Mostrar mensagens com a etiqueta Tobias Figueiredo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tobias Figueiredo. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Balanço de 2017/18: GRs e Defesas


Rui Patrício: *** 
2016/17: **
2015/16: *** 
2014/15: *** 
2013/14: ***


Melhor época de sempre. Não seria tarefa fácil compilar os melhores momentos de Rui Patrício ao longo deste ano, tantas foram as ocasiões em que impediu golos que pareciam inevitáveis. Imperial entre os postes e no 1 contra 1, conseguiu desenvolver suficientemente o seu jogo de pés e a saída aos cruzamentos para os deixarmos de ver como fraquezas. O único ponto fraco do seu jogo que resta é o controlo da profundidade, mas isso não invalida que seja neste momento um enorme guarda-redes. A infelicidade na Madeira que acabou com as ténues esperanças que ainda existiam para acabar em segundo lugar e a desoladora saída em lágrimas no Jamor foram um final tremendamente injusto face à quantidade de vezes que nos salvou ao longo da época. É possível que a sua história no Sporting tenha chegado ao fim, o que torna tudo ainda mais amargo - não só pela forma como tudo acabou, mas também porque o segundo jogador mais utilizado na história do Sporting merecia sair com um campeonato no palmarés. Que seja feliz e que consiga conquistar aquilo que não conquistou connosco. Merece o melhor.


Salin: -

360 minutos de utilização distribuídos equitativamente entre confrontos de exigência reduzida na Taça de Portugal e na Taça da Liga são demasiado escassos para podermos avaliar se Salin é a pessoa certa para o papel de segundo guarda-redes. Se tivesse que arriscar, diria que não -  caso contrário, Jesus ter-lhe-ia confiado a baliza em bastantes mais ocasiões. Uma coisa é certa: nunca senti o mesmo conforto que sentia quando havia Beto no banco.


Cristiano Piccini: **

O mundo sportinguista - incluindo yours truly - torceu o nariz quando viu Piccini ser apresentado em Alvalade. Apesar de ser um desconhecido para a maior parte dos adeptos, o italiano foi rotulado de flop no dia da sua apresentação por causa da sua fraca estatística de cruzamentos - qualidade que todos julgavam ser prioritária havendo Dost para servir. E, de facto, nesse sentido, os receios eram fundados, pois Piccini não convenceu do ponto de vista ofensivo. Mas é justo dizer que não tardou a demonstrar ser um exímio defensor, com uma fantástica capacidade de posicionamento e antecipação. É um jogador talhado para os grandes jogos. Depois há a outra face da moeda: as suas insuficiências ofensivas fazem com que perca grande parte da sua utilidade contra adversários que se fecham na defesa - ou seja, estaremos a falar de 70% dos jogos das competições nacionais. Não sendo o lateral ideal para o campeonato português, é um lateral que interessa ter no plantel.


Stefan Ristovski: **

De início parecia a antítese de Piccini: de vocação bem mais ofensiva e sempre disponível para explorar o espaço no seu corredor, mas com alguns problemas para controlar os extremos adversários em tarefas defensivas. Ainda assim, as suas primeiras exibições foram prometedoras a ponto de se estranhar a falta de oportunidades concedidas por Jesus. Passou depois por um período de menor fulgor, parcialmente justificável por ser utilizado de forma muito esporádica, mas conseguiu acabar a época em bom plano, mostrando melhorias ao nível do posicionamento defensivo e confirmando capacidade para criar desequilíbrios no ataque.



Fábio Coentrão: ** 

A chegada por empréstimo de Coentrão levantou muitas dúvidas nos sportinguistas por causa dos conhecidos problemas físicos, psicológicos e (para alguns, nos quais não me incluo) do passado no Benfica e as juras de amor feitas ao rival. Os primeiros jogos foram algo angustiantes por causa da evidente falta de confiança que tinha na sua condição física - quando Coentrão caía no relvado, o estádio inteiro sustinha a respiração com medo do pior. Mas com o tempo foi recuperando a confiança e acabou por conquistar das bancadas com a sua garra e vontade de vencer. O Coentrão que tivemos está longe do lateral explosivo de há muitos anos, mas não deixa de ser um jogador que sabe sempre o que fazer em campo. A meio gás, foi, confortavelmente, o melhor lateral esquerdo que tivemos em muitos, muitos anos.


Jonathan Silva: *
2015/16: *
2014/15: *

Conforme se esperava, voltou da Argentina sendo o mesmo jogador que era quando saiu de Portugal. Acumulou bastantes minutos no primeiro terço da temporada devido à gestão física / lesões de Coentrão, e deu para ver que manteve as qualidades que tinha e, sobretudo, os defeitos. A raça sul-americana não consegue disfarçar as gritantes insuficiências defensivas. Não surpreendentemente, foi dado como dispensável. Surpreendentemente, a Roma veio buscá-lo. Não surpreendentemente, pouco jogou e na próxima temporada cá o teremos de volta, provavelmente por pouco tempo.


Lumor Agbenyenu: -

Reforço de inverno, não poderia ter tido pior receção do que aquela que Jesus lhe dispensou, pois o primeiro comentário do treinador não podia ter sido mais humilhante. Acabou por ir a jogo mais vezes do que se esperaria, mas apenas numa ocasião jogou mais do que 25 minutos. Nas oportunidades que teve, não se destacou (o que era difícil) nem comprometeu (o que já não é mau). Ou seja, estamos na mesma em relação a janeiro: continua a dúvida sobre se poderá ser uma boa solução para o lugar.


Sebastián Coates: **
2016/17: ***
2015/16: ***

Depois de uma época em que foi uma espécie de pronto-socorro de uma defesa demasiado instável, Coates teve, finalmente, a possibilidade de jogar ao lado de um central de créditos firmados e de laterais que sabem o que fazer no momento defensivo. Estranhamente, esta acabou por ser a época mais irregular do uruguaio desde que chegou ao Sporting: protagonizou demasiadas situações de desconcentração ou excesso de confiança em relação ao que nos tinha habituado. Ainda assim, a época foi globalmente positiva - convém relembrar que foi dos jogadores mais utilizados (54 jogos) e que teve influência decisiva em alguns deles (como nas meias-finais da Taça, em Tondela ou em Vila da Feira).


Jérémy Mathieu: ***

Chegou como um central velho, lento, propenso a lesões e, ainda por cima, fumador - apesar de haver dados suficientes para desmentir a parte do lentidão e das lesões -, mas precisou apenas de dois jogos para conquistar Alvalade, quando, contra o Setúbal, com o jogo empatado a 0 e o tempo a aproximar-se do fim, decidiu fazer duas arrancadas como se de um extremo esquerdo se tratasse para abanar os companheiros da apatia em que tinham caído. Classe imensa, velocidade, espírito vencedor. Ah, e também sabe bater livres. Mais uma época destas, se faz favor.


André Pinto: **

Cumpriu muito bem o papel de terceiro central. André Pinto teve o primeiro teste a sério da época em Vila do Conde quando teve que substituir o lesionado Mathieu à passagem da meia-hora e a defesa não se ressentiu. Continuou a estar globalmente num bom nível nos vários jogos de dificuldade elevada que se seguiram (Juventus, Braga e Olympiakos). Considerando a utilização irregular que teve (já que Coates e Mathieu tiveram épocas muito consistentes), creio que não seria justo exigir-se mais a André Pinto.


Tobias Figueiredo: -
2015/16: *


2014/15: **

Foi com alguma surpresa que ficou no plantel, acabando por participar em apenas quatro jogos. Pode ter sido pouco tempo, mas foi suficiente para perceber que a confiança não abundava - de Tobias em si próprio e da própria equipa e público em Tobias. A sua saída para Inglaterra acabou por ser um desfecho natural.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

A política de empréstimos

O Sporting anunciou ontem o empréstimo de Tobias Figueiredo ao Nacional da Madeira. Creio que ninguém discordará da oportunidade da cedência do jovem central. Tobias está numa fase em que necessita de jogar com frequência para acumular a experiência que lhe falta para poder ser titular no Sporting. Dificilmente o conseguiria continuando em Alvalade, pelo que o destino encontrado acaba por ser uma boa solução.

O empréstimo de Tobias junta-se, portanto, ao de Francisco Geraldes ao Moreirense. Apesar de Miguel Leal ter saído do clube, o novo treinador, Pepa, parece ser um sucessor à altura, com capacidade para tirar proveito das características do talentoso médio - fundamental para que o seu ano em Moreira de Cónegos possa ser tão bem sucedido como os de Iuri Medeiros e João Palhinha.

Partindo do princípio que os acordos de empréstimo do Sporting incluem cláusulas que encorajam a utilização dos jogadores, faz todo o sentido que sejam colocados na I Liga todos os atletas que não tenham espaço no plantel principal, que não tenham salários excessivamente elevados e que necessitem desafios superiores aos que uma equipa B pode dar. Como tal, é bastante provável que, do grupo de jovens como Palhinha, Podence, Gauld, Domingos Duarte, Ponde, Chaby, Wallyson e Riquicho (estes últimos dois se estiverem recuperados), alguns acabem também por ser emprestados a outros emblemas da I Liga. O mesmo se aplica a jogadores excedentários como Cissé, Zezinho, Rosell ou André Geraldes.

Há muito que o empréstimo de jogadores tem, para Benfica e Porto, uma função que vai muito para além da simples gestão de plantel e desenvolvimento de jogadores. O Sporting deve fazer o mesmo. Não digo que cheguemos ao ponto de contratar apenas para emprestar, como fazem os rivais - isso é uma subversão daquilo que deve ser um clube de futebol -, mas é algo que deve ser explorado de forma mais estratégica: é uma ferramenta para construir um bom relacionamento com outros clubes, ao mesmo tempo que os tornamos mais fortes contra os nossos rivais e menos fortes contra nós. A partir do momento que o (absurdo) regulamento da Liga para esta matéria o permite, devemos aproveitá-lo tão bem quando pudermos - tal como fazem Benfica e Porto.

Espero, por isso, que o Sporting dê primazia a clubes com quem tem melhor relacionamento ou com quem acredite que possa construir boas relações, mas tendo sempre em consideração o interesse dos jogadores. Quanto a Tobias Figueiredo, é verdade que custa sempre ver um jogador do Sporting ser emprestado ao clube de Rui Alves, mas, citando aquilo que disse recentemente um certo presidente de um clube português:


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Balanço de 2015/16: GRs e Defesas


Rui Patrício: ***          2014/15: ***     2013/14: ***

Aos 28 anos, Rui Patrício é a prova viva de que os melhores anos dos guarda-redes ficam guardados para uma idade mais avançada. Creio que será consensual que terá efetuado a melhor época da sua carreira, fazendo uso das qualidades que já lhe eram reconhecidas, mas desta vez com uma consistência e regularidade inéditas. Para além disso, mostrou progressos em duas vertentes em que revelava demasiadas dificuldades: no controlo da profundidade e, principalmente, a sair dos postes. Os momentos baixos da época de Rui Patrício terão sido as duas expulsões (uma injusta, contra o Tondela, que nos viria a custar dois pontos, e na Albânia contra o Skenderbeu), mas foram imensos os pontos altos, que valeram muitos pontos ao clube. Grande, grande época.


Marcelo Boeck: *          2014/15: *     2013/14: *

Vinha de uma época pouco feliz, em que tinha comprometido demasiadas vezes para o tempo que jogou. Infelizmente, esta temporada foi ainda pior. A forma física com que apareceu após as férias era um indício para aquilo que viria a acontecer. Dos 6 jogos em que participou, comprometeu em 4 (Skenderbeu, Paços de Ferreira, Tondela e Portimonense). Não se compreende o motivo pelo qual o Sporting lhe renovou o contrato em dezembro, quando já se via que não fazia qualquer sentido a sua continuidade. Quinze dias depois, acabou por sair para o Brasil. Não há sportinguista que não goste da forma como Marcelo sentia o clube, pelo que ficam, ainda assim, boas memórias da sua passagem por Alvalade.


Azbe Jug: -

Considerando a péssima forma de Marcelo, o facto de Jug ser a terceira opção não era propriamente um bom cartão de visita. No entanto, no único jogo que fez (em Arouca, para a Taça da Liga), esteve bastante bem. Não é suficiente para ficarmos com uma ideia do seu real valor, mas deixou-me com curiosidade para o ver jogar mais vezes. Será que fica no plantel na próxima época? 


João Pereira: **

O péssimo início de temporada que fez levava a crer que a sua contratação teria sido um erro. Teve o momento mais complicado com o penálti desnecessário e expulsão frente ao Paços, na segunda jornada, que nos fez desperdiçar dois pontos. No entanto, com o passar das jornadas o seu rendimento foi evoluindo positivamente e chegou ao inverno numa excelente forma. Acabou por ser surpreendente a perda da titularidade para Schelotto - não só João Pereira estava a convencer, como as primeiras exibições do italiano deixavam muito a desejar. Considerando que é um jogador que já tem 32 anos e que, à partida, não será titular, fica a dúvida se continuará no Sporting na próxima época.


Ricardo Esgaio: *          2014/15: *

No primeiro terço da época ainda foi dividindo a titularidade com João Pereira, mas quando este começou a subir de rendimento, Esgaio foi perdendo minutos. Nas oportunidades que teve, cumpriu sem grande brilho, o que é curto para um jogador que está numa fase decisiva da sua carreira. Na última jornada, no entanto, Jesus surpreendeu e lançou-o no meio-campo. Ontem, renovou contrato. Será que há algum plano de adaptação em curso para fazer de Esgaio um box-to-box?


Ezequiel Schelotto: **

Reforço de inverno, não convenceu nos primeiros jogos, ao ponto de muita gente questionar a insistência de Jesus em utilizá-lo em detrimento de João Pereira. Com o tempo foi-se percebendo o motivo da insistência: o poder de aceleração e velocidade de Schelotto permite-lhe aproveitar como poucos o espaço nas alas que João Mário cria quando procurar espaços interiores. À medida que o entendimento de Schelotto com os companheiros foi melhorando, a sua influência na manobra ofensiva aumentou significativamente, mostrando também ser bastante decente nos cruzamentos. Para além disso, é um jogador raçudo, e cuja altura o torna bastante útil nas bolas paradas defensivas. Parece-me que fez o suficiente para justificar a sua contratação em definitivo.


Jefferson: *          2014/15: **     2013/14: **

Mais uma época muito irregular, mas desta vez - e ao contrário dos dois anos anteriores - nivelada por baixo. O primeiro terço de temporada foi bom, sobretudo do ponto de vista ofensivo, mas revelando com demasiada frequência as dificuldades para defender que já eram conhecidas. As frequentes lesões prejudicaram nitidamente o rendimento de Jefferson, tornando-o mais num risco do que numa arma. Acredito que tenha mercado para que o clube faça uma venda interessante.


Jonathan Silva: *          2014/15: *

Foi alternando no onze com Jefferson até novembro, mas nunca conseguiu afirmar-se. A saída por empréstimo acabou por não surpreender. Duvido que tenha lugar no plantel na próxima época.


Marvin Zeegelaar: *

Sendo um extremo de origem, havia a expetativa de que tivesse, como lateral, capacidade de criar desequilíbrios pela faixa esquerda, arrancando de trás. No entanto, as suas exibições mostraram precisamente o contrário do que se esperava. Pareceu demasiado receoso em subir no seu flanco, e relativamente certo a defender. Jorge Jesus certamente esperava mais do ponto de vista ofensivo, tanto que acabou por entregar o lugar a Bruno César em jogos em que o adversário não exigisse grandes preocupações defensivas. Talvez uma pré-época completa ajude Marvin a soltar-se. No entanto, se não conseguir subir de nível, provavelmente acabará emprestado ou vendido.


Paulo Oliveira: **          2014/15: ***

Início de temporada dentro da linha que se esperava, revelando um bom entendimento com Naldo e Ewerton. Uma lesão acabou por fazer com que perdesse a titularidade para Coates e Semedo, acabando por ficar sem jogar praticamente durante toda a época. Voltou a ter bastantes minutos na última jornada, e esteve em bom plano. Em relação ao futuro, o facto de não ser um jogador rápido e ter dificuldades em sair a jogar, fazem dele o potencial 3º central para a próxima época. Se assim for, o Sporting ficará muito bem servido.


Naldo: **

Impôs-se com facilidade no onze (a lesão de Ewerton ajudou) e fez uma dupla sólida com Paulo Oliveira até ao regresso de Ewerton. A partir desse momento, foi desaparecendo gradualmente. Pouco jogou na segunda volta. Tendo sido um jogador relativamente caro, e considerando que não deverá ser mais que uma 3ª / 4ª opção, é provável que o clube pense em recuperar o investimento já neste defeso.


Tobias Figueiredo: *          2014/15: **

Começando como quarto central, não teve muitos minutos para mostrar o que vale. Quando teve oportunidades, as exibições não foram convincentes - mas há que reconhecer que a utilização pouco regular e o facto de ter tido sempre parceiros diferentes no centro da defesa não o ajudaram. Precisa de jogar com frequência para atingir o próximo nível, pelo que só ganhará em ser emprestado a outro clube na próxima época.


Ewerton: *          2014/15: ***

Ninguém coloca em causa a classe de Ewerton. De todos os centrais do Sporting, seria, na minha opinião, o parceiro ideal de Coates no onze. No entanto, as lesões tornam o brasileiro um jogador pouco fiável, pelo que é complicado que continue no plantel na próxima época.


Sebastián Coates: ***

Chegou, viu e venceu. Foi uma grande contratação de inverno, impondo-se de imediato como o patrão na defesa. Fisicamente dominante, fortíssimo no jogo aéreo, velocidade q.b., excelente leitura de jogo e muito competente com a bola nos pés. Para o ano, será Coates e mais dez.


Rúben Semedo: ***

Jesus surpreendeu tudo e todos ao entregar a titularidade a Rúben Semedo, poucos dias depois de ter regressado do V. Setúbal. A verdade é que, agora que passaram quatro meses, todos conseguimos perceber o que Jesus viu no jogador. A sua velocidade, capacidade de antecipação e competência para sair a jogar permitiram a Jesus avançar a linha defensiva uns bons metros, que ajudam a sufocar os adversários no seu meio-campo. Havia receios em relação à sua imaturidade - que, na realidade, acabaram por lhe valer uma expulsão desnecessária frente ao Leverkusen, e cometeu um ou outro erro que um jogador mais experiente dificilmente cometeria -, mas o balanço global é tremendamente positivo. Quem diria que se iria impor tão cedo a este nível?

quarta-feira, 16 de março de 2016

As duplas de centrais

O centro da defesa do Sporting, esta época, tem sido provavelmente a posição mais instável da equipa - fruto das lesões e das mexidas no plantel na janela de transferências de janeiro. Se no início até havia alguma estabilidade - Ewerton estava lesionado, com Paulo Oliveira e Naldo a serem titulares crónicos -, com o avançar da temporada começou a haver mais mexidas. Essas mexidas deveram-se, em primeiro lugar, a uma opção de Jesus em rodar a equipa na Liga Europa e na Taça da Liga. Depois, houve a lesão de Paulo Oliveira e, finalmente, a entrada de Rúben Semedo e Sebastian Coates no plantel.

Ao todo, Jorge Jesus já utilizou 12 (!) duplas de centrais diferentes, uma das quais pode-se considerar uma intrusa, quando William foi obrigado a baixar para o lado de Ewerton contra o Bayer Leverkusen (devido à expulsão de Semedo, um minuto depois de Ewerton ter entrado para o lugar de Coates).

Segundo a imprensa, Jorge Jesus está satisfeito com a dupla formada por Coates e Rúben Semedo, sendo provável a sua utilização no próximo sábado frente ao Arouca.

Mais por uma questão de curiosidade do que para tirar conclusões sobre a prestação dos nossos centrais, fiz um apanhado das duplas de centrais utilizadas ao longo da época, com os minutos de utilização e os golos sofridos. Como é evidente, estes números por si só não significam grande coisa. Os golos sofridos podem ter outros jogadores como principais responsáveis, o nível de dificuldade dos jogos varia, as incidências das partidas colocam um fator de variabilidade não desprezável, a falta de rotinas pode ser determinante, e para não falar nos vários golos sofridos que foram validados devido a más decisões das equipas de arbitragem. Para além disso, apesar de a primeira tarefa dos centrais ser manter a sua baliza inviolada, a sua utilidade e importância pode ser avaliada em diversos parâmetros muito mais difíceis (se não impossíveis) de medir.

Aqui ficam esses números, organizados em três quadros: primeiro com o detalhe jogo a jogo, e depois com os dados agregados por dupla de central e por jogador.




quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Boas experiências

Jesus já tinha prometido várias alterações no âmbito da secundarização da Liga Europa face ao campeonato e cumpriu. Mas não se limitou a fazer troca por troca dentro daquelas que têm sido as soluções utilizadas até agora. É que para além de dar minutos a William, Jonathan e Tobias, colocou Teo como homem mais avançado, Ruiz no seu apoio, Matheus a fazer de Carrillo, e pode-se dizer que a experiência resultou muito bem. O Sporting conseguiu os melhores 45 minutos desde a 1ª parte contra o CSKA em Moscovo, dominando completamente o Besiktas e tendo oportunidades suficientes para matar o jogo durante a 1ª parte. Falhou a finalização e, mais uma vez, e a equipa acabou por pagar por isso.

Positivo

As experiências - Bryan Ruiz no meio foi incomparavelmente superior ao Bryan Ruiz encostado numa ala. Teo Gutierrez a 9 conseguiu movimentações muito interessantes. Matheus deu uma enorme dinâmica, não tendo qualquer problema em pisar terrenos interiores. Duas soluções e meia (não três - ver 1º ponto negativo) que seguramente Jorge Jesus não terá deixado de observar e considerar num futuro muito próximo.

Os substitutos - Jonathan não esteve brilhante, mas teve uma exibição bem melhor do que as de Jefferson nos últimos jogos. Tobias, que terá que assumir a titularidade face à lesão de Paulo Oliveira enquanto Ewerton não regressa à forma ideal, fez um bom jogo. William foi William enquanto teve pernas, mas é normal que ainda não tenha o ritmo necessário para aguentar os 90 minutos. 

A estreia de Matheus - este menino já só volta à B para não perder o ritmo. Grande atitude, grande discernimento em praticamente todas as ações que fez. E fez o passe para o golo de Bryan Ruiz.

O empate, pensando no 2º lugar no grupo - empatar na Turquia acaba por ser um resultado positivo, já que o Besiktas é um dos candidatos à passagem à fase seguinte. Se o Sporting ganhar os dois jogos ao Skenderbeu e aos turcos em casa, é bem possível que o apuramento se concretize. Não que eu tenha grande vontade de ver o Sporting a jogar na Liga Europa em fevereiro e março.


Negativo

Teo, a finalizar - se o colombiano esteve muito bem sem bola, foi um autêntico desastre com a bola nos pés. Falhou 3 ou 4 oportunidades claras de golo que poderiam ter assegurado uma vitória confortável.

Combos ao contrário - ter William - a recuperar ritmo de jogo -, Aquilani, Teo e Bryan Ruiz no onze significava logo à partida uma coisa: o Sporting iria ter 30 minutos com 40% dos homens de campo em subrendimento, e não haveria substituições para os render a todos. Foi isso que se verificou, com a agravante de Ruiz ter sido encostado à ala quando Adrien entrou (e o costa-riquenho desapareceu do jogo, não só pelo cansaço mas também pelo posicionamento em campo). Esse período coincidiu com o melhor momento do Besiktas, em que acabámos por sofrer o golo e alguns arrepios na espinha.



Foi um bom treino, com experiências que poderão e deverão ser testadas novamente no domingo, e em que o apuramento na competição não ficou comprometido. Fiquei bastante mais satisfeito com os sinais do empate de hoje do que com os das vitórias contra o Rio Ave e Académica.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

O dia do Sporting Clube de Portugal

À semelhança do que tinha acontecido no ano passado, o aniversário do Sporting foi muito bem aproveitado para enaltecer e difundir o sportinguismo e a grandeza do clube. 

Começou pela apoteótica apresentação de Jorge Jesus em pleno estádio. Bancada cheia de adeptos para aplaudir o novo treinador, que não escondeu a emoção após a homenagem feita ao seu pai e pareceu genuinamente satisfeito por estar a pisar aquele relvado (que, a propósito, precisa de trabalhos urgentes). Excelentes sinais, no sentido em que revelam um Jorge Jesus que vem motivadíssimo para continuar a deixar a sua marca no futebol português.

Pela noite dentro tivemos a II Gala Honoris, que apesar de não ter incluído nenhuma surpresa de última hora de grande dimensão, consolida-se como um evento que dignifica o nome do Sporting Clube de Portugal. É de realçar o facto de ser uma cerimónia que encoraja a presença de sócios anónimos. Respira-se sportinguismo, premeiam-se os heróis do ano do universo sportinguista, relembram-se figuras da nossa história - com destaque para a comovente homenagem a Miguel Galvão Teles -, e dão-se a conhecer nomes menos conhecidos das modalidades. E o momento dedicado a Martunis também foi emocionante.

Em relação às categorias mais mediáticas, aqui fica um breve comentário:

  • Jogador do Ano: Rui Patrício - foi a minha escolha, mas não sei se teria escolhido o guarda-redes caso Paulo Oliveira e Carrillo estivessem incluídos nos nomeados.
  • Revelação do Ano: Tobias Figueiredo - justíssimo. Foi o único dos quatro nomeados que foi testado ao mais alto nível, e os outros terão outras oportunidades de vencer o prémio num futuro próximo. É preciso não esquecer que Tobias foi lançado às feras e portou-se de forma brilhante numa fase complicadíssima da época que incluiu os jogos com Benfica e Wolfsburgo. O nível exibicional descresceu a partir da derrota no Dragão e perdeu a titularidade após a expulsão, mas o balanço geral é muito positivo.
  • Treinador do Ano: João de Deus - a categoria mais polémica foi também a mais divertida (com um alguma vergonha também à mistura) graças a uma gaffe causada por uma troca de envelopes. A escolha aceita-se. João de Deus pegou numa equipa psicologicamente de rastos e levou-a a uma segunda volta notável. A arrumação do plantel ajudou, mas há muito mérito do treinador. Se a ausência de Marco Silva dos nomeados se aceita devido aos regulamentos, não percebo a ausência de Luís Boa Morte - mesmo considerando as declarações que fez após a sua saída.
  • Equipa de Formação do Ano: Juniores C (Iniciados) - escolha natural em função do título nacional que conquistaram.
  • Modalidades: Dirigente do Ano, Treinador do Ano, Atleta do Ano e Equipa do Ano: respetivamente para Gilberto Borges, Nuno Lopes, Ângelo Girão e equipa de hóquei em patins - um poker da modalidade inteiramente justo pela notável conquista da Taça CERS e uma época em crescendo que acabou por ficar bem mais próxima dos objetivos do que inicialmente se esperaria, dado ser o 1º ano do projeto.
  • Iniciativa do Ano: Sporting TV - um prémio que fica bem entregue a um projeto importantíssimo para o clube. No entanto, eu teria escolhido a iniciativa Sócio num Minuto, um gigantesco sucesso que recuperou dezenas de milhares de sportinguistas para o seio do clube. A Sporting TV teria muitas oportunidades de vencer no futuro. Gostaria também de ter visto nos nomeados a iniciativa das redes sociais do Sporting #VocêsSabemLá - a melhor hashtag de sempre.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Balanço de 2014/15: GRs e Defesas



Rui Patrício (***)

Mais uma época em grande. Apesar de um outro ou momento infeliz (no qual se destaca o jogo de Belém), foi um ano recheado de exibições fantásticas. O seu ponto fraco continuam a ser as hesitações nos cruzamentos, mas em contrapartida provou vezes sem conta ser dos melhores do mundo em situações de um contra um. O início de época foi tremendo, destacando-se a exibição de antologia em Alvalade com o Chelsea, o penálti defendido no Dragão para a Taça e, claro, a épica série de penáltis na final da Taça em que se transformou numa espécie de Adamastor para os jogadores do Braga, mesmo coxeando.


Marcelo Boeck (*)

Mais um ano ingrato para o suplente de um dos guarda-redes mais disponíveis do campeonato português. Fez 8 jogos (o da última jornada do campeonato, 3 da Taça de Portugal e 4 da Taça da Liga). Infelizmente o seu jogo mais marcante da época acaba por ser a noite insegura na eliminatória da Taça de Portugal contra o Vizela. A avaliar pela contratação de um guarda-redes esloveno, parece aproximar-se do fim a passagem de Marcelo pelo Sporting.

Cédric (**)

Se do ponto de vista defensivo continuou a evolução que já tinha registado com Leonardo Jardim, pareceu regredir do ponto de vista ofensivo. Menos desequilibrador e acima de tudo muito mais ineficiente nos cruzamentos, que já foram a sua imagem de marca. Época regular que felizmente não ficou marcada de forma negativa pela prematura expulsão na final da Taça.

Miguel Lopes (**)

Foi provavelmente o suplente perfeito. Merece respeito por ter abdicado de parte do vencimento para ser integrado no plantel principal. Esperou pela sua oportunidade e quando a teve agarrou-a com unhas e dentes, fazendo exibições bastante positivas, destacando-se a magnífica exibição em casa contra o Guimarães em que participou ativamente em 3 dos 4 golos. Diferenciou-se de Cédric pela forma como explora o espaço interior para causar desequilíbrios, tornando-se mais imprevisível para os adversários.

Jefferson (**)

À semelhança do que aconteceu em 2013/14, foi mais uma época de altos e baixos. Começou muito mal, chegando inclusivamente a perder a titularidade para Jonathan. Pareceu espicaçado e voltou em grande nível, tornando-se num dos principais municiadores dos pontas-de-lança. Borrou completamente a pintura ao ter o episódio de indisciplina com Bruno de Carvalho. O final da época foi algo penoso em virtude do desgaste acumulado.


Jonathan (*)

Época irregular. Começou da melhor forma possível. Estreou-se em Barcelos com uma vitória por 4-0 e na jornada seguinte ao fim de 2 minutos no seu primeiro jogo em Alvalade já tinha marcado um golo ao Porto. Infelizmente o seu nível exibicional decresceu com o tempo, ao qual não terá sido alheio o facto de ter participado em ambas as (pesadas) derrotas para o campeonato - acabando por ser um dos sacrificados pelo treinador nas duas ocasiões. Jogador raçudo que se sente muito confortável em zonas mais interiores, promete explodir na próxima época. Há que lembrar que tem apenas 20 anos.


Ricardo Esgaio (*)

Inesperadamente foi titular logo na 3ª jornada na Luz devido à lesão de Cédric e manteve-se no onze a na jornada seguinte. Apesar dos dois empates, Esgaio cumpriu. Teve mais tarde um desafio de fogo contra o Chelsea e aí as coisas não lhe correram bem, provocando um penálti logo a abrir. No entanto, há que dizer que Marco Silva não lhe facilitou a vida: podia perfeitamente tê-lo lançado na partida anterior com o Boavista para ganhar ritmo e entrosamento com os colegas. No mercado de inverno foi emprestado à Académica.

Maurício (*)

Depois de uma época em que surpreendeu positivamente (não esquecer que vinha da segunda divisão), esperava-se que fosse o esteio da defesa após a saída de Rojo. Puro engano. Pareceu acusar em demasia a responsabilidade e acabou por contribuir para a instabilidade defensiva da equipa com erros em excesso. A Liga dos Campeões correu-lhe de forma desastrosa: fez a rosca que esteve na origem do empate dos eslovenos ao cair do pano, saiu ensanguentado em casa com o Chelsea após choque violento com Diego Costa, e foi expulso de forma completamente desnecessária pouco depois dos 30 minutos em Gelsenkirchen numa altura em que ganhávamos por 1-0. Transferido no mercado de inverno para a Lazio.

Sarr (*)

Inesperadamente, em virtude de uma série de acontecimentos encadeados, acabou por ser titular logo no princípio da época. Numa fase inicial não comprometeu mas rapidamente os erros começaram a acumular-se. Sei que ainda é novo mas tenho muitas dúvidas que alguma vez possa vir a ser jogador para o Sporting. Tecnicamente não me parece dos piores, mas tem quebras de concentração inexplicáveis e não consegue fazer uso do seu 1m96 e 90 Kgs para se impor perante os adversários - nem sequer no jogo aéreo.

Paulo Oliveira (***)

Depois de uma pré-época dececionante parecia condenado a ser 5ª opção - ou seja, provavelmente nem teria ficado no plantel caso Rojo e Dier se tivessem mantido no Sporting. Mas as mexidas aconteceram e acabou por ficar como 3ª opção atrás de Maurício e Sarr. Teve um primeiro teste de fogo ao entrar contra o Chelsea a substituir o lesionado Maurício e surpreendeu pela positiva. A mim convenceu-me nesse momento e a Marco Silva também, porque a partir daí Paulo Oliveira passou a ser titular e de semana a semana foi solidificando o seu estatuto até ser absolutamente indiscutível. Chegou também à seleção A e está a fazer para já uma prova extraordinária no Europeu Sub-21. Não parece, mas Paulo Oliveira tem apenas 23 anos.

Tobias Figueiredo (**)

Depois de uma primeira metade de época errática na equipa B, teve a sua oportunidade quando Maurício saiu para a Lazio e Marco Silva se viu sem outras opções credíveis para o centro da defesa. Mas Tobias fez por merecer essa oportunidade. Fez uma exibição imperial na Taça da Liga em Guimarães e foi logo de seguida titular em Espinho para a Taça de Portugal. Passou a ser titular na 17ª jornada e convenceu tudo e todos ao entender-se de forma perfeita com Paulo Oliveira. Não tremeu perante adversários de enorme dificuldade como o Benfica ou o Wolfsburgo. Teve uma exibição infeliz no Dragão e pareceu ressentir-se disso, já que a partir daí a segurança já não foi a mesma e cometeu vários deslizes - incluindo dois que lhe valeram o cartão vermelho direto ainda na primeira parte. Perdeu a titularidade para Ewerton. Para 2015/16: 3º central (onde seguramente terá oportunidade de fazer mais de 20 jogos) ou roda noutra equipa da I Liga? Eis a questão.

Ewerton (***)

Um caso paradigmático do que é chegar, ver e vencer. Chegou em janeiro vindo de uma lesão prolongada e sem ritmo de jogo. Teve a sua oportunidade ao entrar para tapar o lugar do expulso Tobias, com o Penafiel, e não mais largou o lugar. É um central muito completo, mas impressiona sobretudo pela serenidade e pela capacidade de jogo aéreo. Seguramente que não há ninguém que pense que o €1,5M da cláusula de opção de compra a pagar ao Anzhi será dinheiro mal gasto.

Rabia (-)

Chegou tarde e lesionado, o que não terá ajudado nada à sua adaptação. Só em novembro começou a jogar, e não convenceu nem na equipa B nem na Taça da Liga, cometendo muitos erros. Mais para o final da época começou a jogar com mais regularidade e a ter prestações mais interessantes. Se isso será suficiente para fazer parte do plantel principal, não sei.

André Geraldes (-)

Uma contratação que pareceu um equívoco. A pré-temporada correu-lhe mal e acabou por ser aposta apenas na Taça da Liga - e sempre como defesa esquerdo, que não é a sua melhor posição. Mesmo assim fez um excelente jogo em Guimarães, colocando a dúvida se não mereceria mais oportunidades. Não me parece que fique connosco na próxima época.

sábado, 4 de abril de 2015

Título: [inserir cliché aqui]

Enorme frustração. Como foi possível não ganharmos este jogo? O Sporting mandou completamente no adversário, criou oportunidades flagrantes suficientes para aviar uma mão cheia de golos ao Paços, mas uma tremenda ineficácia na finalização e um erro individual na origem do golo que sofremos deitaram tudo a perder. Um caso de estudo, autenticamente, em que 1001 clichés do futebol assentariam que nem uma luva para resumir a história da partida.


Positivo

A exibição - se não olharmos para a componente da finalização, se nos conseguirmos abstrair do resultado, apercebemos-nos que o Sporting fez um dos melhores jogos da época contra equipas de nível médio. Intensidade desde o 1º minuto, forçando por diversas vezes o erro do adversário, chegando com facilidade à área do Paços, conseguindo criar espaços para situações de finalização privilegiadas. Bons jogos de Nani, Slimani, André Martins, Carrillo, João Mário e Jefferson. Do outro lado do campo também a exibição foi competente, de toda a linha defensiva sem exceção, ao ponto de Rui Patrício ter sido praticamente um espectador durante os 90 minutos.

A estratégia - se há jogo em que o treinador deve ser poupado a críticas é este: a estratégia foi perfeita, as peças colocadas por Marco Silva cumpriram as indicações dadas com competência, mas o técnico não pode saltar para dentro de campo para pôr a bola dentro da baliza. O treinador fez bem o seu trabalho - só não percebi a saída de Slimani, mas suponho que tenham sido questões físicas -, pelo que os dois pontos perdidos devem ser imputados na totalidade aos jogadores.


Negativo

A finalização - perdoem-me se estiver a cometer algum lapso, mas ficaram-nos a dever golos: Nani, da marca de penálti a passe de Slimani (1); Tobias, em dois cabeceamentos em situações de bola parada (2, 3); Ewerton, cabeceando ligeiramente por cima (4); João Mário, por 2 vezes, uma isolado na cara do guarda-redes e outro num cabeceamento solto ao 2º poste (5, 6); Carrillo, após uma belíssima jogada a rematar isolado na pequena área contra o guarda-redes (7). Qualquer uma destas devia ter dado golo. Umas mais graves que outras, mas bastava uma lá dentro para assegurar a vitória.

O erro de João Mário no golo do Paços - perdeu a bola numa zona proibida e isso valeu a única oportunidade de golo ao Paços de Ferreira. Infelizmente para nós, foi suficiente para marcarem.



Futebol agradável, péssimo aproveitamento. Dois pontos desperdiçados de forma incrível. O sinal positivo é que a equipa parece estar a recuperar o fulgor perdido em fevereiro, dando boas indicações para o decisivo Sporting - Nacional. Não podemos é repetir tamanho desperdício - não há equipa que resista a isso.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Tobias, or not Tobias - that is the question

Depois de ter cumprido o castigo pela expulsão contra o Penafiel, Tobias Figueiredo volta a estar disponível para ser utilizado por Marco Silva na receção ao Guimarães. Saber quem será o parceiro de Paulo Oliveira no centro da defesa será provavelmente o maior ponto de interesse na escolha do onze de Marco Silva.

A utilização de Tobias Figueiredo na equipa principal esta época é a seguinte:

Fonte: zerozero.pt

É um facto que os jogos com Penafiel e Porto não lhe correram nada bem, e é também verdade que de vez em quando Tobias complica em situações aparentemente controladas, mas não nos podemos esquecer que o miúdo já superou algumas provas de fogo com distinção - nomeadamente as duas partidas com o Wolfsburgo e o derby contra o Benfica. Fez também um jogo imperial na sua estreia contra o Guimarães (para a Taça da Liga), precisamente o adversário que defrontaremos no fim-de-semana. Para além disso, Tobias revelou-se muito útil ofensivamente ao marcar dois golos importantes: o da tranquilidade em Arouca, e o empate contra o Nacional para a Taça de Portugal. 

A outra opção é Ewerton, cujas características e experiência o fazem um óbvio candidato à titularidade à esquerda de Paulo Oliveira. O brasileiro realizou até agora 135 minutos de bom nível - período no qual não sofremos qualquer golo. Depois de uma prolongada lesão, Ewerton parece estar totalmente recuperado fisicamente.

Resta saber se os índices de confiança de um (pelos erros recentes) e outro (pela ausência de competição) serão os ideais. Não dispondo (obviamente) dessa informação, gostaria que Tobias fosse titular no domingo - não só por uma questão de justiça pelos bons jogos que fez numa fase importante da época, mas também por uma questão de coerência: na primeira metade da época, Marco Silva deu sucessivas provas de confiança a Maurício e Sarr apesar dos erros sucessivos que iam cometendo. Na altura, Paulo Oliveira não teve outro remédio senão esperar.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Os miúdos salvaram o dia

Ignoremos por um instante as questões menos positivas da exibição do Sporting nesta noite. Se me tivessem oferecido antes do início da partida um empate a 2 golos, teria aceitado de caras. Vindo a equipa de dois resultados negativos e desmoralizadores, jogando hoje o 6º jogo nos últimos 19 dias, considerando o visível desgaste que atormenta alguns jogadores fundamentais, sairmos da Choupana com um resultado que nos dá vantagem na eliminatória seria sempre um bom resultado. Mas o que é facto é que o resultado acaba por ser extraordinário nas circunstâncias em que o jogo decorreu.

Sofrer um golo num erro inacreditável de Patrício - que só por si poderia ser um golpe psicológico complicado de superar -, conseguir empatar, e 3 minutos depois ficar novamente em desvantagem, não pode fazer bem à cabeça de nenhum jogador. Para piorar a situação, ainda ficámos reduzidos a 10 durante os últimos 20 minutos graças a um 2º amarelo mal mostrado, contra um adversário que se sente muito confortável a jogar no contra-ataque. 

Prefiro por isso destacar a atitude da equipa nos últimos 20 minutos, que perante um cenário altamente adverso conseguiu empatar na sequência de uma excelente jogada que envolveu Slimani e Adrien e terminou nos pés de Mané. Podia ter sido muito pior, e só não foi porque houve alma para lutar até ao fim.



Positivo

O resultado - saímos em vantagem para a 2ª mão. Bom, em qualquer circunstância, excelente atendendo ao que se passou dentro de campo. Do ponto de vista do futebol jogado, o resultado acaba por ser justo.

Mais uma vez, William - o melhor sportinguista em campo, o que já começa a ser norma. Só lhe falta aperfeiçoar os remates de meia distância.

Os miúdos a salvarem o dia - importantíssimos os dois golos dos meninos Tobias e Mané. Mané não fez um bom jogo mas o golo é fenomenal, a fazer lembrar o golão que marcou contra o Marítimo na Taça da Liga da época passada. Tobias recuperou bem da má exibição no Dragão e fez um bom jogo. É batido por Lucas João no segundo golo, mas na minha opinião era difícil fazer melhor, pois o cruzamento é batido de forma milimétrica para as suas costas.  


Negativo

O erro de Patrício - minutos depois de ter defendido um remate de um homem do Nacional que estava isolado na sua cara, borrou a pintura com uma asneira infantil. Mas também podia ter feito mais no segundo golo - tem que perder o medo em sair a cruzamentos para a pequena área. Na segunda-feira estará de volta ao seu melhor.

A forma de Carrillo - na minha opinião tem responsabilidades no segundo golo ao não acompanhar Marçal pelo flanco, mas isso até se compreende porque as energias já não deviam ser muitas. É mais difícil de aceitar as ocasiões de golo que desperdiçou ao longo de todo o jogo. Teve azar naquela bola tirada de cabeça em cima da linha, ainda na primeira parte. Precisa de descansar contra o Penafiel.

A expulsão de Miguel Lopes - Xistra fez uma má arbitragem, com erros que prejudicaram ambas as equipas. Cometeu o mais absurdo ao desautorizar incorretamente o fiscal-de-linha num lance de fora-de-jogo no ataque do Sporting, mas o mais grave foi a expulsão de Miguel Lopes. Isto não invalida que o defesa do Sporting tenha a obrigação de saber que ao atirar-se daquela forma para a bola está a pôr-se mesmo a jeito para ver o segundo amarelo - basta não acertar na bola e o adversário atirar-se para o chão. Nada surpreendentemente, Tiago Rodrigues aproveitou o convite e deixou-nos com menos um na pior altura possível.  



Panorama desanuviado - que não é sinónimo de apuramento garantido - para a 2ª mão, que se disputa daqui a um mês. Entretanto regressaremos ao ritmo de um jogo por semana, que deverá ser suficiente para recuperar os índices físicos da equipa. E assim poderemos receber o Nacional em condições bem mais favoráveis do que aquelas que tivemos hoje.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Obrigado por nos fazerem acreditar!

Não é segredo para quem passa por aqui que não estava propriamente confiante em relação às nossas possibilidades de eliminarmos o Wolfsburgo. Quando escrevo no título do post "por nos fazerem acreditar", faço-o obviamente em primeiro lugar em nome pessoal, mas a avaliar pela composição das bancadas creio que eu não seria um caso único no universo sportinguista. 

A verdade é que, apesar do resultado final, dei por bem empregue o tempo e o dinheiro que gastei para estar presente no estádio. O Sporting fez um excelente jogo e dominou aquela que será uma das equipas em melhor forma em todo o continente europeu. Sim, é certo que no início o Wolfsburgo concedeu intencionalmente a iniciativa do jogo ao Sporting, preferindo controlar a partida correndo poucos riscos. No entanto, por mérito nosso, a partir dos 30 minutos conseguimos dominar efetivamente a partida - e os alemães simplesmente não conseguiam manter-nos afastados da sua baliza. Fica por saber a forma como reagiria emocionalmente o Wolfsburgo se tivéssemos conseguido concretizar uma das muitas oportunidades de que dispusemos, mas suspeito que iriam sofrer bastante.

No final, acabou por ser uma eliminatória que foi definida pela qualidade na concretização. Em tudo o resto tivemos uma prestação quase irrepreensível que em nada foi inferior à dos alemães e que me fizeram efetivamente acreditar durante o jogo que poderíamos conseguir recuperar da desvantagem.



Positivo

Personalidade, atitude, concentração e raça - não foi por falta de esforço que fomos eliminados. Toda a equipa sem exceção deixou a pele em campo e batalhou por cada bola como se disso dependesse a eliminatória. Ganhámos a maior parte dos lances divididos e segundas bolas, e soubemos sempre fechar os espaços com grande competência, que foi decisivo para impedirmos que o Wolfsburgo causasse situações de perigo junto à nossa baliza. Quisemos mandar no jogo e conseguimos por vezes encostar os alemães às cordas. Faltou o uppercut nos queixos para os deixar cambaleantes e à mercê de um golpe final que nos garantiria o KO. O panorama só acabou por mudar nos últimos 15 minutos, quando os jogadores começaram a revelar o desgaste do esforço colocado em campo nos primeiros 75. 

No meio também está a virtude - no jogo com o Gil Vicente, o Sporting voltou à procura frequente do jogo interior junto da área do adversário, e no jogo de hoje isso foi mais uma vez evidente. Nani, Carrillo, Adrien, João Mário, William e até Cédric procuraram com insistência jogar pelo meio de forma apoiada e paciente, à espera que aparecesse uma oportunidade para perfurar a defesa alemã. Com ou sem Slimani, espero que esta ideia de jogo seja para manter e desenvolver - pois faz com que o nosso futebol seja bastante mais imprevisível contra adversários que se fecham no seu meio-campo.

Meister William - mais um grande jogo. Está a passar a bola como nunca - impressionante a precisão nos passes longos -, fez um remate para uma grande defesa de Benaglio e apareceu com muita frequência em terrenos mais avançados, sem no entanto comprometer a solidez defensiva da equipa. Está numa forma extraordinária.

Nani em subida de rendimento - muito dinâmico sobretudo na procura de espaços interiores. Está claramente a recuperar a forma perdida. Pena apenas as oportunidades de golo que desperdiçou.

As piscinas de Cédric - cansou só de olhar. Perdeu o respeito a Schurrle e nunca teve problemas em subir no flanco sempre que teve oportunidade. Soube também fletir para o centro do terreno por diversas situações para procurar soluções ofensivas alternativas. Apesar desse balanceamento atacante, revelou sempre uma enorme disponibilidade defensiva, nunca perdendo tempo para se reposicionar quando os alemães recuperavam a bola - o que já é uma das suas imagens de marca. Nem sempre decidiu ou executou bem, mas teve uma exibição muito positiva.

A dupla de centrais - mais um jogo de exigência máxima, mais uma exibição muito positiva de Paulo Oliveira e Tobias Figueiredo. Já o escrevi antes e volto a fazê-lo: estão a superar todas as expetativas e enche-me a alma pensar na tremenda margem de progressão que esta dupla ainda tem.


Negativo

Não desdenhar sempre o pé que está mais à mão - mais uma vez foi a má finalização que deitou tudo a perder. É verdade que muitas ocasiões não foram concretizadas por mérito do guarda-redes, outras por falta de sorte. Acontece. Mas incomoda ver tantas situações em que os jogadores têm boas condições para alvejar a baliza e optam, em vez do remate, por dar mais um toque, fazer mais um adorno, preferir passar para um colega supostamente em melhor posição. Gosto de jogadores inteligentes que procurem melhorar as hipóteses da equipa de chegar ao golo, mas a inteligência tem que considerar: a) há o risco de a ideia inteligente não ser bem executada; b) há o risco de haver um defesa inteligente que antecipa a ideia inteligente do avançado; c) há o risco de estarmos a dar tempo à defesa adversária de se reposicionar e anular o perigo. E se a), b) ou c) acabam por se verificar com demasiada frequência, provavelmente será sinal de que somos menos inteligentes do que pensamos. Espontaneidade precisa-se.

A assistência no estádio - custa ver um jogo com um adversário deste nível com bancadas tão mal compostas. No entanto, quem esteve no estádio proporcionou mais um grande ambiente, com apoio incondicional do princípio ao fim. Os 23000 presentes podem ter sido poucos, mas foram muito bons.



Penso que será percetível que não me sinto muito abatido por esta eliminação. Para mim, a Liga Europa é muito mais um risco do que uma oportunidade para o sucesso de uma época desportiva. Com uma quantidade infindável de jogos à 5ª feira, compromete a disponibilidade física para os jogos no campeonato no fim-de-semana seguinte. E não nos podemos esquecer que uma competição com equipas como o Wolfsburgo, Liverpool, Tottenham, Roma, Fiorentina, Zenit, Ajax, Anderlecht, Sevilha, Besiktas e Inter só pode ser ganha por uma equipa que ou tenha um plantel muito profundo, ou que coloque a Liga Europa como a sua principal prioridade - luxos que nós não temos. E tudo isto para um prémio financeiro pouco mais que insignificante.

Não há feridas a lamber nem um resultado a lamentar porque o Wolfsburgo é um adversário de fase a eliminar na Champions e a prestação dos nossos jogadores nas competições europeias foi globalmente positiva. Dediquemo-nos agora ao que é realmente importante: campeonato e taça.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Missão cumprida com um rasgo de génio

Perante o desgaste evidenciado por uma boa parte da equipa titular e perante a proximidade de 3 jogos que poderão definir o nosso futuro em 3 competições diferentes, Marco Silva decidiu fazer - e bem - uma mini-revolução no onze que subiu ao relvado para defrontar o Gil Vicente. No entanto, isso acabou por não mudar aquilo que já é uma irritante imagem de marca do Sporting desta época: uma primeira parte murcha e pouco intensa, passada demasiado longe da área adversária e com poucas ocasiões de perigo.

A equipa regressou dos balneários com outra atitude, intensificando a pressão e acelerando as ações ofensivas, explorando com mais insistência o corredor central para criar desequilíbrios, e acabando por conseguir uma segunda parte agradável de seguir, tendo como ponto alto a obra de arte de Nani - que por si só valeu a deslocação ao estádio.

A própria reação de Nani ao golo que marcou deixa adivinhar um efeito psicológico positivo que poderá ser muito importante para o jogador, e que pelo peso que tem na equipa poderá contagiar outros que têm andado um pouco abaixo daquilo que sabem fazer. E como seria importante que isso acontecesse neste momento...




Positivo

O golo de Nani - um remate absolutamente extraordinário que conquistou um lugar na galeria dos melhores golos da época. Mas houve mais Nani que isso. Fez o desvio ao 1º poste para o golo de Tanaka, e só não marcou em duas outras ocasiões porque o Gil Vicente tinha um enorme guarda-redes na baliza. Mesmo estando ainda afastado das melhores exibições que já lhe vimos realizar esta época, acabou por ser fundamental na obtenção da vitória.

João Mário a 8 - calhou-lhe fazer o papel de Adrien e saiu-se bem. Aliás, arrisco a dizer que se saiu melhor do que Adrien se sairia se tivesse jogado. Para além de ter cumprido defensivamente - apesar de não ter sido um jogo exigente nesse aspeto - e de ter sido o jogador esclarecido a que nos habituou, nunca teve medo de subir no terreno e ajudar a aumentar a presença na área. É uma opção a rever em futuros jogos com estas características. E esteve muito bem ao afastar William do árbitro quando este protestava uma decisão absurda.

A dupla de centrais - mais uma exibição de qualidade de Paulo Oliveira e Tobias Figueiredo. Num jogo em que o volume ofensivo adversário foi escasso, revelaram enorme utilidade para o coletivo ao fazerem bem a pressão mal os jogadores mais adiantados do Gil recebiam a bola em lances de potencial contra-ataque.

Oportunidades bem aproveitadas - Tanaka e Miguel Lopes aproveitaram bem a titularidade. O japonês marcou um golo pleno de oportunismo, fez uma excelente assistência de peito para João Mário e quase bisava perto do final (grande defesa de Adriano), e teve outros bons pormenores ao longo do jogo. Perante tal eficiência na área, apenas me pergunto por que motivo tem tanta tendência para pisar outros terrenos mais afastados da baliza. Miguel Lopes fez uma primeira parte sofrível, mas melhorou imenso na segunda parte com várias iniciativas que levaram perigo para a baliza do Gil Vicente. Acabou por estar ligado ao monumento de Nani ao marcar o lançamento de linha lateral. André Martins esteve bastante ativo na primeira parte, baixando de rendimento na segunda, mas arriscou pouco ao nível do passe e quase nunca entrou na área. Precisa de fazer mais se quer ser opção para aquela posição.

42098 - quantos clubes em Portugal colocariam 42098 espectadores (de carne e osso, não falo de espectadores-fantasma que outros se habituaram a registar nas suas assistências) no estádio quando a equipa está a nove pontos da liderança e vem de uma série de três jogos sem ganhar? Eu respondo: um, o Sporting. Imaginem como será quando recomeçarmos a ganhar títulos com regularidade.  

Adriano e a atitude do Gil Vicente na primeira parte - na 2ª volta ainda não tínhamos recebido um adversário que não viesse apenas para o pontinho e que não abusasse do antijogo em todas as ocasiões possíveis. O Gil, dentro das suas limitações, tentou jogar e nunca recorreu a expedientes de equipa pequena para fazer avançar o relógio. E o que é facto é que, mesmo jogando de uma forma positiva, conseguiu ir para o intervalo com o mesmo resultado que os outros - muito por culpa de Adriano Facchini, que impediu a goleada com uma enorme exibição. Sempre simpatizei com o Gil Vicente - não é clube que se dobre para prestar vassalagem aos donos deste futebolzinho e faz o seu percurso de uma forma digna - e fico a torcer para que consigam a manutenção.


Negativo

A intensidade colocada na primeira parte - não é novidade nenhuma no Sporting 2014/15, mas o que é facto é que voltou a acontecer. Lentidão na circulação de bola, pouca acutilância na aproximação à área, pressão demasiado ligeira no meio-campo adversário. Apesar de ter sido o suficiente para controlar totalmente a partida, foram demasiado escassas as oportunidades de golo criadas para um jogo destas características.

O risco de colocar William - notou-se claramente que William começou o jogo com demasiadas cautelas na abordagem aos portadores de bola adversários. Ameaçava ser menos um a defender, mas felizmente com o decorrer da partida conseguiu encontrar o equilíbrio certo entre a agressividade defensiva e as cautelas para não ver amarelo. Mesmo assim, esteve muito perto de ver o amarelo por protestos depois de uma decisão incompreensível do árbitro. Jorge Ferreira não perdoaria.



O nível exibicional poderia ter sido mais constante, mas o importante é que regressámos às vitórias - e com direito a um golo estrondoso que ficará na memória dos sportinguistas durante muito tempo (Nani já nos tinha oferecido outra prenda deste calibre contra o Maribor). Pelo meio ainda deu para gerir o plantel sem perder qualquer jogador para o jogo com o Porto. Missão cumprida.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Ein Kopf für eine Hand

Perder com uma equipa que está num momento de forma avassalador como o Wolfsburgo não é nenhuma vergonha. Menos vergonha é se considerarmos a excelente primeira parte que fizemos, sobretudo na forma como nunca deixámos o adversário construir jogo através de uma pressão constante que se estendia a todo o campo. As poucas oportunidades de que os alemães dispuseram durante os 45 minutos apareceram através de cantos ou de um ou outro erro individual nosso, mas também tivemos o golo nos pés de Carrillo. E ainda houve aquele penálti absurdo que o só o árbitro não viu. Com um pouco mais de felicidade (e justiça) teríamos chegado ao intervalo a vencer e muito provavelmente saído da terra dos Beetles com um resultado bem mais favorável.

A segunda parte não podia ter começado pior. A intensidade defensiva que todos os jogadores aplicaram na primeira parte ainda não tinha regressado do balneário. Enquanto Adrien e Tobias pressionavam Naldo, nenhum dos 4 homens da frente (por ordem de proximidade: Nani, Montero, João Mário e Carrillo) desceu para apoiar. Equipa partida, Jefferson demorou tempo demasiado a reagir para tapar o lugar de Tobias e estava feito o primeiro. A confiança cresceu nos homens da casa na mesma medida em que desceu nos nossos, e a partir daí o domínio alemão foi bastante mais evidente. Valeu-nos novamente São Patrício a manter-nos dentro da eliminatória, e ficamos a lamentar aquele cabeceamento de João Mário perto do fim que podia assegurado um preciosíssimo golo fora.



Positivo

A concentração e atitude da primeira parte - apesar de não termos criado praticamente nenhuma ocasião de golo, ninguém pode apontar o dedo ao empenhamento e personalidade dos onze jogadores que Marco Silva lançou. Pressão no campo inteiro e uma enorme raça que fazia com que ganhássemos a maior parte das bolas nas disputas a meio-campo. Se jogássemos sempre com esta atitude no campeonato teríamos transformado facilmente em vitórias a maior parte dos empates que somámos até agora.

Assim se distinguem os grandes guarda-redes - todos os guarda-redes erram, mas uma das características que distingue os melhores dos restantes é a forma como não se deixam afetar por más exibições. Rui Patrício fez um enorme jogo, salvando alguns golos certos e estando irrepreensível em tudo o que teve para fazer. Não podia fazer mais nos dois golos - nem sequer no segundo, já que o cruzamento é feito de forma rasteira e suficientemente longe do seu alcance. 

A afirmação de Tobias - mais um jogo de grande nível. Não esteve bem na construção de jogo, falhando muitos passes, mas nos despiques individuais esteve insuperável. Foram poucos os lances em que se deixou ultrapassar, mostrando mais uma vez que temos central para os próximos anos. Nem sempre a solução está no banco: pode estar também na equipa B. À atenção de Marco Silva.


Negativo

A produção ofensiva - Montero não existiu; Nani e Carrillo ainda apareceram a espaços e ainda deixaram algum perfume da sua classe, mas tiveram exibições insuficientes; João Mário foi o elemento mais esclarecido no nosso ataque, mas falhou aquele golo cantado perto do fim; Adrien, Rosell e Jefferson não existiram; Cédric subiu muito e ainda conseguiu alguns bons momentos, nomeadamente aquele cruzamento para João Mário. Mas tudo junto foi muito pouco para aquilo que se exigia.

O alheamento de Jefferson no primeiro golo - deveria ter antecipado o passe de Naldo no primeiro golo e acabou por condicionar ainda mais uma exibição que não estava a ser famosa. Sem Slimani acaba por se tornar num jogador muito menos valioso porque sabe que não pode cruzar sempre que tem condições para o fazer. Acabou por estabilizar defensivamente perto do final e salvou ainda duas ou três situações muito complicadas. Mas o mal já estava feito.

Alguma vez teria que ser Paulo Oliveira - o ex-vimaranense fez uma enorme primeira parte, destacando-se aquele corte fenomenal que saiu rente ao poste. No entanto, cometeu alguns erros - ficou ligado ao 2º golo ao deixar Dost marcar nas suas costas - e pareceu perder algum controlo emocional na segunda parte - coisa que não é nada habitual nele. Todos têm direito a ter dias menos conseguidos. Hoje, pela primeira vez desde que é titular no Sporting, foi a vez de Paulo Oliveira.

As noções de anatomia na Alemanha - pelos vistos, para aquelas bandas, bola na cara é penálti e mão na bola não é. Duas deslocações à Alemanha, dois lances que podem muito bem ter-nos custado a permanência em 2(!) competições na mesma época.



O apuramento não é uma impossibilidade, mas atendendo à capacidade ofensiva do adversário, à necessidade que teremos em correr mais riscos do que hoje e ao fraco momento de forma de alguns jogadores chave, só mesmo um jogo perfeito do Sporting poderá permitir-nos dar a volta à eliminatória. Não gosto de atirar a toalha ao chão, mas confesso que não me chatearia se decidíssemos poupar alguns jogadores na próxima quinta-feira, de forma a irmos nas melhores condições possíveis ao Dragão. 

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Os santos também são humanos

Aproxima-se mais um jogo europeu, e lá voltou o desperdício de pontos contra adversários acessíveis. Diga-se no entanto que desta vez não me pareceu que tenha havido falta de vontade dos jogadores: entrámos bem no jogo e apesar de não termos tido muitas oportunidades, podíamos ter ido para o intervalo em vantagem. Pelo segundo jogo consecutivo sentiu-se a ausência de Slimani.

Na segunda parte Marco Silva arriscou mas a aposta correu mal, mas foram dois fatores que o treinador nunca poderia controlar que nos deixaram à beira da derrota: uma falha de Rui Patrício, que ofereceu o golo a Rui Fonte, e uma expulsão incorreta de Cédric. Salvou-se o empate com um golo de Mané aos 94'. Nos descontos se ganha, nos descontos se deixa fugir uma vitória, nos descontos se empata, nos descontos se perde. Já nos aconteceu de tudo esta época.



Positivo

Um ponto que se julgava perdido é sempre bem-vindo - não torna o resultado mais suportável, mas para todos o efeitos 1 ponto é melhor que 0. Mérito aos jogadores que nunca desistiram, mesmo com menos um em campo.

A dupla de centrais - Paulo Oliveira e Tobias Figueiredo fizeram mais uma excelente partida. Tobias mais uma vez a impressionar pela concentração, qualidade de posicionamento e pela forma como se impõe fisicamente aos adversários. No único lance em que se deixou ultrapassar lá apareceu Paulo Oliveira com um grande timing de corte. Quanto ao ex-vimaranense, mais um jogo categórico e sem falhas. Em conjunto estiveram irrepreensíveis.

Bravos na bancada - apesar do frio, do vento e da chuva, não foi por falta de apoio vindo da bancada que perdemos mais dois pontos. #EuVouLáEstar


Negativo

Os santos também são humanos - é impossível não associar Rui Patrício à perda de pontos. Há noites assim: já tinha ameaçado no princípio da segunda parte com uma intervenção desastrada que correria mundo caso entrasse na baliza, e foi infeliz na forma como pontapeou a bola contra Paulo Oliveira. Lado positivo: já demonstrou no passado uma força mental que me dá toda a confiança de que vai superar este erro rapidamente.

As opções de Marco Silva - Montero e João Mário não fizeram uma boa primeira parte, mas não compreendi a ideia de fazer entrar em simultâneo Tanaka e Mané. Fazia mais sentido experimentar primeiro Tanaka ou Mané no apoio a Montero. Mas o que é facto é que não funcionou: não só não melhorou a nossa presença de área como perdemos o controlo do meio-campo. No final devia ter mandado Tobias para o meio da área - numa altura em que já se começavam a despejar bolas para a área precisávamos de alguém que lutasse por elas no ar. 

Falta de objetividade - foram várias as ocasiões em que havia condições para rematar à baliza com boas probabilidades de sucesso, mas ganhou quase sempre a enervante tentação de procurar ainda mais um passe. À conta disso perdemos algumas oportunidades para marcar, e Tanaka foi o campeão nesse departamento.



Começamos um ciclo infernal de jogos de 3 em 3 dias da pior forma. O desafio que treinador e jogadores terão será tremendo, mas Marco Silva deveria abrir mais o plantel pensando um pouco na próxima época. O campeonato está perdido, o 2º lugar fica mais difícil, vamos ter um jogo teoricamente acessível com o Gil Vicente no meio da eliminatória com os alemães, pelo que está na altura de começar a preparar o futuro sem correr grandes riscos. Gauld e Wallyson têm que começar a ter minutos. Se Rubio continuar a marcar, pode ser também uma opção viável - pelo menos é um jogador que não foge do remate e que procura mais a baliza do que Montero e Tanaka. Grande prioridade: Taça de Portugal - e Liga Europa, se ultrapassarmos o Wolfsburgo. Campeonato: pensar jogo a jogo, aproveitando a folga que existe para se realizar uma gestão cuidada de plantel já com olhos no futuro.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Uma dupla para a década


Ninguém sabe o que o futuro nos reserva, mas ao ver as irrepreensíveis exibições de Paulo Oliveira e Tobias Figueiredo no jogo de ontem não posso ficar senão otimista em relação à forma como as posições do centro da nossa defesa ficarão entregues nos próximos anos.

É preciso não esquecer que Paulo (23 anos) e Tobias (21) jogaram juntos apenas pela 5ª vez, e enfrentaram dois avançados de grande qualidade que levavam indicações para procurar tirar partido da sua inexperiência. Apesar de o jogo de ontem não terem testado os nossos centrais até ao limite - muito por culpa do excelente trabalho que a linha média do Sporting fez em manter o adversário longe da área -, o que é facto é que Paulo Oliveira e Tobias Figueiredo responderam de forma bem afirmativa sempre que solicitados.

Ainda vão cometer erros e hão-de realizar exibições menos conseguidas, mas havendo estabilidade no clube e competência no seu desenvolvimento temos excelentes motivos para acreditar que temos aqui uma grande dupla para os próximos dez anos.

Tremenda frustração

Acabou por ser uma partida que ao nível da qualidade de jogo ficou bastante aquém das expetativas, mas compensou em termos de intensidade e da emoção no final. Foi bastante evidente desde o princípio que o Benfica sairia satisfeito de Alvalade com o empate, acabando por fazer ofensivamente um jogo abaixo do nível de outras equipas que nos visitaram, como o Rio Ave, Marítimo, Moreirense ou Paços de Ferreira. Reconheça-se no entanto que defensivamente demonstraram toda a sua experiência e organização, que raramente o Sporting - a única equipa que procurou ativamente o golo - conseguiu romper. 

O golo de Jefferson surgiu numa altura em que já poucos acreditariam que o resultado sofreria alterações, mas é preciso dar mérito a Samaris - que mostrou aos construtores de jogo do Sporting como é que se faz um passe em profundidade a rasgar a defesa com conta, peso e medida. Em vantagem a três minutos do fim era impensável que a vitória nos fugisse, mas mais uma vez conseguimos demonstrar uma enorme incapacidade para gerir emocionalmente os momentos decisivos das partidas. O Benfica agradeceu, marcou e acabou por conseguir um empate que pouco fez por merecer.



Positivo

Um meio-campo que engoliu o outro - fantástico o trabalho do trio do meio-campo do Sporting. William foi o melhor jogador em campo. Ganhou praticamente todos os duelos que teve na sua área de ação e esteve em grande plano no capítulo do passe, soltando a bola sempre no momento certo e com grande precisão, fossem mais curtos e rasteiros ou mais longos pelo ar. Adrien e João Mário vestiram o fato-macaco e estiveram em todo lado, apesar de lhes ter faltado o esclarecimento necessário no momento do último passe. Todos juntos conseguiram anular de forma extremamente eficaz a construção de jogo do Benfica, que raramente conseguiu ligar mais que três passes seguidos e aproximar-se da área do Sporting.

O quarteto defensivo - o melhor elogio que se pode fazer aos laterais é que tanto Ola John como Sálvio simplesmente não existiram em Alvalade. Paulo Oliveira e Tobias Figueiredo fizeram um jogo sem falhas, não só contendo Lima e Jonas mas também fazendo as dobras aos respetivos laterais sempre que necessário. Quaisquer dúvidas que pudessem existir de que temos aqui uma dupla com enorme futuro ficaram totalmente dissipadas - prova inteiramente superada.

A prova que a aposta na formação não implica menor ambição - Rui Patrício, Cédric, Tobias, William, Adrien, João Mário, Nani e Carlos Mané. Oito jogadores da formação a que se juntou um nono português, Paulo Oliveira. Mandaram no jogo e mereciam melhor sorte, mostrando que jogadores adquiridos e pagos a peso de ouro não significam necessariamente maior qualidade do que a prata da casa.

Estádio cheio - foi bom ver Alvalade novamente perto dos 50.000 espectadores.



Negativo

A equipa que veio jogar para o pontinho... - tal como qualquer Setúbal, Boavista ou Académica, é evidente que o Benfica tem o direito de utilizar a estratégia que considere mais adequada, mas não foi bonito de ver o antijogo praticado desde os minutos iniciais. Lançamentos e pontapés de baliza que demoravam uma eternidade a serem marcados, repetidas simulações de lesões mal amanhadas, e zero de risco ofensivo. Ninguém diria que se tratava do campeão nacional em título, mas a realidade crua e dura é que saem de Alvalade mais perto de o revalidar.

... e a nossa incapacidade de a superar - fomos a única equipa com iniciativa ofensiva mas não fomos suficientemente lúcidos para ultrapassar a muralha que o Benfica colocou em campo. Não só abusámos dos cruzamentos para a área (alguém avisou os jogadores que Slimani não estava em campo?), como também podíamos ter feito um trabalho bastante melhor no momento do último passe. Também me pareceu que por variadíssimas vezes optámos por complicar, quando jogar simples talvez desse melhor resultado. Nani esteve numa noite de total desinspiração, Montero nunca conseguiu ser uma presença ameaçadora na área, e Carrillo, tendo sido o melhor dos três, também não esteve nos seus melhores dias. Tudo isto contribuiu para as poucas oportunidades de golo que acabámos por criar.

Falta de controlo emocional depois de ter feito o mais difícil - é provavelmente o ponto que teremos que melhorar mais para podermos vir a ser campeões. Tem sido demasiado frequente deixarmos os adversários reentrarem no jogo pouco depois de nos termos colocado numa posição vantajosa. Foi assim hoje, como já tinha sido com o Rio Ave, com o Marítimo, com o Schalke ou com o Maribor. Curiosamente, tudo jogos disputados em Alvalade.

Lançamento de petardos, tochas e pirotecnias diversas - e se as enfiassem acesas na vossa cavidade gastrointestinal para ver se têm outro tipo de ideias brilhantes?


Outras notas

O crime compensa, ou a suprema ironia deste jogo - devido às constantes perdas de tempo provocadas por jogadores do Benfica, o árbitro deu 4 minutos de descontos. E foi ao 4º minuto de descontos que acabariam por marcar o golo do empate...

Jorge Jesus, comediante de serviço - saí com uma tremenda azia do estádio, mas o treinador do Benfica conseguiu deixar-me com um sorriso nos lábios quando disse na flash interview que houve sabedoria na forma como chegou ao empate, fez-me soltar um riso espontâneo quando chamou "Williams" ao nº 14 do Sporting, e deixou-me à beira de gargalhadas incontidas quando na conferência de imprensa mencionou Ola Jonas (o médio, não o avançado - apressou-se a esclarecer de imediato).

Foram miúdas adolescentes que fizeram a cobertura do jogo para a Antena 1? - enquanto regressava a casa, fui reparando que alguns elementos da equipa da Antena 1 que fazia o rescaldo da partida eram incapazes de conter as risadinhas, certamente consequência da excitação que aquele final de partida lhes causou. Uma boa disposição vibrante recheada de graças, gracinhas e graçolas, análises que começaram e acabaram no desempenho dos jogadores do Benfica (esteve mais alguma equipa em campo?), elogios intermináveis a Artur, Luisão, Jardel, Maxi e Samaris sem que houvesse algum destaque a jogadores do Sporting. Só é pena que na realidade não fossem miúdas adolescentes, eram jornalistas profissionais pagos pelos nossos impostos que não conseguiram esconder a satisfação de um empate que julgariam impossível após o golo de Jefferson.



É difícil aceitar a forma como acabámos por desperdiçar dois pontos e a oportunidade de reduzirmos a diferença para a liderança do campeonato. No entanto, ficou a demonstração de que temos uma equipa que, ao fim de quatro dérbis / clássicos, foi quase sempre superior aos adversários diretos e demonstrou inequivocamente que o trabalho feito pela estrutura, equipa técnica e jogadores é de qualidade e está no caminho certo. É uma equipa que ainda nos dará muitas alegrias.

Em relação às contas do campeonato, apesar de mantermos os sete pontos de atraso em relação ao Benfica ficámos indiscutivelmente mais longe de podermos alcançar o primeiro lugar. Agora, como Marco Silva referiu no final, a única forma de deixar esta desilusão para trás é ganhando o jogo no Restelo. Façamos o nosso trabalho conquistando os três pontos em cada partida, de forma a colocarmo-nos em posição de aproveitar qualquer deslize que o duo da frente possa cometer.