sexta-feira, 13 de julho de 2018

A candidatura de Carlos Vieira

Carlos Vieira apresentou ontem, ao final da tarde, a sua candidatura à presidência do Sporting. Confirma-se, portanto, a cisão entre os elementos do Conselho Diretivo que permaneceram em funções até à sua destituição na AG do passado mês.

Gostei do discurso de lançamento da candidatura e de algumas das ideias propostas. Para quem não viu, pode fazê-lo aqui:



Sempre apreciei o trabalho discreto mas competente de Carlos Vieira ao longo dos cinco anos em que esteve no Sporting. Se, em abril ou até mesmo logo após os acontecimentos da Academia, Carlos Vieira se tivesse afastado - ao invés de ter permanecido ao lado de Bruno de Carvalho até ao fim -, seria um candidato que eu apoiaria sem reservas. No entanto, ter decidido ir até ao fim com Bruno de Carvalho - recusando sair ou aceitando sequer a hipótese de marcação de eleições para uma data conveniente - poderá ser-lhe prejudicial aos olhos dos sportinguistas. Pelo menos, aos meus olhos, foi prejudicial. É certo que essa sua decisão pode ser vista como demonstração de lealdade - que é uma qualidade importante -, mas também se pode alegar que essa lealdade para com o presidente era devida em primeiro lugar ao Sporting.

Ainda assim, será um nome forte que terá de ser levado a sério. Há, no entanto, um grande problema e um grande desafio que terá de ultrapassar: está neste momento suspenso e não é nada certo que possa vir de facto a concorrer; e, no caso de poder concorrer, terá de ser muito convincente de que tem capacidade para sair da sombra de Bruno de Carvalho e ser o líder de que o Sporting necessita. 

Há ainda a teoria de que poderá estar em conluio com Bruno de Carvalho para colocar o ex-presidente na SAD caso ganhe as eleições. Isso não faz qualquer sentido, por dois motivos:
  • se Bruno de Carvalho for suspenso, então Carlos Vieira também será suspenso;
  • Bruno de Carvalho e Carlos Vieira, estando em conluio, não teriam nada a ganhar em apresentar duas listas que dividirão a sua base de apoio; nas eleições do Sporting não há hipóteses de formar coligações ou geringonças, ganha a lista que tiver mais votos, mesmo que sem maioria absoluta; logo, concorrendo os dois em separado, terão inevitavelmente menos hipóteses de conseguirem ser a lista mais votada.

Fazendo um curto comentário às propostas apresentadas por Carlos Vieira, destaco pela positiva a construção de uma nova Academia para o futebol na região de Lisboa. Havendo meios financeiros, acho muito importante que isso aconteça: o isolamento de Alcochete e a distância para Lisboa prejudica o recrutamento de jogadores jovens e o acompanhamento dos jogos das equipas jovens e de futebol feminino pelos sportinguistas. É uma reforma estruturante que deverá ser levada a sério pelo futuro presidente, seja ele quem for. Pela negativa, não percebo a necessidade de distribuição de dividendos. A SAD tem demasiados desafios pela frente para estar preocupada em ver-se livre de parte dos poucos lucros que vai conseguindo ter. Percebo que é um piscar de olho aos acionistas, mas eu, enquanto sócio, não gosto da ideia.

Fiquemos agora à espera do programa, da lista... e da decisão do CFD sobre a suspensão do antigo CD.

A venda de William

No princípio da noite de ontem, multiplicaram-se as notícias de que William Carvalho assinou pelo Bétis, havendo também um acordo de verbas entre o clube espanhol e o Sporting para que a transferência se concretize de forma não litigiosa. O montante do negócio ainda não é oficialmente conhecido, mas ao longo da noite foram sendo reportadas versões diferentes: 17 milhões + 8 variáveis, 15 milhões + 10 variáveis, e 20 milhões + 10 variáveis.

Recordo que já saíram notícias semelhantes sobre um acordo por Gelson Martins com o Atlético Madrid que, até ver, não se concretizou oficialmente, o que significa que convém não tirar já juízos definitivos sobre a atuação da atual administração no eventual negócio de William Carvalho.

Mas se estes números se vierem a confirmar, a direção liderada por Sousa Cintra deverá revelar aos sportinguistas quais são os objetivos que têm de ser cumpridos para que o Sporting receba a componente variável do acordo. 

Vou pegar nos 17+8M, por não ser nem a proposta mais favorável nem a proposta mais desfavorável: entre 17 e 25 milhões existe uma diferença substancial que separa um mau negócio (que não se deveria fazer) e um bom negócio (considerando as atuais circunstâncias). 

É claro que há um ano nunca imaginaríamos que William pudesse ser negociado por estes valores, mas a realidade alterou-se muito de lá para cá, e é com a realidade atual que esta CG tem de trabalhar. Isso, no entanto, não dispensa a CG de prestar contas aos sócios pelas suas decisões. Não será possível perceber se, confirmando-se estes números, estamos perante um bom ou um mau negócio sem conhecermos exatamente o que foi acordado pelos dois clubes. Sei que não é habitual revelar os detalhes da componente variável das transferências, mas neste caso, por uma questão de transparência, é fundamental que isso seja feito. Os sócios têm o direito de saber.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

De regresso a casa



O Sporting anunciou ontem a contratação de Nani para as próxima duas épocas, com mais uma de opção. O clube comunicou à CMVM que o jogador veio a custo zero, com o Valência a ficar com direito a 40% de uma futura venda. Não foi estabelecida uma cláusula de rescisão, o que demonstra que o jogador e o clube tencionam cumprir o contrato na totalidade.

Nani tem 31 anos (faz 32 em novembro) e vem de uma época pouco positiva em Itália, onde teve uma utilização escassa na Lazio. Não tem tido sorte com as lesões - no ano civil de 2017, enquanto esteve no Valência e em Itália, contraiu uma lesão no joelho e várias lesões musculares que o afastaram cerca de cinco meses dos relvados. Está longe do seu auge e veremos até que ponto conseguirá estar ao nível da excelente primeira metade da época que realizou na sua última passagem pelo Sporting.

Apesar disto e não sabendo detalhes do salário que virá auferir, parece-me, no entanto, um bom reforço para o Sporting: tem seguramente valor mais que suficiente para ser um desequilibrador no futebol português, vem preencher uma posição que necessitava de alternativas, e, sobretudo, acho importante existir no plantel uma referência da formação depois das rescisões de jogadores como Patrício, William ou Gelson.

Bem-vindo de volta a casa, Nani!

quarta-feira, 11 de julho de 2018

O regresso de Bruno Fernandes

O regresso de Bruno Fernandes ao Sporting é (mais) um assunto que promete dividir os sportinguistas durante os próximos tempos. Há quem não lhe perdoe a rescisão e se sinta humilhado por ver o clube reabrir-lhe as portas, há quem aplauda o regresso e esteja preparado para o receber de braços abertos, da mesma forma que havia quem considerava a rescisão dos nove jogadores como um ataque ao clube, à direção e aos sócios e havia quem compreendesse a decisão face ao que aconteceu na Academia.

Os pontos de vista podem ser diferentes (e, em alguns casos, extremados), mas creio que existem duas áreas em que as opiniões serão quase unânimes. 

A primeira é que, desportivamente, o plantel do Sporting fica bastante mais forte. Falamos apenas de alguém que foi consagrado pela Liga como o melhor jogador da temporada passada - ficarei para sempre na dúvida se Bruno Fernandes teria ganho o prémio caso não tivesse rescindido, mas isso é outra conversa - e que, aos 23 anos de idade, ainda tem margem para evoluir. Logo, parece-me evidente que é um reforço de peso para atacar esta nova época.

A segunda é que, financeiramente, é uma operação obviamente positiva, pelo encaixe que poderá trazer numa eventual futura venda. Em relação ao impacto imediato nas contas, não me parece que seja relevante: considerando que o jogador rescindiu em 2017/18, suponho que a SAD tenha registado no 4º trimestre uma imparidade igual ao montante ainda não amortizado do passe do jogador (que deveria rondar os 7 milhões de euros); agora, que estamos no 1º trimestre de 2018/19 e entrando o jogador (segundo o que foi dito) sem encargos, Bruno Fernandes valerá zero como ativo incorpóreo no balanço. Ou seja, não contribuirá, para já, para retirar a SAD da situação de falência técnica. Isto não é um problema, porque quanto menor for a valorização contabilística de um ativo, maior será a mais-valia no momento em que o jogador for transferido.

Se desportiva e financeiramente não há grandes dúvidas em relação ao benefício deste regresso, há a não menos relevante questão de princípio de o clube estar a abrir as portas a um jogador que decidiu abandoná-lo em concertação com outros colegas, contribuindo para o agravamento de uma crise que já era profunda.

Há que dizer, em primeiro lugar, que Bruno Fernandes esteve muito bem na conferência de imprensa. Revelou coragem ao disponibilizar-se para as perguntas dos jornalistas - e algumas delas foram bem complicadas -, às quais respondeu sempre de forma direta e frontal, em especial quando lhe questionaram as condições financeiras do novo contrato. Bruno Fernandes afirmou ter assinado um contrato igual ao que teria antes, sem mexer no salário e sem receber prémio de assinatura, contrariando assim os cenários de chantagem e aproveitamento indevido.

(isto é, no entanto, uma imagem incompleta: falta saber se o clube continua a ter 100% dos direitos económicos, se foi paga alguma comissão ao empresário, e se o Sporting se comprometeu em ceder ao jogador/empresário/intermediário parte das mais-valias de uma venda futura; pela aparente sinceridade nas respostas, estou convencido que não... mas nestas coisas nunca se sabe)

Creio que no final da época passada, antes das rescisões, ninguém veria com maus olhos uma melhoria contratual de Bruno Fernandes. Voltando nestas condições, está a passar-se a decisão da revisão salarial à futura direção. Como tal, se não existir nenhuma omissão relevante, não haverá nada a apontar em relação à atuação de Sousa Cintra e de Bruno Fernandes nesta reassinatura. Pelo contrário, os interesses do Sporting estarão a ser defendidos por um e por outro. 

Acredito que Bruno Fernandes terá recusado propostas financeiras bastante mais tentadoras do que o contrato que tem com o Sporting. Qualquer clube do meio da tabela das cinco maiores ligas poderia fazê-lo, e não tenho quaisquer dúvidas de que o seu desempenho desportivo na época passada terá aguçado o apetite de vários emblemas com capacidade financeira muito superior à nossa. Resta saber se estariam dispostos a correr o risco de pagar uma indemnização de 100 milhões ao Sporting.

Neste momento, estou assim: as palavras de Bruno Fernandes e as condições acertadas para o seu regresso não chegam para apagar por completo a angústia que senti semanas a fio com a questão das rescisões concertadas (nada que se pudesse fazer poderia apagá-la por completo), mas ajudam a atenuá-la consideravelmente. Foi um golpe ter saído como saiu, mas o facto é que voltou, ao contrário de outros, com os benefícios desportivos e financeiros que daí advêm para o Sporting. Inclusivamente, por ser o primeiro dos nove a dar este passo, este regresso poderá ajudar o Sporting na gestão do dossier das restantes rescisões. Nada disto pode ser ignorado, nem pode ser ignorado o esforço que o jogador parece estar a fazer para sarar as feridas que foram abertas. Vai ser estranho estar no estádio e vê-lo de novo com a nossa camisola, mas vejo espaço para que possa ir avançando no sentido da reconciliação.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Aguardemos com serenidade o comunicado à CMVM...

... porque a capa d' A Bola de hoje é má demais para ser verdade. Não acredito que algum responsável do Sporting aceite um negócio que nos transporta de volta para tempos godinhescos que julgávamos definitivamente ultrapassados.

Mas se por acaso for verdade - repito, não acredito que seja verdade - que nos estamos a preparar para vender Gelson Martins ao preço de um João Carvalho + a compra de um guarda-redes de que não precisamos + empréstimo de um jogador, então a Comissão de Gestão terá de dar explicações aos sócios sobre a senilidade de quem anda a tomar decisões destas.


segunda-feira, 9 de julho de 2018

29 para estágio

O Sporting anunciou há pouco o nome dos 29 jogadores que seguirão esta tarde para o estágio na Suiça:



De recordar que ainda estão por se juntar ao grupo os mundialistas Acuña e Coates.

Olhando para a composição do plantel, salta à vista a escassez extremos e a ausência de várias soluções sólidas para as posições de ponta-de-lança, médio ofensivo e médio defensivo. Por outro lado, há excesso de opções ao nível das laterais e dos centrais. Seguramente que o plantel ainda dará muitas voltas até se alcançar o grupo de jogadores final.

sábado, 7 de julho de 2018

Albuquerque com Varandas

A ser verdade, Miguel Albuquerque é mais um nome de peso que se junta à candidatura de Frederico Varandas. Segundo o que escreve hoje A Bola, Albuquerque será o dirigente responsável para as modalidades em caso de vitória da lista de Varandas nas eleições de setembro.

Nos último dias falou-se na possibilidade de Miguel Albuquerque avançar com uma lista própria. De todos os nomes que foram falados até agora, Albuquerque e Benedito (ao contrário de Madeira Rodrigues, Dionísio Castro, Dias Ferreira e Tavares Pereira) são os únicos que efetivamente têm alguma hipótese de entrar na discussão pela presidência, pelo que esta fusão estabelece Frederico Varandas como um candidato cada vez mais forte. Ainda ontem surgiram notícias de que a candidatura de Varandas estava também a tentar encontrar um ponto de entendimento com Tomás Froes - que fez parte da lista de Pedro Baltazar em 2011 e apoiou Pedro Madeira Rodrigues contra Bruno de Carvalho em 2017 - para unir esforços numa lista única. E, claro, a Comissão de Honra de Varandas já conseguiu reunir um leque de nomes capazes de agradar às mais diversas sensibilidades - de Eduardo Barroso a Luís Duque, passando por Paulo Abreu ou Daniel Sampaio.


Percebo, em teoria, aquilo que Varandas pretende com esta estratégia: a ideia passará por constituir uma lista tão abrangente quanto possível de forma a voltarmos a ter um Sporting unido sob a sua presidência. Na prática, tenho receio que isso seja uma utopia, pois uma coisa é uma união em função de um conjunto de ideias, outra coisa é uma união em função de um nome que se considera forte. Godinho Lopes tentou o mesmo em 2011 e, depois ter vencido e iniciado funções, deu logo para perceber o saco de gatos que era a sua lista à medida que se ia desintegrando aos primeiros sinais de dificuldades. E sabemos bem que não faltarão dificuldades para enfrentar a partir do dia 9 de setembro.


Assino por baixo

Artigo de opinião de Rui Calafate, publicado no Record:



Não concordo com Rui Calafate quando diz que Bruno de Carvalho mantém uma base eleitoral fidelizada de 28%. Estou convencido de que uma parte não negligenciável dos sócios que votou contra a destituição fê-lo por não querer ver o clube cair nas mãos da Comissão de Gestão, mesmo considerando que Bruno de Carvalho tinha poucas condições para permanecer como presidente. É o meu caso: votei contra a destituição, mas não votarei em Bruno de Carvalho caso queira (e caso o deixem) ir a votos.

No resto, assino por baixo: na perceção que tem das candidaturas, sobre o que tem sido o conteúdo da campanha, e sobre a questão das rescisões. Excelente texto.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

A sustentabilidade das modalidades

Não deve haver sportinguista que, acompanhando mais de longe ou mais de perto os jogos das modalidades, não sinta orgulho pelo domínio que as nossas equipas impuseram na época que agora acabou. O futsal deu continuidade à hegemonia dos últimos anos (vai numa série de 7 campeonatos ganhos em 9 possíveis), o andebol passeou rumo ao bicampeonato, o voleibol regressou em grande com a conquista do título numa final épica, e o hóquei em patins, que tinha a tarefa mais complicada de todas face à enorme competitividade do campeonato português, superou-se e recuperou um título que nos escapava há décadas.

Tudo isto na época de estreia do Pavilhão João Rocha, um edifício funcional e lindíssimo, por fora e por dentro, que enche os olhos a qualquer um que lá ponha os pés pela primeira vez.

E convém não esquecer o atletismo, que ainda este ano nos ofereceu mais um título europeu.

Como é óbvio, é preciso gastar muito dinheiro para podermos apresentar estes níveis de competitividade - porque os nossos rivais, ao contrário do que dizem, também investem forte. Sempre investiram, simplesmente a questão dos orçamentos apenas passou a ser assunto quando o Sporting começou a intrometer-se na luta pelos vários títulos em disputa.

Como é óbvio, o crescimento do número de sócios e a passagem da totalidade da verba das quotizações para o clube contribuíram decisivamente para o aumento da disponibilidade financeira para as modalidades. Os patrocínios ajudam a compor o orçamento. Mas não chega. É necessário recorrer a outras receitas do clube (rendas de espaços e cedência de direitos de marca, etc., do clube à SAD), que são fundamentais para manter os exercícios sucessivos com lucro, apesar do aumento do investimento das modalidades. E é aqui que está centrada a polémica dos últimos dias, relativamente à sustentabilidade das modalidades: até que ponto é que parte dessas rendas e cedências de direitos terão sido empoladas de forma a que a SAD pague mais do que devia ao clube, ajudando assim a que haja mais dinheiro para ter equipas mais competitivas?

Vou tentar dar um exemplo teórico: acredito que seja possível que o Sporting (clube), em vez de cobrar x milhões à SAD pela utilização da marca Sporting, cobre x+1, canalizando esse milhão adicional para as modalidades. Como quem manda na SAD e no clube são as mesmas pessoas, é algo que se pode concretizar de forma quase automática.

Olhando para os orçamentos apresentados nos últimos anos, falamos de valores relativamente pequenos para o que é a realidade da SAD, mas que são ajudas importantes para o clube: sem ter acesso aos números detalhados, e olhando apenas para a evolução das receitas do clube ao longo dos últimos anos, arriscaria que estaremos a falar de valores que oscilarão algures entre os 2 e os 4 milhões de euros. Falamos de um peso de 10 a 20% do orçamento total do clube.

É por causa destes valores adicionais que a SAD poderá estar a canalizar para o clube que se tem levantado o problema da sustentabilidade das modalidades.

Na minha opinião, estamos a falar de um não-problema: continua a ser o Sporting, na sua globalidade, que está a financiar as modalidades. Não são os bancos, não são mecenas. É o grupo Sporting, com os seus próprios meios. Enquanto sócio do clube e pequeníssimo acionista da SAD, acho muito bem que exista este tipo de apoio da SAD ao clube - pois é um pequeno sacrifício que nos ajuda a ter muitas alegrias. Mas compreendo que a questão não seja tão pacífica para os maiores acionistas da SAD.

Até ver, os candidatos pronunciaram-se de forma bastante vaga em relação a este assunto: 


Tanto Frederico Varandas como Pedro Madeira Rodrigues prometem que continuaremos a ter equipas para ganhar, dizem inclusivamente ter como objetivo o regresso do basquetebol, mas mantêm-se cautelosos em relação à questão da sustentabilidade. Compreendo essa cautela, já que não têm conhecimento dos números exatos, mas isso também faz com que as suas promessas de competitividade das modalidades de pouco valham. 

Que todos querem modalidades ganhadoras, parece-me óbvio. Mas estarão dispostos a manter essa política de apoio da SAD ao clube? Essa é a pergunta mais importante relativamente às modalidades e que eu gostaria de ver respondida de forma mais concreta.

Carta aberta a Rui Patrício (@3295c_)

Novo texto do 3295C.



Rui,


Tal como tu esperaste pelo momento certo para te pronunciares sobre o teu pedido de rescisão, também eu esperei que o fizesses para te dizer o que fizeste aos Sócios do Clube que te criou e que te apoiou nos bons e nos maus momentos, desde que vieste, pequeno, de tua casa, e reforçado quando legítima e justamente assumiste a posição de guarda-redes naquele célebre jogo nos Barreiros, sobre o que nos aconteceu. Aos dois. A ti e aos Sportinguistas.

Na tua carreira de número 1, prometeste e cumpriste, com altos e baixos como qualquer ser humano que dizes ser e és, com a família leonina invariavelmente do teu lado. Nem sequer acredito que tenhas levado a mal a queda das tochas no relvado no jogo com o Benfica. Já vi uma imagem desse momento em que estás a sorrir, como quem sabe do que a casa gasta. Tantos anos estiveste sentado no trono da baliza Vítor Damas, que não seria desta vez que te caía mal. Se calhar caiu e não estarei a ser justo, mas mesmo que tenhas levado a mal esse episódio, tudo o que te tenho para dizer como adepto e Sócio do Sporting, minimizará essa situação.

Considerei a tua carta uma autêntica contradição do princípio ao fim. Numa versão mais suave, diria que te foi difícil fazer a distinção entre o coração que dizes ter de leão e o profissional que és do Sporting Clube de Portugal. Contratualmente, poderás ser da Sporting SAD, mas a última vez que consultei a composição accionista do teu patrão, o accionista maioritário ainda é o Sporting Clube de Portugal, o Clube que tu representas e onde dizes ter o teu coração.

Percebes bem o significado da expressão “onde se tem o coração”?

Dizes que explicaste tudo e bem na carta do teu pedido de rescisão. Gostei de ver a união de balneário em alguns elementos, por sentirem exactamente as mesmas coisas, das mesmas frias maneiras em linguagem quase jurídica. Não foi chato o que vos aconteceu. Foi uma tragédia cujas consequências não caíram em saco roto e sei que irás acompanhar o processo até ao fim, tal como eu, se realmente continuas a sentir-te leão. Até porque tu és um dos queixosos.

Vamos à decisão que tomaste, de livre vontade. A partir do momento que o fizeste, abandonaste precisamente o teu clubismo para pensar como o ser humano jogador profissional de futebol Rui Patrício. Decidiste perante um dilema que tinha surgido na tua vida.

Tu, Rui, que já levavas 20 anos de Sporting, que cresceste no Clube e passaste mais tempo na nossa casa do que na dos teus pais, como tu próprio disseste. Além disso, eras o capitão de equipa, Rui. O líder do balneário. E talvez não andes a fazer essas contas, mas com mais uma época e tornavas-te no jogador que mais vezes usou a Listada verde e branca. Ultrapassavas o grande senhor Hilário. Sabias? Como pudeste desperdiçar assim a eternidade que o Sporting te oferecia, aliado a outros nomes na posição que ocupaste, repito, com braçadeira, como Damas, Carlos Gomes, Carvalho…

Talvez tenha sido melhor assim. Se não aconteceu, foi porque eventualmente não o tivesses merecido.
És um profissional e eu aceito a tua decisão do ponto de vista laboral, mas não venhas depois dizer que continuarás a ser leão e que respeitas o Clube. Isso é não ter a noção do ridículo. Já percebeste que, do teu ponto de vista, tu queres sair do Sporting a custo zero, apagando precisamente os últimos 20 anos da tua vida como se o Sporting tivesse sido um mero instrumento de ascensão e aprendizagem na carreira? Considerarás que o Sporting merece ser assim castigado? Sabes muito bem do que vivem os clubes e a tua decisão como profissional de futebol prejudicou os interesses do Sporting Clube de Portugal em vários milhões de euros. No mínimo, é uma certa bipolaridade tua: o jogador profissional Rui Patrício tem toda a razão em querer uma rescisão com justa causa, mas o leão Rui Patrício reconhece o trajecto todo no Clube e leva-o no coração para sempre. Estás óptimo para Miss Universo. Querem sempre sol na eira e chuva no nabal para todo o Mundo.

Esperei de ti um capitão de equipa a liderar no momento certo, mas falhaste-me. Foste líder, mas dando um mau exemplo. E não compreendo como podes ter saído de Alvalade para um estádio com nome de batedeira e ainda por cima mal escrito. Inacreditável. O capitão de equipa do Sporting Clube de Portugal, campeão europeu de selecções, que julgaria poder sair, um dia, para um grande emblema europeu.

Tomaste a tua decisão e eu, como Sócio, tomei a minha. Adeus, Rui. Passaste a ser, simplesmente, um guarda-redes que fez a formação no Clube e saiu ao fim de 20 anos pela porta 5B.

Vais aprender no teu novo balneário a expressão ‘no hard feelings’. E recordas-te do dilema que referi atrás? Vai ver o que escreve Ortega Y Gasset sobre as circunstâncias serem o dilema perante o qual temos de nos decidir.