sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Há hábitos piores para se ter

É verdade que o Qarabag é tudo menos um colosso europeu, é um adversário contra quem tínhamos obrigação de vencer em casa, mas pode ser uma equipa chata - como se pode avaliar pela sua participação na Liga dos Campeões em 2017/18, quando empataram por duas vezes com o Atlético Madrid e venderam caras as derrotas tangenciais contra a Roma. Ontem, foi precisamente isso: uma equipa chata com qualidade suficiente para segurar um Sporting que não entrou particularmente preocupado em resolver rapidamente o jogo: a primeira parte foi bastante pobre, com sinais de melhoria nos últimos dez minutos que depois teriam sequência na segunda parte.

Na realidade, aquilo que se passou ontem para a Liga Europa não foi diferente do que tem sido a tendência neste início de época: mais uma vez, o Sporting fez uma exibição globalmente pouco entusiasmante; mas no final saiu com um resultado positivo. Jogar pouco e ganhar. Há hábitos piores para se ter.



As jogadas dos golos - a verticalidade do primeiro golo (com uma maravilhosa assistência de Nani) e a raça do segundo (com o bónus da maldade de Montero) valeram bem o custo do bilhete.

Valores emergentes - Raphinha foi mais uma vez fundamental, com um golo e uma assistência, e não há dúvidas de que ganhou um lugar no onze. Jovane, entrando apenas a cinco minutos do fim, parecia condenado a ter o seu primeiro jogo sem ter um impacto importante no resultado (penálti sofrido contra o Moreirense, assistência contra o V. Setúbal, Golo contra o Feirense, penálti sofrido contra o Marítimo), mas fez bom uso do tempo que lhe deram com mais um golo. Dois valores emergentes que, para além da posição, partilham uma característica fundamental: gostam de aparecer em zonas de finalização.

Acuña na lateral - é um upgrade claro em relação a Jefferson, muito mais fiável a defender e muito mais agressivo no um contra um. Apesar de ter jogado a lateral, parece-me que apareceu mais vezes em funções ofensivas do que nas ocasiões em que jogou a extremo. Espero que seja para se manter ali.



A lesão de Mathieu - depois de uma ausência de várias semanas, voltou a lesionar-se ontem. Que não seja grave.

Distrações a mais - houve demasiados momentos de desconcentração que, felizmente, não tiveram consequências graves. Defensivamente, as únicas oportunidades do Qarabag nasceram de ofertas nossas (Coates e Gudelj). Ofensivamente, tivemos ocasiões soberanas para marcar que não foram aproveitadas por falhas de entendimento que não deviam acontecer.



Missão cumprida no arranque da Liga Europa. Na próxima jornada espera-nos uma viagem à Ucrânia onde poderemos dar um passo gigante para o apuramento para a fase seguinte.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Tudo bem feito

O jogo não foi grande coisa, mas as jogadas que estiveram na origem dos dois golos valem o preço do bilhete. O primeiro pela verticalidade e objetividade da circulação de bola entre Mathieu, Bruno Fernandes, Nani e Raphinha, o segundo pela raça de Acuña e Montero a recuperarem a bola, e a classe do colombiano para desembaraçar do adversário - Raphinha e Jovane fariam (também muito bem) o resto.

Aqui ficam os golos. Vale a pena rever.



O onze para o Qarabag

Apesar de estar convencido de que José Peseiro colocar a carne toda no assador mais logo (ou quase toda), gostaria que o treinador pensasse o jogo com o Qarabag de forma integrada com a deslocação a Braga e que o aproveitasse para fazer determinadas apostas com vista para o futuro.

Para mim a Liga Europa é uma competição descartável, mas compreendo que haja interesse do clube em fazer uma carreira digna e tão longa quanto possível - quanto mais não seja para manter a dinâmica de vitória que se tem criado neste arranque de época.

Avançaria, por isso, com um onze de compromisso entre a necessidade de amealhar três pontos ao mesmo tempo que se precavê o jogo de Braga e a rodagem do plantel:

Guarda-redes: Peseiro pediu Renan por causa do jogo de pés e do controlo de profundidade que o brasileiro possui. Salin tem estado à altura das exigências, mas creio que todos temos a noção de que não é visto como uma solução definitiva. Parece-me, por isso, que esta é uma boa oportunidade para Renan se estrear de leão ao peito (aliás, já o podia ter feito contra o Marítimo).

Lateral esquerdo: considerando que será uma questão de (pouco) tempo para que Gudelj assuma a titularidade - pois tem qualidades de que o nosso meio-campo necessita urgentemente - e que Sturaro será também uma alternativa de peso, fica claro que Acuña terá que ser desviado para a lateral se quiser continuar a jogar com frequência. É uma alteração que se impõe, por todos os motivos que se conhecem. Esta seria, por isso, uma boa oportunidade para colocar Acuña a jogar na posição onde será mais útil à equipa. Está visto que Lumor não conta para o totobola, pois nem sequer foi convocado.

Centrais: dar descanso a Coates e lançar Mathieu, que não joga desde a 2ª jornada.

Médio centro: O Sporting precisa de Gudelj, mas Gudelj precisa de ritmo competitivo. A titularidade hoje faria bastante sentido - considerando o nível do adversário, não me parece que haja grandes riscos em lançar o sérvio no onze para fazer pelo menos 60 minutos.

Segundo avançado / médio ofensivo / extremo: Nani vem de uma lesão e caso não jogue hoje, ficará três semanas sem competir até à data do jogo de Braga. Como tal, parece-me importante que tenha alguma rodagem hoje. Eu aproveitaria para descansar Raphinha para 2ª feira e lançaria Diaby.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

O fim da redoma

Conforme tinha prometido durante a campanha, Frederico Varandas levou dois jogadores da equipa sénior ao Polo EUL: Bruno Fernandes e Miguel Luís. Foi a primeira visita de uma rotina que se prevê ser mensal. O presidente também anunciou que todos os jogadores do Polo EUL terão bilhetes para ver a partida de amanhã frente ao Qarabag.

Já era mais que tempo de se acabar com a redoma que Jesus criou à volta do plantel e começar a "partilhá-lo" um pouco com o universo sportinguista. Escrevi sobre esta questão há cerca de um ano (LINK) e fico muito satisfeito por ver finalmente essa desblindagem a concretizar-se.

Uma pequena medida que terá certamente um enorme significado para os miúdos que sonham um dia chegar à equipa principal, e que espero que se estenda a escolas do ensino básico (de preferência também com o Jubas a acompanhar os jogadores) e, havendo possibilidade, às academias do Sporting de norte a sul do país que se situem perto de locais onde a equipa vá jogar. 

Aqui fica a reportagem da Sporting TV sobre a visita de ontem.



terça-feira, 18 de setembro de 2018

The lone gunman

De acordo com uma hilariante "nota à comunicação social" emitida no final da tarde de ontem no site do Benfica, Paulo Gonçalves deixou de ser assessor jurídico do clube. Vale mesmo a pena ler:


O ponto alto desta nota riquíssima de conteúdo é a patética tentativa de convencer o povo de que o processo judicial em que Paulo Gonçalves está envolvido em nada está relacionado com as suas funções na SAD benfiquista: aparentemente o autor deste comunicado esqueceu-se de que a Benfica SAD é acusada nesse mesmo processo. Pelos vistos a amnésia que afligiu o presidente está a espalhar-se pela hierarquia abaixo.

Aliás, só mesmo um caso agudo de perda de memória é que pode explicar a mudança de atitude do Benfica face a Paulo Gonçalves. Há apenas pouco mais que uma semana, uma fonte oficial do clube disse ao Expresso que deixar cair Paulo Gonçalves seria uma admissão de culpa.

(via @paulamargarida_)

Depois do esforço narrativo de transformar Paulo Gonçalves num mero colaborador da SAD - apesar de falarmos de alguém que representou o Benfica variadíssimas vezes em instâncias relevantes -, o gabinete de crise passou para a fase seguinte: numa altura em que começa a ser cada vez mais evidente que as provas são avassaladoras, tentam vender ao público que o ex-assessor é uma espécie de lone gunman, que planeou e executou sozinho um plano do qual o Benfica não retirou qualquer benefício - isto apesar de estarmos a falar da estrutura que está dez anos à frente, apesar do mais que conhecido percurso profissional pré-Benfica de Paulo Gonçalves, apesar de os mails comprovarem que Vieira sempre teve perfeito conhecimento da existência dos meninos queridos e das borlas que Paulo "Rei das Borlas" Gonçalves lhes dava no "interesse exclusivo do SLB".


Não tardará muito que o surto de amnésia continue a deslizar hierarquia abaixo até se espalhar pelos adeptos benfiquistas. Da mesma forma que ninguém se lembra de ter votado em Vale e Azevedo, serão poucos aqueles que num futuro próximo se lembrarão de que Paulo Gonçalves foi um dos braços direitos de Vieira durante cerca de 11 anos. Idiossincrasias de uma massa associativa que criou petições para destituição da direção quando Jonas estava na porta de saída, mas que se tem mantido em silêncio desde que a SAD foi formalmente acusada de corrupção.

Desde que a equipa de futebol vá ganhando, está tudo bem.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A entrevista de Artur Torres Pereira

Artur Torres Pereira abandonou funções no domingo e não perdeu tempo a fazer publicamente o balanço do seu curto mandato de presidente do Conselho de Gestão e administrador da SAD. Ainda não teriam passado 24 horas após ter cessado funções, e deu entrevistas ao Record e à A Bola que foram publicadas na terça-feira.  como o Record publicaram ontem entrevistas com o ex-presidente do Conselho de Gestão. Só tive oportunidade de ler a última e tenho alguns comentários a fazer em relação a alguns dos tópicos abordados.


O litígio com os jogadores que rescindiram

A Comissão de Gestão entendeu fazer um esforço para recuperar alguns dos jogadores que rescindiram. Resgatar Bruno Fernandes, Bas Dost e Battaglia foi uma atitude polémica - que poderá ser enterrada de vez ou novamente reacendida assim que forem conhecidas as contrapartidas dadas a jogadores e empresários no momento do seu regresso -, mas ninguém pode colocar em causa que foi muito vantajosa do ponto de vista desportivo e financeiro.

Agora, não vejo qual é a utilidade de Torres Pereira estar publicamente a dizer que o caminho a seguir no litígio com os restantes jogadores é a negociação com os clubes - e muito menos na linha do que fizeram com o Bétis, que terminou com a cedência de William por valores abaixo daquilo que seria razoável exigir. Mas o pior é ter definido um objetivo de 100 milhões, que me parece claramente insuficiente - pode corresponder mais ou menos ao somatório valor de mercado dos atletas em causa, mas não é suficientemente punitivo para quem se aproveitou da situação em que o clube se viu metido.

Se aceitarmos uma resolução apenas pelo valor do mercado, estaremos a incentivar os futuros GelsonsPodences e Leões a rescindirem sem justa causa assim que quiserem voar para outras ligas, em conluio com os Mendes e os Wolverhamptons da vida. Não me parece definitivamente uma boa mensagem a passar para dentro e para fora do clube.


A presença na tribuna da Luz


Torres Pereira não está arrependido de ter marcado presença na tribuna presidencial do estádio da Luz. O argumento que utiliza é que não aceitou nenhum convite do Benfica por se terem ocupado lugares que, segundo os regulamentos da Liga, são um direito do clube visitante.


Balelas.

Está escrito em algum ponto do regulamento que os dirigentes visitantes têm de dar entrevistas ao canal do clube da casa? Está escrito em algum ponto do regulamento que os dirigentes visitantes devem receber uma salva em honra a um bom relacionamento entre os clubes que é insultuoso para qualquer sportinguista com o mínimo de memória?

A argumentação de que "os clubes têm de se entender por causa das receitas de que necessitam sejam geradas por uma indústria transparente"... é um disparate completo, considerando que do outro lado estava um clube metido em inúmeras suspeitas (e agora uma acusação) que fazem pressupor uma atitude que é tudo menos transparente. Um clube cujo presidente prometia, semanas antes, que iria fazer uma pequena loucura para ir buscar jogadores que tinham rescindido. Um clube que, há poucos anos, conspirou para nos tirar Bruma. Um clube que tem feito uma campanha ininterrupta contra dirigentes e funcionários do Sporting. Que espiou processos judiciais que apenas diziam respeito ao Sporting. Que alegadamente aliciou jogadores adversários para perderem e tirarem um título que o Sporting merecia pelo que fez em campo. Que tem um plano para dominar o futebol português nos bastidores em todas as suas vertentes.


Os empréstimos de Geraldes, Palhinha e Matheus


Daquilo que levou às saídas de Francisco Geraldes, João Palhinha e Matheus Pereira só conhecia as versões dos jogadores e a versão de José Peseiro. Não estava lá, pelo que com  não posso ter a certeza do que se terá passado. Admito que pode ter havido um desfasamento entre as expectativas dos jogadores e o papel que o treinador estava disponível para lhes dar. Perante essa diferença, os jogadores terão pedido para sair e o seu desejo foi-lhes conseguido.


Sendo jogadores da casa e, sobretudo, tendo qualquer um deles mais qualidade do alguns que permanecem no plantel, penso que deveria ter havido um esforço maior de dirigentes e equipa técnica para os manter. Ainda assim, não sabemos se algum deles terá tomado alguma atitude mais impensada que tenha tornado impossível um entendimento com o treinador.

Não tendo eu conhecimento suficiente para concluir quem terá razão, apenas tenho uma coisa a dizer: não me parece que Torres Pereira devesse ter falado sobre isto apenas após a sua saída. Enquanto administrador da SAD, não lhe faltaram ocasiões para o fazer - aliás, os sportinguistas teriam agradecido os esclarecimentos -, mas guardar para depois da sua saída comentários sobre o assunto que acabam por pôr em causa o profissionalismo de ativos do Sporting parece-me uma atitude pouco corajosa e pouco responsável.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Fake News Clube de Portugal

Depois de uma campanha eleitoral que nos ofereceu demasiados casos de rumores, mentiras e manipulação de informação, os primeiros dias pós-eleições nao têm ficado atrás: têm sido particularmente férteis ao nível das polémicas criadas e alimentadas nas redes sociais sobre a direção que os sócios escolheram no último sábado.

No domingo, dia em que os novos órgãos sociais tomaram posse, estiveram presentes na cerimónia duas ex-funcionárias do Sporting do tempo de Godinho Lopes. Apesar de a tomada de posse ser uma cerimónia aberta ao público, isso foi o suficiente para que muita gente dissesse que essas duas ex-funcionárias estavam de volta ao clube e que isso comprovava que o godinhismo estava de regresso - apesar de não haver qualquer prova que efetivamente sustentasse essa tese.


Outro rumor que circulou na segunda-feira foi a contratação do jornalista Pedro Sousa como novo diretor de comunicação do Sporting. Nunca cheguei a perceber de onde partiu esse boato, mas suspeito que tenha sido uma conclusão que surgiu a partir da comparação dos homens do futebol de Godinho Lopes com os de Frederico Varandas: como havia vários pontos em comum (uns factuais, outros nem tanto) entre as duas estruturas, então alguém terá chegado à conclusão disparatada (ou mal intencionada) de que Pedro Sousa também estaria de volta... e começou-se a falar disso como se de um dado adquirido se tratasse. Devo dizer que aprecio Pedro Sousa como jornalista, mas não vejo qualquer espaço para o seu regresso ao Sporting - considerando o prolongado contencioso que tem com a SAD e, pior, pelo facto de se ter sabido através do processo Lex que houve um pedido de José Veiga a Rui Rangel para agilizar esse processo judicial a favor de Pedro Sousa. A sua entrada afetaria negativamente a confiança de muitos sócios nesta nova direção, pelo que não me parece haver qualquer fundo de verdade nesta possibilidade. O tempo o dirá.

Mas o dia de ontem conseguiu ser ainda mais rico na geração de boatos. Começou com uma interpretação incorreta de uma frase de António Salvador (que podem ver na imagem à esquerda). Houve quem a visse como uma provocação a Varandas e ao Sporting (pelo uso da palavra desertor) e exigisse de imediato uma resposta do clube, quando, na realidade, essa frase de Salvador era dirigida às jogadoras que no defeso trocaram o Braga pelo Benfica.

Continuou com uma outra notícia do jornal O Jogo, que incluiu o nome de Pedro Silveira na lista de elementos dos órgãos sociais em funções. Foi o suficiente para se gerar de imediato um clamor de indignação, apesar de ser fácil verificar que se tratava de uma informação falsa: bastava recordar que Pedro Silveira não esteve presente na tomada de posse ou, em alternativa, consultar a página dos órgão sociais do site do Sporting para desmontar o erro.

Seguiu-se, depois, um boato de que Varandas vai ganhar 30.000 euros mensais como presidente do Sporting. Mais uma vez, algo que é muito improvável e sem qualquer fonte que o suporte, mas nem por isso se deixaram de tocar as sete trombetas do apocalipse.


Depois, foi a revolta pelo facto de Varandas ir nomear Artur Torres Pereira como administrador da SAD, por causa de uma ata de uma AG da SAD - mas que dizia respeito à nomeação de elementos do CG para a SAD em junho. Como é óbvio, mais um rumor sem qualquer ponta de verdade e que nem devia ter chegado a ser tema: Varandas foi o único candidato que, na campanha, indicou detalhadamente a composição do seu Conselho de Administração da SAD e Artur Torres Pereira, evidentemente, nunca foi um desses nomes.

O dia não terminaria sem a partilha em massa de um suposto post de Nélson Pereira em que se defendia acerrimamente a direção anterior... mas que o próprio Nélson Pereira, pouco tempo depois, acabaria por desmentir ser seu.

São coisas que, por si só, não têm grande importância. Mas a verdade é que, em conjunto, têm gerado demasiado ruído ao longo destes dias, alimentados sobretudo por sportinguistas que se recusam a aceitar a legitimidade desta nova direção. Entendo a frustração pelo desenrolar dos acontecimentos, mas não consigo encontrar outra justificação para esta propagação sistemática de mentiras que não seja o intuito de se criar um clima de instabilidade que... não se percebe bem a quem poderá ser útil. Ao Sporting não será de certeza.

Como não é previsível que essa postura mude em breve, resta aos sportinguistas (pelo menos aqueles que estão dispostos a dar o benefício da dúvida à nova direção) serem mais criteriosos na escolha das suas fontes e terem o cuidado de cruzar informações quando surgir alguma revelação que cheire a esturro.

A mim, o que me parece, é que os promotores desta enxurrada de fake news estão a fazer exatamente aquilo que criticavam (e com razão) na campanha negativa levada a cabo pela oposição que, no primeiro mandato de Bruno de Carvalho, foi designada por sportingados. Quanto tempo faltará para começarem a pagar outdoors na segunda circular com imagens de fivelas?

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Incubadora com vista para o sonho

A Sporting TV fez ontem uma reportagem sobre o arranque de temporada no Polo EUL, casa dos escalões mais jovens da formação de futebol. É um mundo desconhecido da maioria dos sportinguistas - confesso que apenas me apercebi efetivamente da sua existência há algumas semanas, quando foi tema da campanha do recém-eleito presidente - que alberga as nossas equipas de formação até aos 13 anos de idade, mas que, apesar da sua proximidade física ao coração do clube, não tem tido a devida integração no universo leonino.

Para se ter uma ideia do isolamento, há alguns anos que o canal do clube não se deslocava ao local, bem como a realização de visitas de jogadores da equipa profissional de futebol. Uma realidade que, felizmente, deverá mudar para melhor ao longo da época que agora começa.

Vejam a reportagem: são cinco minutos imperdíveis com momentos de sportinguismo no seu estado mais puro.



segunda-feira, 10 de setembro de 2018

As contas de 2017/18

O Sporting divulgou no sábado as contas referentes à época de 2017/18: o exercício culminou com um prejuízo de 19,9 milhões de euros, que contrasta profundamente com o lucro 30,5 milhões obtidos em 2016/17. Não é um resultado surpreendente, considerando os números que já se conheciam do 3º trimestre (1 milhão de euros de lucro) e a ausência de vendas significativas de jogadores até 30 de junho.

O prejuízo poderia ter sido bastante maior caso não se tivessem revertido as rescisões de Dost, Bruno Fernandes e Battaglia, que, de todos os jogadores que abandonaram o Sporting, eram os que tinham valor contabilístico mais elevado (todos os outros ou eram jogadores da formação ou foram adquiridos por valores reduzidos). Os três jogadores eram ativos que estavam avaliados nas contas em 18 milhões de euros e, caso não tivessem regressado, o prejuízo dispararia para 37,9 milhões de euros.

As perdas de 19,9 milhões explicam-se pelo facto de a época ter terminado da forma que todos conhecemos. A direção de Bruno de Carvalho atacou 2017/18 assumindo um nível de risco superior ao nível das contas, que se traduziu num crescimento significativo dos custos com a equipa de futebol graças a várias contratações de jogadores com salários elevados, que se juntaram a um plantel que já era caro. O risco aumentou, mas era calculado: a venda de Adrien no início da época e a boa prestação na Liga dos Campeões deram algum desafogo financeiro, pelo que para atingirmos o lucro bastaria vender mais um dos jogadores principais do plantel - o que acabou por não acontecer por tudo aquilo que sabemos.


PROVEITOS OPERACIONAIS

Ao nível dos proveitos operacionais, registou-se a continuidade da evolução positiva registada ao longo dos últimos anos. 


O principal aumento deu-se ao nível dos prémios da UEFA. As receitas de bilheteira também tiveram um crescimento interessante, mas acabam por estar também ligados às competições europeias - nomeadamente com as visitas de Barcelona, Juventus e Atlético Madrid. Pela negativa, assinale-se a estagnação ao nível dos camarotes e business seats, um segmento que, claramente, continua num estado de sub-aproveitamento.


CUSTOS OPERACIONAIS

Os custos com pessoal dispararam para 73,8 milhões de euros, um valor que me parece excessivo face ao nosso nível de receitas operacionais. Os salários de jogadores e equipa técnica praticamente que triplicaram no espaço de quatro épocas.


Sousa Cintra revelou no sábado que cortou 10 milhões ao nível dos custos com pessoal. Considerando que nos vimos livres do salário de Jorge Jesus e perdemos alguns dos jogadores mais bem pagos do plantel (como Patrício e William), não me parece uma grande proeza. De qualquer forma, sendo verdadeiros esses números, é expectável que os custos com pessoal baixem para a ordem dos 60-65 milhões - um valor mais aceitável para a nossa realidade.


RESULTADOS

Apesar de o Sporting ter apresentado resultados operacionais positivos (3,5 milhões), a verdade é que sem as receitas da Liga dos Campeões e sem as mais-valias das vendas de jogadores teríamos prejuízos operacionais de 50 milhões. 


Em relação a 2018/19, já sabemos que não teremos Liga dos Campeões e que as vendas de Gameboxes diminuíram; em contrapartida, as receitas televisivas deverão aumentar com a entrada em vigor do contrato da NOS, já fizemos algumas vendas que geraram algumas mais-valias (William e Piccini) e haverá o tal corte de 10 milhões ao nível dos custos com pessoal. Isto significa que continuaremos a estar mais dependentes de vendas de jogadores do que seria desejável.


ENDIVIDAMENTO

É das poucas boas notícias que este relatório e contas tem para oferecer. Apesar de tudo o que se passou, a dívida total (onde incluo as receitas antecipadas) baixou de 148,8 milhões para 131 milhões.


Detalhando a parte da dívida correspondente às receitas antecipadas, a 30 de junho a SAD tinha antecipado cerca de 49 milhões de euros. Fica abaixo dos 60 milhões que Ricciardi referiu, mas é possível que tenha havido recurso a mais antecipações entre julho e setembro.



AQUISIÇÕES

Raphinha custou 6,5 milhões por 100% do passe. Não foram pagas comissões. O Sporting terá de entregar 20% das mais-valias de uma venda futura (assumo que ao V. Guimarães, o relatório e contas não é explícito quem tem esse direito).

Bruno Gaspar custou 4,5 milhões por 100% do passe, a que se soma 236.000 euros de outros encargo.

Viviano custou 2 milhões por 100% do passe. Não foram pagas comissões.

Marcelo foi uma contratação a custo zero, mas o Sporting gastou 500.000 euros noutros encargos.

domingo, 9 de setembro de 2018

Presidente Varandas

Os sócios expressaram a sua vontade nas urnas e escolheram Frederico Varandas para liderar o clube nos próximos anos.

A minha primeira palavra vai, no entanto, para João Benedito: foi um senhor na forma como reagiu aos resultados e, apesar de não ter conseguido atingir o objetivo a que se propunha, deu mais que provas de ser um recurso muito válido para o futuro do clube. Foi o candidato que teve o apoio de mais sócios, mas foi penalizado por não ter conseguido penetrar nos eleitores com mais anos de filiação. Pelo nível da campanha que liderou e pela confiança que conseguiu inspirar em tantos sportinguistas, fico com a certeza (e confiança) de que a sua história no Sporting ainda terá capítulos por escrever.

Uma palavra de respeito para as campanhas de Dias Ferreira, Fernando Tavares Pereira e Rui Rego. Nunca considerei votar nas suas listas, mas valorizaram a campanha e tiveram a coragem de as levar até ao fim mesmo perante sondagens pouco motivadoras.

Os resultados demonstraram que esta votação foi uma corrida a dois. Foi sempre uma corrida a dois, apenas houve a ilusão de que seria uma corrida a três graças a uma estratégia de desinformação que procurou enganar e baralhar os sócios menos atentos. Apesar de os 14,55% obtidos (correspondentes a 11,58% dos sócios) por Ricciardi terem alguma expressão, foi dado um sinal muito claro de que os sportinguistas têm memória e não querem ter de regresso uma linhagem que tanto mal fez ao clube.

Por falar em memória, encerra-se em definitivo o capítulo Bruno de Carvalho, mas a história deverá lembrar tudo o que fez ao longo destes cinco anos e não apenas as infelizes decisões e algumas inqualificáveis atitudes que tomou nos últimos meses. Ainda é preciso apurar o que realmente aconteceu na Academia e no caso Cashball para se perceber como deverá ser recordado para a posteridade, mas não podemos esquecer-nos que Bruno de Carvalho deixou o clube em muito melhor estado do que o que encontrou: desenvolveu-o ao nível da competitividade desportiva, do ecletismo, do património, da saúde financeira, da transparência, e do envolvimento dos sócios na vida do Sporting. O que agora precisa é de restabelecer a sua saúde e cuidar da sua família. O que definitivamente não precisa é de que lhe continuem a alimentar a ilusão de que é uma espécie de Dom Sebastião cujo destino é resgatar o clube das garras dos usurpadores.

Houve um virar de página que resultou de uma clara vontade dos sócios, expressa de forma massiva em duas ocasiões diferentes.

Foto: Paulo Calado / Record
Os sportinguistas escolheram Frederico Varandas, que terá um conjunto de enormes desafios pela frente. Não podendo influenciar decisivamente o decurso da época desportiva, terá de virar as agulhas para a preparação do clube para os desafios que virão depois: reorganizar e profissionalizar todas as áreas do clube, desportivas e não desportivas, concretizar a recompra das VMOCs e dar sequência à reestruturação da dívida do grupo. São dificuldades que devem ser encaradas como oportunidades para cimentar a sua liderança, pois, por se tratarem de metas ambiciosas e de difícil execução, terão seguramente um impacto positivo junto dos sócios e adeptos que têm maiores dúvidas sobre a sua capacidade para ser presidente. Não existe melhor promotor de união do que a competência, bom senso e amor ao clube. Tenho confiança que a equipa liderada pelo novo presidente terá estas qualidades e que os sportinguistas terão a capacidade de as reconhecer.

Boa sorte, presidente!