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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

As opiniões de Pedro Marques Lopes

                                                                                                                                                       

Mais uma vez, Pedro Marques Lopes sentiu-se na necessidade de escrever, na sua rubrica semanal no jornal A Bola, palavras de enorme desprezo sobre o Sporting. Não é nada de novo, já que são poucas as semanas em que este ilustre adepto portista não reserva uns bons parágrafos a malhar no clube, jogadores ou dirigentes leoninos, numa prosa que se caracteriza por se alicerçar sobretudo em argumentos que revelam uma memória altamente seletiva.

Por isso, mais do que fazer grandes comentários ao que este senhor debita sobre semanalmente sobre o Sporting, prefiro revisitar as suas opiniões sobre alguns dos temas que têm merecido a sua atenção. O que mais me deixa estupefacto nem é a fragilidade da argumentação nem a quantidade de vezes que as suas opiniões deram cambalhotas que causam inveja a qualquer trapezista do Cirque du Soleil. O que mais me deixa estupefacto é que este senhor escreve há menos de um ano para este jornal - e no entanto já nos proporcionou tantas e tantas pérolas como estas que se seguem...

                                                                                                                                                       
A antevisão de Pedro Marques Lopes aos jogos contra o Sporting

26 de setembro, véspera do Sporting - Porto para o campeonato, em que diz que jogar em Alvalade será menos difícil do que jogar contra o Boavista ou Guimarães


17 de outubro, véspera do Porto - Sporting para a taça, em que o texto está carregado de palavras como "desejos" e "espero"



A opinião de Pedro Marques Lopes sobre o Porto de Luís Castro

7 de março, um dia após Luís Castro passar a ser o treinador principal do Porto


14 de março, uma semana após Luís Castro passar a ser o treinador principal do Porto, e um dia após a vitória em casa contra o Nápoles


28 de março, três semanas após Luís Castro passar a ser o treinador principal do Porto, e um dia após a vitória em casa contra o Benfica na 1ª mão das meias-finais da Taça de Portugal


11 de abril, cinco semanas após Luís Castro passar a ser o treinador principal do Porto, e um dia após a eliminação da Liga Europa pelo Sevilha


18 de abril, seis semanas após Luís Castro passar a ser o treinador principal do Porto, e um dia após a eliminação da Taça de Portugal pelo Benfica



A opinião de Pedro Marques Lopes sobre o Porto B

10 de outubro, após uma vitória por 7-0 ao Olhanense, jogo em que foram utilizados sete jogadores do plantel principal



A opinião de Pedro Marques Lopes sobre o que deve ser um plantel à Porto

16 de maio, dizendo que é fundamental que não faltem grandes portistas no plantel

29 de agosto, dizendo que o plantel com menos portugueses na história do clube e com apenas um jogador da formação (com 17 anos) é um dos melhores de sempre



quarta-feira, 7 de maio de 2014

O bicho papão

Leonardo Jardim no Porto: a ideia surgiu pela primeira vez da cabeça de Rui Santos, na altura em que a vantagem do Porto no campeonato sobre Sporting e Benfica tinha sido reduzida para apenas 1 ponto, no final de novembro.



Não sei muito bem o que terá levado Rui Santos a lembrar-se de uma coisa destas. Provavelmente por saber que vende por ser polémico, digo eu. Mas a coisa correu-lhe mal, e a sua teoria acabou por não pegar.

Uns meses mais tarde, a CM TV achou por bem desenterrar o assunto da ida de Jardim para o Porto:


No caso da CM TV as intenções eram mais claras: esta "notícia" foi dada quando faltavam apenas 2 dias para o Benfica - Sporting, e devem ter achado que valia a pena tentar desestabilizar o adversário do seu parceiro. Aliás, esta técnica da CM TV nem era nova: 2 dias antes do Porto - Benfica do ano passado (em que Kelvin deu o campeonato ao Porto), apitado por Pedro Proença, a CM TV passou escutas do apito dourado em que se falava na propensão de Proença beneficiar a equipa de Pinto da Costa. Coincidências, certamente.

Mas a partir deste momento o rumor de que o Porto estaria interessado em Jardim passou a circular com mais frequência nas bocas dos portistas mais desesperados por terem um treinador a sério. Entretanto foram aparecendo outras variantes da mesma história, nos mais diversos debates sobre futebol dos diferentes canais, sempre com a notícia de uma fonte segura que garantia que Leonardo Jardim não ficaria no Sporting em 2014/15 (mesmo tendo contrato). Ainda ontem, o conhecido portista Pedro Marques Lopes tentou manter viva essa chama, ao sair-se com esta deliciosa frase:

Via @captomente

Alguns comentadores, paineleiros, e órgãos de comunicação social continuam a pensar que os interesses do Sporting ainda são defendidos pelas mesmas pessoas que colocaram o clube à beira do abismo, e vão atirando o barro à parede na esperança de conseguir desestabilizar um grupo blindado, solidário, competente e apaixonado.

Ao longo do último ano os bichos papões foram surgindo de todos os cantos para transformar a vida dos sportinguistas num verdadeiro pesadelo. O bicho papão da rescisão de contrato de Bruma, cujo destino tanto podia ser Benfica ou Porto? Esfumou-se. O bicho papão de Leonardo Jardim no Porto? Puf! O bicho papão da venda ao desbarato dos melhores jogadores do plantel, que queriam fugir a sete pés de Alvalade? Desapareceu sem deixar rasto.

A notícia que coloco de seguida foi publicada pelo Correio da Manhã há menos de um ano, já com Bruno de Carvalho à frente do clube.


Acredito que muitos sportinguistas tenham ficado com receio que esta notícia fosse verdadeira. Tenho a certeza que se esta mesma notícia tivesse sido publicada em janeiro de 2013, quando vivíamos no caos de Godinho Lopes, ninguém se admiraria que se tratasse de uma possibilidade bem real.

Haverá algum sportinguista no seu perfeito juízo que acreditaria nesta notícia se fosse publicada hoje? É evidente que não, e por aí se vê aquilo que o Sporting ganhou em termos de estabilidade, auto-estima, e organização.

A força do bicho papão depende da nossa capacidade entre distinguir o que é real do que é imaginário. Notícias destas continuarão a sair durante o defeso, mas neste momento os sportinguistas têm obrigação de não lhes dar qualquer crédito, pois sabem que existe uma direção que defenderá sempre de forma intransigente os interesses do clube. O tempo dos bichos papões acabou.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Mais do mesmo

Sobre os rumores da saída de Leonardo Jardim                                                                               
Hoje Leonardo Jardim é dado como pretendido no Marselha, no Milan e Tottenham. Vamos ter que nos habituar a estas notícias de desestabilização, porque não são mais do que isso: notícias de desestabilização.

in dn.pt

Há um pormenor importante: a cláusula de Leonardo Jardim não é a "modesta" quantia de €1,5M. O valor é de €15M, que já não será tão modesto assim.

E já agora, a vontade do próprio Leonardo Jardim também há-de contar para alguma coisa. Não me parece que lhe faltarão oportunidades no futuro para prosseguir a carreira lá fora, já que tem apenas (e muita gente se esquece disso) 39 anos.

De qualquer forma, isto é puro folclore. Já ontem, na SIC Notícias, durante o lançamento do Porto - Benfica, Pedro Marques Lopes, político e adepto do Porto, dizia que o Benfica se preparava para tentar contratar Leonardo Jardim.

Antes disso, já corriam rumores que seria o Porto a querer Leonardo Jardim. Primeiro, em Janeiro, em mais uma teoria mirabolante de Rui Santos. A ideia pegou e mais tarde, a dois dias do Benfica - Sporting, a CM TV (parceira da Benfica TV) lançou esta notícia:


Estamos numa fase em que vale tudo para nos tentarem desestabilizar, e continuará a ser assim até maio. Neste caso, fazê-lo através de Leonardo Jardim é uma das formas mais óbvias de nos atingirem. Nada de novo, é mais do mesmo.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Fogo de artifício com pólvora seca

Pedro Marques Lopes, na semana passada, escreveu para o jornal A Bola um curioso relato sobre a forma como viveu a vitória nos descontos do Porto sobre o Marítimo, que valeu o apuramento para as meias-finais da Taça da Liga.

Comemorei rijamente a vitória do FC Porto frente ao Marítimo. Não foi por dar especial relevância à Taça da Liga: é um torneio que jogamos logo é para ganhar, mas olho para ele como olhava, em tempos, para os campeonatos de reservas. Também não foi por a equipa ter feito um grande jogo: foi uma das piores exibições do FC Porto esta época. Mais uma vez assistimos a uma completa anarquia tática, a um meio-campo incapaz de controlar ou dar dinâmica ao jogo e a jogadores perdidos sem saberem bem o que fazer, enfim, infelizmente mais do mesmo.
A minha grande alegria vem de termos percebido claramente que o fundamental, aquilo que é o mais importante, o que define um clube como ganhador está incólume. Foi a alma, a garra, a vontade de ganhar, a capacidade de os jogadores se transcenderem que deu a vitória ao FC Porto. (...) Foram as camisolas que ganharam aquele jogo. As camisolas do FC Porto. (...)
Pode-se perder campeonatos e taças, mas uma equipa que mostre sempre o que o FC Porto mostrou no fim de semana passado ganhará muitíssimas mais vezes do que as outras. 

Entendido. Pedro Marques Lopes continua depois a escrever sobre o jogo para o campeonato com o Marítimo, que se disputaria no dia seguinte.

A garra e a vontade de ganhar viajarão para o Funchal mas vai ser preciso mais do que isso para ganhar ao Marítimo. Uma coisa é certa: se a qualidade de jogo for igual ao do último fim de semana teremos um grande desgosto.

Não sou psicólogo nem tenho nenhum dom especial que me permita adivinhar aquilo que as pessoas estão a pensar quando afirmam determinadas coisas, mas confesso que fico com a sensação de que todo este raciocínio soa bastante a falso.

As rijas comemorações, segundo Pedro Marques Lopes, não foram pela importância da competição, que compara a uma prova de reservas, apesar de o Porto ter utilizado nas três jornadas da Taça da Liga 9 ou 10 jogadores habitualmente titulares.

Também não foi pela exibição. O autor é claro ao escrever que foi uma das piores exibições da época.

Explica-nos Pedro Marques Lopes que foi por ter percebido que as camisolas do Porto continuam a conseguir ganhar jogos. Mesmo sendo uma equipa taticamente caótica e com jogadores perdidos sem saberem o que fazer, a força de vontade e a garra de quem enverga aquela camisola será suficiente para permitir ao Porto continuar a ganhar mais do que os outros. Mas logo a seguir diz que no Funchal, contra a mesma equipa que acabaram de derrotar, vai ser preciso mais do que a tal força de vontade e garra porque se a qualidade de jogo for a mesma terão um grande desgosto? Homem, decida-se!

A minha teoria sobre o que levou Pedro Marques Lopes e a generalidade dos portistas a festejar rijamente, mas que não querem admitir, tem a ver com isto: foi o facto de se terem superiorizado ao Sporting. Nada lhes custaria mais do que serem afastados pelo Sporting da Taça da Liga, após a "afronta" que Bruno de Carvalho lhes fez. Desta vez (e no jogo do campeonato) o Porto ainda conseguiu levar a melhor, mas com uma dificuldade raramente vista nos últimos dez anos.

Ao contrário dos sinais de recuperação que se sentem no Sporting, o Porto vive um período claro de decadência. Os sinais são muitos. O facto de revelarem esta euforia ao eliminarem o Sporting, apesar da sequência de jogos miserável que têm visto da sua equipa, não é natural num clube confiante na sua capacidade de manter a hegemonia que tem conseguido nas últimas décadas.

Mas existem outros sinais. Plantel insuficiente, em que os melhores jogadores que ficaram já estão com a cabeça noutro lado, não se vislumbrando um número suficiente de jogadores capazes de os substituir num futuro próximo. Dirigentes que se alinham já a pensar na sucessão presidencial. Um modelo de negócio desvirtuado, que necessita de vendas monstruosas para sustentar as compras milionárias que se habituaram a fazer e a rede obscura de empresários e comissionistas que gravita à sua volta. Tiques de novo rico, gastando rios de dinheiro em contratações de jogadores apenas para impedir que fossem contratados pelos rivais, e construindo um museu megalómano que nunca se irá pagar a si próprio e será um permanente sorvedouro de recursos. Museu esse que teve uma inauguração com pompa e circunstância reservada a uma elite, com os sócios e adeptos anónimos apenas poderem visitá-lo um mês depois.

O ciclo está mesmo a chegar ao fim, e a decadência que assistimos parece acompanhar diretamente a perda de faculdades da pessoa que está no centro de toda esta organização. E, como sabemos, há determinadas coisas que é impossível inverter. O peso da idade é uma delas.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Fugir a boca para a verdade

Pedro Marques Lopes, na sua página semanal no jornal A Bola, abordou a situação contratual de Fernando, onde entre outras observações, escreveu estas notáveis frases:

"O FC Porto fez muito por ele: ajudou-o a tornar-se nesse belíssimo jogador, deu-lhe títulos, prestigiou-o e, claro está, pagou-lhe condignamente. Mais, o Fernando era daqueles jogadores condenados a viver no dilema de nunca se saber exatamente qual a sua melhor posição em campo e, digamos assim, era um absoluto desconhecido no mundo do futebol."

Eu, na minha ingenuidade, pensava que eram os jogadores que davam títulos aos clubes, e não o contrário. Sempre acreditei que o talento e o esforço que um jogador coloca sempre que joga tem um efeito decisivo no sucesso da equipa que representa. Mas talvez não seja de espantar que, num clube onde os treinadores são vistos como meros orientadores de treino, semelhante opinião esteja também reservada para os Fernandos, Heltons, Moutinhos, Falcaos, Hulks e companhia.

A verdade é que todos sabemos que o Porto se poderia apresentar em qualquer campo em Portugal com 11 bidões, que continuaria a ter sérias probabilidades de não sair derrotado do jogo. Pedro Marques Lopes apenas veio confirmar algo que todo o país já sabia.

A novidade que Pedro Marques Lopes apresentou ao país foi que, se não fosse o Porto, Fernando continuaria a ser um ilustre desconhecido no futebol. Porque não há mais nenhum clube à face da terra capaz de concretizar o potencial de um jogador. É muito raro existirem jogadores que saem aos 20 anos do Brasil ainda a tempo de se transformarem em estrelas do futebol mundial. A não ser que passem pelo Porto, claro.

Não espanta que Pedro Marques Lopes tenha esta opinião do papel inócuo dos jogadores do Porto no sucesso do clube. É que sendo um político de um partido que, independentemente da qualidade do líder e dos boys que gravitam à sua volta, tem garantido resultados eleitorais que lhe permitirá ser poder ou o próximo poder, é normal que conviva pacificamente com ambientes em que os resultados estão grosseiramente determinados à partida.