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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

A taça dos patinhos feios

É consensual que o Sporting possui um plantel desequilibrado, carente de soluções da qualidade necessária em demasiadas posições para se poder pensar na vitória no campeonato. Os adeptos têm consciência disso desde que que o plantel ficou fechado no verão, a direção tem estado ativa no mercado para reforçar a equipa com os poucos meios financeiros disponíveis, e o próprio treinador, ao limitar-se a dar a titularidade a um grupo restrito de 14/15 jogadores - a não ser que seja obrigado por causa de suspensões ou lesões -, demonstra não ter grande confiança em vários dos atletas que tem à sua disposição.

No entanto, é justo salientar a importância de dois dos patinhos feios do plantel na conquista de sábado. Por motivos diferentes, Renan e Petrovic foram duas das figuras da final four: o brasileiro pela ação direta que teve com quatro penáltis defendidos nos dois desempates; o sérvio pelo espírito de sacrifício que demonstrou ao jogar com uma fratura do nariz que arrepia só de olhar, permitindo ao treinador guardar a última substituição - que seria utilizada para colocar Diaby, decisivo pelo penálti que sofreu à entrada do tempo de descontos.




Renan tem desiludido no controlo da profundidade e na saída aos cruzamentos - hesita demasiado na saída dos postes -, mas tem estado a grande nível entre os postes e nas situações de um contra um. De certa forma, replica as melhores qualidades e os piores defeitos de Rui Patrício, e raramente tem tido responsabilidade nos golos sofridos. No entanto, o guarda-redes brasileiro tem sido o jogador mais contestado nas partidas realizadas em Alvalade. Sendo um guarda-redes que joga bem com os pés e tem indicações para evitar os pontapés longos nas reposições, costuma esperar por opções de passe que nem sempre surgem de imediato... e ao fim de 5 ou 6 segundos começam a ouvir-se assobios vindos da bancada, pressionando o guarda-redes a desfazer-se da bola de uma forma que não dá grandes chances de a manter em nossa posse. Há também a contestação alheia à sua prestação em campo, que tem a ver com a forma como foi gerida a (não) utilização de Viviano, e que acabou por criar alguma má-vontade dirigida a Renan por parte de alguns adeptos.

Petrovic é um jogador com limitações evidentes como construtor, mas é, neste momento, o único médio defensivo de raiz e, fruto da sua polivalência, é também o quarto central do plantel. Não caiu no goto dos sportinguistas porque não tem nem nunca teve características para substituir devidamente William Carvalho, mas pode ser um jogador útil quando necessitamos de um jogador de funções exclusivamente defensivas. E, verdade seja dita, tem surpreendido pela positiva quando utilizado como central de recurso. 

Aceito que Renan e Petrovic não sejam vistos como soluções ideais para as posições que ocupam (concordo), mas penso que está na altura de serem mais apoiados por TODOS os adeptos quando estão em campo. Certamente que terão maiores condições de ajudarem a equipa a atingir os seus objetivos se não forem assobiados à primeira oportunidade.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

O Silas é que a sabe toda

Não tinha percebido bem o sentido das palavras de Silas no lançamento do jogo de ontem quando disse que "Keizer está a aproveitar o trabalho de Peseiro", mas a verdade é que acabaram por ter o seu quê de proféticas. De certa forma, o Sporting que defrontou o Belenenses foi o menos Keizeriano e o mais Peseiriano desde que o holandês assumiu o cargo, pois durante a maior parte do tempo foi uma equipa divorciada da baliza, previsível nas suas intenções, lenta e trapalhona na execução.

Isso sentia-se dentro das quatro linhas e também na bancada: quando o Sporting foi para o intervalo a perder com o Nacional, notava-se que os adeptos nas bancadas confiavam que seria apenas uma questão de tempo até a reviravolta se concretizar; ontem havia incerteza no ar, fruto da incapacidade que a equipa revelava para criar situações de golo e também do mérito de um adversário muito personalizado que sabia exatamente o que fazer em campo para contrariar os pontos fortes leoninos.



3 pontos - havendo a possibilidade de recuperar o segundo lugar e sendo imperioso não deixar afastar mais o líder, era imperativo que o Sporting vencesse a partida, fosse lá como fosse. Não foi bonito, mas o essencial foi alcançado.

O regresso de Wendel - a antecipação da sua recuperação em relação à previsão inicial foi uma excelente notícia e Keizer não hesitou em entregar-lhe a titularidade. Wendel correspondeu e foi, a par de Nani, o elemento mais dinâmico do meio-campo. Muito bem na procura do espaço para receber a bola, decide e executa rapidamente com a bola nos pés. Faz parecer simples aquilo que, na realidade, não está ao alcance de muitos. Acabou por ser substituído a vinte minutos do fim numa altura em que estava mais desaparecido do jogo.

Pela positiva - Nani fez uma boa primeira parte, caindo de rendimento na segunda. Petrovic voltou a entrar muito bem, bem defensivamente e muito confiante com a bola nos pés. Acuña, apesar de raramente ter procurado a linha de fundo e de ter tido pouco acerto nos cruzamentos que tentou, compensou com a habitual intensidade e concentração defensiva. Mathieu foi mais uma vez Mathieu.

Os golos - a classe da jogada que envolveu oito jogadores no golo de Bruno Gaspar mereceu a felicidade do toque de Sasso que desviou a bola para o ângulo certo. O golo de Miguel Luís foi o melhor momento da partida - um remate espontâneo, forte e colocado, que surpreendeu Muriel e fez lembrar o ausente Bruno Fernandes. 



A exibição - foi a exibição caseira mais frouxa desde que Keizer pegou na equipa, muito afastada da filosofia que Keizer tem tentado implementar: sentido de jogo muito mais basculante do que vertical, ritmo imposto mais lento do que tem sido habitual, incapacidade de chegar à área adversária e pouquíssimas oportunidades de golo. Em certa medida, a fazer lembrar o pior do Sporting de Jesus na segunda metade da época passada. Há que dar mérito a Silas e aos seus jogadores, que chegaram a Alvalade como segunda defesa menos batida do campeonato, e demonstraram ser uma equipa muito organizada e que raras vezes se desequilibrou. Por outro lado, parece-me que o nervo e o talento de Bruno Fernandes fez muita falta, o que é preocupante - não podemos estar tão dependentes da inspiração de um jogador.

Apesar de decisivos... - Diaby e Gudelj assistiram Bruno Gaspar e Miguel Luís nos dois golos que valeram a vitória, mas o rendimento destes jogadores, de uma forma geral, ficou abaixo das exigências. Gudelj e Miguel Luís raramente conseguiram ligar o jogo com Nani e Wendel, e tiveram pouco acerto nos passes. Diaby fez um jogo pavoroso. Parecia estar numa peladinha de solteiros contra casados, alheando-se do que se passava no seu flanco quando o lateral do Belenenses subia, deixando frequentemente Bruno Gaspar em desvantagem numérica, e com bola teve várias decisões incompreensíveis - uma das quais comprometeu uma excelente ocasião de golo na primeira parte. Devia ter sido substituído quinze minutos antes. Quanto a Bruno Gaspar, teve mais um jogo pouco conseguido e continua a não convencer.

Desconcentração defensiva - no caso do golo do Belenenses, podemos falar mesmo em desleixo: Coates e Gudelj desistiram de acompanhar os dois jogadores do Belenenses que seguiam em velocidade pelo centro do terreno, deixando Mathieu e Acuña numa situação de desvantagem numérica de 2x3. Renan esteve muito mal no controlo da profundidade, decidindo ficar na área em duas situações perigosas que poderia ter anulado com facilidade caso se corresse na direção da bola.

Os assobiadores profissionais - não consigo conceber por que razão há pessoas que vão ao estádio para assobiar a equipa ao fim de... quatro minutos. QUATRO MINUTOS. Assobiam a equipa porque o adversário entra melhor no jogo. Assobiam Renan porque este tenta encontrar um colega a quem passar em vez de despejar para a frente. Assobiam Nani porque contemporiza à espera de opções de passe. Assobiam Nani quando tenta jogadas individuais. Um bocadinho mais de paciência não faria mal a ninguém.



Nota artística - 2

MVP - Wendel

Arbitragem - João Capela teve um jogo fácil de apitar, mas conseguiu complicar o seu trabalho com más decisões no julgamento de várias faltas a meio-campo e tendo um critério disciplinar incoerente na exibição de amarelos, principalmente nos quinze minutos finais.



Três pontos preciosos que nos permitem regressar ao segundo lugar e manter o Porto à vista. É imperioso vencer o Tondela na próxima segunda-feira para depois termos a primeira final da época na receção ao Porto no fecho da 1ª volta.

domingo, 30 de dezembro de 2018

Quatro para a final four

Depois de uma derrota caseira com o Estoril que comprometeu a qualificação para a final four e nos obrigou a partir para este final de tarde de calculadora na mão, o Sporting conseguiu retomar as exibições recheadas de muitas oportunidades e golos.

A equipa entrou ontem em campo apenas com uma certeza: era obrigada a ganhar para seguir em frente. Não perdeu tempo na procura do primeiro golo, que acabaria por chegar bem cedo. Depois disso, passou a ser um jogo em que, mesmo estando a ganhar, era aconselhável avolumar o resultado para colocar a equipa a salvo das incidências do Marítimo - Estoril. E por isso continuou à procura do segundo golo, do terceiro golo e do quarto golo. E mesmo numa altura em que já não restavam dúvidas sobre quem iria passar à fase seguinte ainda foi à procura do quinto.  Poderão haver ocasionalmente noites menos felizes como a de Guimarães, mas ninguém pode negar a esta equipa uma mentalidade virada para o ataque, para o golo e para o espetáculo, independentemente do resultado e das necessidades do momento.

Só não foi uma noite totalmente tranquila porque houve mão da arbitragem a prolongar a dúvida sobre quem venceria o grupo, relembrando-nos os motivos pelo qual é tão importante a existência de VAR no futebol português. No final registou-se mais uma vitória volumosa e a certeza de que o Sporting estará presente em Braga para defender o título conquistado na época passada. 



Qualificação - mesmo sendo o menor dos quatro objetivos da época, era importante a qualificação para uma final four que promete ser escaldante: a meia-final entre o Sporting e o Braga está garantida, que será complementada, previsivelmente, por um Benfica - Porto na outra meia-final.

Show Bruno - começa a ser uma observação recorrente, mas a verdade é que Bruno Fernandes foi mais uma vez o melhor em campo. Mais uma assistência e um golo fantástico - picando a bola sobre o guarda-redes após passe de Coates - para juntar a uma coleção que começa a ficar bastante preenchida.

A alternativa Petrovic - o sérvio foi a principal surpresa no onze e correspondeu por completo à aposta de Keizer. Esteve bem com a bola nos pés - ajudou ter sido pouco pressionado pelos homens mais adiantados do Feirense - mas destacou-se sobretudo pelo trabalho defensivo. Já tinha entrado muito bem no jogo da Taça de Portugal com o Rio Ave, e repetiu a boa exibição. A amostra ainda é curta, mas não parece sentir-se desconfortável neste novo sistema e é um upgrade a Gudelj ao nível das recuperações de bola e restantes ações defensivas.

Outros destaques - o golo de Raphinha num movimento a cortar para o interior que se adivinha muito produtivo no futuro; Acuña a mostrar mais uma vez que é muito mais útil a lateral do que como extremo, quer a atacar quer a defender (e não viu nenhum amarelo!); exibição seguríssima de Salin no controlo de profundidade e no jogo de pés; o fantástico corte de Mathieu a resolver uma situação de desvantagem numérica de 1x3 que muito provavelmente iria dar o empate ao Feirense.


A melhor derrota da época - não há derrotas boas, mas agora já podemos dizer com total segurança que derrota caseira com o Estoril foi um mal que veio por bem. Não só abriu a porta da rua para o deprimente futebol de Peseiro, como acabou por não ser fatal para a continuidade na Taça da Liga.



Desperdício - marcaram-se quatro golos, mas facilmente poderiam ter sido bastantes mais. Não foi de todo uma noite de eficácia na finalização, com várias oportunidades a serem esbanjadas de forma incrível. Destaque pela negativa para Diaby: começou por falhar um golo no um para um com Brígido, e terminou a falhar um golo com a baliza completamente escancarada após o remate ao poste de Jovane.



Nota artística - 3

MVP - Bruno Fernandes

Arbitragem - Já todos sabem que Rui Costa é um árbitro sem qualidade para estas andanças, e hoje voltou a comprová-lo. Não viu intensidade no empurrão que Raphinha sofreu na área - penálti claro -, e poucos minutos borraria em definitivo a pintura quando foi o único a conseguir vislumbrar uma falta inexistente de Petrovic. Penálti e golo para o Feirense, que relançava injustamente o jogo e a discussão pela qualificação. Junte-se a isto erros a mais na avaliação das faltas, e uma permissividade disciplinar que permitiu que Diga e Philipe Sampaio acabassem o jogo sem saber bem como. O penálti sobre Dost foi bem assinalado.



Um regresso às vitórias que ainda deu para gerir o plantel nos minutos finais, já com o Belenenses em mente. Um jogo marcado para as 18h de uma quinta-feira (!). Se tiver oportunidade irei abordar a questão dos horários dos jogos do Sporting em breve.

domingo, 30 de setembro de 2018

Uma oportunidade e meia, dois golos e três pontos

Depois da derrota em Braga, exigia-se uma resposta categórica na partida de ontem contra o Marítimo. Essa resposta surgiu... parcialmente. O Sporting teve uma boa entrada em jogo e fez por chegar rapidamente ao golo, que apareceria logo ao oitavo minuto. A partir daí a preocupação da equipa limitou-se quase exclusivamente a controlar o adversário, contribuindo para um jogo que teve muito poucos momentos de interesse, emoção... e aflição.



Uma oportunidade e meia, dois golos e três pontos - o jogo valeu praticamente apenas pela jogada que originou o penálti: arrancada de Jovane e passe de rutura para Raphinha, que passa por Amir e é derrubado. O golo de Montero surgiu de um ressalto feliz na área, o Marítimo só não marcou no final da primeira parte graças a um excelente corte de Acuña... e não há rigorosamente mais nada para contar. Três pontos na algibeira e mais um jogo que rapidamente desaparecerá da memória de quem assistiu no estádio ou pela televisão. 

O patinho feio - Petrovic voltou à titularidade e acabou por fazer um bom jogo. Sólido a defender e mais solto a participar na construção - dentro das limitações que são conhecidas, claro -, fez por merecer a aposta do treinador. O facto de se ter conseguido destacar diz muito daquilo que foi a exibição da equipa.

O regresso de Mané - deu apenas para tocar uma vez na bola, mas o regresso de Mané aos jogos oficiais em Alvalade acabou por ser um dos melhores momentos da noite. A atitude de Bruno Fernandes no final em dar-lhe o prémio de homem do jogo foi muito bonita.




Segunda parte soporífera - os jogadores do Sporting controlaram as operações mas não tiveram interesse em apertar o adversário; os jogadores do Marítimo tiveram interesse em recuperar da desvantagem mas não tiveram capacidade para abanar a defesa do Sporting. O melhor momento da segunda parte foi o árbitro ter tido piedade do público e só ter dado dois minutos de descontos.

Assobios - sinceramente, não consigo entender o motivo dos assobios numa altura em que o resultado estava praticamente garantido. Compreendo (e concordo) que, mais uma vez, a qualidade de jogo deixou muito a desejar, mas a verdade é que não me lembro, nos últimos anos, de ter assim tantos jogos em que se teve este nível de controlo. Pelo menos que guardassem os assobios para o final...

Banco - olhar para o banco e ver que os jogadores de campo eram Marcelo, Jefferson, Misic, Mané, Diaby e Castaignos apenas dá vontade de acender uma velinha a todos os santos para que o jogo decorra sem grandes problemas.



MVP - Petrovic

Nota artística - 2

Arbitragem - bom trabalho de Nuno Almeida. Bem na decisão de assinalar penálti, e bem na exibição dos cartões.



O Sporting partilha para já a 3ª posição com Braga e Rio Ave, a dois pontos da liderança, pondendo ficar a três pontos caso o Braga vença amanhã o Belenenses no Jamor. Nestas seis primeiras jornadas, o Sporting ainda só não defrontou dois dos seis primeiros classificados (Porto e Rio Aves, já tendo jogado contra Benfica, Braga e Marítimo). Tem havido muito pouco futebol, continuam a existir bastantes indefinições no onze e no plantel, mas há que conceder que foi um arranque de calendário bastante complicado.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Insuficiências na construção

Um dos pontos que me causaram maior preocupação no jogo com o Moreirense foi as notórias dificuldades do Sporting no momento da construção. Isso, a meu ver, explica-se sobretudo por dois fatores: o duplo pivot que Peseiro coloca à frente dos centrais não tem capacidade para organizar e transportar jogo ou dar apoio em zonas mais adiantadas (Coates e Mathieu foram mais participativos do que Petrovic e Battaglia); e também a desinspiração de Nani e Acuña, sendo que no caso do argentino há a agravante de se ter alheado do jogo durante demasiado tempo (Jefferson foi mais extremo do que Acuña, que raramente teve intervenções úteis junto à área adversária).

Intervir muito no jogo não é sinónimo de intervir bem, mas intervir pouco não costuma ser bom sinal para a exibição de um jogador - nomeadamente se tiver responsabilidades na construção. E olhando para o número de toques por 90 minutos (o número de toques corrigido em função do tempo de utilização de cada jogador), vê-se claramente que os números confirmam essa perceção:


Toques na bola por 90 minutos vs Moreirense (Fonte: whoscored.com)

Por um lado, salta à vista o fraco nível de participação de Acuña em comparação com os outros jogadores de vocação mais ofensiva (deve excluir-se Dost desta comparação, pelas suas características específicas). É verdade que os número de toques de Raphinha e Jovane é empolado por terem sido muito mais solicitados no pouco tempo que estiveram em campo, mas, ainda assim, Acuña tocou na bola pouco mais de metade das vezes que os seus companheiros. 

Por outro, confirma-se que o centro do jogo ofensivo do Sporting passa muito pouco pelos homens que ocupam o miolo do terreno.

Heatmap vs Moreirense (Fonte: whoscored.com)

Petrovic raramente tocou na bola no meio-campo adversário. Battaglia jogou mais adiantado do que o sérvio, mas poucas vezes se aproximou da área do Moreirense. Jefferson, Bruno Fernandes e até Raphinha tiveram muito mais presença junto à linha de fundo do nosso flanco esquerdo do que Acuña.

E nem vale a pena falar na presença de jogadores na área. Foram poucas as ocasiões, bolas paradas excluídas, em que tivemos mais do que um homem em posição de finalização.

Parece-me evidente que a nossa produção ofensiva continuará a estar furos abaixo do necessário se não tivermos mais jogadores de apetência atacante. Contra o V. Setúbal, entre Raphinha, Jovane ou Matheus, pelo menos um terá de ser titular (no lugar de Acuña). E não me chocaria absolutamente nada se Peseiro apostasse de início em dois deles nos lugares de Acuña e Nani. 

Vamos ver o que decidirá o treinador no próximo sábado.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Balanço de 2017/18: Médios



William Carvalho: **          
2016/17: **
2015/16: **
2014/15: **     
2013/14: ***

Mais uma época exibicionalmente irregular que, é justo que se diga, foi afetada pelas várias lesões que teve de enfrentar e pelo sistema de jogo de Jesus, que não favorece um médio com as suas características. Voltou a estar abaixo das expectativas, o que nos deveria levar a concluir que talvez sejam as expectativas que são demasiado elevadas. Não que o valor não esteja lá - é perfeitamente visível a diferença de um Sporting quando tem um William ao melhor nível -, mas já se percebeu que existem outros fatores que fazem com que não se consiga extrair tudo o que William pode dar. 


Adrien Silva: **          
2016/17: **
2015/16: ***
2014/15: **     
2013/14: ***

Na realidade não fez parte do plantel, mas coloco-o aqui porque acabou por somar mais minutos do que jogadores como Palhinha, Misic, Mattheus ou Wendel. Já estava com a cabeça noutras paragens, mas não há nada a apontar a Adrien pelo que fez enquanto ainda foi a jogo pelo Sporting.


Rodrigo Battaglia: **

Foi o jogador que participou em mais partidas de todo o plantel (57 jogos) o que, por si só, reflete a importância que teve ao longo da época mesmo não sendo um indiscutível. Battaglia é um poço de força e voluntarismo - qualidades que sabe dosear bem, o que pode ser atestado pelos apenas 9 amarelos que viu em todas as competições -, ainda que nem sempre consiga dar à equipa tudo aquilo que é necessário num 8. Curiosamente ou talvez não, o melhor período que teve foi quando jogou mais recuado, com Bryan Ruiz à sua frente no miolo. Espero que consiga ultrapassar as questões que o envolveram no triste episódio de Alcochete, pois é um jogador que poderá desempenhar um papel ainda mais importante na próxima época.


Bruno Fernandes: ***          

Contratação do ano e estrela da equipa. Teve um impacto imediato na qualidade de jogo do Sporting, em parte beneficiado por praticamente não ter tido férias e iniciado a época com mais ritmo do que a generalidade dos jogadores, mas a sua influência manteve-se elevada praticamente ao longo de toda a época. Quebrou um pouco no final por ter sido fisicamente mal gerido por Jesus - que não só não o poupou em muitas situações que assim o justificava, como também pelos papéis que lhe atribuiu em campo. Ainda assim, foi uma época brilhante: a folha estatística é impressionante (16 golos e 20 assistências) e foi recheada de muitos momentos que fazem levantar qualquer estádio. Não só é para manter para o ano: é a peça central à volta da qual a equipa tem de ser construida, e tem um perfil adequado que justifica que lhe seja atribuída a braçadeira de capitão.


Bruno César: **
2016/17: **
2015/16: **

Mais uma vez foi um jogador extremamente útil pela sua polivalência. Importante na primeira metade da época - e em particular nos jogos de maior exigência, brilhando na Liga dos Campeões -, foi perdendo espaço a partir de dezembro até ter contraído uma lesão que lhe acabou com a épca em março.


Bryan Ruiz: **          
2016/17: *
2015/16: ***

Afastado do grupo de trabalho durante a primeira metade da época, foi reintegrado progressivamente a partir de novembro até assumir um papel principal em fevereiro. As pernas frescas valeram-lhe boas prestações na posição 8, ainda que não seja um jogador talhado para funções tão exigentes fisicamente. Acabou o contrato e deverá continuar a carreira noutras paragens. Ainda que tenha ficado marcado por aquele falhanço e esgotado a paciência de muitos adeptos pela sobreutilização que Jesus lhe deu - em particular em 2016/17 -, é um jogador que, pelo menos a mim, deixará saudades pela classe que demonstrou ter, quer dentro quer fora de campo.



Alan Ruiz: *
2016/17: *

Tinha esperanças que conseguisse retomar a boa forma que demonstrou em parte da 2ª volta de 2016/17. Ao contrário da sua primeira época, chegou em boas condições físicas à pré-época e pensei que pudesse aproveitar esse balanço e a melhor adaptação ao clube para conseguir demonstrar as suas qualidades. O problema é que... não conseguiu, muito longe disso, e não foi por falta de oportunidades. Lento a decidir com a bola nos pés e defende só quando lhe apetece, o que faz com que seja um jogador perfeitamente inútil em campo. Esgotou a paciência dos adeptos e acabaria, também, por esgotar a paciência da única pessoa que ainda acreditava nele: o treinador. Um flop completo que poderá estar de volta em dezembro de 2018.


Mattheus Oliveira: *

Mattheus foi uma contratação que levantou alguma polémica. Nada nas suas características gerava confiança nas suas possibilidades de afirmação num clube como o Sporting - ainda mais num sistema de jogo como o de Jesus. Dos poucos minutos de competição que teve, a maior parte foi contra equipas de escalões inferiores... e nem aí conseguiu demonstrar capacidade que justificasse minutos em desafios mais exigentes. Um erro de casting previsível, pelo que não surpreendeu o empréstimo ao V. Guimarães em janeiro.


João Palhinha: -

Teve uma utilização demasiado esporádica para poder demonstrar o que pode fazer. Verdade seja dita que havia muita concorrência para a sua posição (William, Battaglia, Petrovic), mas acabou por ser um ano perdido. Mais valia ter sido emprestado.



Radosav Petrovic: *
2016/17: -

Mais uma época com poucos minutos. As oportunidades que teve como médio defensivo nunca foram aproveitadas, e acabaria por ser como defesa central que teve os seus melhores jogos. Há que dizer que a sorte também nunca o protegeu - como esquecer a sua absurda expulsão contra o Moreirense que viria a ser despenalizada pelo CD? -, mas está mais que visto que não tem valor para continuar por cá.


Wendel: -

É incompreensível que Jesus lhe tenha dado tão pouco tempo de jogo, considerando o esforço que a direção fez na sua contratação. E não se pode dizer que fosse um capricho da direção, porque, efetivamente, foi visível ao longo da época que precisávamos de um médio mais capaz nas tarefas de transporte de bola. Do pouco que se viu, Wendel tem essas competências que, por mesquinhez ou teimosia - o treinador não quis aproveitar.


Misic: -

Diz quem o conhece que é um médio centro posicional com boa capacidade de passe e especialista nas bolas paradas. Quem não o conhece não teve oportunidade de comprovar nada disto, face à escassez de utilização. Pior: quem conseguir entender por que razão Jesus o colocou a médio ala na final da Taça, que me explique.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Epílogo de um percurso europeu meritório

O Sporting nunca teve obrigação de passar esta eliminatória, e com muito menos obrigações ficou depois de ter perdido por dois golos sem resposta em Madrid. Tinha obrigação, isso sim, de disputá-la até ao limite das suas possibilidades, e foi precisamente isso que fez, tanto ontem como em Madrid. A grande diferença entre um e outro jogo esteve nos três erros crassos que cometemos - a entrada desastrada levou a que alguns jogadores abanassem em algumas situações de aperto. Mas no geral, creio que a equipa teve atitude nas duas mãos da eliminatória, ao nível do que mostrou em praticamente todos os jogos da Liga dos Campeões. 

O percurso europeu acabou mas foi meritório. Arrisco dizer que esta época defrontámos três das dez melhores equipas europeias do momento. Nessas seis partidas realizadas, apenas nas duas com o Barcelona é que vimos o adversário a superiorizar-se de forma mais ou menos clara - e mesmo num desses jogos, não deixámos de discutir o resultado até ao fim.

O crescimento europeu do Sporting tem sido visível com Jorge Jesus. É verdade que de um ponto de vista resultadista, Jesus não está a fazer nada que Paulo Bento, Sá Pinto ou José Peseiro não tenham feito nas suas passagens pelo clube. Mas do ponto de vista da personalidade com que se encara os adversários, os progressos são mais que evidentes.

Isto, na minha opinião, torna evidente uma outra questão: como é que uma equipa que soube encarar de frente alguns dos maiores da Europa, passou tão mal contra adversários internos que estão a milhas da realidade europeia?

Bem sei que os campos, em Portugal, têm andado constantemente inclinados contra uns e a favor de outros, e isso explica facilmente a diferença de pontuação em relação a quem está no topo, mas, ainda assim, parece-me óbvio que não fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Não coloco em causa que os jogadores têm dado o litro até ao fim nos jogos do campeonato quando o resultado não é o pretendido. O meu problema é que não têm dado tudo entre o primeiro minuto e o momento em que se apercebem que a vitória pode fugir. Pelo meio, vai-se acelerando o jogo em períodos curtos, o que muitas vezes chega para marcar, mas nem sempre.

É fundamental que a equipa esteja predisposta a correr até cair para o lado desde o primeiro minuto, e isso, de uma forma geral, não tem acontecido nas competições internas.

Claro que a motivação que um jogador tem quando defronta um tubarão europeu é diferente da motivação de um jogo rotineiro para o Tugão, mas se não estamos neste momento mais perto do topo da classificação é, claramente, porque essa diferença de motivação é muito mais ampla do que deveria ser.

A qualidade está lá, mais a qualidade, só por si, não é suficiente. Dentro daquilo que depende exclusivamente de nós, falta-nos conseguir reduzir a tal oscilação motivacional, perceber qual o modelo de jogo mais adequado para as competições internas, e ter prioridades bem definidas para o nosso calendário. Prioridades bem definidas, na minha opinião, que passavam por usar a Liga Europa para rodar a equipa... mas não foi isso que entenderam o presidente - que estabeleceu a vitória na competição como objetivo -, o treinador - que aprecia o palco europeu - e os jogadores - pelo menos na eliminatória com o Atlético. Foi uma competição gira enquanto durou, que melhorou o nosso ranking, trouxe prestígio assim-assim, mas, em contrapartida, deu pouco dinheiro e foi pródiga no desgaste e nas lesões que provocou. No geral, será que valeu a pena?

Em relação ao jogo de ontem, no entanto, mentiria se não reconhecesse o prazer que me deu a exibição da nossa equipa. Muito bem Jesus, mesmo com a ausência de quatro titulares indiscutíveis, a montar a estratégia que permitiu pôr os espanhois aos papéis durante a primeira parte: colocou três centrais para evitar as aflições de 2x2 (Coates e Mathieu contra Costa e Griezmann) que nos matou em Madrid; abriu os laterais a toda a largura e com permissão para explorarem a profundidade (e que enormes exibições fizeram Ristovski e Acuña); Battaglia e Bryan a fazerem um jogo de grande sacrifício e competência no miolo. Mesmo com o percalço da saída de Mathieu, Petrovic esteve impecável defensivamente - sempre muito concentrado e certo no posicionamento, sabendo quando tinha de se manter na linha defensiva ou quando tinha que sair em contenção. Chegámos ao intervalo a ganhar por 1-0 e a lamentar a estupenda defesa de Oblak a cabeceamento de Coates e a falta de pontaria de Gelson de cabeça numa situação em que apenas tinha que escolher o lado onde colocar o esférico. A segunda parte começou a ser mais complicada, principalmente quando começaram a faltar pernas. Infelizmente, falharam as outras duas substituições: Rúben e Doumbia não acrescentaram nada, mas há que reconhecer que qualquer equipa está sujeita a que isso aconteça quando se está a rapar o fundo do tacho (ou do banco - não esquecer que para além da indisponibilidade de Dost, Coentrão, Piccini e William, também não havia Podence, Leão e o talismã das noites europeias chamado Bruno César) e que também não ajudou o facto de, nessa altura, haver vários jogadores em nítidas dificuldades físicas, como Gelson ou Bruno Fernandes.

Uma última palavra para o grande ambiente que se viveu no estádio do início ao fim. Apesar de ser um jogo que merecia mais gente, os que marcaram presença tiveram nota máxima. Apesar da eliminação, foi uma noite europeia que valeu a pena presenciar ao vivo.

sábado, 8 de julho de 2017

Rola a bola!


Empate a um golo contra o Belenenses no primeiro jogo da pré-temporada. Como é evidente, não faz qualquer sentido estarmos a tirar quaisquer conclusões definitivas daquilo que tivemos oportunidade de assistir. De qualquer forma, aqui ficam aqueles que, para mim, foram os destaques pela positiva:

1. Petrovic, após uma entrada em jogo hesitante, conseguiu libertar-se e mostrou velocidade e verticalidade

2. Gelson Dala, Iuri Medeiros e Leonardo Ruiz, a espaços

3. João Palhinha a varrer defensivamente

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Balanço de 2016/17: Médios



William Carvalho: **          
2015/16: **
2014/15: **     
2013/14: ***

Esperava-se que William desse sequência às exibições de elevado nível com que terminou a temporada passada, face ao conhecimento já acumulado do sistema de Jesus. No entanto, o médio teve um ano abaixo das expetativas, já que o melhor William poucas vezes apareceu em campo. Fisicamente, pareceu quase sempre a meio gás, e nem como primeiro construtor teve a preponderância de outras épocas. Pior ainda, foram vários os jogos em que cometeu lapsos que só se podem explicar com falta de concentração. Num sistema de jogo que exige imenso dos médios, creio que o fraco rendimento defensivo da equipa se explica parcialmente pela quebra de forma de William.



Adrien Silva: **          
2015/16: ***
2014/15: **     
2013/14: ***

Peça fulcral do onze de Jesus, Adrien começou a época em excelente forma. A sua importância ficou à vista de todos não tanto pelo que mostrou enquanto esteve em campo, mas principalmente pelo que aconteceu quando deixou de estar - a equipa ressentiu-se profundamente da sua lesão na 1ª volta. Regressou ao onze em dezembro, mas a partir daí nunca mais se viu o melhor Adrien - que viria a lesionar-se uma segunda vez já durante a 2ª volta. Disponibilidade física nunca lhe faltou para o trabalho defensivo, mas esteve uns furos abaixo do que era necessário em tarefas ofensivas: 2 golos (excluindo penáltis) e 2 assistências é muito pouco para um jogador que faz aquela posição. Será que essa quebra de rendimento terá tido alguma coisa a ver com insatisfação por não ter sido transferido no início da época? Não sei, mas ficou-lhe muito mal ter recorrido à comunicação social para fazer pressão para sair.


Bryan Ruiz: *          
2015/16: ***

Ao arrancar para 2016/17, seria impossível imaginar que Bryan Ruiz se transformaria no oposto do jogador influente da época passada. Quem sabe se vítima de mais um ano sem férias, o facto é que o costa-riquenho fez uma época paupérrima, que se tornou insuportável face à insistência de Jesus em colocá-lo em campo, fosse a ala esquerdo, a médio centro ou a segundo avançado. Frequentemente esgotado a partir dos 60 minutos, quase sempre incapaz de fazer a diferença, sem capacidade de explosão ou esclarecimento. Após uma época destas, com apenas mais um ano de contrato e sendo um dos jogadores mais bem pagos do clube, a saída é o desfecho mais lógico. Veremos se a direção o conseguirá vender a outro clube.



Bruno César: **
2015/16: **

A polivalência de Bruno César faz dele, indiscutivelmente, um dos jogadores mais úteis do plantel. Foi utilizado por Jesus em quatro posições diferentes: ala esquerdo, segundo avançado, médio centro e lateral esquerdo. Tirando a posição de lateral esquerdo, em que sentiu dificuldades perante adversários rápidos (e não ajudou o apoio que frequentemente lhe faltou do ala esquerdo), fez as restantes posições com grande competência. Para além disso, é um dos melhores marcadores de bolas paradas do plantel. O facto de ter participado em 42 jogos esta época (só Gelson, com 44, e Coates e William, com 43, tiveram mais presenças) acaba por ser um indicador da falta de profundidade do plantel - para um clube que quer ser campeão, não é bom sinal que um jogador polivalente como Bruno César acabe por ser tão utilizado. De qualquer forma, isso não é responsabilidade sua, e teve uma época bastante positiva.



Elias: *

Regressou ao Sporting para ser a alternativa a Adrien que o clube não tinha. Foi uma contratação que me entusiasmou, porque teoricamente tinha tudo para dar certo. O problema foi a passagem da teoria à prática. Elias nunca foi capaz de dar à equipa o que dava Adrien. Posicionalmente foi um desastre (quase sempre muito recuado a defender e muito adiantado a atacar), parecia que fazia de propósito para estar longe da bola. Sendo um jogador bem pago e com pouco rendimento, o Sporting acabou por vendê-lo em janeiro. Deu para recuperar o investimento, e isso é o melhor que se pode dizer desta época de Elias.


João Palhinha: *

Foi o primeiro jogador a ser chamado de volta do empréstimo face à incapacidade de Petrovic em fazer a posição de médio defensivo na ausência de William. Palhinha foi lançado de imediato às feras e as coisas não lhe correram bem na Madeira e no Porto. De qualquer forma, Jesus continuou a dar-lhe minutos de forma consistente durante cerca de 10 jornadas. Depois esteve vários jogos sem ser utilizado e regressou à titularidade na última jornada. Mostrou algumas qualidades, nomeadamente pela forma (aparentemente) fácil como se impõe fisicamente em relação aos adversários. Não demonstrou, no entanto, grande confiança para sair a jogar - coisa que sabe fazer e que só o tempo lhe poderá dar. Ainda não está pronto para ser titular do Sporting, mas tem todas as condições para fazer parte do plantel na próxima época.



Francisco Geraldes: -

Infelizmente, a única conclusão que se pode retirar da época que Francisco Geraldes fez no Sporting é que foi uma decisão precipitada fazê-lo regressar do Moreirense. O Chico ganhou a Taça da Liga, regressou, e só teve oportunidade de fazer 54 minutos na equipa principal do Sporting, distribuídos por 4 jogos. Demasiado pouco para alguém que demonstrou imensa capacidade como organizador de jogo - coisa que faltou ao futebol do Sporting esta época. Não estou a dizer que Geraldes já está pronto para ser titular - não me parece que esteja -, mas devia ter tido muito mais minutos para ir ganhando experiência. Não me parece que Jesus goste de Geraldes, pelo que me parece que voltará a ser emprestado na próxima época. Espero estar enganado.



Radosav Petrovic: -

Veio para ser backup de William, mas rapidamente se percebeu que não contava para o totobola. A péssima pré-época e o péssimo jogo de estreia em Famalicão retiraram-lhe espaço para ser aposta séria. Ainda jogou contra o Arouca para a Taça da Liga, e aí até nem esteve mal. Foi emprestado ao Rio Ave, onde demonstrou qualidades que andaram escondidas enquanto esteve no Sporting - sinal de que houve ali algum tipo de bloqueio (físico? psicológico?) a impedi-lo de render. De qualquer forma, não me parece que venha a ter espaço no plantel da próxima época.


Bruno Paulista: -

Foi utilizado nas três primeiras partidas oficiais da época, incluindo 22 minutos contra o Porto. Depois saiu das convocatórias e nunca mais foi utilizado. O rapaz tem qualidade. Deve haver uma explicação lógica para o percurso de Bruno Paulista no Sporting, e que seguramente nada terá a ver com questões desportivas. Talvez um dia se venha a descobrir.


Marcelo Meli: -

Quem?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Balanço do fecho da janela de transferências


A janela de transferências fechou ontem e, como é habitual, existiram bastantes movimentações de entradas e saídas. Infelizmente, no caso do Sporting, não foram movimentações suficientes.

Começo por analisar as várias transferências anunciadas pelo Sporting:

Daniel Podence e Francisco Geraldes - a par do regresso de João Palhinha e da repescagem de Matheus Pereira, foram as boas notícias desta janela de inverno, no que ao reforço do plantel diz respeito. São quatro jogadores com uma enorme margem de progressão, e que têm condições para serem utilizados com alguma regularidade - assim Jorge Jesus o queira. Não vão ser os salvadores da pátria, não é justo colocar-lhes a responsabilidade de transformar o futebol do Sporting de um dia para o outro, mas são jogadores que, podendo já ajudar o clube, estão em processo de desenvolvimento para poderem vir a ser elementos diferenciadores na próxima temporada.

Petrovic - foi emprestado ao Rio Ave até ao final da época. É uma solução que fica longe do que seria ideal, porque o Sporting continuará, decerto, a suportar por inteiro - ou quase por inteiro - o (elevado) salário do sérvio.

André Geraldes e Ryan Gauld - foram inscritos pelo Sporting e podem jogar caso Jorge Jesus o entenda. O Sporting não conseguiu colocar os jogadores no Chaves, como inicialmente estava planeado, porque o V. Setúbal não cedeu às pretensões do Sporting. Justiça seja feita, os setubalenses poderiam ter impedido que os jogadores fossem inscritos mesmo pelo Sporting. Compreendo que, perante atitudes incorretas de dirigentes do V. Setúbal, o Sporting sentisse necessidade de fazer algum tipo de retaliação. Infelizmente, o processo foi mal conduzido: a decisão tomada foi precipitada e os principais prejudicados serão os jogadores, que transitam de uma situação em que jogavam com regularidade para outra em que raramente serão utilizados.

Ary Papel - veio de Angola no final de 2016, já foi utilizado em três jogos no Sporting B e deu boas indicações. Curiosamente, do duo angolano que o Sporting contratou, é Gelson Dala o jogador a quem se perspetiva maior futuro, pelo que esta opção não era (pelo menos para mim) a mais evidente. Será um grande desafio para o jogador, estou muito curioso para ver como irá evoluir.

Wallyson Mallmann - transferido para o Moreirense a título definitivo, com o Sporting a ficar com 70% dos direitos económicos e opção de recompra. Foi a solução possível para contornar o regulamento da Liga que limita a três o número de jogadores emprestados (o regulamento é omisso sobre se o limite se aplica ao número de jogadores emprestados em simultâneo ou ao número total de jogadores emprestados ao longo da época). É um jogador a quem o último ano e meio não correu nada bem, pelo que esta transferência poderá ser uma boa oportunidade para se afirmar em definitivo.


O mercado permanecerá aberto durante mais alguns dias em países como a Rússia e a Ucrânia, e o mercado brasileiro continuará em atividade até ao início de abril, pelo que ainda é possível que o Sporting consiga vender alguns jogadores. Pelo que se fala, André está muito próximo do Sport Recife. E, quem sabe, talvez se consiga fazer alguma coisa com Bruno Paulista. O que é certo é que, neste momento, o plantel e demasiado grande para os 15 jogos oficiais que faltam. Jorge Jesus disse, na entrevista dada na semana passada à Sporting TV, que o tamanho ideal do plantel seriam 23 jogadores de campo (entre os quais 3 guarda-redes). 

Como tal, a conclusão que se pode retirar desta janela de transferências é que, apesar de alguns dossiers satisfatoriamente resolvidos, ficou-se bastante aquém das necessidades. Não pelo lado das contratações, pois não fazia sentido contratar um defesa esquerdo sem vender Zeegelaar ou Jefferson, mas pelo lado das saídas, insuficientes em número - uma consequência da péssima abordagem ao mercado no defeso.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Suficiente para os padrões da Taça da Liga

Competição pouco atrativa, horário impossível para a maior parte das pessoas que gosta de ir ao estádio (eu incluído) e o temporal na região de Lisboa, três fatores que contribuíram para que Alvalade registasse um ambiente bem menos caloroso do que tem sido habitual. No relvado, os dois treinadores apostaram em formações que pouco ou nada tem a ver com os onzes normalmente utilizados no campeonato - como é hábito nesta competição -, proporcionando um jogo pouco interessante entre duas equipas desligadas, pouco capazes de construir jogadas com cabeça, tronco e membros.

No entanto, dentro dos poucos motivos de interesse e das condicionantes já referidas, há que dizer que o Sporting fez um jogo suficientemente competente, controlando o jogo praticamente por completo e dispondo de algumas oportunidades para avolumar a vantagem no marcador. Não seria realista esperar muito mais, face à pouca rodagem da maior parte dos jogadores utilizados, mas, ainda assim, houve algumas exibições positivas que ajudaram a atenuar um pouco as (más) impressões deixadas em oportunidades anteriores.



O golo de Alan Ruiz - surgiu através de uma bela jogada que começou num passe vertical de Petrovic para André, que tocou de primeira, de calcanhar, para o argentino. Alan Ruiz deu dois passos, ajeitou o esférico e rematou colocado de fora da área. Valeu três pontos e coloca o Sporting em boa situação para passar para a fase seguinte da competição.


Prazer em conhecer-te, Radosav - foi de Petrovic a exibição que mais me surpreendeu. Não teve problemas em assumir o início de construção das jogadas de ataque do Sporting, constantemente à procura de colegas mais adiantados, fazendo-o com bastante competência. Perdeu uma ou outra bola por medir mal o posicionamento dos adversários, mas parece-me natural face à falta de ritmo competitivo. Também esteve bem defensivamente, com algumas boas recuperações. Fico com curiosidade em vê-lo novamente em ação, apesar de continuar a ter dúvidas se será capaz de repetir uma exibição destas se o jogo tiver um ritmo mais elevado. De qualquer forma, há que dizer que Petrovic aproveitou bem a oportunidade.

Campbell a querer mostrar serviço - notou-se bem que tem um andamento diferente em relação aos outros jogadores que ontem estiveram em campo. Mais uma vez, parece-me evidente que o seu rendimento desce se for encostado ao flanco esquerdo, mas tem vontade e velocidadade para fazer coisas acontecer. Faltou-lhe entendimento com os colegas - um mal que, ontem, afligiu toda a gente.

Douglas autoritário - não teve muito para fazer, mas quando foi obrigado a intervir, fê-lo sempre bem e com segurança. Voltou a demonstrar facilidade em ganhar os duelos aéreos nas bolas paradas ofensivas.



O que se passa? - são dois casos semelhantes, no sentido em que já os vimos render muito, muito mais, mas a quem, atualmente, poucas coisas lhes saem bem. Falo de Jefferson e Markovic. O brasileiro está num momento psicológico tenebroso, sendo uma sombra do lateral confiante que foi durante a primeira época e meia ao serviço do Sporting. Markovic demonstra vontade em campo, está a participar mais no processo defensivo, mas as coisas estão a correr-lhe mal com a bola nos pés. O melhor momento do sérvio aconteceu quando desmarcou Elias para uma das melhores ocasiões de golo da segunda parte, mas foi insuficiente para os noventa minutos que esteve em campo.

Jogo para esquecer de Castaignos - participação infeliz do holandês. No escasso tempo em que esteve em campo, falhou um golo feito - a passe de Matheus - e lesionou-se nesse mesmo lance, sendo obrigado a sair poucos minutos depois. Precisa de golos para ganhar confiança.



Os meninos - Esgaio foi titular, mas teve uma exibição pouco conseguida, com algumas dificuldades para defender o seu flanco. Matheus deu pouco nas vistas, mas ainda deu um golo a marcar a Castaignos. Não convenceram, mas não se pode exigir mais a jogadores que, sendo jovens, necessitam de ser utilizados de uma forma mais consistente.



O essencial foi conseguido. Considerando que a competição apenas ganha algum interesse a partir das meias-finais, ninguém estava à espera de muito melhor. Foi bom para dar oportunidades aos jogadores menos utilizados e deu-se um passo importante para garantir o apuramento. O próximo jogo é no dia 29 de dezembro, em Alvalade, frente ao Varzim, que derrotou o V. Setúbal por 1-0.