segunda-feira, 20 de maio de 2019

Uma equipa de arruaceiros - edição 2018/19

No final do jogo do Dragão, Frederico Varandas falou aos jornalistas referindo, de forma sarcástica, a facilidade com que os árbitros exibem cartões aos jogadores do Sporting. Não se pode dizer que seja uma novidade os critérios serem mais apertados quando são os jogadores do Sporting a cometer faltas, mas esta época foi particularmente pródiga em situações absurdas a penalizar os nossos atletas - ainda mais quando, noutros estádios, vemos sistematicamente equipas a escaparem a sanções disciplinares por situações de jogo idênticas ou mesmo mais graves.

Há alguns episódicos bem sintomáticos que vale a pena recordar e comparar. Ristovski foi expulso por três vezes: a primeira vez, em Setúbal, por ter protestado após uma cotovelada que sofreu - uma das agressões mais brutais da época - ter passado impune; a segunda, em Chaves, por ter feito uma falta banal que se deveria ter resolvido no máximo com um amarelo; a terceira, em Alvalade frente ao Tondela, por um pisão que se costuma punir com um cartão amarelo. No seu conjunto, custou-nos quatro pontos (Setúbal e Tondela) e poupou uma expulsão a um jogador do Chaves numa altura em que o resultado estava em aberto. Em contrapartida tivemos, no passado sábado, uma entrada de pitons de Felipe no tendão de aquiles de Diaby - muito pior que a falta de Ristovski frente ao Tondela - que escapou apenas com um amarelo. Aos 12’ da jornada inaugural, Tiago Martins já tinha amarelado Nani e Bruno Fernandes por protestos, o que contrasta, por exemplo, com as várias situações em que João Félix deu sermões a árbitros de dedo em riste sem qualquer punição.

Critérios completamente disformes que protegem uns de cenários potencialmente complicados e que empurram outros, neste caso o Sporting, para situações de dificuldade acrescida.

Nada de particularmente novo, mas, este ano, pode dizer-se que os árbitros capricharam. O Sporting chega ao fim do campeonato como a equipa mais indisciplinada da liga. Foi a equipa que viu mais cartões amarelos (95 contra 90 da segunda equipa mais amarelada), sendo o cenário composto com 7 expulsões.

Fonte: Transfermarkt

É um anacronismo aberrante que o Sporting, uma das melhores equipas da liga, cujos jogadores estão regularmente sujeitos a entradas bem mais violentas (lembrar, por exemplo, a nossa deslocação a Vila da Feira em que valeu tudo menos arrancar olhos), seja a equipa mais indisciplinada do campeonato. Mais indisciplinada que os "pés na chapa" que pululam nesta liga recheada de especialistas em pôr ferrolhos na porta.

Benfica, Porto, Braga, V. Guimarães e Moreirense, as outras equipas que se posicionaram de forma destacada no top-6 do campeonato, estão todas no grupo das 8 equipas mais disciplinadas. Esta é a regra. Por que razão o Sporting foi (e costuma ser) exceção?

Para além do condicionamento a que os nossos jogadores ficam sujeitos após verem cartões - quantas vezes Keizer, que já percebeu como funcionam as coisas por cá, foi forçado a substituir defesas e médios prematuramente? -, para além das suspensões quando se acumulam 5, 9 e 12 amarelos, há ainda o tempo de jogo que disputámos em inferioridade numérica. Só há quatro equipas no campeonato que jogaram mais tempo em desvantagem numérica do que o Sporting.

Gráfico feito com base em dados do site whoscored.com; equipas com valores negativos significa que jogaram mais tempo em superioridade numérica do que em inferioridade numérica; os minutos sem um determinado jogador acumulam-se em situações em que equipas tiveram dois ou três jogadores expulsos no mesmo jogo

Há ainda a questão do momento em que os jogadores são expulsos: uma coisa é uma equipa ver-se privada de um jogador perto do minuto 90; outra é ficar com menos um jogador durante a primeira parte.


Também aqui o Sporting é das equipas que mais penalizada foi: nas partidas em que nos vimos em desvantagem numérica estivemos, em média, a jogar 45 minutos nessa condição - fruto de várias expulsões na primeira parte e no início da segunda. Só o Marítimo tem média pior, ainda que, no caso da equipa insular, tenha tido apenas quatro expulsões durante a época. Braga, Benfica e, especialmente, Porto, sentiram muito menos (ou nada) na pele as dificuldades de jogar com menos jogadores do que o adversário.

2018/19 foi mais uma época em que saímos com muito mais razões de queixa do que os nossos rivais. E a questão disciplinar é apenas uma de várias áreas relacionadas com a arbitragem em que somos tratados de forma muito diferenciada, para pior, do que as equipas com quem tentamos disputar o título.

EDIT 12h30: apercebi-me agora que a tabela do Transfermarkt ainda não estava atualizada na noite de ontem - altura em que extraí o quadro que coloquei acima - com os cartões dos jogos disputados durante o dia. Aqui ficam os dados atuais, em que o Tondela passa a ser a equipa mais indisciplinada, "relegando" o Sporting para o segundo lugar desta tabela. Esta alteração não afeta a análise global e as conclusões que retirei. Os dados retirados do whoscored.com que coloquei já continham os últimos jogos.


quarta-feira, 15 de maio de 2019

O acordo por Gelson

O Sporting comunicou ontem à CMVM os contornos do acordo com o Atlético Madrid para a resolução do diferendo que envolve o clube e Gelson Martins: 

  • O clube espanhol paga 22,5 milhões de euros ao Sporting por Gelson, fechando a questão da rescisão;
  • O Sporting contrata ao Atlético o avançado Luciano Vietto, pagando 7,5 mihões de euros por 50% dos direitos económicos.

Feito o encontro de contas de ambas as transações, o Sporting está a aceitar ser compensado pela rescisão de Gelson em 15 milhões de euros + 50% de Vietto.


Compensação

Gelson foi avaliado em 22,5 milhões, um montante inferior ao que era o seu valor de mercado na altura em que rescindiu. Em contrapartida, Vietto foi avaliado em 15 milhões, um montante bastante superior ao seu atual valor de mercado. Nunca o Sporting contratou um jogador cuja totalidade do passe tivesse uma avaliação tão elevada. A sensação que este acordo deixa é que, mais que uma compensação, o Atlético encontrou uma forma de eliminar o risco para a iminente venda (com lucro) de Gelson ao Mónaco, ao mesmo tempo que resolve a situação de um excedentário - ficando ainda com perspetivas de recuperar uma parte considerável do investimento que fez em 2015 (pagou 20 milhões ao Villarreal por 100% do passe). 

Enquanto sócio e adepto, sinto-me muito pouco compensado por este acordo. À semelhança do que aconteceu com Rui Patrício e William Carvalho, é um desfecho dececionante após tudo o que aconteceu e considerando o valor desportivo que os atletas efetivamente têm. E se na altura em que se fecharam os casos de Patrício e William havia a atenuante da grave situação de tesouraria que o clube vivia, a situação mudou com a realização do empréstimo obrigacionista e da operação de antecipação de receitas dos contratos televisivos. Os constrangimentos financeiros não podem servir de justificação para o acordo formalizado ontem.

O ponto fulcral é este: terão sido os interesses do Sporting devidamente defendidos com este desfecho? Só a decisão do tribunal o esclarecerá: se a razão for dada aos jogadores, então este acordo será bom, dentro do que era possível; se a razão for dada ao Sporting, como todos esperamos... quantas dezenas de milhões de euros irá a SAD a perder nos três acordos que foram fechados? Admito que este racional é um exercício de totobola preenchido à segunda-feira, mas é mesmo isto que passará pela cabeça de todos os sportinguistas quando a decisão do tribunal for conhecida.


Carrossel

Se os valores do negócio já são de si pouco entusiasmantes, o contexto mendesiano torna-o ainda mais duvidoso. A chapa-15 e o abatimento do valor metendo metade de um passe de um excedentário deixam todo um desagradável odor a transação do carrossel Mendes - onde toda a gente costuma sair a ganhar... menos os clubes. 

Faz lembrar a venda de Gaitán do Benfica para o Atlético (LINK): o valor acordado era de 25 milhões, mas mais tarde descobriu-se que foram abatidos 12 milhões por 50% dos direito económicos de Jimenez e ainda 4 milhões pelas opções de compra de dois jogadores que nunca foram exercidas. Ou seja, o Benfica só recebeu 9 milhões nessa venda de Gaitán.

Não estou a dizer com isto que o negócio de Gelson e Vietto conterá ainda mais cláusulas ou contratos paralelos para já desconhecidos. Espero sinceramente que não, mas é um risco real a partir do momento em que a direção decidiu aproximar-se de Jorge Mendes. É um relacionamento que nunca trouxe nada de bom para o clube - basta lembrar a recente e preciosa ajuda que o empresário deu ao colaborar com Cintra para a contratação de José Peseiro e no papel que se diz que teve no consumar das rescisões de há um ano.


Vietto

O facto de ser muito discutível que os interesses do Sporting tenham sido adequadamente defendidos não deve lançar qualquer tipo de estigma ou dúvida sobre a qualidade de Vietto. Apesar de as últimas épocas não terem corrido bem ao argentino, parece-me um jogador que tem todas as condições para fazer a diferença na liga portuguesa. 

Os números desta época não são animadores, mas convém recordar que jogou no Fulham - uma das equipas mais fracas de Inglaterra - onde foi utilizado sobretudo como extremo, que não é a sua posição natural. Se o Sporting conseguir recuperar o jogador que se destacou no Villarreal, poderemos ter aqui o segundo avançado que procuramos desde que Teo Gutierrez saiu. A competitividade das ligas em que Vietto tem jogado é incomparavelmente superior à realidade portuguesa. Bem servido e bem rodeado, acredito que poderemos ter aqui um excelente reforço para 2019/20.

terça-feira, 7 de maio de 2019

50 milhões? Só se for pela perna esquerda.

11 minutos de classe pura, só recorrendo a lances desta esta época. Os golos, as assistências, os passes, os toques subtis que tiram um punhado de adversários do caminho, as paradinhas nos penáltis que nenhum guarda-redes consegue contrariar. Não faço ideia de qual é o valor que o Sporting está a pedir pelo jogador, mas tem de bater (de longe) o recorde de venda de um clube português.



segunda-feira, 6 de maio de 2019

Oito

UM. A forma como o jogo decorreu acabou por apontar os holofotes noutras direções, mas deve ser sublinhada a importância de dois momentos de Raphinha para que a tarde fosse tão tranquila: o golo inaugural após interceção oportuna e finalização de classe; e a desmarcação e drible sobre Muriel que, para evitar o iminente segundo golo do brasileiro, fez falta para cartão vermelho - praticamente sentenciando o destino dos três pontos. Pode não ter tido tanto a ver com a goleada como outros colegas, mas nenhum outro jogador esteve tanto na génese desta vitória como Raphinha.

DOIS. Mais um jogo, mais um golo de Luiz Phellype. Com alguma colaboração de Guilherme Oliveira, é certo, mas mais um golo. Depois de algumas dificuldades iniciais - a utilização esporádica não ajudou, certamente -, o brasileiro contratado ao Paços teve o mérito de aproveitar da melhor forma a lesão de Dost e já leva sete golos nos últimos seis jogos para o campeonato. Desde que veio para o Sporting, leva uma interessante média de um golo marcado a cada 97 minutos. Se lhe acrescentarmos as 3 assistências que já soma, então temos uma ação decisiva a cada 68 minutos. Nada mau para uma contratação de 500.000 euros. Ontem, para além do golo já referido, teve influência direta em dois dos golos de Bruno Fernandes: foi sobre Luiz Phellype que foi cometido o penálti do 1-4, e foi autor de delicioso trabalho pela direita que culminou num passe altruista para o capitão fazer o 1-5.  

TRÊS. Os três golos marcados fazem de Bruno Fernandes a figura do jogo, que elevam para 31 (trinta e um) os tentos apontados na época colocam-no como o médio mais concretizador da história do futebol europeu numa só época. Mas não foi apenas isso: fez também o passe de régua e esquadro que desmarcou Raphinha no lance da expulsão de Muriel, o passe para o golo de Dost (não conta como assistência porque o holandês apenas marcou na recarga), e ainda uma assistência no golo de Luiz Phellype. Ou seja, mais uma exibição superlativa a preencher uma época de antologia.

QUATRO. Foi o cenário ideal para o regresso de Bas Dost, cerca de dois meses após o seu último jogo, considerando que o fosso psicológico em que o ponta-de-lança estava metido. Muito aplaudido no momento em que foi para o aquecimento e muito aplaudido quando entrou, precisou apenas de dois minutos para faturar e foi visível a alegria do holandês e de todos os seus colegas pelo regresso aos golos. Teve ainda uma ação decisiva no último golo, com uma simulação em que deixou a bola à mercê de Doumbia.

CINCO. Estreias a marcar de Gudelj e Doumbia, e de Borja a assistir. Mais uma assistência para Acuña e Diaby.

SEIS. Não foi preciso ao Sporting acelerar muito para ir para o intervalo com uma vantagem de dois golos. A segunda parte prosseguiu num ritmo médio e foi baixando gradualmente ao ponto de permitir ao Belenenses subir de forma mais insistente e chegar ao golo - mau passe de Mathieu e má abordagem de Borja, Ljujic passa com facilidade por Coates e remata cruzado para defesa incompleta de Renan (podia ter feito melhor) que Licá aproveitou da melhor forma. O golo da equipa da casa teve o condão de despertar o Sporting, que daí para a frente aumentou de forma drástica os níveis de agressividade e velocidade - que se traduziram em mais 6 golos no espaço de 25 minutos. 

SETE. Bela tarde de primavera, que, para além da goleada, serviu de adaptação ao relvado e à iluminação natural do Jamor com vista à final da Taça de Portugal. Foi pena que não houvesse mais sportinguistas nas bancadas.

OITO. Para além do registo histórico do número oito (Bruno Fernandes), os oito golos marcados são também assinaláveis. É preciso recuar 52 anos para encontrarmos outro jogo em que uma equipa marcou pelo menos oito golos num jogo do campeonato português na condição de visitante (Beira Mar 0-9 Benfica). O Sporting, em particular, não marcava tanto para o campeonato na condição de desde 1940 (Leixões 2-9 Sporting) (dados @playmaker_PT). Goleada histórica.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

domingo, 28 de abril de 2019

Imortais


Oitenta minutos disputados no espaço de dois dias que roçaram a perfeição. Uma notável demonstração de vontade, espírito de sacrifício, concentração e disciplina que, em conjunto com o enorme valor individual e coletivo que todos sabíamos existir nesta equipa, resultou em duas vitórias incontestáveis contra a nata da modalidade. 

Obrigado aos jogadores, a Nuno Dias e restante equipa técnica, e a todos os dirigentes, antigos e atuais, que contribuíram para que hoje, finalmente, tenha sido possível concretizar algo que todos desejávamos e ambicionávamos há anos.

Uma conquista épica e história que vos coloca ao nível dos maiores símbolos deste clube centenário.



João Matos ergue o troféu



O mais emocionante "O Mundo Sabe Que"



Os primeiros festejos

Raphinha contra as indignações

Toda a gente sabe que a liga portuguesa é uma competição que, nas últimas décadas, tem sido recorrentemente marcada por decisões incompreensíveis de arbitragem com impacto direto nos resultados de jogos e na definição de campeões. No entanto, esses erros sempre foram passando por entre os pingos da chuva. O leque de argumentos desculpabilizadores utilizado pelos comentadores da nossa praça é vasto e bem conhecido do adepto de futebol: que o árbitro é humano, que o erro faz parte do jogo, que são decisões que têm de ser tomadas em milésimos de segundo, terminando na habitual e aberrante conclusão de que, no final da época, os benefícios e prejuízos equilibram-se e ninguém tem reais razões de queixa.

Isto, obviamente, não se aplica às raras situações em que o Sporting é ostensivamente beneficiado. Aí os nossos especialistas descobrem que, afinal, os árbitros não têm a qualidade desejável, que o VAR não funciona, que o protocolo do VAR tem de ser revisto, que há erros que efetivamente podem mudar o rumo de um jogo. Ontem, quem teve o azar de seguir o jogo pela Sport TV, pôde voltar a viver essa experiência de forma bem intensa. "Um erro incompreensível", lamentava repetidamente o locutor de serviço durante os cinco minutos em que o jogo esteve parado. que rapidamente concluiu que o golo devia ter sido anulado e que devia ser assinalado penálti a favor do V. Guimarães. Um par de minutos depois de reatado o jogo, Luiz Phellype remata à barra e o locutor, em vez de falar na oportunidade desperdiçada ou no grande passe de Bruno Fernandes, preferia voltar a falar do erro do árbitro. Continuou a pisar e repisar o tema até que, já durante os descontos, recebeu a indicação que se calhar a falta tinha sido fora da área e que era possível que o V. Guimarães tivesse tido posse de bola entre o momento da falta e o momento do golo. 

Tudo espremido, houve de facto um erro de Rui Costa: falta óbvia de Acuña que daria direito a um livre direto na quina da área a favor do V. Guimarães. O golo de Raphinha foi corretamente validado porque o VAR não podia intervir a partir do momento em que não houve penálti e em que houve mudança na posse de bola entre a falta e o golo. Ou seja, acaba por sobrar apenas mais uma sessão de indignação forçada que lá servirá para alimentar narrativas que conhecemos de gingeira.

Polémica à parte, foi uma bela tarde de futebol, com um estádio cheio que pôde assistir a um jogo de sentido único e sem grande história. Após 10 minutos de algum ascendente territorial visitante, o Sporting arrancou para uma exibição em que demonstrou uma superioridade clara, criando múltiplas ocasiões para marcar. Em vez de irmos para o intervalo com uma goleada, fomos apenas um golo marcado por Raphinha - fraca recompensa para a produção ofensiva da equipa que proporcionou quatro bolas nos ferros (Raphinha, Bruno Fernandes, e Luiz Phellype por duas vezes) e um punhado de boas intervenções de Miguel Silva. A história repetiu-se na segunda parte até ao golo de Luiz Phellype (boa finalização após mais uma boa jogada de Raphinha, numa jogada que começou num passe longo de Renan a solicitar o brasileiro na linha) que selou o marcador. A partir daí, a equipa limitou-se a gerir a vantagem até ao final sem quaisquer sobressaltos.

Destaque óbvio para Raphinha (um golo, uma assistência e uma constante dor de cabeça para a defesa adversária, na sua melhor exibição da época), Luiz Phellype (mais um golo, já vão 6 nos últimos 5 jogos do campeonato) e Bruno Fernandes (uma assistência), bem acompanhados por Wendel e Doumbia. De referir também o bom desempenho defensivo em mais um jogo em que voltámos a não conceder qualquer oportunidade ao adversário (nos últimos 7 jogos, o Sporting sofreu apenas 2 golos) e que ajudou a garantir um triunfo incontestável que aumenta a série de vitórias consecutivas para 9. Que no final da época sejam 13.

P.S.: no final do jogo, um indignado Júlio Mendes foi à sala de imprensa reclamar da arbitragem, dando sequência a uma bonita tradição que os presidentes de clubes minhotos fazem questão de implementar quando se deslocam a Alvalade. Pena que não tenha feito o mesmo, por exemplo, quando, em agosto, sofreu um golo em claro fora de jogo no Dragão, ou quando foi escandalosamente prejudicado em 15/16 por uma Xistralhada épica com múltiplos erros grosseiros a favorecer o Benfica (dois penáltis por assinalar a favor do V. Guimarães e duas expulsões perdoadas a Eliseu e Jardel). Nessa altura só falou 4 dias depois... para defender Sérgio Conceição. Sobre Xistra... só disse isto.



Coerência não é, definitivamente, o seu forte. Mas sejamos compreensivos: Júlio Mendes não terá tido um dia fácil: acabou com uma azia do tamanho de um camião.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Na final da Futsal Champions League

Enorme exibição do Sporting, a roçar a perfeição ao nível da concentração e agressividade colocada em campo! Uma vitória justíssima sustentada numa demonstração de grande personalidade do princípio ao fim, bem patente, por exemplo, na forma imediata como a equipa soube reagir ao 1º golo do Inter Movistar e soube manter-se coesa jogando os últimos 9 minutos no limiar da 6ª falta.

Estiveram todos a um nível elevadíssimo, mas um destaque especial para os três golos de Dieguinho e para as monstruosas exibições de Guitta e Leo. 

Parabéns a todos os jogadores e equipa técnica! A ver se é desta que o caneco vem para o nosso museu. A final é no domingo às 15h.






sexta-feira, 19 de abril de 2019

q.b.

Perante a indisponibilidade de quatro dos mais importantes jogadores na manobra ofensiva - Dost, Raphinha, Wendel e Borja (que obrigou Acuña a jogar como lateral) -, a principal curiosidade da deslocação do Sporting à Choupana residia na forma como iriam responder as segundas linhas na tentativa de dar a melhor sequência à série de sete vitórias consecutivas. Keizer recorreu ao já habitual Luiz Phellype, colocando Diaby e Jovane nas alas e apostando em Doumbia como médio de transporte.

O novo onze correspondeu com uma atuação q.b., sendo que o q.b. estava situado num patamar bastante baixo face ao fraco nível da oposição. O Sporting dominou o jogo durante os 90 minutos, concedeu um total de zero oportunidades de golo ao Nacional e, mesmo mantendo um ritmo que de sufocante nada teve, foi criando oportunidades em número suficiente para voltar da Madeira com uma vitória confortável. A incerteza no resultado manteve-se, no entanto, até ao fim: a falta de acerto na finalização encontrou-se com uma inspirada exibição de Daniel Guimarães, e foi necessário esperar mais de uma hora até Luiz Phellype picar novamente o ponto. O brasileiro aproveitou novamente a oportunidade e assinou ou 5º golo na sequência de 5 jogos que fez a titular - com uma eficácia de aproveitamento assinalável. Luiz Phellype está a valer golos e pontos, correspondendo às melhores expetativas que levaram à sua contratação no mercado de inverno. Pelo menos está com um rendimento bem acima daquele que eu esperava.

Pela positiva, de destacar também os bons jogos de Acuña (assinou a 10ª assistência e vai no 4º jogo consecutivo para o campeonato com passes para golo), Gudelj (defensivamente), Doumbia (soltou-se na 2ª parte). Coates e Mathieu ofereceram a consistência habitual e Salin esteve muito seguro a sair dos postes a matar à nascença lances de potencial perigo para a sua baliza.

No extremo oposto... os extremos. Diaby até teve uns primeiros 20 minutos bastante aceitáveis - sobretudo na ligação entre setores - mas a partir daí perdeu-se nos equívocos habituais com bola. Jovane esteve pouco esclarecido e, exceção feita a um remate em arco da esquerda, não conseguiu gerar desequilíbrios individuais nem, a partir da meia hora de jogo, contribuir para desequilíbrios coletivos. Bruno Fernandes teve o jogo mais desinspirado dos últimos tempos, poucas coisas lhe saíram bem.

É certo que o calendário tem sido acessível, mas esta série de oito vitórias consecutivas evidencia um grau de maturidade e consistência que ainda não tínhamos observado esta época. Que continue assim até ao final da temporada.

domingo, 14 de abril de 2019

Há Dias difíceis

Qualquer prognóstico feito pelos adeptos ao Aves - Sporting ficou obsoleto ao fim de quatro minutos. Artur Soares Dias decidiu fazer história aos 4' mostrando um cartão vermelho a Renan - nunca um jogador do Sporting tinha sido expulso, em qualquer competição, com tão pouco tempo decorrido - da forma mais artursoaresca possível: recorrendo aos mais finos limites da interpretação, como sempre parece acontecer quando o Sporting está envolvido. É indiscutível que Renan derruba o adversário e é indiscutível que era uma jogada de perigo, mas é discutível que o jogador do Aves estivesse numa posição assim tão clara para marcar - corria na direção da linha de fundo e não em direção à baliza, e o ângulo em que se encontrava não era propriamente favorável para uma situação de concretização. Ainda assim, vermelho mostrado, e o Sporting viu-se condenado a jogar em desvantagem numérica durante os restantes 94' de jogo que se disputaram.

Fonte: zerozero.pt
Verdade seja dita que tal desvantagem numérica não se notou no decurso do jogo. O Sporting controlou a partida do princípio ao fim, sabendo gerir os ritmos de jogo e sendo inteligente e acutilante nos momentos ofensivos. Chegou à vantagem no marcador com naturalidade através de Luiz Phellype (quarto golo nos últimos cinco jogos) e, após o único lance de verdadeiro perigo do Aves que resultou em penálti (bem assinalado) e no empate, não tardou a recolocar-se na frente através de Mathieu, num lance que ficará lembrado sobretudo pelo medo que Bruno Fernandes provoca às defesas adversárias: a dúvida de que, apesar da distância, o livre pudesse ser batido direto pelo capitão, levou a que um defesa do Aves descesse para junto do poste - movimento aproveitado de imediato por Coates e Mathieu, que se adiantaram e ajudaram a que se criasse o decisivo desequilíbrio para fazer abanar as redes. Mas o marcador não ficaria fechado sem que Bruno Fernandes apontasse o 28º golo da época de cabeça (!), encerrando em definitivo as dúvidas sobre quem seria o vencedor. Vale também a pena referir que, pelo meio, Soares Dias ainda transformou uma obstrução de Diego Galo sobre Acuña que deveria valer o 2º amarelo ao defesa do Aves num amarelo ao argentino do Sporting. Há Dias mais difíceis que outros, mas felizmente o Sporting soube contornar os obstáculos colocados e arrecadou os três pontos com inteira justiça.

A equipa parece estar a atravessar o melhor momento da época, tendo alcançado ontem a 7ª vitória consecutiva. Não surpreende que este período coincida com o espaço de tempo em que se voltou ao ritmo de um jogo por semana. Isto demonstra que, havendo um plantel tão desequilibrado e carente de alternativas, uma boa condição física dos titulares é fator fundamental para que se consiga manter um nível de regularidade compatível com a luta pela vitória no campeonato. O desgaste causado pelo ritmo frenético de jogos entre outubro e fevereiro acabou por matar essa pretensão. Espero que, pelo menos, se aprenda com esta experiência e que a estrutura de futebol saiba estabelecer as prioridades certas para a época de 2019/20.