Mostrar mensagens com a etiqueta e-toupeira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta e-toupeira. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 18 de setembro de 2018

The lone gunman

De acordo com uma hilariante "nota à comunicação social" emitida no final da tarde de ontem no site do Benfica, Paulo Gonçalves deixou de ser assessor jurídico do clube. Vale mesmo a pena ler:


O ponto alto desta nota riquíssima de conteúdo é a patética tentativa de convencer o povo de que o processo judicial em que Paulo Gonçalves está envolvido em nada está relacionado com as suas funções na SAD benfiquista: aparentemente o autor deste comunicado esqueceu-se de que a Benfica SAD é acusada nesse mesmo processo. Pelos vistos a amnésia que afligiu o presidente está a espalhar-se pela hierarquia abaixo.

Aliás, só mesmo um caso agudo de perda de memória é que pode explicar a mudança de atitude do Benfica face a Paulo Gonçalves. Há apenas pouco mais que uma semana, uma fonte oficial do clube disse ao Expresso que deixar cair Paulo Gonçalves seria uma admissão de culpa.

(via @paulamargarida_)

Depois do esforço narrativo de transformar Paulo Gonçalves num mero colaborador da SAD - apesar de falarmos de alguém que representou o Benfica variadíssimas vezes em instâncias relevantes -, o gabinete de crise passou para a fase seguinte: numa altura em que começa a ser cada vez mais evidente que as provas são avassaladoras, tentam vender ao público que o ex-assessor é uma espécie de lone gunman, que planeou e executou sozinho um plano do qual o Benfica não retirou qualquer benefício - isto apesar de estarmos a falar da estrutura que está dez anos à frente, apesar do mais que conhecido percurso profissional pré-Benfica de Paulo Gonçalves, apesar de os mails comprovarem que Vieira sempre teve perfeito conhecimento da existência dos meninos queridos e das borlas que Paulo "Rei das Borlas" Gonçalves lhes dava no "interesse exclusivo do SLB".


Não tardará muito que o surto de amnésia continue a deslizar hierarquia abaixo até se espalhar pelos adeptos benfiquistas. Da mesma forma que ninguém se lembra de ter votado em Vale e Azevedo, serão poucos aqueles que num futuro próximo se lembrarão de que Paulo Gonçalves foi um dos braços direitos de Vieira durante cerca de 11 anos. Idiossincrasias de uma massa associativa que criou petições para destituição da direção quando Jonas estava na porta de saída, mas que se tem mantido em silêncio desde que a SAD foi formalmente acusada de corrupção.

Desde que a equipa de futebol vá ganhando, está tudo bem.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Retratos de uma acusação

Não tive ainda acesso ao documento da acusação que, aparentemente, já circula publicamente, mas fui apanhando algumas imagens que contêm informação bastante sugestiva. Aqui ficam essas imagens, para terem uma melhor noção daquilo que está em causa.

1. Sobre o conhecimento de Vieira das ofertas dadas às toupeiras

(via @hugotiago_)

2. Sobre a cadeia de comunicação entre Paulo Gonçalves e José Augusto Silva, via Óscar Cruz

(via @hugotiago_)

3. Consciência pesada?

(via @hugotiago_)

4. As recompensas de José Silva e Júlio Loureiro

(via @PedroMCandeias)

5. As intenções de Paulo Gonçalves e da Benfica SAD

(via @EPlurCorruptum)

30 crimes

Segundo notícias divulgadas há pouco, a SAD do Benfica foi acusada de 30 crimes no âmbito do processo e-toupeira: 1 crime de corrupção ativa, 1 crime de oferta indevida de vantagem e 28 crimes de falsidade informática. Paulo Gonçalves foi acusado de ter cometido 79 crimes, enquanto os dois funcionários judiciais (José Augusto e Júlio Loureiro) foram acusados de cerca de 70 crimes.

O Ministério Público considera também terem existido comportamentos que colocaram em risco "os interesses da verdade e da lealdade desportiva" que justificam o pedido de aplicação de uma pena acessória que implique o afastamento da SAD das competições.

Aqui fica a peça completa que a RTP fez sobre o assunto:


Para além disso, segundo o CM, estão a ser considerados como prova os emails recolhidos nas buscas em que Paulo Gonçalves solicitava ofertas para subornar os seus informadores com conhecimento de Luís Filipe Vieira.


E-acusados

Conforme se previa após a recente constituição da SAD benfiquista como arguida do processo E-Toupeira, não tardou muito para que o Ministério Público passasse à fase seguinte, acusando formalmente Benfica e Paulo Gonçalves por um extenso rol de crimes: corrupção, recebimento indevido de vantagem, favorecimento pessoal, violação de segredo de justiça, peculato, acesso indevido, violação do dever de sigilo e falsidade informática.

Aquilo que achei mais curioso nas reações à acusação ontem conhecida foi a forma geral como os analistas e comentadores escalaram o nível de gravidade de tudo o que o E-Toupeira envolve. Na semana passada, quando a SAD passou a ser arguida, o caso foi tratado com alguma ligeireza e poucos equacionavam que pudesse haver qualquer tipo de consequência desportiva. Mas ontem, repentinamente, as análises (não cartilheiras) mudaram imenso.

De uma forma geral, há o entendimento de que as provas contra Paulo Gonçalves são concludentes e que não será complicado provar que o Benfica extraiu daí vantagens ilícitas. O processo é considerado simples e é provável que haja julgamento já no princípio de 2019, e as penas a que a SAD está sujeita poderão ser muito mais sérias do que se supunha, já que o MP está a pedir suspensão de atividade entre 6 meses a 3 anos - o que impediria as equipas de futebol do Benfica de participarem em competições desportivas. Para além disso, houve quem referisse que as penas poderão incluir a suspensão de quaisquer apoios do Estado à SAD durante um período entre 1 a 5 anos, o que, por exemplo, poderia colocar em causa a utilização do centro de estágios do Seixal, que se encontra construído em terrenos públicos.


Para além disso, a ponte para eventuais benefícios desportivos está bem explícita no comunicado divulgado pelo MP:
"Tais processos tinham por objeto investigações da área do futebol ou de pessoas relacionadas com este meio, ou de clubes adversários, seus administradores ou colaboradores.


Tais pesquisas foram efetuadas fraudulentamente com a utilização de credenciais de terceiros, sem o seu conhecimento ou consentimento, por forma a obterem acessos encobertos, não detetáveis. Tais informações foram obtidas ilicitamente tendo como contrapartida benefícios indevidos para os funcionários e vantagens ilícitas no interesse da respetiva SAD.

Tais condutas ocorreram designadamente, durante as épocas desportivas 2016/2017 e 2017/2018. Com estes comportamentos os arguidos puseram em risco a integridade do sistema informático da justiça, a probidade das funções públicas, os interesses da verdade e da lealdade desportiva e a integridade das investigações criminais."

Perante isto, queria apenas deixar mais algumas considerações:

  • O CV de Paulo Gonçalves era mais que conhecido quando Luís Filipe Vieira o contratou para o Benfica. Trabalham juntos há onze anos e não passa na cabeça de ninguém que Vieira não faça ideia do tipo de atividades praticadas pelo seu assessor jurídico.
  • Paulo Gonçalves é colaborador do Benfica, mas não é um colaborador qualquer: é alguém que pertence à cúpula de poder da SAD benfiquista, um dos homens de confiança do presidente, que, inclusivamente, representa oficialmente o Benfica em diversos tipos de atividades - como reuniões da Liga (e já o fez depois de ter sido constituído arguido) - pelo que não faz qualquer sentido o argumento utilizado pelo Benfica em como os atos de Paulo Gonçalves não podem implicar a SAD por aquele não se tratar de um administrador da sociedade.
  • Paulo Gonçalves continua em funções, apesar de tudo o que se sabe. Ninguém acredita que seja por uma questão de ingenuidade dos responsáveis máximos da SAD de acreditarem no princípio de presunção de inocência. Aliás, o facto de Paulo Gonçalves não ter sido suspenso no dia a seguir à sua detenção é bastante elucidativo sobre o comprometimento de algumas outras pessoas.
  • Perante o texto do comunicado do MP, fica claro que o Benfica espiou assuntos relacionados com Sporting e Porto de forma a obter trunfos que pudesse utilizar em seu favor. Obviamente que a utilização desses trunfos visava a obtenção de benefícios direta ou indiretamente relacionados com questões desportivas - a não ser que me digam que Sporting, Porto e Benfica se passaram a dedicar exclusivamente à arte do tratamento de bonsais. Como tal, a FPF e a Liga não poderão fechar os olhos ao que se está a passar. 
  • Tendo sido o Sporting uma das vítima do E-Toupeira, a SAD deverá acompanhar atentamente todo este processo para que, em momento oportuno, avance com um processo cível para a obtenção de uma indemnização que compense os danos causados.
  • Relembro que isto aconteceu menos de 10 dias depois de a nossa Comissão de Gestão nos ter envergonhado a todos ao aceitar o convite do Benfica para marcar presença no camarote presidencial da Luz.

sábado, 28 de abril de 2018

O suspeito de corrupção e o cãozinho que tenta agradar ao dono

Não sei o que é mais pateticamente revelador nesta rábula: o Benfica a fazer-se representar por alguém que é suspeito de prática de corrupção, ou aparecer o Salvador saltar em defesa desse suspeito de corrupção, qual cãozinho a tentar agradar ao dono. Triste, também, ser apenas o representante do Sporting a insurgir-se contra a presença de Paulo Gonçalves - quando devia ser a própria Liga a impor padrões mínimos de dignidade nas suas reuniões.

Sendo Paulo Gonçalves o cabecilha de uma rede corrupta que violava informações em segredo de justiça em proveito próprio ou na perspetiva de prejudicar outros clubes - nomeadamente o Sporting -, é evidente que o Sporting não poderia permanecer calado perante a presença desse indivíduo numa reunião da Liga. Esteve muito bem Bruno Mascarenhas.




sexta-feira, 23 de março de 2018

Com testemunhas abonatórias destas, quem precisa de advogados de acusação?

Artigo do site O Mirante, jornal da região de Santarém (LINK), onde o ex-presidente da Junta de Freguesia do local de residência de Paulo Gonçalves tece rasgados elogios ao assessor jurídico do Benfica.

Os exemplos dados para elogiar Paulo Gonçalves é que se calhar poderiam ter sido melhor escolhidos, digo eu... 

(via @captomente; obrigado, Carlos!)

domingo, 18 de março de 2018

WhatsApp, doc? *

* Inspirada na famosa expressão "What's up, doc?" de Bugs Bunny que, não sendo uma toupeira, também tinha o hábito de se movimentar no subsolo

(via @JosHenriqueGuer)

quinta-feira, 15 de março de 2018

A revolta de Rui Pedro Braz contra a invasão de privacidade

Ao longo dos últimos anos, um acompanhamento completo dos temas que vão dominando o futebol português vem exigindo competências cada vez maiores que há muito ultrapassaram o mero conhecimento das regras do jogo, já que coisas tão díspares como a estratégia de comunicação ou a saúde financeira dos clubes são tão debatidas como o que se passa dentro das quatro linhas. Mas na passada terça-feira, provavelmente teremos alcançado um novo pináculo no que diz respeito à aplicação de conceitos de outras áreas ao futebol.

Como é sabido, Luís Filipe Vieira anunciou, após o final do jogo com o Aves, que o Benfica iria criar um gabinete de crise para acompanhar e agir sobre quem causa danos à marca.

Há quem tenha visto nisto uma medida que se impunha. Há quem tenha pensado que é apenas uma formalização, ou seja, dar uma designação formal a algo que já existia há meses, desde que o escândalo rebentou - é óbvio que o Benfica há muito que acompanhava de perto o assunto do ponto de vista comunicacional e jurídico. E há quem veja aqui uma manobra intimidatória em desespero para tentar conter um fluxo de notícias que, efetivamente, são muito prejudiciais para a reputação do clube. Portanto, houve reações de apoio, ceticismo e de desvalorização da medida. Mas depois, numa categoria à parte, houve a reação de Rui Pedro Braz:


É extraordinário: até nisto estão dez anos à frente. Braz acha que, no futuro, todos os clubes terão gabinetes para gerir este tipo de situações. É caso para dizer: "Saí da frente ó Drucker!", o Braz dos défices positivos parece querer também enveredar pelo ramo da estratégia organizacional. 

Obviamente que é ridículo que Braz esteja a tentar convencer o seu público de que esta medida do Benfica é algo de inovador no mundo do futebol, como se a reação natural de qualquer organização em situações de crise não fosse chamar pessoas de vários departamentos que, de uma forma ou outra, podem ter contribuições importantes para dar para a contenção ou resolução de situações muito delicadas. Seja no futebol, seja numa empresa, seja num organismo público, seja no Vaticano, isso sempre se fez. As únicas coisas realmente inovadoras neste caso são a teia intricada de influências que o clube tem, e o facto de haver várias iniciativas em várias frentes (leaks, PJ) para desmontar toda essa rede.

Por falar nos leaks, também foi curioso assistir, nesse mesmo programa, a ênfase que Rui Pedro Braz deu à questão da violação de privacidade. Tem sido um tema recorrente no seu discurso, como poderão ver neste pequeno vídeo:


Basta recuarmos um par de anos no tempo para vermos que a questão da violação de privacidade nem sempre foi uma preocupação fundamental para Braz. Por exemplo, quando decidiu noticiar ao cêntimo o valor auferido por Jorge Jesus quando este passou a ser treinador do Sporting:


Para quem se preocupa tanto com a privacidade, é estranho não levar em consideração o direito que um indivíduo tem de não ter o seu salário a ser dissecado na praça pública.

Claro que, para ser justo, o salário de Jorge Jesus era um tema quente na altura, e quem o divulgou inicialmente foi o Football Leaks, ao disponibilizar o contrato entre Jesus e o Sporting no seu blogue. Portanto, acho normal que Braz tivesse feito esta análise, como seria normal que fizesse outras análises igualmente exaustivas com os dados disponibilizados nos últimos meses sobre o Benfca -como, por exemplo, a inclusão na venda de Gaitán de direitos de opção de jogadores do Atlético Madrid para empolar artificialmente o valor da venda, ou o facto de Jonas receber parcialmente o salário através de uma empresa do irmão. Resta saber por que não o fez nestes últimos casos. Será que tem andado distraído?

Mas já que falamos em Football Leaks, vale a pena recordar a opinião de Braz quando eram os documentos privados do Sporting a serem despejados na internet:


Recapitulando:

Football Leaks? "A forma como nós estamos a ter conhecimento de inúmeras coisas relacionadas com o futebol que até há bem pouco tempo não tínhamos, isso é positivo!"

E-toupeira? "Isto é uma coisa que não pode acontecer. Em primeira instância estamos a falar de um crime de invasão de privacidade, estamos a falar de um crime de divulgação de informação privada." 

Eu diria que a frase sobre o Football Leaks assenta que nem uma luva ao caso do e-toupeira, mas pelos vistos há privacidades de primeira e privacidades de segunda. É assim quando se fazem análises em função dos protagonistas e não em função dos factos.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Caça à toupeira

Eu comprava.



Vieira contra-ataca

No último sábado, após o final do Benfica - Aves, Luís Filipe Vieira dirigiu-se à sala de imprensa do Estádio da Luz para fazer as suas primeiras declarações sobre os casos judiciais que envolvem o seu clube. Uma declaração que, por um lado, pecava por tardia, mas que, por outro, seria sempre completamente inútil, pois sabia-se à partida que de nada serviria para alterar a perceção dos adeptos que acompanham toda esta situação. A partir do momento em que Vieira e a administração do Benfica afirmaram manter a confiança total em Paulo Gonçalves, quaisquer palavras que pudessem proferir sobre o assunto seriam escusadas.

A decisão da SAD em solidarizar-se com o seu assessor jurídico não foi minimamente surpreendente. As mesmas notícias que, a serem verdadeiras, não deixam qualquer margem de dúvida de que Paulo Gonçalves terá mesmo feito aquilo de que é suspeito - cópias de documentos em segredo de justiça encontrados nas buscas, fotografias que o colocam junto à toupeira numa zona VIP do Estádio da Luz, escutas que confirmam que o mesmo Paulo Gonçalves terá levado a toupeira até Vieira -, também levam a crer que, na melhor das hipóteses, é improvável que Vieira não tivesse conhecimento da natureza das ações de Paulo Gonçalves. Na pior das hipóteses, Vieira poderia não só ter conhecimento da natureza de tais atividades, como também as poderia ter instigado e as conheceria pormenorizadamente. 

Como tal, Vieira não disse nada de novo ou surpreendente no sábado - nem poderia ter dito. Só com muita boa vontade se pode catalogar as suas palavras como esclarecimentos. Nada foi esclarecido, porque não apresentou nenhum dado novo e, estando a falar em causa própria, bizarro seria se admitisse alguma conduta imprópria ou ilegal. Quem quer acreditar na sua inocência e na inocência de Paulo Gonçalves e da SAD, verá nestas palavras a resposta que se impunha. Quem não quer acreditar na sua inocência e na inocência de Paulo Gonçalves e da SAD, não ouviu nada que possa contrariar as suas suspeitas.

Pessoalmente, como acho que os indícios tornados públicos são demasiado concludentes, vi nestas palavras de Vieira uma mera manobra populista e demagógica. Andar a carpir mágoas por causa do estado do segredo de justiça e estar a exigir justiça sem clubite, quando um seu funcionário é suspeito de violar o segredo de justiça e quando é sabido que o seu clube tem por hábito fazer operações de charme à justiça através de uma série de cortesias que se aproveitam precisamente da clubite - como poderão observar nos documentos seguintes -, é um exercício de completa hipocrisia.

Documento Word publicado no blogue Mercado de Benfica, com uma lista de nomes e moradas de juízes (LINK)

Documento carta.juizes, publicado no blogue Mercado de Benfica,
com a minuta da carta enviada aos juízes com o convite para assistirem ao jogo
Benfica - Basileia no camarote presidencial do Estádio da Luz

Documento publicado no blogue Mercado de Benfica, com a lista dos 25 juízes para quem foram enviados convites; 23 aceitaram

Documento publicado no blogue Mercado de Benfica, com a lista dos juízes convidados para o Benfica - Sporting disputado em novembro de 2011

Vieira apelou também à união dos benfiquistas contra os inimigos externos - resta saber se considera a justiça como inimiga -, mandando mais uma série de sound bites à volta da obra feita, como o património construído, os títulos conquistados, o facto de ser o único clube que tem futuro (yeah, right...), e que nunca deixou de pagar aos seus profissionais (Talisca - LINK - e Bernardo Silva - LINK - riram-se).

Vieira defendeu-se ao seu estilo, e passou depois para o ataque, prometendo agir criminalmente contra todos aqueles que mancharem a marca do Benfica, sejam eles administradores (?), jornalistas ou marcas. Curioso que um arguido do processo Lex por corrupção a um juiz esteja tão preocupado com os danos provocados à marca por terceiros, quando ele próprio é, neste momento, o maior fator de ameaça à marca que diz querer defender.

Também aqui será curioso ver como reagirá a classe dos jornalistas e a ERC. Se Bruno de Carvalho foi alvo de críticas públicas imediatas por ter apelado a que não se consumisse determinado jornalismo - sem nunca apelar a algum tipo de condicionamento do trabalho da comunicação social -, o que farão agora que um outro presidente que está a ameaçar jornalistas com ações judiciais se fizerem aquele que é precisamente o seu trabalho?

domingo, 11 de março de 2018

Cair com estrondo (@3295c_)

Novo texto do 3295C.



Já se percebeu que o Benfica está a tentar curar um cancro com aspirina. A saída em liberdade de Paulo Gonçalves está perfeitamente enquadrada com as medidas de coacção previstas para os tipos de crime de que é acusado. E não são nada leves. Independentemente de ter tido autorização para voltar ao seu local de trabalho – quando no dia em que foi ouvido pela juíza de instrução saí na primeira página do i, reconhecidamente com critérios editoriais vermelhos, era apresentado como portista ferrenho –, tal não invalida que tenha de ir sentar-se no banco dos réus para ser julgado, respondendo às acusações que sobre si recaem, uma vez que se remeteu ao silêncio no referido interrogatório.

Informa a imprensa agora que as autoridades começaram a investigar a existência de mais duas toupeiras que passariam informações de processos, quem sabe novamente a troco de umas camisolas, umas visitas à tribunal presidencial da Luz, com direito a fotos com craques e presidente, cachecóis e outras benesses que, por amor de Deus, quem é que se vai vender por tão pouco!

Os mais fraquinhos continuam em negação e embarcam na ridícula teoria da cabala contra o Benfica, como se não fosse a sua máquina que controlasse os principais meios de difusão de propaganda contra os adversários e branqueamento do que se passa dentro da casa dos patrões.

O caso dos e-mails andou, durante muito tempo, demasiadamente escondido das páginas de muitos títulos e da antena de outras tantas rádios e televisões. Era o elefante na loja de cristais que uma esmagadora maioria da imprensa parecia querer ignorar, até o silêncio ter ficado realmente ensurdecedor.


Durante estes anos de denúncias, o Sporting, pela voz de Bruno de Carvalho, fez o papel do rapaz na história de ‘O Rei Vai Nu’. Pior para o Clube porque na história riem-se do rapaz. No caso do Sporting, atacam com mentiras para numa tentativa ímpia de descrédito do mensageiro, sem perceber que caem no ridículo por passar ao lado da mensagem, que é realmente o que importa.


Desde os vouchers que se anda a tapar o sol com a peneira, até se perceber, afinal, que o futebol já tem cancro de pele e que quanto mais se prolongar o facto de ter de se olhar de frente para os problemas e tentar resolvê-los, ao invés de acreditar que o tempo tudo cura e que as pessoas não terão memória para a pouca vergonha do que se anda a passar.

Comentadores afectos ao Benfica pelas televisões (todas) a tentar defender o indefensável. Até ouvi a extraordinária verborreia de um deles – não os identifico porque, no final, são todos iguais –, alegando que ele próprio não faz nada sem pedir favorzinhos, porque é assim neste país.

O rei vai nu e riem-se é do rapaz.

O pior que pode acontecer a algum prevaricador é o sentimento de impunidade. Cometer um crime e considerar que tem fortes possibilidades de sair sem problemas. Ter toupeiras em vários tribunais para conseguir informações de processos, mesmo a troco de uma só barra de Twix, não é apenas um crime de corrupção passiva e activa. Facilmente deve configurar associação criminosa. E enquanto ‘escaparem’ os Guerras e os Gonçalves desta vida, que não se pense que o chefe está a salvo. O seu envolvimento em toda esta trama está cada vez mais a ficar menos nublado (para ser modesto na apreciação) e no dia que ficar nítido para a polícia, leia-se haver provas, a queda será com estrondo. Ficaremos a saber quem é, de facto, o novo Vale e Azevedo do futebol português. Até parece as ligas a título experimental: alguém está a fazer o pleno. E se virmos bem, há um padrão:

Ligas da tanga
1934/35 FC Porto
1935/36 Benfica
1936/37 Benfica
1937/38 Benfica

Artistas
1982/… Pinto da Costa (33.º presidente)
1997/00 Vale e Azevedo (o original)
2003/… Luís Filipe Vieira (33.º presidente)

Já se sabe onde, provavelmente, irá cair o próximo messias. E para os portistas chocados com esta lista é porque não se recordam da fuga para Vigo e do pentelho processual que salvou o ainda líder depois das escutas que o país inteiro ouviu e que, para vergonha nacional, não foram incluídas como provas.

E ainda para os que querem responder com o idiota exemplo de Paulo Pereira Cristóvão, deixo só uma pergunta: que função desempenha cada um deles nos respectivos clubes no momento e quanto tempo demoraram a sair? Na resposta, encontra-se uma das gigantescas diferenças entre os três grandes, que mais não são do que aquilo que os seus adeptos quiserem que seja.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Escutas implicam Vieira

O Correio da Manhã revela que existem escutas que provam que Luís Filipe Vieira conheceu pessoalmente a toupeira José Silva. Segundo o jornal, José Silva foi fotografado pela PJ na companhia de Paulo Gonçalves na zona VIP do Estádio da Luz, e, nesse mesmo dia, terá sido levado pelo assessor jurídico do Benfica até Vieira. Esse encontro não terá sido fotografado, mas escutas ao telemóvel de José Silva comprovam que esse encontro terá mesmo acontecido. 

Se dúvidas existissem, esta revelação torna ainda mais evidente que o presidente do Benfica tinha conhecimento das ações praticadas por Paulo Gonçalves e pelo técnico de informática em benefício do clube. Ou seja, Vieira não sabe apenas das coisas pelos jornais...

Aqui fica o resumo feito pela CMTV...


... e a notícia completa do CM.

(clicar na imagem para ampliar)

De referir também que, apesar de o Benfica ter negado que o sobrinho de José Silva alguma vez tenha trabalhado no Museu Cosme Damião, a Polícia Judiciária encontrou o seu CV no escritório de Paulo Gonçalves, o que indicia que, pelo menos, terá mesmo havido oferta de emprego. Como se sabe, não é necessário haver uma oferta consumada para que seja considerado corrupção - basta a simples promessa de oferta.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Recital à Braz

Ao princípio da noite de ontem, foram anunciadas as medidas de coação aos dois arguidos detidos pela Polícia Judicária. José Sousa, o técnico informático que terá fornecido ao Benfica elementos confidenciais de processos judiciais, ficou em prisão preventiva, enquanto Paulo Gonçalves foi submetido a termo de identidade e residência e proibição de contactar os restantes arguidos do processo.

A notícia de que Paulo Gonçalves poderá permanecer em liberdade enquanto as investigações decorrem parece ter provocado um estado de euforia em Rui Pedro Braz que, minutos depois, na TVI24, deu um dos maiores recitais cartilheiros de que tenho memória, uma obra-prima da arte do spin. Ou então não, porque se uma pessoa se põe a pensar um pouco sobre o que disse, acaba por ficar baralhada. Aqui ficam alguns dos melhores momentos.


"A violação do segredo de justiça é uma farsa!"


Para Braz, a violação de segredo de justiça provocado por Paulo Gonçalves não tem qualquer importância, porque o segredo de justiça é constantemente quebrado em Portugal, seja por jornalistas ou blogues. O que se pode concluir das suas palavras é: como todos fazem, então isto não tem qualquer importância.

Rui Pedro Braz esquece-se de dois pormenores que fazem toda a diferença entre uns casos e outros: a motivação que leva uma pessoa a quebrar o segredo de justiça e, sobretudo, o que espera ganhar com essa quebra de segredo de justiça. Um jornalista fá-lo com o intuito de informar o público. Um blogger fá-lo com o intuito de expor algo que considera errado, normalmente de forma não desinteressada (se estivermos a falar de futebol), mas usa dados que já foram previamente publicados por outros. Paulo Gonçalves, segundo as informações que foram veiculadas nos últimos dias, fê-lo para prejudicar clubes concorrentes (e, por inerência, beneficiando o clube para o qual trabalha) e, pior, fê-lo para se manter informado sobre o estado de uma investigação que tinha como alvo o próprio Benfica - que, no limite, podia permitr-lhe tomar medidas de forma a ludibriar ou dificultar o curso dessas mesmas investigações.

Misturar isto com a generalidade dos casos de violação de segredo de justiça é totalmente absurdo.


"O homem passou a noite na prisão... para isto"


Braz diz que um suborno pressupõe uma contrapartida equiparada em relação ao favor que está a ser prestado, dando a entender que, considerando as ofertas feitas ("meia dúzia de bilhetes e uma camisola de merchandising"), então não deveremos estar perante um caso ilícito.

Em primeiro lugar, folgo saber que, de entre as fontes de Rui Pedro Braz, existe um especialista em taxas de câmbio de favores que sabe ao certo quando é que uma determinada oferta poderá ser suficientemente aliciante para levar alguém a deixar-se corromper.

Eu, pessoalmente, acho que Braz está a menosprezar o valor sentimental das ofertas. Se por acaso eu fosse uma pessoa corruptível, garanto que mais facilmente me deixaria tentar por um bilhete para um jogo do Sporting com valor facial de 30 euros do que por um bilhete para o mais exclusivo dos bailados em cena no Teatro Bolshoi com viagem e alojamento incluídos. No caso do técnico de informática, que, ao que tudo indica, é mesmo uma pessoa corruptível e não deverá ser uma pessoa de grandes contactos e património, não me custa nada a acreditar que se tenha sentido encantado por ter ido ver um jogo ao camarote presidencial do Benfica e conhecer alguns dos seus ídolos de juventude (ver imagem ao lado, colocada no Twitter pelo Mister do Café).

Depois, Braz consegue ainda transformar Paulo Gonçalves em vítima: então obrigaram o homem a passar uma noite na prisão por causa de seis bilhetes e uma camisola?, pergunta indignado. Não, Rui Pedro. Obrigaram o homem a passar uma noite na prisão por causa dos benefícios que alegadamente terá recolhido de uma prática criminosa.

E Paulo Gonçalves não foi libertado por uma questão de falta de provas. Simplesmente, sendo de cinco anos a pena máxima do crime em causa, Paulo Gonçalves teria de preencher uma série de prerrogativas para justificar a medida de coação de prisão preventiva. Mas considerando-se não haver perigo de fuga, sendo uma pessoa com residência fixa e uma ocupação laboral estável, e considerando o crime em causa, é normal que tenha sido libertado.


"Tudo somado, começa a causar alguma estranheza como é que ainda não há consequências"


Esta é hilariante. Braz considera que não houve consequências significativas após cinco buscas e meses de investigação. Bom, se considerarmos que...
  • Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, foi constituído arguido por corrupção no processo Lex;
  • Fernando Tavares, vice-presidente do Benfica, foi constituído arguido por corrupção no processo Lex;
  • Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Benfica e um dos braços direitos do presidente, foi detido e constituído arguido por corrupção ativa.

... então não sei o que poderiam ser consequências apropriadas num espaço de tempo tão reduzido. E considerando o que se conhece dos emails, das suspeitas de aliciamento a jogadores de equipas adversárias, e sabendo-se que existem escutas... veremos o que ainda se seguirá. Há quem continue a dizer que o melhor ainda está para vir.


A pièce de résistance

Se aquilo que já viram é de uma delícia extrema, então não deixem de ver o próximo vídeo. É a maravilha das maravilhas.




Esta entra diretamente para o top 3 das melhores teorias de sempre de Rui Pedro Braz. Não posso deixar de comentar duas destas frases.

"Hoje em dia é raro o processo que numa repartição de finanças ou numa entidade bancária é despachado em tempo útil sem que se tenha de pagar um almoço a alguém"

Agora fiquei confuso: Rui Pedro Braz tinha acabado de dizer que 6 bilhetes de futebol e uma camisola de merchandising não é contrapartida suficiente, mas agora diz que com almoços consegue-se fazer coisas acontecer?

E já agora que falamos em almoços, se me conseguir esclarecer uma dúvida: e vouchers para um jantar para quatro pessoas? Dá para desbloquear alguma situação chata que não se esteja a resolver por si só? É para um amigo...

"Eu não consigo muitas vezes levar as coisas em tempo útil sem ter que pedir um favor a alguém, sem ter que demonstrar alguma gratidão por alguém" 

Pois, caro Rui Pedro Braz, considerando o emprego que tem e a forma como o exerce, já todos tínhamos percebido isso... 

quarta-feira, 7 de março de 2018

First responders

Os americanos costumam designar de first responders os profissionais das forças de segurança e da proteção civil, como polícias ou bombeiros, que chegam em primeiro lugar ao local de uma emergência.

Ontem, em Portugal, viveu-se uma espécie de emergência - pelo menos para uma certa fatia da sociedade civil - com a notícia da detenção de Paulo Gonçalves. Não havendo um plano previamente delineado para responder a um incidente desta natureza - leia-se cartilha de Janela -, muitos dos comentadores afetos ao Benfica chamados para comentar a ocorrência não conseguiram esconder uma certa descoordenação no discurso.

É nestes momentos de caos que se consegue determinar aqueles que conseguem manter o sangue frio que lhes permita desencantar soluções em condições muito adversas. Nesse prisma, o prémio vai para o duo dinâmico do MaisTabaco composto por Rui Pedro Braz e Luís Aguilar - em particular para o primeiro, que parecia ter saído há pouco da cama quando foi chamado a comentar via telefone. No meio da confusão generalizada, conseguiram colocar um mínimo de organização no discurso.

Ora vejam:


Discurso bem coordenado entre as duas almas gémeas.  Admito que é uma forma bastante elegante de se colocar em dúvida que Paulo Gonçalves tivesse efetivamente feito as coisas que levaram à sua detenção: o homem é de tal forma experiente e competente, que não faz grande sentido que tivesse cometido tais atos. Há, no entanto, dois pormenores que torna isto menos surpreendente: primeiro, é normal que, após anos e anos seguidos a fazer o que quer, uma pessoa se sinta intocável e não tome todas as precauções necessárias; depois, a data em causa é anterior à constituição de Paulo Gonçalves como arguido, pelo que os holofotes estavam a aquecer e ainda não encandeavam pessoas demasiado seguras de si próprias.


terça-feira, 6 de março de 2018

E o Oscar de justificação mais esfarrapada vai para...

E o Oscar de justificação mais esfarrapada para as ações do Benfica vai para...

<abrindo o envelope>

... Jorge Baptista, pelo que disse há pouco na SIC Notícias!

<standing ovation>




E-toupeira: e assim se demonstra a cumplicidade da estrutura


Artigo da Sábado onde se pode ler que o Benfica ofereceu emprego ao sobrinho do técnico informático dos serviços judiciais que foi hoje detido, como contrapartida dos "serviços" prestados. 



Perante isto, cai por terra a réstia de dúvidas que pudesse existir em relação ao conhecimento que a restante estrutura teria sobre as ações de Paulo Gonçalves. O assessor jurídico do Benfica agiu em benefício do clube e o clube colocou à disposição meios próprios para ajudar Paulo Gonçalves na obtenção desses benefícios.

Relembro que os convites que Júlio Loureiro recebeu do Benfica foram feitos por Paulo Gonçalves com conhecimento do próprio Luís Filipe Vieira.





Operação e-toupeira

Comunicado da Polícia Judiciária (LINK):

A Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) e no âmbito de um inquérito que corre termos no DIAP de Lisboa deteve dois homens pela presumível prática dos crimes de corrupção ativa e passiva, acesso ilegítimo, violação de segredo de justiça, falsidade informática e favorecimento pessoal.

No decurso da operação, que envolveu cerca de 50 elementos da Polícia Judiciária, um juiz de instrução criminal e dois magistrados do Ministério Público, foram realizadas trinta buscas nas áreas do Porto, Fafe, Guimarães, Santarém e Lisboa que levaram à apreensão de relevantes elementos probatórios.

Nesta investigação, iniciada há quase meio ano, averigua-se o acesso ilegítimo a informação relativa a processos que correm termos nos tribunais ou Departamentos do Ministério Público a troco de eventuais contrapartidas ilícitas a funcionários.

Os detidos vão ser sujeitos a primeiro interrogatório judicial.

A investigação prossegue com vista à continuação de recolha de prova e ao apuramento dos benefícios ilegítimos obtidos.



Duas notas: o nome da operação (e-toupeira) não desilude, e já tem lugar no panteão das grandes expressões do futebol português; vale a pena recuperar o post que apresenta Júlio Loureiro, um dos funcionários judiciais visados nesta operação: LINK.