sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

E agora para algo completamente diferente

Ao longo dos últimos anos, em jogos de contra adversários de outras divisões, tem sido norma no Sporting haver uma quebra de rendimento visível sempre que os treinadores decidem fazer alterações profundas no onze. A vitória acabaria por ser alcançada na maior parte das vezes, mas quase sempre com maior dificuldade do que a diferença de valor das individualidades em relação ao adversário deixaria pressupor. Não foi o que aconteceu ontem: mesmo abdicando de 8 titulares, mesmo sendo claras as limitações de algumas essas alternativas para o tipo de futebol que se pretende praticar, foi possível observar uma continuidade exibicional que se traduziu num domínio total das operações e numa primeira parte de excelente nível que chegou para resolver tranquilamente a partida.

E não foi só nisso em que a noite de ontem foi diferente. Há muitos anos - provavelmente desde 2012/13, em que Jesualdo Ferreira apostou em vários jovens da equipa B - que não eram dadas tantas oportunidades em simultâneo a miúdos da formação num jogo oficial.

Obviamente que isso só foi possível porque o Vorskla Poltava é um adversário muito fraco... mas convém lembrar que há apenas dois meses esta mesma equipa quase que pareceu um colosso europeu contra a nossa melhor equipa, num jogo em que o Sporting venceu à tangente sem saber bem como. A diferença que faz ter um treinador...



O melhor Bruno de volta - Keizer quis descansar grande parte da equipa titular, mas não abdicou de Bruno Fernandes. Percebe-se o motivo: viu no nº 8 o fio condutor necessário para fazer a ligação entre vários elementos pouco habituados a jogarem juntos. E Bruno Fernandes não o desapontou, dando continuidade à clara subida de forma que tem registado desde que o técnico holandês pegou na equipa. Vários pormenores de enorme classe e mais uma assistência para a coleção. Vão 4 golos e 5 assistências em 5 jogos.

Miguel Luís a marcar pontos - o jovem médio aproveitou bem a oportunidade. Foi a sua melhor prestação na equipa principal até ao momento, operando num raio de ação bastante mais alargado que foi desde a cabeça da área para iniciar a construção até à área adversária para aparecer em zonas de finalização. O golo marcado - no final de uma excelente jogada coletiva - foi a cereja no topo de uma exibição que o coloca como uma alternativa válida para ser utilizado em jogos de maior dificuldade.

A miudagem em campo - com o jogo resolvido, Keizer não hesitou em dar uma oportunidade aos sub-23 que tinha no banco. Pedro Marques, Thierry Correia e Bruno Paz tiveram um bom punhado de minutos para se estrearem em Alvalade em jogos oficiais. A exibição dos três jovens não há-de ficar na memória dos adeptos (com Bruno Paz a ser o melhor), mas há a atenuante de terem entrado numa altura em que a equipa estava claramente a tirar o pé do acelerador.



A lesão de Montero - as lesões nunca são oportunas, mas esta, em particular, vem num momento muito mau. O ritmo de dois jogos por semana vai manter-se até meados de janeiro e seria importante haver uma alternativa credível a Dost que permita dar algum repouso ao holandês em determinadas situações. Nos minutos que esteve em campo, Montero mostrou que se pode encaixar bem neste novo modelo.

Exibições abaixo do esperado (ou do desejado) - Jovane e Mané foram provavelmente os dois jogadores com menor rendimento do onze que foi ontem titular. Carlos Mané tem a atenuante de não ser um extremo e não se sentir à vontade encostado à linha e até participou em dois dos golos, mas parece-me que precisa de ganhar (muito) ritmo para poder ser uma opção realmente válida. Em relação a Jovane, mantenho a minha opinião: é muito mais útil quando salta do banco a 30 minutos do fim e pode usar a sua potência física em alturas em que o jogo está mais partido contra adversários desgastados.



Nota artística - 3

MVP - Bruno Fernandes



Fechou-se a fase de grupos com 13 pontos e ficamos a aguardar por um de 14 potenciais adversários: Nápoles, Inter Milão, Valência, Bayer Leverkusen, Red Bull Salzburg, Zenit, Dínamo Zagreb, Bétis, Villarreal, Eintracht Frankfurt, Genk, Sevilha, Dinamo Kiev e Chelsea. Por mim, que venha já um dos tubarões em fevereiro para termos uma boa receita e uma noite de grande ambiente em Alvalade.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Que onze para o Vorskla?

A lista de convocados para o jogo de logo com o Vorskla não deixa dúvidas de que a ideia de Keizer é poupar vários dos titulares e aproveitar a oportunidade para ver em ação jogadores menos utilizados. Do onze que tem sido habitualmente titular ficaram de fora Wendel (por lesão) e Bruno Gaspar, Mathieu, Gudelj, Nani e Dost. 

É uma gestão que se compreende e que abre portas ao regresso dos lesionados Ristovski e Montero e também a vários jovens da formação que são presença pouco ou nada habituais nas convocatórias: Abdu Conté, Thierry Correia, Bruno Paz, Miguel Luís e Pedro Marques. Convém recordar que Lumor, Marcelo, Misic, Bruno César e Castaignos não estão inscritos na Liga Europa, pelo que a quantidade de opções acaba por ficar bastante mais reduzida.

Parece-me que fará sentido utilizar alguns dos titulares, como Renan e Acuña (que está suspenso para domingo), e é possível que Keizer não prescinda de Bruno Fernandes para manter algum nível de ritmo competitivo e fio de jogo no meio-campo. Coates e Diaby deverão também ir a jogo por falta de alternativas. A maior incógnita, para mim, está no trio que o técnico colocará no meio-campo - e em particular em relação ao 6: recorrerá a Petrovic ou tentará adaptar um outro médio capaz de dar maior capacidade de construção? Parece-me que seria interessante apostar em Miguel Luís para esse papel e num onze como este:


Parece-me pouco provável, com tantas alterações, que tenhamos direito a uma noite de nota artística elevada, mas há aqui uma oportunidade importante para mostrar que há plantel para além do onze tipo. Isso será fundamental para termos boas hipóteses de sucesso numa época que se prevê longa e desgastante.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Captação das futuras campeãs

No próximo dia 22 de dezembro, pelas 14h, vão realizar-se treinos de captação de jogadoras para as equipas de formação de futebol do Sporting. É uma excelente oportunidade para que as jovens nascidas entre 2003 e 2008 possam fazer parte da melhor formação de futebol feminino em Portugal. 

Os treinos vão decorrer no campo nº 6 do Estádio Universitário de Lisboa. Ao contrário do que aconteceu em captações anteriores (em que bastava aparecer no local), desta vez é preciso fazer-se uma inscrição prévia de forma a garantir que haverá oportunidade para todas as jogadoras inscritas serem avaliadas pelos técnicos do Sporting.

As inscrições fecham no dia 19 de dezembro, e podem ser feitas através deste LINK.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Pés no chão e fé em Dost

Depois de três jogos com nota artística elevada, a equipa não foi capaz de dar sequência às boas exibições na estreia de Keizer em Alvalade. O resultado pode ter sido folgado, a segunda parte pode ter sido (inesperadamente) tranquila face à inferioridade numérica, mas os números alcançados não traduzem as dificuldades que o Aves nos causou na primeira parte, em que, durante largos períodos de tempo, dominou a partida e impediu que o Sporting conseguisse ligar o seu jogo.

Um bom e oportuno aviso para todos mantermos os pés no chão: não fosse um erro do adversário a provocar um penálti desnecessário que acabou por virar o rumo dos acontecimentos, e a história do jogo poderia ter sido bem diferente... para pior. Valeu-nos o suspeito do costume.



Os números - 4 jogos, 4 vitórias, 17 golos marcados e 4 sofridos. Hoje sem nota artística, mas os 4-1 representam a vitória mais volumosa do Sporting nesta edição da Liga, mantendo a equipa no segundo lugar no campeonato e passando a ter o segundo melhor ataque da prova. Ah, e Dost já é o melhor marcador do campeonato com 8 golos marcados em apenas 7 jogos.

Os golos e a eficácia - o Sporting apenas saiu para o intervalo em vantagem porque foi muito mais eficaz no aproveitamento das suas oportunidades do que o Aves. A eficácia manteve-se na segunda parte, e em dois momentos críticos: o golo de Dost logo a abrir, que trouxe outra tranquilidade à equipa, e o golo de Diaby que surgiu pouco depois da expulsão de Acuña, que matou o jogo. E, claro, há que fazer justiça à qualidade desses golos, que só por si justificam o preço do bilhete: o remate explosivo e inesperado de Nani; o cruzamento tirado com régua e esquadro que foi desviado por Dost com igual precisão matemática; e o remate em arco de Diaby após um passe em profundidade que rasgou a defesa do Aves.

As assistências de Bruno Fernandes - mais três para a sua conta pessoal. O passe para Nani conta apenas para a estatística porque não teve grande relevância para o golo, mas o cruzamento para Dost e o passe a rasgar para Diaby foram deliciosos. Números que se vão acumulando e que impressionam: Bruno Fernandes soma 4 golos e 4 assistências nos 4 jogos com Keizer.

A gestão da inferioridade numérica - o golo de Diaby foi fundamental para acabar com as dúvidas que a expulsão de Acuña pudesse trazer, e a partir daí o Sporting controlou bem o jogo, a ponto de fazer esquecer a situação de inferioridade numérica. Foi uma segunda parte totalmente tranquila.

Renan a marcar pontos - um punhado de boas intervenções, incluindo uma defesa fundamental na primeira parte, e teve várias ocasiões para demonstrar o seu excelente jogo de pés. A questão da baliza do Sporting não é pacífica - sobretudo devido ao mistério que envolve o afastamento de Viviano -, mas Renan tem vindo a justificar gradualmente a aposta que tanto Peseiro como Keizer têm feito em si.



A primeira parte - a incapacidade de o Sporting dominar o jogo deveu-se, a meu ver, a dois fatores: o mérito do Aves, que estudou bem os últimos jogos do Sporting e soube pressionar Wendel, Bruno Fernandes e Nani com rapidez - e muitas vezes em antecipação dos seus movimentos seguintes, que lhes valeu várias recuperações de bola -, e por algum comodismo dos jogadores do Sporting na entrada em jogo, que não pareciam com grande vontade em dar a aceleração e dinâmica necessárias para abrir linhas de passe que contrariassem o pouco espaço disponível em dois terços do terreno. Depois de sofrido o golo, houve vontade imediata dos jogadores do Sporting em dar maior velocidade ao jogo, mas fizeram-no com pouca precisão. Foi muito mais o acaso do que a qualidade do nosso jogo a ditar a reviravolta ainda na primeira parte. 

A expulsão de Acuña - não o crítico pelo segundo amarelo, mas tem de ser responsabilizado pelo primeiro cartão - que viu por se envolver numa escaramuça com adversários por causa de uma falta que nem sequer foi cometida sobre si. Mais uma vez, o seu temperamento deixou-o condicionado demasiado cedo e acabou por prejudicar a equipa ao deixá-la com menos um jogador durante mais de meia-hora. E não consigo concordar com os aplausos que recebeu de muitos adeptos enquanto abandonava o relvado: sendo recorrente nestas situações, não pode haver lugar para pancadinhas nas costas.



Nota artística - 3

MVP - Bas Dost

Arbitragem - Vítor Ferreira teve uma arbitragem algo irregular. Esteve bem nos lances capitais (os amarelos a Acuña e o penálti sobre Diaby), mas teve um critério irregular do ponto de vista técnico e disciplinar - podia, por exemplo, ter mostrado o segundo amarelo a Vìtor Costa no lance do penálti. Os 4 minutos de descontos na primeira parte foram demasiado escassos - só o penálti implicou esse tempo de paragem.



Com esta vitória já vamos com uma série de cinco triunfos consecutivos. Que venha a sexta contra o Vorskla já na próxima quinta-feira.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Derrubando a desconfiança

Ao fim de três jogos, parece seguro dizer-se que Marcel Keizer conseguiu derrubar grande parte das desconfianças que foram expressas por muitos comentadores e adeptos aquando da notícia da sua contratação. De notar que considero perfeitamente legítima a desconfiança que se gerou na altura (e que ainda exista agora) face à falta de currículo do técnico holandês. O que não achei legítimo nem normal foi parte do argumentário utilizado: o levantamento da questão da nacionalidade do treinador – como se o facto de ser holandês fosse por si só sinónimo de um fracasso anunciado – ou a insistência acérrima na defesa da continuidade de um Peseiro manifestamente incapaz de retirar rendimento dos recursos que tinha ao seu dispor, para além da ausência de qualquer benefício da dúvida dado ao novo treinador e ao processo de escolha por parte da direção, que optou por não se concentrar em nomes concretos e preferiu focar-se em primeiro lugar no perfil que pretendia. 

Ainda é muito cedo para podermos rotular a escolha de Keizer como um sucesso, mas é inegável que estes primeiros 270 minutos mostraram um Sporting transfigurado para melhor. As ideias de jogo são ambiciosas e apelativas mas não esquecendo a necessidade de manter a equipa equilibrada em todos os momentos. Os jogadores são os mesmos que Peseiro orientou – pior, são os mesmos que Peseiro escolheu para o modelo de jogo que queria implementar -, mas qualquer semelhança individual ou coletiva é pura coincidência. Felizmente, a desconfiança inicial tem vindo a ser eliminada gradualmente e há muito que não sentia tanta vontade nos sportinguistas para que chegue o próximo dia de jogo.

O entusiasmo que se começa a notar é saudável e é um tónico importante depois de tanto tempo a ver o Sporting a praticar um futebol medíocre. Não nos podemos esquecer, no entanto, que a equipa de Keizer é muito mais um trabalho em curso do que um projeto finalizado, pelo que convém que todos os sportinguistas estejam mentalizados que, por muito prometedor que seja esta nova forma de jogar, vão ser cometidos erros e irão surgir percalços que precisarão de paciência da bancada. Ao longo dos últimos meses tem sido frequentemente ouvir assobios em Alvalade... mesmo quando os jogadores tentam fazer bem as coisas. Por exemplo, contra o Boavista houve assobios logo no início da partida porque a defesa estava a trocar a bola junto à área para tentar sair a jogar, em vez de bater de imediato a bola para a frente. Isto não pode acontecer, e muito menos quando está a haver um esforço da equipa para se adaptar a um estilo de jogo que envolve movimentos de maior risco. Terá, por isso, de haver também uma adaptação dos sportinguistas a esta nova realidade: não podemos contribuir para a intranquilidade da equipa caso Renan faça um ou outro passe com um adversário demasiado perto, caso Bruno Fernandes perca a bola no meio-campo enquanto procura a melhor linha de passe, caso Nani congele o jogo durante 4 ou 5 segundos para dar tempo aos colegas para se reposicionarem.

Que Alvalade encha no domingo para receber o novo treinador e esta nova equipa, que a equipa faça por merecer o apoio da bancada... e que todos os sportinguistas na bancada façam também por merecer (e contribuir para) mais uma noite de grande futebol.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

"Every game is a test", mas há games que são testes mais exigentes do que outros

"Every game is a test": foi desta forma sóbria que Marcel Keizer respondeu na flash interview à questão sobre se considerava o jogo de ontem o primeiro teste a sério à sua equipa. É verdade que cada jogo é um teste e muitas vezes os dissabores surgem quando menos se espera, mas não se pode colocar em causa que esta deslocação a Vila do Conde era visto por muita gente - yours truly incluído - como um desafio muito sério à adaptação das ideias de jogo de Keizer ao cinismo do futebol português.

E o veredicto final em relação a este teste não deixa dúvidas: foi superado, de forma muito satisfatória. Não só voltámos a ver a equipa criativa e veloz na procura do golo que passeou em Baku, mas também nos foi apresentado um Sporting inteligente e pragmático na altura de gerir o resultado e o esforço - algo inevitável apenas quatro dias depois de um jogo europeu que nos obrigou a uma deslocação aos confins do continente.




Primeira parte com nota artística - foi uma bela forma de dar continuidade à excelente exibição contra o Qarabag. A primeira parte contra o Rio Ave apresentou novamente um Sporting a jogar simples, rápido e de forma objetiva, com uma circulação de bola dinâmica capaz de gerar espaços e de chegar com facilidade à área adversária. Bruno Fernandes foi o homem do jogo, mas há também que dar o devido destaque ao excelente supporting cast que o rodeou: o entendimento entre si e Gudelj, Wendel, Acuña, Nani e Dost parece cada vez melhor. Vantagem no marcador logo a abrir, excelente reação ao golo do empate com um domínio que nos colocou de nov na frente e que só afrouxaria aos 40', com bastantes ocasiões para marcar pelo meio.

Segunda parte pragmática - tendo o Rio Ave a obrigação de assumir maior despesa na procura do golo do empate e havendo o desgaste acumulado pós-Qarabag, o Sporting soube adaptar-se às circunstâncias e teve capacidade para gerir o resultado. Houve alguns arrepios, é certo - com Renan a mostrar serviço -, mas até acabou por dar direito à ampliação da vantagem. Com o 3-1 feito, houve capacidade para congelar o jogo nos minutos finais.

O golo de Jovane - foi de bola corrida, mas mais pareceu uma bola parada sem barreira. Com o esférico imobilizado, saiu um remate espontâneo ao ângulo, tão imprevisível quanto indefensável, que fechou o resultado da melhor forma possível. Um golaço de um jogador que continua a corresponder da melhor forma sempre que sai do banco.

100 - o jogo de 100 de Dost foi assinalado com uma referência nas costas da camisola do holandês... e com mais um golo. Nem podia ser de outra forma.

As substituições - Keizer esteve bem em tirar Acuña, já que tudo indicava que a tolerância de Xistra estava esgotada e o segundo amarelo estava apenas a uma falta de distância. Esteve bem também ao tirar Diaby, que estava a passar ao lado do jogo, para lançar o joker Jovane. E esteve bem ao tirar o desgastado Wendel para colocar Bruno César, de forma a procurar manter o controlo do meio-campo. Considerando o pouco tempo de trabalho com estes jogadores e a falta de contacto com as particularidades do futebol português, é animador ver o treinador a fazer uma leitura tão acertada do que o jogo estava a dar e dos riscos que se apresentavam.



Sustos - houve na primeira parte um par de sustos evitáveis em que Renan facilitou a jogar com os pés, que seriam compensados por três intervenções preciosas do guarda-redes na segunda parte que evitaram golos do Rio Ave que pareciam certos.

Ineficácia - foram imensas as oportunidades de golo criadas durante a primeira parte, suficientes para deixar o jogo resolvido ao intervalo: Mathieu, Coates, Dost e Diaby tiveram condições para finalizar melhor, e Bruno Fernandes obrigou Leo Jardim a grande intervenção. Felizmente esses golos falhados acabaram por não fazer falta.



MVP - Bruno Fernandes

Nota artística - 4

Arbitragem - Não se justificam os protestos dos jogadores do Rio Ave no primeiro golo, pois houve Gudelj sofreu uma carga e a falta foi marcada a uma distância aceitável. O lance de Mathieu com Vinicius era de avaliação muito complicada, e compreende-se que árbitro e VAR tenham deixado seguir. Xistra mostrou muitos cartões mas foi coerente na exibição de cartões, ainda que se possa dizer que Acuña teve sorte por não ter visto o segundo amarelo no final da primeira parte.



Estreia auspiciosa de Keizer no campeonato, com mais uma vitória convincente a fechar uma sequência de três jogos disputados fora de Alvalade. Seguem-se agora, previsivelmente, duas estreias num jogo só: a primeira partida em casa, e o primeiro adversário da I Liga (Aves) que estacionará o autocarro e apostará ofensivamente apenas no aproveitamento de eventuais erros dos nossos jogadores. Uma coisa é certa: com este arranque, este treinador e o futebol que trouxe merecem um estádio cheio para o receber.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

"Pases cortos, mucho fútbol"

As palavras de Gudelj no final do jogo de ontem, quando questionado sobre o que mudou com a entrada de Keizer: "Passes curtos, muito futebol, um toque, dois toques e quanto perdemos a bola pressionar imediatamente e ganhá-la em 5 segundos.". Parece tão simples e tão lógico, e no entanto foi uma miragem durante meses.


À esquerda: heatmap do Sporting na receção ao Qarabag; à direita: heatmap do Sporting no jogo de ontem em Baku
Dados: whoscored.com

Festim em Baku

A triangulação Coates-Diaby-Gaspar seguida do cruzamento atrasado para Dost rodar e sofrer o penálti; a rápida recuperação de bola que esteve na origem do segundo golo; toda a jogada do terceiro golo que partiu em Renan e terminou no incrível slalom de Nani; o controlo e passe longo imediato sob pressão de Wendel a lançar Diaby para o quarto golo; a bola picada de Wendel para Bruno Fernandes; e a finalização de primeira de Diaby após cruzamento de Jovane, que fechou o resultado: a goleada ao Qarabag proporcionou-nos um festim de rasgos de brilhantismo que coroaram uma exibição muito agradável, como há muito não me lembrava de ver o Sporting praticar. 



Ideia de jogo - em apenas duas semanas e meia de trabalho, Keizer já foi capaz de mostrar as ideias que quer implementar: futebol apoiado, vertical e objetivo, executado com velocidade e tendo sempre a baliza em mente, com os laterais bem abertos mas privilegiando o espaço interior e reagindo rapidamente à perda com a tal pressão alta que o treinador anunciou no dia em que se apresentou. Obviamente que não podemos ignorar que o nível dos dois adversários que defrontou não reflete as dificuldades típicas que terá de enfrentar no campeonato português, mas são já evidentes as melhorias em relação ao futebol que Peseiro nos impingiu durante quatro longos e tortuosos meses. Basta comparar com as exibições contra o Loures (em oposição à de sábado passado) e contra o Poltava (em oposição à de ontem).

Wendel & amigos - neste momento, uma das perguntas que a maior parte dos sportinguistas terá na cabeça é: como é possível nem Jesus nem Peseiro terem dado oportunidades a Wendel? A exibição do brasileiro foi uma delícia: registou três assistências (mais o passe para o primeiro golo de Diaby, que não contou para a estatística por ter havido um corte incompleto do defesa), ficou muito perto de marcar dois, e deixa água na boca o nível de entendimento que mostrou ter com Bruno Fernandes e Nani. Exibição muito, muito prometedora de Wendel em particular, mas também deste novo meio-campo em geral.

Apuramento para a fase seguinte - estava quase garantido à partida para esta jornada, e foi agora consumado. O Sporting continua em frente na competição.



O golo sofrido - Diaby esqueceu-se que tinha de acompanhar o seu homem e deixou Bruno Gaspar completamente sozinho contra dois adversários na área. Foi o único lapso com consequências - noutro caso valeu o corte de Bruno Fernandes quase sobre a linha de golo -, mas é um bom exemplo para nos relembrar que esta ideia de jogo implica riscos defensivos superiores e que há muito trabalho pela frente para que todos os jogadores saibam como se comportar individual e coletivamente quando o adversário tem a bola.



Um bom resultado, uma bela exibição, mas não há quaisquer motivos para euforias. Na próxima segunda vem o primeiro teste a sério, com a deslocação a Vila do Conde.

sábado, 24 de novembro de 2018

Bons princípios

Fonte: zerozero.pt
Keizer estreou-se contra um adversário de um nível que não permite retirar grandes conclusões, mas isso não quer dizer que o que se viu hoje não seja relevante. São visíveis, ao fim de menos de duas semanas de trabalho, algumas das ideias que o técnico holandês quer implementar na equipa: futebol de passe curto com preocupação dos jogadores em dar linha de passe próxima ao portador, saindo a jogar da área ao primeiro toque em oposição ao charuto para a frente que tem reinado está época, usando toda a largura do campo com, muitas vezes, os dois laterais bem abertos na faixa em simultâneo, preocupação de reagir rapidamente à perda de bola - que proporcionou várias recuperações no meio-campo adversário - e dando ordens para a chegada de muitos jogadores na área. Verdade seja dita que nem sempre estas ideias foram bem executadas, mas isso é perfeitamente normal nas atuais circunstâncias. 

O que (ainda) não deu para ver foi o aproveitamento do espaço nas costas da defesa com solicitações em profundidade. Não por falta de tentativa dos jogadores mais adiantados - Bruno Fernandes, Diaby e, principalmente, Wendel iniciaram o movimento de desmarcação por diversas vezes -, mas porque os portadores não se aperceberam da intenção dos seus colegas em tempo útil.

Estas mudanças na filosofia de jogo implicam riscos, principalmente trabalhando-as com a época em andamento. Em primeiro lugar, enquanto os jogadores não estiverem confortáveis na troca rápida de bola ao primeiro toque, basta um passe mal medido perto da nossa área para causar situações de perigo para a nossa baliza. Depois, os jogadores que temos não foram escolhidos em função dessa competência em concreto, pelo que há que saber fazer as concessões necessárias às ideias de jogo em função das características individuais dos onze jogadores de campo.

O que é facto é que já foi possível ver algumas jogadas de entendimento bastante interessantes - algo que raramente se vislumbrou na era Peseiro e no final da era Jesus -, na linha e em espaços interiores, que deu para marcar quatro golos em bola corrida e para descobrir um jogador que anda por cá há quase um ano e que nunca tinha contado para nenhum dos treinadores que trabalharam com ele no Sporting: Wendel foi o patrão da equipa e fez uma exibição muito prometedora no transporte e distribuição de jogo, na chegada à área e na reação à perda.

Bom princípio para um conjunto de bons princípios que nos farão muito bem caso consigam ser implementados com sucesso.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

18,98 and counting...

O Sporting comunicou ontem à CMVM que o valor total de investimento captado até ao final da quarta-feira - penúltimo dia da fase de subscrição do empréstimo obrigacionista -, é de 18,98 milhões de euros.

Sendo praticamente impossível que durante o dia de hoje se atinja o objetivo dos 30 milhões - teriam de aparecer investidores de outra dimensão -, não deixa de ser uma boa notícia face ao lentíssimo arranque registado na semana passada. Só ontem registou-se um investimento de 4,3 milhões de euros, o que confirma a tendência de que o interesse está a crescer com o passar dos dias - aumento de interesse que não será alheio à campanha agressiva que o Sporting fez esta semana, em reação à ausência total de publicitação da banca junto dos seus clientes. 

Há, obviamente, o outro lado da moeda: tendo sido o Sporting apanhado de surpresa pela falta de colaboração das instituições bancárias, não se deveria ter reagido de imediato com uma campanha própria logo ao fim de um ou dois dias de subscrições muito abaixo das expetativas? Possivelmente contribuiria para um arranque um pouco melhor, mas não nos podemos esquecer que até a mais agressiva das campanhas seria engolida pelo ruído que o caso de Alcochete gerou - que começou precisamente na véspera do primeiro dia de subscrição com a prisão preventiva de Bruno de Carvalho. 

Os obstáculos tem sido mais que muitos. Só o facto de ter havido o adiamento do pagamento do EO anterior já implicava um nível de desconfiança superior ao normal, a que se juntaram o pouco tempo de preparação que esta direção teve para o lançar, as tentativas de boicote levadas a cabo por gente com uma agenda própria, a falta de colaboração dos bancos e ainda o tal circo mediático de Alcochete que concentrou as atenções só país nos primeiros 4 dias de subscrição (de um total de 9). 

Seria ótimo que o ritmo de procura se mantivesse neste último dia de subscrição, pois cada euro angariado a mais representará uma maior folga para a apertada gestão de tesouraria que tem vindo a ser - e continuará a ser - necessária. E também porque mesmo se sabendo que os 30 milhões não serão atingidos, um bom último dia será o desfecho merecido para a demonstração de força e de união a que temos assistido esta semana. Ainda não sendo a força e união que é possível alcançar, é indiscutivelmente um progresso em relação ao passado recente: há muitos, muitos meses que não se via tantos sportinguistas a remar para o mesmo lado.