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quarta-feira, 1 de março de 2017

O treinador de Madeira Rodrigues

Considerando o facto de que Pedro Madeira Rodrigues é apenas um candidato que defronta um presidente em exercício, acho que Juande Ramos, o treinador encontrado para o acompanhar em caso de vitória nas eleições, é um nome aceitável. Aceitável, mas não mais do que isso: da mesma forma que poderia ter arranjado muito pior (chegou a falar-se em Carlos Queiroz e Manuel José, por exemplo), também poderia ter arranjado muito melhor (Rui Jorge ou Marco Silva seriam ases de trunfo para a sua campanha).

É indiscutível que Juande Ramos tem currículo - mesmo sem ter sido campeão nacional, há muito valor nas vitórias em duas Taças UEFA e uma Supertaça Europeia com o Sevilha -, mas isso não faz com que seja automaticamente uma escolha convincente. Em primeiro lugar, porque já passaram muitos anos desde que o treinador fez algo de relevante na sua carreira: tirando o período em que serviu o Dnipro, tem acumulado despedimentos pelos clubes por onde passou nos últimos dez anos. Depois, porque as suas últimas opções de carreira têm sido típicas de alguém que está mais preocupado em rechear a conta bancária do que com a evolução da sua carreira, o que normalmente é sinal de uma certa acomodação. Por último, é sabido que os treinadores estrangeiros têm, por regra, enormes dificuldades em adaptar-se às particularidades do futebol português - por algum motivo já se passaram dez épocas desde a última vez que o campeonato não foi ganho por um treinador indígena.

Não sendo Juande Ramos um nome óbvio, dificilmente terá sido a primeira escolha de Madeira Rodrigues. Inicialmente, Madeira Rodrigues referiu a existência de três nomes possíveis. Creio que confirmou que um era argentino - ao que tudo indicava, Bielsa - e que outro era português. Mais tarde, uma fonte da candidatura referiu aos jornais que o treinador escolhido era britânico. Para além disso, estando neste momento sem emprego, por que razão será Boloni a pegar na equipa no dia 5 de março em caso de vitória da lista A? Ou seja, todas as curvas e contracurvas no discurso do candidato sobre o seu perfil de treinador indicam que o espanhol foi a escolha possível. Ora, será preciso um pequeno milagre para que o Sporting conquiste o campeonato apenas com uma escolha possível. Em Portugal, não se fazendo parte do círculo do poder, as coisas não funcionam assim.

O grande erro de Madeira Rodrigues na campanha foi ter "despedido" Jorge Jesus após o anúncio público do seu apoio a Bruno de Carvalho através da Comissão de Honra. Não só se meteu na trapalhada de querer convencer os sportinguistas de que esse despedimento não teria quaisquer custos para o clube - primeiro Jorge Jesus saíria pelo próprio pé, depois arranjar-se-ia uma solução legal para resolver o problema, e no fim seria Bruno de Carvalho a pagar -, como também o forçou ao trabalho adicional de arranjar um treinador em plena campanha. As hipóteses que tinha já eram reduzidas à partida, mas é bem provável que, com isto, tenha deitado tudo a perder.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Desespero

Foto: Diana Quintela / Global Imagens
Não consigo encontrar outra explicação para a figura ridícula que Pedro Madeira Rodrigues fez ontem. Anunciou durante a tarde que iria apresentar o seu treinador às 22h. Pouco depois das 22h, sem ter iniciado a apresentação, adiou para as 22h30 para dar tempo aos jornalistas, chamados de urgência, para chegarem. Tudo isto, e no final, não há treinador para apresentar: o motivo da conferência de imprensa é, afinal, um vídeo que começou ontem a circular no Youtube em que Ricciardi e Sikander falam sobre o estado caótico do Sporting. O problema é que, ao que tudo indica, o vídeo é... de 2013, anterior às eleições em que Bruno de Carvalho derrotou José Couceiro e Carlos Severino. Nada naquela conversa encaixa com a situação atual do Sporting.

Após a declaração de Madeira Rodrigues, a primeira pergunta de um jornalista foi sobre se tinha certezas sobre a autenticidade e data do vídeo apresentado. A resposta de Madeira Rodrigues foi: "não sei". Brilhante.

E assim se passou mais um dia sem que Madeira Rodrigues apresente o seu treinador - e começa a ser demasiado evidente que não há nenhum treinador para apresentar. Os jornalistas presentes ontem na conferência de imprensa fingiram não reparar nisso e não questionaram o candidato sobre o nome que tem (ou não) na manga. Os sportinguistas continuam à espera, no entanto.

P.S.: começo a acreditar em como talvez seja anunciado um treinador bombástico na noite de sexta-feira, suficientemente em cima da hora das eleições para fazer as capas de sábado sem que o visado tenha tempo útil para desmentir que tenha chegado a acordo com o candidato...

P.S.2: já depois de ter acabado de escrever este post, José Maria Ricciardi confirmou o óbvio: o vídeo é de 2013.

Fonte: Record

P.S. 3: a bem da verdade, convém desmentir a informação errada dada por José Manuel Freitas ontem na CMTV, e que também aparece em blogues ligados a outros clubes: em 2013, Adrien já ganhava mais de 2 milhões brutos anuais, fruto da renovação de contrato que assinou com Godinho Lopes em setembro de 2012, depois de regressar do empréstimo da Académica. O agora capitão estava a entrar no último ano de contrato e falava-se no interesse dos rivais. Verdade seja dita: em 2013, Adrien ainda não tinha feito o suficiente para justificar auferir valores deste nível, conforme se refere no tal vídeo... de 2013. Em 2017, ninguém dá por mal empregue o dinheiro que se paga ao jogador.



sábado, 25 de fevereiro de 2017

A opinião de Daniel Oliveira sobre o debate

Vale a pena ler o artigo de opinião de Daniel Oliveira, publicado ontem no Record, sobre o debate de quinta-feira. Daniel Oliveira já declarou publicamente que apoia Bruno de Carvalho, mas não é por isso que deixa de apontar aquilo que acha merecedor de crítica no trabalho do presidente. Subscrevo por inteiro o texto que podem ver de seguida.


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O plano de Madeira Rodrigues para o fosso de Alvalade


Perante esta explicação do candidato para a obra low cost que tenciona levar a cabo, suponho que só dê para uma solução deste género...

(via @RogerioCasanova)

Balanço do debate de ontem


O debate presidencial de ontem foi um momento importante do processo eleitoral porque deu a oportunidade aos candidatos de fazerem o sempre necessário e desejável contraditório mútuo - ao trabalho realizado do presidente em exercício e às propostas apresentadas pelo candidato que pretende assumir esse cargo. Mas a verdade é que, no cenário atual, com duas candidaturas de natureza tão oposta, duvido que existisse um grande número de indecisos que pudesse definir o seu sentido de voto em função da prestação dos dois protagonistas no debate, salvo na eventualidade de surgir alguma revelação bombástica. Como tal coisa não sucedeu, e independentemente da qualidade (ou falta dela) da prestação de cada um dos candidatos, não me parece que o debate de ontem venha a ter um impacto minimamente significativo no desfecho das eleições.

De qualquer forma, parece-me útil fazer um balanço do que como correu o confronto entre os dois candidatos. Não vale a pena estar a dizer quem, na minha opinião, saiu "vencedor" do debate, porque já se sabe que, nestas coisas, cada cabeça, sua sentença: os apoiantes de Madeira Rodrigues, os adeptos de clubes rivais e comentadores como Bruno Prata e Carlos Janela acharão que este "ganhou de goleada"; os apoiantes de Bruno de Carvalho dirão que o atual presidente venceu por falta de ideias do seu opositor. Prefiro, por isso, focar-me apenas nos momentos do debate que, enquanto sócio atento que irá votar no dia 4, me pareceram mais relevantes.

Os dois candidatos optaram por seguir estratégias diferentes: Bruno de Carvalho procurou mostrar as virtudes do trabalho que desenvolveu ao longo dos últimos quatro anos, enquanto Pedro Madeira Rodrigues jogou mais ao ataque. Em alguns casos, Madeira Rodrigues excedeu-se nesses ataques, entrando em considerações da vida pessoal e profissional de Bruno de Carvalho que nada têm a ver com a sua presidência. Não sei se a ideia seria tentar conseguir reações mais a quente de Bruno de Carvalho, mas o presidente manteve-se bastante calmo - aliás, mais calmo do que seria de esperar. Mas, na generalidade do debate, o tom do discurso de ambos os candidatos manteve-se dentro dos limites desejáveis.

Como é normal nestas circunstâncias, Madeira Rodrigues tentou tocar nos pontos mais sensíveis da presidência de Bruno de Carvalho, como a questão das assistências mais recentes, a estratégia de comunicação, a participação de Costa Aguiar em alguns negócios ou a contratação de Bruno Paulista, mas nem sempre concretizou as acusações, acabando por se ficar apenas pelas insinuações.

Bruno de Carvalho procurou dirigir a conversa para temas que lhe eram mais favoráveis, como os resultados financeiros, a evolução das receitas e a redução do volume de comissões pagas a agentes e intermediários. Obviamente que também contra-atacou sempre que teve oportunidade, nomeadamente procurando rebater algumas das promessas eleitorais do adversário. E foi aqui que, na minha opinião, Madeira Rodrigues esteve pior:
  • Obras no estádio: Madeira Rodrigues insistiu em como as obras (cobertura do fosso, substituição das cadeiras, painéis eletrónicos e safe-standing) iriam custar apenas 1,5 milhões. De novo, apenas a revelação que a parte da cobertura do fosso está orçamentada em 600.000 euros. Bruno de Carvalho contrapôs, apresentando um estudo em como obras estruturalmente bem feitas (com rebaixamento do relvado e construção das novas bancadas em betão) custariam 10 milhões. Perante isto, Madeira Rodrigues respondeu com: "Temos uma maneira de as pessoas que estão no fosso conseguirem ver". Imagina-se a qualidade da obra que tem planeada. Para além de que sobram 900.000 euros para trocar 50.000 cadeiras, ou seja, o orçamento por cadeira (remoção, material, transporte, instalação e margem do empreiteiro) não pode ultrapassar os 18 euros por lugar...
  • O centro náutico afinal, segundo Madeira Rodrigues, era "uma piada", e que não iria custar nada ao Sporting - os custos ficariam todos a cargo da Câmara de Lisboa.
  • O centro de estágios do norte também não iria custar nada, e seria conseguido através de um protocolo com um município que não especificou.
  • Voltou a insistir que a saída de Jorge Jesus seria "limpinha, limpinha", sem custos para o Sporting.

Portanto, segundo Madeira Rodrigues, será tudo de borla ou quase dado, o que é uma demonstração quase juvenil de wishful thinking. Aliás, pareceu muito mal informado em relação às contas do clube, responsabilizando as pessoas erradas pelo descalabro a que se assistiu, e mal preparado quando o assunto era sobre VMOC's, dívida à Doyen ou o equilíbrio entre custos e receitas.

Para além disto,  criticou a negociação que Bruno de Carvalho fez com a NOS, pois, na sua visão, o Sporting deveria conseguir contratos superiores aos de Benfica e Porto porque "os sportinguistas têm condições financeiras ligeiramente acima dos rivais". Isto é ridículo, e é reveladora de uma visão elitista completamente desajustada à realidade atual do clube.

Defendeu ainda o recurso aos fundos para adquirir melhores jogadores. Madeira Rodrigues parece não ter percebido que este foi um dos motivos que aproximou o Sporting da falência - para além do facto de a partilha de passes ser agora proibida pela FIFA.

Em relação ao seu treinador, não dá para perceber qual é o ponto em que está esse dossier. No debate disse que ainda não o apresentou para não desestabilizar a equipa, mas, no final, em conversa com jornalistas, disse que a próxima semana servirá, entre outras coisas, para fechar a questão do treinador. Mas afinal tem ou não tem treinador?

Resumindo, um debate em que Madeira Rodrigues acabou por ser o protagonista, não só por ter jogado mais ao ataque, mas também por revelar bastante impreparação na defesa do seu próprio programa e nos assuntos financeiros.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O debate

O debate entre os dois candidatos à presidência do Sporting terá início às 21h e será transmitido na Sporting TV. Como é evidente, a partir do momento em que o clube tem o seu canal, não faria qualquer sentido que o único debate da campanha fosse transmitido por outro canal qualquer. Rui Miguel Mendonça é um jornalista de profissionalismo reconhecido e saberá, naturalmente, moderar o debate de forma isenta e dar oportunidades iguais aos candidatos de exporem as suas ideias e contraporem as dos rivais.

O formato será o seguinte (retirado do Record de ontem):


Os nomes de Madeira Rodrigues para o futebol

Pedro Madeira Rodrigues apresentou ontem parte da sua equipa para o futebol. Ainda não revelou quem será o seu treinador caso vença as eleições, mas revelou três nomes: Lazlo Boloni será o coordenador de todo o futebol e assumirá o papel de treinador interino até ao final da época. Delfim será o Team Manager, responsável pelo acompanhamento logístico da equipa. Ricardo Pina Cabral será o responsável pelas contratações. Madeira Rodrigues referiu também que apresentará o treinador para a próxima época apenas após o jogo com o Estoril.

Fica aqui a conferência de imprensa de Pedro Madeira Rodrigues para quem não teve oportunidade de ver.


Admito que o anúncio de Boloni como coordenador do futebol me apanhou de surpresa. Na minha opinião, pode ser um nome eleitoralmente forte, capaz de cativar alguns sócios: falamos do último treinador que foi campeão pelo Sporting, um cavalheiro que sempre teve um discurso positivo nas ocasiões em que falou do clube, pelo que não haverá nenhum sportinguista que não simpatize com ele.

No entanto, não estou convencido de que seja a pessoa certa para o lugar. Não é por acaso que fui apanhado de surpresa: nunca imaginei que Boloni seria convidado porque a sua carreira não voltou a ter nenhum momento digno de registo após ter sido campeão em Portugal - e falamos de algo que já aconteceu há quase 15 anos. Nas últimas três épocas, Boloni tem estado a treinar um clube do Qatar, após passagens discretas por França, Bélgica, Grécia e Emiratos Árabes Unidos. E convém acrescentar que Boloni não tem experiência na função para que foi convidado por Madeira Rodrigues.

Para além disso, é pouco provável que Boloni tenha sido a primeira escolha do candidato. Em entrevista à CMTV, pouco depois de ter sido apresentado por Madeira Rodrigues, Boloni disse ter sido convidado às 13h30 de ontem. Seria de esperar que a primeira escolha (e segunda, ou mesmo terceira) de Madeira Rodrigues tivesse sido contactada há bastante mais tempo.

Quanto a Delfim, não tenho opinião positiva nem negativa. É um antigo jogador do clube, campeão em 1999/00, convidado para funções semelhantes às que Manolo Vidal tinha, segundo Madeira Rodrigues. Manolo Vidal era uma pessoa muito perspicaz que se mexia bem nos bastidores. Terá Delfim as mesmas valências, considerando que está afastado do futebol profissional desde que se retirou dos relvados há sete anos? Não posso ter certezas sem o ver em ação, mas as dúvidas são legítimas. Eleitoralmente, pouco ou nada acrescentará à candidatura de Madeira Rodrigues.

Quanto a Ricardo Pina Cabral, é o advogado que acompanhou recentemente Madeira Rodrigues ao Kuwait. É alguém próximo do empresário Carlos Gonçalves (Proeleven) e de Marco Silva. Por aqui não há surpresas.


A semana e meia das eleições, Madeira Rodrigues ainda tem de puxar do seu ás de trunfo. Boloni poderá cativar os mais desencantados com Jesus - um é a antítese do outro -, mas não é suficiente para inclinar as eleições a seu favor. Falta o treinador, que precisará de ser um nome indiscutivelmente forte para fazer a diferença. Não compreendo a estratégia de Madeira Rodrigues em adiar o anúncio - assumindo que fala verdade quando diz que já tem o acordo fechado. Se fosse eu o candidato e o meu treinador fosse efetivamente uma bomba, não perderia tempo a apresentá-lo e a colocá-lo a falar tantas vezes quanto possível sobre as ideias que tinha para a equipa. Vamos ver o que os próximos dias nos reservam.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A sondagem mais absurda de sempre

(via @SrBalakov)

É difícil olhar para um trabalho deste nível e decidir por onde começar. 

Talvez pela pergunta. 

"Quem vai ser o próximo presidente do Sporting?". Analisando de uma forma literal, pergunta-se aos inquiridos quem é que, na sua opinião, vai ganhar as eleições. Uns terão interpretado a pergunta desta forma, mas é bem provável que a maioria terá interpretado como "Quem quer que seja o próximo presidente do Sporting?" ou, no caso de inquiridos que efetivamente poderão participar na eleição, "Em quem vai votar para ser o próximo presidente do Sporting?".

Perceção do resultado vs Desejo pessoal vs Sentido de voto. Três coisas completamente diferentes.

O CM apresenta-a como se fosse a última hipótese, ou seja, como uma sondagem sobre o sentido de volto - a única que não faz qualquer sentido. 

Em primeiro lugar, porque, da última vez que consultei os estatutos do clube, os adeptos de outros clubes não têm poder para escolher o presidente do Sporting - a não ser o sócio Luís Filipe Vieira, claro, desde que ainda tenha as quotas em dia.

Em segundo lugar, porque o universo da sondagem não é minimamente representativo de quem participará na votação. O Sporting é um clube de dimensão nacional, mas a distribuição dos sócios que podem votar nada tem a ver com a da população portuguesa inscrita nos cadernos eleitorais - nem na distribuição geográfica, nem na distribuição por sexo, nem na proporcionalidade do tipo de localidades em que habitam.

Indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal com telefone fixo ou telemóvel vs Sócios sportinguistas que tencionam votar no dia 4 de março. E quando a representatividade é má, os resultados são pouco significativos. A sondagem foi feito a 601 pessoas. Isto significa que, aplicando a lei das probabilidades, é uma sorte que tenham apanhado sequer 5 ou 6 pessoas que possam efetivamente votar nas eleições em questão. 5 ou 6 pessoas.

Bem sei que trabalhos destes ajudam a pagar as contas, mas não duvido que os responsáveis pela execução da sondagem estarão arrepiados com a distorção interpretativa que o jornal fez dos números obtidos.

De qualquer forma, leve-se estes números mais ou menos a sério, é mais um motivo para que os sportinguistas participem em massa nestas eleições.

Estou muito curioso para ver quais serão os resultados no dia 4.


P.S.: Uma última observação. Confirmou-se a ideia que tinha da diferença de popularidade de que Bruno de Carvalho goza entre os quatro grupos identificados. Bruno de Carvalho foi escolhido / desejado por:
  • 40,2% dos sportinguistas;
  • 29% dos portistas;
  • 24,4% dos benfiquistas;
  • 16,2% de cidadãos de outros clubes ou sem clube.

Ou seja, parece ser mais popular entre os sportinguistas. Normal. Depois entre os portistas. Depois entre os benfiquistas, o que também faz sentido, considerando o ódio que lhe dispensam. E, no fundo da preferência, estão adeptos de outros clubes - que é como quem diz: árbitros e jornalistas desportivos. Aqui sim, confere. :)

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A anti-candidatura de Madeira Rodrigues


Sou o primeiro a admitir que não é fácil a um candidato à presidência de um clube conseguir montar uma campanha eleitoral eficaz contra um presidente em exercício - a não ser que o clube esteja à beira da ruína ou tenha desempenhos sistemáticos abaixo do exigível. Não há muito por onde possa tentar marcar a diferença aos dirigentes atuais: ou baseia a sua candidatura na exploração dos objetivos que a direção em exercício não conseguiu atingir, ou, em alternativa, pode apresentar uma visão estratégica completamente distinta para o clube.

Pedro Madeira Rodrigues optou pela primeira abordagem. Espremendo o pouco sumo que existe nas suas intervenções, percebe-se que nada de verdadeiramente disruptivo se poderá esperar da sua liderança caso vença. Promete rigor orçamental - que tem sido uma das bandeiras da atual direção* -, promete contratações cirúrgicas - há alguém que diga que vai contratar em quantidade na esperança que alguns deles se aproveitem? -, promete uma aposta crescente na formação - o que faz parte da cultura do Sporting - e promete mudanças nos nomes que compõem a estrutura de futebol. 

* Os custos com o futebol têm subido substancialmente nas últimas duas épocas, é verdade, mas o fundamental para o rigor orçamental é que existam receitas que sustentem esse aumento - e essas receitas têm sido encontradas.

Nada neste discurso é novo, em teoria todos concordarão que são ideias que fazem sentido, mas não há nada que nos inspire um certo nível de confiança em como Madeira Rodrigues terá capacidade para as concretizar com sucesso - para já só há a palavra do próprio candidato, claro. Madeira Rodrigues, ao optar por esta estratégia, deveria ter-se rodeado imediatamente de nomes sonantes - coisa que, até ao momento, ainda não fez: não sabemos quem será o seu diretor desportivo, não sabemos quem será o seu treinador, não sabemos quem trará para fortalecer a estrutura do futebol e das modalidades. 

Nunca seria fácil, a um pretendente a presidente meio desconhecido, arranjar profissionais com currículo acima de qualquer suspeita que se comprometessem com a sua candidatura - mas havia um lado positivo nesta dificuldade: era uma excelente oportunidade para demonstrar capacidades importantes para quem ambiciona conduzir os destinos de um clube como o Sporting. Acredito que tenha tentado, mas, ao não ser bem sucedido, continua sem dar algo a que a generalidade dos sócios se possa agarrar no dia das eleições.

Nem sequer tem concretizado alguma das ideias mais distintivas do seu programa. Quer comprar a Academia, mas não diz qual será a poupança que isso representará para o Sporting, nem quem são ou qual o papel dos investidores de que fala. Fala na construção de um velódromo e de um Yacht Club, sem especificar qual será o tipo de proveito, desportivo ou financeiro, que se retirará dessas infra-estruturas. Sugere a existência de um centro de estágios no norte do país, mas não refere custos, forma de utilização e aproveitamento, ou do tipo de parceria que está a pensar.

Em vez de desenvolver as suas ideias, as ações de campanha mais recentes têm consistido principalmente em atacar o caráter do atual presidente - seja pelas palavras do próprio Madeira Rodrigues, de elementos da sua lista, de apoiantes notáveis, de opiniões de jornalistas, ou de testemunhos semi-anónimos recolhidos nas redes sociais - alguns dos quais nem sequer são sportinguistas. Em comum a todos eles só há uma coisa: o ódio a Bruno de Carvalho.

Depois de espremido o programa eleitoral e as primeiras entrevistas de charme de Madeira Rodrigues, sobra pouco mais do que uma candidatura anti. Esta estratégia não é nova, mas tem dois problemas: é destrutiva - o que nada de bom trará para o clube -, e está mais que provado de que um perfil oposto ao de Bruno de Carvalho não é garantia de absolutamente nada - basta lembrar o que fizeram os presidentes que o antecederam. Sem querer entrar nas qualidades/defeitos das figuras em causa, querem perfil mais diferente de Bruno de Carvalho do que o de Filipe Soares Franco, por exemplo?

Uma candidatura deve apontar o que será o caminho depois da eleição, no caso de ser bem sucedida, e não deve ter como fim a saída do atual presidente. A única coisa que realmente interessa é o que acontecerá depois de isso suceder. A candidatura de Madeira Rodrigues, até agora, parece resumir-se a ser uma espécie de anti-candidatura. Anti-candidato ou candidato anti, take your pick.

Madeira Rodrigues tem tempo para corrigir o rumo da campanha nos 20 dias que faltam até às eleições. Tem, inclusivamente, um debate (desconheço se existirão mais) onde poderá demonstrar que ambiciona algo mais que não seja apenas o afastamento de Bruno de Carvalho, para dar sinais de que tem condições para ser um bom presidente. Está na altura de mostrar que tem efetivamente ideias (mas ideias práticas, concretas, viáveis e lógicas, e não os chavões que todos usam quando falam do futuro) que possam ajudar o clube a crescer e a triunfar em todas as frentes. O Sporting agradece.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Tapar o fosso e substituir cadeiras por 1,5 milhões?

Candidato da Lista A apresentou o projeto que quer implementar na casa do Sporting

O Estádio José de Alvalade terá todas as cadeiras verdes, caso Pedro Madeira Rodrigues vença as eleições de 4 de março. O candidato da Lista A apresentou o projeto à imprensa que terá quatro pontos fulcrais. As cadeiras atuais serão substituídas por cadeiras verdes, o fosso será tapado, acrescentando 1800 lugares à atual lotação do estádio, haverá lugar à instalação de um ecrã Led que circundará todo o estádio, e serão instaladas cadeiras "Safe Standing" nas bancadas destinadas às claques, que permite aos adeptos que assistam ao jogo de pé, em segurança.

O projeto apresentado por Madeira Rodrigues custará cerca de 1,5 milhões de euros e o candidato garante que as obras decorrerão na pré-temporada, estando tudo pronto no início da época 2017/18. Isto, claro, caso vença as eleições.

in O Jogo



A notícia é do jornal O Jogo, publicada há pouco, e foi partilhada por Pedro Madeira Rodrigues na página de Facebook da sua candidatura. Como tal, assumo que não há, nesta notícia, qualquer deturpação ou mal-entendido por parte do jornal.


Simpatizo com a ideia de erradicação do fosso e de troca de cadeiras, mas é surreal que um candidato avance com uma promessa destas assumindo custos tão baixos. É impossível que um projeto que inclua a eliminação do fosso, ampliação de 1800 lugares da lotação do estádio, substituição das cadeiras, instalação de um ecrã LED a toda a volta do estádio e implementação do projeto Safe Standing, custe apenas 1,5 milhões de euros.

Orçamentar 1,5 milhões de euros só para as cadeiras, vá que não vá. É só fazer as contas: o estádio tem 50.000 cadeiras. Todas terão que ser substituídas, pois ao fim de 14 anos, as cadeiras verdes perderam alguma da sua cor e destoariam face às cadeiras novas. Isto significaria que cada cadeira teria um custo individual de 30 euros - que teriam que incluir o custo do material, mão-de-obra e transporte (desinstalar a cadeira atual, retirá-la do estádio, trazer a cadeira nova e instalá-la), e ainda a margem do empreiteiro. E dinheiro para tudo o resto que se promete neste pacote?

Nada a apontar à visão que Madeira Rodrigues tem para o estádio - a maior parte dos sportinguistas partilha este desejo. Mas dizer que tudo isto custará apenas 1,5 milhões é pura e completa demagogia. Ou será que Pedro Madeira Rodrigues estará a contar com a bondade dos investidores que são como irmãos para cobrir com os encargos remanescentes?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

A Caras da bola em Londres com o candidato Madeira Rodrigues

É normal que revistas cor-de-rosa como a Caras, Lux e outras do género, façam artigos pagos para quem quer ganhar visibilidade no mundo dos socialites. Deslocam-se a casa dos clientes - ou a uma residência de férias, whatever -, tiram umas fotos - normalmente rodeados pela família -, fazem umas perguntas para o artigo, publicam, e dão a conhecê-los aos seus leitores.

Esta pequena introdução vem a propósito da peça que o Record publicou hoje sobre a viagem de Pedro Madeira Rodrigues a Inglaterra para se reunir com potenciais investidores. 


Surreal, do princípio ao fim. A peculiaridade desta reportagem começa no facto de o Record ter enviado dois jornalistas a Londres para conversar com Madeira Rodrigues. 


Ora, considerando que Pedro Madeira Rodrigues tinha conversado com a comunicação social nessa mesma manhã, à entrada para o aeroporto - naquilo que o Expresso designou por "encontro com jornalistas" -, não se percebe muito bem a necessidade de se falar com o candidato, horas depois, num país diferente. Só pode ter sido pela photo op, porque a reportagem propriamente dita (não é uma entrevista, são transcritas apenas algumas ideias que saíram da conversa que tiveram) aborda pouquíssimos temas, de onde não se extrai praticamente nada de relevante.

Depois, o título: "CR7 foi chave junto dos investidores". Passa a ideia de que Cristiano Ronaldo terá estado envolvido, de alguma forma, no sucesso da conversa com os investidores sobre a recompra da Academia. Mas olhando para o conteúdo da reportagem, fica-se a saber que CR7 é colocado no título porque "o candidato (...) lembrou que em cima da mesa está um investimento numa estrutura que deu ao Mundo o astro do Real Madrid". Fantástico.

Seria de esperar que empresários que são como irmãos já soubessem que Cristiano Ronaldo foi formado no Sporting.

Aliás, sobre esta questão, continuo a não conseguir entender como é que se usa como bandeira de campanha uma medida que não contribuirá em grande coisa para a prosperidade do Sporting. Deixar de dever ao banco para dever a outros investidores? Juros muito inferiores? Duvido. Só compreenderia uma operação deste tipo se os investidores quisessem o naming da Academia e pagassem a pronto um valor que serviria para o Sporting liquidar de imediato o empréstimo do BCP. Mas pelas palavras que Madeira Rodrigues proferiu no passado sobre este assunto, sabe-se que não é este o seu objetivo.

E, para terminar, o Record colocou isto na última página:


Medalha de ouro para Madeira Rodrigues para o dia grande que teve. "Dia grande" porquê, ao certo? Porque dois jogadores emprestados pelo Sporting não foram para onde o clube pretendia? Parece-me curto, pois não é uma questão suficientemente relevante para impulsionar a sua campanha. Pelos avanços nas negociações com investidores para resgatar a Academia? Ora, se até a peça do Record termina desta forma...


... de que tipo de avanços estamos mesmo a falar? O que é que este dia teve de grande para o candidato, para além da reportagem feita pelo Record?

Enfim, uma atençãozinha do Record a Madeira Rodrigues que, de tão forçada que é, faz lembrar os tais artigos da Caras que referi no início deste post.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

As afirmações de Madeira Rodrigues sobre a Missão Pavilhão

Ontem, durante a entrevista dada na RTP3, Madeira Rodrigues foi questionado sobre se tinha ou não participado na Missão Pavilhão. A resposta do candidato foi a seguinte:

(via @leao_rampante)

Uma pessoa não passa a ser menos sportinguista por não ter contribuído para a Missão Pavilhão - pode haver quem não possa, pode haver quem não a tenha considerado importante, e pode até haver quem não tenha participado como forma de protesto contra a atual direção -, mas estas justificações de Madeira Rodrigues não fazem qualquer sentido.

A Missão Pavilhão foi lançada oficialmente em maio de 2014, por altura da última jornada da temporada 2013/14. Lembro-me perfeitamente de, no Sporting - Estoril, que fechou essa época, haver vários angariadores espalhados pelas bancadas, explicando a iniciativa aos sócios e recolhendo donativos, com camisolas nº 12 para entrega imediata a quem aderisse. Só alguns meses mais tarde, em agosto, após a venda de Rojo, se disse que o pavilhão estaria pago - quando parte da verba dessa transferência foi canalizado para a construção do pavilhão.

Não percebo, portanto, com que bases estava Madeira Rodrigues convencido que o Sporting já tinha dinheiro para o pavilhão na altura em que a campanha de angariação de donativos foi lançada.


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Analisando o programa de Madeira Rodrigues

É normal que um candidato que concorra contra um presidente em exercício necessite de pontos de diferenciação que lhe permita captar o maior número de votos possível. Seria de esperar algumas propostas inovadoras no programa e, verdade seja dita, essas propostas inovadoras apareceram. Infelizmente, a maior parte não faz grande sentido face à realidade do clube. Ainda assim, há algumas ideias interessantes que gostaria de ver implementadas, independentemente de quem ganhe as eleições.

Retirei do programa as medidas que me parecem merecer maior destaque, seja por bons motivos ou por me parecer não fazerem sentido, e as que me parecem necessitar de esclarecimentos adicionais. Coloco-as pela ordem que aparecem no programa, e não pelo nível de importância. A negrito está o texto do programa, seguindo-se, a fonte normal, os meus comentários.



Positivo

Utilizar a equipa B como plantel de apoio à equipa principal: a meu ver, a equipa B poderia ser muito mais útil caso existisse uma maior interligação com a equipa principal. A equipa B deveria servir para dar ritmo competitivo aos jogadores menos utilizados da equipa principal, como também, havendo um plantel principal mais reduzido, se deveria incentivar a promoção temporária de jogadores da equipa B à equipa principal, em caso de necessidade - o que certamente serviria de fator de motivação aos mais jovens. Obviamente, a colocação em prática desta ideia depende muito do treinador da equipa principal, mas, como é óbvio, a direção tem sempre formas de a "facilitar".

Garantir a interligação entre os horários dos jogos das várias modalidades para voltarmos a ter dias “à Sporting”: com a entrada em funcionamento do pavilhão João Rocha, isto é, para mim, essencial. É verdade que neste momento ainda não existe um pavilhão próprio, mas têm sido demasiadas as ocasiões em que se marcam jogos de modalidades para a mesma hora de jogos da equipa de futebol, o que não faz qualquer sentido.

Explorar a possibilidade de introdução do voto electrónico nos núcleos, salvaguardando a total fiabilidade dos sistemas: em 2017, não faz sentido que não exista ainda uma solução que facilite a participação eleitoral dos sportinguistas que vivem longe de Lisboa.

Dinamizar a proximidade de sócios às figuras do clube, aproveitando o site e as plataformas de comunicação organizando, entre outros, live chats regulares: há relativamente pouco tempo - creio que no início desta época - fez-se um live chat com jogadores da equipa de futsal, que correu muito bem. O clube só tem a ganhar com a aproximação dos seus atletas (incluindo os de futebol) aos adeptos. Já temos no Sporting um exemplo perfeito daquilo que pode ser feito pelos jogadores na comunicação com os adeptos: Carlos Ruesga. No futebol, em particular, têm existido algumas iniciativas muito interessante nas redes sociais do clube (o que se fez com Campbell no momento da contratação, Dost a cantar o cântico que lhe foi dedicado), mas parece-me que a maior parte dos jogadores vive completamente alheada da necessidade de contribuir para um maior envolvimento com os sportinguistas.


Negativo

Utilizar a equipa B como plataforma de transição principal dos jovens formados na Academia: apesar de defender uma maior proximidade entre a equipa B e a equipa principal, isto, para mim, é uma utopia. Existe uma distância muito grande entre a competitividade da II Liga e as exigências da equipa principal do Sporting, pelo que a plataforma de transição principal deverá ser o empréstimo a outros clubes da I Liga. A promoção definitiva ao plantel principal a partir da equipa B deverá acontecer em casos excecionais, e não como regra. A não ser que por "plataforma de transição principal dos jovens formados na Academia" se entenda a passagem das camadas jovens para o futebol sénior. Se for esta última hipótese, nesse caso estou de acordo.

Impor a utilização do nosso equipamento principal tradicional e travar a banalização e excessiva secundarização do equipamento Stromp, com utilização apenas em ocasiões relevantes: ?!

Propor a criação da figura do sócio-claque, permitindo aos membros das claques um desconto na quotização até aos 21 anos: neste momento, penso que os membros das claques já têm regalias suficientes em relação aos demais sócios. O apoio no estádio tem sido exemplar, mas abusam do seu estatuto com as visitas de protesto na Academia e os comunicados a criticar a equipa de futebol. Não vejo necessidade de os discriminar positivamente ainda mais.

Recuperar no imediato a posse da Academia Sporting, na posse do Banco Comercial Português desde 2014, com o apoio de investidores que entrarão com um valor a rondar os 14 M €: parece-me uma má utilização de recursos. A Academia pertence ao BCP apenas no papel, pois o Sporting tira total partido do espaço, que ficará na posse da SAD quando o atual contrato de leasing terminar. Para quê gastar 14 milhões de euros na reaquisição imediata da Academia, em vez de canalizar estes recursos para outras necessidades mais relevantes? E, já agora, quem são esses investidores? E que interesse têm esses investidores nesta operação?

Criar uma fan zone junto ao relvado que permita que associados sorteados possam ter acesso directo aos jogadores: uma coisa é haver um sócio premiado que possa tirar uma fotografia no início do jogo; outra é uma iniciativa deste tipo. Nada contra uma fan zone em dias de treino aberto aos sócios, mas, em dia de jogo, apenas serve para dificultar a concentração dos jogadores. 

De uma forma geral, as propostas ao nível do património: a proposta de construção de um velódromo e de um clube naval é, simplesmente, ridícula. O Sporting tem não tem ciclismo de velocidade nem tem qualquer tradição ao nível da vela - houve uma secção da modalidade na década de 80, que rapidamente se extinguiu. Não faz qualquer sentido avançar para este tipo de infraestruturas, quando ainda há tanto que pode ser feito no melhoramento das condições das modalidades já existentes. O centro de estágios no norte do país não faz grande sentido, considerando que seria uma infraestrutura com custos de implementação e manutenção demasiado elevados (para além dos funcionários adicionais que exigiria) para o número de ocasiões em que seria utilizado. Medidas como a criação de uma residência para antigos atletas, de uma residência universitária e de uma creche parecem saídas da mente de Luís Filipe Vieira.


A necessitar de mais esclarecimentos

Assumir inequivocamente a transparência na identificação dos investidores: perfeitamente de acordo, face ao anúncio de Bruno de Carvalho de que os 18 milhões do novo investidor já terão entrado, mas sem ter revelado quem é o investidor. No entanto, existe neste mesmo programa uma outra medida que pressupõe o recurso a investidores (a recuperação da Academia) que não foram identificados. Louvo a ideia, mas não posso deixar de assinalar a incoerência.

Propor a criação da figura do sócio-filho. Um agregado familiar com pelo menos dois sócios efectivos de escalão A poderá ver os seus descendentes directos isentos de quota até aos 14 anos: simpatizo com esta proposta, mas não entendo por que motivo é necessário haver dois sócios efetivos no mesmo agregado familiar para se usufruir deste escalão.

Propor a criação da figura do sócio-internacional, permitindo uma maior ligação ao clube do número cada vez mais elevado de sportinguistas que vivem fora de Portugal: percebo a ideia, mas à partida parece-me redundante face à quota económica, perfeitamente acessível e adequada para sportinguistas que raramente têm a oportunidade de vir a Alvalade. Gostava de saber exatamente o que é que a categoria de sócio-internacional ofereceria de diferente em relação às categorias já existentes.

Reduzir os gastos com fornecimentos e serviços externos: tenho muitas dúvidas em relação a este ponto, porque me parece que existe, neste momento, um enorme controlo neste tipo de gastos. Se calhar, até demais, face às carências que se notam em determinadas áreas de competência do clube e SAD. Em que tipo de serviços pensa Madeira Rodrigues reduzir os gastos?



Resumindo, não encontro nenhuma ideia que possa classificar de revolucionária, que possa servir de bandeira da lista de Madeira Rodrigues. Não era fácil consegui-lo, admito. Há, no entanto, algumas propostas interessantes que merecem ser discutidas. O mais negativo, na minha opinião, é a parte respeitante ao património - que no seu conjunto ultrapassariam em muito o custo do pavilhão João Rocha, sem que daí resultassem benefícios efetivamente relevantes para o Sporting.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Um grande tiro no pé

Bruno de Carvalho anunciou na manhã de ontem outros três nomes para a sua comissão de honra: Jorge Jesus, Nani e Eric Cantona.


Ao final da tarde, Pedro Madeira Rodrigues reagiu desta forma:


Em primeiro lugar, considero que Pedro Madeira Rodrigues tem razão ao dizer que Bruno de Carvalho não devia ter feito o convite e que Jorge Jesus não o deveria ter aceitado. Bruno de Carvalho não deveria fazer convites destes a funcionários do clube. Por serem funcionários do clube, devem manter-se equidistantes porque têm a obrigação de trabalhar com a direção que os sócios escolherem. Bruno de Carvalho, enquanto presidente, deveria perceber isto. Jesus também não deveria ter aceitado sem anunciar a colocação do seu lugar à disposição em caso de derrota do candidato que apoia.

A situação não me incomoda por aí além, porque este apoio público de Jesus à candidatura de Bruno de Carvalho acaba por ser uma forma bastante prática de aniquilar as especulações que têm aparecido na imprensa do costume em relação ao alegado mau relacionamento entre os dois.

Mas que foi útil para a campanha de Bruno de Carvalho, isso é inegável.

Pedro Madeira Rodrigues reagiu da pior forma possível. Em primeiro lugar, um apoio de Jesus a Bruno de Carvalho não implica necessariamente que se posicione CONTRA Madeira Rodrigues ou qualquer outra candidatura. Da mesma forma que a maior parte dos sportinguistas não hesitarão em colocar-se atrás de Madeira Rodrigues caso este vença - tenham ou não votado nele -, Jesus, sendo um profissional do futebol com contrato com o Sporting, também não deixaria de fazer o seu trabalho com um novo presidente.

Em segundo lugar, ao agir desta forma, Madeira Rodrigues cometeu alguns dos pecados de que acusa Bruno de Carvalho: tomou uma decisão a quente, precipitada, e que, concretizando-se, implicará enormes custos para o clube. Não só porque o clube deixaria de contar com Jorge Jesus como seu treinador, mas porque também teria de lhe pagar uma indemnização elevadíssima, correspondente aos dois anos e quatro meses de salários relativos ao resto do contrato. Falamos de um valor próximo dos 15 milhões de euros. Madeira Rodrigues estaria a arranjar o seu caso Doyen logo no seu primeiro dia no cargo, mas em pior.

A contratação e definição do salário de Jesus não são responsabilidade de Madeira Rodrigues, mas enquanto aspirante a presidente, não tem um motivo suficientemente forte que justifique o esbanjamento de 15 milhões de euros no despedimento do treinador - qualquer desavença poderia ser resolvida com uma conversa entre ambos assim que Madeira Rodrigues tomasse posse, caso vencesse as eleições.

Na minha opinião, foi um grande tiro no pé na sua candidatura.