Mostrar mensagens com a etiqueta Fredy Montero. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fredy Montero. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Balanço da época, nº 5: Avançados



Bas Dost: ** 
2017/18: *** 

Iniciou a época a um excelente nível, chegando aos 10 golos apontados nas primeiras 13 jornadas (sendo que apenas foi titular em apenas 7 desses jogos devido a uma lesão no joelho). No entanto, caiu bruscamente de rendimento a partir de janeiro, sem qualquer confiança no momento de finalizar, ao ponto de parecer por completo um jogador inapto para alinhar numa equipa de primeira divisão. A lesão contraída acabou por ser uma benesse – para o jogador, que se arrastava nos relvados de forma deprimente, e para o clube, que encontraria em Luiz Phellype um goleador inesperado – que deu tempo ao holandês para se recompor psicologicamente. Ainda alinhou nas últimas quatro partidas – sempre como suplente usado -, mas foi o suficiente para voltar a colocar o seu nome na lista dos marcadores por duas ocasiões, ambas no Jamor, contra Belenenses e Porto, parecendo-se muito mais com o Dost que nos habituámos a admirar. 

É pouco provável que continue devido ao incomportável salário que Cintra lhe ofereceu quando voltou da rescisão. O Sporting não se pode dar ao luxo de pagar 6 milhões de euros brutos a um único jogador. 


Luiz Phellype: ** 

Analisando estritamente do ponto de vista do custo/rendimento, a contratação de Luiz Phellype foi um completo sucesso - nos últimos anos, apenas um jogador ficou acima nesta escala: Islam Slimani. O brasileiro não se integrou de imediato e precisou de tempo para apurar a forma física. A lesão de Dost deu-lhe o tempo e o espaço que precisava para se impor. Nos últimos 10 jogos da temporada, assinou 8 golos, incluindo um golo no Dragão e o penálti decisivo na final da Taça. 

Ainda é difícil avaliar se Luiz Phellype tem o que é necessário para ser o ponta-de-lança do Sporting. A forma como o Sporting se apresentou nos últimos meses não era propício a um volume de jogo ofensivo propício para alimentar goleadores, mas o brasileiro conseguiu uma taxa considerável de concretização das oportunidades flagrantes de que dispôs. Independentemente disso, é um jogador com quem se poderá contar para 2019/20. 


Fredy Montero: * 
2017/18: **
2015/16: *
2014/15: ** 
2013/14: **

Montero foi em 2019/20 exatamente aquilo que dele se poderia esperar: talentoso tecnicamente, mas sem a consistência competitiva necessária, podendo, no máximo, ser considerado um jogador útil para se ter no plantel. No entanto, os 3 milhões de euros anuais que recebia obrigavam a que fosse mais do que um jogador útil e pouco fiável, pelo que a decisão de o deixar sair para a MLS se compreende perfeitamente. 


Pedro Marques: - 

31 minutos na Liga Europa para se mostrar aos sportinguistas. Precisa de se impor nos sub-23 antes de poder ambicionar fazer parte do plantel principal. 


Raphinha: ** 

Não teve um começo de época complicado, com exibições abaixo do esperado – como tantos outros colegas – com Peseiro, ao que se juntou uma lesão contraída dias antes da entrada de Keizer que o deixou de fora dos relvados até ao final de dezembro. Progressivamente foi ganhando o seu espaço na equipa e terminou a época em bom nível como titular. 7 golos e 5 assistências são números abaixo do que pode fazer, mas, agora que está plenamente adaptado ao clube e ao treinador, tem todas as condições para explodir em 2019/20. 


Abdoulay Diaby: * 

Um caso oposto ao de Raphinha. Diaby tem números (7 golos e 8 assistências) que dão uma imagem errada (pela positiva) daquilo que rendeu em campo. Cintra apresentou-o como o jogador mais rápido do futebol português (Rafa deve ter-se rido às gargalhadas), e, de facto, Diaby assemelhou-se mais a um atleta do que a um futebolista – mas não na velocidade, mais na sua (falta de) relação com a bola, tantos foram os momentos constrangedores que proporcionou. Um flop de 5,5 milhões que não tem lugar no plantel da próxima época. 


Jovane Cabral: * 

Teve um impacto inesperadamente positivo na fase inicial da época. Soube fazer uso da sua capacidade física quando lançado a meio da segunda parte para abanar o jogo. É, efetivamente, um jogador útil para ter no banco, como atestam os números: 4 golos e 8 assistências em 1.193 minutos de utilização, que dá uma média inferior a 1 golo/assistência por cada 100 minutos. No entanto, não tem capacidade neste momento (nem sei se alguma vez terá) para mais do que isso. Jogando como titular, raramente conseguiu justificar a aposta. Jovane marcou 4 golos e fez 5 assistência entrando como suplente; como titular apenas registou 3 assistências. 

Suponho que em 2019/20, o melhor para Jovane seja o empréstimo a outra equipa da I Liga. 


Nani: ** 
2014/15: ** 

Foi provavelmente a grande contratação da época e foi um dos jogadores em destaque com José Peseiro – numa altura em que Bruno Fernandes estava a render muito abaixo do que pode. Esteve ao nível das expetativas criadas, jogando e fazendo jogar, ainda que – mais uma vez -, grande parte das bancadas não conseguisse compreender as suas contemporizações à espera de uma boa opção para dar sequência à jogada. 

A sua saída em janeiro foi, por isso, inesperada e mal compreendida entre os adeptos. A componente salarial terá tido um peso fulcral nessa decisão, mas, ao que se diz, não seria fonte de bom ambiente no balneário. A verdade é que a equipa não se ressentiu da sua saída - nem desportivamente, nem, sobretudo, ao nível da liderança dentro de campo.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Retratos e momentos de uma tarde inesquecivel



A festa antes do jogo



Campo inclinado

Fonte: zerozero.pt


Nas bancadas



Um voo inesquecível

(via @ultras6p)



O desempate por penáltis (com som ambiente)




O momento em que te apercebes que ganhaste a Taça

Fonte: zerozero.pt


Ristovski invade o campo




Montero




Nani



Festejos em holandês

Fonte: zerozero.pt


Lágrimas de um gigante

(via @sporting_cp)


A caminhada de Renan até à tribuna



Mar verde e branco

(via @ultras6p)


O sabor da vitória

(via @ultras6p)


Gudelj




Ristovski e a possível saída de Bruno Fernandes

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Raio de luz

Pode não ter sido uma grande exibição do princípio ao fim, pode não ter havido um domínio constante, mas a vitória de ontem do Sporting sobre o Boavista foi incontestável e não terá deixado nenhum adepto insatisfeito. Um ténue raio de luz a rasgar a penumbra exibicional a que temos sido sujeitos. A primeira parte foi mastigada e na linha do que tem sido as exibições recentes, mas na segunda parte houve uma melhoria significativa ao ponto de podermos dizer que foi agradável de seguir. Pode não parecer muito, ainda mais tendo sido contra um adversário cujo objetivo será a manutenção, mas é um upgrade ao que foi o futebol do Sporting contra Poltavas, Loures e Qarabags, que também não são propriamente colossos europeus. Junte-se a isto os muito aguardados regressos de Mathieu e Dost, os primeiros bons pormenores de Diaby, uma nova bomba de Bruno Fernandes e um Nani ao melhor nível, e temos finalmente alguma coisa a que nos agarrarmos. Pelo menos até à próxima quarta-feira.



Os golos - o magnífico trabalho de Montero no primeiro golo de Nani, que devolveu os mortais a Alvalade; a combinação entre Montero e Diaby com o passe atrasado para o estouro de Bruno Fernandes; e o remate picado de primeira de Nani. Três golos bem trabalhados e de belo efeito que valeram a vitória mais folgada da época, uma noite tranquila e três pontos totalmente merecidos. Nota positiva para as exibições de Nani, Montero, Mathieu e Acuña, com alguns bons momentos de Diaby e Bruno Fernandes na segunda parte.

Os regressos - Mathieu voltou e realizou uma exibição muito sólida, tendo sido obrigado a um par de intervenções importantes na primeira parte. Dost teve a ovação da noite ao entrar após mais dois meses de ausência. Não teve tempo para muito, conseguindo apenas um remate sob pressão e duas ou três intervenções na ligação entre setores. Bruno César estreou-se na temporada e foi colocado no apoio a Dost. Três reforços que, cada qual da sua maneira, poderão acrescentar qualidade nos preenchidos meses de competição que vamos atravessar.



Corpos estranhos - Diaby demorou a entrar o jogo, mas a assistência para o golo de Bruno Fernandes pareceu-lhe dar confiança. Nota-se que Bruno Gaspar ainda não está na mesma página dos jogadores que ocupam terrenos mais próximos, como Coates, Diaby ou Bruno Fernandes. Gudelj raramente acrescenta algo com bola, alternando o alheamento na construção com passes disparatados.

Assobios - 8 minutos de jogo. O-i-t-o. Um passe em profundidade mal medido do Boavista morre nos pés de Renan. O Sporting tenta sair a jogar perante a pressão boavisteira. A bola vai para Mathieu, na esquerda, volta para Renan, que toca para a frente para Battaglia, que deixa em Mathieu, que vira para Coates que, pressionado, volta a dar a Renan, que devolve a Coates, que permite um corte e ganha lançamento. Ouvem-se assobios no estádio porque, aparentemente, há quem ache que a melhor maneira de se sair a jogar perante uma pressão adversária moderada é mandando um chutão para a frente. Junte-se a isso os vários assobios para as temporizações de Nani, que tem demonstrado frequentemente ser o jogador mais esclarecido em campo, os vários assobios para os cantos mal marcados (OK, aqui até compreendo), e os assobios no final porque os jogadores não se aproximaram da curva sul como de costume (depois de lhes terem devolvido as camisolas em Alverca, esperavam o quê?), e percebe-se bem que não é fácil ser-se jogador do Sporting nesta altura. Nunca é, verdade seja dita, mas agora ainda menos.



MVP - Nani

Nota artística - 3

Arbitragem - Carlos Xistra não teve um jogo difícil e soube geri-lo de forma competente.



Exibição e vitória sobre as quais talvez se possa iniciar uma série positiva de jogos. Segue-se a receção ao Estoril para a Taça da Liga na quarta-feira à noite (véspera de feriado) e uma viagem aos Açores para defrontar o surpreendente Santa Clara. É obrigatório ganhar os dois jogos, mas seria importante conseguir as vitórias de forma convincente. É fundamental que os (bons) jogadores que temos recuperem a confiança para voltarem a fazer aquilo de que são capazes. 

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Há hábitos piores para se ter

É verdade que o Qarabag é tudo menos um colosso europeu, é um adversário contra quem tínhamos obrigação de vencer em casa, mas pode ser uma equipa chata - como se pode avaliar pela sua participação na Liga dos Campeões em 2017/18, quando empataram por duas vezes com o Atlético Madrid e venderam caras as derrotas tangenciais contra a Roma. Ontem, foi precisamente isso: uma equipa chata com qualidade suficiente para segurar um Sporting que não entrou particularmente preocupado em resolver rapidamente o jogo: a primeira parte foi bastante pobre, com sinais de melhoria nos últimos dez minutos que depois teriam sequência na segunda parte.

Na realidade, aquilo que se passou ontem para a Liga Europa não foi diferente do que tem sido a tendência neste início de época: mais uma vez, o Sporting fez uma exibição globalmente pouco entusiasmante; mas no final saiu com um resultado positivo. Jogar pouco e ganhar. Há hábitos piores para se ter.



As jogadas dos golos - a verticalidade do primeiro golo (com uma maravilhosa assistência de Nani) e a raça do segundo (com o bónus da maldade de Montero) valeram bem o custo do bilhete.

Valores emergentes - Raphinha foi mais uma vez fundamental, com um golo e uma assistência, e não há dúvidas de que ganhou um lugar no onze. Jovane, entrando apenas a cinco minutos do fim, parecia condenado a ter o seu primeiro jogo sem ter um impacto importante no resultado (penálti sofrido contra o Moreirense, assistência contra o V. Setúbal, Golo contra o Feirense, penálti sofrido contra o Marítimo), mas fez bom uso do tempo que lhe deram com mais um golo. Dois valores emergentes que, para além da posição, partilham uma característica fundamental: gostam de aparecer em zonas de finalização.

Acuña na lateral - é um upgrade claro em relação a Jefferson, muito mais fiável a defender e muito mais agressivo no um contra um. Apesar de ter jogado a lateral, parece-me que apareceu mais vezes em funções ofensivas do que nas ocasiões em que jogou a extremo. Espero que seja para se manter ali.



A lesão de Mathieu - depois de uma ausência de várias semanas, voltou a lesionar-se ontem. Que não seja grave.

Distrações a mais - houve demasiados momentos de desconcentração que, felizmente, não tiveram consequências graves. Defensivamente, as únicas oportunidades do Qarabag nasceram de ofertas nossas (Coates e Gudelj). Ofensivamente, tivemos ocasiões soberanas para marcar que não foram aproveitadas por falhas de entendimento que não deviam acontecer.



Missão cumprida no arranque da Liga Europa. Na próxima jornada espera-nos uma viagem à Ucrânia onde poderemos dar um passo gigante para o apuramento para a fase seguinte.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Tudo bem feito

O jogo não foi grande coisa, mas as jogadas que estiveram na origem dos dois golos valem o preço do bilhete. O primeiro pela verticalidade e objetividade da circulação de bola entre Mathieu, Bruno Fernandes, Nani e Raphinha, o segundo pela raça de Acuña e Montero a recuperarem a bola, e a classe do colombiano para desembaraçar do adversário - Raphinha e Jovane fariam (também muito bem) o resto.

Aqui ficam os golos. Vale a pena rever.



terça-feira, 5 de junho de 2018

Balanço de 2017/18: Avançados



Bas Dost: *** 
2016/17: *** 

Mais uma época recheada de golos e de uma taxa de eficácia de aproveitamento assombrosa. Sobre Bas Dost não há muito mais a dizer, a não ser isto: como seria se o Sporting tivesse alas e laterais que soubessem cruzar, se houvesse médios e segundos avançados que dessem maior presença de área ao ataque do Sporting, se se organizasse de forma menos mastigada que permitisse ao holandês ter mais do que as 2 oportunidades de golo da praxe em cada jogo? No fundo... como seria se o Sporting tivesse um modelo de jogo que realmente tirasse proveito das características de Dost? Quantos golos poderia valer?


Seydou Doumbia: *

Quando foi anunciada a sua contratação, tinha muitas expectativas em relação ao que Doumbia poderia fazer ao lado de Dost num campeonato como o português. No entanto, não foi preciso muito tempo para perceber que Jesus nunca tencionou utilizar os dois em simultâneo, pois a ideia do técnico passava por utilizar Doumbia no lugar de Dost em jogos onde existisse maior possibilidade de aproveitamento do contra-ataque. Doumbia até começou bem, com dois golos fundamentais para a Liga dos Campeões (que abriram o marcador em Bucareste e Atenas) mas a partir daí foi sempre a descer de rendimento. Há que dizer que lhe faltou alguma sorte - para além de a forma de Dost o ter condenado a uma utilização irregular, também não foi feliz com as arbitragens - que lhe anularam golos limpos e não lhe assinalaram dois penáltis em jogos e momentos cruciais (Moreira de Cónegos e Porto) -, mas é perfeitamente evidente que Doumbia já não tem as mesmas características de há uns anos. Acima de tudo, o facto de ter perdido o poder de aceleração e a velocidade de ponta de outros tempos faz com que seja um jogador banal. Com um salário elevado e dois anos de contrato para cumprir, é um dos jogadores que urge transferir neste defeso.


Fredy Montero: **
2015/16: *
2014/15: **
2013/14: **

Foi uma contratação de inverno que não me entusiasmou. Não que não reconheça qualidade ao jogador (tem técnica e é matador), mas a sua inconsistência faz com que a sua contribuição para o jogo seja constantemente uma incógnita. No geral acabou por corresponder às expetativas, tendo um rácio interessante de golos por minuto. Vai entrar na sua última época de contrato (o Sporting tem opção para estender por mais dois anos), e parece-me uma boa opção para ter no banco caso consiga manter o rendimento dos últimos meses.


Rafael Leão: -

As suas prestações surpreendentes na II Liga e na Youth League valeram-lhe a confiança de Jorge Jesus. Fez por merecê-la: em 134 minutos de utilização marcou um golo contra o Oleiros, fez uma assistência para Gelson naquele jogo surreal contra o Moreirense e apontou um excelente golo no Dragão. Parecia estar pronto a explodir, mas infelizmente acabou por ser vítima de lesões que o deixaram fora dos relvados até ao final da época. É, evidentemente, um jogador com lugar reservado no plantel de 2018/19 e, caso não tenha a mesma infelicidade com questões físicas, vai certamente valer muitos golos à equipa.


Gelson Martins: ***     
2016/17: ***
2015/16: ** 

Os números dizem que o seu rendimento se traduziu em 13 golos, 11 assistências e inúmeras ocasiões de golo criadas, mas convém não ignorar os intangíveis: a magia de Gelson justifica sempre o preço do bilhete e a sua disponibilidade para trabalhar em prol da equipa - nomeadamente no constante apoio defensivo que dá ao seu lateral - deveria justificar sempre a admiração de todos os sportinguistas. O esforço que foi exigido dele e a utilização quase ininterrupta num calendário ultra-preenchido acabaram por deixá-lo arrasado fisicamente, e isso acabou por ter influência na quebra de rendimento registada nos últimos jogos. De qualquer forma, isso não apaga aquilo que para mim é uma evidência: foi mais uma grande época de Gelson.


Marcos Acuña: **     

Bem sei que é mais médio ou defesa do que extremo, mas coloquei-o aqui por causa do papel que deveria ter tido e que o trouxe até ao Sporting. Acuña aproveitou bem o embalo do ritmo competitivo que trouxe da Argentina e iniciou a época de forma brilhante. Com o passar do tempo a sua influência ofensiva começou a desvanecer-se e acabou como uma solução mais credível para lateral do que para extremo. É um jogador raçudo, tecnicamente evoluído, mas o Sporting sentiu falta de um desequilibrador no flanco esquerdo. Se continuar, é bem provável que passe a ser lateral a tempo inteiro.


Daniel Podence: **
2016/17: **

Uma época reduzida a quatro meses devido a duas lesões. Não desperdiçou o tempo de jogo que teve, conseguindo somar 7 assistências em pouco mais de 1000 minutos de utilização. Podence é um desequilibrador que joga de forma inteligente e é bastante eficaz no último passe, e poderia ter sido muito útil na segunda metade da época. Está, no entanto, mais que provado que não é solução para segundo avançado: depois de 4 épocas de utilização pela equipa principal do Sporting (apesar de ter feito efetivamente parte do plantel em apenas época e meia) não conseguiu marcar qualquer golo. Lamento a decisão de ter rescindido com o clube, visto que tinha espaço para continuar a evoluir e ser um jogador útil no Sporting.


Iuri Medeiros: *     

Um talento que tanto o Sporting como o próprio jogador não conseguiram aproveitar. Entre agosto e o início de outubro teve oportunidades suficientes para demonstrar qualquer coisa que justificasse a continuidade da aposta, mas nunca conseguiu fazê-lo. É verdade que não foram as condições ideais para um jogador das suas características se afirmar, mas um clube como o Sporting não se pode dar ao luxo de estar à espera ad eternum por alguns sinais de utilidade. Bem sei que, ao contrário de Iuri, outros jogadores tiveram essa paciência por parte do treinador... mas isso é outra conversa.


Rúben Ribeiro: *

Contratado em janeiro, foi imediatamente a jogo como titular com o Aves. Começou muito bem com uma assistência no jogo de estreia, mas rapidamente perdeu a simpatia das bancadas, pois é um jogador excessivamente complicativo, que demora demasiado tempo a definir mesmo quando o resultado não é favorável e o tempo escasseia. Não justificou a contratação e considerando a sua idade, creio que não deveria permanecer no plantel em 2018/19. Mais vale investir num dos muitos talentos para as alas que academia produziu, como Matheus Pereira ou mesmo Elves Baldé.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Pragmatismo com pinceladas de génio

Não foi propriamente bonito, mas foi eficaz. O Sporting adiantou-se de forma segura na eliminatória jogando pouco mais do que o estritamente necessário para se impor a um adversário que pareceu ser muito inferior. Partida gerida em velocidade de cruzeiro do princípio ao fim, alternando com alguns esticões que chegavam para desmanchar a defesa adversária. Foi o suficiente para criar três ou quatro excelentes oportunidades para marcar em cada parte. E a verdade é que, apesar dessa abordagem mais pragmática, o jogo acabou por valer bastante a pena por causa das pinceladas de génio que acabaram por ditar a diferença final no marcador.




As pinceladas de génio nos golos - ambos os golos de Montero tiveram pormenores sublimes. No primeiro, toda a jogada é lindíssima, desde a recuperação de bola de Coentrão, o passe em balão de Ruiz, a assistência acrobática de Coentrão (que entretanto se armou em extremo) e a finalização de pura frieza e classe de Montero. No segundo, magnífica a forma como Montero domina a bola após um passe ligeiramente curto de Bruno Fernandes, e depois como a esconde do marcador direto para a enfiar com o pé esquerdo pela nesga de baliza que tinha à disposição. Só por si, valeram o preço do bilhete.




O bom Montero - teve três boas ocasiões para marcar. Na primeira, rematou de posição central à entrada da área à figura do guarda-redes. Nas outras duas, soube colocar a bola de forma perfeita. Ontem tivemos o bom Montero, o matador de classe. Espero agora que contrarie, em Chaves, a minha teoria de que, para cada jogo bom, tem dois ou três em que desaparece.

O resultado - perfeitamente justo, mas mais importante do que ser justo é que permite encarar a segunda mão com tranquilidade. Não está garantida a passagem, obviamente, mas os quartos-de-final estão muito bem encaminhados.

Posso fumar o que vocês estão a fumar? - Coentrão e Mathieu, os fumadores da equipa, aqueles jogadores que temíamos, no início da época, que já não tivessem pedalada para uma época exigente, foram, em determinadas alturas de maior apatia, quem tentou empurrar a equipa para a frente, fosse pegando na bola e conduzindo-a à revelia do ritmo dos restantes companheiros, fosse nos sprints para pressionar o guarda-redes adversário quando este tinha a bola, fosse a aparecer em zona de finalização num contra-ataque rápido. Gostava que contagiassem esta mentalidade competitiva a vários outros elementos do plantel.



Velocidade de cruzeiro, mas não exageremos - percebo que houvesse, entre a equipa, uma consciencialização de que era um jogo de 180 minutos e que estávamos ainda na primeira metade, mas não era preciso exagerar na gestão do ritmo. O Sporting foi sempre superior, mas, fosse por falta de pernas, por falta de vontade, ou por estratégia, criou oportunidades de forma demasiado esporádica. Notava-se que, quando a equipa acelerava, colocava com facilidade a defesa adversária em apuros, mas nunca o fez de forma consistente. Felizmente que o primeiro golo surgiu na melhor altura possível, caso contrário adivinhavam-se uns segundos 45 minutos de nervos. Na segunda parte, depois do 2-0, foi-se gerindo o tempo com bola de forma competente, com exceção de cerca de cinco minutos em que a equipa pareceu deixar-se adormecer - e nos quais o Plzen dispôs das suas duas únicas verdadeiras oportunidades para marcar. Podia ter corrido pior.



Mesmo sabendo que os resultados europeus do Plzen nesta época sugerem uma equipa muito mais confortável a jogar em casa do que fora, o fosso de qualidade entre as duas equipas é por demais evidente. Não acredito que o Sporting não marque pelo menos um golo na segunda mão. Se isso se concretizar, o Plzen terá de marcar quatro golos para nos eliminar, o que me parece muito difícil de acontecer. Encarando o jogo de forma séria - e se não existirem azares de maior -, estaremos certamente nos quartos-de-final da Liga Europa.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Agarra que é ladrão

Um roubo. Não há outra forma de designar aquilo que ontem se passou em Alvalade. O golo anulado a Doumbia é um escândalo, porque o árbitro responsável pelo VAR - Manuel Oliveira - decidiu fazer tábua rasa do que diz o protocolo que rege a atuação do videoárbitro. Por desconhecimento? Impossível, qualquer adepto minimamente informado sabe que o lance pode ser revisto apenas até ao momento em que a equipa que marcou o golo recuperou a bola. Por distração? Impossível, pois ao recuar as imagens até ao momento da falta (que nem sequer me parece clara) de Bruno Fernandes não pode ter deixado de reparar que o Feirense tinha tido, entretanto, a bola em seu poder. Não podendo ser por desconhecimento ou distração, sobra a explicação evidente: a anulação do golo sustenta-se exclusivamente na vontade de Manuel Oliveira em manter o resultado em 0-0.



O Sporting acabou por ganhar o jogo, mas não é por isso que deveremos deixar de apontar a gravidade do sucedido. Em primeiro lugar, porque não é admissível que um árbitro interfira de forma consciente no decurso de um jogo. Em segundo lugar, porque já houve vários casos em jogos de rivais em que o VAR passou por cima de faltas claras que antecederam golos seus. É certo que erros não devem ser compensados com outros erros, mas o que é facto é que este acumular de "enganos" no mesmo sentido acaba por representar uma penalização dupla para o Sporting, e que poderá ter um peso decisivo num campeonato disputado ponto a ponto. E em terceiro lugar, porque não se pode menosprezar o efeito que uma ocorrência destas poderia ter numa equipa a atravessar uma fase complicada e que estava proibida de perder mais pontos, e - já agora - no público presente no estádio. Falando por mim, não fui capaz de festejar nenhum dos golos que foram marcados posteriormente, porque não conseguia deixar de pensar que poderia ter havido algum jogador do Sporting a espirrar três ou quatro minutos antes, o que seria, certamente, motivo suficiente para Manuel Oliveira anular os lances.

Quanto ao jogo em si, em vez de se ver em vantagem aos 20' e poder gerir o jogo e o esforço de outra forma, o Sporting foi obrigado a continuar à procura do golo. E se não os alcançou mais cedo, não foi por falta de oportunidades. À semelhança do que já tinha acontecido em alguns momentos contra o Estoril, a equipa teve períodos de excelente futebol, mas parecia voltar a fazer questão de desperdiçar as situações de golo feito que ia construindo. Felizmente, a persistência da equipa em chegar à vitória acabou por dar frutos e permitiu a conquista de três pontos inteiramente merecidos, contra tudo e contra todos.




Nota artística - ao contrário de outras ocasiões, a equipa não ficou à espera que o jogo se resolvesse sozinho, e foi à procura do golo desde o primeiro minuto. À vontade de desbloquear o resultado o mais rapidamente possível, juntou-se a capacidade de impor um futebol dinâmico, veloz e agressivo, que se traduziu numa enorme quantidade de oportunidades flagrantes para marcar. O golo foi-se adiando, seja por incapacidade própria na finalização, seja por excelentes intervenções do guarda-redes Caio Secco, seja pela vontade de Manuel Oliveira. Mérito para a generalidade dos jogadores, com Gelson, Montero e William Carvalho num patamar acima dos restantes.

A mão que segurou o resultado - não me refiro à mãozinha marota de Manuel Oliveira a rodar o botão do feed no sentido contrário aos ponteiros do relógio para recuar as imagens à procura de um motivo para anular golos, mas sim à de Rui Patrício: duas defesas fabulosas, uma em cada parte, numa altura em que o marcador ainda estava em branco.

As estreias - Rafael Leão estreou-se para o campeonato, e a sua entrada fez-se sentir de imediato. Primeiro com um remate para defesa difícil de Caio, depois com uma assistência para golo (irregular) de Gelson. Velocidade, técnica, agressividade e olhos colocados na baliza adversária. Promete. Lumor também entrou bem, integrando-se bem no ataque, revelando velocidade e voluntarismo, para além de ter feito um bom cruzamento. Perdeu, no entanto, um lance de cabeça num cruzamento para a área do Sporting em que nem sequer tirou os pés do chão, a fazer lembrar Jonathan Silva. Ainda assim, no global, teve uma estreia positiva.



A arbitragem - VAR à parte, a arbitragem foi fraca. Não que não estivessemos avisados desde cedo do que se iria passar: aos cinco minutos de jogo, Gelson já tinha sido alvo de duas faltas duras - numa delas nem sequer marcou falta - e Montero de outra. Cartões é que nem vê-los. Pouco depois do golo anulado a Doumbia, há um possível lance de mão na bola na área do Feirense, mas não houve VAR nem Luís Ferreira que desse uma apreciação cuidada à jogada. Dois exemplos do critério disciplinar errático que exerceu: mostrou um amarelo a William por fazer falta a meio do meio-campo do Sporting sobre um adversário que estava marcado também por Mathieu, poucos minutos depois de ter poupado Kakuba numa falta ostensiva sobre Gelson junto à área do Feirense, quando o extremo se preparava para ganhar a linha de fundo; e o amarelo para Patrício após a segunda reposição de bola lenta (depois do 1-0), quando foram precisas cinco ou seis reposições lentas de Caio Secco para ver cartão. Junte-se a isso várias situações em que impediu o Sporting de marcar livres de forma rápida e a eternidade que demorava a tomar nota dos cartões que mostrava. Luís Ferreira pode não ter jeito para a arbitragem, mas deve ser dono de uma caligrafia irrepreensível.

Doumbia - teve a infelicidade de lhe ter sido anulado um golo após excelente iniciativa individual, mas esse foi, provavelmente, o único bom momento dos muitos em que lhe deram oportunidade para brilhar. Começou logo nos minutos iniciais quando William o solicitou em profundidade e dominou mal a bola - problema que viria a demonstrar mais vezes enquanto esteve em campo. No total, teve pelo menos quatro oportunidades que desperdiçou de forma escandalosa. Infelizmente, não está a ser o ponta-de-lança de que necessitamos para render Dost. Provavelmente terá a sua última grande oportunidade na quinta-feira no Cazaquistão, espero que não a desperdice.



MVP: Fredy Montero

Nota artística: 4



Lado positivo do que se passou? Acredito que a equipa tenha saído mais forte após ter superado este nível de adversidade, juntando-se à sequência da melhoria da qualidade do futebol praticado que já se tinha visto na Amoreira (apesar da derrota). Lado negativo? É mais uma arbitragem de campo inclinado, que tem sido frequente nos últimos tempos. Os padres estão a sentir a fragilidade e querem acabar o servicinho.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O regresso de Montero

Fredy Montero foi anunciado esta manhã como novo reforço do Sporting. É um regresso que muitos sportinguistas saúdam - nomeadamente aqueles que nunca concordaram com a sua saída do clube há dois anos -, mas que eu, que na altura compreendi perfeitamente a decisão da SAD em vendê-lo, não vejo com particular entusiasmo.

No papel, Montero tem características que o tornam um candidato muito forte ao acasalamento (para usar a expressão de Jesus) com Dost: é um jogador inteligente que sabe movimentar-se entre linhas, tem excelente técnica de receção e passe, e, tão ou mais importante que isso, é um jogador com golo, muito por causa do seu killer instinct e do seu remate fácil e forte. O problema é o que depois acontece na prática. Não sendo um jogador intenso, o seu rendimento num dado dia depende demasiado do estado da sua inspiração.

Os números que Montero registou na Liga durante a meia época que fez com Jesus definem bem, na minha opinião, o tipo de jogador que é: nos cinco jogos que fez a titular, não marcou nenhum golo e só fez os 90 minutos num deles (na derrota com o União da Madeira); e marcou um total de três golos - todos eles decisivos, contra Nacional, Braga e Académica -, sempre na condição de suplente utilizado. Sempre que mostrava serviço e conseguia levar o treinador a apostar em si como titular, dava-lhes sequência com exibições frouxas em que parecia passar ao lado do jogo, e que terminavam, quase sempre, com a sua substituição.

É precisamente assim que vejo o regresso de Montero: um jogador que poderá ser útil em determinadas circunstâncias, mas que duvido que se consiga impor como titular num plantel que apresenta muitas e boas alternativas. Resta saber quando essa utilidade se começará a revelar, pois o último jogo que fez - ao serviço dos Vancouver Whitecaps, por empréstimo do Tianjin Teda - foi realizado no longínquo dia 3 de novembro. Considerando que o campeonato chinês apenas começa em março, não me parece que tenha sequer treinado nas últimas semanas, o que significa que a sua pré-época começará agora. A seu favor, o conhecimento que tem do clube, do treinador, de alguns dos companheiros (sobram Patrício, Tobias, William, Gelson, Bryan - e cruzou-se brevemente com Bruno César e Coates), do futebol português e dos adeptos ajudarão muito seguramente na sua reintegração.

Não serei o mais adepto mais entusiasmado com esta contratação, mas, como é óbvio, fico a desejar os maiores sucessos individuais para o colombiano - seria um sinal muito bom para o cumprimento dos nossos objetivos coletivos. Bem-vindo de volta, Fredy!

sábado, 21 de maio de 2016

Balanço de 2015/16: Avançados



Islam Slimani: ***          2014/15: ***     2013/14: **

O argelino atingiu um nível que seria impensável há dois anos. A prova viva de que a determinação e espírito de sacrifício podem compensar, em grande parte, as limitações técnicas com que se nasce. Acabou a época com 31 golos marcados, dos quais apenas 2 foram de penálti, e picou o pontou por 9 ocasiões a Benfica, Porto e Braga. Um ponta-de-lança que foi um pesadelo para todas as defesas que defrontou, independentemente de serem equipas de topo ou do fundo da tabela. Uma das grandes figuras do Sporting 2015/16. Provavelmente será transferido. Vai deixar saudades.


Teo Gutiérrez: *

Dois terços de época para esquecer, terminando, no entanto, em bom nível, ao marcar 8 golos nos últimos 8 jogos. Apesar dos 15 golos que marcou, a prestação de Teo foi, na minha opinião, insuficiente. Falamos de um jogador que, sendo o mais bem pago do plantel, esteve longe de corresponder às expetativas da sua contratação. Não só pelo que (não) jogou em grande parte da temporada, mas também por causa das rábulas da sua estadia prolongada na Colômbia e da pressão que fez para sair. Ainda agora a época acabou, e já há notícas de que Teo está a pedir para sair. Se for verdade, é fazer-lhe a vontade perante uma proposta minimamente interessante.



Fredy Montero: *          2014/15: **     2013/14: **

Ninguém nega que Montero tem uma capacidade técnica acima da média, mas fica complicado entregar um lugar no onze a um jogador tão pouco regular. Marcou 3 golos decisivos (Nacional, Braga e Académica) que valeram 3 importantes vitórias, mas foram bastante mais os jogos em que pouco acrescentou em campo. Considerando a sua situação no plantel e as necessidades financeiras do clube, compreende-se a sua venda.


Junya Tanaka: *          2014/15: *

Apesar de bom profissional e de ser um grande marcador de livres, o japonês não é jogador com nível suficiente para o Sporting. Não sendo bem ponta-de-lança, não sendo bem extremo, não sendo bem médio ofensivo, ficava complicado encaixá-lo onde quer que fosse.


Hernán Barcos: *

Provavelmente, a única contratação do mercado de inverno que não acrescentou nada ao plantel. Contra ele jogava o facto de estar há mais de dois meses sem competição. Jesus foi-lhe dando minutos de forma inconstante, mas nunca correspondeu. Ficaram mais na memória os lances em que se atrapalhou do que qualquer outra coisa que tenha feito com qualidade. Tenho muitas dúvidas que seja o jogador de que precisamos para substituir Slimani. Em função da conjuntura negativa em que chegou ao Sporting, talvez mereça a oportunidade de se mostrar na pré-época, mas não acredito que isso chegue a acontecer.


Bryan Ruiz: ***

Sobre Ruiz já escrevi tudo aqui (LINK). 


Carlos Mané: *          2014/15: **     2013/14: **

Não foi ainda a época de explosão de Mané, que poucas vezes conseguiu aproveitar as oportunidades que lhe foram dadas. É natural que, após 3 anos na equipa principal, se levantem dúvidas sobre se conseguirá alguma vez afirmar-se como solução de primeira linha para um clube com o Sporting. Considerando as notícias que davam interesse de clubes alemães na janela de transferências de inverno, o mais provável é que seja cedido. 


Gelson Martins: **          

A sua inclusão no grupo de trabalho foi, provavelmente, a maior surpresa no início da época. Um jogador com capacidade para desequilibrar graças à sua velocidade e capacidade de drible, revelou no entanto dificuldades iniciais no momento de definir. Com o avançar da época, foram visíveis os progressos quer ao nível da decisão, quer no à-vontade para jogar em espaços interiores. Um projeto de jogador que, para já, está no bom caminho. Tem tudo para explodir em 2016/17.


Matheus Pereira: *

Um craque em potência. Esteve bem na generalidade dos jogos em que participou, mas acabou por ter direito a menos minutos do que Gelson, o que, confesso, me surpreendeu, pois via em Matheus maiores probabilidades de afirmação. Dúvida para a próxima época: manter no plantel, jogando menos, ou emprestar a um clube de I Liga para ganhar experiência? Se a opção for a segunda, 80% dos clubes vão esfolar-se para poderem contar com ele.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Hasta siempre, Fredy!


Outro capítulo termina e um novo começa! Eu e a minha família vivemos aqui em Portugal algumas das nossas melhores...
Publicado por Fredy Montero em Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2016

O fecho de mercado

Resumindo, foram estas as movimentações na equipa principal e excedentários:

Saídas: Montero, Tanaka, Labyad, Sacko, Rosell, Cissé, Diogo Salomão, Marcelo Boeck, Viola, Jonathan

Entradas: Barcos, Coates, Rúben Semedo, Zeegelar, Bruno César, Schelotto (e Tomas Rukas e Canhembe para a B)

Dúvidas: Teo, Ewerton (os mercados brasileiro, chinês, russo e turco continuam abertos)



Fredy Montero 

Foi transferido por €5M para o Tiajin Teda, com o Sporting a manter 20% do passe, ao que parece como parte de um pacote que também trouxe Hernán Barcos para Lisboa. É seguramente a transferência que mais reações negativas gerou entre os sportinguistas.

Financeiramente, parece-me um bom negócio. Montero tem 28 anos, seria a 4ª alternativa do plantel para a posição de ponta-de-lança (assumindo que Teo fica), pelo que os €5M acabam por ser um valor bastante interessante para o Sporting. Convém não esquecer que a SAD estava obrigada a vender para compensar o aumento dos custos com pessoal. Entre vender um suplente e um titular, parece-me óbvio que é preferível vender um suplente.

Desportivamente, todos reconhecem o talento de Montero. O problema é que esse talento aparecia de forma demasiado esporádica para ser titular do Sporting, para além de ter pouca presença de área para ser o ponta-de-lança de que precisávamos. Foi muito útil em vários jogos, é verdade - incluindo no último sábado -, mas parece-me que faz sentido que o clube prefira contar com outro jogador com características que lhe permitam efetivamente lutar pela titularidade, coisa que o colombiano já não conseguia.

Sentimentalmente, custa vê-lo partir. Montero foi o protagonista do inesperado ressurgimento do Sporting (de Leonardo Jardim) logo após a pior época da história do clube. Estreou-se em Alvalade com um hat-trick (um dos golos foi de levantar o estádio) e teve um início de temporada espantoso que catapultou o Sporting para a liderança isolada. Apagou-se na segunda metade da época e nunca mais foi um titular indiscutível. Ainda assim, foi fundamental na conquista da Taça de Portugal. Durante os dois anos e meio que esteve connosco teve sempre um comportamento correto e profissional. Como tal, vai deixar saudades.



Junya Tanaka

O japonês era uma figura querida em Alvalade, mas é fácil perceber que não contava para Jorge Jesus. Conseguiu uma média de golos marcados interessante, para os poucos minutos que acabou por jogar. Ficará na memória de todos os sportinguistas o golo que marcou em Braga. Foi emprestado por uma época e meia, coincidindo com o resto do contrato, o que significa que não deverá voltar ao Sporting.



Labyad e Viola

Dois jogadores com vencimentos elevadíssimos, era urgente a sua colocação para reduzir a folha salarial da SAD. Viola já se tinha desvinculado do Sporting em janeiro, enquanto o marroquino foi ontem emprestado ao Fulham durante 6 meses, com o clube inglês a ficar com a opção de estender o empréstimo por mais um ano (o que coincidiria com o fim do contrato do Sporting). Duas boas notícias para as finanças do clube. 


Rosell, Cissé e Sacko

Três erros de casting que foram cedidos até ao final da época. Rosell vai para o Guimarães, tendo o Sporting recebido em troca o direito de preferência sobre o guarda-redes Miguel Silva e Alexandre Silva. Na prática, estes direitos de preferência significam muito pouco. Continuarão a ser sempre os jogadores a decidir o clube para onde seguirão numa eventual transferência. Cissé foi emprestado ao Setúbal, e Sacko ao Sochaux, da 2ª divisão francesa.


Diogo Salomão

Um problema antigo que foi finalmente resolvido, com a sua transferência definitiva para o Maiorca.


Marcelo Boeck

Foi por empréstimo para o Chapecoense até ao final da época, com mais um de opção. Não se compreende por que motivo a direção decidiu renovar com Marcelo, quando já era evidente que o seu rendimento desportivo deixava muito a desejar. Assumindo que o Chapecoense aciona a opção, ficará no Brasil até 31 de dezembro de 2017. Ficará então a faltar 6 meses para o final do contrato com o Sporting.


Hernán Barcos

É um jogador com características semelhantes às de Slimani: muito forte fisicamente e móvel, talvez mais forte a finalizar que o argelino. No entanto, é preciso saber se o Barcos que vem para o Sporting é o melhor Barcos, ou se a sua passagem pela China o fez perder as capacidades que mostrou ao serviço do Palmeiras e do Grémio. Contra si tem o facto de fazer 32 anos em abril e estar sem competir há mais de dois meses. Uma boa adaptação ao clube e ao sistema de Jesus e uma rápida recuperação dos índices físicos serão fundamentais para poder ser um fator diferenciador no que resta desta época.


domingo, 31 de janeiro de 2016

Estragaram o guião do Cosme Machado Show


Escrevi isto há uns dias no Twitter, depois de ver o resumo do Famalicão - Porto, para a Taça da Liga (obrigado, Carlos). Cosme Machado é isto: errático, capaz das piores decisões possíveis e um especialista em estragar jogos de futebol. Já nos beneficiou esta época, quando não assinalou o penálti de Naldo contra o Arouca. Por outro lado, conseguiu não expulsar Lito Vidigal naquele episódio com Naldo nem viu um penálti sobre Slimani perto do fim.

Mas aquilo que aconteceu ontem é demasiado grave - foram demasiados erros -, para poder ser considerado apenas incompetência. E é uma tendência que tem vindo a ser progressivamente mais visível e persistente. Uns a serem empurrados para baixo, outros a terem o passaporte olímpico nos momentos de maior aperto. É perfeitamente evidente que os organismos que mandam no futebol português estão a fazer um cerco ao Sporting, e não é possível que se continue a pensar de que se trata apenas de casos isolados.

Ontem, em Alvalade, não se jogou futebol. Havia uma bola, 11 jogadores de cada lado, mas não foi um jogo de futebol. Como tal, não será de futebol - desta vez com toda a justificação - que se falará nos próximos dias. É uma pena que, por exemplo, um golão como o de Adrien não venha a ter o destaque que merece, mas é impossível que uma arbitragem destas não seja o centro da discussão sempre que se falar deste Sporting - Académica.



Positivo

Vitória, contra tudo e contra todos - ainda havia meia-hora para jogar quando Cosme Machado validou o segundo golo da Académica. Considerando que a Académica não é propriamente um adversário forte, em condições normais seria exigível que o Sporting conseguisse chegar à vitória. Mas perante um roubo destes, é normal que os jogadores tenham acusado o "golo" do empate. Sentir que está em campo um árbitro com uma missão daquelas, deve ser coisa para abalar a mais experiente das equipas. Apesar de Cosme, apesar de tudo o que se passou, o Sporting conseguiu reagrupar-se e arrancar para 15 minutos finais de intensidade muito elevada e marcar o golo que repôs a justiça no resultado.

Um grande reforço na lateral direita - depois de um início de época sofrível - que levou o Sporting a procurar em novembro uma alternativa para o lugar - João Pereira subiu imenso de rendimento e tem sido um dos melhores da equipa de há algum tempo para cá. Está um jogador consistente, dinâmico e muito concentrado, capaz de criar desequilíbrios de forma frequente pelo seu flanco. E até nos cruzamentos tem estado melhor: ontem fez um direitinho para Ruiz, numa das melhores oportunidades de golo na primeira parte, e outro para Montero fazer o 3-2.

Mais uma vez, Adrien - mais uma vez, um grande jogo do capitão, coroado com um golo portentoso. Aliás, o golo que marcou é um bom exemplo da sua omnipresença e capacidade técnica: nesse lance parecia um autêntico extremo esquerdo, tanto pelo seu posicionamento como pela forma como se desfez do seu adversário direto antes do remate.

Mané a ser decisivo - ficou na retina a recuperação de bola e o delicioso trabalho individual que antecedeu a assistência açucarada para Ruiz fazer o 2-1, mas também foi ele que fez o passe para Adrien marcar o golo do empate. De resto, não teve um jogo muito feliz, tendo perdido várias bolas nas suas tentativas de drible. De qualquer forma, são erros com que consigo viver caso continue a ser tão influente em jogadas de golo.

A entrada de Montero - em boa hora a ser lançado na segunda parte. Para além do golo, quase conseguiu a melhor assistência da sua carreira com aquele lançamento lateral longuíssimo a desmarcar Slimani.


Negativo

A atuação de Cosme Machado - o jogo disputou-se de noite, mas foi um autêntico roubo à luz do dia. Começou com o escandaloso empurrão a Mané, aos 12 minutos, que deveria ter dado penálti e vermelho para Hugo Seco. Continuou com o amarelo mostrado a Adrien - quantas vezes não se viu já um jogador tentar apressar a marcação de um livre, com o árbitro apenas a apitar para esperarar pela sua ordem? - que acabou por provocar a expulsão de Jesus. Na sequência dessa falta, Nuno Piloto fez uma falta dura sobre João Mário, que deveria ter sido punida com amarelo, independentemente de o lance ter prosseguido e dado golo. Fez vista grossa a uma entrada duríssima sobre Adrien no início da segunda parte, mas mostrou pouco depois um amarelo ridículo a Ewerton (sendo mais tarde benevolente numa falta do brasileiro que lhe poderia ter valido o segundo). E depois, claro, a incompreensível decisão de desautorizar o seu fiscal-de-linha, que tinha assinalado corretamente fora-de-jogo no 2º golo da Académica. Ainda teve tempo para expulsar Nelson e dar umas boas reprimendas ao banco do Sporting. Um autêntico desastre que, felizmente, acabou por não ter consequências no resultado. Este árbitro não pode voltar a arbitrar jogos do Sporting. Aliás, este árbitro não deveria voltar a arbitrar jogos, ponto.

A maldição dos centrais - mais uma vez tivemos problemas físicos no centro da defesa. Desta vez foi Naldo a ter que ser substituído prematuramente. Também William parece ter sido substituído por questões físicas.



Viveu-se uma noite revoltante em Alvalade, mas felizmente conseguimos vencer e manter a liderança isolada. Fico com curiosidade para saber se a nota de Cosme Machado será divulgada, e o quão negativa será essa nota.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Equação impossível

O Arouca - Sporting de há pouco foi um daqueles jogos carregado de dilemas sem solução, que só mesmo a Taça da Liga é capaz de nos dar. Por um lado, queremos ver a nossa equipa a ganhar. Por outro, não queremos que ninguém se lesione para não prejudicar as aspirações no campeonato. Por um lado, estamo-nos a borrifar para a competição em si. Por outro, não nos importamos de ter uma nova oportunidade para fazer uma reprise do Bailando perante os vencedores crónicos da Taça Lucílio. Por um lado, queremos existam sempre mais dias de Sporting. Por outro, não queremos que o calendário fique demasiado sobrecarregado em fevereiro.

Como tal, era, à partida, logicamente impossível chegarmos ao fim do jogo com um sentimento de satisfação pleno, independentemente do resultado e da definição do apuramento.

Mas mesmo perante este cenário sem qualquer happy ending à vista, a primeira parte foi demasiado má para ser verdade. Já vi jogos de solteiros contra casados mais interessantes que este. Pior, já joguei jogos de solteiros contra casados mais interessantes que este. Foi de tal forma aborrecido, que apenas consegui retirar dois aspetos positivos em relação aos primeiros 45 minutos: em primeiro lugar, o facto de eu só ter começado a ver o jogo a partir dos 20'; depois, a constatação de que, perante esta ausência de futebol, seria difícil a coisa não melhorar na segunda parte.

E a verdade é que a segunda parte lá conseguiu ser minimamente suportável. Mané, Gelson e Podence entraram com alguma vontade de jogar e conseguiram contagiar alguns dos seus companheiros. Algumas jogadas decentes, Montero a bater dois excelentes livres e num deles Zeegelaar estreou-se a marcar e a assegurar a vitória. E Jug fez bem o pouco que teve para fazer. Pena é que já não tenha mais jogos da Taça da Liga para se mostrar (see what I mean?).

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Frustrante ineficácia

É mais por uma questão de falta de tempo do que por falta de vontade - se bem que a vontade é pouca - que não faço o comentário ao União - Sporting nos moldes do costume. Perceberão o motivo às 9 da manhã. 

Foi um daqueles jogos em que parecia haver um escudo de forças que impedia a bola de entrar na baliza. Na realidade, por escudo de forças, entenda-se a boa exibição de André Moreira e uma enorme desinspiração finalizadora de muitos dos nossos jogadores. Do lado do União registou-se precisamente o oposto: uma oportunidade, um golo marcado, com muitas facilidades dadas do nosso lado: Ruiz com passe disparatado a oferecer a bola a um adversário, Esgaio a não acompanhar a linha de fora-de-jogo, Jefferson a demorar uma ETERNIDADE para se reposicionar após sair em contenção, e finalmente Esgaio a marcar o homem que era de Oliveira e a dar nas suas costas todo o espaço de que Danilo Dias precisava para marcar.

Dentro de tudo o que de mau aconteceu, e já dando o devido desconto em função da ineficácia finalizadora, dou um destaque positivo para Montero que, na primeira parte, foi o jogador mais ativo e esclarecido na construção de lances de ataque. Esgaio subiu bem pelo seu corredor, pena que tenha acabado por ter responsabilidades no golo do União. Na outra lateral esteve o pior jogador do Sporting: Jefferson. Está num momento de forma terrível, e pergunto-me se Jonathan não será mais útil - ou menos prejudicial, como preferirem - do que o brasileiro. Jefferson é daqueles jogadores que precisa de concorrência real para render. Foi assim no princípio da época passada e só se espevitou quando perdeu a titularidade. O Sporting ainda não confirmou Zeegelar, mas estamos de facto a precisar de reforçar aquela posição.

Esta derrota é tremendamente frustrante. Não só porque surge na sequência da eliminação da Taça de Portugal, mas também porque este era um jogo que era obrigatório ganhar para nos permitir encarar o clássico de 2 de janeiro com outro tipo de confiança. Por outro lado, é a primeira derrota para o campeonato ao fim de catorze jornadas. Aproveitemos a pausa para recarregar as baterias e inverter esta fase negativa. Já não estamos em primeiro, mas ainda há muito campeonato pela frente.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Class act

A movimentação de Montero no 1º golo (cruzamento de Ricardo Esgaio)

A combinação entre Bryan Ruiz e Fredy Montero no 2º golo

O golo de Gelson Martins (a passe de Fredy Montero)

O golo de Matheus Pereira a passe de Gelson Martins

Remate de Bryan Ruiz ao poste após passe de Fredy Montero