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sexta-feira, 17 de março de 2017

Rescaldo das eleições, série #Bardamerda. Nº 6: Bruno Prata

Não estando propriamente no nível de desonestidade de outros comentadores que já foram mencionados nesta série de posts, Bruno Prata também fez o suficiente para estar incluído no grupo de pessoas a quem foi dirigido a parte do discurso do #bardamerda.

Prata é um daqueles comentadores que nunca tentou esconder a antipatia que sente por Bruno de Carvalho. Esse sentimento desde cedo que ficou bem evidenciado: relembro, como exemplo, um programa em que o comentador proferiu afirmações extremamente deselegantes sobre o presidente do Sporting, ainda durante o seu primeiro ano de mandato:

(o som deste vídeo é muito baixo, podem ter que aumentar o volume)

(o som deste vídeo é muito baixo, podem ter que aumentar o volume)

Durante a campanha eleitoral, Bruno Prata nem foi dos comentadores mais parciais - a concorrência entre os BdC-haters para essa distinção, como sabemos, foi enorme -, mas não deixou de tentar dar as suas estocadas sempre que teve oportunidade para isso. Por exemplo, quando fez a análise do debate entre Bruno de Carvalho e Madeira Rodrigues:

(voltem a baixar o som, este vídeo já tem um volume normal)

É um facto que Bruno de Carvalho esteve contido e relativamente à defensiva durante praticamente todo o debate. Mas foi óbvio, para qualquer pessoa que quisesse perceber, que essa postura foi propositada. De qualquer forma, dizer que perdeu o debate de goleada é um exagero óbvio. Está visto que os jornalistas desportivos foram os únicos que acreditaram que Madeira Rodrigues teria ganho muitos pontos no debate.

Aliás, a tolerância que Prata teve para com as ideias de Madeira Rodrigues foi tal, que até quis fazer parecer que estava convencido com as vagas e mais que questionáveis "soluções jurídicas" que o candidato disse ter encontrado para despedir Jesus sem custos para o clube. Alguma vez aceitaria Bruno Prata que Bruno de Carvalho apresentasse uma ideia chave do seu programa de forma tão incompleta e inconvincente?

Também foram manifestamente exagerados os elogios feitos por Prata a Madeira Rodrigues (jogou ao ataque, sim, mas com pouco conteúdo, e não teve um discurso particularmente agregador) e a previsão de que, mesmo perdendo, se posiciona para ser um candidato fortíssimo às eleições de 2021. Os 9% demonstram bem a credibilidade que não teve junto dos sócios - e não tendo conseguido credibilizar-se nesta campanha, nada indica que o consiga daqui a quatro anos.

Mais uma análise a juntar-se a tantas outras que pouco tinham a ver com a realidade, e mais uma previsão a sair completamente furada. Muita razão têm aqueles que dizem que o ódio cega.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Rescaldo das eleições, série #Bardamerda. Nº 5: Rui Pedro Braz

Muito foi escrito e falado na comunicação social sobre o trabalho de Bruno de Carvalho ao longo dos quatro anos do primeiro mandato. As eleições foram um tema quase diário, e não terá havido comentador que não tenha dado a sua opinião sobre o assunto, cada um contribuindo, em maior ou menor quantidade, para as incontáveis horas e páginas de análise produzidas ao longo dos últimos meses. 

Como é natural, as opiniões variam de pessoa para pessoa, podemos concordar com umas e discordar de outras, mas isso não coloca em causa a legitimidade de todas elas - desde que sejam devidamente sustentadas e estejam dentro de certos limites de razoabilidade.

Não ouvi nem li sequer uma pequena fração do universo dessas opiniões, mas, dentro daquilo que ouvi e li, esses limites de razoabilidade foram frequentemente ultrapassados por vários comentadores. E atrevo-me a arriscar este palpite: na discussão das eleições do Sporting, duvido que tenham existido opiniões mais radicais e desfasadas da realidade do que estas, de Rui Pedro Braz.



Para não ser repetitivo, não vou recuperar os argumentos que demonstram o absurdo destas palavras (quem quiser pode lê-los AQUI e AQUI), mas penso ser importante relembrar estas declarações de Rui Pedro Braz para exemplificar como houve quem tentasse de tudo para menorizar os méritos do presidente do Sporting. O comentador da TVI24 não tem que ser um especialista em finanças, mas nem uma pessoa iletrada com alguma experiência de vida e que tenha acompanhado ao de leve a vida do Sporting se atreveria a equiparar a situação financeira atual do clube à de há quatro anos. São afirmações que têm o único propósito de desinformar o público, e deviam encher o seu autor de vergonha - se é que tal coisa ainda existe no indíviduo em causa.

Assim como Serpa e Delgado são o espelho da falta de credibilidade que tem ajudado a afundar a imprensa escrita, Braz é o espelho de uma nova leva de comentadores colocada com um propósito bem óbvio - como os seus parceiros Aguilar e Diamantino -, que não faz o mínimo esforço (nem é suposto fazer) por separar as suas opiniões da sua preferência clubística, caindo frequentemente em incoerências e incorreções gritantes - uma inevitabilidade para quem tenta descrever a realidade em função de cores de camisolas e não em função dos acontecimentos. 

Logicamente, também os comentadores como Brás foram olimpicamente ignorados pelos sportinguistas em todo o processo eleitoral. Estes nunca enganaram ninguém.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Rescaldo das eleições, série #Bardamerda. Nº 4: José Manuel Delgado e Vìtor Serpa

Uma das mais gratificantes conclusões que podemos retirar do resultado das eleições do Sporting tem a ver com a (falta de) capacidade evidenciada por certos atores, externos ao clube, em influenciar o desfecho das votações. Não foi por falta de tentativa, no entanto. Foram vários os jornais e televisões que fizeram tudo o que estava ao seu alcance para influenciar o voto dos sportinguistas em favor da lista de Madeira Rodrigues - ou, para ser mais rigoroso, numa lista que não fosse a de Bruno de Carvalho -, fosse através de notícias cirurgicamente inexatas, de comentários tendenciosos, ou pelo anormal tempo de antena colocado à disposição de qualquer notável predisposto a criticar o presidente do Sporting.

Um desses órgãos de comunicação social foi A Bola, em particular através dos espaços de opinião dos seus principais responsáveis: Vítor Serpa e José Manuel Delgado, quais marretas sentados no alto do seu camarote - não sei se a analogia aos marretas é mais adequada pelo facto de criticarem sistematicamente Bruno de Carvalho, ou se pelo facto de serem bonecos que abrem e fecham a boca ao ritmo da mão escondida que os comanda. Deles, quando o assunto é o presidente do Sporting, só se esperam opiniões pouco abonatórias. Se Bruno Carvalho decide virar à esquerda, Delgado diz que devia ter virado à direita. Se Bruno de Carvalho decide seguir em frente, Serpa diz que devia ter virado à esquerda. E se Bruno Carvalho opta por virar à direita, Fernando Guerra diz, sarcasticamente, que apenas virou à direita porque o Deus Luís Filipe Vieira já o fizera antes.

Um bom exemplo foi a reação ao debate destes veteranos jornalistas. Onde os sportinguistas viram um Pedro Madeira Rodrigues recorrendo frequentemente a ataques pessoais e raramente puxando de ideias alternativas para o futuro do Sporting, Delgado viu um candidato com um projeto. Onde os sportinguistas viram um Bruno de Carvalho em modo de contenção, por saber que tinha mais a perder do que a ganhar em ter uma postura agressiva para com o seu opositor, Delgado viu um candidato desconfortável. Onde os sportinguistas viram um programa de Madeira Rodrigues vazio e inviável, Delgado não conseguiu encontrar ponta de populismo. Para Delgado, Madeira Rodrigues "marcou muitos pontos" no debate. Nem imagino como teria sido o resultado das eleições se não tivesse marcado...

Apesar deste belo esforço de Delgado, Vítor Serpa sentiu-se na necessidade de, um par de dias mais tarde, reforçar as ideias do seu adjunto. Classificou os argumentos de Madeira Rodrigues como "trunfos sólidos e coerentes", considerou correta a atitude de prometer o despedimento de Jorge Jesus, proclamou-o como vencedor do debate e viu nisso um sinal de inegável crescimento enquanto candidato. E concluiu a sua análise sentenciando, de forma bastante arrojada, que Bruno de Carvalho, vencendo as eleições, passará a estar "muito mais vulnerável e muito mais frágil". Perante tal certeza de Vítor Serpa, será que valerá a pena que Bruno de Carvalho compareça na tomada de posse para o segundo mandato?



Passou-se uma semana, e os resultados das eleições foram os que sabemos - algo que estas duas personagens não imaginavam. A vitória de Bruno de Carvalho foi esmagadora, reduzindo a pó a argumentação do diretor do jornal A Bola. Depois de uma afluência recorde às urnas que proporcionou um resultado tão claro, só um completo alienado pode dizer que Bruno de Carvalho inicia o seu mandato numa posição de maior fragilidade. Maior responsabilidade, sim, mas falar em fragilidade, hoje, perante o que sucedeu, é absurdo.

A reação pós-eleitoral destes dois cavalheiros foi bastante mais discreta. Serpa não conseguiu dedicar ao assunto nem um cantinho da sua página de sábado. Na Quinta da Bola da semana passada, silêncio total. Apenas Delgado acabou por se debruçar sobre o desfecho das votações no seu espaço semanal - com uma azia indisfarçável. O resultado é um autêntico tratado de como distorcer a realidade:


Definitivamente, Delgado não aproveitou os resultados eleitorais para fazer uma auto-análise ao seu nível de conhecimento da vontade dos sportinguistas.

Trouxe estes exemplos para concluir o seguinte: Madeira Rodrigues não foi o único vencido das eleições do Sporting. Delgado e Serpa são excelentes representantes de uma certa fação da comunicação social desportiva que, tendo-se empenhado visivelmente na campanha anti-Bruno de Carvalho, acabou derrotada de forma ainda mais estrondosa do que o candidato da lista A.

Em primeiro lugar, porque ficou demonstrado que esta gente não tem a mínima capacidade (ou vontade) para entender a forma como os sportinguistas sentem e entendem a atualidade do clube.

Em segundo lugar, porque ficou demonstrado que os sócios do Sporting não ligam patavina ao que esta malta diz. Ao fim de anos e anos a servirem descaradamente de marionetas da propaganda benfiquista (ou portista, no caso de outros órgãos de comunicação social), destruiram por completo a sua credibilidade. Como consequência lógica dessa falta de credibilidade, os seus esforços para influenciar o resultado das eleições foram totalmente inócuos.

E isto, meus amigos, é para mim uma constatação quase tão saborosa como a enorme prova de vitalidade que o clube deu no dia 4 de março.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Rescaldo das eleições, série #Bardamerda. Nº 3: Carlos Janela

Todos sabem que existe uma legião de comentadores que parece não ter outro prazer na vida que não seja o ataque ao Sporting e ao seu presidente. Essa legião desperta, em mim, diferentes tipos de sentimentos. Há um ou outro soldadinho de quem tenho pena, por estarem a tentar fazer um papel para o qual não foram talhados - normalmente antigos jogadores, de tempos em que não existia este tipo de guerrilhas -, quais peixes fora de água. O sentimento mais comum é o desprezo, dispensado aos comentadores que, desavergonhadamente, distorcem factos e mudam de opinião em função da agenda do momento.

Mas existe ainda o caso particular de Carlos Janela. Quando vejo Carlos Janela a falar, também sinto um bocadinho de pena (uns 10%) e um bocadinho de desprezo (outros 10%), mas o sentimento predominante (os restantes 80%) é asco. Carlos Janela mete-me nojo. E quando digo nojo, é literal. Tudo me repugna neste indivíduo: a aparência física, o sonoro e persistente esfregar de mãos à vilão do 007, a peculiar sonoridade do seu sotaque cerrado com uma distinta variação fanhosa, e, claro, a infinita desonestidade intelectual que revela sempre que o Sporting ou o seu presidente são assunto.

Imagem deliberadamente desfocada para
manter o pequeno-almoço no interior do
sistema digestivo de quem lê este post
Tenho de reconhecer, no entanto, que a coisa melhorou um pouco ao nível da repulsa que este sujeito me causa. Já foi pior. Há uns anos, quando calhava a realização fazer um grande plano de Carlos Janela, os telespectadores viam-se forçados a encarar a sua trágica cremalheira, caracterizada por uma densidade dentária semelhante à do arvoredo em tundra alpina, coisa que podia funcionar como um indutor de vómito mais eficaz do que enfiar dois dedos pela garganta abaixo. Felizmente, Carlos Janela descobriu entretanto a existência da ortodontia e arranjou uma dentadura nova, passando a ter um aspeto ligeiramente mais apresentável.

Depois desta introdução, vamos ao que nos traz aqui. Poucos justificarão mais o #Bardamerda do que Carlos Janela. Não existe comentador isento menos isento neste tipo de programas. Quando o tema é o presidente do Sporting, Janela esmera-se. Se for preciso encontrar um culpado para o desaparecimento de um saco de gomas da mochila de um qualquer estudante do ensino básico deste país, o comentador não hesitará em apontar o dedo a Bruno de Carvalho. Imagino Carlos Janela, nos anos 80/90, a deambular pelas ruas da localidade onde residia, com um cartão pendurado ao peito com as palavras "The end is near" e agitando uma sineta com a mão esquerda, dizendo, para todos os que tivessem pachorra para o ouvir, que a culpa da degradação da camada de ozono não era da emissão de CFC's, mas do cigarro eletrónico de Bruno de Carvalho - cigarro esse, que viajara do futuro para exterminar a humanidade a tempo de impedir que o Benfica contratasse João Pinto ao Boavista.

As más línguas dizem que é uma espécie de coordenador de briefings do estado lampiânico, e há que dizer que nada no seu discurso ajuda a pensar o contrário. Janela foi autor de alguns dos comentários mais ridículos durante toda campanha eleitoral do Sporting. Dois exemplos:

Primeiro, poucos dias depois de Madeira Rodrigues ter oficializado a sua candidatura, Janela apelou de forma emocionada a todos os sportinguistas que removessem Bruno de Carvalho da cadeira da presidência, sob pena de levar o clube à maior crise da sua história. 


De cada vez que vejo este vídeo, escorre-me uma lágrima pela face. Preocupação mais genuína que esta não existe.

O segundo exemplo é de há cerca de duas semanas, logo após o debate entre Bruno de Carvalho e Madeira Rodrigues, quando Carlos Janela nos presenteou com esta brilhante análise, recheada de pérolas que ficarão para a posteridade:


Janela fala na minoria ruidosa e maioria silenciosa. Em como apenas gente muito alienada é que não percebe que Bruno de Carvalho não é gestor. Na tareia que Bruno de Carvalho levou no debate. Num clube sem competência, feito em cacos, cheio de mentiras, embustes, faz-de-contas, manipulações, crenças e ilusões, cuja recuperação será uma tarefa hércula para o presidente que suceder a Bruno de Carvalho. Em como Madeira Rodrigues, mesmo perdendo as eleições, tem todas as condições para vir a ser o futuro presidente do Sporting, por ter conseguido ganhar uma grande credibilidade entre os sócios do Sporting.

Belo discurso de Janela. Pena é que a "grande credibilidade" de que falava se tenha traduzido no apoio de apenas 7,49% dos sócios que votaram. Espero que quando Carlos Janela for avô, os pais dos seus netos não o deixem ajudá-los nos trabalhos de casa de matemática: vai ser difícil para os miúdos entenderem como é que sete e meio por cento representa uma maioria do universo em análise.

Vendo bem, #Bardamerda é curto, muito curto, para um indivíduo como Carlos Janela. Pode ser que, no próximo discurso de vitória eleitoral, Bruno de Carvalho encontre palavras mais adequadas para lhe dedicar.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Rescaldo das eleições: decomposição dos resultados


Foi ontem publicado o detalhe das votações registadas nas eleições de sábado. Na metade esquerda estão os números que já se conheciam, ou seja, os votos que cada candidato recebeu. Na metade direita do quadro está o total de sócios que votou em cada candidato.

Já se sabia que Bruno de Carvalho tinha tido 86,13% dos votos, mas ficámos agora a saber que isso correspondeu à escolha por parte de 89,08% dos sócios. Apenas 7,49% escolheram Madeira Rodrigues. Números ainda mais elucidativos.

De destacar também o facto de 3600 sócios terem votado na lista C para o Conselho Leonino, o que é um número muito interessante considerando a (natural) falta de visibilidade que tiveram face aos outros dois candidatos.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Rescaldo das eleições, série #Bardamerda. Nº 2: Luís Mateus


Olhando para o título do artigo de Luís Mateus, diretor do Maisfutebol, não é necessário ler o seu conteúdo para chegarmos a uma primeira conclusão: é extraordinário como, depois de uma vitória concludente nas eleições mais concorridas na história do Sporting - demonstrativo da vontade de participação dos sócios, que não desmobilizaram perante filas de espera de duas horas -, Luís Mateus só tenha conseguido dar destaque ao que de negativo (pelo menos no seu ponto de vista) se passou.

E isto numa semana em que dois clubes continuam a fazer todas as pressões possíveis sobre o setor da arbitragem, em que também se viu um repórter ser hospitalizado após a queda de parte de uma bancada, num jogo em que adeptos de um dos intervenientes deram uma nova demonstração de falta de civismo, e, ainda, poucos dias depois de um clube ter apresentado 30 milhões de prejuízo após o pior resultado financeiro da sua história.

No entanto, Luís Mateus conseguiu o ponto mais baixo da semana nas eleições do Sporting - dando todo o destaque ao discurso de Bruno de Carvalho, e relegando o resto para notas de rodapé. Por que razão não destacou, pela positiva, tudo o que de bom aconteceu? Não seria suficiente fazer as observações ao discurso de Bruno de Carvalho como nota de rodapé? Assim, apenas lhe dá razão.

Agora, olhando para o artigo propriamente dito, vou colocá-lo mais abaixo, acrescentando os meus comentários:

Link para o artigo de Luís Mateus no MaisFutebol: LINK
A fonte normal está o artigo, acrescentei os meus comentários a negrito e itálico.




O vencedor das eleições do Sporting é decidido pelos associados e nada há a dizer.

Bruno de Carvalho venceu porque a sua mensagem, fosse mais ou menos correcta, chegou aos destinatários, que, convencidos, votaram por larga margem.

Bruno de Carvalho venceu, em primeiro lugar, porque soube merecer a confiança dos sócios sportinguistas pelo trabalho desenvolvido ao longo dos últimos quatro anos. O estado do clube mudou significativamente para melhor em praticamente todas as vertentes: desportiva (ainda que não tenha ganho um campeonato), quer no futebol, quer nas modalidades, financeira, infraestrutras, recuperação da qualidade de trabalho na formação, enorme aumento do número de sócios e recuperação do orgulho no clube, só para mencionar alguns dos méritos. A "mensagem", "mais ou menos correta", foi sobretudo a da obra realizada, e não aquilo que foi dito durante um par de meses de campanha eleitoral. 

Olhando para a vantagem nos votos face à lista derrotada, só se pode concluir que os sócios sportinguistas aprovaram, de forma inequívoca, o trabalho do seu presidente.

A campanha teve, em várias alturas, momentos desagradáveis entre os dois candidatos. Pouco dignos, certamente longe do nível do grande clube que representavam.

O presidente poderá ter conseguido tão larga diferença para um segundo mandato, apesar de os resultados no futebol não serem convincentes, porque a outra mensagem, a concorrente, terá sido a errada. Ou não ter passado para os receptores. Sobre isso, só estes poderão responder.

A larga diferença também se pode explicar pelo facto de os sportinguistas estarem convictos de que Bruno de Carvalho é a pessoa certa para continuar a liderar os destinos do clube. É pena que Luís Mateus não coloque a hipótese de os sócios terem sabido dar a devida proporção de importância à má época de futebol, face a tudo o resto que foi alcançado. Madeira Rodrigues poderia ter captado mais alguns votos se tivesse seguido outra estratégia, evidentemente, mas nunca conseguiria aproximar-se de Bruno de Carvalho. Aliás, foi precisamente por se saber que seria necessário um cataclismo para colocar em causa a reeleição de Bruno de Carvalho, que nenhum candidato mais forte acabou por aparecer.

Podem tentar tirar-se mais algumas conclusões:

A maior parte dos adeptos está longe de acreditar que o projecto-Jesus terminou, mesmo não sabendo concretamente no que este assentará na próxima temporada: formação ou novo investimento fora de portas?

Uma outra é que grande parte dos associados alinha pelo discurso e postura de Bruno de Carvalho nos ataques constantes aos rivais, e na forma de olhar para o futebol, a modalidade que conta praticamente por todas as outras, e para o desporto. Sentirão o clube bem mais vivo do que nos tempos dos antecessores.

Mais uma vez, é extremamente redutor estar-se a resumir a decisão dos sócios no ato eleitoral ao que Jorge Jesus faz ou não faz e aos ataques aos rivais. 

E sim, grande parte dos adeptos alinha pelo discurso e postura do presidente, mas também alinha por outras questões estratégicas - não menos importantes - que Bruno de Carvalho implementou: a libertação do clube da influência abusiva dos fundos e empresários; o aumento da transparência nas contas; a recuperação do desígnio eclético do clube, através da ampliação do número de modalidades, do aumento da competitividade das várias equipas e da construção do pavilhão; a criação da Sporting TV; a concretização da reestruturação financeira; a luta pelas novas tecnologias no futebol; a recuperação dos passes de jogadores; e tantas outras coisas. 

Ao contrário de certos jornalistas da bola, muitos dos sócios do Sporting (falo daqueles que votam) sabem ver para além do momento da equipa de futebol - que sendo indiscutivelmente importante, está longe de ser tudo - e têm memória de qual era o estado do clube, nas mais diversas vertentes, antes de o atual presidente tomar posse.

Haverá mais – uma ainda que terá que ver com o desconhecimento do que realmente poderia valer o outro candidato –, e todas somadas justificam o resultado esmagador.

O dia das eleições acabou por ser o melhor que todos os anteriores. O clube mostrou vitalidade, reagiu com um recorde de participação na votação. Tudo correu dentro da normalidade. Essa foi a sua grande vitória.

Só que num dia em que o Sporting se preparava para somar um triunfo revigorante, foi o seu presidente quem anulou boa parte do efeito, com um discurso inacreditável, demasiado virado para fora quando era momento de olhar para dentro, e com um insulto em jeito de remate final que é um insulto ao próprio clube.

O presidente também tem direito a tirar as suas conclusões do resultado das eleições. E uma das conclusões a que terá chegado é que os sportinguistas deram a devida importância às críticas ininterruptas dirigidas a Bruno de Carvalho desde que foi eleito em 2013. Quinze dias depois de tomar posse já era atacado na comunicação social por estar a fazer um jogo duro com a banca. COM A BANCA! Em negociações fundamentais para a sobrevivência e recuperação do clube!

Mas o presidente também terá concluído que os sócios não deram qualquer importância às escandalosas intervenções que certos comentadores e jornalistas fizeram em plena campanha em favor de Madeira Rodrigues. Convém relembrar que foi uma espécie de vale-tudo: houve quem deturpasse acontecimentos de forma a colocar em causa Bruno de Carvalho, houve quem mentisse descaradamente sobre o estado em que Godinho Lopes deixou o clube, e houve até quem aproveitasse o tempo de antena para apelar ao voto em Madeira Rodrigues. Isto, repito, de comentadores e jornalistas supostamente isentos.

E ainda terá percebido que muitos sócios têm perfeita consciência da falta de coerência existente em grande parte das críticas feitas a Bruno de Carvalho pelos diretores, subdiretores, diretores adjuntos e comentadores "independentes" que ocupam os espaços de opinião na imprensa - que embate violentamente de frente com o silêncio que predomina quando Vieira ou Pinto da Costa fazem exatamente o mesmo ou pior. Daí o mais que oportuno #bardamerda.

Tem sido engraçado constatar, nestes últimos dias, a forma como a carapuça serviu a tanta gente.

terça-feira, 7 de março de 2017

Rescaldo das eleições, série #Bardamerda. Nº 1: José Nunes

A campanha eleitoral para a presidência do Sporting esteve longe de ter o nível que os sócios desejariam, nomeadamente no que diz respeito à prevalência do confronto de ideias sobre questões paralelas que em nada contribuem para o desenvolvimento do clube. Isso, obviamente, condicionou a discussão que existiu à volta de toda a campanha, nomeadamente nas conversas entre sportinguistas, no bate-boca com adeptos rivais, e nos comentários produzidos pelos opinadores espalhados pela Comunicação Social.

Mas se é compreensível que os adeptos dêem as suas sentenças de forma relativamente impulsiva e superficial, o mesmo não seria de esperar de gente que faz disso a sua vida e que - supostamente - é paga para dar opiniões informadas que esclareçam o grande público. Obviamente que não me estou a referir aos Guerras, aos Gomes da Silva, aos Goberns e aos Venturas da vida, que são assumidamente benfiquistas, pagos para "defender" o seu clube. Todos têm a obrigação de saber ao que vêm. Refiro-me, isso sim, aos vários comentadores/jornalistas que, sem retirarem a capa da suposta isenção dos cargos que ocupam, procuraram, mais ou menos descaradamente, influenciar o público em favor de uma das candidaturas.

Obviamente que não fiquei espantado pela falta de tolerância de determinados comentadores/jornalistas para os argumentos e ações de campanha de Bruno de Carvalho - na prática continuaram a fazer o que já fizeram durante todo o mandato do presidente. Por isso, subscrevo inteiramente aquilo que Bruno de Carvalho quis dizer com o #Bardamerda - que foi dirigido precisamente a esta gente, e não aos adeptos rivais em geral.

Tenho vários exemplos de como os jornalistas/comentadores "isentos" trabalharam os assuntos de campanha, qualquer um deles bem merecedores do #Bardamerda com que foram brindados.

Vou começar com a forma como foi tratada a questão de Jorge Jesus ter feito parte da Comissão de Honra de Bruno de Carvalho. 

A minha opinião pessoal é de que era dispensável - por se tratar de um funcionário do Sporting (SAD ou clube não vem aqui para o caso) -, mas concedo que existem argumentos válidos em defesa dessa atitude. Como tal, não achei o caso particularmente grave. E muito menos uma gravidade tal que justificasse a decisão de Madeira Rodrigues em passar a guia de marcha a Jorge Jesus.

No passado sábado, na RTP3 Rui Oliveira e Costa defendia o direito de Jorge Jesus apoiar publicamente Bruno de Carvalho. Veja-se como José Nunes, jornalista da casa, interveio.


Rui Oliveira e Costa esteve muito bem ao trazer o exemplo de Rui Vitória. O facto de Vieira não ter tido oposição não tem qualquer relevância para o caso. Estamos a falar de uma questão de princípio, o que significa que ou se defende que um funcionário NUNCA deve apoiar um candidato, ou se defende que um funcionário pode apoiar um candidato. Não pode haver meios termos nesta questão.

Mas é curioso como o apoio de Rui Vitória, Rui Costa, Shéu ou Nuno Gomes a Vieira - alguns deles no passado, em que houve oposição - nunca foi um tema polémico para a comunicação social. Elucidativo, tal como foram elucidativas as curvas e contracurvas de José Nunes neste tema quando confrontado por Rui Oliveira e Costa.

José Nunes que, sobre uma outra questão relacionada com as eleições do Sporting, já tinha tido um momento menos feliz. Na segunda-feira anterior às eleições, disse isto na Linha Avançada, na Antena 3:


José Nunes falou na gravação da conversa entre Ricciardi e Sikander Sattar, gravada em 2013, mas transformando-a numa conversa entre Ricciardi e Bruno de Carvalho. Uma falta de rigor lamentável que, só por acaso, não era nada favorável para Bruno de Carvalho. São azares da vida.

domingo, 5 de março de 2017

Resumo do discurso de vitória de Bruno de Carvalho

Bruno de Carvalho reeleito presidente com 86,13% dos votos

Com 86,13% dos votos - contra 9,49% do seu opositor -, Bruno de Carvalho teve uma vitória esmagadora na maior participação eleitoral da história do clube. Haverá tempo para fazer análises mais completas, mas para já deixo duas breves observações: 

1. Não há outra interpretação possível: é uma enorme demonstração de confiança dos sportinguistas no trabalho do presidente e na sua direção. A "maioria silenciosa" não passou dos 10%.

2. Os destinos do Sporting são definidos pelos sócios nas eleições, e não pelos desejos da comunicação social e de certos comentadores avençados.

sábado, 4 de março de 2017

Votaram 18.755 sócios

Votação recorde na história do Sporting, que ultrapassa os números de sócios que votaram em 1988. Grande demonstração de vitalidade do clube, e grande demonstração de civismo num processo que decorreu de forma exemplar, apesar das enormes filas.

Cheguei às 17h10 ao estádio, altura em que tirei a fotografia abaixo. À esquerda pode ver-se o fim da fila. À direita pode ver-se a fila após uma volta completa ao estádio - que na realidade correspondia a uma distância superior porque a fila desviava-se do perímetro em determinados locais. 


Demorei cerca de duas horas até votar. Após a acreditação, processou-se tudo de forma muito rápida, tudo muito bem organizado, com indicações claras e várias pessoas a auxiliar. 

O número de eleitores poderia ter superado os 20.000 caso não tivessem havido 1.480 votos por correspondência considerados inválidos por falta de assinatura reconhecida.

Está de parabéns a organização, e está de parabéns o clube e os seus sócios por esta grande demonstração de sportinguismo.

Dia de eleições

Deixo a informação dada aos sócios sobre o processo de votação eletrónico. Resumindo, é preciso levar o cartão de sócio e o cartão de cidadão. A votação decorre no Hall Vip, entre as 9 e as 19h.






sexta-feira, 3 de março de 2017

Era uma vez em março de 2013

Sábado, 23 de março de 2013. De manhã, bem cedo, um sócio sportinguista toma o pequeno almoço enquanto programa o que fará no fim-de-semana. Os seus pensamentos são dominados pela importância que o dia terá para o clube, apesar de, desportivamente, não haver grande coisa por que esperar. O campeonato está parado por causa das seleções. No dia anterior, a seleção nacional tinha empatado 3-3 em Israel e complica as contas do apuramento para o Mundial do Brasil. 

Rui Patrício foi o único jogador do Sporting presente nos 23 convocados por Paulo Bento. Tímida representatividade de um clube que sempre se caracterizou por formar os melhores jogadores portugueses, mas perfeitamente compreensível: o plantel atual está de rastos, acumulando resultados desastrosos. Jesualdo Ferreira (que sucedeu a Vercauteren, que substituiu o provisório Oceano, que pegou na equipa após o despedimento de Sá Pinto) tenta dar a volta à situação, chamando vários miúdos da B para substituir uma série de jogadores caros e acomodados. Ilori e Bruma foram titulares na última jornada, ajudando a derrotar o V. Setúbal por 2-1.  Com esta vitória, o Sporting ascendeu ao 10º lugar da classificação, estando agora a uns confortáveis 9 pontos acima da linha de água. O espectro da despromoção começa, finalmente, a desvanecer-se. Entretanto, 34 pontos à frente do Sporting, o Benfica lidera o campeonato, com o Porto a necessitar de uma escorregadela da equipa de Jorge Jesus para poder ficar dependente de si próprio - mas isso são outros campeonatos...

Voltando ao Sporting: mencionei há pouco Bruma e Ilori, dois jogadores lançados à pressa por Jesualdo no onze, mas que, felizmente, estão a dar-se bem. Não têm propriamente contratos blindados e de longa duração, mas a renovação é um assunto que pode esperar. São miúdos da casa, certamente que lhes agradará a perspetiva de continuarem a evoluir no Sporting, a assinatura no papel deverá ser uma mera formalidade. A aposta nos miúdos é fundamental, se a ideia é valorizar quem possa render, no futuro, muito dinheiro ao clube. É que a esmagadora maioria dos passes dos principais jogadores do plantel sénior já foram vendidos a terceiros: restam 50% do passe de Adrien, 30% de Carrillo, 35% de André Martins, 75% de Cédric, 25% de Rubio, 50% de Elias, 35% de Insua, 35% de Rinaudo, 25% de Rojo, 35% de Van Wolfswinkel, 65% de Rui Patrício, 46% de Arias, 37,5% de Schaars, 32% de Viola, 35% de Labyad, 50% de Miguel Lopes e... 100% de Bouhlarouz. Aliás, nem os passes dos putos da formação escaparam à necessidade de arranjar dinheiro para pagar as contas da água e da luz. Já voaram para outras paragens 52,5% de Chaby, 25% de Ponde, 25% de João Mário, 50% de Tobias Figueiredo, 5% de Betinho, 40% de Wilson Eduardo, 40% de William Carvalho e 40% de Owuso.

Isto explica parte da angústia que o sócio sportinguista sente nessa manhã de março. Há menos de um mês, foram divulgadas as contas referentes ao 1º semestre de 2012/13, com uns assustadores 22 milhões de prejuízo. Tudo indica que o ano deverá terminar com resultados tão desastrosos como os do ano passado, com perdas a rondar os 45 milhões. Ou seja, juntando esta época às duas anteriores, a SAD registará prejuízos acumulados de cerca de 135 milhões. Como é que é possível que, em apenas três anos, se tenha conseguido deixar um clube centenário à beira da insolvência?

Este sócio sportinguista, que gosta de se informar sobre o estado financeiro do clube, não vê como é que se conseguirá sair de uma situação destas. Como se poderá resolver o problema dos credores - que exigem uma revolução na governação da SAD - tendo um plantel desvalorizado e com grande parte dos direitos económicos alienados, e não se podendo contar com grande parte das receitas, que já foram antecipadas para fazer face a dívidas urgentes? Fala-se que a banca pode tomar conta da SAD, o que é um cenário que parece cada vez mais provável. Não que isso importe muito, porque daí a 3 anos vencem as VMOC's emitidas em 2011 por Bettencourt, e aí o clube perderá inevitavelmente a maioria da SAD. Portanto, se não for de uma forma, será de outra. E isto se o clube ainda existir em 2016, porque as conversas que há sobre a preparação de um PER levam a temer o pior.

Entretanto, o sócio saiu de casa e foi comprar o jornal. A capa é, obviamente, centrada nas eleições do Sporting, marcadas para esse dia, disputadas entre Carlos Severino, Bruno de Carvalho e José Couceiro. Mas as eleições podem esperar um pouco: o sócio quer ver primeiro a agenda do fim-de-semana. Vê que o Sporting joga nessa tarde com o Rio Ave em futsal, em Odivelas. Infelizmente, não deve conseguir ir ver o jogo porque tem de levar a mais nova a uma festa de aniversário de uma colega. E, para piorar, não há transmissão televisiva. O jeito que dava que o clube tivesse uma televisão que transmitisse os jogos...

Pouco antes da hora de almoço, o sócio dá um pulo rápido a Alvalade para votar. Enquanto estaciona o carro, olha para o descampado ao lado do estádio e pergunta-se se algum dia voltará a ver jogos num pavilhão próprio. E, já agora, que sonhar não custa, ver um jogo de hóquei, uma modalidade que o clube abandonou, e que tantas alegrias lhe deu quando era criança. 

Pouco depois, na fila para as urnas, ainda está a decidir em quem irá votar. Severino não conta para o totobola, se o sócio quisesse palhaços, então iria ao circo. Couceiro parece-lhe não ter um perfil minimamente apropriado para liderar o clube num momento tão crítico. Sobra Bruno de Carvalho, uma incógnita, que mais parece um miúdo a tentar intrometer-se no mundo dos adultos... mas que pelo menos parece ter fibra e ser apaixonado pelo clube. Enquanto se aproxima da mesa de voto, toma a decisão, mas sem grande convicção. Decide-se pela fibra e pela paixão... são qualidades que, se calhar, fizeram falta aos dirigentes que afundaram o clube.

Avancemos agora quatro anos, até 2017.

O sócio, que tantas dúvidas teve nas eleições de 2013, já sabe há muito em quem vai votar. Considera que assistiu, ao longo do mandato do presidente que ajudou a eleger, a um pequeno milagre. Se lhe tivessem dito que, em quatro anos, o clube passaria de um estado de pré-falência para uma organização lucrativa com excelentes perspetivas de futuro, simplesmente acharia que estavam a gozar com a sua cara. 

Não acreditaria se lhe tivessem dito que iria concretizar-se uma reestruturação financeira que permitiria à SAD reembolsar os empréstimos apenas em função das receitas extraordinárias, que se conseguiria recuperar grande parte dos passes dos jogadores, e que se cortaria em definitivo com os fundos e empresários que ajudaram a sugar a riqueza do clube. Teria ficado cético se lhe dissessem que, quatro anos depois, o clube teria equipas competitivas no futebol, nos escalões de formação, nas modalidades, recuperando o hóquei em patins e o futebol feminino, ou que seria vendidos dois atletas por 70 milhões, sem pagar um cêntimo de comissões.

E muito menos imaginaria ser possível que, quatro anos mais tarde, teria um canal de televisão onde poderia assistir aos jogos das modalidades e da formação de futebol, que haveria uma explosão no número de sócios, e que estaria iminente a inauguração do pavilhão que, há tão pouco tempo, julgava impossível ser erguido.

E que se conseguiria alcançar tudo isto contra tudo e contra todos. Desde cedo , o clube e a direção foram a ser considerado um alvo a abater por praticamente todos os atores do futebol português: dirigentes dos clubes rivais e da federação, comunicação social, empresários e fundos.

Mas se pedissem hoje ao sócio para escolher o principal feito da direção que esteve à frente do clube nestes quatro anos, a resposta não seria o pavilhão, o aumento da competitividade do clube, nem sequer a reestruturação financeira. O principal feito não é palpável nem se pode avaliar em euros. Para este sócio, acima de tudo o resto, está a restauração da auto-estima sportinguista e do orgulho que os sócios e adeptos sentem no seu clube, consequências da visão que o seu presidente tem de recuperar o Grande Sporting, tal como foi idealizado pelos seus fundadores.

Ao contrário de 2013, o sócio não tem dúvidas sobre a sua escolha nas eleições de amanhã: colocará os seus votos na lista de Bruno de Carvalho.

quarta-feira, 1 de março de 2017

O treinador de Madeira Rodrigues

Considerando o facto de que Pedro Madeira Rodrigues é apenas um candidato que defronta um presidente em exercício, acho que Juande Ramos, o treinador encontrado para o acompanhar em caso de vitória nas eleições, é um nome aceitável. Aceitável, mas não mais do que isso: da mesma forma que poderia ter arranjado muito pior (chegou a falar-se em Carlos Queiroz e Manuel José, por exemplo), também poderia ter arranjado muito melhor (Rui Jorge ou Marco Silva seriam ases de trunfo para a sua campanha).

É indiscutível que Juande Ramos tem currículo - mesmo sem ter sido campeão nacional, há muito valor nas vitórias em duas Taças UEFA e uma Supertaça Europeia com o Sevilha -, mas isso não faz com que seja automaticamente uma escolha convincente. Em primeiro lugar, porque já passaram muitos anos desde que o treinador fez algo de relevante na sua carreira: tirando o período em que serviu o Dnipro, tem acumulado despedimentos pelos clubes por onde passou nos últimos dez anos. Depois, porque as suas últimas opções de carreira têm sido típicas de alguém que está mais preocupado em rechear a conta bancária do que com a evolução da sua carreira, o que normalmente é sinal de uma certa acomodação. Por último, é sabido que os treinadores estrangeiros têm, por regra, enormes dificuldades em adaptar-se às particularidades do futebol português - por algum motivo já se passaram dez épocas desde a última vez que o campeonato não foi ganho por um treinador indígena.

Não sendo Juande Ramos um nome óbvio, dificilmente terá sido a primeira escolha de Madeira Rodrigues. Inicialmente, Madeira Rodrigues referiu a existência de três nomes possíveis. Creio que confirmou que um era argentino - ao que tudo indicava, Bielsa - e que outro era português. Mais tarde, uma fonte da candidatura referiu aos jornais que o treinador escolhido era britânico. Para além disso, estando neste momento sem emprego, por que razão será Boloni a pegar na equipa no dia 5 de março em caso de vitória da lista A? Ou seja, todas as curvas e contracurvas no discurso do candidato sobre o seu perfil de treinador indicam que o espanhol foi a escolha possível. Ora, será preciso um pequeno milagre para que o Sporting conquiste o campeonato apenas com uma escolha possível. Em Portugal, não se fazendo parte do círculo do poder, as coisas não funcionam assim.

O grande erro de Madeira Rodrigues na campanha foi ter "despedido" Jorge Jesus após o anúncio público do seu apoio a Bruno de Carvalho através da Comissão de Honra. Não só se meteu na trapalhada de querer convencer os sportinguistas de que esse despedimento não teria quaisquer custos para o clube - primeiro Jorge Jesus saíria pelo próprio pé, depois arranjar-se-ia uma solução legal para resolver o problema, e no fim seria Bruno de Carvalho a pagar -, como também o forçou ao trabalho adicional de arranjar um treinador em plena campanha. As hipóteses que tinha já eram reduzidas à partida, mas é bem provável que, com isto, tenha deitado tudo a perder.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Desespero

Foto: Diana Quintela / Global Imagens
Não consigo encontrar outra explicação para a figura ridícula que Pedro Madeira Rodrigues fez ontem. Anunciou durante a tarde que iria apresentar o seu treinador às 22h. Pouco depois das 22h, sem ter iniciado a apresentação, adiou para as 22h30 para dar tempo aos jornalistas, chamados de urgência, para chegarem. Tudo isto, e no final, não há treinador para apresentar: o motivo da conferência de imprensa é, afinal, um vídeo que começou ontem a circular no Youtube em que Ricciardi e Sikander falam sobre o estado caótico do Sporting. O problema é que, ao que tudo indica, o vídeo é... de 2013, anterior às eleições em que Bruno de Carvalho derrotou José Couceiro e Carlos Severino. Nada naquela conversa encaixa com a situação atual do Sporting.

Após a declaração de Madeira Rodrigues, a primeira pergunta de um jornalista foi sobre se tinha certezas sobre a autenticidade e data do vídeo apresentado. A resposta de Madeira Rodrigues foi: "não sei". Brilhante.

E assim se passou mais um dia sem que Madeira Rodrigues apresente o seu treinador - e começa a ser demasiado evidente que não há nenhum treinador para apresentar. Os jornalistas presentes ontem na conferência de imprensa fingiram não reparar nisso e não questionaram o candidato sobre o nome que tem (ou não) na manga. Os sportinguistas continuam à espera, no entanto.

P.S.: começo a acreditar em como talvez seja anunciado um treinador bombástico na noite de sexta-feira, suficientemente em cima da hora das eleições para fazer as capas de sábado sem que o visado tenha tempo útil para desmentir que tenha chegado a acordo com o candidato...

P.S.2: já depois de ter acabado de escrever este post, José Maria Ricciardi confirmou o óbvio: o vídeo é de 2013.

Fonte: Record

P.S. 3: a bem da verdade, convém desmentir a informação errada dada por José Manuel Freitas ontem na CMTV, e que também aparece em blogues ligados a outros clubes: em 2013, Adrien já ganhava mais de 2 milhões brutos anuais, fruto da renovação de contrato que assinou com Godinho Lopes em setembro de 2012, depois de regressar do empréstimo da Académica. O agora capitão estava a entrar no último ano de contrato e falava-se no interesse dos rivais. Verdade seja dita: em 2013, Adrien ainda não tinha feito o suficiente para justificar auferir valores deste nível, conforme se refere no tal vídeo... de 2013. Em 2017, ninguém dá por mal empregue o dinheiro que se paga ao jogador.



sábado, 25 de fevereiro de 2017

A opinião de Daniel Oliveira sobre o debate

Vale a pena ler o artigo de opinião de Daniel Oliveira, publicado ontem no Record, sobre o debate de quinta-feira. Daniel Oliveira já declarou publicamente que apoia Bruno de Carvalho, mas não é por isso que deixa de apontar aquilo que acha merecedor de crítica no trabalho do presidente. Subscrevo por inteiro o texto que podem ver de seguida.


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O plano de Madeira Rodrigues para o fosso de Alvalade


Perante esta explicação do candidato para a obra low cost que tenciona levar a cabo, suponho que só dê para uma solução deste género...

(via @RogerioCasanova)

O candidato dos inimigos do Sporting

Já deu para perceber em quem votariam os inimigos do Sporting caso fossem sócios com quotas em dia. Basta uma passagem rápida diária pelas redes sociais ou pela imprensa desportiva para perceber ao que cada anda uma das principais forças do futebol português. No caso da comunicação social, é perfeitamente claro que existem determinadas publicações que estão empenhadas em dar a Madeira Rodrigues todo o impulso eleitoral que estiver dentro das suas possibilidades. Não que seja apreço pelo candidato em si, mas pela vontade imensa que sempre demonstraram em ver Bruno de Carvalho sair da presidência do Sporting.

O Jogo, publicação que procura rebaixar o Sporting, os seus jogadores e dirigentes numa base diária - nem que para isso tenham que inventar descaradamente (LINK) ou contar apenas uma parte da história, deixando de fora aquilo que não lhes convém (LINK) -, tem funcionado como uma espécie de publicação oficiosa da campanha de Madeira Rodrigues, dando espaço de opinião regular aos maiores detratores de Bruno de Carvalho, como Rui Barreiro. Recentemente também obtiveram a colaboração de João Benedito, mas o investimento acabou por não surtir grande efeito porque o ex-jogador do Sporting não se candidatou à presidência nem atacou Bruno de Carvalho como os responsáveis pelo jornal estariam a prever.

Particularmente empenhada em dar um empurrão forte a Madeira Rodrigues está também A Bola, um jornal que, ao longo da última década, tem tido como missão principal a exaltação do vieirismo. Os diretores do jornal A Bola acordam e deitam-se a pensar qual será a melhor forma de promover os interesses de Vieira, do Benfica, de Mendes, de Mendes, do Benfica e de Vieira. Tudo o resto é acessório.

Não há sportinguista atento que não repudie a falta de isenção destes dois jornais. Cada um defende o seu clube, ambos atacam o Sporting sempre que têm oportunidade para isso. E os responsáveis de ambos os jornais têm sido ferozes opositores de Bruno de Carvalho, revelando, gradualmente, uma fúria superior à medida que o clube ia recuperando a competitividade das suas equipas.

Não espanta, portanto, que ambos os jornais tenham tido uma visão completamente madeirista de como o debate de ontem decorreu:


Mas verdadeiramente surreal é a opinião de José Manuel Delgado, diretor-adjunto de A Bola, no seu editorial de hoje.


É impressionante como é que um jornalista, supostamente experiente, e que deveria querer que o levassem a sério, é capaz de dizer, no mesmo artigo, que Madeira Rodrigues "foi claríssimo em relação ao futuro de Jorge Jesus" e que tem "um projeto sem tentações populistas e dogmáticas".

Ora, um candidato que diz que despedirá Jorge Jesus sem lhe pagar um tostão, um candidato que diz que vai fazer obras no estádio - desejadas por todos os sportinguistas - com um orçamento totalmente irrealista, que diz que vai ter um centro de estágios no norte e um Yacht Club à custa de autarquias, que diz que vai pôr o clube a ganhar em tudo - quer ao nível do futebol, quer ao nível das modalidades - sem apresentar uma ideia nova que seja, que promete que não se recandidatará caso não seja campeão, que se vende permanentemente como anti-benfiquista mas que usa e a abusa dos chavões mais lampiões que existem, não está a seguir um caminho demagógico e populista?

Por outro lado, Delgado diz que Bruno de Carvalho é que foi o populista há quatro anos por basear "o discurso em promessas de um mundo melhor". Não devia aplicar o mesmo critério a Madeira Rodrigues?

Enfim, já todos perceberam que muita comunicação social está a dar o tudo por tudo para tirar Bruno de Carvalho da presidência do Sporting. Não é propriamente o papel que deviam desempenhar, mas não espanta face à ausência de credibilidade que já tinham. Madeira Rodrigues parece estar a apreciar todo este apoio, mas devia lembrar-se que ao deixar-se ir nestas alianças - por pontuais que sejam - pode acabar por ser visto como o candidato dos inimigos do Sporting. Aliás, na linha do apoio massivo dos benfiquistas e portistas que também recolhe. São opções que poderão ter consequências indesejadas junto dos sportinguistas mais atentos - não só na campanha, mas também se, eventualmente, conseguir ser eleito presidente.

Balanço do debate de ontem


O debate presidencial de ontem foi um momento importante do processo eleitoral porque deu a oportunidade aos candidatos de fazerem o sempre necessário e desejável contraditório mútuo - ao trabalho realizado do presidente em exercício e às propostas apresentadas pelo candidato que pretende assumir esse cargo. Mas a verdade é que, no cenário atual, com duas candidaturas de natureza tão oposta, duvido que existisse um grande número de indecisos que pudesse definir o seu sentido de voto em função da prestação dos dois protagonistas no debate, salvo na eventualidade de surgir alguma revelação bombástica. Como tal coisa não sucedeu, e independentemente da qualidade (ou falta dela) da prestação de cada um dos candidatos, não me parece que o debate de ontem venha a ter um impacto minimamente significativo no desfecho das eleições.

De qualquer forma, parece-me útil fazer um balanço do que como correu o confronto entre os dois candidatos. Não vale a pena estar a dizer quem, na minha opinião, saiu "vencedor" do debate, porque já se sabe que, nestas coisas, cada cabeça, sua sentença: os apoiantes de Madeira Rodrigues, os adeptos de clubes rivais e comentadores como Bruno Prata e Carlos Janela acharão que este "ganhou de goleada"; os apoiantes de Bruno de Carvalho dirão que o atual presidente venceu por falta de ideias do seu opositor. Prefiro, por isso, focar-me apenas nos momentos do debate que, enquanto sócio atento que irá votar no dia 4, me pareceram mais relevantes.

Os dois candidatos optaram por seguir estratégias diferentes: Bruno de Carvalho procurou mostrar as virtudes do trabalho que desenvolveu ao longo dos últimos quatro anos, enquanto Pedro Madeira Rodrigues jogou mais ao ataque. Em alguns casos, Madeira Rodrigues excedeu-se nesses ataques, entrando em considerações da vida pessoal e profissional de Bruno de Carvalho que nada têm a ver com a sua presidência. Não sei se a ideia seria tentar conseguir reações mais a quente de Bruno de Carvalho, mas o presidente manteve-se bastante calmo - aliás, mais calmo do que seria de esperar. Mas, na generalidade do debate, o tom do discurso de ambos os candidatos manteve-se dentro dos limites desejáveis.

Como é normal nestas circunstâncias, Madeira Rodrigues tentou tocar nos pontos mais sensíveis da presidência de Bruno de Carvalho, como a questão das assistências mais recentes, a estratégia de comunicação, a participação de Costa Aguiar em alguns negócios ou a contratação de Bruno Paulista, mas nem sempre concretizou as acusações, acabando por se ficar apenas pelas insinuações.

Bruno de Carvalho procurou dirigir a conversa para temas que lhe eram mais favoráveis, como os resultados financeiros, a evolução das receitas e a redução do volume de comissões pagas a agentes e intermediários. Obviamente que também contra-atacou sempre que teve oportunidade, nomeadamente procurando rebater algumas das promessas eleitorais do adversário. E foi aqui que, na minha opinião, Madeira Rodrigues esteve pior:
  • Obras no estádio: Madeira Rodrigues insistiu em como as obras (cobertura do fosso, substituição das cadeiras, painéis eletrónicos e safe-standing) iriam custar apenas 1,5 milhões. De novo, apenas a revelação que a parte da cobertura do fosso está orçamentada em 600.000 euros. Bruno de Carvalho contrapôs, apresentando um estudo em como obras estruturalmente bem feitas (com rebaixamento do relvado e construção das novas bancadas em betão) custariam 10 milhões. Perante isto, Madeira Rodrigues respondeu com: "Temos uma maneira de as pessoas que estão no fosso conseguirem ver". Imagina-se a qualidade da obra que tem planeada. Para além de que sobram 900.000 euros para trocar 50.000 cadeiras, ou seja, o orçamento por cadeira (remoção, material, transporte, instalação e margem do empreiteiro) não pode ultrapassar os 18 euros por lugar...
  • O centro náutico afinal, segundo Madeira Rodrigues, era "uma piada", e que não iria custar nada ao Sporting - os custos ficariam todos a cargo da Câmara de Lisboa.
  • O centro de estágios do norte também não iria custar nada, e seria conseguido através de um protocolo com um município que não especificou.
  • Voltou a insistir que a saída de Jorge Jesus seria "limpinha, limpinha", sem custos para o Sporting.

Portanto, segundo Madeira Rodrigues, será tudo de borla ou quase dado, o que é uma demonstração quase juvenil de wishful thinking. Aliás, pareceu muito mal informado em relação às contas do clube, responsabilizando as pessoas erradas pelo descalabro a que se assistiu, e mal preparado quando o assunto era sobre VMOC's, dívida à Doyen ou o equilíbrio entre custos e receitas.

Para além disto,  criticou a negociação que Bruno de Carvalho fez com a NOS, pois, na sua visão, o Sporting deveria conseguir contratos superiores aos de Benfica e Porto porque "os sportinguistas têm condições financeiras ligeiramente acima dos rivais". Isto é ridículo, e é reveladora de uma visão elitista completamente desajustada à realidade atual do clube.

Defendeu ainda o recurso aos fundos para adquirir melhores jogadores. Madeira Rodrigues parece não ter percebido que este foi um dos motivos que aproximou o Sporting da falência - para além do facto de a partilha de passes ser agora proibida pela FIFA.

Em relação ao seu treinador, não dá para perceber qual é o ponto em que está esse dossier. No debate disse que ainda não o apresentou para não desestabilizar a equipa, mas, no final, em conversa com jornalistas, disse que a próxima semana servirá, entre outras coisas, para fechar a questão do treinador. Mas afinal tem ou não tem treinador?

Resumindo, um debate em que Madeira Rodrigues acabou por ser o protagonista, não só por ter jogado mais ao ataque, mas também por revelar bastante impreparação na defesa do seu próprio programa e nos assuntos financeiros.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O debate

O debate entre os dois candidatos à presidência do Sporting terá início às 21h e será transmitido na Sporting TV. Como é evidente, a partir do momento em que o clube tem o seu canal, não faria qualquer sentido que o único debate da campanha fosse transmitido por outro canal qualquer. Rui Miguel Mendonça é um jornalista de profissionalismo reconhecido e saberá, naturalmente, moderar o debate de forma isenta e dar oportunidades iguais aos candidatos de exporem as suas ideias e contraporem as dos rivais.

O formato será o seguinte (retirado do Record de ontem):


Os nomes de Madeira Rodrigues para o futebol

Pedro Madeira Rodrigues apresentou ontem parte da sua equipa para o futebol. Ainda não revelou quem será o seu treinador caso vença as eleições, mas revelou três nomes: Lazlo Boloni será o coordenador de todo o futebol e assumirá o papel de treinador interino até ao final da época. Delfim será o Team Manager, responsável pelo acompanhamento logístico da equipa. Ricardo Pina Cabral será o responsável pelas contratações. Madeira Rodrigues referiu também que apresentará o treinador para a próxima época apenas após o jogo com o Estoril.

Fica aqui a conferência de imprensa de Pedro Madeira Rodrigues para quem não teve oportunidade de ver.


Admito que o anúncio de Boloni como coordenador do futebol me apanhou de surpresa. Na minha opinião, pode ser um nome eleitoralmente forte, capaz de cativar alguns sócios: falamos do último treinador que foi campeão pelo Sporting, um cavalheiro que sempre teve um discurso positivo nas ocasiões em que falou do clube, pelo que não haverá nenhum sportinguista que não simpatize com ele.

No entanto, não estou convencido de que seja a pessoa certa para o lugar. Não é por acaso que fui apanhado de surpresa: nunca imaginei que Boloni seria convidado porque a sua carreira não voltou a ter nenhum momento digno de registo após ter sido campeão em Portugal - e falamos de algo que já aconteceu há quase 15 anos. Nas últimas três épocas, Boloni tem estado a treinar um clube do Qatar, após passagens discretas por França, Bélgica, Grécia e Emiratos Árabes Unidos. E convém acrescentar que Boloni não tem experiência na função para que foi convidado por Madeira Rodrigues.

Para além disso, é pouco provável que Boloni tenha sido a primeira escolha do candidato. Em entrevista à CMTV, pouco depois de ter sido apresentado por Madeira Rodrigues, Boloni disse ter sido convidado às 13h30 de ontem. Seria de esperar que a primeira escolha (e segunda, ou mesmo terceira) de Madeira Rodrigues tivesse sido contactada há bastante mais tempo.

Quanto a Delfim, não tenho opinião positiva nem negativa. É um antigo jogador do clube, campeão em 1999/00, convidado para funções semelhantes às que Manolo Vidal tinha, segundo Madeira Rodrigues. Manolo Vidal era uma pessoa muito perspicaz que se mexia bem nos bastidores. Terá Delfim as mesmas valências, considerando que está afastado do futebol profissional desde que se retirou dos relvados há sete anos? Não posso ter certezas sem o ver em ação, mas as dúvidas são legítimas. Eleitoralmente, pouco ou nada acrescentará à candidatura de Madeira Rodrigues.

Quanto a Ricardo Pina Cabral, é o advogado que acompanhou recentemente Madeira Rodrigues ao Kuwait. É alguém próximo do empresário Carlos Gonçalves (Proeleven) e de Marco Silva. Por aqui não há surpresas.


A semana e meia das eleições, Madeira Rodrigues ainda tem de puxar do seu ás de trunfo. Boloni poderá cativar os mais desencantados com Jesus - um é a antítese do outro -, mas não é suficiente para inclinar as eleições a seu favor. Falta o treinador, que precisará de ser um nome indiscutivelmente forte para fazer a diferença. Não compreendo a estratégia de Madeira Rodrigues em adiar o anúncio - assumindo que fala verdade quando diz que já tem o acordo fechado. Se fosse eu o candidato e o meu treinador fosse efetivamente uma bomba, não perderia tempo a apresentá-lo e a colocá-lo a falar tantas vezes quanto possível sobre as ideias que tinha para a equipa. Vamos ver o que os próximos dias nos reservam.