domingo, 22 de abril de 2018

Passo em frente, passo de gigante e um dia que desejamos que seja histórico

Passo em frente

Após ter sido derrotada no Pavilhão da Luz por uns concludentes 3-0 no jogo 1 da final de voleibol, a equipa do Sporting reagiu ontem da melhor maneira aplicando uma vitória também de 3-0 sobre o Benfica. Uma excelente exibição que não deu hipóteses de resposta aos atuais campeões nacionais a partir de meio do 1º set.

O jogo 3 é às 15h de hoje no Pavilhão João Rocha, numa partida que merece um pavilhão a abarrotar pelas costuras.



Passo de gigante

A equipa de andebol foi ao Dragão Caixa vencer o Porto por 30-27, em mais uma exibição categórica. Mesmo com as ausências de Carlos Ruesga e Ivan Nikcevic, a equipa comandada por Hugo Canela teve o controlo do jogo durante a maior parte do tempo e não abanou quando, a meio da segunda parte, o Porto conseguiu aproximar-se em alguns golos no marcador.

Ao contrário de anos anteriores, esta equipa parece psicologicamente inabalável. Em vantagem sabe controlar de forma perfeita o ritmo de jogo e mantém-se concentrada e coesa quando os adversários conseguem ganhar alguma embalagem.

Com a segunda vitória da época (e da história) da equipa de andebol do Sporting no Dragão Caixa, foi dado um passo de gigante rumo à conquista do bicampeonato. Seguem-se agora mais dois jogos de dificuldade máxima: vamos ao Flávio Sá Leite defrontar o ABC e recebemos o Benfica no João Rocha. Vencendo esses dois jogos, o Sporting garante matematicamente o título (só não se sagra campeão de imediato porque precisa de comparecer nos restantes jogos, já que as derrotas no andebol valem 1 ponto).



Um dia recheado de Sporting que poderá ser histórico

O Sporting receberá o Boavista às 20h30 num Estádio José Alvalade esgotado, mas essa partida está longe de ser o prato forte de um domingo recheado de emoções. Às 19h, o Sporting defrontará o Inter Movistar na final da UEFA Futsal Cup. O jogo pode ser acompanhado na Sporting TV, mas também nos ecrãs gigantes do Pavilhão João Rocha - um aliciante adicional para quem for apoiar a nossa equipa de voleibol no jogo 3 da final, às 15h.

Tragam de lá o caneco, rapazes!

sábado, 21 de abril de 2018

Que à terceira seja de vez!

O Sporting assegurou na tarde de ontem o apuramento para a final da UEFA Futsal Cup, ao vencer o Gyor por 6-1. Uma vitória confortável construída muito rapidamente graças a uma entrada demolidora no jogo, com destaque para a exibição de Alex Merlim. O mago marcou um golo e assistiu Cardinal noutros dois, tendo os restantes golos sido apontados por Cavinato, Diogo e Dieguinho.

O Sporting participará na sua terceira final nesta competição, e defrontará no domingo o Inter Movistar, ou seja, teremos uma reedição da final da época passada - mas que esperamos, obviamente, que tenha um desfecho bem diferente.

Fica aqui o resumo do jogo de ontem.



sexta-feira, 20 de abril de 2018

Todos os caminhos vão dar a Saragoça


A meia-final da UEFA Futsal Cup é já daqui a pouco, às 17h, com transmissão na Sporting TV. Força, rapazes! Vamos a mais uma final!


Minutos, minutos e mais minutos

O jogo do próximo domingo contra o Boavista encerra um período prolongadíssimo em que o Sporting teve que suportar um ritmo infernal de duas partidas por semana. A presença em fases bastante adiantadas (no caso das taças internas foi mesmo até ao fim) nas quatro frentes acaba, como é natural, por trazer dificuldades adicionais que o grupo de trabalho tem de ultrapassar, quer do ponto de vista da exigência da resposta física que os jogadores têm de dar, quer ao nível da qualidade média dos adversários que há para defrontar.

Só em 2018, o Sporting já realizou 26 partidas (duas das quais foram a prolongamento) para quatro competições diferentes, contra 21 do Porto e 15 do Benfica. São diferenças abissais com óbvias implicações físicas, mas também ao nível do foco no campeonato e da disponibilidade para treinar. 

Claro que estar envolvido em muitas competições é o cenário que qualquer treinador, jogador, dirigente e adepto deseja, mas não se pode deixar de olhar para os danos colaterais que esta intensidade competitiva causa numa equipa. No caso do Sporting, tem sido perfeitamente visível a infernal onda de lesões que tem vindo a dizimar o plantel. Ontem foi Piccini, que se junta a André Pinto, Podence, Bruno César, Rafael Leão e William Carvalho na enfermaria do departamento médico do Sporting, por onde também tiveram passagens prolongadas outros jogadores como Dost, Gelson, Coentrão, Doumbia ou Mathieu.

A exigência física a que os jogadores sportinguistas têm sido submetidos - nomeadamente em comparação com os rivais - acaba por ser bem traduzida no gráfico seguinte, que contém os jogadores mais utilizados do três grandes nesta época:


Excluindo Rui Patrício que, sendo guarda-redes, não entra nas contas na questão do desgaste, podemos ver que Coates, o jogador mais utilizado do Sporting, tem mais 37% de tempo utilizado que André Almeida, o jogador mais utilizado do Benfica.

No entanto, o que mais me impressiona neste gráfico é o tempo de jogo acumulado por Bruno Fernandes - que, jogando numa posição de enorme desgaste, tem conseguido manter um nível exibicional elevadíssimo - e também de Gelson, que consegue ser simultaneamente o maior desequilibrador individual do Sporting e um trabalhador incansável no apoio ao seu lateral.

Após o jogo com o Boavista, o Sporting cumprirá os quatro jogos que restarão (Portimonense, Benfica, Marítimo e Aves) ao ritmo de uma partida por semana. Acabará a época com 60 partidas oficiais realizadas, sendo que grande parte do plantel ainda somou mais uma série de jogos pelas respetivas seleções (de todos os jogadores do Sporting no gráfico acima, apenas Mathieu, Battaglia e Piccini não foram chamados para compromissos internacionais dos seus países).

A excelente prestação que o Sporting teve em todas as competições (com exceção do campeonato, onde, mesmo assim, ainda há uma minúscula esperança de reentrar na corrida), apesar dos constrangimentos que essa carreira implicou, acaba por servir de comprovativo do aumento de qualidade do plantel em relação à época passada. Não é um plantel perfeito - a lacuna do 2º avançado, por exemplo, tem sido complicada de suprir -, mas não me lembro de ver, de há muito tempo para cá, um plantel com tantas alternativas de qualidade para a maior parte das posições.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Imagens de uma noite memorável

Nada está ganho, mas a noite de ontem merece ser saboreada pelo importantíssimo passo que foi dado rumo a um objetivo que todos desejamos alcançar. Aqui fica um pequeno vídeo com algumas das imagens dos festejos que se seguiram ao apuramento para a final da Taça de Portugal.

Música dos Supporting.





No Jamor!

O Sporting garantiu a presença na final da Taça de Portugal numa partida particularmente complicada de descrever. Não foi um apuramento alcançado com brilhantismo, já que a exibição foi medíocre durante grande parte do jogo, mas, por outro lado, também não foi um apuramento injusto, considerando o que se passou a partir do momento que o Sporting passou a dominar as operações em campo. 

O Porto trouxe para Alvalade uma lição bem estudada e conseguiu, durante muito tempo, reduzir o jogo do Sporting a "joguinho". Felizmente, o Sporting soube (e bem) aproveitar os erros do adversário para, num esforço final, igualar a eliminatória e levá-la para um terreno onde se tem sentido muito confortável ao longo da época: o desempate por penáltis.




No Jamor! - depois da eliminação da Liga Europa e de se ter colocado numa situação em que a vitória no campeonato é pouco mais do que uma miragem, a vitória na Taça de Portugal é aquilo que separa uma época fracassada de uma época que poderá ser considerada positiva. Obviamente que nada está ganho e que o Aves é um adversário que deve ser respeitado - caso contrário sujeitamo-nos a uma surpresa muito desagradável -, mas não se pode relativizar a importância do apuramento que foi ontem conseguido contra um Porto moralizado pela posição privilegiada que ocupa para se sagrar campeão nacional e que partia para esta segunda mão da eliminatória em vantagem, e à distância de apenas um golo marcado para assegurar a presença na final. Mas no momento da decisão, os jogadores tiveram huevos, souberam aproveitar os erros dos adversários e fizeram aquilo que precisava de ser feito. Não foi um jogo bonito, mas ninguém se lembrará da qualidade da exibição quando, a 20 de maio, se der o pontapé de saída da final da Taça no Jamor.

O período em que o jogo virou - avaliando a estratégia que os dois treinadores montaram para a partida, não há quaisquer dúvidas de que Sérgio Conceição levou a melhor sobre Jorge Jesus: ao abdicar de um avançado para reforçar o miolo, conseguiu controlar quase por completo as tentativas de construção do Sporting, que só através de uma ou outra iniciativa individual de Gelson conseguiu abanar a organização portista. É verdade que isso levou também a que o Porto acabasse por criar pouquíssimas ocasiões de perigo, mas era algo com que podiam viver bem, pois o 0-0 era um resultado que lhes servia. Até que veio o período em que o jogo virou, a cerca de quinze minutos dos noventa, devido às substituições operadas pelos dois treinadores: não tanto pelo que Jesus fez - foi obrigado a meter Ristovski por causa da lesão de Piccini, que correu bem, pois a ala direita ganhou muito mais dinamismo, e lançou um Montero que pouco acrescentou no tempo regulamentar -, mas sobretudo pelas (más) alterações de Sérgio Conceição. Ao trocar Soares por Aboubakar perdeu por completo o ataque - o camaronês entrou muito mal e foi presa facílima para os centrais do Sporting - e ao tirar Octávio e Óliver perdeu o meio-campo. Pior, o facto de ter queimado as três substituições com o resultado em 0-0 acabou por lhe retirar margem de manobra para reagir a um eventual golo sofrido. O Sporting ficou por cima, fisicamente e psicologicamente, mesmo numa situação em que, teoricamente, tinha menos margem para errar do que o Porto. É claro que Sérgio Conceição (que para mim, ganhando o campeonato, será indiscutivelmente o treinador do ano) não podia prever o erro de Marcano, mas não devia ter queimado a terceira substituição e abdicar da hipótese de lançar Marega para explorar o contra-ataque. Com o desgaste acumulado, a velocidade do maliano seria uma arma muito difícil de conter. Ao Porto continuava a bastar conseguir um golo no prolongamento para resolver a eliminatória, mas as substituições retiraram por completo a capacidade de o procurar. 

Esforço e dedicação no prolongamento - por incrível que pareça, sabendo-se do desgaste acumulado pela disputa sucessiva de jogos de 3 em 3 ou de 4 em 4 dias, o Sporting conseguiu impor-se fisicamente ao Porto no prolongamento. Creio que a rede montada por Conceição e a pressão que os seus jogadores impuseram sobre o Sporting acabaram por ter consequências físicas que se começaram a notar a partir dos 70, 75 minutos de jogo - um pouco à semelhança do que já tinha acontecido no Sporting - Porto para o campeonato. De qualquer forma, isso não retira mérito aos nossos jogadores, pois não ficou gota de suor por transpirar nem reserva de energia por gastar. O esforço e a dedicação foram máximos e levaram-nos aos penáltis, onde a comprovada competência da equipa fez o resto.

3 em 3 - quando uma equipa vence três eliminatórias (duas na Taça da Liga e uma na Taça de Portugal) nos penáltis, não se pode falar em sorte. Rui Patrício desta vez não defendeu nenhuma bola, mas ao nível da marcação os jogadores chamados a bater estiveram irrepreensíveis. Lotaria, não. Isto é competência.



Jamor, aí vamos nós!

quarta-feira, 18 de abril de 2018

M*rdas que só mesmo connosco, nº 17: Not so fast, dutch boy

O jogo do passado domingo entre Belenenses e Sporting foi particularmente rico em casos polémicos e situações invulgares. Por exemplo, apesar de o VAR ter sido pouco utilizado até agora para esclarecer confusões em molhadas de jogadores na área, só neste jogo houve direito a dois penáltis assinalados neste tipo de situações. Mas o momento da noite - no que a acontecimentos bizarros diz respeito - foi outro. Não sigo de perto todos os campeonatos que já adotaram o VAR, mas arrisco a dizer que foi uma situação inédita no futebol mundial.

Aos 72 minutos, na sequência de uma marcação de um canto, Bas Dost é atingido numa disputa de bola com Yebda e cai ao relvado enquanto o jogo prosseguia. A bola é bombeada para fora das quatro linhas e André Moreira, guarda-redes adversário, chama a atenção para a necessidade de o holandês ser assistido. A equipa médica assiste Dost e leva-o para fora do relvado para a partida poder prosseguir.

Acontece que o jogo não seria imediatamente reatado. O árbitro é alertado pelo VAR para uma possibilidade de existência de falta na área, analisa as imagens, vê que a carga de Yebda foi com o cotovelo e assinala penálti a favor do Sporting. Mostra também cartão amarelo ao jogador do Belenenses pela falta dura, que era o seu segundo na partida e, consequentemente, dá-lhe ordem de expulsão.

Dost reentra no relvado, pega na bola para marcar penálti... mas Bruno Paixão mostra-lhe amarelo por não ter tido autorização para regressar para dentro das quatro linhas e ordena que saia de campo até o jogo ser reatado. Acontece que Dost é o marcador dos penáltis... e não podendo entrar antes de o jogo ser reatado, então não podia bater o penálti que o árbitro acabara de assinalar.


A decisão de Bruno Paixão é defensável segundo o que estipulam as regras, de acordo com o que disse o ex-árbitro Pedro Henriques. Um jogador que sai para ser assistido com a partida parada só pode reentrar depois do recomeço do jogo, mas, neste caso, há um outro pormenor que complica a situação: segundo as regras que entraram em vigor na temporada passada, um jogador que sofre uma falta que vale amarelo ou vermelho ao adversário que a cometeu, não precisa de sair após ser assistido. Ou seja, Dost não precisava de sair de campo receber assistência médica.

Acredito que não existam indicações específicas para como os árbitros deverão proceder em situações destas, mas parece-me claro que, segundo o espírito que está por detrás da implementação do VAR e da regra que permite a um jogador assistido manter-se em campo caso tenha sofrido uma falta merecedora de cartão, Dost deveria ter podido manter-se no relvado. Creio que terá havido aqui excesso de zelo por parte do árbitro.

Dost foi penalizado por sofrer uma pancada dura à margem das leis, foi duplamente penalizado quando foi obrigado a ficar de fora no reatamento do jogo, foi triplamente penalizado por ter visto cartão amarelo por regressar sem uma autorização do árbitro de que não deveria necessitar, foi quadruplamente penalizado por não poder assumir a sua função de principal marcador de penáltis da equipa, e foi quintuplamente penalizado por não ter tido a oportunidade de se aproximar de Jonas na lista de melhores marcadores. 

Mais uma daquelas coisas que só nos acontece a nós. Neste caso, foi apenas um episódio curioso que não chegou a ganhar dimensões trágicas... porque, felizmente para o Sporting, Bruno Fernandes é também um marcador de penáltis bastante jeitoso. Imaginem se tem falhado...


Para ler ou reler as restantes M*rdas que só mesmo connosco, carregar aqui: LINK.

terça-feira, 17 de abril de 2018

"Queremos bons e fortes rivais"

No passado sábado, em visita a Alcácer do Sal, o estadista que lidera os nossos vizinhos da segunda circular fez mais um discurso banhado de descaramento e hipocrisia. No seu estilo habitual, Vieira referiu que quer rivais "bons e fortes", que valorizem as vitórias do Benfica:


A oportunidade destas palavras é uma pequena maravilha, considerando que estamos a falar do presidente que inventou os acordos de cavalheiros que afastam jogadores dos adversários das partidas com o seu clube, como todos nos lembramos das exclusões sucessivas de Miguel Rosa e Deyverson. Uma violação descarada dos regulamentos que continua a ser prática corrente nos jogos do Benfica, olhando para aquilo que tem acontecido nas últimas partidas do campeonato.

Comecemos pelo que se passou na 28ª jornada:


Hurtado

O Benfica recebeu o V. Guimarães em jogo a contar para a 28ª jornada. Os visitantes não utilizaram um dos seus habituais titulares: Paulo Hurtado. O motivo da ausência do peruano foi a suspensão de um jogo que lhe foi aplicada por ter visto o 5º amarelo na partida anterior, ao tirar a camisola ao festejar um golo.


Sendo uma exclusão completamente desnecessária, não deixa de ser uma situação que vai acontecendo nos relvados portugueses com alguma frequência. Podemos lembrar-nos, por exemplo, de uma atitude idêntica de Gelson Martins, que ficou de fora do jogo com o Porto quando retirou a camisola após marcar o golo da vitória contra o Moreirense. 

O que não é tão normal é que Hurtado tenha conseguido, desta forma, ver-se excluído de um jogo com o Benfica... pela segunda vez nesta época. É que já na primeira volta também ficou de fora contra o Benfica porque iria ter um jogo da seleção... seis dias depois.


O V. Guimarães recebeu o Benfica no dia 5 de novembro. Hurtado tinha um jogo no Perú contra a Nova Zelândia no dia 11. Sendo uma partida importante para o apuramento para o mundial, não era propriamente um intervalo de tempo proibitivo que o impedisse de estar presente nas duas partidas. Já vi jogadores a ficarem de fora por chegarem aos clubes em cima da hora após compromissos internacionais disputados dois ou três dias antes. Jogadores a ficarem de fora de um compromisso importante dos seus clubes porque daí a seis dias vão ter um compromisso internacional... já não me parece uma coisa normal.


Amaral

Considerado por muitos o mais importante jogador do V. Setúbal, João Amaral também ficou de fora da receção ao Benfica, referente à 29ª jornada. Neste caso não houve qualquer explicação oficial por parte dos vitorianos, mas as notícias que foram veiculadas revelam um esquema bastante rebuscado.


Sendo uma notícia CM, vale o que vale, mas é factual que João Amaral foi utilizado na 28ª jornada e na 30ª jornada. Na realidade, o jogo com o Benfica foi a primeira e única partida da época em que o jogador não foi utilizado.

A ser verdade que o jogador tem um vínculo com o Benfica, este ainda não pode estar em vigor. O jogador não é emprestado pelo clube encarnado, e, como tal, o Benfica não podia forçar a sua ausência.

O que é facto é que, mais uma vez, o Benfica defrontou uma equipa estranhamente desfalcada.


Victor Andrade

O jogador Victor Andrade já foi atleta do Benfica, que continuam em posse de uma parte dos seus direitos económicos. Estranhamente ou talvez não, Victor Andrade estará de fora na 31ª jornada na receção do Estoril ao Benfica por ter sido expulso quando estava no banco de suplentes. O brasileiro foi titular em Portimão, tendo sido substituído aos 59 minutos. Um quarto de hora depois, foi expulso por protestos.



Não é novidade: na 1ª volta, Victor Andrade foi ininterruptamente titular no Estoril entre a 10ª e 17ª jornada... com exceção da 14ª jornada, quando o Estoril se deslocou à Luz. Nesse jogo, o brasileiro nem sequer foi convocado. Mais uma coincidência daquelas.

Certamente que terão existido outros exemplos idênticos ao longo da época, pois acordos de cavalheiros há muitos. Já nem entro pela legião de jogadores que a estrutura de Vieira contrata para emprestar, sabendo que poderão defrontar os seus rivais diretos mas não o próprio Benfica, nem sequer nos Tondelas da vida que jogam de pé na chapa contra Sporting e Porto mas se comportam que nem carneiros mansos quando jogam contra o Benfica.

É assim a Liga Portuguesa. Não bastam as influências na arbitragem e na disciplina, promiscuidade a rodos com clubes amigos, há também estes expedientes para enfraquecer os adversários. Isto é que é jogar forte em todos os tabuleiros.

E diz Vieira que gosta de adversários fortes. Deixa-me rir...

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Dor em direto




Paixão por Bruno

Sabendo da derrota do Benfica no clássico, o Sporting foi a jogo (que começou atrasado 13 minutos por demora dos jogadores do Belenenses em subir ao túnel de acesso - gostava de saber o que se terá passado) com o conhecimento de que dependia apenas de si para conseguir chegar ao 2º lugar. Esse importante pressuposto para o que resta da época impunha, obviamente, que a equipa saísse do Restelo com os três pontos no bolso.

Nesse sentido, o jogo não podia ter começado de pior forma: Bruno Paixão decide penalizar o Sporting com (mais) um penálti que não se assinalaria contra nenhum outro candidato ao título. A perder desde cedo, o Sporting reage categoricamente com um vendaval de futebol proveniente dos pés de Bruno Fernandes e vira o resultado, e levando dois golos de vantagem para o intervalo. Tentou adormecer o jogo na segunda parte, mas nem o Belenenses nem Bruno Paixão foram na cantiga: grande jogada pela esquerda na origem do 2-3 e novo penálti que ninguém assinalaria a Benfica ou Porto para o 3-3.

Valeu-nos a jurisprudência criada por Bruno Paixão na decisão do primeiro penálti para assinalar um penálti a favor do Sporting, que resolveria o jogo. Houve muito Bruno (Paixão), mas, felizmente, acabou por haver muito mais Brunão.




Brunão - mais uma exibição portentosa. O passe para o golo de Dost é de uma categoria assombrosa: tenso e com uma precisão milimétrica para facilitar a receção orientada do holandês. Assistência para Gelson. Participação na jogada do terceiro golo. E não tremeu na marcação do penálti. Para além de outras iniciativas de ataque deliciosas. Só não esteve perfeito num par de ocasiões de remate de que dispôs na área do Belenenses. Está com números estratoféricos que só surpreenderão quem não o vê jogar. Não deve haver sportinguista que não sinta uma arrebatadora paixão pelo Brunão.

A reação ao primeiro golo - depois de mais um penálti que só se marca contra o Sporting, a equipa não podia ter tido melhor reação. Não tardou a conseguir o empate e dispôs de variadíssimas oportunidades até alcançar a vantagem com que foi para o intervalo. Uma resposta que deve ser valorizada se considerarmos as dificuldades que o Belenenses causou recentemente a Benfica e Porto.

Bryan a 8 - não tendo estado ligado de forma tão direta aos golos, é justo que se refira o excelente jogo que fez. Enquanto 8, tem sido capaz de dar a ligação entre setores de que a equipa precisa e de dar os equilíbrios defensivos necessários, pelo menos enquanto não rebenta fisicamente. Está em muito boa forma.

A defesa de Patrício a segurar a vitória - Florent tentou cruzar, mas a bola seguiu caprichosamente para o canto superior oposto da baliza do Sporting. Entraria, não fosse a extraordinária defesa de Rui Patrício a desviar o esférico para a barra. Valeu dois pontos.



A arbitragem - felizmente, o Sporting ganhou, pelo que não me poderão acusar de estar a culpar a arbitragem para esconder um insucesso da equipa. Já vi este filme demasiadas vezes para achar que isto são apenas coincidências. Patrício bate com a mão em Yazalde no lance do primeiro penálti. É um facto, mas quantas vezes é que um guarda-redes, ao embater num adversário sem tocar na bola na pequena área num lance dividido, deram direito a penálti? Nomeadamente contra Benfica ou Porto? Ao contrário teria marcado? Nem pensar. Há duas semanas, em Braga, Matheus arriscou-se a partir a perna a Dost num lance idêntico e o árbitro mandou seguir. Vejo o penálti de Acuña sobre Licá e apenas me lembro do penálti que Artur Soares Dias não assinalou sobre Doumbia no Dragão. Disse que a UEFA o matava se assinalasse uma lance daqueles, que foi bem mais evidente do que este. É assim o futebol português, os protocolos vão sendo "construídos" em função do tipo de lances que vão acontecendo a determinados clubes. Outro exemplo ainda: o amarelo mostrado a André Pinto logo aos dez minutos: quantas vezes é que os árbitros toleram faltas para amarelo quando são cometidas no início? Nos jogos do Sporting é a regra... quando a primeira falta para amarelo é cometida por um adversário do Sporting. Em relação ao penálti sobre Dost, obviamente que Paixão não teve alternativa senão assinalá-lo, depois do que tinha decidido no penálti de Patrício - a cotovelada de Yebda foi bem mais ostensiva. Outra situação: Bruno Paixão não podia ter impedido Dost de ficar em campo após ter sido assistido nesse mesmo lance... porque foi assistido por causa de uma lesão provocada por um adversário que viu um amarelo por essa falta. Ou seja, Dost viu um amarelo injustificado por ter permanecido em campo após a assistência (quando na realidade não precisava de ter saído) e não pôde bater o penálti graças a esta absurda decisão de Bruno Paixão, que o manteve fora de campo. Felizmente, Bruno Fernandes marcou com sucesso o penálti, caso contrário estaria armado mais um caso gravíssimo.

Fonte: O Jogo

Há ainda a mão (indiscutível) de Ristovski no lance do terceiro golo. Quando o golo de Doumbia mal anulado contra o Feirense, o CA divulgou um pormenor importante em relação ao momento em que o VAR pode recuar na jogada:


Ora, já depois da mão de Ristovski, Bruno Fernandes pára a progressão para pensar o que vai fazer, e Dost lateraliza para Ristovski. São dois momentos em que a jogada não prossegue rapidamente na direção da baliza adversária. Não sei até que ponto é que isso constitui ou não o início de uma nova fase de ataque. Admito que não, e que o VAR deveria ter recuado até ao controlo de bola de Ristovski, mas fica a dúvida. O que tenho certeza é que não justificava tamanha revolta por parte do narrador do jogo (ver mais abaixo).

Incapacidade de gerir vantagens - a reação ao golo do Belenenses foi fabulosa. A vantagem de 3-1 ao intervalo era confortável, mas a verdade é que, mais uma vez, o Sporting deixou o adversário reentrar no jogo e chegar ao empate. Já tinha acontecido, por exemplo, em Vila da Feira: em poucos minutos o Feirense recuperou de 0-2 para 2-2. Abdicámos de atacar e convidámos o adversário a acampar no nosso meio-campo. Percebo a ideia de abrandar o ritmo, considerando o desgaste do jogo com o Atlético e o desafio da próxima quarta-feira com o Porto, mas não se pode cair no exagero - já devíamos estar mais que avisados para este tipo de situações.

A inenarrável narração da Sport TV - não me lembro de ver comentários tão facciosos num canal supostamente isento. Estive a investigar e constou-me que Rui Pedro Rocha tinha acabado de comer uns burritos estragados minutos antes de começar a emissão do Belenenses - Sporting, o que talvez explique tamanha azia. Tentou desesperadamente chamar a atenção para a falta de Patrício naquele que seria o primeiro penálti da noite; tentou lançar a dúvida sobre a falta de Yebda naquele que seria o único penálti a favor do Sporting; sugeriu que Patrício poderia ver o vermelho no primeiro penálti ("vamos ver que cartão vai mostrar a Patrício", disse ansiosamente), mas mais tarde sugeriria que Yebda poderia não ter visto amarelo no terceiro penálti ("ser penálti não é obrigatoriamente amarelo", disse desanimado); e sobretudo, pelas inúmeras vezes que chamou a atenção para uma mão de Ristovski no terceiro golo do Sporting. Enquanto não perdia uma oportunidade para relembrar esse lance, conseguiu não reparar que a decisão de manter Dost fora de campo no penálti batido por Bruno Fernandes é ilegal. Eu ainda sou do tempo em que os comentadores da Sport TV evitavam falar de arbitragem para não desvalorizar o produto. Burritos estragados à tarde, e pastéis de Belém estragados à noite. Não foi fácil o dia de Rui Pedro Rocha.



Jogo de loucos que nos permitiu aproveitar os pontos perdidos pelo Benfica. Neste momento, apenas dependemos de nós para chegar ao 2º lugar. Não sendo "o" objetivo, não deixa de ser um objetivo importante para o Sporting por causa do acesso à Champions.