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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

As últimas movimentações de mercado

Como é habitual, o último dia de mercado foi bastante movimentado. No Sporting, foram estas as novidades:

Azbe Jug: rescisão de contrato

Um guarda-redes que deixa em Alvalade uma estatística invejável: contou por vitórias os jogos oficiais que disputou, sem ter sofrido qualquer golo. Convém, no entanto, que sejamos um pouco mais específicos na invocação dessa estatística: é que em três épocas, Jug fez um único jogo oficial (vitória por 1-0 em Arouca para a Taça da Liga). No entanto, as pré-épocas que fez deixaram perfeitamente claro que a sua contratação se tratou de um equívoco, pois está muito longe de ter a qualidade necessária para poder representar a equipa do Sporting. A rescisão de contrato é, portanto, um desfecho que só se pode lamentar por ser demasiado tardio.


Schelotto: vendido ao Brighton por um valor que poderá atingir €3M, ficando o Sporting com 12,5% das mais-valias de uma futura venda

O italo-argentino é um jogador mal-amado junto de muitos adeptos sportinguistas, e eu tenho uma melhor opinião de Schelotto do que a maioria. Pode não ser o mais inteligente dos jogadores, tem seguramente os seus defeitos, mas nunca deixou de dar tudo o que tinha em campo. Fez parte da excelente linha defensiva que o Sporting teve em 2015/16. Em 2016/17, acumulou um número bastante interessante de assistências - que demonstra utilidade a atacar - e não acho que tenha sido um dos principais responsáveis pelo desastre que foi a defesa do Sporting na época passada.

Considerando que veio a custo zero e que teve uma renovação que lhe deverá ter valido um prémio monetário, o valor da venda acaba por ser interessante. Desejo-lhe toda a sorte na Premier League.


Marvin Zeegelaar: vendido ao Watford por €3M, ficando o Sporting com 30% das mais-valias de uma futura venda

Outra venda interessante, considerando que o holandês veio para o Sporting por €300.000, com custos adicionais de €190.000 em comissões. O problema de Zeegelaar, a meu ver, é acima de tudo psicológico. Sentindo-se confiante, era um lateral certinho defensivamente, mas o problema é que pareceu quase sempre sentir demasiado o peso da camisola. Olhando agora para Fábio Coentrão, percebemos facilmente que estava longe de ser o lateral de que precisávamos. 


William Carvalho: continua

Excelente notícia. Subam-lhe o salário ou dêem-lhe um prémio de permanência, para ver se recupera a motivação necessária para ser a peça-chave que todos esperamos que seja. Considerando que, para a sua posição, temos Petrovic e Palhinha no plantel (e ainda Battaglia), espero que seja possível vender Petrovic para a Turquia durante a próxima semana.


Adrien Silva: à hora que escrevo este texto, ainda não se sabe se há acordo 

(o Leicester, ao que parece, pediu uma ampliação de 2 horas do prazo de inscrições)

Ficando William, creio que há profundidade suficiente no plantel para suprir a saída de Adrien. Considerando a idade do jogador, será bom para todos se a venda se concretizar por um valor elevado. Se ficar, não será nenhum drama: o plantel ficará mais forte se o capitão se mantiver.


Casos por resolver: Douglas e Bryan Ruiz

terça-feira, 23 de maio de 2017

Balanço de 2016/17: GRs e Defesas



Rui Patrício: ** 
2015/16: *** 
2014/15: *** 
2013/14: ***

Depois de uma época memorável, em que esteve em grande nível no clube e se sagrou campeão europeu com a seleção - que lhe valeu o reconhecimento internacional e menções nos mais prestigiados prémios -, as expectativas para a época de Rui Patrício eram elevadíssimas. Infelizmente, o guarda-redes não correspondeu ao que dele se esperava. Não que tenha estado ostensivamente mal e custado muitos pontos ao clube - não esteve, e não custou -, mas o Sporting precisava de um guarda-redes que fizesse muito mais defesas impossíveis do que fez, e que valesse muito mais pontos do que valeu. Precisava do Rui Patrício das épocas anteriores. Infelizmente, esse Rui Patrício parece não ter regressado de França.


Beto: **

Regressou a casa treze anos depois da sua saída. Não sei se vinha com expectativas de ser titular perante uma eventual saída de Rui Patrício ou se com o papel de suplente, mas mostrou-se sempre comprometido com o clube, com o grupo de trabalho e, mais importante que isso, esteve sempre à altura das responsabilidades nos 9 jogos em que foi utilizado. Suponho que tenha um salário alto em relação ao que é a média do plantel, mas justifica-se. Enquanto adepto, estive sempre tranquilo quando Rui Patrício não esteve disponível para jogar. Espero que Beto continue por cá.


Azbe Jug: -
2015/16: -

Segunda época no clube, conseguiu em 2016/17 a proeza de ser ainda menos utilizado do que em 2015/16 - na qual fez um jogo para a Taça da Liga. Percebe-se o motivo. Na pré-época mostrou que não tinha nível para defender a baliza do Sporting e, tendo 25 anos, duvido que alguma vez venha a ter. Um problema para a direção resolver neste defeso, pois não faz sentido mantê-lo por cá durante os três anos de contrato que restam.


Ezequiel Schelotto: **
2015/16: **

É um eufemismo dizer que Schelotto não é dos jogadores mais queridos entre a generalidade dos adeptos sportinguistas, mas eu não desgosto do jogador. Schelotto pode não ser um lateral com boa capacidade de decisão, pode ter um aproveitamento pobre nos cruzamentos, mas compensa com a sua disponibilidade física e com a profundidade que dá ao corredor direito. Para além disso, é um jogador fiável defensivamente em situações de 1 contra 1 (estatisticamente, é o lateral do Sporting que menos dribles permitiu). As suas características pedem, à sua frente, um jogador mais com as características de João Mário do que com as de um Gelson Martins, e acabou, a meu ver, por sair prejudicado por isso. Ainda assim, foi o 2º jogador do Sporting com mais assistências no campeonato: 5.


João Pereira: **
2015/16: **

Para mim, foi um dos mistérios da época. Começou muito bem a época mas, sem que nada o fizesse prever, perdeu a titularidade para Schelotto. A partir daí, foi jogando a espaços, mas quase sempre a bom nível. De tal forma que, nas competições internas, o primeiro jogo que o Sporting não ganhou com João Pereira em campo foi... na Luz, à 13ª jornada. Até esse momento, João Pereira tinha sido utilizado em 9 jogos e festejado 9 vitórias. Nas competições europeias a conversa foi diferente: em Madrid acabou por ficar indiretamente ligado ao golo da derrota, e em Alvalade foi expulso. De qualquer forma, fez uma boa metade de época que viria a ser interrompida com a sua transferência para a Turquia, que se pode compreender face à necessidade de reduzir custos após a queda de todos os objetivos - e falamos de um jogador que, na altura, já tinha 32 anos. Desta época, guardarei na memória aquele corte oportuníssimo na área a Adrián no final do Sporting - Porto, que poderá ter valido a vitória nessa partida.


Ricardo Esgaio: * 
2015/16: *
2014/15: *

Utilizado em 14 partidas na equipa principal, Esgaio não conseguiu, mais uma vez, mostrar atributos que justifiquem maiores oportunidades. É verdade que a sua utilização foi inconstante - o que nunca ajuda à afirmação de um jogador -, mas não me lembro de ter ficado convencido, em qualquer um desses jogos, de que pode estar ali material para ser explorado com maior insistência. A polivalência de Esgaio pode ser útil em várias ocasiões, mas não me parece que alguma vez venha a ser mais do que isto num plantel de um clube como o Sporting.


Jefferson: *
2015/16: *
2014/15: **
2013/14: **

Quarta época em Alvalade, que provavelmente terá sido a última. A crua realidade é que Jefferson tem tido um rendimento fraquíssimo nos últimos dois anos e meio. Tem sido uma sombra do jogador que era uma ameaça nos cruzamentos e bolas paradas. Defensivamente comprometeu com frequência, ofensivamente raramente acertou um cruzamento. Nos últimos dois jogos desta época (contra Feirense e Chaves) voltou a demonstrar alguma raça e confiança, mas esse breve cintilar vem tarde demais para justificar mais um ano por cá. Agora que já tem o passaporte português, está na altura de procurar outro clube.


Marvin Zeegelaar: *
2015/16: *


Época irregular. Esteve razoável na primeira metade, relativamente certo a defender e inócuo a atacar. Em dezembro saiu da equipa e tardou em reencontrar-se, pois é um jogador que aparenta precisar, mais do que a maioria, de muitos jogos seguidos para ganhar confiança e tornar-se um jogador útil - o que é insuficiente para um titular de uma equipa que ambiciona lutar pelo título. Gostaria de dizer que poderia ser uma alternativa de banco para uma eventual contratação, mas está visto que não tem características psicológicas para esse papel - entraria sempre muito receoso sempre que fosse chamado.


Sebastián Coates: ***
2015/16: ***

No meio do descalabro que foi a defesa do Sporting ao longo desta época, Coates foi o único jogador que esteve ao seu melhor nível. Um patrão a quem faltou funcionários em melhor forma.


Rúben Semedo: **
2015/16: ***

Época algo irregular em que pareceu regredir em relação ao final da época passada. Cometeu demasiados erros, alguns dos quais foram castigados com golos dos adversários. Esses erros parecem mais fruto de desconcentração do que de falta de confiança - aliás, confiança é algo que lhe parece não faltar, até a tem em demasia. Também não ajudou a instabilidade que havia na posição de lateral esquerdo, obrigando-o a atenção redobrada. Os atributos físicos e técnicos dão-lhe condições para ser um central de topo, mas é necessário que a cabeça os acompanhe nesse desígnio. Veremos se a próxima época será a da sua afirmação em definitivo.


Paulo Oliveira: **
2015/16: **
2014/15: ***

Foi utilizado de forma intermitente, mas teve uma época ao nível do que se espera de Paulo Oliveira: um jogador capaz de resolver 90% das situações de forma eficiente e expedita, mas a quem faltam argumentos físicos e técnicos para resolver os restantes 10%. Parece-me um excelente terceiro central para o plantel, espero que continue.


Douglas: *

Considerando a sua experiência e o facto de ser um fetiche de Jesus, esperava-se que se adaptasse rapidamente ao sistema de jogo do Sporting e não tardasse a entrar nas contas da titularidade. Não só tardou, como não convenceu nas oportunidades de que dispôs. Neste caso não se pode ter o mesmo nível de tolerância que se dá a jogadores jovens e baratos, pois Douglas não é nem uma coisa nem outra. Com a entrada de André Pinto no plantel, deixa de haver espaço para o brasileiro.

sábado, 15 de abril de 2017

A ganhar embalagem

Sabendo-se que o V. Setúbal já demonstrou ser uma equipa muito bem preparada para fazer estragos aos grandes - dois empates com o Porto, uma vitória e um empate ao Benfica, e uma vitória ao Sporting na Taça da Liga -, não se pode, de forma alguma, desvalorizar o bom jogo que o Sporting fez na noite de ontem no Bonfim.

A equipa da casa entrou com tudo, conseguindo encostar o Sporting à sua área nos minutos iniciais, mas, uma vez sacudida essa pressão, a partida passou a ter um sentido único: o V. Setúbal foi incapaz de contrariar a pressão intensa a que foi submetida e o Sporting foi empurrando o jogo para junto da área de Bruno Varela. O primeiro golo surgiu com naturalidade, e, com maior naturalidade ainda, apareceram os outros dois golos, que se adivinhavam a qualquer momento após uma entrada fortíssima do Sporting na segunda parte.

Nota-se um Sporting cada vez melhor, física e tecnicamente, em que a equipa sabe tirar partido das melhores características dos seus jogadores, e vai-se ganhando embalagem para aquilo que se deseja que seja o melhor final de época possível, considerando a falta de objetivos melhores.





Mais uma exibição muito sólida - depois de uma sequência de jogos em que o Sporting foi ganhando sem convencer, a equipa parece estar agora a entrar numa fase em que vence categoricamente, com excelentes prestações nos dois lados do campo. O V. Setúbal entrou bem, dominando os primeiros dez minutos da partida, mas a partir daí o jogo foi completamente controlado pelo Sporting - com particular ênfase para o início da segunda parte, onde a equipa foi simplesmente arrasadora e encerrou a discussão sobre quem levaria os três pontos. 

A primeira parte de Gelson - foram vários os jogadores que se aproveitaram a um bom nível, mas Gelson Martins destacou-se dos demais durante a primeira parte. Foi oportuno na forma como aproveitou a hesitação de Fábio Cardoso para marcar o golo inaugural, e ainda serviu de forma magistral Dost e Alan Ruiz - naquelas que foram as melhores ocasiões do Sporting durante os primeiros 45 minutos. Numa dessas ocasiões sofreu um penálti que João Pinheiro converteu em livre. Foi substituído assim que a vitória estava garantida, não fosse o árbitro encontrar algum motivo para lhe mostrar amarelo e deixá-lo e fora do dérbi.

Outros destaques - Bruno César deu boa sequência à grande exibição que teve contra o Boavista: esteve envolvido no primeiro golo e fez a assistência no segundo; o seu rendimento caiu na segunda parte, a partir do momento em que andou a saltar de posição em posição; Alan Ruiz não marcou, mas voltou a fazer um bom jogo, parecendo cada vez melhor fisicamente; Marvin Zeegelaar pouco fez a atacar, mas esteve muito bem a defender; William e Adrien tiveram um início de jogo pouco seguro, mas com o passar do tempo acabaram por conquistar o meio-campo; Podence entrou muito bem.

O passe de Alan Ruiz para o golo de Dost - o melhor momento do jogo. O passe do argentino de trivela foi perfeito - com a bola a fazer o arco necessário para passar pela única nesga de terreno que havia fora do alcance de Frederico Venâncio e Bruno Varela - encontrando Dost, que só teve que encostar e agradecer ao companheiro. Teve o bónus de colocar o holandês, provisoriamente, na liderança da Bota de Ouro.


O amarelo a Zeegelaar - conforme seria de esperar, o árbitro foi particularmente zeloso quando Zeegelaar fez a sua primeira falta, e não lhe perdoou o cartão amarelo - o que deixa o holandês de fora do dérbi. Marvin é um dos patinhos feios deste plantel, mas a verdade é que está a passar por um bom momento e poderemos sentir a sua falta na próxima jornada. 



Quinta vitória consecutiva (com um total de 15-2 em golos marcados e sofridos), oitava vitória nos últimos nove jogos. O Sporting está, claramente, a recuperar o seu melhor nível físico e técnico, à imagem do que vimos no início do campeonato. Que continue assim até ao fim.

domingo, 19 de março de 2017

Valeu pelo bis Dost

Jesus fez algumas mexidas em relação à partida anterior, mas a ideia parecia ser dar continuidade ao jogo de Tondela. Alan Ruiz regressou ao onze, como se esperava, saindo Podence. Matheus manteve-se na esquerda, com Bryan a continuar no miolo e Rúben Semedo a recuperar a titularidade perdida para Paulo Oliveira.

Infelizmente, a dinâmica de jogo esteve longe daquela a que pudemos assistir na semana passada. O Sporting foi menos agressivo na frente, teve dificuldades em encadear movimentos de ataque consequentes e, sobretudo, esteve desesperantemente mal no momento de servir os seus homens mais adiantados. O que nos valeu hoje - e que tem sido uma regra ao longo da época - é que temos lá na frente um jogador que faz por aproveitar todas as migalhinhas de oportunidades que lhe põem no prato.




Dost, quem mais? - mais uma incrível demonstração de eficácia finalizadora do bombardeiro holandês que o Sporting contratou esta época. Marcou dois golos, e nem se pode dizer que tenha tido duas oportunidades para marcar. Quando muito, foi uma oportunidade e meia, porque aquele segundo golo nem se pode considerar uma oportunidade por inteiro: a bola andava por ali na área, com dois defesas a resguardá-la, e, de um ângulo improvável, Dost arranjou forma de transformar aquilo num golo, sem que três quartos do estádio se apercebesse como. Se Churchill visse esta época do holandês, diria que Dost marcaria golos até das praias, marcaria das pistas de aterragem, marcaria dos campos e marcaria das ruas de qualquer cidade, marcaria das colinas; nunca deixaria de marcar.

Concentração defensiva - se o jogo foi muito fraco, deveu-se sobretudo ao dia desinspirado que os jogadores do Sporting tiveram na construção de lances ofensivos, mas também contribuiu para a monotonia a ausência de lances de verdadeiro perigo na baliza de Rui Patrício. E isso deveu-se à boa prestação da linha defensiva. Rúben Semedo voltou e esteve intransponível, Coates teve a eficiência do costume, e desta vez os centrais tiveram o precioso apoio de Marvin Zeegelaar: o holandês teve algumas intervenções defensivas fundamentais, para além de ter estado sempre agressivo (no bom sentido) nos duelos em que participou. Está a fazer-lhe bem jogar com regularidade.  

Horário do jogo - finalmente voltaram as tardes de futebol em Alvalade, e o público correspondeu. Boa casa, com muita miudagem nas bancadas, que merecia ter visto futebol de melhor qualidade.



Qualidade do futebol praticado - a primeira parte do Sporting foi aceitável. Houve algumas fases em que a equipa conseguiu meter alguma velocidade no jogo, causar desequilíbrios, mas o momento de definição foi trágico. Gelson é a melhor imagem daquilo que tem sido a qualidade de jogo do Sporting: boas ideias para arranjar espaço e chegar-se à área com perigo, mas depois, no momento de se decidir pelo último passe ou pelo remate, acaba por não sair nem uma coisa nem outra. Gelson, em má forma, exaspera-me. Em boa forma, ou seja, sendo capaz de meter 3 ou 4 bons passes para finalização, passa a parecer-me um predestinado. Diria o mesmo da qualidade de jogo do Sporting se começássemos a materializar em jogadas de perigo uma maior percentagem das nossas iniciativas ofensivas: se calhar daria para estarmos perto do nível da época passada, mas assim é apenas exasperante. Se na primeira parte a equipa pareceu tentar jogar bem mas não o conseguiu, na segunda parte nem sequer tentou. Os segundos 45 minutos foram entediantes, podendo o público presente no estádio agradecer à Liga o facto de ter marcado o jogo para as 18h15 - se tivesse começado às 20h30, seria difícil resistir a uma soneca durante a segunda parte.



Valeu pelos três pontos e pelo Bis Dost -- ou melhor, pelo bis de Dost, que, pelo menos até ao jogo de logo do Barcelona, lidera isolado a tabela da Bota de Ouro europeia. Não será fácil essa corrida - a equipa podia ajudar muito mais -, e não sendo grande objetivo considerando as aspirações que tínhamos no início da época, é a única coisa palpável que neste momento sobra para alcançar... vamos a isso?

domingo, 12 de março de 2017

Parecem bandos de pardais à solta

Depois de um empate insosso contra o Guimarães - com uma exibição paupérrima na segunda parte e uma equipa que, às tantas, parecia acomodada -, não poderia desejar melhor reação do que aquela que pudemos assistir ontem em Tondela. Reação do treinador, que mexeu (é certo que forçado) no onze e injetou uma tão necessária dose de irreverência, e reação dos jogadores - quer dos habituais titulares, quer das novas apostas -, que resultou numa exibição muito sólida e uma vitória anormalmente folgada (para os padrões desta época).

É verdade que era um jogo contra o último classificado, mas não nos podemos esquecer que este Tondela sempre nos colocou grandes dificuldades: nos três jogos disputados anteriormente, o Sporting vencera apenas um... e nos descontos. Para além de que, no princípio da época, o Tondela conseguiu empatar em casa com o Porto.

Mérito para a equipa, que soube adaptar-se bem ao adversário... e a si própria: percebeu-se perfeitamente a falta de entrosamento no início do jogo, e, qual formação on-the-job, os jogadores a tentarem afinar o entendimento mútuo. E conseguiram-no. À medida que o relógio foi passando, os passes começaram a entrar, as combinações começaram a ter uma maior taxa de sucesso, o domínio foi-se estabelecendo e as oportunidades apareceram. E aparecendo as oportunidades, já se sabe... aparece Bas Dost.




As mexidas no onze inicial - as ausências forçadas de Adrien, Bruno César e Alan Ruiz obrigariam sempre Jesus a fazer alterações na equipa titular, mas não esperava que apostasse simultaneamente em Matheus e Podence. Esse espaço acabou por surgir porque o treinador entendeu recuar Bryan Ruiz para a posição 8. As alterações funcionaram. Notou-se uma óbvia falta de entrosamento entre os jogadores mais avançados, mas, à medida que se foram ambientando, o nível exibicional da equipa foi crescendo. A equipa acabou muito bem a primeira parte, e deu a devida continuidade nos segundos 45 minutos. Bryan Ruiz soube assumir o papel de segundo médio e fez um bom jogo - apesar de o golo do Tondela ter surgido após um mau passe seu -, enquanto Podence e Matheus conseguiram imprimir uma excelente dinâmica ofensiva, ao mesmo tempo que trabalharam muito defensivamente: há muito que não via o Sporting conseguir impor este nível de pressão sobre a linha defensiva adversária.

O poker de Dost - curiosamente foi um dos jogos em que até se mostrou mais perdulário: a determinada altura do jogo já tinha tido quatro ocasiões flagrantes para marcar e apenas concretizou duas. Completou o poker com duas grandes penalidades, e foi uma pena não ter concretizado a terceira. Com estes quatro golos, aumentou para 22 o número de vezes que já fez agitar as redes, ficando, na luta pela Bota de Ouro, empatado em 2º lugar com Aubameyang e Belotti, a apenas um golo do líder Messi.

Parecem bandos de pardais à solta - na transmissão televisiva, de vez em quando viam-se umas andorinhas a esvoaçar sobre o estádio, mas a noite foi do bando de pardais à solta no relvado. Os putos tiveram uma oportunidade para mostrar o que valem, e souberam aproveitá-la da melhor forma. A primeira parte foi toda de Podence, o jogador mais dinâmico em campo. que teve como pontos altos os dois passes de morte para Dost: um concretizado; o outro, brilhantemente picado por cima do defesa, pareceu apanhar o holandês de surpresa. Matheus esteve mais apagado no princípio, acusando a falta de entrosamento e um posicionamento - colado à linha - que lhe é menos favorável. A influência do brasileiro na equipa começou a crescer com o tempo, à medida que começou a pisar terrenos mais interiores. Fez uma excelente segunda parte, com vários bons cruzamentos e uma magnífica assistência para o segundo golo de Dost. Gelson acabou por ser o mais apagado dos três, mas mesmo assim ganhou o penálti que deu o golo da tranquilidade ao Sporting. Palhinha entrou bem, acrescentando agressividade e força ao meio-campo. E Francisco Geraldes estreou-se, entrando numa fase em que ambas os conjuntos já pareciam satisfeitos/conformados com o resultado, mas ainda a tempo de ganhar mais um penálti para a equipa. Uma atuação globalmente muito positiva dos putos, a justificar continuidade na aposta.

A reação ao golo do Tondela - a equipa da casa chegou ao empate completamente contra a corrente do jogo, mas bastou um minuto para o Sporting recolocar-se em vantagem. Foi um golo importantíssimo para manter a serenidade e alcançar a vitória.

A onda verde - mais uma demonstração de vitalidade do clube e dos seus adeptos, que continuam a apoiar a equipa de forma incondicional e ininterrupta. Foi fantástico ver aquelas bancadas cheias, apesar de estarmos tão distantes do primeiro lugar. 



A instabilidade na posição de lateral esquerdo - todos sabemos que as opções existentes para a posição não são convincentes, mas tantas alterações acabam por não fazer bem a nenhum jogador. Hoje, o treinador optou por Marvin Zeegelaar que, excetuando um disparatado passe em balão atrasado que causou calafrios e obrigou Coates a um esforço adicional, fez um bom jogo. Convém referir que Marvin fez ontem, dia 11 de março, apenas o seu 3º jogo a titular em 2017 (em 12 possíveis). Convém haver mais estabilidade na posição.

O penálti falhado por Dost - o único ponto negativo numa noite extremamente positiva.



Vitória expressiva - foi apenas a segunda vez, esta época, em que ganhámos por mais do que um golo em jogos fora de casa -, boa exibição, avalanche de golos de Dost e uma excelente prestação dos miúdos que, perante a oportunidade dada, conseguiram deixar a sua marca bem vincada no resultado. Venham mais destes!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Dost e Patrício contra o karma

Vou ser sincero. Ao intervalo, depois de um par de sustos resolvidos por Rui Patrício, depois de um penálti defendido a dois tempos de forma brilhante por Trigueira, vendo um Sporting com dificuldades de mandar no jogo perante uma equipa do V. Setúbal muito pressionante e aguerrida, adivinhando-se o desgaste físico após dois jogos exigentes na Polónia e na Luz - e com o V. Setúbal com mais dois dias de descanso - e sabendo do karma sportinguista de ter jogadores emprestados a marcarem-nos golos, via os astros a alinharem-se para fechar da pior forma aquilo que seria uma semana de pesadelo. Aliás, não seria a primeira vez que perderíamos três objetivos no espaço de uma semana.

Felizmente, enganei-me. Não que a segunda parte tenha sido melhor do Sporting do que a primeira - não o foi -, mas porque, numa altura em que o V. Setúbal começava a quebrar fisicamente, acabou por se impor a qualidade de Bas Dost - um jogador que, apesar de estar a corresponder plenamente às expetativas dos adeptos, ainda não está a ser bem aproveitado pela equipa.



O golo de Dost - para o melhor e para o pior, o holandês não é Slimani. Percebo que Jesus tente trabalhar Dost de forma a dar algumas das coisas que Slimani também dava, mas também está à vista de todos que Jesus devia adaptar o sistema de jogo da equipa de forma a proporcionar mais ocasiões a Dost de fazer aquilo que sabe melhor: finalizar. Bas Dost é um fantástico finalizador,  já leva 10 golos, apesar da reduzida quantidade de bolas que, em média, lhe chegam em condições por jogo - e apesar de não ser marcador de penáltis. Não ajuda o facto de não termos jogadores que sabem cruzar bem, mas a própria filosofia de jogo da equipa não faz nada para aproveitar o target man que temos lá na frente. Ao excelente cruzamento de Zeegelaar, Bas Dost correspondeu com um disparo fulminante de cabeça. Bom golo, que valeu o apuramento.

Rui Patrício decisivo - teve duas intervenções absolutamente cruciais na primeira parte. A primeira foi uma defesa perante um isolado Edinho, que se viu na cara do 12º melhor jogador do ano graças um passe disparatado de Rúben Semedo. Depois, fez muito bem a mancha perante Ryan Gauld, que se isolou após uma boa combinação na esquerda. Parece estar a regressar à sua melhor forma.

A oportunidade de rever Gauld - fiquei agradavelmente surpreendido pela exibição do escocês. Depois de ter passado os primeiros meses da época sem jogar, parece finalmente ter conquistado o seu espaço na equipa de Couceiro. Ontem fez um excelente jogo e, continuando assim, não sairá do onze tão cedo. Aproveitando bem esta época e ganhando experiência de primeira divisão, ficará mais perto de, no próximo ano, seguir as pegadas de João Mário e Rúben Semedo.



Perdas de bola - a grande pressão feita pela linha atacante do V. Setúbal ajudou à festa, mas houve demasiadas perdas de bola não forçadas protagonizadas por vários jogadores do Sporting. Rúben Semedo foi o que mais cabelo me fez perder, mas não foi o único. William e Adrien também estiveram muito mais inseguros na condução de bola e passe do que é normal. Sinal de cansaço físico ou insegurança causada pelas últimas duas derrotas? Provavelmente, uma mistura das duas.

A recarga - Adrien bateu bem o penálti, mas houve muito mérito de Trigueira na defesa. No entanto, o capitão foi muito displicente na recarga, mesmo considerando o duplo mérito de Trigueira. Na pequena área, com o guarda-redes no chão, não se pode falhar daquela forma. Felizmente, o falhanço acabou por não ter consequências.



A tarefa não era simples, mas foi superada. E isso era algo fundamental, não só pela continuidade na competição, mas também para quebrar a sequência de duas amargas derrotas - não é difícil adivinhar o impacto que uma eventual derrota e eliminação da Taça de Portugal teriam no clube.

O sorteio dos quartos-de-final será realizado no dia 20. Juntamente com o Sporting, estão o Benfica, Chaves, Estoril, Sp. Covilhã (!), Académica e Leixões. Falta disputar o V. Guimarães - Vilafranquense. Considerando que a próxima eliminatória se disputa a 18 de janeiro, ou seja, no pico do inverno, prevejo uma viagem a Chaves, de forma a cumprir a fatal atração do Sporting por Trás-os-Montes nesta época do ano. Melhor do que um jogo em Chaves no pico do inverno, são dois jogos em Chaves no pico do inverno, separados por apenas 3 dias - é que o Sporting já lá vai jogar a 15 de janeiro para o campeonato.

domingo, 27 de novembro de 2016

Uma vitória para acabar com traumas recentes

Depois do afastamento da Liga dos Campeões, e face à desvantagem pontual para o Benfica no campeonato, era absolutamente imperioso que o Sporting saísse do Bessa com os três pontos no bolso. A tarefa era tudo menos fácil: num campo complicado (onde, há um ano, perdemos dois pontos), contra uma equipa muito batalhadora (apesar de muito desfalcada), que tentou desgastar o Sporting, desde o início, através de uma pressão intensa, de forma a tentar tirar proveito da ressaca do esforço dispendido contra o Real Madrid.

Convém não esquecer que o Boavista - que é sobretudo vista como uma equipa de pinos caceteiros -, estava, à partida para esta jornada, na metade de cima da classificação, já não perdia há 5 jogos (quando se deslocou ao Dragão), e é orientada por um bom treinador, Miguel Leal.

O Sporting soube impor-se desde cedo, foi a única equipa que causou perigo, e poderia ter vencido confortavelmente caso a eficácia na finalização tivesse sido superior. O único período de maior preocupação veio com a (incorreta, a meu ver) expulsão de Rúben Semedo, aos 83', mas o Sporting soube, então, adaptar-se às circunstâncias - revelando uma faceta que ainda não tinha demonstrado esta época: soube ser uma equipa cínica, usando, para variar, o antijogo em seu favor.

Uma vitória duplamente importante: pelos pontos conquistados, obviamente, mas também porque a equipa estava a precisar de ganhar um jogo em que fosse obrigada a sofrer até ao fim - para ajudá-la a ultrapassar traumas recentes de golos sofridos ao cair do pano.





A linha avançada, na primeira parte - Jesus optou (finalmente) por colocar Campbell no apoio a Dost, com Bruno César encostado à esquerda e Gelson a semear o caos pela direita. Foi uma aposta ganha, o que não é uma propriamente uma surpresa: estes quatro elementos têm demonstrado ser os melhores da equipa para cada uma destas posições. A mobilidade desta linha complicou as tentativas de marcação do Boavista, e, a partir dos 15 minutos, o domínio sportinguista foi avassalador, sucedendo-se as oportunidades e adivinhando-se o golo, que acabaria, finalmente, por surgir aos 25', após uma grande jogada de Gelson para uma bela finalização de Bas Dost. Já antes Dost tinha atirado ao poste, após bom entendimento com Campbell, e Gelson (que exibição!) tinha falhado o golo, na cara de Agayev, após grande passe de Dost. É verdade que, na segunda parte, o rendimento ofensivo caiu um pouco e as oportunidades foram mais espaçadas - destacando-se mais um grande trabalho de Gelson a servir Bruno César, para um remate à barra -, mas creio que Jesus encontrou finalmente o melhor onze.

Um Adrien para 90+90 minutos - pode-se perceber agora que, até à lesão, estávamos perante um Adrien a 70% da sua capacidade física. A paragem forçada pela lesão contraída em Guimarães permitiu uma intervenção cirúrgica para resolver um outro problema que o impedia de estar a 100% - eram notórias as dificuldades a partir dos 60 minutos, obrigando a uma gestão cuidadosa de esforço -, e, nesta semana, o capitão teve uma prova de fogo, que superou plenamente: foram 90 minutos de intensidade máxima frente ao Real Madrid, e, quatro dias depois, novos 90 minutos de grande qualidade, sobretudo defensiva. Se o Boavista não criou qualquer perigo em lances de contra-ataque, deve-se muito à rapidez com que Adrien cortou muitas dessas iniciativas. Justiça seja feita, ajudou o facto de estar acompanhado por um grande William Carvalho, que também fez uma excelente exibição.

Uma vitória para dar confiança - é evidente que teria sido melhor vencer por 3 ou 4, caso tivéssemos concretizado as ocasiões flagrantes de que dispusemos, mas também estávamos necessitados de ganhar um jogo apertado e em condições adversas, para ajudar a ultrapassar os resultados que deixámos escapar nos últimos minutos contra o Real Madrid (por duas vezes) e V. Guimarães. Perante a contrariadade da expulsão de Semedo, a equipa manteve-se tranquila e lúcida, como se pôde comprovar pela... (avancemos para o próximo ponto)

Excelente gestão dos últimos minutos - depois de Rúben Semedo ter sido expulso, o Sporting praticamente não permitiu que se jogasse mais. Não é bonito de se ver, mas a equipa fez aquilo que tinha a fazer, perante uma vantagem tangencial no marcador e a desvantagem numérica a que ficou sujeita para os últimos dez minutos de jogo. Rúben adiou o mais possível a saída de campo - o suficiente para que Paulo Oliveira pudesse entrar ainda antes da marcação do livre -, tivemos as clássicas câimbras do guarda-redes, demora na reposição da bola em jogo, e aproveitaram-se todas as oportunidades em posse para conduzir a bola para junta das bandeirolas de canto opostas à baliza de Rui Patrício e mantê-la lá tanto tempo quanto possível. Neste departamento, estiveram particularmente bem Marvin Zeegelaar e Bryan Ruiz, que queimaram metade dos cinco minutos de descontos em sucessivos cantos e lançamentos laterais. Fazia falta esta ratice. A repetir sempre que se registarem circunstâncias idênticas.

Last, but not the least - mais atrás, de registar o bom jogo de Coates (o que é um hábito) e de Marvin Zeegelaar. Em relação ao holandês, parece estar a recuperar a confiança perdida. Já tinha feito uma boa exibição contra o Real, e repetiu-a hoje. A insistência de Jesus no holandês parece estar, finalmente, a dar frutos.



"Pôs-se a jeito", o #@$%*& - foi muito ouvido por aí, no rescaldo do jogo com Real Madrid: o João Pereira não fez nada, mas pôs-se a jeito. E já adivinho que, com Rúben Semedo, muita gente volte a ter a mesma opinião - "não acertou no outro, mas já tinha amarelo, pôs-se a jeito". Lamento, mas não estou de acordo. Rúben Semedo entra de forma impetuosa, sim, mas em momento algum coloca em risco a integridade física do adversário, que não estava assim tão próximo. Pôr-se a jeito é quando se faz efetivamente algo que justifique a punição, porque os árbitros estão lá para fazer cumprir as leis. Jogo perigoso, sim, mas apenas isso. Quando um jogador não faz nada que justifique um cartão, não se está a pôr a jeito, está a... jogar. Aos 3', Carlos Santos cortou um ataque mais que prometedor com um pisão perigoso no calcanhar de Gelson (até o descalçou):



Carlos Santos "pôs-se a jeito" para jogar 87 minutos sem margem para se "pôr a jeito" outra vez, mas, para sua felicidade, Fábio Veríssimo não viu aqui qualquer motivo para cartão. Carlos Santos, que, por acaso, acabaria por ver mesmo um amarelo aos 30 minutos. O que aconteceu com Rúben Semedo não foi uma questão de "se pôr a jeito", foi apenas um caso evidente de dualidade de critérios (e existiram vários, durante os 90 minutos).



Missão cumprida, com o bónus adicional de ter valido o segundo lugar isolado, já que, de seguida, o Porto empataria em Belém. O ciclo infernal continua já esta quarta-feira, num jogo em Alvalade - que se prevê quentinho -, para a Taça da Liga, contra o Arouca.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

E esta, hein?

Marvin Zeegelaar convocado para a seleção holandesa. O meu cérebro está a ter algumas dificuldades em lidar com esta informação, mas fico contente pelo jogador. Espero que o ajude a elevar o seu nível de confiança.


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Mixed feelings

O Sporting perdeu mais um jogo e ficou praticamente sem hipóteses de seguir em frente na Liga dos Campeões, mas não estou desapontado com a prestação da equipa. Pelo contrário. Jesus mexeu no onze como ainda não tinha mexido esta época, e, do ponto de vista daquilo que quereria alcançar taticamente, não se deu nada mal. Na maior parte do tempo de jogo, o Sporting controlou um adversário forte no seu próprio terreno. Por outro, também não estou excessivamente satisfeito com a exibição. Perder é perder, e atravessamos uma fase em que as vitórias morais não chegam para encher sequer um quarto de depósito da alma. E, para além disso, pela terceira vez faltou-nos aquele bocadinho assim de que se fala nos iogurtes para crianças. É verdade que a equipa correu, lutou, tentou adaptar-se às circunstâncias, mas faltou audácia no momento de correr riscos, e quando vemos que não feito tudo - mas mesmo tudo - para alcançar um resultado melhor, todas as boas ideias que possam ter existido antes acabam por ficar relativizadas no panorama geral do que nos foi dado a observar.

Foto: Global Imagens / Gerardo Santos


A alteração tática - muito interessante a mutação tática que Jesus promoveu na abordagem deste jogo. Perante a ausência de uma alternativa credível a Adrien, decidiu colocar três centrais - com Coates posicionado entre Paulo Oliveira e Rúben Semedo - e adiantou os laterais, organizando a equipa numa espécie de 3-4-3 com bola, e 5-4-1 sem bola. Numa primeira análise, esta opção favorece bastante as características de Schelotto e Zeegelaar - a quem a posição de médio não é desconhecida -, que demonstraram bastante mais confiança para a subir no terreno, contribuindo também para que a pressão alta funcionasse muito bem em determinadas fases da partida. Por outro lado, a linha defensiva jogou entre 5 a 10 metros mais recuada do que é habitual, o que dificultou o Dortmund de explorar as costas da defesa com a frequência inicialmente planeada. Pelo que me pareceu, a maior fragilidade que revelámos acabou por ser o espaço por vezes dado ao adversário à entrada da nossa área, causado sobretudo pelas hesitações dos nossos defesas em decidir qual deles deveria avançar em contenção - uma questão que, obviamente, tem a ver com a falta de rotinas neste esquema. Não é uma ideia que possa ser usada frequentemente na liga portuguesa, porque não nos podemos dar ao luxo de ter três centrais contra equipas fechadas nos último terço do terreno, mas pode perfeitamente ser um plano a utilizar em situações em que é preciso segurar um resultado.

Para variar, os laterais - Schelotto fez, na minha opinião, uma exibição bastante positiva. Concentrado a defender e muito ativo no ataque, pareceu sentir-se como peixe na água neste novo esquema. Teve boas combinações com Gelson, e fez um excelente cruzamento que Bryan Ruiz podia ter concluído de melhor forma. E, claro, é de louvar o espírito de sacrifício revelado nos últimos minutos, fazendo os possíveis para ajudar a equipa numa altura em que estava diminuído fisicamente. Está a subir de forma, pois já tinha sido dos melhores da equipa contra o Nacional. Quanto a Marvin, fez também um jogo globalmente positivo, tendo-se finalmente vislumbrado alguma vontade em criar alguma coisa - certamente por saber que o espaço nas suas costas estava melhor guarnecido.

A primeira parte de Gelson - esteve ao seu melhor nível: imprevisível e imparável. Falhou "apenas" na finalização, pois, aos 27', teve uma oportunidade clara para marcar na cara de Burki. Na segunda parte baixou de rendimento, para o qual terá contribuído o desgaste causado pelo trabalho que teve nos dois lados do campo.

A presença sportinguista nas bancadas - incrível como se fizeram ouvir, durante todo o jogo, num estádio mundialmente conhecido pelo apoio que é dado à equipa da casa. Foram enormes!



Não fizemos TUDO para alcançar um resultado melhor - é natural que, perto do final, a equipa já estivesse muito desgastada fisicamente, e que faltasse clarividência nas decisões, mas, mais uma vez - à semelhança do que aconteceu no último sábado - não percebo por que Jesus não arriscou mais para chegar ao empate. Tinha três centrais em campo, pelo que poderia perfeitamente mandar Coates ou Semedo (ou até os dois) para tentar o chuveirinho. No entanto, mais uma vez, preferimos andar em trocas de bola inconsequentes em pleno tempo de descontos. Com o resultado em 1-0, tínhamos, obrigatoriamente, de fazer mais para conseguir evitar a derrota.

Falta de eficácia e excesso de cerimónia na finalização - duas características exasperantes desta equipa que têm sido recorrentes. Por um lado, não conseguimos converter nenhuma das várias oportunidades que tivemos na área alemã. Por outro, abdicámos da tentativa de alvejar a baliza em algumas situações bastante interessantes - a situação mais paradigmática foi a cavalgada de Zeegelaar até à área que, em muito boa posição de remate, acabou por preferir fazer um passe recuado para o centro onde não estava ninguém. Assim fica difícil.



O empate do Real em Varsóvia (os polacos marcaram três golos em três remates fora da área) acaba por nos manter, pelo menos matematicamente, nas contas do apuramento. Teremos, portanto, uma última oportunidade de fazer boa figura na competição. A atitude parece estar de volta, mas é fundamental recuperar os níveis de confiança - um percurso que demorará o seu tempo, e que terá que se iniciar, forçosamente, já no partida com o Arouca. É FUNDAMENTAL que os sportinguistas marquem presença em peso no Estádio de Alvalade, no próximo domingo.

domingo, 23 de outubro de 2016

Mau demais para um suposto candidato ao título

Este foi, tanto quanto me lembro, o pior jogo que o Sporting fez na era de Jorge Jesus. O resultado é um castigo justo, não pelo que o Tondela fez para conseguir o pontinho que alcançou - antijogo miserável com a conivência da equipa de arbitragem -, mas pela falta de atitude revelada pelos jogadores e pelo total deserto de ideias para ultrapassar o autocarro dos visitantes. Como é evidente, as culpas por este resultado não se limitam apenas aos jogadores, porque estes apenas executam a estratégia que Jesus idealizou. Mas, a desfavor da equipa técnica, há ainda equívocos, cada vez mais evidentes, na forma como certos jogadores são utilizados, e na incapacidade para mudar o chip de que Jesus tanto fala: conseguimos não ganhar nenhum dos três jogos pós-Champions. Foi mau, mau demais para uma equipa que quer ser campeã.

Foto: Global Imagens



Está aí o teu segundo avançado, Jesus! - Jorge Jesus já testou, como segundo avançado, Alan Ruiz André, Markovic, Bruno César, Bryan Ruiz e até Castaignos, mas parece fazer questão de ignorar aquilo que muita gente já percebeu: Joel Campbell, pela sua capacidade de desmarcação e espontaneidade de remate, deveria ser opção para o lugar - como já o tinha demonstrado contra o Moreirense. Colocá-lo junto a uma faixa e obrigá-lo a estar a maior parte do tempo de costas para a baliza, em trocas de bolas com os colegas mais próximos, é tentar fazer dele o jogador que não é e desperdiçar as suas melhores qualidades.

No meio do marasmo, foi havendo Gelson e Coates - o extremo não teve uma noite particularmente inspirada, mas foi o único jogador que foi conseguindo fazer alguma coisa para causar desequilíbrios - acabando por somar mais uma assistência ao seu pecúlio. Coates fez tudo o que podia - limpou o que podia limpar atrás, e ainda tentou explicar aos médios o que era preciso fazer para empurrar a equipa para a frente.



Falta de atitude, esclarecimento e de um plano B - todas as equipas têm direito a jogos menos conseguidos, mas, havendo atitude, existe sempre uma boa possibilidade de se ultrapassarem os obstáculos colocados pelos adversários de menor valia teórica. Ontem foi evidente, desde muito cedo, que a estratégia não estava a resultar. A concentração de jogadores na faixa central era enorme e o Tondela estava perfeitamente confortável com as débeis tentativas do Sporting em furar a sua defesa. Muitas vezes, o Sporting colocava em simultâneo ambos os alas / extremos em posições interiores, ficando as duas faixas laterais desertas de jogadores das duas equipas. Sem rapidez e inspiração na execução, constantemente a bola voltava para os homens mais recuados do Sporting para iniciar uma nova vaga, mas qualquer tentativa de variação era feita de forma ainda mais lenta e denunciada. Compreendo que a equipa tente jogar com critério, mas em situações em que a estratégia não está claramente a funcionar, não fará sentido dar indicações aos jogadores para terem menos cerimónia e colocarem rapidamente a bola na área, de forma a que Dost, André, Castaignos ou Campbell, possam fazer pela vida? As poucas ocasiões que construímos, perto do fim, surgiram assim. Falta sentido prático a esta equipa. Se os jogadores estiverem inspirados, coisas boas podem acontecer. Não estando inspirados, há que pressionar o adversário colocando a bola na área tantas vezes quanto se conseguir, esperando que a categoria dos nossos avançados possa fazer a diferença em uma ou duas dessas situações. No fundo, um plano B.

Jogadores a precisar de banco / descanso / exílio - no meio de várias exibições para esquecer, houve, no entanto, três casos particularmente gritantes. Elias foi, mais uma vez, um jogador inútil em campo. Ou se posicionava entre os centrais para fazer passes curtos para o lado; ou se posicionava em cima de William quando este tinha a bola, estorvando mais do que arranjando linhas de passe; ou posicionava-se perto dos centrais adversários, esperando receber a bola quase como um pivot. O que a equipa precisava era de um médio transportador, mas Elias nunca quis assumir esse papel. Bryan Ruiz está nitidamente em má forma. Raramente as suas iniciativas correram bem e perdeu inúmeras bolas. Zeegelaar está com 0 de confiança. Não consegue ter qualquer tipo de iniciativa decidida a atacar. A defender, deixou-se antecipar numa ocasião que quase deu golo ao Tondela. Três jogadores que, na minha opinião, neste momento não têm lugar no onze.

A arbitragem de Rui Costa - uma autêntica miséria: inúmeras decisões mal tomadas, com prejuízo quase exclusivo do Sporting - cantos transformados em pontapés de baliza, lançamentos decididos ao contrário, um fora-de-jogo incompreensivelmente assinalado a Campbell, que estava 3 metros atrás da linha defensiva adversária, e, acima de tudo, uma total complacência perante as entradas duras e antijogo dos jogadores do Tondela. Os 6 minutos de descontos deveriam ter sido 8 ou 9, tantas foram as entradas da equipa médica dos visitantes, e nem sequer levou em consideração o tempo que o jogo esteve parado depois de ter anunciado os tais 6 minutos. Uma arbitragem à antiga: manhosa e deliberada. Há que dizer, no entanto, que podia ter mostrado o cartão vermelho a William Carvalho já nos descontos.



Não se consegue compreender: onde está aquela equipa que esteve tão bem durante 80 minutos no Bernabéu, que conseguiu um domínio avassalador em Guimarães durante 75 minutos? Falta Adrien, mas não é aceitável que a ausência de um jogador explique tamanha diferença de rendimento. A bem das nossas aspirações, é fundamental que a equipa se reencontre rapidamente.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O leão mostra que tem um guarda-roupa diversificado

Ainda sem tempo para digerir completamente a saída de João Mário, a generalidade dos sportinguistas virou as agulhas para o jogo de ontem interrogando-se sobre quais as escolhas iria Jorge Jesus fazer contra o Porto, de forma a garantir simultaneamente o equilíbrio coletivo necessário que minimizasse os argumentos de uma equipa que é muito perigosa, e a capacidade de desequilibrar para decidir o jogo a seu favor, que o médio português, agora jogador do Inter, oferecia. Surpreendentemente (pelo menos para mim), retirou Alan Ruiz, desviando o outro Ruiz para o apoio a Slimani, e colocou Bruno César como médio ala, mas com um twist: perante as dificuldades que Ruiz revelou para operar com a marcação de Danilo, Jesus fê-lo trocar de posição com Bruno César após o segundo golo do Sporting. A opção resultou em pleno, e isso ajudou o Sporting a controlar totalmente a partida a partir do momento em que se viu em vantagem no marcador, coisa que, é preciso reconhecer, ainda não tinha conseguido fazer até esse momento.

A verdade é que o jogo não começou bem para o Sporting. O Porto entrou muito bem, autoritário e dinâmico, conseguiu chegar rapidamente à vantagem, ficando numa situação mais confortável para Nuno Espírito Santo e perigosa para o Sporting: o Porto podia oferecer a iniciativa de jogo ao adversário e apostar no contra-ataque. Felizmente, sem que o Sporting tivesse feito muito por isso, o empate e a reviravolta acabaram por não tardar.

Só a partir desse momento é que o Sporting conseguiu controlar efetivamente a partida, dispondo de mais oportunidades que o adversário, e mereceu inteiramente a vitória. Mostrou, também, numa altura em que o tema mais debatido é a falta que poderão fazer os jogadores que estão de saída, que tem ainda no guarda-roupa vários fatos à medida, que poderão ser usados a qualquer momento, em função da ocasião: não só a polivalência de Bruno César, mas também dois laterais que, no final da época passada, eram suplentes, um Bruno Paulista que promete entrar nas contas para esta época, para além de Alan Ruiz e dos últimos reforços que chegaram: Campbell - que já deixou um pouco do seu perfume -, Dost, Castaignos, Meli, André e Douglas.





Robot Semedo - imperial pelo ar, intransponível pelo chão, impressionou pela forma como limpou todos os lances de perigo que ocorriam na sua zona de ação, incluindo um carrinho de alto risco na área para desarmar Herrera. Uma máquina.

Bruno César, o joker - há os motivos que expliquei atrás, e acrescento o empenho que colocou em campo e o livre batido à barra que antecedeu o golo de Slimani. Jesus tem aqui uma carta capaz de desempenhar várias funções de forma extremamente competente: lateral, médio ala e segundo-avançado.


Ominpresente William - fez um jogo monstruoso. Inúmeras recuperações de bola, enorme segurança na condução, e foi melhorando à medida que o relógio foi avançando. A entrada de Paulista permitiu-lhe subir mais vezes no terreno, onde também pareceu muito confortável.

Os laterais - Marvin mostrou, novamente, que é um jogador fiável defensivamente contra equipas mais fortes. Arriscou uma vez ou outra a subida pelo flanco, conseguindo uma exibição positiva. João Pereira passou por mais dificuldades com Otávio, mas no deve e no haver saiu vencedor no duelo. Fez um corte fulcral a Adrián, já nos descontos, que festejei como se fosse um golo.

Gelson decisivo - não teve um jogo propriamente feliz - na linha do que já tinha acontecido em Paços de Ferreira - mas foi, pela terceira vez, decisivo. Marcou um golo e foi fundamental noutro, levando já 1 golo e 2 assistências em 3 jornadas. Apetece-me dar-lhe um raspanete por ter tirado a camisola, mas, que raio!, é apenas um miúdo que tinha acabado de marcar o seu primeiro golo num jogo desta importância, por isso desta vez escapa. Mas que não volte a acontecer.

Mais um para Slimani - um golo na (suposta) despedida de Alvalade, que aconteceu apenas porque tem aquele hábito de nunca deixar de lutar por uma bola que pareça ter o destino ditado. Vendo a repetição, é bem provável que a bola não chegasse a transpor a linha de golo, fosse pelo efeito caprichoso que levava, fosse pela iminente ação de Casillas. Quanto às lágrimas no final, terei que falar sobre isso num post à parte.

O ambiente no estádio - ruidoso, apaixonado e eletrizante. Atmosfera incrível em Alvalade durante toda a partida.



Algum desleixo a sair para o ataque - principalmente na primeira parte, foram demasiadas as ocasiões em que perdemos a bola no nosso meio-campo, oferecendo várias oportunidades de transição ao Porto. É verdade que o Porto ocupava bem os espaços e pressionava em dois terços do terreno, mas não foi por aí, pois muitas dessas perdas não foram forçadas. Coates, Adrien e Gelson foram os maiores prevaricadores.

A @$%*! dos olés - considerando o nosso passado recente no panorama dos olés-prematuros-que-antecederam-baldes-de-água-gelada-em-clássicos, seria de esperar QUE NÃO O VOLTÁSSEMOS A FAZER A POUCOS MINUTOS DO FIM, ESTANDO A VENCER APENAS POR UM GOLO. É certo que foi uma troca de bola deliciosa - que nem apreciei devidamente por estar a antever mais um golo de Jardel no último minuto, mesmo não estando Jardel em campo -, mas vamos lá parar com isto. Nestas coisas não devemos facilitar... na época passada, nas únicas vezes em que se experimentou a hola mexicana (com resultados em 5-0 e 3-0), conseguimos a proeza de sofrer golos nesse preciso momento. Ah, e tal, a festa nas bancadas é bonita, mas, se faz favor, não voltemos a arriscar em circunstâncias destas. 



A opção Paulista - mais uma vez, Jesus apostou no brasileiro, mas agora deu-lhe mais tempo de jogo. Entrou aos 68' para o lugar de Ruiz para dar maior consistência ao meio-campo. Belo jogo, excelentes apontamentos - visão de jogo, velocidade e raça -, e a ideia de que está aqui uma excelente solução para o meio-campo para a época.

A estreia de Campbell - bons pormenores técnicos, mas ainda se nota (naturalmente) alguma falta de ligação ao resto dos colegas. Excelente o trabalho a segurar a bola junto à bandeirola de canto, perto do final - foi muito útil para fazer correr o relógio.

A arbitragem - foi contestada a arbitragem de Tiago Martins, sobretudo pelos lances dos dois golos - muito protestados por Casillas. Boas decisões em ambos os casos: no primeiro golo, Gelson domina com o peito; no segundo golo, a bola bate efetivamente no braço de Bryan Ruiz, mas o costa-riquenho tem o braço encostado ao corpo e não tem forma de evitar o alívio à queima de Marcano. Gostava de saber, no entanto, se Jorge Jesus é o único treinador da Liga que manda bocas aos árbitros durante os jogos.



Foi o melhor tónico possível para combater a depressão gerada pela saída de João Mário e Slimani. Continua a haver muita qualidade no plantel, e as últimas contratações levam a crer que a quantidade e qualidade de opções à disposição de Jesus lhe poderão causar boas dores de cabeça. Agora é aproveitar a pausa para as seleções para começar a integrar os recém-chegados, com aquela tranquilidade de alma que só uma liderança isolada consegue dar.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Balanço de 2015/16: GRs e Defesas


Rui Patrício: ***          2014/15: ***     2013/14: ***

Aos 28 anos, Rui Patrício é a prova viva de que os melhores anos dos guarda-redes ficam guardados para uma idade mais avançada. Creio que será consensual que terá efetuado a melhor época da sua carreira, fazendo uso das qualidades que já lhe eram reconhecidas, mas desta vez com uma consistência e regularidade inéditas. Para além disso, mostrou progressos em duas vertentes em que revelava demasiadas dificuldades: no controlo da profundidade e, principalmente, a sair dos postes. Os momentos baixos da época de Rui Patrício terão sido as duas expulsões (uma injusta, contra o Tondela, que nos viria a custar dois pontos, e na Albânia contra o Skenderbeu), mas foram imensos os pontos altos, que valeram muitos pontos ao clube. Grande, grande época.


Marcelo Boeck: *          2014/15: *     2013/14: *

Vinha de uma época pouco feliz, em que tinha comprometido demasiadas vezes para o tempo que jogou. Infelizmente, esta temporada foi ainda pior. A forma física com que apareceu após as férias era um indício para aquilo que viria a acontecer. Dos 6 jogos em que participou, comprometeu em 4 (Skenderbeu, Paços de Ferreira, Tondela e Portimonense). Não se compreende o motivo pelo qual o Sporting lhe renovou o contrato em dezembro, quando já se via que não fazia qualquer sentido a sua continuidade. Quinze dias depois, acabou por sair para o Brasil. Não há sportinguista que não goste da forma como Marcelo sentia o clube, pelo que ficam, ainda assim, boas memórias da sua passagem por Alvalade.


Azbe Jug: -

Considerando a péssima forma de Marcelo, o facto de Jug ser a terceira opção não era propriamente um bom cartão de visita. No entanto, no único jogo que fez (em Arouca, para a Taça da Liga), esteve bastante bem. Não é suficiente para ficarmos com uma ideia do seu real valor, mas deixou-me com curiosidade para o ver jogar mais vezes. Será que fica no plantel na próxima época? 


João Pereira: **

O péssimo início de temporada que fez levava a crer que a sua contratação teria sido um erro. Teve o momento mais complicado com o penálti desnecessário e expulsão frente ao Paços, na segunda jornada, que nos fez desperdiçar dois pontos. No entanto, com o passar das jornadas o seu rendimento foi evoluindo positivamente e chegou ao inverno numa excelente forma. Acabou por ser surpreendente a perda da titularidade para Schelotto - não só João Pereira estava a convencer, como as primeiras exibições do italiano deixavam muito a desejar. Considerando que é um jogador que já tem 32 anos e que, à partida, não será titular, fica a dúvida se continuará no Sporting na próxima época.


Ricardo Esgaio: *          2014/15: *

No primeiro terço da época ainda foi dividindo a titularidade com João Pereira, mas quando este começou a subir de rendimento, Esgaio foi perdendo minutos. Nas oportunidades que teve, cumpriu sem grande brilho, o que é curto para um jogador que está numa fase decisiva da sua carreira. Na última jornada, no entanto, Jesus surpreendeu e lançou-o no meio-campo. Ontem, renovou contrato. Será que há algum plano de adaptação em curso para fazer de Esgaio um box-to-box?


Ezequiel Schelotto: **

Reforço de inverno, não convenceu nos primeiros jogos, ao ponto de muita gente questionar a insistência de Jesus em utilizá-lo em detrimento de João Pereira. Com o tempo foi-se percebendo o motivo da insistência: o poder de aceleração e velocidade de Schelotto permite-lhe aproveitar como poucos o espaço nas alas que João Mário cria quando procurar espaços interiores. À medida que o entendimento de Schelotto com os companheiros foi melhorando, a sua influência na manobra ofensiva aumentou significativamente, mostrando também ser bastante decente nos cruzamentos. Para além disso, é um jogador raçudo, e cuja altura o torna bastante útil nas bolas paradas defensivas. Parece-me que fez o suficiente para justificar a sua contratação em definitivo.


Jefferson: *          2014/15: **     2013/14: **

Mais uma época muito irregular, mas desta vez - e ao contrário dos dois anos anteriores - nivelada por baixo. O primeiro terço de temporada foi bom, sobretudo do ponto de vista ofensivo, mas revelando com demasiada frequência as dificuldades para defender que já eram conhecidas. As frequentes lesões prejudicaram nitidamente o rendimento de Jefferson, tornando-o mais num risco do que numa arma. Acredito que tenha mercado para que o clube faça uma venda interessante.


Jonathan Silva: *          2014/15: *

Foi alternando no onze com Jefferson até novembro, mas nunca conseguiu afirmar-se. A saída por empréstimo acabou por não surpreender. Duvido que tenha lugar no plantel na próxima época.


Marvin Zeegelaar: *

Sendo um extremo de origem, havia a expetativa de que tivesse, como lateral, capacidade de criar desequilíbrios pela faixa esquerda, arrancando de trás. No entanto, as suas exibições mostraram precisamente o contrário do que se esperava. Pareceu demasiado receoso em subir no seu flanco, e relativamente certo a defender. Jorge Jesus certamente esperava mais do ponto de vista ofensivo, tanto que acabou por entregar o lugar a Bruno César em jogos em que o adversário não exigisse grandes preocupações defensivas. Talvez uma pré-época completa ajude Marvin a soltar-se. No entanto, se não conseguir subir de nível, provavelmente acabará emprestado ou vendido.


Paulo Oliveira: **          2014/15: ***

Início de temporada dentro da linha que se esperava, revelando um bom entendimento com Naldo e Ewerton. Uma lesão acabou por fazer com que perdesse a titularidade para Coates e Semedo, acabando por ficar sem jogar praticamente durante toda a época. Voltou a ter bastantes minutos na última jornada, e esteve em bom plano. Em relação ao futuro, o facto de não ser um jogador rápido e ter dificuldades em sair a jogar, fazem dele o potencial 3º central para a próxima época. Se assim for, o Sporting ficará muito bem servido.


Naldo: **

Impôs-se com facilidade no onze (a lesão de Ewerton ajudou) e fez uma dupla sólida com Paulo Oliveira até ao regresso de Ewerton. A partir desse momento, foi desaparecendo gradualmente. Pouco jogou na segunda volta. Tendo sido um jogador relativamente caro, e considerando que não deverá ser mais que uma 3ª / 4ª opção, é provável que o clube pense em recuperar o investimento já neste defeso.


Tobias Figueiredo: *          2014/15: **

Começando como quarto central, não teve muitos minutos para mostrar o que vale. Quando teve oportunidades, as exibições não foram convincentes - mas há que reconhecer que a utilização pouco regular e o facto de ter tido sempre parceiros diferentes no centro da defesa não o ajudaram. Precisa de jogar com frequência para atingir o próximo nível, pelo que só ganhará em ser emprestado a outro clube na próxima época.


Ewerton: *          2014/15: ***

Ninguém coloca em causa a classe de Ewerton. De todos os centrais do Sporting, seria, na minha opinião, o parceiro ideal de Coates no onze. No entanto, as lesões tornam o brasileiro um jogador pouco fiável, pelo que é complicado que continue no plantel na próxima época.


Sebastián Coates: ***

Chegou, viu e venceu. Foi uma grande contratação de inverno, impondo-se de imediato como o patrão na defesa. Fisicamente dominante, fortíssimo no jogo aéreo, velocidade q.b., excelente leitura de jogo e muito competente com a bola nos pés. Para o ano, será Coates e mais dez.


Rúben Semedo: ***

Jesus surpreendeu tudo e todos ao entregar a titularidade a Rúben Semedo, poucos dias depois de ter regressado do V. Setúbal. A verdade é que, agora que passaram quatro meses, todos conseguimos perceber o que Jesus viu no jogador. A sua velocidade, capacidade de antecipação e competência para sair a jogar permitiram a Jesus avançar a linha defensiva uns bons metros, que ajudam a sufocar os adversários no seu meio-campo. Havia receios em relação à sua imaturidade - que, na realidade, acabaram por lhe valer uma expulsão desnecessária frente ao Leverkusen, e cometeu um ou outro erro que um jogador mais experiente dificilmente cometeria -, mas o balanço global é tremendamente positivo. Quem diria que se iria impor tão cedo a este nível?