golos só iriam aparecer de bola parada: o Benfica empatou e, uma vez tendo um resultado que lhe interessava, soube congelar o jogo e assegurar um empate que poderá ter valido o campeonato.





A entrada de Paulo Oliveira no onze - foi a grande surpresa no onze e, assim que foi anunciada, dava a entender uma abordagem defensiva mais conservadora do que é habitual no Sporting: uma linha defensiva um pouco mais recuada, com menos espaço nas costas, e com maior capacidade para conter o adversário na próximidade da área. Apesar de ter cometido uma ou outra falha sem consequências, Paulo Oliveira fez um jogo de grande nível, limpando tudo na sua área de ação e ainda nas inúmeras dobras que teve que fazer a Jefferson. Uma aposta bem sucedida.

A explosividade de Gelson - foi o único jogador do Sporting capaz de semear o caos na defesa adversária. A atacar fez o que quis de Grimaldo na primeira parte, mas também trabalhou defensivamente muito no apoio a Schelotto. Foi substituído por estar em claras dificuldades físicas.



O golo do Benfica acabou com o jogo - o Sporting acusou o golo do empate e, a partir desse momento, não teve capacidade para incomodar a defesa benfiquista. Notou-se uma quebra física e anímica da equipa, que começou a perder sistematicamente os duelos a meio-campo. É certo que, nessa altura, Artur Soares Dias foi uma ajuda importante em manter o cadeado bem fechado - deixando passar várias faltas óbvias nas disputas a meio-campo -, mas Jesus deveria ter feito mais para procurar a vitória (na minha opinião, Podence devia ter entrado mais cedo).

Exibições abaixo do exigível - foram vários os jogadores que não deram à equipa aquilo que era necessário face a um adversário como o Benfica. Começando pelas laterais, Schelotto não conseguiu adaptar-se à pressão que o Benfica lhe colocou e cometeu vários erros, enquanto Jefferson confirmou que não é mais do que uma sombra do jogador que já foi - nem sequer ajudou naquele que era o seu ponto forte: os cruzamentos. William jogou com um nível de agressividade demasiado baixo, estando pouco esclarecido com a bola nos pés e com vários momentos de desconcentração. Alan Ruiz foi demasiado lento perante um pressing mais intenso, e nunca conseguiu desequilibrar. Finalmente, Dost esteve em dia não. Teve duas excelentes ocasiões para marcar, mas finalizou ambas de forma desastrada.

A arbitragem - Artur Soares Dias teve um desempenho péssimo. Começou pela falta de cartão a Ederson no lance do penálti. Depois, houve um penálti claro de Schelotto sobre Grimaldo que ficou por assinalar. Podia também ter assinalado penálti de Bruno César sobre Lindelof, num lance de análise mais difícil. Na segunda parte, Artur Soares Dias pareceu tentar compensar os erros da primeira parte, revelando uma dualidade de critérios aberrante na marcação de faltas. Vi pelo menos três faltas claríssimas sobre jogadores do Sporting mesmo à minha frente que ficaram por marcar, mas existiram vários outros casos muito duvidosos noutras áreas do campo. Mas no cômputo geral o Benfica teve, obviamente, mais razões de queixa.



A vitória ainda nos poderia deixar com uma réstia de esperança em conseguir algo mais do que o terceiro lugar, mas este empate fecha a nossa classificação. Faltam quatro jogos, que deverão ser aproveitados para preparar a próxima época tanto quanto possível. Esta já era.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Rui a mostrar porque já são 400

Se eu fosse como muitos comentadeiros que existem nas nossas rádios e televisões dos jogos, estaria agora a dizer que o Sporting mereceu inteiramente a vitória porque soube ser eficaz e fez o jogo que mais lhe interessava a partir do momento em que se viu em vantagem no resultado. No entanto, como não gosto de fazer balanços de jogos em função do resultado final, sou obrigado a admitir que o Sporting foi feliz em ter conquistado a vitória, já que foi o Rio Ave a dispor das melhores oportunidades para marcar. Tenho estado a fazer um esforço de memória para me recordar do último jogo em que o Sporting, tendo produzido uma exibição tão frouxa ao longo dos 90 minutos, tenha conseguido vencer. A verdade é que... não me consigo lembrar. 

Do ponto de vista do espetáculo que qualquer adepto espera ver num jogo para que paga bilhete, foi coisa para justificar pedidos de devolução do dinheiro. Durante os 90 minutos, desinspiração quase total na frente - com algumas honrosas exceções. Para piorar, na primeira parte houve vários momentos de desacerto dos nossos jogadores que deram aos jogadores do Rio Ave a hipótese de causar estragos em contra-ataques rápidos. Valeu-nos, nessas situações, termos entre os postes um guarda-redes que relembrou-nos a todos que não é por acaso que já vai com 400 jogos de leão ao peito.

Até o golo surgiu com uma boa dose de felicidade: começa com uma má receção de bola de William - que o obrigou a um esforço redobrado para impedir a interceção de um adversário - antes de avançar com ela no terreno, e depois com o ressalto que foi parar aos pés de Alan Ruiz.

Na segunda parte, mesmo continuando a jogar mal, a equipa conseguiu estabilizar-se quando não tinha a bola. O Rio Ave também pareceu acusar o desgaste causado pela pressão realizada na primeira parte, e jogou de forma bastante menos esclarecida. Como tal, é justo que se diga que o Sporting, não tendo conseguido dominar o jogo, pelo menos o soube controlar - algo fundamental que tem faltado a esta equipa em momentos em que não se consegue impor e tem o resultado por fechar.





O melhor Rui - no dia em que celebrava os 400 jogos na equipa principal do Sporting, não se poderia desejar de Rui Patrício melhor demonstração dos motivos pelo qual é dono da baliza do clube há mais de 10 anos. Se o Sporting conseguiu os três pontos, deve-o ao que o seu guarda-redes fez durante a primeira parte: quatro defesas em quatro ocasiões flagrantes do Rio Ave, duas das quais fenomenais. Mereceria sempre a homenagem que lhe foi reservada no final, mas a exibição que fez acabou por tornar esse momento simplesmente perfeito.

Novamente Alan Ruiz - Na primeira parte, o argentino foi o único que conseguiu pensar o jogo de ataque da equipa. Quando a bola lhe chegou aos pés, soube sempre temporizar e entregar da melhor forma a dar sequência ao ataque. Marcou o golo da vitória, fazendo o gosto ao pé pelo terceiro jogo consecutivo. Na segunda parte caiu de produção, mas o público presente em Alvalade pôde testemunhar alguns sprints seus para ajudar a defesa - nomeadamente quando via que Gelson não podia ajudar Schelotto. Está cada vez mais integrado e a confirmar-se, finalmente, como reforço.

Pendular Paulo Oliveira - recuperou a titularidade, substituindo Rúben Semedo, mas foi colocado do lado direito, deslocando-se Coates para a sua esquerda. Paulo Oliveira respondeu muito bem, quer nas dobras a Schelotto - e foram várias as que teve que fazer - quer na proteção da área, tendo sido, do setor defensivo, o jogador mais fiável: foi o único que não comprometeu com passes de risco mal direcionados ou perdas de bolas que pareciam controladas face à pressão dos adversários. Ou muito me engano, ou ganhou o lugar.

Consistência defensiva na segunda parte - tem sido um dos grandes problemas do Sporting, pelo que é justo reconhecer que a equipa, percebendo que não havia inspiração para ir atrás do segundo golo, soube manter-se concentrada e coesa durante a segunda parte. Continuaram a haver erros individuais (Jefferson e Schelotto estiveram particularmente mal), mas, sempre que alguém falhava, o resto da equipa conseguiu compensar e evitar sustos como os que ocorreram na primeira parte. 


A qualidade da exibição - obviamente que prefiro que a equipa ganhe jogando mal do que a equipa empate ou perca jogando bem, mas, enquanto apreciador de bom futebol, espero que exibições destas não se repitam muitas vezes.

Desconcentração em situações de risco - o Rio Ave teve mérito na forma como soube pressionar o Sporting em dois terços do terreno, e foi precisamente por aí que conseguiram causar as maiores ocasiões de perigo - com o devido demérito dos nossos jogadores. Das quatro grandes oportunidades de golo do Rio Ave, as duas primeiras surgiram de passes errados de Coates e William, e a última de uma perda de bola escusada de Schelotto (a outra surge de uma falta claríssima sobre Bruno César que o árbitro fingiu não ver). Felizmente, em todas elas, esteve lá Rui Patrício para as resolver.



Vitória diferente, não só por não ser merecida, mas também pelo facto de o Sporting ter conseguido, finalmente, chegar ao fim de um jogo sem sofrer golos - algo que já não acontecia desde a vitória no Restelo, há quase dois meses. Também é necessário saber ganhar assim.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Noite de Taça e de Chuta-chuta-passa-passa-fura-fura

Como se esperava, Jorge Jesus fez bastantes mexidas para a partida de ontem, colocando um onze formado maioritariamente por jogadores pouco utilizados: Beto, Esgaio, Paulo Oliveira, Douglas e Matheus ainda não têm qualquer minuto para o campeonato, enquanto que Castaignos, Jefferson, Elias, André e Alan Ruiz têm sido opções irregulares. Dos onze que iniciaram a partida contra o Praiense, apenas Adrien e Bruno César são titulares habituais. Confirmando o fatalismo que ultimamente tem atingido a equipa, o jogo não podia ter começado de pior forma: o Praiense adiantou-se no marcador logo aos 2'. No entanto, a equipa soube reagir da melhor forma, encarando o adversário de forma séria, arrancando para uma exibição bastante agradável e conseguindo uma vitória confortável.

Foto: Global Imagens / Gustavo Bom



A atitude demonstrada - contra o Famalicão, o Sporting marcou cedo e registou, depois disso, oitenta minutos sofríveis, sendo notória a falta de empenho de grande parte dos jogadores em campo. Contra o Praiense, foi precisamente o inverso. A equipa viu-se a perder aos 2', e reagiu da melhor forma: impôs um ritmo elevado durante praticamente durante todo o tempo, chegando com facilidade à área adversária e criando bastantes oportunidades de golo. A bola teimou em não entrar, mas era visível que seria apenas uma questão de tempo - quanto mais não fosse, por ser pouco provável que o Praiense aguentasse o ritmo durante os 90 minutos. Nem todos os jogadores do Sporting tiveram exibições felizes, mas não se acusar ninguém de falta de atitude. E quando assim é, as vitórias ficam mais próximas - seja contra adversários do CNS, seja contra adversários da I Liga.

Chuta-chuta-passa-passa-fura-fura - que grande jogo de Bruno César. Foi, durante quase toda a partida, o jogador mais esclarecido e que mais perigo criou. Marcou um golo numa bela combinação com Adrien, sofreu o penálti que Adrien converteu, fez duas assistências (tiradas a papel químico) para os golos de André, e ainda fez um remate ao poste naquele que poderia ter sido o golo da noite. Começa a ser um jogador imprescindível neste Sporting, pela qualidade que consegue dar à equipa nas mais diversas posições.

Oportunidade aproveitada - em apenas 12 minutos, André marcou dois golos muito parecidos, com belas finalizações de primeira (já o golo contra o Estoril também foi marcado de primeira). Esta apetência para marcar golos sem grande preparação aconselha a sua utilização como primeiro ponta-de-lança, coisa que nem sempre tem sido possível. Paulo Oliveira e Douglas não tiveram muito trabalho na defesa, mas estiveram bem sempre que chamados a intervir. Acabaram por ser mais úteis nas bolas paradas: Paulo Oliveira marcou o golo do empate, e Douglas conseguiu várias antecipações na área, tendo, inclusivamente, sofrido um penálti não assinalado. Elias jogou a 6 e teve uma exibição competente.

O Praiense - pode não ter havido Taça, no sentido em que o resultado não acabou numa vitória da equipa teoricamente mais fraca, mas houve Taça, no sentido em que uma equipa com recursos muito modestos aproveitou, da melhor forma, a oportunidade para mostrar a sua capacidade. Marcou cedo, tentou defender o resultado enquanto não estava em desvantagem, mas, quando se viu a perder, teve a personalidade de subir as linhas e tentar (dentro daquilo que as pernas ainda permitiam), efetivamente, jogar futebol. Relembro, por exemplo, o que aconteceu na última partida disputada em Alvalade: o Arouca meteu o autocarro com 0-0, e manteve o autocarro a perder por 1-0, 2-0 e 3-0, praticando anti-jogo permanente e risco zero. Parabéns ao Praiense e a Agatão, espero que continuem a ter sucesso no CNS.



A utilização de Matheus, Esgaio e Meli - os dois primeiros foram titulares e cumpriram sem deslumbrar. O argentino estreou-se em jogos oficiais, entrando a poucos minutos no fim, numa altura em que o jogo estava resolvido.



Cada tiro, cada melro - ainda na manhã de ontem coloquei aqui um texto sobre a elevada percentagem de golos sofridos em relação ao número de remates enquadrados que consentimos. Ontem, primeiro remate do Praiense, golo. Foi, aliás, o único remate enquadrado de todo o jogo. Podia ter sido evitado, se Jefferson não tivesse facilitado, ou se Beto tivesse mais 10 centímetros ou estivesse um pouco melhor colocado - apesar de terem a atenuante de não ser expectável que Filipe Andrade rematasse logo dali. Mais um golo a reforçar uma estatística pouco abonatória para a equipa.

Oportunidade não aproveitada - Alan Ruiz teve alguns bons pormenores - com destaque para o forte remate de fora da área ao poste - e mostrou-se combativo, mas continua, na minha opinião, a não ter características para ser um segundo avançado - para além de Castaignos, foi mais frequente ver Matheus, Adrien e Bruno César na área do que o argentino, que prefere, claramente, pisar terrenos mais recuados; poderá, no entanto, ser muito útil quando encontrar a sua posição em campo no atual sistema de jogo do Sporting; Jefferson fez a assistência para o golo de Paulo Oliveira, mas nem contra uma equipa do CNS consegue dar segurança defensiva; Castaignos trabalhou bastante na frente, mas falhou na finalização, incluindo uma embaraçosa tentativa falhada de trivela na cara do guarda-redes. 

O pior em campo - Luís Ferreira não consegue evitar: quando arbitra o Sporting, é um desastre. No entanto, é daqueles desastres que não se podem imputar ao azar, porque os erros prejudicam sempre os mesmos. Ontem, não apitou dois penáltis claros (sobre Douglas e Castaignos) e assinalou incorretamente três foras-de-jogo que davam oportunidades flagrantes de golo (uma das quais chegou a ser concretizada por Castaignos). Apitou bem o penálti sobre Bruno César (mal seria se não visse aquele abalroamento) e anulou bem um golo a Matheus, pois Castaignos parte em fora-de-jogo e interfere na jogada.



É óbvio que não seria de esperar um resultado que não fosse uma vitória confortável, mas o que não falta, na história da Taça, são episódios de grandes a sofrerem perante equipas teoricamente muito mais fracas - e até já tivemos alguns exemplos esta temporada. O Sporting, demonstrando uma atitude competitiva irrepreensível, dignificou a competição e honrou o adversário, conseguindo ainda dar minutos a jogadores que tiveram pouca utilização durante a paragem para as seleções. Foi uma boa noite de Taça.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Serviços mínimos

Não estando propriamente à espera que, num jogo contra uma equipa de um escalão inferior e alinhando com um onze alternativo que pouco ou nada está rotinado, o Sporting fizesse uma exibição de encher o olho, mas sou obrigado a confessar que as (poucas) expetativas que tinha, conseguiram, mesmo assim, sair defraudadas.

Na primeira parte, a equipa foi incapaz de definir os ritmos de jogo e passou por dificuldades na construção de jogo perante a pressão exercída pelo Famalicão, que conseguiu estabelecer algum domínio territorial e não merecia chegar a perder ao intervalo. Na segunda parte, a entrada de William foi fundamental para o Sporting conseguir controlar um pouco mais os acontecimentos do jogo, poderia ter alargado a vantagem, mas há que dizer que, perto do fim, o Famalicão dispôs de duas oportunidades que poderiam ter levado o jogo para prolongamento. Teria sido um prémio justo para a equipa da casa, é preciso reconhecê-lo.



A estreia de Beto - dos onze jogadores que iniciaram a partida, Beto foi o único que correspondeu totalmente às expetativas. Teve um volume de trabalho considerável, mais em quantidade do que em dificuldade - certamente que mais exigente do que estaria à espera -, mas fez uma exibição muito segura. Deixa os sportinguistas com a certeza de que a posição de guarda-redes está muito bem preenchida.

A entrada de William - perante a incapacidade de Petrovic em pegar na bola, foi visível, desde o primeiro minuto após a sua entrada ao intervalo, a diferença de qualidade que William oferece à organização ofensiva do Sporting. À sua volta, todos os jogadores sobem automaticamente de rendimento.

Alguns pormenores - Paulo Oliveira e Douglas conseguiram um jogo globalmente positivo, apesar de terem revelado dificuldades na primeira fase de construção. Alan Ruiz esteve apagado, mais uma vez, mas conseguiu fazer dois passes para golo. Sem bola é que é pior, pois só conhece dois tipos de ação defensiva: ficar parado, ou correr atrás do adversário e usar o corpo com força excessiva, levando à marcação de faltas desnecessárias. Markovic marcou o golo decisivo, que foi o segundo em dois jogos, mas falta-lhe sentido prático em muitas das suas iniciativas. André teve pouca bola para mostrar o que vale, mas continuo a ter boas sensações em relação ao que poderá oferecer ao Sporting no futuro. Elias fez o passe para o golo de Markovic e revelou, mais uma vez, propensão para causar desequilíbrios em progressão com a bola, sabendo tirar partido dos apoios que os colegas lhe dão.




A exibição - muito pobre. O Sporting até se colocou cedo em vantagem, mas alcançou-a na primeira jogada em que chegou à baliza do Famalicão. Durante os 90 minutos, as oportunidades de golo foram escassas, fruto de falta capacidade de ligação entre os setores e de carências no entrosamento entre jogadores, particularmente visível na capacidade nula que Paulo Oliveira, Douglas e Petrovic tinham em iniciar os lances de ataque. Mas isso não explica tudo. Houve falta de vontade e os níveis de concentração estiveram pelas ruas da amargura. A falta de vontade notou-se na ausência de pressão no meio-campo do Famalicão e na baixa percentagem de bolas divididas ganhas, e os baixos níveis de concentração saltaram à vista no elevadíssimo número de passes mal direcionados, cruzamentos para zonas desertas, e outras bolas perdidas desnecessariamente.

O momento de Jefferson - já ando a dizer isto há algum tempo, mas hoje terá ficado evidente para todos que o brasileiro já não tem condições para jogar no Sporting. É com muita pena que o digo, pois, como os sportinguistas sabem, tem qualidades que poderiam torná-lo muito útil à equipa. O problema é que está metido num profundo abismo psicológico e não parece ter capacidade para sair de lá - e não tem sido por falta de oportunidades. Erros atrás de erros, com bola, sem bola, ou em bolas divididas. O seu corredor é um autêntico passador e todos os adversários percebem que é por ali que devem carregar para ameaçar a baliza do Sporting.

O regresso de Mighty Mota - pode parecer incrível, mas o trabalho de Manuel Mota conseguiu estar num nível inferior à da exibição do Sporting. Dou-lhe o benefício da dúvida num eventual penálti sobre Alan Ruiz, mas não assinalou um penálti (de mão na bola) escandaloso na segunda parte, não expulsou (nem sequer mostrou amarelo) um jogador do Famalicão por um pisão em Alan Ruiz com o jogo parado, e fechou os olhos a uma cotovelada em cheio no nariz de Gelson Martins. Some-se, a esses três erros graves, uma série de faltas claras sobre jogadores do Sporting que ficaram por assinalar. Do outro lado do campo, as coisas correram-lhe melhor: nunca lhe faltou o fôlego para apitar sempre que um jogador da casa caía ao chão, mesmo que as cargas fossem cometidas com a mesma intensidade que as outras que não assinalava a favor do Sporting. Podem ver um vídeo com alguns exemplos aqui: LINK.



Numa noite de serviços mínimos, o fundamental foi alcançado: a vitória e consequente apuramento para a fase seguinte, sem um dispêndio exagerado de esforço físico. Aguardemos agora pelo sorteio, onde seguramente nos calhará uma deslocação ao campo de uma equipa nunca inferior a um V. Guimarães.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Balanço de 2015/16: GRs e Defesas


Rui Patrício: ***          2014/15: ***     2013/14: ***

Aos 28 anos, Rui Patrício é a prova viva de que os melhores anos dos guarda-redes ficam guardados para uma idade mais avançada. Creio que será consensual que terá efetuado a melhor época da sua carreira, fazendo uso das qualidades que já lhe eram reconhecidas, mas desta vez com uma consistência e regularidade inéditas. Para além disso, mostrou progressos em duas vertentes em que revelava demasiadas dificuldades: no controlo da profundidade e, principalmente, a sair dos postes. Os momentos baixos da época de Rui Patrício terão sido as duas expulsões (uma injusta, contra o Tondela, que nos viria a custar dois pontos, e na Albânia contra o Skenderbeu), mas foram imensos os pontos altos, que valeram muitos pontos ao clube. Grande, grande época.


Marcelo Boeck: *          2014/15: *     2013/14: *

Vinha de uma época pouco feliz, em que tinha comprometido demasiadas vezes para o tempo que jogou. Infelizmente, esta temporada foi ainda pior. A forma física com que apareceu após as férias era um indício para aquilo que viria a acontecer. Dos 6 jogos em que participou, comprometeu em 4 (Skenderbeu, Paços de Ferreira, Tondela e Portimonense). Não se compreende o motivo pelo qual o Sporting lhe renovou o contrato em dezembro, quando já se via que não fazia qualquer sentido a sua continuidade. Quinze dias depois, acabou por sair para o Brasil. Não há sportinguista que não goste da forma como Marcelo sentia o clube, pelo que ficam, ainda assim, boas memórias da sua passagem por Alvalade.


Azbe Jug: -

Considerando a péssima forma de Marcelo, o facto de Jug ser a terceira opção não era propriamente um bom cartão de visita. No entanto, no único jogo que fez (em Arouca, para a Taça da Liga), esteve bastante bem. Não é suficiente para ficarmos com uma ideia do seu real valor, mas deixou-me com curiosidade para o ver jogar mais vezes. Será que fica no plantel na próxima época? 


João Pereira: **

O péssimo início de temporada que fez levava a crer que a sua contratação teria sido um erro. Teve o momento mais complicado com o penálti desnecessário e expulsão frente ao Paços, na segunda jornada, que nos fez desperdiçar dois pontos. No entanto, com o passar das jornadas o seu rendimento foi evoluindo positivamente e chegou ao inverno numa excelente forma. Acabou por ser surpreendente a perda da titularidade para Schelotto - não só João Pereira estava a convencer, como as primeiras exibições do italiano deixavam muito a desejar. Considerando que é um jogador que já tem 32 anos e que, à partida, não será titular, fica a dúvida se continuará no Sporting na próxima época.


Ricardo Esgaio: *          2014/15: *

No primeiro terço da época ainda foi dividindo a titularidade com João Pereira, mas quando este começou a subir de rendimento, Esgaio foi perdendo minutos. Nas oportunidades que teve, cumpriu sem grande brilho, o que é curto para um jogador que está numa fase decisiva da sua carreira. Na última jornada, no entanto, Jesus surpreendeu e lançou-o no meio-campo. Ontem, renovou contrato. Será que há algum plano de adaptação em curso para fazer de Esgaio um box-to-box?


Ezequiel Schelotto: **

Reforço de inverno, não convenceu nos primeiros jogos, ao ponto de muita gente questionar a insistência de Jesus em utilizá-lo em detrimento de João Pereira. Com o tempo foi-se percebendo o motivo da insistência: o poder de aceleração e velocidade de Schelotto permite-lhe aproveitar como poucos o espaço nas alas que João Mário cria quando procurar espaços interiores. À medida que o entendimento de Schelotto com os companheiros foi melhorando, a sua influência na manobra ofensiva aumentou significativamente, mostrando também ser bastante decente nos cruzamentos. Para além disso, é um jogador raçudo, e cuja altura o torna bastante útil nas bolas paradas defensivas. Parece-me que fez o suficiente para justificar a sua contratação em definitivo.


Jefferson: *          2014/15: **     2013/14: **

Mais uma época muito irregular, mas desta vez - e ao contrário dos dois anos anteriores - nivelada por baixo. O primeiro terço de temporada foi bom, sobretudo do ponto de vista ofensivo, mas revelando com demasiada frequência as dificuldades para defender que já eram conhecidas. As frequentes lesões prejudicaram nitidamente o rendimento de Jefferson, tornando-o mais num risco do que numa arma. Acredito que tenha mercado para que o clube faça uma venda interessante.


Jonathan Silva: *          2014/15: *

Foi alternando no onze com Jefferson até novembro, mas nunca conseguiu afirmar-se. A saída por empréstimo acabou por não surpreender. Duvido que tenha lugar no plantel na próxima época.


Marvin Zeegelaar: *

Sendo um extremo de origem, havia a expetativa de que tivesse, como lateral, capacidade de criar desequilíbrios pela faixa esquerda, arrancando de trás. No entanto, as suas exibições mostraram precisamente o contrário do que se esperava. Pareceu demasiado receoso em subir no seu flanco, e relativamente certo a defender. Jorge Jesus certamente esperava mais do ponto de vista ofensivo, tanto que acabou por entregar o lugar a Bruno César em jogos em que o adversário não exigisse grandes preocupações defensivas. Talvez uma pré-época completa ajude Marvin a soltar-se. No entanto, se não conseguir subir de nível, provavelmente acabará emprestado ou vendido.


Paulo Oliveira: **          2014/15: ***

Início de temporada dentro da linha que se esperava, revelando um bom entendimento com Naldo e Ewerton. Uma lesão acabou por fazer com que perdesse a titularidade para Coates e Semedo, acabando por ficar sem jogar praticamente durante toda a época. Voltou a ter bastantes minutos na última jornada, e esteve em bom plano. Em relação ao futuro, o facto de não ser um jogador rápido e ter dificuldades em sair a jogar, fazem dele o potencial 3º central para a próxima época. Se assim for, o Sporting ficará muito bem servido.


Naldo: **

Impôs-se com facilidade no onze (a lesão de Ewerton ajudou) e fez uma dupla sólida com Paulo Oliveira até ao regresso de Ewerton. A partir desse momento, foi desaparecendo gradualmente. Pouco jogou na segunda volta. Tendo sido um jogador relativamente caro, e considerando que não deverá ser mais que uma 3ª / 4ª opção, é provável que o clube pense em recuperar o investimento já neste defeso.


Tobias Figueiredo: *          2014/15: **

Começando como quarto central, não teve muitos minutos para mostrar o que vale. Quando teve oportunidades, as exibições não foram convincentes - mas há que reconhecer que a utilização pouco regular e o facto de ter tido sempre parceiros diferentes no centro da defesa não o ajudaram. Precisa de jogar com frequência para atingir o próximo nível, pelo que só ganhará em ser emprestado a outro clube na próxima época.


Ewerton: *          2014/15: ***

Ninguém coloca em causa a classe de Ewerton. De todos os centrais do Sporting, seria, na minha opinião, o parceiro ideal de Coates no onze. No entanto, as lesões tornam o brasileiro um jogador pouco fiável, pelo que é complicado que continue no plantel na próxima época.


Sebastián Coates: ***

Chegou, viu e venceu. Foi uma grande contratação de inverno, impondo-se de imediato como o patrão na defesa. Fisicamente dominante, fortíssimo no jogo aéreo, velocidade q.b., excelente leitura de jogo e muito competente com a bola nos pés. Para o ano, será Coates e mais dez.


Rúben Semedo: ***

Jesus surpreendeu tudo e todos ao entregar a titularidade a Rúben Semedo, poucos dias depois de ter regressado do V. Setúbal. A verdade é que, agora que passaram quatro meses, todos conseguimos perceber o que Jesus viu no jogador. A sua velocidade, capacidade de antecipação e competência para sair a jogar permitiram a Jesus avançar a linha defensiva uns bons metros, que ajudam a sufocar os adversários no seu meio-campo. Havia receios em relação à sua imaturidade - que, na realidade, acabaram por lhe valer uma expulsão desnecessária frente ao Leverkusen, e cometeu um ou outro erro que um jogador mais experiente dificilmente cometeria -, mas o balanço global é tremendamente positivo. Quem diria que se iria impor tão cedo a este nível?

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Os melhores momentos do Braga - Sporting

A despedida do campeonato foi selada com mais uma enorme exibição. Ruiz, William, Gelson, Slimani e João Mário abriram o livro, bem secundados pelo resto da equipa. Aqui ficam alguns dos melhores momentos do jogo de ontem.


Gostava de destacar, no entanto, o lance do segundo golo. Nasce de uma jogada em que participaram todos os jogadores do Sporting, com exceção de Rui Patrício: 

João Mário (1) - Semedo (2) - Paulo Oliveira (3) - Semedo - João Mário - Ruiz (4) - Bruno César (5) - Ruiz - João Mário - Teo (6) - William (7) - Gelson (8) - Schelotto (9) - William - Slimani (10) - Semedo - Ruiz - Bruno César - Slimani

42 pacientes segundos de trocas de bola, no meio-campo do Braga, até se encontrar o ponto certo por onde perfurar a defesa adversária. Uma maravilha.



Nunca mais é agosto.

quarta-feira, 16 de março de 2016

As duplas de centrais

O centro da defesa do Sporting, esta época, tem sido provavelmente a posição mais instável da equipa - fruto das lesões e das mexidas no plantel na janela de transferências de janeiro. Se no início até havia alguma estabilidade - Ewerton estava lesionado, com Paulo Oliveira e Naldo a serem titulares crónicos -, com o avançar da temporada começou a haver mais mexidas. Essas mexidas deveram-se, em primeiro lugar, a uma opção de Jesus em rodar a equipa na Liga Europa e na Taça da Liga. Depois, houve a lesão de Paulo Oliveira e, finalmente, a entrada de Rúben Semedo e Sebastian Coates no plantel.

Ao todo, Jorge Jesus já utilizou 12 (!) duplas de centrais diferentes, uma das quais pode-se considerar uma intrusa, quando William foi obrigado a baixar para o lado de Ewerton contra o Bayer Leverkusen (devido à expulsão de Semedo, um minuto depois de Ewerton ter entrado para o lugar de Coates).

Segundo a imprensa, Jorge Jesus está satisfeito com a dupla formada por Coates e Rúben Semedo, sendo provável a sua utilização no próximo sábado frente ao Arouca.

Mais por uma questão de curiosidade do que para tirar conclusões sobre a prestação dos nossos centrais, fiz um apanhado das duplas de centrais utilizadas ao longo da época, com os minutos de utilização e os golos sofridos. Como é evidente, estes números por si só não significam grande coisa. Os golos sofridos podem ter outros jogadores como principais responsáveis, o nível de dificuldade dos jogos varia, as incidências das partidas colocam um fator de variabilidade não desprezável, a falta de rotinas pode ser determinante, e para não falar nos vários golos sofridos que foram validados devido a más decisões das equipas de arbitragem. Para além disso, apesar de a primeira tarefa dos centrais ser manter a sua baliza inviolada, a sua utilidade e importância pode ser avaliada em diversos parâmetros muito mais difíceis (se não impossíveis) de medir.

Aqui ficam esses números, organizados em três quadros: primeiro com o detalhe jogo a jogo, e depois com os dados agregados por dupla de central e por jogador.




terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Valeu pela vitória

De todos os jogos que o Sporting já realizou em Alvalade para o campeonato esta época, o de hoje terá sido simultaneamente o de menor qualidade e o de maior domínio, tudo graças a um Belenenses que foi totalmente inofensivo para a baliza de Rui Patrício e a uma noite de pouca inspiração do nosso meio-campo e ataque. Perante o autocarro de dois andares que Sá Pinto montou em frente à sua baliza, o Sporting foi paciente, muito paciente, se calhar demasiado paciente, sempre fiel aos seus princípios de jogo, insistindo incessantemente num futebol de ataque apoiado, resistindo à tentação de despejar bolas na área mesmo quando o tempo já se aproximava perigosamente do fim. O Sporting construiu várias oportunidades para marcar, é certo, mas não tantas quanto o domínio de posse de bola deixaria adivinhar.

Em jogos como este surge sempre a tentadora questão: quando a partida está aparentemente encalhada, não seria de tentar meter a bola mais rapidamente e com mais frequência na área adversária em vez de perdermos preciosos minutos a rodar a bola à procura de espaço para perfurar as duas linhas defensivas azuis? Ou seja, tentarmos nós também jogar à espera do erro do adversário? Não sei a resposta para esta pergunta, sei que significa a antítese daquilo que deve ser a filosofia de jogo de uma equipa, mas o que é facto é que hoje apenas ganhámos porque metemos a bola lá na frente já em desespero e o adversário cometeu aquele erro de que precisávamos.



Positivo

Os três pontos - para a história de um campeonato são bem mais importantes os pontos que se conquistam do que a qualidade de jogo exibida para os conquistar, e como tal o objetivo foi totalmente cumprido. De qualquer forma não nos podemos esquecer que quanto maior for a qualidade de jogo apresentada, menor são os riscos que corremos de perder pontos. E se os três pontos me deixaram felicíssimo, não deixo de ficar apreensivo pela dificuldade que revelámos em marcar um golo a uma equipa que apenas pensou em defender - tal como a maior parte das equipas que teremos que defrontar até maio.

A frieza de William - quando vi William a pegar na bola para marcar o penálti, recordei-me imediatamente da final do europeu de sub-21. A verdade é que os nossos 5 marcadores preferenciais de penáltis - Adrien, Aquilani, Montero, Teo e Jefferson -  não estavam em campo, e alguém tinha que assumir a responsabilidade. Como tal, é de louvar a coragem revelada por Sir William. Não teve medo de assumir a responsabilidade no europeu, voltou a não ter medo de a assumir hoje. Não é para todos.

A dupla de centrais - olhando para as exibições individuais dos onze jogadores titulares, apenas Ewerton e Paulo Oliveira estiveram ao seu melhor nível. É verdade que tiveram muito pouco trabalho, mas a total ausência de oportunidades do Belenenses se deveu também a um punhado de intervenções decisivas dos nossos centrais. Luís Leal bem tentou, mas não teve hipóteses. Aliás, a solidez defensiva tem sido uma constante no campeonato: nas últimas sete jornadas apenas sofremos um golo.

Jonathan - apesar de não ter estado muito em jogo, foi provavelmente o jogador mais efetivo a servir os avançados nas poucas vezes que subiu pelo seu flanco. É um jogador que, ganhando confiança e consistência, poderá vir a ser um caso sério.

A entrada de Gelson e Matheus - renderam Adrien e Montero, e a sua entrada teve a virtude de abanar com o jogo. Destaque para a jogada que os dois construíram a dez minutos do fim, que por pouco não valeu um golo ao brasileiro.

Slo-mo Messi - deliciosa aquela jogada de Ruiz aos 39', uma espécie de Messi em câmara lenta. Que golo teria sido.


Negativo

35 minutos oferecidos ao Belenenses - o cúmulo da ironia é o facto de, no mesmo dia em que escrevo um post comparando o desempenho do Sporting de Jorge Jesus em relação ao Sporting de Marco Silva, a equipa ter entrado em campo com uma atitude que fez lembrar aquilo que era recorrente na época passada. Como se sabe, quando uma equipa vem a Alvalade jogar exclusivamente para o empate, vai ganhando confiança à medida que o relógio vai passando. E o Sporting contribuiu decisivamente para isso ao deixar na primeira parte que o ritmo de jogo se mantivesse em níveis sempre baixos, o que acabou por se traduzir em 35 minutos oferecidos ao adversário. 

Falta de velocidade - num jogo destas características faz menos sentido ter em campo em simultâneo William, Adrien, João Mário, Bryan Ruiz e Montero. Ninguém pode colocar em causa a sua qualidade, mas estarem todos em campo implica estarmos a abdicar da presença de jogadores com outras características que podem ser úteis contra um adversário que jogou entrincheirado no seu meio-campo durante os 90 minutos.

O amarelo a Slimani - 5º amarelo da época, o que significa que não poderá defrontar o Marítimo na próxima jornada. Será uma ausência de peso.

O horário do jogo - marcar uma partida para as 19h de um dia de semana é um convite aos adeptos para ficarem em casa. Qualquer pessoa que tenha um horário de trabalho normal e que não trabalhe no centro de Lisboa fica à partida dependente do milagre de não apanhar trânsito para conseguir estar no estádio a horas. Se a Liga quer mesmo levar pessoas aos estádios, então não pode admitir marcações de horários apenas em função dos interesses da SportTV.



Mais uma vitória arrancada a ferros, mas que vale tantos pontos como uma goleada. Garantimos que continuaremos líderes isolados pelo menos até ao próximo fim-de-semana.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Confirmou-se: foi mesmo uma equipa contra 11 jogadores

Escrevi no lançamento da partida que estava confiante para o dérbi de ontem, mas tenho que admitir que nem nos meus melhores sonhos imaginava que o Sporting estaria a ganhar por 3-0 e com o jogo na mão ao fim de 36 minutos. Jesus parece ter feito muito bom uso do software que tem na sua cabeça e teve uma abordagem estratégica perfeita perante um adversário que tão bem conhece: foi um Sporting muito bem organizado, cínico e implacável que subiu ao relvado da Luz, e que mereceu inteiramente a felicidade de ter marcado nas primeiras ocasiões que construiu.

O Sporting poderia ter carregado de forma a ir à procura de um resultado verdadeiramente histórico? Podia, mas não teria sido a atitude mais inteligente. Para quê sacrificar a segurança para obtermos um quarto ou um quinto golo, quando estaríamos ao mesmo tempo a aumentar as hipóteses do adversário em marcar um golo que os poderia galvanizar para uma reviravolta que também seria histórica? Jesus nunca permitiu, e bem, que o Sporting corresse riscos desnecessários, já que quem tinha necessidade de os correr era a equipa em desvantagem. A segunda parte foi um hino ao (bom) controlo de um jogo de futebol, em que até poderíamos ter alargado a vantagem, e em que a única verdadeira oportunidade de golo do Benfica (e única defesa difícil de Rui Patrício em todos os 90 minutos) surgiu a partir de um momento displicente de um jogador do Sporting.

É certo que o balanço da exibição de duas equipas em confronto depende muito daquilo que a outra joga e deixa jogar, mas Rui Vitória acaba por ser um dos derrotados da noite: não só pelos números da derrota, não só pela incapacidade revelada pelo Benfica em diversas vertentes do jogo, mas sobretudo pelo ricochete das suas infelizes declarações de sábado. O Sporting apresentou efetivamente uma equipa, no sentido coletivo da palavra, e a avaliar pela reação de William Carvalho no final as palavras de Rui Vitória apenas serviram para espicaçar os nossos jogadores. O Benfica nunca conseguiu ser mais do que a soma das suas individualidades, com os setores a jogarem separados uns dos outros, jogadores entregues à sua sorte sem apoio, e uma evidente ausência de ideias a partir do momento em que se viu em desvantagem no resultado, o que até é surpreendente considerando que estavam em campo 8 jogadores que foram decisivos para a conquista do campeonato da época passada.

Do lado do Sporting acaba por ser ingrato tentar nomear os melhores jogadores em campo: destacaria Slimani, João Mário, Adrien, William e Paulo Oliveira, mas todos estiveram muito bem. Tirando um ou outro erro individual (Naldo, eu avisei-te para não facilitares naquele lance com o Jimenez!), não consigo apontar o dedo a qualquer aspeto de uma exibição pragmática que roçou a perfeição.



Positivo

Jesus, o grande vencedor da noite - por motivos óbvios, era inevitável que Jesus fosse a grande figura do jogo, independentemente do resultado e das incidências da partida. Mas na realidade acabou por merecer inteiramente esse estatuto não pelo lado da polémica, mas pela forma brilhante como preparou a equipa. Como exemplos poderemos referir o pressing do trio da frente que frequentemente isolou a linha defensiva do Benfica na primeira fase de construção, o total sucesso da semi-adaptação de João Mário para o lugar que era de Carrillo (alguém se lembrou do peruano durante a partida de ontem?), a ausência de espaço dado ao Benfica para aproveitar o contra-ataque, ou a eficácia com que Jonas foi anulado durante praticamente toda a partida. Todo o plano de jogo foi bem pensado pelo treinador e executado imaculadamente pelos jogadores. Na conferência de imprensa após o jogo, no seu estilo habitual, Jorge Jesus mencionou uma estatística que é tão indesmentível quanto elucidativa: enquanto foi treinador do Benfica, o Sporting ganhou apenas 1 jogo em 14; nesta nova fase da sua carreira, o Sporting ganhou 2 em 2. Contra factos não há argumentos.

A eficácia na concretização - aquele que tem sido um dos principais problemas do Sporting foi ontem um dos alicerces de uma vitória inesperadamente fácil. Tivemos a felicidade e talento para concretizar as três primeiras grandes ocasiões de que dispusémos, a primeira das quais com a sorte de um ressalto à mistura, e que interrompeu uma entrada forte em jogo do Benfica. Ajudou a equipa a estabilizar-se emocionalmente e a encarar o jogo com outro nível de confiança.

O apoio nas bancadas - como seria de esperar, foram muitos os momentos em que as vozes dos 3000 sportinguistas presentes abafavam os benfiquistas que preenchiam 95% do estádio. Mas também tenho que reconhecer aquele excelente momento a meio da segunda-parte protagonizado pelos adeptos da casa, que durante vários minutos apoiaram ruidosamente a sua equipa mesmo sabendo que o jogo estava perdido.

Calções pretos e meias listadas - que saudades que tinha!



Vitória expressiva na casa do rival com o bónus do empate do Porto que nos dá a liderança isolada e o melhor ataque do campeonato. Já vivi domingos piores. Há no entanto que não esquecer que estes três pontos valem tantos quanto os que estarão em disputa com o Estoril daqui a uma semana. Podemos e devemos saborear esta vitória, mas mantendo os pés bem assentes no chão. Tirando a Supertaça, ainda estamos muito longe de ganhar o quer que seja.

sábado, 17 de outubro de 2015

Os meninos a dizerem "presente"

Num dia triste para as modalidades, em que vimos os bravos do hóquei mais uma vez a lutarem até ao fim, o andebol a crescer no final do jogo para nos últimos segundos abdicar incompreensivelmente do remate que nos poderia dar a passagem à fase seguinte, e o futsal a ser novamente penalizado pela questão da eficácia na finalização (e por uma enorme exibição do guarda-redes benfiquista), coube ao futebol a única nota positiva da tarde. Não que fosse minimamente expectável ou aceitável um resultado que não fosse uma vitória confortável nem que fosse jogo para se tirarem conclusões relevantes do estado atual da equipa - dado o nível competitivo do adversário - , mas acabou por ser uma espécie de jogo-treino agradável que valeu pelo regresso à competição de jogadores que estiveram lesionados e para um conjunto de meninos que aproveitaram bem a oportunidade para se mostrarem ao treinador.


Positivo

A tarde dos meninos - Matheus, Gelson e Bruno Paulista estrearam-se a marcar pela equipa principal, William, Jonathan e Mané fizeram 3 das 4 assistências (a outra foi de Aquilani). Mané, que também esteve perto de marcar o que seria com toda a certeza um dos melhores golos da época.

O regresso de Ewerton - o jogo com o Skenderbeu servirá para percebermos melhor o atual momento de forma do central, mas em todo o caso é de saudar o seu regresso após meses de ausência por lesão. Paulo Oliveira também jogou após a lesão que o tirou do jogo com o Guimarães. 


Negativo

As inovações do sorteio - compreendo a ideia da FPF em forçar as equipas da I Liga a jogarem como visitantes de forma a levar a festa da taça até todo o país. Em certa medida isso foi conseguido, mas como em tudo no futebol português houve logo o aproveitamento possível da situação que acabou por desvirtuar a ideia original - nomeadamente nos jogos de Sporting e Benfica. Entende-se que mudem o estádio para permitir a transmissão televisiva, mas no caso do Vilafranquense houve demasiada ganância ao colocarem o preço de bilhetes ao nível de um jogo de relevo da I Liga. Resultado: bancadas despidas e uma festa da taça a meio gás. Já se sabendo antecipadamente que a receita será sempre colocada à frente da festa, não faz sentido esta regra. Mais vale jogar nos estádios dos clubes mais fortes, caso o sorteio a isso obrigue.



Missão cumprida de forma bastante satisfatória para marcar o início de uma semana que será seguramente bem quente.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

À procura da confiança perdida

Depois de uma semana penosa em que o tema predominante foi a não renovação de Carrillo, temperada por uma derrota europeia e uma exibição descolorida em Vila do Conde, todas as pessoas hoje presentes no estádio estavam bem cientes da importância da conquista dos três pontos. Os jogadores não eram exceção, e há que fazer-lhes a justiça de reconhecer que foram à procura do golo desde o primeiro minuto da partida. 

O problema é que a inspiração não acompanhou a vontade demonstrada. É certo que o domínio do jogo foi sempre indiscutível (79% de posse de bola), mas o Nacional defendeu sempre bem aqueles 20 metros finais, mesmo com menos um jogador em campo. Com o passar do tempo o Sporting foi-se tornando uma equipa cada vez mais ansiosa, incapaz de fazer um remate bem colocado - apesar de não terem faltado ocasiões para isso. A forma disparatada como se desperdiçavam lances de ataque acabou por envenenar a sensação de domínio e amplificou a ideia de uma equipa à beira de um ataque de nervos.

Mas ao contrário de outras ocasiões em que a sorte não quis nada connosco, desta vez o Sporting conseguiu superar essa ansiedade e acabou por alcançar tardiamente uma vitória cuja justiça não pode ser questionada por ninguém.


Positivo

Um golo que não caiu do céu - sim, a partir de determinada altura foi claro que a equipa jogava sobre brasas, o nervosismo ia invadindo as bancadas, mas há que dizer que em momento algum a equipa abdicou da sua ideia de jogo. Não caiu na tentação de despejar bolas para a área, procurando sempre de forma paciente a melhor solução para perfurar a defesa bem organizada do Nacional. E essa persistência acabaria por render frutos perto do fim. O golo de Montero definitivamente não caiu do céu. 

Adrien de alta rotação - não só foi o jogador esforçado de sempre, como também terá sido o elemento que por mais vezes conseguiu criar verdadeiros desequilíbrios ao subir no terreno. O posicionamento recuado do Nacional permitiu que Adrien jogasse em terrenos mais adiantados, onde se sente nitidamente mais confortável. Excelente exibição do capitão.

Voltou o Paulo Oliveirão - é verdade que foi um jogo em que o adversário não causou grandes complicações, mas isso também se deveu a uma exibição seguríssima e extremamente eficiente do central português. Que seja o estimulo necessário para voltar ao nível a que nos habituou, depois de um par de jogos em que pareceu deixar-se contagiar pelo nervosismo do resto da linha defensiva.

Municiador Mané e matador Montero - dois jogadores que entraram na segunda parte e que construiram e finalizaram o lance do golo, à semelhança do que já tinha acontecido contra o Lokomotiv. Perante a péssima forma de Teo e Ruiz, ficarei muito surpreendido se M&M não forem titulares no Bessa. E já agora que falamos de M's, uma palavra para André Martins: voltou a entrar bem e começa a justificar mais minutos.



Negativo

Teo, Ruiz e Jefferson - praticamente nada lhes saiu bem enquanto estiveram em campo. Teo lá foi fazendo as diagonais, mas ao receber a bola acabava por complicar invariavelmente com dribles mal sucedidos ou passes disparatados. Bryan Ruiz entrou em campo já cansado, e isso refletiu-se de forma bem visível em praticamente tudo o que fez (ou não fez) com a bola nos pés. Jefferson teve um remate perigoso à baliza, uma intervenção defensiva preciosa, mas de resto foi um desastre. A sua exibição ficou marcada por demasiadas perdas de bola e uma ineficácia desesperante nos cruzamentos, mesmo quando não tinha oposição a estorvá-lo.

Jogar sobre brasas - à medida que o tempo foi passando, foi evidente a intranquilidade que foi tomando conta de alguns jogadores. Isso refletiu-se sobretudo na falta de qualidade na finalização, mas também afetou o rendimento de certos elementos menos experientes que pareceram acusar mais o nervosismo - refiro-me mais concretamente a Esgaio e Gelson.

O horário do jogo - bem sei que graças à Liga Europa é necessário encaixar 3 partidas à segunda-feira, mas jogar às 21h é um convite para que as pessoas fiquem em casa. No entanto, mesmo considerando esta condicionante, a verdade é que a assistência em Alvalade voltou a ser bastante numerosa.



Foram 90 minutos imensamente sofridos, mas conseguimos o objetivo essencial. Recuperar a confiança perdida é um processo gradual que vive à base de vitórias, e hoje demos um passo importante nesse sentido.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O leão adormecido começou a espreguiçar-se

Não podia haver melhor forma de começar a temporada. Conquistar o segundo título no espaço de pouco mais de dois meses é a melhor terapia possível para despertar em definitivo o leão outrora adormecido. O lema que o Sporting escolheu para esta época começa a ser uma realidade e o melhor, para além da magnífica sensação de rechearmos o museu com um troféu que nos fugia há sete anos, é olharmos para os progressos registados pela equipa em tão pouco tempo e ficarmos a imaginar até que nível poderá evoluir.


Se no Sporting o onze lançado foi mais ou menos o esperado (Jesus voltou a apostar novamente em Teo em vez de Montero), no Benfica existiram várias surpresas: em primeiro lugar, a lesão de Luisão era mesmo real, e depois a aposta no miúdo Nélson Semedo, em Sílvio e em Ola John, no lugar dos mais rotinados André Almeida, Eliseu e Pizzi. E aqui fica a primeira dúvida da final: até que ponto o mind game de Jesus na conferência de imprensa poderá ter tido alguma influência nas escolhas de Rui Vitória?

Após o apito inicial, o Sporting entrou fortíssimo, semeando por diversas vezes o pânico na área adversária, com o Benfica a revelar grandes dificuldades sequer para sair do seu meio-campo com a bola controlada. Esse domínio territorial foi sendo esbatido a partir dos 10/15 minutos e é necessário reconhecer que o Benfica respondeu com algumas boas oportunidades à superioridade do Sporting, mas foi quase sempre a equipa de Jorge Jesus a demonstrar as melhores ideias e a parecer mais perto do golo. Golo esse que apenas não aconteceu aos 22' devido a um extraordinário corte de Jardel num cruzamento de Bryan Ruiz para Teo Gutierrez - eu já estava a levantar os braços para festejar. Golo evitado, mas que acabaria mesmo por acontecer um minuto depois através do colombiano, tendo sido no entanto incorretamente anulado devido a um fora-de-jogo inexistente assinalado no momento da assistência de Naldo. 

O intervalo chegou ao fim com um intenso travo a injustiça. A melhor equipa em campo não estava a ganhar apenas e só devido a um erro de arbitragem. Época nova, polémicas antigas.

Na segunda parte o Sporting voltou a ser a equipa autoritária do início do jogo. Sucedem-se as oportunidades junto à baliza do Benfica, Jorge Sousa volta a dar uma ajuda aos campeões nacionais ao perdoar um segundo amarelo mais que evidente a Sílvio, até que aos 53' fomos bafejados pela sorte: um remate de Carrillo embate nas costas de Teo Gutierrez e trai Júlio César, colocando finalmente justiça no marcador.

O Benfica respondeu ao golo com o seu melhor período da partida - sobretudo graças a Gaitan -, tendo razões de queixa de Jorge Sousa por não ter sido assinalado um penálti de Carrillo sobre o argentino. Mas foi sol de pouca dura. Jesus mexe e faz entrar Mané para o lugar de Ruiz (eu teria tirado Carrillo, que estava visivelmente desgastado e a revelar alguma falta de discernimento), e o Sporting voltou a controlar o jogo com João Mário no volante.

Até ao final do jogo ainda houve mais algumas oportunidades para o Sporting, com o Benfica a apostar exclusivamente nos lançamentos longos para a área à procura do recém-entrado Mitroglou. Mas desta vez, ao contrário do que se passou no jogo do campeonato em Alvalade, o Sporting foi muito inteligente na gestão do relógio e assegurou uma vitória tão justa quanto saborosa e importantíssima para a sua afirmação como uma equipa a levar em conta para todas as competições nacionais.

Individualmente, praticamente todos estiveram à altura das exigências, mas se tivesse que destacar três escolheria João Mário, Bryan Ruiz e Slimani. No entanto, há também que realçar o enorme jogo dos centrais. Começam a faltar os adjetivos para elogiar Paulo Oliveira, e Naldo está a revelar-se uma surpresa muito agradável. E não é demais referir que foram utilizados 6 jogadores da formação: Rui Patrício, Adrien, João Mário, Carlos Mané, Rúben Semedo e Gélson Martins. Os últimos dois entraram a poucos minutos do fim, é certo, mas o desenvolvimento de um jogador também se faz com a participação em momentos desta magnitude.

Festejámos ontem, desfrutaremos hoje e nos próximos dias, mas começando já a pensar no próximo desafio com o Tondela - com a tranquilidade e confiança de quem tem a certeza de que está no caminho. O leão adormecido começou a espreguiçar-se.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

A participação na Cape Town Cup

A principal conclusão que podemos retirar dos dois jogos efetuados em solo sul-africano pelo Sporting é que ainda há muito trabalho pela frente até termos a equipa totalmente afinada. Foram vários os erros coletivos e individuais a defender ou em perdas de bola que acabaram por proporcionar demasiadas ocasiões para Patrício brilhar - claro que ele está lá para isso, mas seria melhor sinal se passasse umas tardes mais tranquilas -, e em termos de acutilância ofensiva a equipa foi mais atabalhoada que esclarecida, revelando dificuldades em executar depressa e bem em zonas interiores com uma maior concentração de adversários.

Mas estranho seria que fosse de outra forma. A equipa está a assimilar princípios de jogo bastante diferentes daqueles a que estava habituada: a defender procura-se uma pressão alta sufocante, setores mais compactos e uma linha defensiva mais subida, enquanto que com a bola nos pés há maior dinamismo para oferecer linhas de passe aos colegas e privilegiando o centro do terreno às faixas laterais. Para além disso, a equipa está a aprender a viver sem William Carvalho, num sistema em que a posição 6 é fulcral para a saída para o ataque. Princípios de jogo que envolvem um elevado nível de risco e que numa fase de aprendizagem acabam por ter as consequências que verificámos, mas que uma vez encontrados os jogadores que melhor os interpretarão e depois de estarem totalmente assimilados prometem uma equipa bem mais perigosa no ataque e segura a defender.

Do ponto de vista individual, os jogadores demonstraram momentos de forma bastante díspares. O destaque óbvio vai para Rui Patrício. Penáltis defendidos no primeiro jogo, defesas de grande grau de dificuldade em ambas as partidas e, claro, isto:


Mas parecem-me também merecedores de destaque Paulo Oliveira (imperial em ambos os jogos), Jefferson (uma assistência e muito bem a descer pelo flanco e nas bolas paradas), Slimani (mal na finalização, mas o batalhador do costume, tendo sido decisivo no 2º golo de Montero) e Montero (pelos dois golos que marcou contra o Crystal Palace).

Bons indicadores também de Naldo (muito bem no jogo de ontem), Gélson (mais pelo primeiro jogo) e Wallyson (jogou pouco tempo mas demonstrou sempre grande classe com a bola nos pés e segurança no passe).

Vários jogadores estiveram abaixo do que seria desejável, mas nada de anormal atendendo à fase da época em que estamos: João Mário, Adrien, Carrillo, Ciani, Teo Gutierrez, Carlos Mané (apesar do golo que marcou) e Esgaio.

De qualquer forma, vencer um troféu destes não pode deixar de ser positivo. Aprender e aperfeiçoar ganhando e reforçando o prestígio do clube é sempre melhor do que aprender e aperfeiçoar perdendo. No próximo fim-de-semana há mais.