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terça-feira, 18 de maio de 2021

Os facilitadores da estrelinha, parte 2

Primeira parte do post: LINK


Muros na baliza

Foi uma das transferências mais discretas, pelo valor, pelo momento e pelo buzz positivo que não gerou na altura, mas a chegada de António Adán ao Sporting foi seguramente uma das que maior impacto teve na competitividade da equipa. O veterano guarda-redes espanhol fez uma época excecional, não só pelas várias defesas impossíveis que fez, mas também pela segurança que sempre conseguiu transmitir à equipa.

Não se lhe consegue identificar um ponto fraco: jogo de pés fulcral para a saída de bola, muito certo nas saídas aos cruzamentos, atento ao controlo da profundidade, forte no 1x1 e excelentes reflexos entre os postes. Não entrando em comparações sobre o seu valor global como guarda-redes, diria que Rui Patrício é mais forte entre os postes e no 1x1 (top mundial, na minha opinião), mas não é tão completo como o espanhol.

O nível exibicional de Adán não deu hipóteses a Luís Maximiano, mas é da mais elementar justiça referir que, no único jogo do campeonato em que participou, Max fez uma defesa gigante aos pés de Éber Bessa que manteve o resultado a zeros numa altura crítica do jogo.

Se o Sporting foi campeão, deve-o muito aos muros que teve na baliza.


Meio-campo low-cost com soluções para todos os gostos

De uma época para a outra, o Sporting transformou quase por completo a gama de soluções para os dois lugares no centro do terreno. Manteve-se Matheus Nunes, deixaram o clube Battaglia, Doumbia, Wendel e Geraldes (falo apenas daqueles que pareciam contar para Amorim no final de 19/20), e entraram Palhinha, João Mário e Daniel Bragança. As saídas renderam algum dinheiro, mas as entradas custaram zero, o que permitiu reforçar outras posições carenciadas.

Não foi preciso esperar muito tempo para que a dupla Palhinha / João Mário proporcionasse os equilíbrios de que o coletivo necessitava. Palhinha é um touro que está sempre no sítio certo e com uma capacidade de desarme imperial, enquanto João Mário é um mestre a segurar a bola e a gerir os tempos da equipa. Os dois deram a Amorim o tempo que este necessitava para desenvolver as alternativas: Matheus Nunes dá outra capacidade para esticar o jogo, principalmente quando as pernas começam a pesar aos adversários; Bragança é um maestro com uma área de ação alargada.

Ainda que a dupla Palhinha / João Mário tenha sido a mais utilizada ao longo de toda a época, foi notório um crescimento gradual de importância de Matheus e Bragança a partir de dezembro. Na 2ª volta, pode dizer-se que Amorim teve à sua disposição um quarteto a quem podia confiar diferentes missões. 20 valores para o meio-campo que se arranjou (75% prata da casa, mais um regresso por empréstimo) considerando o dinheiro que (não) havia para gastar.


União de aço

Dificilmente se encontrará grupo mais heterogéneo, considerando a veterania de parte dos elementos do plantel e a juventude de outra fatia considerável de jogadores. A verdade é que funcionou na perfeição misturar perfis de liderança serena como o de Coates ou Adán, um porta-voz mobilizador como Neto, os elementos ultracompetitivos referidos na 1ª parte deste post, e ainda a irreverência juvenil de Tiago Tomás, Quaresma, Matheus Nunes ou Nuno Mendes. Isto, obviamente, potenciado pela liderança carismática de Amorim que não teve problemas em usar a experiência de João Pereira ou Antunes para orientar um balneário com perfis tão diferentes na direção do objetivo comum.

De uma forma ou de outra, passou-se a ideia de que todos tiveram o seu papel a desempenhar e que todos deixaram a sua marca nas conquistas. "Onde vai um vão todos" foi um lema levado à letra, e esse espírito de grupo foi decisivo para ultrapassar as fases mais difíceis da época.


Ao ataque em janeiro

Os ajustes que se fizeram ao plantel no mercado de transferências deram o sinal de ambição necessário para uma equipa que muitos ainda teimavam não considerar como verdadeira candidata. 

João Pereira e Matheus Reis foram aquisições de baixo risco que ofereceram profundidade ao plantel em posições carenciadas.

Paulinho foi uma aposta de risco pelos valores da transferência e por ainda envolver a saída de Sporar, o que significava que o Sporting continuaria com um único ponta-de-lança de raiz no plantel. Para piorar, Paulinho não chegou nas condições físicas ideais e acabou por perder alguns jogos por lesão. Os golos não surgiam e a pressão foi acumulando. 

Mas o risco acabou por compensar. Não tanto pela quantidade de golos marcados (apenas 3 até hoje, sendo que o 1º aparece mais de 2 meses após a sua chegada ao clube), mas sobretudo pelo que fez jogar. Certo, não teve um impacto que justifique o valor da etiqueta, mas fez aumentar a qualidade de jogo do coletivo. Nunca poderemos tirar isto a limpo, mas quem sabe se não terá sido o nível de melhoria necessário para fazer a diferença entre o triunfo e mais um ano de jejum?

terça-feira, 29 de maio de 2018

Balanço de 2017/18: Médios



William Carvalho: **          
2016/17: **
2015/16: **
2014/15: **     
2013/14: ***

Mais uma época exibicionalmente irregular que, é justo que se diga, foi afetada pelas várias lesões que teve de enfrentar e pelo sistema de jogo de Jesus, que não favorece um médio com as suas características. Voltou a estar abaixo das expectativas, o que nos deveria levar a concluir que talvez sejam as expectativas que são demasiado elevadas. Não que o valor não esteja lá - é perfeitamente visível a diferença de um Sporting quando tem um William ao melhor nível -, mas já se percebeu que existem outros fatores que fazem com que não se consiga extrair tudo o que William pode dar. 


Adrien Silva: **          
2016/17: **
2015/16: ***
2014/15: **     
2013/14: ***

Na realidade não fez parte do plantel, mas coloco-o aqui porque acabou por somar mais minutos do que jogadores como Palhinha, Misic, Mattheus ou Wendel. Já estava com a cabeça noutras paragens, mas não há nada a apontar a Adrien pelo que fez enquanto ainda foi a jogo pelo Sporting.


Rodrigo Battaglia: **

Foi o jogador que participou em mais partidas de todo o plantel (57 jogos) o que, por si só, reflete a importância que teve ao longo da época mesmo não sendo um indiscutível. Battaglia é um poço de força e voluntarismo - qualidades que sabe dosear bem, o que pode ser atestado pelos apenas 9 amarelos que viu em todas as competições -, ainda que nem sempre consiga dar à equipa tudo aquilo que é necessário num 8. Curiosamente ou talvez não, o melhor período que teve foi quando jogou mais recuado, com Bryan Ruiz à sua frente no miolo. Espero que consiga ultrapassar as questões que o envolveram no triste episódio de Alcochete, pois é um jogador que poderá desempenhar um papel ainda mais importante na próxima época.


Bruno Fernandes: ***          

Contratação do ano e estrela da equipa. Teve um impacto imediato na qualidade de jogo do Sporting, em parte beneficiado por praticamente não ter tido férias e iniciado a época com mais ritmo do que a generalidade dos jogadores, mas a sua influência manteve-se elevada praticamente ao longo de toda a época. Quebrou um pouco no final por ter sido fisicamente mal gerido por Jesus - que não só não o poupou em muitas situações que assim o justificava, como também pelos papéis que lhe atribuiu em campo. Ainda assim, foi uma época brilhante: a folha estatística é impressionante (16 golos e 20 assistências) e foi recheada de muitos momentos que fazem levantar qualquer estádio. Não só é para manter para o ano: é a peça central à volta da qual a equipa tem de ser construida, e tem um perfil adequado que justifica que lhe seja atribuída a braçadeira de capitão.


Bruno César: **
2016/17: **
2015/16: **

Mais uma vez foi um jogador extremamente útil pela sua polivalência. Importante na primeira metade da época - e em particular nos jogos de maior exigência, brilhando na Liga dos Campeões -, foi perdendo espaço a partir de dezembro até ter contraído uma lesão que lhe acabou com a épca em março.


Bryan Ruiz: **          
2016/17: *
2015/16: ***

Afastado do grupo de trabalho durante a primeira metade da época, foi reintegrado progressivamente a partir de novembro até assumir um papel principal em fevereiro. As pernas frescas valeram-lhe boas prestações na posição 8, ainda que não seja um jogador talhado para funções tão exigentes fisicamente. Acabou o contrato e deverá continuar a carreira noutras paragens. Ainda que tenha ficado marcado por aquele falhanço e esgotado a paciência de muitos adeptos pela sobreutilização que Jesus lhe deu - em particular em 2016/17 -, é um jogador que, pelo menos a mim, deixará saudades pela classe que demonstrou ter, quer dentro quer fora de campo.



Alan Ruiz: *
2016/17: *

Tinha esperanças que conseguisse retomar a boa forma que demonstrou em parte da 2ª volta de 2016/17. Ao contrário da sua primeira época, chegou em boas condições físicas à pré-época e pensei que pudesse aproveitar esse balanço e a melhor adaptação ao clube para conseguir demonstrar as suas qualidades. O problema é que... não conseguiu, muito longe disso, e não foi por falta de oportunidades. Lento a decidir com a bola nos pés e defende só quando lhe apetece, o que faz com que seja um jogador perfeitamente inútil em campo. Esgotou a paciência dos adeptos e acabaria, também, por esgotar a paciência da única pessoa que ainda acreditava nele: o treinador. Um flop completo que poderá estar de volta em dezembro de 2018.


Mattheus Oliveira: *

Mattheus foi uma contratação que levantou alguma polémica. Nada nas suas características gerava confiança nas suas possibilidades de afirmação num clube como o Sporting - ainda mais num sistema de jogo como o de Jesus. Dos poucos minutos de competição que teve, a maior parte foi contra equipas de escalões inferiores... e nem aí conseguiu demonstrar capacidade que justificasse minutos em desafios mais exigentes. Um erro de casting previsível, pelo que não surpreendeu o empréstimo ao V. Guimarães em janeiro.


João Palhinha: -

Teve uma utilização demasiado esporádica para poder demonstrar o que pode fazer. Verdade seja dita que havia muita concorrência para a sua posição (William, Battaglia, Petrovic), mas acabou por ser um ano perdido. Mais valia ter sido emprestado.



Radosav Petrovic: *
2016/17: -

Mais uma época com poucos minutos. As oportunidades que teve como médio defensivo nunca foram aproveitadas, e acabaria por ser como defesa central que teve os seus melhores jogos. Há que dizer que a sorte também nunca o protegeu - como esquecer a sua absurda expulsão contra o Moreirense que viria a ser despenalizada pelo CD? -, mas está mais que visto que não tem valor para continuar por cá.


Wendel: -

É incompreensível que Jesus lhe tenha dado tão pouco tempo de jogo, considerando o esforço que a direção fez na sua contratação. E não se pode dizer que fosse um capricho da direção, porque, efetivamente, foi visível ao longo da época que precisávamos de um médio mais capaz nas tarefas de transporte de bola. Do pouco que se viu, Wendel tem essas competências que, por mesquinhez ou teimosia - o treinador não quis aproveitar.


Misic: -

Diz quem o conhece que é um médio centro posicional com boa capacidade de passe e especialista nas bolas paradas. Quem não o conhece não teve oportunidade de comprovar nada disto, face à escassez de utilização. Pior: quem conseguir entender por que razão Jesus o colocou a médio ala na final da Taça, que me explique.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Um pequeno-grande passo

Longe vão os tempos em que ficava com um nervosismo quase incontrolável nas horas que antecediam jogos da Liga dos Campeões contra grandes clubes europeus. A conjugação das pesadas derrotas com o Bayern naqueles fatídicos oitavos-de-final e da prolongada ausência do Sporting da competição nos anos que se seguiram, ajudaram a cultivar um trauma profundo na psique coletiva sportinguista que marcava invariavelmente presença - e em força - neste tipo de jogos. Gradualmente, com a capacidade demonstrada pelo Sporting para defrontar os maiores emblemas europeus de olhos nos olhos nas últimas participações do Sporting na Liga dos Campeões, esse nervosismo pré-jogo foi baixando para níveis normais. Faltava, no entanto, materializar a qualidade exibicional e a atitude competitiva em algo mais que derrotas tangenciais.

Ontem foi o dia. Não vencemos, é certo, mas não há nada a apontar à exibição da equipa. Numa partida globalmente equilibrada e em que não abundaram oportunidades de golo em ambas as balizas, os jogadores do Sporting revelaram ambição e disposição para deixarem tudo em campo. Arrancaram para uma exibição de grande categoria na primeira parte, que valeu uma vantagem merecida no marcador. Na segunda a história foi diferente: a Juventus puxou dos galões de vice-campeã europeia e foi atrás do empate, mas a equipa demonstrou que, apesar das várias ausências por lesão, também sabe sofrer e manter-se coesa sob pressão.





Há empates que podem ser moralizadores, e este é um deles - qualquer análise que se faça ao jogo convém incluir o seguinte facto: o Sporting, sem três quartos da defesa habitualmente titular e sem o seu trinco titular, disputou até final a vitória contra o vice-campeão europeu, que se apresentou em Alvalade na máxima força. E, ao contrário do que tem acontecido nos confrontos com os tubarões europeus nas últimas duas épocas, desta vez... não perdemos. Pode não parecer muito, mas na realidade é um pequeno-grande passo que há muito merecíamos, e que acaba por ser uma consequência da crescente experiência e maturidade que a equipa foi conquistando no confronto com este tipo de adversários.

As segundas linhas a chegarem-se à frente - felizmente, os (legítimos) receios que os sportinguistas tinham à partida para este jogo - devido às ausências de peso anunciadas - revelaram-se infundados: todos os jogadores que entraram no onze, sem exceção, estiveram à altura das exigências. Começo por destacar a grande exibição de Ristovski que, defensivamente, realizou uma partida exemplar e fez esquecer Piccini. Ofensivamente, não foi o jogo mais propício para mostrar o que sabe fazer, mas não foi por falta de tentativa - na primeira parte pediu várias vezes a bola aos colegas, e nas poucas vezes em que esta lhe chegou aos pés, mostrou sempre ter (bom) critério na decisão e execução. Jonathan Silva não comprometeu - o que é uma evolução assinalável em relação às prestações mais recentes -, e saiu-se bem nas difíceis situações de 1x1 face a Cuadrado. André Pinto limpou quase tudo na sua área de ação. No único lance em que foi batido por Higuain, a Juventus marcou, mas era uma jogada muito difícil de anular. Bruno César esteve muito bem enquanto teve pilhas, mas infelizmente esgotaram-se cedo - a partir dos 30 minutos eram visíveis as dificuldades do brasileiro em se reposicionar defensivamente quando perdíamos a bola. Palhinha entrou para o seu lugar e fez aquilo que lhe foi pedido. Sinal de que o plantel do Sporting é mais profundo do que aquilo que se pensaria? É possível que sim, mas há que dar continuidade à sua utilização, através de uma rotação mais criteriosa que lhes dê condições para renderem e não se sentirem elementos estranhos em relação ao resto da equipa.

Os suspeitos do costume - voltámos a ter alguns vislumbres do grande Gelson, o extremo que, para além de ser incansável a ajudar defensivamente o seu lateral, tem capacidade para desequilibrar na frente. O slalom no lance do golo é uma delícia. Battaglia voltou a conseguir anular Dybala, enquanto Bruno Fernandes e Acuña voltaram a aliar uma enorme capacidade de trabalho à arte de construir jogo. Rui Patrício foi mais uma vez decisivo ao evitar um golo certo de Higuain.



Mais uma vez, não se segurou a vantagem até ao fim - tal como em Turim, o Sporting conseguiu estar em vantagem no marcador, mas não a conseguiu manter até final. No caso do jogo de ontem, o golo sofrido acaba por complicar bastante as contas para a qualificação para a fase seguinte da Liga dos Campeões. Não que isso fosse uma obrigação, mas o facto de termos estado tão perto de conseguir a vantagem no confronto direto com a Juventus acaba por deixar um travo amargo num resultado que não pode deixar de ser considerado positivo.

Quebra física - Ristovski, Bruno César foram os primeiros a quebrar, o que acaba por ser natural, se considerarmos a escassa utilização que têm tido. Gelson Martins e Bas Dost acabaram o jogo de rastos. Acuña e Bruno Fernandes, em função do tipo de tarefas que lhes foi exigido e do tempo de competição acumulado nas pernas, também devem ter terminado em dificuldades. Se a Juventus tivesse mantido o ritmo após ter marcado, creio que teríamos passado uns minutos finais muito complicados.



Foi uma noite gira, com um excelente ambiente no estádio, e não farão mal nenhum ao clube os €500.000 que o empate valeu. Mas o mais importante, para mim, foi a transposição daquela barreira psicológica da derrota tangencial contra os tubarões europeus, e também a resposta dada pelos jogadores que habitualmente não são titulares. Há motivos para sentir satisfação com a exibição e o resultado de ontem, mas agora há que recuperar fisicamente e capitalizar o que de bom aconteceu para aquilo que verdadeiramente interessa: a receção ao Braga para o campeonato.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Noite de Taça a sério

São cada vez menos as ocasiões em que podemos dizer isto: em Oleiros houve Taça a sério. Um estádio que se transformou para receber o Sporting, com bancadas repletas para ver uma equipa teoricamente mais fraca em modo de superação contra uma equipa teoricamente mais forte que honrou o adversário, levando a sério o desafio. Festejaram os dois lados, ganhou a melhor equipa, e foi uma bela noite de propaganda do futebol, que seguramente ficará na memória coletiva da vila de Oeiros.

Do ponto de vista do Sporting, genericamente foi tempo bem empregado. Foram dados minutos a muitos jogadores menos utilizados. Alguns aproveitaram bem o tempo disponível, outros nem tanto, apesar de nunca ser possível tirar grandes conclusões de um jogo desta natureza: por um lado, foi a jogo um onze pouco utilizado, o que é um pouco ingrato; por outro, o nível da oposição não oferece as dificuldades que normalmente uma equipa como o Sporting encontra. Ainda assim, há que destacar as três assistências de Podence e os dois golos de Palhinha, e as estreias a marcar de Mattheus Oliveira e, claro, de Rafael Leão, que aos 18 anos fez o seu primeiro jogo oficial pela equipa principal - tornando-se o quarto jogador mais jovem a marcar pelo Sporting no século XXI.


Iuri e Podence renderam mais quando trocaram de posição, Dala pareceu demasiado ansioso para marcar - precisa de mais oportunidades para poder mostrar aquilo que sabe -, e ainda deu para estrear Jovane e Demiral.

Ah, e ninguém se lesionou.

A festa em Oleiros continuou após o jogo, pela noite dentro. Bela noite de Taça. 

sábado, 8 de julho de 2017

Rola a bola!


Empate a um golo contra o Belenenses no primeiro jogo da pré-temporada. Como é evidente, não faz qualquer sentido estarmos a tirar quaisquer conclusões definitivas daquilo que tivemos oportunidade de assistir. De qualquer forma, aqui ficam aqueles que, para mim, foram os destaques pela positiva:

1. Petrovic, após uma entrada em jogo hesitante, conseguiu libertar-se e mostrou velocidade e verticalidade

2. Gelson Dala, Iuri Medeiros e Leonardo Ruiz, a espaços

3. João Palhinha a varrer defensivamente

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Balanço de 2016/17: Médios



William Carvalho: **          
2015/16: **
2014/15: **     
2013/14: ***

Esperava-se que William desse sequência às exibições de elevado nível com que terminou a temporada passada, face ao conhecimento já acumulado do sistema de Jesus. No entanto, o médio teve um ano abaixo das expetativas, já que o melhor William poucas vezes apareceu em campo. Fisicamente, pareceu quase sempre a meio gás, e nem como primeiro construtor teve a preponderância de outras épocas. Pior ainda, foram vários os jogos em que cometeu lapsos que só se podem explicar com falta de concentração. Num sistema de jogo que exige imenso dos médios, creio que o fraco rendimento defensivo da equipa se explica parcialmente pela quebra de forma de William.



Adrien Silva: **          
2015/16: ***
2014/15: **     
2013/14: ***

Peça fulcral do onze de Jesus, Adrien começou a época em excelente forma. A sua importância ficou à vista de todos não tanto pelo que mostrou enquanto esteve em campo, mas principalmente pelo que aconteceu quando deixou de estar - a equipa ressentiu-se profundamente da sua lesão na 1ª volta. Regressou ao onze em dezembro, mas a partir daí nunca mais se viu o melhor Adrien - que viria a lesionar-se uma segunda vez já durante a 2ª volta. Disponibilidade física nunca lhe faltou para o trabalho defensivo, mas esteve uns furos abaixo do que era necessário em tarefas ofensivas: 2 golos (excluindo penáltis) e 2 assistências é muito pouco para um jogador que faz aquela posição. Será que essa quebra de rendimento terá tido alguma coisa a ver com insatisfação por não ter sido transferido no início da época? Não sei, mas ficou-lhe muito mal ter recorrido à comunicação social para fazer pressão para sair.


Bryan Ruiz: *          
2015/16: ***

Ao arrancar para 2016/17, seria impossível imaginar que Bryan Ruiz se transformaria no oposto do jogador influente da época passada. Quem sabe se vítima de mais um ano sem férias, o facto é que o costa-riquenho fez uma época paupérrima, que se tornou insuportável face à insistência de Jesus em colocá-lo em campo, fosse a ala esquerdo, a médio centro ou a segundo avançado. Frequentemente esgotado a partir dos 60 minutos, quase sempre incapaz de fazer a diferença, sem capacidade de explosão ou esclarecimento. Após uma época destas, com apenas mais um ano de contrato e sendo um dos jogadores mais bem pagos do clube, a saída é o desfecho mais lógico. Veremos se a direção o conseguirá vender a outro clube.



Bruno César: **
2015/16: **

A polivalência de Bruno César faz dele, indiscutivelmente, um dos jogadores mais úteis do plantel. Foi utilizado por Jesus em quatro posições diferentes: ala esquerdo, segundo avançado, médio centro e lateral esquerdo. Tirando a posição de lateral esquerdo, em que sentiu dificuldades perante adversários rápidos (e não ajudou o apoio que frequentemente lhe faltou do ala esquerdo), fez as restantes posições com grande competência. Para além disso, é um dos melhores marcadores de bolas paradas do plantel. O facto de ter participado em 42 jogos esta época (só Gelson, com 44, e Coates e William, com 43, tiveram mais presenças) acaba por ser um indicador da falta de profundidade do plantel - para um clube que quer ser campeão, não é bom sinal que um jogador polivalente como Bruno César acabe por ser tão utilizado. De qualquer forma, isso não é responsabilidade sua, e teve uma época bastante positiva.



Elias: *

Regressou ao Sporting para ser a alternativa a Adrien que o clube não tinha. Foi uma contratação que me entusiasmou, porque teoricamente tinha tudo para dar certo. O problema foi a passagem da teoria à prática. Elias nunca foi capaz de dar à equipa o que dava Adrien. Posicionalmente foi um desastre (quase sempre muito recuado a defender e muito adiantado a atacar), parecia que fazia de propósito para estar longe da bola. Sendo um jogador bem pago e com pouco rendimento, o Sporting acabou por vendê-lo em janeiro. Deu para recuperar o investimento, e isso é o melhor que se pode dizer desta época de Elias.


João Palhinha: *

Foi o primeiro jogador a ser chamado de volta do empréstimo face à incapacidade de Petrovic em fazer a posição de médio defensivo na ausência de William. Palhinha foi lançado de imediato às feras e as coisas não lhe correram bem na Madeira e no Porto. De qualquer forma, Jesus continuou a dar-lhe minutos de forma consistente durante cerca de 10 jornadas. Depois esteve vários jogos sem ser utilizado e regressou à titularidade na última jornada. Mostrou algumas qualidades, nomeadamente pela forma (aparentemente) fácil como se impõe fisicamente em relação aos adversários. Não demonstrou, no entanto, grande confiança para sair a jogar - coisa que sabe fazer e que só o tempo lhe poderá dar. Ainda não está pronto para ser titular do Sporting, mas tem todas as condições para fazer parte do plantel na próxima época.



Francisco Geraldes: -

Infelizmente, a única conclusão que se pode retirar da época que Francisco Geraldes fez no Sporting é que foi uma decisão precipitada fazê-lo regressar do Moreirense. O Chico ganhou a Taça da Liga, regressou, e só teve oportunidade de fazer 54 minutos na equipa principal do Sporting, distribuídos por 4 jogos. Demasiado pouco para alguém que demonstrou imensa capacidade como organizador de jogo - coisa que faltou ao futebol do Sporting esta época. Não estou a dizer que Geraldes já está pronto para ser titular - não me parece que esteja -, mas devia ter tido muito mais minutos para ir ganhando experiência. Não me parece que Jesus goste de Geraldes, pelo que me parece que voltará a ser emprestado na próxima época. Espero estar enganado.



Radosav Petrovic: -

Veio para ser backup de William, mas rapidamente se percebeu que não contava para o totobola. A péssima pré-época e o péssimo jogo de estreia em Famalicão retiraram-lhe espaço para ser aposta séria. Ainda jogou contra o Arouca para a Taça da Liga, e aí até nem esteve mal. Foi emprestado ao Rio Ave, onde demonstrou qualidades que andaram escondidas enquanto esteve no Sporting - sinal de que houve ali algum tipo de bloqueio (físico? psicológico?) a impedi-lo de render. De qualquer forma, não me parece que venha a ter espaço no plantel da próxima época.


Bruno Paulista: -

Foi utilizado nas três primeiras partidas oficiais da época, incluindo 22 minutos contra o Porto. Depois saiu das convocatórias e nunca mais foi utilizado. O rapaz tem qualidade. Deve haver uma explicação lógica para o percurso de Bruno Paulista no Sporting, e que seguramente nada terá a ver com questões desportivas. Talvez um dia se venha a descobrir.


Marcelo Meli: -

Quem?

domingo, 2 de abril de 2017

Serviços mínimos

Serviços mínimos: foi isto que o Sporting ofereceu aos seus adeptos em Arouca. A fazer pouco mais de que figura de corpo presente no primeiro quarto de hora, mas acelerando q.b. a partir desse momento para se colocar em vantagem no resultado. A partir daí, a única preocupação da equipa foi controlar o jogo, sem correr quaisquer riscos, o que acaba, do ponto de vista exibicional, por saber a (muito) pouco, considerando aquilo que sabemos que estes jogadores podem fazer.

Verdade seja dita que a partir do momento que o Sporting decidiu parar o jogo, o Arouca não teve qualquer oportunidade verdadeiramente perigosa para chegar ao empate. Mas apesar dessa capacidade de controlar o adversário ter sido evidente, não terá havido nenhum adepto sportinguista totalmente confiante de que a vitória estaria salvaguardada, pois bastava um azar, um momento de desconcentração, ou o lance da vida de um adversário (e sabemos bem que isso acontece demasiadas vezes em jogos nossos) para amargar um final de tarde que tinha tudo - tal era a diferença de qualidade entre as duas equipas - para ser tranquilo.




A resposta ao golo sofrido - depois de uma entrada sofrível em campo, que teve o seu ponto baixo no golo marcado pelo Arouca, o Sporting soube reagir e a partir dos 15' dominou completamente o adversário, chegando frequentemente à baliza de Bolat e dispondo de várias oportunidades para marcar - seja em bola corrida, seja em bola parada. Apesar de a reviravolta no marcador se ter concretizado no espaço de dois minutos, a equipa já tinha feito mais que o suficiente para justificar a vantagem.

Gelson a desequilibrar - foi o jogador mais perigoso do Sporting. Sofreu um penálti não assinalado logo no início da partida, fez um remate para defesa apertada para Bolat, fez uma assistência de cabeça para o golo de Alan Ruiz, e esteve muito perto de marcar no final, quando surgiu isolado perante o guarda-redes do Arouca. Bom jogo do extremo, que também nunca poupou esforços a ajudar a equipa a defender.

Alan Ruiz continua a faturar - mais um golo importante do argentino, que já leva cinco marcados nos últimos sete jogos para o campeonato. Cada vez mais influente na manobra ofensiva do Sporting, ainda que ontem não tenha atingindo um nível de entendimento ideal com alguns dos seus companheiros.

As entradas de Palhinha e Podence - entraram bem, os dois miúdos. Palhinha limpou a maior parte dos duelos e ajudou a manter a bola bem distante da nossa área, enquanto Podence foi capaz de devolver algum rasgo ao futebol do Sporting - destacando-se o passe que desmarcou Gelson na cara de Bolat.



À distància de um momento de desconcentração - não terão partido de Jesus instruções para a equipa congelar o jogo na segunda parte, a avaliar pelo que o treinador disse na flash interview, mas começa a ser um padrão: têm sido demasiadas as partidas em que o Sporting pouco ou nada faz para ampliar a vantagem no marcador para garantir um resultado mais seguro, para se poder considerar como uma circunstância de jogo. É verdade que a equipa se defendeu bem (com destaque positivo para Coates, que fez um grande jogo), com uma pressão intensa ao portador da bola assim que o Arouca se aproximava da linha de meio-campo - mantendo o esférico quase sempre longe da baliza de Rui Patrício -, mas a verdade é que, jogando assim, basta um momento de desconcentração ou uma bola parada fortuita para deitar tudo a perder. A única oportunidade do Arouca na segunda parte surgiu após um mau passe de Bryan Ruiz. Schelotto também teve dois ou três perdas de bola que poderiam ter comprometido. Para além disso, faz-me confusão que não haja vontade nos jogadores para, em posse, acelerar o jogo e ir para cima do adversário para acabar com as dúvidas no resultado. Viu-se na primeira parte que havia capacidade de sobra para o conseguir, mesmo sem obrigar a equipa a jogar nos limites do risco.

O onze inicial - não que tenha ficado insatisfeito com a exibição de algum jogador em particular, mas isto é uma questão que tem a ver com a preparação da próxima época, e que não é nova. Estando o terceiro lugar praticamente assegurado, não percebo a insistência de Jesus em não dar a titularidade a pelo menos um dos miúdos que foram integrados no plantel em janeiro. Jesus disse, no final, que não é uma questão do que os Podences ou Matheus conseguem fazer com bola, mas sim dos conhecimentos táticos que ainda não têm quando o adversário está a atacar. A meu ver isso não faz qualquer sentido, a partir do momento em que a (falta de) disciplina tática sem bola não tem sido impedimento para Alan Ruiz jogar. E se só jogando é que os jogadores aprendem, custa-me a aceitar que não houvesse margem, num jogo destes, para meter ou Matheus ou Podence (ou Gauld, que foi convocado, ou Geraldes, que não foi) de início - até porque qualquer um deles dá uma irreverência que o jogo do Sporting está mesmo a precisar.

A arbitragem - um penálti por assinalar sobre Gelson aos 5' e critério disciplinar desigual nos sururus que houve: Alan Ruiz viu (bem) amarelo por empurrar um adversário, mas o cartão ficou no bolso quando Bolat fez o mesmo a Bas Dost; quando Podence viu amarelo por uma falta dura, foi também empurrado por vários adversários, mas nenhum jogador do Arouca viu cartão.



Quatro pontos recuperados a Benfica e Porto em duas jornadas, que nos deixam a uma distância ainda demasiado grande para ambicionar racionalmente a algo mais do que o segundo lugar, mas suficientemente perto para servir de aviso aos nossos rivais. De qualquer forma, isso não deve alterar a forma como o Sporting deve abordar o resto da temporada: pensar jogo a jogo, para os ir vencendo um a um. No final far-se-ão as contas.

domingo, 12 de março de 2017

Parecem bandos de pardais à solta

Depois de um empate insosso contra o Guimarães - com uma exibição paupérrima na segunda parte e uma equipa que, às tantas, parecia acomodada -, não poderia desejar melhor reação do que aquela que pudemos assistir ontem em Tondela. Reação do treinador, que mexeu (é certo que forçado) no onze e injetou uma tão necessária dose de irreverência, e reação dos jogadores - quer dos habituais titulares, quer das novas apostas -, que resultou numa exibição muito sólida e uma vitória anormalmente folgada (para os padrões desta época).

É verdade que era um jogo contra o último classificado, mas não nos podemos esquecer que este Tondela sempre nos colocou grandes dificuldades: nos três jogos disputados anteriormente, o Sporting vencera apenas um... e nos descontos. Para além de que, no princípio da época, o Tondela conseguiu empatar em casa com o Porto.

Mérito para a equipa, que soube adaptar-se bem ao adversário... e a si própria: percebeu-se perfeitamente a falta de entrosamento no início do jogo, e, qual formação on-the-job, os jogadores a tentarem afinar o entendimento mútuo. E conseguiram-no. À medida que o relógio foi passando, os passes começaram a entrar, as combinações começaram a ter uma maior taxa de sucesso, o domínio foi-se estabelecendo e as oportunidades apareceram. E aparecendo as oportunidades, já se sabe... aparece Bas Dost.




As mexidas no onze inicial - as ausências forçadas de Adrien, Bruno César e Alan Ruiz obrigariam sempre Jesus a fazer alterações na equipa titular, mas não esperava que apostasse simultaneamente em Matheus e Podence. Esse espaço acabou por surgir porque o treinador entendeu recuar Bryan Ruiz para a posição 8. As alterações funcionaram. Notou-se uma óbvia falta de entrosamento entre os jogadores mais avançados, mas, à medida que se foram ambientando, o nível exibicional da equipa foi crescendo. A equipa acabou muito bem a primeira parte, e deu a devida continuidade nos segundos 45 minutos. Bryan Ruiz soube assumir o papel de segundo médio e fez um bom jogo - apesar de o golo do Tondela ter surgido após um mau passe seu -, enquanto Podence e Matheus conseguiram imprimir uma excelente dinâmica ofensiva, ao mesmo tempo que trabalharam muito defensivamente: há muito que não via o Sporting conseguir impor este nível de pressão sobre a linha defensiva adversária.

O poker de Dost - curiosamente foi um dos jogos em que até se mostrou mais perdulário: a determinada altura do jogo já tinha tido quatro ocasiões flagrantes para marcar e apenas concretizou duas. Completou o poker com duas grandes penalidades, e foi uma pena não ter concretizado a terceira. Com estes quatro golos, aumentou para 22 o número de vezes que já fez agitar as redes, ficando, na luta pela Bota de Ouro, empatado em 2º lugar com Aubameyang e Belotti, a apenas um golo do líder Messi.

Parecem bandos de pardais à solta - na transmissão televisiva, de vez em quando viam-se umas andorinhas a esvoaçar sobre o estádio, mas a noite foi do bando de pardais à solta no relvado. Os putos tiveram uma oportunidade para mostrar o que valem, e souberam aproveitá-la da melhor forma. A primeira parte foi toda de Podence, o jogador mais dinâmico em campo. que teve como pontos altos os dois passes de morte para Dost: um concretizado; o outro, brilhantemente picado por cima do defesa, pareceu apanhar o holandês de surpresa. Matheus esteve mais apagado no princípio, acusando a falta de entrosamento e um posicionamento - colado à linha - que lhe é menos favorável. A influência do brasileiro na equipa começou a crescer com o tempo, à medida que começou a pisar terrenos mais interiores. Fez uma excelente segunda parte, com vários bons cruzamentos e uma magnífica assistência para o segundo golo de Dost. Gelson acabou por ser o mais apagado dos três, mas mesmo assim ganhou o penálti que deu o golo da tranquilidade ao Sporting. Palhinha entrou bem, acrescentando agressividade e força ao meio-campo. E Francisco Geraldes estreou-se, entrando numa fase em que ambas os conjuntos já pareciam satisfeitos/conformados com o resultado, mas ainda a tempo de ganhar mais um penálti para a equipa. Uma atuação globalmente muito positiva dos putos, a justificar continuidade na aposta.

A reação ao golo do Tondela - a equipa da casa chegou ao empate completamente contra a corrente do jogo, mas bastou um minuto para o Sporting recolocar-se em vantagem. Foi um golo importantíssimo para manter a serenidade e alcançar a vitória.

A onda verde - mais uma demonstração de vitalidade do clube e dos seus adeptos, que continuam a apoiar a equipa de forma incondicional e ininterrupta. Foi fantástico ver aquelas bancadas cheias, apesar de estarmos tão distantes do primeiro lugar. 



A instabilidade na posição de lateral esquerdo - todos sabemos que as opções existentes para a posição não são convincentes, mas tantas alterações acabam por não fazer bem a nenhum jogador. Hoje, o treinador optou por Marvin Zeegelaar que, excetuando um disparatado passe em balão atrasado que causou calafrios e obrigou Coates a um esforço adicional, fez um bom jogo. Convém referir que Marvin fez ontem, dia 11 de março, apenas o seu 3º jogo a titular em 2017 (em 12 possíveis). Convém haver mais estabilidade na posição.

O penálti falhado por Dost - o único ponto negativo numa noite extremamente positiva.



Vitória expressiva - foi apenas a segunda vez, esta época, em que ganhámos por mais do que um golo em jogos fora de casa -, boa exibição, avalanche de golos de Dost e uma excelente prestação dos miúdos que, perante a oportunidade dada, conseguiram deixar a sua marca bem vincada no resultado. Venham mais destes!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O substituto de Adrien na Amoreira

Quando questionado na conferência de imprensa de rescaldo do Sporting - Rio Ave sobre como iria resolver a ausência por castigo de Adrien na próxima jornada, Jorge Jesus não foi muito concreto na resposta, mas adiantou alguns dos possíveis cenários que andam pela sua cabeça. Falou nas rotinas de posição já adquiridas por Bryan Ruiz e Bruno César, e descartou Francisco Geraldes como opção. Jesus disse que vê o médio recuperado ao Moreirense mais como um ala ou um segundo avançado.

A questão de Geraldes é um tema relativamente sensível porque se trata de um jogador que estava a jogar (e muito bem) no clube para onde o emprestámos para evoluir, e que, regressando à base, custa vê-lo a não ter oportunidades para jogar. Mas a verdade é que, no sistema de Jesus, o papel desempenhado Adrien é absolutamente fulcral para o equilíbrio da equipa. Num meio-campo a dois, este lugar tem de ser ocupado por um médio de elevada rotação, capaz de transportar jogo e ser o primeiro a servir de travão às investidas adversárias. Não tenho dúvidas de que Francisco Geraldes conseguiria substituir Adrien em organização ofensiva - e havendo oportunidades suficientes para se entrosar com os companheiros, não tardaria a fazer melhor do que Adrien -, mas será que tem o que é necessário para o momento defensivo?

Percebo que Jesus o veja como ala ou 2º avançado. Eu, não percebendo nada de futebol, consigo ver Geraldes a fazer o papel que era de João Mário na época passada, mas também a fazer o lugar de Alan Ruiz - agora que joga uns metros mais recuado em relação ao início da época. Como 8 talvez, mas num meio-campo mais povoado.

É claro que, para ser honesto, também nunca vi em Bryan Ruiz as qualidades para fazer a posição - muito menos na péssima forma em que se encontra -, e Bruno César também não atravessa um bom momento. Definitivamente, nenhum dos dois se enquadra na parte da "elevada rotação" que referi atrás. Podem saber como interpretar as ideias do treinador em campo, mas falta a questão da execução.

Se tivesse que apostar, diria que o meio-campo do Sporting na Amoreira será igual ao que acabou o jogo de sábado, ou seja, com Palhinha e William. Apesar de ambos serem médios defensivos, nenhum dos dois se atrapalhará a jogar um pouco mais adiantado no terreno. Não oferecerão o mesmo dinamismo de Adrien com bola, mas serão capazes de garantir maior estabilidade defensiva à equipa. Esperemos para ver o que decidirá Jorge Jesus.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

À atenção dos Barbosas da vida

"O que disse ficou esclarecido. Disse que o Palhinha não levou o guião certo e nas minhas equipas quem passa o guião sou eu. Portanto, a responsabilidade das ideias dos jogadores é minha. Eles executam mas os guiões sou eu que conduzo e transmito. Se disse que ele não levou o guião certo, a responsabilidade é minha. Não lhe transmiti exatamente o que queria. Palhinha é um jovem que vai ter muito futuro"

Jorge Jesus, hoje, na conferência de imprensa de antevisão do Moreirense - Sporting. Mais claro que isto é impossível. As declarações pós-clássico podiam ter sido formuladas de outra forma, é certo, mas bastavam 15 segundos de raciocínio não intensivo para perceber o que o treinador queria dizer ao usar a expressão do guião.

À atenção dos Barbosas da vida.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Jesus e o guião de Palhinha

As qualidades e os defeitos de Jorge Jesus são bem conhecidos pelos adeptos de futebol em Portugal. Dois dos defeitos mais referidos são o ego - com a consequente dificuldade em admitir erros próprios - e a capacidade oratória. Não acho que a capacidade de comunicação de Jesus seja má. Quando não se deixa tomar pelo ego e quando escolhe as palavras com um mínimo de cuidado, é muito eficaz a passar a mensagem que quer. E, quase sempre, a mensagem está totalmente alinhada com a estratégia delineada pelo clube. Tomara que todos os treinadores que passaram pelo Sporting fossem assim.

Não sejamos ingénuos: Jorge Jesus tem estado na mira da comunicação social e da propaganda benfiquista desde que trocou de clube. A partir do momento em que passou a ser treinador do Sporting, têm sido constantes as especulações que envolvem o seu trabalho, o seu caráter e o seu relacionamento com o resto da estrutura. Tem valido de tudo - mas mesmo de tudo - para colocar em causa o treinador: invenções atrás de invenções, e até chegou a haver um caso em que um jornalista mentiu, em plena conferência de imprensa, de forma a obter uma reação mais sensacionalista de Jesus. Esteja o Sporting a atravessar uma série de bons ou maus resultados, não há conferência de imprensa em que mais de metade das perguntas não sejam feitas com o único intuito de meter carvão

Perante uma comunicação social que (de há ano e meio para cá) lhe é abertamente hostil, Jesus responde exemplarmente em 95% das situações. Relembro a forma como soube sempre matar as especulações sobre um hipotético mau relacionamento com Bruno de Carvalho, ou como foi publicamente solidário com a decisão da direção em afastar Carrillo do plantel quando se percebeu que a renovação era impossível.

Claro que é inegável a existência de momentos em que Jesus teria feito melhor em manter-se calado. Na maior parte desses casos foi traído pelo ego, noutros por se ter atrapalhado nas palavras utilizadas, e, nos restantes, por responder com uma franqueza que é cada vez mais rara, em oposição à tendência revelada pela generalidade dos treinadores em escudar-se na hipocrisia ou em lugares-comuns.

O caso das declarações do técnico sobre João Palhinha encaixa-se na segunda hipótese: palavras mal escolhidas. Só ontem vi a flash interview completa, e não tive dúvidas de que Jesus assumiu as responsabilidades pelo mau início de jogo no Dragão. Jesus não crucificou Palhinha. Jesus disse que Palhinha foi para dentro de campo com o guião errado, ou seja, com as instruções erradas. Quem tem a responsabilidade de dar as instruções ao jogador? A equipa técnica, como é óbvio.

Infelizmente, Jesus não usou as palavras certas - se calhar pela falta de hábito que tem em admitir erros próprios - e isso foi o suficiente para alimentar a ânsia da comunicação social, dos rivais, e até de alguns sportinguistas - desiludidos com o resultado e/ou mal informados em relação ao sentido exato da afirmação - em atacá-lo.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

As ações defensivas de João Palhinha contra o Porto

O erro cometido no primeiro golo do Porto marcou, obviamente, o jogo de João Palhinha pela negativa, mas parece-me importante ressalvar que a exibição foi globalmente positiva, sobretudo defensivamente. O médio não fez grandes contribuições para o jogo ofensivo do Sporting - área em que William é muito forte -, mas no que diz respeito ao momento defensivo esteve quase sempre bem.

Palhinha ganhou 75% dos duelos aéreos em que se envolveu, teve sucesso em 75% das tentativas de corte, para além de ter revelado bom tempo de antecipação em algumas interceções que efetuou.



A falha que teve foi num aspeto em que é natural que esteja menos rotinado: no momento de se adiantar para deixar o adversário em fora-de-jogo. Numa posição tão fundamental no sistema de jogo de Jorge Jesus, é normal que haja muitos aspetos a afinar - mas o potencial está lá todo.


Os miúdos a passarem a mensagem certa





terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Troca de passes com João Palhinha

Mais uma edição do "Troca de Passes", uma iniciativa das redes sociais do Sporting, desta vez com João Palhinha. Muito bom!



sábado, 21 de janeiro de 2017

Mais do mesmo

Começa a ser complicado fazer um resumo de um jogo do Sporting sem me repetir. Aquilo que aconteceu no final de tarde de hoje foi uma fotocópia daquilo que tantas vezes aconteceu ao longo da época. Posse de bola tão esmagadora quanto inócua, incapaz de servir em condições o matador que tem lá na frente. Uma defesa demasiado exposta aos contra-ataques quando, do outro lado, está uma equipa minimamente competente nessa vertente do jogo. E começa a ser difícil ignorar que não ajuda ter um guarda-redes que, depois da melhor época da sua carreira, está a atravessar uma prolongadíssima má fase. E, facto também recorrente, a arbitragem foi decisiva, ao anular um golo limpo a dez minutos do fim, que nos poderia ter dado a vitória.




Dost e mais dez - mais um golo na única verdadeira oportunidade que teve para marcar. Também fez a assistência para o golo mal anulado de Alan Ruiz. Marcou 10 golos nos últimos 9 jogos para a Liga, provavelmente em 12 ou 13 ocasiões flagrantes que o resto da equipa lhe proporcionou - uma taxa de concretização impressionante.

A estreia de Palhinha - o jovem médio substituiu William no onze inicial e fez, globalmente, um jogo positivo. Finalmente parece haver alternativa na posição de médio defensivo.



Mais dois pontos levados pela arbitragem - não jogámos tão bem quanto deveríamos? Não. Estamos demasiado vulneráveis na defesa? Estamos. Mas, ainda assim, apesar de tudo, marcámos 3 golos limpos, um a mais do que o adversário, num terreno muito complicado. Fizemos o suficiente para ganhar, mas voltamos ao mesmo: enquanto há uns para quem é suficiente jogar o suficiente, para nós só é suficiente jogar o suficiente que dê para ultrapassar o adversário e os eventuais erros das equipas de arbitragem. Não falamos de um erro qualquer. Alan Ruiz parte bem atrás da linha defensiva, num lance que nem é excecionalmente rápido, mas, na dúvida, o fiscal-de-linha de João Pinheiro anulou o lance. Guimarães, Nacional, Benfica, Braga e Marítimo, cinco jogos em que nos roubaram dez pontos. Curiosamente, a distância que, no final desta jornada, nos separará do líder.

O momento terrível de Rui Patrício - não esqueço nem nunca esquecerei os inúmeros pontos que Rui Patrício deu a ganhar ao Sporting nos últimos anos, mas esta época está a ser terrível. Teve responsabilidade nos dois golos. Mal posicionado no livre que deu o primeiro golo do Marítimo, e tinha todas as possibilidades de se sair e socar a bola no segundo. A percentagem de defesas a remates enquadrados está nas ruas da amargura, seguramente ao nível do pior deste campeonato. Neste momento, na minha opinião, Beto deve ser o titular.



O estádio dos Barreiros é um terreno difícil para qualquer equipa. Considerando o atual momento do Sporting, mais difícil a tarefa se afigurava. A equipa voltou a demonstrar os mesmos erros do passado recente, mas, ainda assim, conseguiu, por duas vezes, sair de uma posição de desvantagem, e só não deu a volta ao marcador por causa da arbitragem. Assim fica difícil inverter o mau momento. Para a semana há mais.

domingo, 5 de junho de 2016

Holidays

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sexta-feira, 20 de maio de 2016

Um possível reforço para o meio-campo

Partindo do princípio que Bruno Paulista é uma carta fora do baralho para a próxima época, parece-me que João Palhinha tem excelentes argumentos para disputar um lugar no plantel. Aqui fica uma pequena amostra do que Palhinha fez esta época no Moreirense.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Renovações e colocações

João Mário

Uma renovação que se impunha, pois falamos de um jogador com um dos salários mais baixos do plantel, apesar do seu estatuto de titular no Sporting, de ser internacional A e vice-campeão europeu sub-21, e de ser um dos jogadores com maior margem de progressão no plantel. É um ato da mais elementar justiça recompensar um jovem da casa que cumpriu um percurso de ascensão que muito poucos conseguem igualar, e que certamente encherá de orgulho a notável Dona Lídia.


João Mário renovou até 2020 com cláusula de rescisão de 60 milhões, tendo dado uma pequena entrevista à Sporting TV sobre o novo vínculo com clube. Aqui fica para quem não teve oportunidade de ver.



Slimani

Estava reservada para o princípio da noite de ontem outra das notícias que os sportinguistas aguardavam com maior expetativa: a renovação de Islam Slimani. Um desfecho feliz que garante que o ponta-de-lança argelino ficará no Sporting de cabeça limpa durante a época que está agora a começar. Mais: é um sinal inequívoco que Slimani confia que se pode desenvolver ainda mais como jogador, certamente com o objetivo de alcançar um contrato ainda melhor do que aquele que conseguiria caso assinasse nesta janela de transferências com um dos clubes ingleses ou franceses que estavam interessados na sua contratação. E isso é outro indício - a par com a rapidez de assimilação dos métodos de Jorge Jesus e da confiança que a equipa exibe em campo - em como existe uma crença real nos jogadores de que esta época poderá trazer importantes conquistas para o clube.

Contrato estendido até 2020, mantendo-se a cláusula de rescisão em 30 milhões. Tratando-se de um jogador de 27 anos com mercado, não fazia sentido que o Sporting fizesse finca-pé numa cláusula de rescisão superior. 30 milhões são uma salvaguarda suficiente dos interesses do clube.


Wallyson

Do ponto de vista do jogador faz sentido que seja colocado num clube (Nice) que lhe permita jogar regularmente numa competição de um nível que até é superior ao que encontraria em Portugal. Existe uma cláusula de rescisão de 15 milhões - que ultrapassa de longe a mais cara aquisição da história do clube francês -, o que significa que precisará de realizar uma super-época para que o Nice decida acionar esse direito. Não é impossível que acabemos por ficar sem o jogador, mas é um valor suficientemente alto para ser improvável.

No que diz respeito às ambições do Sporting para esta época, não creio que estejamos a correr grandes riscos com esta dispensa. É certo que neste momento temos William lesionado, e Bruno Paulista e Aquilani chegaram agora e não há certezas sobre a sua adaptação à equipa. Mas ainda sobram Adrien, João Mário e André Martins. E se tudo correr muito mal em termos de lesões, suspensões e inadaptações, ainda há um menino na equipa B que poderá dar uma perninha de muita qualidade à equipa principal: Francisco Geraldes.

Tenho pena que Wallyson não fique no plantel, mas terá seguramente uma nova oportunidade para se impôr na próxima época. E com muito mais experiência de futebol de topo nas pernas terá muito melhores argumentos para se poder afirmar em definitivo no plantel principal do Sporting.


João Palhinha

Este é para mim o caso que mais desconfiança causa. Não por causa do empréstimo em si, entenda-se. O Moreirense é uma equipa bem comandada que conseguiu praticar na época passada um futebol surpreendentemente positivo considerando os parcos recursos de que dispõe, e nesse sentido João Palhinha ganhará muito em jogar com regularidade numa equipa destas características. E se é bom para João Palhinha, será seguramente bom para o Sporting.

Aquilo que acho mais estranho é o facto de termos contratado Bruno Paulista, um jogador que à primeira vista tem características físicas, técnicas e experiência semelhantes às de Palhinha. Os jogadores de grande potencial são sempre bem-vindos, mas falamos de uma das contratações mais caras do Sporting da presidência de Bruno de Carvalho. O futuro dirá se a qualidade de Bruno Paulista justificará o dinheiro gasto e o afastamento de João Palhinha do plantel.


Rúben Semedo

Tendo sido utilizado na pré-época como uma adaptação de último recurso para tapar as lesões simultâneas de William e Palhinha, era complicado que Rúben Semedo viesse a ter uma utilização significativa. Faz sentido o empréstimo para ter futebol regular de I Liga. Vai para o Setúbal, clube com quem já tivemos a boa experiência de João Mário. Esperemos que Rúben Semedo consiga aproveitar esta oportunidade para desenvolver o muito potencial que todos reconhecemos.


Betinho

Um jogador que está muito longe daquilo que se esperava dele enquanto jogava nas camadas de formação. Infelizmente, os últimos 2 anos foram um desperdício de tempo na sua evolução como jogador. Aos 22 anos está numa fase em que tem que definitivamente que pegar de estaca num clube com ambições mínimas. O Belenenses é por isso uma boa solução para Betinho em virtude do reencontro com Sá Pinto, que foi seu treinador nos júniores. A cedência definitiva com a manutenção de 60% dos direitos económicos parece ser o negócio possível que protege simultaneamente os interesses de Betinho e do Sporting. Espero que tenha sido também assegurada uma cláusula de recompra.