Mostrar mensagens com a etiqueta TSF. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta TSF. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

A resposta dos jornalistas ao email das avenças

Foram várias as reações que surgiram, durante o dia de hoje, ao email divulgado ontem com uma proposta, elaborada por Carlos Janela e enviada a Vieira, de pagamentos a jornalistas de diversos órgãos de comunicação social para obtenção e divulgação de informações que fossem convenientes para os fins do mestre cartilheiro (LINK).

RTP/Antena 1, TSF e Record já emitiram notas a condenar os danos ao bom nome dos seus jornalistas, tendo, em alguns casos, sido feito promessas de ações judiciais contra quem promoveu tais calúnias.


Outra reação foi a de Carlos Janela: o responsável pelas cartilhas do Benfica - e comentador isento às quartas-feiras - assegurou que o email divulgado é falso.

(via @furaredes)

Tenho alguns comentários a fazer sobre os desmentidos:

1. Acho natural que os órgãos de comunicação social se coloquem publicamente ao lado dos seus funcionários. Merecem o benefício da dúvida do seu empregador, até porque o email, partindo do princípio de que é verdadeiro, não prova que alguma vez tenham recebido ou aceitado receber avenças do clube. No entanto, isto não os dispensa de estarem atentos a este tipo de situações, pois deviam saber que a sua própria reputação sai prejudicada à medida que se vão descobrindo relacionamentos demasiado próximos entre jornalistas da casa e clubes. Infelizmente, têm existido inúmeros casos desses, alguns dos quais envolvem pessoas com muita responsabilidade nesses órgãos de comunicação social.

2. Depois de tudo o que tem sido descoberto e confirmado, creio que já chegámos a um ponto em que todos podemos assumir que os emails são verdadeiros.

3. Depois de tudo o que tem sido descoberto e confirmado, creio que só uma pessoa muito inocente poderá acreditar naquilo que Carlos Janela tenha a dizer sobre o tema. Não existe pessoa mais comprometida com o pântano que se gerou no futebol português a nível comunicacional.

4. Não nos podemos esquecer que, de entre os emails divulgados, há dezenas que contêm cartilhas distribuídas por Carlos Janela a elementos da comunicação benfiquista. A existência das cartilhas já foi confirmada por várias pessoas que as receberam. Para além disso, sabe-se que existem jornalistas a receberem notas soltas de Janela. Algumas das iniciais de jornalistas constantes do tal email de Janela para Vieira batem certo com alguns dos nomes dos jornalistas que recebem essas notas soltas.

5. Aquele email existiu - os metadados do ficheiro em anexo comprovam-no - e colocou em causa a credibilidade e reputação de vários jornalistas. Os jornalistas e respetivos empregadores podem e devem defender-se, mas não podem argumentar com a questão da veracidade do email nem com o desmentido de Carlos Janela. Ir por aí é estarem apenas a querer enganar tolos e a fugir ao cerne da questão.

6. E qual é o cerne da questão? É haver um colaborador de um clube de futebol que propôs, ao seu responsável máximo, que se corrompessem jornalistas - sim, é disto que estamos a falar, corromper jornalistas, para que quebrem as mais elementares regras do seu código deontológico - com pagamentos regulares em cash. Todo o argumentário que ignore este facto serve apenas para mandar areia para os olhos das pessoas. Não querer ver isto, não querer denunciar isto, no ponto a que as coisas chegaram, é o equivalente a pactuar com os métodos desta gente.

7. No caso do Record, há uma complicação adicional: o jornal faz parte de um grupo (Cofina) que paga a Carlos Janela para fazer comentários sobre futebol na qualidade de opinador independente na CMTV. Se a Cofina mantiver Carlos Janela como comentador por mais um dia que seja, está a matar a defesa da credibilidade dos seus colaboradores, pois está a alinhar voluntariamente com a estratégia de um dos cérebros da comunicação do Benfica - estratégia, essa, em que se idealizava o pagamento a jornalistas seus para espalhar a sua mensagem. Como tal, os responsáveis do Record têm a obrigação de fazer toda a pressão possível junto da casa-mãe para que esta impeça Carlos Janela de continuar a ter tempo de antena no seu canal de televisão.

8. Apesar de tudo o que escrevi no ponto anterior, todos sabemos perfeitamente que Carlos Janela continuará a falar semanalmente na CMTV como comentador independente, como se nada tivesse acontecido. Se a própria Cofina não vê problemas nisto, para que é que se incomodam na defesa da vossa reputação?

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A agressão de Rui Cerqueira: grito de revolta?

Eugénio Queiroz, no blog que tem no site do Record, publicou um texto de João Fonseca, o repórter da RR que foi agredido por Rui Cerqueira no final do Belenenses - Porto.


Que um jornalista não deve ser o centro das notícia, concordo perfeitamente. Mas o que se passou no final do Belenenses - Porto é notícia, não pelo jornalista em si, mas pelo facto de um dirigente de um clube ter tentado impedir outros de fazer o seu trabalho, recorrendo a métodos violentos que não têm lugar numa sociedade civilizada.

Apesar de não compreender na totalidade o texto de João Fonseca, por não estar a par de muito do que terá acontecido e que nunca chegou a ser divulgado, é possível extrair daqui algumas das coisas que se terão passado:
  • Houve alguém que impediu um jornalista de fazer o seu trabalho, de forma "agressiva, arrogante e autoritária"
  • Alguém mandou a PSP identificar os jornalistas, em vez de o fazer com o agressor
  • Os delegados da Liga íntegros, que reportam o que vêm e ouvem, vão sendo afastados e substituídos por outros com menos escrúpulos, como terá sido o caso neste jogo
  • A Liga pediu há poucos dias ao jornalista para prestar declarações na sede

Sabendo da podridão que é o mundo dos bastidores do futebol, imagino que quer João Fonseca quer David Carvalho tenham sofrido pressões imensas na sequência de um episódio lamentável em que a sua responsabilidade começa e acaba no facto de estarem a fazer o seu trabalho no local e no momento errado.

Um jornalista é um homem que não pode deixar de temer pelo seu emprego, pela sua segurança e pela sua família. Por isso, é em situações destas que a reação deve ser corporativa, imediata e categórica, para escudar as vítimas e mandar uma mensagem clara que situações deste tipo não podem ser toleradas.

RR, TSF e sindicato dos jornalistas optaram por permanecer mudos e calados. O motivo deste silêncio é desconhecido, mas em alguns dos casos o relacionamento entre Joaquim Oliveira e o Porto deverá ter alguma coisa a ver com o assunto.

Mesmo usando meias-palavras e mensagens meio encriptadas, João Fonseca revelou uma coragem que eu, se estivesse envolvido numa situação semelhante, provavelmente não teria. E é lamentável que o jornalista tenha sentido a necessidade de fazer esta declaração pública, de forma isolada e sem o apoio expresso das instituições que tinham a obrigação de o proteger.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Certo, João...

João Rosado, ontem no programa "Jogo Jogado" da TSF (propriedade da Olivedesportos) fez o seu comentário sobre a tentativa de destituição de Mário Figueiredo do cargo de presidente da Liga.

"Quando Mário Figueiredo foi eleito prometia-se uma espécie de revolução e afinal de contas entende-se que tudo aquilo que foi marcante no mandato de Mário Figueiredo não correspondeu a essa revolução. E de resto ele entrou sempre com um discurso (e não é a primeira vez que o vou dizer, por isso estou particularmente à vontade), com um discurso muito arrojado, como se não existisse memória no futebol português, e particularmente não existisse memória sobre a ação meritória de um empresário como Joaquim Oliveira e da Olivedesportos no futebol nacional."

Certo, João...


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Tem a palavra o Sindicato dos Jornalistas

Senhores jornalistas, se acham que é com atitudes submissas que se vão dar ao respeito à malta lá de cima, estão bem enganados. 

Da próxima vez que o Porto não ganhar, se existirem repórteres, relatores ou comentadores no local errado à hora errada, provavelmente vão é apanhar com ainda mais força. É que aqueles tipos só compreendem dois tipos de situações: as que lhes podem arranjar problemas e as que não lhes arranjam problemas. 

As que lhes arranjam problemas (como conversas incriminadoras ao telemóvel ou visitas de árbitros ao domicílio) passam a evitar-se, as que não lhes arranjam problemas continuam a praticar-se.

Portanto, pensem bem se ficarem calados é mesmo a melhor opção. Não me refiro evidentemente aos agredidos em particular. Esses, para além de serem as vítimas, têm famílias para sustentar e um emprego para manter, pelo que até compreendo que possam ter muitas reservas em avançar para uma queixa-crime contra Rui Cerqueira.

Aí era onde deviam entrar as respetivas entidades patronais, que têm a obrigação de defender os seus funcionários. Mas infelizmente daqui também não deveremos esperar grande coisa. A RR assobia para o lado (numa postura muito católica de dar a outra face) e a TSF parece andar distraída (certamente não querendo fazer nenhuma desfeita a Joaquim Oliveira).

Mas havendo um sindicato, que já agiu no passado em circunstâncias bem menos sérias, que enquanto entidade coletiva não precisa de temer represálias, como se explica tanta demora em reagir? A direção do Sindicato de Jornalistas é composta por um presidente e dois vice-presidentes:

Fonte: site do Sindicato dos Jornalistas

Note-se que a imagem acima faz referência ao triénio 2010/2012, mas já apanhei uma notícia de Abril de 2013 que refere que Alfredo Maia ainda é o presidente. Para além disso o Linkedin de Helder Robalo indica-o ainda como vice-presidente.
  • Rosário Rato é vice-presidente e trabalha na Lusa
  • Hélder Robalo é vice-presidente e trabalha no Diário de Notícias, que por acaso é propriedade da Controlinveste e de Joaquim Oliveira
Fonte: linkedin
  • Alfredo Maia é o presidente do sindicato e trabalha no Jornal de Notícias, que por azar também é propriedade da Controlinveste e de Joaquim Oliveira


Portanto, como se pode ver temos o ramalhete completo. Os dois desgraçados que foram agredidos poderão contar com apoio do seu sindicato? Ou os laços profissionais de dois dos três elementos da direção do SJ irão prevalecer? Aguardemos pela resposta nos próximos dias.

TSF (Telefonia Sem Firmeza?)

Há dois anos, o Sporting foi alvo de um boicote de árbitros, tudo porque não gostaram de umas declarações (não oficiais) supostamente de Godinho Lopes, que terá acusado os árbitros de incompetência. Não voltariam a arbitrar jogos do Sporting até que recebessem um pedido de desculpas público.

Entretanto houve declarações bastante mais polémicas de outros responsáveis de outros clubes, como aqui ou aqui, que colocavam em causa não apenas a competência, mas também a honestidade dos árbitros. O que é que esta classe fez perante tais acusações? Meteram o rabinho entre as pernas e não fizeram absolutamente nada.

Agora estamos a viver uma nova situação de tratamentos diferenciados, desta vez por parte da classe dos jornalistas. No final do Belenenses - Porto, jornalistas da RR e da TSF relataram em direto e na primeira pessoa terem sido vítimas de agressões por parte do diretor de comunicação do Porto, Rui Cerqueira. No entanto, estranhamente, não existiram quaisquer outras referências posteriores ao caso por parte dos referidos órgãos de comunicação social. Nem sindicato dos jornalistas, nem RR, nem TSF. Nenhuma crítica ou condenação institucional ao sucedido.

A verdade é que no passado, quando os jornalistas se sentiram colocados em causa, assistimos a reações corporativas muito mais enérgicas por acontecimentos bem mais triviais. Mas, como é evidente, o alvo das críticas da comunicação social era o suspeito do costume.


Voltando às agressões de Rui Cerqueira aos jornalistas, apenas consegui encontrar uma referência ao assunto no blog "Jogo Jogado", de Mário Fernando, que é o diretor de desporto da TSF. Mário Fernando foi interpelado na caixa de comentários sobre a ausência de reação da TSF aos acontecimentos, e foi esta a resposta:


Ou seja, parece que a TSF se descarta de qualquer tipo de apoio a um seu funcionário que foi agredido ao serviço da própria rádio. Inacreditável. 

Se da equipa de desporto da RR já esperava algo deste tipo, confesso que me sinto profundamente desapontado por ver isto acontecer na TSF, mesmo sabendo que pertence à Controlinveste de Joaquim Oliveira. É que para mim a TSF sempre foi a grande referência da informação radiofónica em Portugal.

Por uma boa notícia vão até ao fim da rua, vão até ao fim do mundo. Desde que isso não incomode os patrões de Rui Cerqueira.