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domingo, 25 de agosto de 2019

E ao quarto dia apareceu Vietto

Bom jogo. Ao quarto jogo oficial da temporada, o Sporting fez finalmente uma exibição convincente e alcançou uma vitória relativamente tranquila num terreno onde costuma passar por dificuldades. Não foi uma prestação sem mácula, houve momentos - principalmente na primeira metade da segunda parte - em que houve alguma dificuldade em manter o Portimonense longe da nossa área, mas, na generalidade dos 90 minutos, foi um desempenho sólido que permitiu ao Sporting aproveitar da melhor forma o resultado do clássico de ontem. 

A surpresa Vietto. A entrada do Sporting no jogo foi demolidora e permitiu construir uma vantagem que ajudou a tranquilizar a equipa - ainda que o Portimonense não tardasse a reduzir a partir de um penálti provocado por uma falta displicente de Mathieu. O Sporting foi claramente superior na primeira parte graças à habitual ação de Bruno Fernandes, mas, sobretudo, por causa da criatividade de Vietto. O posicionamento do argentino surpreendeu Folha, que não parecia estar preparado para esta descentralização da criação de desequilíbrios. Os recursos que Vietto mostrou são variados: capacidade de drible, mudanças de velocidade, visão perfeita das movimentações dos homens mais adiantados e superior execução no momento de colocação da bola no espaço. Na segunda parte, mais encostado à linha e mais desgastado, desapareceu um pouco do jogo. O passe a rasgar para Bruno Fernandes no segundo golo e o míssil intercontinental de 50 metros para o que deveria ter sido o terceiro golo de Raphinha foram os momentos mais altos de uma excelente exibição. Este Vietto promete dar uma nova dimensão à capacidade ofensiva do Sporting - e que tão necessária é.

Bruno e, finalmente, Raphinha. Se ficou chateado por não ter tido a transferência que ambicionava, não o demonstra. Hoje foram mais três assistências para Bruno Fernandes, passando o pecúlio para 1 golo e 4 assistências ao fim de 3 jornadas. A boa finalização de Raphinha foi outro dos fatores decisivos. Assinou um golo fantástico a abrir a contagem e foi muito oportuno no tento que fechou o resultado.

Para Keizer pensar. Não discuto que Vietto, num dia mau, pode ser tão inconsequente como Diaby. Mas o jogo de Portimão serviu para demonstrar que o melhor (?) Diaby nunca na vida será capaz de fazer um quinto do que Vietto fez neste jogo. Vietto poderá ajudar menos na defesa, é verdade, mas as carências que temos demonstrado na zona ofensiva obrigam Keizer a aproveitar o talento que tem à sua disposição. Infelizmente, o holandês parece quase paralizado pelos receios das descompensações defensivas. É incompreensível que, com 3-1 de vantagem e muitos jogadores de rastos - incluindo os do Portimonense -, não tenha dado 20 minutos a Camacho ou Plata para irem conquistando o seu espaço. Keizer limitou-se a duas substituições aos 79' e 86', o que, a meu ver, pode ser sinal de que, à semelhança da época passada, não consegue confiar em mais que 13-14 jogadores - com tudo o que de mau isso implica ao nível da gestão do plantel. Já não falta muito para chegarem 6 ou 7 meses a jogar permanentemente duas vezes por semana. É preciso mais coragem, mais audácia, alargar o tal núcleo duro. Se não o fizer, vamos sofrer muito a partir de outubro/novembro.

Vasco Santos, um habitué em decisões polémicas que nos prejudicam. O VAR corrigiu - e bem - a decisão de Xistra em assinalar um livre direto numa falta sobre Raphinha dentro da área. Mas voltaria a intervir - de forma bastante mais discutível - ao anular esse penálti por uma suposta falta de Thierry cometida uns momentos antes. Acontece que: 1) a bola foi jogada por dois jogadores do Portimonense entre o momento da suposta falta de Thierry e a indiscutível falta sobre Raphinha; 2) o adversário fez um movimento diagonal face à linha de progressão de Thierry e colocou-se, sem bola, à sua frente, impedindo-o de continuar a correr - o que poderia ser interpretado como obstrução. Veremos se o critério se irá manter daqui para a frente. O VAR é uma ferramenta fantástica, mas só poderá ser tão boa na medida da competência daqueles que a utilizam. E já sabemos que, em caso de dúvida, a norma é decidir contra o Sporting.

À frente dos rivais, mas sem quaisquer motivos para euforias. O Sporting 2018/19 de Peseiro também teve um arranque bastante positivo. Depois, foi o que se viu. Em 2019/20, os problemas para resolver até ao fecho do mercado continuam a ser muitos. Só temos um ponta-de-lança - que, no máximo, pode ser uma alternativa de banco -, falta um extremo capaz de abanar defesas fechadas - desconheço se algum dos que hoje tínhamos no banco poderá ser esse extremo a curto prazo porque mal os vi jogar -, e, porque começam a ser cada vez mais óbvias as limitações de Doumbia, precisamos de um médio defensivo a sério. Depois... é preciso que Keizer seja capaz de tirar bom partido do plantel que lhe colocarem à disposição. Para já, o pensamento só pode ser um: jogo a jogo.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Vitória, preocupações e recados

Finalmente uma vitória. Ganhar ao Braga era essencial. Não por ser o Braga, não pelos três pontos, não para não nos deixarmos atrasar mais em relação à liderança, não pela possibilidade de, ganhando em Portimão, aproveitarmos o resultado do clássico entre Benfica e Porto para recuperarmos ou ampliarmos distâncias. Era essencial ganhar porque, independentemente dos muitos problemas técnico-táticos que estão à vista de todos, o atual momento de intranquilidade potencia esses problemas e faz parecê-los ainda mais graves do que efetivamente são. Era fundamental recuperar alguma tranquilidade e confiança e, como tal, jogando bem ou mal, tínhamos de vencer ontem. Nesse sentido, a missão mais importante foi cumprida.

Os suspeitos do costume. Mais uma vez, o Sporting só existiu ofensivamente na medida do que a sua linha média foi capaz de produzir. Os desequilíbrios foram conseguidos quase exclusivamente pelos habituais Bruno Fernandes e Wendel e pelo lateral Acuña. Coates e Mathieu foram segurando as pontas como podiam (com preciosa ajuda de Neto nos últimos quinze minutos) e, mais uma vez, o patinho feio Renan salvou o dia com algumas defesas fulcrais (aquela aos 40’, após remate de Hassan na queima, foi absolutamente incrível). 

Inoperância na frente. É angustiante observar o rendimento dos homens mais adiantados. Luiz Phellype vale pelo esforço e pouco mais. Raramente tem bolas na área para finalizar, parcialmente por responsabilidades próprias no momento de decidir o que fazer quando é solicitado, mas sobretudo por não ser devidamente alimentado devido ao modelo de construção (?) que o treinador coloca em prática. Raphinha está num momento de forma terrível. Não consegue ganhar duelos, não cria desequilíbrios, não finaliza em condições. Ontem defendeu a passo, deixando várias vezes Thierry completamente exposto no nosso flanco direito. Diaby foi Diaby. Mais um jogo sem qualquer ação positiva de registo, mais um momento para os apanhados que deixou meio estádio a rir quando se atrapalhou ao tentar fazer um nó a um adversário, e não há uma alma à face da Terra para além de Keizer que consiga entender como é possível que, depois de tão consistentes demonstrações de incapacidade, o maliano continue a fazer parte das contas do onze. Ou que tenha um minuto de utilização que seja. 

Treinador às aranhas. É verdade que Keizer não tem muitas alternativas de qualidade disponíveis. Camacho e Plata estão verdes e alguma coisa está mal na construção do plantel quando Raphinha, que tem apenas 22 anos e um ano de experiência a este nível, é o extremo de referência da equipa. A 11 dias do fecho do mercado, temos apenas dois pontas-de-lança, um dos quais jogava na segunda divisão há meses, e em que o outro foi contratado para substituir Bruno Fernandes. Mas isso não justifica tão pouco futebol e o problema não está apenas nos jogadores. Keizer diz que gosta de Dost mas não foi capaz de tirar rendimento do holandês, não é capaz de dar jogo a Luiz Phellype, não vê a mobilidade e técnica de Vietto como solução, e aparentemente também acha que Slimani não é o ponta-de-lança ideal. Perante quatro tipos de avançados de características bastante diversas e nenhum serve para o treinador… então quem servirá? 

Recados à estrutura. Na conferência de imprensa, Keizer deixou soltar um desabafo sobre a forma como (não) foi consultado sobre a saída de Dost, lamentando-se da sua saída. Depois dos comentários anteriores sobre Matheus Pereira e Vietto, fica mais ou menos claro que não existe entendimento entre o treinador e a estrutura de futebol sobre as movimentações de jogadores. Se não se entendem sobre quem sai, se não se entendem sobre quem entra… então como podemos nós, os adeptos, acreditar que existe um fio condutor, consistente e lógico, na preparação da época, na construção do plantel e na globalidade do trabalho realizado? 

Se, se, se. Reencontrámos as vitórias, mas os sinais de preocupação não se dissiparam. SE Rosier trouxer mais estabilidade ao flanco direito, SE Doumbia começar a compreender melhor as compensações que tem de fazer, SE Wendel conseguir aguentar mais de 60 minutos, poderemos ter condições para atenuar o caos defensivo que temos observado. SE conseguirmos manter Acuña a lateral, SE contratarmos um extremo a sério para entrar no onze ou SE conseguirmos começar a tirar algum rendimento de Camacho e Plata, SE contratarmos um ponta-de-lança que encaixe no quer que Keizer idealiza para o nosso jogo, poderemos ter condições para sermos um conjunto verdadeiramente ameaçador em ataque continuado e em contra-ataque. SE o treinador conseguir desembrulhar a confusão que parece ter no cérebro, SE a estrutura estabelecer as prioridades certas para a época… pode ser que se consiga fazer alguma coisa desta época.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Balanço da época, nº 5: Avançados



Bas Dost: ** 
2017/18: *** 

Iniciou a época a um excelente nível, chegando aos 10 golos apontados nas primeiras 13 jornadas (sendo que apenas foi titular em apenas 7 desses jogos devido a uma lesão no joelho). No entanto, caiu bruscamente de rendimento a partir de janeiro, sem qualquer confiança no momento de finalizar, ao ponto de parecer por completo um jogador inapto para alinhar numa equipa de primeira divisão. A lesão contraída acabou por ser uma benesse – para o jogador, que se arrastava nos relvados de forma deprimente, e para o clube, que encontraria em Luiz Phellype um goleador inesperado – que deu tempo ao holandês para se recompor psicologicamente. Ainda alinhou nas últimas quatro partidas – sempre como suplente usado -, mas foi o suficiente para voltar a colocar o seu nome na lista dos marcadores por duas ocasiões, ambas no Jamor, contra Belenenses e Porto, parecendo-se muito mais com o Dost que nos habituámos a admirar. 

É pouco provável que continue devido ao incomportável salário que Cintra lhe ofereceu quando voltou da rescisão. O Sporting não se pode dar ao luxo de pagar 6 milhões de euros brutos a um único jogador. 


Luiz Phellype: ** 

Analisando estritamente do ponto de vista do custo/rendimento, a contratação de Luiz Phellype foi um completo sucesso - nos últimos anos, apenas um jogador ficou acima nesta escala: Islam Slimani. O brasileiro não se integrou de imediato e precisou de tempo para apurar a forma física. A lesão de Dost deu-lhe o tempo e o espaço que precisava para se impor. Nos últimos 10 jogos da temporada, assinou 8 golos, incluindo um golo no Dragão e o penálti decisivo na final da Taça. 

Ainda é difícil avaliar se Luiz Phellype tem o que é necessário para ser o ponta-de-lança do Sporting. A forma como o Sporting se apresentou nos últimos meses não era propício a um volume de jogo ofensivo propício para alimentar goleadores, mas o brasileiro conseguiu uma taxa considerável de concretização das oportunidades flagrantes de que dispôs. Independentemente disso, é um jogador com quem se poderá contar para 2019/20. 


Fredy Montero: * 
2017/18: **
2015/16: *
2014/15: ** 
2013/14: **

Montero foi em 2019/20 exatamente aquilo que dele se poderia esperar: talentoso tecnicamente, mas sem a consistência competitiva necessária, podendo, no máximo, ser considerado um jogador útil para se ter no plantel. No entanto, os 3 milhões de euros anuais que recebia obrigavam a que fosse mais do que um jogador útil e pouco fiável, pelo que a decisão de o deixar sair para a MLS se compreende perfeitamente. 


Pedro Marques: - 

31 minutos na Liga Europa para se mostrar aos sportinguistas. Precisa de se impor nos sub-23 antes de poder ambicionar fazer parte do plantel principal. 


Raphinha: ** 

Não teve um começo de época complicado, com exibições abaixo do esperado – como tantos outros colegas – com Peseiro, ao que se juntou uma lesão contraída dias antes da entrada de Keizer que o deixou de fora dos relvados até ao final de dezembro. Progressivamente foi ganhando o seu espaço na equipa e terminou a época em bom nível como titular. 7 golos e 5 assistências são números abaixo do que pode fazer, mas, agora que está plenamente adaptado ao clube e ao treinador, tem todas as condições para explodir em 2019/20. 


Abdoulay Diaby: * 

Um caso oposto ao de Raphinha. Diaby tem números (7 golos e 8 assistências) que dão uma imagem errada (pela positiva) daquilo que rendeu em campo. Cintra apresentou-o como o jogador mais rápido do futebol português (Rafa deve ter-se rido às gargalhadas), e, de facto, Diaby assemelhou-se mais a um atleta do que a um futebolista – mas não na velocidade, mais na sua (falta de) relação com a bola, tantos foram os momentos constrangedores que proporcionou. Um flop de 5,5 milhões que não tem lugar no plantel da próxima época. 


Jovane Cabral: * 

Teve um impacto inesperadamente positivo na fase inicial da época. Soube fazer uso da sua capacidade física quando lançado a meio da segunda parte para abanar o jogo. É, efetivamente, um jogador útil para ter no banco, como atestam os números: 4 golos e 8 assistências em 1.193 minutos de utilização, que dá uma média inferior a 1 golo/assistência por cada 100 minutos. No entanto, não tem capacidade neste momento (nem sei se alguma vez terá) para mais do que isso. Jogando como titular, raramente conseguiu justificar a aposta. Jovane marcou 4 golos e fez 5 assistência entrando como suplente; como titular apenas registou 3 assistências. 

Suponho que em 2019/20, o melhor para Jovane seja o empréstimo a outra equipa da I Liga. 


Nani: ** 
2014/15: ** 

Foi provavelmente a grande contratação da época e foi um dos jogadores em destaque com José Peseiro – numa altura em que Bruno Fernandes estava a render muito abaixo do que pode. Esteve ao nível das expetativas criadas, jogando e fazendo jogar, ainda que – mais uma vez -, grande parte das bancadas não conseguisse compreender as suas contemporizações à espera de uma boa opção para dar sequência à jogada. 

A sua saída em janeiro foi, por isso, inesperada e mal compreendida entre os adeptos. A componente salarial terá tido um peso fulcral nessa decisão, mas, ao que se diz, não seria fonte de bom ambiente no balneário. A verdade é que a equipa não se ressentiu da sua saída - nem desportivamente, nem, sobretudo, ao nível da liderança dentro de campo.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Cortes que valem ouro

Já passaram 4 dias desde a vitória na Taça, mas não queria deixar de colocar aqui dois cortes realizados por Raphinha e Mathieu no espaço de poucos minutos, num período crítico do jogo.

O primeiro pela rapidez como Raphinha recuperou terreno em relação a Brahimi, conseguindo desviar a bola no preciso momento em que o argelino se preparava para finalizar em posição privilegiada. Valeu autenticamente um golo. O segundo pela habitual classe do francês a limpar uma jogada de perigo.

Vale a pena rever.


segunda-feira, 6 de maio de 2019

Oito

UM. A forma como o jogo decorreu acabou por apontar os holofotes noutras direções, mas deve ser sublinhada a importância de dois momentos de Raphinha para que a tarde fosse tão tranquila: o golo inaugural após interceção oportuna e finalização de classe; e a desmarcação e drible sobre Muriel que, para evitar o iminente segundo golo do brasileiro, fez falta para cartão vermelho - praticamente sentenciando o destino dos três pontos. Pode não ter tido tanto a ver com a goleada como outros colegas, mas nenhum outro jogador esteve tanto na génese desta vitória como Raphinha.

DOIS. Mais um jogo, mais um golo de Luiz Phellype. Com alguma colaboração de Guilherme Oliveira, é certo, mas mais um golo. Depois de algumas dificuldades iniciais - a utilização esporádica não ajudou, certamente -, o brasileiro contratado ao Paços teve o mérito de aproveitar da melhor forma a lesão de Dost e já leva sete golos nos últimos seis jogos para o campeonato. Desde que veio para o Sporting, leva uma interessante média de um golo marcado a cada 97 minutos. Se lhe acrescentarmos as 3 assistências que já soma, então temos uma ação decisiva a cada 68 minutos. Nada mau para uma contratação de 500.000 euros. Ontem, para além do golo já referido, teve influência direta em dois dos golos de Bruno Fernandes: foi sobre Luiz Phellype que foi cometido o penálti do 1-4, e foi autor de delicioso trabalho pela direita que culminou num passe altruista para o capitão fazer o 1-5.  

TRÊS. Os três golos marcados fazem de Bruno Fernandes a figura do jogo, que elevam para 31 (trinta e um) os tentos apontados na época colocam-no como o médio mais concretizador da história do futebol europeu numa só época. Mas não foi apenas isso: fez também o passe de régua e esquadro que desmarcou Raphinha no lance da expulsão de Muriel, o passe para o golo de Dost (não conta como assistência porque o holandês apenas marcou na recarga), e ainda uma assistência no golo de Luiz Phellype. Ou seja, mais uma exibição superlativa a preencher uma época de antologia.

QUATRO. Foi o cenário ideal para o regresso de Bas Dost, cerca de dois meses após o seu último jogo, considerando que o fosso psicológico em que o ponta-de-lança estava metido. Muito aplaudido no momento em que foi para o aquecimento e muito aplaudido quando entrou, precisou apenas de dois minutos para faturar e foi visível a alegria do holandês e de todos os seus colegas pelo regresso aos golos. Teve ainda uma ação decisiva no último golo, com uma simulação em que deixou a bola à mercê de Doumbia.

CINCO. Estreias a marcar de Gudelj e Doumbia, e de Borja a assistir. Mais uma assistência para Acuña e Diaby.

SEIS. Não foi preciso ao Sporting acelerar muito para ir para o intervalo com uma vantagem de dois golos. A segunda parte prosseguiu num ritmo médio e foi baixando gradualmente ao ponto de permitir ao Belenenses subir de forma mais insistente e chegar ao golo - mau passe de Mathieu e má abordagem de Borja, Ljujic passa com facilidade por Coates e remata cruzado para defesa incompleta de Renan (podia ter feito melhor) que Licá aproveitou da melhor forma. O golo da equipa da casa teve o condão de despertar o Sporting, que daí para a frente aumentou de forma drástica os níveis de agressividade e velocidade - que se traduziram em mais 6 golos no espaço de 25 minutos. 

SETE. Bela tarde de primavera, que, para além da goleada, serviu de adaptação ao relvado e à iluminação natural do Jamor com vista à final da Taça de Portugal. Foi pena que não houvesse mais sportinguistas nas bancadas.

OITO. Para além do registo histórico do número oito (Bruno Fernandes), os oito golos marcados são também assinaláveis. É preciso recuar 52 anos para encontrarmos outro jogo em que uma equipa marcou pelo menos oito golos num jogo do campeonato português na condição de visitante (Beira Mar 0-9 Benfica). O Sporting, em particular, não marcava tanto para o campeonato na condição de desde 1940 (Leixões 2-9 Sporting) (dados @playmaker_PT). Goleada histórica.

domingo, 28 de abril de 2019

Raphinha contra as indignações

Toda a gente sabe que a liga portuguesa é uma competição que, nas últimas décadas, tem sido recorrentemente marcada por decisões incompreensíveis de arbitragem com impacto direto nos resultados de jogos e na definição de campeões. No entanto, esses erros sempre foram passando por entre os pingos da chuva. O leque de argumentos desculpabilizadores utilizado pelos comentadores da nossa praça é vasto e bem conhecido do adepto de futebol: que o árbitro é humano, que o erro faz parte do jogo, que são decisões que têm de ser tomadas em milésimos de segundo, terminando na habitual e aberrante conclusão de que, no final da época, os benefícios e prejuízos equilibram-se e ninguém tem reais razões de queixa.

Isto, obviamente, não se aplica às raras situações em que o Sporting é ostensivamente beneficiado. Aí os nossos especialistas descobrem que, afinal, os árbitros não têm a qualidade desejável, que o VAR não funciona, que o protocolo do VAR tem de ser revisto, que há erros que efetivamente podem mudar o rumo de um jogo. Ontem, quem teve o azar de seguir o jogo pela Sport TV, pôde voltar a viver essa experiência de forma bem intensa. "Um erro incompreensível", lamentava repetidamente o locutor de serviço durante os cinco minutos em que o jogo esteve parado. que rapidamente concluiu que o golo devia ter sido anulado e que devia ser assinalado penálti a favor do V. Guimarães. Um par de minutos depois de reatado o jogo, Luiz Phellype remata à barra e o locutor, em vez de falar na oportunidade desperdiçada ou no grande passe de Bruno Fernandes, preferia voltar a falar do erro do árbitro. Continuou a pisar e repisar o tema até que, já durante os descontos, recebeu a indicação que se calhar a falta tinha sido fora da área e que era possível que o V. Guimarães tivesse tido posse de bola entre o momento da falta e o momento do golo. 

Tudo espremido, houve de facto um erro de Rui Costa: falta óbvia de Acuña que daria direito a um livre direto na quina da área a favor do V. Guimarães. O golo de Raphinha foi corretamente validado porque o VAR não podia intervir a partir do momento em que não houve penálti e em que houve mudança na posse de bola entre a falta e o golo. Ou seja, acaba por sobrar apenas mais uma sessão de indignação forçada que lá servirá para alimentar narrativas que conhecemos de gingeira.

Polémica à parte, foi uma bela tarde de futebol, com um estádio cheio que pôde assistir a um jogo de sentido único e sem grande história. Após 10 minutos de algum ascendente territorial visitante, o Sporting arrancou para uma exibição em que demonstrou uma superioridade clara, criando múltiplas ocasiões para marcar. Em vez de irmos para o intervalo com uma goleada, fomos apenas um golo marcado por Raphinha - fraca recompensa para a produção ofensiva da equipa que proporcionou quatro bolas nos ferros (Raphinha, Bruno Fernandes, e Luiz Phellype por duas vezes) e um punhado de boas intervenções de Miguel Silva. A história repetiu-se na segunda parte até ao golo de Luiz Phellype (boa finalização após mais uma boa jogada de Raphinha, numa jogada que começou num passe longo de Renan a solicitar o brasileiro na linha) que selou o marcador. A partir daí, a equipa limitou-se a gerir a vantagem até ao final sem quaisquer sobressaltos.

Destaque óbvio para Raphinha (um golo, uma assistência e uma constante dor de cabeça para a defesa adversária, na sua melhor exibição da época), Luiz Phellype (mais um golo, já vão 6 nos últimos 5 jogos do campeonato) e Bruno Fernandes (uma assistência), bem acompanhados por Wendel e Doumbia. De referir também o bom desempenho defensivo em mais um jogo em que voltámos a não conceder qualquer oportunidade ao adversário (nos últimos 7 jogos, o Sporting sofreu apenas 2 golos) e que ajudou a garantir um triunfo incontestável que aumenta a série de vitórias consecutivas para 9. Que no final da época sejam 13.

P.S.: no final do jogo, um indignado Júlio Mendes foi à sala de imprensa reclamar da arbitragem, dando sequência a uma bonita tradição que os presidentes de clubes minhotos fazem questão de implementar quando se deslocam a Alvalade. Pena que não tenha feito o mesmo, por exemplo, quando, em agosto, sofreu um golo em claro fora de jogo no Dragão, ou quando foi escandalosamente prejudicado em 15/16 por uma Xistralhada épica com múltiplos erros grosseiros a favorecer o Benfica (dois penáltis por assinalar a favor do V. Guimarães e duas expulsões perdoadas a Eliseu e Jardel). Nessa altura só falou 4 dias depois... para defender Sérgio Conceição. Sobre Xistra... só disse isto.



Coerência não é, definitivamente, o seu forte. Mas sejamos compreensivos: Júlio Mendes não terá tido um dia fácil: acabou com uma azia do tamanho de um camião.

sábado, 16 de março de 2019

Soporífero

Depois das justificações que Keizer foi dando entre dezembro e fevereiro - apontando a falta de frescura física como fator principal para a queda exibicional -, seria de esperar que, a partir do momento em que voltámos a jogar uma vez por semana, se fosse registando uma melhoria gradual no desempenho da equipa. O que vimos ontem, frente ao Santa Clara, foi precisamente o oposto. 

A primeira parte que o Sporting realizou é inconcebível. Foram 45 minutos de apatia generalizada, com jogadores pouco mais que plantados em campo e executando de forma previsível e angustiantemente lenta. A segunda parte valeu pelos primeiros quinze minutos. Foi o único período em que a equipa procurou a bola e o golo de forma insistente, culminando no remate de Raphinha que acabaria por determinar o resultado final. Pelo meio, os açorianos podiam ter marcado num penálti de bola corrida que, felizmente, embateu nas costas de Ristovski e saiu pela linha final. Depois do golo, o Sporting entregou a iniciativa ao Santa Clara e as oportunidades de golo rarearam de parte a parte até final. 

Do ponto de vista individual, Raphinha foi o jogador que mais se destacou pelas situações de desequilíbrio que conseguiu ir gerando - o problema é que esteve quase sempre mal acompanhado. Bruno Fernandes não sabe jogar mal e Acuña voltou a estar num nível aceitável. Doumbia cumpriu nesta chamada à titularidade, justificando novas oportunidades. No plano negativo, é impossível ignorar o momento de total falta de confiança por que passa Dost - uma sombra do enorme ponta-de-lança que é - e voltámos a ser obrigados a ver Diaby a envergar a nossa camisola. O maliano é um desastre tático, técnico e mental com duas pernas. 

Valeu exclusivamente pelos três pontos, numa noite que foi um suplício para os resistentes que ainda vão marcando presença nas bancadas e que, apesar de desiludidos com mais uma temporada fracassada, encontrariam algum conforto se se observassem sinais de melhoria que deixassem antever um 2019/20 mais promissor.

E é essa a grande questão do momento e que se arrastará até maio: é fundamental que Keizer demonstre JÁ capacidade de subir o rendimento da equipa se quiser continuar como treinador na próxima época. Compreendo que não foi o holandês que escolheu o plantel com que tem de trabalhar, mas, no contexto de um jogo disputado por semana, tem matéria-prima mais que suficiente para vencer confortavelmente 75% dos jogos. Em 2019, dos 18 jogos disputados, apenas em 3 ocasiões vencemos de forma tranquila - em todos os outros, a incerteza do resultado manteve-se até ao apito final do árbitro ou até muito perto do fim. Não havendo melhorias significativas nos 9/10 jogos que restam, entrará na próxima época imensamente pressionado e sem qualquer margem para errar.

domingo, 10 de março de 2019

Uma questão de prioridades

Ontem, no Bessa, havia três pontos para ganhar e os três pontos foram conquistados. Apesar de a "luta" pelo 3º lugar ser algo que não aquece nem arrefece, é importante ir amealhando todos os pontos em disputa de forma a não agravar a crise desportiva que atravessamos. Nesse sentido, a vitória de ontem, apesar de sofrida, foi uma missão cumprida. No entanto, ir ganhando não é suficiente. É fundamental aproveitar os jogos do campeonato que nos restam para ir lançando, na medida do possível, a próxima temporada - desenvolvendo jogadores, ambientando os reforços às particularidades do futebol português, e evitar a utilização daqueles que já se sabe que não farão parte do plantel de 2019/20.

Infelizmente, parece faltar ao futebol do Sporting uma estratégia a médio prazo face à ausência de objetivos relevantes a curto prazo. Ou - igualmente preocupante - a estrutura de futebol do Sporting poderá ter uma estratégia definida nesse sentido, mas, nesse caso, Keizer não estará a colaborar na sua implementação. Seguem-se dois exemplos.

Primeiro, Gudelj. Foi novamente titular e, para não variar, foi uma espécie de elemento neutro no coletivo: não só defende sofrivelmente como não acrescenta nada ao ataque, ao ponto de Coates e Mathieu terem sido mais úteis e incisivos na manobra ofensiva. João Pinheiro fez-nos o favor de amarelar o sérvio num lance que não justificava qualquer cartão, assegurando, assim, que ficará de fora por suspensão contra o Santa Clara. Ao invés, Doumbia - que, em teoria, veio em janeiro para reforçar o nosso meio-campo defensivo - teve uns míseros quinze minutos para mostrar serviço. Mais uma vez aproveitou-os bem, deixando-me (e seguramente a muitos outros sportinguistas, nos quais, aparentemente, não se inclui o treinador) com vontade de o ver mais tempo em campo.

Segundo, as opções de ataque para o Bessa. Dost ficou em Lisboa por lesão. Luiz Phellype foi titular à força e ficámos com Diaby como primeira opção de banco para ponta-de-lança e extremo. Esta última frase, de tão deprimente que é, demonstra bem a falta de soluções que temos na frente. Para mim, é inconcebível que Diaby - um flop caríssimo - fique no Sporting na próxima época e que Luiz Phellype seja mais do que uma terceira opção para ponta-de-lança. Em Portugal, a receita para o título obriga à existência de dois avançados titulares que valham 15 ou mais golos por época e, neste momento - considerando o fosso psicológico em que Dost está metido - o Sporting não tem nenhum. Mas não faria mais sentido ter-se levado ontem um ponta-de-lança dos sub-23 para o banco, em vez de lá termos dois centrais (André Pinto e Ilori)? 

Voltando ao jogo. Mesmo jogando com menos dois (e menos três a partir dos 75'), o Sporting fez mais do que o suficiente para ganhar ao Boavista e justificou a vitória. Depois de se ver a perder desde praticamente o início do jogo em mais um lance digno dos apanhados, a equipa de Keizer dominou a partida por completo e criou variadíssimas oportunidades para marcar. A indefinição no marcador até ao fim apenas se explica pelas tais carências no ataque: o Sporting fez 22 remates, 15 dos quais dentro da área, o que significa que chegou com muita facilidade à área de Bracalli mas que falhou redondamente no momento da finalização. Frente a um Boavista tão frágil, não deveria ter sido necessário recorrer ao tempo de descontos para consumar a reviravolta no marcador.

Em relação às exibições dos nossos jogadores, destaques positivos para Acuña (a raça pode ser uma qualidade valiosa quando a falta de confiança emperra os processos coletivos), Coates (foi capaz de desequilibrar em condução, à falta de médios que fizessem o mesmo), Raphinha (a espaços, é certo, mas foi decisivo no resultado), Mathieu (que falta nos fez a sua classe nas últimas semanas), Borja (mais um bom jogo, confirmando que é reforço) e Doumbia (no pouco tempo que esteve em campo).

O penálti que nos deu a vitória é polémico. Eu não o teria assinalado - não vi intensidade suficiente no toque de Edu Machado sobre Raphinha -, mas também não teria assinalado uns seis ou sete lances idênticos a meio-campo que João Pinheiro considerou falta. O árbitro manteve o (mau) critério que seguira até então e o VAR não tinha poder para reverter a decisão. Dispensa-se, no entanto, o rasgar de vestes dos indignados que, aparentemente, andam distraídos e não têm reparado nas inqualificáveis arbitragens que têm prejudicado o Sporting de novembro para cá.

domingo, 30 de dezembro de 2018

Quatro para a final four

Depois de uma derrota caseira com o Estoril que comprometeu a qualificação para a final four e nos obrigou a partir para este final de tarde de calculadora na mão, o Sporting conseguiu retomar as exibições recheadas de muitas oportunidades e golos.

A equipa entrou ontem em campo apenas com uma certeza: era obrigada a ganhar para seguir em frente. Não perdeu tempo na procura do primeiro golo, que acabaria por chegar bem cedo. Depois disso, passou a ser um jogo em que, mesmo estando a ganhar, era aconselhável avolumar o resultado para colocar a equipa a salvo das incidências do Marítimo - Estoril. E por isso continuou à procura do segundo golo, do terceiro golo e do quarto golo. E mesmo numa altura em que já não restavam dúvidas sobre quem iria passar à fase seguinte ainda foi à procura do quinto.  Poderão haver ocasionalmente noites menos felizes como a de Guimarães, mas ninguém pode negar a esta equipa uma mentalidade virada para o ataque, para o golo e para o espetáculo, independentemente do resultado e das necessidades do momento.

Só não foi uma noite totalmente tranquila porque houve mão da arbitragem a prolongar a dúvida sobre quem venceria o grupo, relembrando-nos os motivos pelo qual é tão importante a existência de VAR no futebol português. No final registou-se mais uma vitória volumosa e a certeza de que o Sporting estará presente em Braga para defender o título conquistado na época passada. 



Qualificação - mesmo sendo o menor dos quatro objetivos da época, era importante a qualificação para uma final four que promete ser escaldante: a meia-final entre o Sporting e o Braga está garantida, que será complementada, previsivelmente, por um Benfica - Porto na outra meia-final.

Show Bruno - começa a ser uma observação recorrente, mas a verdade é que Bruno Fernandes foi mais uma vez o melhor em campo. Mais uma assistência e um golo fantástico - picando a bola sobre o guarda-redes após passe de Coates - para juntar a uma coleção que começa a ficar bastante preenchida.

A alternativa Petrovic - o sérvio foi a principal surpresa no onze e correspondeu por completo à aposta de Keizer. Esteve bem com a bola nos pés - ajudou ter sido pouco pressionado pelos homens mais adiantados do Feirense - mas destacou-se sobretudo pelo trabalho defensivo. Já tinha entrado muito bem no jogo da Taça de Portugal com o Rio Ave, e repetiu a boa exibição. A amostra ainda é curta, mas não parece sentir-se desconfortável neste novo sistema e é um upgrade a Gudelj ao nível das recuperações de bola e restantes ações defensivas.

Outros destaques - o golo de Raphinha num movimento a cortar para o interior que se adivinha muito produtivo no futuro; Acuña a mostrar mais uma vez que é muito mais útil a lateral do que como extremo, quer a atacar quer a defender (e não viu nenhum amarelo!); exibição seguríssima de Salin no controlo de profundidade e no jogo de pés; o fantástico corte de Mathieu a resolver uma situação de desvantagem numérica de 1x3 que muito provavelmente iria dar o empate ao Feirense.


A melhor derrota da época - não há derrotas boas, mas agora já podemos dizer com total segurança que derrota caseira com o Estoril foi um mal que veio por bem. Não só abriu a porta da rua para o deprimente futebol de Peseiro, como acabou por não ser fatal para a continuidade na Taça da Liga.



Desperdício - marcaram-se quatro golos, mas facilmente poderiam ter sido bastantes mais. Não foi de todo uma noite de eficácia na finalização, com várias oportunidades a serem esbanjadas de forma incrível. Destaque pela negativa para Diaby: começou por falhar um golo no um para um com Brígido, e terminou a falhar um golo com a baliza completamente escancarada após o remate ao poste de Jovane.



Nota artística - 3

MVP - Bruno Fernandes

Arbitragem - Já todos sabem que Rui Costa é um árbitro sem qualidade para estas andanças, e hoje voltou a comprová-lo. Não viu intensidade no empurrão que Raphinha sofreu na área - penálti claro -, e poucos minutos borraria em definitivo a pintura quando foi o único a conseguir vislumbrar uma falta inexistente de Petrovic. Penálti e golo para o Feirense, que relançava injustamente o jogo e a discussão pela qualificação. Junte-se a isto erros a mais na avaliação das faltas, e uma permissividade disciplinar que permitiu que Diga e Philipe Sampaio acabassem o jogo sem saber bem como. O penálti sobre Dost foi bem assinalado.



Um regresso às vitórias que ainda deu para gerir o plantel nos minutos finais, já com o Belenenses em mente. Um jogo marcado para as 18h de uma quinta-feira (!). Se tiver oportunidade irei abordar a questão dos horários dos jogos do Sporting em breve.

domingo, 30 de setembro de 2018

Uma oportunidade e meia, dois golos e três pontos

Depois da derrota em Braga, exigia-se uma resposta categórica na partida de ontem contra o Marítimo. Essa resposta surgiu... parcialmente. O Sporting teve uma boa entrada em jogo e fez por chegar rapidamente ao golo, que apareceria logo ao oitavo minuto. A partir daí a preocupação da equipa limitou-se quase exclusivamente a controlar o adversário, contribuindo para um jogo que teve muito poucos momentos de interesse, emoção... e aflição.



Uma oportunidade e meia, dois golos e três pontos - o jogo valeu praticamente apenas pela jogada que originou o penálti: arrancada de Jovane e passe de rutura para Raphinha, que passa por Amir e é derrubado. O golo de Montero surgiu de um ressalto feliz na área, o Marítimo só não marcou no final da primeira parte graças a um excelente corte de Acuña... e não há rigorosamente mais nada para contar. Três pontos na algibeira e mais um jogo que rapidamente desaparecerá da memória de quem assistiu no estádio ou pela televisão. 

O patinho feio - Petrovic voltou à titularidade e acabou por fazer um bom jogo. Sólido a defender e mais solto a participar na construção - dentro das limitações que são conhecidas, claro -, fez por merecer a aposta do treinador. O facto de se ter conseguido destacar diz muito daquilo que foi a exibição da equipa.

O regresso de Mané - deu apenas para tocar uma vez na bola, mas o regresso de Mané aos jogos oficiais em Alvalade acabou por ser um dos melhores momentos da noite. A atitude de Bruno Fernandes no final em dar-lhe o prémio de homem do jogo foi muito bonita.




Segunda parte soporífera - os jogadores do Sporting controlaram as operações mas não tiveram interesse em apertar o adversário; os jogadores do Marítimo tiveram interesse em recuperar da desvantagem mas não tiveram capacidade para abanar a defesa do Sporting. O melhor momento da segunda parte foi o árbitro ter tido piedade do público e só ter dado dois minutos de descontos.

Assobios - sinceramente, não consigo entender o motivo dos assobios numa altura em que o resultado estava praticamente garantido. Compreendo (e concordo) que, mais uma vez, a qualidade de jogo deixou muito a desejar, mas a verdade é que não me lembro, nos últimos anos, de ter assim tantos jogos em que se teve este nível de controlo. Pelo menos que guardassem os assobios para o final...

Banco - olhar para o banco e ver que os jogadores de campo eram Marcelo, Jefferson, Misic, Mané, Diaby e Castaignos apenas dá vontade de acender uma velinha a todos os santos para que o jogo decorra sem grandes problemas.



MVP - Petrovic

Nota artística - 2

Arbitragem - bom trabalho de Nuno Almeida. Bem na decisão de assinalar penálti, e bem na exibição dos cartões.



O Sporting partilha para já a 3ª posição com Braga e Rio Ave, a dois pontos da liderança, pondendo ficar a três pontos caso o Braga vença amanhã o Belenenses no Jamor. Nestas seis primeiras jornadas, o Sporting ainda só não defrontou dois dos seis primeiros classificados (Porto e Rio Aves, já tendo jogado contra Benfica, Braga e Marítimo). Tem havido muito pouco futebol, continuam a existir bastantes indefinições no onze e no plantel, mas há que conceder que foi um arranque de calendário bastante complicado.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Cair na realidade

Depois de seis jogos oficiais em que ganhámos cinco vezes e empatámos apenas uma, perder em Braga servirá certamente para o mundo sportinguista voltar a cair na realidade. Não com estrondo - porque perder em Braga há muito que deixou de ser um resultado escandaloso, porque tivemos ocasiões suficientes para conseguir outro resultado, e porque estamos a três pontos da liderança após termos feito duas das deslocações mais complicadas que esta liga tem para oferecer -, mas suficientemente relevante para nos relembrarmos que quando não se sabe jogar bem, quando não se sabe jogar coletivamente, de forma consistente, está-se mais perto de não ganhar. 



Raphinha mais dez - está a assumir o papel de destaque que no princípio da época passada coube a Bruno Fernandes. Foi de longe o jogador mais difícil de controlar e esteve perto do golo um par de vezes com remates de fora da área.

Onze mais consolidado - não que tenha servido de grande coisa hoje, mas é bom ver que Peseiro já percebeu definitivamente (espero eu) que Acuña tem de jogar a lateral. Mais um ajuste no bom sentido, depois de Raphinha ter ficado no banco nas duas primeiras jornadas e das experiências falhadas de Petrovic, Misic e Acuña ao lado de Battaglia.



Carências coletivas - à semelhança dos jogos anteriores, voltámos a não conseguir ver uma equipa capaz de ser superior à soma das suas individualidades. Isto deve-se às ideias (ou falta delas) do treinador, que não modela o nosso processo de construção em função dos pontos fortes dos nossos melhores jogadores: ter Nani, Bruno Fernandes, Raphinha e Montero em campo e encostar invariavelmente a bola à faixa lateral é uma aberração, limitando a capacidade de desequilíbrio e criando uma clareira no centro do terreno que depois acaba por ser um problema duplo quando o adversário recupera a bola e tem uma imensidão de espaço para jogar; pior fica quando a alternativa para fazer a bola chegar aos jogadores mais adiantados é o chutão para a frente dos centrais; e é constrangedor ver, em diversas ocasiões, jogadores a cruzarem para a área em situações de 2x5 ou 2x6, em que nenhum dos nossos dois é especialista no jogo aéreo. Mantendo esta "estratégia", certamente que o Sporting continuará a ganhar muitos jogos. Mas será por ter melhores jogadores, não por ter melhor equipa.

Carências individuais - creio que fica tudo dito quando precisamos de ir ao banco buscar um ponta-de-lança e só temos Castaignos. Compare-se agora com as alternativas que os rivais têm para a posição mais importante de uma equipa de futebol. Pois...

Falta de eficácia - duas oportunidades de Raphinha, o remate de Jovane bloqueaado por Tiago Sá, o cabeceamento de Nani defendido para canto, outro de Coates ao lado, dois remates a rasar o poste de Bruno Fernandes. Não foi por falta de oportunidades que não marcámos, mas também não se pode ignorar que: a) nenhuma das oportunidades foi finalizada por um ponta-de-lança; b) mesmo que fosse, não havia nenhum ponta-de-lança que seja um matador, pelo que o mais provável era que a bola não entrasse na mesma.


MVP - Raphinha

Nota artística - 2

Arbitragem - Artur Soares Dias adotou ontem o estilo inglês e decidiu deixar jogar. Ficaram alguns amarelos por mostrar, mas o essencial é que não teve influência no resultado.



Primeira derrota na época, primeira oportunidade para ver como reagirá o treinador e a equipa à adversidade. É obrigatório haver uma reação categórica no sábado contra o Marítimo, e não falo apenas ao nível do resultado. É preciso mostrar muito mais futebol.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Há hábitos piores para se ter

É verdade que o Qarabag é tudo menos um colosso europeu, é um adversário contra quem tínhamos obrigação de vencer em casa, mas pode ser uma equipa chata - como se pode avaliar pela sua participação na Liga dos Campeões em 2017/18, quando empataram por duas vezes com o Atlético Madrid e venderam caras as derrotas tangenciais contra a Roma. Ontem, foi precisamente isso: uma equipa chata com qualidade suficiente para segurar um Sporting que não entrou particularmente preocupado em resolver rapidamente o jogo: a primeira parte foi bastante pobre, com sinais de melhoria nos últimos dez minutos que depois teriam sequência na segunda parte.

Na realidade, aquilo que se passou ontem para a Liga Europa não foi diferente do que tem sido a tendência neste início de época: mais uma vez, o Sporting fez uma exibição globalmente pouco entusiasmante; mas no final saiu com um resultado positivo. Jogar pouco e ganhar. Há hábitos piores para se ter.



As jogadas dos golos - a verticalidade do primeiro golo (com uma maravilhosa assistência de Nani) e a raça do segundo (com o bónus da maldade de Montero) valeram bem o custo do bilhete.

Valores emergentes - Raphinha foi mais uma vez fundamental, com um golo e uma assistência, e não há dúvidas de que ganhou um lugar no onze. Jovane, entrando apenas a cinco minutos do fim, parecia condenado a ter o seu primeiro jogo sem ter um impacto importante no resultado (penálti sofrido contra o Moreirense, assistência contra o V. Setúbal, Golo contra o Feirense, penálti sofrido contra o Marítimo), mas fez bom uso do tempo que lhe deram com mais um golo. Dois valores emergentes que, para além da posição, partilham uma característica fundamental: gostam de aparecer em zonas de finalização.

Acuña na lateral - é um upgrade claro em relação a Jefferson, muito mais fiável a defender e muito mais agressivo no um contra um. Apesar de ter jogado a lateral, parece-me que apareceu mais vezes em funções ofensivas do que nas ocasiões em que jogou a extremo. Espero que seja para se manter ali.



A lesão de Mathieu - depois de uma ausência de várias semanas, voltou a lesionar-se ontem. Que não seja grave.

Distrações a mais - houve demasiados momentos de desconcentração que, felizmente, não tiveram consequências graves. Defensivamente, as únicas oportunidades do Qarabag nasceram de ofertas nossas (Coates e Gudelj). Ofensivamente, tivemos ocasiões soberanas para marcar que não foram aproveitadas por falhas de entendimento que não deviam acontecer.



Missão cumprida no arranque da Liga Europa. Na próxima jornada espera-nos uma viagem à Ucrânia onde poderemos dar um passo gigante para o apuramento para a fase seguinte.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Tudo bem feito

O jogo não foi grande coisa, mas as jogadas que estiveram na origem dos dois golos valem o preço do bilhete. O primeiro pela verticalidade e objetividade da circulação de bola entre Mathieu, Bruno Fernandes, Nani e Raphinha, o segundo pela raça de Acuña e Montero a recuperarem a bola, e a classe do colombiano para desembaraçar do adversário - Raphinha e Jovane fariam (também muito bem) o resto.

Aqui ficam os golos. Vale a pena rever.



domingo, 2 de setembro de 2018

Muito mais que três pontos

Por todos os motivos e mais algum, o jogo de ontem era daqueles em que não podíamos perder pontos. No entanto, as dificuldade exibicionais que temos revelado e o bom arranque de época do Feirense deixavam antever uma partida complicada, e foi precisamente isso que se verificou. Apesar de uma boa entrada do Sporting no jogo, o Feirense foi progressivamente adaptando-se de forma a tapar os caminhos para a sua área - é certo que as oportunidades de golo não deixaram de ir aparecendo, mas nunca num ritmo que indiciasse qualquer tipo de domínio total das operações. O facto de o golo apenas ter aparecido aos 88 minutos é prova suficiente das dificuldades que o Sporting teve para conquistar os três pontos.

Foi uma vitória justa face à quantidade de oportunidades de golo que o Sporting criou, mas não nos podemos iludir: se os problemas crónicos deste modelo de Peseiro se mantiverem, estaremos sujeitos a perder pontos em qualquer jogo.




Muito mais que três pontos - o Sporting voltou a ter uma exibição pouco cativante, mas isso é neste momento uma questão secundária, por dois motivos. O primeiro é chegámos ao fim deste primeiro ciclo de jogos com quatro bons resultados, permitindo que Peseiro tenha a tranquilidade necessária para utilizar as próximas três semanas para integrar os últimos reforços e começar a corrigir os vários problemas que estão à vista de todos. O segundo, tão ou mais importante, é que os sportinguistas poderão concentrar-se nas eleições da próxima semana sem o empecilho de um mau resultado no futebol a intrometer-se numa decisão importantíssima.

Talismã - Jovane entrou e abanou de imediato o jogo, demonstrando que a velocidade e pujança física são atributos sempre úteis quando não existem processos coletivos que arranjem os espaços para criar perigo. Pela terceira vez entrou, pela terceira vez foi decisivo - depois de sofrer um penálti e de fazer uma assistência, desta vez contribuiu com o único golo da partida. Seria impossível desejar um melhor início de época.

Raphinha mais dez - o uso desta expressão é obviamente um exagero, considerando que existem outros jogadores que são imprescindíveis, mas Raphinha não só justificou mais uma vez a titularidade como demonstrou argumentos mais que suficientes para a manter nos próximos jogos. O ponto mais alto da sua exibição foi o genial momento de inspiração no lance do golo, ao colocar a bola por entre as pernas de Alphonse a solicitar Ristovski, que faria a assistência para Jovane (a segunda em quatro jogos). Mas houve bastante mais Raphinha no resto do jogo, tendo sido o elemento que mais sobressaiu numa exibição frouxa da equipa, graças ao bom uso que faz da sua capacidade de explosão e da qualidade que tem no momento de definir.

Nani organizador - parece-me claramente desperdiçado quando joga encostado à ala. O atual mau momento por que Bruno Fernandes e a inexistência de um meio-campo com passa acaba por fazer recair em Nani a responsabilidade de organizar o ataque. As suas pausas costumam irritar as bancadas, mas não houve um único caso em que não tenha acabado por fazer o melhor para a equipa.



Meio-campo procura-se - é o maior problema que Peseiro tem para resolver. Na primeira parte foi fraco, mas nos primeiros vinte minutos da segunda foi angustiante. Quando tem a bola, a equipa joga partida em dois blocos porque nem Battaglia nem Acuña (ou Misic, ou Petrovic) demonstram capacidade para fazer a ligação entre eles quando existe qualquer tipo de oposição à saída para o ataque. A consequência é que acabam por ser os centrais a bombear o esférico para a frente, onde os extremos ou o ponta-de-lança estão entregues a si próprios contra um marcador direto que está de frente para o jogo. Como seria de esperar, são muito mais os lances que se perdem do que os que acabam por dar em alguma coisa. Espero que Gudelj e (mais tarde) Sturaro tragam a qualidade necessária para a posição.

Insistência nos cruzamentos - entendo que se use e abuse dos cruzamentos pelo ar quando Dost está em campo... mas quando os homens que estão na área são Montero/Nani ou Montero/Raphinha ou Montero/Bruno Fernandes... não me parece uma estratégia que faça qualquer sentido.

O que vê Peseiro em Jefferson? - não comprometeu defensivamente - também há que dizer que não foi muito colocado à prova -, mas teve mais uma exibição paupérrima. Não conseguiu fazer um único cruzamento em condições, o que me leva a perguntar o que raio vê Peseiro nele? A opção óbvia seria Acuña, que como lateral será certamente mais útil do que médio ou extremo -, mas se há algum constrangimento a esse nível por falta de vontade do jogador ou cegueira do treinador... que se experimente Lumor. Pior não será de certeza.



MVP - Raphinha

Nota artística - 2

Arbitragem - Rui Oliveira teve um critério largo no julgamento de faltas e, apesar dos 10 amarelos que mostrou, notou-se que procurou evitou puxar dos cartões. Cometeu alguns erros disciplinares ou de apreciação de faltas, distribuídos de forma equilibrada pelas duas equipas, mas parece-me que o jogo ganhou com a forma como conduziu a partida.



Três vitórias e um empate (que valem a liderança partilhada) é um começo de campeonato que excede as (baixas) expetativas que tinha para este arranque. É verdade que as exibições têm sido sofríveis, mas nesta altura o que interessa é ir ganhando nem que seja por meio a zero. A pausa que agora haverá traz mais responsabilidade para o treinador. A tolerância dos adeptos para a atual fraca qualidade de jogo terá tendência para diminuir caso não se vislumbrem melhorias e, sobretudo porque, jogando assim, estaremos muito mais perto de perder pontos caso a sorte do jogo não esteja connosco.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Insuficiências na construção

Um dos pontos que me causaram maior preocupação no jogo com o Moreirense foi as notórias dificuldades do Sporting no momento da construção. Isso, a meu ver, explica-se sobretudo por dois fatores: o duplo pivot que Peseiro coloca à frente dos centrais não tem capacidade para organizar e transportar jogo ou dar apoio em zonas mais adiantadas (Coates e Mathieu foram mais participativos do que Petrovic e Battaglia); e também a desinspiração de Nani e Acuña, sendo que no caso do argentino há a agravante de se ter alheado do jogo durante demasiado tempo (Jefferson foi mais extremo do que Acuña, que raramente teve intervenções úteis junto à área adversária).

Intervir muito no jogo não é sinónimo de intervir bem, mas intervir pouco não costuma ser bom sinal para a exibição de um jogador - nomeadamente se tiver responsabilidades na construção. E olhando para o número de toques por 90 minutos (o número de toques corrigido em função do tempo de utilização de cada jogador), vê-se claramente que os números confirmam essa perceção:


Toques na bola por 90 minutos vs Moreirense (Fonte: whoscored.com)

Por um lado, salta à vista o fraco nível de participação de Acuña em comparação com os outros jogadores de vocação mais ofensiva (deve excluir-se Dost desta comparação, pelas suas características específicas). É verdade que os número de toques de Raphinha e Jovane é empolado por terem sido muito mais solicitados no pouco tempo que estiveram em campo, mas, ainda assim, Acuña tocou na bola pouco mais de metade das vezes que os seus companheiros. 

Por outro, confirma-se que o centro do jogo ofensivo do Sporting passa muito pouco pelos homens que ocupam o miolo do terreno.

Heatmap vs Moreirense (Fonte: whoscored.com)

Petrovic raramente tocou na bola no meio-campo adversário. Battaglia jogou mais adiantado do que o sérvio, mas poucas vezes se aproximou da área do Moreirense. Jefferson, Bruno Fernandes e até Raphinha tiveram muito mais presença junto à linha de fundo do nosso flanco esquerdo do que Acuña.

E nem vale a pena falar na presença de jogadores na área. Foram poucas as ocasiões, bolas paradas excluídas, em que tivemos mais do que um homem em posição de finalização.

Parece-me evidente que a nossa produção ofensiva continuará a estar furos abaixo do necessário se não tivermos mais jogadores de apetência atacante. Contra o V. Setúbal, entre Raphinha, Jovane ou Matheus, pelo menos um terá de ser titular (no lugar de Acuña). E não me chocaria absolutamente nada se Peseiro apostasse de início em dois deles nos lugares de Acuña e Nani. 

Vamos ver o que decidirá o treinador no próximo sábado.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Não terá passado de um rumor mas...

... isso não impediu de o jornal A Bola ter decidido fazer notícia com uma invenção de tal forma aberrante, que não tem ponta por onde se pegue. Ficámos a saber que qualquer jogador pode, no mês seguinte a uma transferência que pode envolver milhões, decidir que afinal não quer ficar por estar num período de experiência. Para além de estarmos a falar de um jogador que passou por uma situação idêntica em Guimarães e não rescindiu, mas que iria agora rescindir por causa de um episódio que não presenciou... sim, isto faz todo o sentido.