Mostrar mensagens com a etiqueta Marcelo Boeck. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Marcelo Boeck. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Balanço de 2015/16: GRs e Defesas


Rui Patrício: ***          2014/15: ***     2013/14: ***

Aos 28 anos, Rui Patrício é a prova viva de que os melhores anos dos guarda-redes ficam guardados para uma idade mais avançada. Creio que será consensual que terá efetuado a melhor época da sua carreira, fazendo uso das qualidades que já lhe eram reconhecidas, mas desta vez com uma consistência e regularidade inéditas. Para além disso, mostrou progressos em duas vertentes em que revelava demasiadas dificuldades: no controlo da profundidade e, principalmente, a sair dos postes. Os momentos baixos da época de Rui Patrício terão sido as duas expulsões (uma injusta, contra o Tondela, que nos viria a custar dois pontos, e na Albânia contra o Skenderbeu), mas foram imensos os pontos altos, que valeram muitos pontos ao clube. Grande, grande época.


Marcelo Boeck: *          2014/15: *     2013/14: *

Vinha de uma época pouco feliz, em que tinha comprometido demasiadas vezes para o tempo que jogou. Infelizmente, esta temporada foi ainda pior. A forma física com que apareceu após as férias era um indício para aquilo que viria a acontecer. Dos 6 jogos em que participou, comprometeu em 4 (Skenderbeu, Paços de Ferreira, Tondela e Portimonense). Não se compreende o motivo pelo qual o Sporting lhe renovou o contrato em dezembro, quando já se via que não fazia qualquer sentido a sua continuidade. Quinze dias depois, acabou por sair para o Brasil. Não há sportinguista que não goste da forma como Marcelo sentia o clube, pelo que ficam, ainda assim, boas memórias da sua passagem por Alvalade.


Azbe Jug: -

Considerando a péssima forma de Marcelo, o facto de Jug ser a terceira opção não era propriamente um bom cartão de visita. No entanto, no único jogo que fez (em Arouca, para a Taça da Liga), esteve bastante bem. Não é suficiente para ficarmos com uma ideia do seu real valor, mas deixou-me com curiosidade para o ver jogar mais vezes. Será que fica no plantel na próxima época? 


João Pereira: **

O péssimo início de temporada que fez levava a crer que a sua contratação teria sido um erro. Teve o momento mais complicado com o penálti desnecessário e expulsão frente ao Paços, na segunda jornada, que nos fez desperdiçar dois pontos. No entanto, com o passar das jornadas o seu rendimento foi evoluindo positivamente e chegou ao inverno numa excelente forma. Acabou por ser surpreendente a perda da titularidade para Schelotto - não só João Pereira estava a convencer, como as primeiras exibições do italiano deixavam muito a desejar. Considerando que é um jogador que já tem 32 anos e que, à partida, não será titular, fica a dúvida se continuará no Sporting na próxima época.


Ricardo Esgaio: *          2014/15: *

No primeiro terço da época ainda foi dividindo a titularidade com João Pereira, mas quando este começou a subir de rendimento, Esgaio foi perdendo minutos. Nas oportunidades que teve, cumpriu sem grande brilho, o que é curto para um jogador que está numa fase decisiva da sua carreira. Na última jornada, no entanto, Jesus surpreendeu e lançou-o no meio-campo. Ontem, renovou contrato. Será que há algum plano de adaptação em curso para fazer de Esgaio um box-to-box?


Ezequiel Schelotto: **

Reforço de inverno, não convenceu nos primeiros jogos, ao ponto de muita gente questionar a insistência de Jesus em utilizá-lo em detrimento de João Pereira. Com o tempo foi-se percebendo o motivo da insistência: o poder de aceleração e velocidade de Schelotto permite-lhe aproveitar como poucos o espaço nas alas que João Mário cria quando procurar espaços interiores. À medida que o entendimento de Schelotto com os companheiros foi melhorando, a sua influência na manobra ofensiva aumentou significativamente, mostrando também ser bastante decente nos cruzamentos. Para além disso, é um jogador raçudo, e cuja altura o torna bastante útil nas bolas paradas defensivas. Parece-me que fez o suficiente para justificar a sua contratação em definitivo.


Jefferson: *          2014/15: **     2013/14: **

Mais uma época muito irregular, mas desta vez - e ao contrário dos dois anos anteriores - nivelada por baixo. O primeiro terço de temporada foi bom, sobretudo do ponto de vista ofensivo, mas revelando com demasiada frequência as dificuldades para defender que já eram conhecidas. As frequentes lesões prejudicaram nitidamente o rendimento de Jefferson, tornando-o mais num risco do que numa arma. Acredito que tenha mercado para que o clube faça uma venda interessante.


Jonathan Silva: *          2014/15: *

Foi alternando no onze com Jefferson até novembro, mas nunca conseguiu afirmar-se. A saída por empréstimo acabou por não surpreender. Duvido que tenha lugar no plantel na próxima época.


Marvin Zeegelaar: *

Sendo um extremo de origem, havia a expetativa de que tivesse, como lateral, capacidade de criar desequilíbrios pela faixa esquerda, arrancando de trás. No entanto, as suas exibições mostraram precisamente o contrário do que se esperava. Pareceu demasiado receoso em subir no seu flanco, e relativamente certo a defender. Jorge Jesus certamente esperava mais do ponto de vista ofensivo, tanto que acabou por entregar o lugar a Bruno César em jogos em que o adversário não exigisse grandes preocupações defensivas. Talvez uma pré-época completa ajude Marvin a soltar-se. No entanto, se não conseguir subir de nível, provavelmente acabará emprestado ou vendido.


Paulo Oliveira: **          2014/15: ***

Início de temporada dentro da linha que se esperava, revelando um bom entendimento com Naldo e Ewerton. Uma lesão acabou por fazer com que perdesse a titularidade para Coates e Semedo, acabando por ficar sem jogar praticamente durante toda a época. Voltou a ter bastantes minutos na última jornada, e esteve em bom plano. Em relação ao futuro, o facto de não ser um jogador rápido e ter dificuldades em sair a jogar, fazem dele o potencial 3º central para a próxima época. Se assim for, o Sporting ficará muito bem servido.


Naldo: **

Impôs-se com facilidade no onze (a lesão de Ewerton ajudou) e fez uma dupla sólida com Paulo Oliveira até ao regresso de Ewerton. A partir desse momento, foi desaparecendo gradualmente. Pouco jogou na segunda volta. Tendo sido um jogador relativamente caro, e considerando que não deverá ser mais que uma 3ª / 4ª opção, é provável que o clube pense em recuperar o investimento já neste defeso.


Tobias Figueiredo: *          2014/15: **

Começando como quarto central, não teve muitos minutos para mostrar o que vale. Quando teve oportunidades, as exibições não foram convincentes - mas há que reconhecer que a utilização pouco regular e o facto de ter tido sempre parceiros diferentes no centro da defesa não o ajudaram. Precisa de jogar com frequência para atingir o próximo nível, pelo que só ganhará em ser emprestado a outro clube na próxima época.


Ewerton: *          2014/15: ***

Ninguém coloca em causa a classe de Ewerton. De todos os centrais do Sporting, seria, na minha opinião, o parceiro ideal de Coates no onze. No entanto, as lesões tornam o brasileiro um jogador pouco fiável, pelo que é complicado que continue no plantel na próxima época.


Sebastián Coates: ***

Chegou, viu e venceu. Foi uma grande contratação de inverno, impondo-se de imediato como o patrão na defesa. Fisicamente dominante, fortíssimo no jogo aéreo, velocidade q.b., excelente leitura de jogo e muito competente com a bola nos pés. Para o ano, será Coates e mais dez.


Rúben Semedo: ***

Jesus surpreendeu tudo e todos ao entregar a titularidade a Rúben Semedo, poucos dias depois de ter regressado do V. Setúbal. A verdade é que, agora que passaram quatro meses, todos conseguimos perceber o que Jesus viu no jogador. A sua velocidade, capacidade de antecipação e competência para sair a jogar permitiram a Jesus avançar a linha defensiva uns bons metros, que ajudam a sufocar os adversários no seu meio-campo. Havia receios em relação à sua imaturidade - que, na realidade, acabaram por lhe valer uma expulsão desnecessária frente ao Leverkusen, e cometeu um ou outro erro que um jogador mais experiente dificilmente cometeria -, mas o balanço global é tremendamente positivo. Quem diria que se iria impor tão cedo a este nível?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O fecho de mercado

Resumindo, foram estas as movimentações na equipa principal e excedentários:

Saídas: Montero, Tanaka, Labyad, Sacko, Rosell, Cissé, Diogo Salomão, Marcelo Boeck, Viola, Jonathan

Entradas: Barcos, Coates, Rúben Semedo, Zeegelar, Bruno César, Schelotto (e Tomas Rukas e Canhembe para a B)

Dúvidas: Teo, Ewerton (os mercados brasileiro, chinês, russo e turco continuam abertos)



Fredy Montero 

Foi transferido por €5M para o Tiajin Teda, com o Sporting a manter 20% do passe, ao que parece como parte de um pacote que também trouxe Hernán Barcos para Lisboa. É seguramente a transferência que mais reações negativas gerou entre os sportinguistas.

Financeiramente, parece-me um bom negócio. Montero tem 28 anos, seria a 4ª alternativa do plantel para a posição de ponta-de-lança (assumindo que Teo fica), pelo que os €5M acabam por ser um valor bastante interessante para o Sporting. Convém não esquecer que a SAD estava obrigada a vender para compensar o aumento dos custos com pessoal. Entre vender um suplente e um titular, parece-me óbvio que é preferível vender um suplente.

Desportivamente, todos reconhecem o talento de Montero. O problema é que esse talento aparecia de forma demasiado esporádica para ser titular do Sporting, para além de ter pouca presença de área para ser o ponta-de-lança de que precisávamos. Foi muito útil em vários jogos, é verdade - incluindo no último sábado -, mas parece-me que faz sentido que o clube prefira contar com outro jogador com características que lhe permitam efetivamente lutar pela titularidade, coisa que o colombiano já não conseguia.

Sentimentalmente, custa vê-lo partir. Montero foi o protagonista do inesperado ressurgimento do Sporting (de Leonardo Jardim) logo após a pior época da história do clube. Estreou-se em Alvalade com um hat-trick (um dos golos foi de levantar o estádio) e teve um início de temporada espantoso que catapultou o Sporting para a liderança isolada. Apagou-se na segunda metade da época e nunca mais foi um titular indiscutível. Ainda assim, foi fundamental na conquista da Taça de Portugal. Durante os dois anos e meio que esteve connosco teve sempre um comportamento correto e profissional. Como tal, vai deixar saudades.



Junya Tanaka

O japonês era uma figura querida em Alvalade, mas é fácil perceber que não contava para Jorge Jesus. Conseguiu uma média de golos marcados interessante, para os poucos minutos que acabou por jogar. Ficará na memória de todos os sportinguistas o golo que marcou em Braga. Foi emprestado por uma época e meia, coincidindo com o resto do contrato, o que significa que não deverá voltar ao Sporting.



Labyad e Viola

Dois jogadores com vencimentos elevadíssimos, era urgente a sua colocação para reduzir a folha salarial da SAD. Viola já se tinha desvinculado do Sporting em janeiro, enquanto o marroquino foi ontem emprestado ao Fulham durante 6 meses, com o clube inglês a ficar com a opção de estender o empréstimo por mais um ano (o que coincidiria com o fim do contrato do Sporting). Duas boas notícias para as finanças do clube. 


Rosell, Cissé e Sacko

Três erros de casting que foram cedidos até ao final da época. Rosell vai para o Guimarães, tendo o Sporting recebido em troca o direito de preferência sobre o guarda-redes Miguel Silva e Alexandre Silva. Na prática, estes direitos de preferência significam muito pouco. Continuarão a ser sempre os jogadores a decidir o clube para onde seguirão numa eventual transferência. Cissé foi emprestado ao Setúbal, e Sacko ao Sochaux, da 2ª divisão francesa.


Diogo Salomão

Um problema antigo que foi finalmente resolvido, com a sua transferência definitiva para o Maiorca.


Marcelo Boeck

Foi por empréstimo para o Chapecoense até ao final da época, com mais um de opção. Não se compreende por que motivo a direção decidiu renovar com Marcelo, quando já era evidente que o seu rendimento desportivo deixava muito a desejar. Assumindo que o Chapecoense aciona a opção, ficará no Brasil até 31 de dezembro de 2017. Ficará então a faltar 6 meses para o final do contrato com o Sporting.


Hernán Barcos

É um jogador com características semelhantes às de Slimani: muito forte fisicamente e móvel, talvez mais forte a finalizar que o argelino. No entanto, é preciso saber se o Barcos que vem para o Sporting é o melhor Barcos, ou se a sua passagem pela China o fez perder as capacidades que mostrou ao serviço do Palmeiras e do Grémio. Contra si tem o facto de fazer 32 anos em abril e estar sem competir há mais de dois meses. Uma boa adaptação ao clube e ao sistema de Jesus e uma rápida recuperação dos índices físicos serão fundamentais para poder ser um fator diferenciador no que resta desta época.


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Balanço de 2014/15: GRs e Defesas



Rui Patrício (***)

Mais uma época em grande. Apesar de um outro ou momento infeliz (no qual se destaca o jogo de Belém), foi um ano recheado de exibições fantásticas. O seu ponto fraco continuam a ser as hesitações nos cruzamentos, mas em contrapartida provou vezes sem conta ser dos melhores do mundo em situações de um contra um. O início de época foi tremendo, destacando-se a exibição de antologia em Alvalade com o Chelsea, o penálti defendido no Dragão para a Taça e, claro, a épica série de penáltis na final da Taça em que se transformou numa espécie de Adamastor para os jogadores do Braga, mesmo coxeando.


Marcelo Boeck (*)

Mais um ano ingrato para o suplente de um dos guarda-redes mais disponíveis do campeonato português. Fez 8 jogos (o da última jornada do campeonato, 3 da Taça de Portugal e 4 da Taça da Liga). Infelizmente o seu jogo mais marcante da época acaba por ser a noite insegura na eliminatória da Taça de Portugal contra o Vizela. A avaliar pela contratação de um guarda-redes esloveno, parece aproximar-se do fim a passagem de Marcelo pelo Sporting.

Cédric (**)

Se do ponto de vista defensivo continuou a evolução que já tinha registado com Leonardo Jardim, pareceu regredir do ponto de vista ofensivo. Menos desequilibrador e acima de tudo muito mais ineficiente nos cruzamentos, que já foram a sua imagem de marca. Época regular que felizmente não ficou marcada de forma negativa pela prematura expulsão na final da Taça.

Miguel Lopes (**)

Foi provavelmente o suplente perfeito. Merece respeito por ter abdicado de parte do vencimento para ser integrado no plantel principal. Esperou pela sua oportunidade e quando a teve agarrou-a com unhas e dentes, fazendo exibições bastante positivas, destacando-se a magnífica exibição em casa contra o Guimarães em que participou ativamente em 3 dos 4 golos. Diferenciou-se de Cédric pela forma como explora o espaço interior para causar desequilíbrios, tornando-se mais imprevisível para os adversários.

Jefferson (**)

À semelhança do que aconteceu em 2013/14, foi mais uma época de altos e baixos. Começou muito mal, chegando inclusivamente a perder a titularidade para Jonathan. Pareceu espicaçado e voltou em grande nível, tornando-se num dos principais municiadores dos pontas-de-lança. Borrou completamente a pintura ao ter o episódio de indisciplina com Bruno de Carvalho. O final da época foi algo penoso em virtude do desgaste acumulado.


Jonathan (*)

Época irregular. Começou da melhor forma possível. Estreou-se em Barcelos com uma vitória por 4-0 e na jornada seguinte ao fim de 2 minutos no seu primeiro jogo em Alvalade já tinha marcado um golo ao Porto. Infelizmente o seu nível exibicional decresceu com o tempo, ao qual não terá sido alheio o facto de ter participado em ambas as (pesadas) derrotas para o campeonato - acabando por ser um dos sacrificados pelo treinador nas duas ocasiões. Jogador raçudo que se sente muito confortável em zonas mais interiores, promete explodir na próxima época. Há que lembrar que tem apenas 20 anos.


Ricardo Esgaio (*)

Inesperadamente foi titular logo na 3ª jornada na Luz devido à lesão de Cédric e manteve-se no onze a na jornada seguinte. Apesar dos dois empates, Esgaio cumpriu. Teve mais tarde um desafio de fogo contra o Chelsea e aí as coisas não lhe correram bem, provocando um penálti logo a abrir. No entanto, há que dizer que Marco Silva não lhe facilitou a vida: podia perfeitamente tê-lo lançado na partida anterior com o Boavista para ganhar ritmo e entrosamento com os colegas. No mercado de inverno foi emprestado à Académica.

Maurício (*)

Depois de uma época em que surpreendeu positivamente (não esquecer que vinha da segunda divisão), esperava-se que fosse o esteio da defesa após a saída de Rojo. Puro engano. Pareceu acusar em demasia a responsabilidade e acabou por contribuir para a instabilidade defensiva da equipa com erros em excesso. A Liga dos Campeões correu-lhe de forma desastrosa: fez a rosca que esteve na origem do empate dos eslovenos ao cair do pano, saiu ensanguentado em casa com o Chelsea após choque violento com Diego Costa, e foi expulso de forma completamente desnecessária pouco depois dos 30 minutos em Gelsenkirchen numa altura em que ganhávamos por 1-0. Transferido no mercado de inverno para a Lazio.

Sarr (*)

Inesperadamente, em virtude de uma série de acontecimentos encadeados, acabou por ser titular logo no princípio da época. Numa fase inicial não comprometeu mas rapidamente os erros começaram a acumular-se. Sei que ainda é novo mas tenho muitas dúvidas que alguma vez possa vir a ser jogador para o Sporting. Tecnicamente não me parece dos piores, mas tem quebras de concentração inexplicáveis e não consegue fazer uso do seu 1m96 e 90 Kgs para se impor perante os adversários - nem sequer no jogo aéreo.

Paulo Oliveira (***)

Depois de uma pré-época dececionante parecia condenado a ser 5ª opção - ou seja, provavelmente nem teria ficado no plantel caso Rojo e Dier se tivessem mantido no Sporting. Mas as mexidas aconteceram e acabou por ficar como 3ª opção atrás de Maurício e Sarr. Teve um primeiro teste de fogo ao entrar contra o Chelsea a substituir o lesionado Maurício e surpreendeu pela positiva. A mim convenceu-me nesse momento e a Marco Silva também, porque a partir daí Paulo Oliveira passou a ser titular e de semana a semana foi solidificando o seu estatuto até ser absolutamente indiscutível. Chegou também à seleção A e está a fazer para já uma prova extraordinária no Europeu Sub-21. Não parece, mas Paulo Oliveira tem apenas 23 anos.

Tobias Figueiredo (**)

Depois de uma primeira metade de época errática na equipa B, teve a sua oportunidade quando Maurício saiu para a Lazio e Marco Silva se viu sem outras opções credíveis para o centro da defesa. Mas Tobias fez por merecer essa oportunidade. Fez uma exibição imperial na Taça da Liga em Guimarães e foi logo de seguida titular em Espinho para a Taça de Portugal. Passou a ser titular na 17ª jornada e convenceu tudo e todos ao entender-se de forma perfeita com Paulo Oliveira. Não tremeu perante adversários de enorme dificuldade como o Benfica ou o Wolfsburgo. Teve uma exibição infeliz no Dragão e pareceu ressentir-se disso, já que a partir daí a segurança já não foi a mesma e cometeu vários deslizes - incluindo dois que lhe valeram o cartão vermelho direto ainda na primeira parte. Perdeu a titularidade para Ewerton. Para 2015/16: 3º central (onde seguramente terá oportunidade de fazer mais de 20 jogos) ou roda noutra equipa da I Liga? Eis a questão.

Ewerton (***)

Um caso paradigmático do que é chegar, ver e vencer. Chegou em janeiro vindo de uma lesão prolongada e sem ritmo de jogo. Teve a sua oportunidade ao entrar para tapar o lugar do expulso Tobias, com o Penafiel, e não mais largou o lugar. É um central muito completo, mas impressiona sobretudo pela serenidade e pela capacidade de jogo aéreo. Seguramente que não há ninguém que pense que o €1,5M da cláusula de opção de compra a pagar ao Anzhi será dinheiro mal gasto.

Rabia (-)

Chegou tarde e lesionado, o que não terá ajudado nada à sua adaptação. Só em novembro começou a jogar, e não convenceu nem na equipa B nem na Taça da Liga, cometendo muitos erros. Mais para o final da época começou a jogar com mais regularidade e a ter prestações mais interessantes. Se isso será suficiente para fazer parte do plantel principal, não sei.

André Geraldes (-)

Uma contratação que pareceu um equívoco. A pré-temporada correu-lhe mal e acabou por ser aposta apenas na Taça da Liga - e sempre como defesa esquerdo, que não é a sua melhor posição. Mesmo assim fez um excelente jogo em Guimarães, colocando a dúvida se não mereceria mais oportunidades. Não me parece que fique connosco na próxima época.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

A noite dos understudies

Não, não foi uma exibição espetacular. O Guimarães foi sempre a equipa mais perigosa, dispôs de várias oportunidades para marcar e merecia seguramente outro resultado. Nada que não estejamos habituados nesta época, mas normalmente com os papéis invertidos. Interessante no entanto que vários comentadores já tenham começado a salientar a quebra de forma do Guimarães - livrem-nos de terem que admitir que os leões que subiram ao relvado do D. Afonso Henriques conseguiram uma proeza notável.

Alinhando com um conjunto de jogadores que é um misto de banco da equipa principal e de recrutas da equipa B, sem rotinas consolidadas e, em alguns casos, sem qualquer ritmo de jogo, a equipa fez o jogo que era possível contra o 3º classificado da Liga - que jogou praticamente com a equipa habitual - e soube compensar as evidentes limitações com uma enorme entrega e espírito de sacrifício.

Mais importante do que os três pontos conquistados para a Taça da Liga, fica a ideia de que há mesmo alguns jogadores que poderão ser alternativas válidas a curto prazo - nomeadamente em fevereiro quando o calendário começar a apertar.



Positivo



A pele ficou em campo - marcar pouco depois do início da partida é um estímulo importante, e os jogadores souberam tirar proveito desse fator; a equipa jogou serena e com grande entrega, não se desmontando quando mais pressionada pelo Guimarães, e nunca virando a cara à luta perante uma das equipas mais agressivas (no bom sentido) do campeonato. Fizeram por merecer a oportunidade que lhes foi dada.



André Geraldes - calhou-lhe a fava ao ter que, fora do seu flanco habitual, apanhar com Hernani pela frente, mas ganhou muitos mais duelos do que perdeu. Teve dificuldades quando Hernani conseguia embalar (quem não teria?), mas na maior parte das situações soube compensar a diferença de velocidade através de um bom posicionamento e tempo de corte. Ainda safou alguns lances bastante perigosos fechando no meio quando o ataque do Guimarães era conduzido pelo flanco oposto. Não teve grandes oportunidades de subir no terreno, à semelhança de toda a equipa.



Tobias Figueiredo - bem sei que as suas exibições na equipa B têm sido irregulares, mas estaria a mentir se não dissesse que Tobias me deu uma sensação de segurança bastante superior a Sarr. Fisicamente muito forte, saiu vencedor de quase todos os confrontos diretos, e demonstrou sempre grande concentração. Atendendo aos nossos problemas no centro da defesa, merece seguramente novas oportunidades.



Wallyson Mallmann - entrou a meio da segunda parte numa altura em que o Guimarães encostava o Sporting à área, e foi fundamental para sacudir essa pressão. Muito combativo defensivamente, teve bons pormenores com a bola nos pés ao sair para o ataque.



Ryan Gauld - teve dificuldades nos primeiros vinte minutos, mas começou a soltar-se com o passar do tempo. Teve alguns pormenores deliciosos que revelam uma visão de jogo e inteligência bastante interessantes. Fico com a sensação que pode render muito mais num jogo em que tenha mais tempo a bola nos pés e com curiosidade para vê-lo jogar com jogadores como Nani, João Mário ou Montero.



Marcelo Boeck - soube recuperar do jogo infeliz com o Vizela. Apesar de não ter feito nenhuma defesa vistosa, teve muito trabalho e esteve sempre muito seguro, principalmente nos cruzamentos.



Negativo


Sarr, Slavchev, Rosell - O francês definitivamente não consegue dar segurança: há sempre uma escorregadela, um domínio de bola imperfeito, um corte atabalhoado ou qualquer outra coisa que ameaça a estabilidade da equipa. Slavchev esteve muito pouco em jogo e mostrou por que motivo nunca tem sido opção. Rosell não esteve mal, mas esperava mais de alguém que é a primeira opção para substituir William Carvalho. Ao nível do passe deixou bastante a desejar.



Depois de uma semana infernal, todos percebiam que até um mau resultado na Taça da Liga poderia servir para incendiar ainda mais a situação do clube. Pelo menos não houve falta de esforço dos comentadores e repórteres de serviço para tentar atear fogo às acendalhas que tinham à mão. Bastou ouvir as palavras de Manuel Queiroz, que registou a poucos minutos do fim a falta de interação entre Bruno de Carvalho e Marco Silva (a sério, que tipo de interação era suposto haver?), ou uma flash interview que se borrifou completamente no jogo que tinha acabado de ser transmitido. Lamentamos que o programa de segunda à noite tenha saído estragado para muita gente...

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Balanço de 2013/14: Guarda-redes e defesas



Rui Patrício (***)

Foi mais uma vez ano de São Patrício. Mais uma época de grande nível, tendo sido decisivo em vários jogos. O erro que cometeu na Luz para a Taça foi o único momento negativo de uma excelente temporada. 

Marcelo Boeck (*)

No início da época tudo apontava para a saída de Rui Patrício, e Marcelo contaria certamente com a titularidade. Ter passado o ano no banco deve ter sido uma desilusão, mas a verdade é que continuou igual a si próprio: um grande 12º jogador enquanto está no banco. Nas poucas vezes em que foi chamado à titularidade, esteve muito bem - nomeadamente no jogo com o Marítimo para a Taça da Liga.

Cédric (***)

Grande evolução. Pulmão inesgotável, velocidade, capacidade de drible, muito bom a cruzar com os dois pés, e este ano passou a ser muito consistente a defender. Um dos melhores do ano. Merecia estar no mundial.

Jefferson (**)

Excelente primeira metade de época. Desequilibrador no ataque, não tão forte a defender, muito bem na marcação de cantos. Perdeu fulgor ao longo da segunda metade da época. Precisa de um jogador no plantel que lute com ele pela titularidade.

Piris (*)

Esteve quase sempre bem nas poucas oportunidades que teve. Fez jogos de qualidade nos dois flancos, o que o tornou numa peça importante num plantel pouco profundo. Não fosse a sua cláusula de compra tão elevada e seria uma boa opção para continuar connosco na próxima época.

Welder (-)

Bom espírito de grupo a avaliar pelos instagrams dos jogadores. De resto foi uma aposta completamente falhada, como os 0 minutos de utilização atestam.

Rojo (***)

Se houvesse um prémio de Most Improved Player, seria de caras para Rojo. No ano passado era um jogador demasiado impetuoso e agressivo, com falhas graves de posicionamento, com uma taxa de passes longos ridiculamente baixa e perdia muitas bolas quando avançava em posse. Este ano transfigurou-se. Um jogador impressionante. Intransponível no um contra um, imperial no jogo aéreo ofensivo e defensivo, muito concentrado. Na minha opinião o jogador mais underrated do campeonato. Uma época extraordinária. Seria muito bom que ficasse mais um ano.

Maurício (***)

Uma enorme surpresa pela positiva, atendendo ao facto de ter sido contratado a um clube da segunda divisão brasileira. Um guerreiro em campo, foi também um dos principais responsáveis pelo acerto defensivo da equipa.

Dier (*)

Teve várias oportunidades ao longo da época para jogar. Começou mal, parecendo muito nervoso nos primeiros jogos em que foi utilizado. No entanto, ao longo da época foi voltando a ser o jogador que conhecemos. Teve uma prova de fogo contra o Porto que foi inteiramente ganha, ficando na retina o golo que tirou dos pés de Jackson com um golpe de rins incrível. Atribuo-lhe * e não ** porque infelizmente não foi o ano de afirmação de um dos jogadores de maior potencial que temos no plantel. Apesar de ter gostado muito da época de Maurício, preferiria ver Dier a ser utilizado de forma mais regular.

Rúben Semedo (*)

Deu nas vistas contra a Fiorentina, mas acabou por não ser utilizado. Os casos em que esteve envolvido são, na minha opinião, menos graves do que se quis fazer passar. Há que ter paciência e apoiá-lo, pois tem imenso potencial.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Missão cumprida

Acabar com o jejum de golos e vencer por uma margem que nos colocasse numa boa posição na corrida pelo apuramento para a fase seguinte eram, para mim, os dois principais objetivos para o jogo contra o Marítimo. Nesse sentido, dificilmente o jogo poderia ter corrido melhor.

No entanto, o jogo que o Sporting realizou esteve longe do fulgor que o resultado sugere. Os primeiros vinte minutos foram muito bons, jogados com velocidade, com rapidez na recuperação de bola e obrigando o Marítimo a encostar-se à sua área. Um golo fantástico de Carlos Mané colocava o Sporting na frente com naturalidade, traduzindo a clara superioridade demonstrada até aí.

O bom Sporting acabou aí. A equipa entrou em modo de descompressão gradual, talvez mais preocupada com o próximo jogo com o Arouca, e deixou o Marítimo assumir as despesas do jogo. E a verdade é que o jogo esteve longe de ser controlado pelo Sporting, que revelou uma grande quantidade de falhas de concentração, coisa pouco comum nesta temporada. O Marítimo mandou efetivamente no jogo e dispôs de muitas oportunidades para marcar, podendo queixar-se da falta de eficácia na finalização e da brilhante exibição de Marcelo. E ficaram também com um penalty por assinalar a seu favor por mão de Slimani na área.

Pouco depois do início da segunda parte, um golo de Vítor matou o jogo e a cinco minutos do fim Rojo, após um canto de Jefferson, fez o resultado final.


Nota muito positiva para Marcelo Boeck, que fez um punhado de defesas de enorme nível. Cédric, Jefferson, William e Carlos Mané (este apenas na primeira parte) foram outras boas exibições.

Uma palavra final para o Marítimo, que na minha opinião não merecia perder por tantos golos. Tiveram muitas oportunidades para marcar, e com um pouco mais de sorte poderiam ter saído de Alvalade pelo menos com um empate. É bom, para variar, ver o Sporting ter a sorte do jogo do seu lado.