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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Vitória, preocupações e recados

Finalmente uma vitória. Ganhar ao Braga era essencial. Não por ser o Braga, não pelos três pontos, não para não nos deixarmos atrasar mais em relação à liderança, não pela possibilidade de, ganhando em Portimão, aproveitarmos o resultado do clássico entre Benfica e Porto para recuperarmos ou ampliarmos distâncias. Era essencial ganhar porque, independentemente dos muitos problemas técnico-táticos que estão à vista de todos, o atual momento de intranquilidade potencia esses problemas e faz parecê-los ainda mais graves do que efetivamente são. Era fundamental recuperar alguma tranquilidade e confiança e, como tal, jogando bem ou mal, tínhamos de vencer ontem. Nesse sentido, a missão mais importante foi cumprida.

Os suspeitos do costume. Mais uma vez, o Sporting só existiu ofensivamente na medida do que a sua linha média foi capaz de produzir. Os desequilíbrios foram conseguidos quase exclusivamente pelos habituais Bruno Fernandes e Wendel e pelo lateral Acuña. Coates e Mathieu foram segurando as pontas como podiam (com preciosa ajuda de Neto nos últimos quinze minutos) e, mais uma vez, o patinho feio Renan salvou o dia com algumas defesas fulcrais (aquela aos 40’, após remate de Hassan na queima, foi absolutamente incrível). 

Inoperância na frente. É angustiante observar o rendimento dos homens mais adiantados. Luiz Phellype vale pelo esforço e pouco mais. Raramente tem bolas na área para finalizar, parcialmente por responsabilidades próprias no momento de decidir o que fazer quando é solicitado, mas sobretudo por não ser devidamente alimentado devido ao modelo de construção (?) que o treinador coloca em prática. Raphinha está num momento de forma terrível. Não consegue ganhar duelos, não cria desequilíbrios, não finaliza em condições. Ontem defendeu a passo, deixando várias vezes Thierry completamente exposto no nosso flanco direito. Diaby foi Diaby. Mais um jogo sem qualquer ação positiva de registo, mais um momento para os apanhados que deixou meio estádio a rir quando se atrapalhou ao tentar fazer um nó a um adversário, e não há uma alma à face da Terra para além de Keizer que consiga entender como é possível que, depois de tão consistentes demonstrações de incapacidade, o maliano continue a fazer parte das contas do onze. Ou que tenha um minuto de utilização que seja. 

Treinador às aranhas. É verdade que Keizer não tem muitas alternativas de qualidade disponíveis. Camacho e Plata estão verdes e alguma coisa está mal na construção do plantel quando Raphinha, que tem apenas 22 anos e um ano de experiência a este nível, é o extremo de referência da equipa. A 11 dias do fecho do mercado, temos apenas dois pontas-de-lança, um dos quais jogava na segunda divisão há meses, e em que o outro foi contratado para substituir Bruno Fernandes. Mas isso não justifica tão pouco futebol e o problema não está apenas nos jogadores. Keizer diz que gosta de Dost mas não foi capaz de tirar rendimento do holandês, não é capaz de dar jogo a Luiz Phellype, não vê a mobilidade e técnica de Vietto como solução, e aparentemente também acha que Slimani não é o ponta-de-lança ideal. Perante quatro tipos de avançados de características bastante diversas e nenhum serve para o treinador… então quem servirá? 

Recados à estrutura. Na conferência de imprensa, Keizer deixou soltar um desabafo sobre a forma como (não) foi consultado sobre a saída de Dost, lamentando-se da sua saída. Depois dos comentários anteriores sobre Matheus Pereira e Vietto, fica mais ou menos claro que não existe entendimento entre o treinador e a estrutura de futebol sobre as movimentações de jogadores. Se não se entendem sobre quem sai, se não se entendem sobre quem entra… então como podemos nós, os adeptos, acreditar que existe um fio condutor, consistente e lógico, na preparação da época, na construção do plantel e na globalidade do trabalho realizado? 

Se, se, se. Reencontrámos as vitórias, mas os sinais de preocupação não se dissiparam. SE Rosier trouxer mais estabilidade ao flanco direito, SE Doumbia começar a compreender melhor as compensações que tem de fazer, SE Wendel conseguir aguentar mais de 60 minutos, poderemos ter condições para atenuar o caos defensivo que temos observado. SE conseguirmos manter Acuña a lateral, SE contratarmos um extremo a sério para entrar no onze ou SE conseguirmos começar a tirar algum rendimento de Camacho e Plata, SE contratarmos um ponta-de-lança que encaixe no quer que Keizer idealiza para o nosso jogo, poderemos ter condições para sermos um conjunto verdadeiramente ameaçador em ataque continuado e em contra-ataque. SE o treinador conseguir desembrulhar a confusão que parece ter no cérebro, SE a estrutura estabelecer as prioridades certas para a época… pode ser que se consiga fazer alguma coisa desta época.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Custo de oportunidade

No passado domingo, quando tinham decorrido 61 minutos do jogo de apresentação aos sócios, Marcel Keizer decidiu mexer pela primeira vez na equipa. Tirou de campo Mathieu, Borja, Dost e Vietto, lançando Neto, Acuña, Luiz Phellype e... Diaby. Estou a ser totalmente franco quando digo que fiquei imediatamente com vontade de sair do estádio quando me apercebi que o extremo maliano tinha entrado em campo.

Não tenho nada contra o homem e o profissional, mas, enquanto atleta, a totalidade da época 2018/19 foi mais que suficiente para demonstrar que o maliano não é nem nunca será jogador para o Sporting. Muito longe disso. Quando um colega lhe endossa a bola sem ser no pé, há 50% de hipóteses de Diaby cometer um erro - seja na avaliação do tempo e do espaço ideal para receber a bola para prosseguir a jogada, seja na própria qualidade do controlo do esférico. Isto é mau para qualquer jogador, mas é particularmente dramático para um extremo que, supostamente, tem na velocidade a sua qualidade mais diferenciadora. Nas ocasiões em que consegue dar sequência à jogada, entra depois em equação um segundo fator: a elevada probabilidade de se enrolar com a bola ou tomar uma decisão absurda. No domingo, proporcionou-nos mais uma triste demonstração da sua inabilidade quando protagonizou o momento insólito da tarde, ao cair sozinho à entrada da área do Valência depois de arrancar em velocidade.

A sua entrada deixou-me preocupado e a sentir-me um pouco defraudado. Preocupado, porque sabemos que Keizer é muito fiel aos seu núcleo duro de jogadores e o maliano é um deles. Se ficar no plantel, vai jogar com frequência. Defraudado, por uma questão de expetativas: depois das promessas feitas por esta direção na construção de um plantel mais competitivo, nunca me passou pela cabeça que teria de aturar mais um ano de Diaby. Não é apenas por não me sentir preparado para novos momentos de vergonha alheia que também é nossa. É também - e mais importante - pelo custo de oportunidade da sua utilização: cada minuto dado a Diaby é um minuto que Plata, Camacho ou Jovane não terão para crescer. E considerando o conjunto de extremos que temos, o sucesso desta equipa irá depender muito daquilo que os três jovens conseguirão evoluir com o decorrer da temporada.

P.S.: falo em Diaby por ser o caso (para mim) mais gritante, mas a conversa aplica-se também, em certa medida, a Ilori (face a Ivanildo e Quaresma) e, eventualmente, a Bruno Gaspar (face a Thierry). Que não se agravem os erros cometidos na época passada dando-lhes novas oportunidades para, inevitavelmente, nos voltarem a desiludir.

P.S.2: Agosto está aí à porta e nenhum dos principais problemas de excedentários (Viviano, Jefferson, André Pinto, Petrovic e Alan Ruiz) está resolvido. Bem sei que têm salários elevados que não são fáceis de impingir a outros clubes... mas não se fecha nem um desses dossiers?!

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Balanço da época, nº 5: Avançados



Bas Dost: ** 
2017/18: *** 

Iniciou a época a um excelente nível, chegando aos 10 golos apontados nas primeiras 13 jornadas (sendo que apenas foi titular em apenas 7 desses jogos devido a uma lesão no joelho). No entanto, caiu bruscamente de rendimento a partir de janeiro, sem qualquer confiança no momento de finalizar, ao ponto de parecer por completo um jogador inapto para alinhar numa equipa de primeira divisão. A lesão contraída acabou por ser uma benesse – para o jogador, que se arrastava nos relvados de forma deprimente, e para o clube, que encontraria em Luiz Phellype um goleador inesperado – que deu tempo ao holandês para se recompor psicologicamente. Ainda alinhou nas últimas quatro partidas – sempre como suplente usado -, mas foi o suficiente para voltar a colocar o seu nome na lista dos marcadores por duas ocasiões, ambas no Jamor, contra Belenenses e Porto, parecendo-se muito mais com o Dost que nos habituámos a admirar. 

É pouco provável que continue devido ao incomportável salário que Cintra lhe ofereceu quando voltou da rescisão. O Sporting não se pode dar ao luxo de pagar 6 milhões de euros brutos a um único jogador. 


Luiz Phellype: ** 

Analisando estritamente do ponto de vista do custo/rendimento, a contratação de Luiz Phellype foi um completo sucesso - nos últimos anos, apenas um jogador ficou acima nesta escala: Islam Slimani. O brasileiro não se integrou de imediato e precisou de tempo para apurar a forma física. A lesão de Dost deu-lhe o tempo e o espaço que precisava para se impor. Nos últimos 10 jogos da temporada, assinou 8 golos, incluindo um golo no Dragão e o penálti decisivo na final da Taça. 

Ainda é difícil avaliar se Luiz Phellype tem o que é necessário para ser o ponta-de-lança do Sporting. A forma como o Sporting se apresentou nos últimos meses não era propício a um volume de jogo ofensivo propício para alimentar goleadores, mas o brasileiro conseguiu uma taxa considerável de concretização das oportunidades flagrantes de que dispôs. Independentemente disso, é um jogador com quem se poderá contar para 2019/20. 


Fredy Montero: * 
2017/18: **
2015/16: *
2014/15: ** 
2013/14: **

Montero foi em 2019/20 exatamente aquilo que dele se poderia esperar: talentoso tecnicamente, mas sem a consistência competitiva necessária, podendo, no máximo, ser considerado um jogador útil para se ter no plantel. No entanto, os 3 milhões de euros anuais que recebia obrigavam a que fosse mais do que um jogador útil e pouco fiável, pelo que a decisão de o deixar sair para a MLS se compreende perfeitamente. 


Pedro Marques: - 

31 minutos na Liga Europa para se mostrar aos sportinguistas. Precisa de se impor nos sub-23 antes de poder ambicionar fazer parte do plantel principal. 


Raphinha: ** 

Não teve um começo de época complicado, com exibições abaixo do esperado – como tantos outros colegas – com Peseiro, ao que se juntou uma lesão contraída dias antes da entrada de Keizer que o deixou de fora dos relvados até ao final de dezembro. Progressivamente foi ganhando o seu espaço na equipa e terminou a época em bom nível como titular. 7 golos e 5 assistências são números abaixo do que pode fazer, mas, agora que está plenamente adaptado ao clube e ao treinador, tem todas as condições para explodir em 2019/20. 


Abdoulay Diaby: * 

Um caso oposto ao de Raphinha. Diaby tem números (7 golos e 8 assistências) que dão uma imagem errada (pela positiva) daquilo que rendeu em campo. Cintra apresentou-o como o jogador mais rápido do futebol português (Rafa deve ter-se rido às gargalhadas), e, de facto, Diaby assemelhou-se mais a um atleta do que a um futebolista – mas não na velocidade, mais na sua (falta de) relação com a bola, tantos foram os momentos constrangedores que proporcionou. Um flop de 5,5 milhões que não tem lugar no plantel da próxima época. 


Jovane Cabral: * 

Teve um impacto inesperadamente positivo na fase inicial da época. Soube fazer uso da sua capacidade física quando lançado a meio da segunda parte para abanar o jogo. É, efetivamente, um jogador útil para ter no banco, como atestam os números: 4 golos e 8 assistências em 1.193 minutos de utilização, que dá uma média inferior a 1 golo/assistência por cada 100 minutos. No entanto, não tem capacidade neste momento (nem sei se alguma vez terá) para mais do que isso. Jogando como titular, raramente conseguiu justificar a aposta. Jovane marcou 4 golos e fez 5 assistência entrando como suplente; como titular apenas registou 3 assistências. 

Suponho que em 2019/20, o melhor para Jovane seja o empréstimo a outra equipa da I Liga. 


Nani: ** 
2014/15: ** 

Foi provavelmente a grande contratação da época e foi um dos jogadores em destaque com José Peseiro – numa altura em que Bruno Fernandes estava a render muito abaixo do que pode. Esteve ao nível das expetativas criadas, jogando e fazendo jogar, ainda que – mais uma vez -, grande parte das bancadas não conseguisse compreender as suas contemporizações à espera de uma boa opção para dar sequência à jogada. 

A sua saída em janeiro foi, por isso, inesperada e mal compreendida entre os adeptos. A componente salarial terá tido um peso fulcral nessa decisão, mas, ao que se diz, não seria fonte de bom ambiente no balneário. A verdade é que a equipa não se ressentiu da sua saída - nem desportivamente, nem, sobretudo, ao nível da liderança dentro de campo.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Pés no chão e fé em Dost

Depois de três jogos com nota artística elevada, a equipa não foi capaz de dar sequência às boas exibições na estreia de Keizer em Alvalade. O resultado pode ter sido folgado, a segunda parte pode ter sido (inesperadamente) tranquila face à inferioridade numérica, mas os números alcançados não traduzem as dificuldades que o Aves nos causou na primeira parte, em que, durante largos períodos de tempo, dominou a partida e impediu que o Sporting conseguisse ligar o seu jogo.

Um bom e oportuno aviso para todos mantermos os pés no chão: não fosse um erro do adversário a provocar um penálti desnecessário que acabou por virar o rumo dos acontecimentos, e a história do jogo poderia ter sido bem diferente... para pior. Valeu-nos o suspeito do costume.



Os números - 4 jogos, 4 vitórias, 17 golos marcados e 4 sofridos. Hoje sem nota artística, mas os 4-1 representam a vitória mais volumosa do Sporting nesta edição da Liga, mantendo a equipa no segundo lugar no campeonato e passando a ter o segundo melhor ataque da prova. Ah, e Dost já é o melhor marcador do campeonato com 8 golos marcados em apenas 7 jogos.

Os golos e a eficácia - o Sporting apenas saiu para o intervalo em vantagem porque foi muito mais eficaz no aproveitamento das suas oportunidades do que o Aves. A eficácia manteve-se na segunda parte, e em dois momentos críticos: o golo de Dost logo a abrir, que trouxe outra tranquilidade à equipa, e o golo de Diaby que surgiu pouco depois da expulsão de Acuña, que matou o jogo. E, claro, há que fazer justiça à qualidade desses golos, que só por si justificam o preço do bilhete: o remate explosivo e inesperado de Nani; o cruzamento tirado com régua e esquadro que foi desviado por Dost com igual precisão matemática; e o remate em arco de Diaby após um passe em profundidade que rasgou a defesa do Aves.

As assistências de Bruno Fernandes - mais três para a sua conta pessoal. O passe para Nani conta apenas para a estatística porque não teve grande relevância para o golo, mas o cruzamento para Dost e o passe a rasgar para Diaby foram deliciosos. Números que se vão acumulando e que impressionam: Bruno Fernandes soma 4 golos e 4 assistências nos 4 jogos com Keizer.

A gestão da inferioridade numérica - o golo de Diaby foi fundamental para acabar com as dúvidas que a expulsão de Acuña pudesse trazer, e a partir daí o Sporting controlou bem o jogo, a ponto de fazer esquecer a situação de inferioridade numérica. Foi uma segunda parte totalmente tranquila.

Renan a marcar pontos - um punhado de boas intervenções, incluindo uma defesa fundamental na primeira parte, e teve várias ocasiões para demonstrar o seu excelente jogo de pés. A questão da baliza do Sporting não é pacífica - sobretudo devido ao mistério que envolve o afastamento de Viviano -, mas Renan tem vindo a justificar gradualmente a aposta que tanto Peseiro como Keizer têm feito em si.



A primeira parte - a incapacidade de o Sporting dominar o jogo deveu-se, a meu ver, a dois fatores: o mérito do Aves, que estudou bem os últimos jogos do Sporting e soube pressionar Wendel, Bruno Fernandes e Nani com rapidez - e muitas vezes em antecipação dos seus movimentos seguintes, que lhes valeu várias recuperações de bola -, e por algum comodismo dos jogadores do Sporting na entrada em jogo, que não pareciam com grande vontade em dar a aceleração e dinâmica necessárias para abrir linhas de passe que contrariassem o pouco espaço disponível em dois terços do terreno. Depois de sofrido o golo, houve vontade imediata dos jogadores do Sporting em dar maior velocidade ao jogo, mas fizeram-no com pouca precisão. Foi muito mais o acaso do que a qualidade do nosso jogo a ditar a reviravolta ainda na primeira parte. 

A expulsão de Acuña - não o crítico pelo segundo amarelo, mas tem de ser responsabilizado pelo primeiro cartão - que viu por se envolver numa escaramuça com adversários por causa de uma falta que nem sequer foi cometida sobre si. Mais uma vez, o seu temperamento deixou-o condicionado demasiado cedo e acabou por prejudicar a equipa ao deixá-la com menos um jogador durante mais de meia-hora. E não consigo concordar com os aplausos que recebeu de muitos adeptos enquanto abandonava o relvado: sendo recorrente nestas situações, não pode haver lugar para pancadinhas nas costas.



Nota artística - 3

MVP - Bas Dost

Arbitragem - Vítor Ferreira teve uma arbitragem algo irregular. Esteve bem nos lances capitais (os amarelos a Acuña e o penálti sobre Diaby), mas teve um critério irregular do ponto de vista técnico e disciplinar - podia, por exemplo, ter mostrado o segundo amarelo a Vìtor Costa no lance do penálti. Os 4 minutos de descontos na primeira parte foram demasiado escassos - só o penálti implicou esse tempo de paragem.



Com esta vitória já vamos com uma série de cinco triunfos consecutivos. Que venha a sexta contra o Vorskla já na próxima quinta-feira.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Festim em Baku

A triangulação Coates-Diaby-Gaspar seguida do cruzamento atrasado para Dost rodar e sofrer o penálti; a rápida recuperação de bola que esteve na origem do segundo golo; toda a jogada do terceiro golo que partiu em Renan e terminou no incrível slalom de Nani; o controlo e passe longo imediato sob pressão de Wendel a lançar Diaby para o quarto golo; a bola picada de Wendel para Bruno Fernandes; e a finalização de primeira de Diaby após cruzamento de Jovane, que fechou o resultado: a goleada ao Qarabag proporcionou-nos um festim de rasgos de brilhantismo que coroaram uma exibição muito agradável, como há muito não me lembrava de ver o Sporting praticar. 



Ideia de jogo - em apenas duas semanas e meia de trabalho, Keizer já foi capaz de mostrar as ideias que quer implementar: futebol apoiado, vertical e objetivo, executado com velocidade e tendo sempre a baliza em mente, com os laterais bem abertos mas privilegiando o espaço interior e reagindo rapidamente à perda com a tal pressão alta que o treinador anunciou no dia em que se apresentou. Obviamente que não podemos ignorar que o nível dos dois adversários que defrontou não reflete as dificuldades típicas que terá de enfrentar no campeonato português, mas são já evidentes as melhorias em relação ao futebol que Peseiro nos impingiu durante quatro longos e tortuosos meses. Basta comparar com as exibições contra o Loures (em oposição à de sábado passado) e contra o Poltava (em oposição à de ontem).

Wendel & amigos - neste momento, uma das perguntas que a maior parte dos sportinguistas terá na cabeça é: como é possível nem Jesus nem Peseiro terem dado oportunidades a Wendel? A exibição do brasileiro foi uma delícia: registou três assistências (mais o passe para o primeiro golo de Diaby, que não contou para a estatística por ter havido um corte incompleto do defesa), ficou muito perto de marcar dois, e deixa água na boca o nível de entendimento que mostrou ter com Bruno Fernandes e Nani. Exibição muito, muito prometedora de Wendel em particular, mas também deste novo meio-campo em geral.

Apuramento para a fase seguinte - estava quase garantido à partida para esta jornada, e foi agora consumado. O Sporting continua em frente na competição.



O golo sofrido - Diaby esqueceu-se que tinha de acompanhar o seu homem e deixou Bruno Gaspar completamente sozinho contra dois adversários na área. Foi o único lapso com consequências - noutro caso valeu o corte de Bruno Fernandes quase sobre a linha de golo -, mas é um bom exemplo para nos relembrar que esta ideia de jogo implica riscos defensivos superiores e que há muito trabalho pela frente para que todos os jogadores saibam como se comportar individual e coletivamente quando o adversário tem a bola.



Um bom resultado, uma bela exibição, mas não há quaisquer motivos para euforias. Na próxima segunda vem o primeiro teste a sério, com a deslocação a Vila do Conde.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Raio de luz

Pode não ter sido uma grande exibição do princípio ao fim, pode não ter havido um domínio constante, mas a vitória de ontem do Sporting sobre o Boavista foi incontestável e não terá deixado nenhum adepto insatisfeito. Um ténue raio de luz a rasgar a penumbra exibicional a que temos sido sujeitos. A primeira parte foi mastigada e na linha do que tem sido as exibições recentes, mas na segunda parte houve uma melhoria significativa ao ponto de podermos dizer que foi agradável de seguir. Pode não parecer muito, ainda mais tendo sido contra um adversário cujo objetivo será a manutenção, mas é um upgrade ao que foi o futebol do Sporting contra Poltavas, Loures e Qarabags, que também não são propriamente colossos europeus. Junte-se a isto os muito aguardados regressos de Mathieu e Dost, os primeiros bons pormenores de Diaby, uma nova bomba de Bruno Fernandes e um Nani ao melhor nível, e temos finalmente alguma coisa a que nos agarrarmos. Pelo menos até à próxima quarta-feira.



Os golos - o magnífico trabalho de Montero no primeiro golo de Nani, que devolveu os mortais a Alvalade; a combinação entre Montero e Diaby com o passe atrasado para o estouro de Bruno Fernandes; e o remate picado de primeira de Nani. Três golos bem trabalhados e de belo efeito que valeram a vitória mais folgada da época, uma noite tranquila e três pontos totalmente merecidos. Nota positiva para as exibições de Nani, Montero, Mathieu e Acuña, com alguns bons momentos de Diaby e Bruno Fernandes na segunda parte.

Os regressos - Mathieu voltou e realizou uma exibição muito sólida, tendo sido obrigado a um par de intervenções importantes na primeira parte. Dost teve a ovação da noite ao entrar após mais dois meses de ausência. Não teve tempo para muito, conseguindo apenas um remate sob pressão e duas ou três intervenções na ligação entre setores. Bruno César estreou-se na temporada e foi colocado no apoio a Dost. Três reforços que, cada qual da sua maneira, poderão acrescentar qualidade nos preenchidos meses de competição que vamos atravessar.



Corpos estranhos - Diaby demorou a entrar o jogo, mas a assistência para o golo de Bruno Fernandes pareceu-lhe dar confiança. Nota-se que Bruno Gaspar ainda não está na mesma página dos jogadores que ocupam terrenos mais próximos, como Coates, Diaby ou Bruno Fernandes. Gudelj raramente acrescenta algo com bola, alternando o alheamento na construção com passes disparatados.

Assobios - 8 minutos de jogo. O-i-t-o. Um passe em profundidade mal medido do Boavista morre nos pés de Renan. O Sporting tenta sair a jogar perante a pressão boavisteira. A bola vai para Mathieu, na esquerda, volta para Renan, que toca para a frente para Battaglia, que deixa em Mathieu, que vira para Coates que, pressionado, volta a dar a Renan, que devolve a Coates, que permite um corte e ganha lançamento. Ouvem-se assobios no estádio porque, aparentemente, há quem ache que a melhor maneira de se sair a jogar perante uma pressão adversária moderada é mandando um chutão para a frente. Junte-se a isso os vários assobios para as temporizações de Nani, que tem demonstrado frequentemente ser o jogador mais esclarecido em campo, os vários assobios para os cantos mal marcados (OK, aqui até compreendo), e os assobios no final porque os jogadores não se aproximaram da curva sul como de costume (depois de lhes terem devolvido as camisolas em Alverca, esperavam o quê?), e percebe-se bem que não é fácil ser-se jogador do Sporting nesta altura. Nunca é, verdade seja dita, mas agora ainda menos.



MVP - Nani

Nota artística - 3

Arbitragem - Carlos Xistra não teve um jogo difícil e soube geri-lo de forma competente.



Exibição e vitória sobre as quais talvez se possa iniciar uma série positiva de jogos. Segue-se a receção ao Estoril para a Taça da Liga na quarta-feira à noite (véspera de feriado) e uma viagem aos Açores para defrontar o surpreendente Santa Clara. É obrigatório ganhar os dois jogos, mas seria importante conseguir as vitórias de forma convincente. É fundamental que os (bons) jogadores que temos recuperem a confiança para voltarem a fazer aquilo de que são capazes. 

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Chegou Diaby

Depois de um processo negocial relativamente demorado, o Sporting fechou finalmente a contratação de Abdoulay Diaby. 

Confesso que não conheço o avançado maliano (nascido em França), mas pelo pouco que vi parece ser mais um jogador complementar a Dost do que um substituto. Poderá ser útil no aproveitamento do espaço nas costas das defesas adversárias em função da sua velocidade (no fundo, aquilo que esperávamos que Doumbia trouxesse e não conseguiu devido ao declínio das suas capacidades físicas), apesar de, até ao momento, essa característica parecer secundária para Peseiro (que tem preferido usar Dost, Acuña e Nani em simultâneo, sentando Raphinha, Matheus e Mané).

Parece-me, por isso, que a procura do Sporting por pontas-de-lança não terminará aqui.

Diaby teve bons números na sua última temporada na Bélgica, tendo agora que passar pela sempre importante questão da adaptação ao futebol português. Boa sorte!