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terça-feira, 4 de junho de 2019

No caminho certo

A diretora executiva da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), Sónia Carneiro, revelou esta segunda-feira que a I Liga terá jogos às 12:45 e que as partidas à segunda-feira serão apenas reservadas para equipas envolvidas nas provas europeias.


"Criámos um novo horário, o das 12h45. Portanto, as equipas vão poder jogar também à hora de almoço. Mantêm-se os horários do ano passado e cria-se aqui um novo, há várias janelas para que as equipas possam jogar. Claro que o horário nobre será o das 20h00, mas acho que vai haver algumas surpresas durante a época", disse a responsável do organismo que rege as competições profissionais em Portugal.

Paralelamente, a dirigente da LPFP explicou a alteração da marcação de jogos à segunda-feira, estabelecendo como prioridade a realização dos encontros entre sexta-feira e domingo, ficando apenas o derradeiro dia para os clubes envolvidos nas competições europeias, nomeadamente a Liga Europa, cujos desafios se disputam à quinta-feira e precisam depois de cumprir o período obrigatório de descanso.

"Em relação aos horários, foi uma das alterações regulamentares esta época os jogos à segunda-feira deixarem de ser obrigatórios. Portanto, a janela de segunda-feira fica disponível para quando há equipas que jogam a meio da semana anterior, a fim de as equipas poderem cumprir as suas 72 horas de descanso. Os jogos à segunda-feira serão pontuais esta época", frisou.


in O Jogo



Após anos consecutivos em que os interesses dos adeptos que marcam na presença nas bancadas têm sido colocados no fundo das prioridades, é de saudar que a Liga esteja finalmente a dar alguns passos no caminho certo, ou seja, criando condições para fomentar o aumento das assistências nos estádios espalhados pelo país.

A questão de eliminar por completo os jogos às terças e quintas e reduzir os jogos às segundas até ao mínimo possível é positiva. Falta saber se aumentará a percentagem de jogos disputados à tarde - horário por excelência para levar mais famílias ao estádio - e se esses horários serão distribuídos de forma equitativa por todos os clubes.

Mas há mais que pode e deve ser feito, como, por exemplo, estabelecer limites nos preços que se cobram aos adeptos das equipas visitantes para evitar abusos como os que têm acontecido em determinados jogos. Ou, também, acabar com a prática de proibir adereços das equipas visitantes em certas bancadas de alguns estádios - quem paga bilhete tem direito a levar as camisolas e cachecóis que bem entender.

Que seja o primeiro passo de vários para trazer mais pessoas aos estádios deste país.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Os horários da Liga NOS

Torna-se cada vez mais difícil compreender a política que a Liga segue para a calendarização das jornadas e definição das horas para as diversas partidas do campeonato. A I Liga é o principal produto que o futebol português tem para oferecer aos seus consumidores, pelo que me parece elementar que deveria haver uma maior preocupação por parte da LPFP em alcançar um equilíbrio que conjugue a maximização das assistências nos estádios e os interesses dos detentores dos direitos de transmissão televisiva.

Considerando que é de todo o interesse aproximar as famílias do futebol e minimizar o sacrifício de quem faz longas deslocações para estar presente nos estádios, o mais lógico seria agendar as partidas para o fim-de-semana, preferencialmente para as tardes de sábado e domingo e, num segundo nível, para as noites de sábado. Apenas em casos excecionais se deveria recorrer às noites de sexta-feira e às noites de domingo. Isto deveria ser válido para todos os clubes, mas ainda mais para aqueles que levam maiores multidões aos estádios. Maiores assistências significam mais receitas de bilheteira para os clubes, maior projeção para os patrocinadores e, indiretamente, potenciam o espectáculo com o ambiente que criam à sua volta.

Infelizmente, esta política de horários seguida pela Liga não contribui em nada para promover a deslocação dos adeptos aos estádios. O único interesse que está a ser protegido é o da Sport TV, que parece sobretudo preocupada em encaixar os jogos da liga portuguesa em horários que não colidam com os das ligas estrangeiras que transmitem, nomeadamente a inglesa.

Os horários dos jogos caseiros do Sporting são um excelente exemplo daquilo que NÃO se deve fazer. Ao fim de quase cinco meses de competição, foram disputados sete jogos em Alvalade. Os três primeiros jogaram-se às 21h de sábado, e os quatro seguintes às 20h de domingo. Ou seja, desde finais de setembro que não há um único jogo em Alvalade a horas convenientes para as famílias com crianças que gostam de ir ao estádio. É verdade que em alguns casos se torna difícil evitar este tipo de horários - nomeadamente havendo Liga Europa na quinta-feira anterior -, mas isso não serve de desculpa para todas as situações: não houve jogos a meio da semana que antecedeu o Sporting - Aves, e não se conseguiu "arranjar" um horário melhor que as 20h de domingo. 

O desleixo da Liga na proteção do seu produto atingiu o auge neste princípio de 2019. A marcação da 15ª jornada para os dias 2 e 3 de janeiro é uma aberração. E, em particular, gostaria de saber qual foi o cérebro que teve a ideia genial de marcar o Sporting - Belenenses para as 18h de uma quinta-feira que, ainda por cima, coincide com o primeiro de dia de aulas do novo período escolar. Alguém na Liga tem noção da quantidade de adeptos que não conseguirão ir ao estádio? Ou sequer assistir ao jogo por inteiro em casa?

As datas estapafúrdias desta jornada acabam por ter reflexo também no agendamento da 16ª jornada, que terá três jogos marcados para os dias 7 e 8 (segunda e terça-feira) - um dos quais às 19h (o Tondela - Sporting).

Por curiosidade, deixo os horários em que se disputaram os jogos caseiros dos cinco clubes que mais gente levam aos estádios (considero como jogos à tarde aqueles que se iniciam até às 18h30, inclusivé).


O Sporting tem tido de longe os piores horários, e isso tem-se traduzido em assistências abaixo das expetativas. No polo oposto está o Benfica que, tendo estado na Liga dos Campeões e transmitindo os seus próprios jogos, tem tido a capacidade de ter excelentes horários para a maior parte dos seus jogos. O Porto tem tido horários razoáveis, enquanto Braga e V. Guimarães, sem a restrição das competições europeias, se vão sujeitando às necessidades semanais da Sport TV.

É óbvio que a participação na Liga Europa e os interesses da Sport TV contribuem decisivamente para o cenário a que o Sporting tem sido sujeito. Mas mesmo com essas restrições, também me parece que o clube não está isento de responsabilidades: deveria haver alguém no Sporting atento a esta questão que fizesse a pressão possível para conseguir horários mais decentes para os nossos jogos, nomeadamente em semanas que não são antecedidas pela Liga Europa. Se por acaso já existe alguma pessoa com essa responsabilidade, então não está a fazer um bom trabalho.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Uma frase que vale mais do que 1000 palavras


Decisão de ontem em AG da Liga, aprovada por 27 clubes, com 15 votos contra e duas abstenções. A medida é, obviamente, simbólica, mas não deixa de ser curioso quem ache que é normal oferecerem-se lembranças de 200, 300 ou 400 euros. Numa competição que se quer totalmente profissional e transparente, como é possível haver quem seja contra uma decisão destas?

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A facilidade (ou não) com que se mostram cartões na Liga NOS

O Pawn_pt (o autor do artigo sobre as estatísticas da eficácia dos guarda-redes que coloquei na semana passada) recolheu dados estatísticos interessantes sobre a facilidade (ou falta dela) que os árbitros têm no momento de puxar do cartão contra as equipas da Liga NOS. Organizou os dados num quadro com o número de faltas que cada equipa comete e sofre, em média, para cada cartão amarelo visto ou exibido ao adversário, para todas as equipas da Liga NOS, referente às 10 primeiras jornadas. Fez também um segundo quadro com a diferenciação entre os jogos em casa e os jogos fora.

Em primeiro lugar, como qualquer trabalho desta natureza, existem fatores que não são levados em consideração. A gravidade das faltas cometidas, a propensão disciplinadora de cada árbitro, ou mesmo a agressividade com que cada equipa joga. Mas não deixa de ser possível retirar daqui alguns padrões, considerando aquilo que se conhece de cada uma das equipas, do seu poderio e da sua forma de jogar.

Ainda antes de mostrar os quadros, começo por fazer um comentário sobre os números do Sporting: vão ao encontro daquilo que esperava, ou seja, os cartões saem muito mais facilmente para os jogadores do Sporting do que para os seus rivais. Qualquer sportinguista mais atento aos jogos da sua equipa já reparou nisso. É particularmente evidente, por exemplo, no primeiro cartão mostrado em cada partida: quantas vezes não aconteceu já, esta época, quando é o adversário a cometer a primeira falta dura, o árbitro fazer aquele sinal de "não vou permitir mais isto", adiando a exibição do cartão?; no entanto, se é um jogador do Sporting a cometer a primeira falta dura, o normal é sair logo amarelo. Tem sido assim na maioria dos jogos do Sporting.

O que não esperava é que os números fossem... tão claros.

Começando pelo quadro que inclui todos os jogos:


FC Team: faltas cometidas pela equipa
FC Opp: faltas cometidas pelo adversário
Am. Team: cartões amarelos exibidos à equipa
Am. Opp: cartões amarelos exibidos ao adversário
FC/A Team: média de faltas cometidas por cada cartão amarelo 
FC/A Opp: média de faltas sofridas para cada cartão amarelo exibido ao adversário
FC/A Team-Opp: diferencial entre as duas médias anteriores

Como se pode ver, o Sporting é, dos 18 clubes em competição, o segundo que pior diferencial tem, o que é um contrassenso face ao que seria expectável para uma equipa que, normalmente, tem um volume ofensivo muito superior ao dos seus adversários. O Sporting vê um amarelo em cada 6,4 faltas cometidas, mas os adversários precisam de fazer 9,4 faltas para verem um amarelo. Em toda a liga, apenas o Arouca se aproxima ao Sporting em relação a esta disparidade. No espectro oposto está o Porto, que vê um amarelo a cada 10,6 faltas cometidas, mas cujos adversários apenas precisam de fazer 5,2 faltas para ver um amarelo.

Fazendo a separação entre jogos em casa e fora, os números ficam organizados da seguinte forma:


FC Team: faltas cometidas pela equipa
FC Opp: faltas cometidas pelo adversário
Am. Team: cartões amarelos exibidos à equipa
Am. Opp: cartões amarelos exibidos ao adversário
FC/A Team: média de faltas cometidas por cada cartão amarelo 
FC/A Opp: média de faltas sofridas para cada cartão amarelo exibido ao adversário
FC/A H-A: diferencial entre as duas médias anteriores

Em média, as equipas que jogam em casa necessitam de fazer 7,62 faltas (no quadro está arredondado para 8) para ver um amarelo, enquanto que as equipas que jogam fora necessitam de fazer 7 faltas para ver um amarelo.

Quer enquanto equipa visitada, quer enquanto equipa visitante, o Sporting apresenta diferenciais negativos semelhantes, ou seja, não há uma grande diferença de tratamento dos árbitros em função do terreno em que o Sporting disputa os seus jogos. Só há, na realidade 3 desvios enormes em relação à média: o Estoril, quando joga fora, é imensamente penalizado, enquanto que o Benfica (que viu apenas 1 amarelo em 43 faltas cometidas enquanto equipa visitada) e o Porto (3 amarelos em 55 faltas), quando jogam em casa, têm diferenciais positivos avassaladores.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Curiosidades estatísticas das primeiras 5 jornadas da Liga NOS

(dados retirados do site squawka.com)

Faltas: O Setúbal é a equipa que mais faltas sofre, e que tem maior diferencial entre faltas cometidas e sofridas. O Sporting é a terceira equipa que mais faltas sofre. Ao contrário do que seria expectável, Benfica e Porto são das equipas que menos faltas sofrem. O Estoril é a equipa que menos faltas cometeu (57). Será curioso ver se manterão a média em Alvalade.



Disputas aéreas: o Porto é, de longe, a equipa que ganha maior percentagem de duelos aéreos.

 


Posse de bola e passes:  o Sporting é a equipa que mais posse de bola teve no conjunto dos cinco jogos, e é também a equipa que mais vezes passa a bola, e que o faz de forma mais acertada. Sporting e Benfica são as equipas que, em média, mais privilegiam o passe curto.



Remates: o Benfica é, de longe, a equipa mais rematadora, graças, sobretudo, a remates realizados fora da área. Dos três grandes (que são as três equipa mais rematadoras), o Sporting é a equipa que mais vezes remata na direção da baliza (62%). O Porto acerta menos de metade dos seus remates, apesar de ser a equipa que mais vezes remata dentro da área.



Golos marcados: o Benfica é a equipa que mais golos marcou, curiosamente revelando uma boa eficácia quando remata dentro da área, e uma péssima eficácia quando remata fora da área. É a equipa que mais golos marcou de cabeça. O Paços de Ferreira, apesar de já ter 8 golos marcados, não conseguiu nenhum de cabeça. O Estoril, próximo adversário do Sporting, é a equipa que tem maior percentagem de golos marcados fora da área (66%, ou seja, 2 dos 3 faturados).



Bolas paradas: o Setúbal é, até ao momento, a equipa mais forte, com cinco golos marcados (dos seis que tem no total). Marítimo, Arouca e Chaves ainda não marcaram de bola parada.



Golos sofridos: os quatro golos sofridos pelo Benfica até agora foram todos marcados de cabeça.



quinta-feira, 21 de julho de 2016

Ponto de situação dos empréstimos dos grandes

Tenho uma certa curiosidade para perceber a quantidade de jogadores emprestados que os grandes colocarão nas outras equipas da I Liga. Para além da utilidade que esse tipo de cedências tem para o desenvolvimento de jogadores jovens - com potencial para virem a fazer parte do plantel dos seus clubes num futuro mais ou menos próximo -, já todos perceberam também que também obtêm uma vantagem competitiva imediata. Se um clube empresta um jogador, sabe que a equipa que o receber ficará mais forte para defrontar os rivais, ao mesmo tempo que será obrigada a jogar desfalcada contra si.

Aos empréstimos (limitados a três jogadores entre o mesmo clube de origem e clube de destino) acrescem ainda as vendas de jogadores por valores simbólicos (ou mesmo a custo zero), em que os grandes mantêm parte dos direitos económicos e/ou opção de recompra ou direito de preferência. A história mostra que, em alguns destes casos, há jogadores que sistematicamente contraem maleitas que acabam por os afastar das partidas contra o seu antigo clube.

Chega ao ponto de haver três jogadores que foram contratados para serem emprestados: Zé Manuel (Porto), Murillo e Elhouni (Benfica) nunca chegaram a fazer parte de qualquer plantel do Porto e Benfica (seja na equipa principal, seja na B, seja nas camadas jovens).

A mais de três semanas do início da Liga, o ponto de situação é o seguinte:


Para já, o Porto já colocou 14 jogadores noutros clubes, o Sporting 10, e o Benfica 8. Do lado dos clubes recetores, o V. Setúbal tem 7 jogadores emprestados pelos grandes, e o Nacional tem 5.

Este é ponto de situação atual (tenho dúvidas em relação a dois jogadores marcados com "(?)"). Seguramente que esta lista engordará bastante ao longo das próximas semanas.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

As multas aos comentadores televisivos

Tenho curiosidade para saber como é que a Liga vai pôr em prática as multas a clubes por declarações feitas por comentadores que os representam nos programas televisivos que coloquem em causa a imagem do futebol português.


Assumo que sejam os clubes a serem multados, porque não vejo como é que a Liga terá poderes para multar indivíduos que nada têm diretamente a ver com as competições que organiza.

Que comentadores a Liga visará? Aqueles que têm cargos nos respetivos clubes (como Rui Gomes da Silva, Inácio ou Pedro Guerra)? Ou aqueles que, não desempenhando funções nos clubes, foram colocados nos programas pelos clubes e estão sempre alinhados com o discurso oficial (como Carlos Janela)? Ou ainda aqueles que, não tendo cargos nos respetivos clubes e até costumando pensar pela sua cabeça, dizem coisas que podem ser incómodas para o futebol português? Abrange apenas os comentadores dos canais de informação, ou também os que falam nos canais dos clubes? E não fará sentido alargar este controlo também aos jornalistas completamente alinhados com clubes, que são igualmente uma extensão das respetivas máquinas de comunicação? 

Já agora, isso aplica-se também ao que é escrito por dirigentes (Bruno de Carvalho e João Gabriel) nas redes sociais? E uma vez controlando-se o ciberespaço, por que não estender a vigilância a páginas de Facebook, blogues e contas de Twitter de gente com visibilidade mediática? E, com um algum esforço adicional, por que não controlar os menos mediáticos também?

Quanto ao conteúdo, onde se traça a linha entre o que pode ser dito e o que não pode ser dito? Aplica-se a tudo o que é incómodo, ou é tolerável que se lancem suspeições sustentadas em factos? Quem irá fazer a avaliação da qualidade dos argumentos apresentados?

Simpatizo com a ideia de tentar sanear os espaços de debate de "futebol". Infelizmente, a maior parte são programas degradantes onde ganha quem for mais incivilizado, e em que ninguém é capaz de dar o braço a torcer. Vejo dois problemas difíceis de ultrapassar na aplicação desta ideia: coloca em causa o direito à liberdade de expressão; e como estabelecer a responsabilização dos clubes sem que haja um vínculo contratual de algum tipo a ligá-los aos comentadores. Com bom-senso, acredito que seria possível criar um sistema de penalizações justo e eficaz, mas não nos podemos esquecer que vivemos em Portugal - o país cujo futebol inventou o dolo sem intenção.

terça-feira, 7 de junho de 2016

A reintegração do Gil Vicente na I Liga

A recente decisão judicial que decretou o regresso do Gil Vicente à I Liga é mais um caso que envergonha profundamente o futebol nacional.

Em primeiro lugar porque, mais uma vez, uma justiça tão lenta acaba por ser tudo menos justa, independentemente do lado em que esteja a razão. Não só a tardia decisão de reintegrar o Gil Vicente nunca poderá compensar plenamente o clube pela relegação administrativa de há dez anos, como também o Belenenses acabou por tirar proveito de uma benesse que, segundo o que foi agora determinado, não mereceu.

Em segundo lugar, porque obriga o futebol português, mais uma vez, a remodelar a sua competição principal. Em 2013/14 tínhamos 16 clubes no escalão principal. Entretanto, houve a reintegração do Boavista, que levou ao alargamento da I Liga para 18 clubes. Como seria de esperar, os clubes não tiveram muita pressa em reajustar a dimensão da competição. E agora, apenas 3 épocas mais tarde, passaremos, previsivelmente, para uma liga com 20 clubes - que é uma dimensão totalmente desproporcionada para a realidade do país. Haverá, no futebol de 1ª ou 2ª linha mundial, algum outro caso de uma liga com alterações tão frequentes? 

Para terminar, ainda temos que contar com novas injustiças / complicações que a determinação do 20º clube a participar na I Liga implicará. O que fará mais sentido: manter o União (17º classificado da I Liga) ou promover o Portimonense (o clube melhor classificado da II Liga que falhou a subida)? Ou deverá haver uma final jogada entre os dois para decidir qual ficará na I Liga? Por outro lado, não terão direito a Académica - que, caso soubesse que o penúltimo lugar poderia dar-lhe uma hipótese de salvação, teria encarado a última jornada com outra motivação - ou mesmo o Freamunde, por motivos semelhantes, a serem incluídos na discussão?

Se uma escolha por decreto não faz desportivamente sentido, uma decisão por liguilha com 2 ou 4 clubes terá a perversidade de, provavelmente, premiar o clube mais irresponsável. Considerando que nenhum dos emblemas tem a garantia de participar na I Liga, mandaria o bom senso que ajustassem o orçamento ao pior cenário possível. Se, no entanto, um dos clubes decidir arriscar e dimensionar o seu grupo de trabalho contando com as receitas da I Liga, então partirá em vantagem em relação aos demais.

A única coisa certa com que podemos contar é a existência de mais polémicas, pois é impossível tomar uma decisão que agrade a todas as partes interessadas. Não se pode dizer que a decisão de promover o Gil Vicente fosse previsível, mas, mais uma vez, registe-se a falta de proatividade de quem tem por obrigação defender os interesses do futebol português. Se isto continua assim, não tardará muito até termos uma I Liga com 22 ou 24 clubes.

domingo, 17 de abril de 2016

Novos horários de jogos para 2016/17


Muito bem! Se conseguirem também marcar sempre com antecedência os horários de cada partida, para que os adeptos possam saber com o que contar, então estarão dados dois importantes passos para aproximar o futebol português ao seu público, que há muito se impunham.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Os horários da 28ª jornada

O Record adiantou ontem, no seu site, que o Benfica - Braga deverá ser jogado na sexta-feira, dia 1, e que o Belenenses - Sporting será disputado no dia 4 à noite, ou seja, numa segunda-feira.

É surreal que a LPFP não tenha os horários definidos para a 28ª jornada, a apenas 9 dias do seu início. É uma demonstração de incompetência, de incapacidade organizativa, e de uma tremenda falta de respeito para com os adeptos que querem ver os jogos e precisam de planear a sua vida em função das datas em que os seus clubes competem. Infelizmente, este atraso no agendamento das partidas não é um caso isolado: ainda no princípio de 2016 houve uma jornada a meio da semana cujos horários foram conhecidos apenas 7 dias antes.

Situações destas continuam a suceder-se, apesar de no programa de candidatura de Pedro Proença ter sido incluída a intenção de aproximar a liga portuguesa às necessidades dos adeptos:


Para já, zero valores no trabalho feito neste sentido. O planeamento antecipado de data e hora dos jogos é o que sabemos, continua a não existir qualquer política de regulação dos preços dos bilhetes, enquanto que os horários atrativos continuam a ser uma raridade - e que nas poucas vezes que acontecem se devem sobretudo a limitações de calendário que forçam a haver vários jogos importantes no mesmo dia.

Bem sei que Pedro Proença foi eleito com a ajuda do Sporting - que nunca poderia, por uma questão de princípio, apoiar uma reeleição de Luís Duque -, mas duvido que este apoio fosse renovado se houvesse novas eleições num futuro próximo. Tem sido demasiado mau, seguramente muito abaixo das expetativas que existiam no momento em que o ex-árbitro decidiu avançar.

P.S.: Do ponto de vista dos adeptos, é ridículo que se empurre um Belenenses - Sporting para uma segunda-feira. Um jogo que poderia à partida registar uma assistência muito interessante no estádio, ficará limitado pelo sacrifício que se está a pedir aos potenciais milhares de espectadores que têm que trabalhar no próprio dia e levantar-se cedo na manhã seguinte. Do ponto de vista desportivo, no entanto, é benéfico para o Sporting, pois dá a Jorge Jesus dias adicionais para preparar o jogo com o plantel completo - não esquecer que são muitos os jogadores que estarão ausentes dos trabalhos por estarem a representar as respetivas seleções (no caso do Benfica, por exemplo, Jonas jogará na madrugada de dia 30, o que significa que regressará com muito pouca antecedência para a partida com o Braga).

P.P.S.: É apropriado que o Benfica defronte o Braga no dia 1 de abril. Nada como fazer um jogo do Benfica no dia das mentiras para fazer justiça ao que tem sido este campeonato. :)



quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O champanhe perdeu o gás?

Mas então, no espaço de 13 dias, passámos disto...



... para isto?

via @Himura84

via @captomente

O que terá acontecido à parceria histórica entre Benfica e NOS? O champanhe perdeu o gás?


Ou é melhor que Proença comece a pôr numa caixa de cartão as coisas pessoais que tem no (ainda) seu escritório na sede da Liga?

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Liga dos Coxos

Ao contrário do que o título deste post poderá indiciar, não quero de forma alguma escarnecer do infortúnio dos jogadores que se lesionam, seja qual for o emblema que representam. No entanto, é o título que me parece mais apelativo para apresentar uma estatística que creio ter algum interesse para a generalidade das pessoas que segue o nosso campeonato: uma tabela com um apanhado da quantidade de lesões que condiciona cada equipa ao longo da época.

O princípio desta contabilização é simples: por cada jogador que esteja indisponível para jogar pela numa dada jornada, a sua equipa soma 1 ponto. No final, a equipa que tiver sido mais afetada por lesões será a que acumulará mais pontos, sendo portanto a vencedora da Liga dos Coxos. Esta estatística usa como base as ausências dos convocados por lesão reportadas pela comunicação social.

Colocarei também a tabela relativa aos jogadores, com uma escala de cores a marcar as semanas em que foram dados como lesionados. A cor mais escura representa uma lesão que obrigou os jogadores a falhar 3 ou mais jornadas consecutivas, uma cor intermédia para 2 jornadas consecutivas, uma cor mais leve para um lesão que só afastou os jogadores durante 1 jornada.

Expressando o meu desejo de uma recuperação tão rápida quanto possível a todos os jogadores lesionados, aqui fica a tabela referente às 10 primeiras jornadas desta época.



quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Inquérito do Kit Cortesia for dummies

São de bradar aos céus algumas interpretações e conclusões que têm sido tomadas acerca da resposta que os árbitros deram ao questionário colocado pela Comissão de Instrução e Inquérito da Liga. Dizem que está provado que as ofertas do Benfica são legais, dizem que os árbitros estão a chamar Bruno de Carvalho de mentiroso, dizem que aquilo que o Benfica faz não é diferente do que fazem todos os outros clubes.

Vamos ver se nos entendemos: o questionário aos árbitros é apenas uma de várias averiguações que o CII está a levar a cabo para apurar se a oferta do Kit Cortesia (ou Kit Eusébio, se preferirem) viola ou não os regulamentos. Averiguações essas que incluem também, por exemplo, as audições de ontem a Luís Filipe Vieira e Bruno de Carvalho.

Como seria de esperar, o CII também tinha que ouvir o que os árbitros teriam a dizer sobre o assunto. E como também seria de esperar, os árbitros responderam que não se sentem influenciados pelas ofertas, e que as prendas e lembranças dos clubes são uma prática comum no futebol português. Árbitro que respondesse que se deixou influenciar pelas prendas estaria automaticamente a enterrar a sua carreira. Portanto, nenhuma surpresa por aqui. 

Mas para piorar o valor destes depoimentos, ainda há que considerar o facto de a APAF ter distribuído pelos árbitros uma minuta para formatar e orientar as respostas ao questionário. As perguntas do CII foram feitas a indíviduos que estiveram envolvidos no caso, não à classe como um todo. Como tal, este depoimento coletivo que os árbitros decidiram dar é um pro-forma que vale perto de zero para as conclusões finais. Isto é, vale perto de zero apenas se o CII estiver mesmo empenhado em ir ao fundo da questão.

E será que o CII quer mesmo ir ao fundo da questão? A avaliar pelas perguntas feitas aos árbitros, fico com grandes dúvidas. Toda a gente sabe que o cerne da questão do Kit Cortesia não é a caixa com a camisola de Eusébio. O ponto fulcral é o voucher que foi lá colocado. E a partir do momento em que o questionário que o CII dirigiu aos 180 árbitros, assistentes e observadores não inclui nenhuma referência direta e específica ao voucher de quatro jantares, então parece-me claramente que estamos perante um inquérito que é uma farsa, e cujo único objetivo é enterrar um assunto que está a incomodar muita boa gente.


Ao contrário do que muitos benfiquistas mal informados ou com fraca memória costumam dizer, quando Bruno de Carvalho apresentou ao país a caixa e o voucher nunca falou em corrupção, nunca acusou a existência de resultados viciados, nunca afirmou que os jantares se refletem diretamente no desempenho dos árbitros. A questão que Bruno de Carvalho colocou, e que deve ser o foco de todas as averiguações do CII, é se os vouchers constituem ou não uma violação do regulamento que estipula um limite de 200 francos suiços às lembranças dadas pelos clubes aos árbitros. Ou seja, falamos de algo que facilmente pode ser medido e avaliado de forma totalmente objetiva.

Foram oferecidos vouchers aos árbitros juntamente com a camisola? Sim ou não?
Se foram oferecidos vouchers, dão direito a 4 jantares? Sim ou não?
Se os vouchers dão direito a 4 jantares, quem usufrui do voucher tem algum limite no valor daquilo que consome? Sim ou não?
Se há limite de valor, qual é? Se não há limite...

Tão simples...

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Evolução das assistências da liga entre 2007/08 e 2013/14

Conforme tinha ficado prometido no final da semana passada, aqui fica a interessantíssima análise que o João Lisboa Santos fez sobre as assistências da liga portuguesa. 



Esta análise teve como intuito de avaliar o nível de assistências na Liga Portuguesa entre as épocas de 2007-2008 e 2013-2014, nas seguintes dimensões:
  • Tendência e evolução dos espectadores e atratividade da liga
  • Benchmarking com restantes ligas de futebol europeu – crescimento, load factor, modelo de competição, etc
  • Dependência das equipas “grandes”
  • Dependência Regional
  • Principais fatores para “picos” de assistências

As principais conclusões que tiro da análise são:

1. Evolução das assistências nos estádios nacionais tem sido irregular, mas entre 07-08 e 13-14 o valor total decresceu 8,8%

2. A Liga continua a apresentar assistências muito inferiores às médias das melhores Ligas Europeias, e decrescendo, bem como um nível de maturidade já elevado face a outras ligas em crescimento

3. Jogos com presença dos “Grandes” representam 78% do total das assistências e apenas 35% das partidas realizadas

4. A região do Norte tem vindo a perder preponderância face ao Sul, não pela redução de equipas na região, mas sim pela redução drástica das médias de assistências

5. O comportamento médio de assistências em casa dos “Grandes” ao longo das épocas tem sido constante: “Curva em U”

6. Campeão apresenta tendencialmente melhor Load Factor em casa, excepto 12-13, reviravolta na liderança na penúltima jornada

7. O Benfica é recorrentemente o clube que promove mais espectadores nos estádios nacionais, mas as regiões do Norte e Sul são as que apresentam maior nível de competitividade entre os “Grandes”

























quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Liga dos Coxos

Ao contrário do que o título deste post poderá indiciar, não quero de forma alguma escarnecer do infortúnio dos jogadores que se lesionam, seja qual for o emblema que representam. No entanto, é o título que me parece mais apelativo para apresentar uma estatística que creio ter algum interesse para a generalidade das pessoas que segue o nosso campeonato: uma tabela com um apanhado da quantidade de lesões que condiciona cada equipa ao longo da época.

O princípio desta contabilização é simples: por cada jogador que esteja indisponível para jogar pela numa dada jornada, a sua equipa soma 1 ponto. No final, a equipa que tiver sido mais afetada por lesões será a que acumulará mais pontos, sendo portanto a vencedora da Liga dos Coxos. Esta estatística usa como base as ausências dos convocados por lesão reportadas pela comunicação social.

Colocarei também a tabela relativa aos jogadores, com uma escala de cores a marcar as semanas em que foram dados como lesionados. A cor mais escura representa uma lesão que obrigou os jogadores a falhar 3 ou mais jornadas consecutivas, uma cor intermédia para 2 jornadas consecutivas, uma cor mais leve para um lesão que só afastou os jogadores durante 1 jornada.

Expressando o meu desejo de uma recuperação tão rápida quanto possível a todos os jogadores lesionados, aqui fica a tabela referente às 5 primeiras jornadas desta época.



Os meus agradecimentos ao @baavin, que me deu a ideia e o título para este post, baseando-se em algo que já existe para a liga inglesa neste LINK.