Mostrar mensagens com a etiqueta João Querido Manha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta João Querido Manha. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 16 de março de 2015

It's alive!

João Querido Manha voltou ao comentário da atualidade futebolística através da sua conta do Twitter, com duas observações que demonstram que, mesmo não estando no ativo, mantém intacta a postura imparcial que o celebrizou:


Sobre as declarações de Lopetegui na conferência de imprensa que antecedeu o Porto - Arouca:
Patético #Lopetegui

Sobre a flash interview de Pedro Emanuel no final do Porto - Arouca: 
: Pedro Emanuel estava aflito. Respira agora mais aliviado.


(as minhas desculpas por não conseguir colocar aqui os tweets de uma forma mais decente, mas o jornalista em questão bloqueou-me e não posso ver diretamente o que vai escrevendo)

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A incontrolável tentação da desculpabilização

                                                                                                                                                        
Ponto prévio: se os regulamentos da Liga dizem que um treinador expulso por protestos deve ser punido apenas com uma advertência e uma multa, então não há motivos para manter Jesus fora do derby. Aliás, é-me perfeitamente indiferente se Jesus estará no banco a berrar para dentro do campo ou na bancada, de uma posição privilegiada para ver o jogo, a comunicar por telemóvel para Raúl José fazer os ajustes que têm que ser feitos. O trabalho mais importante é feito durante a semana, a organização da equipa e os processos são trabalhados nos treinos, e para o tempo em que o jogo decorre sobram pormenores que tanto podem ser corrigidos diretamente ou interposta pessoa.

É bem mais relevante para mim saber, por exemplo, se William vai jogar e, olhando para o adversário, sem dúvida que seria melhor que Enzo fosse vendido a tempo de não participar no derby.

De qualquer forma, e apesar de tudo isto, há quem tenha sentido a necessidade de, no dia em que seria conhecida a decisão do Conselho de Disciplina, relativizar o que Jorge Jesus fez ao intervalo do jogo com o Boavista.




Jesus é-nos apresentado como o incontrolável génio telúrico com uma personalidade imprevisível, impossível de dominar no seu palco preferencial - como quem remete a explicação para uma questão de excentricidade. Excentricidade o tanas! É um treinador, que por muito competente que seja (e é indiscutível que é excelente no que faz), já demonstrou no passado que se está a borrifar para os outros intervenientes no espetáculo - sejam árbitros (alô Ricardo Santos?), treinadores adversários (alô Manuel Machado, Tim Sherwood?), jogadores adversários (alô Luís Alberto?) e até forças de segurança (alô PSP de Guimarães?). Não fosse ele o homem que uma vez disse que o fair play é uma treta.

É portanto um absurdo querer-se desculpabilizar Jorge Jesus comparando o que fez com outro incidente da pior espécie ocorrido noutro país. Se Manha quisesse ser completo na sua abordagem, poderia também comparar Jesus às centenas ou milhares de treinadores que andam por esse mundo fora com um comportamento bem mais adequado ao cargo que ocupam, muitos dos quais são portugueses, alguns dos quais treinam na I Liga, e que nunca fizeram nada que se aproximasse aos tristes episódios que Jesus protagonizou ao longo dos últimos anos.

Se a mensagem a passar era que Jesus não devia ser suspenso, que se baseie exclusivamente naquilo que está definido nos regulamentos. Não vale a pena tentar passar um certificado moral a uma decisão que só se justifica por termos um futebol em que os regulamentos e os organismos responsáveis pouco fazem para proteger a integridade das competições.

sábado, 17 de maio de 2014

Foi assim que o Record perdeu um leitor assíduo (e daqueles que pagam)

                                                                                                                                         

Quando João Querido Manha escreveu este inqualificável texto, após o apuramento do Benfica para a final da Liga Europa, e no dia em que o Sporting voltava à competição contra o Nacional após duas semanas de paragem, prometi a mim mesmo tentar convencer o meu pai, comprador diário do Record nos últimos 15 anos, a passar a comprar outro jornal desportivo.

Estive com o meu pai no dia seguinte à publicação do tal artigo. Perguntei-lhe se tinha lido a última do Manha. Respondeu-me que não tinha lido. Mostrei-lhe a imagem com o texto do Manha no iPad, e dei-lhe um minuto para ler. Quando acabou, e antes que eu pudesse perguntar-lhe se não achava que estava na hora de deixar de dar dinheiro ao Record enquanto o Manha for diretor, disse-me: "Se calhar está na altura de experimentar outro jornal.".

E assim fez.



Não sinto um particular prazer em estar a mostrar que o meu pai passou a comprar outro jornal, porque acaba por ser uma espécie de menor de dois males. Tenho muita consideração por alguns jornalistas do Record, e a verdade é que A Bola também teve os seus episódios de desrespeito para com o Sporting (aquela capa dos 10 titulares da seleção em vésperas do jogo com a Suécia deixando de fora apenas Rui Patrício, por exemplo). 

Sei também que não faz grande mossa nas contas do Record -- afinal, em contas por alto, serão cerca de 350 jornais por ano, que dá cerca de €300. Se sobreviveram às quedas de vendas dos últimos anos, nunca será a perda de um leitor que irá pôr em causa a continuidade do jornal.

As consecutivas exibições de facciosismo clubista de um jornalista é lamentável, mas quando se trata de um diretor de jornal é intolerável -- e ainda pior quando escreve artigos que fazem troça de outros clubes. Os responsáveis do Record lá saberão se é este o caminho que querem seguir.

domingo, 4 de maio de 2014

A crónica do Nacional - Sporting, por Q.

                                                                                                                       
Este é um dia muito especial para este blogue. Ao contrário do que é habitual, o post sobre o jogo entre o Sporting e o Nacional não foi escrito por mim, mas por um ilustre jornalista da nossa praça que aceitou interromper o primeiro dia de descanso após um período prolongadíssimo de trabalho ininterrupto, carregado de emoções fortes.

O jornalista, que por acaso até é diretor de um conhecido jornal desportivo, pediu-me para não revelar a sua identidade (devido ao contrato de exclusividade que tem com o grupo económico para quem trabalha), pelo que vou referir-me a ele por Q.. 

É com grande orgulho que deixo de seguida a crónica do Nacional - Sporting, escrita por Q. em rigoroso exclusivo para este blogue.


O Nacional - Sporting ficará na história do futebol português pelos piores motivos. Mais uma vez, a verdade desportiva foi colocada em causa quando o Nacional decidiu realizar este jogo na Choupana. Com esta atitude lamentável de Rui Alves, foi permitido que o adversário pudesse ter milhares de adeptos a apoiá-los. Não se compreende como o Nacional não tenha mudado o jogo para o campo do Camacha, onde caberiam apenas os sócios da equipa da casa. No fundo, deixou que os interesses económicos se sobrepusessem aos desportivos, o que é um atentado à verdade desportiva que não pode passar impune, e que se tem repetido vezes sem conta esta época nos jogos em que o Sporting tem jogado fora de casa.

Apesar do ritmo lento, próprio de equipas que já não têm nada para lutar, foi um jogo com várias ocasiões de golo, quase todas protagonizadas pelo Nacional, que tem o 2º ataque mais perigoso da liga (não é por acaso que a equipa de Manuel Machado foi das poucas que conseguiu marcar 2 golos à melhor dupla de centrais da Europa -- Luisão e Garay).

O Sporting jogou com pouca intensidade, tendo sido poucos os jogadores que tentaram lutar contra a avalanche ofensiva da equipa da casa. Cédric foi provavelmente o jogador mais inconformado, talvez para tentar chamar a atenção de Paulo Bento, na vã esperança de conseguir o lugar nos convocados para o mundial que pertence por direito a André Almeida.

Foi no entanto contra a corrente do jogo que o Sporting acabou por inaugurar o marcador, com um auto-golo de Nuno Campos, que se estreou a titular neste jogo. O jovem jogador não deve ficar desmotivado pelo erro que cometeu. Comparando com uma outra situação célebre, ficou a milhas do enorme frango que Rui Patrício sofreu no golo de Luisão para a Taça de Portugal, que acabaria por eliminar o seu clube num dos mais espetaculares jogos deste século (em que o melhor Sporting do ano conseguiu dar alguma luta a um Benfica que teve sempre o jogo controlado, com uma excelente arbitragem de Duarte Gomes).

Na primeira parte, é de destacar a enorme exibição de Candeias, certamente motivadíssimo pela transferência para o único clube de dimensão verdadeiramente internacional em Portugal, procurando mostrar desde já ao futuro treinador que talvez tenha talento para fazer parte do plantel do próximo ano.

Na segunda parte, o Sporting continuou a jogar num ritmo morno, e o Nacional conseguiria chegar ao empate num golo em que Rui Patrício tem claras responsabilidades, ao não conseguir impedir com a cara o remate à queima-roupa de Diego Barcellos. Se tivesse a escola eslovena, o guarda-redes do Sporting saberia que tinha que colocar a testa na trajetória da bola para afastá-la para longe da baliza, em vez de marcar mais um auto-golo tão típico nele.

A partir desse momento o Sporting procurou aumentar a intensidade de jogo, mas raras vezes chegou com perigo à área adversária. De destacar um lance de Capel, em que o espanhol, não dispondo daquela magia argentina / sérvia que caracteriza os melhores extremos do mundo, preferiu atirar-se para o chão ao sentir os braços de um defesa adversário nas costas. Esteve bem o árbitro Rui Costa em amarelar o jogador do Sporting.

Empate injusto, pois o Nacional foi a única equipa em campo que demonstrou categoria para vencer a partida. De qualquer forma foi um mau jogo que acabou por ser uma perda de tempo para todos aqueles que aguardam ansiosamente o dia de amanhã para voltar a ver futebol que valha a pena.


Como esta crónica de Q. não espelha exatamente aquilo que penso do jogo, deixo também a minha opinião.

O Sporting pareceu entrar em campo já com a cabeça nas férias. A partida até foi relativamente interessante de seguir por terem existido várias oportunidades de perigo distribuídas pelas duas equipas, mas pareceu faltar alguma agressividade (para não dizer empenho) na forma como vários jogadores encararam o jogo. Destaco pela positiva Rui Patrício, Cédric, Maurício, Dier, André Martins, e Capel. Não gostei do jogo de Carrillo, William (cometeu vários erros que não lhe são habituais), Gerson Magrão (não compreendo a insistência de Leonardo Jardim em apostar nele), e Slimani (muito perdulário).

As substituições foram tardias: há muito que se tinha percebido que havia jogadores que não estavam a acrescentar nada em campo. Foi pena, porque tivemos o jogo na mão e poderíamos ter garantido uma vantagem maior caso a equipa tivesse colocado um pouco mais de atitude competitiva em campo.

Mais uma vez ficou um penálti por assinalar, que nos poderia ter dado a vitória. É verdade que, olhando para o que as duas equipas fizeram, o empate é o resultado que mais se aceita. Mas infelizmente o Sporting voltou a ser penalizado pelas arbitragens num jogo em que demonstrou menos inspiração. É verdade que o campeonato está decidido, o jogo já não aquece nem arrefece para as contas finais, mas são mais dois pontos que se acumulam a outros tantos que não deveríamos ter perdido se as arbitragens não tivessem influência no resultado final.

sábado, 3 de maio de 2014

Leva lá a taça, ó Manha

Há pessoas a quem não deveria ser permitido o exercício de uma profissão. Por exemplo: um pedófilo não devia poder ser professor, um burlão nunca deveria trabalhar no setor financeiro, um adepto faccioso não deveria ser jornalista desportivo.

Já escrevi no passado o suficiente sobre a falta de ética de João Querido Manha e não tenho muito mais a acrescentar. Manha desvaloriza os erros de arbitragem quando beneficiam o Benfica, mas grita a plenos pulmões a denunciá-los quando o beneficiado é outro. Manha acha que a alteração de regras que ajudem certos clubes nas etapas finais do campeonato é um golpe na verdade desportiva, mas aplaude a decisão do Arouca em mudar o jogo com o Benfica para Aveiro. São opiniões contraditórias cujo sentido muda em função de o Benfica estar ou não envolvido, e mostram o nível de desonestidade do sujeito que as faz.

Mas isto que escreveu hoje é de um calibre que ultrapassa todos os limites para um jornalista, e pior ainda, para um diretor de um jornal que ainda tem sportinguistas como leitores:


Isto é pura provocação e uma tremenda falta de respeito para com o Sporting e os sportinguistas.

Leva lá a taça, ó Manha. Eu sei que a época está a correr-te maravilhosamente, o Benfica vai limpar todas as competições em que participa, e são dias de sonho para os adeptos do clube. Mas havia mesmo necessidade de espezinhar e tentar humilhar o Sporting e os seus adeptos?

O meu pai é leitor assíduo do Record há anos. Compra o jornal todos os dias. É sportinguista, e foi com ele que comecei a ir ao estádio desde muito novo -- a minha memória mais antiga em que consigo colocar uma data é de um jogo que fui ver a Alvalade, quando tinha 4 anos. Apesar do que vou escrevendo por aqui, nunca lhe disse para não comprar o Record. Estando reformado, tem direito a passar o seu tempo da forma como entende. Mas isto foi a gota de água. A partir de agora, todos os dias em que estiver com o meu pai vou pedir-lhe para começar a comprar outro jornal desportivo. 

Não sei se vou conseguir, e se conseguir serão apenas cerca de €30 que todos os meses deixarão de entrar nas contas do Record. Mas pelo menos ficarei a sentir-me melhor comigo próprio.

Lamento-o por outros jornalistas que trabalham naquela casa, como Bernardo Ribeiro e Luis Avelãs, que gosto bastante de ler, mas neste momento já é uma questão de honra. Quem ataca desta forma os sportinguistas não merece um euro que seja dos leitores do nosso clube.

Espero também que o Sporting passe a proibir o acesso do Record às instalações do clube enquanto Manha for diretor do jornal. É uma medida extrema que normalmente não apoiaria, pois acabam por pagar os justos pelos pecadores, mas os limites do bom senso já foram todos ultrapassados por alguém que tinha a obrigação de ser isento, equidistante, e equilibrado. Neste momento é uma questão de defendermos a nossa dignidade.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

A verdade desportiva segundo João Querido Manha - Parte II

                                                                                                                                       

Há poucos dias voltou a ser levantada a questão da verdade desportiva, mas desta vez não foi por causa do Arouca - Benfica:

A moda da "gestão"

Os treinadores de futebol estão atacados de um modismo sem sentido e que dá pelo nome pomposo de "gestão". Trata-se de preservar o físico dos jogadores, que não se podem cansar em determinados jogos para, supostamente, serem decisivos noutros mais importantes. Até há pouco tempo era coisa de treinador de clube grande, atarefado entre provas nacionais e grandes desafios europeus. Mas agora alastra entre os que perseguem segundos objetivos nacionais, depois de falharem, com maior ou menor estrondo, a classificação desejada na Liga. Este fim de semana a "gestão" do Braga e do Rio Ave, semifinalistas da Taça de Portugal, resultou em derrotas óbvias na prova principal, com influência direta na classificação, perante a indiferença geral. Mais uma vez, os clubes tomam opções que afetam a imagem da competição e, indiretamente, prejudicam a verdade desportiva. 

João Querido Manha, jornal Record, 14 Abril de 2014


Começa a ser complicado escrever sobre as opiniões de João Querido Manha. Quando o Arouca decide mudar o jogo com o Benfica para Aveiro, por fins puramente financeiros, não se passa nada para o diretor do Record. Segundo João Querido Manha, a ideia a reter na mudança de estádio era que os supremos interesses do Arouca estavam a ser defendidos. Não interessava que as aspirações de manutenção do próprio clube estivessem a ser postas em causa, desde que a receita fosse histórica. Ao mesmo tempo, optou por ignorar o facto de que a tarefa do Benfica ficou facilitada, prejudicando indiretamente o Sporting.


No entanto, quando precisamente na mesma jornada Rio Ave e Braga decidem, por razões puramente desportivas, fazer poupanças para a meia-final da taça que se realizaria três dias depois, João Querido Manha já tem uma interpretação diferente. Neste caso, os dois clubes estão a prejudicar a verdade desportiva, pois as suas poupanças beneficiaram os clubes que defrontaram. Enquanto que o Rio Ave perdeu com o Olhanense, o Braga perdeu contra... o Porto, que por acaso também fez poupanças a pensar na meia-final da Taça de Portugal.


Eu sei que crítico o Record muitas vezes, mas o jornal não merece este diretor. Há gente séria que lá trabalha que não merece estes delírios de João Querido Manha, que mudam de direção em função das cores dos clubes envolvidos.


Já agora, parece-me oportuno colocar aqui uma frase de um dos jornalistas que mais gosto de ler. Bernardo Ribeiro, do Record, fez um pequeno mas certeiro comentário sobre o Arouca - Benfica, precisamente no mesmo dia em que João Querido Manha dissertou sobre o dano que Rio Ave e Braga causaram à verdade desportiva do campeonato de 2013/14:

Não havia necessidade de se jogar em Aveiro. Permitiu-se o falsear da verdade desportiva e descredibilizou-se a prova. E o Benfica não precisava, tal a vantagem. Muito português.



quinta-feira, 10 de abril de 2014

A verdade desportiva segundo João Querido Manha

Ontem, no Record, João Querido Manha escreveu o seguinte texto a propósito da mudança de recinto do Arouca - Benfica para Aveiro:

in Record, 9 de abril de 2014

João Querido Manha decidiu inovar nas suas análises ao fenómeno futebolístico vestindo a pele de adepto nº 1 do Arouca, proporcionando-nos uma listagem exaustiva dos argumentos a favor da mudança de estádio para Aveiro, um dos quais parte do absurdo pressuposto de um boicote dos adeptos portistas ao jogo em casa com o Benfica.

É pena que nestas suas considerações, João Querido Manha tenha esquecido completamente o outro lado da história. Não se lê nem uma palavra sobre o facto de o Benfica obter uma vantagem competitiva em relação aos adversários diretos, ao disputar um jogo em campo neutro (por motivos puramente económicos), numa altura crucial do campeonato em que o título não está matematicamente decidido, à semelhança do que já tinha acontecido em 2004/05.

Alguém parou para pensar que existe a possibilidade de o Benfica despertar fantasmas recentes se perder pontos (é pouco provável, admito, mas possível) nesta fase do campeonato? João Querido Manha não, certamente.

Para estas situações que se assemelham à alteração das regras a meio do jogo, que criam artificialmente uma vantagem competitiva para determinados clubes, gosto sempre de citar um parágrafo que um conhecido jornalista da nossa praça escreveu há precisamente um ano:
"A mudança das regras a meio do jogo é um sacrilégio para qualquer atividade e especialmente grave no que respeita aos princípios desportivos, tão inaceitável como o doping fisiológico. Os clubes que vencerem a derradeira etapa com este acréscimo de energia estão para o campeonato como os ciclistas que tomam doping para o último sprint. Estão a violar a verdade desportiva."

Este texto foi escrito num contexto diferente (sobre a decisão da Liga em 2012/13 em concretizar o alargamento para 18 clubes, com efeitos imediatos, o que implicaria que só desceria um clube na época que estava em curso -- e que seria revogada posteriormente pela FPF), mas assenta que nem uma luva ao caso do Arouca - Benfica. Ambas as situações têm em comum o benefício de clube(s) face a outros por causa de uma decisão extra-desportiva que altera a meio as condições de disputa da competição, sem que houvesse qualquer motivo de força maior para a tomar. 

É possível que muitos de vocês conheçam o senhor que escreveu este belo texto.

in Correio da Manhã, 9 de abril de 2013

Exatamente, foi escrito também por João Querido Manha. 

É caso para perguntar onde se meteu a poética indignação do diretor do jornal Record sobre os acréscimos de energia que ajudam os clubes a vencerem as derradeiras etapas. Suponho que a tenha guardadinha na gaveta juntamente com os seus princípios éticos e deontológicos. Infelizmente isso não é nenhuma novidade nesta personagem.


P.S.: só mais umas observações em relação à "dependência do sucesso do principal emblema": tanto quanto sei o futebol português passou uma década com o Benfica a andar nas ruas da amargura, e sobreviveu. Tal como sobreviveria o Arouca se não tivesse esta receita adicional. 

E, só por acaso, é um facto indesmentível que o Sporting tem levado este ano mais adeptos nos jogos fora de casa que o Benfica. Para além disso, nos anos em que o Sporting foi campeão, os sportinguistas também se mobilizaram em força por esse país fora, proporcionando receitas recorde aos felizardos anfitriões que nos receberam nas últimas jornadas da época. O Salgueiros que o diga, ao impor preços absolutamente obscenos no jogo do título de 1999/2000, que se realizou no pequeno Vidal Pinheiro. E como sabemos não foi essa receita extraordinária que acabou por assegurar a sua sobrevivência.

João Querido Manha além de ser intelectualmente desonesto também gosta de provocar. Fica-lhe mal a ele, e ao jornal que lidera.


Outros exemplos da parcialidade e incoerência de João Querido Manha:
  • analisando lances polémicos de arbitragem --> LINK
  • ignorando erros de Duarte Gomes no Benfica - Sporting para a Taça de Portugal --> LINK
  • ignorando erros de João Capela no Benfica - Sporting, preferindo escrever uma crónica a falar exclusivamente dos erros de arbitragem a beneficiar o Porto --> LINK

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O cerne da questão

Após o fecho da janela de transferências, o Record sentiu-se na necessidade de se retratar pela inqualificável capa sobre a eventual chegada de Neto ao Benfica.

in record.pt

Para mim, o que classifica esta capa como vergonhosa, não é o facto de não se ter concretizado a contratação de Neto pelo Benfica, ou a ida de Rodrigo e Garay para o Zenit. Capas com nomes de jogadores apontados a determinados clubes são, infelizmente, demasiado frequentes e encaradas à partida com desconfiança. A realidade normalmente acaba por dar razão a essa desconfiança, pois são poucas as transferências que se acabam por concretizar, e a maior parte não terá passado de pura especulação baseada em rumores ou em fontes de credibilidade mais do que duvidosa.

O problema está no facto de as pessoas que alinharam esta capa terem achado esta possível transferência (que dificilmente se poderia considerar um supernegócio, como agora o jornal a qualifica, independentemente dos milhões que o Benfica ainda recebesse por Rodrigo e Garay) tão importante a ponto de abafar a consagração de Cristiano Ronaldo como o melhor jogador do mundo no dia anterior.

Para todos os efeitos, o Record é um jornal desportivo. Sabemos que em Portugal o desporto que vende se resume ao futebol, pelo que já nos habituámos que o mais banal dos acontecimentos à volta de um dos grandes clubes portugueses seja tratado com um mediatismo bem superior ao mais notável dos feitos em outras modalidades. Felizmente que existiram recentemente algumas exceções à regra, em que alguns jornais deram um destaque bem assinalável às vitórias de Rui Costa no ciclismo e de João Sousa no ténis.

Mas num dia em que o futebol português efetivamente teve um motivo de destaque internacional, assinalado pelos órgãos de comunicação social dos quatro cantos do mundo, algumas pessoas do Record decidiram desvalorizar esse mesmo feito. Que pessoas foram essas e quais os motivos que os levaram a isso? Seria interessante saber.

Pelo meio, haverá certamente jornalistas sérios naquele jornal cuja credibilidade é afetada indiretamente por estes episódios, o que é de lamentar. O jornalismo desportivo precisa de uma injeção de seriedade, e está mais que visto que com pessoas como João Querido Manha o problema não está mais perto de se resolver. Pelo contrário. Compreendo a necessidade de vender, mas não é razoável transformar as capas em espaços de sensacionalismo, propaganda ou simplesmente para marcar uma posição contra pessoas ou entidades pouco apreciadas por quem manda no jornal.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Semelhanças entre o Record e a FIFA

Miguel Amaro, jornalista do Record, fez um artigo de opinião sobre os adversários que o sorteio colocou no caminho de Portugal no mundial do Brasil. 

Gostaria de destacar o último parágrafo, que fala sobre algo que não diz respeito diretamente à seleção portuguesa:

Outro desejo para este Mundial não diz respeito à nossa Seleção. Espero, sinceramente, que a França seja eliminada o mais cedo possível. A falta de vergonha na história da alteração dos potes foi do mais baixo que tenho visto mas, pensando melhor, estando Platini e Blatter na história até nem me surpreende.

Vemos portanto um jornalista do Record a insurgir-se contra:
  • uma instituição que deveria ser isenta que beneficia de forma clara a França, prejudicando uma outra seleção europeia (que neste caso calhou ser a Itália);
  • uma instituição que se sente à vontade para não respeitar os regulamentos definidos só porque que lhe apetece;
  • os responsáveis máximos da FIFA e UEFA, que representam o que de pior há naquelas instituições.

Estou inteiramente de acordo com o que Miguel Amaro escreveu. É uma vergonha a FIFA ter tido este comportamento. Ninguém acredita que se fosse a Bósnia a ter que ficar no pote 2, que a FIFA alterasse as regras como o fez na semana passada. E Blatter e Platini são de facto uma vergonha enquanto líderes de instituições que não deveriam olhar para as cores das camisolas quando tomam decisões.

Gostaria no entanto de sugerir a este jornalista e aos seus colegas que façam uma transposição deste caso para:
  • a postura que o Record tem tido em relação ao Sporting, como foi exemplo a peculiar tabela classificativa que apresentou nas últimas semanas;
  • o tratamento privilegiado, quase reverencial, que tem dado ao Benfica e em particular a Luís Filipe Vieira;
  • as crónicas facciosas do seu diretor, João Querido Manha, que muda de postura em relação aos erros de arbitragem em função do clube que é beneficiado ou prejudicado.

É que o Record é um órgão de comunicação social, composto por jornalistas que têm na isenção uma das suas principais obrigações. Miguel Amaro tem razão e todo o direito de exigir isenção à FIFA. Mas podem ter a certeza que os sportinguistas têm todo o direito de exigir isenção ao Record.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Desculpem continuar a bater no ceguinho, mas...

... tive há pouco conhecimento deste vídeo (que já tem uns meses, é possível que já tenham visto), que é demasiado bom para não ser partilhado.


Retirado do canal do youtube Com quem é que joga o Sporting.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Explicação para a classificação do Record

O facto de o Record insistir em colocar o Benfica à frente do Sporting causa-me muita confusão. Não é que tenha grande importância. O que conta é saber quem está no poleiro no final da 30ª jornada, e mesmo aí o Record poderia fazer o que quisesse porque o que define 1ºs e 2ºs é o regulamento da Liga, que é perfeitamente claro e objetivo.

Não creio que seja uma manifestação de benfiquismo do jornal ou do seu diretor, nem uma deferência ao clube de quem o grupo Cofina é parceiro. Não deve haver um único benfiquista que aponte para a classificação do Record como certa, renegando todas as outras que estão publicadas na liga e noutros jornais.

Para um espírito analítico como o meu, o que me faz confusão é não conseguir compreender o critério que o Record usa.

A única explicação que consigo encontrar é do foro psicológico. Durante anos, o Record têm andado a pôr-se de bicos de pés para deixar de ser considerado como o 2º jornal desportivo do país. Por exemplo, no ano 2000, reclamavam a liderança nos jornais diários nacionais.


O facto de o jornal A Bola não ser auditado pela associação que o Record usa como fonte para invocar a liderança parece ser um pormenor sem grande importância.

Ou em 2005, quando fizeram um dos artigos mais aziados de que tenho memória, a atacar o jornal A Bola por teimar em não se sujeitar à auditoria da APCT.


A ladainha já é velha e não lhes tem servido de muito. Porque a verdade é que um potencial leitor do Record não sabe o que pode esperar deste jornal. O Record tem um historial errático, com mudanças de rumo demasiado frequentes, usando com frequência as capas para promover polémicas onde elas não existem, notícias falsas baseadas em fontes de credibilidade duvidosa (para não dizer totalmente inventadas), ou para bajular amigos de ocasião. No fundo, para dar sequência a uma agenda que pouco tem a ver com critérios jornalísticos relevantes.

Enquanto for assim, o Record nunca deixará de ser um 2º classificado. A classificação da liga é só mais um exemplo de como o Record consegue baralhar algo que é totalmente objetivo, que não pode ser alvo de debate porque obedece a regras claras e simples de entender. E se conseguem meter água numa coisa destas, como podemos confiar que dali sairá alguma coisa credível?

O motivo pelo qual o Record não consegue entender que, à 11ª jornada, o Sporting é 1º e o Benfica 2º, está umbilicalmente ligado ao motivo pelo qual não consegue compreender porque é que, no mundo dos jornais desportivos, e independentemente do número de exemplares que venda, este Record nunca chegará ao topo da classificação. Falta de critério jornalístico.


P.S.: quando terminei de escrever este post, reparei que João Querido Manha deu uma explicação patética sobre a forma como o Record apresenta a classificação, invocando a exceção do regulamento da liga (número 3 do Artigo 13º) que define a classificação entre a 1ª e a 29ª jornada.

O regulamento das competições define a classificação da seguinte forma:

Artigo 13.º
Desempate em caso de igualdade de pontos
1.Para estabelecimento da classificação geral dos clubes que, no final das competições a disputar por pontos, se encontrarem com igual número de pontos, serão aplicados, para efeitos de desempate, os seguintes critérios, segundo ordem de prioridade:
a) número de pontos alcançados pelos clubes empatados, no jogo ou jogos que entre si realizaram;
b) maior diferença entre o número de golos marcados e o número de golos sofridos pelos clubes empatados, nos jogos que realizaram entre si;
c) maior número de golos marcados no estádio do adversário, nos jogos que realizaram entre si;
d) maior diferença entre o número dos golos marcados e o número de golos sofridos pelos clubes nos jogos realizados em toda a competição;
e) maior número de vitórias em toda a competição;
f) maior número de golos marcados em toda a competição.
(...)

3. Para estabelecimento de classificação dos clubes em cada jornada serão aplicáveis, para efeitos de desempate, os critérios previstos nas alíneas d), e) e f) do anterior n.º 1.

Ora, nas alíneas d), e) e f) do nº 1, onde é que o Benfica supera o Sporting?

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

João Querido Manha, o paineleiro primordial


João Querido Manha, diretor do jornal Record, é um homem que há muitos anos acompanha profissionalmente o fenómeno futebolístico português, nas mais variadas condições.

É possível que muitas pessoas não saibam ou não se lembrem, mas o primeiro programa sobre futebol com um painel composto por três adeptos assumidos dos grandes, foi na TSF. Não me lembro nem do nome do programa nem do ano exato em que começou, mas sei que foi no princípio da década de 90.

Também me lembro que era emitido no princípio da tarde de sábado ou domingo (ouvia o programa enquanto me deslocava ao velhinho Estádio de Alvalade para assistir aos jogos), e que os participantes eram José Manuel Freitas pelo Sporting, António Tavares Teles pelo Porto e João Querido Manha pelo Benfica.

Não me lembro de nada em concreto desse programa pois já na altura, apesar da novidade do formato, o conteúdo aproximava-se ao que vemos e ouvimos nos programas atuais, ou seja, uma discussão sobre casos polémicos que servia de entretenimento imediato e descartável. Mas lembro-me que o mais faccioso dos três era precisamente o representante do Benfica.

Por isso, a partir dessa altura foi-me impossível dissociar o nome de João Querido Manha a um benfiquismo primário que fica mal num jornalista desportivo.

Voltando aos tempos atuais, o diretor do Record escreveu na sequência do Benfica - Sporting de sábado um editorial intitulado "Os erros e os homens". Permitam-me destacar as passagens que me parecem mais relevantes e que representam perfeitamente o espírito do editorial.

"Por muito esforço que alguns tenham feito e vão continuar a fazer no jogo das palavras, o último dérbi terá um lugar na história e não será por causa dos erros de arbitragem, por mais graves que tenham sido. Será para sempre o dérbi de Rui Patrício, por causa de um lance invulgar, altamente penalizador, a partir de uma falha de concentração, depois de quase duas horas de extrema intensidade e pressão."
"Parafraseando o presidente do Sporting, é realmente uma enorme palermice tentar desfocar a ordem de importância dos fatores decisivos deste jogo inesquecível, a saber: primeiro, o erro de Patrício, depois, os três golos de Cardozo e, finalmente, o imbróglio em torno da verdade desportiva. É assim que a história reserva um espaço para este embate, (...)"
"Rui Patrício ainda vai a meio de uma carreira que teve um início fulgurante, mas tem vindo a estagnar pela dificuldade em conquistar títulos, mantendo-se no topo da confiança do selecionador, mas ultrapassado sistematicamente nas escolhas dos grandes clubes europeus."

Existem dois pontos diferentes neste artigo de João Querido Manha que quero comentar, seguido de uma conclusão pessoal.

A carreira de Rui Patrício

Escrever que a carreira de Rui Patrício tem vindo a estagnar pela dificuldade em conquistar títulos é redutor. 

Rui Patrício teve uma enorme exposição enquanto guarda-redes titular da seleção portuguesa que foi derrotada nos penalties pela vencedora da competição. Teve uma enorme exposição na carreira que o Sporting fez na Liga Europa até às meias-finais, com uma defesa no último segundo do jogo que segurou a eliminatória contra o Manchester City, e com uma defesa de um penalty que salvou o Sporting na eliminatória contra o Metalist nos quartos de final. 

De facto, a carreira interna do Sporting tem sido dececionante nos últimos anos, mas Rui Patrício foi dos poucos jogadores do plantel a sair valorizado, devido a um conjunto de prestações de nível elevadíssimo e consistente.

Já agora, os jogadores do Benfica não se têm propriamente banhado em títulos nos últimos 3 anos, mas a sua valorização tem continuado a ser uma realidade.

Manha conseguiu a proeza de superar o nível das críticas de todos os paineleiros de Benfica e Porto, que apontando o óbvio frango não esqueceram o passado recente do jogador e, acima de tudo, os dois jogos decisivos que a seleção vai ter na próxima semana. Paineleiros esses que não têm nenhuma obrigação profissional de serem ponderados e isentos.

O que fica para a história?

Dizer que um jogo destes ficará para história mais pelo erro de Patrício do que pela arbitragem e pelos golos de Cardozo é, num jornalista profissional, incompreensível. Permitam-me comprovar a minha afirmação com três exemplos distintos.

1. A final do mundial de 1966 acabou com uma vitória da Inglaterra sobre a Alemanha por 4-2, após prolongamento. Terá sido um dos jogos mais emocionantes da história, mas o que ficou realmente na memória foi o remate que deu o 3-2 mas que não chegou a entrar na baliza.










A verdade é que hoje poucos se lembrarão de quem é Geoff Hurst, e de que houve um hat-trick nesse jogo, mas a polémica do golo fantasma é sempre recuperada quando há lances do mesmo género, como foi o caso do Inglaterra - Alemanha no mundial de 2010.

2. Nos quartos de final do mundial de 1986, a Argentina eliminou a Inglaterra após vencer por 2-1. Mais do que o resultado, o jogo é essencialmente recordado pela célebre mão de Deus, de Maradona. Tão grande foi a polémica que deixou para segundo plano um outro golo marcado por Maradona, que foi considerado "apenas" o golo do século pela FIFA (vale a pena verem o link do golo do século, não só pelo golo em si mas também pelo relato da jogada e celebração, é arrepiante).

3. No dia 2 de Março de 2012 o Porto venceu o Benfica por 3-2. Poucos se lembrarão do extraordinário golo de Hulk para 0-1, do falhanço incrível de Cardozo na cara de Helton (apesar de o paraguaio ter marcado os 2 golos do Benfica) ou da paragem cerebral coletiva da defesa do Benfica no 2-2 de James. O que dominou a discussão do jogo nos meses que se seguiram e que permanece na memória de todos foi o golo em fora-de-jogo de Maicon.

Para ajudar a comprovar a minha tese, suporto-me de uma crónica insuspeita sobre o Benfica-Porto, que preferiu focar-se na polémica da arbitragem e não no futebol jogado.


Ainda poderia falar do jogo "limpinho, limpinho" arbitrado por João Capela. Na altura, João Querido Manha preferiu não comentar o jogo na sua crónica semanal, preferindo concentrar-se nos benefícios de arbitragem do Porto, apesar de esse Benfica - Sporting ter tido um fenomenal golo de Lima após uma jogada incrível de Gaitan. Sim, houve um golo absolutamente extraordinário nesse jogo. O que ficou para a história? João Capela.

As únicas conclusões possíveis

O erro de Patrício não vai ficar para a história. Vai correr mundo, como qualquer vídeo viral que se espalha instantaneamente mas que morre passados três dias. 

Mesmo não tendo sido uma das piores arbitragens da história recente, o desempenho de Duarte Gomes foi mau e vem na sequência de um historial pautado por beneficiar constantemente o mesmo clube e prejudicar com frequência o outro. Por isso é que daqui a dois anos todos se lembrarão de Duarte Gomes, enquanto que o frango de Patrício será uma memória bastante mais vaga. 

A história dá mais ênfase a questões extra-desportivas (erros de arbitragem acima referidos, cabeçada de Zidane a Materazzi, a tragédia de Heysel) do que a erros pontuais cometidos por jogadores de altíssimo nível.

João Querido Manha, por inerência do cargo que ocupa (diretor de um jornal da Cofina, parceira da Benfica TV), sentiu-se à vontade para soltar o seu fanatismo clubístico sem ter qualquer preocupação com a reputação do jornal e dos jornalistas que chefia. 

Este editorial não é mais que uma extensão do inenarrável comunicado que o Benfica emitiu no princípio da semana, em que Manha se permite fazer o trabalho sujo a que nem João Gabriel se atreveu. 

Isenção, rigor e profissionalismo, que são os valores que qualquer jornalista deve defender, foram substituídos por uma vontade pessoal de servir de biscateiro a Vieira e ao Benfica, resultando em opiniões de sarjeta intoleráveis para uma pessoa com esta responsabilidade. A incoerência, a hipocrisia, a omissão e a mentira são a imagem de marca de João Querido Manha, e ficarão obrigatoriamente ligadas ao Record e a todos os seus profissionais enquanto esta figura por lá se mantiver. João Querido Manha, faça um favor ao Record e demita-se.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

João Querido Manha e o discurso da união

João Querido Manha, diretor do jornal Record, a propósito da atual tentativa de afastamento de Mário Figueiredo liderada pelo Porto, escreveu provavelmente o editorial mais desafiador dos poderes instalados de que tenho memória nos últimos tempos, com o título "A união Benfica Sporting".

Para quem não quer ler o editorial inteiro, ficam aqui as passagens que acho mais relevantes.
"Eleito, sufragado e escrutinado em sucessivas assembleias, o presidente da Liga foi conseguindo manter o seu rumo em busca de soluções meio utópicas, com realce para a centralização de direitos de televisão – ou seja, retirar os direitos à central de Oliveira."
"Neste momento, sabemos quem são os opositores declarados, sempre com o FCPorto à cabeça, numa assunção comovente da defesa dos interesses de Joaquim Oliveira, pois os amigos são para as ocasiões. Sabemos de que lado está o FCPorto, mas ainda se aguarda que Benfica e Sporting saiam da sua posição envergonhada. Os grandes foram derrotados na eleição de Figueiredo, mas agora preferem ficar longe das polémicas e do desgaste que o tema sensível vai provocar nos próximos tempos. E os leões, depois de terem renegado uma coexistência pacífica de décadas com o FCPorto, também se colocaram numa posição incómoda, de equilíbrio impossível, dada a sua dependência económica de Oliveira."
"A união Benfica-Sporting, ainda virtual, mal assumida e mal percebida pelos adeptos respetivos, é toda uma nova perspetiva para os próximos tempos. Como no conceito proverbial de Voltaire, mais uma vez os bons espíritos encontram-se na esquina da vida e estão condenados a entenderem-se."

Apesar de eu achar que a dupla Pinto da Costa / Joaquim Oliveira é o cancro responsável pela adulteração da verdade desportiva em Portugal nas últimas décadas, não podia estar mais em desacordo com João Querido Manha. E muito menos com o papel que João Querido Manha pretende dar ao Sporting. Por três motivos que passo a explicar.

1. Mário Figueiredo não merece ser defendido

Mário Figueiredo tem sido um mau presidente da Liga. Não nos podemos esquecer que há poucos meses propôs um alargamento do campeonato a 18 clubes com a época a decorrer, garantindo que nenhum clube desceria de divisão. Procurou aprovar de forma encapotada um regulamento que abriria as portas à centralização dos direitos televisivos. Já declarou que a taça da Liga deveria acabar, sem propor alternativas para substituir a competição de uma forma que valorizasse a qualidade em vez da quantidade.

2. Não é esta a luta que queremos

O cargo de presidente da Liga é uma espécie de Rainha de Inglaterra. O poder real que tem é pouco. Estará sempre dependente do apoio da maioria dos clubes para conseguir aprovar o que quer que seja. Se o Porto colocar Rui Pedro Soares na presidência da Liga, dificilmente conseguirá tirar proveitos desportivos adicionais aos que já tem garantidos.

O que o Porto pretende é dar o conforto a Joaquim Oliveira de que não sairão da direção da Liga mais tentativas de retirar à Olivedesportos o quase monopólio de que dispõe neste momento. 

Conforto, apenas. Porque mesmo que uma medida dessas passasse na Liga, como se resolveria o facto de muitos clubes terem contratos válidos em que cedem por vários anos os direitos de transmissão dos jogos? Seria uma luta legal que se arrastaria durante anos.

Não me parece que o Sporting se deva expor por causa deste assunto. Ainda por cima porque terá que considerar que o Benfica, sendo um player na questão das transmissões televisivas (para já detém os direitos de 3 equipas profissionais em 38 -- Benfica, Benfica B e Farense), poderá ter uma agenda própria para substituir parcialmente aquilo que a própria Olivedesportos é hoje.

A luta em que o Sporting deverá jogar as fichas todas, e em aliança com o Benfica, será nas eleições para a FPF. A presidência da FPF, o Conselho de Arbitragem, o Conselho de Disciplina e o Conselho de Justiça são cargos com poder real, que têm o poder de desvirtuar a verdade desportiva, seja definindo as classificações dos árbitros, fazendo as nomeações dos árbitros ou decidindo que jogadores têm direito ou não a castigos.

3. Não são estes os aliados que queremos

Apesar de achar que a generalidade dos benfiquistas quer genuinamente uma competição em que a verdade desportiva impere, considero que a atual direção do Benfica já deu sinais de que tudo está bem desde que possam também beneficiar de benesses arbitrais e de secretaria. É que, apesar de tudo o que dizem, o Benfica tem atualmente poder real nos organismos mais importantes do futebol português. 

Enzo Perez cospe num adversário? Zero jogos de suspensão. Cardozo agarra a camisola de Pedro Proença após ter sido expulso, e gesticula de forma ameaçadora para o árbitro? Tem direito apenas a uma repreensão por escrito. Jorge Jesus põe em causa a honestidade de equipas de arbitragem. É suspenso 15 dias numa altura em que o campeonato está parado. Capela tem uma arbitragem escandalosa? Limpinho limpinho.

O Benfica tem poder e usa-o em proveito próprio sempre que há necessidade disso. Por isso, se o Sporting for à guerra pela verdade desportiva, não o pode fazer com total confiança tendo um parceiro como Luís Filipe Vieira.

E a apoiar uma lista comum para a liderança da FPF, não poderá ser com gente como Nuno Lobo, um homem medíocre e sem formação, cujo único atributo que o faz ser amado pelos benfiquistas é não gostar de Porto e Sporting. Seria necessário encontrar uma figura acima de qualquer suspeita. E aí não seria importante que fosse benfiquista ou sportinguista.



Voltando ao editorial de João Querido Manha, não nos podemos esquecer que este homem é um moço de recados do Benfica. A parceira Cofina - Benfica é, na realidade, uma máquina propagandista de Vieira a troco de conteúdos que aumentem as audiências do CM TV e do Record.

O que Manha está a fazer é a pressionar o Sporting para dar a cara, para sair a jogo em nome dos interesses do Benfica.

Aliás, para verem o caráter deste senhor, sabem qual foi o tema da sua coluna semanal no Record (na altura ainda não era diretor) imediatamente a seguir ao Benfica - Sporting do "limpinho limpinho"? Os benefícios de arbitragem que o Porto estava a ter. Em relação a João Capela nem uma palavra. De bons espíritos estamos conversados.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Fugir a boca para a verdade

Benfiquistas desesperados faziam ontem nas redes sociais analogias com a crise do país: por mais milhões que sejam investidos, a situação piora todos os dias.

É um exagero, claro, porque uma razoável parte dos milhões que o Benfica gastou neste verão foram aplicados em bons jogadores. Markovic, Djuricic e Sulejmani são futebolistas de alto nível e vão acabar por ser rentáveis, em termos financeiros, se o treinador conseguir arranjar-lhes espaço na equipa.

Não sei se foi propositado, mas estar a fazer contas que os jogadores devem ser rentáveis financeiramente e não rentáveis desportivamente acaba por traduzir o que tem sido o Benfica de Luís Filipe Vieira nos últimos anos:

  • Compra por atacado de jogadores.

  • Extraordinárias mais-valias num pequeno número deles -- Witsel (€40M - €6.5M = €33.5M), Fábio Coentrão (€30M - €0.2M = €22.8M ), David Luiz (€25M - €0.5M = €24.5M), Di Maria (€25M - €5M = €20M), Ramires (€22M - €7.5M = €14.5M) e Javi García (€20M - €7M = €13M).

  • Dezenas de casos que se enquadram num destes cenários: vendas que cobriram ou ficaram perto do custo de aquisição; empréstimos sucessivos até o contrato acabar; vendas obscuras a fundos por "milhões de treta", vendas com prejuízo referidas em notas de rodapé em páginas interiores dos jornais.

Por exemplo, Sidnei custou €7M e anda emprestado, agora no Espanyol. Roberto custou €8.5M, agora trocado por 50% de Pizzi. Bergessio custou €2.5M e foi vendido €1.8M. Balboa custou €4M, creio que entretanto rescindiu. Kardec custou €2.5M, está emprestado no Palmeiras. Patric (???) custou €2M, em 2010 foi emprestado ao Avaí e desapareceu de cena. Jara custou €5.5M, está emprestado no San Lorenzo. Isto é uma pequena amostra do entreposto de jogadores em que o Benfica de Vieira se tornou. Se acham que estou a exagerar vejam o resumo das transferências aqui. É inacreditável a quantidade de jogadores que passam todos os anos pelo Benfica.

É certo que se somarmos todos os flops, não chegarão certamente às estrondosas mais valias que o Benfica já conseguiu. Acertar 40 contratações em 200 até pode ser bom financeiramente. No entanto, no meu ponto de vista, acertar 40 contratações em 200 são, desportivamente, 160 oportunidades perdidas.