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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Capas que não fizeram história, nº 16: Taça entornada

Fevereiro de 2009

Toda a gente já percebeu que a Taça da Liga é o parente pobre das competições nacionais, já que é usada como arma de arremesso por toda os clubes para marcar posições sobre as guerras e guerrinhas em que estão envolvidos.

O declínio desta competição, para muitos, começou com a polémica arbitragem de Lucílio Baptista na final da 2ª edição, em que o Benfica acabou por vencer o Sporting.

Mas a verdade é que antes disso a competição já tinha sido vítima das birras de certos e determinados clubes. E para quem ache que a questão dos 3 minutos de atraso do Porto é mesquinha, veja bem a polémica que motivou a capa que coloquei em cima.

Em 2008/09 o formato da competição era diferente. Antes das meias-finais existia uma fase de 3 grupos de 4 equipas, em que se apuravam os vencedores de cada grupo (que foram Porto, Sporting e Benfica), e o melhor 2º classificado. 

Fonte: zerozero.pt
Segundo os regulamentos, que indicavam como critério de desempate em caso de igualdade pontual o goal average e depois o número de golos marcados, o melhor 2º classificado deveria ser o Guimarães. Certo? Segundo o Belenenses, não. É que os azuis do Restelo interpretaram o conceito de goal average de uma forma inovadora: traduzindo à letra, não se refere à diferença de golos marcados e sofridos, mas sim à divisão de golos marcados por golos sofridos.

Ou seja, segundo o Belenenses o seu goal average seria de 2 (2 a dividir por 1), enquanto que o do Guimarães seria 1,5 (3 a dividir por 2), e como tal deveria ser o Belenenses a ficar em 2º e seguir para as meias-finais.

O processo seguiu os trâmites do costume e a Liga decidiu a favor do Guimarães. O Belenenses apresentou recurso da decisão ao CJ e, dias depois, interpôs um 2º recurso ao CJ sobre a ação da Liga. Este 2º recurso baralhou o CJ que acabou por demorar mais tempo do que devia para marcar a reunião para decidir o caso, o que colocou em causa a realização da meia-final entre o Benfica e o melhor 2º classificado, que estava marcada para 4 de Fevereiro, tal como o Sporting - Porto (a outra meia-final).

O problema é que 4 dias depois das meias-finais da Taça da Liga havia um Porto - Benfica para o campeonato. Vendo que o jogo do Benfica estava em risco de não se realizar, o Porto ameaçou não comparecer nas meias-finais para não ficar com menos descanso que o Benfica para o jogo do campeonato.

Entretanto o CJ marcou uma reunião para dia 3 de Fevereiro. Aí foi a vez do Benfica ameaçar não comparecer no dia 4, pois não tinha condições para se preparar, já que só conheceria o adversário no dia antes.

No meio disto tudo a Unicer, patrocinadora da competição, só queria que a polémica se resolvesse. Ainda alguém se surpreende que a Taça da Liga não consiga angariar nenhum patrocinador nos dias que correm?

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Uma opinião idónea na Liga Futre

Mudei recentemente o serviço de televisão que tenho em casa para a Meo, e confesso que a novidade me faz por vezes ceder a uma tentação intelectualmente mórbida: ver o que está a dar na CM TV.

Para além de ter descoberto que existe um programa diário (!) sobre o dia-a-dia de Cristiano Ronaldo, ontem também passei a saber que existe um programa chamado Liga Futre.

O ilustre ex-jogador, que é uma figura que pouco aprecio, apresenta agora um programa com Nuno Graciano, uma senhora brasileira cujo nome desconheço, onde não faltam cheerleaders e bancadas repletas de pessoas equipadas com camisolas e / ou cachecóis de Porto, Benfica e Sporting.

Pelos vistos também é dos carecas que eles gostam

O pouco que assisti foi um excelente momento de informação televisiva. Com um ar bastante formal e sério, os três apresentadores questionavam um engenheiro civil sobre os acontecimentos do passado domingo.

Na opinião do especialista, houve de facto riscos para a integridade física do público presente do estádio. No entanto, foi categórico a afirmar que os adeptos do Sporting que ficaram retidos nas bancadas nunca estiveram em perigo. E também se revelou totalmente confiante que tudo estará em condições de perfeita segurança na terça-feira às 20h15.

Também fez alguns comentários técnicos suportando-se nas imagens obtidas pela CM TV através de um helicóptero que sobrevoou o Estádio da Luz durante o dia.

Pergunta para queijinho: quem era o engenheiro civil convidado pelo programa?

Alguém do LNEC? Não.

Alguém ligado à Liga de Clubes? Não.

Alguém da Somague ou da Martifer, envolvido ou na construção, na manutenção ou na vistoria em curso? Não, o entrevistado afirmou nunca ter trabalhado nessas empresas ou sequer em alguma obra relacionada com o estádio. Aliás, o próprio referiu nunca ter tido acesso sequer à documentação do projeto do Estádio da Luz.

"Então quem era?", perguntam vocês cheios de curiosidade. Qual era o estatuto privilegiado que este engenheiro civil tinha que justificasse a convocatória pela Liga Futre num momento tão solene?

Este senhor não era mais que um individuo que se preparava para assistir ao Benfica - Sporting acompanhado do filho numa das bancadas onde acabaria por cair uma das placas da cobertura. Um adepto do Benfica anónimo, que por acaso é engenheiro civil. São estas as qualificações que a CM TV considerou suficientes para apresentá-lo como especialista na matéria e afirmar sem margens para dúvidas que as pessoas não correrão quaisquer riscos ao deslocarem-se ao estádio mais logo.

A mim parece-me uma atitude irresponsável.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Momento "Aguenta e não chora", por Eládio Paramés

Ontem, no programa Contragolpe.


Destaco as seguintes partes do discurso de Eládio Paramés a defender a decisão de se ter retido os adeptos do Sporting durante uma hora: 

"Estamos a falar da evacuação de um estádio, estamos a falar de coisas a voar e chapas a cair", "se não há tranquilidade, serenidade suficiente para que as pessoas possam sair se calhar criavas ali um outro problema ou um problema mais grave" e "Uma hora alí à espera, meu amigo, mas é preferível terem ficado ali uma hora" (como quem diz "Azar").

Incrível.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

A montanha pariu uma cobertura a desfazer-se

Como em tudo na vida, a segurança de quem participa e assiste a um jogo de futebol deve ser colocado acima de qualquer outra coisa.

É esse o argumento utilizado para isolar os adeptos de uma equipa visitante dos restantes espetadores. Para garantir a segurança de todos.

O que não percebo é por que motivo esses adeptos da equipa visitante não tinham já sido evacuados do estádio quando isto aconteceu:


Foi com estupefação que vi, através das imagens televisivas, que por esta altura alguns dos setores do estádio ainda estavam repletos de pessoas. Os setores destinados aos que estavam lá para apoiar o Sporting. Imaginem o que seria se esta placa (ou outra que eventualmente se pudesse soltar) tivesse voado antes nessa direção.

Não me parece que tenha sido propositado. Acredito sinceramente que tenha sido apenas incompetência dos responsáveis pela segurança, que não conseguiram adaptar-se a uma situação inédita que ninguém poderia prever. Mas foi gravíssimo o que se passou no Estádio da Luz neste final de tarde.

Não é admissível que existam vidas de 1ª e vidas de 2ª em qualquer situação. Mesmo nas imprevistas.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Material para a auditoria de gestão

in maisfutebol.pt

7,2 milhões de euros nos restantes 2 anos e meio de contrato? Dá perto de 3 milhões de euros por ano.

Espero que isto seja material que vá ser analisado pela auditoria de gestão. Infelizmente duvido que seja, porque foi uma opção desportiva num jogador jovem que tinha uma utilização razoável no passado recente de um dos maiores clubes do mundo. Para além disso, ninguém pode adivinhar à partida qual o rendimento que o jogador terá.

Mas somando este caso aos de Elias, Labyad, Pranjic, Onyewu, Boulahrouz, Bojinov, Gelson Fernandes, e tantos outros, começamos a atingir encargos absolutamente ruinosos para a realidade do país e do clube, a ponto de ser demasiada incompetência acumulada para poder passar impune.

Mas numa dimensão mais pequena, eu também sou culpado disto. Fiquei tão deslumbrado pelo desfile de nomes que foi chegando, que nunca parei para pensar no valor que toda esta fartura custaria. Já tinha idade para ter mais juízo.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O Sporting e os fundos

No meio do desastre que foi a gestão de Godinho Lopes, um dos piores erros foi a venda de percentagens de passes de jovens da academia a fundos e outras empresas. 

Salários principescos, má política de contratações, ausência de rumo desportivo, tudo isso com mais ou menos esforço pôde ser estancado ao fim de algum tempo, como a direção de Bruno de Carvalho demonstrou. Mas a forma abusiva como a direção de Godinho Lopes entregou a terceiros percentagens consideráveis de passes de jogadores da academia é algo que continuará a ter impacto ao fim de 3, 4, 5 anos. Aceito que se faça isso para jogadores contratados por valores consideráveis. É uma forma de comparticipar um custo elevado e reduzir o risco de uma aquisição. Mas para jovens da academia é inaceitável.

Em Portugal a valorização de jogadores é fundamental para ter contas saudáveis. Se os jogadores valorizados tiverem origem na academia, as potenciais mais-valias serão certamente mais interessantes do que para jogadores contratados a outros clubes. Com a política seguida pelas últimas direções, a valorização dos jogadores estava hipotecada à partida, pois apenas uma pequena percentagem dos direitos económicos dos jogadores ainda eram pertença da SAD. Ou seja, o Sporting, se tivesse tido uma performance desportiva minimamente interessante, estaria essencialmente a trabalhar para gerar lucros para terceiros.

É certo que a academia tem custos consideráveis, mas que sentido faz estar a vender percentagens de passes de jogadores que poderão vir a transformar-se em estrelas, a troco de quantias irrisórias apenas para satisfazer necessidades de tesouraria mais prementes?

Por exemplo, como é possível termos cedido à Holdimo esta quantidade de passes?

Bruma - 50 por cento
Ilori - 20 por cento
Cedric - 25 por cento
João Mário - 15 por cento
Marcelo Boeck - 15 por cento
Jeffrén - 20 por cento
André Martins - 25 por cento
Diego Capel - 15 por cento
Adrien Silva - 20 por cento
Esgaio - 25 por cento
Arias - 20 por cento
Schaars - 15 por cento
Elias - 20 por cento
Betinho - 45 por cento
+ 14 jogadores num total de 28 jogadores


Felizmente que, ao promover a entrada da Holdimo no capital da SAD, os passes acima referidos foram recuperados. Só nas vendas de Bruma e Ilori, as percentagens de passe que tinham sido cedidas à Holdimo acabaram por valer mais de €7M ao Sporting.

Para além da Holdimo, a direção de Godinho Lopes formou uma parceria com a ESAF (Espírito Santo Activos Financeiros) para criar o Sporting Portugal Fund. Ao formar-se o fundo, em agosto de 2011, foram estas as percentagens de passes entregues por Godinho Lopes e a respetiva valorização:


Mais tarde, em janeiro de 2012, houve outra transferência de passes de jovens da academia.


Destes nomes saltam à vista Wilson Eduardo, André Martins e William Carvalho. William tem andado nas bocas do mundo por supostamente existirem vários clubes de topo interessados na sua contratação. Não vou entrar aqui em números megalómanos porque isso é conversa de benfiquista encantado pela liderança de Vieira, mas certamente que 40% do passe de William valerá bem mais do que os €400.000 que o Sporting recebeu há dois anos. 

Surgiram também notícias de que o Sporting quer recuperar essas percentagens de passes de jogadores. Estive a ler o regulamento de gestão do Sporting Portugal Fund e não encontro qualquer referência a opções de recompra por parte do clube, o que significa que terá que passar sempre por uma negociação entre o clube e o próprio fundo.

O fundo é gerido por cinco elementos. Três são nomeados pela ESAF e os outros dois são pessoas ligadas ao mundo de futebol, que não podem ser nem agentes de jogadores nem funcionários do Sporting.

Não sendo nem de perto nem de longe um especialista nestes assuntos, tanto quanto percebi o fundo funciona com base numa tabela que avalia periodicamente os jogadores que fazem parte da sua carteira de passes. Se houver um clube que queira contratar um destes jogadores ao Sporting, e se o valor oferecido for igual ou superior ao valor de tabela do jogador, o Sporting é obrigado a vendê-lo. Se não vender, o Sporting tem que pagar ao Sporting Portugal Fund o valor a que teriam direito se a transferência se concretizasse.

Suponho que a negociação tenha como base o tal valor tabelado de William, e só por aí compreendo o que foi escrito nesta notícia:

in abola.pt

Se existisse uma claúsula de recompra na cedência dos passes dos jogadores, não haveria necessidade de se chegar a um entendimento com a ESAF. Pagava-se e pronto. O que me parece é que a tal tabela de avaliação dos jogadores deve ser atualizada periodicamente, nomeadamente no final de cada ano -- e terá sido esse adiamento da reavaliação do jogador que poderá estar a ser referida nesta notícia. Quero que fique claro que estou apenas a especular em função do que se sabe publicamente.

A verdade é que, atendendo a que a rendibilidade do Sporting Portugal Fund foi de -25% em 2012, vai ser preciso contar com muito boa vontade do BES para conseguir recuperar as percentagens de passes dos nossos jogadores por valores acessíveis. Se isso se confirmar, será sinal inequívoco que teremos no BES um parceiro na verdadeira aceção da palavra.

De qualquer forma, é muito positivo ver que a direção de Bruno de Carvalho está a trabalhar para inverter esta situação tão lesiva dos interesses do clube. Esperemos que também aqui consiga ter sucesso.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014