Imagem retirada da cartilha nº 34/2016, de autoria de Carlos Janela, onde foram dedicadas algumas linhas àquele que é hoje o seu superior hierárquico. Vale o que vale, mas que não deixa de ter a sua piada...
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sexta-feira, 23 de março de 2018
sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
A Blog's Tale IV - Baby steps
No último episódio de A Blog's Tale (LINK), Carlos Janela, confrontado por Carlos Rodrigues Lima e Hélder Amaral, negou a veracidade do email e do anexo, bem como toda e qualquer ligação à criação do blogue Verdade Desportiva. Admitiu apenas que, quando estava na universidade, chegou a pensar na criação de um blogue - o que, segundo o próprio, era o ponto de genialidade da conspiração contra o seu bom nome, pois "todas as grandes mentiras têm um fundo de verdade". Carlos Janela, negou ter planeado o blogue, negou ter coordenado a sua implementação, negou conhecer João Pedro Duarte, o técnico que o criou, e negou a intenção de pagar a jornalistas para arranjarem material e/ou divulgarem o seu conteúdo.
Ontem, o tema voltou a ser debatido na CMTV. Hélder Amaral, com bastante habilidade, voltou a abordar a questão da veracidade do email de uma forma pouco comprometedora para Janela, lançando a ponte para que o mestre cartilheiro dissesse o seguinte:
"Confirmo que era um projeto sério e transparente", disse Janela. Ou seja, admitiu que o projeto existiu. Admitindo que o projeto existiu, fica também tacitamente admitido que trabalha para o Benfica. Baby steps... algo me diz que para a semana já se vai lembrar que afinal conhece João Pedro Duarte.
quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
Cartilhas a peso de ouro
Os ficheiros SAF-T da SAD do Benfica referentes às épocas de 2013/14 e 2014/15 permitem observar uma série de faturas (e pagamentos) em nome de uma empresa chamada Optimizesports. O serviço prestado é a prospeção (presume-se de jogadores) em várias regiões espalhadas por diferentes continentes (leste europeu, África, Escandinávia e América do Sul). As faturas passadas são de valor fixo: 4.920 euros, e perfazem um montante anual de 24.600 euros.
Acontece que o proprietário desta empresa é uma personagem que todos conhecemos bem:
Considerando que ainda não foi visto nenhum email de Carlos Janela - em qualquer uma das caixas de emails já colocadas na internet - cujo tema fosse a prospeção de jogadores, e considerando que há registos de cartilhas desde 2014, a única conclusão lógica que podemos retirar é que a prospeção é de natureza mineira, mais concretamente relacionada com a indústria do carvão.
O Benfica é um clube com muitas receitas - umas mais reais do que outras, é certo -, mas o facto de pagarem 25.000 euros para pagar a produção daquelas cartilhas - que não são mais do que uma espécie de spam temático - é um insulto para a inteligência de qualquer indivíduo que tenha uma réstia de noção do que é a ética e possua mais do que um par de neurónios funcionais. E aqui estou a partir do princípio que não estão a ser pagos valores adicionais através de outros meios - o que não me admiraria nada, face à irregularidade das datas dos registos acima apresentados.
Apesar dos emails, apesar das cartilhas, apesar das confirmações de vários comentadores ligados ao Benfica, apesar dos registos contabilísticos, Carlos Janela continua a negar que trabalha para o Benfica. Será possível que alguém ainda o leve a sério?
sexta-feira, 5 de janeiro de 2018
A Blog's Tale III - Carlos Janela nega tudo
A CMTV proporcionou, na noite de ontem, um magnífico momento de entretenimento: Carlos Janela pôde, de viva voz, defender-se em relação à criação do blogue Verdade Desportiva. Para além de ser um exercício completamente fútil - porque já toda a gente percebeu que os emails são verdadeiros -, o mestre cartilheiro teve o azar de, por uma vez na vida, ter tido contraditório, por parte de Carlos Rodrigues Lima - o jornalista da Sábado que tem sido responsável pelos artigos sobre os emails do Benfica - e ainda Hélder Amaral (uma novidade, pois se o representante sportinguista se quisesse dar ao trabalho, já poderia ter desmascarado Janela por completo há muito tempo).
Foi, por isso, imensamente divertido ver Janela a fazer desmentidos e a andar aos ziguezagues a tentar desviar-se dos contra-argumentos que iam surgindo, a fazer lembrar aquele antigo jogo de computador em que é preciso fazer um sapo atravessar uma estrada repleta de carros. Janela, qual sapo na maior parte das vezes, não conseguiu chegar ao outro lado.
Na sua primeira intervenção, Janela avançou com a teoria de que é tudo uma montagem.
Uma nota: "Uma vez que estão ali (...) gente que eu considero da máxima decência e da máxima integridade" - reservem esta frase para mais tarde.
Portanto, segundo Janela isto é "criminologia de alta qualidade". Nem quero imaginar na quantidade de pessoas necessárias e o tempo de trabalho que cada uma gastou para criarem gigas e gigas de conteúdo em que tudo bate certo - datas de mails que coincidem com as datas dos anexos ao nível dos metadados, emails recebidos numa conta que cruzam na perfeição com os emails enviados de outra conta, ficheiros de Excel com valores que conferem com os contratos assinados que têm sido colocados. Nem um deslize para amostra. E tudo isto na expetativa de que, meses ou anos mais tarde, os fanáticos das redes sociais iriam pesquisar exaustivamente esses gigas e conseguirem, no meio de tanta coisa, desenterrarem precisamente este anexo que pretendem imputar a Janela. Se a teoria de Janela for verdadeira, estamos todos com um problema muito sério: é que olhando para a capacidade destes delinquentes, só não tomam conta do mundo se não quiserem.
Mas continuemos.
Pouco depois, Janela é confrontado com o facto de os metadados indicarem que foi ele próprio a criar o anexo onde aparecem as iniciais e os valores a oferecer aos jornalistas.
Passámos para o"reino do já muito complicado". O engolir em seco de Janela enquanto vai ouvindo os dados que o envolvem é uma maravilha.
Mas não pensem que isto fica por aqui. O verdadeiro brilhantismo deste plano maquiavélico ainda estava por revelar:
"As grandes mentiras do mundo começam sempre com um ponto de verdade". Os bandidos que tentam tramar Janela são de facto, uns génios do crime. Apanharam a ideia (em tese, em abstrato) que Janela teve quando era estudante universitário - havia blogues quando Janela era estudante universitário? -, e esperaram pacientemente durante anos até ao momento certo para tornarem toda esta cabala ainda mais credível aos olhos do grande público. Keyser Soze é um menino ao pé destes conspiradores.
A desorientação era tal, que um pouco depois...
Finalmente, a ligação ao informático. Quando questionado sobre se conhecia João Pedro Duarte, o técnico que construiu o blogue a seu pedido, Janela negou conhecê-lo:
Naquele momento, ocorreu-me pesquisar os amigos de Carlos Janela no Facebook. E não é que...
... Carlos Janela é amigo de um João Pedro Duarte que é webdesigner?
Que tremenda coincidência...
Reparem também que Janela, neste último vídeo, diz, sobre o anexo, que não reconhece ali ninguém a não ser o seu próprio nome. Voltemos à frase do vídeo inicial que vos pedi para guardarem: "Uma vez que estão ali (...) gente que eu considero da máxima decência e da máxima integridade". Não é maravilhoso?
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
A resposta dos jornalistas ao email das avenças
Foram várias as reações que surgiram, durante o dia de hoje, ao email divulgado ontem com uma proposta, elaborada por Carlos Janela e enviada a Vieira, de pagamentos a jornalistas de diversos órgãos de comunicação social para obtenção e divulgação de informações que fossem convenientes para os fins do mestre cartilheiro (LINK).
RTP/Antena 1, TSF e Record já emitiram notas a condenar os danos ao bom nome dos seus jornalistas, tendo, em alguns casos, sido feito promessas de ações judiciais contra quem promoveu tais calúnias.
Outra reação foi a de Carlos Janela: o responsável pelas cartilhas do Benfica - e comentador isento às quartas-feiras - assegurou que o email divulgado é falso.
| (via @furaredes) |
Tenho alguns comentários a fazer sobre os desmentidos:
1. Acho natural que os órgãos de comunicação social se coloquem publicamente ao lado dos seus funcionários. Merecem o benefício da dúvida do seu empregador, até porque o email, partindo do princípio de que é verdadeiro, não prova que alguma vez tenham recebido ou aceitado receber avenças do clube. No entanto, isto não os dispensa de estarem atentos a este tipo de situações, pois deviam saber que a sua própria reputação sai prejudicada à medida que se vão descobrindo relacionamentos demasiado próximos entre jornalistas da casa e clubes. Infelizmente, têm existido inúmeros casos desses, alguns dos quais envolvem pessoas com muita responsabilidade nesses órgãos de comunicação social.
2. Depois de tudo o que tem sido descoberto e confirmado, creio que já chegámos a um ponto em que todos podemos assumir que os emails são verdadeiros.
4. Não nos podemos esquecer que, de entre os emails divulgados, há dezenas que contêm cartilhas distribuídas por Carlos Janela a elementos da comunicação benfiquista. A existência das cartilhas já foi confirmada por várias pessoas que as receberam. Para além disso, sabe-se que existem jornalistas a receberem notas soltas de Janela. Algumas das iniciais de jornalistas constantes do tal email de Janela para Vieira batem certo com alguns dos nomes dos jornalistas que recebem essas notas soltas.
5. Aquele email existiu - os metadados do ficheiro em anexo comprovam-no - e colocou em causa a credibilidade e reputação de vários jornalistas. Os jornalistas e respetivos empregadores podem e devem defender-se, mas não podem argumentar com a questão da veracidade do email nem com o desmentido de Carlos Janela. Ir por aí é estarem apenas a querer enganar tolos e a fugir ao cerne da questão.
6. E qual é o cerne da questão? É haver um colaborador de um clube de futebol que propôs, ao seu responsável máximo, que se corrompessem jornalistas - sim, é disto que estamos a falar, corromper jornalistas, para que quebrem as mais elementares regras do seu código deontológico - com pagamentos regulares em cash. Todo o argumentário que ignore este facto serve apenas para mandar areia para os olhos das pessoas. Não querer ver isto, não querer denunciar isto, no ponto a que as coisas chegaram, é o equivalente a pactuar com os métodos desta gente.
7. No caso do Record, há uma complicação adicional: o jornal faz parte de um grupo (Cofina) que paga a Carlos Janela para fazer comentários sobre futebol na qualidade de opinador independente na CMTV. Se a Cofina mantiver Carlos Janela como comentador por mais um dia que seja, está a matar a defesa da credibilidade dos seus colaboradores, pois está a alinhar voluntariamente com a estratégia de um dos cérebros da comunicação do Benfica - estratégia, essa, em que se idealizava o pagamento a jornalistas seus para espalhar a sua mensagem. Como tal, os responsáveis do Record têm a obrigação de fazer toda a pressão possível junto da casa-mãe para que esta impeça Carlos Janela de continuar a ter tempo de antena no seu canal de televisão.
8. Apesar de tudo o que escrevi no ponto anterior, todos sabemos perfeitamente que Carlos Janela continuará a falar semanalmente na CMTV como comentador independente, como se nada tivesse acontecido. Se a própria Cofina não vê problemas nisto, para que é que se incomodam na defesa da vossa reputação?
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
Janela & Diamantino: o ventríloquo e o boneco
Na sequência do email que Carlos Janela enviou para Diamantino com as perguntas que este último deveria colocar a Luís Filipe Vieira na entrevista que, nesse dia, teria lugar na TVI, o Porto Canal fez uma comparação entre as questões idealizadas por um e executadas por outro.
Ver Diamantino a abrir e fechar a boca ao ritmo dos desejos de Carlos Janela é um número que, apesar de previsível, não deixa de ser divertidíssimo. A única dúvida é em que orifício ou alavanca do corpo de Diamantino anda Janela a pôr a mão para o comandar...
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
A Blog's Tale
No arquivo dos emails de Luís Bernardo, é possível encontrar uma troca de mensagens data de novembro de 2016, em que estão a ser definidos os objetivos estratégicos da comunicação externa para a época de 2016/17. Esse plano contém também algumas iniciativas para alcançar esses objetivos, sem se entrar em grandes detalhes.
Após alguns conselhos e pedidos de correção ou afinação do conteúdo do documento em causa, os objetivos da equipa de Luís Bernardo foram aprovados por Domingos Soares Oliveira. Eis, então, quais foram as grandes linhas orientadoras para a comunicação externa do Benfica para 2016/17:
Destaquei a amarelo alguns pontos que achei mais interessantes. Por exemplo, é objetivo do Benfica desenvolver um plano informal que permitisse ao clube controlar os meios de voto eletrónico (interpreto isto como o resultado dos televotos de programas como o Dia Seguinte ou Tempo Extra) e fóruns, de forma a obter 75% de opiniões que lhe fossem favoráveis. Também achei curiosa as 50 notícias positivas para a afirmação de Luís Filipe Vieira e da estrutura do Benfica, e ainda a "implementação de mecanismo de resposta e guerrilha institucional".
Mas não é nenhum destes tópicos que me traz aqui hoje. A história que eu quero contar refere-se à célula do Excel que contém a seguinte informação: "10 novos blogs". Como interpretar isto? A conclusão mais óbvia é que o Benfica tinha como objetivo a criação de dez novos blogs que ajudassem a passar a sua mensagem.
Dos emails que existem no arquivo de Luís Bernardo, não há nada que sugira que os dez novos blogs tenham sido efetivamente criados, mas é possível perceber que houve pelo menos uma tentativa, não muito bem sucedida, para criar um. Tudo começou assim, alguns meses mais tarde:
Janela quer um "Blog de grande qualidade e impacto" e quer tê-lo em funcionamento o mais rápido possível. Os trabalhos devem ter começado de imediato, pois, uma semana mais tarde, surge uma proposta de logotipo. Janela pediu a opinião a Luís Bernardo...
... que decidiu envolver os seus designers para fazerem uma proposta alternativa.
Aparentemente, ou os designers não estavam disponíveis, ou Janela não achou que se justificasse a espera, ou então simplesmente borrifou-se para a opinião de Luís Bernardo, pois o logotipo foi aprovado no próprio dia.
Vou poupar-vos algum tempo, resumindo os mails que se seguiram: depois do logo, foi o registo do domínio, depois questões sobre o layout. João Pedro fazia propostas a Janela, Janela pedia aprovação a Luís Bernardo que, por sua vez, chegou a pedir a opinião a uma colega sua da WL Partners. As coisas avançaram rapidamente, não tardando a aparecer algo palpável. Uma semana depois, estava tudo pronto para começar. Janela faz a sua proposta para as primeiras publicações.
O conteúdo é hilariante: não é mais do que uma versão modificada das cartilhas, dentro do mesmo estilo que já todos conhecemos. Isto é tão mau, que fico com dúvidas se Janela queria ou não fazer passar o Verdade Desportiva por um blogue isento.
Alguns dias mais tarde, novo mail com novos conteúdos...
... ficando perfeitamente claro que o que Janela quer é ter um blogue semelhante ao de Hugo Gil, mas com melhor português. E assim, lá continuaram as cartilhas online...
... até ao dia 5 de abril de 2017, data em que o blogue Verdade Desportiva publicou o seu último artigo:
O projeto de qualidade e impacto idealizado por Carlos Janela e Luís Bernardo acabou por ter uma vida curta e discreta - eu, que me considero uma pessoa relativamente atenta ao que se vai escrevendo em espaços do Sporting e dos seus rivais, não me lembro de ter alguma vez ter tido conhecimento deste blogue até estes emails terem sido divulgados. Ainda assim, mesmo considerando a pobreza dos conteúdos cartilhescos, confesso que não percebo como é que um blogue apoiado pelo Benfica tenha tido um voo que só pode ser equiparável ao de um milhafre depenado. Talvez seja melhor pedirem a outra pessoa para liderar o projeto dos nove blogues que ainda estão por criar...
quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
O almoço
No dia 10 de outubro de 2016, ainda antes de as cartilhas serem do conhecimento público, foi divulgada nas redes sociais uma fotografia tirada na Catedral da Cerveja, onde se podia ver vários comentadores (teoricamente independentes) do Benfica - e um teoricamente isento - a almoçar com elementos da estrutura da SAD.
Na imagem podia ver-se Pedro Guerra, José Nuno Martins, João Gobern (de frente), Luís Bernardo (de lado) e José Calado (de costas). Com alguma naturalidade, as atenções acabaram por se centrar na presença de João Gobern, o único que sempre afirmara a sua independência em relação ao Benfica.
O comentador do Trio de Ataque, que iniciou o percurso de comentador da bola como um suposto opinador isento em duelos com Bruno Prata num programa chamado Zona Mista - até ao dia em que foi apanhado em direto a festejar discretamente um golo da sua equipa do coração -, não tardou em esclarecer o motivo por que estava presente neste almoço:
Portanto, foi por desafio de Luís Bernardo, para colaborar num trabalho televisivo que se prende com a internacionalização do Benfica e da marca Benfica.
Há que dizer que, catorze meses depois, ainda não me apercebi de nenhum trabalho televisivo que tenha surgido como resultado das conversas tidas neste repasto. É verdade que tal programa me pode ter escapado, pois não sou espectador habitual da BTV, mas não me constou que alguma vez tenha chegado a ver a luz do dia. Mas, na realidade, é escusado andar a vasculhar a programação do canal à procura desse programa, pois o arquivo de emails de Luís Bernardo se encarregou de esclarecer em definitivo o objetivo do almoço:
Segundo Carlos Janela, o mestre cartilheiro, foi uma reunião informal entre comentadores benfiquistas, que começou na SAD e continuou à mesa da Catedral da Cerveja. Mais uma mentira (óbvia) a cair em definitivo.
Comunicação powered by Benfica
No final da tarde de ontem, foi disponibilizado o arquivo de emails de Luís Bernardo, diretor de comunicação do Benfica. Como seria de esperar, e juntando a outros emails encontrados nos arquivos de Pedro Guerra e Paulo Gonçalves, abriu um pouco mais o livro de como o Benfica se movimenta nos bastidores para fazer passar a sua mensagem.
Infelizmente, nada que nos surpreenda. Vou fazer um pequeno apanhado de casos que nos mostram a abrangência da ação do Benfica ao nível da comunicação - comunicação oficial, não oficial, relacionamento com jornal e jornalistas, e as diversas formas que encontram para atacar os adversários.
Seguem então sete exemplos. Podiam ser muitos mais, é possível que recupere este tema no futuro e coloque aqui outras situações, mas estes chegam para dar uma ideia de como a coisa funciona.
I. Questões para Diamantino
No dia 7 de setembro de 2016, Carlos Janela enviou a Luís Bernardo um email com perguntas que tinha feito para entregar a Diamantino. As questões delineadas por Janela são uma delícia, ao estilo da propaganda mais descarada, e feitas para orientar as respostas no sentido que interessava.
| (via @hdv1906) |
A primeira pergunta que poderá surgir, ao ler isto, é: por que razão é que Janela enviou perguntas para Diamantino. A resposta é muito simples: nesse mesmo dia, 7 de setembro de 2016, a TVI realizou uma entrevista a Luís Filipe Vieira, dividida em duas partes. A primeira parte foi realizada no Jornal das 8 por José Alberto Carvalho. A segunda parte foi realizada logo a seguir, na TVI24, com entrevistadores convidados: Pedro Ribeiro, Domingos Amaral e... isso, acertaram... Diamantino.
Para Janela não bastava haver três entrevistadores naturalmente alinhados com o entrevistado - pela sua condição de benfiquistas pouco depois da conquista do Tri -, foi também necessário garantir que as perguntas certas eram colocadas. Nunca vi tal atestado de estupidez passado a alguém, o que, no caso de Diamantino, até é compreensível.
Podíamos perder tempo a comparar as perguntas que Diamantino fez com as que Janela lhe enviou, mas seria perda de tempo. Fiquemo-nos por aqui: foi isto que escrevi na altura sobre essa entrevista:
![]() |
| (link desse post: LINK) |
Ai, ai, estas teorias da conspiração...
II. Comunicação não oficial, a outra face do "não falem nos outros" (imagens via @maldsuado)
Não há muito para dizer. O clube do presidente-estadista, nas modalidades, está disposto a pagar a pessoas para prepararem material que lhes permita condicionar os jogos seguintes, utilizando contas não oficiais nas redes sociais. Agora imaginem aquilo que estarão dispostos a fazer no futebol.
III. O boneco
Não bastam as cartilhas. Aqui pode ver-se Janela a enviar um texto para Hugo Gil publicar "como se fosse seu".
IV. Peça à medida (via @portolucido)
No dia 18 de novembro de 2008, o Diário de Notícias fez um artigo em que Paulo Gonçalves garantia que não existia no Benfica tratamento de favor às claques.
Nesse mesmo dia, Paulo Gonçalves recebeu o seguinte email do jornalista que escreveu o artigo:
Sim, o mais importante numa peça jornalística é que fique à medida das expetativas de um dos lados da questão.
V. Luís Bernardo a distribuir jogo pelos jornais
Exemplo de emails iguais enviados a jornalistas d' A Bola (Nuno Paralvas), Record (Vanda Cipriano) e CM (Pedro Sousa), para alertar de um potencial problema para Jorge Jesus após a sua expulsão no V. Setúbal - Sporting.
VI. A página Sporting Comédia de Portugal tem dono
A página de Facebook Sporting Comédia de Portugal, que se dedica exclusivamente a tentar humilhar o Sporting, é administrada por Tiago Bento Ferreira... funcionário do Benfica.
E depois dizem que os outros é que são antis...
VII. Cumplicidades
José Manuel Delgado a dar conselhos a Paulo Gonçalves sobre a estratégia a seguir.
sexta-feira, 8 de dezembro de 2017
Janela indiscreto
Na sequência da recente revelação que Francisco J. Marques fez dos emails enviados por Nuno Cabral a Paulo Gonçalves com informações privadas sobre os árbitros e observadores, como a morada e o telemóvel, Carlos Janela deu a explicação que faltava para todos percebermos o que leva um clube a procurar obter este tipo de dados pessoais de elementos ligadas ao futebol.
Bom feriado para todos.
terça-feira, 10 de outubro de 2017
Geração rasca vs Geração de estadistas
Ao longo da última semana, foi bastante interessante observar a forma natural como a generalidade dos comentadores encarou o palavreado que Vieira utilizou no seu discurso na AG do Benfica. De notar que não vejo grandes problemas no uso do calão - são estilos, e que atire a primeira pedra aquele que nunca recorreu a esse tipo de linguagem -, mas não deixa de ser (mais uma vez) revelador que os mesmos indíviduos, supostamente isentos, que se mostraram chocados com uma gravação off-the-record de Bruno de Carvalho ou com as liberdades que o presidente do Sporting tomou na última entrevista na Sporting TV, não tenham dedicado uma única palavra à forma como Vieira se expressou perante os sócios que o elegeram.
O nível da análise dos experts da bola nacional ao discurso do presidente benfiquista foi de uma pobreza franciscana. Nem mantiveram os padrões de exigência em relação à forma, nem se preocuparam em pegar nas muitas polémicas do conteúdo: Vieira mentiu na cara dos sócios benfiquistas - desde quando é que Jorge Mendes não é representante de jogadores do plantel sénior do Benfica? (perguntem ao Filipe Augusto e ao Pizzi quem é o seu agente) -, Vieira entrou em contradição com mentiras anteriores - no ano passado disse que tinha vendido Renato Sanches a pronto (o que o R&C demonstrou ser mentira) e na AG disse que nenhum clube paga a pronto -, empurrou a responsabilidade de determinadas contratações polémicas para cima de Rui Vitória, não esclareceu totalmente a questão da venda Jimenez/Mitroglou, voltou a fazer promessas relativamente à descida substancial do passivo... ou seja, não faltou sumo para ser analisado pormenorizadamente, mas desta vez os comentadores não aparentaram ter muita sede.
Viu-se apenas uma falta de coerência no momento de procurar a polémica em função do clube, que, na realidade, não é nada a que não estejamos já acostumados. Uns representam uma geração rasca de dirigentes, apesar de terem um trabalho de qualidade mais que comprovada, enquanto outros, com passados muito duvidosos e protagonistas de escutas e emails que indiciam práticas de corrupção e tráfico de influência, são os estadistas de que o futebol português precisa.
De qualquer forma, aqui fica mais um registo para memória futura dos comentários do homem da batuta da propaganda encarnada, o mestre cartilheiro e das notas soltas (e ainda analista isento da CMTV nos tempos livres) Carlos Janela. Apesar de tudo o que já se sabe, continua a enojar-me a suprema lata com que este sujeito se tenta fazer passar por sério, e como é que ainda há quem lhe continue a dar pouso. Enjoy!
quarta-feira, 14 de junho de 2017
Era uma vez "o nosso amigo Manuel Mota" em outubro de 2016
Na sequência dos mails divulgados ontem por Francisco J. Marques, parece-me interessante recuperar um vídeo (que o blogue A Norte de Alvalade - LINK - relembrou oportunamente no seu post de hoje) que fiz em outubro passado sobre os casos de arbitragem do Famalicão - Sporting, jogo a contar para a 3ª eliminatória da Taça de Portugal, que foi arbitrado por Manuel Mota.
No vídeo pode-se ver uma arbitragem absolutamente vergonhosa, que prejudicou claramente o Sporting, a merecer os elogios do isento Janela. Caso prático da estrutura em ação.
É muito curioso e, ao mesmo tempo, demonstrativo de que os sportinguistas talvez não sejam apenas maluquinhos com a mania da perseguição: este vídeo foi feito muito antes de ter estalado a polémica da cartilha, e muito antes de terem sido divulgados os mails que apontam para que Manuel Mota seja um protegido da estrutura benfiquista. E, no entanto, cá está ele... sabendo o que sabemos hoje, é tudo tão mais lógico agora...
sexta-feira, 5 de maio de 2017
Apresento-vos Carlos Janela, o paladino do videoárbitro
Se a falta de vergonha pagasse imposto, Carlos Janela seguramente que já não teria onde cair morto. Falamos de um homem que era abertamente contra a implementação do videoárbitro há menos de cinco meses. Ontem, dia em que a FPF anunciou a adoção do videoárbitro para os jogos da I Liga, e dia em que o Benfica finalmente se mostrou a favor da medida - após anos de oposição -, eis o que Carlos Janela teve a dizer sobre o assunto:
Não deve ser fácil a uma pessoa inventar desculpas para justificar uma súbita mudança de opinião quando é forçada a isso. Janela diz que acha que o videoárbitro atingiu um ponto de maturação que permite que seja aplicado em ligas nacionais. O problema é que, há cinco meses, não era uma questão de falta de maturação que levava Janela a descartar o videoárbitro como solução para o quer que fosse.
Janela foi muito claro em dezembro de 2016: o videoárbitro era um fracasso, adulterava a genética do futebol, que não iria resolver nada e, concluindo, não era aplicável.
De há cinco meses para cá, o único teste verdadeiramente a sério que existiu foi o França - Espanha, que, como sabemos, correu muito bem. Mas os princípios base utilizados neste teste foram os mesmos que já estavam previstos desde que os primeiros testes mais a sério iniciaram há dois anos. Podem recordar o exaustivo teste feito pela KNVB (a federação holandesa) neste LINK. Ou seja, não houve nenhuma alteração de fundo naquilo que já estava a ser pensado e testado no final de 2016.
Janela está tão bem informado sobre este assunto, que diz que apenas as ligas holandesa e portuguesa vão avançar com o sistema, e que nenhuma das grandes ligas o vai fazer já na próxima época. Falso, a liga italiana já confirmou que o vai fazer, e a liga alemã planeia fazer o mesmo.
Tentem não vomitar ao ver isto...
quinta-feira, 4 de maio de 2017
O videoárbitro e as colunas a estalar ao ritmo da inevitabilidade
Ao longo dos últimos meses, têm sido várias as federações e ligas a anunciar a adoção do videoárbitro para as respetivas competições nacionais. Hoje, ficámos a saber que a FPF decidiu acompanhar a tendência e anunciou que a liga portuguesa terá videoárbitro em todos já a partir da próxima época.
Mesmo que inevitável, é, obviamente, uma mudança que se saúda. Não haverá muito tempo para a preparar (estamos a apenas três meses dessa meta), mas creio que é um esforço que se justifica plenamente, mesmo que, numa primeira fase, exista a típica turbulência dos sistemas recém-implementados. Há que dar tempo de corrigir e aperfeiçoar aqueles problemas que apenas a experiência no terreno acaba por expor.
É gratificante, para quem, ao longo dos últimos anos, defendeu o videoárbitro como uma forma de ajudar a reduzir o erro (e não a eliminá-lo), ver, por fim, um acordo generalizado sobre os benefícios que o novo sistema poderá trazer e a existência de vontade para o implementar.
Igualmente gratificante (in a twisted kind of way) é assistir à forma como estão a reagir a todas estas notícias aqueles que, ao longo dos últimos dois anos, foram os maiores detratores do sistema. Agora que a mudança é inevitável, parecem dispostos a dar-lhe uma oportunidade.
Veja-se o exemplo de Vítor Serpa, que no espaço de 30 dias conseguiu dizer uma coisa e o seu contrário (LINK). Há pouco mais de um mês, apelava à implementação do videoárbitro, com especial urgência nas competições portuguesas. No sábado passado, escreveu um artigo sarcástico sobre os malefícios que a implementação do videoárbitro teria nas competições portuguesas. Hoje, pelos vistos, temos o Serpa-entusiasta de volta.
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| (editorial cortado, coloquei apenas a parte final - o resto não é relevante para este tema) |
Relembro que no sábado passado, ou seja, há apenas 5 (cinco) dias, Serpa escreveu isto:
Sinceramente, alguém chame um exorcista para ver que demónio possuiu Serpa no sábado passado e que o levou a assinar este artigo.
Outra figura do jornalismo português que parece rendida à implementação do videoárbitro é o subdiretor do Record, Nuno Farinha, que, no seu espaço de opinião de hoje, faz uma reflexão muito equilibrada (sem ironia) sobre os desafios que se apresentam e os potenciais benefícios.
Uma evolução muito positiva que se assinala em alguém que, há menos de seis meses, escrevia coisas sobre o videoárbitro como: "condenado ao fracasso", "não resolverá nenhum dos problemas que sempre existiram na arbitragem" e "o melhor é mesmo partir para outra".
P.S.: Curiosamente, nesse mesmo dia, outra ilustre figura do comentário futebolístico nacional apresentava, no site do mesmo jornal, uma opinião quase totalmente coincidente à de Nuno Farinha.
É engraçado ver como determinados pontos-chave de ambos os textos são idênticos: Fracasso, colocando a natureza/genética do jogo em causa, não resolverá nada, e a única tecnologia que pode ser aplicável é o sensor da linha de golo. Se por acaso Janela fosse o responsável pelas cartilhas do Benfica, é possível que pessoas mais maldosas viessem falar em concertações de discurso.
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