segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Um ano de Varandas

Foto: Expresso
Cumpriu-se ontem um ano desde que a direção liderada por Frederico Varandas tomou posse. É justo reconhecer que a tarefa era, à partida, de uma tremenda dificuldade: encontrando um clube completamente fraturado, com graves problemas desportivos e financeiros por resolver e pouco ou nenhum tempo para o fazer, foi, provavelmente, a primeira direção que não teve direito a qualquer período de estado de graça, tendo sido fortemente e ruidosamente contestada desde o primeiro dia.

É, por isso, uma boa altura para se fazer um balanço do trabalho desenvolvido. Até que ponto as expetativas criadas e as promessa feitas foram cumpridas? Aqui fica a minha avaliação pessoal sobre o desempenho nas diferentes áreas (de 1 a 5 estrelas).


Títulos do futebol (****)

A finalidade de um clube como o Sporting é vencer e, considerando todos os constrangimentos conhecidos, é justo reconhecer que esta primeira época de Varandas superou as expetativas iniciais da maior parte dos sportinguistas no que aos títulos do futebol profissional diz respeito. 

É verdade que não jogámos de forma dominadora nos momentos decisivos da Taça de Portugal e da Taça da Liga, mas sempre ouvi dizer que as finais não são para se jogar... são para se ganhar. E mesmo tendo sido ambas conquistadas nos penáltis, convém lembrar que o percurso foi repleto de dificuldades: eliminámos o anfitrião nas meias-finais da Taça da Liga e o Porto na final, sendo obrigados a recorrer a Petrovic como central com o nariz partido; e eliminámos o Benfica nas meias-finais - com uma segunda mão de excelente nível - e o Porto na final, com erros graves de arbitragem (golo mal anulado ao Sporting na Luz e golo mal validado ao Porto) que, como é habitual, nos prejudicaram. 

A equipa foi sempre encarada como a menos favorita das quatro que chegaram às meias finais, mas prevaleceu. Contra tudo e contra todos. É, por isso, da mais elementar justiça que se reconheça mérito nas duas conquistas.


Gestão das modalidades (****) 

Apesar dos muitos rumores que circularam sobre o suposto fim do ecletismo do Sporting tal como o conhecíamos como consequência de um forte desinvestimento, a competitividade geral das equipas manteve-se. 

Houve, de facto, uma racionalização de certos gastos, mas, olhando individualmente para cada uma das equipas, não se reconhecem mais pontos fracos do que os que existiam em épocas anteriores: o futsal renovou-se (e bem) após uma época em que conquistou um título europeu inédito, Taça de Portugal e Supertaça, e ficou a milímetros de poder discutir o campeonato nos penáltis; o hóquei, depois da conquista europeia, fez ajustes pontuais e promete voltar a lutar por todas as competições; o andebol, após uma época em que apenas a participação na Liga dos Campeões se aproveitou, trouxe um treinador prestigiado a nível europeu e rejuvenesceu-se com jovens de grande potencial; o voleibol foi obrigado a mexidas ainda mais profundas do que é habitual por causa da mudança de casa para Lisboa, mas contratou um técnico brasileiro conceituado e vários jogadores de quem se espera muito; o basquetebol, regressado após um interregno de 24 anos, parece estar suficientemente equipado para dar luta aos habituais favoritos; a equipa de judo masculino sagrou-se campeã europeia. 

Ainda está por confirmar a continuidade ou término do acordo no ciclismo e existem dúvidas legítimas sobre o que se pretende para o atletismo, para algumas modalidades de combate e para o desporto adaptado. O tempo encarregar-se-á de as esclarecer, mas não me parecem fazer sentido as preocupações sobre o futuro do ecletismo no Sporting.


Filosofia na formação (****)

Ao contrário do que vinha sendo habitual, existe este ano uma preocupação em expor os jogadores da formação a contextos de maior exigência competitiva. Os sub-23 estão carregados de jogadores de 18 ou menos anos, a equipa de juniores é composta, quase na totalidade, por juniores de 1º ano e juvenis, e assim sucessivamente. Isso poderá implicar resultados iniciais menos positivos nos vários escalões, mas trará frutos importantes a longo prazo.

Importante também a preocupação com a recuperação da equipa B, a renovação das condições da Academia e a aposta no Polo EUL. São objetivos que demorarão o seu tempo a serem cumpridos, mas que são imprescindíveis para dotar o clube de condições de topo para o desenvolvimento dos seus jovens jogadores.


Contratações (***)

A necessidade de reforçar a equipa em muitas posições e as limitações de tesouraria têm levado a que o perfil das contratações seja quase exclusivamente de jogadores com potencial para serem desenvolvidos e valorizados com tempo, de montante médio ou baixo. A única exceção à regra foi Vietto (jogador feito e em que os 50% dos direitos económicos adquiridos foram avaliados em 7,5M), mas, como se sabe, veio no pacote do acordo por Gelson para abater o valor da dívida do Atlético e não correspondeu a qualquer saída real de dinheiro dos cofres de Alvalade.

Genericamente, os jogadores contratados têm sido úteis e correspondido ou superado as expetativas, mas ainda nenhum se revelou um golpe espetacular de mercado. Há, no entanto, que dar tempo ao tempo. E ajudaria se o treinador desse oportunidades a alguns deles.


Treinadores (**) 

Varandas despediu Peseiro no momento certo. E também despediu Keizer no momento certo - depois do que conquistou, não podia deixar de dar ao holandês a pré-época que lhe faltou na temporada passada. Mas, apesar de Varandas ter dito que Keizer cumpriu os objetivos, o facto é que a sua escolha só pode ser considerada um fracasso, porque na altura nos foi vendido pelo presidente como um treinador de projeto.

Keizer acabou por se transformar na antítese daquilo que prometia ao início: um treinador medroso e aborrecido, amarrado nos equívocos que foi criando e alimentando, e que ignorou (ou não compreendeu) o contexto que o rodeava tanto ao nível das expetativas internas como da forma de pensar dos adeptos.

Será desta que Varandas conseguirá contratar o treinador de que o clube precisa? Os sinais não são animadores: o facto de não ter delimitado de forma clara o prazo de Leonel Pontes - um treinador que, até agora, não tem absolutamente nada que o recomende como o homem certo para o lugar - deixa entender que tem mais dúvidas do que certezas em relação à forma como resolver esta importantíssima questão. 


Planeamento da época (**)

Sobre isto, recorro ao que escrevi recentemente aqui: LINK.


Futebol feminino (**)

Apesar de o futebol feminino estar a conhecer um período de desenvolvimento inédito de visibilidade a nível mundial, a importância dada por esta direção segue em sentido contrário. Indecisões a nível diretivo, excessiva tolerância para com o paupérrimo futebol de Nuno Cristóvão, pouca ou nenhuma reação ao fortíssimo investimento do Benfica, e zero preocupações em promover o futebol feminino junto dos sócios sportinguistas - como se pode avaliar pela ausência de qualquer jogo disputado em Alvalade.

Em vez de se desenvolver, o futebol feminino do Sporting tem definhado... e isso não parece preocupar minimamente os atuais responsáveis do clube.


Finanças (**)

Até ver, não há nada de particularmente positivo ou negativo que se possa dizer da gestão das finanças do clube: melhor ou pior, a racionalização dos custos com o plantel foi concretizada - o apertar de cinto era imperativo -, o que contribui para reduzir a necessidade de vendas futuras e normalizar a situação de tesouraria; o empréstimo obrigacionista ficou perto - mas abaixo - do objetivo mínimo, sendo certo que a detenção de Bruno de Carvalho na véspera do primeiro dia da fase de subscrição não terá ajudado em nada o cumprimento da meta estabelecida; e continua a não haver fumo branco em relação à reestruturação financeira e à recompra das VMOC's. 

O reequilíbrio da tesouraria foi alcançado, sobretudo, à custa da antecipação de receitas do contrato dos direitos televisivos e dos acordos com os clubes que contrataram os jogadores que rescindiram. Ou seja, não houve qualquer demonstração inequívoca de competência, mas também é justo dizer que se tentou evitar ao máximo ir pelos caminhos mais fáceis (e menos desejáveis) para ultrapassar as dificuldades imediatas. Por exemplo, teria sido muito mais fácil para esta direção antecipar 100 milhões em vez de 65 - evitaria muitas dores de cabeça e problemas de curto prazo, mas a médio/longo prazo a situação ficaria mais negra.


Comunicação (**)

Depois de cinco anos em que a comunicação social esteve em guerra aberta com o Sporting (o contrário também é válido), são visíveis os resultados do esforço de sedução que esta direção tem feito junto de jornais e televisões. 

É fácil perceber que agora existe uma capacidade muito superior de colocar temas, narrativas e informações na ordem do dia. No entanto, parece-me que este bom relacionamento é mais conjuntural do que estrutural - apenas existe porque os atuais donos disto tudo não veem o Sporting como uma oposição real. Não é preciso ser-se adivinho para prever que, no dia em que o Sporting começar a incomodar, os mesmos comentadores que hoje defendem Varandas com unhas e dentes se transformarão em seus detratores e não terão quaisquer problemas em escarafunchar toda e qualquer polémica com a mesma desonestidade intelectual que demonstraram no passado.

Ainda assim, é inequivocamente um progresso. Infelizmente, não se tem observado o mesmo nível de progresso na comunicação direta com os sócios e adeptos. Se é verdade que se eliminou muito do ruído que antes existia, também se pode dizer que acabámos por cair no extremo oposto. A comunicação tem sido pobre, escassa, pouco clara e com timings inadequados. 

O presidente tem feito progressos no discurso, mas continua longe de ser um comunicador eficaz. De Hugo Viana, raramente se ouve uma palavra. A Sporting TV parece-se cada vez mais um canal generalista que enfia transmissões de jogos nos espaços livres, com meios técnicos indignos do século XXI e uma qualidade de comentários a cair a pique. As redes sociais não compreendem o seu público e cometem gaffes constantes. O jornal acumula decisões editoriais incompreensíveis e brinda-nos semanalmente com um par de espaços de propaganda ainda mais descarada do que é habitual neste tipo de meios. E até na comunicação com a CMVM se cometeu a proeza de escrever mal o nome de Keizer por duas vezes seguidas - um pormenor com pouca importância mas que é sintomática do desleixo que parece existir.


O Sporting e o ambiente que o rodeia (*) 

Uma das promessas de Varandas era que os interesses do Sporting seriam defendidos de forma intransigente. Um ano depois, essa afirmação parece manifestamente exagerada.

O Sporting não impõe qualquer respeito junto dos adversários e das instituições que gerem o desporto em Portugal. Não se compreende por que razão o clube não recorreu da decisão do e-toupeira - mesmo não tendo efeitos práticos, era importante dar o sinal de que o clube não aceitava a decisão da instrução -, não se compreende por que razão não colocamos o caso Bruma na FIFA, não se compreende a forma ingénua como se abordou a questão relacionada com Pedro Henriques, não se compreende a quase completa ausência de críticas às péssimas arbitragens de que temos sido alvo, não se compreende a falta de reação aos favoritismos do Secretário de Estado do Desporto, e por aí fora.

Esta postura não é de clube civilizado, é de clube manso. Num ecossistema populado maioritariamente por mafiosos e chicos espertos, é meio caminho andado para que os outros façam de nós tudo o que quiserem.


Unir o Sporting (*)

O lema de campanha de Frederico Varandas devia ser uma bandeira desta direção. Infelizmente, não tem havido vertente menos cuidada do que esta, prejudicada, em boa parte, por ser clara a vontade de alguns elementos dos órgão sociais em dar sequência a perseguições que em nada beneficiam o clube. Une-se o Sporting trabalhando para o futuro em vez de se procurar fazer ajustes de contas com o passado.

Apesar de perceber que não se pode ignorar o passado nas análises feitas à situação atual, creio que têm sido excessivas as referências e comparações com a gestão anterior - e que são feitas apenas nas partes que convêm, claro. Também não ajudaram as tiradas populistas feitas em campanha. O candidato Varandas disse que, caso fosse presidente, Bruno de Carvalho não seria expulso de sócio. A promessa não deveria ter sido feita porque não depende do órgão que dirige, mas, se tivesse sido sincero, o presidente Varandas poderia ter feito uma declaração nesse sentido em vésperas da AG de expulsão do seu antecessor. Une-se o Sporting canalizando as energias para combater as pessoas que querem mal ao clube, e gastando apenas o tempo estritamente necessário em querelas internas. Se o anterior presidente tivesse percebido isso, provavelmente ainda estaria hoje no poder.

Sou o primeiro a reconhecer que a união depende da vontade dos diferentes lados da barricada e que existem sócios que não têm qualquer vontade de ceder no quer que seja, mas as iniciativas de reconciliação terão sempre de partir de quem dirige o clube - de forma coerente e persistente. Falo em coerência, porque seria bom que o rigor que tem havido no julgamento dos antigos dirigentes se aplicasse também à análise dos erros próprios: continuamos à espera que sejam encontrados e punidos os responsáveis pelos gravíssimos leaks das auditorias feitas à gestão de Bruno de Carvalho. Une-se o Sporting analisando-se as questões em função dos supremos interesses do clube, e não em função dos responsáveis pelas desgraças que nos acontecem.

Não é preciso ser-se um génio para perceber o que se deve ou não fazer para unir o Sporting. Infelizmente, há pessoas na atual direção que revelam imensas dificuldades em compreender o óbvio.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Balanço do fecho de mercado

Os últimos dias de mercado - e em particular as últimas horas - foram de enorme agitação em Alvalade. Dost, Raphinha e Thierry foram vendidos, Bruno Gaspar e Diaby foram emprestados, Jefferson, Wallyson e André Pinto rescindiram, fechou-se um acordo por Podence com o Olympiacos, e Jesé, Fernando e Bolasie chegaram por empréstimo. O sucesso do conjunto das movimentações só poderá ser avaliado depois de vermos o contributo que os reforços darão em oposição à falta que se sentirá dos atletas vendidos ou emprestados. No entanto, o balanço preliminar que faço é claramente negativo. Foi um mercado horrível, fruto de um planeamento rotundamente falhado e de uma completa falta de capacidade de reação da SAD para encontrar alternativas atempadas e que seguissem uma estratégia coerente.


Planeamento pelo cano

Toda a gente percebeu qual era a ideia da SAD para este mercado: reforçar determinadas posições com parte do dinheiro de uma super transferência de Bruno Fernandes. Inicialmente falava-se numa venda após o final da Taça, depois adiou-se para o final da Liga das Nações, e, semana após semana, a indefinição do futuro do médio foi-se prolongando. O que é facto é que, apesar do badalado interesse de diversos tubarões europeus, ninguém atingiu os 70 milhões pretendidos pelo Sporting. Não critico Varandas por não ter cedido nas exigências - o que não se diria caso aceitasse um valor mais baixo... -, mas devia ter havido outra capacidade na exploração de cenários alternativos antes do arranque da época oficial.

Sejam compreensíveis ou não as dificuldades na execução desse plano, o que é facto é que a SAD falhou por completo, resultando esse fracasso em semanas de intranquilidade - com destaque para a novela Dost - já com a época oficial a decorrer a todo o vapor, com vários jogadores titulares a serem dados como negociáveis até ao fim da janela de transferências. Os últimos dias, em particular, passaram a imagem de uma SAD descontrolada e desesperada.


Lacunas agravadas ou por resolver

Varandas disse que já existiam jogadores em carteira para serem contratados após as saídas previstas. Mas não foi isso que observámos: apesar de o anúncio de acordo com o Eintracht por Dost ter sido feito há mais de 15 dias, só ontem foram anunciados reforços. Mas o pior é que, dos três jogadores contratados, nenhum é ponta-de-lança de raiz. Isto significa que vamos atacar a época com UM ponta-de-lança - Luiz Phellype, que tem as limitações que se conhecem. Em caso de necessidade, Vietto poderá desenrascar, Jesé poderá desenrascar, Bolasie poderá desenrascar, mas não se conseguem épocas de sucesso com desenrascanços na posição mais importante do futebol.

No que toca a extremos, saíram Raphinha e Diaby e entraram Bolasie, Jesé e Fernando. Ou seja, a experiência média aumenta, mas à custa de dois jogadores - Bolasie e Jesé - que vêm de várias épocas em que pouco ou nada tem rendido. Ambos os jogadores são considerados flops pelos adeptos dos seus clubes, mas convém sempre esperar para perceber o que poderão valer no contexto competitivo português. Fernando não conseguiu espaço no Shakthar de Luís Castro, o que também não é propriamente um bom sinal. Fica por demonstrar, portanto, se a questão dos extremos ficou efetivamente bem resolvida. Teremos de esperar para os ver em competição.

Quanto a médios defensivos... nem vê-los.


Estratégia? Que estratégia?

Por motivos diversos, o recurso a jogadores emprestados devia ser uma exceção à regra. Não os podemos valorizar para uma futura venda e há o risco real de se sentirem acomodados face ao downgrade para uma liga periférica como a portuguesa. No entanto, só neste último dia chegaram três jogadores por empréstimo: Jesé (PSG), Fernando (Shakthar) e Bolasie (Everton). 

Pior: não consigo entender como é que Fernando, jogador de 20 anos com apenas 20 jogos disputados como sénior, vem para o Sporting sem opção de compra. Considerando a sua inexperiência, dificilmente terá um impacto positivo imediato na equipa. É mais um, à semelhança de Camacho e Plata, que terá de ser desenvolvido com paciência. No entanto, ao contrário de Camacho e Plata, estaremos a valorizar um ativo que não é nem será nosso. Fala-se que o Sporting terá assegurado o direito de preferência sobre futuras propostas de outros clubes - ou seja, terá o direito de igualar a proposta -, mas dependerá sempre da vontade do jogador. Ou seja, é uma garantia que pouco ou nada vale. Que sentido é que isto faz?

Em contrapartida, o PSG anunciou que o Sporting tem uma opção de compra sobre Jesé. Algo que dificilmente poderemos acionar porque nunca haverá capacidade para pagar por inteiro o salário que o PSG paga ao espanhol. E sim, estou a assumir que o PSG vai suportar a maior parte do salário de Jesé durante esta temporada - se não fosse assim, não valia a pena despachar Dost como se despachou. O mesmo se aplica a Bolasie, que também deverá auferir um salário elevado. Fico à espera de esclarecimentos da SAD sobre quem suporta os salários dos jogadores emprestados.


As saídas

Os 21 milhões da venda de Raphinha são uma verba bastante aceitável, considerando que o extremo brasileiro ainda não tinha conseguido atingir uma consistência exibicional satisfatória. Com Bolasie, Jesé e Fernando aumentam as alternativas em quantidade, resta saber como será em relação à sua qualidade.

Os 12 milhões da venda de Thierry são um montante... surpreendente. Quem tenha visto os jogos desta época com um mínimo de atenção, facilmente se apercebe de que Therry está muito longe do nível necessário para ser o lateral titular a curto prazo. Ou seja, perderia esse estatuto assim que Rosier ou Ristovski voltassem a estar aptos para jogar. O problema deste negócio é que é uma venda para o Valência, por verbas típicas de carrossel... pelo que o mais provável é que existam ou existirão outras contrapartidas. Não acredito que o Sporting alguma vez venha a receber a totalidade deste dinheiro.

Diaby foi transferido por empréstimo para a Turquia, ficando o Besiktas com opção de compra por 5 milhões. Como tal, o mais provável é que daqui a nove meses o maliano esteja de volta.

sábado, 31 de agosto de 2019

Ainda há quem acredite em contos de fadas

Foto: zerozero.pt
Futebol miserável. Por muitos problemas e indecisões que persistam na composição do plantel a um par de dias do fecho da janela de transferências, nada pode justificar a paupérrima qualidade do futebol apresentado pelo Sporting contra o Rio Ave. Com e sem bola. Grande parte das responsabilidades está no duplo pivot de Keizer, que pouco constrói e que anda às aranhas quando o adversário tem a bola. Wendel parece preso a uma corrente invisível que o impede de fazer o transporte de bola para o meio-campo adversário. Doumbia teve uma prestação absolutamente horrível, ao ponto de me fazer suspirar por Battaglia. Mas, verdade seja dita, o duplo pivot é só parte de um gigantesco problema coletivo. A equipa não ataca como um bloco, não pressiona nem defende em bloco, cada jogador parece estar entregue a si próprio. O foco incidirá muito sobre Coates pelos dois penáltis cometidos (o outro foi oferta dos homens do apito), mas a verdade é que os centrais são mais vítimas do que culpados, já que são demasiadas as vezes que ficam expostos a situações de um contra um na área ou lá perto.

Treinador paralisado, falta de ambição. Não são apenas problemas técnico-táticos. É inadmissível que o Sporting, vendo-se a ganhar com um golo aos repelões a 40 minutos do fim, decida defender o resultado em vez de ir para cima do adversário para tentar matar o jogo. Keizer só se lembrou de meter jogadores de características ofensivas quando se viu a perder, já nos descontos, provocando um coro de assobios totalmente justificado.

Gestão (?) de plantel. Keizer teve oportunidade de lançar Camacho ou Plata em Portimão: com 3-1 e um adversário em quebra física, estavam reunidas as condições ideais para dar 10/15 minutos a um dos miúdos. O jogo podia não precisar que os lançasse, mas fazia sentido numa perspetiva de integração gradual, já pensando em jogos futuros. Não o fez. Hoje, em desespero, lançou um desses miúdos. Plata teve a sua estreia oficial na equipa principal do Sporting em desvantagem no marcador, em desvantagem numérica, com uma equipa mentalmente e fisicamente de rastos, e com a obrigação de ter impacto imediato nos cinco minutos que restavam. Isto não é gestão de plantel, é acreditar em contos de fadas.

Encomenda. Quando um árbitro assinala um penálti como o segundo da noite, quando o VAR não lhe chama a atenção para uma repetição que demonstra sem lugar para dúvidas de que não existiu qualquer falta, não ficam quaisquer dúvidas sobre as intenções de quem dirigia a partida. Os outros dois penáltis aceitam-se, como se teria aceitado se João Pinheiro tivesse assinalado um penálti por empurrão sobre Raphinha. Infelizmente, a capacidade visual parece mudar em função da cor das camisolas, e o amigo de Nuno Cabral apenas vislumbrou as que aconteceram na nossa área. Um azar que já tinha acontecido em Portimão, convém relembrar. Se, no ano passado, em que ficámos fora da luta pelo título muito cedo, conseguiram transformar-nos na equipa mais indisciplinada da Liga, alguém teria dúvidas do que nos iriam fazer caso começássemos a incomodar? Pensar que os árbitros nos vão tratar melhor só porque somos simpáticos... é digno apenas de quem acredita em contos de fadas. Mas, hey, se a direção não se preocupa com isso - até à hora que escrevo não houve qualquer reação dos responsáveis do clube -, por que é que nós nos haveríamos de preocupar?

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Revista 1906, #2

Já está disponível para leitura o número 2 da revista 1906, um projeto colaborativo levado a cabo por sportinguistas, para sportinguistas. São oitenta páginas recheadas de opinião, entrevistas, análises e recuperação histórica que certamente interessará a qualquer adepto do clube. 

O ouro olímpico de Carlos Lopes, as expetativas para a época 2019/20, a aposta de Maradona com Ivkovic, scouting, os números de Cristiano Ronaldo, o Museu, o regresso do basquetebol são alguns dos temas que poderão encontrar.

A revista é gratuita e o download pode ser feito aqui: LINK. Espero que gostem!


domingo, 25 de agosto de 2019

E ao quarto dia apareceu Vietto

Bom jogo. Ao quarto jogo oficial da temporada, o Sporting fez finalmente uma exibição convincente e alcançou uma vitória relativamente tranquila num terreno onde costuma passar por dificuldades. Não foi uma prestação sem mácula, houve momentos - principalmente na primeira metade da segunda parte - em que houve alguma dificuldade em manter o Portimonense longe da nossa área, mas, na generalidade dos 90 minutos, foi um desempenho sólido que permitiu ao Sporting aproveitar da melhor forma o resultado do clássico de ontem. 

A surpresa Vietto. A entrada do Sporting no jogo foi demolidora e permitiu construir uma vantagem que ajudou a tranquilizar a equipa - ainda que o Portimonense não tardasse a reduzir a partir de um penálti provocado por uma falta displicente de Mathieu. O Sporting foi claramente superior na primeira parte graças à habitual ação de Bruno Fernandes, mas, sobretudo, por causa da criatividade de Vietto. O posicionamento do argentino surpreendeu Folha, que não parecia estar preparado para esta descentralização da criação de desequilíbrios. Os recursos que Vietto mostrou são variados: capacidade de drible, mudanças de velocidade, visão perfeita das movimentações dos homens mais adiantados e superior execução no momento de colocação da bola no espaço. Na segunda parte, mais encostado à linha e mais desgastado, desapareceu um pouco do jogo. O passe a rasgar para Bruno Fernandes no segundo golo e o míssil intercontinental de 50 metros para o que deveria ter sido o terceiro golo de Raphinha foram os momentos mais altos de uma excelente exibição. Este Vietto promete dar uma nova dimensão à capacidade ofensiva do Sporting - e que tão necessária é.

Bruno e, finalmente, Raphinha. Se ficou chateado por não ter tido a transferência que ambicionava, não o demonstra. Hoje foram mais três assistências para Bruno Fernandes, passando o pecúlio para 1 golo e 4 assistências ao fim de 3 jornadas. A boa finalização de Raphinha foi outro dos fatores decisivos. Assinou um golo fantástico a abrir a contagem e foi muito oportuno no tento que fechou o resultado.

Para Keizer pensar. Não discuto que Vietto, num dia mau, pode ser tão inconsequente como Diaby. Mas o jogo de Portimão serviu para demonstrar que o melhor (?) Diaby nunca na vida será capaz de fazer um quinto do que Vietto fez neste jogo. Vietto poderá ajudar menos na defesa, é verdade, mas as carências que temos demonstrado na zona ofensiva obrigam Keizer a aproveitar o talento que tem à sua disposição. Infelizmente, o holandês parece quase paralizado pelos receios das descompensações defensivas. É incompreensível que, com 3-1 de vantagem e muitos jogadores de rastos - incluindo os do Portimonense -, não tenha dado 20 minutos a Camacho ou Plata para irem conquistando o seu espaço. Keizer limitou-se a duas substituições aos 79' e 86', o que, a meu ver, pode ser sinal de que, à semelhança da época passada, não consegue confiar em mais que 13-14 jogadores - com tudo o que de mau isso implica ao nível da gestão do plantel. Já não falta muito para chegarem 6 ou 7 meses a jogar permanentemente duas vezes por semana. É preciso mais coragem, mais audácia, alargar o tal núcleo duro. Se não o fizer, vamos sofrer muito a partir de outubro/novembro.

Vasco Santos, um habitué em decisões polémicas que nos prejudicam. O VAR corrigiu - e bem - a decisão de Xistra em assinalar um livre direto numa falta sobre Raphinha dentro da área. Mas voltaria a intervir - de forma bastante mais discutível - ao anular esse penálti por uma suposta falta de Thierry cometida uns momentos antes. Acontece que: 1) a bola foi jogada por dois jogadores do Portimonense entre o momento da suposta falta de Thierry e a indiscutível falta sobre Raphinha; 2) o adversário fez um movimento diagonal face à linha de progressão de Thierry e colocou-se, sem bola, à sua frente, impedindo-o de continuar a correr - o que poderia ser interpretado como obstrução. Veremos se o critério se irá manter daqui para a frente. O VAR é uma ferramenta fantástica, mas só poderá ser tão boa na medida da competência daqueles que a utilizam. E já sabemos que, em caso de dúvida, a norma é decidir contra o Sporting.

À frente dos rivais, mas sem quaisquer motivos para euforias. O Sporting 2018/19 de Peseiro também teve um arranque bastante positivo. Depois, foi o que se viu. Em 2019/20, os problemas para resolver até ao fecho do mercado continuam a ser muitos. Só temos um ponta-de-lança - que, no máximo, pode ser uma alternativa de banco -, falta um extremo capaz de abanar defesas fechadas - desconheço se algum dos que hoje tínhamos no banco poderá ser esse extremo a curto prazo porque mal os vi jogar -, e, porque começam a ser cada vez mais óbvias as limitações de Doumbia, precisamos de um médio defensivo a sério. Depois... é preciso que Keizer seja capaz de tirar bom partido do plantel que lhe colocarem à disposição. Para já, o pensamento só pode ser um: jogo a jogo.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Vitória, preocupações e recados

Finalmente uma vitória. Ganhar ao Braga era essencial. Não por ser o Braga, não pelos três pontos, não para não nos deixarmos atrasar mais em relação à liderança, não pela possibilidade de, ganhando em Portimão, aproveitarmos o resultado do clássico entre Benfica e Porto para recuperarmos ou ampliarmos distâncias. Era essencial ganhar porque, independentemente dos muitos problemas técnico-táticos que estão à vista de todos, o atual momento de intranquilidade potencia esses problemas e faz parecê-los ainda mais graves do que efetivamente são. Era fundamental recuperar alguma tranquilidade e confiança e, como tal, jogando bem ou mal, tínhamos de vencer ontem. Nesse sentido, a missão mais importante foi cumprida.

Os suspeitos do costume. Mais uma vez, o Sporting só existiu ofensivamente na medida do que a sua linha média foi capaz de produzir. Os desequilíbrios foram conseguidos quase exclusivamente pelos habituais Bruno Fernandes e Wendel e pelo lateral Acuña. Coates e Mathieu foram segurando as pontas como podiam (com preciosa ajuda de Neto nos últimos quinze minutos) e, mais uma vez, o patinho feio Renan salvou o dia com algumas defesas fulcrais (aquela aos 40’, após remate de Hassan na queima, foi absolutamente incrível). 

Inoperância na frente. É angustiante observar o rendimento dos homens mais adiantados. Luiz Phellype vale pelo esforço e pouco mais. Raramente tem bolas na área para finalizar, parcialmente por responsabilidades próprias no momento de decidir o que fazer quando é solicitado, mas sobretudo por não ser devidamente alimentado devido ao modelo de construção (?) que o treinador coloca em prática. Raphinha está num momento de forma terrível. Não consegue ganhar duelos, não cria desequilíbrios, não finaliza em condições. Ontem defendeu a passo, deixando várias vezes Thierry completamente exposto no nosso flanco direito. Diaby foi Diaby. Mais um jogo sem qualquer ação positiva de registo, mais um momento para os apanhados que deixou meio estádio a rir quando se atrapalhou ao tentar fazer um nó a um adversário, e não há uma alma à face da Terra para além de Keizer que consiga entender como é possível que, depois de tão consistentes demonstrações de incapacidade, o maliano continue a fazer parte das contas do onze. Ou que tenha um minuto de utilização que seja. 

Treinador às aranhas. É verdade que Keizer não tem muitas alternativas de qualidade disponíveis. Camacho e Plata estão verdes e alguma coisa está mal na construção do plantel quando Raphinha, que tem apenas 22 anos e um ano de experiência a este nível, é o extremo de referência da equipa. A 11 dias do fecho do mercado, temos apenas dois pontas-de-lança, um dos quais jogava na segunda divisão há meses, e em que o outro foi contratado para substituir Bruno Fernandes. Mas isso não justifica tão pouco futebol e o problema não está apenas nos jogadores. Keizer diz que gosta de Dost mas não foi capaz de tirar rendimento do holandês, não é capaz de dar jogo a Luiz Phellype, não vê a mobilidade e técnica de Vietto como solução, e aparentemente também acha que Slimani não é o ponta-de-lança ideal. Perante quatro tipos de avançados de características bastante diversas e nenhum serve para o treinador… então quem servirá? 

Recados à estrutura. Na conferência de imprensa, Keizer deixou soltar um desabafo sobre a forma como (não) foi consultado sobre a saída de Dost, lamentando-se da sua saída. Depois dos comentários anteriores sobre Matheus Pereira e Vietto, fica mais ou menos claro que não existe entendimento entre o treinador e a estrutura de futebol sobre as movimentações de jogadores. Se não se entendem sobre quem sai, se não se entendem sobre quem entra… então como podemos nós, os adeptos, acreditar que existe um fio condutor, consistente e lógico, na preparação da época, na construção do plantel e na globalidade do trabalho realizado? 

Se, se, se. Reencontrámos as vitórias, mas os sinais de preocupação não se dissiparam. SE Rosier trouxer mais estabilidade ao flanco direito, SE Doumbia começar a compreender melhor as compensações que tem de fazer, SE Wendel conseguir aguentar mais de 60 minutos, poderemos ter condições para atenuar o caos defensivo que temos observado. SE conseguirmos manter Acuña a lateral, SE contratarmos um extremo a sério para entrar no onze ou SE conseguirmos começar a tirar algum rendimento de Camacho e Plata, SE contratarmos um ponta-de-lança que encaixe no quer que Keizer idealiza para o nosso jogo, poderemos ter condições para sermos um conjunto verdadeiramente ameaçador em ataque continuado e em contra-ataque. SE o treinador conseguir desembrulhar a confusão que parece ter no cérebro, SE a estrutura estabelecer as prioridades certas para a época… pode ser que se consiga fazer alguma coisa desta época.

sábado, 17 de agosto de 2019

Bye Dost

O Sporting anunciou há pouco um princípio de acordo com o Eintracht Frankfurt para a venda de Bas Dost. A decisão não surpreende e, até certa medida, é compreensível, mas não deixa de ser uma movimentação de enorme risco para a direção e para o treinador. E, obviamente, para o clube.


Comparando com outros pontas-de-lança do Sporting do século XXI, falamos de alguém que ultrapassou Liedson e Slimani e apenas não conseguiu superar (o insuperável) Mário Jardel. Foi um atleta que sempre se mostrou muito acessível e que nunca escondeu o quanto gostava de cá estar. O episódio da rescisão levou a que se abrisse uma ferida difícil de sarar (pun not intended) entre jogador e adeptos, ainda que, de todos os jogadores, o holandês fosse aquele que mais razões teria para querer sair do clube.

Todos percebem que o salário de Dost era excessivo - Cintra também deixou heranças pesadas - para a atual capacidade financeira do Sporting, ainda mais considerando o fraco rendimento desportivo dos últimos meses. Mas também todos sabem que esse salário poderia não custar muito a pagar caso Dost continuasse a fazer aquilo que demonstrou saber fazer tão bem - marcar golos atrás de golos, com um grau de aproveitamento extraordinário face às poucas oportunidades de que foi dispondo. 

Esqueçam a fraca contribuição defensiva e as limitações de mobilidade: para a realidade portuguesa, Dost é um jogador excecional à volta de quem se podia (e devia) construir uma equipa. Não foi essa a opção de Keizer e, infelizmente, tarda em mostrar-se acertada. Isso faz com que a saída de Dost tenha um sabor amargo, devido à sensação que nos deixa de uma oportunidade perdida que, a partir de hoje, se torna irreversível.

Os golos do holandês deixarão saudades. Muitas ou poucas, depende de quem for agora contratado para o seu lugar - e aqui reside o risco para a direção e treinador: se o novo reforço não corresponder às expetativas, não haverá forma de justificar por que razão se abdicou de um goleador mais que testado em vez de se tentar tirar o melhor proveito dele. Não é preciso perceber-se muito de futebol que não é todos os anos que se consegue encontrar um goleador como Dost.

domingo, 11 de agosto de 2019

Mais do mesmo

Depois de visto o jogo inaugural do campeonato com o Marítimo, não há muito que se possa dizer que não se tenha dito já em diversas ocasiões ao longo das últimas semanas. Defrontando um adversário claramente inferior, o Sporting fez uma exibição que plasmou os problemas que têm sido observados na pré-época e que já vinham da temporada passada. Não é aceitável ver, em jogos em que a vitória é uma obrigação, tamanha incapacidade para furar as defesas adversárias e servir em condições os seus homens na área, fruto de um futebol previsível e mal executado no último terço do terreno.

Fonte: zerozero.pt
O problema é essencialmente coletivo, mas o momento de forma das individualidades - que poderiam ajudar a disfarçar as carências do modelo de Keizer - também não ajuda. Não é possível ganhar muitos jogos quando as poucas ocasiões para finalização estão dependentes de um Luiz Phellype que, apesar de batalhador, não tem instinto matador. Não é possível ganhar muitos jogos quando Raphinha, o segundo jogador de características mais ofensivas do onze, faz um jogo desastroso na construção e na finalização. Não é possível ganhar muitos jogos quando o segundo extremo - Acuña, que depende mais do esforço do que do talento para fazer a diferença - está ainda a encontrar-se. Não é possível ganhar muitos jogos quando os médios revelam dificuldades evidentes em ligar o jogo com os colegas. E ainda há Mathieu a atravessar uma fase má, Borja a juntar uma pouco habitual desconcentração no momento defensivo à habitual inoperância ofensiva, e temos um Thierry que, estando a ter os seus primeiros jogos a sério, está sujeito a cometer erros como aquele que deu origem ao golo do Marítimo. Não é possível ganhar muitos jogos quando, perante a má forma dos titulares, olhamos para o banco e não se vê ninguém capaz de dar um abanão no jogo. Onde estão os reforços? É para serem usados agora ou apenas quando já estivermos afastados da luta pelos objetivos da época? O que se andou a fazer no defeso e na pré-época?

Mas não é apenas o problema do plano A. Há também a questão do plano B (ou, para ser mais preciso, do plano salve-se quem puder): perante a necessidade de arriscar para ir atrás do resultado, Keizer desarruma a equipa que, apesar de ter uma dificuldade tremenda de controlar as transições adversárias no seu estado natural, perde a pouca organização que tinha e passa a ficar totalmente exposta sempre que o adversário mete a bola nos pés de um jogador que tenha um mínimo de talento e velocidade. Viu-se o que aconteceu após as mexidas contra o Benfica, e hoje voltámos a ver o adversário dispor das melhores oportunidades depois de Keizer ter feito as suas substituições.

Termino com o problema da mentalidade: mais uma vez, desperdiçámos pontos após um mau resultado dos rivais. Como é que podemos ambicionar conquistar o quer que seja se não somos capazes de explorar os erros alheios?

Está na altura de presidente, estrutura e treinador ficarem MUITO preocupados com o que se está a passar. Não há qualquer evolução a nível coletivo, não se vê qualquer contributo relevante dos reforços que, supostamente, vinham acrescentar ao que já cá havia. Incompetência do treinador? Falta de sintonia entre o treinador e quem decide as contratações? Falta de estratégia por parte de quem manda no futebol? Seja o que for, convém encontrar rapidamente respostas para o angustiante estado atual. Os sportinguistas não merecem este suplício e, ao contrário de nós, os adversários não vão ficar à espera que o Sporting arrume a casa e as ideias.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Hall of Fame Leonino

Está a decorrer durante o mês de agosto uma votação denominada "113 anos de história, 13 nomes", na qual cada sócio do Sporting poderá escolher, de entre um conjunto de 40 dos maiores atletas da história do clube, os 9 mais merecedores de uma distinção que ficará para a posteridade em espaços específicos do Pavilhão João Rocha. Os 40 atletas estão divididos da seguinte forma:

  • 20 de modalidades coletivas, dos quais cada sócio poderá escolher 5;
  • 20 de modalidades individuais, dos quais cada sócio poderá escolher 4.


No entanto, cada sócio poderá escolher outros atletas não incluídos nesta shortlist, bastando indicar o nome numa caixa existente para o efeito na página da eleição.

Os 9 atletas mais votados juntar-se-ão a outras quatro figuras nomeadas pelo próprio Sporting: António Stromp, Mário Moniz Pereira, Reis Pinto e Salazar Carreira.

Para votar, primeiro é preciso entrar na área de sócio da página de internet do Sporting e depois carregar neste LINK.

Mais informações sobre a iniciativa "113 anos de História, 13 nomes" aqui: LINK.

Creio que esta votação é um acontecimento único, mas parece-me que tem todo o potencial para se tornar num evento regular - à boa maneira das votações para o Hall of Fame dos desportos americanos. Quanto mais não seja, porque é redutor termos que escolher apenas 13 nomes de um historial de glórias tão vasto.

Por curiosidade, foram estes os atletas que escolhi: António Livramento, António Ramalhete, Bessone Basto, João Benedito e Manuel Brito; Armando Marques, Carlos Lopes, Francis Obikwelu e Joaquim Agostinho. 

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Negro

O resultado é uma vergonha. Uma segunda parte inimaginável com a equipa a estilhaçar-se emocionalmente a partir do 2-0, altura em que deixou de haver cabeça e organização para estancar o vendaval que o Benfica gerou. Mas mesmo até esse momento decisivo, em que houve mais equilíbrio e as oportunidades de golo se repartiram, o Sporting revelou demasiados problemas que lançam um panorama muito negro para o que poderemos esperar desta época.

Falta de ideias com bola. O perigo que o Sporting criou foi, sobretudo, em jogo direto ou em remates de meia distância. Em situações em que o Benfica estava organizado na defesa, o Sporting demonstrou uma constrangedora incapacidade para entrar na área adversária - o que faz antecipar problemas na maioria dos jogos do campeonato - em que os adversários estarão estacionados no último terço à espera do erro dos nossos jogadores.

Defeso desperdiçado. Foram utilizados 13 jogadores que já estavam no plantel da época passada. Tudo bem que Rosier e Camacho estão lesionados, mas é incompreensível que, conhecendo os problemas que existiam na época passada, o treinador não tenha conseguido integrar nem um jogador para além do experiente Neto para trazer algo de novo à equipa no início da época oficial. Keizer limitou-se a dar ritmo a jogadores que já se conheciam com a Supertaça em mente em vez de preparar a integração dos reforços. Ah, e provavelmente este terá sido o último jogo de Bruno Fernandes. E agora?

Finalização. Não só não conseguimos criar oportunidades em número aceitável para finalizar na área, como também fomos incompetentes naquelas que tivemos. Bas Dost, à volta de quem deveria estar a ser construído o sistema, é um elemento a menos. Para além de Dost, Raphinha foi o único a aparecer com alguma frequência na área adversária. Como é suposto marcarmos golos desta forma?

Desnorte. Não foi uma equipa nova - em experiência ou idade - que se destroçou em campo. Como se explica um descalabro destes?

Thierry. Foi o único ponto positivo da noite. Não podia fazer muito mais no primeiro golo - Pizzi aparece solto em zona proibida e faz um passe açucarado que dificilmente podia ser contrariado pelo jovem lateral. Mas também no positivo podemos ver um problema: por que razão Keizer andou a utilizar Ilori ad nauseum na pré-época?

P.S.: também é vergonhosa a atitude da realização da RTP à procura de grandes planos de crianças a chorar nas bancadas. Que direito têm de as exporem desta forma?