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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Um pequeno-grande passo

Longe vão os tempos em que ficava com um nervosismo quase incontrolável nas horas que antecediam jogos da Liga dos Campeões contra grandes clubes europeus. A conjugação das pesadas derrotas com o Bayern naqueles fatídicos oitavos-de-final e da prolongada ausência do Sporting da competição nos anos que se seguiram, ajudaram a cultivar um trauma profundo na psique coletiva sportinguista que marcava invariavelmente presença - e em força - neste tipo de jogos. Gradualmente, com a capacidade demonstrada pelo Sporting para defrontar os maiores emblemas europeus de olhos nos olhos nas últimas participações do Sporting na Liga dos Campeões, esse nervosismo pré-jogo foi baixando para níveis normais. Faltava, no entanto, materializar a qualidade exibicional e a atitude competitiva em algo mais que derrotas tangenciais.

Ontem foi o dia. Não vencemos, é certo, mas não há nada a apontar à exibição da equipa. Numa partida globalmente equilibrada e em que não abundaram oportunidades de golo em ambas as balizas, os jogadores do Sporting revelaram ambição e disposição para deixarem tudo em campo. Arrancaram para uma exibição de grande categoria na primeira parte, que valeu uma vantagem merecida no marcador. Na segunda a história foi diferente: a Juventus puxou dos galões de vice-campeã europeia e foi atrás do empate, mas a equipa demonstrou que, apesar das várias ausências por lesão, também sabe sofrer e manter-se coesa sob pressão.





Há empates que podem ser moralizadores, e este é um deles - qualquer análise que se faça ao jogo convém incluir o seguinte facto: o Sporting, sem três quartos da defesa habitualmente titular e sem o seu trinco titular, disputou até final a vitória contra o vice-campeão europeu, que se apresentou em Alvalade na máxima força. E, ao contrário do que tem acontecido nos confrontos com os tubarões europeus nas últimas duas épocas, desta vez... não perdemos. Pode não parecer muito, mas na realidade é um pequeno-grande passo que há muito merecíamos, e que acaba por ser uma consequência da crescente experiência e maturidade que a equipa foi conquistando no confronto com este tipo de adversários.

As segundas linhas a chegarem-se à frente - felizmente, os (legítimos) receios que os sportinguistas tinham à partida para este jogo - devido às ausências de peso anunciadas - revelaram-se infundados: todos os jogadores que entraram no onze, sem exceção, estiveram à altura das exigências. Começo por destacar a grande exibição de Ristovski que, defensivamente, realizou uma partida exemplar e fez esquecer Piccini. Ofensivamente, não foi o jogo mais propício para mostrar o que sabe fazer, mas não foi por falta de tentativa - na primeira parte pediu várias vezes a bola aos colegas, e nas poucas vezes em que esta lhe chegou aos pés, mostrou sempre ter (bom) critério na decisão e execução. Jonathan Silva não comprometeu - o que é uma evolução assinalável em relação às prestações mais recentes -, e saiu-se bem nas difíceis situações de 1x1 face a Cuadrado. André Pinto limpou quase tudo na sua área de ação. No único lance em que foi batido por Higuain, a Juventus marcou, mas era uma jogada muito difícil de anular. Bruno César esteve muito bem enquanto teve pilhas, mas infelizmente esgotaram-se cedo - a partir dos 30 minutos eram visíveis as dificuldades do brasileiro em se reposicionar defensivamente quando perdíamos a bola. Palhinha entrou para o seu lugar e fez aquilo que lhe foi pedido. Sinal de que o plantel do Sporting é mais profundo do que aquilo que se pensaria? É possível que sim, mas há que dar continuidade à sua utilização, através de uma rotação mais criteriosa que lhes dê condições para renderem e não se sentirem elementos estranhos em relação ao resto da equipa.

Os suspeitos do costume - voltámos a ter alguns vislumbres do grande Gelson, o extremo que, para além de ser incansável a ajudar defensivamente o seu lateral, tem capacidade para desequilibrar na frente. O slalom no lance do golo é uma delícia. Battaglia voltou a conseguir anular Dybala, enquanto Bruno Fernandes e Acuña voltaram a aliar uma enorme capacidade de trabalho à arte de construir jogo. Rui Patrício foi mais uma vez decisivo ao evitar um golo certo de Higuain.



Mais uma vez, não se segurou a vantagem até ao fim - tal como em Turim, o Sporting conseguiu estar em vantagem no marcador, mas não a conseguiu manter até final. No caso do jogo de ontem, o golo sofrido acaba por complicar bastante as contas para a qualificação para a fase seguinte da Liga dos Campeões. Não que isso fosse uma obrigação, mas o facto de termos estado tão perto de conseguir a vantagem no confronto direto com a Juventus acaba por deixar um travo amargo num resultado que não pode deixar de ser considerado positivo.

Quebra física - Ristovski, Bruno César foram os primeiros a quebrar, o que acaba por ser natural, se considerarmos a escassa utilização que têm tido. Gelson Martins e Bas Dost acabaram o jogo de rastos. Acuña e Bruno Fernandes, em função do tipo de tarefas que lhes foi exigido e do tempo de competição acumulado nas pernas, também devem ter terminado em dificuldades. Se a Juventus tivesse mantido o ritmo após ter marcado, creio que teríamos passado uns minutos finais muito complicados.



Foi uma noite gira, com um excelente ambiente no estádio, e não farão mal nenhum ao clube os €500.000 que o empate valeu. Mas o mais importante, para mim, foi a transposição daquela barreira psicológica da derrota tangencial contra os tubarões europeus, e também a resposta dada pelos jogadores que habitualmente não são titulares. Há motivos para sentir satisfação com a exibição e o resultado de ontem, mas agora há que recuperar fisicamente e capitalizar o que de bom aconteceu para aquilo que verdadeiramente interessa: a receção ao Braga para o campeonato.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Delícia de jogada

Viram com atenção o 5º golo do Sporting em Guimarães? Tudo começa num lançamento de Piccini, junto à nossa área, para Rui Patrício. Depois a bola passa por Jonathan, Gelson, Bruno Fernandes, Jonathan, Gelson, Adrien, Iuri e, por fim, Adrien. Que delícia de jogada.










quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Boas experiências

Jesus já tinha prometido várias alterações no âmbito da secundarização da Liga Europa face ao campeonato e cumpriu. Mas não se limitou a fazer troca por troca dentro daquelas que têm sido as soluções utilizadas até agora. É que para além de dar minutos a William, Jonathan e Tobias, colocou Teo como homem mais avançado, Ruiz no seu apoio, Matheus a fazer de Carrillo, e pode-se dizer que a experiência resultou muito bem. O Sporting conseguiu os melhores 45 minutos desde a 1ª parte contra o CSKA em Moscovo, dominando completamente o Besiktas e tendo oportunidades suficientes para matar o jogo durante a 1ª parte. Falhou a finalização e, mais uma vez, e a equipa acabou por pagar por isso.

Positivo

As experiências - Bryan Ruiz no meio foi incomparavelmente superior ao Bryan Ruiz encostado numa ala. Teo Gutierrez a 9 conseguiu movimentações muito interessantes. Matheus deu uma enorme dinâmica, não tendo qualquer problema em pisar terrenos interiores. Duas soluções e meia (não três - ver 1º ponto negativo) que seguramente Jorge Jesus não terá deixado de observar e considerar num futuro muito próximo.

Os substitutos - Jonathan não esteve brilhante, mas teve uma exibição bem melhor do que as de Jefferson nos últimos jogos. Tobias, que terá que assumir a titularidade face à lesão de Paulo Oliveira enquanto Ewerton não regressa à forma ideal, fez um bom jogo. William foi William enquanto teve pernas, mas é normal que ainda não tenha o ritmo necessário para aguentar os 90 minutos. 

A estreia de Matheus - este menino já só volta à B para não perder o ritmo. Grande atitude, grande discernimento em praticamente todas as ações que fez. E fez o passe para o golo de Bryan Ruiz.

O empate, pensando no 2º lugar no grupo - empatar na Turquia acaba por ser um resultado positivo, já que o Besiktas é um dos candidatos à passagem à fase seguinte. Se o Sporting ganhar os dois jogos ao Skenderbeu e aos turcos em casa, é bem possível que o apuramento se concretize. Não que eu tenha grande vontade de ver o Sporting a jogar na Liga Europa em fevereiro e março.


Negativo

Teo, a finalizar - se o colombiano esteve muito bem sem bola, foi um autêntico desastre com a bola nos pés. Falhou 3 ou 4 oportunidades claras de golo que poderiam ter assegurado uma vitória confortável.

Combos ao contrário - ter William - a recuperar ritmo de jogo -, Aquilani, Teo e Bryan Ruiz no onze significava logo à partida uma coisa: o Sporting iria ter 30 minutos com 40% dos homens de campo em subrendimento, e não haveria substituições para os render a todos. Foi isso que se verificou, com a agravante de Ruiz ter sido encostado à ala quando Adrien entrou (e o costa-riquenho desapareceu do jogo, não só pelo cansaço mas também pelo posicionamento em campo). Esse período coincidiu com o melhor momento do Besiktas, em que acabámos por sofrer o golo e alguns arrepios na espinha.



Foi um bom treino, com experiências que poderão e deverão ser testadas novamente no domingo, e em que o apuramento na competição não ficou comprometido. Fiquei bastante mais satisfeito com os sinais do empate de hoje do que com os das vitórias contra o Rio Ave e Académica.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Balanço de 2014/15: GRs e Defesas



Rui Patrício (***)

Mais uma época em grande. Apesar de um outro ou momento infeliz (no qual se destaca o jogo de Belém), foi um ano recheado de exibições fantásticas. O seu ponto fraco continuam a ser as hesitações nos cruzamentos, mas em contrapartida provou vezes sem conta ser dos melhores do mundo em situações de um contra um. O início de época foi tremendo, destacando-se a exibição de antologia em Alvalade com o Chelsea, o penálti defendido no Dragão para a Taça e, claro, a épica série de penáltis na final da Taça em que se transformou numa espécie de Adamastor para os jogadores do Braga, mesmo coxeando.


Marcelo Boeck (*)

Mais um ano ingrato para o suplente de um dos guarda-redes mais disponíveis do campeonato português. Fez 8 jogos (o da última jornada do campeonato, 3 da Taça de Portugal e 4 da Taça da Liga). Infelizmente o seu jogo mais marcante da época acaba por ser a noite insegura na eliminatória da Taça de Portugal contra o Vizela. A avaliar pela contratação de um guarda-redes esloveno, parece aproximar-se do fim a passagem de Marcelo pelo Sporting.

Cédric (**)

Se do ponto de vista defensivo continuou a evolução que já tinha registado com Leonardo Jardim, pareceu regredir do ponto de vista ofensivo. Menos desequilibrador e acima de tudo muito mais ineficiente nos cruzamentos, que já foram a sua imagem de marca. Época regular que felizmente não ficou marcada de forma negativa pela prematura expulsão na final da Taça.

Miguel Lopes (**)

Foi provavelmente o suplente perfeito. Merece respeito por ter abdicado de parte do vencimento para ser integrado no plantel principal. Esperou pela sua oportunidade e quando a teve agarrou-a com unhas e dentes, fazendo exibições bastante positivas, destacando-se a magnífica exibição em casa contra o Guimarães em que participou ativamente em 3 dos 4 golos. Diferenciou-se de Cédric pela forma como explora o espaço interior para causar desequilíbrios, tornando-se mais imprevisível para os adversários.

Jefferson (**)

À semelhança do que aconteceu em 2013/14, foi mais uma época de altos e baixos. Começou muito mal, chegando inclusivamente a perder a titularidade para Jonathan. Pareceu espicaçado e voltou em grande nível, tornando-se num dos principais municiadores dos pontas-de-lança. Borrou completamente a pintura ao ter o episódio de indisciplina com Bruno de Carvalho. O final da época foi algo penoso em virtude do desgaste acumulado.


Jonathan (*)

Época irregular. Começou da melhor forma possível. Estreou-se em Barcelos com uma vitória por 4-0 e na jornada seguinte ao fim de 2 minutos no seu primeiro jogo em Alvalade já tinha marcado um golo ao Porto. Infelizmente o seu nível exibicional decresceu com o tempo, ao qual não terá sido alheio o facto de ter participado em ambas as (pesadas) derrotas para o campeonato - acabando por ser um dos sacrificados pelo treinador nas duas ocasiões. Jogador raçudo que se sente muito confortável em zonas mais interiores, promete explodir na próxima época. Há que lembrar que tem apenas 20 anos.


Ricardo Esgaio (*)

Inesperadamente foi titular logo na 3ª jornada na Luz devido à lesão de Cédric e manteve-se no onze a na jornada seguinte. Apesar dos dois empates, Esgaio cumpriu. Teve mais tarde um desafio de fogo contra o Chelsea e aí as coisas não lhe correram bem, provocando um penálti logo a abrir. No entanto, há que dizer que Marco Silva não lhe facilitou a vida: podia perfeitamente tê-lo lançado na partida anterior com o Boavista para ganhar ritmo e entrosamento com os colegas. No mercado de inverno foi emprestado à Académica.

Maurício (*)

Depois de uma época em que surpreendeu positivamente (não esquecer que vinha da segunda divisão), esperava-se que fosse o esteio da defesa após a saída de Rojo. Puro engano. Pareceu acusar em demasia a responsabilidade e acabou por contribuir para a instabilidade defensiva da equipa com erros em excesso. A Liga dos Campeões correu-lhe de forma desastrosa: fez a rosca que esteve na origem do empate dos eslovenos ao cair do pano, saiu ensanguentado em casa com o Chelsea após choque violento com Diego Costa, e foi expulso de forma completamente desnecessária pouco depois dos 30 minutos em Gelsenkirchen numa altura em que ganhávamos por 1-0. Transferido no mercado de inverno para a Lazio.

Sarr (*)

Inesperadamente, em virtude de uma série de acontecimentos encadeados, acabou por ser titular logo no princípio da época. Numa fase inicial não comprometeu mas rapidamente os erros começaram a acumular-se. Sei que ainda é novo mas tenho muitas dúvidas que alguma vez possa vir a ser jogador para o Sporting. Tecnicamente não me parece dos piores, mas tem quebras de concentração inexplicáveis e não consegue fazer uso do seu 1m96 e 90 Kgs para se impor perante os adversários - nem sequer no jogo aéreo.

Paulo Oliveira (***)

Depois de uma pré-época dececionante parecia condenado a ser 5ª opção - ou seja, provavelmente nem teria ficado no plantel caso Rojo e Dier se tivessem mantido no Sporting. Mas as mexidas aconteceram e acabou por ficar como 3ª opção atrás de Maurício e Sarr. Teve um primeiro teste de fogo ao entrar contra o Chelsea a substituir o lesionado Maurício e surpreendeu pela positiva. A mim convenceu-me nesse momento e a Marco Silva também, porque a partir daí Paulo Oliveira passou a ser titular e de semana a semana foi solidificando o seu estatuto até ser absolutamente indiscutível. Chegou também à seleção A e está a fazer para já uma prova extraordinária no Europeu Sub-21. Não parece, mas Paulo Oliveira tem apenas 23 anos.

Tobias Figueiredo (**)

Depois de uma primeira metade de época errática na equipa B, teve a sua oportunidade quando Maurício saiu para a Lazio e Marco Silva se viu sem outras opções credíveis para o centro da defesa. Mas Tobias fez por merecer essa oportunidade. Fez uma exibição imperial na Taça da Liga em Guimarães e foi logo de seguida titular em Espinho para a Taça de Portugal. Passou a ser titular na 17ª jornada e convenceu tudo e todos ao entender-se de forma perfeita com Paulo Oliveira. Não tremeu perante adversários de enorme dificuldade como o Benfica ou o Wolfsburgo. Teve uma exibição infeliz no Dragão e pareceu ressentir-se disso, já que a partir daí a segurança já não foi a mesma e cometeu vários deslizes - incluindo dois que lhe valeram o cartão vermelho direto ainda na primeira parte. Perdeu a titularidade para Ewerton. Para 2015/16: 3º central (onde seguramente terá oportunidade de fazer mais de 20 jogos) ou roda noutra equipa da I Liga? Eis a questão.

Ewerton (***)

Um caso paradigmático do que é chegar, ver e vencer. Chegou em janeiro vindo de uma lesão prolongada e sem ritmo de jogo. Teve a sua oportunidade ao entrar para tapar o lugar do expulso Tobias, com o Penafiel, e não mais largou o lugar. É um central muito completo, mas impressiona sobretudo pela serenidade e pela capacidade de jogo aéreo. Seguramente que não há ninguém que pense que o €1,5M da cláusula de opção de compra a pagar ao Anzhi será dinheiro mal gasto.

Rabia (-)

Chegou tarde e lesionado, o que não terá ajudado nada à sua adaptação. Só em novembro começou a jogar, e não convenceu nem na equipa B nem na Taça da Liga, cometendo muitos erros. Mais para o final da época começou a jogar com mais regularidade e a ter prestações mais interessantes. Se isso será suficiente para fazer parte do plantel principal, não sei.

André Geraldes (-)

Uma contratação que pareceu um equívoco. A pré-temporada correu-lhe mal e acabou por ser aposta apenas na Taça da Liga - e sempre como defesa esquerdo, que não é a sua melhor posição. Mesmo assim fez um excelente jogo em Guimarães, colocando a dúvida se não mereceria mais oportunidades. Não me parece que fique connosco na próxima época.

domingo, 10 de maio de 2015

Insuficiente e preocupante

Acredito que não seja fácil motivar uma equipa a dar o seu melhor numa partida em que não há nada de concretamente relevante em disputa, mas a exibição contra o Estoril foi claramente sofrível, demasiado fraca para um conjunto de jogadores que ainda tem um objetivo importantíssimo para conquistar. Vimos hoje uma primeira parte em que os jogadores deram toda a sensação que prefeririam estar a tomar banhos de sol em vez de serem obrigados a correr atrás de uma bola, e uma segunda parte em que após um bom regresso dos balneários foi o próprio treinador a parecer querer fazer questão de regressar à pasmaceira com um par de substituições que quebraram aquilo de bom que se começava a ver.



Positivo

Mais um golo dos centrais - Ewerton faturou pela 2ª vez. Com os 3 golos de Paulo Oliveira, 1 de Sarr e 2 de Tobias, já vão em 8 os golos resolvidos à cabeçada pelos matulões da defesa nas competições oficiais desta época. Um bom vício que começa a nascer e que contrasta com os anos (e anos e anos e anos) em que nos habituámos a uma contribuição ofensiva quase nula dos centrais.

O regresso de Jonathan - não fez uma exibição extraordinária, mas voltou muitos furos acima daquilo que estava a produzir nas últimas oportunidades que teve (e nem estou a contar com o desastre do Dragão). Raçudo nas disputas de bola, demonstrou iniciativa em subir pelo flanco e arrancou uma boa percentagem de cruzamentos bem direcionados. E claro, ainda esteve no lance do golo. Para mim é para manter no onze. Jefferson que trabalhe para recuperar o lugar.

A exibição de João Mário - foi o melhor jogador do Sporting na 1ª parte, sendo na minha opinião o jogador que conseguiu oferecer maior dinamismo à equipa. Também entrou bem na 2ª parte, e não consegui compreender o motivo pelo qual foi substituído.


Negativo

As substituições - não percebi nem o timing nem a escolha de Marco Silva na primeira substitução que efetuou. Quando decidiu colocar Tanaka em campo, o Sporting tinha acabado de marcar, estava claramente por cima do jogo, arriscava chegar ao 2º, e decidiu tirar um dos melhores: João Mário. A segunda percebe-se melhor mas não correu bem: Mané não estava propriamente a fazer um bom jogo - apenas destaque para o trabalho e cruzamento para o cabeceamento de Tanaka - mas a entrada de Capel não ofereceu absolutamente nada à equipa que não fosse um jogador estacionado junto à linha. No basket é hábito os treinadores pedirem descontos de tempo para quebrar o momentum do adversário. As substituições de Marco Silva tiveram precisamente esse efeito. O problema é que o rendimento que quebrou foi o da própria equipa.

Mais uma primeira parte desperdiçada - o futebol do Sporting está a acumular os piores vícios da época. No início dávamos 45 minutos de avanço mas depois conseguíamos jogar à bola na 2ª parte de forma consistente - que no entanto muitas vezes não foi suficiente para evitar demasiados empates. Na 2ª metade da época houve mais empenho na abordagem aos jogos desde o primeiro minuto, mas com um futebol menos vistoso - mas com menos pontos desperdiçados. Agora andamos a oferecer a 1ª parte aos adversários e a jogar um futebol pouco vistoso. E não surpreendentemente, empatámos. Haja pachorra.



Parece-me que a ideia de Marco Silva em fazer alinhar o onze de hoje era começar a aquecer os motores para a final da Taça. Não correu bem, e começo a ficar preocupado com a qualidade exibicional da equipa.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Nem por linhas tortas se conseguiu escrever direito

Ao ver o onze que Mourinho escolheu para entrar em campo contra o Sporting, ficou imediatamente evidente que ou fazíamos o jogo da nossa vida, ou acabaríamos dependentes do resultado final na Eslovénia. Sim, o Chelsea deixou Hazard, Terry e Willian de fora, mas as poupanças ficaram-se por aí, com todos os outros pesos pesados que o mundo do futebol tão bem conhece. São, simplesmente, de outro campeonato - para se ter uma noção das diferenças, o miúdo inglês de 18 anos que entrou a 15 minutos do fim ganha €2M / ano (muito mais do que qualquer jogador do Sporting que não se chame Nani).

Para além da diferença de nível de plantel, também há a questão da diferença de experiência a este nível. Tudo somado, e ao fim de 20 minutos as nossas esperanças já se tinham transferido para o resultado que pudesse sair da Eslovénia.

Não foi hoje que a qualificação ficou comprometida. Os nossos rapazes bem tentaram dar a volta aos acontecimentos, mas a classe de um adversário tranquilo que nunca facilitou e a falta de inspiração de alguns dos nossos elementos dificilmente poderiam levar a outro desfecho mais favorável para o nosso lado.



Positivo

"... eu vou lá estar" - perdemos dentro das quatro linhas, mas ganhámos por goleada nas bancadas. Impressionante o apoio dos 3000 leões que estiveram no estádio. Pareciam 30000.

A serenidade de Paulo Oliveira - muito concentrado durante todo o jogo, demonstrou uma enorme lucidez nas abordagem aos lances e raramente perdeu num duelo com o adversário direto - fosse no centro do terreno fosse nas dobras a Esgaio. Excelente exibição de um jogador que aos poucos nos vai convencendo que é nitidamente uma parte da solução para aquele que tem sido o nosso maior problema está temporada.

Carrillo a fazer de Nani - uma primeira parte de grande nível, assumindo o papel de Nani na construção de jogo. Infelizmente os colegas não o ajudaram nessa difícil e ingrata tarefa. Na segunda parte baixou de produção mas esteve no 2º golo e ainda causou alguns calafrios à defesa adversária. 

Ressurgimento de Jonathan - bem mais assertivo que no passado recente, revelando uma boa dose de agressividade a defender e bastante mais consequente nas incursões pelo ataque. Tirou alguns bons cruzamentos e voltou a aparecer com alguma frequência pelo meio (naquilo que é uma das suas características diferenciadoras), de onde faria o golo do Sporting.


Negativo

As ausências não forçadas - na primeira parte foram vários os jogadores que simplesmente não apareceram, fosse por nervosismo ou por ação do meio-campo adversário. Mas a verdade é que Capel, João Mário, William e Slimani, apesar de terem trabalhado muito, exibiram-se vários furos abaixo do que seria necessário para um jogo destas características. Com bola estiveram quase sempre complicativos e pouco esclarecidos.

Aquele penálti de Esgaio - o miúdo pareceu acusar a responsabilidade da ocasião e teve muitas dificuldades em conter o jogo ofensivo do Chelsea pelo seu flanco. O penálti que cometeu foi desnecessário e certamente que não o terá ajudado a tranquilizar-se. Com o passar do tempo foi subindo de rendimento e acabou por terminar muito bem o jogo. Não merece ser crucificado pelo erro que cometeu - não é possível exigir-se muito mais de um jogador que nos últimos tempos tem estado em regime de exclusividade na equipa B. Espero que seja emprestado em Janeiro.


É uma desilusão ser eliminado e a Liga Europa não é para mim nenhum prémio de consolação, mas penso que podemos fazer um balanço positivo desta participação. Um conjunto de jogadores com pouca ou nenhuma experiência nestas andanças conseguiu dar muito boa conta de si num grupo com um tubarão e outra equipa que está habituada a chegar longe na Liga dos Campeões - e algumas vezes com brilhantismo. O crescimento de uma equipa também passa por isto.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O longo braço da injustiça

                                                                                                                                                             
Até podíamos ter perdido por 3-1, mas teria ficado satisfeito com o comportamento da equipa. Enquanto jogámos 11 contra 11 fomos claramente superiores: empurrámos o Schalke para o seu meio-campo e caímos em cima deles forçando erros atrás de erros, numa demonstração de personalidade, classe e alegria de jogar que apenas uma grande equipa consegue proporcionar.


Até podíamos ter perdido por 3-1. Mas não perdemos. Os 10 indomáveis leões recusaram-se a baixar os braços e continuaram a desmultiplicar-se em campo, fazendo com que qualquer bola que repousasse uns segundos nos pés de um alemão se arriscasse a ser roubada. Procurando sempre o golo. E então Carrillo teimou em atirar-se para cima de três alemães para ser pisado de forma clara, e Adrien bateu o consequente penálti de forma irrepreensível.

Até podíamos ter perdido por 3-2, que já era suficiente para me sentir com mais motivos para acreditar nesta equipa como já não acreditava há muito. Mas os rapazes já não se sentiam em desvantagem numérica. Parecia que estavam em campo 13 ou 14 jogadores de amarelo que sabiam que iam conseguir aquilo que poucos minutos antes era impensável. E então Cédric vislumbrou Adrien do outro lado do campo e colocou-lhe a bola mesmo a jeito de fazer o empate.

O Sporting não fez um jogo perfeito, claro que não. A expulsão de Maurício foi forçada, mas o central devia saber que não pode gastar os créditos da paciência dos árbitros ao fazer faltas duras e escusadas a meio-campo. Neste caso, teve o azar de apanhar um árbitro em modo de tolerância zero para os nossos, e foi expulso ao fim de duas faltas. Teve azar ele, e acabou por ser a equipa a sofrer com isso.

O primeiro golo surge imediatamente a seguir, num lance em que o grande Rui Patrício podia ter feito certamente melhor - mas não é por isso que deixo de ter total confiança nele. Não fomos capazes de travar o Schalke nas bolas paradas, e Sarr foi batido por Howedes no lance do 3º golo - apesar de a bola ter sido cruzada de uma forma que seria difícil de intercetar sem fazer falta.

Mas de resto era impossível fazer melhor, e só não conseguimos um resultado melhor graças a uma desastrosa arbitragem que tem todos os condimentos para reavivar toda a desconfiança que existe sobre o protecionismo que determinados clubes têm sobre outros nas competições da UEFA.

Schalke --> sponsor Gazprom <-- Liga dos Campeões --> UEFA --> nomeação de árbitro russo

Uma expulsão forçada, o segundo golo do Schalke em fora-de-jogo (difícil de ajuizar, é verdade), uma diferença de critérios gritante na amostragem de cartões e marcação de faltas, e para terminar aquele penálti. 10 contra 16 foi uma luta demasiado desigual para que pudesse ter havido outro desfecho.


Como é evidente, a história das competições da UEFA está carregada de casos destes - não só de situações em que clubes de países mais pequenos como o nosso são prejudicados para além do razoável, mas também de polémicas que envolveram duas equipas da elite europeia (quem não se lembra das queixas do Chelsea numas meias-finais com o Barcelona?). Como tal, é uma daquelas lutas que não merece o nosso esforço. O foco tem que centrado estar nas batalhas que podemos ganhar.

Prefiro olhar para o jogo magnífico que os nossos jogadores nos proporcionaram. Até me parece injusto fazer destaques, mas Adrien, William e João Mário foram uns gigantes no meio-campo, Nani e Carrillo semearam inúmeras vezes o pânico na defesa adversária sem regatearem esforços a defender, e Cédric e Jonathan fizerem piscinas atrás de piscinas nos respetivos flancos sempre numa rotação elevadíssima. Uma exibição de luxo, cheia de alma, que me deixa com um orgulho imenso.

Uma última palavra para Marco Silva: está a levar a equipa a um nível que eu julgava impossível. Ter um jogador como Nani ajuda muito, mas isso está longe de ser a única explicação. Só posso desejar que fique connosco durante muitos e bons anos. 

Obrigado, rapazes!

sábado, 27 de setembro de 2014

Demonstração de classe

A maior injustiça que se pode fazer ao Sporting de Marco Silva é avaliar o trabalho que está a ser feito pelos resultados. 2 empates e 5 empates estão longe, muito longe, de traduzir a qualidade do futebol praticado, que já tinha sido de bom nível contra Belenenses, Maribor e Gil Vicente (em crescendo), e que conheceu o seu auge na primeira parte realizada contra o Porto. 

O empate sabe a pouco porque poderíamos ter resolvido o jogo ainda na primeira parte. Depois do golo madrugador, ainda tivemos um remate de João Mário para defesa muito difícil de Fabiano, um cabeceamento à frente da baliza do mesmo jogador que sai desviado e um remate de Nani em posição frontal à entrada na área após um slalom inacreditável de Carrillo. Com um pouco mais de felicidade, poderíamos ter transformado a partida de ontem num passeio.

Ao mesmo tempo, era notória a total incapacidade do Porto a sair com a bola jogável. Na primeira parte, os azuis e brancos limitaram-se a bombear jogo para um desamparado de Jackson, que foi sempre bem anulado por Maurício - muito bom jogo do Xerife.

Na segunda parte Lopetegui sacou do ás e da manilha para tentar inverter a situação, e a verdade é que o conseguiu: Óliver impressionou pela personalidade e talento (ninguém diria que tem 19 anos) e Tello foi para campo com o objetivo de expulsar os amarelados Cédric e Maurício - e bem o tentou com aquele mergulho ao passar pelo central, em vez de tentar seguir isolado para a baliza. O Porto passou a ter muito mais bola no pé, o Sporting pareceu acusar o esforço da primeira parte - as bolas divididas que na primeira parte eram todas nossas, passaram a ser conquistadas quase todas pelo Porto na segunda parte - e o Porto foi a equipa mais perigosa. O Sporting acabou por ter também uma grande oportunidade através de uma bomba a 116 kms/h de Capel que embateu violentamente na barra. 

O jogo terminaria com uma oportunidade flagrante de Tello (que parte em posição de fora-de-jogo) que lhes poderia ter dado a vitória, mas a verdade é que o Sporting foi de tal forma superior na primeira parte que uma derrota seria um castigo completamente imerecido.


Positivo

Primeira parte de luxo - foram impressionantes os primeiros 45 minutos do Sporting. Uma demonstração de personalidade, raça e vontade de vencer que encostou o adversário às cordas, tal era o sufoco da pressão alta que impedia que o Porto saísse a jogar, tendo sido inúmeras as recuperações de bola no meio-campo adversário - o golo de Nani surge a partir da interceção de um passe de Rúben Neves. Enormes as exibições de Carrillo, Nani, Slimani, João Mário, Adrien, e até já se viu algo parecido com o William do ano passado.

Aquela jogada de Carrillo - um momento sublime do nº 18 que merecia melhor finalização de Nani. Diz-se que Casemiro, Rúben Neves e Danilo ainda estão a esta hora à procura do peruano. Mas não foi só essa jogada. Carrilo fez uma primeira parte tremenda: a assistência para golo é dele, e ainda foi o autor do cruzamento teleguiado para o cabeceamento de João Mário - que devia ter acabado nas redes de Fabiano. Para além disso foi incansável no apoio à defesa e na pressão sobre os adversários. Foi substituído por Capel numa altura em que já estava esgotado.

As promessas de Jonathan - não consigo imaginar melhor estreia em Alvalade do que marcar um golo ao fim de 80 segundos num clássico. Só por isso, merece destaque. Mas a verdade é que parece ser um jogador realmente muito interessante. Uma carraça a defender, sempre em cima do adversário direto, rápido a reagir, e nunca virando a cara à batalha. A atacar parece gostar de pisar terrenos mais centrais, arrastando o lateral e abrindo uma avenida para o extremo aproveitar se não estiver devidamente acompanhado. Secou Quaresma e só passou por dificuldades perante algumas investidas de Tello, mais por falta de apoio do que por culpa própria. Não foi tão efetivo a cruzar quanto Jefferson, mas aquilo que promete oferecer encaixa-se que nem uma luva no dinamismo ofensivo que Marco Silva está a implementar.

Uma muralha chamada Rui Patrício - teve menos trabalho do que inicialmente seria previsível, mas respondeu de forma fabulosa nos lances em que teve que intervir. Primeiro ao tapar o caminho da baliza a um Jackson completamente isolado, e depois num voo épico que tirou o golo a um fantástico remate de Herrera. Está numa forma soberba o nosso capitão, e voltou a valer pontos.


Negativo

A inconsistência de Sarr - não há dúvida que a partida tinha um nível de dificuldade elevado, e na maior parte das vezes que foi chamado a intervir Sarr esteve bem, mas foram demasiadas as situações em que  o francês cometeu erros e hesitações que me deixaram extremamente intranquilo. Desde alguns passes que foram parar aos pés dos adversários, uma charutada em plena área totalmente na vertical que fez com que a bola fosse cair apenas uns metros ao lado, a forma como se deixou antecipar na área por Herrera - o mexicano estava no chão e foi mais rápido a levantar-se e a seguir com a bola perante a apatia do francês e, claro, o auto-golo marcado da quina da pequena área. Naquela zona do terreno a fiabilidade é uma característica fundamental, e Sarr parece demasiado propenso a cometer erros que não contribuem em nada para a tranquilidade à equipa e das bancadas.

Outra vez anjinhos - quando Casemiro se lesiona, Reyes começa de imediato a aquecer. A equipa médica do Porto entra em campo, e apercebem-se da gravidade da situação. A maca vem, mas Casemiro levanta-se e diz que vai sair pelo próprio pé. A maca abandona o relvado sem passageiro, e quando atravessa a linha lateral Casemiro atira-se novamente para o chão. Mais um bilhete, mais uma viagem, e lá volta a maca para dentro de campo. Casemiro é colocado cuidadosamente na liteira, sai de campo, e Reyes já está pronto para entrar. Uma encenação bem montada que permitiu ao Porto não jogar nem um segundo em inferioridade numérica. Uns minutos depois Maurício leva um golpe na cabeça. A equipa médica entra, avalia, e todos (médicos e jogador) abandonam o campo em passo de corrida para fazer o tratamento. Resultado: vários minutos fora de campo. Os casos de Casemiro e Maurício eram diferentes, mas havia forma de fazer parte do tratamento dentro do relvado. Manhas que podem fazer a diferença em embates como o de ontem.

A choraminguice de Lopetegui - o carácter das pessoas vê-se sobretudo nos momentos difíceis. Estar a queixar-se consecutivamente da arbitragem quando apenas tem razões de queixa num dos jogos é uma forma de disfarçar a cada vez mais que evidente falta de competência para gerir um plantel extremamente rico. Maurício não faz penálti - é um caso claro de bola na mão, num remate de calcanhar à queima, em que o central estava a um metro de Jackson e com o braço na vertical junto ao corpo. Se Lopetegui quer criticar a arbitragem, então que comente a pisadela e varridela por trás que Quaresma fez a Nani sem qualquer intenção de jogar a bola. E deixar Oliver e Tello no banco num jogo desta dimensão não é rotatividade do plantel - é pura idiotice. Lopatético.



Os sinais que o Sporting de Marco Silva está a dar são muito positivos, e deixam-me com grande confiança no futuro. Há muitos anos que não via a nossa equipa a jogar com tanta qualidade, e estamos ainda no princípio da época. Há jogadores que ainda estão num processo de integração que me leva a acreditar que ainda existe uma grande margem de progressão para esta equipa. Nani veio para somar, está a colocar o seu enorme talento ao serviço da equipa, Carrillo finalmente confirma tudo aquilo que prometia, e William parece estar a regressar ao nível da época passada. Três esteios que a jogar no seu melhor nos poderão transportar para um nível ainda superior.

Segue-se agora o Chelsea, num jogo em que a única responsabilidade que temos é deixar tudo em campo.