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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

As últimas movimentações de mercado

Como é habitual, o último dia de mercado foi bastante movimentado. No Sporting, foram estas as novidades:

Azbe Jug: rescisão de contrato

Um guarda-redes que deixa em Alvalade uma estatística invejável: contou por vitórias os jogos oficiais que disputou, sem ter sofrido qualquer golo. Convém, no entanto, que sejamos um pouco mais específicos na invocação dessa estatística: é que em três épocas, Jug fez um único jogo oficial (vitória por 1-0 em Arouca para a Taça da Liga). No entanto, as pré-épocas que fez deixaram perfeitamente claro que a sua contratação se tratou de um equívoco, pois está muito longe de ter a qualidade necessária para poder representar a equipa do Sporting. A rescisão de contrato é, portanto, um desfecho que só se pode lamentar por ser demasiado tardio.


Schelotto: vendido ao Brighton por um valor que poderá atingir €3M, ficando o Sporting com 12,5% das mais-valias de uma futura venda

O italo-argentino é um jogador mal-amado junto de muitos adeptos sportinguistas, e eu tenho uma melhor opinião de Schelotto do que a maioria. Pode não ser o mais inteligente dos jogadores, tem seguramente os seus defeitos, mas nunca deixou de dar tudo o que tinha em campo. Fez parte da excelente linha defensiva que o Sporting teve em 2015/16. Em 2016/17, acumulou um número bastante interessante de assistências - que demonstra utilidade a atacar - e não acho que tenha sido um dos principais responsáveis pelo desastre que foi a defesa do Sporting na época passada.

Considerando que veio a custo zero e que teve uma renovação que lhe deverá ter valido um prémio monetário, o valor da venda acaba por ser interessante. Desejo-lhe toda a sorte na Premier League.


Marvin Zeegelaar: vendido ao Watford por €3M, ficando o Sporting com 30% das mais-valias de uma futura venda

Outra venda interessante, considerando que o holandês veio para o Sporting por €300.000, com custos adicionais de €190.000 em comissões. O problema de Zeegelaar, a meu ver, é acima de tudo psicológico. Sentindo-se confiante, era um lateral certinho defensivamente, mas o problema é que pareceu quase sempre sentir demasiado o peso da camisola. Olhando agora para Fábio Coentrão, percebemos facilmente que estava longe de ser o lateral de que precisávamos. 


William Carvalho: continua

Excelente notícia. Subam-lhe o salário ou dêem-lhe um prémio de permanência, para ver se recupera a motivação necessária para ser a peça-chave que todos esperamos que seja. Considerando que, para a sua posição, temos Petrovic e Palhinha no plantel (e ainda Battaglia), espero que seja possível vender Petrovic para a Turquia durante a próxima semana.


Adrien Silva: à hora que escrevo este texto, ainda não se sabe se há acordo 

(o Leicester, ao que parece, pediu uma ampliação de 2 horas do prazo de inscrições)

Ficando William, creio que há profundidade suficiente no plantel para suprir a saída de Adrien. Considerando a idade do jogador, será bom para todos se a venda se concretizar por um valor elevado. Se ficar, não será nenhum drama: o plantel ficará mais forte se o capitão se mantiver.


Casos por resolver: Douglas e Bryan Ruiz

terça-feira, 23 de maio de 2017

Balanço de 2016/17: GRs e Defesas



Rui Patrício: ** 
2015/16: *** 
2014/15: *** 
2013/14: ***

Depois de uma época memorável, em que esteve em grande nível no clube e se sagrou campeão europeu com a seleção - que lhe valeu o reconhecimento internacional e menções nos mais prestigiados prémios -, as expectativas para a época de Rui Patrício eram elevadíssimas. Infelizmente, o guarda-redes não correspondeu ao que dele se esperava. Não que tenha estado ostensivamente mal e custado muitos pontos ao clube - não esteve, e não custou -, mas o Sporting precisava de um guarda-redes que fizesse muito mais defesas impossíveis do que fez, e que valesse muito mais pontos do que valeu. Precisava do Rui Patrício das épocas anteriores. Infelizmente, esse Rui Patrício parece não ter regressado de França.


Beto: **

Regressou a casa treze anos depois da sua saída. Não sei se vinha com expectativas de ser titular perante uma eventual saída de Rui Patrício ou se com o papel de suplente, mas mostrou-se sempre comprometido com o clube, com o grupo de trabalho e, mais importante que isso, esteve sempre à altura das responsabilidades nos 9 jogos em que foi utilizado. Suponho que tenha um salário alto em relação ao que é a média do plantel, mas justifica-se. Enquanto adepto, estive sempre tranquilo quando Rui Patrício não esteve disponível para jogar. Espero que Beto continue por cá.


Azbe Jug: -
2015/16: -

Segunda época no clube, conseguiu em 2016/17 a proeza de ser ainda menos utilizado do que em 2015/16 - na qual fez um jogo para a Taça da Liga. Percebe-se o motivo. Na pré-época mostrou que não tinha nível para defender a baliza do Sporting e, tendo 25 anos, duvido que alguma vez venha a ter. Um problema para a direção resolver neste defeso, pois não faz sentido mantê-lo por cá durante os três anos de contrato que restam.


Ezequiel Schelotto: **
2015/16: **

É um eufemismo dizer que Schelotto não é dos jogadores mais queridos entre a generalidade dos adeptos sportinguistas, mas eu não desgosto do jogador. Schelotto pode não ser um lateral com boa capacidade de decisão, pode ter um aproveitamento pobre nos cruzamentos, mas compensa com a sua disponibilidade física e com a profundidade que dá ao corredor direito. Para além disso, é um jogador fiável defensivamente em situações de 1 contra 1 (estatisticamente, é o lateral do Sporting que menos dribles permitiu). As suas características pedem, à sua frente, um jogador mais com as características de João Mário do que com as de um Gelson Martins, e acabou, a meu ver, por sair prejudicado por isso. Ainda assim, foi o 2º jogador do Sporting com mais assistências no campeonato: 5.


João Pereira: **
2015/16: **

Para mim, foi um dos mistérios da época. Começou muito bem a época mas, sem que nada o fizesse prever, perdeu a titularidade para Schelotto. A partir daí, foi jogando a espaços, mas quase sempre a bom nível. De tal forma que, nas competições internas, o primeiro jogo que o Sporting não ganhou com João Pereira em campo foi... na Luz, à 13ª jornada. Até esse momento, João Pereira tinha sido utilizado em 9 jogos e festejado 9 vitórias. Nas competições europeias a conversa foi diferente: em Madrid acabou por ficar indiretamente ligado ao golo da derrota, e em Alvalade foi expulso. De qualquer forma, fez uma boa metade de época que viria a ser interrompida com a sua transferência para a Turquia, que se pode compreender face à necessidade de reduzir custos após a queda de todos os objetivos - e falamos de um jogador que, na altura, já tinha 32 anos. Desta época, guardarei na memória aquele corte oportuníssimo na área a Adrián no final do Sporting - Porto, que poderá ter valido a vitória nessa partida.


Ricardo Esgaio: * 
2015/16: *
2014/15: *

Utilizado em 14 partidas na equipa principal, Esgaio não conseguiu, mais uma vez, mostrar atributos que justifiquem maiores oportunidades. É verdade que a sua utilização foi inconstante - o que nunca ajuda à afirmação de um jogador -, mas não me lembro de ter ficado convencido, em qualquer um desses jogos, de que pode estar ali material para ser explorado com maior insistência. A polivalência de Esgaio pode ser útil em várias ocasiões, mas não me parece que alguma vez venha a ser mais do que isto num plantel de um clube como o Sporting.


Jefferson: *
2015/16: *
2014/15: **
2013/14: **

Quarta época em Alvalade, que provavelmente terá sido a última. A crua realidade é que Jefferson tem tido um rendimento fraquíssimo nos últimos dois anos e meio. Tem sido uma sombra do jogador que era uma ameaça nos cruzamentos e bolas paradas. Defensivamente comprometeu com frequência, ofensivamente raramente acertou um cruzamento. Nos últimos dois jogos desta época (contra Feirense e Chaves) voltou a demonstrar alguma raça e confiança, mas esse breve cintilar vem tarde demais para justificar mais um ano por cá. Agora que já tem o passaporte português, está na altura de procurar outro clube.


Marvin Zeegelaar: *
2015/16: *


Época irregular. Esteve razoável na primeira metade, relativamente certo a defender e inócuo a atacar. Em dezembro saiu da equipa e tardou em reencontrar-se, pois é um jogador que aparenta precisar, mais do que a maioria, de muitos jogos seguidos para ganhar confiança e tornar-se um jogador útil - o que é insuficiente para um titular de uma equipa que ambiciona lutar pelo título. Gostaria de dizer que poderia ser uma alternativa de banco para uma eventual contratação, mas está visto que não tem características psicológicas para esse papel - entraria sempre muito receoso sempre que fosse chamado.


Sebastián Coates: ***
2015/16: ***

No meio do descalabro que foi a defesa do Sporting ao longo desta época, Coates foi o único jogador que esteve ao seu melhor nível. Um patrão a quem faltou funcionários em melhor forma.


Rúben Semedo: **
2015/16: ***

Época algo irregular em que pareceu regredir em relação ao final da época passada. Cometeu demasiados erros, alguns dos quais foram castigados com golos dos adversários. Esses erros parecem mais fruto de desconcentração do que de falta de confiança - aliás, confiança é algo que lhe parece não faltar, até a tem em demasia. Também não ajudou a instabilidade que havia na posição de lateral esquerdo, obrigando-o a atenção redobrada. Os atributos físicos e técnicos dão-lhe condições para ser um central de topo, mas é necessário que a cabeça os acompanhe nesse desígnio. Veremos se a próxima época será a da sua afirmação em definitivo.


Paulo Oliveira: **
2015/16: **
2014/15: ***

Foi utilizado de forma intermitente, mas teve uma época ao nível do que se espera de Paulo Oliveira: um jogador capaz de resolver 90% das situações de forma eficiente e expedita, mas a quem faltam argumentos físicos e técnicos para resolver os restantes 10%. Parece-me um excelente terceiro central para o plantel, espero que continue.


Douglas: *

Considerando a sua experiência e o facto de ser um fetiche de Jesus, esperava-se que se adaptasse rapidamente ao sistema de jogo do Sporting e não tardasse a entrar nas contas da titularidade. Não só tardou, como não convenceu nas oportunidades de que dispôs. Neste caso não se pode ter o mesmo nível de tolerância que se dá a jogadores jovens e baratos, pois Douglas não é nem uma coisa nem outra. Com a entrada de André Pinto no plantel, deixa de haver espaço para o brasileiro.

terça-feira, 14 de março de 2017

Na na na na na na na... GALGO!

Muito engraçada a interação que houve ontem no Twitter entre Schelotto e as redes do Sporting (e também o meu amigo @nunovalinhas). Tudo começou com uma sugestão de cântico do argentino...


Entretanto, já depois da reportagem:



domingo, 29 de janeiro de 2017

Um leão viciado em sofrimento

As coisas são o que são: o estado psicológico - futebolisticamente falando, claro está - deste sportinguista que vos escreve já viveu melhores dias. Comentava com os meus companheiros de bancada, ao intervalo, que não me conseguia sentir tranquilo com a vantagem de 3-0 construída durante a primeira parte. Apesar do domínio avassalador que o Sporting demonstrara até então, apesar das grandes exibições de Gelson, Schelotto, Dost, Adrien e Alan Ruiz, apesar do entusiasmo que parecia contagiar a equipa e as bancadas, não conseguia deixar de pensar em todos os fatores adversos - um meio-campo amarelado ou em risco de exclusão e a tremideira que poderia surgir com um eventual golo do Paços - que poderiam azedar uma noite que, até ao momento, roçava a perfeição. Porque sei que o Sporting é um viciado em sofrimento. E ontem, lá está, não foi capaz de passar sem a sua dose habitual. Felizmente que, desta vez, o final foi mais feliz, pois, para alívio generalizado, Dost deu a estocada final na partida imediatamente a seguir ao segundo golo do Paços. 



A primeira parte - Jesus disse, na flash interview, que talvez tenham sido os melhores primeiros 45 minutos do Sporting esta época. Tendo a concordar com o treinador. O Sporting entrou em campo com vontade de marcar rapidamente, jogando com intensidade e de forma mais prática do que tem sido normal. Para essa maior simplificação de processos foi decisiva a capacidade de desequilíbrio em velocidade do nosso flanco direito: Gelson Martins e Schelotto combinaram muito bem, fazendo duas das exibições mais positivas da equipa. Destaque também para Adrien e Alan Ruiz: o capitão esteve bastante dinâmico, aparecendo várias vezes na área para finalizar, enquanto o argentino parece estar a definir melhor o tempo de controlo e entrega do esférico. A consequência desta conjugação de fatores foi uma primeira parte de grande nível, colorida com três golos e várias outras oportunidades para marcar.

A qualidade dos golos - falo do 2º e do 3º, obviamente. Duas obras de arte, cada qual dentro do seu género. Valeram, por si só, o preço do bilhete.

De novo Bis Dost - mais dois golos, à ponta-de-lança, o último dos quais devolveu a tranquilidade à equipa. Já leva 16 golos em 16 jogos (8 golos nos últimos 5 jogos), com uma taxa de aproveitamento fenomenal, e sem qualquer penálti convertido. Começa a ser difícil encontrar adjetivos que o classifiquem.

O "Ruuuuuuui!!!" voltou a ouvir-se em Alvalade - depois de ter comprometido na jornada passada, Rui Patrício deu a melhor resposta possível: voltou a ser decisivo. Efetuou três defesas cruciais, uma das quais magnífica, quando impediu que Welthon, isolado, reduzisse para 3-2 ainda antes dos 60'.  



Incapacidade de gerir resultados - mais uma vez, o Sporting tinha tudo para ter o jogo controlado... mas foi incapaz de gerir o resultado. É certo que a falta de confiança que advém dos maus resultados dos últimos meses não ajuda, mas também há uma questão tática que, na minha opinião, Jorge Jesus deveria ponderar: a disposição das peças tem de ser necessariamente diferente quando queremos abrandar o ritmo de jogo. Abrandando o ritmo de jogo, ficamos mais expostos à pressão adversária - que, em desvantagem, tem maior interesse em procurar a bola -, que reduz drasticamente as linhas de passes disponíveis e acaba por forçar erros dos nossos jogadores. Para além disso, consentimos demasiadas situações de contra-ataque - recordo-me de três ou quatro situações de igualdade ou vantagem numérica de jogadores do Paços. O nosso meio-campo deveria ser reforçado para não se correr tantos riscos, quer nas trocas de bola, quer na contenção necessária quando a perdemos. Mas o meio-campo não só não foi reforçado, como ainda sofreu com as dificuldades físicas que Alan Ruiz e Bryan Ruiz revelaram a partir dos 60 minutos. Assim fica difícil controlar o quer que seja.

Bolas paradas defensivas - o Paços de Ferreira conseguiu criar imensos problemas nos vários cantos de que dispôs. Marcou um golo e não ficou longe de fazer abanar as redes noutro par de ocasiões. Na semana passada, na Madeira, o Sporting também se revelou bastante vulnerável neste tipo de lances - o que é preocupante para a próxima jornada, considerando que o Porto tem tido um aproveitamento bastante apreciável nas bolas paradas.

O amarelo de William - o nº 14 foi um dos protagonistas do grande momento da noite, ao fazer a assistência para o golo de Gelson, mas, no geral, a sua exibição foi bastante cinzenta na primeira parte. Falhou muitos passes, errou no timing de pressão em algumas situações que deixaram a defesa exposta, e, para piorar, viu um cartão amarelo desnecessário (mas justo) que o deixa de fora do jogo do Dragão. Há que dizer, no entanto, que melhorou de produção na segunda parte, quando se adiantou no terreno e passou a ter Palhinha nas suas costas.



Regresso às vitórias com uma exibição que, a espaços, fez lembrar a equipa dominadora que tivemos na época passada. Segue-se um desafio importantíssimo no Dragão, que, correndo bem, pode servir para a equipa recuperar muita da confiança perdida.

Arte de régua e esquadro e arte com pinceladas de mestre

Dois enormes momentos de futebol, cada qual no seu estilo. Alan Ruiz, Schelotto e Dost a sacarem da régua e esquadro para traçar o caminho para a baliza, e William e Gelson a desenharem arcos que tiraram do caminho meia equipa do Paços. Magnífico!


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

É isto que pedimos

Ontem deixou tudo em campo. Correu quilómetros, fez inúmeros sprints em ambas as direções do campo. Magoou-se, mas voltou para dentro de campo, mesmo estando visivelmente condicionado, para tentar ajudar a equipa.

A equipa perdeu, mas ninguém pode colocar em causa os jogadores pelo esforço colocado ao serviço do coletivo. Se mantivermos esta atitude nos próximos jogos, tenho a certeza que os bons resultados reaparecerão rapidamente.

Mixed feelings

O Sporting perdeu mais um jogo e ficou praticamente sem hipóteses de seguir em frente na Liga dos Campeões, mas não estou desapontado com a prestação da equipa. Pelo contrário. Jesus mexeu no onze como ainda não tinha mexido esta época, e, do ponto de vista daquilo que quereria alcançar taticamente, não se deu nada mal. Na maior parte do tempo de jogo, o Sporting controlou um adversário forte no seu próprio terreno. Por outro, também não estou excessivamente satisfeito com a exibição. Perder é perder, e atravessamos uma fase em que as vitórias morais não chegam para encher sequer um quarto de depósito da alma. E, para além disso, pela terceira vez faltou-nos aquele bocadinho assim de que se fala nos iogurtes para crianças. É verdade que a equipa correu, lutou, tentou adaptar-se às circunstâncias, mas faltou audácia no momento de correr riscos, e quando vemos que não feito tudo - mas mesmo tudo - para alcançar um resultado melhor, todas as boas ideias que possam ter existido antes acabam por ficar relativizadas no panorama geral do que nos foi dado a observar.

Foto: Global Imagens / Gerardo Santos


A alteração tática - muito interessante a mutação tática que Jesus promoveu na abordagem deste jogo. Perante a ausência de uma alternativa credível a Adrien, decidiu colocar três centrais - com Coates posicionado entre Paulo Oliveira e Rúben Semedo - e adiantou os laterais, organizando a equipa numa espécie de 3-4-3 com bola, e 5-4-1 sem bola. Numa primeira análise, esta opção favorece bastante as características de Schelotto e Zeegelaar - a quem a posição de médio não é desconhecida -, que demonstraram bastante mais confiança para a subir no terreno, contribuindo também para que a pressão alta funcionasse muito bem em determinadas fases da partida. Por outro lado, a linha defensiva jogou entre 5 a 10 metros mais recuada do que é habitual, o que dificultou o Dortmund de explorar as costas da defesa com a frequência inicialmente planeada. Pelo que me pareceu, a maior fragilidade que revelámos acabou por ser o espaço por vezes dado ao adversário à entrada da nossa área, causado sobretudo pelas hesitações dos nossos defesas em decidir qual deles deveria avançar em contenção - uma questão que, obviamente, tem a ver com a falta de rotinas neste esquema. Não é uma ideia que possa ser usada frequentemente na liga portuguesa, porque não nos podemos dar ao luxo de ter três centrais contra equipas fechadas nos último terço do terreno, mas pode perfeitamente ser um plano a utilizar em situações em que é preciso segurar um resultado.

Para variar, os laterais - Schelotto fez, na minha opinião, uma exibição bastante positiva. Concentrado a defender e muito ativo no ataque, pareceu sentir-se como peixe na água neste novo esquema. Teve boas combinações com Gelson, e fez um excelente cruzamento que Bryan Ruiz podia ter concluído de melhor forma. E, claro, é de louvar o espírito de sacrifício revelado nos últimos minutos, fazendo os possíveis para ajudar a equipa numa altura em que estava diminuído fisicamente. Está a subir de forma, pois já tinha sido dos melhores da equipa contra o Nacional. Quanto a Marvin, fez também um jogo globalmente positivo, tendo-se finalmente vislumbrado alguma vontade em criar alguma coisa - certamente por saber que o espaço nas suas costas estava melhor guarnecido.

A primeira parte de Gelson - esteve ao seu melhor nível: imprevisível e imparável. Falhou "apenas" na finalização, pois, aos 27', teve uma oportunidade clara para marcar na cara de Burki. Na segunda parte baixou de rendimento, para o qual terá contribuído o desgaste causado pelo trabalho que teve nos dois lados do campo.

A presença sportinguista nas bancadas - incrível como se fizeram ouvir, durante todo o jogo, num estádio mundialmente conhecido pelo apoio que é dado à equipa da casa. Foram enormes!



Não fizemos TUDO para alcançar um resultado melhor - é natural que, perto do final, a equipa já estivesse muito desgastada fisicamente, e que faltasse clarividência nas decisões, mas, mais uma vez - à semelhança do que aconteceu no último sábado - não percebo por que Jesus não arriscou mais para chegar ao empate. Tinha três centrais em campo, pelo que poderia perfeitamente mandar Coates ou Semedo (ou até os dois) para tentar o chuveirinho. No entanto, mais uma vez, preferimos andar em trocas de bola inconsequentes em pleno tempo de descontos. Com o resultado em 1-0, tínhamos, obrigatoriamente, de fazer mais para conseguir evitar a derrota.

Falta de eficácia e excesso de cerimónia na finalização - duas características exasperantes desta equipa que têm sido recorrentes. Por um lado, não conseguimos converter nenhuma das várias oportunidades que tivemos na área alemã. Por outro, abdicámos da tentativa de alvejar a baliza em algumas situações bastante interessantes - a situação mais paradigmática foi a cavalgada de Zeegelaar até à área que, em muito boa posição de remate, acabou por preferir fazer um passe recuado para o centro onde não estava ninguém. Assim fica difícil.



O empate do Real em Varsóvia (os polacos marcaram três golos em três remates fora da área) acaba por nos manter, pelo menos matematicamente, nas contas do apuramento. Teremos, portanto, uma última oportunidade de fazer boa figura na competição. A atitude parece estar de volta, mas é fundamental recuperar os níveis de confiança - um percurso que demorará o seu tempo, e que terá que se iniciar, forçosamente, já no partida com o Arouca. É FUNDAMENTAL que os sportinguistas marquem presença em peso no Estádio de Alvalade, no próximo domingo.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Balanço de 2015/16: GRs e Defesas


Rui Patrício: ***          2014/15: ***     2013/14: ***

Aos 28 anos, Rui Patrício é a prova viva de que os melhores anos dos guarda-redes ficam guardados para uma idade mais avançada. Creio que será consensual que terá efetuado a melhor época da sua carreira, fazendo uso das qualidades que já lhe eram reconhecidas, mas desta vez com uma consistência e regularidade inéditas. Para além disso, mostrou progressos em duas vertentes em que revelava demasiadas dificuldades: no controlo da profundidade e, principalmente, a sair dos postes. Os momentos baixos da época de Rui Patrício terão sido as duas expulsões (uma injusta, contra o Tondela, que nos viria a custar dois pontos, e na Albânia contra o Skenderbeu), mas foram imensos os pontos altos, que valeram muitos pontos ao clube. Grande, grande época.


Marcelo Boeck: *          2014/15: *     2013/14: *

Vinha de uma época pouco feliz, em que tinha comprometido demasiadas vezes para o tempo que jogou. Infelizmente, esta temporada foi ainda pior. A forma física com que apareceu após as férias era um indício para aquilo que viria a acontecer. Dos 6 jogos em que participou, comprometeu em 4 (Skenderbeu, Paços de Ferreira, Tondela e Portimonense). Não se compreende o motivo pelo qual o Sporting lhe renovou o contrato em dezembro, quando já se via que não fazia qualquer sentido a sua continuidade. Quinze dias depois, acabou por sair para o Brasil. Não há sportinguista que não goste da forma como Marcelo sentia o clube, pelo que ficam, ainda assim, boas memórias da sua passagem por Alvalade.


Azbe Jug: -

Considerando a péssima forma de Marcelo, o facto de Jug ser a terceira opção não era propriamente um bom cartão de visita. No entanto, no único jogo que fez (em Arouca, para a Taça da Liga), esteve bastante bem. Não é suficiente para ficarmos com uma ideia do seu real valor, mas deixou-me com curiosidade para o ver jogar mais vezes. Será que fica no plantel na próxima época? 


João Pereira: **

O péssimo início de temporada que fez levava a crer que a sua contratação teria sido um erro. Teve o momento mais complicado com o penálti desnecessário e expulsão frente ao Paços, na segunda jornada, que nos fez desperdiçar dois pontos. No entanto, com o passar das jornadas o seu rendimento foi evoluindo positivamente e chegou ao inverno numa excelente forma. Acabou por ser surpreendente a perda da titularidade para Schelotto - não só João Pereira estava a convencer, como as primeiras exibições do italiano deixavam muito a desejar. Considerando que é um jogador que já tem 32 anos e que, à partida, não será titular, fica a dúvida se continuará no Sporting na próxima época.


Ricardo Esgaio: *          2014/15: *

No primeiro terço da época ainda foi dividindo a titularidade com João Pereira, mas quando este começou a subir de rendimento, Esgaio foi perdendo minutos. Nas oportunidades que teve, cumpriu sem grande brilho, o que é curto para um jogador que está numa fase decisiva da sua carreira. Na última jornada, no entanto, Jesus surpreendeu e lançou-o no meio-campo. Ontem, renovou contrato. Será que há algum plano de adaptação em curso para fazer de Esgaio um box-to-box?


Ezequiel Schelotto: **

Reforço de inverno, não convenceu nos primeiros jogos, ao ponto de muita gente questionar a insistência de Jesus em utilizá-lo em detrimento de João Pereira. Com o tempo foi-se percebendo o motivo da insistência: o poder de aceleração e velocidade de Schelotto permite-lhe aproveitar como poucos o espaço nas alas que João Mário cria quando procurar espaços interiores. À medida que o entendimento de Schelotto com os companheiros foi melhorando, a sua influência na manobra ofensiva aumentou significativamente, mostrando também ser bastante decente nos cruzamentos. Para além disso, é um jogador raçudo, e cuja altura o torna bastante útil nas bolas paradas defensivas. Parece-me que fez o suficiente para justificar a sua contratação em definitivo.


Jefferson: *          2014/15: **     2013/14: **

Mais uma época muito irregular, mas desta vez - e ao contrário dos dois anos anteriores - nivelada por baixo. O primeiro terço de temporada foi bom, sobretudo do ponto de vista ofensivo, mas revelando com demasiada frequência as dificuldades para defender que já eram conhecidas. As frequentes lesões prejudicaram nitidamente o rendimento de Jefferson, tornando-o mais num risco do que numa arma. Acredito que tenha mercado para que o clube faça uma venda interessante.


Jonathan Silva: *          2014/15: *

Foi alternando no onze com Jefferson até novembro, mas nunca conseguiu afirmar-se. A saída por empréstimo acabou por não surpreender. Duvido que tenha lugar no plantel na próxima época.


Marvin Zeegelaar: *

Sendo um extremo de origem, havia a expetativa de que tivesse, como lateral, capacidade de criar desequilíbrios pela faixa esquerda, arrancando de trás. No entanto, as suas exibições mostraram precisamente o contrário do que se esperava. Pareceu demasiado receoso em subir no seu flanco, e relativamente certo a defender. Jorge Jesus certamente esperava mais do ponto de vista ofensivo, tanto que acabou por entregar o lugar a Bruno César em jogos em que o adversário não exigisse grandes preocupações defensivas. Talvez uma pré-época completa ajude Marvin a soltar-se. No entanto, se não conseguir subir de nível, provavelmente acabará emprestado ou vendido.


Paulo Oliveira: **          2014/15: ***

Início de temporada dentro da linha que se esperava, revelando um bom entendimento com Naldo e Ewerton. Uma lesão acabou por fazer com que perdesse a titularidade para Coates e Semedo, acabando por ficar sem jogar praticamente durante toda a época. Voltou a ter bastantes minutos na última jornada, e esteve em bom plano. Em relação ao futuro, o facto de não ser um jogador rápido e ter dificuldades em sair a jogar, fazem dele o potencial 3º central para a próxima época. Se assim for, o Sporting ficará muito bem servido.


Naldo: **

Impôs-se com facilidade no onze (a lesão de Ewerton ajudou) e fez uma dupla sólida com Paulo Oliveira até ao regresso de Ewerton. A partir desse momento, foi desaparecendo gradualmente. Pouco jogou na segunda volta. Tendo sido um jogador relativamente caro, e considerando que não deverá ser mais que uma 3ª / 4ª opção, é provável que o clube pense em recuperar o investimento já neste defeso.


Tobias Figueiredo: *          2014/15: **

Começando como quarto central, não teve muitos minutos para mostrar o que vale. Quando teve oportunidades, as exibições não foram convincentes - mas há que reconhecer que a utilização pouco regular e o facto de ter tido sempre parceiros diferentes no centro da defesa não o ajudaram. Precisa de jogar com frequência para atingir o próximo nível, pelo que só ganhará em ser emprestado a outro clube na próxima época.


Ewerton: *          2014/15: ***

Ninguém coloca em causa a classe de Ewerton. De todos os centrais do Sporting, seria, na minha opinião, o parceiro ideal de Coates no onze. No entanto, as lesões tornam o brasileiro um jogador pouco fiável, pelo que é complicado que continue no plantel na próxima época.


Sebastián Coates: ***

Chegou, viu e venceu. Foi uma grande contratação de inverno, impondo-se de imediato como o patrão na defesa. Fisicamente dominante, fortíssimo no jogo aéreo, velocidade q.b., excelente leitura de jogo e muito competente com a bola nos pés. Para o ano, será Coates e mais dez.


Rúben Semedo: ***

Jesus surpreendeu tudo e todos ao entregar a titularidade a Rúben Semedo, poucos dias depois de ter regressado do V. Setúbal. A verdade é que, agora que passaram quatro meses, todos conseguimos perceber o que Jesus viu no jogador. A sua velocidade, capacidade de antecipação e competência para sair a jogar permitiram a Jesus avançar a linha defensiva uns bons metros, que ajudam a sufocar os adversários no seu meio-campo. Havia receios em relação à sua imaturidade - que, na realidade, acabaram por lhe valer uma expulsão desnecessária frente ao Leverkusen, e cometeu um ou outro erro que um jogador mais experiente dificilmente cometeria -, mas o balanço global é tremendamente positivo. Quem diria que se iria impor tão cedo a este nível?

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Os melhores momentos do Braga - Sporting

A despedida do campeonato foi selada com mais uma enorme exibição. Ruiz, William, Gelson, Slimani e João Mário abriram o livro, bem secundados pelo resto da equipa. Aqui ficam alguns dos melhores momentos do jogo de ontem.


Gostava de destacar, no entanto, o lance do segundo golo. Nasce de uma jogada em que participaram todos os jogadores do Sporting, com exceção de Rui Patrício: 

João Mário (1) - Semedo (2) - Paulo Oliveira (3) - Semedo - João Mário - Ruiz (4) - Bruno César (5) - Ruiz - João Mário - Teo (6) - William (7) - Gelson (8) - Schelotto (9) - William - Slimani (10) - Semedo - Ruiz - Bruno César - Slimani

42 pacientes segundos de trocas de bola, no meio-campo do Braga, até se encontrar o ponto certo por onde perfurar a defesa adversária. Uma maravilha.



Nunca mais é agosto.

domingo, 1 de maio de 2016

Sporting de outra classe

Num desafio que já era à partida de dificuldade máxima - pela carga competitiva e emocional que os clássicos sempre têm -, mas que por cima disso ainda tinha a agravante da pressão de se saber que um empate ou uma derrota significariam a perda do campeonato, o Sporting realizou uma exibição de grande nível e demonstrou, mais uma vez e de forma clara, que é a melhor equipa da atualidade em Portugal.

Como seria de esperar, o Porto fez aquilo que lhe competia e entrou em campo para ganhar o jogo. Dispôs de várias oportunidades para marcar e pode queixar-se de um penálti que ficou por marcar. Mas a verdade é que a superioridade do Sporting foi evidente durante praticamente todo o jogo - com a exceção daqueles momentos que se seguiram ao golo de Herrera, em que a equipa pareceu acusar o empate e tremeu um pouco. Mas a regra que imperou foi o domínio do Sporting, suportado sobretudo na superioridade demonstrada na batalha do meio-campo - com William, Adrien, João Mário e Ruiz a engolirem o  trio Danilo / Sérgio Oliveira / Herrera -, e pela intranquilidade que a ação de Slimani e Teo causava nos centrais adversários, claramente o elo mais fraco do Porto.

Foi a primeira vitória no Dragão para o campeonato nos últimos 9 anos, e a segunda vitória nos últimos três jogos se contarmos com a Taça de Portugal. Apesar de o Porto não estar a passar por uma boa fase, não se deve menosprezar o feito alcançado pelo Sporting - não só porque não deixa de ser um jogo difícil num terreno que, até há bem pouco tempo, era praticamente intransponível, mas também pelo que representa em termos de afirmação desta equipa no contexto do novo equilíbrio de forças no futebol nacional.



Positivo

Senhor João Mário - está a fazer uma ponta final de temporada inacreditável. O trabalho no primeiro golo é absolutamente genial: amortece a bola com o peito, em impulsão, após um passe demasiado comprido de William, para depois controlá-la com um pequeno toque com o pé que a faz passar por entre as pernas de José Angel, tirando-o do caminho, e progredindo de seguida para a área até ter uma linha de passe para Slimani que, na pequena área, apenas teve que encostar para a baliza. Foi também dele a assistência para Bruno César no terceiro golo. Foram os dois momentos altos de (mais) uma grande exibição.


A vida de Bryan - mais descaído para a esquerda, como é habitual, encheu o campo com a sua classe, e trabalhou que nem um desalmado. De certa forma, é quase um crime que seja obrigado a fixar-se numa determinada zona do terreno que o deixa tão afastado de João Mário. Destaque para os dois cruzamentos teleguiados para a cabeça de Slimani (um deu golo, o outro foi brilhantemente parado por Casillas), 

Slimani a bisar - mais dois golos do argelino, que se juntam aos dois que já tinha marcado ao Porto na primeira volta. Se no primeiro foi só encostar, o segundo foi de uma excelente execução técnica - num lance que já é um clássico do Sporting 2015/16: cruzamento de Ruiz para o poste mais distante e Slimani a cabecear no sentido contrário ao movimento do guarda-redes. 

Schelotto todo-o-terreno - uma prova de fogo que o italo-argentino superou com distinção. Incisivo no ataque, muito bem a cruzar, e bastante sólido a defender. Provavelmente a exibição mais completa que fez de leão ao peito até ao momento.

Ruuuuuuuuuuuuuuuuui - numa tarde de bastante trabalho, Rui Patrício esteve particularmente brilhante no remate ao poste de Herrera em que, com uma súbtil defesa com o pé, acabou por fazer toda a diferença. Muito bem a fazer a mancha em várias ocasiões do Porto na pequena área. E mesmo no livre de Sérgio Oliveira à barra, teria defendido se esta tivesse ido um pouco mais baixa. Que grande época.

Jogar como equipa, ganhar como equipa - é, em certa medida, injusto estar a referir apenas quatro jogadores, quando todos tiveram prestações bastante positivas, e em que, sobretudo, há um coletivo que potencia as individualidades.


Negativo

A abordagem de Coates no lance do penálti não assinalado - não sei o que se passou na cabeça do uruguaio, mas poderia ter deitado tudo a perder com o empurrão desastrado a Aboubakar. Um penálti claro que nos foi perdoado, que não só poderia dar o empate ao Porto, como também nos deixaria a jogar em desvantagem numérica - pois Coates já tinha amarelo. Não consigo compreender como não foi assinalado. A única explicação que encontro é que tenha havido alguma tentativa de compensação pelo penálti assinalado sobre Brahimi que, para além de me ter parecido forçado - há contacto entre o joelho de Coates com a anca de Brahimi, mas muito ao de leve -, é antecedido de uma falta não assinalada de Aboubakar sobre Schelotto.

A finalização, mais uma vez - João Mário, aos 5 minutos, isolado perante Casillas, faz um remate em arco que sai por cima; Slimani, já com o resultado em 0-1, falha incrivelmente na pequena área, após cruzamento de Schelotto; dois cabeceamentos na sequência de cantos que poderiam ter tido mais força (Slimani, aos 32') ou melhor direção (Coates, aos 56'); cabeceamento de Slimani, após cruzamento de (pasme-se!) Ruiz, para uma enorme defesa de Casillas; João Mário a deixar-se antecipar por André André, quando estava na cara de Casillas; não fosse o desperdício, e o jogo poderia ter acabado bem mais cedo. 



Continuamos a necessitar de um deslize do Benfica para regressar ao primeiro lugar. É óbvio que, de semana para semana, as probabilidades de tal deslize acontecer vão-se reduzindo. Não tenho nenhuma fé no Marítimo (presidido por Carlos "não farei nada para que o Benfica não seja campeão" Pereira), e acho altamente improvável que o Nacional faça o país vir abaixo na Luz. Mas a excelente carreira que o Sporting está a fazer esta época - são vários os recordes que já se bateram - merece que façamos por acreditar. Até ao último segundo.

domingo, 24 de abril de 2016

Vitória tranquila com o Dragão já no pensamento

É um sinal de saúde competitiva quando vemos o nosso clube dominar totalmente o adversário durante 90 minutos, mesmo sendo óbvia uma certa gestão física e naturais cautelas na abordagem de lances divididos, naturais para quem já tinha o jogo do Dragão no pensamento. O Sporting marcou dois golos cedo e nunca teve necessidade de elevar o ritmo ao máximo das capacidades, mas mesmo em velocidade de cruzeiro criou oportunidades suficientes para construir um resultado bem mais volumoso.



Positivo

Marcar cedo - fundamental para quebrar a confiança de equipas como o União, que entram em campo sobretudo com a ideia de não sofrer golos. Valeu o bom nível de eficácia finalizadora que tanta falta nos fez noutras ocasiões.

O cruzador holandês - (ainda) não estou convencido que Zeegelaar possa vir a ser o lateral esquerdo de que precisamos. Essa minha opinião tem-se baseado sobretudo pela falta de confiança que o holandês demonstra no apoio ao ataque. No entanto, ontem, foi decisivo por ter feito as duas assistências para golo. Percebe-se perfeitamente a preocupação de Jesus em dar-lhe minutos para atacar esta ponta final (nomeadamente no Porto e em Braga), pelo que esta injeção de confiança vem na melhor altura.

Mais um golo de Teo - desbloqueou o resultado com um cabeceamento na pequena área, levando já seis golos marcados nos últimos cinco jogos. Para além disso, teve uma primeira parte globalmente positiva.

Rui Patrício a segurar - pouco depois do golo de Teo, fez uma enorme defesa a remate de Danilo, que impediu o empate do União. Mais um cromo na caderneta desta época das grandes defesas de Rui Patrício.

Outros destaques - William confirmou mais uma vez que está no melhor momento da época; Coates é classe dos pés à cabeça, e foi uma pena que não tivesse cruzado melhor depois daquela jogada em que levou a bola de uma área à outra; Schelotto esteve muito dinâmico pelo seu lado e voltou a fazer um bom jogo.


Negativo

Quebras de concentração - apesar do domínio generalizado, não foi um jogo isento de sustos, que aconteceram sobretudo por falhas de concentração da nossa parte. Quando a estratégia passa por gerir o resultado já alcançado, não se pode facilitar, sob pena de o adversário reentrar no jogo.

Exibições pouco conseguidas - Bruno César e Gelson ficaram vários furos abaixo do exigível, raramente as coisas lhes saíram bem; apesar do golo, João Mário teve uma exibição aquém do que lhe é normal; Slimani esteve infeliz na finalização; Barcos teve pouco tempo para se mostrar e revelou alguma ansiedade quando a bola lhe era dirigida.



Sexta vitória consecutiva, com um parcial de 20-5 em golos. Bom momento para ir visitar o Dragão, para um desafio absolutamente decisivo para o nosso objetivo final, contra um Porto que não pode ser, de forma alguma, subestimado.

domingo, 17 de abril de 2016

Missão cumprida, sem brilhantismo mas com polémica

Num jogo que não foi bem jogado, e em que o Sporting fez uma das mais fracas exibições em toda a época, é normal que a discussão se centre nos dois casos do jogo: um hipotético fora-de-jogo de Slimani no lance do golo e o golo anulado a Teo Gutierrez. Admito que Slimani esteja em fora-de-jogo, mas estou longe de ter certezas, e muito menos faz sentido quem afirme peremptoriamente que foi uma situação clara de fora-de-jogo. A linha de fora-de-jogo deve seguir a posição da bola, e tenho quase a certeza que os pés de Slimani estão atrás da linha da bola. A minha dúvida é em relação à cabeça, devido à inclinação do corpo na direção da baliza. Quanto ao golo anulado de Teo, parece-me uma decisão correta da equipa de arbitragem.

Não tenho conhecimentos técnicos para avaliar se esta imagem com ponto de fuga está correta, mas aqui fica como auxiliar.

(EDIT: a linha de fora-de-jogo deveria passar pelo ponto do solo abaixo da bola, e não pela bola propriamente dita, pois esta encontra-se levantada; isto faz com que desvie a linha na direção de Slimani - obrigado, Ricardo)


É uma pena que exista esta dúvida, porque o lance do golo foi uma obra de arte que merece ser vista e revista. Começou com um lançamento em profundidade de Teo para Slimani. O argelino, descaído para a esquerda, perto da quina da área do Moreirense e marcado por um adversário, fez um passe atrasado para William, que deixou de imediato em Teo, que por sua vez deu dois passos na direção da área e picou a bola para Schelotto, que surgia pela direita. O italiano colocou de primeira em Slimani, que encostou para as redes. Grande momento de futebol.

Apesar da polémica e do pobre espetáculo, o Sporting foi a melhor (ou menos má) equipa em campo. Durante a primeira parte, o Moreirense cavou trincheiras no primeiro terço de terreno e só chegou à área do Sporting através de lances de bola parada, sem que, no entanto, conseguisse criar qualquer situação de perigo para Rui Patrício. Na segunda parte, a equipa da casa arriscou mais, mas foi igualmente inofensiva. Ou seja, o Sporting até pode ter criado poucas ocasiões para marcar, mas na realidade foi a única equipa que o fez, pelo que a vitória se justifica. Não foi um bom produto de promoção do futebol, é certo, mas há jogos assim.



Positivo

O resultado - o Sporting pode ter feito uma exibição bastante apagada, mas venceu e conseguiu o essencial: os três pontos.

Um jogo à medida de Adrien - o Moreirense foi uma equipa muito combativa e agressiva (no bom sentido do termo), o que obrigou o Sporting a vestir o fato-macaco. Adrien deu o exemplo e foi muito importante no equilíbrio defensivo da equipa. Viu um cartão à meia-hora de jogo, mas soube sempre gerir essa situação sem perda de eficácia na disputa de bolas.

A primeira parte de Teo - o colombiano esteve bem durante os primeiros quarenta e cinco minutos, muito dinâmico na ligação entre o meio-campo e o ataque, e fazendo várias excelentes solicitações a companheiros, das quais se destaca o passe picado para Schelotto no lance do golo. Caiu muito na segunda parte, mas essa quebra de rendimento não foi exclusivo seu.

Schelotto decisivo - fez a assistência para Slimani, conseguiu algumas incursões perigosas pelo seu flanco e esteve bem a defender. Um dos melhores jogos do italiano até ao momento.

Doze vitórias fora - um novo recorde do Sporting, que nunca tinha vencido tantos jogos fora numa só época para o campeonato, e que é um sinal que atesta indiscutivelmente a excelente época que está a ser feita.


Negativo

A exibição - numa altura em que o Sporting vinha efetuando excelentes partidas, não se esperava tanta falta de inspiração, mesmo considerando a forma combativa como o Moreirense encarou o jogo. A falta de espaço para jogar no último terço ajudou à pálida exibição, mas a verdade é que também houve muito atabalhoamento e ausência de entendimento entre os jogadores mais avançados.

A arbitragem - para além do lance do golo, existiram 2 ou 3 foras-de-jogo mal assinalados ao ataque do Sporting. A expulsão de Jorge Jesus pareceu exagerada, porque o treinador não pareceu ter sido incorreto nem efusivo nos protestos - e a verdade é que tinha razão em protestar, porque Bruno Paixão revelou um critério desigual no momento de mostrar cartões, com prejuízo para o Sporting.



O Sporting cumpriu a sua obrigação e recuperou o primeiro lugar, pelo menos até segunda-feira. Tem a palavra o Benfica.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Uma equipa que quer e pode ser campeã

Um empate, numa fase destas do campeonato, nunca pode ser considerado um resultado positivo. No entanto, aquilo que vi ao longo destes 90 minutos no relvado do D. Afonso Henriques foi um Sporting muito forte, que mandou completamente no jogo, que não deixou o Guimarães jogar, e que em condições normais teria vencido confortavelmente - não fosse o facto de os nossos jogadores terem estado numa noite para esquecer em frente à baliza.



Positivo

Uma equipa que quer e pode ser campeã - o Sporting foi uma equipa muito personalizada que demonstrou, mais uma vez, que pratica o melhor futebol em Portugal. Num campo muito difícil, contra um adversário competente que estava disposto a deixar a pele em campo - o que exigiu níveis de agressividade (no bom sentido da palavra) elevadíssimos -, o Sporting teve capacidade para se impor fisica, tática e tecnicamente ao Vitória. Tirando uma oportunidade nos primeiros minutos, o Guimarães não conseguiu incomodar Rui Patrício, enquanto que do outro lado o Sporting criou ocasiões suficientes para ganhar confortavelmente. Em jogo jogado, foi uma exibição imensamente superior às de Benfica e Porto neste mesmo estádio. O Porto perdeu, e o Benfica só ganhou porque teve Xistra. Há equipas que podem ser mais ou menos eficazes na finalização, mas em condições normais este nível de desperdício não se deverá repetir. Uma equipa que tem capacidade para gerar tal quantidade de oportunidades em condições muito adversas só poderá estar otimista para os jogos que aí virão.

A classe de Ruiz - o costa-riquenho fez uma exibição de enorme categoria. Esteve melhor, como de costume, enquanto teve total liberdade para se movimentar. Com a entrada de Teo encostou à esquerda e participou menos na construção, talvez também por estar muito desgastado.

William imperial - mandou completamente na sua área de ação, ganhando a esmagadora maioria dos duelos que disputou. Fisicamente imponente, esclarecido com a bola nos pés, fez provavelmente a melhor exibição da época, e que vem na sequência de um conjunto de partidas de bom nível ao longo das últimas semanas. Se continuar assim, será fundamental para as batalhas que se avizinham.

A linha defensiva - mais uma vez, Jesus mexeu no quarteto à frente de Rui Patrício, mas nem por isso o comportamento defensivo da equipa se ressentiu. Individualmente, destaco, de entre todos, a exibição de Zegeelaar, que esteve sempre muito concentrado e demonstrou estar muitos furos acima em relação a Jefferson em missão defensiva. Do outro lado, Schelotto alternou entre o muito bom (ofereceu dois golos) e o mau, mas no geral teve uma exibição positiva. Os centrais estiveram extremamente eficazes.


Negativo

A finalização - Coates, Slimani, Gelson, Ruiz, Teo e William tiveram nos pés (ou na cabeça) excelentes ocasiões para marcar. Foi o único aspeto da exibição que falhou. Infelizmente, é um dos aspetos mais decisivos do jogo e, neste caso, falhámos redondamente no momento de meter a bola na baliza. Também é necessário dar o devido mérito a Miguel Silva, que fez uma exibição extraordinariamente corajosa. De qualquer forma, perdemos dois pontos por culpa própria.

A atitude de Schelotto - quando teve aquela explosão na primeira parte, a sorte de Schelotto é que escorregou ao começar a dirigir-se para Dalbert. Se não tivesse escorregado, provavelmente teria empurrado o jogador de Guimarães e seria expulso, deixando a equipa a jogar com 10 durante 60 minutos. Mereceu inteiramente o sermão que Jesus lhe aplicou em pleno relvado.

O amarelo a Rúben Semedo - ficará de fora do jogo com o Benfica por ter sido o 5º cartão. Felizmente que há Naldo e há Ewerton, pelo que não será por aí que nos apresentaremos mais fracos.



O resultado não era o desejado, mas continuamos isolados na frente e a mostrar que temos a equipa que melhor futebol pratica em Portugal. Não são más condições numa semana em que defrontaremos o Benfica no nosso estádio.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

No xadrez não ganha quem mergulha mais

Não foi uma exibição brilhante, mas o essencial foi alcançado. E, acima de tudo, foi um excelente exemplo para demonstrar aquilo que nos espera até ao final: quando o homem do apito quer, qualquer jogo se pode complicar. 

O jogo começou de forma atípica, com o Boavista a fazer um primeiro quarto de hora muito mais próximo da baliza do Sporting do que seria esperado, facto a que não foi alheia a gritante dualidade de critérios imposta por Rui Costa. O Sporting conseguiu controlar as operações a partir dos 15 minutos e realizou uma boa meia-hora, durante a qual alcançou uma vantagem de dois golos perfeitamente merecida. A segunda parte acabaria por ser menos interessante devido a uma compreensível gestão de esforço. Numa fase em que jogos de grau dificuldade elevada se sucedem, toda a folga que se consiga arranjar pode ser importante.



Positivo

Finalmente as bolas paradas - é de destacar os dois golos marcados de bola parada, uma vertente do jogo que provavelmente tem sido um dos pontos fracos do Sporting ao longo da época. Para além disso, de assinalar mais dois ou três lances de laboratório que geraram grande perigo. Isto vem na sequência de outro golo de Slimani de canto na Choupana, o que é um bom sinal para o que resta da temporada.

Apostas ganhas - Jesus decidiu poupar João Pereira e a titularidade de Schelotto acabou por resultar. O argentino aproveitou muito bem os espaços que teve no flanco direito e esteve na origem de bastantes lances de ataque da equipa. Falta-lhe no entanto melhorar a eficácia dos cruzamentos e não ter alguns lapsos de concentração a defender. Ewerton esteve imperial a defender e foi decisivo ao marcar o primeiro golo da partida, apesar de ter desperdiçado infantilmente outras duas ocasiões que teve com o resultado ainda em 0-0. Zeegelaar foi novamente titular e teve provavelmente o jogo em que revelou melhor entrosado com os colegas. Com o regresso de Jefferson, o Sporting só terá a ganhar com uma luta acesa pelo lugar.

Rui Patrício - realizou três defesas difíceis que permitiram ao Sporting manter uma vantagem confortável. Mais uma vez a ser importantíssimo.

O bom da gestão de esforço - foi importante que a equipa pudesse gerir o esforço durante a segunda parte, coisa que raramente tem sido possível ao longo desta época. Juntando isto à poupança de vários elementos habitualmente titulares (João Pereira, William, Coates e Jefferson), o Sporting poderá estar em melhores condições para encarar os três importantes encontros que terá nos próximos dez dias.


Negativo

Mais uma encomenda - Não é possível achar normal a dualidade de critérios de Rui Costa. Começou nas faltas e faltinhas exatamente iguais que tinham julgamento diferente em função da equipa que as cometia, passando por uma tolerância inacreditável a várias faltas duras por trás feitas por jogadores do Boavista, algumas das quais interromperam ataques prometedores. Gabriel, por exemplo, fez faltas suficientes para levar 3 amarelos, mas o árbitro só lhe mostrou 1. Mas o pior foi mesmo uma cotovelada na cara de Gelson que nem um amarelo mereceu e um pisão na zona do tendão de aquiles de Slimani que merecia um vermelho a Idris - e que apenas lhe valeu um amarelo. Para o Sporting foram mostrados dois amarelos em faltas que, comparando com várias que o Boavista cometeu, foram perfeitamente banais. O ponto positivo é que o árbitro não cometeu nenhum erro crítico na área do Sporting, mas a verdade é que não teve ocasião para isso. Porque se tivesse...


O mau da gestão de esforço - por vezes a equipa facilitou demasiado, e o Boavista acabou por fazer o suficiente para justificar um golo. Se não o fez, podem culpar Rui Patrício e os postes. Houve perdas de bola a mais com a equipa balanceada para o ataque e demasiadas faltas inúteis a proporcionar oportunidades de bola parada para o Boavista.



Apesar dos obstáculos que nos vão colocando à frente, continuamos líderes isolados. Faltam 11 finais.