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quarta-feira, 14 de junho de 2017

Apito Abençoado: foi você que pediu tráfico de influência?

Francisco J. Marques revelou ontem novos emails, desta vez envolvendo um conjunto alargado de pessoas, algumas das quais com cargos de muito relevo no Benfica e na Liga. Parece um programa de discos pedidos, mas em que apenas é permitida a escolha de um único género musical. 

O primeiro conjunto de emails revelado por Francisco J. Marques voltou a ter Adão Mendes como protagonista, mas, desta vez, o seu interlocutor não foi Pedro Guerra. O responsável pela arbitragem da AF Braga trocou mails com Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica e braço direito de Luís Filipe Vieira para os assuntos dos bastidores, com o intuito de pedir ajuda para subir uma nota do "nosso amigo Manuel Mota". "Temos de lhe dar nota positiva". Ao "nosso amigo Manuel Mota", repito. Adão Mendes também pediu ajuda para melhorar as avaliações do filho, o árbitro Renato Mendes, quer junto do Conselho de Justiça, quer junto do próprio Vítor Pereira. Acrescentou, pelo meio, observações como "ponho a carne no assador todos os dias" pelo Benfica, e a já habitual referência ao "glorioso".

Mas o melhor, neste conjunto de mails, ficou guardado para o fim: em junho de 2016, ou seja, há apenas um ano, Adão Mendes enviou para Paulo Gonçalves uma lista com os 5 árbitros assistentes candidatos a promoção de escalão que seriam os melhores para o Benfica. "Nada pode falhar", concluiu em relação a este tema.


O segundo conjunto de emails envolveu um conjunto de informações passadas por Nuno Cabral, delegado da Liga, a Paulo Gonçalves - e, num deles, ao próprio Luís Filipe Vieira. Também envolvido está, indiretamente, o árbitro João Pinheiro. Bons serviços prestados por um delegado da liga que escreveu, com todas as letras, que quer ser "o menino querido" do Benfica e "fazer bem o seu trabalho", para ser homem de confiança de Paulo Gonçalves e Luís Filipe Vieira.


No terceiro conjunto de emails, às personagens já mencionadas, junta-se o então presidente da Liga, Mário Figueiredo. Nuno Cabral queixa-se a Paulo Gonçalves pelo facto de ainda não ter sido nomeado para jogos da I Liga. O assessor benfiquista intercede junto de Mário Figueiredo, e a resposta do presidente da Liga não podia ter sido mais elucidativa: "Vem [está disponível para] fazer um jogo ao Porto? Só tens que dizer.". E, para rematar, uma troca de mails entre Mário Figueiredo e Luís Filipe Vieira, em que o então presidente da Liga diz ao presidente benfiquista: "Por favor, tem calma, que sempre tenho estado e estive do teu lado".






Estes mails, sendo privados, permitem-nos fazer interpretações que vão além daquilo que está escrito. Adão Mendes pede a Paulo Gonçalves que interceda em nome do filho junto do CJ e de Vítor Pereira. Se o fez, e sendo alguém do meio que tem uma ligação muito próxima ao Benfica, é porque sabe que o Benfica tem esse poder. Adão Mendes pede a Paulo Gonçalves, de forma enfática, que é necessário que Manuel Mota tenha nota positiva. Se o fez, é porque sabe que o Benfica tem interesse (e poder) em influenciar as revisões de notas dos árbitros.

Mas, claro, aquilo que está escrito não deixa margem para dúvidas. Paulo Gonçalves aceitou ajudar Adão Mendes, dando conselhos e fazendo contactos. Adão Mendes pediu, em seu nome e em nome de Manuel Mota, para que o Benfica invertesse uma nota negativa. A troco de quê? Adão Mendes dá uma lista dos árbitros assistentes que devem ser promovidos - a bem dos interesses do Benfica. Que interesses são esses? Nuno Cabral, delegado da Liga, entende que a sua finalidade é ajudar o Benfica - e não o desempenho das suas funções de forma isenta. Paulo Gonçalves queixa-se junto de Mário Figueiredo da não nomeação do candidato a menino-bonito para jogos da I Liga. Resposta imediata: "Só tens que dizer".

Casos que apontam, de forma clara, para um esquema de tráfico de influências - que, como se sabe, é crime. O que vão agora fazer a Liga e a FPF em relação a isto? E, já agora, o Ministério Público...

sábado, 9 de julho de 2016

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Vítor Pereira merece uma saída em ombros

Há que louvar o zelo profissional de Vítor Pereira. Apesar de estar prestes a abandonar o cargo de presidente do Conselho de Arbitragem, não facilita, e continua a fazer um trabalho com a mesma qualidade a que nos tem habituado.

Sobre as nomeações para o Braga - Sporting e Benfica - Nacional, recomendo a leitura do post O ferrari vermelho, o colete encarnado e o barrete verde, do blogue A Norte de Alvalade. A rede está montada - de uma forma mais ou menos discreta, admita-se - para o caso de haver algum imprevisto no jogo da Luz.

Quanto à II Liga, as coisas foram feitas mais à descarada. Neste momento, a luta pela manutenção envolve as seguintes equipas:


Olhando para a tabela e para os jogos da última jornada, a tarefa do Benfica B em evitar a descida é bastante complicada. Entre as equipas em risco, o Benfica B é a que tem o adversário teoricamente mais forte: recebe o Freamunde, clube que ainda luta pela promoção à I Liga. Para além disso, o Benfica B tem desvantagem no confronto direto com Leixões e Mafra, o que significa que tem que ganhar obrigatoriamente o seu jogo, e esperar que os seus adversários não vençam.

Perante este cenário, foram estas as nomeações que Vítor Pereira fez para a última jornada:

Benfica B (20º) - Freamunde (5º): Bruno Paixão (dispensa mais comentários)

Ac. Viseu (17º) - Sp. Covilhã (13º): João Pinheiro, um dos novos internacionais de Vítor Pereira, que no Porto B - Benfica B (jogado no passado domingo) conseguiu desencantar um penálti inexistente a favor, claro está, do Benfica B



Gil Vicente (11º) - Farense (21º): Jorge Ferreira (dispensa mais comentários)

Oliveirense (24º) - Leixões (19º): Manuel Mota (dispensa mais comentários)

Atlético (22º) - Oriental (23º): Sérgio Piscarreta, mais um árbitro que chegou prematuramente a internacional pela mão de Vítor Pereira, que recentemente expulsou dois jogadores do Braga no jogo anterior à meia-final da Taça da Liga com o Benfica


Desp. Aves (7º) - Mafra (18º): Luís Ferreira, o árbitro da nova geração que tem mais potencial para se tornar no novo João Capela / Bruno Paixão

Aqui não há apenas uma rede para evitar que uma determinada equipa se estatele no chão em caso de desequilíbrio. Foram colocados snipers nos outros estádios para mandar os outros abaixo em caso de necessidade, pois neste cenário adverso não basta apenas uma nomeação preventiva. Se tivesse que apostar numa equipa que será ultrapassada pelo Benfica B nesta última jornada, colocaria todas as fichas no Mafra.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

A isto chama-se jogar em todas as frentes

É o que dá vontade dizer, olhando para as nomeações de Vítor Pereira para os jogos do próximo fim-de-semana. A escolha de Artur Soares Dias para o Porto - Sporting faz sentido, há que admitir. Mas depois temos:

Benfica - V. Guimarães: Bruno Paixão
Dispensa comentários.

Estoril - Marítimo: Carlos Xistra
O Marítimo tem 6 jogadores em risco de suspensão para a jornada seguinte contra o Benfica. Nomeou-se o árbitro que, há exatamente uma volta, efetuou, em Guimarães, a mais escandalosa arbitragem desta época, poupando o Benfica de dois penáltis contra e três expulsões. O mesmo Xistra que mostrou os amarelos a Leandro e Gonçalo Paciência que os deixaram de fora contra o Benfica, há três jornadas (obrigado, Cantinho).


E na II Liga, competição em que uma equipa B de um determinado clube da capital luta pela manutenção...


Braga B - Benfica B: Luís Ferreira
Um dos expoentes máximos da nova leva de árbitros do Benfica Lab. Se o Braga B quiser ganhar o jogo, então é melhor apostar nos remates de meia-distância. Se os jogadores do Braga entrarem com a bola na área do Benfica e se houver o mínimo contacto com um defesa, será assinalada falta atacante. É só perguntarem ao Tondela como foi na Luz.

Atlético - Santa Clara: Nuno Almeida
Aqui é indiferente. Ambas as equipas estão a lutar pela manutenção.

Leixões - Famalicão: João Capela
Mais uma vez, dispensa comentários.

Varzim - Mafra: Jorge Ferreira
O árbitro conhecido por "Esquiça" é, ao que se diz, benfiquista ferrenho. Sugiro aos jogadores do Mafra que tapem a boca com fita adesiva, não vá o árbitro pensar que ouviu um insulto a meio do jogo. Podem falar com o André Simões, se tiverem dúvidas. E cuidados com os mergulhos dos avançados do Varzim, não vá suceder mais um penálti tipo o do Jonas Piscinas em Paços de Ferreira.

Chaves - Farense: Tiago Antunes
Falamos de um árbitro que, muito recentemente, favoreceu o Benfica B na vitória em Famalicão (podem ver neste LINK, aos 4m20s). Podem ver uma outra curiosidade AQUI.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Hoje é dia de nomeações

Aqui ficam as minhas previsões para quem vai ser nomeado para o Rio Ave - Benfica:

1º Tiago Martins
2º Bruno Paixão
3º Carlos Xistra

Considerando a importância do jogo, o árbitro deveria ser Artur Soares Dias. Vamos ver o que decide Vítor Pereira.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

O melhor antídoto para o desgaste europeu

O desgaste físico dos jogos europeus é uma questão que, com frequência, tem efeitos negativos nas competições nacionais. Daí que a nomeação de João Capela para o Académica - Benfica possa ser vista como uma espécie de mezinha que poderá compensar o tal desgaste, em caso de necessidade.

Por uma questão de curiosidade, eis os árbitros nomeados para os jogos do Benfica que se disputaram após as jornadas europeias:

Árbitro nomeado para a partida seguinte à 1ª mão dos 1/4 de final: João Capela (@ Académica)
Árbitro nomeado para a partida seguinte à 2ª mão dos 1/8 de final: Luís Ferreira (vs. Tondela)
Árbitro nomeado para a partida seguinte à 1ª mão dos 1/8 de final: Jorge Ferreira (@ P. Ferreira)
Árbitro nomeado para a partida seguinte à 6ª jornada da fase de grupos: Manuel Mota (@ V. Setúbal)
Árbitro nomeado para a partida seguinte à 5ª jornada da fase de grupos: Hugo Miguel (@ Braga)
Árbitro nomeado para a partida seguinte à 4ª jornada da fase de grupos: Bruno Esteves (vs. Boavista)
Árbitro nomeado para a partida seguinte à 3ª jornada da fase de grupos: Carlos Xistra (vs. Sporting)
Árbitro nomeado para a partida seguinte à 2ª jornada da fase de grupos: João Pinheiro (@ Vianense)
Árbitro nomeado para a partida seguinte à 1ª jornada da fase de grupos: Artur Soares Dias (@ Porto)


Olhando para estes desafios, podemos dividi-los em três categorias diferentes, em função do tipo de nomeação feita.


Na primeira está o jogo com o Vianense, para a Taça de Portugal, para o qual não era expectável qualquer tipo de dificuldade, visto de ser uma equipa do CNS.

Na segunda categoria podemos agrupar os jogos com Porto, Sporting e Braga, que exigem um árbitro com mais créditos (infelizmente, é preciso que se diga que não é sinónimo de qualidade). Falamos também de clubes que também disputaram competições europeias nessa mesma semana (Sporting e Braga até tiveram menos dias de recuperação).

Por último, os jogos com Boavista, Setúbal, P. Ferreira, Tondela e Académica, em que há uma total liberdade para escolher o árbitro. E nestas situações, não havendo restrições, Vítor Pereira nunca facilitou. Bruno Esteves, Manuel Mota, Jorge Ferreira, Luís Ferreira e João Capela são uma espécie de carta Você está livre da prisão para o Benfica, uma apólice de seguro que é acionada nos momentos de maior aflição. Olhemos para o histórico destes árbitros nos jogos do Benfica.

Bruno Esteves

Benfica 2 - 0 Boavista (Liga)
Benfica 4 - 0 Arouca (Taça da Liga)
Benfica 1 - 0 Gil Vicente (Taça da Liga)
V. Guimarães 0 - 1 Benfica (Liga)
Benfica 1 - 1 P. Ferreira (Taça de Portugal) *2ª mão das meias-finais, o Benfica tinha vencido a 1ª mão por 2 - 0
Braga 1 - 2 Benfica (Liga)
Rio Ave 0 - 1 Benfica (Liga)
Benfica 3 - 0 Nacional (Liga)
P. Ferreira 1 - 2 Benfica (Liga)
Benfica 5 - 1 Rio Ave (Liga)
Benfica 4 - 1 P. Ferreira (Liga)
Benfica 2 - 0 P. Ferreira (Liga)

TOTAL:
12 jogos
11 vitórias
1 empate *que chegou para o apuramento
0 derrotas
28 golos marcados
5 golos sofridos

Jorge Ferreira

P. Ferreira 1 - 3 Benfica (Liga)
Benfica 3 - 2 Moreirense (Liga)
Moreirense 1 - 3 Benfica (Liga)
Académica 0 - 2 Benfica (Liga)
Belenenses 0 - 1 Benfica (Liga)
Benfica 2 - 0 Nacional (Liga)

TOTAL
6 jogos
6 vitórias
0 empates
0 derrotas
14 golos marcados
4 golos sofridos

Luís Ferreira

Benfica 4 - 1 Tondela (Liga)
Benfica 3 - 0 Académica (Liga)
Benfica 5 - 1 Académica (Liga)
Benfica 3 - 1 Moreirense (Liga)

TOTAL
4 jogos
4 vitórias
0 empates
0 derrotas
15 golos marcados
3 golos sofridos

Manuel Mota

Benfica 3 - 1 Arouca (Liga)
V. Setúbal 2 - 4 Benfica (Liga)
Benfica 1 - 0 Rio Ave (Liga)
Nacional 2 - 4 Benfica (Liga)
Estoril 1 - 2 Benfica (Liga)
Marítimo 1 - 2 Benfica (Liga)
Beira-Mar 0 - 1 Benfica (Liga)
Benfica 3 - 2 Académica (Taça da Liga)
Freamunde 0 - 4 Benfica (Taça de Portugal)
Benfica 3 - 1 Beira-Mar (Liga)

TOTAL
10 jogos
10 vitórias
0 empates
0 derrotas
27 golos marcados
10 golos sofridos

E falta, claro, João Capela, cuja lista de jogos coloquei no post de ontem (LINK).

Todos estes árbitros têm um historial negro em jogos do Sporting. No entanto, com o Benfica, raramente há "acidentes". Ou melhor, acidentes existem, mas são daqueles que não precisam de aspas e em que a vítima raramente equipa de vermelho. Estes cinco árbitros, em conjunto, têm o seguinte palmarés em jogos do Benfica:

46 jogos
44 vitórias
2 empates (* 1 dos quais era suficiente para o apuramento para a final da Taça de Portugal)
0 derrotas
118 golos marcados
22 golos sofridos

Notável.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A não recandidatura de Vítor Pereira

Vítor Pereira anunciou ontem que abandonará o Conselho de Arbitragem em junho. Significa, portanto, que levará o atual mandato até ao fim e não se recandidatará.

Era previsível. Querendo Fernando Gomes apresentar uma lista que possa agradar a várias sensibilidades, nunca poderia incluir a figura mais controversa do edifício da FPF, pois estaria automaticamente a alienar vários apoios de que não quererá prescindir logo à partida. 

Curiosamente, existe uma coincidência temporal entre este anúncio e as recentes revelações de Pinto da Costa sobre a forma como o Conselho de Arbitragem funciona, mas não passa disso mesmo: uma simples coincidência. Se fosse há cinco anos, até acreditaria que a visita de Pinto da Costa fez ao CA na semana passada e as críticas feitas esta semana estariam relacionadas com este anúncio de retirada de cena. Mas hoje os poderes instalados são outros, e esta retirada já devia estar decidida há algum tempo por outras pessoas que não o presidente do Porto. Como tal, não tenho grandes dúvidas que Vítor Pereira fez isto para sacudir um pouco a pressão para poder continuar a fazer até ao final da época aquilo que tem feito nos últimos anos, já com um olho posto no seu futuro pós-FPF.

Portanto, mais do que uma boa notícia, encaro este anúncio com preocupação. À boa maneira dos políticos deste país, Vítor Pereira não é homem para ir para a fila do centro de Segurança Social para meter os papéis para o subsídio de desemprego. Seguramente que estará a contar com um tacho bem remunerado como recompensa pelos bons serviços prestados. Por outro lado, haverá quem queira garantir que o ainda presidente do CA não se sinta tentado a falar de forma franca sobre aquilo que foi o seu mandato. Não faltarão, por isso, empresas ou instituições dentro da esfera dominada pelos seus aliados que lhe possam arranjar uma confortável posição como consultor ou dirigente, onde poderá pôr em prática as "competências" que foi adquirindo ao longo do seu mandato. Como tal, Vítor Pereira tem também todos os motivos para continuar a demonstrar a sua utilidade até ao último dia em funções.

Será com muita curiosidade que aguardarei pelo anúncio do seu novo pouso após as férias de verão de 2016. Os amigos vêem-se nestas ocasiões.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Resultados do Placard



Infelizmente não sabia que Hugo Miguel se encontra lesionado... e nunca imaginei que Vítor Pereira nomeasse Cosme Machado para um jogo desta importância, depois da barraca que armou em Alvalade contra a Académica.

Quanto a Tiago Martins, que é o que realmente me preocupa: produto do Benfica Lab que foi promovido a internacional antes mesmo de apitar qualquer partida da I Liga, e que em dois jogos para o campeonato ajudou a entregar de mão beijada duas vitórias ao seu clube do coração. Contra o Estoril não assinalou um penálti de Luisão aos 10' e assinalou um penálti inexistente a favor do Benfica que daria o 2-0. Contra o Nacional viu uma carga de ombro inexistente sobre Eliseu, que poderia ter dado o 2-1 para o Nacional. Ambos os jogos terminaram com uma vitória de 4-1 do Benfica, mas poderiam ter tido desfechos bem diferentes caso o árbitro não tivesse errado de forma cirúrgica em benefício do Benfica.

Vítor Pereira já não disfarça...

Há placard para isto?

Aqui ficam os meus palpites:

Árbitro do Benfica - União: 1º Hugo Miguel; 2º João Capela; 3º Bruno Paixão; 4º Luís Ferreira


Árbitro do Guimarães - Sporting: 1º Tiago Martins; 2º Manuel Mota; 3º Artur Soares Dias; 4º João Capela



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Os filhos e enteados da FPF

Está confirmado. As orientações dadas na semana passada por Vítor Pereira aos árbitros - no sentido de serem intransigentes perante comportamentos incorretos de treinadores e outros agentes desportivos - foram medidas à la carte, com um objetivo claro e concreto: pressionar Jorge Jesus, os restantes elementos da equipa técnica, e os delegados ao jogo do Sporting. 

Em teoria, esta ação do CA poderia fazer todo o sentido se feita num âmbito preventivo, ou seja, dando um aviso prévio a todos os clubes, que então poderiam tentar precaver-se em função dessa redução de tolerância. No entanto, a Associação Nacional de Treinadores confirmou ontem o seguinte:


A existência destas novas orientações dadas aos árbitros não foi transmitida aos clubes ou aos treinadores. Isto, por si só, é um facto de enorme gravidade. Mas consegue ficar ainda pior:


José Peseiro disse ontem que foi previamente avisado sobre estas instruções de Vítor Pereira, antes do início do Estoril - Porto. Convém relembrar que o jogo da Amoreira se realizou antes do Sporting - Académica, do Arouca - P. Ferreira e do Boavista - Braga, as três partidas em que se registaram expulsões de treinadores nesta jornada. Ou seja, no momento em que os dirigentes do Porto avisaram Peseiro, ainda nenhum treinador tinha sido expulso.

Isto prova que os dirigentes do Porto foram avisados antecipadamente, ao contrário de outras equipas. Calculo que o Porto não tenha sido o único clube a ser informado, mas isso é especulação minha. De qualquer forma, isto é suficiente para concluirmos que são os próprios organismos da FPF - que deveriam zelar por uma competição limpa - os primeiros a contribuir para a concorrência desleal que existe atualmente no futebol português.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A entrevista de Cosme Machado à SIC



Cosme Machado deu ontem uma entrevista à SIC, para dar a sua versão do episódio da recambolesca validação do segundo golo da Académica em Alvalade.

O primeiro comentário que tenho a fazer sobre isto é que estamos perante mais uma inovação a envolver o Sporting, a par do sumaríssimo e das indicações dadas por Vítor Pereira aos árbitros na semana passada para serem intransigentes com os treinadores e restantes elementos do banco. Não só é inédito vermos um árbitro a reverter uma indicação do seu fiscal-de-linha num caso de fora-de-jogo, como também é extremamente raro vermos um árbitro vir a público explicar o sucedido. E está aqui a minha primeira questão: Cosme falou com a SIC por iniciativa própria, ou fê-lo por indicações de Vítor Pereira? 

No regulamento de arbitragem relativo à época de 2015/16, está escrito que os árbitros não podem fazer declarações sobre os jogos que dirigiram sem autorização prévia. Perante isto, só existem duas hipóteses: ou Cosme Machado fê-lo à revelia do Conselho de Arbitragem e tem que ser castigado, ou fê-lo com autorização do Conselho de Arbitragem. E se o fez com autorização do Conselho de Arbitragem, porquê o tratamento de exceção? Para ajudar a recuperar a sua imagem? Por que razão o mesmo não foi permitido, por exemplo, a Marco Ferreira (que só falou após ter decidido abandonar a carreira), ou a tantos outros árbitros que ao longo do tempo foram protagonistas de erros grosseiros de arbitragem?

Quanto às explicações dadas pelo árbitro, não são convincentes. O fiscal-de-linha assinalou de imediato o fora-de-jogo porque viu o que todos viram. Cosme Machado, na entrevista à SIC, afirmou que disse ao fiscal-de-linha que tinha muitas dúvidas que o jogador da Académica que estava em posição irregular tivesse interferido na jogada. Após uma longa conversa entre ambos, a decisão foi revertida. Como tal, parece evidente que Cosme Machado ou convenceu o seu assistente com a sua argumentação, ou tomou a decisão de forma isolada.

Tudo isto é altamente anormal, mas o que é ainda mais incompreensível é o facto de Cosme Machado ter tentado impor o seu ponto de vista considerando a posição de ambos nesse momento. Cosme estava longe do lance e tinha muitos jogadores entre si e o local onde a bola foi cabeceada por Ewerton, enquanto o seu fiscal-de-linha tinha uma visão completamente desobstruída:

O momento em que Rui Patrício sacode a bola; veja-se a posição de Cosme Machado nesse momento

O momento em que há a interferência do jogador em fora-de-jogo; o fiscal-de-linha (do lado de cá do campo) tinha um ângulo perfeito para ajuizar o lance; Cosme Machado tinha vários jogadores a obstruirem-lhe a visão

O mesmo momento, de outro ângulo

Mais: Cosme Machado fala em alguma pressão e muito ruído no momento em que conversava com o seu auxiliar. Mas, nesse momento...


... apenas existiam jogadores e técnicos da Académica à sua volta. Curioso que a intransigência demonstrada com Jorge Jesus, Nélson Pereira (e até Frederico Varandas) não tenha sido igualmente aplicada neste momento do jogo.

Finalmente, um pormenor que está relacionado com aquilo que muita gente disse em reação às palavras de Cosme Machado: o árbitro não pediu desculpa ao Sporting. Admitiu o erro, explicou o motivo que o levou a tomar aquela decisão, mas não pediu desculpa. Nem tinha que pedir, pois as desculpas não trariam de volta os pontos que o Sporting teria perdido se não tivesse conseguido marcar o terceiro golo.

Foi, portanto, uma tentativa de recuperação da imagem do árbitro - se com ou sem a bênção de Vìtor Pereira, descobriremos na próxima semana -, que está inserida numa série de declarações que se seguirão no sentido de tentar desvalorizar aquilo que aconteceu no último sábado. Já hoje de manhã, na SIC Notícias, tivemos outro belo exemplo da narrativa que inundará as rádios e televisões nos próximos dias. Ladies and gentlemen: Fernando Guerra.

(obrigado, Zanizo!)

Instruções aos árbitros à la carte

Depois dos processos disciplinares a la carte e das justificações de árbitros à la carte para limpeza de imagem, tivemos ontem a confirmação que na liga portuguesa também existem instruções às equipas de arbitragem à la carte. A RTP avançou ontem com a informação de que Vìtor Pereira deu indicações, num encontro com os árbitros que se realizou na última semana, para que as equipas de arbitragem passassem a ser intransigentes com os treinadores que saíssem da área técnica ou que se dirigissem às equipas de arbitragem de forma menos correta.


Será óbvio, para qualquer pessoa minimamente atenta, que se trata de uma instrução que tem um único visado: Jorge Jesus. Se esta medida fosse feita com boa fé, teria havido um comunicado público - ou, em alternativa, dirigido a todos os clubes - a anunciar que haveria maior rigor daí em diante. Assim, tomada sem qualquer aviso prévio aos interessados, só pode ser vista como uma tentativa de entalar o treinador do Sporting. Os outros treinadores que foram expulsos esta jornada (Paulo Fonseca, por exemplo) são apenas infelizes danos colaterais da guerra que Vítor Pereira continua a fazer contra o Sporting.

Esta atitude é ainda mais escandalosa se recordarmos aquilo que Marco Ferreira disse numa entrevista dada há uns meses ao DN:

in Diário de Notícias (obrigado, Rui!)

No espaço de um ano passou-se, portanto, de ignorar o ruído para uma postura de intransigência perante o ruído. Mais uma demonstração (a somar a tantas outras que aconteceram nas últimas épocas) de que Vítor Pereira não tem quaisquer condições para continuar a liderar o Conselho de Arbitragem.

Se por acaso Rui Vitória vier um dia a treinar o Sporting, Vítor Pereira dará instruções para os árbitros serem intransigentes com os treinadores que beberem água de garrafas de plástico durante os jogos. Leram aqui primeiro.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Revelações de segunda à noite


1. A partir do momento em que outros árbitros confirmam em off que Vítor Pereira lhes telefonava apenas e só antes dos jogos do Benfica, cai a tese de que é uma história inventada por Marco Ferreira como retaliação à sua despromoção. Num país normal, a classe dos árbitros já deveria ter tomado uma tomada de posição pública sobre o assunto e Vítor Pereira já se deveria ter demitido.

2. Afinal há árbitros que utilizam o voucher. Afinal as certezas de José Fontelas Gomes (presidente da APAF) não valem muito. E é mais uma informação privilegiada de Rui Pedro Braz - que no dia seguinte à revelação de Bruno de Carvalho garantiu que apenas 7 pessoas tinham utilizado o voucher, todos observadores ou delegados, nenhum árbitro - que se descobre ser falsa.

(obrigado, @captomente)

sábado, 24 de outubro de 2015

As graves declarações de Marco Ferreira ao jornal As

São muito graves as declarações que Marco Ferreira fez hoje ao jornal espanhol As (ler AQUI). É evidente que o timing desta entrevista não é inocente, nem tão pouco o meio escolhido - o As tem sido usado várias vezes na guerra entre Benfica e Porto -, mas a FPF e a nossa comunicação social não podem de forma alguma continuar a ignorar algo que Marco Ferreira já tinha deixado a entender em julho de forma relativamente clara, e que agora afirma de uma forma totalmente direta.


Infelizmente, tudo isto poderia ter sido evitado se as entidades competentes e a comunicação social tivessem feito uma abordagem séria em tempo útil - para tentar apurar se as acusações de Marco Ferreira eram verdadeiras ou falsas. Uma vergonha para FPF, uma vergonha para a comunicação social que prefere não poupar esforços a "investigar" faits-divers como a (im)possibilidade de Nani regressar ao Manchester United antes de tempo em vez de abordar com profissionalismo temas incómodos que são efetivamente graves.

Sinceramente: não gostaria de estar na pele de Carlos Xistra neste fim-de-semana. Esta bomba rebentou nas mãos de Vítor Pereira, mas colocará mais do que nunca o árbitro do dérbi no meio do furacão. É o que dá as questões importantes serem sistematicamente varridas para debaixo do tapete na esperança que as pessoas deixem de reparar nelas.

(obrigado, Rodolfo!)

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Justificação de incompetente ou desculpa de cúmplice?

Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem, emitiu ontem um comunicado de oito pontos onde afirmou que apenas teve conhecimento das ofertas do Kit Cortesia do Benfica aos árbitros quando Bruno de Carvalho o revelou publicamente na TVI24.

Num desses pontos, fez questão de desmentir explicitamente a capa do jornal O Jogo do dia 8 de outubro, onde foi acusado de saber da existência das prendas. Essa capa baseou-se nas declarações dadas ao jornal por Pedro Henriques, que confirmou o conteúdo do Kit Cortesia, indicou que o Benfica iniciou esta prática na Eusébio Cup da época anterior, e afirmou que tanto José Fontelas Gomes (presidente da APAF) como Vítor Pereira tinham conhecimento das ofertas.

Doze dias depois, tivemos finalmente direito a uma reação de do presidente do Conselho de Arbitragem. E a defesa usada é... a ignorância. Vítor Pereira não sabia das prendas. Nenhum dos restantes quatro membros da secção profissional do CA com quem Vítor Pereira falou sabia das prendas. Ou seja, ninguém sabia das prendas. Quer dizer, ninguém sabia das prendas a não ser as dezenas de equipas de arbitragem que ao longo do último ano apitaram partidas na Luz ou no Seixal e que hierarquicamente respondem a Vítor Pereira e aos restantes vogais do Conselho de Arbitragem.

Não há grande forma de Vítor Pereira se sair bem desta história. Ao negar o conhecimento das prendas coloca-se numa de duas situações: ou está a dizer a verdade e foi o último a saber, o que diz muito da sua capacidade enquanto líder; ou está a mentir, tendo tomado conhecimento da situação em tempo útil mas optando por não agir - ou por ter desvalorizado a gravidade da situação, ou por ter contribuído conscientemente para encobrir a existência do Kit Cortesia. 

A ignorância é invocada muitas vezes como justificação dos incompetentes quando cometem um erro, ou como defesa dos cúmplices quando são apanhados. Resta saber em qual destas duas categorias se encaixa Vítor Pereira. Quer num caso quer noutro, já não tem condições para continuar no cargo.