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segunda-feira, 17 de junho de 2019

Balanço da época, nº 3: GR e defesas



Renan Ribeiro: ** 

Chegou no final da pré-época a pedido de José Peseiro para lutar por uma posição que já estava bastante preenchida. Acabou por ganhar o lugar após a lesão de Salin em Portimão, já na fase terminal do ex-treinador. 

Sem estar ao mesmo nível, Renan replica as qualidades e defeitos de Rui Patrício: forte entre os postes e no um contra um, mas com carências nos cruzamentos e no controlo da profundidade. A época de estreia em Alvalade foi definitivamente positiva, sobretudo graças aos dois títulos que ajudou a conquistar em três séries de penáltis, mas também pela qualidade e regularidade das suas exibições ao longo da época. Cometeu os seus erros, é certo, mas não me recordo de Renan nos ter custado quaisquer pontos. Ao invés, os seus reflexos e agilidade ajudaram a segurar vários resultados. 

Aceito que se diga que o Sporting deve ambicionar ter como titular um guarda-redes mais completo, mas, havendo tantas carências no plantel, diria que o reforço da baliza está longe de ser uma das prioridades para este verão. 


Salin: ** 
2017/18: - 

Iniciou a época como titular após a inesperada lesão de Viviano no aquecimento em Moreira de Cónegos, acabando por perdê-la também por lesão em Portimão. A partir daí, teve uma utilização esporádica, dividida pelas várias competições. Distingue-se pela positiva em relação a Renan ao nível do controlo de profundidade – muito mais rápido a ler a situação e a sair dos postes –, mas falha ao nível da regularidade. Ainda assim, cumpriu sempre que chamado, e teve o seu momento alto da época na enorme exibição realizada na Luz. 

Salin dá garantias suficientes para assumir o papel de segundo guarda-redes, mas suponho que a sua continuidade esteja dependente dos planos que a estrutura tiver para Max. 


Viviano: - 

Um dos mistérios de 2018/19. Tinha currículo, demonstrou qualidade na pré-época, teria sido titular na jornada inaugura não fosse a lesão no pescoço… mas acabou por não realizar um único minuto oficial que fosse no Sporting. Não foi opção nem para Peseiro, nem para Tiago Fernandes nem para Keizer, pelo que o seu empréstimo em janeiro acabou por não surpreender. 

O elevado salário que aufere faz da sua saída um dado praticamente adquirido. Resta saber se o clube conseguirá recuperar parte ou a totalidade do investimento feito há um ano. 


Luís Maximiano: - 

Não jogou, mas devia ter jogado – nem que fosse um ou dois jogos no campeonato, em Alvalade, a partir do momento em que o terceiro lugar na classificação ficou definido. 

Não pode continuar no Sporting no papel de 3º guarda-redes. Ou passa a 2º ou tem de ser emprestado para jogar. 


Bruno Gaspar: * 

Um erro de casting. Não só por ser macio a defender e inconsequente a atacar, mas, sobretudo, pela incapacidade demonstrada em coisas tão básicas como fazer a receção de um passe ou medir a força com que deve adiantar a bola em condução. Depois do que fez em Guimarães, não me parece que seja um jogador tão mau tecnicamente como pareceu ser durante esta época, pelo que suponho que tenha havido algum fator psicológico a afetar (seriamente) o seu rendimento. 

Seja como for, não tem lugar no plantel em 2019/20. Esperemos que a SAD consiga recuperar uma boa fatia dos 4,5 milhões investido. 


Stefan Ristovski: ** 
2017/18: ** 

Uma época marcada por três expulsões injustas que custaram quatro pontos ao Sporting e deixaram o jogador de fora das duas mãos da meia-final da Taça com o Benfica e da final da Taça com o Porto. Titular indiscutível sobretudo por causa da falta de concorrência, correspondeu de forma satisfatória ao que dele era exigido. 

Salvo alguma surpresa, permanecerá no plantel da próxima época – desejavelmente, mais no papel de alternativa do que no de titular. 


Thierry Correia: - 

Bons indicadores dados nas duas ocasiões em que foi utilizado na Liga Europa. No entanto, não me parece que o Sporting fique suficientemente apetrechado em 2019/20 apenas com o jovem Thierry e com Ristovski. Parece-me que o mais benéfico para todos será a sua cedência a um clube da I Liga para ganhar muitos minutos. 


Jefferson: * 
2016/17: * 
2015/16: * 
2014/15: ** 
2013/14: ** 

Só mesmo José Peseiro para achar que Jefferson tinha qualidade para estar no plantel e – pior – para ser titular. Não tardou até que Peseiro se apercebesse do erro: ao fim de quatro jornadas saiu do onze, apenas voltando a ser opção em caso de indisponibilidade de Acuña e, mais tarde, de Borja. 

Tem mais um ano de contrato, mas é muito pouco provável que continue. Ao fim de seis épocas no clube, seria bom para todos que a boa exibição na final da Taça, alinhando fora de posição, fosse a imagem final com que os sportinguistas fiquem de si. 


Cristián Borja: ** 

Boa contratação de inverno. Precisou de pouco tempo para a posição, libertando Acuña para o seu lugar original. Forte defensivamente, quer na capacidade de antecipação quer na utilização do físico para controlar os adversários, acabou por ser uma solução inesperada para jogar como 3º central. Sabe sair a jogar, mas falta-lhe acutilância ofensiva. O Sporting continua a precisar de um lateral esquerdo capaz de criar desequilíbrios e competente a cruzar. 


Lumor Agbenyenu: - 
2017/18: - 

Voltou a não ser opção. Fez apenas 90 minutos nos Açores, assinando uma boa exibição, e fez 28 minutos na derrota caseira com o Estoril que ditou o despedimento de Peseiro. Tem mais três anos de contrato, pelo que será mais um problema para Hugo Viana resolver durante o defeso. 


Sebastián Coates: *** 
2017/18: ** 
2016/17: *** 
2015/16: *** 

Numa época em que a consistência defensiva foi um problema, não se pode apontar o quer que seja a Coates. O uruguaio foi muito mais vítima do que culpado: teve que ser demasiadas vezes bombeiro de serviço para resolver os problemas que a nossa lateral direita lhe criava e para compensar as dificuldades de adaptação de Gudelj para o papel de médio defensivo. Com Mathieu ao lado, formou uma dupla de centrais muito sólida – provavelmente o setor mais forte da equipa na globalidade da época. Para além da importância defensiva, viu-se muitas vezes “obrigado” a tentar criar desequilíbrios na frente face à ausência de um meio-campo que o fizesse. 

Com a contratação de Neto e a renovação de Mathieu, a continuidade de Coates não estará 100% garantida, mas acredito que só mesmo uma proposta irrecusável poderá levar o uruguaio a abandonar o Sporting. 


Jérémy Mathieu: *** 
2017/18: *** 

Só não foi o MVP do plantel porque Bruno Fernandes fez uma época estratosférica. Aos 35 anos, o francês esteve a um nível absurdamente elevado: a classe com que defende e constrói e a superior mentalidade competitiva coloca-o ao nível dos melhores centrais que já vi atuar no Sporting. Curiosamente ou talvez não, o pior período da época do Sporting coincidiu precisamente com o período em que Mathieu esteve indisponível por lesão. Um líder em campo e um esteio da equipa que, com toda a justiça, viu o contrato ser renovado e será integrado no grupo de capitães na próxima época. 


André Pinto: * 
2017/18: ** 

Época irregular quer ao nível de utilização quer ao nível da qualidade das exibições. É um central perfeitamente fiável em determinadas circunstâncias – nomeadamente quando a equipa é forçada a jogar em bloco mais baixo -, mas não é daqueles jogadores capazes de compensar as carências dos jogadores que o rodeiam. 

As suas características e salário tornam muito improvável a sua continuidade em 2019/20. 


Marcelo: -

Não conseguiu mostrar qualidades que justificassem a sua contratação. Vendido sem surpresa no mercado de inverno.


Tiago Ilori: * 

Contratação surpreendente e mal acolhida pela maior parte dos adeptos. Foi a jogo apenas por oito vezes, e não foi por Ilori que o Sporting perdeu pontos. Bom timing de corte fazendo uso da sua velocidade, pecou sobretudo por um ou outro lapso de concentração quando tinha a bola nos pés. 

O que fazer agora com Ilori? Parece-me insuficiente para titular, e presumo que seja demasiado caro para ser 3º/4º central. Havendo Coates, Mathieu e Neto, e estando Ivanildo e Domingos Duarte no ponto para serem a 4ª opção, não vejo que lugar haverá para Ilori continuar em Alvalade. 

quinta-feira, 4 de abril de 2019

A Lei de Bruno

Observar a época de Bruno Fernandes e dizer que o capitão é o abono de família do Sporting é um eufemismo. Bruno não é apenas o abono de família. Bruno é o salário que cai na conta no final do mês, Bruno é o subsídio de férias, Bruno é a moeda de 1 euro que se encontra no passeio, Bruno é o valor devolvido no IRS após entregue a declaração anual. É a raspadinha e é a lotaria. É muito bonito dizer que o futebol é um desporto coletivo, mas se o Sporting carimbou a presença no Jamor, deve-o, sobretudo, ao génio que tem carregado e continua a carregar esta equipa às costas. 

Numa noite em que, apesar de as bancadas se terem apresentado demasiado despidas para a importância da ocasião, os presentes - começando por uma curva sul muito mais bem composta do que tem sido norma esta época - proporcionaram um excelente ambiente que ajudou a equipa do princípio ao fim a agarrar-se com unhas e dentes ao último objetivo da época. Com todas as limitações que se conhecem, há que fazer justiça a todos os jogadores pelo esforço e ao treinador pela estratégia montada: viu-se um Sporting muito agressivo e pressionante sem bola que conseguiu se bastante eficaz a impedir o Benfica de executar as suas temíveis transições - jogar ao ritmo de uma partida por semana tem a óbvia vantagem de proporcionar uma maior disponibilidade física que pode fazer a diferença em momentos destes.

Grande jogo de Acuña - como peixe na água neste futebol mais lutado de que jogado -, o trio de centrais composto por Mathieu, Coates e Borja - e Ilori, mais tarde - esteve sempre num excelente nível, e Gudelj fez um dos melhores jogos desde que está no Sporting. Mas, claro, o grande destaque tem de ser dado a Bruno Fernandes: depois de nos ter mantido vivos na 1ª mão com a bomba de livre direto, Bruno resolveu ontem a eliminatória com um missil ao ângulo... com o pé esquerdo.


Bem pior esteve o árbitro Hugo Miguel, que não assinalou um penálti por braço na bola de Rúben Dias e aplicou um critério disciplinar errático que irritou os jogadores das duas equipas.

É uma vitória importante que ajudará a equipa a manter-se focada até ao final da época. Psicologicamente, também me parece importante termos conseguido vencer o Benfica após dois jogos em que o nosso rival foi claramente superior. No entanto, continuamos apenas com uma Taça da Liga ganha. É fundamental que continuemos a época em crescendo até final de forma a chegarmos a 25 de maio nas melhores condições para conquistar o segundo troféu da época.

domingo, 10 de março de 2019

Uma questão de prioridades

Ontem, no Bessa, havia três pontos para ganhar e os três pontos foram conquistados. Apesar de a "luta" pelo 3º lugar ser algo que não aquece nem arrefece, é importante ir amealhando todos os pontos em disputa de forma a não agravar a crise desportiva que atravessamos. Nesse sentido, a vitória de ontem, apesar de sofrida, foi uma missão cumprida. No entanto, ir ganhando não é suficiente. É fundamental aproveitar os jogos do campeonato que nos restam para ir lançando, na medida do possível, a próxima temporada - desenvolvendo jogadores, ambientando os reforços às particularidades do futebol português, e evitar a utilização daqueles que já se sabe que não farão parte do plantel de 2019/20.

Infelizmente, parece faltar ao futebol do Sporting uma estratégia a médio prazo face à ausência de objetivos relevantes a curto prazo. Ou - igualmente preocupante - a estrutura de futebol do Sporting poderá ter uma estratégia definida nesse sentido, mas, nesse caso, Keizer não estará a colaborar na sua implementação. Seguem-se dois exemplos.

Primeiro, Gudelj. Foi novamente titular e, para não variar, foi uma espécie de elemento neutro no coletivo: não só defende sofrivelmente como não acrescenta nada ao ataque, ao ponto de Coates e Mathieu terem sido mais úteis e incisivos na manobra ofensiva. João Pinheiro fez-nos o favor de amarelar o sérvio num lance que não justificava qualquer cartão, assegurando, assim, que ficará de fora por suspensão contra o Santa Clara. Ao invés, Doumbia - que, em teoria, veio em janeiro para reforçar o nosso meio-campo defensivo - teve uns míseros quinze minutos para mostrar serviço. Mais uma vez aproveitou-os bem, deixando-me (e seguramente a muitos outros sportinguistas, nos quais, aparentemente, não se inclui o treinador) com vontade de o ver mais tempo em campo.

Segundo, as opções de ataque para o Bessa. Dost ficou em Lisboa por lesão. Luiz Phellype foi titular à força e ficámos com Diaby como primeira opção de banco para ponta-de-lança e extremo. Esta última frase, de tão deprimente que é, demonstra bem a falta de soluções que temos na frente. Para mim, é inconcebível que Diaby - um flop caríssimo - fique no Sporting na próxima época e que Luiz Phellype seja mais do que uma terceira opção para ponta-de-lança. Em Portugal, a receita para o título obriga à existência de dois avançados titulares que valham 15 ou mais golos por época e, neste momento - considerando o fosso psicológico em que Dost está metido - o Sporting não tem nenhum. Mas não faria mais sentido ter-se levado ontem um ponta-de-lança dos sub-23 para o banco, em vez de lá termos dois centrais (André Pinto e Ilori)? 

Voltando ao jogo. Mesmo jogando com menos dois (e menos três a partir dos 75'), o Sporting fez mais do que o suficiente para ganhar ao Boavista e justificou a vitória. Depois de se ver a perder desde praticamente o início do jogo em mais um lance digno dos apanhados, a equipa de Keizer dominou a partida por completo e criou variadíssimas oportunidades para marcar. A indefinição no marcador até ao fim apenas se explica pelas tais carências no ataque: o Sporting fez 22 remates, 15 dos quais dentro da área, o que significa que chegou com muita facilidade à área de Bracalli mas que falhou redondamente no momento da finalização. Frente a um Boavista tão frágil, não deveria ter sido necessário recorrer ao tempo de descontos para consumar a reviravolta no marcador.

Em relação às exibições dos nossos jogadores, destaques positivos para Acuña (a raça pode ser uma qualidade valiosa quando a falta de confiança emperra os processos coletivos), Coates (foi capaz de desequilibrar em condução, à falta de médios que fizessem o mesmo), Raphinha (a espaços, é certo, mas foi decisivo no resultado), Mathieu (que falta nos fez a sua classe nas últimas semanas), Borja (mais um bom jogo, confirmando que é reforço) e Doumbia (no pouco tempo que esteve em campo).

O penálti que nos deu a vitória é polémico. Eu não o teria assinalado - não vi intensidade suficiente no toque de Edu Machado sobre Raphinha -, mas também não teria assinalado uns seis ou sete lances idênticos a meio-campo que João Pinheiro considerou falta. O árbitro manteve o (mau) critério que seguira até então e o VAR não tinha poder para reverter a decisão. Dispensa-se, no entanto, o rasgar de vestes dos indignados que, aparentemente, andam distraídos e não têm reparado nas inqualificáveis arbitragens que têm prejudicado o Sporting de novembro para cá.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Segunda vida de Keizer?

Marcel Keizer arriscou e foi bem sucedido. O técnico holandês realizou uma revolução tática na equipa, formando um trio defensivo mais fixo - com Ilori descaído para a direita, Coates no meio e deslocando Borja para um posicionamento mais interior -, entregando a profundidade e largura dos flancos a Ristovski e Acuña quando o Sporting tinha a bola e puxando-os para uma linha de 5 defesas quando o Braga atacava. Simultaneamente, recuou Wendel para o lado de Gudelj e deu maior liberdade territorial a Diaby e Bruno Fernandes no apoio a Dost. 

No duplo pivot do meio-campo, Wendel fazia as despesas da ligação com o ataque e Gudelj assumia uma ação mais posicional, assegurando, em conjunto com o trio mais recuado, uma segurança defensiva mais sólida face ao adiantamento quer de Ristovski quer de Acuña. O trio de centrais complementou-se muito bem: Ilori e Borja estiveram muito bem na marcação e foram competentes na saída com bola, enquanto Coates esteve impecável (e implacável) nas dobras.

Estas alterações tiveram o efeito de reduzir o ataque do Braga a uma única oportunidade de golo no total dos 90 minutos - o que é particularmente surpreendente numa equipa que tantas dificuldades tem revelado no processo defensivo - e de permitir um ascendente exibicional durante praticamente toda a partida. Wendel fez um jogo tremendo e Bruno Fernandes voltou a encantar as bancadas com mais uma tremenda execução num livre direto - o 3º marcado nos últimos 4 jogos. Dost, depois de desperdiçar dois cruzamentos adocicados de Ristovski lá faria o gosto ao pé por duas vezes - que, esperemos, lhe devolva a confiança perdida. Diaby pareceu mais confortável não ficando amarrado a um flanco e foi decisivo na brilhante jogada - em que passou por 2 adversários antes de ser abalroado por outros 2 na área - que deu origem ao penálti convertido por Dost. Ainda deu para ver (mais) bons indicadores de Doumbia. Luiz Phellype foi batalhador no tempo em que esteve em campo, mas voltou a não ter oportunidades para demonstrar qualidades na finalização.

No geral, foi uma exibição muito consistente e convincente que abre novos horizontes para o que esta equipa será capaz de fazer daqui para a frente. Este sistema de três centrais parece ter pernas para andar mesmo com adversários mais recuados - variará a liberdade dada aos laterais/alas de serviço em função do que o jogo pedir - porque permite, em simultâneo um apoio mais próximo a Dost e manter um maior número de peças em terrenos mais recuados para controlar eventuais contra-ataques adversários, para além de potenciar as qualidades de jogadores como Ilori, Coates, Gudelj ou Diaby.

Uma boa vitória que nos coloca a quatro pontos do Braga e que nos dá a vantagem no confronto direto. Veremos se esta fórmula será para repetir na visita ao Villarreal. Esta primeira experiência trouxe sinais muito prometedores para o que poderá ser uma segunda vida de Keizer ao comando do Sporting. Os sportinguistas bem precisavam deste vislumbre de esperança para o que resta da temporada.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Nas asas de Bruno

O onze e a rotação

Sabe-se que a falta de frescura física de vários jogadores tem sido um dos principais problemas com que o Sporting tem-se debatido nas últimas semanas. Isso tem sido particularmente óbvio no trio do meio-campo: Gudelj, Bruno Fernandes e Wendel têm tido uma utilização intensiva e isso tem-se refletido - principalmente no caso do brasileiro - na incapacidade de jogos completos em condições. Seria por isso de esperar que Keizer aproveitasse esta deslocação ao estádio do último classificado para refrescar o meio-campo - quanto mais não seja porque não o poderá fazer nos três desafios que se seguirão nos próximos 10 dias - contra o Villarreal não poderá usar Doumbia e Geraldes por não estarem inscritos, e contra o Braga terá, obviamente, de meter a carne toda no assador. 

Keizer optou, no entanto, por ir a jogo novamente com o trio do costume. Entendo que queira agarrar-se o mais possível às escassas hipóteses de conseguir uma melhor classificação no campeonato, mas não me parece que, face à enorme diferença de valor entre o Sporting e o Feirense, que corresse riscos enormes se entrasse pelo menos com Doumbia e Geraldes nos lugares de Gudelj e Wendel. Junte-se a isso ainda o facto de ter arriscado em perder Bruno Fernandes e Coates contra o Braga, visto que ambos estão à beira da suspensão por já terem 8 amarelos no campeonato. Sinceramente, esperava um outro tipo de definição de prioridades e planeamento a curto prazo que fosse ditado pela estrutura para a equipa técnica. Felizmente, ontem correu tudo pelo melhor - não houve lesões nem amarelos a jogadores em risco, e até deu para fazer alguma gestão de esforço na segunda parte -, mas pusemo-nos novamente a jeito.


O jogo

Ao contrário do que tem sido normal, o Sporting entrou bem e foi à procura da vantagem do marcador logo nos primeiros minutos, mas a partir dos 15' perdeu por completo a capacidade de ditar o ritmo de jogo e de encostar o Feirense à sua área. A responsabilidade, a meu ver, divide-se entre a falta de peso do nosso meio-campo e da permissividade do árbitro às entradas duras dos adversários - perdoando dois cartões vermelhos na primeira parte a jogadores do Feirense, marcando faltas ao contrário, apitando faltas inexistentes e deixando passar faltas óbvias. O que é facto é que o nível exibicional caiu a pique e voltou a observar-se a crise de confiança que afeta os jogadores, proporcionando alguns momentos dignos dos apanhados. O golo da vantagem acabaria por surgir inesperadamente perto do intervalo, na sequência da primeira jogada com pés e cabeça que a equipa conseguiu fazer. 

A segunda parte teve uma dinâmica completamente diferente, com um Sporting superior a chegar com justiça à tranquilidade através de um bis de Bruno Fernandes - que cada vez mais se assume como o cérebro, o coração e o pulmão desta equipa -, primeiro antecipando-se à ponta-de-lança ao marcador direto com um cabeceamento após cruzamento de Diaby, depois com um (mais um) livre superiormente executado, desta vez mais em jeito do que em força. Já leva 20 golos e 10 assistências, que seria algo notável num ponta-de-lança... e mais notável é num médio. Aquilo que conseguirmos fazer esta época dependerá muito da capacidade que Bruno Fernandes terá para nos transportar.


Destaques individuais

Bruno Fernandes é, por motivos óbvios, a figura do jogo, e foi bem secundado por Acuña. O flanco esquerdo funcionou bem, graças ao bom entendimento entre o argentino e Borja. Sobre o colombiano, esteve novamente em bom nível - desta vez com o cruzamento para o 1º golo - mas voltou a ter responsabilidades - tal como já tinha tido no 2º golo sofrido na Luz - no golo sofrido. Renan voltou a estar magnífico entre os postes - fez duas grandes defesas, uma delas sensacional a evitar um golo certo - e péssimo fora deles. Geraldes estreou-se e fez bom uso dos minutos que lhe foram dados.


A arbitragem

Bem sei que o Sporting não se pronuncia publicamente sobre más arbitragens, mas espero sinceramente que o façam em privado com os responsáveis da Federação. Temos sido prejudicados de forma sistemática ao longo das últimas semanas - algumas vezes com influência no resultado - e ontem aconteceu o mesmo com o trabalho de Manuel Mota:

  • Aos 2', Soares entra com tudo de pitons sobre o tornozelo de Bruno Fernandes, torcendo-o. Com um pouco de azar (ou sorte, dependendo da perspetiva), podia ter causado uma fratura e terminado com a época do nosso melhor jogador. Um vermelho claríssimo que ficou por mostrar, mas o árbitro nem sequer amarelo mostrou.
  • Ainda na primeira parte, Vítor Bruno tem uma entrada dura de pitons sobre o pé de Dost. Deveria ter visto o segundo amarelo, mas Manuel Mota deixou-o no bolso.
  • Na segunda parte, Diaby sofre uma falta de Briseño numa situação em que ficaria isolado. O árbitro mostrou o amarelo por ter interpretado (a meu ver, mal) que ainda havia outro defesa capaz de disputar a jogada. Na minha opinião, mais um vermelho que ficou por mostrar.
  • Na primeira parte, num canto a favor do Sporting, Dost foi ostensiva e insistentemente abraçado por um defesa adversário. O holandês é claramente condicionado na disputa do lance e acaba por correr contra André Moreira. Manuel Mota assinalou falta de Dost, mas podia ter assinalado penálti.
  • Alguém entendeu o amarelo a Doumbia enquanto se posicionava atrás da barreira no livre que daria o terceiro golo do Sporting?

Salvou-se a boa decisão em invalidar o golo do Feirense, após indicação do VAR. Marco Soares estorva a ação de Renan na linha de golo, metendo inclusivamente o peso do corpo para trás para impedir que o guarda-redes chegasse à bola.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Eliminatória em aberto

Foto: Mais Futebol
Depois da tortura a que fomos sujeitos no domingo - e que tão perto esteve de terminar numa humilhação histórica -, Keizer foi obrigado a mexer no onze e na estratégia: refrescou a equipa lançando Ilori, Borja, Acuña, Jovane e Luiz Phellype, e acertou agulhas no meio-campo de forma a não deixar que os jogadores benfiquistas recebessem a bola tão à vontade como aconteceu em Alvalade. As alterações melhoraram o desempenho geral, mas não o suficiente, continuando a haver demasiados erros individuais a colocar a equipa em apuros - nos quais se incluem os dois golos sofridos, facilmente evitáveis. Depois de mais uma má entrada em campo e uma primeira parte globalmente sofrível, a exibição foi evoluindo em crescendo para uma segunda parte mais aceitável. Sofremos o 2º golo numa altura em que o jogo estava equilibrado (Wendel podia ter empatado minutos antes) - que terminaria com o Sporting a cheirar o empate: Bruno Fernandes reduziu através de mais uma bomba de livre...




... e perto do fim, Luís Godinho interrompeu uma jogada que terminaria com a bola na baliza do Benfica por causa de uma suposta falta de Dost sobre Svilar fora da pequena área. Uma decisão muito, muito discutível que, esperemos, não venha a ser decisiva para o desfecho da eliminatória.

Relativamente aos reforços de inverno:
  • Ilori foi infeliz no autogolo e alternou um punhado de boas intervenções com alguns erros (falhou tempo de salto num livre que permitiu que a bola chegasse a Rúben Dias só com Renan pela frente, alguns passes mal medidos), mas verdade seja dita que ficou logo condicionado a partir do primeiro minuto por causa de um cartão amarelo exagerado - nem a falta que cometeu era para cartão, como não usufruiu da habitual tolerância dos árbitros nos primeiros minutos de jogo. A pergunta que se impõe é: foram erros destes que foram empurrando Ilori para o fundo do Championship e é melhor que nos habituemos a eles, ou aconteceram sobretudo por ainda não estar familiarizado com os colegas e com o sistemas de jogo de Keizer? A bem do seu futuro no Sporting, é bom que seja o segundo caso.
  • Borja podia ter feito mais no segundo golo do Benfica, mas fez uma exibição globalmente positiva. Demonstrou boa capacidade técnica, bem nas trocas de bola, e não tem medo de subir pelo seu flanco - apesar de se ter notado alguma falta de entendimento com Acuña nas ações ofensivas.
  • Jovane não foi feliz no regresso à titularidade. É verdade que o ritmo está longe de ser o ideal, mas continuo convencido que é muito mais útil saindo do banco.
  • Luiz Phellype fez o seu melhor jogo desde que chegou ao Sporting (o que não era difícil, concedo). Jogou muito isolado na primeira parte, mas na segunda, com o adiantamento posicional da equipa, teve várias ocasiões para mostrar serviço - sobretudo a segurar a bola e a servir os companheiros mais próximos. Melhorou com Dost ao seu lado, parecendo estar mais à vontade a jogar em 4-4-2 do que em 4-3-3.

A eliminatória está em aberto, mas é óbvio que só conseguiremos a qualificação para a final do Jamor caso estes dois meses sejam bem aproveitados para construir um onze mais apresentável e com pernas. Até lá, a estratégia terá de passar por utilizar os jogos do campeonato para desenvolver e os jogos da Liga Europa para competir na máxima força. Começando já no próximo fim-de-semana em Santa Maria da Feira, há que descansar jogadores (Bruno Fernandes, Wendel, Coates), retirar outros que não têm qualidade para jogar a este nível (Bruno Gaspar e Gudelj, apesar de, no caso do sérvio, Keizer ter opinião contrária), e continuar a integrar os reforços (Ilori, Borja, Doumbia, Geraldes) e jogadores menos utilizados (Miguel Luís, Ristovski), de forma a podermos atacar a eliminatória da Liga Europa em melhores condições do que nas últimas partidas.