segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Nas asas de Bruno

O onze e a rotação

Sabe-se que a falta de frescura física de vários jogadores tem sido um dos principais problemas com que o Sporting tem-se debatido nas últimas semanas. Isso tem sido particularmente óbvio no trio do meio-campo: Gudelj, Bruno Fernandes e Wendel têm tido uma utilização intensiva e isso tem-se refletido - principalmente no caso do brasileiro - na incapacidade de jogos completos em condições. Seria por isso de esperar que Keizer aproveitasse esta deslocação ao estádio do último classificado para refrescar o meio-campo - quanto mais não seja porque não o poderá fazer nos três desafios que se seguirão nos próximos 10 dias - contra o Villarreal não poderá usar Doumbia e Geraldes por não estarem inscritos, e contra o Braga terá, obviamente, de meter a carne toda no assador. 

Keizer optou, no entanto, por ir a jogo novamente com o trio do costume. Entendo que queira agarrar-se o mais possível às escassas hipóteses de conseguir uma melhor classificação no campeonato, mas não me parece que, face à enorme diferença de valor entre o Sporting e o Feirense, que corresse riscos enormes se entrasse pelo menos com Doumbia e Geraldes nos lugares de Gudelj e Wendel. Junte-se a isso ainda o facto de ter arriscado em perder Bruno Fernandes e Coates contra o Braga, visto que ambos estão à beira da suspensão por já terem 8 amarelos no campeonato. Sinceramente, esperava um outro tipo de definição de prioridades e planeamento a curto prazo que fosse ditado pela estrutura para a equipa técnica. Felizmente, ontem correu tudo pelo melhor - não houve lesões nem amarelos a jogadores em risco, e até deu para fazer alguma gestão de esforço na segunda parte -, mas pusemo-nos novamente a jeito.


O jogo

Ao contrário do que tem sido normal, o Sporting entrou bem e foi à procura da vantagem do marcador logo nos primeiros minutos, mas a partir dos 15' perdeu por completo a capacidade de ditar o ritmo de jogo e de encostar o Feirense à sua área. A responsabilidade, a meu ver, divide-se entre a falta de peso do nosso meio-campo e da permissividade do árbitro às entradas duras dos adversários - perdoando dois cartões vermelhos na primeira parte a jogadores do Feirense, marcando faltas ao contrário, apitando faltas inexistentes e deixando passar faltas óbvias. O que é facto é que o nível exibicional caiu a pique e voltou a observar-se a crise de confiança que afeta os jogadores, proporcionando alguns momentos dignos dos apanhados. O golo da vantagem acabaria por surgir inesperadamente perto do intervalo, na sequência da primeira jogada com pés e cabeça que a equipa conseguiu fazer. 

A segunda parte teve uma dinâmica completamente diferente, com um Sporting superior a chegar com justiça à tranquilidade através de um bis de Bruno Fernandes - que cada vez mais se assume como o cérebro, o coração e o pulmão desta equipa -, primeiro antecipando-se à ponta-de-lança ao marcador direto com um cabeceamento após cruzamento de Diaby, depois com um (mais um) livre superiormente executado, desta vez mais em jeito do que em força. Já leva 20 golos e 10 assistências, que seria algo notável num ponta-de-lança... e mais notável é num médio. Aquilo que conseguirmos fazer esta época dependerá muito da capacidade que Bruno Fernandes terá para nos transportar.


Destaques individuais

Bruno Fernandes é, por motivos óbvios, a figura do jogo, e foi bem secundado por Acuña. O flanco esquerdo funcionou bem, graças ao bom entendimento entre o argentino e Borja. Sobre o colombiano, esteve novamente em bom nível - desta vez com o cruzamento para o 1º golo - mas voltou a ter responsabilidades - tal como já tinha tido no 2º golo sofrido na Luz - no golo sofrido. Renan voltou a estar magnífico entre os postes - fez duas grandes defesas, uma delas sensacional a evitar um golo certo - e péssimo fora deles. Geraldes estreou-se e fez bom uso dos minutos que lhe foram dados.


A arbitragem

Bem sei que o Sporting não se pronuncia publicamente sobre más arbitragens, mas espero sinceramente que o façam em privado com os responsáveis da Federação. Temos sido prejudicados de forma sistemática ao longo das últimas semanas - algumas vezes com influência no resultado - e ontem aconteceu o mesmo com o trabalho de Manuel Mota:

  • Aos 2', Soares entra com tudo de pitons sobre o tornozelo de Bruno Fernandes, torcendo-o. Com um pouco de azar (ou sorte, dependendo da perspetiva), podia ter causado uma fratura e terminado com a época do nosso melhor jogador. Um vermelho claríssimo que ficou por mostrar, mas o árbitro nem sequer amarelo mostrou.
  • Ainda na primeira parte, Vítor Bruno tem uma entrada dura de pitons sobre o pé de Dost. Deveria ter visto o segundo amarelo, mas Manuel Mota deixou-o no bolso.
  • Na segunda parte, Diaby sofre uma falta de Briseño numa situação em que ficaria isolado. O árbitro mostrou o amarelo por ter interpretado (a meu ver, mal) que ainda havia outro defesa capaz de disputar a jogada. Na minha opinião, mais um vermelho que ficou por mostrar.
  • Na primeira parte, num canto a favor do Sporting, Dost foi ostensiva e insistentemente abraçado por um defesa adversário. O holandês é claramente condicionado na disputa do lance e acaba por correr contra André Moreira. Manuel Mota assinalou falta de Dost, mas podia ter assinalado penálti.
  • Alguém entendeu o amarelo a Doumbia enquanto se posicionava atrás da barreira no livre que daria o terceiro golo do Sporting?

Salvou-se a boa decisão em invalidar o golo do Feirense, após indicação do VAR. Marco Soares estorva a ação de Renan na linha de golo, metendo inclusivamente o peso do corpo para trás para impedir que o guarda-redes chegasse à bola.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

M*rdas que só mesmo connosco, nº 18: Como se diz 'paródia' em macedónio?

30 de janeiro de 2018. O Sporting deslocava-se a Setúbal para disputar um jogo que antecedia um duplo confronto com o Benfica para campeonato e taça. Perder pontos não era uma opção, sob pena de perder em definitivo o comboio da luta pelo 2º lugar e consequente qualificação para as pré-eliminatórias da Liga dos Campeões. O jogo do Bonfim não poderia, no entanto, ter começado de pior forma: o V. Setúbal adiantou-se relativamente cedo no marcador e levou a vantagem para o intervalo, e o Sporting, até então a ralizar uma exibição muito pobre, via-se obrigado a virar o resultado na segunda parte. Uma tarefa que ficaria mais difícil a partir dos 55', por causa deste lance:


Mendy dá uma cotovelada em Ristovski que deixa o lateral do Sporting mais desfigurado que um pugilista após um combate de 12 rounds, mas nem Hélder Malheiro, o apitadeiro de serviço, nem nenhum dos seus auxiliares, vislumbraram qualquer irregularidade e mandaram seguir jogo. Ristovski ficou compreensivelmente incrédulo pela decisão e protestou contra o árbitro em bom português, dando a Hélder Malheiro a oportunidade por que esperava: em vez de se questionar como foi provocado o volumoso inchaço que o macedónio ostentava, o árbitro preferiu arrumar a questão com um cartão vermelho ao jogador por palavras que, mais tarde se soube no relatório, são ditas em todos os jogos que se disputam por cá. E assim ficou o Sporting em inferioridade numérica e em inferioridade no resultado.

O Sporting dominou o resto da partida e ainda chegaria a o empate, apesar de jogar com menos um jogador e apesar da desastrosa atuação de Hélder Malheiro, que também não conseguiu ver um penálti sobre Raphinha e usou um critério disciplinar completamente absurdo: o Sporting cometeu 18 faltas e levou 6 amarelos e 1 vermelho; o V. Setúbal cometeu 20 faltas, levou apenas 4 amarelos e foi poupado em várias situações exatamente iguais às que serviram para punir jogadores do Sporting, incluindo numa situação de segundo amarelo.

A sanção do Conselho de Disciplina seria conhecida dois dias depois. O órgão liderado pelo Dr. Meirim não encontrou qualquer tipo de atenuante na pancada violenta que Ristovski sofreu e suspendeu-o, muito convenientemente, por dois jogos... deixando-o de fora de ambos os dérbis que se disputariam de seguida.


Portanto: de um lance em que o V. Setúbal poderia ter ficado em inferioridade numérica (Mendy pode não ter feito de propósito, mas a pancada não teria deixado as marcas que deixou se não fosse violenta), ficou o Sporting em desvantagem numérica e ficou ainda privado da única opção viável para a posição de lateral direito para os dois jogos importantíssimos que se seguiriam. Mas a paródia não ficaria por aqui.

Como não poderia deixar de ser, o Sporting recorreu da suspensão no dia útil seguinte... e foi-lhe dada razão. O Conselho de Disciplina reduziu o castigo a Ristovski para um jogo e comunicou a decisão ao Sporting... a apenas três horas do início da partida da 1ª mão das meias-finais da Taça de Portugal com o Benfica, ou seja, numa altura em que a equipa já se estava a deslocar para o estádio. 


Ou seja, Ristovski acabou mesmo por cumprir o segundo jogo de suspensão graças à conveniente inoperância do Conselho de Disciplina. Como se diz 'paródia' em macedónio?

Outras m*rdas que só mesmo connosco: LINK.

Eliminatória em aberto

Foto: Mais Futebol
Depois da tortura a que fomos sujeitos no domingo - e que tão perto esteve de terminar numa humilhação histórica -, Keizer foi obrigado a mexer no onze e na estratégia: refrescou a equipa lançando Ilori, Borja, Acuña, Jovane e Luiz Phellype, e acertou agulhas no meio-campo de forma a não deixar que os jogadores benfiquistas recebessem a bola tão à vontade como aconteceu em Alvalade. As alterações melhoraram o desempenho geral, mas não o suficiente, continuando a haver demasiados erros individuais a colocar a equipa em apuros - nos quais se incluem os dois golos sofridos, facilmente evitáveis. Depois de mais uma má entrada em campo e uma primeira parte globalmente sofrível, a exibição foi evoluindo em crescendo para uma segunda parte mais aceitável. Sofremos o 2º golo numa altura em que o jogo estava equilibrado (Wendel podia ter empatado minutos antes) - que terminaria com o Sporting a cheirar o empate: Bruno Fernandes reduziu através de mais uma bomba de livre...




... e perto do fim, Luís Godinho interrompeu uma jogada que terminaria com a bola na baliza do Benfica por causa de uma suposta falta de Dost sobre Svilar fora da pequena área. Uma decisão muito, muito discutível que, esperemos, não venha a ser decisiva para o desfecho da eliminatória.

Relativamente aos reforços de inverno:
  • Ilori foi infeliz no autogolo e alternou um punhado de boas intervenções com alguns erros (falhou tempo de salto num livre que permitiu que a bola chegasse a Rúben Dias só com Renan pela frente, alguns passes mal medidos), mas verdade seja dita que ficou logo condicionado a partir do primeiro minuto por causa de um cartão amarelo exagerado - nem a falta que cometeu era para cartão, como não usufruiu da habitual tolerância dos árbitros nos primeiros minutos de jogo. A pergunta que se impõe é: foram erros destes que foram empurrando Ilori para o fundo do Championship e é melhor que nos habituemos a eles, ou aconteceram sobretudo por ainda não estar familiarizado com os colegas e com o sistemas de jogo de Keizer? A bem do seu futuro no Sporting, é bom que seja o segundo caso.
  • Borja podia ter feito mais no segundo golo do Benfica, mas fez uma exibição globalmente positiva. Demonstrou boa capacidade técnica, bem nas trocas de bola, e não tem medo de subir pelo seu flanco - apesar de se ter notado alguma falta de entendimento com Acuña nas ações ofensivas.
  • Jovane não foi feliz no regresso à titularidade. É verdade que o ritmo está longe de ser o ideal, mas continuo convencido que é muito mais útil saindo do banco.
  • Luiz Phellype fez o seu melhor jogo desde que chegou ao Sporting (o que não era difícil, concedo). Jogou muito isolado na primeira parte, mas na segunda, com o adiantamento posicional da equipa, teve várias ocasiões para mostrar serviço - sobretudo a segurar a bola e a servir os companheiros mais próximos. Melhorou com Dost ao seu lado, parecendo estar mais à vontade a jogar em 4-4-2 do que em 4-3-3.

A eliminatória está em aberto, mas é óbvio que só conseguiremos a qualificação para a final do Jamor caso estes dois meses sejam bem aproveitados para construir um onze mais apresentável e com pernas. Até lá, a estratégia terá de passar por utilizar os jogos do campeonato para desenvolver e os jogos da Liga Europa para competir na máxima força. Começando já no próximo fim-de-semana em Santa Maria da Feira, há que descansar jogadores (Bruno Fernandes, Wendel, Coates), retirar outros que não têm qualidade para jogar a este nível (Bruno Gaspar e Gudelj, apesar de, no caso do sérvio, Keizer ter opinião contrária), e continuar a integrar os reforços (Ilori, Borja, Doumbia, Geraldes) e jogadores menos utilizados (Miguel Luís, Ristovski), de forma a podermos atacar a eliminatória da Liga Europa em melhores condições do que nas últimas partidas.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Desastre e aquilo que nos resta

Foi demasiado mau. Aquilo a que assistimos ontem é resultado da convergência da falta de qualidade individual dos jogadores com a má gestão de plantel das últimas semanas, potenciadas por uma má preparação da partida por parte do treinador. O Sporting, ontem, resumiu-se a Bruno Fernandes e a pozinhos de Raphinha, enquanto o Benfica ia constantemente fazendo miséria na nossa organização defensiva através das trocas de bola verticais e apoios frontais dados pelos homens da frente. Foi confrangedor observar o rendimento de alguns dos nossos jogadores: Nani complicativo, a léguas da melhor forma, Dost inócuo, Wendel mais batalhador do que esclarecido, Gudelj perdido sem saber o que fazer a tantos adversários que lhe apareciam pela frente, e os laterais... bem, basta dizer que Bruno Gaspar fez uma das piores exibições individuais de que me lembro de assistir ao vivo em qualquer jogador, ao ponto de Jefferson - que esteve ao (fraco) nível a que nos tem habituado - não parecer assim tão mau em comparação com o companheiro do flanco contrário. André Almeida e Grimaldo - que estão longe de ser o ponto forte do Benfica - pareciam Daniel Alves e Roberto Carlos no auge da sua carreira em comparação com os nossos laterais. Perdemos o jogo por 2 golos de diferença, mas a verdade é que merecíamos ter perdido por números históricos. 

Faltam ainda 14 jornadas para o fim da prova, mas estamos já condenados a um humilhante 4º lugar que nem a desastrosa preparação de época feita em julho e agosto pode justificar por inteiro. A prioridade, neste momento, está em sairmos vivos da Luz para podermos disputar o acesso à final da Taça de Portugal, tentar ir tão longe possível na Liga Europa, e utilizar os jogos do campeonato para desenvolvermos os jogadores que poderão ser opções válidas para a próxima temporada. Perante tudo o que temos visto nas últimas semanas, não vejo Renan, Bruno Gaspar, Jefferson, André Pinto, Gudelj ou Diaby - só para falar nos que foram utilizados ontem - como matéria-prima adequada para um clube que quer lutar pelo título. A falta de objetivos por que lutar no campeonato dá outra margem para errar, pelo que me parece obrigatório que se comece a dar (muitos) minutos aos reforços - convém que se fique já com a certeza, esta época, de que podem (ou não) ser solução para a próxima época -, mas também a jogadores como Max, Thierry ou Miguel Luís. Não me parece que faça qualquer sentido pedir a cabeça de Keizer - apesar de ter a sua quota de responsabilidades na quebra gritante de produção da equipa pós-Guimarães -, mas é obrigatório que haja muita objetividade daqui para a frente, para que não se continue a desperdiçar o que resta da época em equívocos que são claros aos olhos de todos.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Miséria a dobrar

1. A exibição até à expulsão de Ristovski

Apesar da arbitragem miserável que hoje houve em Setúbal do princípio ao fim do jogo, a responsabilidade do empate é, em primeiro lugar, da exibição igualmente miserável que realizámos enquanto estivemos a jogar de onze para onze. Mais uma vez, entrámos de forma macia e quase displicente, jogando de forma previsível e atabalhoada sempre que nos aproximávamos da área. Falta de vontade e qualidade que se traduziu em 60 minutos constrangedores contra uma das equipas mais fracas do campeonato, fragilizada pelo recente despedimento do treinador e que tinha vários jogadores indisponíveis por lesão ou castigo.

Não é admissível, depois de tudo o que nos tem acontecido nos jogos fora de casa, que se continue a achar que podemos entrar em campo em ritmo de passeio à espera que as bolas entrem sozinhas na baliza dos adversários. A responsabilidade é, obviamente, dos jogadores, mas também é da equipa técnica por não ser capaz de colocar o foco necessário na cabeça de quem vai a jogo, e ainda da estrutura, por não ter ainda passado de forma clara a todo o grupo de trabalho que é neste tipo de jogos que os campeonatos se perdem.

Após a expulsão de Ristovki, a equipa foi buscar forças que pareciam não existir e foi capaz de encostar o V. Setúbal à sua área, o que demonstra que não resolvemos o jogo mais cedo porque, acima de tudo, não houve vontade nossa para isso.


2. A arbitragem

O facto de o Sporting ter facilitado para além do razoável não pode justificar, no entanto, que não se fale na arbitragem absolutamente tendenciosa de Hélder Malheiro. 

A expulsão de Ristovski é para os apanhados. O lateral leva uma cotovelada violenta na cabeça, levanta-se exibindo um hematoma do tamanho de uma bola de bowling que, no entanto, não emocionou Hélder Malheiro. O árbitro mostrou o cartão vermelho direto por palavras quando, na realidade, Ristovski deveria receber uma condecoração do Presidente da República por ser capaz de se pôr de pé depois uma martelada daquelas na caixa craniana. Curiosamente, Mendy, o autor da falta sobre Ristovski, não viu qualquer cartão porque, provavelmente, Hélder Malheiro considerou que o jogador não podia ser responsabilizado pelas atitudes do seu cotovelo, e o cotovelo de Mendy também se safou - e bem - porque não está previsto nos regulamentos que articulações dos membros anteriores possam ser admoestadas com cartões.

O facto de estar o Sporting estar condenado a jogar em desvantagem numérica durante 40 minutos não desviou Hélder Malheiro do trabalho que tinha para fazer. Continuou o bom trabalho que já vinha fazendo desde o início do jogo, desencantando faltas ofensivas na área do V. Setúbal que mais ninguém via, ignorando várias faltas cometidas sobre jogadores do Sporting e poupando diversos cartões aos jogadores da casa, ao mesmo tempo em que ia distribuindo amarelos pelos visitantes em situações tão ou menos graves do que aquelas que perdoava à outra equipa.

Um árbitro que, pela qualidade demonstrada, não deverá tardar a ser promovido a internacional.

Sportingmarkt

O Sporting tem tido um mês de janeiro bastante movimentado em termos de contratações, vendas e dispensas. A dois dias do fim da janela de transferências, a situação de entradas e saídas é a seguinte:

Entradas

Aquisições: Luis Phellype, Doumbia, Matheus Nunes, Ilori, Plata, Borja (?), Neto (?)

Regresso de empréstimo: Geraldes


Saídas

Vendas: Marcelo, Demiral, Acuña (?)

Dispensa: Bruno César

Empréstimo: Viviano, Lumor, Gauld, Misic, Alan Ruiz, Mané

Cancelamento de empréstimo: Sturaro



Vou organizar os comentários que tenho a fazer em cinco pontos:


1. Redução da folha salarial 

Para além da óbvia necessidade de reforçar as posições mais carenciadas, havia uma outra prioridade para esta janela de transferências: limpar a folha salarial de jogadores que pouco ou nenhum valor desportivo acrescentam ao plantel. Sousa Cintra fez um trabalho desastroso ao nível da definição do orçamento do futebol para a época. Mesmo sabendo que não iria ter receitas da Liga dos Campeões, não fez o obrigatório ajuste dos níveis salariais do plantel. Tirando Seydou Doumbia, não conseguiu desfazer-se de nenhum peso morto e o resultado está à vista: não só ficámos com um plantel desequilibrado e carregado de jogadores inúteis, como também conseguiu a proeza de aumentar (!) a massa salarial total dos jogadores em relação a 2017/18, com todas as consequências que isso tem ao nível da tesouraria.

Como tal, temos de ver como positivas as movimentações ao nível da dispensa de jogadores, que permitem trazer um pouco mais de equilíbrio às contas anuais. Diria que falta apenas arranjar colocação para Castaignos.


2. Scouting em ação

Uma das bandeiras da candidatura de Frederico Varandas foi a constituição de um gabinete de scouting capaz de melhorar a capacidade de contratação do clube. Esta janela de transferências é o primeiro grande teste para esta direção ao nível das movimentações de mercado, e parece-me seguro dizer que já se vê o dedo do departamento de scouting numa percentagem elevada das aquisições efetuadas. 

O Sporting contratou três jogadores relativamente desconhecidos em mercados pouco óbvios. Idrissa Doumbia é um médio com características muito interessantes: fisicamente muito possante e hábil com a bola nos pés, pode dar o músculo de que o nosso meio-campo necessita sem comprometer as ideias de jogo de Marcel Keizer. Cristian Borja é um lateral que foi nomeado para o XI ideal da liga mexicana em várias publicações daquele país. Gonzalo Plata, com apenas 18 anos, é visto como um jogador de grande potencial, veloz, com um pé esquerdo muito interessante. São contratações de pouco risco financeiro - a atual situação de tesouraria não permite grandes investimentos - com elevada margem de valorização, mas de algum risco desportivo quanto aos objetivos imediatos do Sporting. Veremos durante os próximos meses se estas apostas foram ou não certeiras.


3. Dança de laterais esquerdos

Parece-me evidente que o Sporting tem necessidade de fazer um encaixe significativo com vendas para ter condições para se reforçar e para fazer face às necessidades de tesouraria até ao final da época. Dos jogadores com mais mercado, suponho que Acuña fosse visto como aquele cuja falta seria menos sentida em caso de transferência.  

Ainda não são conhecidos os montantes exatos, mas fala-se num negócio que totaliza 20 milhões, dos quais 2 a 4 milhões serão por objetivos. Se esses valores variáveis forem alcançáveis, parece-me uma venda bastante razoável para um lateral com a idade, qualidades e defeitos de Acuña. 

O principal problema é o futuro imediato: como correrá a substituiçao de Acuña? Jefferson não é fiável e Borja terá que fazer o seu percurso de adaptação a um futebol bem diferente do que está habituado. É uma movimentação de risco, e teremos de esperar para ver se esta dança de laterais terá ou não consequências para o cumprimento dos objetivos que temos nas competições em que estamos envolvidos.


4. Polémica à italiana

Passaram três treinadores, mas Viviano saiu sem ter realizado um único minuto em jogos oficiais. É um mistério que fica por esclarecer, mas, perante a sua não utilização, impunha-se a cedência do guarda-redes italiano devido ao elevado salário que aufere. 

Sturaro foi um movimento de mercado irresponsável que poucas pessoas terão compreendido. Não cabe na cabeça de ninguém que se contrate por empréstimo alguém que não se sabe bem quando ficará disponível para ser utilizado. Como não poderia deixar de ser, tinha de ser devolvido à procedência. A Juventus assumiu os salários de Sturaro durante o período de lesão, mas não foi anunciado publicamente se houve algum valor pago pelo Sporting à Juventus pela cedência do atleta. Fica por saber, portanto, se esta brincadeira implicou alguma despesa para o Sporting.


5. A doação de Demiral aos turcos

Demiral era visto como um central muito promissor e não era difícil adivinhar que as condições do empréstimo fechado por Sousa Cintra ao Alanyaspor tinham tudo para correr mal ao Sporting. O jovem central impôs-se com facilidade e, em apenas cinco meses, foi chamado à seleção principal e acabou transferido para Itália, permitindo ao clube turco duplicar o valor investido. 

Foi um péssimo negócio para o Sporting, mas também há que dizer que o próprio clube podia ter gerido de forma bastante mais competente o desenvolvimento de Demiral nos dois anos em que andou por Alcochete.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Um passo atrás

Há mais de cinco anos, Ilori afirmou ter tomado a decisão de abandonar o Sporting porque queria dar um passo em frente na sua carreira. Não é uma frase que os adeptos gostem de ouvir de um seu atleta, e pior soa se for dita por um miúdo a quem o clube deu todas as oportunidades possíveis para se desenvolver como jogador, ao fim de apenas uma dúzia de jogos disputados pela equipa principal.

Foto: Record
Sabemos agora que o passo só foi dado em frente do ponto de vista salarial, porque, desportivamente, as coisas não correram como Ilori estaria certamente à espera. Não se afirmou no Liverpool, não se afirmou no Granada, não se afirmou no Bordéus, e não se afirmou no Aston Villa. Depois de quatro épocas jogadas ao lixo, acabou por encontrar o seu espaço no Reading, um clube do segundo escalão inglês que luta para não descer. 

Ao que parece, Ilori está disposto agora a voltar ao Sporting e o Sporting está disposto a recuperar o jogador. Depois de tudo o que aconteceu, não é necessário elaborar uma explicação demasiado complexa. Assim como estar vivo é o contrário de estar morto, o contrário de um passo em frente é dar um passo atrás. Do ponto de vista do jogador, os vários passos atrás foram sendo dados ao longo das últimas épocas - partindo de um clube de topo inglês e acabando no modesto Reading -, mas o que realmente me interessa é o seguinte: não estará também o Sporting a dar um passo atrás com esta contratação? 

Deixo para já de lado a questão do mau exemplo que o clube está a dar ao estender a mão a quem nos tratou mal no passado. Sou uma pessoa suficientemente pragmática para aceitar (sem gostar) determinadas decisões se isso trouxer benefícios desportivos para o Sporting. O que me preocupa é o seguinte: quais são as probabilidades de Ilori ser verdadeiramente útil ao Sporting, considerando que apenas se conseguiu afirmar num patamar competitivo inferior e depois de ter desperdiçado épocas críticas para o seu desenvolvimento como jogador? Ilori prometia muito em 2012/13, mas estava longe de ser um produto acabado. Mesmo que mantenha hoje os atributos físicos e técnicos de então (o que, sendo possível, ainda está por comprovar), não me parece que o seu percurso lhe tenha permitido adquirir a experiência de jogo e a maturidade psicológica necessárias para ser o central de que o Sporting precisa.

Não tenho visto os jogos de Ilori no Reading, mas parece-me utópico pensar que venha para ser utilizado com frequência no onze perante a concorrência de Coates e Mathieu. Isto significa que estamos a gastar dinheiro (que neste momento não abunda) e a comprometer-nos com um jogador durante quatro épocas e meia que vem para se sentar no banco. Entre André Pinto, Petrovic, os sub-23 e jogadores emprestados, não haverá dentro de portas alguém que consiga desempenhar esse papel até ao final da temporada? 

A direção está a correr riscos grandes com esta decisão. Em primeiro lugar, porque está a pedir a muitos sportinguistas que engulam (mais) um enorme sapo. Depois, porque os ganhos desportivos não são evidentes. Juntando-se as duas coisas, teremos um atleta de valor questionável que terá tolerância zero das bancadas, o que dificultará ainda mais o seu percurso para se afirmar no clube. E se correr mal, se este mercado de inverno correr mal, comprometerá a opinião que os sportinguistas têm da área em que há maior unanimidade em termos de boas expetativas criadas pela direção de Frederico Varandas: a constituição de uma equipa de scouting de qualidade que seja capaz, finalmente, de reforçar competentemente o clube.

Que Ilori consiga corresponder às expetativas de quem decidiu a sua contratação. Apesar das dúvidas que tenho, ficarei a torcer por isso.

A taça dos patinhos feios

É consensual que o Sporting possui um plantel desequilibrado, carente de soluções da qualidade necessária em demasiadas posições para se poder pensar na vitória no campeonato. Os adeptos têm consciência disso desde que que o plantel ficou fechado no verão, a direção tem estado ativa no mercado para reforçar a equipa com os poucos meios financeiros disponíveis, e o próprio treinador, ao limitar-se a dar a titularidade a um grupo restrito de 14/15 jogadores - a não ser que seja obrigado por causa de suspensões ou lesões -, demonstra não ter grande confiança em vários dos atletas que tem à sua disposição.

No entanto, é justo salientar a importância de dois dos patinhos feios do plantel na conquista de sábado. Por motivos diferentes, Renan e Petrovic foram duas das figuras da final four: o brasileiro pela ação direta que teve com quatro penáltis defendidos nos dois desempates; o sérvio pelo espírito de sacrifício que demonstrou ao jogar com uma fratura do nariz que arrepia só de olhar, permitindo ao treinador guardar a última substituição - que seria utilizada para colocar Diaby, decisivo pelo penálti que sofreu à entrada do tempo de descontos.




Renan tem desiludido no controlo da profundidade e na saída aos cruzamentos - hesita demasiado na saída dos postes -, mas tem estado a grande nível entre os postes e nas situações de um contra um. De certa forma, replica as melhores qualidades e os piores defeitos de Rui Patrício, e raramente tem tido responsabilidade nos golos sofridos. No entanto, o guarda-redes brasileiro tem sido o jogador mais contestado nas partidas realizadas em Alvalade. Sendo um guarda-redes que joga bem com os pés e tem indicações para evitar os pontapés longos nas reposições, costuma esperar por opções de passe que nem sempre surgem de imediato... e ao fim de 5 ou 6 segundos começam a ouvir-se assobios vindos da bancada, pressionando o guarda-redes a desfazer-se da bola de uma forma que não dá grandes chances de a manter em nossa posse. Há também a contestação alheia à sua prestação em campo, que tem a ver com a forma como foi gerida a (não) utilização de Viviano, e que acabou por criar alguma má-vontade dirigida a Renan por parte de alguns adeptos.

Petrovic é um jogador com limitações evidentes como construtor, mas é, neste momento, o único médio defensivo de raiz e, fruto da sua polivalência, é também o quarto central do plantel. Não caiu no goto dos sportinguistas porque não tem nem nunca teve características para substituir devidamente William Carvalho, mas pode ser um jogador útil quando necessitamos de um jogador de funções exclusivamente defensivas. E, verdade seja dita, tem surpreendido pela positiva quando utilizado como central de recurso. 

Aceito que Renan e Petrovic não sejam vistos como soluções ideais para as posições que ocupam (concordo), mas penso que está na altura de serem mais apoiados por TODOS os adeptos quando estão em campo. Certamente que terão maiores condições de ajudarem a equipa a atingir os seus objetivos se não forem assobiados à primeira oportunidade.

sábado, 26 de janeiro de 2019

Uma conquista improvável

Depois de ter realizado uns bons primeiros 45 minutos, a segunda parte do Sporting foi semelhante ao que tem acontecido nas últimas partidas: uma equipa em falência física, incapaz de contrariar o domínio do adversário, e tendo de lidar com dificuldades adicionais provocadas pelas fraturas dos narizes (!) de André Pinto e Petrovic - que obrigou à substituição do primeiro e minutos finais de sacrifício do segundo. Perante este cenário, a estratégia passou a ser, compreensivelmente, aguentar para tentar levar o jogo a penáltis. Keizer metamorfoseou-se em Keizé Mota e mandou baixar o bloco, reduzir o ritmo de jogo e perder o tempo que fosse possível perder.

O jogo passou a ter um único sentido mas, verdade seja dita, a equipa manteve-se coesa, concentrada e não concedeu grandes oportunidades a um Porto que carregava cada vez mais mas não conseguia criar grandes situações de golo. Acabou por ser uma das poucas situações de desconcentração - Herrera foi deixado à vontade à entrada da área e pôde rematar sem oposição para uma má abordagem de Renan, que deixou a bola sobrar para o toque de Fernando Andrade - que o Porto marcou, e nesse momento, a apenas 10 minutos do final, a Taça parecia entregue.

Keizer lançou Diaby, mas durante 7 ou 8 minutos o Sporting continuou a não ter bola. O improvável, no entanto, acabaria mesmo por acontecer: Óliver tem uma entrada tardia e desnecessária sobre Diaby e faz um penálti claríssimo que Dost não desperdiçou. No pouco tempo que restou, o Porto acusou o golo e Raphinha teve nos pés a hipótese de conseguir a reviravolta e resolver a questão ainda dentro do tempo regulamentar.

Apesar de o Porto ter sido superior nos 90 minutos, o troféu acabou mesmo por ir ao desempate por penáltis. E, felizmente para nós, teve um desfecho que nos começa a ser agradavelmente familiar - foi assim que, em duas final four, o Sporting venceu os quatro jogos que disputou numa lotaria em que a sorte se faz por conquistar.

Sendo a menor das quatro competições nacionais, é uma conquista muito saborosa - não só por ser mais um troféu para o nosso museu, mas também pela azia que provoca em muito boa gente. Uma conquista improvável, concedo, mas que nos foi vendida durante dias como uma conquista impossível por certos especialistas da nossa praça. Mas a verdade é que o Sporting que se arriscava a ser goleado, o Sporting que era o menos favorito das quatro a conquistar o título, o Sporting que cometeu o pecado de ter decisões corretas a seu favor graças ao VAR, foi quem acabou mesmo por sair vencedor.

P.S.: Numa altura em que se bate tanto no VAR, convém realçar que foi o vídeoárbitro que permitiu que se assinalasse o penálti que nos deu o empate e que levou a final para a decisão por grandes penalidades. Algo que, aliás, já tinha acontecido na época passada na final com o V. Setúbal, também perto do final dos 90 minutos. Sem VAR, seriam dois penáltis que não nos teriam sido atribuídos, seriam duas Taças da Liga que o Sporting não teria conquistado. Ganhou a verdade desportiva, pelo impacto direto que teve na atribuição dos títulos. Se calhar é por isso que há por aí tanta gente revoltada com a malfadada ferramenta...


sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

O afastamento de Fábio Veríssimo

Fábio Veríssimo cometeu dois erros graves na meia-final entre Benfica e Porto: não recomendou a marcação de um penálti a favor do Porto por falta de Rúben Dias, e não recomendou a anulação do primeiro golo do Porto por causa de uma falta de Óliver no início dessa jogada. O principal erro do jogo, aquele que mais protestos causou - o golo anulado ao Benfica por fora-de-jogo inexistente -, não lhe pode ser imputável: a decisão foi do árbitro assistente e o VAR só podia reverter a decisão caso existissem imagens claras que comprovassem o contrário. Não existindo, Fábio Veríssimo estava de mãos atadas.

É normal, para os padrões do futebol português, que Luís Filipe Vieira pedisse a cabeça de Veríssimo por se sentir gravemente prejudicado - sem motivos, convém relembrar - pela sua atuação. O que não é normal é que o Conselho de Arbitragem tenha anunciado, menos de 24 horas depois, que o árbitro seria afastado por um período indefinido - e sem dar quaisquer explicações sobre o critério que esteve por trás da decisão. Não explicando, ficámos todos sem perceber por que razão não foram afastados por um período indefinido outros árbitros responsáveis por outras decisões aberrantes do VAR a que já assistimos esta época. O CA, com esta atitude, humilhou publicamente o árbitro e deixou no ar a ideia de que foi apenas uma medida para agradar ao DDT do futebol português. O comunicado de apoio a Veríssimo que foi emitido no dia seguinte ao afastamento já veio tarde, porque o moral da história da decisão já tinha tido tempo suficiente para se entranhar na mente de adeptos, dirigentes e restantes árbitros.

Cá estaremos para ver quantos mais árbitros serão suspensos ou dispensados por tempo indeterminado no que restar da época. Considerando a qualidade média dos homens do apito, suspeito que não irão faltar oportunidades para avaliarmos a coerência do CA.