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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Bruno de Carvalho tem de se demitir

Depois de ter ouvido este pedaço da reportagem da CMTV sobre a denúncia feita por Paulo Pereira Cristóvão, Bruno de Carvalho deixa de ter margem para se manter como presidente do Sporting e só tem um caminho: a demissão.

Peço a vossa melhor atenção para este vídeo:








Graças a este magnífico pedaço de jornalismo, ficámos a saber que Tanaka não custou ao Sporting os 750.000 euros que foram anunciados na altura, mas sim 750 milhões! Isto é o caso mais flagrante de gestão danosa que existe na história do futebol mundial, porque com este dinheiro todo poderíamos ter contratado quase todo o melhor XI da FIFA...

Rua, Bruno!

P.S.: justiça seja feita à jornalista em causa: quando falou em 750 milhões, não especificou a moeda ou a unidade de conversão a que se referia. Até se pode dar o caso de ter razão, porque, na realidade, Tanaka custou 750 milhões... de décimos de cêntimo de euro ao Sporting.


sábado, 31 de dezembro de 2016

Tanaka despede-se dos sportinguistas

Poucos dias depois de o Sporting ter anunciado a transferência definitiva de Tanaka para o Kashiwa Reysol, o jogador despediu-se esta manhã dos sportinguistas com uma série de mensagens publicadas no Twitter. Bonita atitude de um jogador de um profissionalismo inatacável, cujo livre marcado frente ao Braga ficará na memória dos adeptos durante muito, muito tempo.









sábado, 21 de maio de 2016

Balanço de 2015/16: Avançados



Islam Slimani: ***          2014/15: ***     2013/14: **

O argelino atingiu um nível que seria impensável há dois anos. A prova viva de que a determinação e espírito de sacrifício podem compensar, em grande parte, as limitações técnicas com que se nasce. Acabou a época com 31 golos marcados, dos quais apenas 2 foram de penálti, e picou o pontou por 9 ocasiões a Benfica, Porto e Braga. Um ponta-de-lança que foi um pesadelo para todas as defesas que defrontou, independentemente de serem equipas de topo ou do fundo da tabela. Uma das grandes figuras do Sporting 2015/16. Provavelmente será transferido. Vai deixar saudades.


Teo Gutiérrez: *

Dois terços de época para esquecer, terminando, no entanto, em bom nível, ao marcar 8 golos nos últimos 8 jogos. Apesar dos 15 golos que marcou, a prestação de Teo foi, na minha opinião, insuficiente. Falamos de um jogador que, sendo o mais bem pago do plantel, esteve longe de corresponder às expetativas da sua contratação. Não só pelo que (não) jogou em grande parte da temporada, mas também por causa das rábulas da sua estadia prolongada na Colômbia e da pressão que fez para sair. Ainda agora a época acabou, e já há notícas de que Teo está a pedir para sair. Se for verdade, é fazer-lhe a vontade perante uma proposta minimamente interessante.



Fredy Montero: *          2014/15: **     2013/14: **

Ninguém nega que Montero tem uma capacidade técnica acima da média, mas fica complicado entregar um lugar no onze a um jogador tão pouco regular. Marcou 3 golos decisivos (Nacional, Braga e Académica) que valeram 3 importantes vitórias, mas foram bastante mais os jogos em que pouco acrescentou em campo. Considerando a sua situação no plantel e as necessidades financeiras do clube, compreende-se a sua venda.


Junya Tanaka: *          2014/15: *

Apesar de bom profissional e de ser um grande marcador de livres, o japonês não é jogador com nível suficiente para o Sporting. Não sendo bem ponta-de-lança, não sendo bem extremo, não sendo bem médio ofensivo, ficava complicado encaixá-lo onde quer que fosse.


Hernán Barcos: *

Provavelmente, a única contratação do mercado de inverno que não acrescentou nada ao plantel. Contra ele jogava o facto de estar há mais de dois meses sem competição. Jesus foi-lhe dando minutos de forma inconstante, mas nunca correspondeu. Ficaram mais na memória os lances em que se atrapalhou do que qualquer outra coisa que tenha feito com qualidade. Tenho muitas dúvidas que seja o jogador de que precisamos para substituir Slimani. Em função da conjuntura negativa em que chegou ao Sporting, talvez mereça a oportunidade de se mostrar na pré-época, mas não acredito que isso chegue a acontecer.


Bryan Ruiz: ***

Sobre Ruiz já escrevi tudo aqui (LINK). 


Carlos Mané: *          2014/15: **     2013/14: **

Não foi ainda a época de explosão de Mané, que poucas vezes conseguiu aproveitar as oportunidades que lhe foram dadas. É natural que, após 3 anos na equipa principal, se levantem dúvidas sobre se conseguirá alguma vez afirmar-se como solução de primeira linha para um clube com o Sporting. Considerando as notícias que davam interesse de clubes alemães na janela de transferências de inverno, o mais provável é que seja cedido. 


Gelson Martins: **          

A sua inclusão no grupo de trabalho foi, provavelmente, a maior surpresa no início da época. Um jogador com capacidade para desequilibrar graças à sua velocidade e capacidade de drible, revelou no entanto dificuldades iniciais no momento de definir. Com o avançar da época, foram visíveis os progressos quer ao nível da decisão, quer no à-vontade para jogar em espaços interiores. Um projeto de jogador que, para já, está no bom caminho. Tem tudo para explodir em 2016/17.


Matheus Pereira: *

Um craque em potência. Esteve bem na generalidade dos jogos em que participou, mas acabou por ter direito a menos minutos do que Gelson, o que, confesso, me surpreendeu, pois via em Matheus maiores probabilidades de afirmação. Dúvida para a próxima época: manter no plantel, jogando menos, ou emprestar a um clube de I Liga para ganhar experiência? Se a opção for a segunda, 80% dos clubes vão esfolar-se para poderem contar com ele.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O fecho de mercado

Resumindo, foram estas as movimentações na equipa principal e excedentários:

SaídasMontero, Tanaka, Labyad, Sacko, Rosell, Cissé, Diogo Salomão, Marcelo Boeck, Viola, Jonathan

Entradas: Barcos, Coates, Rúben Semedo, Zeegelar, Bruno César, Schelotto (e Tomas Rukas e Canhembe para a B)

Dúvidas: Teo, Ewerton (os mercados brasileiro, chinês, russo e turco continuam abertos)



Fredy Montero 

Foi transferido por €5M para o Tiajin Teda, com o Sporting a manter 20% do passe, ao que parece como parte de um pacote que também trouxe Hernán Barcos para Lisboa. É seguramente a transferência que mais reações negativas gerou entre os sportinguistas.

Financeiramente, parece-me um bom negócio. Montero tem 28 anos, seria a 4ª alternativa do plantel para a posição de ponta-de-lança (assumindo que Teo fica), pelo que os €5M acabam por ser um valor bastante interessante para o Sporting. Convém não esquecer que a SAD estava obrigada a vender para compensar o aumento dos custos com pessoal. Entre vender um suplente e um titular, parece-me óbvio que é preferível vender um suplente.

Desportivamente, todos reconhecem o talento de Montero. O problema é que esse talento aparecia de forma demasiado esporádica para ser titular do Sporting, para além de ter pouca presença de área para ser o ponta-de-lança de que precisávamos. Foi muito útil em vários jogos, é verdade - incluindo no último sábado -, mas parece-me que faz sentido que o clube prefira contar com outro jogador com características que lhe permitam efetivamente lutar pela titularidade, coisa que o colombiano já não conseguia.

Sentimentalmente, custa vê-lo partir. Montero foi o protagonista do inesperado ressurgimento do Sporting (de Leonardo Jardim) logo após a pior época da história do clube. Estreou-se em Alvalade com um hat-trick (um dos golos foi de levantar o estádio) e teve um início de temporada espantoso que catapultou o Sporting para a liderança isolada. Apagou-se na segunda metade da época e nunca mais foi um titular indiscutível. Ainda assim, foi fundamental na conquista da Taça de Portugal. Durante os dois anos e meio que esteve connosco teve sempre um comportamento correto e profissional. Como tal, vai deixar saudades.



Junya Tanaka

O japonês era uma figura querida em Alvalade, mas é fácil perceber que não contava para Jorge Jesus. Conseguiu uma média de golos marcados interessante, para os poucos minutos que acabou por jogar. Ficará na memória de todos os sportinguistas o golo que marcou em Braga. Foi emprestado por uma época e meia, coincidindo com o resto do contrato, o que significa que não deverá voltar ao Sporting.



Labyad e Viola

Dois jogadores com vencimentos elevadíssimos, era urgente a sua colocação para reduzir a folha salarial da SAD. Viola já se tinha desvinculado do Sporting em janeiro, enquanto o marroquino foi ontem emprestado ao Fulham durante 6 meses, com o clube inglês a ficar com a opção de estender o empréstimo por mais um ano (o que coincidiria com o fim do contrato do Sporting). Duas boas notícias para as finanças do clube. 


Rosell, Cissé Sacko

Três erros de casting que foram cedidos até ao final da época. Rosell vai para o Guimarães, tendo o Sporting recebido em troca o direito de preferência sobre o guarda-redes Miguel Silva e Alexandre Silva. Na prática, estes direitos de preferência significam muito pouco. Continuarão a ser sempre os jogadores a decidir o clube para onde seguirão numa eventual transferência. Cissé foi emprestado ao Setúbal, e Sacko ao Sochaux, da 2ª divisão francesa.


Diogo Salomão

Um problema antigo que foi finalmente resolvido, com a sua transferência definitiva para o Maiorca.


Marcelo Boeck

Foi por empréstimo para o Chapecoense até ao final da época, com mais um de opção. Não se compreende por que motivo a direção decidiu renovar com Marcelo, quando já era evidente que o seu rendimento desportivo deixava muito a desejar. Assumindo que o Chapecoense aciona a opção, ficará no Brasil até 31 de dezembro de 2017. Ficará então a faltar 6 meses para o final do contrato com o Sporting.


Hernán Barcos

É um jogador com características semelhantes às de Slimani: muito forte fisicamente e móvel, talvez mais forte a finalizar que o argelino. No entanto, é preciso saber se o Barcos que vem para o Sporting é o melhor Barcos, ou se a sua passagem pela China o fez perder as capacidades que mostrou ao serviço do Palmeiras e do Grémio. Contra si tem o facto de fazer 32 anos em abril e estar sem competir há mais de dois meses. Uma boa adaptação ao clube e ao sistema de Jesus e uma rápida recuperação dos índices físicos serão fundamentais para poder ser um fator diferenciador no que resta desta época.


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Balanço de 2014/15: Avançados



Fredy Montero (**)

Época intermitente em que acabou por conseguir uma média de golos interessante. Confirmou-se que não é homem para ser o ponta-de-lança num sistema de 4-3-3, por gostar de participar demasiado na construção e menos na finalização. Promete encaixar bem melhor num eventual sistema 4-4-2 de Jorge Jesus, onde a sua inteligência e capacidade de remate de meia-distância serão seguramente mais-valias melhor aproveitadas.


Islam Slimani (***)

A época começou da pior forma com a birra que o afastou do onze nas primeiras duas jornadas. Depois de resolvido esse assunto esteve em excelente plano. Podem apontar-lhe vários defeitos, mas mesmo estando numa fase mais desinspirada consegue ser sempre útil à equipa. Um autêntico mouro de trabalho que nunca dá um lance por perdido e desgasta as defesas adversárias, e que está sempre disponível para recuar no apoio à construção e disparar de imediato na direção da área para finalizar. A conquista da Taça de Portugal deveu-se muito à sua raça e vontade. Não fosse a longa lesão contraída na CAN e poderia ter tido números fantásticos.


Junya Tanaka (*)

Tirando aquele golo em Braga, não conseguiu deixar a sua marca. O facto de ter tido uma utilização irregular não ajudou, mas a verdade é que não é o ponta-de-lança (que não é a sua posição, na realidade) de que o Sporting precisa, apesar do seu bom pontapé. Mesmo assim é justo referir que conseguiu uma boa média de golos.


André Carrillo (***)

Ao fim de 3 épocas no Sporting, esta foi a da total afirmação do peruano. Conseguiu finalmente aliar a genialidade à regularidade, e foi confortavelmente o líder das assistências. Se renovar será um enorme reforço para a próxima temporada.


Nani (**)

A sua vinda para o Sporting foi a grande surpresa da época e não demorou muito tempo para corresponder às nossas melhores expetativas. Conseguiu ser o principal desequilibrador da equipa mais pela forma como pensava o jogo do que pela explosividade das ações, elevando claramente o patamar exibicional coletivo para outro nível. Passeou classe até à sua lesão no Bessa. Infelizmente, o Nani que regressou algumas semanas depois não foi o mesmo. Apesar de ter conseguido marcar a diferença em vários jogos, esteve muito longe do brilhantismo que revelou antes. De qualquer forma deixará saudades.

 
Carlos Mané (**)

Apesar de não ter tido a evolução que se esperava do ponto de vista exibicional, Mané teve números muito interessantes (9 golos e 4 assistências). Parece atravessar uma fase de indefinição em relação à posição que deve ocupar em campo, mas justifica que se continue a apostar nele. Teve o seu momento mais alto ao marcar o golo do empate na Choupana, na 1ª mão das meias-finais da Taça, numa altura em que jogávamos em inferioridade numérica, abrindo-nos as portas para as finais. E na final da Taça esteve também em muito bom nível desempenhando um papel mais defensivo.



Diego Capel (*)

Mais uma época dececionante. O salário elevado que aufere aconselha que se encontre outro clube para prosseguir a carreira. 

Heldon (-)

Fez a primeira jornada como titular mas teve uma exibição desastrada que o retirou das opções de Marco Silva. Pode ser um jogador muito útil para equipas que procurem explorar o contra-ataque, mas não encaixa bem em equipas obrigadas a jogar contra adversários muito fechados.

terça-feira, 28 de abril de 2015

As alternativas a somar

Aquilo que vimos hoje em Moreira de Cónegos vincou bem a diferença que a eficácia na finalização consegue fazer na história de uma partida. Apesar de o Sporting ter realizado uma primeira parte de fraca qualidade exibicional, o facto de ter convertido as três oportunidades de que dispôs orientou uma vitória que se esperaria à partida mais complicada. De qualquer forma lá tivemos o momento de desconcentração da praxe que impediu que os jogadores fossem para o intervalo com o jogo morto e enterrado, "compensando" um golo mal anulado ao Moreirense momentos antes. A segunda parte trouxe um Sporting mais dinâmico e que chegou com mais facilidade à baliza do pai de Diego Marafona (adoro o nome que o GR do Moreirense deu ao filho) num jogo que andou demasiado partido para meu gosto. A entrada de João Mário acabou com os lançamentos feitos da linha do meio-campo para as costas da nossa defesa - e que causaram vários arrepios -, devolvendo-nos o controlo do jogo. Mas o que fica para a história é o facto de a partida ter ficado decisivamente marcada por um conjunto de jogadores habitualmente suplentes, que souberam aproveitar da melhor maneira a oportunidade que lhes foi dada por Marco Silva.



Positivo

Noite de Montero - o colombiano esteve nos quatro golos do Sporting, marcando dois e assistindo (parece-me que inadvertidamente) Mané e Tanaka nos outros dois. Mas mesmo que as assistências tenham mesmo sido resultado de um remate mal direcionado e de um mau domínio de bola, há que dizer que aconteceram porque Montero esteve presente na área - coisa que raramente acontece quando jogamos em 4-3-3.

As alternativas a somar - golos de Mané, Montero e Tanaka, uma boa exibição de André Martins, e até Capel picou o ponto nos poucos minutos em que esteve em campo ao fazer um cruzamento certeiro para o 4º golo.

O regresso de Ewerton - muito bem no jogo aéreo e concentrado nas dobras, dá de facto uma outra serenidade à nossa defesa.

A pujança de William - tirando uns passes mal medidos e a paragem cerebral que teve ao bombear na vertical uma bola que se deslocou uma distância total que se equipara mais ou menos ao lançamento do primeiro drone português, limpou uma série de investidas do Moreirense e ainda protagonizou um punhado de jogadas de grande nível, onde pôde exibir toda a sua força e visão de jogo. 


Negativo

Shut down after finishing task - a equipa do Sporting parece uma daquelas aplicações informáticas que tem uma opção que desliga automaticamente o computador após uma tarefa longa ficar concluída. O problema é que no caso do Sporting a máquina se desliga numa altura em que a tarefa não está mesmo finalizada, apenas bem encaminhada. Penafiel: 2 golos nos primeiros minutos, shut down, segue-se uma expulsão e o 2-1, e o 2-2 apareceu um pouco mais tarde; Boavista: golo aos 15 segundos, shut down, golo sofrido uns minutos depois, expulsão no final da primeira parte. Moreirense: 3-0, shut down, um golo mal anulado ao adversário e 3-1 uns minutos depois. O que nos tem valido é que ainda temos conseguido ir a tempo de reiniciar o computador para terminar o trabalho em tempo útil. Mas há que fazer alguma coisa para evitar este tipo de situações. Jogo morto é para ficar morto até ao fim.

Alguns habituais titulares a subtrair - nomeadamente Nani e Jefferson. Foram poucas as ações que lhes saíram bem, o que tem sido um padrão nas últimas semanas. Se calhar também já descansavam, Marco...



Ainda não confirmei os números, mas parece-me que a questão exibicional do Sporting está a ser um paradoxo: apesar de a qualidade do futebol estar claramente em queda (comparando a primeira volta com a segunda), a percentagem de pontos alcançados está a subir. Coincidência, ausência de jogos europeus, ou consequência de algo mais?

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Olegário não quer que vença

Mal foi conhecido o onze escolhido por Marco Silva, seria difícil esperar um espetáculo de antologia por parte de uma equipa que deixava de fora três dos seus jogadores mais importantes: Nani, William e Slimani. As opções de Marco Silva são compreensíveis - a gestão física do plantel é uma necessidade -, mas nada fazia prever o péssimo início de partida a que assistimos, digna de um conjunto de 11 indivíduos desconhecidos colocados a jogar juntos pela primeira vez sem qualquer tipo de preparação. Mas progressivamente a equipa lá foi acertando as agulhas e acabou a primeira parte a dominar por completo a partida, alcançando dois golos sem resposta.

Só que, à boa maneira do Sporting 2014/15, o conceito de jogo resolvido não existe, permitindo logo após o reatamento da partida um golo ao adversário. Partida relançada, que deu espaço para o surgimento do furacão Olegário que marcaria de forma incontornável os acontecimentos até ao final. 



Positivo

Mané no meio - não se pode dizer que o rapaz tenha feito uma exibição de encher o olho, mas o que é facto é que Carlos Mané voltou a picar o ponto, acrescentando mais um golo ao seu pecúlio. Com o passar do tempo, parece cada vez mais evidente que é um desperdício tê-lo apenas encostado a uma faixa, onde invariavelmente tem prestações pouco memoráveis. Hoje mais uma vez destacou-se sobretudo pelo que fez no centro do terreno: o golo, num belo gesto técnico, e um par de iniciativas à entrada da área que partiram a defesa do Setúbal. E acabou por ter indiretamente influência no golo de Tanaka, já que era Mané a referência de ataque naquele lance. Aliás, parece mais talhado para ser um 9 do que o próprio japonês.

O renascimento de Miguel Lopes - mais uma assistência e novo jogo competente do número 13 do Sporting. Tem sabido aproveitar o que quer que se esteja a passar com Cédric, justificando a titularidade com uma consistência exibicional que ainda não tinha demonstrado desde que passou a equipar de verde e branco. Muito ativo a apoiar o ataque, como tem sido norma, e mais certo a defender do que é costume.

E o Tanaka já marcou - mais um bom golo, que acaba por ser muito revelador do jogador que é. A qualidade do seu pontapé é notável, mas infelizmente é inversamente proporcional ao à-vontade que demonstra dentro da área como homem mais adiantado. Sendo bastante mais útil fora da área do que lá dentro, isso torna-o um problema num sistema em 4-3-3. Hoje, apesar disso, conseguiu deixar a sua marca.


Negativo

A arbitragem - um desastre. É caso para dizer que o Sporting conseguiu ganhar APESAR de Olegário Benquerença. A expulsão de Venâncio foi correta (devia ter visto vermelho direto em vez de segundo amarelo), mas o árbitro aparentemente ficou de consciência pesada porque quis compensar o Setúbal à primeira oportunidade, expulsando Ewerton de forma inqualificável três minutos depois. Teve um critério de exibição de cartões absolutamente tendencioso - tolerância zero para o Sporting e rédea solta para os setubalenses. O Sporting viu 6 amarelos e 1 vermelho em 17 faltas cometidas (alguns deles tremendamente forçados), o Setúbal viu 1 amarelo e 1 vermelho (com vários por mostrar) em 15 faltas cometidas. Felizmente que a sua carreira está a chegar ao fim - só espero que não se lembrem de o premiar com a final da Taça.

Os primeiros minutos em cada parte - os primeiros dez minutos de jogo foram de uma pobreza exibicional confrangedora. O Setúbal parecia um colosso europeu tal a nossa falta de capacidade para passar o meio-campo com a bola controlada. A oportunidade de Paulo Oliveira pareceu despertar a equipa, que acabou por fazer um resto de primeira parte de bom nível, justificando a confortável vantagem com que saiu para o balneário. Incrivelmente, a entrada para a segunda parte conseguiu ser ainda pior que a primeira...

Segurem a bola, porra! - desta vez a generalidade da equipa soube fazê-lo nos últimos minutos para segurar o resultado, sacando faltas e parando o jogo sempre que havia oportunidade para isso, mas tinha que vir um jogador armado em esperto a tentar ser o herói e que quase deitou tudo a perder. Desta vez foi Jefferson: aos 92 minutos tentou ganhar a linha e cruzar para Slimani, mas entregou ao adversário, que aproveitando o desequilíbrio do Sporting só não marcou por falta de cabeça fria de Lupeta. Marco Silva ficou furioso, e com toda a razão.

Descanso para Adrien, já - a roleta marselhesa que fez foi deliciosa, mas o passe que fez logo de seguida foi a imagem do resto da sua exibição: desinspirada e inconsequente. Foi raro o passe que acertou no último terço do terreno, acumulando disparates atrás de disparates que revelam o mau momento que atravessa. Compensa com esforço e dedicação inexcedíveis, tendo acabado a partida completamente esgotado. É provavelmente o jogador do plantel que mais precisa de descanso.



Vitória justa com uma exibição q.b. recheada de obstáculos auto-infligidos e de origem externa. Não há descanso para o sportinguista. 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Missão cumprida com um rasgo de génio

Perante o desgaste evidenciado por uma boa parte da equipa titular e perante a proximidade de 3 jogos que poderão definir o nosso futuro em 3 competições diferentes, Marco Silva decidiu fazer - e bem - uma mini-revolução no onze que subiu ao relvado para defrontar o Gil Vicente. No entanto, isso acabou por não mudar aquilo que já é uma irritante imagem de marca do Sporting desta época: uma primeira parte murcha e pouco intensa, passada demasiado longe da área adversária e com poucas ocasiões de perigo.

A equipa regressou dos balneários com outra atitude, intensificando a pressão e acelerando as ações ofensivas, explorando com mais insistência o corredor central para criar desequilíbrios, e acabando por conseguir uma segunda parte agradável de seguir, tendo como ponto alto a obra de arte de Nani - que por si só valeu a deslocação ao estádio.

A própria reação de Nani ao golo que marcou deixa adivinhar um efeito psicológico positivo que poderá ser muito importante para o jogador, e que pelo peso que tem na equipa poderá contagiar outros que têm andado um pouco abaixo daquilo que sabem fazer. E como seria importante que isso acontecesse neste momento...




Positivo

O golo de Nani - um remate absolutamente extraordinário que conquistou um lugar na galeria dos melhores golos da época. Mas houve mais Nani que isso. Fez o desvio ao 1º poste para o golo de Tanaka, e só não marcou em duas outras ocasiões porque o Gil Vicente tinha um enorme guarda-redes na baliza. Mesmo estando ainda afastado das melhores exibições que já lhe vimos realizar esta época, acabou por ser fundamental na obtenção da vitória.

João Mário a 8 - calhou-lhe fazer o papel de Adrien e saiu-se bem. Aliás, arrisco a dizer que se saiu melhor do que Adrien se sairia se tivesse jogado. Para além de ter cumprido defensivamente - apesar de não ter sido um jogo exigente nesse aspeto - e de ter sido o jogador esclarecido a que nos habituou, nunca teve medo de subir no terreno e ajudar a aumentar a presença na área. É uma opção a rever em futuros jogos com estas características. E esteve muito bem ao afastar William do árbitro quando este protestava uma decisão absurda.

A dupla de centrais - mais uma exibição de qualidade de Paulo Oliveira e Tobias Figueiredo. Num jogo em que o volume ofensivo adversário foi escasso, revelaram enorme utilidade para o coletivo ao fazerem bem a pressão mal os jogadores mais adiantados do Gil recebiam a bola em lances de potencial contra-ataque.

Oportunidades bem aproveitadas - Tanaka e Miguel Lopes aproveitaram bem a titularidade. O japonês marcou um golo pleno de oportunismo, fez uma excelente assistência de peito para João Mário e quase bisava perto do final (grande defesa de Adriano), e teve outros bons pormenores ao longo do jogo. Perante tal eficiência na área, apenas me pergunto por que motivo tem tanta tendência para pisar outros terrenos mais afastados da baliza. Miguel Lopes fez uma primeira parte sofrível, mas melhorou imenso na segunda parte com várias iniciativas que levaram perigo para a baliza do Gil Vicente. Acabou por estar ligado ao monumento de Nani ao marcar o lançamento de linha lateral. André Martins esteve bastante ativo na primeira parte, baixando de rendimento na segunda, mas arriscou pouco ao nível do passe e quase nunca entrou na área. Precisa de fazer mais se quer ser opção para aquela posição.

42098 - quantos clubes em Portugal colocariam 42098 espectadores (de carne e osso, não falo de espectadores-fantasma que outros se habituaram a registar nas suas assistências) no estádio quando a equipa está a nove pontos da liderança e vem de uma série de três jogos sem ganhar? Eu respondo: um, o Sporting. Imaginem como será quando recomeçarmos a ganhar títulos com regularidade.  

Adriano e a atitude do Gil Vicente na primeira parte - na 2ª volta ainda não tínhamos recebido um adversário que não viesse apenas para o pontinho e que não abusasse do antijogo em todas as ocasiões possíveis. O Gil, dentro das suas limitações, tentou jogar e nunca recorreu a expedientes de equipa pequena para fazer avançar o relógio. E o que é facto é que, mesmo jogando de uma forma positiva, conseguiu ir para o intervalo com o mesmo resultado que os outros - muito por culpa de Adriano Facchini, que impediu a goleada com uma enorme exibição. Sempre simpatizei com o Gil Vicente - não é clube que se dobre para prestar vassalagem aos donos deste futebolzinho e faz o seu percurso de uma forma digna - e fico a torcer para que consigam a manutenção.


Negativo

A intensidade colocada na primeira parte - não é novidade nenhuma no Sporting 2014/15, mas o que é facto é que voltou a acontecer. Lentidão na circulação de bola, pouca acutilância na aproximação à área, pressão demasiado ligeira no meio-campo adversário. Apesar de ter sido o suficiente para controlar totalmente a partida, foram demasiado escassas as oportunidades de golo criadas para um jogo destas características.

O risco de colocar William - notou-se claramente que William começou o jogo com demasiadas cautelas na abordagem aos portadores de bola adversários. Ameaçava ser menos um a defender, mas felizmente com o decorrer da partida conseguiu encontrar o equilíbrio certo entre a agressividade defensiva e as cautelas para não ver amarelo. Mesmo assim, esteve muito perto de ver o amarelo por protestos depois de uma decisão incompreensível do árbitro. Jorge Ferreira não perdoaria.



O nível exibicional poderia ter sido mais constante, mas o importante é que regressámos às vitórias - e com direito a um golo estrondoso que ficará na memória dos sportinguistas durante muito tempo (Nani já nos tinha oferecido outra prenda deste calibre contra o Maribor). Pelo meio ainda deu para gerir o plantel sem perder qualquer jogador para o jogo com o Porto. Missão cumprida.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Dentro das expetativas

Mesmo tratando-se de uma equipa composta por jogadores que não são da primeira linha do clube, é evidente que o resultado de hoje fica bastante aquém do exigível. Depois de marcarmos cedo através de uma oferta de um adversário e de ficarmos em vantagem numérica ainda durante a primeira parte, é difícil de compreender como foi possível deixarmos o Setúbal empatar e não conseguirmos concretizar sequer uma das muitas oportunidades que tivemos para marcar. O nosso destino na competição depende agora de terceiros, algo que fica dentro das expetativas que a maior parte de nós tinha quando foram conhecidos os grupos da Taça da Liga.

Do jogo de hoje não há muitas notas positivas a retirar: gostei mais uma vez de Wallyson e pareceu-me que Rabia fez um jogo bastante seguro. No lado das desilusões esteve Tanaka, que não conseguiu sequer fazer um remate de perigo nas muitas oportunidades de que dispôs. A sua desinspiração esteve longe de ser um caso isolado na equipa, mas foi mais uma vez evidente que, à semelhança de Montero, não é jogador para ser colocado sozinho na frente.

Como também se esperava, estes quatro jogos foram bastante úteis para percebermos melhor com quem podemos ou não contar para as provas realmente importantes. Sarr não garante os mínimos de segurança necessários para poder fazer parte do plantel principal, enquanto que Tanaka, Rosell e André Martins desperdiçaram as oportunidades que tiveram para se mostrarem como alternativas reais para o onze titular. Slavchev, Geraldes e Rabia deram alguns sinais de vida, enquanto que Podence e Esgaio tiveram alguns momentos positivos - mas precisam de passar para outro patamar competitivo para poderem fazer parte do plantel principal em definitivo.

Em contrapartida, creio que ganhámos três jogadores para o futuro imediato. Tobias conquistou em definitivo um lugar no plantel principal, enquanto que Gauld e Wallyson mostraram que podem seguir o mesmo caminho já. Aliás, não compreenderei se Marco Silva não lhes der oportunidades a curto prazo no banco de suplentes e minutos em função das ocorrências da partida. Parece-me que neste momento merecem estar na rotação do plantel à frente de Rosell ou André Martins, por exemplo. Gerir um grupo de trabalho em função do mérito parece-me um princípio bastante saudável.


domingo, 25 de janeiro de 2015

Chegou para as encomendas

Durante uma grande parte do jogo de hoje parecemos querer repetir os erros que tantos pontos já nos custaram este ano. Mais um começo de jogo amorfo, dominado por uma lentidão de processos exasperante que caía que nem ginjas ao arrojado 9-1-0 que Paulo Sérgio trouxe a Alvalade. Se Marco Silva estava insatisfeito pelo evoluir da situação, pelo menos não o demonstrou. As substituições foram tardias mas acabaram por agitar o jogo e aumentar a nossa presença na área adversária, que acabaria por ser decisiva no único golo da partida.



Positivo

William está a voltar a ser Sir - chegou perfeitamente para as encomendas no capítulo defensivo perante um opositor que raramente incomodou, mas foi no plano ofensivo em que se destacou dos companheiros de equipa. Foi o único a imprimir a velocidade de execução necessária para desmontar o autocarro adversário, fosse através de desequilíbrios no miolo, fosse através de passes longos laterais para colegas mais desmarcados. E fez aquele grande passe para o cabeceamento de Tanaka que antecedeu o cabeceamento de sucesso de João Mário. Já são alguns jogos consecutivos em bom plano, o que leva a crer que Sir William está mesmo de volta.

As substituições - mexeram com o jogo e acabaram por ser decisivas no desfecho final. Com a entrada de Tanaka e Mané a equipa passou a ter mais presença na área (coisa que Montero teima em evitar como o diabo da cruz) e um pouco mais de capacidade de desequilibrar pelo meio. E para não variar, Tanaka acabou por estar na jogada que nos valeria a vitória. Amuleto japonês de alta eficiência.

Cinco vitórias consecutivas - jogámos mal mas conseguimos os três pontos. De vez em quando também sabe bem. E chegou para nos aproximarmos do segundo lugar.

Muita miudagem em Alvalade - e não me refiro aos que estavam dentro de campo com a nossa camisola, falo mesmo das muitas crianças de 5, 6, 7 ou 8 anos que acompanharam os pais ao estádio. Os números oficiais dizem que eram 37500 pessoas, mas houve muito meio-palmo de gente que passou por debaixo dos torniquetes, ajudando a compor ainda melhor as bancadas. Exibição à parte, foi uma bela tarde de futebol em Alvalade.


Negativo

Substituições tardias - já todos no estádio tinham percebido 15 minutos antes que era necessário mexer no esquema tático da equipa. O Sporting até entrou na segunda parte com mais genica, mas era óbvio que precisávamos de mais alguém lá na frente - uma equação que nem era nada complicada visto que também estava à vista de todos que não precisávamos de tantos jogadores lá atrás. A Académica simplesmente não justificava tanto respeito da nossa parte. Marco Silva não devia ter esperado tanto tempo.

Mais uma vez faltou inteligência para gerir os últimos minutos - Nani parecia querer dar o mote à equipa para congelar o jogo, mas foi em vão: cometemos asneiras atrás de asneiras que nos poderiam ter custado bem caro se houvesse mais talento do outro lado. Alguns exemplos: um cruzamento de Cédric para uma área deserta, perdas de bolas infantis no centro do terreno, ou uma falta de Miguel Lopes no enfiamento da área junto à linha lateral quando tínhamos uma situação de 2 contra 1. Já tinha acontecido contra o Rio Ave, e hoje foi mais do mesmo.



Para já era difícil pedir mais para esta jornada: aproximámos-nos 3 pontos do Porto (agora a apenas 1) e afastámo-nos de Guimarães (que está a 4 pontos) e Braga (a 8). Para um clube em crise as últimas semanas não têm sido nada de deitar fora.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Nada de novo

Não tive oportunidade de ver o jogo todo. Assisti apenas aos primeiros 25 minutos e gostei bastante do que vi, com óbvio destaque para os lances dos golos. No primeiro, Podence encontra Tanaka a desmarcar-se e o japonês, em boa posição para marcar, prefere entregar a Gauld que tinha a baliza completamente aberta. No segundo, deliciei-me com o levantar de bola de Wallyson para um remate cruzado de primeira do escocês com o pé direito - um grande golo que parecia deixar a vitória praticamente assegurada. 

Do resto, vi apenas os lances dos golos do Belenenses. No primeiro, Rabia sofre uma falta clara de Camará (imaginem a falta de Montero no 2º golo do Rio Ave, mas 10x mais evidente) que aproveita a queda do egípcio para seguir isolado para a baliza e marcar. O segundo é um golaço do miúdo Dálcio que passa por Jonathan e Wallyson e remata cruzado sem hipóteses para Marcelo. O terceiro foi através de um penálti que, sinceramente, não consigo perceber se é ou não bem assinalado. O que tenho a certeza é que a abordagem de Sarr ao lance foi completamente defeituosa. Não se percebe que se atire em carrinho para intercetar um cruzamento rasteiro e acabe por cortar a bola com o peito. Depois a bola ressalta e fica a dúvida se há braço na bola ou não.


Não me parece que este jogo nos tenha revelado alguma coisa que não soubéssemos já: Tanaka é um jogador de equipa e Gauld vai ter um papel a desempenhar na equipa principal ainda esta época. Aliás, tenho dúvidas se o escocês fará muito mais jogos na equipa B. Por outro lado, Sarr teve mais um daqueles lances improváveis que demonstram que ainda tem muito que crescer (em dimensão futebolística, entenda-se) até poder ser uma opção credível para a equipa principal.

Do pouco que vi, voltei a ficar desiludido com Rosell. Tentou construir jogo progredindo com a bola no pé, mas definitivamente não é o seu forte. O problema é que no passe também não esteve nada bem. Está longe da forma que demonstrou na pré-temporada, mas há que lembrar que o catalão vinha com a rodagem da MLS (que estava em curso) enquanto todos os outros voltavam de férias. De qualquer forma parece-me cedo para estarmos a tecer sentenças definitivas sobre a sua qualidade: Rosell ainda não teve oportunidade de jogar de forma regular e para a posição em que joga as rotinas com os colegas são fundamentais.

De resto, perder um jogo destes não é drama nenhum. Sigamos em frente.

P.S.: vi os últimos 20 minutos do Braga - Porto, e fiquei impressionado com as incríveis defesas que Hélton fez. Depois de o ter visto sair de maca em Alvalade, com 35 anos, pensei que a sua carreira tivesse terminado. Foi bom vê-lo recuperado. Espero apenas que não desate a defender todos os jogos assim. :)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O melhor amigo dos adversários

Depois de uma primeira parte completamente amorfa, em que o Sporting parecia não estar muito interessado em vencer o jogo, nada fazia prever a segunda parte frenética e de elevadíssimo nível a que acabaríamos por assistir. O Sporting fez uma enorme exibição na primeira metade da segunda parte e os dois golos marcados nesse período foram curtos para a quantidade de oportunidades criadas, mas depois de ter feito o mais difícil sofreu de imediato um golo que relançou o Rio Ave na partida e que foi psicologicamente devastador - para o público nas bancadas e também para os jogadores. A falta de experiência nota-se nestas coisas: não perceber quando é hora de acelerar ou congelar a bola, manter a concentração em vez de descomprimir, saber medir o nível de risco aceitável quando estamos em vantagem no marcador. E por duas ocasiões deixámos o adversário voltar à vida.



Positivo

O regresso dos balneários - apenas com a alteração de Mané no lugar do lesionado Carrillo, ninguém diria que os outros dez jogadores que voltaram do intervalo eram os mesmos da primeira parte. Mané deu uma nova dinâmica à equipa, mas definitivamente não foi apenas isso. Não sei o que Marco Silva lhes disse no balneário, mas nos primeiros 25 minutos da segunda parte o Sporting fez um jogo demolidor, com uma sucessão imparável de ocasiões de golo que acabariam por se traduzir em dois golos. O que é facto é que houve muito mais velocidade e muito mais vontade de levar a bola até à baliza de Cássio. 

Sabem onde podem enfiar os quatro milhões de euros? - diz que há uma equipa ucraniana a oferecer €4M por Jefferson. Sei que estamos na época de saldos, mas creio que o Sporting limita as promoções da época aos artigos da Loja Verde. Jefferson mais uma vez foi decisivo ao fazer um cruzamento incrível para o golo de Montero, e ao tirar dos pés de um jogador do Rio Ave um golo certo ainda na primeira parte. Fez piscinas atrás de piscinas no flanco esquerdo, sendo um dos destaques da noite. Está em grande forma. Menos que €20M (que é a cláusula de rescisão) é mal vendido.

Noite de estreias - Tobias fez um jogo um pouco irregular. Esteve particularmente mal nos primeiros cinco minutos da segunda parte em que cometeu três erros, mas genericamente acabou por ter uma exibição positiva. Teve algumas intervenções preciosas e não tem quaisquer responsabilidades nos golos sofridos. Gauld entrou a meio da segunda parte e teve pormenores deliciosos: esteve no terceiro golo, com o túnel que antecedeu o passe para Nani, e fez um passe picado para Montero que, isolado, devia ter rematado à baliza em vez de passar para trás. Ganhou pontos para voltar a ser utilizado brevemente.

E o Tanaka vai marcaaaar - o japonês começa a ser um jogador talismã. Depois de ser herói em Braga, devolveu hoje a tranquilidade ao estádio ao fazer o 4-2. Está a aproveitar ao máximo os minutos que lhe estão a ser dados.

Nove portugueses em campo, oito da formação - quando Mané entrou, o Sporting alinhava com Rui Patrício, Cédric, Paulo Oliveira, Tobias Figueiredo, William Carvalho, André Martins, João Mário, Nani e Carlos Mané. É uma pena que o Sporting recuse em apostar na formação, conforme vários comentadores têm dito e escrito nos últimos tempos.


Negativo

A apatia da primeira parte - o futebol do Sporting caracterizou-se por uma enorme falta de velocidade e dinâmica, com os jogadores a manterem-se quase sempre estáticos e com pouca vontade de se aproximarem da área do Rio Ave. Nos momentos em que um ou outro jogador do Sporting cortava no sentido da área a pedir um lançamento em profundidade, o portador da bola ou não via ou simplesmente não queria arriscar o passe. O Rio Ave mereceu inteiramente chegar ao intervalo empatado.

Falta de presença na área - sei que Montero gosta de participar na construção ofensiva, mas anda a exagerar. Desce TANTO no apoio aos médios que depois deixa uma clareira junto à área, facilitando a tarefa do adversário em encurtar os espaços demasiado longe da baliza. Para além do golo que marcou, destacou-se principalmente pelos remates de fora da área. E devia ter rematado à baliza naquele passe do Gauld. É muito bom jogador, mas não é disto que precisamos enquanto Slimani não regressa.

O nosso 4º golo - foi uma enorme sensação de alívio quando Tanaka sentenciou a nossa vitória, mas não gostei nada da atitude da equipa nos últimos minutos da partida. Em vez de tentar adormecer o jogo, retendo a bola, aproveitando todos os momentos possíveis para deixar correr o relógio, andámos a tentar procurar o golo quase como se estivéssemos empatados. Exemplos: Montero a sair em corrida ao ser substituído por Tanaka; Jefferson a marcar um lançamento menos de três segundos depois de a bola ter saído de campo; Nani a fazer um remate a 30 metros de distância em que as hipóteses de sucesso eram baixas; William Carvalho a aproximar-se demasiadas vezes da área do Rio Ave, arriscando expor a nossa defesa se perdêssemos a posse de bola; um canto marcado para o meio da área em vez de manter a bola junto à bandeirola de canto - como se o 1º golo do Rio Ave não tivesse sido lição suficiente - e, para terminar, a pressão altíssima que acabaria por estar na origem do golo de Tanaka. Faltou inteligência na gestão do jogo. 

A discussão gerada no lance do penálti - o colombiano é agarrado dentro da área de forma ostensiva e continuada. Não se atirou para o chão mas foi evidentemente prejudicado na disputa do lance. Penálti claríssimo (não tive dúvidas a partir do meu lugar na bancada oposta) que não justificava aqueles protestos dos jogadores do Rio Ave. Diego Lopes empurrou o árbitro e devia ter sido expulso. Com que autoridade é que o árbitro pode prosseguir o jogo permitindo este tipo de comportamento aos jogadores?

A falta de espinha de Pedro Martins - depois de ter sido escandalosamente prejudicado no Dragão (com vário erros a prejudicarem o Rio Ave, incluindo dois penáltis não assinalados), a reação de Pedro Martins foi a seguinte: 
Tem algo a dizer sobre dois lances na área do FC Porto após o 1-0? "Muito sinceramente, falar deste jogo é muito complicado. Parece-me penálti no lance do pontapé de canto mas falar disso depois de um 5-0 parece despropositado."
Hoje, num jogo em que há um penálti bem assinalado, em que o árbitro perdoou uma expulsão a um jogador seu, e em que efetivamente pode ter razões de queixa no lance do segundo golo do Sporting, decidiu soltar toda a sua indignação utilizando argumentos espantosos como por exemplo o facto de ainda não ter nenhum penálti a favor esta época - algo que por algum motivo preferiu não reclamar na altura devida, ou seja, no final do jogo com o Porto. Inacreditável.



É preciso valorizar o jogo do Rio Ave: marcaram dois golos estupendos (o primeiro num lance de manual em como bem contra-atacar e o segundo num tiro cruzado indefensável) e podiam ter chegado ao empate por mais que uma vez. No entanto, a responsabilidade do bom jogo do Rio Ave passou muito por aquilo que não soubemos fazer. Merecemos a vitória, mas poderíamos ter feito mais para evitar tanto calafrio. Mas o que conta é a vitória, a oitava consecutiva em todas as competições e a quarta para o campeonato. Saibamos aprender com os erros de hoje, e seremos uma equipa mais forte na próxima semana.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Da bancada (com ângulos para todos os gostos)






E para o fim, o melhor vídeo (não só pela filmagem do golo, mas também pelos festejos de Carrillo para a bancada):



(obrigado, @nunovalinhas)

Da bancada

Dinamitando a pedreira com explosivos japoneses

Há finais de jogo épicos e este foi definitivamente um bom exemplo. Uma bomba de um jogador pouco utilizado no último segundo da partida causou uma explosão de alegria em jogadores, treinadores, dirigentes e adeptos, que depois de semanas tremendamente difíceis mereciam que a sorte lhes sorrisse desta forma. Verdade seja dita que fizemos o suficiente para evitar este final emocionante - o Sporting foi a melhor equipa da partida (em particular durante a segunda parte), e dispôs de oportunidades de golo suficientes para vencer o jogo de forma menos dramática. Não me queixo, no entanto: a festa que todos testemunhámos no relvado foi devidamente replicada na minha sala, e compensou largamente os noventa e tal minutos de sofrimento vividos até ao assombroso livre marcado por Tanaka.



Positivo

A bomba de Tanaka - o japonês foi o herói improvável da partida, que colocou justiça no resultado em grande estilo. Um livre marcado de forma irrepreensível que nenhum guarda-redes do mundo conseguiria defender.


As ações defensivas de William - não esteve bem ao nível do passe, mas defensivamente fez um jogo tremendo. Recuperou inúmeras bolas e conteve várias iniciativas ofensivas do Braga, mas destaco uma ocasião em que evitou um golo ao tirar a bola dos pés de um jogador da equipa da casa à entrada da área, que se preparava para fazer a recarga a uma grande defesa de Rui Patrício a remate de Pardo.

Carrillando pela direita - se Nani foi o homem em maior destaque na primeira parte - mas foi demasiado individualista e pouco consequente - na segunda parte foi a vez de aparecer Carrillo como o principal criador de lances de perigo. Mas o peruano sobressaiu pela forma objetiva e criteriosa como municiou o resto da equipa. Por pouco que não marcou num remate desviado por um defesa do Braga. 

O quarteto defensivo - muito bom jogo dos quatro elementos. Os laterais fizeram um excelente trabalho em anular a maior parte das iniciativas do Braga (com destaque para Jefferson, que apanhou o perigosíssimo Pardo pela frente) e os centrais venceram praticamente todos os duelos em que tiveram que intervir. Um ou outro erro pontual não mancha uma prestação geral muito positiva de toda a defesa.

Silêncio, que está a jogar o Sporting - o Braga esteve por cima do jogo em períodos relativamente reduzidos (e os que existiram foram principalmente na primeira parte), mas na segunda parte a partida teve praticamente um único sentido. O público bracarense sentia-o e o seu silêncio era um indicador bastante elucidativo da forma como o jogo decorria. Nem as várias tentativas que o speaker fez para puxar pelo público resultaram: no estádio só havia microfone aberto para a onda verde.


Negativo

A finalização, outra vez - não foi por falta de oportunidades que o Sporting não resolveu o jogo mais cedo. Os primeiros 15 minutos da segunda parte foram particularmente ricos em ocasiões de golo criadas, que foram sendo desperdiçadas sucessivamente sobretudo por demérito nosso. No entanto seria injusto não realçar a excelente exibição de Matheus.

Critério disciplinar - que Hugo Miguel é um árbitro permissivo, já se sabia. Mas mais uma vez o critério que seguiu para amostragem de cartões foi, no mínimo, discutível. Por volta dos 5 minutos de jogo, Aderlan vira um jogador nosso do avesso. Hugo Miguel dá - e bem - a lei da vantagem e quando o jogo é interrompido mantém o amarelo no bolso, preferindo avisar o jogador do Braga. Passados alguns minutos, Paulo Oliveira faz uma falta igualmente dura, o jogo segue também devido à lei da vantagem, mas Hugo Miguel desta vez não perdoa: amarelo. Adrien vê na segunda parte um amarelo por faltas consecutivas, mas Baiano e Rafa (só para dar alguns exemplos) fizeram o mesmo sem verem qualquer cartão. E aquele "amarelo" a Matheus quando derruba Tanaka fora da área...


Teatro, teatro e mais teatro - foram inúmeras as tentativas dos jogadores do Braga para amarelarem os nossos jogadores. Qualquer toque num jogador bracarense, por mais ligeiro que fosse, era inevitavelmente seguido por uma exibição de dor lancinante. Felizmente que este árbitro não foi na conversa, mas um "disciplinador" do tipo Manuel Mota chamar-lhes-ia um figo.



Há tradições que vale a pena alimentar. Mais uma vitória contra o Braga, um adversário difícil que acaba invariavelmente derrotado quando encontra umas riscas verdes e brancas horizontais pela frente. Entretanto subimos à terceira posição e ampliámos uma sequência de resultados muito interessante que mostra que a equipa está pronta para aproveitar qualquer deslize que os dois primeiros classificados possam fazer.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Lenha peruana para aquecer a noite

O jogo não começou propriamente bem. Apesar de Marco Silva ter colocado 4 médios e avançados que muito provavelmente serão titulares contra o Braga (dando sinal que não estava disposto a correr muitos riscos), a equipa apareceu em campo disposta apenas a cumprir os serviços mínimos: jogadores estáticos que esperavam que a bola chegasse até eles em vez de a procurarem, alguma aversão ao contacto físico e disputa de bolas divididas e lentidão na circulação de bola. Apenas Carrillo de vez em quando procurava aquecer o ambiente e conseguiu atear fogo no magnífico golo que marcou. 

Na segunda parte já houve mais animação - à medida que as pernas dos jogadores do Famalicão iam acumulando desgaste -, os espaços começaram a aparecer e mesmo em modo de poupança de esforço o Sporting criou bastantes ocasiões para marcar, justificando totalmente a vitória, o desnível no resultado e o apuramento para as meias-finais.




Positivo

O golo de Carrillo - mais um momento de magia do peruano, que inaugurou o marcador com um desvio acrobático. Se o karate kid marcasse um golo provavelmente seria assim. De destacar também a visão de William e a execução da assistência: viu Carrillo a arrancar pela direita e fez um passe teleguiado de quase 50 metros para as costas dos centrais. Teve outros bons momentos, como aquela combinação com Montero na segunda parte que acabou por não ter a finalização merecida. Está em grande forma.

As assistências de Tanaka - fez o passe para João Mário rematar para 2-0 (com a ajuda do defesa do Famalicão), o cruzamento perfeito para o cabeceamento de Paulo Oliveira no 3-0 e o passe de morte para Montero no 4-0. Nada mau para uma noite de trabalho.

Mais um passo sólido na integração de Tobias - não teve muito trabalho, conforme se esperava em função do adversário, mas esteve bem sempre que teve que intervir (incluindo um corte bastante vistoso a ceder canto perto do final). Correspondeu inteiramente às expetativas e fica a curiosidade para saber quando Marco Silva apostará nele num jogo de grau de dificuldade superior - o que, já todos percebemos, é neste momento apenas uma questão de tempo.

Os outros meninos: Esgaio e Podence - não estiveram muito tempo em campo, mas também tiveram participações positivas. A poucos minutos do fim conduziram a meias um lance de contra-ataque delicioso que Esgaio acabaria por não concretizar. Boas indicações para o futuro.

Os adeptos do Famalicão - vieram em bom número e de gargantas bem afinadas. Este ano apenas os adeptos do Schalke fazerem mais barulho que eles. Não tiveram nenhum golo para festejar mas fizeram a festa quando o seu guarda-redes defendeu o penálti.


Negativo

Os assobios a Carlos Mané - sim, é verdade que o miúdo teve uma noite muito pouco inspirada - em que o ponto mais baixo foi o egoísmo que revelou ao não oferecer o golo a Tanaka e tentar driblar sem sucesso o guarda-redes do Famalicão - e sim, já com o Estoril esteve muito apagado. Mas que raio, isso justifica que seja assobiado em Alvalade? Já se esqueceram que há 2 jornadas atrás foi Mané que nos deu os 3 pontos, coisa que também já tinha feito contra o Arouca? Há oito meses atrás envergonhou-me a assobiadela monumental que um jovem talentoso teve que ouvir no nosso próprio estádio ao ser substituído ainda na 1ª parte contra o Estoril. Lembram-se de quem era? Estão a ver aquilo que está a jogar agora? Pois.


Saí do estádio com as pernas congeladas e o nariz a pingar, mas valeu a pena. Qualificação para as meias-finais alcançada, lançamento de (mais) promessas da academia já a pensar no futuro (próximo num caso, a médio prazo noutros dois), e um golo incrível de Carrillo. Foi uma boa noite em Alvalade.