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terça-feira, 12 de julho de 2016

Mas há dúvidas sobre qual é a melhor formação em Portugal?

Sporting Clube de Portugal. O único clube do mundo que formou dois jogadores vencedores da Bola de Ouro. O clube que formou 10 dos 14 jogadores que participaram na final de Paris e conquistaram para o nosso país o primeiro título internacional sénior ao nível de seleções. Não pode haver melhor atestado de grandeza para uma Escola que tem, de forma ininterrupta, oferecido ao futebol português os seus melhores valores nos últimos 30 anos. Bem podem copiar metodologias ou injetar milhões atrás de milhões em infraestruturas, mas será bem mais complicado criarem uma cultura formadora ao nível da que existe no Sporting. 

Adrien Silva
Cédric Soares
Cristiano Ronaldo
João Mário
João Moutinho
José Fonte, em cima, 3º a contar da direita (obrigado Daniel e GK1!)
Nani
Ricardo Quaresma
Rui Patrício
William Carvalho

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Balanço de 2014/15: GRs e Defesas



Rui Patrício (***)

Mais uma época em grande. Apesar de um outro ou momento infeliz (no qual se destaca o jogo de Belém), foi um ano recheado de exibições fantásticas. O seu ponto fraco continuam a ser as hesitações nos cruzamentos, mas em contrapartida provou vezes sem conta ser dos melhores do mundo em situações de um contra um. O início de época foi tremendo, destacando-se a exibição de antologia em Alvalade com o Chelsea, o penálti defendido no Dragão para a Taça e, claro, a épica série de penáltis na final da Taça em que se transformou numa espécie de Adamastor para os jogadores do Braga, mesmo coxeando.


Marcelo Boeck (*)

Mais um ano ingrato para o suplente de um dos guarda-redes mais disponíveis do campeonato português. Fez 8 jogos (o da última jornada do campeonato, 3 da Taça de Portugal e 4 da Taça da Liga). Infelizmente o seu jogo mais marcante da época acaba por ser a noite insegura na eliminatória da Taça de Portugal contra o Vizela. A avaliar pela contratação de um guarda-redes esloveno, parece aproximar-se do fim a passagem de Marcelo pelo Sporting.

Cédric (**)

Se do ponto de vista defensivo continuou a evolução que já tinha registado com Leonardo Jardim, pareceu regredir do ponto de vista ofensivo. Menos desequilibrador e acima de tudo muito mais ineficiente nos cruzamentos, que já foram a sua imagem de marca. Época regular que felizmente não ficou marcada de forma negativa pela prematura expulsão na final da Taça.

Miguel Lopes (**)

Foi provavelmente o suplente perfeito. Merece respeito por ter abdicado de parte do vencimento para ser integrado no plantel principal. Esperou pela sua oportunidade e quando a teve agarrou-a com unhas e dentes, fazendo exibições bastante positivas, destacando-se a magnífica exibição em casa contra o Guimarães em que participou ativamente em 3 dos 4 golos. Diferenciou-se de Cédric pela forma como explora o espaço interior para causar desequilíbrios, tornando-se mais imprevisível para os adversários.

Jefferson (**)

À semelhança do que aconteceu em 2013/14, foi mais uma época de altos e baixos. Começou muito mal, chegando inclusivamente a perder a titularidade para Jonathan. Pareceu espicaçado e voltou em grande nível, tornando-se num dos principais municiadores dos pontas-de-lança. Borrou completamente a pintura ao ter o episódio de indisciplina com Bruno de Carvalho. O final da época foi algo penoso em virtude do desgaste acumulado.


Jonathan (*)

Época irregular. Começou da melhor forma possível. Estreou-se em Barcelos com uma vitória por 4-0 e na jornada seguinte ao fim de 2 minutos no seu primeiro jogo em Alvalade já tinha marcado um golo ao Porto. Infelizmente o seu nível exibicional decresceu com o tempo, ao qual não terá sido alheio o facto de ter participado em ambas as (pesadas) derrotas para o campeonato - acabando por ser um dos sacrificados pelo treinador nas duas ocasiões. Jogador raçudo que se sente muito confortável em zonas mais interiores, promete explodir na próxima época. Há que lembrar que tem apenas 20 anos.


Ricardo Esgaio (*)

Inesperadamente foi titular logo na 3ª jornada na Luz devido à lesão de Cédric e manteve-se no onze a na jornada seguinte. Apesar dos dois empates, Esgaio cumpriu. Teve mais tarde um desafio de fogo contra o Chelsea e aí as coisas não lhe correram bem, provocando um penálti logo a abrir. No entanto, há que dizer que Marco Silva não lhe facilitou a vida: podia perfeitamente tê-lo lançado na partida anterior com o Boavista para ganhar ritmo e entrosamento com os colegas. No mercado de inverno foi emprestado à Académica.

Maurício (*)

Depois de uma época em que surpreendeu positivamente (não esquecer que vinha da segunda divisão), esperava-se que fosse o esteio da defesa após a saída de Rojo. Puro engano. Pareceu acusar em demasia a responsabilidade e acabou por contribuir para a instabilidade defensiva da equipa com erros em excesso. A Liga dos Campeões correu-lhe de forma desastrosa: fez a rosca que esteve na origem do empate dos eslovenos ao cair do pano, saiu ensanguentado em casa com o Chelsea após choque violento com Diego Costa, e foi expulso de forma completamente desnecessária pouco depois dos 30 minutos em Gelsenkirchen numa altura em que ganhávamos por 1-0. Transferido no mercado de inverno para a Lazio.

Sarr (*)

Inesperadamente, em virtude de uma série de acontecimentos encadeados, acabou por ser titular logo no princípio da época. Numa fase inicial não comprometeu mas rapidamente os erros começaram a acumular-se. Sei que ainda é novo mas tenho muitas dúvidas que alguma vez possa vir a ser jogador para o Sporting. Tecnicamente não me parece dos piores, mas tem quebras de concentração inexplicáveis e não consegue fazer uso do seu 1m96 e 90 Kgs para se impor perante os adversários - nem sequer no jogo aéreo.

Paulo Oliveira (***)

Depois de uma pré-época dececionante parecia condenado a ser 5ª opção - ou seja, provavelmente nem teria ficado no plantel caso Rojo e Dier se tivessem mantido no Sporting. Mas as mexidas aconteceram e acabou por ficar como 3ª opção atrás de Maurício e Sarr. Teve um primeiro teste de fogo ao entrar contra o Chelsea a substituir o lesionado Maurício e surpreendeu pela positiva. A mim convenceu-me nesse momento e a Marco Silva também, porque a partir daí Paulo Oliveira passou a ser titular e de semana a semana foi solidificando o seu estatuto até ser absolutamente indiscutível. Chegou também à seleção A e está a fazer para já uma prova extraordinária no Europeu Sub-21. Não parece, mas Paulo Oliveira tem apenas 23 anos.

Tobias Figueiredo (**)

Depois de uma primeira metade de época errática na equipa B, teve a sua oportunidade quando Maurício saiu para a Lazio e Marco Silva se viu sem outras opções credíveis para o centro da defesa. Mas Tobias fez por merecer essa oportunidade. Fez uma exibição imperial na Taça da Liga em Guimarães e foi logo de seguida titular em Espinho para a Taça de Portugal. Passou a ser titular na 17ª jornada e convenceu tudo e todos ao entender-se de forma perfeita com Paulo Oliveira. Não tremeu perante adversários de enorme dificuldade como o Benfica ou o Wolfsburgo. Teve uma exibição infeliz no Dragão e pareceu ressentir-se disso, já que a partir daí a segurança já não foi a mesma e cometeu vários deslizes - incluindo dois que lhe valeram o cartão vermelho direto ainda na primeira parte. Perdeu a titularidade para Ewerton. Para 2015/16: 3º central (onde seguramente terá oportunidade de fazer mais de 20 jogos) ou roda noutra equipa da I Liga? Eis a questão.

Ewerton (***)

Um caso paradigmático do que é chegar, ver e vencer. Chegou em janeiro vindo de uma lesão prolongada e sem ritmo de jogo. Teve a sua oportunidade ao entrar para tapar o lugar do expulso Tobias, com o Penafiel, e não mais largou o lugar. É um central muito completo, mas impressiona sobretudo pela serenidade e pela capacidade de jogo aéreo. Seguramente que não há ninguém que pense que o €1,5M da cláusula de opção de compra a pagar ao Anzhi será dinheiro mal gasto.

Rabia (-)

Chegou tarde e lesionado, o que não terá ajudado nada à sua adaptação. Só em novembro começou a jogar, e não convenceu nem na equipa B nem na Taça da Liga, cometendo muitos erros. Mais para o final da época começou a jogar com mais regularidade e a ter prestações mais interessantes. Se isso será suficiente para fazer parte do plantel principal, não sei.

André Geraldes (-)

Uma contratação que pareceu um equívoco. A pré-temporada correu-lhe mal e acabou por ser aposta apenas na Taça da Liga - e sempre como defesa esquerdo, que não é a sua melhor posição. Mesmo assim fez um excelente jogo em Guimarães, colocando a dúvida se não mereceria mais oportunidades. Não me parece que fique connosco na próxima época.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Plot twist: afinal é o Sporting que vai ao colinho dos árbitros

Só à décima expulsão do Sporting no campeonato é que me apercebi que afinal esta chuva de vermelhos é um favor encapotado que os árbitros nos fazem. Sim, está a haver colinho da APAF ao Sporting, pois a iniciativa que revelam para colocar jogadores nossos na rua parece ter como objetivo principal acordar os 10 que ficam em campo, para que comecem enfim a praticar algo parecido com futebol. Os números começam a ser reveladores que este plot twist é uma realidade. Nas últimas semanas houve pelo menos quatro situações em que melhorámos resultados em desvantagem numérica: Belenenses (Mané), Penafiel (Nani), Nacional para a Taça da Portugal (outra vez Mané) e agora Boavista (Slimani).

Hoje a expulsão de Tobias pareceu-me tão justa quanto escusada - Rui Patrício chegaria primeiro à bola e acabaria com o perigo -, tendo sido o ponto mais baixo de uma exibição paupérrima com que o Sporting castigou os mais de 35.000 adeptos presentes no estádio. Na segunda parte a equipa redescobriu o brio profissional perdido e colocou (finalmente) uma dose de esforço em campo que compensou a evidente falta de inspiração coletiva, aos ombros de um grande William e recorrendo aos suspeitos (leia-se matador e municiador) do costume para fazer o golo que garantiu os três pontos que, aos dezassete segundos de jogo, ninguém julgaria que fossem tão duros de conquistar.



Positivo

A entrada de William - não me parece que a subida de produção da segunda parte se tenha devido exclusivamente à entrada de William, mas a verdade é que o número 14 conseguiu empurrar a equipa para a frente de uma forma que mais ninguém fez durante os 90 minutos, quer com passes a rasgar linhas adversárias, quer conduzindo a bola de forma objetiva e eficiente. Tudo isto apesar de ter sido forçado a atuar numa posição híbrida: como central a defender e como médio construtor a atacar. É claro que essa inovação apenas foi possível graças à falta de arrojo ofensivo do Boavista, mas que ironicamente acaba por expor de forma bem evidente o equívoco que foi o onze inicial escolhido por Marco Silva.

O matador e o municiador do costume - não me parece que seja tecnicamente correto classificar o passe de Carrillo como cruzamento, atendendo à posição recuada e tão pouco lateral de onde bateu a bola. Cruzamento ou não, foi mais uma assistência magistral (a 12ª do peruano esta época) para Slimani (13º golo do argelino), que leu na perfeição a intenção do seu colega e desmarcou-se no momento certo para um cabeceamento bem oportuno.

Cédric a defender - apesar de ter feito uma exibição desinspirada a atacar - à semelhança de todos os outros seus companheiros -, foi de longe o melhor elemento da linha defensiva. Ninguém o adivinharia há dois anos, mas Cédric transformou-se num lateral que defende muito bem, sendo que isso nota-se em particular nos lances de contra-ataque adversários. Os sprints que faz do ataque para a defesa para se reposicionar - mesmo que a bola esteja a ser conduzida no flanco oposto - já começam a ser uma imagem de marca de Cédric, e foi graças a isso que conseguiu uma dobra importantíssima num lance que poderia ter dado o empate ao Boavista. Não sei se lhe valerá a recuperação da titularidade, mas promete complicar a vida do treinador no momento da definição do onze da próxima semana.

35.197 - excelente assistência, com muitas crianças nas bancadas. Notável, atendendo que já não podemos aspirar uma classificação superior ao atual 3º lugar.


Negativo

O onze inicial e uma primeira parte para esquecer - quando soube qual seria a equipa inicial torci de imediato o nariz, ao ver que Tanaka seria o único ponta-de-lança e Rosell o primeiro construtor. Num jogo com estas características - não era preciso ser-se adivinho para antecipar a postura ultra-defensiva do Boavista - pensei logo que poderíamos estar a dar de avanço minutos que poderiam vir a ser preciosos. Um golo aos 17 segundos deixou-me prematuramente relaxado, já que pouco depois lá arranjaríamos forma de conceder ao adversário um golo que surgiu de uma jogada em que meia equipa revelou uma passividade inaceitável. É verdade que a exibição de todos os jogadores da equipa foi medíocre durante os primeiros 45 minutos, mas Tanaka e Rosell em particular mostraram ser erros de casting para este jogo. Gostava de ver um heat map do japonês para saber exatamente onde ele passa a maior parte do tempo, mas calculo que não seria perto da meia-lua em que a cor seria mais intensa. Quanto a Rosell, passou o jogo a formar uma linha de 3 com os centrais quando tínhamos a posse de bola, nunca arriscando um passe vertical que fosse. A substituição era inevitável, mas fiquei com pena do rapaz: deve ser desmoralizador ter que sair tão cedo na primeira vez em que foi titular em Alvalade num jogo a sério desde a 2ª (!) jornada.

Jefferson e Tobias - estiveram diretamente ligados aos dois momentos do jogo que poderiam ter deitado tudo a perder: o golo do Boavista e a expulsão a fechar a primeira parte. No golo, Jefferson - que estava no flanco direito após marcar um canto - conseguiu perder duas vezes a bola para jogadores do Boavista, enquanto que Tobias deixou-se antecipar por Zé Manuel numa disputa aérea que devia ser sua. A expulsão surge a partir de uma péssima abordagem à bola de Jefferson, e Tobias devia ter lido melhor o lance - a falta era nitidamente a pior das opções. No resto do jogo, também não estiveram bem. Jefferson não acertou um cruzamento, não conseguiu nenhuma iniciativa ofensiva relevante e esteve apático a defender. Tobias complicou num par de lances, revelando algum nervosismo. Tarde para esquecer para ambos os jogadores.

Nani e João Mário - complicativos durante a maior parte do jogo, demonstraram mais uma vez estar muito longe do seu melhor.



Pior exibição da época a par com a de Guimarães e Dragão. Salvou-se o resultado. 

segunda-feira, 2 de março de 2015

Missing in action

Depois de ver os primeiros 10 minutos personalizados que o Sporting realizou no jogo de hoje, nunca imaginei que iria viver 60 angustiantes e penosos minutos como foram aqueles que todos nós testemunhámos após o 1º golo do Porto. Parece uma realidade muito distante, mas o que é facto é que entrámos muito bem em campo, parecendo que iríamos retomar a postura aguerrida e confiante que tínhamos demonstrado em Alvalade contra o Wolfsburgo, pressionando a saída de bola do Porto e forçando vários erros que rapidamente começaram a enervar os adeptos da casa. 

Continuámos concentrados durante mais 15 minutos, mas depois desatámos a fazer uma série interminável de asneiras à saída da nossa área - muitas delas não forçadas - que pareceram quebrar a confiança da equipa. No momento em que Jackson tem aquele golpe de génio e assiste Tello para o primeiro golo, o Porto já estava por cima do jogo e tinha-nos causado momentos antes um enorme calafrio com um remate picado de Herrera que saiu ligeiramente por cima.

A partir do golo perdemos por completo a batalha do meio-campo, revelando uma gritante incapacidade de sair com a bola jogável e perdendo sistematicamente as bolas divididas e segundas bolas. Não me parece que essa quebra se explique apenas por questões físicas: era natural que o desgaste se fizesse sentir após 60 ou 70 minutos, mas nunca tão cedo no jogo. Pareceu-me mais um problema psicológico por nos vermos em desvantagem no marcador - e quando a cabeça deixou de acreditar, todas as mazelas e desgaste físico acumulados ao longo das últimas semanas vieram à tona.

A partir daí a incógnita do jogo era simplesmente uma questão de saber quando é que o Porto voltaria a marcar. A vitória do Porto é totalmente merecida e vantagem de três golos até parece relativamente simpática, atendendo ao facto que só estivemos realmente em campo durante um terço da partida. 


Positivo

Paulo Oliveira, William e Cédric - o central foi o único que fez um jogo ao seu melhor nível. William fez os possíveis por aguentar defensivamente a equipa, mas também esteve pouco feliz com a bola nos pés. Cédric praticamente que nunca ultrapassou a linha de meio-campo, mas defensivamente fez um trabalho razoável a segurar Brahimi e depois Quaresma. Não foi por ele que a defesa abanou tanto, e ainda conseguiu impedir um golo certo de Jackson.


Negativo

Desaparecidos em combate - dizem que Montero esteve em campo, mas só dei por isso quando no princípio da partida se deixou antecipar de uma forma incrível quando tinha tudo para seguir isolado para a baliza; Nani e Carrillo tiveram uma noite totalmente desinspirada; Adrien e João Mário foram incapazes de segurar a bola e perderam sistematicamente os duelos no meio-campo; Tobias esteve muito nervoso e tem responsabilidades no 3º golo ao fazer um passe disparatado para os pés de Quaresma; Jonathan foi incapaz de segurar Tello, deixando-o sempre à vontade para arrancar em direção à baliza - o que nos saiu caro nos primeiros dois golos.

Inação de Marco Silva - o regresso dos balneários trouxe uma equipa ainda mais apática do que aquela que terminou a primeira parte. Ao fim dos primeiros 5 minutos da segunda parte já era evidente para todos que nada tinha mudado e que seria uma questão de (pouco) tempo para o Porto fazer o segundo golo e matar o jogo. Impunha-se mexer na equipa, mas Marco Silva simplesmente não reagiu - e quando o decidiu fazê-lo já era demasiado tarde. Pode-se discutir se tinha banco que lhe permitisse fazer efetivamente algo - mas isso é algo que merece ser abordado nos próximos dias.



É duro ver vários objetivos esfumarem-se no espaço de poucas semanas. Primeiro a luta pelo 1º lugar, depois a Liga Europa, agora o acesso direto à Liga dos Campeões. É agora fundamental recuperar psicologicamente a equipa para a próxima 5ª feira. E numa altura em que é visível que demasiados jogadores importantes estão a atravessar um mau momento de forma e que muitos dos jogadores que são segundas opções são sistematicamente incapazes de ter um rendimento minimamente aceitável, é fundamental abrir o plantel a novas soluções que estão na equipa B - e que estão prontos para acrescentar de imediato valor à equipa principal. Só lhes falta ter a oportunidade para o demonstrar. 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Obrigado por nos fazerem acreditar!

Não é segredo para quem passa por aqui que não estava propriamente confiante em relação às nossas possibilidades de eliminarmos o Wolfsburgo. Quando escrevo no título do post "por nos fazerem acreditar", faço-o obviamente em primeiro lugar em nome pessoal, mas a avaliar pela composição das bancadas creio que eu não seria um caso único no universo sportinguista. 

A verdade é que, apesar do resultado final, dei por bem empregue o tempo e o dinheiro que gastei para estar presente no estádio. O Sporting fez um excelente jogo e dominou aquela que será uma das equipas em melhor forma em todo o continente europeu. Sim, é certo que no início o Wolfsburgo concedeu intencionalmente a iniciativa do jogo ao Sporting, preferindo controlar a partida correndo poucos riscos. No entanto, por mérito nosso, a partir dos 30 minutos conseguimos dominar efetivamente a partida - e os alemães simplesmente não conseguiam manter-nos afastados da sua baliza. Fica por saber a forma como reagiria emocionalmente o Wolfsburgo se tivéssemos conseguido concretizar uma das muitas oportunidades de que dispusemos, mas suspeito que iriam sofrer bastante.

No final, acabou por ser uma eliminatória que foi definida pela qualidade na concretização. Em tudo o resto tivemos uma prestação quase irrepreensível que em nada foi inferior à dos alemães e que me fizeram efetivamente acreditar durante o jogo que poderíamos conseguir recuperar da desvantagem.



Positivo

Personalidade, atitude, concentração e raça - não foi por falta de esforço que fomos eliminados. Toda a equipa sem exceção deixou a pele em campo e batalhou por cada bola como se disso dependesse a eliminatória. Ganhámos a maior parte dos lances divididos e segundas bolas, e soubemos sempre fechar os espaços com grande competência, que foi decisivo para impedirmos que o Wolfsburgo causasse situações de perigo junto à nossa baliza. Quisemos mandar no jogo e conseguimos por vezes encostar os alemães às cordas. Faltou o uppercut nos queixos para os deixar cambaleantes e à mercê de um golpe final que nos garantiria o KO. O panorama só acabou por mudar nos últimos 15 minutos, quando os jogadores começaram a revelar o desgaste do esforço colocado em campo nos primeiros 75. 

No meio também está a virtude - no jogo com o Gil Vicente, o Sporting voltou à procura frequente do jogo interior junto da área do adversário, e no jogo de hoje isso foi mais uma vez evidente. Nani, Carrillo, Adrien, João Mário, William e até Cédric procuraram com insistência jogar pelo meio de forma apoiada e paciente, à espera que aparecesse uma oportunidade para perfurar a defesa alemã. Com ou sem Slimani, espero que esta ideia de jogo seja para manter e desenvolver - pois faz com que o nosso futebol seja bastante mais imprevisível contra adversários que se fecham no seu meio-campo.

Meister William - mais um grande jogo. Está a passar a bola como nunca - impressionante a precisão nos passes longos -, fez um remate para uma grande defesa de Benaglio e apareceu com muita frequência em terrenos mais avançados, sem no entanto comprometer a solidez defensiva da equipa. Está numa forma extraordinária.

Nani em subida de rendimento - muito dinâmico sobretudo na procura de espaços interiores. Está claramente a recuperar a forma perdida. Pena apenas as oportunidades de golo que desperdiçou.

As piscinas de Cédric - cansou só de olhar. Perdeu o respeito a Schurrle e nunca teve problemas em subir no flanco sempre que teve oportunidade. Soube também fletir para o centro do terreno por diversas situações para procurar soluções ofensivas alternativas. Apesar desse balanceamento atacante, revelou sempre uma enorme disponibilidade defensiva, nunca perdendo tempo para se reposicionar quando os alemães recuperavam a bola - o que já é uma das suas imagens de marca. Nem sempre decidiu ou executou bem, mas teve uma exibição muito positiva.

A dupla de centrais - mais um jogo de exigência máxima, mais uma exibição muito positiva de Paulo Oliveira e Tobias Figueiredo. Já o escrevi antes e volto a fazê-lo: estão a superar todas as expetativas e enche-me a alma pensar na tremenda margem de progressão que esta dupla ainda tem.


Negativo

Não desdenhar sempre o pé que está mais à mão - mais uma vez foi a má finalização que deitou tudo a perder. É verdade que muitas ocasiões não foram concretizadas por mérito do guarda-redes, outras por falta de sorte. Acontece. Mas incomoda ver tantas situações em que os jogadores têm boas condições para alvejar a baliza e optam, em vez do remate, por dar mais um toque, fazer mais um adorno, preferir passar para um colega supostamente em melhor posição. Gosto de jogadores inteligentes que procurem melhorar as hipóteses da equipa de chegar ao golo, mas a inteligência tem que considerar: a) há o risco de a ideia inteligente não ser bem executada; b) há o risco de haver um defesa inteligente que antecipa a ideia inteligente do avançado; c) há o risco de estarmos a dar tempo à defesa adversária de se reposicionar e anular o perigo. E se a), b) ou c) acabam por se verificar com demasiada frequência, provavelmente será sinal de que somos menos inteligentes do que pensamos. Espontaneidade precisa-se.

A assistência no estádio - custa ver um jogo com um adversário deste nível com bancadas tão mal compostas. No entanto, quem esteve no estádio proporcionou mais um grande ambiente, com apoio incondicional do princípio ao fim. Os 23000 presentes podem ter sido poucos, mas foram muito bons.



Penso que será percetível que não me sinto muito abatido por esta eliminação. Para mim, a Liga Europa é muito mais um risco do que uma oportunidade para o sucesso de uma época desportiva. Com uma quantidade infindável de jogos à 5ª feira, compromete a disponibilidade física para os jogos no campeonato no fim-de-semana seguinte. E não nos podemos esquecer que uma competição com equipas como o Wolfsburgo, Liverpool, Tottenham, Roma, Fiorentina, Zenit, Ajax, Anderlecht, Sevilha, Besiktas e Inter só pode ser ganha por uma equipa que ou tenha um plantel muito profundo, ou que coloque a Liga Europa como a sua principal prioridade - luxos que nós não temos. E tudo isto para um prémio financeiro pouco mais que insignificante.

Não há feridas a lamber nem um resultado a lamentar porque o Wolfsburgo é um adversário de fase a eliminar na Champions e a prestação dos nossos jogadores nas competições europeias foi globalmente positiva. Dediquemo-nos agora ao que é realmente importante: campeonato e taça.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Ein Kopf für eine Hand

Perder com uma equipa que está num momento de forma avassalador como o Wolfsburgo não é nenhuma vergonha. Menos vergonha é se considerarmos a excelente primeira parte que fizemos, sobretudo na forma como nunca deixámos o adversário construir jogo através de uma pressão constante que se estendia a todo o campo. As poucas oportunidades de que os alemães dispuseram durante os 45 minutos apareceram através de cantos ou de um ou outro erro individual nosso, mas também tivemos o golo nos pés de Carrillo. E ainda houve aquele penálti absurdo que o só o árbitro não viu. Com um pouco mais de felicidade (e justiça) teríamos chegado ao intervalo a vencer e muito provavelmente saído da terra dos Beetles com um resultado bem mais favorável.

A segunda parte não podia ter começado pior. A intensidade defensiva que todos os jogadores aplicaram na primeira parte ainda não tinha regressado do balneário. Enquanto Adrien e Tobias pressionavam Naldo, nenhum dos 4 homens da frente (por ordem de proximidade: Nani, Montero, João Mário e Carrillo) desceu para apoiar. Equipa partida, Jefferson demorou tempo demasiado a reagir para tapar o lugar de Tobias e estava feito o primeiro. A confiança cresceu nos homens da casa na mesma medida em que desceu nos nossos, e a partir daí o domínio alemão foi bastante mais evidente. Valeu-nos novamente São Patrício a manter-nos dentro da eliminatória, e ficamos a lamentar aquele cabeceamento de João Mário perto do fim que podia assegurado um preciosíssimo golo fora.



Positivo

A concentração e atitude da primeira parte - apesar de não termos criado praticamente nenhuma ocasião de golo, ninguém pode apontar o dedo ao empenhamento e personalidade dos onze jogadores que Marco Silva lançou. Pressão no campo inteiro e uma enorme raça que fazia com que ganhássemos a maior parte das bolas nas disputas a meio-campo. Se jogássemos sempre com esta atitude no campeonato teríamos transformado facilmente em vitórias a maior parte dos empates que somámos até agora.

Assim se distinguem os grandes guarda-redes - todos os guarda-redes erram, mas uma das características que distingue os melhores dos restantes é a forma como não se deixam afetar por más exibições. Rui Patrício fez um enorme jogo, salvando alguns golos certos e estando irrepreensível em tudo o que teve para fazer. Não podia fazer mais nos dois golos - nem sequer no segundo, já que o cruzamento é feito de forma rasteira e suficientemente longe do seu alcance. 

A afirmação de Tobias - mais um jogo de grande nível. Não esteve bem na construção de jogo, falhando muitos passes, mas nos despiques individuais esteve insuperável. Foram poucos os lances em que se deixou ultrapassar, mostrando mais uma vez que temos central para os próximos anos. Nem sempre a solução está no banco: pode estar também na equipa B. À atenção de Marco Silva.


Negativo

A produção ofensiva - Montero não existiu; Nani e Carrillo ainda apareceram a espaços e ainda deixaram algum perfume da sua classe, mas tiveram exibições insuficientes; João Mário foi o elemento mais esclarecido no nosso ataque, mas falhou aquele golo cantado perto do fim; Adrien, Rosell e Jefferson não existiram; Cédric subiu muito e ainda conseguiu alguns bons momentos, nomeadamente aquele cruzamento para João Mário. Mas tudo junto foi muito pouco para aquilo que se exigia.

O alheamento de Jefferson no primeiro golo - deveria ter antecipado o passe de Naldo no primeiro golo e acabou por condicionar ainda mais uma exibição que não estava a ser famosa. Sem Slimani acaba por se tornar num jogador muito menos valioso porque sabe que não pode cruzar sempre que tem condições para o fazer. Acabou por estabilizar defensivamente perto do final e salvou ainda duas ou três situações muito complicadas. Mas o mal já estava feito.

Alguma vez teria que ser Paulo Oliveira - o ex-vimaranense fez uma enorme primeira parte, destacando-se aquele corte fenomenal que saiu rente ao poste. No entanto, cometeu alguns erros - ficou ligado ao 2º golo ao deixar Dost marcar nas suas costas - e pareceu perder algum controlo emocional na segunda parte - coisa que não é nada habitual nele. Todos têm direito a ter dias menos conseguidos. Hoje, pela primeira vez desde que é titular no Sporting, foi a vez de Paulo Oliveira.

As noções de anatomia na Alemanha - pelos vistos, para aquelas bandas, bola na cara é penálti e mão na bola não é. Duas deslocações à Alemanha, dois lances que podem muito bem ter-nos custado a permanência em 2(!) competições na mesma época.



O apuramento não é uma impossibilidade, mas atendendo à capacidade ofensiva do adversário, à necessidade que teremos em correr mais riscos do que hoje e ao fraco momento de forma de alguns jogadores chave, só mesmo um jogo perfeito do Sporting poderá permitir-nos dar a volta à eliminatória. Não gosto de atirar a toalha ao chão, mas confesso que não me chatearia se decidíssemos poupar alguns jogadores na próxima quinta-feira, de forma a irmos nas melhores condições possíveis ao Dragão. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Tremenda frustração

Acabou por ser uma partida que ao nível da qualidade de jogo ficou bastante aquém das expetativas, mas compensou em termos de intensidade e da emoção no final. Foi bastante evidente desde o princípio que o Benfica sairia satisfeito de Alvalade com o empate, acabando por fazer ofensivamente um jogo abaixo do nível de outras equipas que nos visitaram, como o Rio Ave, Marítimo, Moreirense ou Paços de Ferreira. Reconheça-se no entanto que defensivamente demonstraram toda a sua experiência e organização, que raramente o Sporting - a única equipa que procurou ativamente o golo - conseguiu romper. 

O golo de Jefferson surgiu numa altura em que já poucos acreditariam que o resultado sofreria alterações, mas é preciso dar mérito a Samaris - que mostrou aos construtores de jogo do Sporting como é que se faz um passe em profundidade a rasgar a defesa com conta, peso e medida. Em vantagem a três minutos do fim era impensável que a vitória nos fugisse, mas mais uma vez conseguimos demonstrar uma enorme incapacidade para gerir emocionalmente os momentos decisivos das partidas. O Benfica agradeceu, marcou e acabou por conseguir um empate que pouco fez por merecer.



Positivo

Um meio-campo que engoliu o outro - fantástico o trabalho do trio do meio-campo do Sporting. William foi o melhor jogador em campo. Ganhou praticamente todos os duelos que teve na sua área de ação e esteve em grande plano no capítulo do passe, soltando a bola sempre no momento certo e com grande precisão, fossem mais curtos e rasteiros ou mais longos pelo ar. Adrien e João Mário vestiram o fato-macaco e estiveram em todo lado, apesar de lhes ter faltado o esclarecimento necessário no momento do último passe. Todos juntos conseguiram anular de forma extremamente eficaz a construção de jogo do Benfica, que raramente conseguiu ligar mais que três passes seguidos e aproximar-se da área do Sporting.

O quarteto defensivo - o melhor elogio que se pode fazer aos laterais é que tanto Ola John como Sálvio simplesmente não existiram em Alvalade. Paulo Oliveira e Tobias Figueiredo fizeram um jogo sem falhas, não só contendo Lima e Jonas mas também fazendo as dobras aos respetivos laterais sempre que necessário. Quaisquer dúvidas que pudessem existir de que temos aqui uma dupla com enorme futuro ficaram totalmente dissipadas - prova inteiramente superada.

A prova que a aposta na formação não implica menor ambição - Rui Patrício, Cédric, Tobias, William, Adrien, João Mário, Nani e Carlos Mané. Oito jogadores da formação a que se juntou um nono português, Paulo Oliveira. Mandaram no jogo e mereciam melhor sorte, mostrando que jogadores adquiridos e pagos a peso de ouro não significam necessariamente maior qualidade do que a prata da casa.

Estádio cheio - foi bom ver Alvalade novamente perto dos 50.000 espectadores.



Negativo

A equipa que veio jogar para o pontinho... - tal como qualquer Setúbal, Boavista ou Académica, é evidente que o Benfica tem o direito de utilizar a estratégia que considere mais adequada, mas não foi bonito de ver o antijogo praticado desde os minutos iniciais. Lançamentos e pontapés de baliza que demoravam uma eternidade a serem marcados, repetidas simulações de lesões mal amanhadas, e zero de risco ofensivo. Ninguém diria que se tratava do campeão nacional em título, mas a realidade crua e dura é que saem de Alvalade mais perto de o revalidar.

... e a nossa incapacidade de a superar - fomos a única equipa com iniciativa ofensiva mas não fomos suficientemente lúcidos para ultrapassar a muralha que o Benfica colocou em campo. Não só abusámos dos cruzamentos para a área (alguém avisou os jogadores que Slimani não estava em campo?), como também podíamos ter feito um trabalho bastante melhor no momento do último passe. Também me pareceu que por variadíssimas vezes optámos por complicar, quando jogar simples talvez desse melhor resultado. Nani esteve numa noite de total desinspiração, Montero nunca conseguiu ser uma presença ameaçadora na área, e Carrillo, tendo sido o melhor dos três, também não esteve nos seus melhores dias. Tudo isto contribuiu para as poucas oportunidades de golo que acabámos por criar.

Falta de controlo emocional depois de ter feito o mais difícil - é provavelmente o ponto que teremos que melhorar mais para podermos vir a ser campeões. Tem sido demasiado frequente deixarmos os adversários reentrarem no jogo pouco depois de nos termos colocado numa posição vantajosa. Foi assim hoje, como já tinha sido com o Rio Ave, com o Marítimo, com o Schalke ou com o Maribor. Curiosamente, tudo jogos disputados em Alvalade.

Lançamento de petardos, tochas e pirotecnias diversas - e se as enfiassem acesas na vossa cavidade gastrointestinal para ver se têm outro tipo de ideias brilhantes?


Outras notas

O crime compensa, ou a suprema ironia deste jogo - devido às constantes perdas de tempo provocadas por jogadores do Benfica, o árbitro deu 4 minutos de descontos. E foi ao 4º minuto de descontos que acabariam por marcar o golo do empate...

Jorge Jesus, comediante de serviço - saí com uma tremenda azia do estádio, mas o treinador do Benfica conseguiu deixar-me com um sorriso nos lábios quando disse na flash interview que houve sabedoria na forma como chegou ao empate, fez-me soltar um riso espontâneo quando chamou "Williams" ao nº 14 do Sporting, e deixou-me à beira de gargalhadas incontidas quando na conferência de imprensa mencionou Ola Jonas (o médio, não o avançado - apressou-se a esclarecer de imediato).

Foram miúdas adolescentes que fizeram a cobertura do jogo para a Antena 1? - enquanto regressava a casa, fui reparando que alguns elementos da equipa da Antena 1 que fazia o rescaldo da partida eram incapazes de conter as risadinhas, certamente consequência da excitação que aquele final de partida lhes causou. Uma boa disposição vibrante recheada de graças, gracinhas e graçolas, análises que começaram e acabaram no desempenho dos jogadores do Benfica (esteve mais alguma equipa em campo?), elogios intermináveis a Artur, Luisão, Jardel, Maxi e Samaris sem que houvesse algum destaque a jogadores do Sporting. Só é pena que na realidade não fossem miúdas adolescentes, eram jornalistas profissionais pagos pelos nossos impostos que não conseguiram esconder a satisfação de um empate que julgariam impossível após o golo de Jefferson.



É difícil aceitar a forma como acabámos por desperdiçar dois pontos e a oportunidade de reduzirmos a diferença para a liderança do campeonato. No entanto, ficou a demonstração de que temos uma equipa que, ao fim de quatro dérbis / clássicos, foi quase sempre superior aos adversários diretos e demonstrou inequivocamente que o trabalho feito pela estrutura, equipa técnica e jogadores é de qualidade e está no caminho certo. É uma equipa que ainda nos dará muitas alegrias.

Em relação às contas do campeonato, apesar de mantermos os sete pontos de atraso em relação ao Benfica ficámos indiscutivelmente mais longe de podermos alcançar o primeiro lugar. Agora, como Marco Silva referiu no final, a única forma de deixar esta desilusão para trás é ganhando o jogo no Restelo. Façamos o nosso trabalho conquistando os três pontos em cada partida, de forma a colocarmo-nos em posição de aproveitar qualquer deslize que o duo da frente possa cometer.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Dinamitando a pedreira com explosivos japoneses

Há finais de jogo épicos e este foi definitivamente um bom exemplo. Uma bomba de um jogador pouco utilizado no último segundo da partida causou uma explosão de alegria em jogadores, treinadores, dirigentes e adeptos, que depois de semanas tremendamente difíceis mereciam que a sorte lhes sorrisse desta forma. Verdade seja dita que fizemos o suficiente para evitar este final emocionante - o Sporting foi a melhor equipa da partida (em particular durante a segunda parte), e dispôs de oportunidades de golo suficientes para vencer o jogo de forma menos dramática. Não me queixo, no entanto: a festa que todos testemunhámos no relvado foi devidamente replicada na minha sala, e compensou largamente os noventa e tal minutos de sofrimento vividos até ao assombroso livre marcado por Tanaka.



Positivo

A bomba de Tanaka - o japonês foi o herói improvável da partida, que colocou justiça no resultado em grande estilo. Um livre marcado de forma irrepreensível que nenhum guarda-redes do mundo conseguiria defender.


As ações defensivas de William - não esteve bem ao nível do passe, mas defensivamente fez um jogo tremendo. Recuperou inúmeras bolas e conteve várias iniciativas ofensivas do Braga, mas destaco uma ocasião em que evitou um golo ao tirar a bola dos pés de um jogador da equipa da casa à entrada da área, que se preparava para fazer a recarga a uma grande defesa de Rui Patrício a remate de Pardo.

Carrillando pela direita - se Nani foi o homem em maior destaque na primeira parte - mas foi demasiado individualista e pouco consequente - na segunda parte foi a vez de aparecer Carrillo como o principal criador de lances de perigo. Mas o peruano sobressaiu pela forma objetiva e criteriosa como municiou o resto da equipa. Por pouco que não marcou num remate desviado por um defesa do Braga. 

O quarteto defensivo - muito bom jogo dos quatro elementos. Os laterais fizeram um excelente trabalho em anular a maior parte das iniciativas do Braga (com destaque para Jefferson, que apanhou o perigosíssimo Pardo pela frente) e os centrais venceram praticamente todos os duelos em que tiveram que intervir. Um ou outro erro pontual não mancha uma prestação geral muito positiva de toda a defesa.

Silêncio, que está a jogar o Sporting - o Braga esteve por cima do jogo em períodos relativamente reduzidos (e os que existiram foram principalmente na primeira parte), mas na segunda parte a partida teve praticamente um único sentido. O público bracarense sentia-o e o seu silêncio era um indicador bastante elucidativo da forma como o jogo decorria. Nem as várias tentativas que o speaker fez para puxar pelo público resultaram: no estádio só havia microfone aberto para a onda verde.


Negativo

A finalização, outra vez - não foi por falta de oportunidades que o Sporting não resolveu o jogo mais cedo. Os primeiros 15 minutos da segunda parte foram particularmente ricos em ocasiões de golo criadas, que foram sendo desperdiçadas sucessivamente sobretudo por demérito nosso. No entanto seria injusto não realçar a excelente exibição de Matheus.

Critério disciplinar - que Hugo Miguel é um árbitro permissivo, já se sabia. Mas mais uma vez o critério que seguiu para amostragem de cartões foi, no mínimo, discutível. Por volta dos 5 minutos de jogo, Aderlan vira um jogador nosso do avesso. Hugo Miguel dá - e bem - a lei da vantagem e quando o jogo é interrompido mantém o amarelo no bolso, preferindo avisar o jogador do Braga. Passados alguns minutos, Paulo Oliveira faz uma falta igualmente dura, o jogo segue também devido à lei da vantagem, mas Hugo Miguel desta vez não perdoa: amarelo. Adrien vê na segunda parte um amarelo por faltas consecutivas, mas Baiano e Rafa (só para dar alguns exemplos) fizeram o mesmo sem verem qualquer cartão. E aquele "amarelo" a Matheus quando derruba Tanaka fora da área...


Teatro, teatro e mais teatro - foram inúmeras as tentativas dos jogadores do Braga para amarelarem os nossos jogadores. Qualquer toque num jogador bracarense, por mais ligeiro que fosse, era inevitavelmente seguido por uma exibição de dor lancinante. Felizmente que este árbitro não foi na conversa, mas um "disciplinador" do tipo Manuel Mota chamar-lhes-ia um figo.



Há tradições que vale a pena alimentar. Mais uma vitória contra o Braga, um adversário difícil que acaba invariavelmente derrotado quando encontra umas riscas verdes e brancas horizontais pela frente. Entretanto subimos à terceira posição e ampliámos uma sequência de resultados muito interessante que mostra que a equipa está pronta para aproveitar qualquer deslize que os dois primeiros classificados possam fazer.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Salvou-se o resultado

Os semblantes carregados que se viram no final do jogo fazem justiça à miserável exibição que realizámos hoje. Se tivesse um espelho para me observar quando o árbitro apitou para o final da partida, certamente que não encontraria grandes diferenças entre a minha expressão e as de Bruno de Carvalho ou Marco Silva. E imagino que as de praticamente todos os sportinguistas que assistiram ao jogo. Foi má, demasiado má, a imagem que deixámos. Não há desculpas nem atenuantes para o facto de termos passado tantas dificuldades perante uma equipa do 3º escalão nacional, com a agravante de o 1º golo ter sido marcado através de um penálti inexistente. Salvou-se o resultado e a qualificação para os quartos de final, ficando a esperança que até lá a equipa consiga encontrar uma saída do labirinto anímico em que se deixou perder.


Positivo

A qualificação para os quartos de final - lá dizia a Scarlett O' Hara que amanhã será um novo dia.

Bolas paradas ofensivas - para além do penálti exemplarmente marcado por André Martins, muito bom o desvio de Paulo Oliveira no 2º golo na sequência de um livre e o oportunismo de Mané após desvio de Carrillo a partir de um canto. Temos tido um aproveitamento muito fraco deste tipo de lances, foi refrescante por uma vez termos resolvido um jogo desta forma.

Cédric - não é que tenha feito um grande jogo, mas foi dos mais inconformados. Gostei de o ver de novo em campo após as estranhas ausências contra Boavista e Moreirense. Tem que ser titular.


Negativo

Tudo o resto - incapacidade para trocar a bola com rapidez no meio-campo adversário e causar desequilíbrios, tremendas dificuldades em manter o Vizela longe da nossa área, a defesa incompleta de Marcelo que ofereceu o empate ao adversário, mais um golo sofrido a partir de um canto, falta de velocidade, atitude, concentração, enfim, uma noite para não repetir.


Apesar de tudo é preciso relembrar que esta fase negativa não é particularmente longa. A derrota com o Chelsea tem que ser encarada como natural, a que se seguiu uma sequência de dois jogos maus contra adversários acessíveis. Antes disso fizemos boas exibições contra Espinho, Maribor, Boavista e Setúbal. Como é evidente, isso pode não servir de grande consolação agora, mas é importante não cairmos em depressão como se estivéssemos num ciclo terrível de resultados e exibições à imagem daquilo por que passámos há dois anos. Apesar de tudo, são realidades bem diferentes.

Para já não comprometemos um dos objetivos mais importantes da época, o que num dia de tão pouca inspiração acaba por ser um luxo pouco frequente. Domingo a resposta da equipa terá que ser bem diferente.



domingo, 14 de dezembro de 2014

Hora de tomar decisões difíceis

O desfecho da última jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões foi um enorme balde de água fria para o Sporting, mas como em tudo na vida existe um lado positivo: Marco Silva terá certamente tido a oportunidade para clarificar as suas ideias sobre quais os jogadores com que poderá contar para o futuro imediato do Sporting.

Capel parece ser um jogador claramente em fim de ciclo. Tem sido incapaz de aproveitar as variadíssimas oportunidades que o treinador lhe tem dado, podendo contar-se pelos dedos de uma mão os bons momentos que nos proporcionou esta época. E não foi decisivo em nenhum jogo. Nani e Carrillo são as duas primeiras opções para as alas, e Mané claramente o 3º homem à frente do espanhol e de Héldon. Aliás, depois de ter visto o que Iuri fez ontem contra o Porto B, acho que estamos claramente a perder tempo, dinheiro e outros talentos se continuarmos a dar minutos de jogo ao espanhol e ao cabo-verdiano. Adoro a atitude de Capel ao longo dos anos de leão ao peito, Héldon tem sido de um profissionalismo irrepreensível, mas creio que chegou a altura de dar oportunidades a outros.

William tem oscilado bastante em termos exibicionais e é nítido que está longe do jogador seguro e consistente da época passada. Esta irregularidade pode ser parcialmente explicada pelas funções que Marco Silva lhe exige (que contrastam com a missão mais posicional que Leonardo Jardim lhe confiava), mas não é só isso - o jogador vale bem mais do que o que nos tem mostrado ultimamente. Qualquer outro jogador nas mesmas condições já teria deixado de ser titular há algum tempo, e creio que não fará mal nenhum a William se passar alguns jogos no banco.

Há ainda a incógnita do defesa direito. Fiquei muito intrigado pela opção de Marco Silva ter utilizado Miguel Lopes no jogo com o Boavista. Parecia-me mais natural que usasse Esgaio (de forma a rotiná-lo para o jogo com o Chelsea) ou Cédric (habitual titular, que nos últimos jogos tinha vindo a subir de produção). Miguel Lopes estava, portanto, longe de ser para mim a primeira opção: tinha entrado bem contra o Marítimo nos últimos minutos como defesa esquerdo, mas fez um jogo sofrível como lateral direito contra o Espinho. Mas a verdade é que esteve muito bem contra o Boavista. De qualquer forma, se Cédric não jogar hoje não será descabido pensar que a sua ausência possa estar relacionada com uma eventual estagnação do processo de renovação do contrato. Espero que isso não se verifique e que Cédric seja titular (e que renove brevemente).

Finalmente, penso que Marco Silva deveria voltar a apostar em Montero e Slimani desde início. Funcionou bem contra Setúbal e Boavista, e a habilidade do colombiano em criar jogo em espaços interiores é uma arma que não pode deixar de ser explorada - principalmente numa altura em que Nani não está disponível.

Vencer é imprescindível. Não serve de nada estarmos a pensar nos pontos que os nossos rivais irão perder se não fizermos primeiro o nosso trabalho. Rapazes, façam-nos lá o favor de assegurem os três pontitos de forma expedita e tranquila para podermos assistir à segunda parte do Porto - Benfica refastelados no sofá com um balde de pipocas ao colo.


domingo, 30 de novembro de 2014

Blitzkrieg com fogo de tanque e morteiro

Nenhum sportinguista se terá sentido defraudado com a vontade de marcar com que a equipa entrou em campo. Foi notório que a mensagem de Marco Silva passou para os jogadores, e estes não pouparam esforços para resolver o jogo rapidamente. E fizeram o suficiente para isso, com exceção da malfadada eficácia finalizadora. Nos primeiros 20 minutos foram imensas as ocasiões de golo criadas, que incluiu duas bolas nos ferros, algumas más finalizações e um guarda-redes que teve algumas intervenções que adiaram a festa em Alvalade mais do que se esperaria.

O ritmo acabaria por abrandar, mas sempre com o Sporting a dominar completamente a partida, acabando por resolvê-la de rajada na segunda parte no espaço de um minuto com dois excelentes golos. A partir daí a equipa começou a gerir o esforço, mas nem por isso deixou de ter oportunidades para ampliar a vantagem, perante um adversário completamente inofensivo no ataque.

Uma vitória absolutamente indiscutível que apenas pecou por não ter a expressão em golos que merecia. Deviam ter sido mais, e não deviam ter demorado tanto tempo a aparecer.



Positivo

A importância de Fredy Mortero - Marco Silva disse na conferência de imprensa que a equipa deveria entrar com tudo para cima do adversário, e o treinador foi o primeiro a dar o sinal prático ao colocar o colombiano de início em simultâneo com Slimani. Aposta inteiramente ganha, pois Montero foi o principal dinamizador do ataque na melhor fase da equipa, recuando, recebendo entre linhas passes (sobretudo de William), distribuindo e apoiando Slimani. Montero acabaria também por ser Mortero, quando disparou um projetil de longa distância que aniquilou a oposição que ainda se organizava nas trincheiras após as linhas terem sido furadas pela primeira vez por um tanque argelino - repetindo a brincadeira que já tinha feito com o Paços.

O tanque argelino - começou mal ao não conseguir concretizar 3 oportunidades nos primeiros minutos (numa delas podia ter feito muito melhor), mas acabou por ser uma das figuras do jogo ao marcar o 1º golo com a canela e o 3º de cabeça. À ponta-de-lança.

As manobras flanqueadoras dos laterais - tanto Cédric como Jefferson fizeram excelentes exibições no apoio ao ataque. O brasileiro está a atravessar uma grande fase e mais uma vez foi decisivo ao assistir Slimani para o 1º golo com um cruzamento teleguiado, e quase marcou na 1ª parte através de um livre. Cédric esteve sempre muito ativo, com alguns bons cruzamentos e um excelente entendimento quer com Mané quer com Carrillo.

O sniper peruano - Carrillo substituiu Mané e, apesar de o peruano ter estado menos participativo que o português, foi tremendamente mais objetivo e perigoso. Várias excelentes iniciativas, das quais se destacam a assistência de morte que Capel desperdiçou incrivelmente e o excelente passe para o último golo de Slimani.

O spray para marcar a posição das barreiras - tardou a chegar a Portugal mas é um progresso que saúda.


Negativo

Ineficácia finalizadora - não é novidade nenhuma esta época (ainda na terça-feira tivemos um show de oportunidades falhadas contra o Maribor), e a história repetiu-se com o Setúbal. De destacar as três bolas nos ferros, uma das quais num falhanço de Capel à boca da baliza, que entrando dariam uma expressão mais adequada à diferença de produção das duas equipas.

Arbitragem demasiado permissiva - a arbitragem de Artur Soares Dias foi, num jogo fácil e com poucos lances de difícil juízo, péssima. No rescaldo da partida falar-se-á muito (e justificadamente) do livre marcado a 2 tempos por William que antecede o 1º golo, mas será lamentável se não se referir o critério incompreensivelmente permissivo que o árbitro utilizou. O Setúbal abusou das faltas e de contactos para além do que as regras permitem, e ficaram sem favor 10 a 15 faltas por assinalar. É ridículo que o Sporting tenha terminado com 17 faltas cometidas e o Setúbal apenas com 13. É ridículo que o Setúbal tenha apenas terminado o jogo com um amarelo. E é um desrespeito para com quem paga bilhete que se seja tão tolerante com as prolongadíssimas reposições de bola (pontapés de baliza e lançamentos laterais) e "lesões" sucessivas sem que se dê uma compensação minimamente adequada nos descontos.

Entrada no estádio na porta 3 - já com o Paços as coisas não correram bem, e esta noite foi ainda pior, pois as entradas pela porta 3 estiveram paradas durante muitos minutos devido a uma avaria nos torniquetes. Os stewards podiam continuar as revistas, e as pessoas poderiam esperar no interior que o problema dos torniquetes fosse resolvido, mas em vez disso, pararam as revistas e atrasou-se ainda mais todo o processo de entrada no estádio. Tudo isto levou a uma enorme concentração no exterior de pessoas impacientes por entrar, e consequentemente gerou muitos empurrões de quem vinha de trás, com a polícia na zona das revistas a não deixar passar ninguém. No meio havia muitas crianças. Qualquer dia as coisas poderão correr realmente mal.


Foi um regresso às vitórias no campeonato com uma exibição inteiramente convincente. A equipa levou a sério o adversário e se esta atitude se mantiver temos condições para reduzir o fosso para a liderança nas próximas jornadas.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O longo braço da injustiça

                                                                                                                                                             
Até podíamos ter perdido por 3-1, mas teria ficado satisfeito com o comportamento da equipa. Enquanto jogámos 11 contra 11 fomos claramente superiores: empurrámos o Schalke para o seu meio-campo e caímos em cima deles forçando erros atrás de erros, numa demonstração de personalidade, classe e alegria de jogar que apenas uma grande equipa consegue proporcionar.


Até podíamos ter perdido por 3-1. Mas não perdemos. Os 10 indomáveis leões recusaram-se a baixar os braços e continuaram a desmultiplicar-se em campo, fazendo com que qualquer bola que repousasse uns segundos nos pés de um alemão se arriscasse a ser roubada. Procurando sempre o golo. E então Carrillo teimou em atirar-se para cima de três alemães para ser pisado de forma clara, e Adrien bateu o consequente penálti de forma irrepreensível.

Até podíamos ter perdido por 3-2, que já era suficiente para me sentir com mais motivos para acreditar nesta equipa como já não acreditava há muito. Mas os rapazes já não se sentiam em desvantagem numérica. Parecia que estavam em campo 13 ou 14 jogadores de amarelo que sabiam que iam conseguir aquilo que poucos minutos antes era impensável. E então Cédric vislumbrou Adrien do outro lado do campo e colocou-lhe a bola mesmo a jeito de fazer o empate.

O Sporting não fez um jogo perfeito, claro que não. A expulsão de Maurício foi forçada, mas o central devia saber que não pode gastar os créditos da paciência dos árbitros ao fazer faltas duras e escusadas a meio-campo. Neste caso, teve o azar de apanhar um árbitro em modo de tolerância zero para os nossos, e foi expulso ao fim de duas faltas. Teve azar ele, e acabou por ser a equipa a sofrer com isso.

O primeiro golo surge imediatamente a seguir, num lance em que o grande Rui Patrício podia ter feito certamente melhor - mas não é por isso que deixo de ter total confiança nele. Não fomos capazes de travar o Schalke nas bolas paradas, e Sarr foi batido por Howedes no lance do 3º golo - apesar de a bola ter sido cruzada de uma forma que seria difícil de intercetar sem fazer falta.

Mas de resto era impossível fazer melhor, e só não conseguimos um resultado melhor graças a uma desastrosa arbitragem que tem todos os condimentos para reavivar toda a desconfiança que existe sobre o protecionismo que determinados clubes têm sobre outros nas competições da UEFA.

Schalke --> sponsor Gazprom <-- Liga dos Campeões --> UEFA --> nomeação de árbitro russo

Uma expulsão forçada, o segundo golo do Schalke em fora-de-jogo (difícil de ajuizar, é verdade), uma diferença de critérios gritante na amostragem de cartões e marcação de faltas, e para terminar aquele penálti. 10 contra 16 foi uma luta demasiado desigual para que pudesse ter havido outro desfecho.


Como é evidente, a história das competições da UEFA está carregada de casos destes - não só de situações em que clubes de países mais pequenos como o nosso são prejudicados para além do razoável, mas também de polémicas que envolveram duas equipas da elite europeia (quem não se lembra das queixas do Chelsea numas meias-finais com o Barcelona?). Como tal, é uma daquelas lutas que não merece o nosso esforço. O foco tem que centrado estar nas batalhas que podemos ganhar.

Prefiro olhar para o jogo magnífico que os nossos jogadores nos proporcionaram. Até me parece injusto fazer destaques, mas Adrien, William e João Mário foram uns gigantes no meio-campo, Nani e Carrillo semearam inúmeras vezes o pânico na defesa adversária sem regatearem esforços a defender, e Cédric e Jonathan fizerem piscinas atrás de piscinas nos respetivos flancos sempre numa rotação elevadíssima. Uma exibição de luxo, cheia de alma, que me deixa com um orgulho imenso.

Uma última palavra para Marco Silva: está a levar a equipa a um nível que eu julgava impossível. Ter um jogador como Nani ajuda muito, mas isso está longe de ser a única explicação. Só posso desejar que fique connosco durante muitos e bons anos. 

Obrigado, rapazes!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Memórias do miúdo que foi para o Sporting por causa da Alemanha

                                                                                                                                               
Excelente artigo do Maisfutebol sobre Cédric, por Sérgio Pereira. Vale a pena ler. (LINK)

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Aquele passe de João Mário...

                                                                                                                                             
... e a receção de Nani... uau. Mas toda a jogada foi um monumento ao bom futebol, que envolveu mais de meia equipa (Cédric, Slimani, Capel e Montero). Para ser perfeito só faltou ao colombiano partir uns centímetros mais atrás no momento do cruzamento.

via @baavin e @captomente

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Inexperiência e carácter na noite de Super Patrício

                                                                                                                                            
Costuma-se dizer que não existem derrotas boas, mas a verdade é que, apesar de termos perdido, senti que o jogo que realizámos hoje é daqueles que faz crescer uma equipa jovem como a nossa. 

A primeira parte foi para esquecer: a maioria dos jogadores pareceu acusar a pressão de estar em campo contra grandes nomes do futebol europeu, e o Sporting nunca conseguiu estabilizar o seu jogo ou controlar o adversário. O Chelsea dominou completamente a partida desde os primeiros minutos, e dispôs de oportunidades suficiente para matar o jogo. Apesar da muita qualidade do futebol do Chelsea, é irónico que o golo não tenha sido fruto do talento das estrelas em campo, mas mais de ratice - aproveitando a ingenuidade de toda a defesa do Sporting, apanhada a dormir enquanto os ingleses marcavam o livre sem esperar pelo apito do árbitro.

No entanto, alguma coisa deve ter acontecido no balneário ao intervalo, porque os jogadores subiram ao relvado com uma mentalidade completamente diferente, querendo demonstrar que a primeira parte tinha sido um enorme equívoco. Os jogadores encheram-se de brio, entregaram-se de alma e coração à tentativa (bem sucedida) de pegar no jogo. O Chelsea continuou a ser uma equipa perigosíssima no contra-ataque, procurando explorar as nossas fraquezas, mas o Sporting conseguiu finalmente aproximar-se da baliza adversária com frequência e dispôr de algumas ocasiões de golo.

Diga-se que não coloco em causa a justiça da vitória do Chelsea (é preciso termos consciência da quantidade de oportunidades flagrantes que não concretizaram), mas fiquei muito satisfeito com o carácter demonstrado pelo Sporting: sabendo cerrar os dentes, sofrer e aguentar o resultado em aberto nos momentos mais difíceis, e acreditando depois que seria possível conseguir bater o pé a uma equipa recheada de estrelas do futebol mundial.



Positivo

Super Patrício - foi, simplesmente, uma das mais extraordinárias exibições de um guarda-redes que já assisti ao vivo. Pode parecer estranho, mas nas várias situações em que os jogadores do Chelsea arrancavam isolados para a baliza, sentia uma serenidade como se soubesse que aquele super-herói que estava na baliza seria capaz de travar tudo o que lhe aparecia pela frente. Imperial.

A personalidade demonstrada na 2ª parte - os onze jogadores que regressaram dos balneários após o intervalo eram os mesmos que estiveram em campo nos primeiros 45 minutos, mas a postura que tiveram foi completamente diferente. O Sporting entrou com vontade de discutir o jogo com o adversário, a bola deixou de queimar, o coletivo começou a funcionar e, como consequência, as oportunidades de golo começaram a aparecer. Nani foi quem ficou mais perto de marcar, primeiro ao aparecer isolado pela esquerda mas rematando à malha lateral, e depois tentando fazer uma fotocópia do golo que marcou ao Maribor. Mas também houve muito mais Carrillo, João Mário, Adrien, Cédric e William.

O ambiente no estádio - um vulcão do 1º ao último minuto, nunca poupando apoio à equipa. Não é que seja novidade, mas perante o nível superior do adversário os 40.000 que estiveram em Alvalade souberam responder em conformidade. Quem não pôde estar presente não sabe o que perdeu.

Paulo Oliveira e Montero - os dois jogadores entraram muito bem em jogo. Montero entrou com uma garra que não lhe via há bastante tempo, e Oliveira esteve muito seguro. O que fizeram justifica que Marco Silva lhes dê mais minutos em breve.


Negativo

Primeira parte apática - suponho que tenha havido algum deslumbramento de alguns dos nossos jogadores ao verem-se frente a frente com uma das maiores equipas europeias, pois só assim se explica a falta de capacidade geral demonstrada durante os primeiros 45 minutos. Uma única oportunidade de golo, através de um cabeceamento frouxo de Slimani (que estava em boa posição) é muito pouco, mesmo considerando que era o Chelsea que estava do outro lado.

O golo do Chelsea - foi o momento em que mais se sentiu a inexperiência da equipa. Não houve ninguém que ficasse perto da bola para impedir a marcação rápida do livre. O Chelsea aproveitou a distração de meia equipa do Sporting e marcou o golo que lhes valeria os três pontos.


Perder com este Chelsea não é um resultado catastrófico. Nem sequer desmoralizador (pelo contrário!), dada a boa resposta da equipa na segunda parte. O inesperado empate do Schalke com o Maribor acaba por fazer com que o 2º lugar esteja bem ao nosso alcance. Segue-se uma jornada dupla com os alemães que muito provavelmente definirá, para o bem ou para o mal, o nosso destino na Liga dos Campeões.