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terça-feira, 29 de maio de 2018

Balanço de 2017/18: Médios



William Carvalho: **          
2016/17: **
2015/16: **
2014/15: **     
2013/14: ***

Mais uma época exibicionalmente irregular que, é justo que se diga, foi afetada pelas várias lesões que teve de enfrentar e pelo sistema de jogo de Jesus, que não favorece um médio com as suas características. Voltou a estar abaixo das expectativas, o que nos deveria levar a concluir que talvez sejam as expectativas que são demasiado elevadas. Não que o valor não esteja lá - é perfeitamente visível a diferença de um Sporting quando tem um William ao melhor nível -, mas já se percebeu que existem outros fatores que fazem com que não se consiga extrair tudo o que William pode dar. 


Adrien Silva: **          
2016/17: **
2015/16: ***
2014/15: **     
2013/14: ***

Na realidade não fez parte do plantel, mas coloco-o aqui porque acabou por somar mais minutos do que jogadores como Palhinha, Misic, Mattheus ou Wendel. Já estava com a cabeça noutras paragens, mas não há nada a apontar a Adrien pelo que fez enquanto ainda foi a jogo pelo Sporting.


Rodrigo Battaglia: **

Foi o jogador que participou em mais partidas de todo o plantel (57 jogos) o que, por si só, reflete a importância que teve ao longo da época mesmo não sendo um indiscutível. Battaglia é um poço de força e voluntarismo - qualidades que sabe dosear bem, o que pode ser atestado pelos apenas 9 amarelos que viu em todas as competições -, ainda que nem sempre consiga dar à equipa tudo aquilo que é necessário num 8. Curiosamente ou talvez não, o melhor período que teve foi quando jogou mais recuado, com Bryan Ruiz à sua frente no miolo. Espero que consiga ultrapassar as questões que o envolveram no triste episódio de Alcochete, pois é um jogador que poderá desempenhar um papel ainda mais importante na próxima época.


Bruno Fernandes: ***          

Contratação do ano e estrela da equipa. Teve um impacto imediato na qualidade de jogo do Sporting, em parte beneficiado por praticamente não ter tido férias e iniciado a época com mais ritmo do que a generalidade dos jogadores, mas a sua influência manteve-se elevada praticamente ao longo de toda a época. Quebrou um pouco no final por ter sido fisicamente mal gerido por Jesus - que não só não o poupou em muitas situações que assim o justificava, como também pelos papéis que lhe atribuiu em campo. Ainda assim, foi uma época brilhante: a folha estatística é impressionante (16 golos e 20 assistências) e foi recheada de muitos momentos que fazem levantar qualquer estádio. Não só é para manter para o ano: é a peça central à volta da qual a equipa tem de ser construida, e tem um perfil adequado que justifica que lhe seja atribuída a braçadeira de capitão.


Bruno César: **
2016/17: **
2015/16: **

Mais uma vez foi um jogador extremamente útil pela sua polivalência. Importante na primeira metade da época - e em particular nos jogos de maior exigência, brilhando na Liga dos Campeões -, foi perdendo espaço a partir de dezembro até ter contraído uma lesão que lhe acabou com a épca em março.


Bryan Ruiz: **          
2016/17: *
2015/16: ***

Afastado do grupo de trabalho durante a primeira metade da época, foi reintegrado progressivamente a partir de novembro até assumir um papel principal em fevereiro. As pernas frescas valeram-lhe boas prestações na posição 8, ainda que não seja um jogador talhado para funções tão exigentes fisicamente. Acabou o contrato e deverá continuar a carreira noutras paragens. Ainda que tenha ficado marcado por aquele falhanço e esgotado a paciência de muitos adeptos pela sobreutilização que Jesus lhe deu - em particular em 2016/17 -, é um jogador que, pelo menos a mim, deixará saudades pela classe que demonstrou ter, quer dentro quer fora de campo.



Alan Ruiz: *
2016/17: *

Tinha esperanças que conseguisse retomar a boa forma que demonstrou em parte da 2ª volta de 2016/17. Ao contrário da sua primeira época, chegou em boas condições físicas à pré-época e pensei que pudesse aproveitar esse balanço e a melhor adaptação ao clube para conseguir demonstrar as suas qualidades. O problema é que... não conseguiu, muito longe disso, e não foi por falta de oportunidades. Lento a decidir com a bola nos pés e defende só quando lhe apetece, o que faz com que seja um jogador perfeitamente inútil em campo. Esgotou a paciência dos adeptos e acabaria, também, por esgotar a paciência da única pessoa que ainda acreditava nele: o treinador. Um flop completo que poderá estar de volta em dezembro de 2018.


Mattheus Oliveira: *

Mattheus foi uma contratação que levantou alguma polémica. Nada nas suas características gerava confiança nas suas possibilidades de afirmação num clube como o Sporting - ainda mais num sistema de jogo como o de Jesus. Dos poucos minutos de competição que teve, a maior parte foi contra equipas de escalões inferiores... e nem aí conseguiu demonstrar capacidade que justificasse minutos em desafios mais exigentes. Um erro de casting previsível, pelo que não surpreendeu o empréstimo ao V. Guimarães em janeiro.


João Palhinha: -

Teve uma utilização demasiado esporádica para poder demonstrar o que pode fazer. Verdade seja dita que havia muita concorrência para a sua posição (William, Battaglia, Petrovic), mas acabou por ser um ano perdido. Mais valia ter sido emprestado.



Radosav Petrovic: *
2016/17: -

Mais uma época com poucos minutos. As oportunidades que teve como médio defensivo nunca foram aproveitadas, e acabaria por ser como defesa central que teve os seus melhores jogos. Há que dizer que a sorte também nunca o protegeu - como esquecer a sua absurda expulsão contra o Moreirense que viria a ser despenalizada pelo CD? -, mas está mais que visto que não tem valor para continuar por cá.


Wendel: -

É incompreensível que Jesus lhe tenha dado tão pouco tempo de jogo, considerando o esforço que a direção fez na sua contratação. E não se pode dizer que fosse um capricho da direção, porque, efetivamente, foi visível ao longo da época que precisávamos de um médio mais capaz nas tarefas de transporte de bola. Do pouco que se viu, Wendel tem essas competências que, por mesquinhez ou teimosia - o treinador não quis aproveitar.


Misic: -

Diz quem o conhece que é um médio centro posicional com boa capacidade de passe e especialista nas bolas paradas. Quem não o conhece não teve oportunidade de comprovar nada disto, face à escassez de utilização. Pior: quem conseguir entender por que razão Jesus o colocou a médio ala na final da Taça, que me explique.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Paixão por Bruno

Sabendo da derrota do Benfica no clássico, o Sporting foi a jogo (que começou atrasado 13 minutos por demora dos jogadores do Belenenses em subir ao túnel de acesso - gostava de saber o que se terá passado) com o conhecimento de que dependia apenas de si para conseguir chegar ao 2º lugar. Esse importante pressuposto para o que resta da época impunha, obviamente, que a equipa saísse do Restelo com os três pontos no bolso.

Nesse sentido, o jogo não podia ter começado de pior forma: Bruno Paixão decide penalizar o Sporting com (mais) um penálti que não se assinalaria contra nenhum outro candidato ao título. A perder desde cedo, o Sporting reage categoricamente com um vendaval de futebol proveniente dos pés de Bruno Fernandes e vira o resultado, e levando dois golos de vantagem para o intervalo. Tentou adormecer o jogo na segunda parte, mas nem o Belenenses nem Bruno Paixão foram na cantiga: grande jogada pela esquerda na origem do 2-3 e novo penálti que ninguém assinalaria a Benfica ou Porto para o 3-3.

Valeu-nos a jurisprudência criada por Bruno Paixão na decisão do primeiro penálti para assinalar um penálti a favor do Sporting, que resolveria o jogo. Houve muito Bruno (Paixão), mas, felizmente, acabou por haver muito mais Brunão.




Brunão - mais uma exibição portentosa. O passe para o golo de Dost é de uma categoria assombrosa: tenso e com uma precisão milimétrica para facilitar a receção orientada do holandês. Assistência para Gelson. Participação na jogada do terceiro golo. E não tremeu na marcação do penálti. Para além de outras iniciativas de ataque deliciosas. Só não esteve perfeito num par de ocasiões de remate de que dispôs na área do Belenenses. Está com números estratoféricos que só surpreenderão quem não o vê jogar. Não deve haver sportinguista que não sinta uma arrebatadora paixão pelo Brunão.

A reação ao primeiro golo - depois de mais um penálti que só se marca contra o Sporting, a equipa não podia ter tido melhor reação. Não tardou a conseguir o empate e dispôs de variadíssimas oportunidades até alcançar a vantagem com que foi para o intervalo. Uma resposta que deve ser valorizada se considerarmos as dificuldades que o Belenenses causou recentemente a Benfica e Porto.

Bryan a 8 - não tendo estado ligado de forma tão direta aos golos, é justo que se refira o excelente jogo que fez. Enquanto 8, tem sido capaz de dar a ligação entre setores de que a equipa precisa e de dar os equilíbrios defensivos necessários, pelo menos enquanto não rebenta fisicamente. Está em muito boa forma.

A defesa de Patrício a segurar a vitória - Florent tentou cruzar, mas a bola seguiu caprichosamente para o canto superior oposto da baliza do Sporting. Entraria, não fosse a extraordinária defesa de Rui Patrício a desviar o esférico para a barra. Valeu dois pontos.



A arbitragem - felizmente, o Sporting ganhou, pelo que não me poderão acusar de estar a culpar a arbitragem para esconder um insucesso da equipa. Já vi este filme demasiadas vezes para achar que isto são apenas coincidências. Patrício bate com a mão em Yazalde no lance do primeiro penálti. É um facto, mas quantas vezes é que um guarda-redes, ao embater num adversário sem tocar na bola na pequena área num lance dividido, deram direito a penálti? Nomeadamente contra Benfica ou Porto? Ao contrário teria marcado? Nem pensar. Há duas semanas, em Braga, Matheus arriscou-se a partir a perna a Dost num lance idêntico e o árbitro mandou seguir. Vejo o penálti de Acuña sobre Licá e apenas me lembro do penálti que Artur Soares Dias não assinalou sobre Doumbia no Dragão. Disse que a UEFA o matava se assinalasse uma lance daqueles, que foi bem mais evidente do que este. É assim o futebol português, os protocolos vão sendo "construídos" em função do tipo de lances que vão acontecendo a determinados clubes. Outro exemplo ainda: o amarelo mostrado a André Pinto logo aos dez minutos: quantas vezes é que os árbitros toleram faltas para amarelo quando são cometidas no início? Nos jogos do Sporting é a regra... quando a primeira falta para amarelo é cometida por um adversário do Sporting. Em relação ao penálti sobre Dost, obviamente que Paixão não teve alternativa senão assinalá-lo, depois do que tinha decidido no penálti de Patrício - a cotovelada de Yebda foi bem mais ostensiva. Outra situação: Bruno Paixão não podia ter impedido Dost de ficar em campo após ter sido assistido nesse mesmo lance... porque foi assistido por causa de uma lesão provocada por um adversário que viu um amarelo por essa falta. Ou seja, Dost viu um amarelo injustificado por ter permanecido em campo após a assistência (quando na realidade não precisava de ter saído) e não pôde bater o penálti graças a esta absurda decisão de Bruno Paixão, que o manteve fora de campo. Felizmente, Bruno Fernandes marcou com sucesso o penálti, caso contrário estaria armado mais um caso gravíssimo.

Fonte: O Jogo

Há ainda a mão (indiscutível) de Ristovski no lance do terceiro golo. Quando o golo de Doumbia mal anulado contra o Feirense, o CA divulgou um pormenor importante em relação ao momento em que o VAR pode recuar na jogada:


Ora, já depois da mão de Ristovski, Bruno Fernandes pára a progressão para pensar o que vai fazer, e Dost lateraliza para Ristovski. São dois momentos em que a jogada não prossegue rapidamente na direção da baliza adversária. Não sei até que ponto é que isso constitui ou não o início de uma nova fase de ataque. Admito que não, e que o VAR deveria ter recuado até ao controlo de bola de Ristovski, mas fica a dúvida. O que tenho certeza é que não justificava tamanha revolta por parte do narrador do jogo (ver mais abaixo).

Incapacidade de gerir vantagens - a reação ao golo do Belenenses foi fabulosa. A vantagem de 3-1 ao intervalo era confortável, mas a verdade é que, mais uma vez, o Sporting deixou o adversário reentrar no jogo e chegar ao empate. Já tinha acontecido, por exemplo, em Vila da Feira: em poucos minutos o Feirense recuperou de 0-2 para 2-2. Abdicámos de atacar e convidámos o adversário a acampar no nosso meio-campo. Percebo a ideia de abrandar o ritmo, considerando o desgaste do jogo com o Atlético e o desafio da próxima quarta-feira com o Porto, mas não se pode cair no exagero - já devíamos estar mais que avisados para este tipo de situações.

A inenarrável narração da Sport TV - não me lembro de ver comentários tão facciosos num canal supostamente isento. Estive a investigar e constou-me que Rui Pedro Rocha tinha acabado de comer uns burritos estragados minutos antes de começar a emissão do Belenenses - Sporting, o que talvez explique tamanha azia. Tentou desesperadamente chamar a atenção para a falta de Patrício naquele que seria o primeiro penálti da noite; tentou lançar a dúvida sobre a falta de Yebda naquele que seria o único penálti a favor do Sporting; sugeriu que Patrício poderia ver o vermelho no primeiro penálti ("vamos ver que cartão vai mostrar a Patrício", disse ansiosamente), mas mais tarde sugeriria que Yebda poderia não ter visto amarelo no terceiro penálti ("ser penálti não é obrigatoriamente amarelo", disse desanimado); e sobretudo, pelas inúmeras vezes que chamou a atenção para uma mão de Ristovski no terceiro golo do Sporting. Enquanto não perdia uma oportunidade para relembrar esse lance, conseguiu não reparar que a decisão de manter Dost fora de campo no penálti batido por Bruno Fernandes é ilegal. Eu ainda sou do tempo em que os comentadores da Sport TV evitavam falar de arbitragem para não desvalorizar o produto. Burritos estragados à tarde, e pastéis de Belém estragados à noite. Não foi fácil o dia de Rui Pedro Rocha.



Jogo de loucos que nos permitiu aproveitar os pontos perdidos pelo Benfica. Neste momento, apenas dependemos de nós para chegar ao 2º lugar. Não sendo "o" objetivo, não deixa de ser um objetivo importante para o Sporting por causa do acesso à Champions.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Epílogo de um percurso europeu meritório

O Sporting nunca teve obrigação de passar esta eliminatória, e com muito menos obrigações ficou depois de ter perdido por dois golos sem resposta em Madrid. Tinha obrigação, isso sim, de disputá-la até ao limite das suas possibilidades, e foi precisamente isso que fez, tanto ontem como em Madrid. A grande diferença entre um e outro jogo esteve nos três erros crassos que cometemos - a entrada desastrada levou a que alguns jogadores abanassem em algumas situações de aperto. Mas no geral, creio que a equipa teve atitude nas duas mãos da eliminatória, ao nível do que mostrou em praticamente todos os jogos da Liga dos Campeões. 

O percurso europeu acabou mas foi meritório. Arrisco dizer que esta época defrontámos três das dez melhores equipas europeias do momento. Nessas seis partidas realizadas, apenas nas duas com o Barcelona é que vimos o adversário a superiorizar-se de forma mais ou menos clara - e mesmo num desses jogos, não deixámos de discutir o resultado até ao fim.

O crescimento europeu do Sporting tem sido visível com Jorge Jesus. É verdade que de um ponto de vista resultadista, Jesus não está a fazer nada que Paulo Bento, Sá Pinto ou José Peseiro não tenham feito nas suas passagens pelo clube. Mas do ponto de vista da personalidade com que se encara os adversários, os progressos são mais que evidentes.

Isto, na minha opinião, torna evidente uma outra questão: como é que uma equipa que soube encarar de frente alguns dos maiores da Europa, passou tão mal contra adversários internos que estão a milhas da realidade europeia?

Bem sei que os campos, em Portugal, têm andado constantemente inclinados contra uns e a favor de outros, e isso explica facilmente a diferença de pontuação em relação a quem está no topo, mas, ainda assim, parece-me óbvio que não fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Não coloco em causa que os jogadores têm dado o litro até ao fim nos jogos do campeonato quando o resultado não é o pretendido. O meu problema é que não têm dado tudo entre o primeiro minuto e o momento em que se apercebem que a vitória pode fugir. Pelo meio, vai-se acelerando o jogo em períodos curtos, o que muitas vezes chega para marcar, mas nem sempre.

É fundamental que a equipa esteja predisposta a correr até cair para o lado desde o primeiro minuto, e isso, de uma forma geral, não tem acontecido nas competições internas.

Claro que a motivação que um jogador tem quando defronta um tubarão europeu é diferente da motivação de um jogo rotineiro para o Tugão, mas se não estamos neste momento mais perto do topo da classificação é, claramente, porque essa diferença de motivação é muito mais ampla do que deveria ser.

A qualidade está lá, mais a qualidade, só por si, não é suficiente. Dentro daquilo que depende exclusivamente de nós, falta-nos conseguir reduzir a tal oscilação motivacional, perceber qual o modelo de jogo mais adequado para as competições internas, e ter prioridades bem definidas para o nosso calendário. Prioridades bem definidas, na minha opinião, que passavam por usar a Liga Europa para rodar a equipa... mas não foi isso que entenderam o presidente - que estabeleceu a vitória na competição como objetivo -, o treinador - que aprecia o palco europeu - e os jogadores - pelo menos na eliminatória com o Atlético. Foi uma competição gira enquanto durou, que melhorou o nosso ranking, trouxe prestígio assim-assim, mas, em contrapartida, deu pouco dinheiro e foi pródiga no desgaste e nas lesões que provocou. No geral, será que valeu a pena?

Em relação ao jogo de ontem, no entanto, mentiria se não reconhecesse o prazer que me deu a exibição da nossa equipa. Muito bem Jesus, mesmo com a ausência de quatro titulares indiscutíveis, a montar a estratégia que permitiu pôr os espanhois aos papéis durante a primeira parte: colocou três centrais para evitar as aflições de 2x2 (Coates e Mathieu contra Costa e Griezmann) que nos matou em Madrid; abriu os laterais a toda a largura e com permissão para explorarem a profundidade (e que enormes exibições fizeram Ristovski e Acuña); Battaglia e Bryan a fazerem um jogo de grande sacrifício e competência no miolo. Mesmo com o percalço da saída de Mathieu, Petrovic esteve impecável defensivamente - sempre muito concentrado e certo no posicionamento, sabendo quando tinha de se manter na linha defensiva ou quando tinha que sair em contenção. Chegámos ao intervalo a ganhar por 1-0 e a lamentar a estupenda defesa de Oblak a cabeceamento de Coates e a falta de pontaria de Gelson de cabeça numa situação em que apenas tinha que escolher o lado onde colocar o esférico. A segunda parte começou a ser mais complicada, principalmente quando começaram a faltar pernas. Infelizmente, falharam as outras duas substituições: Rúben e Doumbia não acrescentaram nada, mas há que reconhecer que qualquer equipa está sujeita a que isso aconteça quando se está a rapar o fundo do tacho (ou do banco - não esquecer que para além da indisponibilidade de Dost, Coentrão, Piccini e William, também não havia Podence, Leão e o talismã das noites europeias chamado Bruno César) e que também não ajudou o facto de, nessa altura, haver vários jogadores em nítidas dificuldades físicas, como Gelson ou Bruno Fernandes.

Uma última palavra para o grande ambiente que se viveu no estádio do início ao fim. Apesar de ser um jogo que merecia mais gente, os que marcaram presença tiveram nota máxima. Apesar da eliminação, foi uma noite europeia que valeu a pena presenciar ao vivo.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Bryan Ruiz reintegrado

O Record noticiou há pouco que Bryan Ruiz foi reintegrado no grupo de trabalho liderado por Jorge Jesus. O costa-riquenho passa, portanto, a estar disponível para ser utilizado por Jorge Jesus assim que o treinador o entenda apto para competir. Esta reintegração é feita após ter-se alcançado um entendimento entre jogador, treinador e presidente.


Não sei ao certo o que se passou para Bryan Ruiz ter sido afastado da equipa, mas parece-me que esta é uma boa notícia. Bryan é um jogador caro que pode fazer uma posição para a qual o plantel não tem muitas soluções: Acuña está lesionado, Bruno César não tem dado aquilo de que a equipa precisa quando é colocado no flanco esquerdo, e Podence tem sido opção para outras posições.

O rendimento de Bryan Ruiz na época passada ficou bastante aquém do desejado, mas isso não só não foi exclusivo seu - houve muitos jogadores a jogar abaixo do esperado - como também pode ter sido prejudicado pelo desgaste acumulado ao longo de épocas consecutivas a disputar torneios internacionais no verão - mundiais, Gold Cup's, e por aí fora. Dentro do mau que foi este seu afastamento, pelo menos agora teremos um Bryan Ruiz fisicamente repousado. Utilizado com conta, peso e medida, penso que poderá ser uma mais-valia para a equipa. Uma boa notícia, portanto.


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Balanço de 2016/17: Médios



William Carvalho: **          
2015/16: **
2014/15: **     
2013/14: ***

Esperava-se que William desse sequência às exibições de elevado nível com que terminou a temporada passada, face ao conhecimento já acumulado do sistema de Jesus. No entanto, o médio teve um ano abaixo das expetativas, já que o melhor William poucas vezes apareceu em campo. Fisicamente, pareceu quase sempre a meio gás, e nem como primeiro construtor teve a preponderância de outras épocas. Pior ainda, foram vários os jogos em que cometeu lapsos que só se podem explicar com falta de concentração. Num sistema de jogo que exige imenso dos médios, creio que o fraco rendimento defensivo da equipa se explica parcialmente pela quebra de forma de William.



Adrien Silva: **          
2015/16: ***
2014/15: **     
2013/14: ***

Peça fulcral do onze de Jesus, Adrien começou a época em excelente forma. A sua importância ficou à vista de todos não tanto pelo que mostrou enquanto esteve em campo, mas principalmente pelo que aconteceu quando deixou de estar - a equipa ressentiu-se profundamente da sua lesão na 1ª volta. Regressou ao onze em dezembro, mas a partir daí nunca mais se viu o melhor Adrien - que viria a lesionar-se uma segunda vez já durante a 2ª volta. Disponibilidade física nunca lhe faltou para o trabalho defensivo, mas esteve uns furos abaixo do que era necessário em tarefas ofensivas: 2 golos (excluindo penáltis) e 2 assistências é muito pouco para um jogador que faz aquela posição. Será que essa quebra de rendimento terá tido alguma coisa a ver com insatisfação por não ter sido transferido no início da época? Não sei, mas ficou-lhe muito mal ter recorrido à comunicação social para fazer pressão para sair.


Bryan Ruiz: *          
2015/16: ***

Ao arrancar para 2016/17, seria impossível imaginar que Bryan Ruiz se transformaria no oposto do jogador influente da época passada. Quem sabe se vítima de mais um ano sem férias, o facto é que o costa-riquenho fez uma época paupérrima, que se tornou insuportável face à insistência de Jesus em colocá-lo em campo, fosse a ala esquerdo, a médio centro ou a segundo avançado. Frequentemente esgotado a partir dos 60 minutos, quase sempre incapaz de fazer a diferença, sem capacidade de explosão ou esclarecimento. Após uma época destas, com apenas mais um ano de contrato e sendo um dos jogadores mais bem pagos do clube, a saída é o desfecho mais lógico. Veremos se a direção o conseguirá vender a outro clube.



Bruno César: **
2015/16: **

A polivalência de Bruno César faz dele, indiscutivelmente, um dos jogadores mais úteis do plantel. Foi utilizado por Jesus em quatro posições diferentes: ala esquerdo, segundo avançado, médio centro e lateral esquerdo. Tirando a posição de lateral esquerdo, em que sentiu dificuldades perante adversários rápidos (e não ajudou o apoio que frequentemente lhe faltou do ala esquerdo), fez as restantes posições com grande competência. Para além disso, é um dos melhores marcadores de bolas paradas do plantel. O facto de ter participado em 42 jogos esta época (só Gelson, com 44, e Coates e William, com 43, tiveram mais presenças) acaba por ser um indicador da falta de profundidade do plantel - para um clube que quer ser campeão, não é bom sinal que um jogador polivalente como Bruno César acabe por ser tão utilizado. De qualquer forma, isso não é responsabilidade sua, e teve uma época bastante positiva.



Elias: *

Regressou ao Sporting para ser a alternativa a Adrien que o clube não tinha. Foi uma contratação que me entusiasmou, porque teoricamente tinha tudo para dar certo. O problema foi a passagem da teoria à prática. Elias nunca foi capaz de dar à equipa o que dava Adrien. Posicionalmente foi um desastre (quase sempre muito recuado a defender e muito adiantado a atacar), parecia que fazia de propósito para estar longe da bola. Sendo um jogador bem pago e com pouco rendimento, o Sporting acabou por vendê-lo em janeiro. Deu para recuperar o investimento, e isso é o melhor que se pode dizer desta época de Elias.


João Palhinha: *

Foi o primeiro jogador a ser chamado de volta do empréstimo face à incapacidade de Petrovic em fazer a posição de médio defensivo na ausência de William. Palhinha foi lançado de imediato às feras e as coisas não lhe correram bem na Madeira e no Porto. De qualquer forma, Jesus continuou a dar-lhe minutos de forma consistente durante cerca de 10 jornadas. Depois esteve vários jogos sem ser utilizado e regressou à titularidade na última jornada. Mostrou algumas qualidades, nomeadamente pela forma (aparentemente) fácil como se impõe fisicamente em relação aos adversários. Não demonstrou, no entanto, grande confiança para sair a jogar - coisa que sabe fazer e que só o tempo lhe poderá dar. Ainda não está pronto para ser titular do Sporting, mas tem todas as condições para fazer parte do plantel na próxima época.



Francisco Geraldes: -

Infelizmente, a única conclusão que se pode retirar da época que Francisco Geraldes fez no Sporting é que foi uma decisão precipitada fazê-lo regressar do Moreirense. O Chico ganhou a Taça da Liga, regressou, e só teve oportunidade de fazer 54 minutos na equipa principal do Sporting, distribuídos por 4 jogos. Demasiado pouco para alguém que demonstrou imensa capacidade como organizador de jogo - coisa que faltou ao futebol do Sporting esta época. Não estou a dizer que Geraldes já está pronto para ser titular - não me parece que esteja -, mas devia ter tido muito mais minutos para ir ganhando experiência. Não me parece que Jesus goste de Geraldes, pelo que me parece que voltará a ser emprestado na próxima época. Espero estar enganado.



Radosav Petrovic: -

Veio para ser backup de William, mas rapidamente se percebeu que não contava para o totobola. A péssima pré-época e o péssimo jogo de estreia em Famalicão retiraram-lhe espaço para ser aposta séria. Ainda jogou contra o Arouca para a Taça da Liga, e aí até nem esteve mal. Foi emprestado ao Rio Ave, onde demonstrou qualidades que andaram escondidas enquanto esteve no Sporting - sinal de que houve ali algum tipo de bloqueio (físico? psicológico?) a impedi-lo de render. De qualquer forma, não me parece que venha a ter espaço no plantel da próxima época.


Bruno Paulista: -

Foi utilizado nas três primeiras partidas oficiais da época, incluindo 22 minutos contra o Porto. Depois saiu das convocatórias e nunca mais foi utilizado. O rapaz tem qualidade. Deve haver uma explicação lógica para o percurso de Bruno Paulista no Sporting, e que seguramente nada terá a ver com questões desportivas. Talvez um dia se venha a descobrir.


Marcelo Meli: -

Quem?

quinta-feira, 4 de maio de 2017

As alterações no onze contra o Belenenses

O jogo de domingo passado em Braga produziu diversas baixas para a próxima partida com o Belenenses. Alan Ruiz lesionou-se no joelho e terminou a época, enquanto Gelson e Podence viram o 5º amarelo e apanharam um jogo de suspensão.

Ou seja, de uma assentada ficaram indisponíveis três dos jogadores mais utilizados nas últimas jornadas para as posições de ataque, o que levanta alguma curiosidade para saber que jogadores Jorge Jesus colocará no onze no próximo domingo.

Considerando que o terceiro lugar está virtualmente fechado, parece-me uma quase obrigação que Jesus aproveite a oportunidade para ver em competição alguns miúdos que fazem parte do plantel (e do futuro do clube) mas que esta época pouco têm jogado na equipa principal. Falo, obviamente, de Matheus Pereira e Francisco Geraldes.


Isto parece-me o mínimo aceitável. Para mim, o ideal até seria aproveitar para estrear em Alvalade o miúdo Gelson Dala, que tem estado tão bem na equipa B desde a sua chegada em janeiro.


No entanto, sabendo que Jorge Jesus não costuma abdicar dos seus princípios, já me estou a preparar psicologicamente para ver o seguinte alinhamento: 


Todos sabemos que Bryan está´numa péssima forma, mas todos conhecemos também a obsessão que Jesus tem pelo costa-riquenho. Quanto a Campbell, nada contra o jogador, mas daqui a três semanas deixará o clube em definitivo e não faz grande sentido estar a dar-lhe mais minutos. Considerando a falta de objetivos do Sporting para o resto da época e considerando que o Belenenses está num péssimo momento de forma, não vejo melhor altura do que esta para arriscar novas opções. Aguardemos para ver qual a decisão de Jesus.

P.S.: apesar de o jogo com o Belenenses se disputar às 11h45 do Dia da Mãe (competindo, portanto, com os tradicionais almoços familiares que se fazem nesse dia), confesso que estou surpreendido pelo facto de os bilhetes terem esgotado durante o dia de ontem. O Sporting ainda disponibilizará, durante o dia de hoje, os lugares especiais não ocupados. Se os detentores de Gamebox comparecerem numa boa percentagem, tudo aponta para mais uma grande casa - o que será fantástico, considerando a forma como decorreu a época.

domingo, 12 de março de 2017

Parecem bandos de pardais à solta

Depois de um empate insosso contra o Guimarães - com uma exibição paupérrima na segunda parte e uma equipa que, às tantas, parecia acomodada -, não poderia desejar melhor reação do que aquela que pudemos assistir ontem em Tondela. Reação do treinador, que mexeu (é certo que forçado) no onze e injetou uma tão necessária dose de irreverência, e reação dos jogadores - quer dos habituais titulares, quer das novas apostas -, que resultou numa exibição muito sólida e uma vitória anormalmente folgada (para os padrões desta época).

É verdade que era um jogo contra o último classificado, mas não nos podemos esquecer que este Tondela sempre nos colocou grandes dificuldades: nos três jogos disputados anteriormente, o Sporting vencera apenas um... e nos descontos. Para além de que, no princípio da época, o Tondela conseguiu empatar em casa com o Porto.

Mérito para a equipa, que soube adaptar-se bem ao adversário... e a si própria: percebeu-se perfeitamente a falta de entrosamento no início do jogo, e, qual formação on-the-job, os jogadores a tentarem afinar o entendimento mútuo. E conseguiram-no. À medida que o relógio foi passando, os passes começaram a entrar, as combinações começaram a ter uma maior taxa de sucesso, o domínio foi-se estabelecendo e as oportunidades apareceram. E aparecendo as oportunidades, já se sabe... aparece Bas Dost.




As mexidas no onze inicial - as ausências forçadas de Adrien, Bruno César e Alan Ruiz obrigariam sempre Jesus a fazer alterações na equipa titular, mas não esperava que apostasse simultaneamente em Matheus e Podence. Esse espaço acabou por surgir porque o treinador entendeu recuar Bryan Ruiz para a posição 8. As alterações funcionaram. Notou-se uma óbvia falta de entrosamento entre os jogadores mais avançados, mas, à medida que se foram ambientando, o nível exibicional da equipa foi crescendo. A equipa acabou muito bem a primeira parte, e deu a devida continuidade nos segundos 45 minutos. Bryan Ruiz soube assumir o papel de segundo médio e fez um bom jogo - apesar de o golo do Tondela ter surgido após um mau passe seu -, enquanto Podence e Matheus conseguiram imprimir uma excelente dinâmica ofensiva, ao mesmo tempo que trabalharam muito defensivamente: há muito que não via o Sporting conseguir impor este nível de pressão sobre a linha defensiva adversária.

O poker de Dost - curiosamente foi um dos jogos em que até se mostrou mais perdulário: a determinada altura do jogo já tinha tido quatro ocasiões flagrantes para marcar e apenas concretizou duas. Completou o poker com duas grandes penalidades, e foi uma pena não ter concretizado a terceira. Com estes quatro golos, aumentou para 22 o número de vezes que já fez agitar as redes, ficando, na luta pela Bota de Ouro, empatado em 2º lugar com Aubameyang e Belotti, a apenas um golo do líder Messi.

Parecem bandos de pardais à solta - na transmissão televisiva, de vez em quando viam-se umas andorinhas a esvoaçar sobre o estádio, mas a noite foi do bando de pardais à solta no relvado. Os putos tiveram uma oportunidade para mostrar o que valem, e souberam aproveitá-la da melhor forma. A primeira parte foi toda de Podence, o jogador mais dinâmico em campo. que teve como pontos altos os dois passes de morte para Dost: um concretizado; o outro, brilhantemente picado por cima do defesa, pareceu apanhar o holandês de surpresa. Matheus esteve mais apagado no princípio, acusando a falta de entrosamento e um posicionamento - colado à linha - que lhe é menos favorável. A influência do brasileiro na equipa começou a crescer com o tempo, à medida que começou a pisar terrenos mais interiores. Fez uma excelente segunda parte, com vários bons cruzamentos e uma magnífica assistência para o segundo golo de Dost. Gelson acabou por ser o mais apagado dos três, mas mesmo assim ganhou o penálti que deu o golo da tranquilidade ao Sporting. Palhinha entrou bem, acrescentando agressividade e força ao meio-campo. E Francisco Geraldes estreou-se, entrando numa fase em que ambas os conjuntos já pareciam satisfeitos/conformados com o resultado, mas ainda a tempo de ganhar mais um penálti para a equipa. Uma atuação globalmente muito positiva dos putos, a justificar continuidade na aposta.

A reação ao golo do Tondela - a equipa da casa chegou ao empate completamente contra a corrente do jogo, mas bastou um minuto para o Sporting recolocar-se em vantagem. Foi um golo importantíssimo para manter a serenidade e alcançar a vitória.

A onda verde - mais uma demonstração de vitalidade do clube e dos seus adeptos, que continuam a apoiar a equipa de forma incondicional e ininterrupta. Foi fantástico ver aquelas bancadas cheias, apesar de estarmos tão distantes do primeiro lugar. 



A instabilidade na posição de lateral esquerdo - todos sabemos que as opções existentes para a posição não são convincentes, mas tantas alterações acabam por não fazer bem a nenhum jogador. Hoje, o treinador optou por Marvin Zeegelaar que, excetuando um disparatado passe em balão atrasado que causou calafrios e obrigou Coates a um esforço adicional, fez um bom jogo. Convém referir que Marvin fez ontem, dia 11 de março, apenas o seu 3º jogo a titular em 2017 (em 12 possíveis). Convém haver mais estabilidade na posição.

O penálti falhado por Dost - o único ponto negativo numa noite extremamente positiva.



Vitória expressiva - foi apenas a segunda vez, esta época, em que ganhámos por mais do que um golo em jogos fora de casa -, boa exibição, avalanche de golos de Dost e uma excelente prestação dos miúdos que, perante a oportunidade dada, conseguiram deixar a sua marca bem vincada no resultado. Venham mais destes!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O substituto de Adrien na Amoreira

Quando questionado na conferência de imprensa de rescaldo do Sporting - Rio Ave sobre como iria resolver a ausência por castigo de Adrien na próxima jornada, Jorge Jesus não foi muito concreto na resposta, mas adiantou alguns dos possíveis cenários que andam pela sua cabeça. Falou nas rotinas de posição já adquiridas por Bryan Ruiz e Bruno César, e descartou Francisco Geraldes como opção. Jesus disse que vê o médio recuperado ao Moreirense mais como um ala ou um segundo avançado.

A questão de Geraldes é um tema relativamente sensível porque se trata de um jogador que estava a jogar (e muito bem) no clube para onde o emprestámos para evoluir, e que, regressando à base, custa vê-lo a não ter oportunidades para jogar. Mas a verdade é que, no sistema de Jesus, o papel desempenhado Adrien é absolutamente fulcral para o equilíbrio da equipa. Num meio-campo a dois, este lugar tem de ser ocupado por um médio de elevada rotação, capaz de transportar jogo e ser o primeiro a servir de travão às investidas adversárias. Não tenho dúvidas de que Francisco Geraldes conseguiria substituir Adrien em organização ofensiva - e havendo oportunidades suficientes para se entrosar com os companheiros, não tardaria a fazer melhor do que Adrien -, mas será que tem o que é necessário para o momento defensivo?

Percebo que Jesus o veja como ala ou 2º avançado. Eu, não percebendo nada de futebol, consigo ver Geraldes a fazer o papel que era de João Mário na época passada, mas também a fazer o lugar de Alan Ruiz - agora que joga uns metros mais recuado em relação ao início da época. Como 8 talvez, mas num meio-campo mais povoado.

É claro que, para ser honesto, também nunca vi em Bryan Ruiz as qualidades para fazer a posição - muito menos na péssima forma em que se encontra -, e Bruno César também não atravessa um bom momento. Definitivamente, nenhum dos dois se enquadra na parte da "elevada rotação" que referi atrás. Podem saber como interpretar as ideias do treinador em campo, mas falta a questão da execução.

Se tivesse que apostar, diria que o meio-campo do Sporting na Amoreira será igual ao que acabou o jogo de sábado, ou seja, com Palhinha e William. Apesar de ambos serem médios defensivos, nenhum dos dois se atrapalhará a jogar um pouco mais adiantado no terreno. Não oferecerão o mesmo dinamismo de Adrien com bola, mas serão capazes de garantir maior estabilidade defensiva à equipa. Esperemos para ver o que decidirá Jorge Jesus.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Bryan Ruiz, jogador do ano da CONCACAF


Uma distinção importante que premeia uma grande época, quer ao serviço do Sporting, quer ao serviço da sua seleção. Que sirva de estímulo para regressar depressa ao nível que nos encantou no seu primeiro ano de leão ao peito.

Parabéns, Bryan!

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Bryan Ruiz na Porta 10 A

Excelente entrevista de Sérgio Sousa a Bryan Ruiz, na estreia do programa "Porta 10 A", na Sporting TV. Vale a pena ver. Venham mais destas!


via canal Daniel 1906

domingo, 23 de outubro de 2016

Mau demais para um suposto candidato ao título

Este foi, tanto quanto me lembro, o pior jogo que o Sporting fez na era de Jorge Jesus. O resultado é um castigo justo, não pelo que o Tondela fez para conseguir o pontinho que alcançou - antijogo miserável com a conivência da equipa de arbitragem -, mas pela falta de atitude revelada pelos jogadores e pelo total deserto de ideias para ultrapassar o autocarro dos visitantes. Como é evidente, as culpas por este resultado não se limitam apenas aos jogadores, porque estes apenas executam a estratégia que Jesus idealizou. Mas, a desfavor da equipa técnica, há ainda equívocos, cada vez mais evidentes, na forma como certos jogadores são utilizados, e na incapacidade para mudar o chip de que Jesus tanto fala: conseguimos não ganhar nenhum dos três jogos pós-Champions. Foi mau, mau demais para uma equipa que quer ser campeã.

Foto: Global Imagens



Está aí o teu segundo avançado, Jesus! - Jorge Jesus já testou, como segundo avançado, Alan Ruiz André, Markovic, Bruno César, Bryan Ruiz e até Castaignos, mas parece fazer questão de ignorar aquilo que muita gente já percebeu: Joel Campbell, pela sua capacidade de desmarcação e espontaneidade de remate, deveria ser opção para o lugar - como já o tinha demonstrado contra o Moreirense. Colocá-lo junto a uma faixa e obrigá-lo a estar a maior parte do tempo de costas para a baliza, em trocas de bolas com os colegas mais próximos, é tentar fazer dele o jogador que não é e desperdiçar as suas melhores qualidades.

No meio do marasmo, foi havendo Gelson e Coates - o extremo não teve uma noite particularmente inspirada, mas foi o único jogador que foi conseguindo fazer alguma coisa para causar desequilíbrios - acabando por somar mais uma assistência ao seu pecúlio. Coates fez tudo o que podia - limpou o que podia limpar atrás, e ainda tentou explicar aos médios o que era preciso fazer para empurrar a equipa para a frente.



Falta de atitude, esclarecimento e de um plano B - todas as equipas têm direito a jogos menos conseguidos, mas, havendo atitude, existe sempre uma boa possibilidade de se ultrapassarem os obstáculos colocados pelos adversários de menor valia teórica. Ontem foi evidente, desde muito cedo, que a estratégia não estava a resultar. A concentração de jogadores na faixa central era enorme e o Tondela estava perfeitamente confortável com as débeis tentativas do Sporting em furar a sua defesa. Muitas vezes, o Sporting colocava em simultâneo ambos os alas / extremos em posições interiores, ficando as duas faixas laterais desertas de jogadores das duas equipas. Sem rapidez e inspiração na execução, constantemente a bola voltava para os homens mais recuados do Sporting para iniciar uma nova vaga, mas qualquer tentativa de variação era feita de forma ainda mais lenta e denunciada. Compreendo que a equipa tente jogar com critério, mas em situações em que a estratégia não está claramente a funcionar, não fará sentido dar indicações aos jogadores para terem menos cerimónia e colocarem rapidamente a bola na área, de forma a que Dost, André, Castaignos ou Campbell, possam fazer pela vida? As poucas ocasiões que construímos, perto do fim, surgiram assim. Falta sentido prático a esta equipa. Se os jogadores estiverem inspirados, coisas boas podem acontecer. Não estando inspirados, há que pressionar o adversário colocando a bola na área tantas vezes quanto se conseguir, esperando que a categoria dos nossos avançados possa fazer a diferença em uma ou duas dessas situações. No fundo, um plano B.

Jogadores a precisar de banco / descanso / exílio - no meio de várias exibições para esquecer, houve, no entanto, três casos particularmente gritantes. Elias foi, mais uma vez, um jogador inútil em campo. Ou se posicionava entre os centrais para fazer passes curtos para o lado; ou se posicionava em cima de William quando este tinha a bola, estorvando mais do que arranjando linhas de passe; ou posicionava-se perto dos centrais adversários, esperando receber a bola quase como um pivot. O que a equipa precisava era de um médio transportador, mas Elias nunca quis assumir esse papel. Bryan Ruiz está nitidamente em má forma. Raramente as suas iniciativas correram bem e perdeu inúmeras bolas. Zeegelaar está com 0 de confiança. Não consegue ter qualquer tipo de iniciativa decidida a atacar. A defender, deixou-se antecipar numa ocasião que quase deu golo ao Tondela. Três jogadores que, na minha opinião, neste momento não têm lugar no onze.

A arbitragem de Rui Costa - uma autêntica miséria: inúmeras decisões mal tomadas, com prejuízo quase exclusivo do Sporting - cantos transformados em pontapés de baliza, lançamentos decididos ao contrário, um fora-de-jogo incompreensivelmente assinalado a Campbell, que estava 3 metros atrás da linha defensiva adversária, e, acima de tudo, uma total complacência perante as entradas duras e antijogo dos jogadores do Tondela. Os 6 minutos de descontos deveriam ter sido 8 ou 9, tantas foram as entradas da equipa médica dos visitantes, e nem sequer levou em consideração o tempo que o jogo esteve parado depois de ter anunciado os tais 6 minutos. Uma arbitragem à antiga: manhosa e deliberada. Há que dizer, no entanto, que podia ter mostrado o cartão vermelho a William Carvalho já nos descontos.



Não se consegue compreender: onde está aquela equipa que esteve tão bem durante 80 minutos no Bernabéu, que conseguiu um domínio avassalador em Guimarães durante 75 minutos? Falta Adrien, mas não é aceitável que a ausência de um jogador explique tamanha diferença de rendimento. A bem das nossas aspirações, é fundamental que a equipa se reencontre rapidamente.

domingo, 25 de setembro de 2016

A ação defensiva de Bryan Ruiz

É opinião quase unânime, entre os sportinguistas, de que o jogo de Vila do Conde começou a ser perdido pelo facto de existirem elementos da equipa que não fizeram o trabalho de apoio defensivo necessário, permitindo que os adversários seguissem sem grande oposição até perto da área do Sporting.

Contra o Estoril, Bryan Ruiz recuperou a titularidade e demonstrou, por várias vezes, que a segurança defensiva depende muito do trabalho que os jogadores mais adiantados fazem quando o adversário tem a bola em seu poder.

Dou, como exemplo, três intervenções defensivas de Bryan Ruiz na primeira parte. Na primeira, Bryan tem a preocupação de recuar rapidamente perante uma potencial situação de 3x3, e uma vez garantida a superioridade numérica preocupou-se em preencher o espaço vazio na linha defensiva. Na segunda, fez um movimento para o interior de forma a fechar no meio, onde não havia qualquer outro colega para travar uma progressão sem oposição do jogador do Estoril que levava a bola. Na terceira, resolveu sozinho uma situação de ataque da equipa adversária pelo seu flanco.

Aqui fica um pequeno vídeo com essas três situações:



P.S.: a equipa feminina de futebol disputa hoje a segunda jornada da Liga Allianz contra o Viseu 2001. O jogo será disputado na Academia de Alcochete às 15h. Estas são as convocadas para o embate de logo.


sábado, 24 de setembro de 2016

Noite de gigantes

Foi, literalmente, uma noite de gigantes. Realizando uma exibição agradável - apesar de um pouco inconsistente pelos altos e baixos apresentados ao longo dos noventa minutos -, o Sporting conseguiu vencer o Estoril de forma confortável, graças aos 3 golos marcados pelos seus gigantes: Dost e Coates. No entanto, houve mais gente grande a destacar-se para além do holandês e do uruguaio - como William e Bryan Ruiz -, para além de outras figuras que, não sendo grandes em termos de envergadura física, souberam estar à altura dos acontecimentos.

A partida decorreu em sentido único, com o Sporting a dominar por completo um Estoril muito recuado e concentrado na faixa central - convidando, de certa forma, o Sporting a usar e abusar das incursões pelos flancos. O resultado ficou em 4-2, mas não traduz, de forma alguma, o diferencial de rendimento e oportunidades de golo criadas entre as duas equipas. Houvesse mais acerto na finalização, e o resultado poderia bem ter sido uma goleada das antigas.





(via @_goalpoint)
William de régua, esquadro, transferidor e compasso, mas também de vassoura e pá, e ainda de pilhas Duracell - exibição impressionante de William, a todos os níveis. Esteve exemplar na organização e distribuição de jogo, com o destaque óbvio para o papel desempenhado no 3º (assistência) e no 4º golo (passe para assistência). É, aliás, impossível não ficar de boca aberta com o passe que fez para o segundo golo de Dost, uma obra de arte que glorifica a sua rapidez e precisão de raciocínio e execução. Defensivamente, limpou todas as iniciativas de ataque do Estoril, realizando 15 (!) recuperações de bola. Fisicamente impressionante, venceu praticamente todos os duelos e disputas de bola em que esteve envolvido, e ainda conseguiu encontrar energias para fazer sprints aos 90 minutos. Para ser perfeito, faltou-lhe apenas marcar a oportunidade de que dispôs perto do fim.

Temos matador - Bas Dost chegou, viu e marcou, marcou, marcou. Já leva quatro golos em três jogos para o campeonato, mas os da noite passada foram de uma qualidade que deixam antever muitas redes a balançar até ao final da época. Para já, vai confirmando a fama que ganhou na Alemanha: inteligente, com recursos técnicos muito interessantes, e extremamente oportuno.

Gelson, o suspeito do costume - foi o grande agitador do ataque do Sporting. Entendeu-se bem com João Pereira e conseguiu furar várias vezes a densa cortina amarela. Numa delas, fez o cruzamento para o primeiro golo de Dost. Em seis jogos da Liga, já leva dois golos e quatro assistências. Mais palavras para quê?

João Pereira todo-o-terreno - ofensivamente muito dinâmico no seu flanco, defensivamente teve um conjunto de intervenções preciosas que evitaram mais dissabores. Continua a fazer um belo início de época, merecendo ser o dono do lugar.

A diferença de ter Bryan - o ponto alto da exibição do costa-riquenho foram as duas assistências para os golos de Coates e André, mas também é justo que se reconheça a importância que tem no equilíbrio da equipa. Sabe quando tem de recuar, sabe quando tem de fechar dentro, sabe quando tem de fazer dobras, e ontem demonstrou-o em várias ocasiões. Ponto negativo: mais um punhado de oportunidades falhadas - uma das quais, há que dizê-lo, só não entrou porque Moreira fez uma grande defesa.



Corpos estranhos à equipa - Jefferson continua a não dar confiança. Até se pode dar o desconto de não ter rotinas com os colegas, por ser pouco utilizado, mas isso não explica tudo. Ofensivamente, não conseguiu tirar partido do muito espaço que teve à disposição - nenhum dos vários cruzamentos que fez encontrou um colega na área. Nas disputas de bola, entrou sempre a medo, perdendo quase sempre os duelos ou deixando a equipa desequilibrada. Alan Ruiz entrou em modo complicativo, tentando forçar dribles em situações de clara desvantagem numérica que, invariavelmente, redundavam na perda de bola. Saiu, sem surpresa, ao intervalo. 

A má gestão de esforço - Elias parece que entrou cansado. Se quer demonstrar que é um jogador diferente daquele que esteve cá em 2011/12/13, é bom que não faça muito mais jogos abaixo dos mínimos exigíveis. Markovic, recém-entrado em campo, não pode alhear-se das tarefas defensivas quando perde uma bola. A apatia que revelou no lance do 3-1 fica-lhe muito mal. Gerir esforço não pode ser isto.

A cerimónia revelada no momento de rematar - houve pelo menos um par de ocasiões em que se justificava mais o remate do que um passe a procurar um colega (supostamente) em melhor posição. Quando há boas condições para alvejar a baliza, mais vale não hesitar e fazê-lo.



A gestão de esforço que se aceita - a equipa entrou em descompressão após o 3-0. Não é bonito, era certamente mais entusiasmante se continuassem a carregar sobre o Estoril à procura da goleada, mas estando o jogo resolvido e havendo uma partida importante na terça-feira, é razoável que isso aconteça. Pelo meio, ainda deu para André se estrear a marcar.

O regresso de Capela - considerando o passado do árbitro com o Sporting e a previsível animosidade no seu regresso a Alvalade, João Capela revelou, de uma forma geral, sensatez na condução do jogo. Antes do primeiro golo houve um par de jogadas de perigo na área do Estoril que me pareceram (no estádio) cortadas prematuramente. O facto de o Sporting ter marcado cedo acabou por tornar a partida simples de dirigir, e o árbitro soube tirar vantagem disso não complicando. A partir daí, tirando uma ou outra decisão errada (para ambos os lados), fez uma boa arbitragem. 



Exibição bastante aceitável que fica um pouco manchada pelos dois golos sofridos. De qualquer forma, foi uma vitória importante por quebrar a sequência de duas derrotas, e também foi positivo o facto de Jesus ter podido gerir o esforço de certos jogadores já pensando no embate com o Légia.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Bryan Ruiz: 10 anos longe do bairro

Documentário do jornal La Nación sobre a carreira europeia de Bryan Ruiz. Vale a pena ver.

sábado, 21 de maio de 2016

Balanço de 2015/16: Avançados



Islam Slimani: ***          2014/15: ***     2013/14: **

O argelino atingiu um nível que seria impensável há dois anos. A prova viva de que a determinação e espírito de sacrifício podem compensar, em grande parte, as limitações técnicas com que se nasce. Acabou a época com 31 golos marcados, dos quais apenas 2 foram de penálti, e picou o pontou por 9 ocasiões a Benfica, Porto e Braga. Um ponta-de-lança que foi um pesadelo para todas as defesas que defrontou, independentemente de serem equipas de topo ou do fundo da tabela. Uma das grandes figuras do Sporting 2015/16. Provavelmente será transferido. Vai deixar saudades.


Teo Gutiérrez: *

Dois terços de época para esquecer, terminando, no entanto, em bom nível, ao marcar 8 golos nos últimos 8 jogos. Apesar dos 15 golos que marcou, a prestação de Teo foi, na minha opinião, insuficiente. Falamos de um jogador que, sendo o mais bem pago do plantel, esteve longe de corresponder às expetativas da sua contratação. Não só pelo que (não) jogou em grande parte da temporada, mas também por causa das rábulas da sua estadia prolongada na Colômbia e da pressão que fez para sair. Ainda agora a época acabou, e já há notícas de que Teo está a pedir para sair. Se for verdade, é fazer-lhe a vontade perante uma proposta minimamente interessante.



Fredy Montero: *          2014/15: **     2013/14: **

Ninguém nega que Montero tem uma capacidade técnica acima da média, mas fica complicado entregar um lugar no onze a um jogador tão pouco regular. Marcou 3 golos decisivos (Nacional, Braga e Académica) que valeram 3 importantes vitórias, mas foram bastante mais os jogos em que pouco acrescentou em campo. Considerando a sua situação no plantel e as necessidades financeiras do clube, compreende-se a sua venda.


Junya Tanaka: *          2014/15: *

Apesar de bom profissional e de ser um grande marcador de livres, o japonês não é jogador com nível suficiente para o Sporting. Não sendo bem ponta-de-lança, não sendo bem extremo, não sendo bem médio ofensivo, ficava complicado encaixá-lo onde quer que fosse.


Hernán Barcos: *

Provavelmente, a única contratação do mercado de inverno que não acrescentou nada ao plantel. Contra ele jogava o facto de estar há mais de dois meses sem competição. Jesus foi-lhe dando minutos de forma inconstante, mas nunca correspondeu. Ficaram mais na memória os lances em que se atrapalhou do que qualquer outra coisa que tenha feito com qualidade. Tenho muitas dúvidas que seja o jogador de que precisamos para substituir Slimani. Em função da conjuntura negativa em que chegou ao Sporting, talvez mereça a oportunidade de se mostrar na pré-época, mas não acredito que isso chegue a acontecer.


Bryan Ruiz: ***

Sobre Ruiz já escrevi tudo aqui (LINK). 


Carlos Mané: *          2014/15: **     2013/14: **

Não foi ainda a época de explosão de Mané, que poucas vezes conseguiu aproveitar as oportunidades que lhe foram dadas. É natural que, após 3 anos na equipa principal, se levantem dúvidas sobre se conseguirá alguma vez afirmar-se como solução de primeira linha para um clube com o Sporting. Considerando as notícias que davam interesse de clubes alemães na janela de transferências de inverno, o mais provável é que seja cedido. 


Gelson Martins: **          

A sua inclusão no grupo de trabalho foi, provavelmente, a maior surpresa no início da época. Um jogador com capacidade para desequilibrar graças à sua velocidade e capacidade de drible, revelou no entanto dificuldades iniciais no momento de definir. Com o avançar da época, foram visíveis os progressos quer ao nível da decisão, quer no à-vontade para jogar em espaços interiores. Um projeto de jogador que, para já, está no bom caminho. Tem tudo para explodir em 2016/17.


Matheus Pereira: *

Um craque em potência. Esteve bem na generalidade dos jogos em que participou, mas acabou por ter direito a menos minutos do que Gelson, o que, confesso, me surpreendeu, pois via em Matheus maiores probabilidades de afirmação. Dúvida para a próxima época: manter no plantel, jogando menos, ou emprestar a um clube de I Liga para ganhar experiência? Se a opção for a segunda, 80% dos clubes vão esfolar-se para poderem contar com ele.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Os melhores momentos do Braga - Sporting

A despedida do campeonato foi selada com mais uma enorme exibição. Ruiz, William, Gelson, Slimani e João Mário abriram o livro, bem secundados pelo resto da equipa. Aqui ficam alguns dos melhores momentos do jogo de ontem.


Gostava de destacar, no entanto, o lance do segundo golo. Nasce de uma jogada em que participaram todos os jogadores do Sporting, com exceção de Rui Patrício: 

João Mário (1) - Semedo (2) - Paulo Oliveira (3) - Semedo - João Mário - Ruiz (4) - Bruno César (5) - Ruiz - João Mário - Teo (6) - William (7) - Gelson (8) - Schelotto (9) - William - Slimani (10) - Semedo - Ruiz - Bruno César - Slimani

42 pacientes segundos de trocas de bola, no meio-campo do Braga, até se encontrar o ponto certo por onde perfurar a defesa adversária. Uma maravilha.



Nunca mais é agosto.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Recordar é viver

A opinião de Rui Pedro Braz sobre Bryan Ruiz, na altura em que se falava na sua possível vinda para o Sporting.

O futebol de Bryan

Se no final da tarde do próximo domingo a classificação no topo da liga se mantiver tal como está hoje, concretizar-se-á a amarga injustiça de não vermos o título de campeão ser conquistado pela melhor equipa da competição. No entanto, alguns sportinguistas poderão cometer uma injustiça tão grande ou maior que essa, se responsabilizarem Bryan Ruiz pela perda do campeonato por causa dos golos falhados frente a V. Guimarães e Benfica.


Ruiz já era um jogador de créditos firmados quando assinou pelo Sporting. Havia, naturalmente, a expetativa de que contribuísse para o crescimento da equipa com o seu inegável talento e experiência. No entanto, para mim, essas expetativas foram claramente superadas. 

Encantou-me com a sua criatividade, inteligência e técnica. Com a classe demonstrada dentro e fora das quatro linhas. Os cruzamentos teleguiados para Slimani foram uma imagem de marca da sua época, mas impressionou-me sobretudo pela imprevisibilidade das suas ações: os adversários ficam sempre na dúvida se irá pausar jogo ou acelerar, se vai optar pelo drible ou inventar uma linha de passe para um colega melhor colocado. As estatísticas dizem-nos que marcou 11 golos e fez 12 assistências, mas deixam de fora as dezenas e dezenas de golos em que Ruiz foi interveniente direto. Para além disso, demonstrou sempre uma atitude exemplar sem bola, nunca poupando esforços no trabalho defensivo. Isto, apesar de ter sido o jogador de campo mais utilizado pelo Sporting - apenas Rui Patrício jogou mais minutos. Fosse no meio-campo, mais encostado à esquerda, ou no apoio ao ponta-de-lança, Jorge Jesus sempre viu nele um intérprete perfeito das suas ideias, mesmo jogando muitas vezes no limite das suas capacidades físicas. 

Bryan Ruiz foi uma das principais figuras da época do Sporting, juntamente com Rui Patrício, Adrien, João Mário e Slimani. Sem ele, não teríamos chegado à última jornada ainda a disputar o título. É, por isso, uma tremenda injustiça que se tente colar um eventual insucesso no campeonato aos dois golos falhados por Bryan, depois de todo o futebol que nos ofereceu nos 45 jogos em que participou. Sejamos ou não campeões no final desta temporada, um jogador como Ruiz nunca poderá ser encarado como parte do problema. Pelo contrário. Bryan Ruiz foi e é, acima de tudo, um engenhoso inventor de soluções de que o Sporting e os sportinguistas não podem prescindir. 

Obrigado, Bryan!

terça-feira, 10 de maio de 2016

Máquina de jogar futebol

Vale a pena ver e rever alguns dos fantásticos momentos do Sporting contra o V. Setúbal.

(nota: coloquei o vídeo sem som porque, por algum motivo que não consigo entender, os níveis de áudio ficaram muito irregulares; podem colocar o som carregando no icon que está no canto inferior esquerdo, mas recomendo que o coloquem num nível baixo)