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quinta-feira, 27 de abril de 2017

Introducing José Sousa


A troca de acusações entre os presidentes de Sporting e Benfica tem sido o tema dominante dos últimos dias. Como é costume em qualquer assunto que oponha Sporting e Benfica, as opiniões dos adeptos dividem-se radicalmente: para a maior parte dos benfiquistas, Bruno de Carvalho é o diabo e Luís Filipe Vieira é uma vítima em toda esta novela; para muitos sportinguistas, Bruno de Carvalho apenas responde às constantes provocações dos minions de Vieira, principal autor moral do momento de crispação que se vive. Pelo meio, há uma franja de adeptos que consegue identificar responsabilidades de um e de outro lado, ainda que estejam (naturalmente) predispostos a assumir mais culpas do outro lado da barricada.


Nos comentadores e jornalistas, a distribuição é bastante diferente. Os mais sérios, cada vez em número mais reduzido, conseguem ver a realidade como ela é: um mundo onde não existem vítimas nem estadistas, onde quem está calado pode produzir um barulho ainda mais ensurdecedor do que aqueles que não conseguem ficar em silêncio. Mas uma grande parte, cada vez em maior número, tem um discurso exatamente igual ao do mais fanático dos adeptos benfiquistas.

Esta semana deu a conhecer um novo comentador pertencente a este último grupo. Na terça-feira passada, este comentador participou num programa do tipo fórum da Sport TV+ que, nesse dia, se debruçou sobre a troca de galhardetes entre Bruno de Carvalho e Vieira. No início do programa, o pivot pediu-lhe a sua leitura sobre a guerrilha de palavras entre os dois presidentes. O comentador não perdeu tempo a mostrar ao que vinha. Senhoras e senhores, apresento-vos o novo comentador da Sport TV: José Sousa. 


Apesar de haver dois presidentes a dançar, José Sousa centra completamente a sua intervenção inicial em Bruno de Carvalho, fazendo, inclusivamente, a comparação indireta a Vale e Azevedo. Ou seja, não só coloca a responsabilidade total em Bruno de Carvalho, como acaba por subscrever o insulto de Vieira ao presidente do Sporting.

Sobre Luís Filipe Vieira, é isto que José Sousa teve a dizer:


Sem surpresa, José Sousa aprecia mais o estilo silencioso de Vieira e não esconde a revolta pelo facto de o Sporting ser sistematicamente o clube mais falado. Infelizmente, parece não ter-se apercebido de que, muitas vezes, o Sporting é o clube mais falado por causa dos ataques da máquina de propaganda benfiquista.

Continuemos com a análise de José Sousa aos acontecimentos mais recentes.


Portanto: José Sousa acredita que se os presidentes estivessem caladinhos e sossegadinhos, haveria menos situações de violência. Considerando que José Sousa disse antes que Vieira e Pinto da Costa costumam estar em silêncio, a conclusão lógica que se pode retirar é que a responsabilidade daquilo que se passou é, no que aos dirigentes diz respeito, de Bruno de Carvalho.

José Sousa conseguiu ir ainda mais longe e trazer para a discussão o facto de o Sporting pouco ter ganho nos últimos 30 anos, proporcionando-nos este belo momento de vergonha alheia.


Depois do diagnóstico, eis a solução de José Sousa para resolver este problema:


25 de abril, sempre! Simples, não é? Pena que José Sousa não diga como resolver o barulho feito pelos recadeiros&cartilheiros que são usados como caixa de ressonância dos dirigentes que se mantêm silenciosos. Lá está: provavelmente ainda não reparou que eles existem.

Acredito que a opinião de José Sousa encontre um apoio avassalador nos benfiquistas mais fanáticos. Perante isto, pergunto-me: o que será que viu a Sport TV neste indivíduo para o convidarem a integrar a sua equipa de comentadores? Não será certamente pela isenção com que aborda assuntos de política da bola. Será pelo conhecimento dos dossiers? Vamos ouvir o que José Sousa teve a dizer sobre a questão da legalização das claques:


Carlos Janela não conseguiria fugir melhor à questão. Legalização? Para quê? Afinal, sempre existiram claques, isso não influencia nada.

É notável a semelhança entre o discurso de José Sousa e o dos cartilheiros. Só lhe faltou mesmo perguntar o que estavam os adeptos do Sporting a fazer nas imediações do Estádio da Luz às 3 da manhã...


Nem sequer percebeu as dicas do colega, em como, de facto, o encontro entre as duas claques foi premeditado... por ambos os lados. 

Mas o melhor momento de José Sousa neste programa foi a comparação que lhe veio à cabeça enquanto falava de Bruno de Carvalho. Adivinham quem foi a personalidade que José Sousa usou para comparar o presidente do Sporting? Vamos fazer um jogo: pensem em três hipóteses antes de verem o próximo vídeo. Uma pista: não foi Vale e Azevedo nem o Querido Líder da Coreia do Norte.


"Interessante", não é? "Não estou a dizer que Bruno de Carvalho é fulano", diz Sousa, mas lamenta-se pelos pobres sportinguistas que não conseguem topar a manipulação de que são alvo por parte do seu líder, o que os poderá levar a ter atitudes "grotescas" e "animalescas".

José Sousa teme pelo futuro, pelas repercussões graves que isto poderá trazer. O assassinato de sábado passado não é suficientemente grave? É que convém lembrar que os dois assassinatos de adeptos que já se registaram no futebol português não foram cometidos por sportinguistas...


A carreira de José Sousa

A pergunta que coloco é: José Sousa não tem tento na língua, mostrou-se completamente parcial, não está informado nem percebe determinados dossiers, e, como se pode constatar por estes vídeos, é um comunicador fraco. Só se perceber muito de bola, mas olhando para o seu currículo de treinador (Vilafranquense e sub-19 do Belenenses), não é a escolha mais óbvia.

Como é que alguém se terá lembrado de o contratar? Vá-se lá saber...

Para quem não se lembra, José Sousa é um antigo lateral direito formado no Benfica que chegou a ser internacional nos escalões jovens. Chegou à equipa principal do Benfica, onde esteve duas épocas: 1997/98 e 1998/99. No entanto, no verão de 1999, foi dispensado por Jupp Heynckes.


Sousa rescindiu com o Benfica e, sendo jogador livre, optou por rumar ao Alverca, clube onde tinha feito a sua primeira época de sénior. Alverca que, em 1999, tinha como presidente... Luís Filipe Vieira. Outra curiosidade é que, nesse mesmo defeso, houve um outro jogador do Benfica que o acompanhou nesse percurso: Sergei Ovchinnikov.

Sousa e o guarda-redes russo fizeram, portanto, a época de 1998/99 no Benfica e a de 1999/00 no Alverca. Curiosamente, o seu destino continuou ligado na época seguinte: ambos os jogadores foram transferidos do Alverca para o Porto (um percurso que, na altura, era muito frequente, nos dois sentidos, graças às excelentes ligações entre o presidente do Alverca e Pinto da Costa - Deco e Ricardo Carvalho são dois dos mais notáveis exemplos).


Curioso, também, que, apesar de Sousa ter ido para o Alverca como um jogador livre, parte do seu passe era pertença de... Luís Filipe Vieira. Ainda mais curioso é o facto de o Porto ter contratado Sousa sem ter qualquer intenção de o integrar no seu plantel. Se os protagonistas fossem outros, haveria quem pudesse insinuar que poderia ser uma forma de dar dinheiro a ganhar aos detentores do seu passe por outros bons serviços prestados. Mas como falamos de presidentes que primam pelo silêncio, é óbvio que uma marosca dessas está completamente fora de questão.

Ovchinnikov e Sousa lá rumaram então para o Porto. O guarda-redes foi titular durante uma época, acabando por regressar à Rússia na época seguinte. Quanto a Sousa, como se esperava, foi emprestado de imediato. No primeiro ano de contrato foi para Braga...


... e, nas épocas restantes de contrato, foi cedido ao Farense e Belenenses...


... nunca tendo chegado a vestir a camisola do Porto em jogos oficiais.

De qualquer forma, se for um homem grato a quem o ajuda, Sousa bem que pode agradecer a Vieira por 7 anos da sua carreira, seja por via direta (os 2 anos que esteve no Alverca) ou indireta (o contrato de 5 anos com o Porto).

Como tal, é mais do que justo que o agora comentador veja o seu ex-presidente como um homem bom. Bruno de Carvalho tem de comer muita sopinha (ou dar a comer) até chegar aos seus pés.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Azia à flor da pele

O Benfica perdeu com o Marítimo num jogo sem casos de arbitragem, mas não deixou de haver alguma contestação ao trabalho de Vasco Santos: Rui Vitória tentou ser subtil ("O Marítimo parou-nos de várias formas"), alguns adeptos fizeram-no de forma mais declarada. Em causa esteve, sobretudo, o antijogo praticado pelo Marítimo com a conivência do árbitro.

Houve de facto antijogo por parte do Marítimo, mas não me parece que tenha sido nada que não se veja frequentemente nos relvados portugueses. No entanto, quem tenha começado a ver o jogo a partir dos 80 minutos e ouviu aquilo que diziam os comentadores da Sport TV, só pode ter ficado a pensar que a perda de tempo estava a atingir níveis inéditos.

Na realidade, a única coisa que atingiu níveis inéditos foi a azia demonstrada por quem comentava o jogo. Basta ouvir o que foi dito no vídeo seguinte.



Sobre Vasco Santos: "O árbitro tem andado a dormir no jogo todo este tipo de faltas... o jogo todo."; "Se calhar tem chuva nos olhos, tem que comprar um limpa-parabrisas para ajudar."; "Mas isto é brincadeira, este árbitro, de facto..."
Sobre um dirigente do Marítimo: "Ele não joga futebol, está bem gordinho para isso."
Sobre o Marítimo: "Muito agressivo, no sentido de reduzir, a encurtar, a empurrar, a condicionar em bloqueios"

Entre o 2º golo do Marítimo e o final da partida decorreram 28 minutos. Nesses 28 minutos, os casos de antijogo mais evidentes foram 3 paragens para assistência de jogadores do Marítimo (China, Gottardi e Edgar Costa) - numa das quais o Benfica aproveitou para fazer entrar Carrillo -, uma câimbra resolvida sem equipa médica, uma substituição do Marítimo anormalmente prolongada, e demora na reposição de dois pontapés de baliza que valeram (e bem) amarelos a jogadores da equipa da casa. É pena que tenha sido assim, porque as pessoas pagam bom dinheiro para assistir a futebol, e não a minutos de pausas desnecessárias. Mas, sinceramente, não me lembro de alguma vez ter ouvido comentários tão assertivos - num canal supostamente isento - sobre o trabalho de uma equipa de arbitragem por causa de questões desta natureza. Aliás, estou mais habituado a que digam, no caso dos jogos do Sporting, que o adversário que pratica antijogo está apenas a usar as armas que tem à sua disposição.

Curiosamente, o mesmo Vasco Santos teve, há pouco mais de um mês, uma atuação semelhante no Nacional - Sporting, com a agravante de não ter assinalado um penálti cometido sobre Bruno César. Não me recordo de ter ouvido, na altura, tantas críticas ao antijogo do Nacional e ao desempenho da equipa de arbitragem...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A cruzada da Sport TV contra os vines e GIFs animados

Nos últimos tempos a Sport TV tem feito um grande esforço para bloquear todos os vídeos publicados nas redes sociais com imagens de jogos seus. Não falo apenas de cópias de jogos completos ou resumos: até vines (pequenos vídeos de 6 segundos que passam em loop) e GIFs animados (vídeos de poucos segundos, geralmente de baixa resolução) estão a ser alvo das atenções do canal.

(obrigado, @pmrgouveia!)

Sou, evidentemente, suspeito para falar deste assunto, pois todos os vines que fiz nos últimos tempos foram bloqueados, alguns deles poucas horas depois de terem sido publicados. De qualquer forma, não coloco em causa o direito da Sport TV em proteger conteúdos que são seus. Mas é triste que o façam.

Em primeiro lugar, porque este tipo de vídeos são completamente inócuos para os interesses comerciais da estação. E muitos deles podem ser vistos também noutros canais em sinal aberto, quer nos noticiários, quer nos programas de debate que dominam muitos dos serões televisivos da semana.

Em segundo lugar, porque impedem adeptos de serem... adeptos. A esmagadora maioria das pessoas que colocam estes vídeos não tem qualquer intenção de lucrar com os conteúdos publicados. O objetivo é comentar, debater, confrontar ou apenas divulgar algo que se considera ter interesse para a generalidade das pessoas. Na prática, apenas queremos viver o jogo para além do jogo.

Sim, sei que por vezes podemos ser um pouco doentios a discutir polémicas de arbitragem, e há quem possa alegar que estamos a ajudar a destruir o espetáculo, mas não é isso que move a Sport TV nesta cruzada. A maior parte dos vídeos mostram apenas pormenores de jogadas ou acontecimentos que nos deliciaram e que queremos partilhar com o resto dos adeptos. Por exemplo, entre os vídeos que a Sport TV mandou bloquear recentemente, está o não festejo de Wilson Eduardo quando marcou pelo Braga ao Sporting, ou um movimento repentino de João Mário para deixar Maxi em fora-de-jogo. 

Um passe bem medido. Um pormenor técnico de excelência. Uma curiosidade invulgar. É disto que falamos na maior parte dos vídeos partilhados. De que forma fica prejudicada a Sport TV com a publicação de vídeos como este?

(este vídeo em particular é de uma transmissão da SIC, mas é só para perceberem a ideia)

Faz todo o sentido que a Sport TV tente proteger os diretos das competições que transmitem, pois são os diretos que levam as pessoas a assinar a estação. Tenho a certeza que os streams ilegais prejudicam os seus interesses, pelo que entendo perfeitamente que se esforcem por acabar com eles. Mas já me custa a compreender que persigam quem usa pequenos pedaços de vídeos para prolongar a discussão dos jogos que a própria Sport TV transmitiu no passado. Aliás, é triste que não percebam que quem o faz está a ajudar, na realidade, a promover os conteúdos que a Sport TV irá transmitir no futuro.

De qualquer forma, o melhor remédio que a Sport TV tem para acabar com este tipo de vídeos é... deixar de ser um canal preguiçoso e acomodado. A mentalidade que predomina na Sport TV é a de um monopolista que não se esforça minimamente por ir ao encontro daquilo que os clientes e potenciais clientes querem ver. Quer em termos da qualidade das transmissões (comentários monocórdicos, excesso de repetições, som ambiente abafado), quer na ausência de riqueza de análise pós-jogo. Em vez de se fecharem nos formatos caducos em que apostam constantemente, podiam tentar seguir algumas das coisas boas que se fazem lá fora. Vou dar um exemplo concreto.

Na ressaca do Nacional - Porto de há umas semanas, Pedro Henriques fez uma análise bastante interessante do comportamento dos jogadores nos cantos no programa Resultado Final, compilando uma série de situações para ajudar a mostrar o seu ponto de vista. Note-se que estou a fazer um elogio a Pedro Henriques, pois não é muito comum assistirmos a este tipo de análises de detalhes na Sport TV. Mas, infelizmente, muito do esforço do comentador acabou por ser desperdiçado por preguiça alheia:


Não houve qualquer preocupação por parte da produção do programa em dar um apoio visual nas imagens que passavam. Quando Pedro Henriques refere a ação de um determinado jogador, a ausência de um auxílio visual faz com que o telespectador ande à procura dele no meio da multidão, acabando por ter uma grande dificuldade em acompanhar as explicações do comentador à medida que o lance se desenrola.

Precisamente na mesma semana, calhou Jamie Carragher fazer a análise a um golo sofrido pelo Manchester United, também a partir de um canto. Observem o nível de investigação que realizaram e todo o apoio visual que é dado ao telespectador durante a explicação:


Incomparavelmente melhor. Recuaram 10 anos para mostrar um caso semelhante protagonizado pelo treinador do Bornemouth nos seus tempos de jogador, compararam com outros jogos da época ou de épocas anteriores para estabelecer um padrão, tudo acompanhado por auxiliares visuais que permitem ao telespectador manter-se envolvido na explicação. Claro que nada disto é fácil de fazer. É necessário disponibilizar recursos humanos que tenham uma memória rica da história das competições, que investiguem, que pensem fora da caixa, que trabalhem as imagens. Que possam, em suma, ajudar os comentadores a fazer o melhor programa possível para quem o vê.

O futebol é muito mais do que os golos marcados. É muito mais do que o que os resumos de 2 minutos mostram. É muito mais que repetições constantes de lances polémicos. Um adepto que se preze encontra interesse ou prazer em ver e rever um passe bem medido, uma triangulação, uma recuperação lenta, uma falha de posicionamento, uma reação emocional de um jogador, o comportamento menos habitual de um treinador. E a Sport TV, ao querer guardar a sete chaves todas as imagens só para si, está a privar os adeptos de tudo isso. Os assinantes têm a possibilidade de as reverem durante uma semana, graças às gravações automáticas que o operador disponibiliza. Depois disso, é como se as imagens ficassem perdidas para sempre.  

Perdidas para sempre, por dois motivos: primeiro, porque a Sport TV não faz um tratamento minimamente adequado da maior parte das incidências que um jogo tem; depois, porque se recusa a partilhar com os adeptos os seus conteúdos; finalmente, porque impede que os adeptos partilhem os seus conteúdos entre si.

Para ser totalmente justo, há que referir que o grupo Sportinveste, que detém a Sport TV, tem também o site vsports.pt, onde coloca vídeos de todos os jogos. Lá podemos encontrar o resumo de cada partida, e também vídeos dos golos, das principais oportunidades para marcar, e de casos de arbitragem. Mas é claramente insuficiente: não só disponibilizam pouco mais do que aquilo que qualquer resumo num noticiário mostra, como nem sequer têm um sistema de partilha decente. Resultado: à hora que escrevo, ou seja, decorridos três dias após a partida, o vídeo mais visto do Sporting - Porto de sábado no site VSports é o do caso de um eventual penálti sobre Corona, que tem 331 visualizações. 331 visualizações! O vídeo do resumo do jogo foi visto 294 vezes. Mas a maior parte dos vídeos nem sequer chegou às 100 visualizações. Isto é absolutamente ridículo.

Para terem um termo de comparação, qualquer vídeo que eu coloque no Facebook (a minha página tem cerca de 6.400 likes, o que é pouquíssimo quando comparado com outras páginas de Facebook portuguesas) chega a um mínimo de 20.000 pessoas. O vídeo que gravei no Estádio de Alvalade no último sábado do cântico "O Mundo Sabe Que" chegou a 145.000 pessoas. Como é possível que, em pleno 2016, a Sport TV não aproveite a força das redes sociais para promover os seus conteúdos de uma forma que não prejudique os seus interesses comerciais?

Voltando ao princípio: a Sport TV tem direito a bloquear vídeos de conteúdos que comprou aos clubes. Isso não está em causa. Mas devia perceber que não ganhará assinantes por estar a bloquear vídeos de 6 segundos ou determinadas compilações feitas por adeptos. Pelo contrário, deviam abandonar a política de alheamento em relação ao grande público - que sempre tiveram -, e tentar fazer um esforço de adaptação ao século XXI e ao que os adeptos / assinantes realmente querem ver.

Vamos imaginar que a Sport TV consegue abolir das redes sociais todos os vídeos de jogos seus. Imaginemos também, por absurdo, que a Sport TV consegue impedir que se discuta futebol nas redes sociais. Isto faria bem ou mal à popularidade do futebol português? Ganhariam ou perderiam assinantes em relação ao que têm agora? Para mim a resposta é perfeitamente óbvia.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Sugestão à Sport TV

Que tal começarem a colocar nas flash interviews jornalistas que efetivamente tenham visto o jogo? É que quem faz perguntas destas...


... parece que só chegou ao estádio a vinte minutos do final da partida. Felizmente que Jorge Goulão esteve mais atento e revelou-se bastante mais impressionável num outro jogo para o qual foi destacado poucos dias antes...

terça-feira, 10 de novembro de 2015

É possível assinar a BT Sport em vez da SportTV?

Ponto prévio: a SportTV nunca foi um canal com que simpatizasse, por causa daquele que foi o seu destacado acionista durante muito tempo. No entanto, sou assinante há anos porque não tenho outra alternativa para ver os jogos que o Sporting disputa fora de casa. E provavelmente continuarei a ser assinante enquanto tiverem os direitos dos jogos do Sporting, por uma questão de lealdade para com o clube.

Neste momento a influência de Joaquim Oliveira já não será a mesma de outros tempos, mas há dois motivos que me levam a não estar satisfeito com o canal enquanto cliente. A primeira razão é totalmente objetiva, e calculo que a esmagadora maioria dos assinantes do canal concordará comigo: a oferta da programação é cada vez mais reduzida (jogos em casa do Benfica, ligas inglesa, francesa, italiana, NFL e UFC, e no futuro a Fórmula 1), sem que tivesse sequer havido qualquer atualização no preço.

A segunda é mais subjetiva e tem a ver com uma questão de gosto pessoal: na minha opinião, as transmissões da Liga NOS na SportTV são do mais sensaborão que existe. A generalidade dos comentadores coloca um entusiasmo semelhante ao de um jornalista que informa os espectadores das principais oscilações do PSI-20, o som ambiente é baixo e abafado e não deixa perceber minimamente aquilo que se vive dentro do estádio - e que deve levar a crer a qualquer pessoa que não frequente os estádios que o único tipo de apoio vindo das bancadas vem de bombos -, e todos os momentos mortos são preenchidos por repetições - algumas relevantes, a maior parte nem por isso - abdicando totalmente de mostrar as interações entre os intervenientes durante as pausas.

Não é uma questão de defeito do canal propriamente dito: na própria SportTV, os comentários da NBA, da NFL (quando havia NFL) ou do mundial de rugby são muito superiores aos do futebol (falando apenas daqueles que vejo, via ou vi com frequência).

Fica aqui um exemplo em como a mesma transmissão pode conseguir captar a emoção e o ambiente de forma completamente diferente. Primeiro, na SportTV, os momentos que antecedem o golo do Sporting em Arouca e os festejos que se seguiram. Depois, o mesmo segmento na BT Sport, o canal que transmite a liga portuguesa em Inglaterra.



Um som ambiente mais alto, a festa junto à linha dos jogadores do Sporting a ouvir-se perfeitamente (TOMA!) e, claro, o tom dos comentários a transmitir mais emoção.

"Champions find a way to win matches. (...) The referee Cosme Machado is sending off anyone who he can find. Jorge Jesus is left holding the clipboard. Have you seen a game like this ever?"

Compreendo que os comentadores da SportTV evitem apontamentos de humor - a suscetibilidade dos adeptos é grande -, mas um bocadinho mais de entusiasmo não faria mal a ninguém...

(obrigado, @kurtagostinho e @paraver)

segunda-feira, 27 de abril de 2015

O dia em que o futebol me parece algo de secundário

Escrevo este texto pouco depois de terminar o post sobre a vitória da Taça CERS, e confesso-vos que a partida de Moreira de Cónegos me parece completamente irrisório. O fim-de-semana desportivo do clube já me deixou imensamente satisfeito, e não seria uma eventual derrota em Moreira de Cónegos a tirar-me o sorriso dos lábios. De qualquer forma, o jogo de logo é para ganhar. 

Slimani está de fora dos convocados, havendo em contrapartida a novidade da chamada de Rúbio. Marco Silva disse que Adrien trabalhou condicionado, pelo que talvez não seja má ideia poupá-lo e lançar André Martins. Em alternativa, jogar com apenas dois homens no centro do meio-campo (William e André ou João), colocando uma dupla no centro do ataque que garanta uma maior presença em zona de finalização (Tanaka e Montero / Mané, se bem que também não desgostaria que dessem uma oportunidade a Rúbio).

Cédric esteve num nível aceitável contra o Boavista, mas não o suficiente para retirar a titularidade a Miguel Lopes. Sarr voltou aos convocados em substituição do suspenso Tobias, pelo que seria agradável que para variar terminássemos com os dois centrais em campo - o francês demonstrou uma imensa falta de ritmo quando jogou na semana passada pela equipa B e só poderá ser uma solução de último recurso (acho que preferia voltar a ver William como central).


Uma última palavra para o horário do jogo: gostava que alguém me explicasse os méritos da marcação da partida para as 20h de uma 2ª feira. Compreende-se quando há competições europeias a condicionar a calendarização, mas como sabemos não é esse o caso. Até deu jeito para os sportinguistas se poderem concentrar no hóquei e no futsal entre 6ª e domingo, mas duvido que fosse essa a preocupação dos senhores da SportTV. Até porque havia horários no sábado que serviriam perfeitamente.

Para mim significa uma coisa: 20h às 22h é o período para dar de jantar às crianças e pô-las na cama. Não vou poder ver o jogo em direto. Bela trampa de serviço que a SportTV presta aos seus assinantes. Isto é anti-futebol.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Avacalhar a perfeição

Não admira que dêem prejuízo... a gastarem recursos para fazer uma coisa destas quando o original é perfeito...

Aviso: não façam o mesmo que eu, não ponham o vídeo a andar enquanto ingerem alimentos ou líquidos. Eu cuspi parcialmente o meu lanche de ontem logo no primeiro segundo do vídeo... não estava preparado para isto...

Toda a Liga dos Campeões só na SPORT TV
Toda a Liga dos Campeões, em direto e em português, só na SPORT TV.
Posted by SPORT TV on Segunda-feira, 13 de Abril de 2015

Anseio pelo dia em que a Sport TV compre o Mezzo e passe a dar óperas com dobragem em português.

(obrigado, @nunovalinhas)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O puzzle defeituoso da centralização de direitos televisivos

Costuma dizer-se que um bom negócio é aquele em que todas as partes envolvidas ficam satisfeitas com os termos acordados. No entanto, nem sempre isso é possível quando a força negocial de uma das partes é suficientemente grande para impôr a sua vontade.

Existem muitos clubes que não estão satisfeitos com o montante que recebem pela cedência dos direitos televisivos à Sport TV. Esse descontentamento é mais acentuado nos clubes pequenos, e foi com a benção desses clubes que Mário Figueiredo avançou com o processo de contestação dos contratos atuais com vista a uma renegociação centralizada.

Isto é tudo muito bonito ao nível das intenções, mas a verdade é que o valor de mercado da liga portuguesa é bastante reduzido quando comparado com outros países. A melhor prova disso é que a Sport TV já não dá lucro desde 2011 (em 2013 deu €6M de prejuízo), havendo inclusivamente exigências dos acionistas para cortar custos. A Benfica TV dá lucro apenas porque o seu principal produto lhe custa 0.

Para além disso, vejo em todo este processo demasiados interesses antagónicos que me impedem de conseguir compreender como se irão juntar todas as peças do puzzle da centralização. Aqui ficam aqueles que são para mim os potenciais focos de problema na sua concretização:


Questão nº 1: A centralização fortalece a posição negocial dos clubes em geral?

Isso seria verdade se existisse um segundo operador com força suficiente para entrar num leilão com a Sport TV. Estão a ver algum operador que consiga chegar-se à frente e a bater com dezenas de milhões na mesa (a avaliação atual deve andar nos €60M, por isso podemos assumir um ataque destes à Sport TV não teria sucesso por menos de €70M ou €80M), sabendo que não os vai conseguir reaver a curto ou sequer a médio prazo? Eu não.

Para além disso, esse operador teria que fazer essa jogada negocial sem o apoio do Novo Banco e do BCP, que são acionistas da Sportinveste. Aliás, a tendência atual é que a banca fuja do futebol. Também em eventuais parcerias com operadoras de cabo o panorama não é famoso: a NOS é acionista direta da Sport TV, e a PT definitivamente não está em condições de se meter numa guerra destas.

Ou seja, é altamente improvável que os clubes venham a ter mais do que um interlocutor pela frente. Não havendo nenhum concorrente que ajude a inflacionar as ofertas, é improvável que a Sport TV se veja forçada a aumentar consideravelmente os valores a pagar aos clubes: não só por falta de concorrência, mas também pelo aperto financeiro em que vive atualmente. É preciso não esquecer que os clubes precisam tanto da Sport TV como a Sport TV precisa dos clubes.


Questão nº 2: O que ganham os grandes com a negociação centralizada?

Nada, na minha opinião. No panorama atual, em que o Benfica não vende os seus direitos, a Sport TV não pode deixar fugir os jogos de Sporting e Porto. A operadora já sofreu com a perda dos jogos do Benfica, e é de imaginar que os efeitos da perda de outro grande seria imensamente prejudicial. Como tal, Sporting e Porto são decisivos para sobrevivência da Sport TV, e têm todas as vantagens em manter o poder de negociarem individualmente os direitos dos seus jogos quando chegar a altura de renovar os respetivos contratos.


Questão nº 3: A centralização será boa para os clubes mais pequenos?

Enquanto Sporting, Benfica e Porto têm para vender 17 jogos anuais com garantia de boas audiências (sendo que 2 dessas 17 partidas fazem parar o país), os restantes clubes têm apenas 3 jogos que interessam ao grande público. Tudo o resto, salvo uma ou outra exceção, e com todo o respeito por esses emblemas, são pouco mais do que entulho. Por que motivo hei-de querer assistir a um Arouca - Guimarães (e nem será dos piores jogos) se à mesma hora joga o Real Madrid, o Bayern, o Barcelona ou o PSG?

É normal que os grandes reclamem uma fatia do bolo substancialmente superior à dos restantes clubes. Tudo o que for "cedido" aos pequenos para além do valor justo (que provavelmente à volta de 15% do que os grandes recebem) seria pura boa vontade do canal que lhes comprar os direitos. Admito, no entanto, que existam clubes que recebem bastante abaixo dessa percentagem.

O problema principal é que não havendo disponibilidade financeira da Sport TV para pagar mais pelos jogos, não estou a ver os clubes grandes a abdicarem dos valores que recebem atualmente em favor dos clubes mais pequenos. Mesmo que o plano da Santa Aliança seja reduzir a fatia do Sporting em favor dos clubes mais pequenos, isso dividido por todos iria dar uma ninharia. Os clubes pequenos definitivamente não ficariam em muito melhor situação.

Ou seja, só será bom para os pequenos se todos grandes saírem a perder. Se Mário Figueiredo até poderia ter essa intenção, seguramente que Luís Duque não é homem para fazer o papel de paladino dos pequenos quando chegar a altura de dividir o bolo pelos clubes.


Questão nº 4: Que interesse tem o Benfica na centralização?

Rui Gomes da Silva mencionou há algumas semanas a possibilidade de Benfica TV e Sport TV poderem conviver num cenário de centralização, a partir de uma plataforma comum que permitisse cada canal transmitir os seus jogos. A leitura mais lógica dessas palavras é que o Benfica pretenderá transformar o seu canal numa espécie de Sport TV 6, recebendo uma parcela das receitas totais que os dois canais no conjunto obtiverem.

Se as palavras de Rui Gomes da Silva tiverem um fundo de verdade, isso acaba por ser um sinal de fraqueza da Benfica TV. Significaria que os dirigentes não obtiveram os lucros esperados num ano desportivo notável, ao mesmo tempo que se estarão a questionar qual será a performance financeira do canal se os resultados começarem a desiludir.

Voltando à tal plataforma comum, não vejo grandes benefícios para a Sport TV em aceitar um acordo desses. Mesmo sendo verdade que a Benfica TV roubou clientes à Sport TV, as sinergias não são suficientemente interessantes para que a Sport TV esteja a entregar um valor significativo a um concorrente que apenas tem para partilhar direitos de 1 clube e de 1 liga estrangeira. A não ser, claro, que o pacote Sport TV + Benfica TV passe a custar cerca de €45 / mês para que ambos os canais acabem por ter contrapartidas que compensem o casamento. O problema é que seriam poucos os clientes com capacidade de pagarem €500 por ano para verem futebol em casa.

Se o Benfica quiser continuar a ter um canal independente e concorrente da Sport TV, então a centralização simplesmente não será possível.


Questão nº 5: A SportTV tem interesse em negociar?

A Sport TV tem vários contratos de longa duração em vigor, incluindo os direitos de Sporting e Porto até 2019. Por que motivo o canal estaria disposto a abdicar desses contratos? Quanto muito teriam interesse em negociar as transmissões dos campeonatos posteriores ao final do contrato com o Sporting e Porto, ou seja, referentes às épocas de 2019/20 para a frente. 

A Benfica TV paga €2,5M por ano para transmitir em exclusivo a liga inglesa. O que acham que será prioritário para a Sport TV (que não tem recursos ilimitados): dar €2M por ano a clubes como o Moreirense ou o Gil Vicente em contrapartida de 3 jogos com interesse, ou dar um valor equivalente à liga espanhola ou alemã para dezenas de jogos de espetáculo garantido?


Resumindo, estamos perante uma potencial negociação que terá que lidar com vários interesses antagónicos: Benfica (pela Benfica TV), Porto, Sporting (se o clube se aperceber que será o sacrificado na repartição do bolo), os clubes pequenos e a Sport TV. Os pequenos querem uma parcela maior e os grandes não vão querer perder dinheiro, já que a sua situação financeira não está para brincarem à caridade. A Sport TV não tem condições para pagar mais e para além disso tem vários contratos de longa duração. Nada disto encaixa, pois não?

sábado, 8 de novembro de 2014

Oh não! Mais um post sobre o 3º golo do Sporting contra o Schalke!

Não quero tornar-me repetitivo fazendo mais um post sobre o 3º golo do Sporting contra o Schalke, mas acho que vale a pena ver este vídeo a partir de uma transmissão estrangeira - não só pela jogada em si, mas acima de tudo porque faz justiça ao tremendo ambiente que se viveu em Alvalade durante todo o jogo.


Via @bancadadeleao

Um contraste imenso com as tradicionalmente insípidas transmissões da SportTV, que não só reduzem o som ambiente a ponto de duvidarmos se o jogo não estará a decorrer à porta fechada, mas também cuja maioria dos comentadores parece estar fazer um frete imenso, falando quase sempre sem qualquer entusiasmo. Acredito que haja quem prefira assim, mas na minha opinião a SportTV faria bem melhor em abrir mais os microfones que captam o som das bancadas e em ter gente com comentários mais vivos. Seria uma forma de transportar um pouco melhor o espetáculo do estádio para as casas do espectadores.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

607

607 foi o número de espetadores nas bancadas que assistiram ao Olhanense - Académica.

in maisfutebol.pt

Não vejo os dirigentes muito preocupados com as fracas assistências na principal competição nacional, mas de qualquer forma aqui ficam umas perguntas:

1. Como é possível que a Liga (que é como quem diz os clubes) aprove um regulamento que permite a marcação de jogos para a segunda-feira à noite?

2. Qual terá sido a audiência que a Sport TV conseguiu a mais por ter deslocado o jogo para este dia? Tendo 4 canais, não arranjavam um deles que o transmitisse no sábado ou no domingo?

3. Como é possível termos clubes na primeira divisão com este nível de assistências? O que diz sobre a sua sustentabilidade? Adeptos perto de zero significa interesse publicitário perto de zero e receitas perto de zero.

4. Eu sei que isto é uma utopia, mas já imaginaram um campeonato deste tipo:
  • 1ª fase com 12 clubes a 2 voltas (22 jornadas)
  • No final da 1ª fase, dividir os 12 clubes em 2 grupos, que continuam com os pontos conseguidos nas primeiras 22 jornadas.
  • O grupo do 1º ao 6º joga entre si a 2 voltas para determinar o campeão (10 jornadas).
  • O grupo do 7º ao 12º joga entre si a 2 voltas para determinar quem desce (10 jornadas).
Teríamos uma época com 32 jornadas (perfeitamente razoável), muito mais competitiva e com muito mais interesse para o público. De certeza que não teríamos jogos com apenas 607 almas na bancada.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Uma vez um boy, sempre um boy


Fala-se com insistência num movimento de clubes liderado pelo Porto para tentar retirar Mário Figueiredo da Liga e colocar Rui Pedro Soares.

Rui Pedro Soares, dragão de ouro de sócio do ano 2008/09, é também presidente do Belenenses. Há cerca de um ano, passou a ser detentor de 61% de ações do Belenenses após pagar cerca de 500€, correspondendo a 0,001€ por ação.

O nome do presidente do Belenenses não é estranho para ninguém que preste alguma atenção ao fenómeno político português. Pertencendo ao PS, Rui Pedro Soares foi nomeado pelo Governo de José Sócrates como administrador executivo da PT. Rui Pedro Soares tinha na altura 32 anos. Ninguém com dois palmos de testa acredita que tenha sido pelas suas competências enquanto gestor. Rui Pedro Soares é um excelente exemplo de uma das piores facetas deste país: um indivíduo que sobe na vida à custa do cartão partidário e não pelo mérito.


Os episódios estranhos em que Rui Pedro Soares não se ficaram por aqui. É uma das figuras apanhadas nas escutas do caso Face Oculta, a falar sobre uma possível compra da TVI pela PT, para controlar um canal que estava a ser incómodo para o Governo de Sócrates. Também é administrador da Taguspark, que pagava €350.000 por ano a Luís Figo para promover o parque tecnológico e, ao que se disse na altura, também para se declarar como apoiante do PS.

Curiosamente, há uns tempos saíram umas notícias em que Luís Filipe Vieira ponderava vender os direitos televisivos dos jogos do Benfica (antes de se decidir pela Benfica TV) a um projeto empresarial liderado por Rui Pedro Soares associado ao grupo espanhol Mediapro, que é o atual detentor do Porto Canal (em parceria com o F.C.Porto).

Estamos conversados em relação à integridade de Rui Pedro Soares. Agora é a face visível (uma evolução em relação ao caso Face Oculta) de um movimento de clubes que inclui o grupo Porto & Amigos (em que os principais são Porto, Braga, Guimarães, Académica e Belenenses). A importância que a Liga tem nos dias que correm é relativamente escassa, afinal o poder sobre os árbitros e sobre a justiça desportiva reside na FPF. O que está em causa é a tentativa de Mário Figueiredo centralizar os direitos televisivos na Liga, o que seria, convenhamos, algo de incómodo para Joaquim Oliveira e para a SportTV. Rui Pedro Soares pelos vistos gosta de ajudar a afastar gente incómoda para os seus amigos.

Não acho que Mário Figueiredo seja um bom presidente da Liga. É natural que se suspeitasse da sua independência quando foi eleito, pois é genro do presidente do Marítimo e sócio no escritório de advogados de Adelino Caldeira. Entretanto parece ter decidido proteger o interesse dos clubes pequenos contra os grandes, muitas vezes revelando falta de bom senso, e acabou por perder grande parte do apoio que tinha. E na verdade tem sido protagonista de episódios pouco dignos, nomeadamente ao tentar enfiar alterações de regulamentos de forma encapotada, para tentar ver se passavam despercebidas.

Mas isso não legitima mais uma tomada de poder de Joaquim Oliveira e Pinto da Costa, desta vez usando como muleta um homem que representa muito do que há de podre na sociedade em que vivemos. Gradualmente o ar do futebol português tem ficado menos poluído com a saída de cena de algumas figuras sinistras como Valentim Loureiro, Pinto de Sousa ou Adriano Pinto. Mas se é para dar lugar a tipos como este, não há grandes motivos para ter esperança num futuro melhor.
Imagem retirada do blog: WEHAVEKAOSINTHEGARDEN

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O Sporting e as arbitragens do Benfica

Os sportinguistas deviam-se sentir desconfortáveis com o problema das arbitragens do Benfica. 

Não por uma questão de solidariedade, porque os benfiquistas nunca se mostraram incomodados nas muitas ocasiões em que o Sporting foi sistematicamente prejudicado.

Não por uma questão de justiça porque, à semelhança do Porto, o Benfica nos últimos anos tem sido muito mais beneficiado do que prejudicado. Têm acima de tudo razões de queixa no golo do Maicon no jogo do título de 2011/12, mas não podem esquecer muitos outros jogos em que foram escandalosamente favorecidos.

Não por uma questão de ética, porque Luís Filipe Vieira não parece ser uma pessoa que se mostre muito incomodada com sistemas, desde que os controle (ou pense que os controle).

O Benfica é neste momento um problema muito grande para determinadas pessoas por causa da Benfica TV. Já escrevi sobre esse tema AQUI, antes de terem começado as polémicas das arbitragens. A Sport TV e o grupo Controlinveste estão a lutar pela vida. A crise em que o país vive e a falência anunciada de jornais, que cada vez vendem menos, e rádios, devido à pressão que existe sobre o mercado publicitário, já traziam enormes problemas aos grupos de comunicação social. O surgimento da Benfica TV como concorrente direto da Sport TV deve ter sido um terramoto para um canal que era provavelmente o oásis no deserto que é o grupo de Joaquim Oliveira. A situação só não é mais desesperada porque a banca andou anos a fio a injetar dinheiro, à semelhança do que tem acontecido com os clubes. Mas como os bancos estão agora com a corda ao pescoço, já andam a negociar a conversão da dívida da Controlinveste em ações.

Há uma coisa que pode melhorar a situação da Controlinveste: o falhanço da Benfica TV enquanto projeto económico viável. Para isso acontecer, vão necessitar que o Benfica fique rapidamente afastado da luta pelo título. Isso vai provocar muitas desistências de assinaturas da Benfica TV, e se a isso se juntar um afastamento da Liga dos Campeões do próximo ano, com consequente não valorização dos jogadores do plantel, a pressão de tesouraria que então existirá poderá obrigar o Benfica aceitar a "generosa" oferta que Joaquim Oliveira estará a reservar para um momento em que tenha uma posição negocial mais forte. Resta saber até que ponto a influência que o Benfica foi acumulando nos bastidores (que não é negligenciável) será suficiente para evitar este cenário.


E perguntam-me: o que é que isto tem a ver com o Sporting? Nada, respondo eu. Mas quando o Benfica começar a ser um problema menor para onde acham que essas figuras se vão virar imediatamente a seguir?

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Benfica TV e a ética

A ideia de transmitir jogos oficiais de um clube num canal detido por esse clube é uma novidade a nível mundial. Os apoiantes designam a experiência como pioneira, os detratores chamam-na de duvidosa e arriscada. O que é indiscutível é que está muito mais em causa do que a simples transmissão de 15 jogos de futebol ao longo de 365 dias.


As faces da Benfica TV

Eu, pessoalmente, sempre gostei de ouvir o Hélder Conduto e o Valdemar Duarte. Não sabia quais eram as suas cores clubísticas, o que é bom sinal para um jornalista que se pretende isento. Agora ao irem para a Benfica TV estão-se a expor, como já aconteceu com jornalistas contratados para os departamentos de comunicação dos clubes, como o Pedro Sousa ou o Rui Cerqueira.

Estou na expetativa para saber qual será o nível de parcialidade dos seus comentários. É perfeitamente natural que se inclinem a favor do Benfica -- o que já acontece com TODOS os jornalistas quando comentam ou relatam um jogo entre uma equipa portuguesa e uma estrangeira -- mas, pelo que me habituei a ouvir deles, estou à espera que na análise de lances polémicos, enquanto jornalistas profissionais, sejam capazes de serem íntegros. Bem mais do que um Manuel Queiroz ou um Bernardino Barros qualquer.

Questões éticas

Tem sido evidente a preocupação de muitos jornalistas, comentadores e dirigentes adversários sobre a preservação da verdade desportiva, nomeadamente por causa das repetições e os efeitos sobre possíveis castigos baseados nas imagens da transmissão. É uma preocupação legítima, já que a isenção não será certamente a prioridade nº1 da Benfica TV, independentemente da qualidade dos jornalistas contratados.

Temos por isso tido a oportunidade ouvir e ler muita gente preocupada com esta questão. Por exemplo, António Tadeia, numa crónica para o DN entitulada A televisão, a ética e a receita, da qual vou retirar alguns excertos.
Os observadores aplaudiram o que presumiam ser um final de um regime próximo do monopólio, mas a mim a questão causa-me urticária por várias razões. Éticas e comerciais.
Primeiro, as éticas. (...) que garantia temos de que a seleção e edição das imagens venham a ser feitas com a imparcialidade necessária para que sirvam de prova, por exemplo, em inquéritos disciplinares como o que castigou Insúa na época passada? Como é evidente: nenhuma!
Depois, as comerciais. Permitir aos clubes que negoceiem os seus próprios direitos televisivos é, está provado, enfraquecer a posição global em favor da posição dos mais fortes.
Concordo com as questões éticas que Tadeia menciona. No entanto, em relação às razões comerciais apontadas, já nem tanto. Na minha opinião, se a negociação dos direitos televisivos fossem centralizados nunca seriam atribuídos a outro operador que não a Sport TV. Dificilmente outro operador teria capacidade financeira e influência de bastidores no submundo do futebol para se colocar à frente da Sport TV.

Houve no entanto uma coisa que Tadeia se esqueceu de referir. Todos conhecemos António Tadeia da RTP, mas ele também escreve no DN e faz crónicas diárias na TSF. DN e TSF que são detidas pela Controlinveste (também conhecida por Olivedesportos) que, curiosamente, também detém O Jogo e a Sport TV.


Diria a ética e o bom senso que Tadeia poderia fazer uma declaração de interesses à partida, sendo assalariado de alguém que está interessado no insucesso da Benfica TV, ou então que se abstivesse de falar no assunto. Enfim, como alguém disse uma vez, causa-me urticária.

E como o mundo dos órgãos de comunicação social está cada vez mais centralizado em grandes grupos, é difícil confiar na generalidade das opiniões que saem dos jornais e rádios. Porque se ao grupo Controlinveste é conveniente boicotar a Benfica TV, a outros grupos de media concorrentes se calhar é benéfico que a Controlinveste saia mal desta novela.

Portanto, o melhor é não dar grande relevância aos opinion-makers da nossa praça, porque a independência total em relação a este tema é coisa que dificilmente existirá.


Lança espetada no sistema

O que também é indiscutível são os efeitos que isto terá no chamado "sistema". Joaquim Oliveira sempre foi visto como um dos homens do "sistema". Esta conotação já vem de trás dos tempos em que a Agência Cosmos patrocinava viagens de árbitros ao Brasil (Agência Cosmos, que faz parte também do universo Controlinveste), foi ganhando poder com negociação de direitos televisivos de futebol e publicidade estática nos estádios. Hoje em dia até, pelos vistos, é ele que paga o carro onde andam o presidente da FPF e dos árbitros.

Enquanto se portar bem, Vítor Pereira sabe que não lhe faltará uma assistência em viagem de qualidade se o seu carro avariar


Há uma coisa que é inevitável: as receitas da Sport TV vão descer. Não sei quanto vai descer, mas se a qualidade da programação é afetada e os preços mantém-se na mesma, parece-me impossível que não existam clientes a desistir do canal. E não creio que a nova Sport TV Live seja capaz de angariar um número significativo de novos clientes. Quem vê futebol em Portugal tem um clube, e não vai pagar 10€ para ver 1 jogo por mês do seu clube e 3 dos outros. 

Considerando que a generalidade dos jornais e rádios só dão prejuízo devido ao minguar do mercado publicitário, qualquer queda de receita da Sport TV deverá ser dramática para a Controlinveste / Olivedesportos e, consequentemente, para Joaquim Oliveira.

É natural portanto que o "sistema", a existir, esperneie o mais que consiga.


Riscos e recompensas

A decisão de o Benfica acabar com a maior receita fixa do seu orçamento pode ser recompensadora, mas os riscos também serão grandes. As receitas de bilheteira aumentam ou diminuem em função dos resultados desportivos da equipa, e a partir de agora o mesmo irá acontecer com as receitas das transmissões televisivas. Se a equipa se sair bem no campeonato, o potencial de receitas será enorme, mas se a prestação desportiva desiludir serão muitos os adeptos benfiquistas que deixarão de assinar o canal. A questão da canibalização entre os Red Pass e a Benfica TV também é interessante.

Assim, os direitos televisivos juntar-se-ão à bilheteira e às mais-valias nas transferências de jogadores no conjunto das receitas que estarão dependentes dos resultados desportivos. Ou seja, neste momento, uma esmagadora fatia do orçamento do Benfica está dependente do facto de a bola entrar ou não na baliza. E isso é uma dinâmica que não transita de ano para ano. O Benfica pode ter uma época de sonho e angariar clientes e receitas, mas se nas 5 primeiras jornadas da época seguinte as coisas não correrem bem, o cumprimento de objectivos da Benfica TV estará seriamente comprometida.


Como avaliar o sucesso da Benfica TV?

Não será certamente pela qualidade apresentada enquanto canal televisivo. Para além do corte com uma das faces do "sistema", o sucesso da Benfica TV vai ser avaliado em função do número de assinantes. A grande pergunta é: de quantos assinantes precisa a Benfica TV para justificar o corte com a Sport TV, atendendo que esta ofereceu €22,2M / ano?

Em contas por alto, as receitas serão:
  • Assinantes Benfica TV
  • Publicidade
  • Venda de direitos de transmissão internacionais
Os custos virão de:
  • Liga inglesa - €2,6M / ano
  • Liga brasileira, grega e americana - valores não divulgados
  • Custos de pessoal (salários de jornalistas, apresentadores e técnicos)
  • Equipamento de transmissão de diretos
  • Despesas de funcionamento corrente
  • Comissão dos operadores de cabo
Ou seja, para fazer face aos valores conhecidos (liga inglesa e os jogos do Benfica)...

€2,6M + €22,2M = €24,8M

... e a receita dos assinantes...

10€ * 12 meses * nº assinantes = €24,8M

o que quer dizer que para cobrir esses €24,8M a Benfica TV precisa de ter 206000 assinantes. Como as receitas da publicidade (o mercado publicitário está completamente espremido) e direitos internacionais devem ficar muito longe dos custos das outras ligas, de pessoal, equipamento, despesas correntes e comissões, parece-me que o melhor é arredondarmos para 250000 assinantes a pagarem os 12 meses (apesar de supor que muitos assinantes irão cortar a subscrição durante os 3 meses de paragem de campeonato). Não vou entrar nas questões do IVA e outros impostos porque não sei se os valores pagos pelos direitos da liga inglesa e a oferta da Sport TV incluíam ou não IVA.

Segundo a notícia divulgada pelo Benfica, a 29 de Julho já existiam 100.000 assinantes, o que é um excelente sinal visto que a bola a sério para a Benfica TV só começa este domingo.

No entanto, terei dificuldade em acreditar nos números divulgados pelo Benfica. Estamos a falar de gente que não tem problemas em manipular os números para salvar a face. A credibilidade é uma coisa lixada, uma vez perdida jamais se recupera. Só com números divulgados pelos operadores é que poderei ficar confiante que estamos perante dados verdadeiros.

Conclusão

No ponto de vista da afronta ao sistema, a transmissão dos jogos pela Benfica TV será sempre uma decisão positiva. Resta saber se do ponto de vista económico será compensador. 

Aquilo que espero que vá acontecer é que o Benfica não irá conseguir cobrir na totalidade a oferta da Sport TV. No entanto, as receitas serão sempre superiores em relação aos valores do contrato que o clube tinha com a Sport TV até à época de 2012/13. Para além disso, acho que a queda das receitas da Sport TV será muito significativa.

A aposta tem os seus riscos, mas há uma coisa que é preciso não esquecer: se correr mal a qualquer momento o Benfica pode retomar as negociações com a Sport TV, que certamente esfregará as mãos de contente por recuperar os direitos desses jogos. Resta saber quem estará menos enfraquecido na mesa de negociações quando e se esse momento chegar.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Repetições e repetições

Há muita gente preocupada com a seleção das repetições nos jogos da Benfica TV, e com razão, Mas, já agora, o que acharam das repetições do novo canal Sport TV Live?

Sporting - Arouca.

Aos 27:19 de jogo, com 0-1 no resultado, Montero cai na área. Fica a dúvida se é empurrado ou não pelas costas por um adversário. A realização disponibiliza duas repetições:

Uma da linha lateral (1), boa para analisar foras-de-jogo, e outra da linha de fundo (2), mas cujo ângulo não é muito elucidativo pois o corpo de Montero tapa o local onde o adversário o poderia ou não ter empurrado. Os comentadores da Sport TV Live referem que o ângulo das repetições não dá para ter a certeza, mas parece não haver falta. Tudo bem.

Aos 29:17 de jogo, Maurício empata o jogo, praticamente do mesmo local onde Montero caíra dois minutos antes. Apreciem o golo de...


... 4 ângulos diferentes. Incluindo de uma câmara na bancada atrás da baliza (2) e do lado oposto do campo em ângulo frontal (4). Curiosamente eram estas duas câmaras que poderiam ter desfeito as dúvidas do lance anterior.

Estranho, não é?

Podem verificar como foi a transmissão nesses dois momentos nos vídeos abaixo.



segunda-feira, 12 de agosto de 2013

"O Sporting é nosso outra vez"

Tinha preparado um post para o final desta semana sobre o agendamento do Sporting - Arouca para uma segunda-feira, sem que nada de aparente o justificasse. A conclusão era que o slogan "O Sporting é nosso outra vez", tão utilizado por Bruno de Carvalho, tinha que passar pela proteção dos sócios e adeptos que fazem sacrifícios para poderem ir assistir os jogos ao vivo. Parte do que tinha escrito nesse projeto de post era:

Daí ser incompreensível a marcação do Sporting - Arouca para uma segunda feira. É uma golpada tão dolorosa pelo inesperado que foi. Os sócios e adeptos também fazem sacrifícios pelo clube quando vão ver um jogo: gastam dinheiro e usam uma significativa parte do seu tempo livre em que estão longe da família (se não os acompanharem). E as pessoas compreendem: se a equipa jogou durante a semana e do ponto de vista desportivo faz sentido jogar à segunda, ninguém levanta a voz porque o bem do clube também é o seu bem.

O jogo entretanto foi reagendado para um Domingo às 15h45, mostrando que a preocupação de devolver o clube aos sócios é real. Jogo numa tarde de Domingo é o melhor horário possível para as famílias irem à bola, e é uma excelente notícia para os sportinguistas.

Bem, na verdade parece não ser bom para todos os sportinguistas. Já há argumentos contra por causa da temperatura (vai estar calor apenas para os jogadores do Sporting), de colidir com o 12º fim-de-semana de praia deste ano, ou por a mudança do horário ter sido comunicada pessoalmente por BdC, que só aparece nos momentos bons. Eu acrescentaria que estraga uma excelente tarde de televisão, pois é no domingo à tarde que os nossos canais generalistas nos oferecem o "Verão Total", "Portugal em Festa" e outros programas do mesmo tipo.

Voltando ao tema dos jogos à segunda, para suportar as críticas que fazia, estive a analisar o agendamento dos jogos das últimas duas épocas para ver se encontrava situações semelhantes em relação aos grandes. Como acho que até tem algum interesse (agora menos devido à mudança do horário de jogo), aqui fica a análise que fiz.