Não sou um fã de Rui Santos por achar que cede de forma demasiadamente fácil ao sensacionalismo. É uma pena que desperdice a coragem que tem (é dos poucos que aborda sem complexos os temas mais sensíveis) com uma pobre capacidade de escolha das polémicas que quer levantar. De qualquer forma, no último domingo teve uma intervenção bastante relevante, por ser totalmente factual.
O Benfica, em poucos anos, passou de defensor das novas tecnologias para um opositor às novas tecnologias. Rui Santos diz que tem dificuldade em perceber a mudança de atitude de Vieira e do Benfica, mas na realidade não tem. Nenhum de nós tem. É tudo claro como a água.
No Play Off do passado domingo, Rui Santos afastou, de forma perfeitamente clara, qualquer suspeita de Tonel ter cometido o erro com o objetivo de beneficiar o Sporting. Aqui ficam as suas palavras.
Muito bem! Rui Santos a fazer a óbvia distinção daquilo que é um erro grave (no sentido em que custou um ponto à sua equipa) de uma ação propositada cometida com o objetivo de beneficiar o adversário. Realço as seguintes palavras:
"Nunca em circunstância alguma me passou pela cabeça que Tonel pode ter feito aquilo com a intenção de prejudicar o Belenenses e beneficiar o Sporting. Nunca!"
No final ainda criticou veementemente as inaceitáveis acusações de Rui Gomes da Silva. Perfeito.
Pena que, uns dias antes, no programa Tempo Extra, Rui Santos tenha tido uma postura bastante mais ambígua sobre o lance de Tonel:
João Abreu, o jornalista interlocutor de Rui Santos, colocou-lhe uma pergunta muito clara sobre uma eventual intenção de Tonel em beneficiar o Sporting. A pergunta do telespectador não era tão direta, mas toda a gente percebia que era isso que estava em causa.
Durante a longa resposta de Rui Santos, João Abreu deu-lhe várias oportunidades para clarificar a sua opinião sobre se Tonel colocou a mão na bola com a intenção de beneficiar o Sporting. Rui Santos optou sempre por não colocar de parte essa hipótese. Preferiu, ao invés, alimentar a questão no estilo sensacionalista que o caracteriza, nunca dizendo explicitamente mas insinuando a existência de má-fé do jogador, aproveitando para jogar com os termos deliberado e intencional que, como o próprio sabe muito bem, têm outro significado quando são usados no âmbito da avaliação de um lance pelas equipas de arbitragem.
E, azar dos Távoras, chegou mesmo a usar argumentos semelhantes aos que Rui Gomes da Silva tinha utilizado na noite anterior - nomeadamente quando disse que Tonel devia ser alvo de uma atitude dura por parte dos dirigentes do Belenenses.
O que terá feito Rui Santos ser mais claro no último domingo? Será que o processo colocado por Tonel a Rui Gomes da Silva também terá tido alguma influência? Ou então é possível que tenha sido por causa das três asneiradas ainda mais óbvias de Trigueira, Ofori e Marco Baixinho que ajudaram Benfica e Porto a obter os três pontos. Mesmo para os padrões de Rui Santos seria demasiado rebuscado defender a teoria de que em três jogos realizados no espaço de uma semana, jogadores de uma determinada equipa tiveram intenção de prejudicar as suas próprias equipas em benefício dos adversários.
Penso que é importante que se faça uma contabilidade dos erros de arbitragem ao longo de uma época. A partir do momento em que os clubes (desde os dirigentes aos adeptos) têm o hábito de se queixarem quando se sentem prejudicados pelas decisões dos juízes, convém que exista um apanhado das situações que foram beneficiando e prejudicando as várias equipas ao longo da época, para se poder avaliar devidamente até que ponto é que os queixosos têm razão.
Há que aceitar que quem faz essa avaliação tenha uma visão diferente da nossa. Existem vários lances que são extremamente complicados de avaliar, mesmo recorrendo aos vários ângulos de repetição disponíveis.
Também temos que aceitar os vários métodos que cada jornalista ou jornal encontra para fazer esta contabilização. O Record tem a Liga da Verdade, Rui Santos tem a Liga Real, e em ambas é feita uma contabilização simples: se um clube foi prejudicado ou beneficiado num lance que, no final, acaba por ser diretamente determinante no resultado, então essas Liga da Verdade / Liga Real contabilizam o prejuízo / benefício em pontos.
Na minha opinião é uma forma redutora de se fazer a análise: por absurdo, se um clube chegar a uma vantagem de 3-0 com três penáltis inexistentes e depois marcar um quarto golo, estas ligas considerariam que o clube vencedor não tinha sido beneficiado em pontos porque marcou um golo limpo. Percebo no entanto que o façam assim, pois é impossível prever com exatidão o que aconteceria se os erros de arbitragem não tivessem ocorrido.
O que eu não consigo perceber é a ideia peregrina que considera que um penálti por assinalar não tem influência no desfecho final da partida. Vou mostrar-vos três exemplos da Liga Real de Rui Santos, todas relacionadas com o Sporting.
Na 2ª jornada, Rui Santos considera ter existido um penálti por assinalar sobre Slimani (numa altura em que o resultado era 1-0). Apesar de o resultado ter ficado em 1-1 e de o penálti sobre Slimani significar com grande nível de probabilidade um segundo golo que - na lógica seguida pelo próprio Rui Santos - implicaria a vitória do Sporting, Rui Santos considerou o empate como o resultado válido para a sua Liga Real.
Na última jornada temos um exemplo semelhante. O Arouca foi prejudicado ao não ser-lhe assinalada uma grande penalidade perto do fim. No entanto, Rui Santos, considera que na sua Liga Real o Sporting tem direito aos 3 pontos.
Mais estranha é a apreciação feita ao Sporting - Estoril. Neste jogo tivemos um penálti claro não assinalado e um penálti assinalado incorretamente, ambos na área do Estoril. No entanto, Rui Santos considera para a sua Liga Real que o Sporting teria apenas 1 ponto.
Ou seja, ignora-se o efeito do penálti não assinalado, relevando-se a pequena hipótese de não ser golo caso o árbitro o tivesse marcado. Mas, ao mesmo tempo, no penálti incorretamente assinalado já não se considera que haveria uma igual hipótese de não ser golo. Parece-me extremamente discutível esta regra. A partir do momento em que a gravidade do tipo do erro do árbitro é ignorada então, para ser consistente, Rui Santos deveria fazer o mesmo tratamento aos golos que resultaram de livres e cantos mal assinalados. Ou até em lançamentos mal executados que deram origem a lances chave. Rui Santos não o fez, por exemplo, no Tondela - Sporting, no penálti que foi assinalado na sequência do lançamento lateral de João Pereira.
Tanto quanto me parece, Rui Santos sempre seguiu esta regra, pelo que a este nível a sua coerência não pode ser atacada. Mas não faz qualquer sentido considerar que um penálti por assinalar não tem influência num resultado. Talvez devêssemos começar a usar o termo "pequena penalidade" para os penáltis. Nesta análise têm a mesma importância que um livre indireto assinalado junto à linha de meio-campo.
Rui Santos apresentou na terça-feira uma cronologia cheia de pormenores sobre a novela Jorge Jesus, desde o momento em que Vieira e Mendes o tentar empurrar para o Qatar, passando por detalhes sobre reuniões tidas entre o treinador e o Sporting, e até uma proposta "entre 5 a 6 milhões de euros" de salário base oferecida pelo Benfica depois de Jesus se ter comprometido com Bruno de Carvalho. Vale a pena ver, quem ainda tiver acesso às gravações automáticas.
Mas o momento mais interessante da cronologia foi a revelação de uma expressão utilizada pelo presidente benfiquista quando Jesus lhe telefona sobre o salário de junho que ficou por pagar:
Não sei se isto é ou não verdade, mas a avaliar pelo nível de detalhe estou inclinado a acreditar que tudo isto aconteceu, e que terá sido Jorge Jesus (ou alguém muito próximo) a passar estas informações a Rui Santos.
Depois do banho de elogios sobre a capacidade de Vieira que o país levou com as reportagens de Nuno Luz, é bom que reescrevam todos os compêndios que falam sobre a liderança nas organizações...
Desde que Nani desembarcou no aeroporto da Portela, têm-se multiplicado as reações dos comentadores da nossa praça à vinda por empréstimo do jogador para o Sporting. A esmagadora maioria não tem dúvidas de que se trata de uma excelente contratação, pois Nani tem características que permitirão elevar o futebol do Sporting para outro patamar de qualidade.
Há no entanto alguns comentadores que conseguem ver para além dos benefícios superficiais que a vinda de um jogador deste estatuto representa. Rui Santos é um deles.
Uma dissertação destas, tão sólida e estruturada quanto um cadáver em estado de decomposição após estar à deriva num oceano durante alguns dias, merece uma autópsia pormenorizada que analise detalhadamente a linha de raciocínio seguida pelo seu autor.
"Houve coisas a mais que falharam no Sporting": O uso do pretérito perfeito parece-me demasiado definitivo. É verdade que há problemas, mas não vejo nenhum que seja impossível de inverter em tempo útil. Sim, as contratações tardam em convencer, mas pode ser uma questão de tempo até começarem a serem produtivas (e a chegada de Nani muda bastante o panorama dos reforços). Sim, o caso de Rojo podia ter corrido de uma forma mais pacífica, mas foi resolvida rapidamente e com vantagens evidentes para o Sporting. Quanto a Slimani, depende acima de tudo do jogador. Plantéis em aberto até ao final de agosto não é nenhuma novidade nem um exclusivo do Sporting. E mesmo havendo motivos de preocupação, não será um pouco prematuro chegar a uma conclusão tão contundente quando ainda não se disputou sequer a segunda jornada? Enfim, nada surpreenda vindo do comentador que declarou, à oitava jornada da época passada, que o Porto seria o campeão.
"O Sporting vai querer resolver este assunto do Slimani o mais rapidamente possível": De acordo. Mas um clube gere-se com sabedoria e disciplina, coisas que o argelino não demonstrou em abundância com as suas recentes atitudes. Gostaria que Slimani voltasse aos treinos rapidamente, mas do ponto de vista de gestão do grupo isso só poderá acontecer depois de o jogador se retratar do que fez.
"Nós temos que perceber que isto tem um efeito": pois tem, mas casos mal resolvidos teriam um efeito bem mais pernicioso.
"O Nani tem que pegar rapidamente, e o Sporting tem que ter resultados": depende do que entender por rapidamente. Será melhor que Nani comece a render de imediato, mas não lhe podemos exigir que comece a resolver jogos já a partir de sábado. Mas é evidente que todos devemos esperar que o faça por várias vezes ao longo da época.
"Porque é uma época complicada para todos os emblemas, mas também é para o Sporting, e também é para Bruno de Carvalho": é uma época complicada principalmente para o Sporting, que continua a ter muito menos meios que os rivais e quer lutar pelos mesmos objetivos. E aí foi de facto Bruno de Carvalho que decidiu aumentar a fasquia para o clube, o que significa que terá que responder por isso no final da época, caso tenha ou não sucesso.
"BdC vai capitalizar junto dos sócios esta iniciativa": sim, sem dúvida, tentando encher o estádio, vendendo gameboxes, procurando gerar uma grande dinâmica entre os adeptos e a equipa que ajude o clube a atingir os seus vários objetivos, desportivos e financeiros. Seria parvo se não o fizesse.
"Iniciativa populista, inicativa com cariz eleitoral": perdão??! Desde quando é que trazer um jogador da classe de Nani, não tendo encargos com o salário, é uma iniciativa populista? Populista seria contratar loucamente, não olhando a custos de transferência e a salários de forma a apresentar o melhor plantel possível, sabendo que não tem dinheiro para o pagar, e dizendo-nos a todos que não há motivos para estarmos preocupados. Neste caso, Nani não representa qualquer sobrecarga para um orçamento perfeitamente equilibrado. E o "cariz eleitoral" só pode ser mesmo para rir, atendendo que faltam dois anos e meio para as próximas eleições.
"Tem que ter uma correspondência prática, porque se não tiver isso pode representar algo de menos positivo para o Sporting" - sim, será uma desilusão se não tiver uma correspondência prática (entenda-se títulos), mas mais uma vez a presença de Nani não muda nada nesse aspeto. Os sportinguistas ficariam igualmente desiludidos se não conquistássemos títulos sem que Nani tivesse vindo.
"Vamos ver também com o plantel reage, como o balneário reage": hmmm, muitos deles terão a oportunidade de jogar com um ídolo da sua juventude, de um jogador de prestígio mundial... acham mesmo que vão amuar e sentar-se a um canto enquanto Nani treina e joga?
Demasiadas vezes os comentadores gostam de ligar o complicador nas suas "análises", seja por azia sentimental, seja por gostarem de ser polémicos em assuntos relativamente consensuais. No caso de Rui Santos, não tenho dúvidas que se trata da segunda hipótese. Admito que tem coragem para tocar em vários temas que os restantes comentadores evitam a todo o custo, mas infelizmente não o faz por convicção. Fá-lo simplesmente porque sabe que a polémica vende.
Leonardo Jardim no Porto: a ideia surgiu pela primeira vez da cabeça de Rui Santos, na altura em que a vantagem do Porto no campeonato sobre Sporting e Benfica tinha sido reduzida para apenas 1 ponto, no final de novembro.
Não sei muito bem o que terá levado Rui Santos a lembrar-se de uma coisa destas. Provavelmente por saber que vende por ser polémico, digo eu. Mas a coisa correu-lhe mal, e a sua teoria acabou por não pegar.
Uns meses mais tarde, a CM TV achou por bem desenterrar o assunto da ida de Jardim para o Porto:
No caso da CM TV as intenções eram mais claras: esta "notícia" foi dada quando faltavam apenas 2 dias para o Benfica - Sporting, e devem ter achado que valia a pena tentar desestabilizar o adversário do seu parceiro. Aliás, esta técnica da CM TV nem era nova: 2 dias antes do Porto - Benfica do ano passado (em que Kelvin deu o campeonato ao Porto), apitado por Pedro Proença, a CM TV passou escutas do apito dourado em que se falava na propensão de Proença beneficiar a equipa de Pinto da Costa. Coincidências, certamente.
Mas a partir deste momento o rumor de que o Porto estaria interessado em Jardim passou a circular com mais frequência nas bocas dos portistas mais desesperados por terem um treinador a sério. Entretanto foram aparecendo outras variantes da mesma história, nos mais diversos debates sobre futebol dos diferentes canais, sempre com a notícia de uma fonte segura que garantia que Leonardo Jardim não ficaria no Sporting em 2014/15 (mesmo tendo contrato). Ainda ontem, o conhecido portista Pedro Marques Lopes tentou manter viva essa chama, ao sair-se com esta deliciosa frase:
Alguns comentadores, paineleiros, e órgãos de comunicação social continuam a pensar que os interesses do Sporting ainda são defendidos pelas mesmas pessoas que colocaram o clube à beira do abismo, e vão atirando o barro à parede na esperança de conseguir desestabilizar um grupo blindado, solidário, competente e apaixonado.
Ao longo do último ano os bichos papões foram surgindo de todos os cantos para transformar a vida dos sportinguistas num verdadeiro pesadelo. O bicho papão da rescisão de contrato de Bruma, cujo destino tanto podia ser Benfica ou Porto? Esfumou-se. O bicho papão de Leonardo Jardim no Porto? Puf! O bicho papão da venda ao desbarato dos melhores jogadores do plantel, que queriam fugir a sete pés de Alvalade? Desapareceu sem deixar rasto.
A notícia que coloco de seguida foi publicada pelo Correio da Manhã há menos de um ano, já com Bruno de Carvalho à frente do clube.
Acredito que muitos sportinguistas tenham ficado com receio que esta notícia fosse verdadeira. Tenho a certeza que se esta mesma notícia tivesse sido publicada em janeiro de 2013, quando vivíamos no caos de Godinho Lopes, ninguém se admiraria que se tratasse de uma possibilidade bem real.
Haverá algum sportinguista no seu perfeito juízo que acreditaria nesta notícia se fosse publicada hoje? É evidente que não, e por aí se vê aquilo que o Sporting ganhou em termos de estabilidade, auto-estima, e organização.
A força do bicho papão depende da nossa capacidade entre distinguir o que é real do que é imaginário. Notícias destas continuarão a sair durante o defeso, mas neste momento os sportinguistas têm obrigação de não lhes dar qualquer crédito, pois sabem que existe uma direção que defenderá sempre de forma intransigente os interesses do clube. O tempo dos bichos papões acabou.
Hoje Leonardo Jardim é dado como pretendido no Marselha, no Milan e Tottenham. Vamos ter que nos habituar a estas notícias de desestabilização, porque não são mais do que isso: notícias de desestabilização.
in dn.pt
Há um pormenor importante: a cláusula de Leonardo Jardim não é a "modesta" quantia de €1,5M. O valor é de €15M, que já não será tão modesto assim.
E já agora, a vontade do próprio Leonardo Jardim também há-de contar para alguma coisa. Não me parece que lhe faltarão oportunidades no futuro para prosseguir a carreira lá fora, já que tem apenas (e muita gente se esquece disso) 39 anos.
De qualquer forma, isto é puro folclore. Já ontem, na SIC Notícias, durante o lançamento do Porto - Benfica, Pedro Marques Lopes, político e adepto do Porto, dizia que o Benfica se preparava para tentar contratar Leonardo Jardim.
Antes disso, já corriam rumores que seria o Porto a querer Leonardo Jardim. Primeiro, em Janeiro, em mais uma teoria mirabolante de Rui Santos. A ideia pegou e mais tarde, a dois dias do Benfica - Sporting, a CM TV (parceira da Benfica TV) lançou esta notícia:
Estamos numa fase em que vale tudo para nos tentarem desestabilizar, e continuará a ser assim até maio. Neste caso, fazê-lo através de Leonardo Jardim é uma das formas mais óbvias de nos atingirem. Nada de novo, é mais do mesmo.
No programa Tempo Extra de ontem, Rui Santos voltou a fazer um balanço da sua liga real.
De notar que as colunas estão trocadas. O próprio Rui Santos referiu isso no momento em que comentava as pontuações dos clubes, ou seja, as pontuações do campeonato são as da esquerda e as pontuações da liga real do comentador são as da direita. Na liga real de Rui Santos, o Sporting devia ter mais um ponto do que tem no campeonato e estar a apenas 4 pontos do Benfica.
Já escrevi no passado um post sobre esta iniciativa de Rui Santos. Compreendo que opte por fazê-la desta forma, mas acho-a demasiado linear. Por exemplo, no jogo Rio Ave 1-3 Porto, o 2º golo foi marcado em fora-de-jogo quando o resultado era de 1-1, mas de qualquer forma Rui Santos atribuiu os 3 pontos ao Porto.
Nas suas contas, Rui Santos limita-se a retirar o golo mal validado, o que transformaria o resultado em 2-1 para o Porto. Parece-me redutor, mas aceito.
E é justo dizer que, neste critério, Rui Santos é coerente. Também quando o Sporting venceu o Olhanense por 2-0, em que o primeiro golo foi marcado em fora-de-jogo, o comentador também atribuiu os 3 pontos ao Sporting. No Olhanense 2-3 Benfica, Rui Santos atribuiu apenas 1 ponto na liga real ao Benfica devido ao facto de o 1º golo, de Lima, ter sido também marcado em fora-de-jogo.
O que já não compreendo são estes casos:
No caso do jogo com o Estoril a pontuação atribuída por Rui Santos não aparece, mas somando os pontos atribuídos em todos os outros jogos é possível perceber que o comentador atribuiu 1 ponto ao Sporting na liga real.
Ou seja, são 3 jogos em que o comentador considera que houve um penalty por assinalar a favor do Sporting, todos eles em alturas avançadas das partidas (69', 73' e 75'), mas por algum motivo não atribui os 6 pontos a mais que o Sporting conquistaria caso as grandes penalidades tivessem sido assinaladas e convertidas.
É certo que existe sempre a possibilidade de um penalty não ser convertido, mas a partir do momento em que Rui Santos entra pela via das hipóteses, deveria reconhecer que a probabilidade de um penalty ser marcado com sucesso é muito superior à probabilidade de ser falhado. E no caso do Sporting o aproveitamento dos castigos máximos nesta época tem sido exemplar.
Observem novamente a classificação e a liga real de Rui Santos. Agora vejam bem a diferença que estes 6 pontos fariam...
Nota prévia: alterei o nome do post de ontem sobre a teoria de Rui Santos sobre Luís Filipe Vieira para "As teorias mirabolantes de Rui Santos #1: Vieira prepara saída do Benfica".
Vamos então ao episódio de hoje.
No programa Tempo Extra a 28 de Novembro de 2013, após o empate entre o Porto e o Nacional para a 10ª jornada, Rui Santos comentava a posição frágil em que Paulo Fonseca se encontrava.
Conclui-se, portanto, que é só uma questão de o Porto querer. Esqueçam a vontade de Leonardo Jardim, a capacidade desta nova direção defender os interesses do clube, e o contrato assinado entre as duas partes. Pinto da Costa estala os dedos e o mundo passa a girar no sentido que lhe der mais jeito.
Rui Santos, ontem, no programa Tempo Extra, fez uma dissertação sobre os motivos que levam o Benfica a vender Matic. De súbito, apresenta-nos esta teoria para explicar o facto de o clube estar vendedor de alguns dos seus jogadores mais influentes:
Foi um momento muito engraçado, mas devo destacar estas duas frases, que são de ir às lágrimas:
"Luís Filipe Vieira fez tudo bem até agora, menos uma coisa: não conseguiu conquistar títulos."
"Será que Luís Filipe Vieira está a preparar a sua saída (...) condicionado por questões emocionais que têm a ver com o desaparecimento de Eusébio"
Não conheço o presidente do Benfica nem tenho qualquer fonte que esteja por dentro da vida do clube, mas parece-me evidente que Vieira nunca sairá de livre vontade da presidência do Benfica, conforme já escrevi aqui. Não andou a blindar estatutos e a montar uma máquina de propaganda para agora entregar tudo de mão beijada a outra pessoa.
Enfim, é apenas mais uma teoria de Rui Santos, mas pelo menos esta é divertida.
Nota: atualização deste post à 21ª jornada pode ser lido aqui --> LINK
No Tempo Extra de terça-feira, Rui Santos apresentou a tabela da sua "liga real".
Segundo o comentador, o Benfica deveria liderar o campeonato com 32 pontos, à frente de Sporting com 31 e Porto com 28.
Como Rui Santos não explicou os cálculos que fez para chegar a esta classificação, fui ao site da SIC Notícias esclarecer as minhas dúvidas. Rui Santos tem uma infografia que indica de forma clara, jogo a jogo, as situações em que na sua opinião os erros de arbitragem afetaram o resultado final.
Há várias coisas que são apresentadas nessa infografia com as quais não concordo. Por exemplo, não estou de acordo com Rui Santos quando o comentador acha que o Benfica deveria ter tido os 3 pontos no jogo com o Sporting. Está a ignorar o facto de ter sido perdoada a expulsão a Maxi ainda na primeira parte, quando o resultado ainda estaria 0-0 se o golo de Montero tivesse sido invalidado. Mas é uma diferença de entendimento de um lance que tenho que respeitar.
Não concordo, mais recentemente com a apreciação de que o Benfica mereceu o ponto conquistado contra o Arouca. No meu browser não aparecem os detalhes dos lances que sustentam a opinião de Rui Santos, mas vou assumir que considerou penalty um lance em que um jogador do Arouca joga a bola com a mão (na minha opinião não dá para ver se foi dentro ou fora da área, mas Rui Santos pode ter mais certezas do que eu).
Dou de barato os casos que mencionei até aqui. O que não consigo entender é isto:
Eu não concordo com os pressupostos que Rui Santos usa na construção desta "liga real". Acho-os demasiado simplistas, não penalizam erros que desbloqueiam resultados nem assumem que expulsões mal decididas podem ter um efeito no resultado final. Mas tudo bem, é livre de fazer as contas que bem entende, desde que mantenha uma certa coerência.
Agora, dentro dos princípios que Rui Santos segue, parece-me que no Sporting - Rio Ave o comentador ficou a dever dois pontos ao Sporting. Dois pontos que seriam suficientes para colocar o Sporting à frente também na "liga real" de Rui Santos.
Existe atualmente uma vontade fortíssima de vender uma história de que o Sporting só está em primeiro porque anda a ser beneficiado pelas arbitragens. Bruno Carvalho denunciou-a, e muito bem, porque essa narrativa é uma pura invenção.
O Sporting teve alguns jogos que foi beneficiado? Sim, é verdade. Mas também Porto e Benfica. Na liga real, sem aspas, considerando o futebol praticado e
os erros de arbitragem que beneficiaram e prejudicaram os três grandes até agora, o Sporting está no único lugar que merece. O primeiro.
Comentários de Rui Santos à 10ª jornada no último domingo
Pontos a reter do comentário:
é preciso olhar para toda a época do Porto
o Porto começa a mostrar sinais preocupantes de alguma decadência a partir da 5ª jornada
"E na verdade, quer nas apresentações europeias, quer na Taça de Portugal, quer também no campeonato nacional o Porto acaba de perder 4 pontos nos últimos 2 jogos!"
Comentários de Rui Santos à 8ª jornada, umas semanas antes
Pontos a reter do comentário:
o Porto tem uma defesa super-adulta
com os 5 pontos de avanço que o Porto tem à 8ª jornada, pode-se dizer que está encontrado o campeão nacional porque o Porto não vai abrandar
Tecnicamente, Rui Santos não está errado -- o Porto ainda não perdeu 5 pontos para os rivais. Mas é curioso ver como o comentador consegue fazer discursos completamente contraditórios, sempre com um ar de quem está totalmente convicto daquilo que diz.
Não sou uma pessoa muito dada a experiências radicais, mas confesso que gostava de poder ler pensamentos por uns dias só para seguir o raciocínio de Rui Santos enquanto está a preparar o que vai dizer no programa seguinte.
Não aprecio particularmente o estilo de Rui Santos. É um homem que sabe que tem um tempo de antena anormalmente elevado por ser um comentador polémico, e em virtude disso acaba por ser uma voz que aparece frequentemente a contrariar as tendências de opinião dominantes.
Não me parece pessoa para andar a fazer fretes a Porto, Benfica ou Sporting. Pelo contrário, já teve dissabores bem dolorosos no passado, muito provavelmente por apontar o dedo a pessoas pouco habituadas a serem criticadas.
Apesar de apreciar um homem que não tem medo de dizer coisas que não agradam aos poderes dominantes do futebol, que é uma espécie em vias de extinção no panorama da comunicação social portuguesa, devo confessar que não gosto do modo como Rui Santos transmite as suas ideias. Como os programas em que participa são extremamente longos, parece-me que o discurso acaba por ser pouco objetivo, perdendo-se frequentemente em considerações confusas e inúteis. Tudo porque é preciso encher chouriços para ocupar os longos minutos do seu programa a solo.
Ontem tive a oportunidade de ver o programa "Tempo Extra", que veio confirmar a ideia que já tinha de Rui Santos. Destaco dois momentos.
O 1º tem a ver com um quadro que Rui Santos apresentou para comprovar o conservadorismo das escolhas de Paulo Bento.
Diria
que é um péssimo exemplo para demonstrar o conservadorismo de Paulo Bento.
Aliás, utilizar 29 jogadores durante uma campanha de 12 jogos oficiais e mais alguns particulares até
parece experimentalismo a mais. Quase que dá para formar três equipas
diferentes.
Teria sido mais apropriado ver os minutos de jogo existentes, e ver quantos jogadores contribuíram para 90% desses minutos. Aí sim, poderia chegar a alguma conclusão interessante. Da forma que o fez acabou por ser um tiro completamente ao lado.
Pouco tempo depois, Rui Santos quis falar sobre a longevidade de Paulo Bento enquanto selecionador e relacionar com a percentagem de vitórias conseguida. Até pode ser interessante uma análise que enquadre Paulo Bento no quadro dos selecionadores mais bem sucedidos na história do futebol português, mas Rui Santos, mais uma vez, fê-lo de uma forma simplista. E, pior que isso, foi a forma como apresentou as suas conclusões.
Um quadro que compara alhos com bugalhos, não fazendo referência às grandes competições em que os selecionadores estiveram envolvidos e o nível de sucesso dessas campanhas, não serve para absolutamente nada. E a forma como o apresentou até dá ideia que nunca tinha visto aquele gráfico antes. Ou que se esqueceu de qual era o ponto que queria comprovar. Péssimo.
A SIC percebeu que o formato anterior do Tempo Extra, em que Rui Santos falava a solo durante duas horas, já tinha os dias contados. Decidiram juntar, no mesmo horário, Manuel Fernandes, Toni e António Oliveira a Rui Santos no novo programa "Play-Off". A dinâmica é diferente mas não nos poupa a testemunhar momentos caricatos como este.
Para além disso, mudaram o horário do "Tempo Extra" e reduziram drasticamente a sua duração. Passámos de duas horas de discurso polémico, atabalhoado e pouco objetivo para trinta minutos de discurso polémico, atabalhoado e pouco objetivo.
Alguém devia avisar a SIC que não parece que tenha havido grandes melhorias.
"Play-Off" é a mais recente aposta da SIC Notícias na discussão do futebol nacional. O painel é composto por três senadores do futebol (Toni, António Oliveira e Manuel Fernandes) e por Rui Santos, que fazia o "Tempo Extra" nesse mesmo horário. Não tenho seguido o programa com grande atenção, mas ontem por acaso calhou ter visto uns minutos enquanto fazia zapping. Em boa hora, pois tive o privilégio de testemunhar este excelente minuto de comunhão de ideias entre os vários intervenientes.
Nota: as transcrições das palavras de Toni, Oliveira e Manuel Fernandes estão a vermelho, azul e verde, em função das suas preferências clubísticas, e as de Rui Santos estão a roxo devido às suas preferências de camisas e gravatas.