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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Moço de recados

Na passada quinta-feira, José Ribeiro relatou dois episódios da sua passagem pelo Record em que Nuno Farinha serviu de correia de transmissão do Benfica e tentou impor a vontade do clube sobre a reputação de dois dos seus jornalistas e do rigor noticioso do próprio jornal.

A primeira das situações foi bastante falada na altura: após uma entrevista do Record a Jorge Jesus, pouco depois da mudança do treinador para o Sporting, Pedro Guerra disse que Jesus, em off, teria falado mal da estrutura do Sporting. Isso valeu a colocação de um processo por parte de José Ribeiro a Pedro Guerra - o que também foi público na altura. O que fez Nuno Farinha, na sua condição de subdiretor? Defender o colega? Não, tentou pressionar o colega a abandonar o processo a Pedro Guerra.

A segunda situação tem a ver com declarações de Talisca após o empate do Besiktas na Luz, no princípio da temporada passada. O brasileiro disse, após o jogo, que houve uma altura em que o Benfica não lhe pagou um salário. O Benfica conseguiu pôr a circular em alguma imprensa que isso não era verdade, coisa que, na altura, desmontei aqui: LINK. Mais uma vez, qual foi a preocupação de Nuno Farinha? O rigor na informação dada aos leitores? Infelizmente, também não.

Aqui fica o vídeo:


Infelizmente, está visto que o sujeito em causa se comportava mais como um moço de recados do que como um subdiretor de um jornal. Nada que surpreenda, face aos mails que têm aparecido. Pelo menos aí houve um momento de total sinceridade, quando Farinha escreveu a Paulo Gonçalves umas palavras que espelham bem o que se tem passado ao longo dos últimos anos: "nunca te falho".


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

O clube democrata que impõe um especialista de arbitragem a um jornal

Quem não viu, tem de ver: o programa Verde no Branco de ontem é absolutamente imperdível. Contou com a participação de Bruno de Carvalho, Nuno Saraiva, Carlos Reis, e também de José Ribeiro, ex-jornalista do Record que foi recentemente contratado pelo Sporting. O programa foi dedicado quase exclusivamente à Comunicação Social, e foram feitas várias revelações que todos os sportinguistas devem ter conhecimento, para perceberem até que ponto é doentia a promiscuidade entre o Benfica e certos jornalistas, jornais e televisões.

Nos próximos dias hei-de dedicar mais alguns posts sobre algumas das revelações que foram feitas ontem. Para já, começo por pegar numa história que confirma mais uma daquelas teorias da conspiração de que os maluquinhos dos sportinguistas são pródigos.

Aqui fica o vídeo.


Resumindo: atualmente, as análises aos casos de arbitragem do Record são feitas por Marco Ferreira e Jorge Faustino. Jorge Faustino, que já era comentador de arbitragem da TVI, foi imposto pelo Benfica ao Record para que Marco Ferreira - que, como é sabido, deve o final de carreira ao Benfica - não analisasse os lances sozinhos. O Benfica queria ter "um dos seus" a comentar casos de arbitragem, e conseguiu mesmo ter "um dos seus". José Ribeiro disse também que Marco Ferreira tinha sido contratado para evitar que se repetissem casos de jornalistas a inventarem erros de arbitragem para que o Benfica liderasse (ou se reduzisse a diferença para o Sporting, que a liderava) na sua Liga da Verdade (uma classificação alternativa que o Record vai fazendo com as correções dos pontos a mais ou a menos que cada equipa tem por causa de erros de arbitragem).

O exemplo que José Ribeiro deu foi do Estoril - Sporting de 2015/16. Juro que, ainda antes de José Ribeiro dar o exemplo desse jogo, me tinha lembrado precisamente desse caso. Quem fez essa análise de arbitragem foi Nuno Farinha, que conseguiu ver dois penáltis não assinalados contra o Sporting que mais ninguém viu: uma mão de Aquilani (que tinha o braço imóvel e colado ao corpo) e uma falta de Coates por agarrão a um adversário, quando, na realidade, o adversário tinha o braço engachado no braço de Coates. Na altura, escrevi um post sobre isso, que podem ver aqui: LINK.


Assim, uma vitória de 2-1 do Sporting passou a valer 0 pontos na Liga da Verdade do Record. 

Surreal e nojento, por dois motivos distintos. O primeiro é mais uma demonstração do trabalho a que o Benfica se dá para manipular tudo o que direta ou indiretamente lhe diga respeito. O segundo é constatar que um jornal que nos últimos dias tem rasgado as vestes perante o apelo de Bruno de Carvalho para que os sportinguistas não comprem jornais, afinal, permite que o Benfica lhe imponha um especialista de arbitragem para os seus quadros. Mas afinal quem é que aqui anda a alimentar ditaduras?

domingo, 28 de janeiro de 2018

#BomDiaAzia

Considerações de Nuno Farinha sobre a conquista da Taça da Liga do Sporting:


Esqueceu-se foi de fazer referência ao brilho e investimento daqueles que ficaram pelo caminho, seja às mãos do Sporting, seja às mãos do V. Setúbal...

Recordando uma outra capa do Record:


(com contribuições involuntárias - que é como quem diz plágio descarado - de tweets do @miguelcpaiva e do @tiago_b32)

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Fantasy journalism

As fantasy leagues (ou ligas virtuais) são um fenómeno cada vez mais popular entre os adeptos de vários desportos. O formato mais normal neste tipo de passatempos é bastante simples: cada pessoa dirige uma equipa e tem um orçamento para a formar, escolhendo um conjunto de jogadores que, ao longo da época, lhe irão dando pontos em função do seu rendimento nos jogos reais. O critério de escolha que cada pessoa segue costuma andar à volta das suas preferências pessoais (normalmente todos fazemos questão em incluir alguns jogadores da nossa equipa preferida) e da perceção dos pontos que cada jogador poderá dar ao longo da competição. Tudo isto, sempre dentro das limitações que os orçamentos impõem - nunca ninguém fica com todos os jogadores que escolheria caso não existisse qualquer restrição.

No jornalismo desportivo, e em particular no que diz respeito aos editoriais da nossa imprensa escrita, passa-se um fenómeno semelhante: quando escrevem, muitos diretores/subdiretores/adjuntos parecem limitados por determinados critérios à boa maneira das fantasy leagues, e não abordam todos os temas que deviam merecer a sua atenção - preferindo restringir-se a um sub-universo da realidade que coincide com os assuntos que não colocam em causa as suas crenças pessoais. Tudo aquilo que for demasiado delicado, é como se não existisse. É uma espécie de fantasy journalism à portuguesa.

Vem isto a propósito dos editoriais que Vítor Serpa e Nuno Farinha escreveram ontem n' A Bola e Record, no dia seguinte ao rebentamento do caso Piriquito:



Duas abordagens diferentes. Serpa foi direto ao tema do momento, mas, de forma relativamente habilidosa, dirigiu-o para onde mais lhe interessava: que os emails poderão não servir de prova; que os emails envolvem figuras menores e figuras mais representativas da administração; e que os responsáveis pelas ações condenáveis são gente pouco recomendável com quem a administração do Benfica não devia conviver nem deixar agir em seu nome.

Tudo isto é um enorme understatement. Primeiro, os emails poderão não servir de prova... mas também podem servir. Neste momento isso é irrelevante para a análise que deveria ser feita à atualidade. Segundo, o caso não envolve apenas figuras menores (suponho que se refira a Pedro Guerra) e figuras mais representativas da administração (suponho que se refira a Paulo Gonçalves): já mete administradores, como Domingos Soares Oliveira, e o próprio presidente Luís Filipe Vieira. Terceiro, a gente pouco recomendável a que Serpa alude é, quer queira, quer não, gente colocada pelas altas patentes do Benfica, de forma inteiramente consciente, para fazer precisamente o tipo de tarefas que os emails revelaram. Isso faz com que a administração e presidente sejam tão pouco recomendáveis como os indivíduos que contrataram para agir em seu nome.

Mas olhar para o editorial de Nuno Farinha é um exercício ainda mais fantasioso. Farinha não só ignora por completo a questão Piriquito e os emails que a levantaram, como tem a distinta lata de falar na redução da suspensão de Nuno Saraiva e do juiz que é adepto do Sporting e daqueles que usa cachecol e publica fotos no Facebook. No dia seguinte à demissão de um membro do Conselho Fiscal da FPF e do anúncio da federação de que vai entregar o caso à PJ, Nuno Farinha acordou repentinamente para o fenómeno do papel dos diretores de comunicação. Para piorar, usa como exemplo benfiquista um esclarecimento sobre uma falha no sistema de videovigilância da Luz - repito, no dia em que rebentou o caso Piriquito e em que houve uma exigência de demissão do Benfica de um juiz que nada fez de errado, Farinha escolheu dar como exemplo um esclarecimento sobre uma falha no sistema de videovigilância. Carlos Janela, ao ler tais argumentos, deve ter aproveitado para tirar notas para distribuir pela sua lista de contactos. Isto é o fantasy journalism elevado ao seu mais alto expoente.

A abordagem habilidosa de um e a abordagem descarada de outro têm, no entanto, uma coisa em comum: nenhum dos dois jornalistas aproveitou o seu espaço de opinião - que tanta vez é usado como local de critica cerrada ao Sporting e, em especial, a Bruno de Carvalho - para aquilo que, neste caso, seria o ponto essencial da análise ao que se passou no dia anterior: repudiar, de forma clara, as ações de Horácio Piriquito e do clube que dá guarida a Pedro Guerra. 

Para pessoas que se dizem tão preocupadas com o futebol português, é estranho que não o tenham feito. Infelizmente, já todos percebemos que as regras do fantasy journalism não são as mesmas que se usam no jornalismo sério.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Uma viagem ao tempo em que o culé não era apenas culé e em que Braz ainda era Brás

O Porto Canal encontrou ontem umas colunas de opinião absolutamente deliciosas, escritas em 2005, numa edição especial da reputada revista TV Guia para assinalar a conquista do campeonato por parte do Benfica de Trapattoni. 

Os tais espaços de opinião foram escritos pelo diretor e por um dos coordenadores da revista que, por acaso, são hoje dos mais badalados jornalistas desportivos da nossa praça. Falo, nem mais nem menos, do culé Nuno Farinha e do isento Rui Pedro Braz.

Vejam o vídeo que se segue. É im-per-dí-vel.


"... quando o jejum já incomodava os seis milhões de benfiquistas. Vamos desde já esclarecer as coisas: eu sou um deles. Dos que sofrem, dos que gritam, dos que vão à Luz sempre que a vida permite, dos que discutem, dos que se exaltam, dos que amam o Benfica.". Não é nada que não soubéssemos já, mas é sempre giro ver as coisas postas de forma tão clara por escrito...


quarta-feira, 24 de maio de 2017

Pedido de clarificação ao Clã da Cartilha

Após ouvir estes comentários...


... e ler estes comentários...





... em que, segundo estes ilustres jornalistas, comentadores e adeptos benfiquistas, o despedimento de Nuno Espírito Santo comprova que o Porto não tem razão em apontar a arbitragem como motivo para a vitória do Benfica no campeonato, então...

... podemos concluir que os mesmos ilustres jornalistas, comentadores e adeptos benfiquistas admitem que, face à permanência de Jorge Jesus como treinador após o final da época passada, o Sporting teve razão nas queixas que fez sobre a influência decisiva da arbitragem no desfecho do campeonato de 2015/16?

quinta-feira, 4 de maio de 2017

O videoárbitro e as colunas a estalar ao ritmo da inevitabilidade


Ao longo dos últimos meses, têm sido várias as federações e ligas a anunciar a adoção do videoárbitro para as respetivas competições nacionais. Hoje, ficámos a saber que a FPF decidiu acompanhar a tendência e anunciou que a liga portuguesa terá videoárbitro em todos já a partir da próxima época.


Mesmo que inevitável, é, obviamente, uma mudança que se saúda. Não haverá muito tempo para a preparar (estamos a apenas três meses dessa meta), mas creio que é um esforço que se justifica plenamente, mesmo que, numa primeira fase, exista a típica turbulência dos sistemas recém-implementados. Há que dar tempo de corrigir e aperfeiçoar aqueles problemas que apenas a experiência no terreno acaba por expor.

É gratificante, para quem, ao longo dos últimos anos, defendeu o videoárbitro como uma forma de ajudar a reduzir o erro (e não a eliminá-lo), ver, por fim, um acordo generalizado sobre os benefícios que o novo sistema poderá trazer e a existência de vontade para o implementar.

Igualmente gratificante (in a twisted kind of way) é assistir à forma como estão a reagir a todas estas notícias aqueles que, ao longo dos últimos dois anos, foram os maiores detratores do sistema. Agora que a mudança é inevitável, parecem dispostos a dar-lhe uma oportunidade.

Veja-se o exemplo de Vítor Serpa, que no espaço de 30 dias conseguiu dizer uma coisa e o seu contrário (LINK). Há pouco mais de um mês, apelava à implementação do videoárbitro, com especial urgência nas competições portuguesas. No sábado passado, escreveu um artigo sarcástico sobre os malefícios que a implementação do videoárbitro teria nas competições portuguesas. Hoje, pelos vistos, temos o Serpa-entusiasta de volta.

(editorial cortado, coloquei apenas a parte final - o resto não é relevante para este tema)

Relembro que no sábado passado, ou seja, há apenas 5 (cinco) dias, Serpa escreveu isto:


Sinceramente, alguém chame um exorcista para ver que demónio possuiu Serpa no sábado passado e que o levou a assinar este artigo.

Outra figura do jornalismo português que parece rendida à implementação do videoárbitro é o subdiretor do Record, Nuno Farinha, que, no seu espaço de opinião de hoje, faz uma reflexão muito equilibrada (sem ironia) sobre os desafios que se apresentam e os potenciais benefícios.


Uma evolução muito positiva que se assinala em alguém que, há menos de seis meses, escrevia coisas sobre o videoárbitro como: "condenado ao fracasso", "não resolverá nenhum dos problemas que sempre existiram na arbitragem" e "o melhor é mesmo partir para outra".


P.S.: Curiosamente, nesse mesmo dia, outra ilustre figura do comentário futebolístico nacional apresentava, no site do mesmo jornal, uma opinião quase totalmente coincidente à de Nuno Farinha.


É engraçado ver como determinados pontos-chave de ambos os textos são idênticos: Fracasso, colocando a natureza/genética do jogo em causa, não resolverá nada, e a única tecnologia que pode ser aplicável é o sensor da linha de golo. Se por acaso Janela fosse o responsável pelas cartilhas do Benfica, é possível que pessoas mais maldosas viessem falar em concertações de discurso.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A isenção da BTV

A BTV não tem de ser um canal isento. Aliás, a sua própria natureza impede que seja isento: é um canal do Benfica, feito por profissionais pagos pelo Benfica, a maior parte dos quais é, seguramente, benfiquista, e que tem como público alvo os adeptos benfiquistas.

Fico pasmado, portanto, que haja quem perca o seu tempo a tentar convencer o resto do mundo de que a BTV é um canal isento - como foi o caso de Nuno Farinha, na semana passada, com este artigo publicado no Record:


As imagens a que Nuno Farinha se refere são estas:


É preciso ter memória muito seletiva para se dizer que o realizador não hesitou em mostrar as imagens. Fez um close-up ao jogador que tinha acabado de fazer a falta e, azar dos azares, calhou ter acontecido o gesto precisamente nesse momento. Obviamente que o realizador não podia adivinhar que Enzo Perez iria ter aquela atitude, e, tratando-se de uma emissão em direto, não havia nada a fazer a partir do momento em que as imagens já estavam no ar.

Mas é engraçado que, precisamente nesse mesmo jogo, o comentador Helder Conduto deu uma bela prova de falta de isenção. Basta ouvir os comentários que fez durante as repetições do segundo golo do Arouca:


Lançou a hipótese de que o jogador do Arouca poderia estar em fora-de-jogo, deixando a dúvida ficar no ar - apesar de as imagens comprovarem a legalidade do golo. 

Isto tudo vem a propósito da transmissão do dérbi de domingo passado: foi uma clara demonstração da falta de isenção do canal. Foi particularmente óbvio durante a primeira parte e o intervalo. Basta contar a quantidade de vezes que mostraram a repetição do lance do contra-ataque de Guedes que é interrompido por causa das cartolinas no terreno de jogo, e contar a quantidade de vezes que mostraram as repetições dos dois penáltis que Jorge Sousa não assinalou. No caso dos penáltis, não terão sido mais de uma ou duas repetições.

Mas o pior foi mesmo o que aconteceu ao intervalo. Chamaram o isento especialista António Rola para dar a sua apreciação dos casos de arbitragem... mas só houve tempo para a apreciação do caso da interrupção da partida por causa da cartolina. Rola dissertou longamente sobre o que se passou nesse lance, e, quando ia passar para a análise dos penáltis, acabou-se o tempo. Zero repetições. Considerando que os árbitros costumam tentar obter um feedback da sua atuação durante o intervalo, deu um jeitaço que se fizesse de conta que os dois lances de penáltis não tinham acontecido - não fosse Jorge Sousa sentir-se tentado em entrar em compensações.

Outra questão relevante foi o timing da disponibilização da repetição do penálti de Pizzi de um ângulo mais frontal, onde se via claramente os dois toques consecutivos com cada um dos braços. Pelo que se diz, apareceram apenas duas horas depois de o jogo ter terminado, ou seja, numa altura em que a maior parte das estações de rádio e televisão já tinham concluído as reações ao dérbi (se não todas), e numa altura em que os jornais já teriam praticamente tudo fechado para as edições do dia seguinte. Uma bela forma de tentativa de condicionamento de opiniões.

Poupem-me, por isso, dos discursos moralistas sobre a isenção da BTV. Acham mesmo que enganam alguém com essa conversa?

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Mais claro do que isto é impossível - parte 3

Todos se lembram o que aconteceu quando o Sporting começou a estabelecer cláusulas de rescisão de 45 e 60 milhões de euros. Caiu o Carmo e a Trindade. Muitos jornalistas sentiram-se incomodados com esta loucura: ou era porque os salários dos jogadores não eram proporcionais ao valor da cláusula - como se a cláusula tivesse que ser, necessariamente, uma avaliação realista do valor atual de um jogador -,  ou porque os jogadores ficavam reféns do clube.

Não lhes ocorreu, na altura, que o clube estivesse, pura e simplesmente, a defender os seus interesses. E nenhum mal daí adveio para as carreiras dos jogadores. Não foi por terem uma cláusula astronómica que lhes cortaram as pernas. João Mário, jogador que se valorizou imenso, foi vendido abaixo da cláusula de 60 milhões. Montero, jogador que se valorizou menos, foi vendido por um valor muito, muito inferior ao da cláusula. William e Gelson (infelizmente) não acabarão a carreira no Sporting, pois, numa altura que o clube considerar apropriada, terão a sua oportunidade de brilhar em campeonatos mais competitivos do que o nosso.

Mas, entretanto, os outros clubes passaram também a estabelecer cláusulas de rescisão elevadas. Não me lembro, porém, de ler críticas idênticas às que foram dirigidas ao Sporting quando, por exemplo, Taarabt assinou com uma cláusula de 45 milhões, ou quando Gonçalo Guedes renovou com uma cláusula de 60 milhões.

Quando as cláusulas elevadas passaram a ser praticadas noutros emblemas que não o Sporting, a doutrina divide-se entre aqueles que, há uns tempos, não se pouparam nas criticas: temos os que se abstêm de voltar a expressar a sua discordância, e temos os que as celebram. Para estes últimos, é uma forma de o clube passar uma mensagem para o mercado, de demonstrar confiança nos jogadores, e uma fonte de inspiração para os colegas. O único risco? Os jogadores poderão deslumbrar-se. Esqueçam os reféns e a desproporcionalidade entre o salário e o valor da cláusula... são apenas "pérolas seguras".

As cláusulas que não se entendem




As cláusulas que se entendem



Foi bom o Benfica ter chegado às cláusulas de 80 milhões. Pode ser que o Sporting tenha agora alguma liberdade para poder determinar as suas cláusulas, sem ter que se sujeitar ao habitual coro dos indignados.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Mais claro do que isto é impossível - parte 2

No essencial, não vejo grandes diferenças entre o jogo que o Sporting fez em Guimarães e o jogo que o Benfica fez em Istambul. O Besiktas é uma equipa mais forte, como é evidente, mas nem num caso nem noutro se pode, de forma alguma, desperdiçar uma vantagem de 3-0. Consequências: o Sporting perdeu 2 pontos num campeonato que ainda tinha, na altura, 27 jornadas por disputar; o Benfica perdeu 2 pontos que teriam garantido o apuramento para a fase seguinte, tendo agora que se sujeitar a uma autêntica final frente ao Nápoles, que ditará o seu destino na competição. 

Seria de esperar, portanto, que as reações aos dois jogos, na perspetiva das equipas que perderam a vantagem, fossem semelhantes. Certo? Errado. Apesar de estarem apenas separados no tempo por cinco semanas, há quem consiga fazer análises e conclusões bem diferentes.

Como não posso conceber que essas diferenças de opinião se explicam por determinadas preferências clubísticas do escriba - que tem o dever da imparcialidade -, só posso assumir que teve a ver com o dia da semana em que os desaires sucederam: deve ser mais grave estourar uma vantagem de 3 golos num sábado do que numa quarta-feira.

Aos sábados: "As duas caras do leão - o filme de Guimarães é um pesadelo que o Sporting terá muita dificuldade em gerir"


Às quartas: "Há empates que vêm por bem - a primeira parte foi tão impressionante que deveria ser mostrada nas escolas de futebol"


"Às vezes é bom voltar a sentir o chão"... isto devia passar a fazer parte da letra do "Always look on the bright side of life".

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Capas que não fizeram história, nº 55: São fontes, Senhor, são fontes!

Terça-feira, 20 de setembro: o país desportivo é agitado pela revelação de que Pep Guardiola, treinador do Manchester City, se deslocou propositadamente a Lisboa para assistir, ao vivo e a cores, à prestação de Grimaldo contra o Braga. A notícia foi dada apenas no dia seguinte devido ao facto de o treinador ter conseguido, contra todas as probabilidades, não ser detetado por qualquer um dos 50.000 espectadores presentes no estádio. No entanto, não escapou ao olho clínico das fontes de José Marinho que, no estilo que lhe é peculiar, tratou logo de esfregar a boa-nova na cara dos "assanhados" e "totós" que se atrevem a escarnecer das suas figuras ou do seu glorioso:


A partir daí, foi uma questão de tempo até a notícia se propagar. Quer o Mais Futebol, quer o Record, parecem ter conseguido acesso às mesmas fontes e publicaram a notícia.



A partir daí, o tema dominou a atualidade. E, na quarta-feira, como não poderia deixar de ser, lá veio a capa que faltava para dar o justo destaque ao acontecimento.


Tudo isto foi um autêntico furo jornalístico, pois nem no dia do jogo nem no dia seguinte circularam, na imprensa ou nas redes sociais, quaisquer imagens do treinador espanhol em Lisboa. Apesar de, hoje em dia, qualquer pessoa munida de um telemóvel poder fazer de paparazzo e captar as mais inconvenientes imagens ou vídeos, não houve sequer uma foto desfocada, um tweet ou um post no Facebook a denunciar em tempo real a presença na Luz de Guardiola - que é uma das figuras mais famosas do futebol mundial. Estavam todos muito concentrados no jogo, pelos vistos.

De qualquer forma, o essencial parecia ter sido alcançado: armar a backstory para mais um conto épico de valorização exponencial de um jovem talento da formação do Seixal (hey, se Nelson Semedo é da formação encarnada, então Grimaldo também pode ser, pois estrearam-se com a camisola do Benfica sensivelmente com a mesma idade). 

Claro que, perante a ausência de provas palpáveis, houve quem colocasse a notícia em causa, o que desencadeou zelozas argumentações em defesa da veracidade da notícia: umas mais in your face...


... outras mais românticas, como uma em que se colocou a hipótese de Guardiola não ter sido reconhecido por se ter sentado no meio do público de peruca, chapéu e óculos escuros (I kid you not).

Infelizmente, os ecos desta notícia bombástica não tardaram a chegar a Inglaterra, de onde surgiram desmentidos da deslocação do treinador a Lisboa. Depois apareceram fotos de Guardiola a passear, nesse mesmo dia, no centro de Manchester. Daí até ao desmoronamento deste castelo de cartas foi um estalar de dedos. Nuno Farinha, subdiretor do Record, foi o primeiro a atirar a toalha para o meio do ringue e contou a história por detrás da história:

(via @captomente)

Depois disso, o próprio José Marinho veio admitir que foi induzido em erro.


Uma atitude que, sem ironias, fica bem aos envolvidos.

A culpa foi, portanto, das fontes, que não foram nem uma, nem duas, mas sim um total de três (assumindo que pelo menos uma delas era comum ao Record e a José Marinho, caso contrário falamos de, pelo menos, quatro fontes).

Assumindo que existiram, de facto, três fontes diferentes a confirmar a mesma versão dos acontecimentos, sem qualquer relação aparente entre si, então compreendo a publicação da notícia. Mas como sabemos que a história é falsa, isso significa que o engano apenas pode ser explicado de duas formas possíveis:

1. Não existiram três fontes - o que não é, de todo, uma hipótese descartável, dada a proximidade que se conhece entre quem deu maior destaque à notícia e um dos potenciais beneficiários da mesma -, e então este mea culpa é apenas uma simples tentativa de limpeza de reputações.

2. As três fontes existem e enganaram os jornalistas e comentadores que publicaram a notícia, o que significa que estamos perante um enorme esforço concertado para plantar uma notícia falsa. Nesse caso, quem terá organizado todo este embuste? Por uma questão de lógica, só pode ter sido quem beneficia com a notícia. Neste caso, só há duas hipóteses: o Benfica ou o jogador.

De qualquer forma, tenham existido uma, duas ou três fontes, sabemos bem que, em notícias desta natureza, as mesmas fontes continuarão a poder segredar ao ouvido de determinados jornalistas as criações que bem entenderem. Afinal, não foi nem a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que interesses infundados sobre jogadores daquele clube são noticiados com enorme destaque. Pelo contrário, para os diários desportivos nacionais, há muito que é um modo de vida. Ah, as costas largas das fontes...


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Loose cannon charged with soaked coal

Quando se passa demasiada informação a quem não sabe o que fazer com ela, e quando a coordenação da cartilha não é planeada de forma minimamente competente, podem acontecer acidentes.

Isto vem a propósito da polémica à volta do email (verdadeiro ou falso, não sei nem interessa agora para o caso) sobre um eventual interesse do Sporting em Rafa, cuja divulgação estava planeada para hoje em dois jornais: não surpreendentemente, o Correio da Manhã e A Bola. No entanto, ainda no domingo, Nuno Saraiva tomou conhecimento dessa intenção e fez um post preventivo no Facebook, colocando em questão a sua veracidade. 

O CM e A Bola parecem ter acusado o toque da ação do diretor de comunicação do Sporting: hoje fazem referência ao mail nas suas primeiras páginas, falam sobre ele no interior, colocam a transcrição, mas não o mostram. Sem dúvida que, face ao post de Nuno Saraiva e ao aspeto da "prova" que tinham para apresentar, acharam que a notícia perderia credibilidade se a exibissem - porque, efetivamente, uma imagem de um mail não é mais do que um amontoado de caracteres, fontes e cores, que facilmente podem ser fabricados por qualquer pessoa. Não prova absolutamente nada.

Infelizmente, alguém se esqueceu de avisar um famoso blogger conotado com a comunicação benfiquista que, hoje de manhã, publicou a imagem do tal mail assumindo que a mesma seria divulgada na imprensa.

Nota: o Record mostra o email na secção de última hora, mas com bastante menos nitidez do que a que apareceu no blogue em questão; ou seja, não foi daqui que a imagem foi recolhida.

Isto em atletismo seria considerado falsa partida e daria direito a desqualificação. Felizmente (ou infelizmente), a modalidade em causa é o arremesso de carvão ensopado.

Curiosamente, não foi a única gaffe cometida, pois colocou também ao barulho o sub-diretor do jornal Record.


Ignoremos por um momento a incapacidade do autor do texto em perceber o post de Nuno Saraiva, e concentremo-nos na parte a amarelo. Havia duas hipóteses:

a) Não é verdade que Nuno Saraiva tenha falado com Nuno Farinha sobre o interesse do Sporting em Rafa, e isto não passa de uma invenção da comunicação benfiquista (o que não seria propriamente uma enorme surpresa).

b) É verdade que Nuno Saraiva tenha falado com Nuno Farinha sobre o interesse do Sporting em Rafa, o que, indiretamente, mostra que Nuno Farinha anda a falar das conversas que tem com um dirigente do Sporting a pessoas ligadas ao Benfica (o que, considerando a personagem em questão, também não seria propriamente uma enorme surpresa). Um tiro no próprio pé por parte de quem escreve uma coisa destas, portanto.

Entretanto, Nuno Farinha disse de sua justiça, na caixa de comentários do post em questão:


Pelos vistos era a hipótese a). Carvão totalmente ensopado. Parece óbvio que a pronta ação de Nuno Saraiva incomodou determinadas sensibilidades, pois não é a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que é alvo de ataques deste tipo. A continuar assim, há-de chegar a um momento em que passará a ser um ritual diário.

Não me custa a acreditar que o Sporting tenha revelado interesse em Rafa. Se isso efetivamente aconteceu, parece-me uma boa jogada: havendo interesse, seria um jogador que acrescentaria valor ao plantel - apesar de achar que seria um disparate o Sporting disponibilizar-se para pagar tanto dinheiro por um jogador (a solução Markovic é igualmente satisfatória, por valores bastante mais módicos); não havendo interesse, serviria para inflacionar o valor do jogador e forçar o Benfica a ceder às exigências de Braga e empresário. Uma situação win-win, como se costuma dizer.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Um caso único em clubes de topo na Europa


É indiscutível que, desde que Jorge Jesus chegou, o Sporting realizou uma revolução no seu plantel. Muitas aquisições, algumas vendas e bastantes dispensas fazem com que o onze de hoje pouco tenha a ver com o que terminou a época com Marco Silva. Rui Patrício, William, Adrien são os únicos sobreviventes, já contando com as recentes saídas de João Mário e Islam Slimani.

Nuno Farinha listou os jogadores que foram contratados desde que Jesus passou a ser o técnico do Sporting, chegando a um total de 21 - incluindo Ciani, um óbvio erro de casting que foi corrigido de imediato -, acrescentando que não devem existir casos semelhantes (isto é, com tantas contratações realizadas em tão pouco tempo) em clubes de topo na Europa. 

Aprecio (e, obviamente, concordo com) a opção tomada por Nuno Farinha de, ao estabelecer termos de comparação, colocar o Sporting no patamar dos clubes de topo europeu - imagino que lhe tenha custado -, mas, como a realidade portuguesa é tão diferente dos melhores clubes ingleses, alemães e espanhóis (que já têm plantéis incríveis e têm outra facilidade para atrair os melhores talentos, podendo dar-se ao luxo de gastar várias dezenas de milhões num único jogador), talvez tivesse sido melhor começar por comparar com clubes portugueses, como Benfica e Porto.

Façamos então essa comparação. Nas últimas três janelas de transferência (verão 2015, janeiro 2016 e verão 2016), foram estas as aquisições feitas por Sporting, Benfica e Porto:

Nota: os valores de todos os jogadores contratados pelo Sporting na época passada incluem comissões e prémios de assinatura; no caso do Benfica e Porto, essa informação não é divulgada de forma detalhada, pelo que apenas foram incluídos os valores de comissões e prémios de assinatura que o Football Leaks deu a conhecer.

Como se pode ver, analisando as aquisições pela quantidade, constata-se que a realidade do Sporting não é diferente dos clubes com que compete a nível nacional. O Sporting contratou 23 jogadores (Farinha não incluiu Jug, que já tinha sido contratado antes de Jesus chegar ao Sporting), ou seja, uma contratação a menos que no Benfica (assumindo já a provável entrada de Rafa) e mais três que no Porto. Ou seja, por aqui, estão todos equiparados. Se falarmos em valores, no entanto, é enorme a diferença: o investimento do Sporting é menos de metade daquilo que o Benfica gastou (e faltam aqui as comissões de Carrillo e Zivkovic que, juntas, devem ultrapassar os 15 milhões de euros), e ainda menos em relação ao Porto, caso as opções de compra de Óliver e Jota venham a ser acionadas.

Engraçado também ter etiquetado a despesa de Dost como um "luxo" para a realidade da nossa Liga... quando falamos de valores que são metade do que o Benfica pagou por Jimenez e do que o Porto poderá pagar por Jota e Óliver caso acione a opção de compra, e menos 50% do que o Benfica poderá pagar por Danilo. 10 milhões são um valor alto, sem dúvida, mas que deve ser enquadrado devidamente, face às vendas que o Sporting se prepara para realizar: poderão atingir 70/75 milhões, dos quais quase 60 irão para os cofres do Sporting (que detém 75% de João Mário e 80% de Slimani). Falamos de milhões, e não de mendilhões - é importante não esquecer.

Jesus é, efetivamente, um eterno insatisfeito. Se as direções com quem trabalha não lhe colocarem travão, há sempre espaço para mais uma contratação. É um de três perfis possíveis: há os eternos insatisfeitos, há os que fazem fretes aos empresários que os representam, e há os que aceitam, pacificamente, trabalhar com aquilo que a estrutura lhes dá. Os últimos três treinadores do Sporting encaixam bem, cada qual, em cada um destes perfis. Curiosamente, pelo que me parece, os atuais treinadores dos grandes também. O eterno insatisfeito, se tiver um sistema de jogo bem idealizado e bem identificadas as qualidades de que necessita nos seus jogadores, estará sempre mais próximo de construir uma equipa competitiva, mesmo tendo menos dinheiro à disposição para "luxos".

É, evidentemente, isto que incomoda quem aponta para o número de contratações do Sporting. É incomparavelmente superior a competitividade deste Sporting em relação ao de 2014/15 (mesmo que esse plantel tenha conquistado uma Taça de Portugal). Não faz sentido fazer-se um balanço do mercado de transferências colocando o foco na quantidade de jogadores, em vez de se analisar a qualidade de quem entra e de quem sai, do onze base e da profundidade do plantel. 

E quando um jornalista assenta o seu texto num pressuposto "Não devem existir casos semelhantes", sem se dar ao trabalho de verificar se, efetivamente, existem ou não casos semelhantes, estamos conversados em relação à qualidade da análise.

P.S.: isto foi no sábado. No domingo...



P.S.2: coloquei Rafa na lista do Benfica por ser muito provável a sua contratação e por uma questão de equidade, pois Nuno Farinha também incluiu Bas Dost, que, na altura em que o texto foi publicado, ainda não tinha assinado pelo Sporting. Jogadores como Vera e Saponjic foram incluídos porque não são compras típicas de equipa B, pelo valor envolvido - como todos se lembram, Ryan Gauld, que também teve um custo dessa ordem de grandeza, nunca deixou de ser incluído (e bem) em qualquer lista de aquisições, apesar de ter sido colocado na equipa B do Sporting.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Foi você que pediu... um novo paradigma?

Supertaça atribuída e primeira jornada cumprida, e começam já a surgir as opiniões sobre as primeiras confirmações e certezas - para quê esperar, um mês que seja, para ver um pouco mais dos jogadores e equipas perante diferentes tipos de oposição? - sobre a qualidade dos novos protagonistas e sobre o poderio dos candidatos ao título. Nuno Farinha deu a sua na edição de ontem do Record:


(via Leoninamente)

Sobre o Benfica, Nuno Farinha diz que o plantel é de luxo e que "os reforços passaram a ser jovens carregados de ambição e margem quilométrica para evoluir e valorizar". Ora, se os reforços  passaram a ser jovens ambiciosos e com enorme potencial, é porque não o eram num passado recente e agora já são.

Confesso que tenho dificuldades em perceber o que é mudou exatamente para se poder dizer tal coisa. Usando os exemplos do próprio escriba, David Luiz foi contratado pelo Benfica com 19 anos, Coentrão com 19, Javi Garcia com 22, Ramires com 22, Di Maria com 19, Garay com 24, Enzo com 25, Witsel com 22, Matic com 22, e não consta que faltasse ambição ou margem de valorização a qualquer um destes jogadores. E ainda poderíamos juntar outros exemplos como Rodrigo (19), Gaitan (22), Salvio (20), Oblak (subiu com 20 ao plantel principal, contratado com 17) ou Markovic (19). A regra já era a aposta em jogadores novos e com potencial. É verdade que, pelo meio, foram sendo contratados jogadores feitos como Lima (29), Saviola (27), Aimar (28), Jonas (30) ou Júlio César (34), mas estes casos sempre foram uma minoria no universo (e que grande universo é) das contratações do Benfica.

Será um cenário assim tão diferente das contratações das últimas duas épocas, onde se incluem Jimenez (24), Carcela (26), Taarabt (26), Grimaldo (20), Mitroglou (27), Ederson (21), Cervi (22), Benitez (23), Celis (23), Horta (19), Carrillo (25), Zivkovic (19) e Danilo (20)? Sinceramente, não me parece.

O que me parece é que estamos perante a tentativa de criação e imposição de um novo paradigma benfiquista ao país futebolístico. O ex-novo paradigma da aposta na formação (que durou uma única época, aparentemente) foi colocado (para já) na gaveta - para quem não reparou, nenhum jogador da formação benfiquista foi integrado no plantel desta época -, pelo que há que arranjar rapidamente um novo paradigma: o da contratação de jovens ambiciosos e com potencial. Pouco importa o facto de isso ser exatamente aquilo que o Benfica tem feito (com bastante sucesso, há que admitir) de há muito anos para cá.

P.S.: pertinente a observação de Nuno Farinha sobre a dificuldade que o Sporting terá em substituir João Mário. É curioso, no entanto, que o mesmo jornalista que a meio do Euro 2016 declarou que não seria surpreendente se Renato Sanches fosse considerado o melhor jogador da competição (não melhor jogador jovem, atente-se; referia-se ao melhor jogador entre todos os que participaram) não revele qualquer preocupação com a falta que o agora médio do Bayern poderá fazer no meio-campo do Benfica nesta época. A sentença está ditada: o plantel é de luxo e pelos vistos há matéria-prima que chega e sobra para fazer esquecer Renato, como Samaris e, acima de tudo, o novo herói do povo que foi encontrado ao fim de dois jogos oficiais: André Horta. Pelo menos, ao nível das capas de jornal, a substituição de Renato Sanches parece estar resolvida.


quinta-feira, 23 de junho de 2016

Análise de Nuno Farinha ao estado psicológico de Ronaldo

Ontem, na CMTV, antes do Portugal - Hungria.


Agora imaginem se Ronaldo tivesse o equilíbrio necessário e desejável... provavelmente empataríamos 6-6, com 4 golos e 2 assistências do capitão.

Eu compreendo que Nuno Farinha, enquanto subdiretor de um jornal do grupo Cofina e habitual comentador na CMTV, se sinta na obrigação de vestir a camisola e defender a sua dama num momento destes. Mas também legitima que perguntemos se, por exemplo, a descaradíssima campanha que tem feito a favor de Renato Sanches reflete efetivamente a sua opinião, ou se serve apenas (tal como nesta questão de Ronaldo) de meio de transmissão de uma narrativa escrita por terceiros.

(obrigado, João Francisco Oliveira!)

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Tulius Detritus

Sendo eu um grande fã das histórias de Asterix, não poderia deixar de aproveitar esta excelente analogia que Eduardo Garcia fez no Juízo Final de sexta-feira. Novo capítulo das aventuras de Maxi (reboot), daqui a uma hora.


quarta-feira, 13 de abril de 2016

Teorias da conspiração mainstream

Quem costuma ler este blogue, sabe que aqui se aprecia uma boa teoria da conspiração e se vão dedicando alguns (vá, muitos) posts a estranhas coincidências que se registam no futebol português. Uma das teorias da conspiração que, por vezes, vai sendo por aqui abordada, é a da ausência por suspensão de jogadores de clubes mais pequenos dos jogos contra os candidatos ao título.

Numas vezes essas ausências são forçadas pelos próprios dos jogadores, noutras são os árbitros que tomam a iniciativa. Por exemplo, ainda há cerca de um mês, o Boavista venceu na Madeira confortavelmente por 3-0, numa partida arbitrada por Bruno Paixão. Por volta dos 30 minutos, o árbitro assinalou uma falta de Nuno Henrique que mais ninguém viu, e mostrou (de forma absurda) o amarelo ao jogador do Boavista, que ficaria assim de fora do jogo seguinte. No período de descontos, quando o resultado já estava mais do que decidido, Anderson Carvalho atirou uma bola para a bancada com o jogo parado. Viu (bem) o cartão amarelo e também ficou afastado do jogo seguinte. Com quem jogava o Boavista na partida seguinte? Com o Benfica. Ou, há duas semanas, dois amarelos mostrados por Carlos Xistra a Leandro e Gonçalo Paciência (ambos discutíveis, principalmente o primeiro) que os deixaram de fora do desafio seguinte. Contra o Benfica, como bem se sabe.

Esta época, a estatística de jogadores adversários ausentes por castigo até está equilibrada entre Sporting e Benfica. Não há, portanto, grandes motivos para alguém reclamar algum tipo de diferença de tratamento neste departamento.

De qualquer forma, neste tipo de temas, a despesa da discussão pública é feita sobretudo pelos blogues e paineleiros afetos a clubes. Normalmente os jornalistas preferem manter-se numa espécie de moral high ground, não alinhando nem alimentando narrativas de adeptos fanáticos.

Como tal, não estava à espera que um subdiretor de um jornal desportivo abordasse este tema dos jogadores que se auto-excluem das partidas seguintes para limpar cartões. Mas foi exatamente isso que Nuno Farinha fez ontem. E não o fez de uma forma qualquer: fê-lo com um twist que, sinceramente, a mim - adepto-fanático-e-maluquinho-das-teorias-da-conspiração assumido, nunca me teria ocorrido fazer:



A questão, para Nuno Farinha, já vai para além da exclusão de jogadores de um jogo contra um candidato. O que o incomoda é o facto de os dois jogadores ficarem ausentes do próximo jogo e, consequentemente, ficarem disponíveis para defrontar um certo candidato ao título daqui a duas jornadas. Notável! A fasquia das teorias da conspiração acabou de ser elevada para um nível nunca visto na imprensa desportiva.

Curioso, no entanto, que só agora faça referência a este tipo de situações. Não me recordo, por exemplo, de comentários seus aos tais amarelos mostrados a jogadores de Boavista e Académica, que os deixaram de fora das partidas com o Benfica. Esse tipo de seletividade é expectável de uma pessoa como eu, mas fica muito mal num jornalista que, por princípio, deve ser isento e manter-se equidistante a todos os clubes. E muito menos andar a fazer eco daquilo que os blogues benfiquistas já andavam a escrever (LINK) sobre o assunto.

Se as teorias da conspiração passaram a ser mainstream, então sinto-me legitimado para dar largas à imaginação e construir também a minha versão alucinada para o próximo jogo do Rio Ave. Ora vejam: Guedes, Roderick e João Novais estão em risco de exclusão para a partida com o Benfica, e Vítor Pereira nomeou Manuel Mota - um árbitro que até é conhecido por sacar do cartão com facilidade - para o próximo jogo do Rio Ave, pelo que as probabilidades de haver ausentes forçados contra o Benfica até nem são más. A não ser - aqui que ninguém nos ouve - que não dê jeito que Roderick, jogador que fez toda a formação no Benfica, fique de fora da partida contra o seu antigo clube... Não está mal, pois não?

Nota: Nem tudo neste último parágrafo é para ser levado a sério. Não coloco, de forma alguma, o profissionalismo de Roderick (espero que possa jogar contra o Benfica). Quanto ao resto, logo veremos...

quinta-feira, 7 de abril de 2016

À atenção da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia

1. Rui Pedro Braz a comentar o golo anulado a Slimani e o golo marcado por Teo em fora-de-jogo

Slimani, como foi possível ver pelas imagens, está em linha, pelo que o golo foi mal anulado. Quanto ao golo de Teo, há de facto fora-de-jogo, mas antes disso há penálti cometido por Juanjo. Vamos ouvir o que Rui Pedro Braz disse sobre o assunto:


(obrigado, António!)

Portanto, Coates "sai de posição de fora-de-jogo para fazer a assistência"...


... e Slimani está em posição irregular.



2. Nuno Farinha a analisar o Bayern - Benfica

Não me custa admitir que o Benfica fez um bom jogo em Munique. Apesar de terem ficado em desvantagem no marcador muito cedo, souberam ser uma equipa coesa, pragmática e com capacidade de sofrimento. Trazer a discussão da eliminatória para Lisboa é, efetivamente, excelente - considerando o facto de que o Bayern é uma das melhores equipas europeias da atualidade. O Benfica dispôs de algumas oportunidades, mas é indiscutível que foi o Bayern que mandou no jogo.

Há, no entanto, quem tenha visto um jogo completamente diferente...


Há dois anos, nas meias-finais da Liga dos Campeões...


E há um mês, na Bundesliga...

(obrigado, @carlos_martinho!)