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segunda-feira, 17 de junho de 2019

Balanço da época, nº 3: GR e defesas



Renan Ribeiro: ** 

Chegou no final da pré-época a pedido de José Peseiro para lutar por uma posição que já estava bastante preenchida. Acabou por ganhar o lugar após a lesão de Salin em Portimão, já na fase terminal do ex-treinador. 

Sem estar ao mesmo nível, Renan replica as qualidades e defeitos de Rui Patrício: forte entre os postes e no um contra um, mas com carências nos cruzamentos e no controlo da profundidade. A época de estreia em Alvalade foi definitivamente positiva, sobretudo graças aos dois títulos que ajudou a conquistar em três séries de penáltis, mas também pela qualidade e regularidade das suas exibições ao longo da época. Cometeu os seus erros, é certo, mas não me recordo de Renan nos ter custado quaisquer pontos. Ao invés, os seus reflexos e agilidade ajudaram a segurar vários resultados. 

Aceito que se diga que o Sporting deve ambicionar ter como titular um guarda-redes mais completo, mas, havendo tantas carências no plantel, diria que o reforço da baliza está longe de ser uma das prioridades para este verão. 


Salin: ** 
2017/18: - 

Iniciou a época como titular após a inesperada lesão de Viviano no aquecimento em Moreira de Cónegos, acabando por perdê-la também por lesão em Portimão. A partir daí, teve uma utilização esporádica, dividida pelas várias competições. Distingue-se pela positiva em relação a Renan ao nível do controlo de profundidade – muito mais rápido a ler a situação e a sair dos postes –, mas falha ao nível da regularidade. Ainda assim, cumpriu sempre que chamado, e teve o seu momento alto da época na enorme exibição realizada na Luz. 

Salin dá garantias suficientes para assumir o papel de segundo guarda-redes, mas suponho que a sua continuidade esteja dependente dos planos que a estrutura tiver para Max. 


Viviano: - 

Um dos mistérios de 2018/19. Tinha currículo, demonstrou qualidade na pré-época, teria sido titular na jornada inaugura não fosse a lesão no pescoço… mas acabou por não realizar um único minuto oficial que fosse no Sporting. Não foi opção nem para Peseiro, nem para Tiago Fernandes nem para Keizer, pelo que o seu empréstimo em janeiro acabou por não surpreender. 

O elevado salário que aufere faz da sua saída um dado praticamente adquirido. Resta saber se o clube conseguirá recuperar parte ou a totalidade do investimento feito há um ano. 


Luís Maximiano: - 

Não jogou, mas devia ter jogado – nem que fosse um ou dois jogos no campeonato, em Alvalade, a partir do momento em que o terceiro lugar na classificação ficou definido. 

Não pode continuar no Sporting no papel de 3º guarda-redes. Ou passa a 2º ou tem de ser emprestado para jogar. 


Bruno Gaspar: * 

Um erro de casting. Não só por ser macio a defender e inconsequente a atacar, mas, sobretudo, pela incapacidade demonstrada em coisas tão básicas como fazer a receção de um passe ou medir a força com que deve adiantar a bola em condução. Depois do que fez em Guimarães, não me parece que seja um jogador tão mau tecnicamente como pareceu ser durante esta época, pelo que suponho que tenha havido algum fator psicológico a afetar (seriamente) o seu rendimento. 

Seja como for, não tem lugar no plantel em 2019/20. Esperemos que a SAD consiga recuperar uma boa fatia dos 4,5 milhões investido. 


Stefan Ristovski: ** 
2017/18: ** 

Uma época marcada por três expulsões injustas que custaram quatro pontos ao Sporting e deixaram o jogador de fora das duas mãos da meia-final da Taça com o Benfica e da final da Taça com o Porto. Titular indiscutível sobretudo por causa da falta de concorrência, correspondeu de forma satisfatória ao que dele era exigido. 

Salvo alguma surpresa, permanecerá no plantel da próxima época – desejavelmente, mais no papel de alternativa do que no de titular. 


Thierry Correia: - 

Bons indicadores dados nas duas ocasiões em que foi utilizado na Liga Europa. No entanto, não me parece que o Sporting fique suficientemente apetrechado em 2019/20 apenas com o jovem Thierry e com Ristovski. Parece-me que o mais benéfico para todos será a sua cedência a um clube da I Liga para ganhar muitos minutos. 


Jefferson: * 
2016/17: * 
2015/16: * 
2014/15: ** 
2013/14: ** 

Só mesmo José Peseiro para achar que Jefferson tinha qualidade para estar no plantel e – pior – para ser titular. Não tardou até que Peseiro se apercebesse do erro: ao fim de quatro jornadas saiu do onze, apenas voltando a ser opção em caso de indisponibilidade de Acuña e, mais tarde, de Borja. 

Tem mais um ano de contrato, mas é muito pouco provável que continue. Ao fim de seis épocas no clube, seria bom para todos que a boa exibição na final da Taça, alinhando fora de posição, fosse a imagem final com que os sportinguistas fiquem de si. 


Cristián Borja: ** 

Boa contratação de inverno. Precisou de pouco tempo para a posição, libertando Acuña para o seu lugar original. Forte defensivamente, quer na capacidade de antecipação quer na utilização do físico para controlar os adversários, acabou por ser uma solução inesperada para jogar como 3º central. Sabe sair a jogar, mas falta-lhe acutilância ofensiva. O Sporting continua a precisar de um lateral esquerdo capaz de criar desequilíbrios e competente a cruzar. 


Lumor Agbenyenu: - 
2017/18: - 

Voltou a não ser opção. Fez apenas 90 minutos nos Açores, assinando uma boa exibição, e fez 28 minutos na derrota caseira com o Estoril que ditou o despedimento de Peseiro. Tem mais três anos de contrato, pelo que será mais um problema para Hugo Viana resolver durante o defeso. 


Sebastián Coates: *** 
2017/18: ** 
2016/17: *** 
2015/16: *** 

Numa época em que a consistência defensiva foi um problema, não se pode apontar o quer que seja a Coates. O uruguaio foi muito mais vítima do que culpado: teve que ser demasiadas vezes bombeiro de serviço para resolver os problemas que a nossa lateral direita lhe criava e para compensar as dificuldades de adaptação de Gudelj para o papel de médio defensivo. Com Mathieu ao lado, formou uma dupla de centrais muito sólida – provavelmente o setor mais forte da equipa na globalidade da época. Para além da importância defensiva, viu-se muitas vezes “obrigado” a tentar criar desequilíbrios na frente face à ausência de um meio-campo que o fizesse. 

Com a contratação de Neto e a renovação de Mathieu, a continuidade de Coates não estará 100% garantida, mas acredito que só mesmo uma proposta irrecusável poderá levar o uruguaio a abandonar o Sporting. 


Jérémy Mathieu: *** 
2017/18: *** 

Só não foi o MVP do plantel porque Bruno Fernandes fez uma época estratosférica. Aos 35 anos, o francês esteve a um nível absurdamente elevado: a classe com que defende e constrói e a superior mentalidade competitiva coloca-o ao nível dos melhores centrais que já vi atuar no Sporting. Curiosamente ou talvez não, o pior período da época do Sporting coincidiu precisamente com o período em que Mathieu esteve indisponível por lesão. Um líder em campo e um esteio da equipa que, com toda a justiça, viu o contrato ser renovado e será integrado no grupo de capitães na próxima época. 


André Pinto: * 
2017/18: ** 

Época irregular quer ao nível de utilização quer ao nível da qualidade das exibições. É um central perfeitamente fiável em determinadas circunstâncias – nomeadamente quando a equipa é forçada a jogar em bloco mais baixo -, mas não é daqueles jogadores capazes de compensar as carências dos jogadores que o rodeiam. 

As suas características e salário tornam muito improvável a sua continuidade em 2019/20. 


Marcelo: -

Não conseguiu mostrar qualidades que justificassem a sua contratação. Vendido sem surpresa no mercado de inverno.


Tiago Ilori: * 

Contratação surpreendente e mal acolhida pela maior parte dos adeptos. Foi a jogo apenas por oito vezes, e não foi por Ilori que o Sporting perdeu pontos. Bom timing de corte fazendo uso da sua velocidade, pecou sobretudo por um ou outro lapso de concentração quando tinha a bola nos pés. 

O que fazer agora com Ilori? Parece-me insuficiente para titular, e presumo que seja demasiado caro para ser 3º/4º central. Havendo Coates, Mathieu e Neto, e estando Ivanildo e Domingos Duarte no ponto para serem a 4ª opção, não vejo que lugar haverá para Ilori continuar em Alvalade. 

sexta-feira, 19 de abril de 2019

q.b.

Perante a indisponibilidade de quatro dos mais importantes jogadores na manobra ofensiva - Dost, Raphinha, Wendel e Borja (que obrigou Acuña a jogar como lateral) -, a principal curiosidade da deslocação do Sporting à Choupana residia na forma como iriam responder as segundas linhas na tentativa de dar a melhor sequência à série de sete vitórias consecutivas. Keizer recorreu ao já habitual Luiz Phellype, colocando Diaby e Jovane nas alas e apostando em Doumbia como médio de transporte.

O novo onze correspondeu com uma atuação q.b., sendo que o q.b. estava situado num patamar bastante baixo face ao fraco nível da oposição. O Sporting dominou o jogo durante os 90 minutos, concedeu um total de zero oportunidades de golo ao Nacional e, mesmo mantendo um ritmo que de sufocante nada teve, foi criando oportunidades em número suficiente para voltar da Madeira com uma vitória confortável. A incerteza no resultado manteve-se, no entanto, até ao fim: a falta de acerto na finalização encontrou-se com uma inspirada exibição de Daniel Guimarães, e foi necessário esperar mais de uma hora até Luiz Phellype picar novamente o ponto. O brasileiro aproveitou novamente a oportunidade e assinou ou 5º golo na sequência de 5 jogos que fez a titular - com uma eficácia de aproveitamento assinalável. Luiz Phellype está a valer golos e pontos, correspondendo às melhores expetativas que levaram à sua contratação no mercado de inverno. Pelo menos está com um rendimento bem acima daquele que eu esperava.

Pela positiva, de destacar também os bons jogos de Acuña (assinou a 10ª assistência e vai no 4º jogo consecutivo para o campeonato com passes para golo), Gudelj (defensivamente), Doumbia (soltou-se na 2ª parte). Coates e Mathieu ofereceram a consistência habitual e Salin esteve muito seguro a sair dos postes a matar à nascença lances de potencial perigo para a sua baliza.

No extremo oposto... os extremos. Diaby até teve uns primeiros 20 minutos bastante aceitáveis - sobretudo na ligação entre setores - mas a partir daí perdeu-se nos equívocos habituais com bola. Jovane esteve pouco esclarecido e, exceção feita a um remate em arco da esquerda, não conseguiu gerar desequilíbrios individuais nem, a partir da meia hora de jogo, contribuir para desequilíbrios coletivos. Bruno Fernandes teve o jogo mais desinspirado dos últimos tempos, poucas coisas lhe saíram bem.

É certo que o calendário tem sido acessível, mas esta série de oito vitórias consecutivas evidencia um grau de maturidade e consistência que ainda não tínhamos observado esta época. Que continue assim até ao final da temporada.

domingo, 26 de agosto de 2018

Tranquilidade debaixo de fogo

Já há alguns anos que não nos deslocávamos à Luz com um grau de favoritismo tão reduzido. Começando com a diferença de andamento entre Sporting (dois jogos oficiais e uma pré-época coxa) e Benfica (cinco jogos oficiais, incluindo três para as pré-eliminatórias da Liga dos Campeões), as lesões de Dost e (principalmente) de Mathieu, a indefinição na baliza após a lesão de Viviano em Moreira de Cónegos, e acabando nas fracas exibições que realizámos até agora em oposição a um rival capaz de chegar às balizas adversárias com relativa facilidade, tudo apontava para um final de tarde bastante complicado.

Felizmente o jogo acabou por não ser tão difícil quanto julgava à partida. Ainda que o Benfica tenha estado por cima do jogo durante mais tempo, o Sporting fez uma exibição bastante competente do ponto de vista defensivo e soube ser venenoso nas poucas vezes que conseguiu ter espaço para atacar a baliza de Vlachodimos e, inclusivamente, chegar à vantagem no marcador. Infelizmente, e à semelhança do que aconteceu na época passada, não conseguimos segurar a vitória, sofrendo perto do fim um golo que o Benfica fez por justificar.




Herói improvável - esperava que José Peseiro entregasse a baliza a Viviano ou Renan após o erro de Salin na jornada passada, mas o treinador acabou por manter o francês no onze. Em boa hora teve essa coragem, porque Salin fez uma exibição irrepreensível apesar do muito trabalho a que foi sujeito. Se o Sporting trouxe um ponto da casa do rival, deve-o à prestação de um guarda-redes a quem há umas semanas tinha dado guia de marcha. Ironias da vida.

O onze escolhido por Peseiro - José Peseiro já estava obrigado a mexer na equipa devido às ausências de Mathieu e Dost por lesão, mas decidiu ir mais além: colocou André Pinto ao lado de Coates, puxou Acuña para o centro do terreno, colocando Nani na esquerda e Raphinha na direita no apoio a Montero. As opções resultaram. A dupla Battaglia/Acuña funcionou bastante melhor do que as apostas anteriores em Petrovic e Misic, sendo que os extremos conseguiram dar o apoio defensivo necessário aos laterais. É justo referir que Jefferson esteve bastante concentrado e Ristovski, fora o lance do golo em que foi batido por João Félix, realizou uma excelente exibição. Bruno Fernandes foi também importante no equilíbrio defensivo, acabando por sacrificar muita da habitual influência ao nível ofensivo. Mesmo nunca tendo dominado, o Sporting raramente se deixou controlar até ao golo de Nani. Depois disso, no período em que o Benfica efetivamente encostou o Sporting à sua área, o melhor indicador de todos: a equipa revelou um nível de estabilidade emocional que me surpreendeu, mesmo nos momentos de maior pressão.

Boas indicações - Raphinha teve a sua estreia a titular e fez bom uso dos poucos momentos com bola que teve. Peseiro decidiu levar os talentos de Acuña para o centro do terreno durante os 90 minutos, e o argentino não se deu mal. André Pinto teve uma exibição bastante eficaz ao lado do imperial Coates (que jogo do uruguaio!), fazendo com que os sportinguistas não se lembrassem de Mathieu durante os 101 minutos da partida. 

Arranque acima das expectativas - um conjunto de circunstâncias faziam com que este arranque de época fosse previsivelmente penoso: a sangria que sofremos com as rescisões, o plantel desequilibrado, a pré-época aos soluços com um nível de competitividade muito aquém do necessário, reforços para lacunas importantes a serem concretizados com a época oficial já em andamento, a que se juntaram ontem lesões em jogadores-chave numa partida de elevado grau de dificuldade contra um adversário com um ritmo competitivo bastante superior em virtude do dobro dos jogos a doer que já realizaram. Ao nível exibicional, o arranque da época foi efetivamente penoso, mas, felizmente, os resultados não têm sofrido do mesmo mal: sete pontos nas primeiras três jornadas incluindo uma deslocação à Luz é um arranque que tem de ser considerado positivo face a tudo o que referi anteriormente. Resta agora a receção ao Feirense para terminar este primeiro ciclo de jogos. Sendo quase certo que a qualidade de jogo não irá melhorar significativamente até sábado, a verdade é que se conseguirmos mais três pontos, ficam criadas as condições ideais para que Peseiro aproveite as três semanas seguintes sem campeonato para integrar os jogadores recém-chegados e trabalhar os processos coletivos, que nos permitam depois atacar os desafios de outubro e novembro com uma equipa bastante mais sólida.



A substituição - Peseiro apenas mexeu na equipa aos 78' retirando o apagado e desgastado Bruno Fernandes para meter Petrovic. Percebe-se a vontade em segurar o resultado, mas o efeito da troca foi convidar o Benfica a instalar-se no nosso meio-campo. Não foi por culpa direta de Petrovic, mas a verdade é que resistimos apenas 6 minutos após a substituição. 

A CG na tribuna presidencial da Luz, as declarações exclusivas da CG à BTV, e a conferência de imprensa improvisada de Cintra no final do jogo - para já fica só a nota sobre os momentos degradantes e humilhantes que vivi ontem enquanto sportinguista. Falarei mais em detalhe sobre isto nos próximos dias. 



MVP - Salin

Nota artística - 2

Arbitragem - Bom trabalho de Luís Godinho. Cometeu alguns erros de menor importância, mas esteve muito bem no penálti assinalado e teve um critério disciplinar consistente. Os seis minutos de descontos (que depois se converteram justificadamente em onze) foram exagerados, considerando que não houve muitas paragens e que o Sporting apenas realizou uma substituição até ao momento em que a placa do 4º árbitro foi levantada.



Mais uma vez, o resultado foi melhor do que a exibição - mas a verdade é que se me tivessem oferecido este resultado antes de o jogo ter começado, teria aceitado sem hesitações. E, claro, é bem melhor estar a escrever isto do que a lamentar-me de que merecíamos um melhor resultado face a uma boa exibição realizada. A bem das aspirações que temos para o campeonato, há muitas coisas que têm de ser corrigidas... mas há tempo para isso, e é muito mais fácil fazer essas correções em cima de bons resultados.

De qualquer forma, foi um bom sábado: não estava nada à espera que o Sporting passasse a noite como um dos líderes do campeonato. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Entrada com três pés direitos

Depois de uma pré-época pouco entusiasmante, a estreia em jogos a sério era uma excelente oportunidade para termos alguns sinais positivos que nos dessem ânimo para a época que estava a começar. Mas como a vida de um sportinguista nunca é fácil, os deuses decidiram colocar um obstáculo adicional quando os jogadores estavam no aquecimento... com uma lesão de Viviano que o deixou de fora da partida. Entrou Salin no onze, o árbitro deu o apito inicial... e aos dois minutos tínhamos o capitão amarelado por protestos de forma absurda, aos seis minutos já estávamos a perder e aos doze minutos era a vez de Bruno Fernandes também ver cartão por protestos. 

Dispensava-se um teste sério à estabilidade emocional da equipa tão cedo, mas aí estava ele. Felizmente, mesmo sem jogar bem (muito longe disso), a equipa foi capaz de virar o rumo dos acontecimentos e entrar no campeonato com o pé direito (ou, para ser mais rigoroso, com três pés direitos que colocaram a bola na baliza adversária).




O patrão Bruno - foi o único jogador que pareceu sempre esclarecido a atacar e a defender. Pouco acompanhado nos momentos de construção, conseguiu, ainda assim, tirar dois coelhos da cartola que foram decisivos para a conquista dos três pontos: excelente trabalho no golo do empate, recebendo o bom cruzamento de Ristovski, a tirar da frente o marcador direto e pontapeando para a baliza de forma indefensável, e um passe de régua e esquadro a deixar Dost na cara de Jhonatan para o golo da tranquilidade.

Bis Dost - falhou incrivelmente um golo em cima da linha, mas redimiu-se na segunda parte com um penálti marcado com enorme frieza e um chapéu de classe que fechou o resultado. É bom vê-lo novamente a distribuir abraços pelos companheiros.

Um mal que veio por bem - Salin foi um titular improvável, mas acabou por ser uma das figuras da partida. Muito seguro sempre que chamado a intervir, bem no jogo de pés e a controlar a profundidade, e ainda sacou uma excelente defesa que impediu o 2-1 para o Moreirense. Agarrou com as duas mãos a oportunidade que lhe apareceu no caminho.

As substituições - tardaram a ser feitas, mas resultaram e tiveram um impacto imediato na partida. Peseiro optou por refrescar os extremos - tentando aproveitar as circunstâncias de um jogo que estava cada vez mais partido - e não tardou que Jovane e Raphinha conseguissem mostrar serviço. Jovane acabou mesmo por ser decisivo ao ganhar o penálti que nos deu a vantagem no resultado.

A gestão de jogo nos minutos finais - com uma vantagem tangencial, a equipa soube ir congelando o jogo e foi capaz de controlar o adversário mantendo-o longe da nossa área. E ainda deu para marcar o golo da tranquilidade.



Muito para melhorar - apesar da vitória, a exibição da equipa levanta mais pontos de preocupação do que de confiança. O Sporting nunca dominou o jogo até se ver em vantagem no marcador e, pior, não conseguiu sequer controlar o adversário em períodos alargados da partida. A organização ofensiva da equipa é constrangedora - o que não admira pois jogámos com demasiados médios que pouco contribuem nessa fase - e depende exclusivamente do que Bruno Fernandes e Nani conseguem desencantar. No momento defensivo não foi complicado ao Moreirense abrir espaços a aproveitar a falta de ligação entre os nossos setores e a falta de qualidade de alguns dos nossos jogadores. Ganhámos porque temos melhores individualidades, não por sermos melhor coletivo.

Amarelos por protestos - já se sabia que os amarelos saem de forma muito mais rápida para os jogadores do Sporting, mas aquilo que aconteceu ontem em Moreira de Cónegos foi ridículo. Tiago Martins decidiu mostrar um amarelo a Nani, o capitão, por protestos que nada tiveram de espalhafatosos... logo aos 2 minutos de jogo. Dez minutos depois, foi a vez de mostrar a Bruno Fernandes, e mais tarde faria o mesmo a Jefferson. Os locutores da Sport TV disseram que os árbitros têm instruções para serem mais duros com situações de protesto... mas tenho muitas dúvidas de que o critério seja idêntico quando outras equipas estiverem em campo.

O desabafo de Matheus Pereira - não pode vir para as redes sociais demonstrar o desagrado por ter ficado de fora. Esteve muito bem José Peseiro a referir-se ao caso na conferência de imprensa.



MVP - Bruno Fernandes

Nota artística - 2

Arbitragem - Tiago Martins esteve bem no lance decisivo do jogo, já que Heriberto derruba Jovane com o joelho. Esteve mal ao nível disciplinar, pelos motivos referidos mais acima.



Vitória importante para dar alguma tranquilidade ao grupo de trabalho e para entusiasmar os adeptos. Espero que seja uma semana boa ao nível das vendas de Gameboxes.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Definições na baliza


Com a entrada de Peseiro e com o arranque da preparação da nova época, iniciou-se um período em que muitas decisões terão de ser tomadas na definição e estruturação daquilo que será o grupo de trabalho, quer ao nível da equipa técnica, quer ao nível dos jogadores. As questões a resolver são mais que muitas, mas, ao que parece, as primeiras surpresas estão ao nível da baliza, setor que parecia dos mais estáveis: a dispensa de Nélson e Tiago da equipa técnica e a possível contratação por empréstimo de André Moreira.

Compreendo a decisão de Peseiro em trazer o seu próprio técnico de guarda-redes, mesmo que isso implique a dispensa de Tiago e Nélson. O treinador tem o direito de escolher os elementos que irão trabalhar consigo, sendo que o habitual elemento da SAD na equipa técnica ficou salvaguardada com Tiago Fernandes. Claro que, pelos anos de casa que Nélson e Tiago têm, o processo de dispensa poderia e deveria ter sido conduzido de forma diferente, mas essa falha não pode ser atribuída ao treinador.

O que já tenho mais dificuldades em compreender é a necessidade de o Sporting receber André Moreira por empréstimo. Neste momento, a posição de guarda-redes está bem preenchida: 
  • Viviano tem a experiência e capacidade necessária para ser titular, ainda que seja uma tarefa muito complicada fazer esquecer por completo Rui Patrício; 
  • Luís Maximiano é uma das maiores promessas da nossa formação, podendo perfeitamente ser chamado ao onze em partidas da Taça de Portugal, Taça da Liga ou até Liga Europa para poder ir crescendo; 
  • e ainda há Salin para qualquer eventualidade em que se prefira não atirar Max às feras.

Pegando no título dado hoje pelo Record a este interesse, a pergunta que se pode colocar é: Peseiro quer André Moreira... para quê? Não colocando em causa o potencial do jogador, o que é que tem o Sporting a ganhar com o seu empréstimo? Não me parece que seja um predestinado cujo potencial compense a falta de experiência para poder ser visto de imediato como melhor solução que Viviano. E, sendo André Moreira um jogador de 22 anos a quem ainda faltam muitos minutos (a sua carreira na I Liga resume-se a 29 jogos disputados ao longo de quatro épocas) para poder ser encarado como uma certeza, não me parece que faça sentido que consuma oportunidades que deveriam ser dadas a Luís Maximiano - um jogador que é nosso, também com potencial e que justifica, esse sim, que se corram alguns riscos de forma a acelerar o seu crescimento e valorização.

Considerando que perdemos os jogadores com mais mercado - o que compremete os objetivos desportivos e futuras vendas -, não só não faz qualquer sentido estarmos a desenvolver e valorizar ativos de outros clubes, como me parece uma evidência que deveríamos concentrar os poucos recursos existentes na resolução de necessidades de plantel muito mais urgentes.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Balanço de 2017/18: GRs e Defesas


Rui Patrício: *** 
2016/17: **
2015/16: *** 
2014/15: *** 
2013/14: ***


Melhor época de sempre. Não seria tarefa fácil compilar os melhores momentos de Rui Patrício ao longo deste ano, tantas foram as ocasiões em que impediu golos que pareciam inevitáveis. Imperial entre os postes e no 1 contra 1, conseguiu desenvolver suficientemente o seu jogo de pés e a saída aos cruzamentos para os deixarmos de ver como fraquezas. O único ponto fraco do seu jogo que resta é o controlo da profundidade, mas isso não invalida que seja neste momento um enorme guarda-redes. A infelicidade na Madeira que acabou com as ténues esperanças que ainda existiam para acabar em segundo lugar e a desoladora saída em lágrimas no Jamor foram um final tremendamente injusto face à quantidade de vezes que nos salvou ao longo da época. É possível que a sua história no Sporting tenha chegado ao fim, o que torna tudo ainda mais amargo - não só pela forma como tudo acabou, mas também porque o segundo jogador mais utilizado na história do Sporting merecia sair com um campeonato no palmarés. Que seja feliz e que consiga conquistar aquilo que não conquistou connosco. Merece o melhor.


Salin: -

360 minutos de utilização distribuídos equitativamente entre confrontos de exigência reduzida na Taça de Portugal e na Taça da Liga são demasiado escassos para podermos avaliar se Salin é a pessoa certa para o papel de segundo guarda-redes. Se tivesse que arriscar, diria que não -  caso contrário, Jesus ter-lhe-ia confiado a baliza em bastantes mais ocasiões. Uma coisa é certa: nunca senti o mesmo conforto que sentia quando havia Beto no banco.


Cristiano Piccini: **

O mundo sportinguista - incluindo yours truly - torceu o nariz quando viu Piccini ser apresentado em Alvalade. Apesar de ser um desconhecido para a maior parte dos adeptos, o italiano foi rotulado de flop no dia da sua apresentação por causa da sua fraca estatística de cruzamentos - qualidade que todos julgavam ser prioritária havendo Dost para servir. E, de facto, nesse sentido, os receios eram fundados, pois Piccini não convenceu do ponto de vista ofensivo. Mas é justo dizer que não tardou a demonstrar ser um exímio defensor, com uma fantástica capacidade de posicionamento e antecipação. É um jogador talhado para os grandes jogos. Depois há a outra face da moeda: as suas insuficiências ofensivas fazem com que perca grande parte da sua utilidade contra adversários que se fecham na defesa - ou seja, estaremos a falar de 70% dos jogos das competições nacionais. Não sendo o lateral ideal para o campeonato português, é um lateral que interessa ter no plantel.


Stefan Ristovski: **

De início parecia a antítese de Piccini: de vocação bem mais ofensiva e sempre disponível para explorar o espaço no seu corredor, mas com alguns problemas para controlar os extremos adversários em tarefas defensivas. Ainda assim, as suas primeiras exibições foram prometedoras a ponto de se estranhar a falta de oportunidades concedidas por Jesus. Passou depois por um período de menor fulgor, parcialmente justificável por ser utilizado de forma muito esporádica, mas conseguiu acabar a época em bom plano, mostrando melhorias ao nível do posicionamento defensivo e confirmando capacidade para criar desequilíbrios no ataque.



Fábio Coentrão: ** 

A chegada por empréstimo de Coentrão levantou muitas dúvidas nos sportinguistas por causa dos conhecidos problemas físicos, psicológicos e (para alguns, nos quais não me incluo) do passado no Benfica e as juras de amor feitas ao rival. Os primeiros jogos foram algo angustiantes por causa da evidente falta de confiança que tinha na sua condição física - quando Coentrão caía no relvado, o estádio inteiro sustinha a respiração com medo do pior. Mas com o tempo foi recuperando a confiança e acabou por conquistar das bancadas com a sua garra e vontade de vencer. O Coentrão que tivemos está longe do lateral explosivo de há muitos anos, mas não deixa de ser um jogador que sabe sempre o que fazer em campo. A meio gás, foi, confortavelmente, o melhor lateral esquerdo que tivemos em muitos, muitos anos.


Jonathan Silva: *
2015/16: *
2014/15: *

Conforme se esperava, voltou da Argentina sendo o mesmo jogador que era quando saiu de Portugal. Acumulou bastantes minutos no primeiro terço da temporada devido à gestão física / lesões de Coentrão, e deu para ver que manteve as qualidades que tinha e, sobretudo, os defeitos. A raça sul-americana não consegue disfarçar as gritantes insuficiências defensivas. Não surpreendentemente, foi dado como dispensável. Surpreendentemente, a Roma veio buscá-lo. Não surpreendentemente, pouco jogou e na próxima temporada cá o teremos de volta, provavelmente por pouco tempo.


Lumor Agbenyenu: -

Reforço de inverno, não poderia ter tido pior receção do que aquela que Jesus lhe dispensou, pois o primeiro comentário do treinador não podia ter sido mais humilhante. Acabou por ir a jogo mais vezes do que se esperaria, mas apenas numa ocasião jogou mais do que 25 minutos. Nas oportunidades que teve, não se destacou (o que era difícil) nem comprometeu (o que já não é mau). Ou seja, estamos na mesma em relação a janeiro: continua a dúvida sobre se poderá ser uma boa solução para o lugar.


Sebastián Coates: **
2016/17: ***
2015/16: ***

Depois de uma época em que foi uma espécie de pronto-socorro de uma defesa demasiado instável, Coates teve, finalmente, a possibilidade de jogar ao lado de um central de créditos firmados e de laterais que sabem o que fazer no momento defensivo. Estranhamente, esta acabou por ser a época mais irregular do uruguaio desde que chegou ao Sporting: protagonizou demasiadas situações de desconcentração ou excesso de confiança em relação ao que nos tinha habituado. Ainda assim, a época foi globalmente positiva - convém relembrar que foi dos jogadores mais utilizados (54 jogos) e que teve influência decisiva em alguns deles (como nas meias-finais da Taça, em Tondela ou em Vila da Feira).


Jérémy Mathieu: ***

Chegou como um central velho, lento, propenso a lesões e, ainda por cima, fumador - apesar de haver dados suficientes para desmentir a parte do lentidão e das lesões -, mas precisou apenas de dois jogos para conquistar Alvalade, quando, contra o Setúbal, com o jogo empatado a 0 e o tempo a aproximar-se do fim, decidiu fazer duas arrancadas como se de um extremo esquerdo se tratasse para abanar os companheiros da apatia em que tinham caído. Classe imensa, velocidade, espírito vencedor. Ah, e também sabe bater livres. Mais uma época destas, se faz favor.


André Pinto: **

Cumpriu muito bem o papel de terceiro central. André Pinto teve o primeiro teste a sério da época em Vila do Conde quando teve que substituir o lesionado Mathieu à passagem da meia-hora e a defesa não se ressentiu. Continuou a estar globalmente num bom nível nos vários jogos de dificuldade elevada que se seguiram (Juventus, Braga e Olympiakos). Considerando a utilização irregular que teve (já que Coates e Mathieu tiveram épocas muito consistentes), creio que não seria justo exigir-se mais a André Pinto.


Tobias Figueiredo: -
2015/16: *


2014/15: **

Foi com alguma surpresa que ficou no plantel, acabando por participar em apenas quatro jogos. Pode ter sido pouco tempo, mas foi suficiente para perceber que a confiança não abundava - de Tobias em si próprio e da própria equipa e público em Tobias. A sua saída para Inglaterra acabou por ser um desfecho natural.