domingo, 7 de julho de 2019

A vida depois de Bruno

Os sócios confirmaram ontem a expulsão de Bruno de Carvalho do Sporting. Um desfecho previsível que dita o fim de um penoso processo que teve início em maio de 2018 e que tem mantido a vida do clube em suspenso. No espaço de 17 meses, o antigo presidente passou de uma situação de apoio massivo que roçava os 90% para um ponto em que a maioria dos sportinguistas não tolera sequer a possibilidade de o deixar continuar a pagar quotas e participar na vida do clube na qualidade de associado.

Votei em consciência contra a expulsão. Apesar de ser para mim evidente que Bruno de Carvalho cometeu infrações graves - que, do ponto de vista estritamente regulamentar, podem justificar a expulsão -, não esqueço tudo aquilo de muito bom que fez pelo Sporting. Pegou no clube numa altura em que ninguém mais o queria fazer, reergueu-o desportiva e financeiramente contra as previsões de muitos, promovendo um nível de militância que arrebatou várias gerações de sócios que apenas tinham conhecido lideranças resignadas e fatalistas que foram afundando gradualmente o Sporting até ao estado desesperado que culminou nas eleições de 2013. Inverteu o definhamento do ecletismo devolvendo a competitividade das nossas equipas e construindo uma casa das modalidades que é a menina dos olhos de muitos de nós. Na minha opinião, apesar de todos os erros que cometeu na fase final da sua presidência, Bruno de Carvalho deixou o Sporting em melhor estado do que aquele que encontrou e, por isso, acho injusto que lhe seja aplicada a mais severa das punições.

Foi, também, mais uma oportunidade perdida pelos atuais órgãos sociais de honrarem o seu lema de campanha: unir o Sporting. Não contesto, de forma alguma, a legalidade da sentença do CFD, da realização da AG e da decisão final dos sócios - que respeito democraticamente -, e não me passa pela cabeça que o clube tenha de viver refém da vontade e caprichos de um conjunto de fanáticos ruidosos incapaz de separar o clube do seu antigo líder. Mas creio que, considerando a delicadeza do tema, poderiam ter sido feitas pequenas cedências que em nada afetariam o decurso da AG e que ajudariam a passar uma ideia de magnanimidade de quem exerce o poder e de alguma vontade de sarar as profundas fraturas que hoje existem. Que mal viria ao mundo se fossem atribuídos 30 minutos em vez de 15 para Alexandre Godinho e Bruno de Carvalho se defenderem perante os sócios? Que mal viria ao mundo se as votações apenas se iniciassem após o final dessas duas intervenções? Que necessidade havia de emitir tiradas de pura demagogia que transformaram a AG numa espécie de Agora Escolha em que as opções eram "BdC continua sócio e não podemos ganhar campeonatos de futebol" vs "BdC é expulso e podemos ganhar campeonatos de futebol"? 


A intransigência revelada, em conjunção com os vários sinais dados ao longo destes dez meses de mandato, é, para mim, indicativo de que existem nestes órgãos sociais alguns elementos tão extremistas como os extremistas que os insultaram repetidamente nas últimas AGs. Nas cabeças desse punhado de indivíduos - seja por desejo de vingança ou paranóia -, #UnirOSporting é a menor das preocupações. Nas cabeças desse punhado de indivíduos, só hoje começou a vida pós-Bruno quando, na realidade, a vida pós-Bruno começou no dia em que os atuais órgãos sociais tomaram posse.

O ciclo de Bruno de Carvalho do Sporting está morto e enterrado desde setembro de 2018. Os problemas que a fase final da sua presidência gerou são indesmentíveis e condicionaram fortemente a época que terminou em maio, mas nada do que o sócio Bruno de Carvalho fez ou pudesse ter feito desde as última eleições alterou ou alteraria o quer que fosse. Daí achar que a sua expulsão não vai resolver absolutamente nada, não vai mudar absolutamente nada.

Votei nestes órgão sociais por achar que a melhor forma de unir o clube é através da competência, das vitórias e dos títulos. Até ver, as promessas feitas nesse sentido estão a ser cumpridas na generalidade. Há uma estratégia coerente que me parece estar a ser bem executada, a época está a ser bem preparada (há a exceção do andebol, pelas razões que se conhecem), e encaro com otimismo o desempenho da maior parte das nossas equipas em 2019/20. No entanto, não se fazer qualquer esforço para unir e cativar os sportinguistas que se afastaram - a esmagadora maioria por desilusão com o estado a que o clube chegou e não por lealdade a presidentes ou candidatos - é um caminho perigoso. Quando os sócios e adeptos não se revêm numa direção, a sua paciência vai depender quase exclusivamente da bola que entra ou deixa de entrar na baliza - e isso coloca a estabilidade do Sporting TOTALMENTE dependente do sucesso desportivo da equipa principal de futebol. Num futebol tão podre como o nosso, é um risco muito, muito imprudente de se tomar.

Se há coisa de que estou farto, é de suspensões, expulsões e eleições. De 2017 para cá parecemos mais um partido político do que um clube desportivo. Pobre Sporting...

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Revista 1906


Ficará mais logo disponível, para todos os sportinguistas, o primeiro número da Revista 1906. Esta revista é um projeto que nasceu a partir da visão de poucos, ganhou forma com o contributo de alguns (nos quais tenho o prazer de me incluir), e que tem por objetivo chegar aos olhos dos muitos sportinguistas espalhados pelos quatro cantos do mundo.

A construção deste primeiro número é o resultado de um processo colaborativo (na verdadeira aceção da palavra) e totalmente independente levado a cabo por um conjunto de sportinguistas que, apesar de pensarem de maneira diferente sobre muitas questões relacionadas com o clube, não hesitaram em trabalhar em conjunto de forma a servir o Sporting e a sua imensa massa adepta. Numa altura em que o clube está mais dividido que nunca, esperamos todos que este trabalho funcione como prova viva de que é muito maior o clube que nos une do que as opiniões que eventualmente nos possam separar.

A edição é online e poderá ser obtida gratuitamente através deste LINK a partir das 19:06 de hoje. Boas leituras!

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Ponto de situação do plantel 2019/20

GUARDA-REDES

1. Renan Ribeiro
2. Luís Maximiano
3. (sub-23)

Saída confirmada: Salin
Por resolver: Viviano

O setor parece-me fechado. Max tem todas as condições para ser o 2º guarda-redes, jogando nas primeiras eliminatórias da Taça de Portugal, na fase de grupos da Taça da Liga e da Liga Europa.


LATERAIS DIREITOS

1. (contratação)
2. Ristovski

Dúvida: Thierry Correia
Por resolver: Bruno Gaspar

Ristovski é um lateral útil mas o Sporting precisa de um titular de nível superior. Thierry Correia poderá ficar no plantel caso Ristovski seja vendido - o que não parece ser um cenário muito provável.


LATERAIS ESQUERDOS

1. Borja
2. (contratação)

Dúvida: Acuña
Por resolver: Jefferson, Lumor

Creio ser necessário contratar um lateral de apetência mais ofensiva que Borja, capaz de gerar desequilíbrios pelo seu corredor partindo de trás. Na minha opinião, Acuña está na altura certa para ser vendido, mas não ficaria chateado se se mantivesse no plantel.


CENTRAIS

1. Mathieu
2. Coates
3. Neto
4. Ivanildo

Dúvida: Domingos Duarte
Por resolver: Ilori, André Pinto

A condição física de Mathieu terá de ser muito bem gerida - preferencialmente jogando apenas e só no campeonato e em fases decisivas de outras competições -, pelo que há espaço para três centrais de maior experiência - neste caso, Coates e Neto. Ivanildo pode e deve ser o 4º central, para ser desenvolvido e ganhar experiência. Ilori, apesar de ter sido contratado em janeiro, não tem espaço pois é demasiado velho e caro para ser o quarto central.


MÉDIOS DEFENSIVOS

1. (contratação)
2. (contratação)

Dúvida: Gudelj, Doumbia, Daniel Bragança
Por resolver: Petrovic, Bruno Paulista

Gudelj tem um salário demasiado alto e não é o médio defensivo de que precisamos, mas Keizer gosta do jogador. Resta saber o que pensa a SAD fazer em relação ao sérvio. Na minha opinião, precisamos de contratar dois jogadores para a posição, a não ser que Keizer considere adaptar Doumbia ou apostar em Daniel Bragança.


BOX-TO-BOX

1. Wendel
2. Doumbia

Dúvida: Miguel Luís
Saída: Battaglia, Misic, Mattheus Oliveira, Gauld

Esta posição parece estar fechada, a não ser que se considere que Doumbia será mais útil como médio defensivo.


MÉDIO OFENSIVO / 2º AVANÇADO

1. Vietto
2. (contratação)
3. Gelson Dala

Dúvida: Bruno Fernandes
Por resolver: Francisco Geraldes, Alan Ruiz

A grande incógnita do defeso e que condiciona o sentido da construção do plantel é a venda ou permanência de Bruno Fernandes. Creio que está na altura ideal de o vender, pois está no pico de valorização que o campeonato português proporciona, como também o dinheiro de uma eventual venda é fundamental para suprir as muitas carências do plantel. Vietto poderá ficar com este lugar num esquema de dois avançados, mas o argentino não é um construtor de jogo e uma ameaça de meia distância. É, por isso, uma posição em que temos de investir forte. Gelson Dala demonstrou qualidade no Rio Ave, apesar de fisicamente não ser muito fiável, pelo que poderá ser uma terceira opção.


EXTREMOS

1. (contratação)
2. Raphinha
3. Matheus Pereira
4. Plata

Dúvida: Acuña
Por resolver: Jovane, Diaby, Carlos Mané

A pré-época será particularmente importante para definir se uma contratação será suficiente. Matheus terá a maturidade suficiente para se afirmar? Estará Plata pronto para o ritmo da I Liga? De qualquer forma, uma contratação terá de ser obrigatoriamente feita, e é uma das posições que pede maior investimento - para assegurarmos um jogador de valor indiscutível ou de potencial estratosférico que tenha impacto imediato no onze.


PONTA-DE-LANÇA

1. (contratação)
2. Luiz Phellype
3. Pedro Mendes

Dúvida: Dost

Dost só pode ficar baixando significativamente o salário. Não ficando, é necessário ir à procura de um ponta-de-lança para ser titular, sabendo-se que estaremos bem servidos no banco com Luiz Phellype. Pedro Mendes, depois da excelente época nos sub-23, tem condições para ser o terceiro ponta-de-lança do plantel. 


Resumindo:

Contratações (nível de investimento: € a €€€): 

1 lateral direito titular (€€)
1 lateral esquerdo ofensivo (€€)
2 médios defensivos (€€; €)
1 médio ofensivo (€€€)
1 extremo (€€€)
1 ponta-de-lança (€€€)


Problemas a resolver (salário anual em €M):

Viviano
Bruno Gaspar
Jefferson
Lumor
Ilori
André Pinto
Petrovic
Bruno Paulista
Battaglia
Misic
Mattheus Oliveira
Gauld
Francisco Geraldes
Alan Ruiz
Jovane
Diaby
Carlos Mané
Dost

Na totalidade, os salários anuais destes jogadores andarão à volta de 25 milhões de euros, que corresponde a praticamente metade daquele que deveria ser o nosso orçamento anual.

Balanço da época, nº 5: Avançados



Bas Dost: ** 
2017/18: *** 

Iniciou a época a um excelente nível, chegando aos 10 golos apontados nas primeiras 13 jornadas (sendo que apenas foi titular em apenas 7 desses jogos devido a uma lesão no joelho). No entanto, caiu bruscamente de rendimento a partir de janeiro, sem qualquer confiança no momento de finalizar, ao ponto de parecer por completo um jogador inapto para alinhar numa equipa de primeira divisão. A lesão contraída acabou por ser uma benesse – para o jogador, que se arrastava nos relvados de forma deprimente, e para o clube, que encontraria em Luiz Phellype um goleador inesperado – que deu tempo ao holandês para se recompor psicologicamente. Ainda alinhou nas últimas quatro partidas – sempre como suplente usado -, mas foi o suficiente para voltar a colocar o seu nome na lista dos marcadores por duas ocasiões, ambas no Jamor, contra Belenenses e Porto, parecendo-se muito mais com o Dost que nos habituámos a admirar. 

É pouco provável que continue devido ao incomportável salário que Cintra lhe ofereceu quando voltou da rescisão. O Sporting não se pode dar ao luxo de pagar 6 milhões de euros brutos a um único jogador. 


Luiz Phellype: ** 

Analisando estritamente do ponto de vista do custo/rendimento, a contratação de Luiz Phellype foi um completo sucesso - nos últimos anos, apenas um jogador ficou acima nesta escala: Islam Slimani. O brasileiro não se integrou de imediato e precisou de tempo para apurar a forma física. A lesão de Dost deu-lhe o tempo e o espaço que precisava para se impor. Nos últimos 10 jogos da temporada, assinou 8 golos, incluindo um golo no Dragão e o penálti decisivo na final da Taça. 

Ainda é difícil avaliar se Luiz Phellype tem o que é necessário para ser o ponta-de-lança do Sporting. A forma como o Sporting se apresentou nos últimos meses não era propício a um volume de jogo ofensivo propício para alimentar goleadores, mas o brasileiro conseguiu uma taxa considerável de concretização das oportunidades flagrantes de que dispôs. Independentemente disso, é um jogador com quem se poderá contar para 2019/20. 


Fredy Montero: * 
2017/18: **
2015/16: *
2014/15: ** 
2013/14: **

Montero foi em 2019/20 exatamente aquilo que dele se poderia esperar: talentoso tecnicamente, mas sem a consistência competitiva necessária, podendo, no máximo, ser considerado um jogador útil para se ter no plantel. No entanto, os 3 milhões de euros anuais que recebia obrigavam a que fosse mais do que um jogador útil e pouco fiável, pelo que a decisão de o deixar sair para a MLS se compreende perfeitamente. 


Pedro Marques: - 

31 minutos na Liga Europa para se mostrar aos sportinguistas. Precisa de se impor nos sub-23 antes de poder ambicionar fazer parte do plantel principal. 


Raphinha: ** 

Não teve um começo de época complicado, com exibições abaixo do esperado – como tantos outros colegas – com Peseiro, ao que se juntou uma lesão contraída dias antes da entrada de Keizer que o deixou de fora dos relvados até ao final de dezembro. Progressivamente foi ganhando o seu espaço na equipa e terminou a época em bom nível como titular. 7 golos e 5 assistências são números abaixo do que pode fazer, mas, agora que está plenamente adaptado ao clube e ao treinador, tem todas as condições para explodir em 2019/20. 


Abdoulay Diaby: * 

Um caso oposto ao de Raphinha. Diaby tem números (7 golos e 8 assistências) que dão uma imagem errada (pela positiva) daquilo que rendeu em campo. Cintra apresentou-o como o jogador mais rápido do futebol português (Rafa deve ter-se rido às gargalhadas), e, de facto, Diaby assemelhou-se mais a um atleta do que a um futebolista – mas não na velocidade, mais na sua (falta de) relação com a bola, tantos foram os momentos constrangedores que proporcionou. Um flop de 5,5 milhões que não tem lugar no plantel da próxima época. 


Jovane Cabral: * 

Teve um impacto inesperadamente positivo na fase inicial da época. Soube fazer uso da sua capacidade física quando lançado a meio da segunda parte para abanar o jogo. É, efetivamente, um jogador útil para ter no banco, como atestam os números: 4 golos e 8 assistências em 1.193 minutos de utilização, que dá uma média inferior a 1 golo/assistência por cada 100 minutos. No entanto, não tem capacidade neste momento (nem sei se alguma vez terá) para mais do que isso. Jogando como titular, raramente conseguiu justificar a aposta. Jovane marcou 4 golos e fez 5 assistência entrando como suplente; como titular apenas registou 3 assistências. 

Suponho que em 2019/20, o melhor para Jovane seja o empréstimo a outra equipa da I Liga. 


Nani: ** 
2014/15: ** 

Foi provavelmente a grande contratação da época e foi um dos jogadores em destaque com José Peseiro – numa altura em que Bruno Fernandes estava a render muito abaixo do que pode. Esteve ao nível das expetativas criadas, jogando e fazendo jogar, ainda que – mais uma vez -, grande parte das bancadas não conseguisse compreender as suas contemporizações à espera de uma boa opção para dar sequência à jogada. 

A sua saída em janeiro foi, por isso, inesperada e mal compreendida entre os adeptos. A componente salarial terá tido um peso fulcral nessa decisão, mas, ao que se diz, não seria fonte de bom ambiente no balneário. A verdade é que a equipa não se ressentiu da sua saída - nem desportivamente, nem, sobretudo, ao nível da liderança dentro de campo.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Balanço da época, nº 4: Médios


Nemanja Gudelj: **

Passou a primeira metade da época como peixe fora de água - primeiro, ao lado de Battaglia ou Petrovic no inócuo duplo-pivot de Peseiro; depois, como vértice mais recuado de um triângulo que incluía Wendel e Bruno Fernandes -, alternando exibições sofríveis com um ou outro jogo mais bem conseguido. Gudelj não se deu nada bem com o período Keizerball - em que tinha de tapar a subida em simultâneo dos dois laterais e havia a vertigem de saída de bola ao primeiro toque independentemente do nível de pressão adversário -, mas começou finalmente a consolidar o nível exibicional a partir do momento em que o modelo de Keizer entrou na sua fase mais conservadora, terminando a época como um defensor bem mais competente do que era quando chegou. Ofensivamente, raramente ofereceu algo à equipa - nem sequer houve um vislumbre da boa meia distância que supostamente possui.

Tendo sido um indiscutível para Keizer mesmo quando o seu rendimento deixava muito a desejar, suponho que o treinador deseje a sua continuidade na próxima época. Um desejo que poderá esbarrar no vencimento do jogador, que não fez o suficiente para justificar o teto salarial do Sporting. Pessoalmente, espero que não continue, porque não será difícil ao Sporting encontrar e contratar um jogador mais barato e com maior apetência para ser o médio defensivo de que precisamos.


Rodrigo Battaglia: *
2017/18: **

Época para esquecer devido à grave lesão que contraiu no início da época. Até esse momento foi titular indiscutível, mas sem nunca se destacar da mediania geral.

Segundo o que se diz, Sousa Cintra aumentou-lhe significativamente o salário aquando do seu regresso após a rescisão. O jogador já disse publicamente que sente estar na hora experimentar outros campeonatos. Parece-me que nenhum sportinguista ficará muito aborrecido se Battaglia for à sua vida, nem estou a ver o clube a fazer o que seja para dificultar essa saída - com Francisco Zenha à cabeça. Não vai deixar saudades.


Radosav Petrovic: *

Ficará na memória pelo espírito de sacrifício demonstrado na final da Taça da Liga, ao jogar um longo período com o nariz desfeito. Desenrascou como central, mas é trinco e aí fica muito aquém das necessidades.

Ainda tem mais um ano de contrato, mas está na altura de Petrovic e Sporting seguirem cada qual o seu caminho.


Marcus Wendel: **
2017/18: -

Depois de seis meses perdidos com Jesus, Wendel parecia condenado a ser um investimento completamente falhado quando se percebeu que também não contava para Peseiro. No entanto, Keizer não hesitou em apostar imediatamente no brasileiro. Na fase Keizerball, Wendel destacou-se de imediato pelos atributos ofensivos, mas os desequilíbrios da equipa obrigaram-no, posteriormente, a ter um posicionamento mais fixo e mais recuado - o que não o ajudou a brilhar. Ainda assim, foi sempre um jogador muito útil e esforçado, justificando plenamente a titularidade naquela que foi, para todos os efeitos, a sua época de estreia na Europa.


Miguel Luís: *

Foi lançado por Tiago Fernandes (para ser totalmente rigoroso, Peseiro deu-lhe 1 minuto de utilização contra o Loures), e Keizer utilizou-o com alguma frequência para substituir o lesionado Wendel, mas Miguel Luís perderia o espaço com a recuperação do brasileiro e a contratação de Doumbia. Revelou-se um jogador útil e pouco mais, esforçado, certinho com a bola nos pés. 

Suponho que, em 2019/20, o empréstimo a um clube da I Liga seja o mais benéfico para o clube e para o jogador.


Idrissa Doumbia: * 

Contratação de inverno que demonstrou qualidades que poderão vir a ser importantes no futuro. Alia uma capacidade física bastante acima da média a uma qualidade técnica interessante, faltando-lhe a disciplina tática necessária para poder ser um indiscutível no onze. Há também a questão da posição: o Sporting precisava que Doumbia fosse mais 6 do que 8, mas isso apenas aconteceu em situações de indisponibilidade de Gudelj. 

Teremos de esperar para ver como Keizer irá aproveitar o jogador na próxima época: será concorrente de Wendel na função de box-to-box ou lutará pela titularidade como médio defensivo?


Bruno Fernandes: ***
2017/18: ***

Não há muito mais que se possa dizer sobre o extraordinário desempenho de Bruno Fernandes. Desde que acompanho o futebol do Sporting, só há um jogador que tenha feito uma época comparável: Jardel, em 2001/02. Um líder no campo pela sua personalidade e pelo exemplo que dá em campo em termos de mentalidade competitiva e esforço colocado em cada jogada, está facilmente no top 3 dos jogadores que já vi alinhar no Sporting.

A sua mais que provável venda representará uma baixa impossível de colmatar, no entanto parece-me que esta é a altura certa de fazer o negócio. O Sporting já perdeu muito por não saber identificar o momento certo em que um jogador deve ser vendido.


Francisco Geraldes: -

Mais um ano adiado. Está visto que não conta para Keizer, pelo que é pouco provável que continue.


Bruno Paz: -

Deu belíssimas indicações nos poucos minutos que alinhou contra o Vorskla. Que recupere bem da grave lesão que sofreu há uns meses.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Balanço da época, nº 3: GR e defesas



Renan Ribeiro: ** 

Chegou no final da pré-época a pedido de José Peseiro para lutar por uma posição que já estava bastante preenchida. Acabou por ganhar o lugar após a lesão de Salin em Portimão, já na fase terminal do ex-treinador. 

Sem estar ao mesmo nível, Renan replica as qualidades e defeitos de Rui Patrício: forte entre os postes e no um contra um, mas com carências nos cruzamentos e no controlo da profundidade. A época de estreia em Alvalade foi definitivamente positiva, sobretudo graças aos dois títulos que ajudou a conquistar em três séries de penáltis, mas também pela qualidade e regularidade das suas exibições ao longo da época. Cometeu os seus erros, é certo, mas não me recordo de Renan nos ter custado quaisquer pontos. Ao invés, os seus reflexos e agilidade ajudaram a segurar vários resultados. 

Aceito que se diga que o Sporting deve ambicionar ter como titular um guarda-redes mais completo, mas, havendo tantas carências no plantel, diria que o reforço da baliza está longe de ser uma das prioridades para este verão. 


Salin: ** 
2017/18: - 

Iniciou a época como titular após a inesperada lesão de Viviano no aquecimento em Moreira de Cónegos, acabando por perdê-la também por lesão em Portimão. A partir daí, teve uma utilização esporádica, dividida pelas várias competições. Distingue-se pela positiva em relação a Renan ao nível do controlo de profundidade – muito mais rápido a ler a situação e a sair dos postes –, mas falha ao nível da regularidade. Ainda assim, cumpriu sempre que chamado, e teve o seu momento alto da época na enorme exibição realizada na Luz. 

Salin dá garantias suficientes para assumir o papel de segundo guarda-redes, mas suponho que a sua continuidade esteja dependente dos planos que a estrutura tiver para Max. 


Viviano: - 

Um dos mistérios de 2018/19. Tinha currículo, demonstrou qualidade na pré-época, teria sido titular na jornada inaugura não fosse a lesão no pescoço… mas acabou por não realizar um único minuto oficial que fosse no Sporting. Não foi opção nem para Peseiro, nem para Tiago Fernandes nem para Keizer, pelo que o seu empréstimo em janeiro acabou por não surpreender. 

O elevado salário que aufere faz da sua saída um dado praticamente adquirido. Resta saber se o clube conseguirá recuperar parte ou a totalidade do investimento feito há um ano. 


Luís Maximiano: - 

Não jogou, mas devia ter jogado – nem que fosse um ou dois jogos no campeonato, em Alvalade, a partir do momento em que o terceiro lugar na classificação ficou definido. 

Não pode continuar no Sporting no papel de 3º guarda-redes. Ou passa a 2º ou tem de ser emprestado para jogar. 


Bruno Gaspar: * 

Um erro de casting. Não só por ser macio a defender e inconsequente a atacar, mas, sobretudo, pela incapacidade demonstrada em coisas tão básicas como fazer a receção de um passe ou medir a força com que deve adiantar a bola em condução. Depois do que fez em Guimarães, não me parece que seja um jogador tão mau tecnicamente como pareceu ser durante esta época, pelo que suponho que tenha havido algum fator psicológico a afetar (seriamente) o seu rendimento. 

Seja como for, não tem lugar no plantel em 2019/20. Esperemos que a SAD consiga recuperar uma boa fatia dos 4,5 milhões investido. 


Stefan Ristovski: ** 
2017/18: ** 

Uma época marcada por três expulsões injustas que custaram quatro pontos ao Sporting e deixaram o jogador de fora das duas mãos da meia-final da Taça com o Benfica e da final da Taça com o Porto. Titular indiscutível sobretudo por causa da falta de concorrência, correspondeu de forma satisfatória ao que dele era exigido. 

Salvo alguma surpresa, permanecerá no plantel da próxima época – desejavelmente, mais no papel de alternativa do que no de titular. 


Thierry Correia: - 

Bons indicadores dados nas duas ocasiões em que foi utilizado na Liga Europa. No entanto, não me parece que o Sporting fique suficientemente apetrechado em 2019/20 apenas com o jovem Thierry e com Ristovski. Parece-me que o mais benéfico para todos será a sua cedência a um clube da I Liga para ganhar muitos minutos. 


Jefferson: * 
2016/17: * 
2015/16: * 
2014/15: ** 
2013/14: ** 

Só mesmo José Peseiro para achar que Jefferson tinha qualidade para estar no plantel e – pior – para ser titular. Não tardou até que Peseiro se apercebesse do erro: ao fim de quatro jornadas saiu do onze, apenas voltando a ser opção em caso de indisponibilidade de Acuña e, mais tarde, de Borja. 

Tem mais um ano de contrato, mas é muito pouco provável que continue. Ao fim de seis épocas no clube, seria bom para todos que a boa exibição na final da Taça, alinhando fora de posição, fosse a imagem final com que os sportinguistas fiquem de si. 


Cristián Borja: ** 

Boa contratação de inverno. Precisou de pouco tempo para a posição, libertando Acuña para o seu lugar original. Forte defensivamente, quer na capacidade de antecipação quer na utilização do físico para controlar os adversários, acabou por ser uma solução inesperada para jogar como 3º central. Sabe sair a jogar, mas falta-lhe acutilância ofensiva. O Sporting continua a precisar de um lateral esquerdo capaz de criar desequilíbrios e competente a cruzar. 


Lumor Agbenyenu: - 
2017/18: - 

Voltou a não ser opção. Fez apenas 90 minutos nos Açores, assinando uma boa exibição, e fez 28 minutos na derrota caseira com o Estoril que ditou o despedimento de Peseiro. Tem mais três anos de contrato, pelo que será mais um problema para Hugo Viana resolver durante o defeso. 


Sebastián Coates: *** 
2017/18: ** 
2016/17: *** 
2015/16: *** 

Numa época em que a consistência defensiva foi um problema, não se pode apontar o quer que seja a Coates. O uruguaio foi muito mais vítima do que culpado: teve que ser demasiadas vezes bombeiro de serviço para resolver os problemas que a nossa lateral direita lhe criava e para compensar as dificuldades de adaptação de Gudelj para o papel de médio defensivo. Com Mathieu ao lado, formou uma dupla de centrais muito sólida – provavelmente o setor mais forte da equipa na globalidade da época. Para além da importância defensiva, viu-se muitas vezes “obrigado” a tentar criar desequilíbrios na frente face à ausência de um meio-campo que o fizesse. 

Com a contratação de Neto e a renovação de Mathieu, a continuidade de Coates não estará 100% garantida, mas acredito que só mesmo uma proposta irrecusável poderá levar o uruguaio a abandonar o Sporting. 


Jérémy Mathieu: *** 
2017/18: *** 

Só não foi o MVP do plantel porque Bruno Fernandes fez uma época estratosférica. Aos 35 anos, o francês esteve a um nível absurdamente elevado: a classe com que defende e constrói e a superior mentalidade competitiva coloca-o ao nível dos melhores centrais que já vi atuar no Sporting. Curiosamente ou talvez não, o pior período da época do Sporting coincidiu precisamente com o período em que Mathieu esteve indisponível por lesão. Um líder em campo e um esteio da equipa que, com toda a justiça, viu o contrato ser renovado e será integrado no grupo de capitães na próxima época. 


André Pinto: * 
2017/18: ** 

Época irregular quer ao nível de utilização quer ao nível da qualidade das exibições. É um central perfeitamente fiável em determinadas circunstâncias – nomeadamente quando a equipa é forçada a jogar em bloco mais baixo -, mas não é daqueles jogadores capazes de compensar as carências dos jogadores que o rodeiam. 

As suas características e salário tornam muito improvável a sua continuidade em 2019/20. 


Marcelo: -

Não conseguiu mostrar qualidades que justificassem a sua contratação. Vendido sem surpresa no mercado de inverno.


Tiago Ilori: * 

Contratação surpreendente e mal acolhida pela maior parte dos adeptos. Foi a jogo apenas por oito vezes, e não foi por Ilori que o Sporting perdeu pontos. Bom timing de corte fazendo uso da sua velocidade, pecou sobretudo por um ou outro lapso de concentração quando tinha a bola nos pés. 

O que fazer agora com Ilori? Parece-me insuficiente para titular, e presumo que seja demasiado caro para ser 3º/4º central. Havendo Coates, Mathieu e Neto, e estando Ivanildo e Domingos Duarte no ponto para serem a 4ª opção, não vejo que lugar haverá para Ilori continuar em Alvalade. 

sábado, 15 de junho de 2019

“Basta”, dizem eles...

Gorada a perspetiva de arrumar o campeonato no 4º jogo, apesar de terem estado a apenas 30 segundos de o conseguir, a estrutura benfiquista parece agora temer que a história do ano passado se repita: recuperação do Sporting de 1-2 para 3-2 em jogos, valendo, desta vez, um inédito tetracampeonato para os Leões.

Se as vitórias dos dois primeiros jogos assentam bem a uma e a outra equipa, o mesmo não se pode dizer do que aconteceu no 3º jogo: a partida ficou marcada por uma agressão de Robinho a Dieguinho que foi invertida de forma inacreditável pela equipa de arbitragem. O pivot do Sporting foi expulso, o Benfica marcou golo na sequência do respetivo penálti (lembro que o resultado final foi de 4-3 para o nosso adversário), e o Sporting ficou sem um dos seus jogadores mais importantes para o 4º e 5º jogo.

Na passada quinta-feira, no jogo 4, o Sporting voltou a ter razões de queixa da arbitragem. Conforme apontou e bem Nuno Dias no final do jogo - após ter tido conhecimento das queixas de Joel Rocha -, ficou um penálti por assinalar a favor do Sporting por pontapé na cara de João Matos na área do Benfica, e ficou um vermelho por mostrar a Roncaglio, por ter jogado a bola com o braço fora da área. Acrescento ainda a absurda 5ª falta assinalada ao Sporting na primeira parte após corte limpo de Pany Varela.

Infelizmente, é isto o habitual nos últimos anos nos jogos entre Sporting e Benfica.

Mas ontem, o team manager do Benfica, Gonçalo Alves, num notável exercício de hipocrisia, tentou fazer passar a ideia de que o seu clube é que foi prejudicado, alegando a existência de uma enorme quantidade de faltas mal assinaladas. Um absurdo completo, visto que essa afirmação não poderia ser mais falsa - e em especial na falta de André Coelho que deu origem ao livre de 10 metros que Rocha converteria no 4-3, destacada pelo dirigente benfiquista.

Disse Gonçalo Alves:
"Então o lance que deu origem ao 4-3, que virou o resultado completamente... O André Coelho ganha posição, toca na bola e segue... Falta! O árbitro que apita é o que está mal posicionado. O outro está em linha, vê o lance, percebe que não é falta... Isto é que é grave: o árbitro que está mal posicionado é que apita. Mas temos algum azar com ele, o Benfica raramente ganha com este árbitro e há sempre lances polémicos, jogadores expulsos..."

Descaramento total. Basta olhar para o lance...


... para ver como André Coelho abalroa Merlim. Falta claríssima, bem assinalada pela equipa de arbitragem.

Tentativa mais que óbvia de condicionamento da arbitragem do quinto e decisivo jogo no Pavilhão da Luz. Perante isto, apenas podemos concluir que, ao Benfica, não bastam arbitragens imparciais. Aliás, conforme vimos na quinta-feira, nem sequer bastam arbitragens que os favoreçam num par de lances críticos: as únicas arbitragens aceitáveis para o Benfica são aquelas em que há salvo conduto para os seus jogadores fazerem o que bem entenderem dentro da quadra. As regras do jogo são secundárias. Se ganharem da mesma forma que ganharam na vergonhosa final de 2011/12... está tudo bem.



quarta-feira, 5 de junho de 2019

O cúmulo do descaramento


Sou o primeiro a conceder que as circunstâncias em que Sousa Cintra e José Peseiro entraram no Sporting não eram fáceis. O período era de enorme turbulência, o clube encontrava-se completamente fraturado e as indefinições eram mais que muitas. Também é indiscutível que, mal ou bem, tanto Cintra como Peseiro fazem parte da época que acabou com a conquista de dois títulos. Foram eles que tomaram as decisões que formaram o plantel com que o Sporting atacou a época. Por isso, a sua influência no decurso da temporada é indesmentível.

No entanto, antes de entregar os louros que ambos reclamaram recentemente pela conquista dos dois títulos, é preciso fazer uma outra pergunta: o Sporting ganhou a Taça de Portugal e a Taça da Liga graças ao trabalho de Cintra e Peseiro... ou o Sporting ganhou a Taça de Portugal e a Taça da Liga apesar do trabalho de Cintra e Peseiro?

A resposta certa será graças e apesar. Renan, jogador fundamental pelo que fez nos penáltis, foi contratado por Cintra a pedido de Peseiro. Bruno Fernandes, o jogador que acabou por ser o motor da equipa, foi recuperado por Cintra. E acaba aí o contributo positivo de ambos.

Avancemos para o resto. O Sporting conquistou os dois títulos apesar do plantel desequilibrado e carente de qualidade. É certo que não se pode culpar Cintra por haver tantos jogadores inúteis que transitaram da época anterior, mas podiam ter feito um esforço para tentar libertar alguns deles e abrir espaço para outros que efetivamente pudessem acrescentar valor. Podemos também falar dos erros de avaliação de Peseiro, que não achou necessário contratar um ponta-de-lança que competisse com Dost, que não achou necessário contratar Fábio Coentrão por achar que Jefferson era melhor, mas que deu o aval para que Cintra estourasse 5,5 milhões na aquisição do inútil Diaby - descrevendo-o na altura como o jogador mais rápido do futebol português.

(via @CantinhoMorais)
O Sporting conquistou o título apesar do futebol miserável que praticou até ao despedimento de Peseiro. Vale a pena recordar que a qualificação para a Taça da Liga ficou comprometida quando fomos derrotados em Alvalade pelo Estoril, da segunda divisão. A única coisa positiva que saiu dessa noite foi mesmo o despedimento do treinador. Ou a deprimente exibição em campo neutro com o Loures para a Taça de Portugal, bem ilustrada pela imagem da equipa técnica a olhar desesperadamente para o relógio na esperança que os ponteiros andassem mais depressa e evitassem o possível golo do empate de uma equipa que terminou a época em 7º lugar do grupo D do Campeonato de Portugal.

Para além da frase que podem ler na imagem, Peseiro queixou-se de ter sido maltratado no Sporting. Não, José Peseiro. O futebol do Sporting é que foi maltratado pelo treinador que teve - indeciso, inapto para liderar competentemente um grupo de jogadores, e incapaz de colocar a equipa a jogar um futebol minimamente decente.

Quanto a Cintra, é de um descaramento completo dizer que o Sporting podia ter sido campeão caso a direção de Frederico Varandas não tivesse feito as movimentações que fez. Essas movimentações, apesar dos constrangimentos de tempo e dinheiro, salvaram a época de uma tragédia apenas equiparável à de 2012/13. 

Volto a dizer: as circunstâncias em que Cintra entrou no Sporting não eram fáceis. Mas qualquer pessoa com um mínimo de bom senso e conhecimento do futebol seria capaz de fazer bem melhor.

terça-feira, 4 de junho de 2019

No caminho certo

A diretora executiva da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), Sónia Carneiro, revelou esta segunda-feira que a I Liga terá jogos às 12:45 e que as partidas à segunda-feira serão apenas reservadas para equipas envolvidas nas provas europeias.


"Criámos um novo horário, o das 12h45. Portanto, as equipas vão poder jogar também à hora de almoço. Mantêm-se os horários do ano passado e cria-se aqui um novo, há várias janelas para que as equipas possam jogar. Claro que o horário nobre será o das 20h00, mas acho que vai haver algumas surpresas durante a época", disse a responsável do organismo que rege as competições profissionais em Portugal.

Paralelamente, a dirigente da LPFP explicou a alteração da marcação de jogos à segunda-feira, estabelecendo como prioridade a realização dos encontros entre sexta-feira e domingo, ficando apenas o derradeiro dia para os clubes envolvidos nas competições europeias, nomeadamente a Liga Europa, cujos desafios se disputam à quinta-feira e precisam depois de cumprir o período obrigatório de descanso.

"Em relação aos horários, foi uma das alterações regulamentares esta época os jogos à segunda-feira deixarem de ser obrigatórios. Portanto, a janela de segunda-feira fica disponível para quando há equipas que jogam a meio da semana anterior, a fim de as equipas poderem cumprir as suas 72 horas de descanso. Os jogos à segunda-feira serão pontuais esta época", frisou.


in O Jogo



Após anos consecutivos em que os interesses dos adeptos que marcam na presença nas bancadas têm sido colocados no fundo das prioridades, é de saudar que a Liga esteja finalmente a dar alguns passos no caminho certo, ou seja, criando condições para fomentar o aumento das assistências nos estádios espalhados pelo país.

A questão de eliminar por completo os jogos às terças e quintas e reduzir os jogos às segundas até ao mínimo possível é positiva. Falta saber se aumentará a percentagem de jogos disputados à tarde - horário por excelência para levar mais famílias ao estádio - e se esses horários serão distribuídos de forma equitativa por todos os clubes.

Mas há mais que pode e deve ser feito, como, por exemplo, estabelecer limites nos preços que se cobram aos adeptos das equipas visitantes para evitar abusos como os que têm acontecido em determinados jogos. Ou, também, acabar com a prática de proibir adereços das equipas visitantes em certas bancadas de alguns estádios - quem paga bilhete tem direito a levar as camisolas e cachecóis que bem entender.

Que seja o primeiro passo de vários para trazer mais pessoas aos estádios deste país.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

As contas do 3º trimestre

Quando fiz a análise das contas do 1º semestre apontei três problemas essenciais que a SAD está a enfrentar:

1. A redução das receitas operacionais
2. A falta de ajustamento dos custos à previsível redução de receitas
3. As necessidades de tesouraria de curto prazo

São três questões que a atual administração da SAD pouco ou nada pôde fazer para evitar ou reverter, uma vez que entrou em funções apenas após o fecho do mercado de verão. É que, por um lado, as receitas ordinárias ficam definidas em meados de agosto, mais milhão menos milhão; por outro, os custos operacionais estão altamente dependentes da massa salarial do plantel, que fica fechado a 31 de agosto

Infelizmente, a Comissão de Gestão pouco fez para emagrecer o plantel sabendo que não havia Champions e que a venda de Gameboxes não acompanhava o ritmo de épocas anteriores. Não só deu aumentos incomportáveis a Dost e Battaglia, como, sobretudo, não se desfez de praticamente nenhum contrato de jogadores cujo rendimento desportivo fica muito aquém do custo financeiro. E ainda gastou praticamente todo o dinheiro que havia para investir em Diaby. À tragédia que vivemos no final da época passada, sucedeu-se a falta de competência de quem preparou 2018/19.

Isto tudo condiciona, como é óbvio, as contas do 3º trimestre da época. Os primeiros três meses de 2019 não podiam trazer quaisquer novidades em relação ao primeiro ponto, visto que a não qualificação para a Liga dos Campeões e a redução das receitas das gameboxes são fatalidades que não há forma de inverter com a época em andamento. O melhor que se pode fazer em relação a isso é agir em conformidade no segundo ponto, ou seja, ajustar o custo do plantel às receitas esperadas. Infelizmente, o momento certo para o fazer é entre junho e finais de agosto. A direção de Frederico Varandas fez o possível em janeiro, dispensando alguns atletas que auferiam vencimentos elevados e substituindo-os (ou não substituindo sequer) por outros com salários mais reduzidos - felizmente sem consequências desportivas nefastas, bem pelo contrário. O terceiro ponto acima referido, relativo às necessidades de tesouraria, foi temporariamente resolvido com a antecipação de 65 milhões de euros do contrato dos direitos televisivos. E digo temporariamente porque, para ser definitivo, é preciso adequar os custos às receitas sob pena de andarmos a alimentar consecutivamente défices nas contas e na tesouraria. 

Ou seja, começa agora o período onde poderemos efetivamente avaliar a capacidade da atual administração da SAD. O desafio não será fácil: aumentar significativamente a competitividade do plantel de 2019/20, ao mesmo tempo que reduz o seu custo.

Passemos então à análise dos números do 3º trimestre.


Receitas operacionais



A redução das receitas operacionais devem-se, principalmente, à não participação na Liga dos Campeões. Em 2017/18, os prémios da UEFA foram a principal fonte de rendimento da SAD. Em 2018/19, fruto da participação na Liga Europa, esse valor caiu para menos de metade. Para além disso, não participar na Liga dos Campeões reflete-se também nos direitos televisivos (por causa do marketpool da UEFA) e na bilheteira.


Detalhando a bilheteira, houve uma quebra de 650 mil euros na venda das Gameboxes e perdemos cerca de 1 milhão na bilheteira das competições europeias. Houve, no entanto uma recuperação ao nível das competições nacionais e um aumento ao nível dos camarotes e business seats.


Custos com pessoal

Em linha com os relatórios anteriores, o custo salarial do plantel é excessivo para as receitas existentes.


Apesar de terem saído alguns jogadores críticos no final da época passada e da redução de qualidade geral do plantel, continuamos a gastar ao mesmo nível de 2017/18. Mas olhando para o detalhe do custo dos salários trimestre a trimestre, os números ficam ainda mais surpreendentes:


No 1º trimestre, o custo do plantel foi mais baixo do que em 2017/18. Isso explica-se pelo facto de muitos dos reforços terem chegado tarde e por não termos pago os salários dos jogadores que rescindiram e mais tarde voltaram durante uma parte desse trimestre.

No entanto, no 2º trimestre, com o plantel completo, gastámos mais na época atual do que em 2017/18 - o que é inadmissível considerando a (falta de) qualidade do plantel. Pior: no ano passado o peso do salário de Jesus nos custos de pessoal era significativamente superior ao de Peseiro/Keizer.

No 3º trimestre houve uma redução significativa dos custos salariais, fruto das movimentações de mercado. Sem salários como os de Nani, Montero, Marcelo ou Bruno César, e reforçando a equipa com jogadores mais baratos como Luiz Phellype, Borja, Ilori ou Doumbia, foi possível baixar a folha salarial em mais de 2,5 milhões (o que corresponderia a 10 milhões anuais caso estas medidas tivessem sido tomadas no início da época).


Endividamento

Como se esperava, houve um aumento significativo do endividamento devido à antecipação de 65 milhões de receitas do contrato de direitos televisivos.


Destes 65 milhões, o clube ainda tinha cerca de metade em caixa (no ativo). A restante metade distribuir-se-á entre pagamentos a fornecedores e pagamentos à banca. Infelizmente, sendo este relatório uma imagem do estado das contas no dia 31 de março, não é possível saber ao certo no que é que o dinheiro foi aplicado. O que se pode ver é que, apesar de esta antecipação de receitas provocar um aumento de 65 milhões no passivo, o passivo total a 31 de março aumentou "apenas" 48,7 milhões em relação a 31 de dezembro. Ou seja, isto indicia que a outra metade do dinheiro da antecipação foi usado para abater outros passivos (a conta não é direta porque entretanto vão surgindo novos passivos, como, por exemplo, as contratações de Doumbia, Ilori, Borja, Plata e Matheus Nunes).


Notas finais

  • O Sporting apresentou um prejuízo de 5,9 milhões após ter registado um lucro de 6,4 milhões nas contas do 1º semestre. Era previsível, já que, não tendo havido encaixes significativos com vendas de jogadores em janeiro, o 3º trimestre é o pior em termos de receitas ordinárias.
  • O acordo por Gelson foi fechado após 31 de março, pelo que as mais-valias registadas ainda não entraram nestas contas.
  • Em contas por alto, parece-me que não será necessário vender até 30 de junho para ter contas relativamente equilibradas no final da exercício. No entanto, creio que será necessário fazer uma excelente venda no defeso de forma a financiar o reforço do plantel e assegurar o preenchimento das necessidades de tesouraria da época - para além, claro, de resolver a situação de jogadores como Viviano, Bruno Gaspar, Jefferson, Lumor, André Pinto, Ilori, Petrovic, Battaglia, Misic, Mattheus Oliveira, Diaby e Dost.