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terça-feira, 29 de maio de 2018

Balanço de 2017/18: Médios



William Carvalho: **          
2016/17: **
2015/16: **
2014/15: **     
2013/14: ***

Mais uma época exibicionalmente irregular que, é justo que se diga, foi afetada pelas várias lesões que teve de enfrentar e pelo sistema de jogo de Jesus, que não favorece um médio com as suas características. Voltou a estar abaixo das expectativas, o que nos deveria levar a concluir que talvez sejam as expectativas que são demasiado elevadas. Não que o valor não esteja lá - é perfeitamente visível a diferença de um Sporting quando tem um William ao melhor nível -, mas já se percebeu que existem outros fatores que fazem com que não se consiga extrair tudo o que William pode dar. 


Adrien Silva: **          
2016/17: **
2015/16: ***
2014/15: **     
2013/14: ***

Na realidade não fez parte do plantel, mas coloco-o aqui porque acabou por somar mais minutos do que jogadores como Palhinha, Misic, Mattheus ou Wendel. Já estava com a cabeça noutras paragens, mas não há nada a apontar a Adrien pelo que fez enquanto ainda foi a jogo pelo Sporting.


Rodrigo Battaglia: **

Foi o jogador que participou em mais partidas de todo o plantel (57 jogos) o que, por si só, reflete a importância que teve ao longo da época mesmo não sendo um indiscutível. Battaglia é um poço de força e voluntarismo - qualidades que sabe dosear bem, o que pode ser atestado pelos apenas 9 amarelos que viu em todas as competições -, ainda que nem sempre consiga dar à equipa tudo aquilo que é necessário num 8. Curiosamente ou talvez não, o melhor período que teve foi quando jogou mais recuado, com Bryan Ruiz à sua frente no miolo. Espero que consiga ultrapassar as questões que o envolveram no triste episódio de Alcochete, pois é um jogador que poderá desempenhar um papel ainda mais importante na próxima época.


Bruno Fernandes: ***          

Contratação do ano e estrela da equipa. Teve um impacto imediato na qualidade de jogo do Sporting, em parte beneficiado por praticamente não ter tido férias e iniciado a época com mais ritmo do que a generalidade dos jogadores, mas a sua influência manteve-se elevada praticamente ao longo de toda a época. Quebrou um pouco no final por ter sido fisicamente mal gerido por Jesus - que não só não o poupou em muitas situações que assim o justificava, como também pelos papéis que lhe atribuiu em campo. Ainda assim, foi uma época brilhante: a folha estatística é impressionante (16 golos e 20 assistências) e foi recheada de muitos momentos que fazem levantar qualquer estádio. Não só é para manter para o ano: é a peça central à volta da qual a equipa tem de ser construida, e tem um perfil adequado que justifica que lhe seja atribuída a braçadeira de capitão.


Bruno César: **
2016/17: **
2015/16: **

Mais uma vez foi um jogador extremamente útil pela sua polivalência. Importante na primeira metade da época - e em particular nos jogos de maior exigência, brilhando na Liga dos Campeões -, foi perdendo espaço a partir de dezembro até ter contraído uma lesão que lhe acabou com a épca em março.


Bryan Ruiz: **          
2016/17: *
2015/16: ***

Afastado do grupo de trabalho durante a primeira metade da época, foi reintegrado progressivamente a partir de novembro até assumir um papel principal em fevereiro. As pernas frescas valeram-lhe boas prestações na posição 8, ainda que não seja um jogador talhado para funções tão exigentes fisicamente. Acabou o contrato e deverá continuar a carreira noutras paragens. Ainda que tenha ficado marcado por aquele falhanço e esgotado a paciência de muitos adeptos pela sobreutilização que Jesus lhe deu - em particular em 2016/17 -, é um jogador que, pelo menos a mim, deixará saudades pela classe que demonstrou ter, quer dentro quer fora de campo.



Alan Ruiz: *
2016/17: *

Tinha esperanças que conseguisse retomar a boa forma que demonstrou em parte da 2ª volta de 2016/17. Ao contrário da sua primeira época, chegou em boas condições físicas à pré-época e pensei que pudesse aproveitar esse balanço e a melhor adaptação ao clube para conseguir demonstrar as suas qualidades. O problema é que... não conseguiu, muito longe disso, e não foi por falta de oportunidades. Lento a decidir com a bola nos pés e defende só quando lhe apetece, o que faz com que seja um jogador perfeitamente inútil em campo. Esgotou a paciência dos adeptos e acabaria, também, por esgotar a paciência da única pessoa que ainda acreditava nele: o treinador. Um flop completo que poderá estar de volta em dezembro de 2018.


Mattheus Oliveira: *

Mattheus foi uma contratação que levantou alguma polémica. Nada nas suas características gerava confiança nas suas possibilidades de afirmação num clube como o Sporting - ainda mais num sistema de jogo como o de Jesus. Dos poucos minutos de competição que teve, a maior parte foi contra equipas de escalões inferiores... e nem aí conseguiu demonstrar capacidade que justificasse minutos em desafios mais exigentes. Um erro de casting previsível, pelo que não surpreendeu o empréstimo ao V. Guimarães em janeiro.


João Palhinha: -

Teve uma utilização demasiado esporádica para poder demonstrar o que pode fazer. Verdade seja dita que havia muita concorrência para a sua posição (William, Battaglia, Petrovic), mas acabou por ser um ano perdido. Mais valia ter sido emprestado.



Radosav Petrovic: *
2016/17: -

Mais uma época com poucos minutos. As oportunidades que teve como médio defensivo nunca foram aproveitadas, e acabaria por ser como defesa central que teve os seus melhores jogos. Há que dizer que a sorte também nunca o protegeu - como esquecer a sua absurda expulsão contra o Moreirense que viria a ser despenalizada pelo CD? -, mas está mais que visto que não tem valor para continuar por cá.


Wendel: -

É incompreensível que Jesus lhe tenha dado tão pouco tempo de jogo, considerando o esforço que a direção fez na sua contratação. E não se pode dizer que fosse um capricho da direção, porque, efetivamente, foi visível ao longo da época que precisávamos de um médio mais capaz nas tarefas de transporte de bola. Do pouco que se viu, Wendel tem essas competências que, por mesquinhez ou teimosia - o treinador não quis aproveitar.


Misic: -

Diz quem o conhece que é um médio centro posicional com boa capacidade de passe e especialista nas bolas paradas. Quem não o conhece não teve oportunidade de comprovar nada disto, face à escassez de utilização. Pior: quem conseguir entender por que razão Jesus o colocou a médio ala na final da Taça, que me explique.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Depois das contratações, as saídas

Com as contratações de Rúben Ribeiro, Misic, Wendel e Montero, era expectável que o Sporting começasse a procurar colocações para jogadores com pouca ou nenhuma hipótese de terem tempo de jogo no que resta da época em curso.

À hora em que escrevo este texto, ainda só houve confirmação oficial em relação a um dos casos, mas os rumores - e certos posts de jogadores ou fotografias colocados nas redes sociais - levam a entender que há alguns atletas muito perto da saída.


Iuri Medeiros

Dos jogadores considerados dispensáveis, Iuri é aquele que mais me custa ver sair. O seu imenso talento está à vista de todos, mas isso nem sempre é suficiente para se conseguir impor numa equipa - nomeadamente quando a concorrência é grande - como o Sporting. Não posso dizer que as suas prestações me tenham desiludido - com exceção da forma como entrou em Moreira de Cónegos -, porque nunca foi aposta com a continuidade que precisaria para ser verdadeiramente útil à equipa. O seu destino pareceu ficar traçado com as críticas que Jesus lhe fez sobre um nível de aplicação nos treinos inferior ao exigível. Nem eu nem ninguém poderá avaliar a justiça desta dispensa, pois é algo que somente poderá ser avaliado por quem acompanha diariamente o grupo de trabalho.

Iuri vai para o Génova por empréstimo, com cláusula de compra que, segundo o que tem sido noticiado, rondará os 10 milhões de euros. Um negócio bastante razoável para o Sporting, considerando o rendimento que tem tido, mas que se arrisca a saber a pouco caso Iuri consiga afirmar toda a sua magia em Itália.

Boa sorte, Iuri!


Alan Ruiz

Segundo as últimas notícias, Alan Ruiz será emprestado ao Colón com uma cláusula de opção de compra de 7 milhões de euros.

Um empréstimo a um clube argentino - ou sul-americano - raramente ou nunca se traduz noutra coisa que não seja uma desvalorização adicional do atleta. Como tal, não me parece que esta seja uma boa opção para o Sporting do ponto de vista financeiro, apesar de se deixar de pagar o salário e o clube se ver livre, por agora, de um jogador problemático.

Tendo sido uma das contratações mais caras do Sporting na época anterior, as expectativas para o rendimento de Alan Ruiz eram grandes. No entanto, a inqualificável forma física com que chegou foi um péssimo prenúncio para o que aí viria. Apesar de nunca lhe terem faltado oportunidades para jogar, Alan Ruiz tardou a ser minimamente útil à equipa. Realizou uma boa 2ª volta, que seria interrompido por uma lesão em Braga que lhe acabaria com a época. Esperava-se que, na nova época, Alan Ruiz desse continuidade a essas boas exibições, mas nunca conseguiu dar nada à equipa - e não foi por falta de oportunidades.

Apesar de ter sido (demasiado) bem tratado pelo treinador e pelo clube, o comportamento fora das quatro linhas deixou muito a desejar. Por tudo isto, resta-me desejar-lhe boa viagem de volta para a Argentina e que arranje forma de ficar por lá em definitivo. Ah, e que não se esqueça de levar o irmão com ele.


Mattheus Oliveira

O Sporting anunciou o empréstimo ao V. Guimarães no final da tarde de ontem. Um desfecho expectável de um jogador cuja contratação nunca pareceu fazer grande sentido. Mattheus teve poucas oportunidades, é certo, mas isso é mais reflexo de possuir características que dificilmente encaixariam nas exigências que Jesus tem para os seus médios. A pergunta que se colocava na altura da sua vinda e que se continua a colocar agora é: era mesmo necessário contratar Mattheus?

O empréstimo ao V. Guimarães é uma boa oportunidade para puxar pelo jogador, pois colocá-lo-á num patamar de exigência mais adequado ao seu valor atual - maior que no Estoril, inferior ao que encontrou no Sporting.


Outros casos para resolver

Jogadores que, na minha opinião, não têm espaço no plantel atual - seja por haver demasiada concorrência, seja por não terem nível suficiente para serem opções fiáveis, seja por serem opções demasiado caras para a utilização que se antevê: Petrovic, Douglas, Jonathan Silva e Bryan Ruiz.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Balanço de 2016/17: Avançados





Bas Dost: *** 


Quando soube que o Sporting estava interessado em Bas Dost, não tive quaisquer dúvidas de que iria ser uma mais-valia para o ataque da equipa. No entanto, nunca pensei que o holandês tivesse um impacto tão grande e tão imediato numa equipa que estava habituada a jogar para Slimani, um ponta-de-lança de características muito diferentes. Dost entrou na equipa e começou de imediato a marcar, revelando uma capacidade de finalização mortífera: a cada duas oportunidades, marca uma. Mas a importância de Dost não se limita aos golos que marca. Se no início parecia um corpo estranho nos momentos em que a bola estava longe da baliza adversária, aos poucos e poucos foi-se tornando um jogador muito útil noutros aspetos do jogo: duelos aéreos para disputa da primeira bola após pontapés de baliza, distribuição de jogo ao primeiro toque muito eficaz pelo chão, e até a defender - no último terço de época passou a ser muito mais frequente vê-lo a perseguir adversários com bola. Até do ponto de vista físico surpreendeu, pois no Wolfsburg era frequentemente substituído por volta dos 60, 70 minutos. Dost vinha com a complicadíssima missão de substituir Slimani - um dos jogadores mais queridos dos adeptos nos últimos anos - e o melhor que se pode dizer é que não tardou muito para nos deixar com a certeza de que não ficámos a perder com a troca. Pelo contrário.



André: *


O melhor que se pode dizer da época de André é que não se confirmou a fama de mau profissional com que vinha do Brasil. Em termos de esforço e aplicação, não há nada a apontar. O problema foi o resto, o rendimento propriamente dito, nomeadamente no momento da finalização. O brasileiro tem toque de bola - no seu jogo de estreia, contra o Moreirense, numa das primeiras vezes que teve o esférico nos pés fez um passe fenomenal a deixar Markovic na cara do guarda-redes -, mas foi um desastre constante no momento de meter a bola na baliza, proporcionando-nos frequentes momentos de desespero e enormes amargos de boca. Do mal o menos, deu para recuperar o investimento feito.



Luc Castaignos: *

Chegou no fecho do mercado e rapidamente se percebeu que iria ser a 2ª alternativa a Dost, atrás de André, tardando a ter oportunidade para jogar. Estreou-se apenas no final de outubro e teve uma utilização relativamente regular em novembro e dezembro, mas nunca conseguiu justificar as apostas dadas por Jesus. Zero golos marcados, pouco futebol demonstrado, não tem qualquer espaço para permanecer na próxima época. Veremos até que ponto se conseguirá recuperar os 2,5 milhões que se investiu em 80% do passe.



Alan Ruiz: *

Tendo sido uma das primeiras contratações da época, Alan Ruiz não poderia ter começado de pior forma: chegou à pré-época numa forma física deplorável. Ainda assim, foi dos poucos jogadores que demonstrou alguma qualidade nos primeiros jogos amigáveis e acabou por ser aposta consistente de Jorge Jesus nos dois meses iniciais de competição oficial, jogando como segundo avançado, muito encostado ao ponta-de-lança. Esse adiantamento no terreno não o favoreceu, como ficou bem demonstrado pelas paupérrimas exibições, e acabou por perder a titularidade. Regressou ao onze no início da 2ª volta, e aí já conseguiu mostrar algumas das qualidades que terão levado Jorge Jesus a recomendar a sua contratação: um remate fácil e potente, boa visão de jogo e muita técnica. O problema é o resto: fraca apetência para ajudar a equipa defensivamente e pouca intensidade quando a pressão adversária é grande. Olhando para o panorama geral - expectativas perante o investimento feito, a má forma física com que chegou, a incapacidade de aproveitar as oportunidades na 1ª volta, e um jogador influente em parte da 2ª volta - o balanço não pode ser positivo. Se conseguir corrigir um pouco os problemas referidos, poderá ser, efetivamente, um jogador muito útil na próxima época. 



Daniel Podence: **

Deu nas vistas na pré-época, mas acabou por ser emprestado por estar tapado pelas muitas contratações feitas no defeso. Podence esteve em excelente plano no Moreirense, e acabou por ser chamado de volta no final de janeiro. Jogador muito trabalhador, raçudo e intenso, aproveitou muito bem as oportunidades dadas por Jesus, quer como segundo avançado, quer como extremo esquerdo. Tem lugar garantido no plantel da próxima época. 



Gelson Martins: ***     
2015/16: ** 

Apesar de ter sido utilizado de forma consistente na época passada, acabou por ser a grande revelação de 2016/17. O impacto que teve na equipa foi tremendo. Desequilibrador nato, impressiona a facilidade com que consegue criar espaços. Mesmo não sendo forte no momento da decisão, foi o jogador com mais assistências do campeonato - imagine-se aquilo de que será capaz se conseguir ter mais frieza no momento de fazer o último passe. Apesar da sua importância na manobra ofensiva da equipa, nunca deixa de ajudar o seu lateral. Grande, grande época.


Matheus Pereira: -     
2015/16: *

Completamente esquecido nos primeiros seis meses da época, foi utilizado apenas contra o Praiense (como titular) e contra o Arouca, para a Taça da Liga (como suplente). No final de janeiro, entrou aos 89' contra o Paços de Ferreira e, na jornada seguinte, foi titular... no Dragão. O jogo não lhe correu bem - estranho seria se corresse - e voltou a desaparecer das opções de Jesus mais um mês. Depois foi titular contra o Tondela - onde jogou muito bem - e contra o Nacional. Voltou a sair da equipa, para regressar nas três jornadas finais. É impossível que um jogador jovem possa responder bem perante uma utilização tão irregular e errática. Sendo um dos jogadores com maior potencial da nossa formação, não merecia a gestão que Jesus fez da sua utilização. 



Joel Campbell: *


Foi, para mim, uma das desilusões da época, mas não tenho a certeza que a responsabilidade seja apenas de Campbell. Sendo um jogador sempre pronto a procurar a desmarcação e com boa capacidade de finalização, parecia talhado para a função de segundo avançado. No entanto, Jesus decidiu colocá-lo quase sempre encostado à esquerda, onde acabaram por sobressair, sobretudo, os seus defeitos. Depois de todos os objetivos perdidos, saiu das opções da equipa por uma questão de gestão (lógica) de plantel: não fazia sentido apostar-se num jogador emprestado cuja saída era um dado adquirido.



Lazar Markovic: *


Um erro de casting. Era, à partida, uma contratação de risco: jogador talhado sobretudo para jogar em contra-ataque, e que pouca ou nenhuma utilização teve desde que abandonou Portugal - devido, sobretudo, a lesões sucessivas. Rapidamente passou a ser um dos alvos das bancadas por causa da sua insistência em jogar sozinho e pela ausência de trabalho defensivo - entrando-se aí num círculo vicioso de pressão externa e interna que levou a que o jogador caísse cada vez mais de rendimento. Foi, sem surpresa, enviado de volta para Inglaterra na janela de transferências de janeiro.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Será demasiado pedirmos um pouco de bom senso?

Jogadores, treinadores e dirigentes de um clube de futebol são, antes de tudo o resto, cidadãos que usufruem dos mesmos direitos que qualquer outro indivíduo. Há uns que são, por natureza, mais discretos, e há outros que apreciam a visibilidade e mediatismo. Há uns que fogem das câmaras, há outros que se sentem atraídos por elas. Há uns que gostam de partilhar com o público momentos da sua vida privada, há outros que preferem não o fazer. Estão todos no seu direito e não há ninguém que tenha legitimidade para exigir que ajam de maneira diferente.

No entanto, os jogadores, treinadores e dirigentes de clubes de futebol são, também, profissionais muito bem pagos que devem a sua visibilidade à carreira que escolheram. E como qualquer profissional em qualquer área, devem adaptar o seu comportamento na vida privada às especificidades da sua vida profissional. 

Não há ninguém que possa impedir um cidadão de ir para os copos até às tantas da manhã. Mas se o cidadão for um atleta de alta competição, então, por motivos óbvios, não o deve fazer. Um político pode ser muito amigo de um cidadão acusado ou condenado por corrupção, mas sabe que não deve aparecer publicamente ao seu lado. Um técnico de uma qualquer área profissional que esteja de prevenção durante um fim-de-semana, sabe que não pode ir ao cinema e desligar o telemóvel para poder apreciar o filme sem interrupções. Todas as profissões têm especificidades que condicionam a vida pessoal, sendo necessário gerir ambas as componentes profissional e pessoal para que não se atropelem mutuamente para além do que é razoável.

Vem esta longa introdução a propósito disto:


Post de Alan Ruiz no Instagram na tarde de domingo, a fazer um V de vitória, poucas horas depois da derrota com o Belenenses. Também na tarde de domingo, a esposa de Adrien, capitão de equipa, publicou no Instagram uma fotografia romântica de ambos. Têm direito a fazê-lo? Com certeza que sim. Mas depois da vergonha que aconteceu no domingo de manhã, seria do mais elementar bom senso haver algum recato. Tenham jogado ou não, tenham maiores ou menores culpas no cartório, é sinal de falta de brio profissional.

Se eu tivesse cometido um erro colossal na minha vida profissional e não houvesse forma de o remediar de imediato, não conseguiria passar as horas seguintes com este nível de descontração. É claro que nem todos são obrigados a reagir da mesma forma aos problemas profissionais, mas seria de esperar, no mínimo, que demonstrassem algum recato, nem que fosse durante um par de dias, como sinal de reflexão pelo que aconteceu e por respeito pelas milhares de pessoas que pagaram para os ver jogar e saíram completamente defraudadas do estádio. O facto de não o terem feito significa uma de duas coisas: que não fazem ideia daquilo que provocaram aos sportinguistas, ou que estão a borrifar-se para aquilo que provocaram aos sportinguistas.

Este seria um bom momento para pedir à direção para instruir os jogadores para o que devem ou não fazer na sua relação com o grande público, mas não o posso fazer porque, aparentemente, de cima não vêm bons exemplos. Ontem, ainda na ressaca da derrota do dia anterior, acordei com esta feliz notícia:


Como atenuante, há que dizer que Bruno de Carvalho deu a entrevista à CMTV (de onde foram retiradas estas declarações) dois dias antes da derrota com o Belenenses. Mas essas atenuantes não anulam a génese do problema. Bruno de Carvalho já devia saber que: 1) é um erro colocar-se nas mãos de CM / CMTV, que, obviamente, iriam escolher sempre o pior momento possível para publicar as suas palavras; 2) enquanto presidente, deve também liderar pelo exemplo.

E já nem entro pela questão de ver o presidente estar recorrentemente a dar exclusivos a canais e jornais que não perdem uma oportunidade para nos deitar abaixo.

Todos têm direito a fazer o que fizeram, não é isso que está em causa. Não tenho qualquer legitimidade para exigir aos outros que mantenham determinados comportamentos dentro daquilo que são os meus padrões de conduta. Mas será pedir muito aos profissionais do clube que tenham um mínimo de noção daquilo que os rodeia? Será demasiado pedirmos um pouco de bom senso?


P.S.: aproveitando a questão da mistura da vida pessoal e profissional do presidente, permitam-me a seguinte observação adicional: marcar o casamento para 1 de julho, dia do aniversário do clube e da Gala Honoris, é um erro. É muito giro e tal pelo que a data significa, mas politicamente é uma situação lose-lose. Os cenários que existem são:

I) A Gala Honoris realiza-se a 1 de julho, como sempre, sem a presença do presidente. Que sentido faz o presidente ter-se autoexcluído sem necessidade absoluta de um evento que começa a criar raizes e que tem vindo a conquistar um espaço importante na vida do clube?

II) A Gala Honoris realiza-se a 1 de julho, como sempre, com a presença do presidente. Já se está mesmo a ver que haverá quem veja isto como uma espécie de copo-de-água estendido, e que estaremos condenados a que todos os discursos e intervenções na Gala comecem com desejos de felicidade ao presidente e esposa. Será um fartote para aqueles que gostam de chamar coreano a Bruno de Carvalho.

III) Muda-se a data da Gala Honoris para que não colida com o casamento do presidente. Nem preciso de explicar o que isto representaria, pois não?

sábado, 15 de abril de 2017

A ganhar embalagem

Sabendo-se que o V. Setúbal já demonstrou ser uma equipa muito bem preparada para fazer estragos aos grandes - dois empates com o Porto, uma vitória e um empate ao Benfica, e uma vitória ao Sporting na Taça da Liga -, não se pode, de forma alguma, desvalorizar o bom jogo que o Sporting fez na noite de ontem no Bonfim.

A equipa da casa entrou com tudo, conseguindo encostar o Sporting à sua área nos minutos iniciais, mas, uma vez sacudida essa pressão, a partida passou a ter um sentido único: o V. Setúbal foi incapaz de contrariar a pressão intensa a que foi submetida e o Sporting foi empurrando o jogo para junto da área de Bruno Varela. O primeiro golo surgiu com naturalidade, e, com maior naturalidade ainda, apareceram os outros dois golos, que se adivinhavam a qualquer momento após uma entrada fortíssima do Sporting na segunda parte.

Nota-se um Sporting cada vez melhor, física e tecnicamente, em que a equipa sabe tirar partido das melhores características dos seus jogadores, e vai-se ganhando embalagem para aquilo que se deseja que seja o melhor final de época possível, considerando a falta de objetivos melhores.





Mais uma exibição muito sólida - depois de uma sequência de jogos em que o Sporting foi ganhando sem convencer, a equipa parece estar agora a entrar numa fase em que vence categoricamente, com excelentes prestações nos dois lados do campo. O V. Setúbal entrou bem, dominando os primeiros dez minutos da partida, mas a partir daí o jogo foi completamente controlado pelo Sporting - com particular ênfase para o início da segunda parte, onde a equipa foi simplesmente arrasadora e encerrou a discussão sobre quem levaria os três pontos. 

A primeira parte de Gelson - foram vários os jogadores que se aproveitaram a um bom nível, mas Gelson Martins destacou-se dos demais durante a primeira parte. Foi oportuno na forma como aproveitou a hesitação de Fábio Cardoso para marcar o golo inaugural, e ainda serviu de forma magistral Dost e Alan Ruiz - naquelas que foram as melhores ocasiões do Sporting durante os primeiros 45 minutos. Numa dessas ocasiões sofreu um penálti que João Pinheiro converteu em livre. Foi substituído assim que a vitória estava garantida, não fosse o árbitro encontrar algum motivo para lhe mostrar amarelo e deixá-lo e fora do dérbi.

Outros destaques - Bruno César deu boa sequência à grande exibição que teve contra o Boavista: esteve envolvido no primeiro golo e fez a assistência no segundo; o seu rendimento caiu na segunda parte, a partir do momento em que andou a saltar de posição em posição; Alan Ruiz não marcou, mas voltou a fazer um bom jogo, parecendo cada vez melhor fisicamente; Marvin Zeegelaar pouco fez a atacar, mas esteve muito bem a defender; William e Adrien tiveram um início de jogo pouco seguro, mas com o passar do tempo acabaram por conquistar o meio-campo; Podence entrou muito bem.

O passe de Alan Ruiz para o golo de Dost - o melhor momento do jogo. O passe do argentino de trivela foi perfeito - com a bola a fazer o arco necessário para passar pela única nesga de terreno que havia fora do alcance de Frederico Venâncio e Bruno Varela - encontrando Dost, que só teve que encostar e agradecer ao companheiro. Teve o bónus de colocar o holandês, provisoriamente, na liderança da Bota de Ouro.


O amarelo a Zeegelaar - conforme seria de esperar, o árbitro foi particularmente zeloso quando Zeegelaar fez a sua primeira falta, e não lhe perdoou o cartão amarelo - o que deixa o holandês de fora do dérbi. Marvin é um dos patinhos feios deste plantel, mas a verdade é que está a passar por um bom momento e poderemos sentir a sua falta na próxima jornada. 



Quinta vitória consecutiva (com um total de 15-2 em golos marcados e sofridos), oitava vitória nos últimos nove jogos. O Sporting está, claramente, a recuperar o seu melhor nível físico e técnico, à imagem do que vimos no início do campeonato. Que continue assim até ao fim.

domingo, 9 de abril de 2017

Finalmente, a nota artística

Alvalade teve ontem oportunidade de assistir a uma das exibições mais sólidas do Sporting esta época. Do início ao fim, a equipa esteve bem em todos os aspetos do jogo: veloz e criativa a atacar, pressionante e concentrada a defender, chegando com facilidade à baliza do Boavista e impedindo o adversário de causar qualquer lance de perigo. Os golos foram aparecendo com naturalidade, graças, sobretudo, ao bom aproveitamento dos erros alheios, mas podia ter acabado numa goleada bastante mais expressiva, tal foi a superioridade evidenciada durante os 90 minutos. Tal como disse Jesus na flash interview, finalmente apareceu a nota artística.




Avé César - na minha opinião foi o melhor em campo, não só pela sua influência direta em três dos quatro golos de ontem, mas também pelo dinamismo que conseguiu dar ao flanco esquerdo do ataque. Parece estar muito melhor fisicamente, mais rápido, a aguentar melhor o confronto físico com adversários, sinais que já tinha dado na semana passada em Arouca - prometendo um excelente final de época. Os momentos altos foram as duas assistências que fez para Dost, que precisou apenas de encostar. De referir que o penálti surgiu por falta sobre Bruno César mas, na minha opinião, foi mal assinalado: o brasileiro cavou a falta, arrastando o pé de forma a procurar o contacto com o adversário. Foi substituído a quinze minutos do fim para uma justíssima ovação. 

Mais três golos para Dost - mérito, sobretudo, por ter conseguido estar no sítio certo para finalizar nos dois golos de bola corrida. Bateu bem o penálti, muito melhor do que aqueles de que dispôs contra o Tondela. Leva 27 golos em apenas 25 jogos, com uma magnífica média de um golo marcado a cada 80 minutos. Com os três golos marcados ontem, apanhou Messi no topo da classificação da Bota de Ouro. Vai ser difícil alcançar esse prémio, obviamente, mas a equipa parece empenhada em ajudá-lo nesse objetivo.

Ruiz desbloqueador - Alan Ruiz marcou o sexto golo nos últimos oito jogos, revelando cada vez mais uma característica muito preciosa para o plantel: a capacidade de desbloquear jogos ou, no mínimo, abrir caminho para a baliza adversária. Todos os seis golos marcados por Alan Ruiz foram o primeiro do Sporting nos respetivos jogos. De destacar ainda o excelente trabalho no lance do quarto golo, ao segurar e proteger a bola de um adversário enquanto esperava o momento certo para aproveitar a desmarcação de Bruno César pela esquerda. O passe saiu perfeito, Bruno César e Dost fizeram o resto.

Tempo de jogo para os miúdos - face à ausência de Gelson, Jesus colocou Daniel Podence no flanco direito e o jogador não desperdiçou a aposta. Sempre muito dinâmico, sem medo de arriscar, teve o seu momento alto na recuperação de bola e passe imediato para Schelotto no lance do primeiro golo. Esteve perto de marcar em duas ocasiões: num remate de ângulo difícil após ter ultrapassado Meira, e quando, isolado, deveria ter finalizado em vez de tentar o passe para Bryan. Francisco Geraldes teve mais quinze minutos, os primeiros em Alvalade com a camisola da equipa principal, que foram suficientes para mostrar pormenores deliciosos. Quer um quer outro mostraram que merecem ter cada vez mais minutos.

O regresso de Adrien - a ovação da noite foi para o momento em que o capitão entrou em campo. Adrien parece estar totalmente recuperado da lesão. Jogou com intensidade e não evitou disputas de bolas com adversários.

O ambiente em Alvalade - apesar de a classificação final do Sporting estar praticamente definida - abaixo das expetativas iniciais - as bancadas estiveram novamente muito bem compostas e com grande entusiasmo. Isto é a confirmação de algo essencial para o clube: há cada vez mais sportinguistas que recuperaram o hábito de ir ao estádio, independentemente da situação desportiva da equipa.



Desconcentrações momentâneas, especialmente no início do jogo - refiro-me a algumas perdas de bola desnecessárias, cometidas por alguns jogadores. Estamos bem quando não há nada de pior a indicar num jogo de futebol.



Quarta vitória consecutiva, a sétima nos últimos oito jogos. A equipa parece estar a subir de forma e capaz de conseguir uma ponta final muito forte. Mesmo que isso de pouco nos sirva para o que resta desta época, não será trabalho desperdiçado, pois finalmente começa-se a ver uma base de equipa para a próxima época.

domingo, 2 de abril de 2017

Serviços mínimos

Serviços mínimos: foi isto que o Sporting ofereceu aos seus adeptos em Arouca. A fazer pouco mais de que figura de corpo presente no primeiro quarto de hora, mas acelerando q.b. a partir desse momento para se colocar em vantagem no resultado. A partir daí, a única preocupação da equipa foi controlar o jogo, sem correr quaisquer riscos, o que acaba, do ponto de vista exibicional, por saber a (muito) pouco, considerando aquilo que sabemos que estes jogadores podem fazer.

Verdade seja dita que a partir do momento que o Sporting decidiu parar o jogo, o Arouca não teve qualquer oportunidade verdadeiramente perigosa para chegar ao empate. Mas apesar dessa capacidade de controlar o adversário ter sido evidente, não terá havido nenhum adepto sportinguista totalmente confiante de que a vitória estaria salvaguardada, pois bastava um azar, um momento de desconcentração, ou o lance da vida de um adversário (e sabemos bem que isso acontece demasiadas vezes em jogos nossos) para amargar um final de tarde que tinha tudo - tal era a diferença de qualidade entre as duas equipas - para ser tranquilo.




A resposta ao golo sofrido - depois de uma entrada sofrível em campo, que teve o seu ponto baixo no golo marcado pelo Arouca, o Sporting soube reagir e a partir dos 15' dominou completamente o adversário, chegando frequentemente à baliza de Bolat e dispondo de várias oportunidades para marcar - seja em bola corrida, seja em bola parada. Apesar de a reviravolta no marcador se ter concretizado no espaço de dois minutos, a equipa já tinha feito mais que o suficiente para justificar a vantagem.

Gelson a desequilibrar - foi o jogador mais perigoso do Sporting. Sofreu um penálti não assinalado logo no início da partida, fez um remate para defesa apertada para Bolat, fez uma assistência de cabeça para o golo de Alan Ruiz, e esteve muito perto de marcar no final, quando surgiu isolado perante o guarda-redes do Arouca. Bom jogo do extremo, que também nunca poupou esforços a ajudar a equipa a defender.

Alan Ruiz continua a faturar - mais um golo importante do argentino, que já leva cinco marcados nos últimos sete jogos para o campeonato. Cada vez mais influente na manobra ofensiva do Sporting, ainda que ontem não tenha atingindo um nível de entendimento ideal com alguns dos seus companheiros.

As entradas de Palhinha e Podence - entraram bem, os dois miúdos. Palhinha limpou a maior parte dos duelos e ajudou a manter a bola bem distante da nossa área, enquanto Podence foi capaz de devolver algum rasgo ao futebol do Sporting - destacando-se o passe que desmarcou Gelson na cara de Bolat.



À distància de um momento de desconcentração - não terão partido de Jesus instruções para a equipa congelar o jogo na segunda parte, a avaliar pelo que o treinador disse na flash interview, mas começa a ser um padrão: têm sido demasiadas as partidas em que o Sporting pouco ou nada faz para ampliar a vantagem no marcador para garantir um resultado mais seguro, para se poder considerar como uma circunstância de jogo. É verdade que a equipa se defendeu bem (com destaque positivo para Coates, que fez um grande jogo), com uma pressão intensa ao portador da bola assim que o Arouca se aproximava da linha de meio-campo - mantendo o esférico quase sempre longe da baliza de Rui Patrício -, mas a verdade é que, jogando assim, basta um momento de desconcentração ou uma bola parada fortuita para deitar tudo a perder. A única oportunidade do Arouca na segunda parte surgiu após um mau passe de Bryan Ruiz. Schelotto também teve dois ou três perdas de bola que poderiam ter comprometido. Para além disso, faz-me confusão que não haja vontade nos jogadores para, em posse, acelerar o jogo e ir para cima do adversário para acabar com as dúvidas no resultado. Viu-se na primeira parte que havia capacidade de sobra para o conseguir, mesmo sem obrigar a equipa a jogar nos limites do risco.

O onze inicial - não que tenha ficado insatisfeito com a exibição de algum jogador em particular, mas isto é uma questão que tem a ver com a preparação da próxima época, e que não é nova. Estando o terceiro lugar praticamente assegurado, não percebo a insistência de Jesus em não dar a titularidade a pelo menos um dos miúdos que foram integrados no plantel em janeiro. Jesus disse, no final, que não é uma questão do que os Podences ou Matheus conseguem fazer com bola, mas sim dos conhecimentos táticos que ainda não têm quando o adversário está a atacar. A meu ver isso não faz qualquer sentido, a partir do momento em que a (falta de) disciplina tática sem bola não tem sido impedimento para Alan Ruiz jogar. E se só jogando é que os jogadores aprendem, custa-me a aceitar que não houvesse margem, num jogo destes, para meter ou Matheus ou Podence (ou Gauld, que foi convocado, ou Geraldes, que não foi) de início - até porque qualquer um deles dá uma irreverência que o jogo do Sporting está mesmo a precisar.

A arbitragem - um penálti por assinalar sobre Gelson aos 5' e critério disciplinar desigual nos sururus que houve: Alan Ruiz viu (bem) amarelo por empurrar um adversário, mas o cartão ficou no bolso quando Bolat fez o mesmo a Bas Dost; quando Podence viu amarelo por uma falta dura, foi também empurrado por vários adversários, mas nenhum jogador do Arouca viu cartão.



Quatro pontos recuperados a Benfica e Porto em duas jornadas, que nos deixam a uma distância ainda demasiado grande para ambicionar racionalmente a algo mais do que o segundo lugar, mas suficientemente perto para servir de aviso aos nossos rivais. De qualquer forma, isso não deve alterar a forma como o Sporting deve abordar o resto da temporada: pensar jogo a jogo, para os ir vencendo um a um. No final far-se-ão as contas.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Com Alan Ruiz e Bruno César disponíveis, que onze para o jogo com o Nacional?

Uma vez cumprido o jogo de castigo pela acumulação de cinco cartões amarelos, Alan Ruiz e Bruno César farão parte do lote de disponíveis para o jogo com o Nacional, no próximo sábado. Isto significa, em princípio, que Jorge Jesus voltará a mexer na equipa inicial.

Alan Ruiz tem sido dos melhores jogadores do Sporting em 2017. O argentino fez o suficiente para justificar, de momento, o estatuto de titular. Mas fará sentido retirar Podence - que só não foi o melhor em campo em Tondela porque Dost meteu a bola na baliza por quatro vezes - do onze? A meu ver, não.

Felizmente, Alan Ruiz e Daniel Podence não são jogadores incompatíveis. Recordo que demonstraram um excelente nível de entendimento nos quinze minutos que estiveram juntos em campo em Moreira de Cónegos. A jogada seguinte foi disso um bom exemplo.


Considerando que Alan Ruiz gosta de pisar terrenos centrais, meio descaído para a direita, Podence pode ser um complemento perfeito: é um jogador que, mesmo estando colocado na esquerda, tanto pode aproximar-se de Ruiz para jogar em apoio, como solicitar a desmarcação em profundidade; à semelhança do argentino, tem capacidade para jogar em espaços reduzidos; e oferece uma capacidade de pressão sobre a defesa adversária para a qual Ruiz não está minimamente talhado (ou interessado).

O sacrificado, neste caso, seria Matheus Pereira, o que acaba a soar um pouco a injustiça face ao bom jogo que fez. Mas pode perfeitamente ser lançado durante o jogo - até porque sabemos que Alan Ruiz não costuma durar mais do que 60 minutos.

Bruno César pode ser também uma opção, mas a meu ver faz mais sentido que seja considerado para a posição 8 - apesar de Bryan Ruiz ter estado bem nessas funções em Tondela. Para além disso, face ao momento de forma menos fulgurante de Gelson, não me chocaria se o extremo fosse poupado - o jogo com o Nacional é, em teoria, dos menos complicados que teremos até ao final da época -, abrindo assim espaço para Francisco Geraldes fazer um papel semelhante ao que era dado a João Mário na temporada passada.


Boas dores de cabeça para Jesus, caso a sua intenção seja mesmo apostar neste conjunto de miúdos que parecia não fazer parte das suas contas.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Limbo

Numa época sem objetivos para perseguir, é normal que os índices motivacionais da equipa estejam em baixo, e, consequentemente, isso tenha implicações na qualidade das exibições. Mais uma vez, a qualidade de futebol praticado pelo Sporting esteve abaixo do que estes jogadores podem conseguir fazer, mas, ainda assim, a primeira parte acabou por ser bastante interessante. A vantagem ao intervalo poderia servir de tónico para procurar fechar o jogo na segunda-parte (apesar de, contra o V. Guimarães, ser necessária uma vantagem de 4 golos para me deixar descansado) mas, incompreensivelmente, a qualidade de jogo desceu imenso, de parte a parte. Foi um suplício: não soubemos manter um ritmo minimamente elevado - o que nos favoreceria à medida que o relógio fosse passando, pois o V. Guimarães jogou a meio da semana -, não tivemos capacidade de construir jogo, e, pior ainda, não tivemos capacidade de aguentar a vantagem.



A primeira parte - os primeiros 45 minutos foram agradáveis, com ambas as equipas a exibirem argumentos para chegarem ao golo. O Sporting apresentou momentos de bom futebol ao nível de meio-campo, com Bruno César, William, Gelson, Dost e Alan Ruiz (este apenas após o golo) a conseguirem abrir espaços para atacar a área adversária. O pior foi no momento do último passe ou de rematar. Do outro lado, o V. Guimarães procurou sempre explorar as costas dos laterais, principalmente pelo seu flanco direito, falhando também no momento da decisão. Marcou o Sporting primeiro, mas é justo dizer que o V. Guimarães acabou por dar mais trabalho a Rui Patrício do que o Sporting a Miguel Silva. De qualquer forma, na globalidade da primeira parte, o Sporting fez por merecer a vantagem que levou para os balneários.

A influência de Dost - está cada vez mais influente na ação ofensiva da equipa que não apenas a finalização. Está melhor a jogar de costas para a baliza, e demonstrou, mais uma vez, ser um jogador altruísta: no lance do golo podia ter tentado alvejar a baliza, mas preferiu deixar a bola para Alan Ruiz, que estava em melhor posição. Tirando essa meia-oportunidade, teve apenas outra meia-oportunidade, quando trabalhou a bola à entrada da área à procura de espaço para rematar, mas acabou por permitir a interceção de um defesa. Foi mais um jogo em que não teve bolas a chegarem-lhe em condições.




A exibição na segunda parte - esteve muitos furos abaixo do exigível, em dois níveis diferentes. Antes do golo sofrido, parecia que a equipa não queria arriscar muito, para minimizar as ocasiões de contra-ataque dadas ao V. Guimarães. Com a saída de Bruno César e Alan Ruiz - concordo com a saída do argentino e percebo a saída do brasileiro, já amarelado, mas o que é facto é que as substituições não funcionaram -, desapareceu por completo a capacidade de construção da equipa, por falta de quem conseguisse transportar jogo. Depois do golo sofrido, foi ainda mais angustiante a incapacidade de colocar a bola na área adversária. Castaignos aumentou a capacidade de pressão, mas foi inócuo ofensivamente porque a equipa não conseguia fazer chegar a bola em condições. Com um Bryan Ruiz completamente desinspirado - não se entende como continua a ser titular -, faltou quem conseguisse organizar jogo. Quem sabe se no camarote dos jogadores não convocados não haveria lá alguém com capacidade de o fazer...

Ausência de estratégia a médio prazo - isto que vou escrever de seguida nada tem a ver com a qualidade do jogador em questão, nem tem nada a ver com a qualidade da sua exibição. Não compreendo como é que, estando a época perdida, não aproveitamos as oportunidades que temos (e que serão poucas) para dar mais oportunidades a jogadores que podem fazer parte do futuro do Sporting em relação aos que não farão parte do futuro do Sporting. Falo da colocação de Joel Campbell em campo. Daqui a dois meses e picos vai embora e dificilmente voltará. Não faria mais sentido colocar Podence, naquelas circunstâncias?



Assim se quebrou uma sequência de três vitórias. Seria mais fácil perder pontos tendo a sensação de que já se está a trabalhar tendo a próxima época no horizonte. É verdade que Palhinha voltou a ter minutos, mas não é suficiente. Nestes meses, se Jorge Jesus não abrir horizontes, vamos atravessar uma espécie de limbo: nem fazemos nada de interessante agora, nem fazemos por criar condições para fazer algo de mais interessante no futuro. Assim, fica apenas o desejo de que esta época acabe o mais rapidamente possível.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Rui a mostrar porque já são 400

Se eu fosse como muitos comentadeiros que existem nas nossas rádios e televisões dos jogos, estaria agora a dizer que o Sporting mereceu inteiramente a vitória porque soube ser eficaz e fez o jogo que mais lhe interessava a partir do momento em que se viu em vantagem no resultado. No entanto, como não gosto de fazer balanços de jogos em função do resultado final, sou obrigado a admitir que o Sporting foi feliz em ter conquistado a vitória, já que foi o Rio Ave a dispor das melhores oportunidades para marcar. Tenho estado a fazer um esforço de memória para me recordar do último jogo em que o Sporting, tendo produzido uma exibição tão frouxa ao longo dos 90 minutos, tenha conseguido vencer. A verdade é que... não me consigo lembrar. 

Do ponto de vista do espetáculo que qualquer adepto espera ver num jogo para que paga bilhete, foi coisa para justificar pedidos de devolução do dinheiro. Durante os 90 minutos, desinspiração quase total na frente - com algumas honrosas exceções. Para piorar, na primeira parte houve vários momentos de desacerto dos nossos jogadores que deram aos jogadores do Rio Ave a hipótese de causar estragos em contra-ataques rápidos. Valeu-nos, nessas situações, termos entre os postes um guarda-redes que relembrou-nos a todos que não é por acaso que já vai com 400 jogos de leão ao peito.

Até o golo surgiu com uma boa dose de felicidade: começa com uma má receção de bola de William - que o obrigou a um esforço redobrado para impedir a interceção de um adversário - antes de avançar com ela no terreno, e depois com o ressalto que foi parar aos pés de Alan Ruiz.

Na segunda parte, mesmo continuando a jogar mal, a equipa conseguiu estabilizar-se quando não tinha a bola. O Rio Ave também pareceu acusar o desgaste causado pela pressão realizada na primeira parte, e jogou de forma bastante menos esclarecida. Como tal, é justo que se diga que o Sporting, não tendo conseguido dominar o jogo, pelo menos o soube controlar - algo fundamental que tem faltado a esta equipa em momentos em que não se consegue impor e tem o resultado por fechar.





O melhor Rui - no dia em que celebrava os 400 jogos na equipa principal do Sporting, não se poderia desejar de Rui Patrício melhor demonstração dos motivos pelo qual é dono da baliza do clube há mais de 10 anos. Se o Sporting conseguiu os três pontos, deve-o ao que o seu guarda-redes fez durante a primeira parte: quatro defesas em quatro ocasiões flagrantes do Rio Ave, duas das quais fenomenais. Mereceria sempre a homenagem que lhe foi reservada no final, mas a exibição que fez acabou por tornar esse momento simplesmente perfeito.

Novamente Alan Ruiz - Na primeira parte, o argentino foi o único que conseguiu pensar o jogo de ataque da equipa. Quando a bola lhe chegou aos pés, soube sempre temporizar e entregar da melhor forma a dar sequência ao ataque. Marcou o golo da vitória, fazendo o gosto ao pé pelo terceiro jogo consecutivo. Na segunda parte caiu de produção, mas o público presente em Alvalade pôde testemunhar alguns sprints seus para ajudar a defesa - nomeadamente quando via que Gelson não podia ajudar Schelotto. Está cada vez mais integrado e a confirmar-se, finalmente, como reforço.

Pendular Paulo Oliveira - recuperou a titularidade, substituindo Rúben Semedo, mas foi colocado do lado direito, deslocando-se Coates para a sua esquerda. Paulo Oliveira respondeu muito bem, quer nas dobras a Schelotto - e foram várias as que teve que fazer - quer na proteção da área, tendo sido, do setor defensivo, o jogador mais fiável: foi o único que não comprometeu com passes de risco mal direcionados ou perdas de bolas que pareciam controladas face à pressão dos adversários. Ou muito me engano, ou ganhou o lugar.

Consistência defensiva na segunda parte - tem sido um dos grandes problemas do Sporting, pelo que é justo reconhecer que a equipa, percebendo que não havia inspiração para ir atrás do segundo golo, soube manter-se concentrada e coesa durante a segunda parte. Continuaram a haver erros individuais (Jefferson e Schelotto estiveram particularmente mal), mas, sempre que alguém falhava, o resto da equipa conseguiu compensar e evitar sustos como os que ocorreram na primeira parte. 


A qualidade da exibição - obviamente que prefiro que a equipa ganhe jogando mal do que a equipa empate ou perca jogando bem, mas, enquanto apreciador de bom futebol, espero que exibições destas não se repitam muitas vezes.

Desconcentração em situações de risco - o Rio Ave teve mérito na forma como soube pressionar o Sporting em dois terços do terreno, e foi precisamente por aí que conseguiram causar as maiores ocasiões de perigo - com o devido demérito dos nossos jogadores. Das quatro grandes oportunidades de golo do Rio Ave, as duas primeiras surgiram de passes errados de Coates e William, e a última de uma perda de bola escusada de Schelotto (a outra surge de uma falta claríssima sobre Bruno César que o árbitro fingiu não ver). Felizmente, em todas elas, esteve lá Rui Patrício para as resolver.



Vitória diferente, não só por não ser merecida, mas também pelo facto de o Sporting ter conseguido, finalmente, chegar ao fim de um jogo sem sofrer golos - algo que já não acontecia desde a vitória no Restelo, há quase dois meses. Também é necessário saber ganhar assim.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Prevaleceu a melhor versão de um Sporting a duas velocidades

Considerando que, nos últimos meses, tudo aquilo que pode correr mal ao Sporting tem acabado por correr efetivamente mal, a partida de ontem em Moreira de Cónegos depressa começou a demonstrar potencial para mais um final de tarde frustrante. Pode-se dizer que houve um Sporting a duas velocidades, em várias dimensões: na qualidade exibicional revelada ao longo da partida - com uma primeira parte pobre e uma segunda parte muito mais entusiasmante -, mas também na diferença de rendimento que neste momento se nota dentro da própria equipa - uma setor recuado sem qualquer confiança vs. um setor atacante que tem de fazer o suficiente para ultrapassar os adversários e compensar as falhas que, invariavelmente, estão a ser cometidas nas suas costas.

A equipa entrou de forma apática em campo, revelando intranquilidade na defesa e pouca acutilância no ataque, que se traduziu numa primeira meia-hora completamente desperdiçada. O Moreirense conseguiu a proeza de, na primeira parte, ter feito apenas um remate à baliza - de penálti - mas ir para o intervalo a vencer por 2-1, graças a duas gentis e prestimosas ofertas do nosso setor defensivo. Mais do que o adversário, fomos nós próprios o nosso pior inimigo.

Apesar disso, há que dizer que, a partir dos 30 minutos, o Sporting começou a conseguir encontrar forma de contornar o autocarro que o Moreirense instalou no seu meio-campo. A segunda parte deu continuidade à melhoria exibicional e traduziu-se num domínio crescente que se traduziu em oportunidades e golos, justificando plenamente a conquista dos três pontos.




A exibição na segunda parte - depois de uma primeira parte globalmente medíocre, a resposta da equipa na segunda parte foi bastante positiva. O Sporting deu sequência ao bom final de primeira parte, encostou o Moreirense à sua área, e as oportunidades para marcar foram-se sucedendo. O domínio sportinguista foi constante desde o regresso dos balneários - com destaque para as exibições de Alan Ruiz, Dost, Gelson e Adrien -, mas há que fazer justiça a um momento que acabou por ser particularmente decisivo: a entrada de Podence em campo.

Um quarteto a pedir mais minutos em conjunto - o melhor Sporting de ontem foi aquele que teve simultaneamente em campo Alan Ruiz e Daniel Podence. O entendimento entre Dost e Alan Ruiz parece estar a evoluir significativamente: o holandês fez a assistência para o argentino no primeiro golo, e, no início da segunda parte, repetiu a gentileza com um brilhante passe que isolou Alan Ruiz - que foi travado em falta à entrada da área. Dost, que marcou o seu 17º golo para a liga, após remate ao poste de Podence. Podence - que precisou apenas de um par de minutos para se revelar mais perigoso do que Bryan Ruiz - parece ser o elemento perfeito para complementar as qualidades de Dost e Alan Ruiz: à semelhança de Gelson, tem capacidade para procurar a linha, mas com muito mais apetência para tentar as diagonais, de onde pode tentar o remate, desmarcar companheiros ou combinar com colegas para ser ele próprio a procurar a desmarcação. Depois de entrar bem no Dragão, Podence foi hoje o X factor, e já me convenceu de que tem lugar no onze titular. Resta saber se convenceu Jesus, que parece ter em Bryan - que está a milhas do que demonstrou na época passada - outra das suas teimosias. Junte-se a este trio o inevitável - e indiscutível - Gelson Martins, e temos a linha atacante que, de momento, é a mais capaz de nos aproximar do golo.

Apesar de tudo, há determinação em inverter a situação - os resultados do Sporting têm ficado bastante aquém das expetativas, o moral da equipa está em baixo, mas há que dizer que tem sido visível a vontade dos jogadores em dar a volta aos acontecimentos nos piores momentos. Em Chaves, começámos a perder mas a equipa conseguiu dar a volta ao resultado, acabando por se "consentir" o empate graças ao golo da vida de Fábio Martins. Na Madeira também estivemos em desvantagem por duas vezes, e só não se virou o resultado porque foi indevidamente anulado um golo a Alan Ruiz. No Porto, após uma má primeira parte que nos colocou numa desvantagem de 2 golos, a equipa fez uma exibição que merecia, pelo menos, o empate. E ontem, em Moreira de Cónegos, voltámos a estar por duas vezes em desvantagem no marcador, mas conseguiu-se consumar a reviravolta - desta vez conseguindo os três pontos. Pode-se acusar os jogadores de cometerem erros, mas não se pode colocar em causa a sua atitude.



Consistência defensiva patética - isto já nem é uma questão de opinião, é uma constatação. Já se tinha percebido que a performance defensiva está pelas ruas da amargura: qualquer equipa, com melhores ou piores executantes, consegue criar pelo menos dois ou três ocasiões flagrantes junto da nossa baliza - e, nos últimos jogos, essas ocasiões flagrantes têm sido, quase sempre, sinónimo de golos. Mas ontem conseguiu ser ainda pior. Ao intervalo, o Moreirense vencia por 2-1 com um único remate efetuado - precisamente o do penálti. Dois golos consentidos de forma infantil, qual deles o pior: no primeiro, há quatro jogadores sportinguistas com erros de palmatória: Rúben Semedo abriu o baile com um mau passe que originou o contra-ataque do Moreirense; depois, quando a bola foi bombeada para a área, Coates cortou de cabeça para trás de forma deficiente; e, finalmente, Rui Patrício e Bruno César fizeram o resto ao atrapalharem-se mutuamente, enfiando a bola na própria baliza. A única coisa positiva que se poderia retirar desse momento foi a atitude de Dramé em não festejar, mas na realidade o golo nem sequer foi seu. Mais tarde, surgiria o segundo golo do Moreirense, logo após termos chegado ao empate. Mais uma bola enviada para as costas da defesa, com Rui Patrício demasiado recuado em campo e a sair-se muito tarde, derrubando Boateng. A verdade é que este desastre ainda poderia ter sido pior, pois a tendência para meter água logo após marcarmos regressaria na segunda parte, depois do golo de Adrien que nos colocou na frente do resultado: Dramé por pouco não empatou, fazendo um chapéu a Patrício que levou a bola, fortunadamente, a embater na barra. Não espanta, perante a permissividade revelada, que na Liga NOS só existam oito equipas com pior defesa do que o Sporting. Assim fica muito mais difícil ganhar jogos.

Jogadores a precisar de banco - O primeiro jogador a mostrar que estava num dia mau foi Rúben Semedo. Aos 18 minutos, mau passe seu esteve na origem do contra-ataque do Moreirense. Maus passe todos fazem, mas neste caso já era o terceiro passe errado de Rúben Semedo - repito, aos 18 minutos de jogo. Semedo que, mais tarde, esteve perto de me provocar uma paragem cárdio-respiratória naquele par de segundos em que demorou a reagir após o remate à barra de Dramé - dava a ideia de estar na dúvida se aquela seria a sua baliza ou a baliza do adversário. Felizmente, os sentidos regressaram-lhe antes que algum jogador do Moreirense lá chegasse. Rui Patrício está num momento de forma terrível. Se tivesse sido mais decidido, poderia ter evitado os dois golos do Moreirense. Bryan Ruiz foi, mais uma vez, uma completa nulidade. Estes três jogadores não foram os únicos com exibições pouco conseguidas, mas, nestes casos, existem alternativas no banco que devem ser lançadas já na próxima partida.



À 11ª partida realizada fora de Alvalade para o campeonato, o Sporting alcançou a sua 4ª vitória - o que revela bem as dificuldades que temos tido para nos impormos no terreno dos adversários. Os motivos dos desaires ocorridos fora de portas têm sido bastante diversificados: a falta de comparência em Vila do Conde, o meltdown em Guimarães - com a prestimosa ajuda de Artur Soares Dias -, a derrota no dérbi powered by Jorge de Sousa e a falta de sorte contra o Chaves são alguns dos exemplos. Ontem, por alguns momentos, parecia tudo alinhado para novo mau resultado, devido a erros próprios, mas há que dar mérito à deteminação da equipa. Mostrou que tem qualidade e que há muita margem para progredir - seja pela evolução do conhecimento entre jogadores que começam agora a ser importantes, seja pela eliminação da tremideira que nos torna tão frágeis na defesa. Coisas que só podem acontecer através de vitórias como a de ontem.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Uma má primeira parte demasiado penalizadora

Num jogo que poderia ter reaproximado o Sporting da luta pelo segundo lugar, aquilo de que menos precisávamos era de uma primeira parte como a que sucedeu: um Sporting inofensivo com bola e inseguro a defender, que permitiu ao Porto fazer o jogo que mais lhe convinha - seguro atrás, correndo poucos riscos e muito eficaz no aproveitamento das suas oportunidades. Ao intervalo, o jogo parecia perdido, prometendo uma segunda parte angustiante, mas o Sporting regressou transfigurado do balneário, com o recém-entrado Alan Ruiz a ser capaz de, finalmente, pautar os movimentos ofensivos da equipa. O Sporting mandou completamente no jogo na segunda parte, marcou, obrigou Nuno a reforçar o seu meio-campo, e podia ter perfeitamente marcado um segundo golo que evitaria a derrota - e, quem sabe, procurar ainda a reviravolta. Mas, como em tantos outros jogos desta época, o resultado não fez justiça ao futebol praticado em campo, tendo a má primeira parte sido demasiado penalizadora para a excelente segunda parte que o Sporting realizou.

Foto: Record / Lusa



A reação na 2ª parte - Jesus trocou Matheus Pereira por Alan Ruiz ao intervalo, e com isso todo o futebol do Sporting se transformou pela positiva. A capacidade do argentino em segurar a bola numa posição central atrai os adversários e permite que os companheiros tenham tempo para criar linhas de passe numa zona mais adiantada no terreno. Esse pequeno-grande pormenor foi suficiente para mudar toda a dinâmica do jogo. Gelson passou a ter espaço para desequilibrar, enquanto Adrien tomava conta do meio-campo. Sucederam-se várias oportunidades para marcar. Uma delas deu golo, através de um grande pontapé de Alan Ruiz, com assistência de Bas Dost. Outra foi à barra, através de Adrien (após espaço ganho por Gelson). E Casillas fez o resto, com um conjunto de defesas decisivas, incluindo uma parada monumental nos descontos a um cabeceamento de Coates.

O momento de forma de Alan Ruiz - da mesma forma que foi criticado quando não rendia, é da mais elementar justiça salientar o bom momento que atravessa. Só não foi decisivo contra o Marítimo porque o fiscal-de-linha não deixou, foi decisivo contra o Paços, e hoje transfigurou o jogo do Sporting. Mantendo esta consistência e conseguindo aguentar mais do que 60 minutos, poderá vir a ser uma das boas surpresas desta segunda-volta.



Há muita matéria-prima para trabalhar - Jorge Jesus, com a falta de diplomacia que lhe é habitual, disse que o facto de se convocarem dez jogadores da formação acaba por se pagar, referindo-se à derrota de hoje. É uma forma de ver as coisas. Sim, Palhinha teve responsabilidade no primeiro golo, mas não faz qualquer sentido estar a escudar-se na inexperiência dos jogadores da formação quando Petrovic, a escolha de Jesus para backup de William, teve o desempenho que todos sabemos. Palhinha conseguiu superar o erro e arrancou para uma exibição globalmente positiva. O que vejo, nestes dez jogadores da formação convocados, é uma oportunidade para Jesus. Agora que alguns dos seus erros de casting foram corrigidos, o treinador tem muita matéria-prima para trabalhar. Palhinha, Podence, Geraldes, Matheus precisam de oportunidades consistentes. Alan Ruiz começa a demonstrar que se calhar poderá justificar o dinheiro que se pagou por ele - e aí, mérito para Jesus pela sua teimosia. Esgaio, que não é um jogador que aprecie particularmente, integrou-se na equipa bem melhor do que Zeegelaar. Não havendo a pressão de lutar pelo 1º lugar (o melhor que podemos conseguir é o 3º), há agora que explorar a óbvia margem de progressão que este plantel possui. Felizmente, Jesus tem capacidade para isso. A qualidade demonstrada pela equipa na segunda parte comprova que existe muita qualidade e potencial e treinador para os potenciar.



1ª parte: Sporting MIA - MIA de missing in action, e não da conjugação do verbo miar na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo - apesar de o leão ter parecido um gatinho, durante os primeiros 45 minutos. Jesus surpreendeu ao lançar Matheus na esquerda, puxando Bryan Ruiz para o meio, face às lesões de Campbell e Bruno César. A opção não funcionou, mas é redutor colocar aí a responsabilidade pela falta de capacidade em chegar à área do Porto. Zeegelaar não colaborou (nem no ataque nem na defesa), mas, ainda assim, Matheus e Bryan conseguiram ser até um pouco mais efetivos que Gelson e Schelotto na direita. O problema é que foi tudo nivelado por baixo, não havendo nenhum jogador que conseguisse conduzir o jogo de forma a contornar a pressão portista. Do outro lado, há que registar a eficácia de Soares: no primeiro golo aproveitou um erro de decisão de João Palhinha, que tentou, demasiado tarde, deixá-lo em posição iregular; no segundo, muito bem na finalização do contra-ataque. É caso para dizer que, mais uma vez, Soares não foi fixe.

A falta por assinalar no segundo golo do Porto - Hugo Miguel fez uma arbitragem ao seu estilo, ou seja, deixando jogar e permitindo algum jogo duro de parte a parte. Dentro desse registo, esteve equilibrado na forma como foi ajuizando os lances. Infelizmente, a arbitragem acaba por ficar manchada pela falta que Brahimi cometeu sobre Palhinha, que esteve na origem do contra-ataque finalizado por Soares. Um erro que acabou por ter influência no resultado.



Sporting pior na primeira parte, mas muito melhor na segunda, criou oportunidades de golo suficientes para merecer, no mínimo, o empate. Ficamos agora a 9 pontos do Porto e, previsivelmente, a 10 do Benfica, pelo que, pragmaticamente, restam duas coisas a fazer: assegurar o 3º lugar e trabalhar a equipa já a pensar na próxima época.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Um leão viciado em sofrimento

As coisas são o que são: o estado psicológico - futebolisticamente falando, claro está - deste sportinguista que vos escreve já viveu melhores dias. Comentava com os meus companheiros de bancada, ao intervalo, que não me conseguia sentir tranquilo com a vantagem de 3-0 construída durante a primeira parte. Apesar do domínio avassalador que o Sporting demonstrara até então, apesar das grandes exibições de Gelson, Schelotto, Dost, Adrien e Alan Ruiz, apesar do entusiasmo que parecia contagiar a equipa e as bancadas, não conseguia deixar de pensar em todos os fatores adversos - um meio-campo amarelado ou em risco de exclusão e a tremideira que poderia surgir com um eventual golo do Paços - que poderiam azedar uma noite que, até ao momento, roçava a perfeição. Porque sei que o Sporting é um viciado em sofrimento. E ontem, lá está, não foi capaz de passar sem a sua dose habitual. Felizmente que, desta vez, o final foi mais feliz, pois, para alívio generalizado, Dost deu a estocada final na partida imediatamente a seguir ao segundo golo do Paços. 



A primeira parte - Jesus disse, na flash interview, que talvez tenham sido os melhores primeiros 45 minutos do Sporting esta época. Tendo a concordar com o treinador. O Sporting entrou em campo com vontade de marcar rapidamente, jogando com intensidade e de forma mais prática do que tem sido normal. Para essa maior simplificação de processos foi decisiva a capacidade de desequilíbrio em velocidade do nosso flanco direito: Gelson Martins e Schelotto combinaram muito bem, fazendo duas das exibições mais positivas da equipa. Destaque também para Adrien e Alan Ruiz: o capitão esteve bastante dinâmico, aparecendo várias vezes na área para finalizar, enquanto o argentino parece estar a definir melhor o tempo de controlo e entrega do esférico. A consequência desta conjugação de fatores foi uma primeira parte de grande nível, colorida com três golos e várias outras oportunidades para marcar.

A qualidade dos golos - falo do 2º e do 3º, obviamente. Duas obras de arte, cada qual dentro do seu género. Valeram, por si só, o preço do bilhete.

De novo Bis Dost - mais dois golos, à ponta-de-lança, o último dos quais devolveu a tranquilidade à equipa. Já leva 16 golos em 16 jogos (8 golos nos últimos 5 jogos), com uma taxa de aproveitamento fenomenal, e sem qualquer penálti convertido. Começa a ser difícil encontrar adjetivos que o classifiquem.

O "Ruuuuuuui!!!" voltou a ouvir-se em Alvalade - depois de ter comprometido na jornada passada, Rui Patrício deu a melhor resposta possível: voltou a ser decisivo. Efetuou três defesas cruciais, uma das quais magnífica, quando impediu que Welthon, isolado, reduzisse para 3-2 ainda antes dos 60'.  



Incapacidade de gerir resultados - mais uma vez, o Sporting tinha tudo para ter o jogo controlado... mas foi incapaz de gerir o resultado. É certo que a falta de confiança que advém dos maus resultados dos últimos meses não ajuda, mas também há uma questão tática que, na minha opinião, Jorge Jesus deveria ponderar: a disposição das peças tem de ser necessariamente diferente quando queremos abrandar o ritmo de jogo. Abrandando o ritmo de jogo, ficamos mais expostos à pressão adversária - que, em desvantagem, tem maior interesse em procurar a bola -, que reduz drasticamente as linhas de passes disponíveis e acaba por forçar erros dos nossos jogadores. Para além disso, consentimos demasiadas situações de contra-ataque - recordo-me de três ou quatro situações de igualdade ou vantagem numérica de jogadores do Paços. O nosso meio-campo deveria ser reforçado para não se correr tantos riscos, quer nas trocas de bola, quer na contenção necessária quando a perdemos. Mas o meio-campo não só não foi reforçado, como ainda sofreu com as dificuldades físicas que Alan Ruiz e Bryan Ruiz revelaram a partir dos 60 minutos. Assim fica difícil controlar o quer que seja.

Bolas paradas defensivas - o Paços de Ferreira conseguiu criar imensos problemas nos vários cantos de que dispôs. Marcou um golo e não ficou longe de fazer abanar as redes noutro par de ocasiões. Na semana passada, na Madeira, o Sporting também se revelou bastante vulnerável neste tipo de lances - o que é preocupante para a próxima jornada, considerando que o Porto tem tido um aproveitamento bastante apreciável nas bolas paradas.

O amarelo de William - o nº 14 foi um dos protagonistas do grande momento da noite, ao fazer a assistência para o golo de Gelson, mas, no geral, a sua exibição foi bastante cinzenta na primeira parte. Falhou muitos passes, errou no timing de pressão em algumas situações que deixaram a defesa exposta, e, para piorar, viu um cartão amarelo desnecessário (mas justo) que o deixa de fora do jogo do Dragão. Há que dizer, no entanto, que melhorou de produção na segunda parte, quando se adiantou no terreno e passou a ter Palhinha nas suas costas.



Regresso às vitórias com uma exibição que, a espaços, fez lembrar a equipa dominadora que tivemos na época passada. Segue-se um desafio importantíssimo no Dragão, que, correndo bem, pode servir para a equipa recuperar muita da confiança perdida.