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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Vitória, preocupações e recados

Finalmente uma vitória. Ganhar ao Braga era essencial. Não por ser o Braga, não pelos três pontos, não para não nos deixarmos atrasar mais em relação à liderança, não pela possibilidade de, ganhando em Portimão, aproveitarmos o resultado do clássico entre Benfica e Porto para recuperarmos ou ampliarmos distâncias. Era essencial ganhar porque, independentemente dos muitos problemas técnico-táticos que estão à vista de todos, o atual momento de intranquilidade potencia esses problemas e faz parecê-los ainda mais graves do que efetivamente são. Era fundamental recuperar alguma tranquilidade e confiança e, como tal, jogando bem ou mal, tínhamos de vencer ontem. Nesse sentido, a missão mais importante foi cumprida.

Os suspeitos do costume. Mais uma vez, o Sporting só existiu ofensivamente na medida do que a sua linha média foi capaz de produzir. Os desequilíbrios foram conseguidos quase exclusivamente pelos habituais Bruno Fernandes e Wendel e pelo lateral Acuña. Coates e Mathieu foram segurando as pontas como podiam (com preciosa ajuda de Neto nos últimos quinze minutos) e, mais uma vez, o patinho feio Renan salvou o dia com algumas defesas fulcrais (aquela aos 40’, após remate de Hassan na queima, foi absolutamente incrível). 

Inoperância na frente. É angustiante observar o rendimento dos homens mais adiantados. Luiz Phellype vale pelo esforço e pouco mais. Raramente tem bolas na área para finalizar, parcialmente por responsabilidades próprias no momento de decidir o que fazer quando é solicitado, mas sobretudo por não ser devidamente alimentado devido ao modelo de construção (?) que o treinador coloca em prática. Raphinha está num momento de forma terrível. Não consegue ganhar duelos, não cria desequilíbrios, não finaliza em condições. Ontem defendeu a passo, deixando várias vezes Thierry completamente exposto no nosso flanco direito. Diaby foi Diaby. Mais um jogo sem qualquer ação positiva de registo, mais um momento para os apanhados que deixou meio estádio a rir quando se atrapalhou ao tentar fazer um nó a um adversário, e não há uma alma à face da Terra para além de Keizer que consiga entender como é possível que, depois de tão consistentes demonstrações de incapacidade, o maliano continue a fazer parte das contas do onze. Ou que tenha um minuto de utilização que seja. 

Treinador às aranhas. É verdade que Keizer não tem muitas alternativas de qualidade disponíveis. Camacho e Plata estão verdes e alguma coisa está mal na construção do plantel quando Raphinha, que tem apenas 22 anos e um ano de experiência a este nível, é o extremo de referência da equipa. A 11 dias do fecho do mercado, temos apenas dois pontas-de-lança, um dos quais jogava na segunda divisão há meses, e em que o outro foi contratado para substituir Bruno Fernandes. Mas isso não justifica tão pouco futebol e o problema não está apenas nos jogadores. Keizer diz que gosta de Dost mas não foi capaz de tirar rendimento do holandês, não é capaz de dar jogo a Luiz Phellype, não vê a mobilidade e técnica de Vietto como solução, e aparentemente também acha que Slimani não é o ponta-de-lança ideal. Perante quatro tipos de avançados de características bastante diversas e nenhum serve para o treinador… então quem servirá? 

Recados à estrutura. Na conferência de imprensa, Keizer deixou soltar um desabafo sobre a forma como (não) foi consultado sobre a saída de Dost, lamentando-se da sua saída. Depois dos comentários anteriores sobre Matheus Pereira e Vietto, fica mais ou menos claro que não existe entendimento entre o treinador e a estrutura de futebol sobre as movimentações de jogadores. Se não se entendem sobre quem sai, se não se entendem sobre quem entra… então como podemos nós, os adeptos, acreditar que existe um fio condutor, consistente e lógico, na preparação da época, na construção do plantel e na globalidade do trabalho realizado? 

Se, se, se. Reencontrámos as vitórias, mas os sinais de preocupação não se dissiparam. SE Rosier trouxer mais estabilidade ao flanco direito, SE Doumbia começar a compreender melhor as compensações que tem de fazer, SE Wendel conseguir aguentar mais de 60 minutos, poderemos ter condições para atenuar o caos defensivo que temos observado. SE conseguirmos manter Acuña a lateral, SE contratarmos um extremo a sério para entrar no onze ou SE conseguirmos começar a tirar algum rendimento de Camacho e Plata, SE contratarmos um ponta-de-lança que encaixe no quer que Keizer idealiza para o nosso jogo, poderemos ter condições para sermos um conjunto verdadeiramente ameaçador em ataque continuado e em contra-ataque. SE o treinador conseguir desembrulhar a confusão que parece ter no cérebro, SE a estrutura estabelecer as prioridades certas para a época… pode ser que se consiga fazer alguma coisa desta época.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Rendimento mínimo garantido

Depois de um dérbi tão desgastante como o de quarta-feira frente ao Benfica, Marcel Keizer não poderia ter desejado um jogo mais tranquilo do que aquele que disputou ontem em Alvalade contra o Rio Ave. O treinador holandês voltou a apostar naquele que considera ser o melhor onze disponível, os jogadores entraram em campo em modo rendimento mínimo garantido e, depois de ter assegurado os três pontos, a equipa não teve problemas em assumir um modo de gestão total de esforço.

Não me recordo de ver, esta época, um jogo controlado de forma tão eficiente do princípio ao fim. Mesmo mantendo a velocidade de execução e a intensidade nas disputas de bola a níveis modestos, o Sporting foi criando oportunidades suficientes para levar para o intervalo uma vantagem de dois golos ao mesmo tempo que foi proporcionando a Renan uma das noites mais calmas que terá tido na sua carreira. O melhor momento dos primeiros 45 minutos foi o exemplar lance de contra-ataque que inaugurou o marcador, iniciado e finalizado por Luiz Phellype com fundamental contributo de Wendel - ainda que a assistência tenha sido creditada a Acuña por causa do inócuo toque que deu na bola antes de esta ter chegado ao ponta-de-lança. Terceiro golo nos últimos três jogos para o brasileiro que, usufruindo de uma utilização mais regular, começa finalmente a acumular golos e a justificar a sua contratação. Para a segunda parte ficaria reservado o grande momento do jogo: golação de Wendel, com um indefensável pontapé em arco à entrada da área que fecharia o resultado. Pelo meio, Bruno Fernandes aproveitou indiscutível penálti sobre Luiz Phellype para igualar Frank Lampard como médio mais concretizador numa só época. Luiz Phellype, Bruno Fernandes e Wendel, cada qual com um golo e participação decisiva noutro, foram as figuras do jogo.

Após vitória tão tranquila, suponho que o único tema que possa gerar alguma discussão seja a gestão de plantel feita por Keizer. Não podia evitar as substituições de Borja e Acuña, que saíram tocados, e, compreensivelmente, tirou Mathieu de campo assim que sentiu o resultado suficientemente seguro. Por aqui, nada a dizer. Eventualmente poder-se-á questionar as opções para o onze. Não seria um bom jogo para lançar Doumbia de início? Ou então, para quê insistir em Diaby, que realizou mais uma exibição constrangedora? Já se percebeu que Keizer não tem confiança em mais que 13/14 jogadores, e que só sairá desse círculo restrito caso as lesões e suspensões assim o obriguem. A favor do treinador, o resultado e alguns números que sustentam que o Sporting atravessa uma boa fase da época: mais três pontos que nos colocam mais seguros no 3º lugar (teríamos de perder mais 4 pontos que o Braga até ao final da época para sair do pódio), 6ª vitória consecutiva (5 das quais para o campeonato), sequência de 9 jogos com apenas 4 golos sofridos.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Segunda vida de Keizer?

Marcel Keizer arriscou e foi bem sucedido. O técnico holandês realizou uma revolução tática na equipa, formando um trio defensivo mais fixo - com Ilori descaído para a direita, Coates no meio e deslocando Borja para um posicionamento mais interior -, entregando a profundidade e largura dos flancos a Ristovski e Acuña quando o Sporting tinha a bola e puxando-os para uma linha de 5 defesas quando o Braga atacava. Simultaneamente, recuou Wendel para o lado de Gudelj e deu maior liberdade territorial a Diaby e Bruno Fernandes no apoio a Dost. 

No duplo pivot do meio-campo, Wendel fazia as despesas da ligação com o ataque e Gudelj assumia uma ação mais posicional, assegurando, em conjunto com o trio mais recuado, uma segurança defensiva mais sólida face ao adiantamento quer de Ristovski quer de Acuña. O trio de centrais complementou-se muito bem: Ilori e Borja estiveram muito bem na marcação e foram competentes na saída com bola, enquanto Coates esteve impecável (e implacável) nas dobras.

Estas alterações tiveram o efeito de reduzir o ataque do Braga a uma única oportunidade de golo no total dos 90 minutos - o que é particularmente surpreendente numa equipa que tantas dificuldades tem revelado no processo defensivo - e de permitir um ascendente exibicional durante praticamente toda a partida. Wendel fez um jogo tremendo e Bruno Fernandes voltou a encantar as bancadas com mais uma tremenda execução num livre direto - o 3º marcado nos últimos 4 jogos. Dost, depois de desperdiçar dois cruzamentos adocicados de Ristovski lá faria o gosto ao pé por duas vezes - que, esperemos, lhe devolva a confiança perdida. Diaby pareceu mais confortável não ficando amarrado a um flanco e foi decisivo na brilhante jogada - em que passou por 2 adversários antes de ser abalroado por outros 2 na área - que deu origem ao penálti convertido por Dost. Ainda deu para ver (mais) bons indicadores de Doumbia. Luiz Phellype foi batalhador no tempo em que esteve em campo, mas voltou a não ter oportunidades para demonstrar qualidades na finalização.

No geral, foi uma exibição muito consistente e convincente que abre novos horizontes para o que esta equipa será capaz de fazer daqui para a frente. Este sistema de três centrais parece ter pernas para andar mesmo com adversários mais recuados - variará a liberdade dada aos laterais/alas de serviço em função do que o jogo pedir - porque permite, em simultâneo um apoio mais próximo a Dost e manter um maior número de peças em terrenos mais recuados para controlar eventuais contra-ataques adversários, para além de potenciar as qualidades de jogadores como Ilori, Coates, Gudelj ou Diaby.

Uma boa vitória que nos coloca a quatro pontos do Braga e que nos dá a vantagem no confronto direto. Veremos se esta fórmula será para repetir na visita ao Villarreal. Esta primeira experiência trouxe sinais muito prometedores para o que poderá ser uma segunda vida de Keizer ao comando do Sporting. Os sportinguistas bem precisavam deste vislumbre de esperança para o que resta da temporada.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

O Silas é que a sabe toda

Não tinha percebido bem o sentido das palavras de Silas no lançamento do jogo de ontem quando disse que "Keizer está a aproveitar o trabalho de Peseiro", mas a verdade é que acabaram por ter o seu quê de proféticas. De certa forma, o Sporting que defrontou o Belenenses foi o menos Keizeriano e o mais Peseiriano desde que o holandês assumiu o cargo, pois durante a maior parte do tempo foi uma equipa divorciada da baliza, previsível nas suas intenções, lenta e trapalhona na execução.

Isso sentia-se dentro das quatro linhas e também na bancada: quando o Sporting foi para o intervalo a perder com o Nacional, notava-se que os adeptos nas bancadas confiavam que seria apenas uma questão de tempo até a reviravolta se concretizar; ontem havia incerteza no ar, fruto da incapacidade que a equipa revelava para criar situações de golo e também do mérito de um adversário muito personalizado que sabia exatamente o que fazer em campo para contrariar os pontos fortes leoninos.



3 pontos - havendo a possibilidade de recuperar o segundo lugar e sendo imperioso não deixar afastar mais o líder, era imperativo que o Sporting vencesse a partida, fosse lá como fosse. Não foi bonito, mas o essencial foi alcançado.

O regresso de Wendel - a antecipação da sua recuperação em relação à previsão inicial foi uma excelente notícia e Keizer não hesitou em entregar-lhe a titularidade. Wendel correspondeu e foi, a par de Nani, o elemento mais dinâmico do meio-campo. Muito bem na procura do espaço para receber a bola, decide e executa rapidamente com a bola nos pés. Faz parecer simples aquilo que, na realidade, não está ao alcance de muitos. Acabou por ser substituído a vinte minutos do fim numa altura em que estava mais desaparecido do jogo.

Pela positiva - Nani fez uma boa primeira parte, caindo de rendimento na segunda. Petrovic voltou a entrar muito bem, bem defensivamente e muito confiante com a bola nos pés. Acuña, apesar de raramente ter procurado a linha de fundo e de ter tido pouco acerto nos cruzamentos que tentou, compensou com a habitual intensidade e concentração defensiva. Mathieu foi mais uma vez Mathieu.

Os golos - a classe da jogada que envolveu oito jogadores no golo de Bruno Gaspar mereceu a felicidade do toque de Sasso que desviou a bola para o ângulo certo. O golo de Miguel Luís foi o melhor momento da partida - um remate espontâneo, forte e colocado, que surpreendeu Muriel e fez lembrar o ausente Bruno Fernandes. 



A exibição - foi a exibição caseira mais frouxa desde que Keizer pegou na equipa, muito afastada da filosofia que Keizer tem tentado implementar: sentido de jogo muito mais basculante do que vertical, ritmo imposto mais lento do que tem sido habitual, incapacidade de chegar à área adversária e pouquíssimas oportunidades de golo. Em certa medida, a fazer lembrar o pior do Sporting de Jesus na segunda metade da época passada. Há que dar mérito a Silas e aos seus jogadores, que chegaram a Alvalade como segunda defesa menos batida do campeonato, e demonstraram ser uma equipa muito organizada e que raras vezes se desequilibrou. Por outro lado, parece-me que o nervo e o talento de Bruno Fernandes fez muita falta, o que é preocupante - não podemos estar tão dependentes da inspiração de um jogador.

Apesar de decisivos... - Diaby e Gudelj assistiram Bruno Gaspar e Miguel Luís nos dois golos que valeram a vitória, mas o rendimento destes jogadores, de uma forma geral, ficou abaixo das exigências. Gudelj e Miguel Luís raramente conseguiram ligar o jogo com Nani e Wendel, e tiveram pouco acerto nos passes. Diaby fez um jogo pavoroso. Parecia estar numa peladinha de solteiros contra casados, alheando-se do que se passava no seu flanco quando o lateral do Belenenses subia, deixando frequentemente Bruno Gaspar em desvantagem numérica, e com bola teve várias decisões incompreensíveis - uma das quais comprometeu uma excelente ocasião de golo na primeira parte. Devia ter sido substituído quinze minutos antes. Quanto a Bruno Gaspar, teve mais um jogo pouco conseguido e continua a não convencer.

Desconcentração defensiva - no caso do golo do Belenenses, podemos falar mesmo em desleixo: Coates e Gudelj desistiram de acompanhar os dois jogadores do Belenenses que seguiam em velocidade pelo centro do terreno, deixando Mathieu e Acuña numa situação de desvantagem numérica de 2x3. Renan esteve muito mal no controlo da profundidade, decidindo ficar na área em duas situações perigosas que poderia ter anulado com facilidade caso se corresse na direção da bola.

Os assobiadores profissionais - não consigo conceber por que razão há pessoas que vão ao estádio para assobiar a equipa ao fim de... quatro minutos. QUATRO MINUTOS. Assobiam a equipa porque o adversário entra melhor no jogo. Assobiam Renan porque este tenta encontrar um colega a quem passar em vez de despejar para a frente. Assobiam Nani porque contemporiza à espera de opções de passe. Assobiam Nani quando tenta jogadas individuais. Um bocadinho mais de paciência não faria mal a ninguém.



Nota artística - 2

MVP - Wendel

Arbitragem - João Capela teve um jogo fácil de apitar, mas conseguiu complicar o seu trabalho com más decisões no julgamento de várias faltas a meio-campo e tendo um critério disciplinar incoerente na exibição de amarelos, principalmente nos quinze minutos finais.



Três pontos preciosos que nos permitem regressar ao segundo lugar e manter o Porto à vista. É imperioso vencer o Tondela na próxima segunda-feira para depois termos a primeira final da época na receção ao Porto no fecho da 1ª volta.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Festim em Baku

A triangulação Coates-Diaby-Gaspar seguida do cruzamento atrasado para Dost rodar e sofrer o penálti; a rápida recuperação de bola que esteve na origem do segundo golo; toda a jogada do terceiro golo que partiu em Renan e terminou no incrível slalom de Nani; o controlo e passe longo imediato sob pressão de Wendel a lançar Diaby para o quarto golo; a bola picada de Wendel para Bruno Fernandes; e a finalização de primeira de Diaby após cruzamento de Jovane, que fechou o resultado: a goleada ao Qarabag proporcionou-nos um festim de rasgos de brilhantismo que coroaram uma exibição muito agradável, como há muito não me lembrava de ver o Sporting praticar. 



Ideia de jogo - em apenas duas semanas e meia de trabalho, Keizer já foi capaz de mostrar as ideias que quer implementar: futebol apoiado, vertical e objetivo, executado com velocidade e tendo sempre a baliza em mente, com os laterais bem abertos mas privilegiando o espaço interior e reagindo rapidamente à perda com a tal pressão alta que o treinador anunciou no dia em que se apresentou. Obviamente que não podemos ignorar que o nível dos dois adversários que defrontou não reflete as dificuldades típicas que terá de enfrentar no campeonato português, mas são já evidentes as melhorias em relação ao futebol que Peseiro nos impingiu durante quatro longos e tortuosos meses. Basta comparar com as exibições contra o Loures (em oposição à de sábado passado) e contra o Poltava (em oposição à de ontem).

Wendel & amigos - neste momento, uma das perguntas que a maior parte dos sportinguistas terá na cabeça é: como é possível nem Jesus nem Peseiro terem dado oportunidades a Wendel? A exibição do brasileiro foi uma delícia: registou três assistências (mais o passe para o primeiro golo de Diaby, que não contou para a estatística por ter havido um corte incompleto do defesa), ficou muito perto de marcar dois, e deixa água na boca o nível de entendimento que mostrou ter com Bruno Fernandes e Nani. Exibição muito, muito prometedora de Wendel em particular, mas também deste novo meio-campo em geral.

Apuramento para a fase seguinte - estava quase garantido à partida para esta jornada, e foi agora consumado. O Sporting continua em frente na competição.



O golo sofrido - Diaby esqueceu-se que tinha de acompanhar o seu homem e deixou Bruno Gaspar completamente sozinho contra dois adversários na área. Foi o único lapso com consequências - noutro caso valeu o corte de Bruno Fernandes quase sobre a linha de golo -, mas é um bom exemplo para nos relembrar que esta ideia de jogo implica riscos defensivos superiores e que há muito trabalho pela frente para que todos os jogadores saibam como se comportar individual e coletivamente quando o adversário tem a bola.



Um bom resultado, uma bela exibição, mas não há quaisquer motivos para euforias. Na próxima segunda vem o primeiro teste a sério, com a deslocação a Vila do Conde.

sábado, 24 de novembro de 2018

Bons princípios

Fonte: zerozero.pt
Keizer estreou-se contra um adversário de um nível que não permite retirar grandes conclusões, mas isso não quer dizer que o que se viu hoje não seja relevante. São visíveis, ao fim de menos de duas semanas de trabalho, algumas das ideias que o técnico holandês quer implementar na equipa: futebol de passe curto com preocupação dos jogadores em dar linha de passe próxima ao portador, saindo a jogar da área ao primeiro toque em oposição ao charuto para a frente que tem reinado está época, usando toda a largura do campo com, muitas vezes, os dois laterais bem abertos na faixa em simultâneo, preocupação de reagir rapidamente à perda de bola - que proporcionou várias recuperações no meio-campo adversário - e dando ordens para a chegada de muitos jogadores na área. Verdade seja dita que nem sempre estas ideias foram bem executadas, mas isso é perfeitamente normal nas atuais circunstâncias. 

O que (ainda) não deu para ver foi o aproveitamento do espaço nas costas da defesa com solicitações em profundidade. Não por falta de tentativa dos jogadores mais adiantados - Bruno Fernandes, Diaby e, principalmente, Wendel iniciaram o movimento de desmarcação por diversas vezes -, mas porque os portadores não se aperceberam da intenção dos seus colegas em tempo útil.

Estas mudanças na filosofia de jogo implicam riscos, principalmente trabalhando-as com a época em andamento. Em primeiro lugar, enquanto os jogadores não estiverem confortáveis na troca rápida de bola ao primeiro toque, basta um passe mal medido perto da nossa área para causar situações de perigo para a nossa baliza. Depois, os jogadores que temos não foram escolhidos em função dessa competência em concreto, pelo que há que saber fazer as concessões necessárias às ideias de jogo em função das características individuais dos onze jogadores de campo.

O que é facto é que já foi possível ver algumas jogadas de entendimento bastante interessantes - algo que raramente se vislumbrou na era Peseiro e no final da era Jesus -, na linha e em espaços interiores, que deu para marcar quatro golos em bola corrida e para descobrir um jogador que anda por cá há quase um ano e que nunca tinha contado para nenhum dos treinadores que trabalharam com ele no Sporting: Wendel foi o patrão da equipa e fez uma exibição muito prometedora no transporte e distribuição de jogo, na chegada à área e na reação à perda.

Bom princípio para um conjunto de bons princípios que nos farão muito bem caso consigam ser implementados com sucesso.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Balanço de 2017/18: Médios



William Carvalho: **          
2016/17: **
2015/16: **
2014/15: **     
2013/14: ***

Mais uma época exibicionalmente irregular que, é justo que se diga, foi afetada pelas várias lesões que teve de enfrentar e pelo sistema de jogo de Jesus, que não favorece um médio com as suas características. Voltou a estar abaixo das expectativas, o que nos deveria levar a concluir que talvez sejam as expectativas que são demasiado elevadas. Não que o valor não esteja lá - é perfeitamente visível a diferença de um Sporting quando tem um William ao melhor nível -, mas já se percebeu que existem outros fatores que fazem com que não se consiga extrair tudo o que William pode dar. 


Adrien Silva: **          
2016/17: **
2015/16: ***
2014/15: **     
2013/14: ***

Na realidade não fez parte do plantel, mas coloco-o aqui porque acabou por somar mais minutos do que jogadores como Palhinha, Misic, Mattheus ou Wendel. Já estava com a cabeça noutras paragens, mas não há nada a apontar a Adrien pelo que fez enquanto ainda foi a jogo pelo Sporting.


Rodrigo Battaglia: **

Foi o jogador que participou em mais partidas de todo o plantel (57 jogos) o que, por si só, reflete a importância que teve ao longo da época mesmo não sendo um indiscutível. Battaglia é um poço de força e voluntarismo - qualidades que sabe dosear bem, o que pode ser atestado pelos apenas 9 amarelos que viu em todas as competições -, ainda que nem sempre consiga dar à equipa tudo aquilo que é necessário num 8. Curiosamente ou talvez não, o melhor período que teve foi quando jogou mais recuado, com Bryan Ruiz à sua frente no miolo. Espero que consiga ultrapassar as questões que o envolveram no triste episódio de Alcochete, pois é um jogador que poderá desempenhar um papel ainda mais importante na próxima época.


Bruno Fernandes: ***          

Contratação do ano e estrela da equipa. Teve um impacto imediato na qualidade de jogo do Sporting, em parte beneficiado por praticamente não ter tido férias e iniciado a época com mais ritmo do que a generalidade dos jogadores, mas a sua influência manteve-se elevada praticamente ao longo de toda a época. Quebrou um pouco no final por ter sido fisicamente mal gerido por Jesus - que não só não o poupou em muitas situações que assim o justificava, como também pelos papéis que lhe atribuiu em campo. Ainda assim, foi uma época brilhante: a folha estatística é impressionante (16 golos e 20 assistências) e foi recheada de muitos momentos que fazem levantar qualquer estádio. Não só é para manter para o ano: é a peça central à volta da qual a equipa tem de ser construida, e tem um perfil adequado que justifica que lhe seja atribuída a braçadeira de capitão.


Bruno César: **
2016/17: **
2015/16: **

Mais uma vez foi um jogador extremamente útil pela sua polivalência. Importante na primeira metade da época - e em particular nos jogos de maior exigência, brilhando na Liga dos Campeões -, foi perdendo espaço a partir de dezembro até ter contraído uma lesão que lhe acabou com a épca em março.


Bryan Ruiz: **          
2016/17: *
2015/16: ***

Afastado do grupo de trabalho durante a primeira metade da época, foi reintegrado progressivamente a partir de novembro até assumir um papel principal em fevereiro. As pernas frescas valeram-lhe boas prestações na posição 8, ainda que não seja um jogador talhado para funções tão exigentes fisicamente. Acabou o contrato e deverá continuar a carreira noutras paragens. Ainda que tenha ficado marcado por aquele falhanço e esgotado a paciência de muitos adeptos pela sobreutilização que Jesus lhe deu - em particular em 2016/17 -, é um jogador que, pelo menos a mim, deixará saudades pela classe que demonstrou ter, quer dentro quer fora de campo.



Alan Ruiz: *
2016/17: *

Tinha esperanças que conseguisse retomar a boa forma que demonstrou em parte da 2ª volta de 2016/17. Ao contrário da sua primeira época, chegou em boas condições físicas à pré-época e pensei que pudesse aproveitar esse balanço e a melhor adaptação ao clube para conseguir demonstrar as suas qualidades. O problema é que... não conseguiu, muito longe disso, e não foi por falta de oportunidades. Lento a decidir com a bola nos pés e defende só quando lhe apetece, o que faz com que seja um jogador perfeitamente inútil em campo. Esgotou a paciência dos adeptos e acabaria, também, por esgotar a paciência da única pessoa que ainda acreditava nele: o treinador. Um flop completo que poderá estar de volta em dezembro de 2018.


Mattheus Oliveira: *

Mattheus foi uma contratação que levantou alguma polémica. Nada nas suas características gerava confiança nas suas possibilidades de afirmação num clube como o Sporting - ainda mais num sistema de jogo como o de Jesus. Dos poucos minutos de competição que teve, a maior parte foi contra equipas de escalões inferiores... e nem aí conseguiu demonstrar capacidade que justificasse minutos em desafios mais exigentes. Um erro de casting previsível, pelo que não surpreendeu o empréstimo ao V. Guimarães em janeiro.


João Palhinha: -

Teve uma utilização demasiado esporádica para poder demonstrar o que pode fazer. Verdade seja dita que havia muita concorrência para a sua posição (William, Battaglia, Petrovic), mas acabou por ser um ano perdido. Mais valia ter sido emprestado.



Radosav Petrovic: *
2016/17: -

Mais uma época com poucos minutos. As oportunidades que teve como médio defensivo nunca foram aproveitadas, e acabaria por ser como defesa central que teve os seus melhores jogos. Há que dizer que a sorte também nunca o protegeu - como esquecer a sua absurda expulsão contra o Moreirense que viria a ser despenalizada pelo CD? -, mas está mais que visto que não tem valor para continuar por cá.


Wendel: -

É incompreensível que Jesus lhe tenha dado tão pouco tempo de jogo, considerando o esforço que a direção fez na sua contratação. E não se pode dizer que fosse um capricho da direção, porque, efetivamente, foi visível ao longo da época que precisávamos de um médio mais capaz nas tarefas de transporte de bola. Do pouco que se viu, Wendel tem essas competências que, por mesquinhez ou teimosia - o treinador não quis aproveitar.


Misic: -

Diz quem o conhece que é um médio centro posicional com boa capacidade de passe e especialista nas bolas paradas. Quem não o conhece não teve oportunidade de comprovar nada disto, face à escassez de utilização. Pior: quem conseguir entender por que razão Jesus o colocou a médio ala na final da Taça, que me explique.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

De jovem promessa a jovem indisciplinado

O vídeo que podem ver de seguida já tem uma semana, mas só hoje é que tive conhecimento dele. Enquanto se discutia a transferência de Wendel num programa de televisão brasileiro, Márvio dos Anjos, jornalista da Globo, fez um interessante comentário sobre uma pergunta sobre o jogador que lhe tinha sido feita... por um jornalista português:




É engraçado que, apesar de haver interesse público no jogador por parte de clubes portugueses - o Porto, mais concretamente - há vários meses, só quando o Sporting apareceu como um sério pretendente à contratação do jogador é que a nossa imprensa se interessou por questões disciplinares que o jogador possa ter tido no Fluminense. Isso foi facilmente observável pela quantidade de notícias que apareceram com o desentendimento que existiu entre Wendel e Abel Braga.

Para além da interessante (mas não surpreendente) revelação daquilo que interessava ao jornalista português, a expressão utilizada por Márvio dos Anjos é feliz e reflete bem aquilo que aconteceu: enquanto era o Porto o destino mais provável (via PSG), falar em Wendel era falar no seu enorme potencial; uma vez aparecendo o Sporting, de repente o foco mudou completamente, e tentou-se colocar um rótulo negativo no jogador. Apenas mais um dia na vida da zelosa - quando há interesse para isso - comunicação social desportiva em Portugal.


sábado, 6 de janeiro de 2018

Três prendas para Jesus em Dia de Reis

Seguindo à risca a tradição de Natal, as três prendinhas para Jesus foram entregues hoje, Dia de Reis, com a oficialização das contratações de:

Wendel: contrato até 2023, cláusula de rescisão de 60 milhões;
Misic: contrato até 2023, cláusula de rescisão de 60 milhões;
Rúben Ribeiro: contrato até 2020 mais um de opção, cláusula de rescisão de 60 milhões.

Wendel é box-to-box e tem fama de craque. Era pretendido pelo PSG - o que nunca é um mau cartão de visita -, mas questões relacionadas com o fair play financeiro acabaram por levar o negócio a abortar, o que permitiu ao Sporting aproveitar a oportunidade. Pelos vídeos que vi, parece ser um médio trabalhador e de muita técnica e velocidade, que estica o jogo com muita facilidade. Misic deve ocupar os mesmos terrenos que Battaglia e, pelo que me dizem, é um jogador com maior capacidade de passe, na boa distância e bolas paradas, mas menor agressividade defensiva do que o argentino. Rúben Ribeiro é o abre-latas que todos conhecemos da boa época que tem feito no Rio Ave.

Claro que todos eles terão que atravessar um período de adaptação ao país (no caso dos estrangeiros), ao clube e ao sistema de Jorge Jesus, pelo que é impossível prever qual o grau de utilidade que terão para o Sporting na segunda metade da época, mas há que louvar a estrutura sportinguista por não perder tempo no reforço do plantel - à semelhança do que já tinha acontecido no verão, a esmagadora maioria dos jogadores foram contratados antes da ida do estágio da Suiça -, a tempo de serem um fator nas opções do treinador no infernal período de fevereiro e março. Suponho que ainda esteja para vir um central e falta, a meu ver, aquela que é a maior lacuna do plantel: um segundo avançado com golo.